Mostrando postagens com marcador Oriente Médio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Oriente Médio. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, julho 21, 2014

OS ADORADORES DA MORTE

 
Dizem que blogs são para textos curtos. Se for assim, paciência. Segue um pouco de História (para quem dá valor a FATOS, não à propaganda):

Durante muitos anos, o chamado "conflito israelo-palestino" foi travado entre dois lados - o Estado de Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), criada em 1964 mas que tem raízes na Fatah, que hoje administra a Cisjordânia - que não se recon...
heciam nem admitiam a existência um do outro. Nem um nem outro aceitavam que o outro lado deveria existir e tudo faziam para destruir-se mutuamente.

Em 1993, finalmente Israel e a OLP se cansaram da matança sem fim e concordaram com a criação de dois Estados, um israelense e outro, palestino. Até chegarem aí, muito sangue foi derramado de parte à parte, com inúmeros atentados terroristas de organizações palestinas, seguidos de represálias israelenses etc. Israel só aceitou negociar com a OLP de Yasser Arafat depois que esta renunciou ao terrorismo e reconheceu o direito de Israel existir. Por causa desse gesto ousado e corajoso de ambos os lados, tanto Arafat quanto os líderes israelenses Yitzhak Rabin e Shimon Peres (atual presidente de Israel) ganharam (merecidamente) o Prêmio Nobel da Paz (por causa desse acordo de paz, aliás, Rabin foi assassinado por um extremista judeu, em 1995).

De lá para cá, a chamada "questão palestina", na prática (ou seja: como uma disputa pela criação do Estado palestino), deixou de existir. Hoje se resume à demarcação das fronteiras dos dois estados (concordou-se inicialmente que seriam as mesmas de antes de 1967) e à questão sobre o status de Jerusalém. O premiê israelense Benjamin Netanyahu e o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, discordam em muitos pontos, e certamente não se gostam, mas tanto um quanto o outro concordam com a solução de dois estados (e mesmo que não concordassem, há um acordo de paz entre ambas as partes, que deve ser respeitado etc.).

Acontece que de lá para cá, também, um novo ator entrou em cena: o HAMAS (Movimento de Resistência Islâmica), surgido em 1988 - mesmo ano em que a OLP abandonou o terrorismo e reconheceu Israel -, apoiado pelo Irã (que jurou varrer Israel do mapa) e derivado da Irmandade Muçulmana (a mesma organização fundamentalista islamita que foi há pouco expulsa do poder no Egito).

O que quer o Hamas? Vejamos:

1) NÃO reconhece a existência de Israel, nem os Acordos de 1993, e se recusa a participar de qualquer negociação de paz;

2) NÃO aceita renunciar ao terrorismo contra Israel (que teve de construir um muro para evitar a entrada de terroristas em seu território - medida, aliás, que atingiu seu objetivo);

3) considera a Autoridade Palestina, presidida pela Fatah,
como "traidores"e "inimigos"; e

4) tem por objetivo nada menos do que DESTRUIR ISRAEL, MATAR OS JUDEUS (está no seu Estatuto: http://www.beth-shalom.com.br/artigos/estatuto_hamas.html
), e implantar em seu lugar um Estado islâmico governado pela "sharia", a lei do Alcorão.

Pois bem. Em 2005, o então primeiro-ministro israelense Ariel Sharon (ele mesmo) ordenou a retirada de TODOS os colonos judeus que ocupavam a Faixa de Gaza desde a guerra de 1967. Fez isso de forma unilateral, sem pedir nada em troca. No ano seguinte, ocorreram eleições em Gaza, as primeiras da História na região, vencidas pelo Hamas. Em 2007, logo depois de mais uma guerra contra Israel, o Hamas se livrou de seus rivais do Fatah, passando-os (literalmente) a fio de espada. Milhares morreram - palestinos mortos por palestinos, mas pouco se falou disso à época, e quase ninguém lembra.

Desde então, a Faixa de Gaza é controlada pelo Hamas, que ali instaurou um mini-Estado islamita. O Hamas usa Gaza como cabeça de ponte para lançar ataques com mísseis contra a população de Israel (lembrem: Israel se retirou da região em 2005, logo não é uma disputa por território). Pior: faz isso usando a própria população civil palestina de Gaza como escudos humanos e incitando-a a morrer por Alá (e a ser usados como troféus - cada palestino morto por um míssil israelense é uma bênção para o Hamas - vejam aqui: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/chefao-do-hamas-confessa-grupo-terrorista-usa-sim-escudos-humanos-e-ainda-convoca-populacao-a-morrer/). Do mesmo modo que o Hamas envia homens-bomba em atentados terroristas, incita a população civil palestina (homens, mulheres, crianças) a se exporem aos contra-ataques israelenses, para morrerem como "mártires" e servirem como carne de canhão e instrumento na guerra de propaganda. Ou seja: o Hamas ataca civis dos dois lados: israelense e palestino.

Muito bem. Para qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento e de boa vontade, não é difícil perceber que o HAMAS é, hoje, o MAIOR OBSTÁCULO E O MAIOR INIMIGO DA PAZ NA REGIÃO. É o principal empecilho, inclusive, ao pleno reconhecimento do Estado palestino (é isso, e não os assentamentos judeus na Cisjordânia, ou a política linha-dura de Netanyahu, o que impede a plena resolução da questão). Se ainda há guerra na região, se os dois lados não terminam de acertar os ponteiros, não é por causa de Netanyahu, nem de Shimon Peres, nem do muro na Cisjordânia, nem do Mossad: é por causa do HAMAS.

Resumindo: Israel reconheceu a solução de dois Estados, assim como a Fatah. O Hamas, não. O Hamas não quer dois estados convivendo lado a lado. Não quer a paz entre palestinos e israelenses. Pelo contrário: quer a guerra. Quer a destruição de Israel e a "extinção dos judeus" (lembra algo?).

Diante disso, uma pessoa sincera e amante da paz concordaria que qualquer solução para a região passa antes, necessariamente, pela neutralização dos loucos assassinos do Hamas, em primeiro lugar. Pela prisão e/ou morte de seus chefes e pela destruição de sua infraestrutura terrorista. Mesmo assim, o que mais se vê e se ouve, quando Israel responde aos incessantes ataques e provocações do Hamas, são críticas e condenações furibundas a... Israel (!!!!). Qualquer pessoa minimamente honesta percebe que tem algo muito errado nisso aí.

Portanto, qualquer crítica a Israel que não leve em consideração o que está escrito aí acima NÃO merece um minuto de atenção. Qualquer menção a "bombardeios ilegais" ou à "reação militar desproporcional" de Israel que não mencione o terrorismo do Hamas não vale a pena sequer ser respondida. Nem vou perder tempo retrucando o uso de palavras como "fascismo" e "genocídio" (???!!!) usadas para tentar atacar Israel. Vou considerar esse tipo de coisa uma ofensa à inteligência.

Enfim, o que me impressiona não é o cinismo canalha e o culto genocida de grupos terroristas como o Hamas. É como tanta gente dita inteligente, ilustrada e "pacifista" se deixa enganar por essa forma de propaganda calhorda, prestando-se ao papel de idiotas úteis dos adoradores da morte.

sábado, setembro 01, 2012

QUEM É RETRÓGRADO?

Há alguns dias, estava eu conversando com uma amiga minha de longa data na internet. Quer dizer, conversando é maneira de falar, porque na verdade tentei conversar. Minha amiga é uma pessoa de esquerda. Não uma militante (pelo menos acho que não), mas de qualquer modo esquerdista e, a julgar por suas mensagens no facebook, atéia, pró-feminista, pró-marxista etc. Enfim, alguém que, em termos de idéias, segue o mainstream.

Como eu disse, tentei iniciar uma conversa. Tenho esse mau hábito: querer conversar sobre política. Pior ainda: na internet. Mas, insistente, fui adiante. Comecei dizendo de minha surpresa por ter descoberto, lendo um comentário de minha amiga em uma página qualquer da web, que ela era atéia (até então eu não sabia). Como sou ateu desde os 14 anos de idade, achei que tinha encontrado uma parceira espiritual. "Vamos trocar figurinhas?", convidei-a.

Entusiasmado com a possibilidade de trocar idéias sobre assunto tão palpitante, perguntei: não é estranho que a imensa maioria dos que se dizem ateus no Ocidente dedicam-se tanto a espezinhar a religião cristã, especialmente a Igreja Católica, enquanto poupam religiões como o Islã? E citei especificamente regimes como a teocracia islamita do Irã, onde mulheres são apedrejadas por adúlteras e homossexuais são enforcados em praça pública. Perguntei por que os militantes gayzistas e feministas ocidentais, quase todos esquerdistas, não diziam quase nada sobre o assunto. Minha amiga de início se surpreendeu: "Como não? Tem vários vídeos no youtube que denunciam isso" etc. Lembrei que tais militantes humanistas e progressistas gastavam 90% de seu tempo a atacar a religião cristã. "É porque é a maior religião", redargüiu, enfática. Mesmo assim, respondi, não conheço nenhum caso de pessoa executada por blasfêmia ou comportamento desviante a mando do Vaticano, por exemplo. E resolvi mencionar um fato que, aos olhos de minha amiga, deve ter parecido uma heresia: a religião mais perseguida do mundo, hoje, é o cristianismo. Veja o que ocorre no Oriente Médio, na China etc.

Isso foi demais para minha interlocutora. Indignada, talvez ofendida com esse fato - não era sequer um argumento: era um fato -, minha amiga abruptamente deu por encerrada a nossa conversa. Não perderia mais tempo debatendo com alguém como eu, que vou contra tudo aquilo que ela tem em alta estima etc. Ainda por cima - isso foi o que mais me chamou a atenção -, eu teria uma "agenda política retrógrada" (!). Passar bem.

Confesso que aquela conversa - ou melhor: a forma brusca e inesperada como terminou a conversa - me deixou meio atordoado. Nem tanto pelo fato de ter sido chamado de "retrógrado" (sendo um crítido contumaz das fórmulas e dogmas marxistas, já estou acostumado a ser chamado de coisa pior), mas porque, pela primeira vez, alguém disse que eu tinha uma "agenda política". Agenda política, eu?, fiquei pensando. Mesmo depois de ter escrito isso aqui: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.gr/2010/04/individuo-nao-manada.html?

Mas voltemos ao adjetivo infame, "retrógrado". Por que fui brindado com o epíteto? Porque achei estranho, para dizer o mínimo, que tantos autoproclamados ateus preferissem dirigir suas baterias contra o cristianismo, deixando de lado o Islã. Porque tantos ateus, sobretudo na Europa e nos EUA, onde proclamar-se ateu virou uma espécie de modismo, se comprazem em atirar lama no Papa ou em pastores evangélicos, cujos ensinamentos ninguém está obrigado por lei a seguir, ao mesmo tempo em que costumam silenciar sobre barbaridades cometidas em nome do Islã, sobretudo em alguns países islâmicos, onde essa liberdade não existe.

Ou seja: sou um retrógrado, ainda por cima com uma agenda política, porque defendo os direitos dos gays e das mulheres no Irã e na Arábia Saudita. Mais: sou um retrógrado, um reacionário e um fascista porque - vejam que absurdo! - tenho a ousadia de defender os direitos de minorias religiosas (no caso, os cristãos nos países do Oriente Médio). Sim, sou um bandido, um canalha, um assassino, porque defendo o direito à livre expressão e à existência de quem pensa diferente de mim. Já aqueles que critico, os ateus do tipo Noam Chomsky e Tariq Ali, são democratas e progressistas porque não dizem uma palavra sobre isso. Não é fantástico?  

É um fenômeno curiosíssimo! Quem quiser ser louvado como uma pessoa de bem, humanista e tolerante, que saia em defesa dos direitos dos muçulmanos na Bélgica ou na França, ou que, pelo menos, faça vista grossa a regimes como o iraniano. (Alguns vão mais além, e justificam mesmo esses regimes: são os multiculturalistas.). Por outro lado, quem quiser ser execrado e rotulado de retrógrado ou coisa semelhante, ainda que seja ateu, basta que defenda o direito dos cristãos à liberdade religiosa. Basta que chame a atenção para as perseguições e massacres de comunidades cristãs no Egito ou no Paquistão.

Para dar um exemplo: somente no Iraque, desde 2003 o número de cristãos decaiu drasticamente de 1,5 milhão para 500 mil, e continua caindo, graças às perseguições e atentados terroristas de muçulmanos sunitas e xiitas, que não deixaram praticamente nenhuma igreja em pé no país. Rios de tinta e milhões de megabytes foram gastos para denunciar a torpe invasão imperialista e as mentiras de Bush e sua camarilha sobre armas de destruição em massa etc., mas não se leu uma linha na imprensa ocidental sobre esse verdadeiro holocausto cristão no Iraque. Simplesmente mencionar tal fato, dizer que está em andamento um verdadeiro religiocídio no país, é uma blasfêmia, um sacrilégio. Quem o fizer será considerado um reacionário, um criminoso, um inimigo da tolerância e da humanidade. Em outras palavras, alguém com uma agenda política retrógrada.

Trocando em miúdos: tolerante e progressista é quem ataca o cristianismo; intolerante e retrógrado é quem o defende. Ou seja: liberdade de religião, menos para os cristãos. É essa a agenda política dos progressistas da esquerda, mais anticristãos (e anti-Ocidente) do que ateus.

Querem mais um exemplo? Há algum tempo esteve no Brasil o presidente da República Islâmica do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Veio para a Conferência Rio+20, da ONU. Tirando um pequeno grupo de judeus e de evangélicos, não se viu ninguém do lado da esquerda, nem um mísero militante, protestar contra a presença em uma conferência das Nações Unidas de um notório antissemita, genocida e negador do Holocausto. Não se viu nenhum esquerdista, marxista, feminista ou gayzista erguendo faixas e gritando palavras de ordem contra o chefe de um governo que apedreja mulheres e assassina homossexuais. Em vez disso, o que fizeram os nossos progressistas, entre eles alguns ateus? Foram prestar homenagem a Ahmadinejad, indo visitá-lo no hotel onde se encontrava. Grandes humanistas, como se vê. 

Como diz o mágico norte-americano James Randi, que vive de desmascarar misticismos e charlatanices, há dois tipos de ateus: os que dizem que Deus não existe e os que exigem provas de Sua existência. Eu acrescentaria um terceiro tipo: os que são ateus, ou que dizem que o são, por modismo, ou pela metade. Quando os vejo em ação, quase concordo com minha amiga da internet e admito que tenho uma agenda política retrógrada.

---
Em tempo: espero que minha amiga, a quem estimo muito, continue a ser minha amiga, mesmo não querendo saber de debater comigo. Eu, de minha parte, não deixarei de considerá-la como tal. Afinal de contas, se eu confundisse opinião com amizade, e não aceitasse como amigo alguém com uma visão diferente da minha, eu seria um inimigo da inteligência, um fanático e um intolerante, não é verdade? 

sábado, abril 28, 2012

JENIN: DEZ ANOS DO MASSACRE QUE NÃO HOUVE

Há exatamente dez anos, o mundo se ergueu, horrorizado, contra mais uma atrocidade no Oriente Médio. Tomados de sagrados ódio e indignação, a grande mídia, entidades de direitos humanos, a intelectualidade bem-pensante, a maioria dos governos e o que se convencionou chamar de opinião pública não hesitaram em condenar, de forma praticamente unânime e coordenada, um crime contra a humanidade. A vítima? Os palestinos. O algoz? Israel. O local do crime? A cidade de Jenin, nos territórios palestinos ocupados.
.
De 1 a 11 de abril de 2002 - período em que ocorreu a operação israelense em Jenin -, e durante as semanas seguintes, não passou um único dia sem que os jornais do mundo inteiro, reproduzindo as declarações dos líderes políticos palestinos, narrassem, com riqueza de pormenores, cenas de morticínio dantescas, nas quais sádicos soldados israelenses se divertiam massacrando civis palestinos inocentes. Casas estavam sendo implodidas e derrubadas com famílias ainda dentro, em uma verdadeira operação de limpeza étnica como poucas vezes visto na História. Crianças, mulheres e velhos estavam sendo exterminados como baratas. Centenas, milhares de pessoas estavam sendo chacinadas num banho de sangue de fazer inveja aos carrascos nazistas. Logo a palavra "genocídio" apareceu nos noticiários para descrever a ação israelense, e foi usada ainda por muito tempo após o encerramento das operações. Enquanto isso, o então líder da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, entrincheirado numa igreja, era mostrado como um herói da resistência disposto ao martírio contra um inimigo cruel e desumano.
.
Naquela ocasião, assim como ocorrera inúmeras vezes antes e ocorreria outras tantas vezes depois, Israel foi demonizado até o limite do possível, enquanto o lado palestino foi enaltecido como vítima de uma agressão. E, como é costume há mais de sessenta anos, optou-se por ignorar o essencial: os fatos.
.
Sabe você, caro leitor, quantos morreram do lado palestino naquilo que foi descrito como o "massacre de Jenin"?
.
Resposta: 52. Cinquenta e dois.
.
A quase totalidade, membros da organização de Arafat, a Fatah (principalmente de seu braço armado, as "Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa").
.
Sabe também, gentil leitor, quantos militares israelenses perderam a vida na tarefa de aniquilar os indefesos palestinos? 23 (vinte e três).
.
Pois é. 52 a 23. Um "massacre" terrível, não? Faz Ruanda e Srebrenica parecerem uma briga de rua.
>
De onde eu tirei esses números? Da própria Organização das Nações Unidas (ONU), que divulgou, algum tempo depois, um relatório sobre o ocorrido. A números semelhantes chegaram organizações de direitos humanos como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch.
.
Todas essas entidades, insuspeitas de qualquer simpatia em relação a Israel - muito pelo contrário: no caso da ONU, a hostilidade ao Estado judaico é notória -, chegaram à idêntica conclusão: não houve massacre algum em Jenin, a não ser o da verdade. Este continua no tocante ao conflito israelo-palestino.
.
A menos que se considere a hipótese extremamente implausível de que os 23 militares israelenses que pereceram em combate com as forças de Arafat tenham cometido suicídio ou sido mortos por fogo amigo, ou, ainda, ao trocarem deliberadamente tiros entre si (provavelmente indignados contra os companheiros que se deliciavam metralhando impunemente os 52 palestinos mortos), o que ocorreu em Jenin foi uma batalha, não um massacre. Uma batalha vencida militarmente pelos israelenses, mas perdida por estes no terreno da propaganda, como ocorre desde a criação de Israel, em 1948.
.
Na ânsia condenatória a Israel que tomou conta dos "fazedores de opinião" no mundo inteiro, pouca ou nenhuma atenção foi dada ao fato de que a ação israelense em Jenin foi uma resposta de Israel à retomada dos ataques terroristas estimulados por Arafat - a chamada "segunda intifada" -, decorrente da recusa, por parte deste, do plano de paz apresentado em 2000 pelo então primeiro-ministro israelense Ehud Barak. Barak concordou em devolver 97% das terras ocupadas por Israel desde 1967 na Cisjordânia. Arafat rejeitou a oferta. Hoje, a Fatah se arrepende amargamente de não tê-la aceito (atualmente, o governo da Fatah na Cisjordânia disputa com os fanáticos islamitas do Hamas a hegemonia nos territórios palestinos).
.
Pensa você, prezado leitor, que, passados dez anos, algum órgão da grande imprensa, algum intelectual, algum governante dentre os que condenaram tão energicamente o "massacre" em Jenin se preocupou em divulgar um desmentido, reconhecendo que errou e que ignorou os fatos acima?
.
Não, nenhum fez isso. Ninguém retirou o que disse. Nem mesmo um simples pedido de desculpas.
.
Pelo contrário: de lá para cá, a propaganda antiisraelense só se intensificou, fazendo uso de novos e renovados pretextos (os últimos deles, a questão dos assentamentos judaicos e a cerca construída por Israel para evitar ataques terroristas). E assim Israel foi mais uma vez pichado como um Estado agressor e "genocida"...
.
Convém lembrar o caso de Jenin diante de opiniões como a do escritor alemão Günther Grass, que há algumas semanas publicou um artigo num jornal  de seu país denunciando Israel como uma ameaça à paz no Oriente Médio. Grass escreveu isso  enquanto silenciava, entre outras coisas, sobre o regime teocrático islamita do Irã, que quer ter a bomba atômica para - como não esconde seu presidente, Mahmoud Ahmadinejad - varrer Israel do mapa. Também vale recordar esse episódio nem tão distante diante de orquestrações como a do navio turco Mavi Marmara, que em 2010 levou adiante uma bem-sucedida operação de propaganda anti-israelense em conluio com o Hamas (ainda lembro da reação indignada de um colega de trabalho quando tentei argumentar que a coisa toda fora uma provocação contra Israel...).
.
Hoje, como ontem e certamente também amanhã, a mentira é o método utilizado pelos antiisraelenses de todos os matizes, da extrema esquerda à extrema direita, que se dedicam a apresentar o conflito do Oriente Médio com tintas simplistas e maniqueístas, satanizando a única democracia da região como o lado "mau" e "perverso", enquanto "esquecem" que do outro lado encontram-se criminosos e terroristas. E, assim como em tantos outros momentos da História, jamais haverá quem admita que, por trás de muitas das críticas - algumas delas, plenamente justificáveis - está tão-somente o desejo irreprimido de completar o serviço deixado inconcluso em Auschwitz e em Treblinka.
.
Exemplos como o de Jenin provam que falsear a realidade para acusar Israel de crimes inexistentes não é visto como uma atitude desonesta e inaceitável. Defender o direito de Israel se defender, por sua vez, causa reações apaixonadas de repúdio. Propugnar sua destruição, por outro lado, não provoca tantos protestos. E quem quer que enxergue nisso um laivo de antissemitismo é invariavelmente tachado de mentiroso, racista e assassino. Difícil imaginar inversão maior da realidade.  

terça-feira, fevereiro 14, 2012

UM TEXTO PRIMOROSO SOBRE UM ASSUNTO DE QUE MUITOS FALAM MAS QUE POUCOS CONHECEM

João Pereira Coutinho, colunista da Folha de S. Paulo, escreveu uma resposta primorosa a um militante esquerdista que se faz passar por "professor" sobre um tema a respeito do qual muitos opinam e que poucos conhecem: o conflito israelo-palestino. Uma verdadeira aula de História, com aquilo que os ativistas anti-Israel e pró-Hamas costumam ignorar solenemente, em sua fantasia maniqueísta dos "pobres palestinos lutando contra os cruéis opressores sionistas" etc. Vale a pena ler, reler, repassar e discutir. Nem parece que Coutinho escreve para a Folha.

Ah, e antes que me esqueça: é claro que o texto de Coutinho ficará sem resposta. É assim que os militontos esquerdopatas agem diante de fatos.

---

RESPOSTA A VLADIMIR SAFATLE

João Pereira Coutinho

Folha de S. Paulo

Nada tenho contra a ignorância. Na melhor tradição socrática, sei que a ignorância é a base de qualquer conhecimento válido.

Coisa diferente é a ignorância atrevida; ou a má-fé intelectual de quem falsifica os factos para construir uma narrativa "apropriada".

Vladimir Safatle é um caso: dias atrás, escrevi nesta Folha que o seu texto sobre o conflito israelense-palestino revelava desconhecimento sobre aspectos básicos do problema, que qualquer um dos meus alunos aprende no 1º ano de faculdade.

Lendo a resposta de Safatle à minha resposta, vejo que me enganei --e devo um pedido de desculpa aos leitores.

Safatle não revela apenas desconhecimento; revela desconhecimento, desonestidade e um desagradável traço de grosseria.

Sobre a grosseria, digo apenas isto: no meu texto, em nenhum momento teço considerações pessoais sobre Safatle. Não há uma linha sobre a sua ascendência cultural; e nunca me passaria pela cabeça atribuir-lhe qualquer maleita psiquiátrica.

Que Safatle tenha evocado a minha condição de português para, alegadamente, eu não entender certas palavras (no fundo, um velho clichê racista) e levantado suspeitas sobre as minhas "alucinações negativas", eis uma postura que define a criatura.

Em condições normais, não haveria resposta ao texto de Safatle. Mas, por respeito aos leitores da Folha, gostaria de esclarecer alguns pontos sobre a "polêmica".

Em primeiro lugar, Safatle afirma que um "muro" é um muro e que eu, de forma demente, teria transformado o Muro (com maiúscula) em "barreira de segurança". Para que não restem dúvidas, mantenho o que disse: a parte em cimento da "barreira de segurança" da Cisjordânia constitui apenas 5% da totalidade dessa barreira (que, na verdade, é mais uma cerca que outra coisa).

Isto não é um pormenor; é uma forma de tratar as palavras (e a realidade) com um mínimo de decência. Bem sei que é mais dramático afirmar que Israel construiu um Muro ("o Muro da vergonha", "um novo Muro de Berlim" etc. etc.) para separar os israelenses dos palestinos. Lamento: Israel apenas construiu esse Muro quilométrico na retórica de Vladimir Safatle.

Uma vez estabelecidos os factos, convém lidar com as implicações: a "barreira de segurança" vai além das fronteiras pré-1967 e anexa território alocado aos palestinos? Verdade.Mas não é a "barreira de segurança" (ou os assentamentos na Cisjordânia, já agora) que impede uma solução para o conflito e a existência de um estado palestino que inclua a totalidade de Gaza e a (quase) totalidade da Cisjordânia (já lá iremos).

Israel retirou de Gaza em 2005 e, para o efeito, evacuou povoações inteiras (Netzarim, Morag, Dugit etc.). Aliás, a evacuação não se limitou a Gaza; incluiu também outras povoações na Cisjordânia, como Ganim ou Homesh.

Nenhuma novidade. O mesmo já sucedera depois dos acordos de Camp David (em 1979) quando a paz com o Egito levou Israel a desmantelar a totalidade dos assentamentos no Sinai.Dito de outra forma: nem os assentamentos, nem a "barreira de segurança", ambos removíveis por definição, são os verdadeiros obstáculos da paz.

E quando, mais acima, escrevi sobre a possibilidade de um estado palestino que inclua a totalidade de Gaza e a (quase) totalidade da Cisjordânia, nem esse "quase" é um obstáculo real: o Plano Clinton já previa que os 94%-96% da Cisjordânia palestina seriam completados por 6%-4% de território israelense anexado a Gaza. Mas nem isso levou Arafat a aceitar um acordo histórico para os palestinos.

E Arafat não aceitou o acordo porque exigiu o regresso dos 4 milhões de refugiados palestinos (tradução: o regresso dos filhos dos filhos dos filhos dos refugiados originais) a Israel, e não ao novo estado palestino, como seria lógico.
Com imensa bondade, Safatle concorda que esse regresso em massa seria um suicídio demográfico e cultural para Israel. Mas depois pergunta por que motivo não se tenta encontrar uma solução de compromisso que passe pela "absorção de uma parte e a compensação financeira dos demais".

Se Safatle tivesse lido alguma coisa a respeito, ele saberia que "absorção de uma parte" e "compensação financeira dos demais" foi precisamente o que foi proposto por Ehud Barak em Camp David.

Para sermos precisos, Barak propôs absorver uma parte dos refugiados palestinos ao abrigo de um programa de reunificação familiar; e propôs também compensações no valor de 30 bilhões de dólares. Arafat recusou na mesma.

Por último, Safatle horroriza-se com a minha frase: "a existência de um Estado autônomo e respeitoso das fronteiras de 1967 tem sido sucessivamente proposto pelas lideranças israelenses desde 1967".

Não entendo o horror. Se esquecermos que, antes da Guerra dos Seis Dias, foram sempre os árabes a recusar a existência de um estado palestino junto a um estado israelense (1917, 1937, 1948), o que dizer depois da Guerra?

Depois da Guerra, ainda em 1967, quando Israel estava disposto a trocar a terra conquistada por paz, reconhecimento e negociação, a resposta árabe ficou célebre na Cúpula de Cartum, que a história registou para a posteridade como a "Cúpula dos Três Nãos": não à paz com Israel; não ao reconhecimento de Israel; e não à negociação com Israel.

Apesar de tudo, um estado palestino respeitoso das fronteiras de 1967 (embora, como referi, implicando "trocas de terra" em que Israel cederia parcelas do seu território para compensar perdas na Cisjordânia) voltou a ser oferecido em 2000, em Camp David; e retomado por Ehud Olmert, em 2008. A resposta árabe foi sempre a mesma: não, não e não.

É pena. Os palestinos, que Safatle me acusa de ignorar em tom melodramático, mereciam melhor destino.

Mereciam, por exemplo, que as lideranças palestinas não tivessem desperdiçado as várias oportunidades de alcançarem um estado palestino independente depois de 1967.

E mereciam que, antes de 1967, quando Gaza e a Cisjordânia estavam sob domínio egípcio e jordano, respectivamente, os "irmãos árabes" tivessem integrado os refugiados palestinos nas suas sociedades.

Exatamente como Israel integrou os milhares de refugiados judeus que, durante a Guerra da Independência de 1948, partiram ou foram expulsos dos países árabes da região.

Discutir o conflito israelense-palestino, ao contrário do que pensa Vladimir Safatle, é um pouco mais complexo do que soltar umas interjeições adolescentes ("um muro é um muro!", "há situações inaceitáveis sob quaisquer circunstâncias!" etc.) que talvez impressionem alguns alunos pós-púberes.

Infelizmente, senhor professor Safatle, não me impressionam a mim.

sábado, setembro 17, 2011

É POR ESTAS E OUTRAS QUE DEFENDO ISRAEL

Juro que um dia ainda vou descobrir que estranho mecanismo psíquico leva algumas pessoas a, voluntariamente, passarem vergonha. Por exemplo, entrando em blogs alheios para postar cretinices as mais absurdas na área de comentários, mostrando-se em toda sua empáfia e ignorância.

Um bestalhão desses aí achou que poderia responder a meu post "UM ANO DEPOIS, O DESMONTE DE UMA FARSA", sobre a patuscada monumental, desmascarada agora por um relatório da própria ONU, montada no ano passado por uma ONG "humanitária" mancomunada com os fanáticos terroristas do Hamas para provocar uma cena de sangue que deixasse Israel mal na fita. Do texto mesmo, o dito-cujo não diz uma palavra. Em vez disso, repete um punhado de clichês antiisraelenses e acaba revelando seu ódio - atenção - contra um povo. Vejam o que despejou aqui o energúmeno, que se esconde no anonimato:

Mais uma vez entra em cena um personagem, que ignora historia e que despeja impropérios os quais ignora seu contexto.

Imagino que o tal "personagem" a que se refere o autor da frase acima seja eu. Digo "imagino" porque a construção torturada da oração ("despeja impropérios os quais ignora seu contexto"...) permite diferentes interpretações. O autor do enunciado diz que ignoro a História, mas se mostra totalmente ignorante em análise sintática. Tanto que desconhece a expressão "cujo" (dica: "impropérios cujo contexto ignora" fica melhor).

O que os palestinos tem ?? nada... um povo que foi tirado de sua terra,de sua historia por decisão de terceiros ( ONU ).

Eu vou dizer o que os palestinos têm (e não "tem", a menos que o verbo venha no singular): uma liderança irresponsável e demagógica na Cisjordânia, que já recusou várias ofertas de paz desde o tempo de Arafat, e um governo terrorista na Faixa de Gaza (o Hamas), que se recusa a reconhecer o direito de Israel existir e faz de tudo para sabotar o processo de paz na região. Para tanto, opõe-se à criação do Estado palestino, conforme os acordos de Oslo de 1993 (surpreso?).

Outra coisa: gostaria de saber que decisão recente da ONU foi favorável aos israelenses e contrária aos palestinos. Digamos, nos últimos quinze anos. Estou curioso.

Se o leitor está se referindo à decisão da ONU que criou o Estado de Israel, em 1947, a idéia de Estado palestino (e mesmo de "povo palestino") era inexistente à época, só se impondo depois da derrota árabe na Guerra dos Seis Dias (1967). Até lá, e mesmo depois, adivinhe de onde partiu a maior oposição à idéia de um Estado palestino: dos países... árabes (Egito e Síria, principalmente).

Por que estou dizendo isso? Porque ignoro a História do Oriente Médio, claro.

Uma nação sem território, se isso não fosse o bastante, um povo privado dos mais básicos direitos como alimentação e remédios.

O território já está definido desde 93. Falta apenas o Hamas concordar com a existência dos dois estados, convivendo lado a lado. Para isso, só precisa fazer duas coisas: reconhecer a existência do outro lado e renunciar ao terrorismo (assim como fez a Fatah de Arafat). Quando farão isso?

Quanto ao povo palestino estar privado dos direitos à alimentação, remédios etc., Israel se ofereceu para fazer chegar a "ajuda humanitária" que a ONG IHH afirmava trazer aos palestinos em Gaza. O bloqueio também existia pelo lado egípcio, mas jamais se leu ou ouviu um pio sobre isso. Por que será?

Diante do terrorismo de Israel o terrorismo do Hamas é como um sussurro que responde a um grito.

Nem sei se vale a pena comentar isso... Mas vamos lá, didaticamente: o Hamas prometeu destruir Israel, varrer o país do mapa, e só não mata mais civis por causa da vigilância israelense. Seu objetivo é instalar um Estado teocrático islâmico, à semelhança do Irã. Em 2007, o grupo deu um golpe em Gaza e massacrou seus rivais da Fatah. Dezenas foram mortos a tiros e degolados. Parece um sussuro?

Israel sim é uma nação terrorista.

Há governos que praticam o terrorismo. Há, inclusive, Estados terroristas. Mas não existe "nação terrorista". O Irã, por exemplo, é um Estado patrocinador do terrorismo, mas a nação iraniana, o povo iraniano, não. Nação é uma coisa; Estado, é outra. A identificação entre os dois como se fosse uma coisa só é algo típico de fascistas, como os criminosos do Hamas e do Hezbollah. Aqui o autor da frase acima revelou sua verdadeira face antissemita - considera uma nação inteira, no caso o povo judeu, como "terrorista" (o qual, portanto, deve ser eliminado).

Sem falar que a frase acima, no contexto em que está colocada, dá a entender que o Hamas não seria terrorista, e que esse epíteto caberia, em vez disso, a Israel. Algo assim como dizer que a Al-Qaeda é um clube de caridade, e os EUA, um império totalitário e fundamentalista... Se alguém conhece algo mais cretino do que isso, por favor escreva para o blog.

Páro por aqui. Mais não digo, para poupar o anônimo autor do comentário de maior humilhação. Mas é só pedir de novo, e terei prazer em expô-lo.