segunda-feira, março 24, 2008

Mais um leitor "viajante"...


Leiam atentamente a mensagem abaixo. Volto em seguida:

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Ola

Fico intrigado com pessoas pertencentes ao neo-liberalismo americano. Assim como o autor do blog. Alguem que necessite de ter opinioes sempre contrarias para sentir-se bem no mundo onde vive, para deixar no ar uma mascara de 'PENSADOR'.E isso se dá em suas postagens pelo fato da sua força de vontade de mostrar que não entende muito de economia ou algo assim. Bom acho que um ex-professor de historia não deveria entrar em tantos detalhes sobre sistemas economicos para não fugir do real.Mas isso é caracteristica de pessoas que em todo tempo procuram ser DO CONTRA como forma de satisfação pessoal.Como se "eu não sou como a maioria".Detalhes cientificos então!uau. Quanta besteira.É incrivel como todos têm um pouco de MEDICO, LOUCO e CIENTISTA.Basta nós, formados em ciências elaborarmos um argumento falacioso com premissas ridiculas para uma cambada de historiadores dizerem ser verdade ou não.É incrivel.Acho que procuramos um ramo de estudo e as vezes perguntamos a alguem mais preparado sobre algo que não conhecemos. Não podemos sair por ai dizendo ser verdade um tema que sequer temos um mediocre conhecimento.Mas como ja disse outrora, isso é um problema de satisfação pessoal de quem quer opinar sobre todos assuntos mesmo não tendo conecimento algum sobre ele. Abraços.

Entenderam alguma coisa? Eu também não. O post acima foi enviado por alguém que assina "Joab" e é, pelo menos em teoria, um comentário a meu texto Antonio Gramsci, ou como fazer amigos e influenciar pessoas, que publiquei neste blog em 27 de janeiro passado. Transcrevi-o na íntegra, sem modificar uma vírgula, como costumo fazer.
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Por mais que eu lesse e relesse, não consegui ver nenhuma conexão entre o que eu escrevi e o que vem escrito acima. Confesso que foi tarefa árdua, diante da quantidade de erros de português que o sujeito consegue cometer num texto tão curto. Sem falar nos de lógica, o que torna difícil entender o que o cidadão quis dizer, afinal de contas. Creio que o post acima transcrito merece figurar como exemplo da confusão mental em que mergulham certos cérebros, que não sabem direito contra ou a favor do que são, mas fazem questão de dizer alguma coisa assim mesmo. É somente por isso que escrevo sobre ele aqui. Vamos tentar destrinchar esse parágrafo realmente sem pé nem cabeça.
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De cara, o sujeito já coloca sobre mim um rótulo, o que é uma forma muito confortável de isentar-se da obrigação de pensar - no caso, sou um representante do "neoliberalismo americano". O que seria isso, exatamente? Desconheço. Seria um defensor do livre mercado e da não-interferência estatal na economia, pertencente à escola dos "Chicago Boys"? Ou um neoconservative defensor do imperialismo norte-americano e adepto do "big government" (ou seja: o oposto exato do liberalismo econômico)? Aqui a confusão conceitual parece atingir o paroxismo. Basta lembrar que "liberal", nos EUA, significa o mesmo que "esquerdista" no Brasil. E ainda por cima "neoliberal"? E "americano"? O que diabos o sujeito quis dizer com isso?

A ânsia do cidadão em me rotular ideologicamente só tem paralelo na capacidade de o dito-cujo ignorar toda uma gama de adjetivos que poderiam ser utilizados para definir minha posição política - todos, aliás, pouco coerentes e imprecisos -, tais como: "conservador", "direitista", "reacionário" etc. Há tantas classificações possíveis e variadas quanto o gosto de cada um. Quanto a isso, se alguém quiser saber, sou apenas alguém que pensa com a própria cabeça, sem se apegar a rótulos de qualquer tipo.
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Como se não fosse o suficiente, o sujeito ainda diz que eu seria "alguém que necessita ter opiniões sempre contrárias para sentir-se bem no mundo onde vive, para deixar no ar uma máscara de 'PENSADOR'" etc. Enfim, eu seria "do contra" apenas por uma questão de satisfação pessoal, de necessidade narcísica de "pensar diferente". Um lance assim de vaidade, sabe?... É incrível a pretensão de algumas pessoas. Além de acreditarem poder definir com exatidão o pensamento político de outra, com base num cardápio sortido de opiniões ideológicas ao qual bastaria recorrer para dele retirar um rótulo que lhes pareça mais conveniente, acreditam poder, ainda por cima, adivinhar o que se passa no mais recôndito da alma humana. Pelo visto nosso amigo é uma dessas pessoas iluminadas, capazes de dizer com exatidão as motivações ocultas por trás das mínimas ações de qualquer pessoa. Mais um pouco e eu poderia apostar que ele deve ganhar a vida em algum circo como adivinho e prestidigitador...
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Sem falar que dizer que alguém (ou seja: eu) necessita ter opiniões sempre contrárias para "sentir-se bem no mundo em que vive" é de um contra-senso atroz. Em primeiro lugar, contrárias a quem? Se se está falando da maioria da humanidade, cuja opinião é quase sempre moldada não pela consciência individual mas pelos "formadores de opinião" de plantão, então a afirmação é duplamente um contra-senso. Até onde eu sei, remar contra a maré, ir de encontro à opinião da maioria, não costuma ser uma coisa muito prazerosa. Pelo contrário, na maioria das vezes, isso significa isolamento opinativo e marginalização social, principalmente em um país como o Brasil, onde se valoriza o consenso, não o dissenso, e onde a maioria dos soi-disant intelectuais prefere refugiar-se no impessoal e no coletivo a ter de enfrentar a dura tarefa de pensar independentemente. Em alguns países, tal atitude tem conseqüências ainda mais sérias, podendo significar o cárcere e até mesmo a morte. Muito mais fácil, muito mais conveniente - e lucrativo também -, é abdicar do pensamento divergente e seguir o rebanho, aderindo ao unanimismo. Enfim, ser "do contra", meu amigo, não é mole, não.
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Além do mais, quem disse que minhas opiniões são sempre contrárias? Mais uma vez, é preciso perguntar: contrária ao quê? Ou a quem? Se me declaro contrário à ditadura e ao terrorismo, por exemplo, isso só pode significar que sou favorável a seu oposto, ou seja, à democracia e ao combate ao terrorismo. Quer dizer que sou a favor da liberdade e dos direitos humanos, e contra as tiranias e o crime. Talvez seja o fato de eu ser contra essas coisas que intriga alguns e irrita tanta gente. Vai ver é isso.
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Bom, já expliquei, em outro post, o porquê do nome desse blog, "Do Contra", e não pretendo me repetir. Faço apenas um adendo ao que também já escrevi antes, sobre minhas opiniões. Não escrevo apenas por uma questão de ego ou de cabotinismo - embora, devo reconhecer, seja bastante divertido desmascarar as platitudes esquerdistas e os que as repetem como ovelhas -, de "ser contra a maioria" etc., mas, principalmente, pelo mesmo motivo por que escrevia George Orwell: porque há uma mentira que precisa ser denunciada. No caso das esquerdas e seus defensores, a matéria-prima é inesgotável e produzida diariamente. Se, nesse processo, eu extraio alguma satisfação pessoal, ótimo: afinal, é maravilhoso unir o útil ao agradável.
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Eu poderia comentar frase por frase, palavra por palavra, o post de nosso amigo desmiolado, mas me contento com o seguinte exemplo. Vejam a frase: "Basta nós, formados em ciencias [,] elaborarmos um argumento falacioso com premissas ridículas [,] para uma cambada de historiadores dizerem ser verdade ou não". Ora, se um argumento é falacioso e baseado em premissas que o próprio autor reconhece serem ridículas, qual a razão de se opor à conclusão da "cambada de historiadores" - presumo que eu seja um deles -, de que se trata de algo obviamente falso? Nem é preciso ter sequer um conhecimento medíocre sobre qualquer ramo do conhecimento para concluir desse modo. Ou será que mudaram completamente as leis da lógica e eu não fui avisado?
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É isso que eu tinha a dizer. Tentei extrair algum sentido lógico do restante do texto mas esse meu esforço, devo confessar, foi em vão. A capacidade de certas pessoas de transformar palavras em caos é algo que sempre me intrigou. Confesso, porém, que essa capacidade eu não invejo nem um pouco.

Um comentário:

Stefano disse...

...é cada porcaria que te aparece, hein...Para mim, esse tipo é o pior deles: o Boçal Soberbo, espécie abundante aqui no Esgotão...E já que ele descobriu tua verdadeira identidade de "neoliberal americano", aqui vão minhas palavras de incentivo:
KEEP THE GOOD WORK!