terça-feira, abril 08, 2014

RELEMBRANDO OS ANOS DE CHUMBO...


Mortos pela esquerda cometeram suicídio, diz Dilma
 
Em solenidade oficial alusiva aos 50 anos do golpe que derrubou o governo João Goulart, no dia 31, a presidenta Dilma Rousseff decretou medida provisória que declara os cerca de 120 mortos pelos grupos de luta armada de esquerda nos anos 60 e 70 oficialmente mortos por suicídio.
 
“Todos sabem que jamais matamos ninguém, é tudo propaganda dessa mídia burguesa capitalista imperialista golpista”, afirmou a presidenta. “Com exceção dos nossos companheiros, os que morreram, morreram porque quiseram. Somos humanistas”, acrescentou. Afirmou, ainda, que todos os documentos das organizações armadas de esquerda do período serão reescritos. “Onde se lê ‘socialismo’e ‘ditadura do proletariado’, as pessoas vão ler “democracia’ e ‘liberdade’. Essa é a História verdadeira e ponto final”.
 
O texto enviado ao Congresso proíbe usar as palavras “subversivo” e “terrorista” em livros de História. Termos como “assalto a banco”, “sequestro”, “atentado à bomba” e “assassinato” também estão de agora em diante proibidos. Além disso, o texto determina a substituição dos nomes das organizações guerrilheiras. Vanguarda Armada Revolucionária, por exemplo, passa a ser Vanguarda Amorosa Risonha.
 
No momento de maior emoção da cerimônia, ocorrida no Palácio do Planalto, a Presidenta insistiu que tortura é um crime horrível e que torturadores devem ser exemplarmente punidos, defendendo a revisão da Lei de Anistia. “Quem torturou deve ser pendurado no pau de arara e receber choques elétricos nos testículos até confessar”, declarou.
 
A presidenta anunciou ainda a intenção de rebatizar o prédio do Quartel-General do Exército como “Palácio Carlos Lamarca”: “É uma justa homenagem ao heróico capitão guerrilheiro, assassinado em 1971 pela ditadura militar porque queria transformar o Brasil numa democracia exemplar onde se respeitam os direitos humanos, como Cuba e a Coréia do Norte”, explicou.
 
Ao final do evento, referindo-se aos trabalhos da Comissão da Verdade, criada em 2011 para investigar crimes contra os direitos humanos entre 1946 e 1988 no Brasil, a presidenta bradou, com o punho erguido e a voz embargada: “Ditadura nunca mais! Pelo direito à memória e à verdade”. E foi aplaudida.
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P.S.: Às vezes só o riso nos salva.

segunda-feira, março 31, 2014

1964: 50 ANOS DEPOIS - O QUE ELES DISSERAM


Hoje faz 50 anos do golpe/revolucão/contragolpe/contra-revolução de 1964. Como de hábito, vamos cansar de ler na imprensa artigos enaltecendo o governo democrático de João Goulart e demonizando os militares (e civis) que o depuseram por pura maldade etc.  Pensei em escrever um longo texto rebatendo essa visão maniqueísta da História, mas lembrei que já fiz isso há exatos cinco anos (ver aqui: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2009/03/falacias-sobre-1964.html). Vou, portanto, me limitar a transcrever o que alguns personagens daquele período disseram a respeito.
 
Tancredo Neves, sobre o governo João Goulart:
 
Seu governo vinha cedendo às pressões populistas, e o seu programa de reformas era aproveitado para as agitações de todos os tipos. Nos campos e nas cidades, a exacerbação dos espíritos na luta ideológica criava os mais graves problemas ao presidente e a seus ministros no tocante à manutenção da ordem.
 
A rebelião dos marinheiros marcou o ápice dessa crise. Procuramos então o presidente e juntos analisamos a delicada conjuntura. Ele me pediu sugestões, e eu lhas dei: a expulsão dos marinheiros rebelados dos quadros da Marinha e a consequente abertura de inquérito para apurar e definir responsabilidades; a extinção do PUA – Pacto de Unidade Sindical, uma articulação sindical – e dos Grupos dos 11 de Brizola. E o provimento efetivo do Ministério da Guerra por um general de Exército que inspirasse as Forças Armadas [...].
 
O presidente recusou as minhas sugestões, achando que, se as adotasse, estaria se despojando de parcelas consideráveis de sua autoridade. Discutimos e não chegamos a nenhum acordo.
Nesse dia fiquei sabendo que o presidente João Goulart iria receber uma homenagem dos sargentos. Considerei o fato da maior gravidade e fiz tudo pra frustrar essa solenidade, sem nada ter conseguido. (1) 
Trecho da biografia do líder comunista Carlos Mariguella, escrita pelo jornalista Mário Magalhães:
Prestes não desconhecia intenções golpistas de Jango. Sobrinho de Miguel Arraes, governador de Pernambuco, Humberto de Alencar escreveu ao tio em 22 de fevereiro, narrando diálogo com Giocondo Dias: “[Os comunistas] acham que JG [João Goulart] continua com o plano do golpe e que isso deve, de agora por diante, entrar nas nossas análises”. Na noite de 13 de março, Arraes se despediu do jornalista Janio de Freitas com um prognóstico:
“Ou vem um golpe da direita ou um do Jango.”
 
O dirigente pecebista Jacob Gorender criticaria Prestes, em 1966: “O elemento golpista se manifestou através do apoio aos planos continuístas do presidente”. (2) 
Ainda Jacob Gorender, membro do Comitê Central do antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB):
Tornou-se corrente na literatura acadêmica a assertiva de que, no pré-64, inexistiu verdadeira ameaça à classe dominante brasileira e ao imperialismo. Os golpistas teriam usado a ameaça apenas aparente como pretexto a fim de implantar um governo forte e modernizador.

A meu ver, trata-se de conclusão positivista superficial derivada de visão estática das coisas. Segundo penso, o período 1960-1964 marca o ponto mais alto das lutas dos trabalhadores brasileiros neste século, até agora. O auge da luta de classes, em que se pôs em xeque a estabilidade institucional da ordem burguesa sob os aspectos do direito de propriedade e da força coercitiva do Estado. Nos primeiros meses de 1964, esboçou-se uma situação pré-revolucionária e o golpe direitista se definiu, por isso mesmo, pelo caráter contra-revolucionário preventivo. A classe dominante e o imperialismo tinham sobradas razões para agir antes que o caldo entornasse. (3) 

José Stacchini, ex-militante comunista:

[...] Goulart queria uma ditadurazinha para uso próprio, supondo que ia subir montado nas costas dos sindicatos. Porém êstes, ainda a UNE, parlamentares "nacionalistas" e outras correntes do gênero, trabalhavam mesmo num outro sentido. Esperavam o momento em que Jango montasse: dariam então uma corcoveada e, com ajuda estrangeira, instalariam aqui um paraíso no melhor estilo cubano. (4)
Notas:
(1) MORENO, Jorge Bastos, A história de Mora: a saga de Ulysses Guimarães, Rio de Janeiro: Rocco, 2013, pp. 69-70.
(2) MAGALHÃES, Mario, Mariguella: o guerrilheiro que sacudiu o mundo, São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 292.
(3) GORENDER, Jacob, Combate nas trevas, 5a edição, São Paulo: Ática, 1998, pp. 72-73.
(4) STACCHINI, José, Março de 1964: mobilização da audácia, Rio de Janeiro: Companhia Editora Nacional, 1965, p. 38.

quarta-feira, março 19, 2014

NON È VERO MA È BEN TROVATO

 
Governo proíbe filme “Doze Anos de Escravidão” em cidades com “Mais Médicos”

A presidente Dilma Rousseff baixou hoje, dia 17, decreto que proíbe a exibição do filme “Doze Anos de Escravidão” em todos os municípios incluídos no programa “Mais Médicos”. A medida, segundo Nota da secretaria de imprensa da Presidência da República, visa “impedir que os médicos cubanos que participam do programa se identifiquem com o personagem central do filme, e se sintam assim estimulados a abandonar seus postos e a pedir asilo político”.

“Doze Anos de Escravidão”, que ganhou o Oscar de melhor filme 2014, conta a história real de um homem negro nos EUA do século XIX que, nascido livre, foi enganado e vendido como escravo para fazendas do Sul do país, antes da abolição da escravidão.

A nota do governo aproveita ainda para desmentir o boato que circulou recentemente, segundo o qual, diante dos vários casos de médicos importados de Cuba que desertaram, os cubanos integrados no programa seriam obrigados a usar tornozeleiras eletrônicas. Na verdade, explica a nota, “em vez de tornozeleiras, os médicos cubanos usarão chips de localização colocados debaixo da pele e monitorados por satélite. Assim não poderão escapar”, esclarece.

Direto de Havana, o líder eterno de Cuba, Fidel Castro, elogiou a iniciativa do governo brasileiro, e anunciou que já decidiu copiá-la na ilha de sua propriedade. “Cuba e Brasil estão cada vez mais parecidos”, afirmou o octogenário comandante, que aproveitou para agradecer à presidente Dilma Rousseff pelos milhões investidos pelo BNDES no Porto de Mariel. “Agora eu quero um aeroporto novinho em folha”, acrescentou.

Procuradas pela reportagem, as organizações de direitos humanos não se pronunciaram sobre o caso.
 
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Tecla SAP: Esta mandei pro site do meu amigo Joselito Müller (http://joselitomuller.wordpress.com/2014/03/17/governo-proibe-filme-doze-anos-de-escravidao-em-cidades-com-mais-medicos/). Como esperado, está causando a maior confusão, o que torna a coisa ainda mais engraçada. Acho que vou enveredar pelo ramo do humor. É o unico jeito de ler as notícias no Brasil de hoje sem ter um ataque de apoplexia ou morrer de raiva. Além do mais, como dizia Cícero, ridare castigat mores.
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Riam à vontade. Ainda é permitido. Ainda.

terça-feira, março 18, 2014

O VÍRUS ESQUERDISTA


O que vai a seguir não é uma notícia, é uma sátira. Mas bem que poderia ser real. Aliás, não está assim tão longe da realidade. Leiam.
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Descoberto o vírus do esquerdismo
 
Cientistas britânicos divulgaram hoje, dia 18, uma descoberta que promete revolucionar a ciência. Segundo comunidado oficial da Universidade Johnny Walker de Oxfordcambridgeshire, no Reino Unido, a explicação para tantas pessoas se deixarem levar pelo discurso e pela ideologia de esquerda é física. Mais especificamente, um vírus.
 
O micro-organismo, batizado de Mariadorosarius esquerdopaticus, atinge diretamente as áreas do cérebro responsáveis pelo humor, inteligência e honestidade, destruindo-as completamente. "Depois de décadas de experiências com milhares de pessoas, concluímos que o que leva pessoas aparentemente normais a serem de esquerda, sobretudo comunistas ou socialistas, é um vírus terrível", informou por nota a equipe de cientistas, liderada pelo microbiólogo ganhador do Nobel Sir Anthony Hannibal Lecter Hopkins.
 
"Não sabemos o que pode causar essa infecção, mas desconfiamos que ela seja transmitida via oral, e que sua origem esteja em universidades localizadas ao Sul do Equador, provavelmente no Brasil, onde impera há décadas a promiscuidade ideológica mais absoluta", afirmou a nota dos cientistas. Os principais atingidos pelo vírus seriam jovens estudantes de classe média e alta, entre 15 e 30 anos, geralmente brancos e com complexo de culpa, sustentados pelos pais e que se alimentam de toddynho e sucrilhos. 
 
A nota explica que o vírus age inicialmente sobre o lobo parietal direito, onde está localizado o humor: "As pessoas atingidas perdem qualquer senso de humor, tornando-se incapazes de entender uma piada. Com isso, tornam-se histéricas e paranoicas, considerando-se injustiçadas e perseguidas pelo  'sistema', culpando o 'capitalismo', o 'imperialismo', os tucanos e o Olavo de Carvalho pelos próprios problemas e por todos os problemas da humanidade. Isso se deve ao fato de que estão imbuídas de uma missão messiânica, e assim passam a se levar a sério, sentindo-se acima dos demais mortais, agindo de forma intolerante e patrulheira", esclareceu a nota. 
 
A mesma área cerebral que regula o humor também é responsável pela capacidade cognitiva. "Os afetados pelo vírus não distinguem mais entre sátira, ironia e mentira. Chegam a babar de ódio quando veem na Internet uma piada a respeito deles. Há casos, inclusive, de ministros de Estado que ameaçaram com processo judicial blogueiros por causa de uma sátira política de que não gostaram". Além disso, continua a nota, "perdem totalmente a capacidade de articular um pensamento racional por conta própria e passam a se comunicar somente por chavões e slogans, vivendo num mundo à parte, sem qualquer relação com o mundo real, tornando-se verdadeiros zumbis". 
 
A memória também é seriamente danificada: "como os afetados não distinguem mais entre realidade e ficção, tampouco são capazes de recordar o que disseram ou fizeram em anos recentes, e tratam de reescrever a todo custo a História, omitindo eventuais erros e crimes por eles cometidos, e chamam a isso de verdade".   
 
O mais grave, porém, afirmam os cientistas, é que o vírus, ao destruir o humor e a inteligência, afeta também a área do cérebro que lida com a honestidade: "Concluímos que os atingidos por essa enfermidade são afetados também na capacidade de fazer juízos morais, adotando atitudes do tipo dois pesos e duas medidas sempre que lhes é conveniente".
 
Os pesquisadores deram como exemplos gritantes da falta de noção moral o fato de que os afetados pelo vírus "falam em democracia e em direitos humanos, mas não sentem nenhum pudor em defender ditaduras totalitárias como as de Cuba e Coréia do Norte. Inclusive, em casos mais avançados da doença, militantes LGBT enxergam homofobia até em suicídios no Brasil, mas não veem problema algum em gays serem enforcados no Irã. E não sentem nenhuma vergonha por isso, o que é típico de psicopatas". Ainda segundo o comunicado: "Parece difícil de acreditar, mas há casos registrados de esquerdofrênicos que acreditam, piamente, que socialismo e liberdade são coisas possíveis de se conciliar, e fundam até partidos com esse nome".
 
Nos casos mais extremos, o vírus influi diretamente nas glândulas sebáceas, principalmente de feministas que deixam de raspar as axilas e as pernas como "protesto". Seu efeito mais devastador, porém, é o de distorcer qualquer noção de realidade, levando algumas pessoas a sofrerem crises de identidade, adicionando, por exemplo, Guarani-Kaiowá a seu sobrenome. Outra prova da enfermidade é o fato de passarem a falar sem parar em "justiça social", "proletariado" (ou "classe operária"),  "burguesia" etc. e a se tratarem entre si como "companheiro" e "companheira" (ou, nos casos mais patológicos, "camaradas").
 
"Infelizmente, até agora não há cura para essa doença, a não ser sessões diárias de leituras não-marxistas para deslavagem cerebral, o que leva tempo. Se a cura não é alcançada até os 40 anos, é porque o cérebro está irremediavelmente perdido. Aí, só com eletrochoque e remédio tarja-preta", concluiu a nota. 
 
Até o momento, o Ministério da Saúde não se pronunciou a respeito do assunto.

sexta-feira, março 14, 2014

SOCIALISMO É BARBÁRIE


Socialismo é barbárie - LUIZ FELIPE PONDÉ
FOLHA DE SP - 24/02

A esquerda está em pânico porque estava acostumada a dominar o debate público


Se eu pregar que todos que discordam de mim devem morrer ou ficarem trancados em casa com medo, eu sou um genocida que usa o nome da política como desculpa para genocídio. No século 20, a maioria dos assassinos em massa fez isso.

O Brasil, sim, precisa de política. Não se resolve o drama que estamos vivendo com polícia apenas. Mas me desespera ver que estamos na pré-história discutindo ideias do "século passado". Tem gente que ainda relaciona "socialismo e liberdade", como se a experiência histórica não provasse o contrário. Parece papo das assembleias da PUC do passado, manipuladoras e autoritárias, como sempre.

O ditador socialista Maduro está espancando gente contra o socialismo nas ruas da Venezuela. Ele pode? Alguns setores do pensamento político brasileiro são mesmo atrasados, e querem que pensemos que a esquerda representa a liberdade. Mentira.

A maioria de nós, pelo menos quem é responsável pelo seu sustento e da sua família, não concorda com o socialismo autoritário que a "nova" esquerda atual quer impor ao país. A esquerda é totalitária. Quer nos convencer que não, mas mente. Basta ver como reage ao encontrar gente inteligente que não tem medo dela.

Ninguém precisa da esquerda para fazer uma sociedade ser menos terrível, basta que os políticos sejam menos corruptos (os da esquerda quase todos foram e são), que técnicos competentes cuidem da gestão pública e que a economia seja deixada em paz, porque nós somos a economia, cada vez que saímos de casa para gerar nosso sustento.

Ela, a esquerda, constrói para si a imagem de "humanista", de superioridade moral, e de que quem discorda dela o faz porque é mau. Ela está em pânico porque estava acostumada a dominar o debate público tido como "inteligente" e agora está sendo obrigada a conviver com gente tão preparada quanto ela (ou mais), que leu tanto quanto ela, que escreve tanto quanto ela, que conhece seus cacoetes intelectuais, e sua história assassina e autoritária.

Professores pautados por esta mentira filosófica chamada socialismo mentem para os alunos sobre história e perseguem colegas, fechando o mercado de trabalho, se definindo como os arautos da justiça, do bem e do belo.

A esquerda nunca entendeu de gente real, mas facilmente ganha os mais fragilizados com seu discurso mentiroso e sedutor, afirmando que, sim, a vida pode ser garantida e que, sim, a sobrevivência virá facilmente se você crer em seus ideólogos defensores da "violência criadora".

Ela sempre foi especialista em tornar as pessoas dependentes, ressentidas, iludidas e incapazes de cuidar da sua própria vida. Ela ama a preguiça, a inveja e a censura.

Recomendo a leitura do best-seller mundial, recém publicado no Brasil pela editora Agir, "O Livro Politicamente Incorreto da Esquerda e do Socialismo", escrito pelo professor Kevin D. Williamson, do King's College, de Nova York. Esta pérola que desmente todas as "virtudes" que muita gente atrasada ou mal-intencionada no Brasil está tentando nos fazer acreditar mostra detalhes de como o socialismo impregnou sociedades como a americana, degradou o meio ambiente, é militarista (Fidel, Chávez, Maduro), e não deu certo nem na Suécia. O socialismo é um "truque" de gente mau-caráter.

As pessoas, sim, estão insatisfeitas com o modo como a vida pública no Brasil tem sido maltratada. Mas isso não faz delas seguidores de intelectuais e artistas chiques da zona oeste de São Paulo ou da zona sul do Rio de Janeiro.

A tragédia política no Brasil está inclusive no fato de que inexistem opções partidárias que não sejam fisiológicas ou autoritárias do espectro socialista. Nas próximas eleições teremos poucas esperanças contra a desilusão geral do país.

E grande parte da intelligentsia que deveria dar essas opções está cooptada pela falácia socialista, levando o país à beira de uma virada para a pré-história política, fingindo que são vanguarda política. O socialismo é tão pré-histórico quanto a escravatura.

Mas a esquerda não detém mais o monopólio do pensamento público no Brasil. Não temos mais medo dela.

terça-feira, fevereiro 11, 2014

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS - por Luiz Felipe Pondé

por Luiz Felipe Pondé

Publicado na Folha de S. Paulo em 20/01/2014


Não sou religioso, só frequento templos vazios. Tampouco considero o ateísmo prova de maior inteligência ou coragem intelectual. Dias atrás, nesta coluna, ataquei as dimensões picaretas das religiões.

Por que digo isso? Porque hoje em dia, em épocas de exigências de pureza ideológica (no mundo da cultura vivemos um fascismo descarado dos bonzinhos, baseado em difamação de quem não frequenta as ideias que eles frequentam), se faz necessário apresentar algumas "credenciais" quando se vai tratar de um assunto delicado que pode ofender a sensibilidade totalitária dos bonzinhos. Quando ofendidos, os bonzinhos passam à gritaria, principalmente nessa masmorra escura que são as redes sociais.

Apesar de não ser religioso, conheço o suficiente de algumas religiões para saber que muitas delas carregam um saber de valor inestimável, fato este que escapa a muitos dos críticos banais das religiões. Você identifica um ignorante quando ele diz que a Bíblia é um livro opressor.

Dito isso, vamos ao que interessa. Há alguns anos, um cartunista dinamarquês passou por poucas e boas quando fez piadas com Maomé. Lembro-me de muitos dos bonzinhos defenderem o direito dos muçulmanos de se ofenderem com a piada e jogarem a atitude do cartunista no saco indiferenciado do preconceito ocidental contra o Islã.

Fico feliz que no Brasil ainda se possa fazer humor com as religiões e que quem faz piada com Jesus (que acho um cabra-macho, mas não acho que seja Deus) possa fazê-lo, ganhar dinheiro com isso e não ser ameaçado de morte. Ou, quem sabe, perder o emprego. Pedir a cabeça de alguém é um pedido comum dos bonzinhos quando leem algo com que não concordam.

Acho que o humor deve ser livre porque ele é uma das dimensões por meio das quais o espírito humano sobrevive, se alimenta e reflete sobre sua condição. Não partilho da ideia de que o humor seja uma forma menor de cultura. Por isso, discordo da tentativa de qualquer grupo, religioso ou não, de querer barrar ou processar quem quer que seja por ter feito piada do que for.

Mas me pergunto uma coisa: por que alguns acham politicamente incorreto fazer piadas com negros, índios, gays e nordestinos (e julgam justificados processos legais contra quem faz tal tipo de piada), mas julgam correto fazer piada com os ícones do cristianismo?

Claro, quem pratica esse tipo de critério, com dois pesos e duas medidas, é gente boazinha e com opiniões corretas. Defendem a própria liberdade, mas negam imediatamente a liberdade de quem os aborrece. O nome disso é incoerência. A democracia só vale para quem nos irrita, mas os bonzinhos não pensam assim.

Não me surpreende a incoerência dos bonzinhos, porque o que faz alguém ser bonzinho hoje é a falta de caráter. Ser do "partido dos bonzinhos" hoje dá dinheiro, ganha editais, cargos no governo, fotos em colunas sociais, convites e prêmios culturais. Identificar um bonzinho hoje em dia como resistente ao poder é uma piada e tanto! Eles estão no poder até no RH das empresas e na magistratura.

Os cristãos têm todo o direito de ficar bravos com as piadas com Jesus (que aliás, costumam ser ótimas). Mas, acho "engraçado" (já que estamos falando de humor) alguém não perceber que vivemos num mundo em que tirar sarro de cristão pode, mas de outros grupos não. Por quê?

Fácil: porque ninguém precisa ter "cojones" para tirar sarro de cristão. No mundo da cultura, falar mal de religião (menos da indígena, afro e budista) é bater em bêbado na ladeira.

Proposta: que tal tirar sarro das pautas dos bonzinhos? Tipo fazer piada com as "jornadas de junho". Ou da moçadinha que quer salvar o Ártico. Ou de gente que vive falando mal da polícia, mas treme de medo e chama a polícia logo que sente sua propriedade privada em risco. Ou do movimento estudantil. Ou de intelectual que glamoriza os "rolezinhos". Ou das feministas. Ou de ateus militantes. Ou do exército da salvação PSOL e PSTU. Ou de quem diz que bandidos são vítimas sociais.

É isso aí: que tal fazer piadas com os preconceitos dos bonzinhos? Missão impossível?

terça-feira, janeiro 14, 2014

JANGO E O REALISMO FANTÁSTICO

 
Para começar bem o ano. Texto do professor Marco Antonio Villa, simplesmente o maior historiador do Brasil na atualidade. Leitura essencial para desmontar mais uma mistificação das esquerdas. Não recomendável para petistas e idiotas (o que dá quase o mesmo).
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Jango e o realismo fantástico

Era um cardiopata. E de longa data. No México, em 1962, assistindo a uma exibição do balé folclórico, teve um ataque cardíaco
 

ARTIGO – MARCO ANTONIO VILLA

Publicado:14/01/14 - 0h00

O Brasil é um país fantástico. Mais ainda, é um país do realismo fantástico, onde ficção se mistura com história e produz releituras ao sabor dos acontecimentos. A última tem como tema a morte do ex-presidente João Goulart, o Jango, na Argentina.

A Câmara dos Deputados fez uma investigação, ouviu dezenas de testemunhas e elaborou um longo relatório. Concluiu que não havia indícios de assassinato. Em entrevista a Geneton Moraes Neto, publicada no livro “Dossiê Brasil: as histórias por trás da História recente do país”, a senhora Maria Tereza Goulart descartou qualquer suspeita de assassinato do seu marido: “Eu estava ao lado de Jango o tempo todo, nos últimos dias. Jango morreu do coração. Tinha feito um regime violento e mal controlado. Chegou a perder 17 quilos em dois meses. E estava fumando muito. O médico já tinha dito que ele não poderia fumar.”

Jango era um cardiopata. E de longa data. No México, a 10 de abril de 1962, em visita oficial, assistindo a uma exibição do balé folclórico mexicano, no Teatro Belas Artes, o presidente teve um ataque cardíaco. Ficou desfalecido por um minuto. Atendido por médicos mexicanos, ficou impossibilitado de continuar a cumprir a agenda presidencial, sendo substituído por San Tiago Dantas. No retorno ao Brasil, o grande assunto era o estado de saúde de Jango e a possibilidade de que renunciasse à Presidência. Afinal, era o segundo ataque cardíaco em apenas oito meses. Dois meses depois, quando da recepção em palácio da seleção brasileira que partiria para a Copa do Mundo no Chile, Pelé manifestou preocupação com a saúde do presidente: “Presidente, como vão estas coronárias?” E Jango respondeu: “Estão boas, mas não tanto quanto as suas.”

Às vésperas do célebre comício da Central (13 de março de 1964), seu estado de saúde inspirava cuidados. Foi advertido que poderia ter sérias complicações com o coração. Jango desdenhou e manteve seu ritmo costumeiro de vida sedentária, alimentação inadequada, excesso no consumo de bebidas e vivendo em permanente estresse. No exílio uruguaio, também devido aos problemas com o coração, foi atendido pelo dr. Zerbini. Na França, onde esteve várias vezes, foi cuidar do coração e chegou a tentar uma consulta com o dr. Christian Barnard, na África do Sul, médico que dirigiu a equipe que fez o primeiro transplante de coração.

A transformação de Jango em um perigoso adversário do regime militar — tanto que o seu assassinato teria sido planejado pela Operação Condor — não passa de uma farsa. No exílio uruguaio, especialmente nos anos 1970, não tinha qualquer atuação política.

Tudo não passa de mais uma tentativa de mitificação, da hagiografia política sempre tão presente no Brasil. O figurino de democrata, reformista e comprometido com os deserdados foi novamente retirado do empoeirado armário. Agora pelos seus antigos adversários, os petistas. Mero oportunismo. É que a secretária dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, pretende ser candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul. E, como boa petista, não se importa de reescrever a história ao seu bel-prazer.

O cinquentenário dos acontecimentos de março/abril de 1964 é uma boa oportunidade para rever o governo Jango. O início dos anos 1960 esteve marcado pela agudização das mais variadas contradições. O esgotamento do ciclo econômico que alcançou seu auge na presidência JK era evidente. A grande migração tinha criado uma sociedade urbana e novas demandas que os governos não sabiam como atender. A tensão gerada pela Guerra Fria azedava qualquer conflito, por mais comezinho que fosse.

É nesta conjuntura que Jango tentou governar. E foi um desastre. Raciocinava sempre imaginando algum tipo de ação que significasse o abandono da política, do convencimento do adversário. Era tributário de uma tradição golpista, típica da política brasileira da época.

Nunca fez questão de esconder seu absoluto desinteresse pelas questões mais complexas da administração pública, distantes da politicagem do dia a dia. Celso Furtado, nas suas memórias (“A fantasia desorganizada”), relatou que entregou o Plano Trienal — que buscava planejar a economia nos anos 1963-1965 — ao presidente depois de exaustivas semanas de trabalho. Jango mal passou os olhos pela primeira página. Em entrevista à revista “Playboy”, em abril de 1999, Furtado foi direto: Jango “era um primitivo, um pobre de caráter”.

No polo ideológico oposto, o embaixador Roberto Campos, também nas suas memórias (“A lanterna na popa”), contou que escreveu um documento de 30 páginas relatando os contenciosos do Brasil com os Estados Unidos, em 1962, quando da visita do presidente a Washington. San Tiago Dantas, ministro das Relações Exteriores, pediu ao embaixador que reduzisse ao máximo a extensão do texto, pois com aquele volume de páginas o presidente não leria. Obediente, o embaixador sintetizou os problemas em cinco páginas, que foram consideradas excessivas. Diminuiu para três páginas. Mesmo assim, segundo Campos, Jango não leu o documento.

As reformas de base, palavra de ordem repetida à exaustão naqueles tempos, nunca foram apresentadas no seu conjunto. A definição — ainda que vaga — apareceu somente na mensagem presidencial encaminhada ao Congresso Nacional quando do início do ano legislativo, a 15 de março de 1964. E lembrar que foram apresentadas como soluções de curto prazo — mesmo sendo mudanças estruturais — durante três anos…

Deixou um país dividido, uma economia em estado caótico e com as instituições desmoralizadas. E abriu caminho para duas décadas de arbítrio.

Marco Antonio Villa é historiador

domingo, dezembro 29, 2013

ESQUERDA E DIREITA: UM DEBATE NECESSÁRIO

 
O GloboNews Painel,  programa televisivo comandado por William Waack, promoveu um debate no dia 28 sobre os conceitos de "direita" e "esquerda" no Brasil contemporâneo. Não vi ainda o vídeo do programa, mas, a se julgar pela importância do tema e pelos convidados  - o jornalista Reinaldo Azevedo e os professores Luiz Felipe Pondé e Bolívar Lamounier - acredito ter sido um debate interessante e produtivo, no mais alto nível.
 
Trata-se de um tema por demais pertinente, sobretudo no Brasil, onde vigora a total confusão mental sobre quase tudo, devido a um certo culto da ambiguidade em todos os terrenos - ideológico, político, moral etc. Particularmente, não compartilho da visão confortável de que "esquerda e direita são conceitos ultrapassados", que teriam sido enterrados junto com os escombros  do Muro de Berlim. A meu ver, eles continuam válidos, até porque, ao que parece, o Muro ainda não caiu nas terras de Cabral. (Se alguém tem alguma dúvida, que veja os nomes ou, se tiver tempo, leia os programas de partidos como PT, PSDB, PDT, PCdoB e tutti quanti, ou leia a Constituição de 1988, e conte quantas vezes lá aparecem as palavras "igualdade" e "justiça social", em contraste com termos como "liberdade" e "propriedade privada"...) Nesse aspecto, estamos uns trinta anos atrasados. Daí que um debate desse tipo pode ser uma excelente oportunidade de tentar rever esse atraso e botar os pingos nos "is".  Reinaldo Azevedo, aliás, fez as perguntas certas em seu blog, as quais vou aproveitar para responder, dando assim meus pitacos sobre o assunto.  Creio que muito que foi dito no programa coincide com o que vou dizer aqui.
 
Pergunta: Existem direita e esquerda por aqui?
Minha resposta: Esquerda, certamente existe, e de todos os tipos: centro-esquerda (majoritária), extrema-esquerda, esquerda aguada, esquerda caviar etc. Temos esquerdas e esquerdistas de todos os tipos e para todos os gostos, desde a esquerda mais escancaradamente pragmática (o PT à frente) até os mais porraloucas seguidores de Lênin e Trotsky. O que não há é direita, ou pelo menos uma direita politicamente viável. Há, aqui e ali, um ou outro deputado, um ou outro jornalista (como o próprio Reinaldo Azevedo), um ou outro blogueiro ou professor, que não rezam segundo a cartilha das patrulhas esquerdistas, mas estes são a minoria da minoria, e não estão articulados politicamente (alguns, como o deputado Jair Bolsonaro, são figuras folclóricas, que fazem mais bem do que mal à esquerda, certamente sem saber). O que é, diga-se com todas as letras, uma anomalia, uma verdadeira jabuticaba: o Brasil é o único - repito: o ÚNICO - país democrático sem um partido de direita forte e competitivo. Daí, aliás, não haver praticamente oposição ao lulopetismo.

Pior que isso: não há, no Brasil, uma cultura de direita. E o mais grave: num país em que a população é majoritariamente, esmagadoramente, instintivamente conservadora e de direita, como já escrevi aqui. O que torna ainda mais dramática e necessária a missão de romper a camisa-de-força ideológica imposta ao país por décadas de propaganda sistemática e persistente, que separou o mundo político do mundo real. Não por acaso, a população saiu às ruas em junho passado gritando "eles não nos representam": de fato, nenhum partido representa o pensamento médio do brasileiro. Tanto que, sem lideranças, os protestos não tiveram um Norte definido, perdendo-se no generalismo de slogans "contra-tudo-isso-que-está-aí" e no "por-um-mundo-melhor", facilmente apropriados pela esquerda radical...
 
Pergunta: Por que todos os políticos e partidos se dizem de centro-esquerda?
Minha resposta: Porque vigora no Brasil há décadas a hegemonia cultural e política das ideias de esquerda, via gramscismo. Daí a política, no Brasil, ter-se transformado num sambinha de uma nota só, como o é também o discurso cultural e nas universidades, em que todos repetem, por um automatismo inconsciente, os chavões e slogans marxistas. No Brasil, existem partidos de esquerda e fisiológicos, e só. Não é de surpreender, portanto, que as eleições sejam, há décadas, um concurso de esquerdismo - onde ganha, obviamente, o mais esquerdista. 
 
A hegemonia de esquerda é tão forte que partidos como o PT e seus aliados e derivados de extrema-esquerda se dão ao luxo de criar a própria direita. Na ausência de uma sigla que possa ser considerada como tal, o papel recaiu sobre o PSDB, um partido social-democrata, logo de centro-esquerda por excelência. Houve até um idiota que disse, um dia desses no Roda Viva da TV Cultura que os black blocs, os comuno-anarquistas aliados de legendas como PSOL e PSTU,  são... "de direita"! (a explicação que ele deu: "eles usam máscaras"...). Vigora, enfim, a mais completa demonização, a satanização, da "direita", aliás inexistente no Brasil, algo perigoso para a democracia. Nessas circunstâncias, não é de se estranhar que todos no Brasil sejam de centro-esquerda, algo que não ocorre em nenhum outro lugar no mundo.   
 
(Um parêntese: existe sim, direita no Brasil, mas uma direita burra, politicamente desarticulada - ainda bem. Inclusive, há políticos de direita ou conservadores - no mau sentido da palavra, não no burkeano - entre os partidos aliados do governo, e no próprio PT. Mas não é dessa direita que estou falando: refiro-me a um certo sentimento difuso, que se alimenta, paradoxalmente, do vazio ideológico deixado pela hegemonia esquerdista. Esse sentimento é facilmente constatado nas redes sociais, onde reina a indignação imediatista e exortações demagógicas a favor da pena de morte, por exemplo, são comuns. É uma "direita" formada geralmente de nacionalistas nostálgicos do regime militar ou de devotos religiosos, para os quais a aniquilação de seus inimigos ou o reino dos céus é mais importante do que a defesa da liberdade. Apesar de professarem um anticomunismo retórico, "direitistas" assim se sentiriam à vontade em países como Cuba e Coreia do Norte. Uma direita laica, responsável e democrática - conservadora, enfim - seria o melhor antídoto contra essa "direita" de fancaria. Esta apenas dá munição aos esquerdistas.)  
 
Pergunta: Por que alguns grupos ideológicos reivindicam o monopólio da virtude?
Minha resposta: Porque se consideram, como no caso dos partidos comunistas, entes de razão, donos absolutos da Verdade Revelada e da chave da História. Essa é a essência, aliás, da ideologia marxista, totalmente vitoriosa entre nós (e pior: por W.O...). Em nome desse ideal de uma sociedade perfeita no futuro, tudo, absolutamente tudo - o extermínio de 100 milhões de pessoas, por exemplo - é permitido, e coisas como o Mensalão tornam-se facilmente compreensíveis. Nesse sentido, o PT é um partido fundamentalmente leninista: todos os meios são válidos, aos olhos dos companheiros petistas, para chegar ao poder e nele se manter - o assassinato, de reputações ou de fato (vide o caso Celso Daniel), é apenas um exemplo. Trata-se do herdeiro legítimo de uma tradição revolucionária que remonta à Revolução Francesa, passando pela Revolução bolchevique na Rússia e, mais recentemente, pelo castro-guevarismo e pelo gramscismo, sem jamais reconhecer o valor inerente da democracia.  
 
Além disso, o PT tem uma arma poderosa à sua disposição, que falta às demais agremiações e que o aproxima ainda mais de partidos totalitários: os chamados "movimentos sociais". É sobretudo nessa área que se revela seu caráter gramscista, de partido que faz de tudo para alcançar seus objetivos. Não importa se as causas que professa e suas políticas práticas sejam absolutamente contraditórias: não se espantem se a defesa dos direitos humanos feita por uma Maria do Rosário ou um Luiz Eduardo Greenhalg caminha lado a lado com a devoção fanática a ditaduras totalitárias como a dos Castro em Cuba, ou se a tentativa de criminalizar a "homofobia" anda de mãos dadas com a defesa do regime teocrático do Irã, onde se enforcam homossexuais, ou ainda se a implantação de cotas raciais no serviço público seja uma forma de institucionalizar o racismo, ou se militantes feministas calam-se covardemente ante a incitação ao estupro feita por um professor esquerdista contra uma jornalista - todas essas bandeiras de minorias não passam de instrumentos, de um meio para se chegar ao fim almejado. Não esqueçam: o compromisso do PT e assemelhados é com o poder, e nada mais. Para tanto, não hesitam em manipular as causas mais disparatadas, a fim de minar o "sistema" e semear o caos, valendo-se de idiotas úteis. Antes, eram os camisas negras e a Guarda Vermelha; hoje, são os "movimentos" negro, indígena, feminista, LGBTT etc.
 
Pergunta: O conservadorismo é necessariamente reacionário?
Minha resposta: Absolutamente não. A associação entre conservadorismo e reacionarismo é uma invenção da esquerda, sobretudo da esquerda marxista, que penetrou profundamente nos corações e mentes da população brasileira. O conservadorismo nasce da moderação, da busca por mitigar os horrores trazidos pelos jacobinos na Revolução Francesa, e conservar - daí o nome - princípios universais consagrados anteriormente, dos quais a liberdade é o principal. Não por acaso, sua matriz é anglo-saxônica, tendo como um dos maiores filósofos o britânico Edmund Burke (1729-1797), e fortemente alicerçada nas conquistas institucionais das "revoluções" inglesa (1688) e norte-americana (1776) - revoluções só no nome, pois visaram antes a conservar, e não a transformar, a propriedade privada e a liberdade individual diante da ameaça do Estado absolutista. Na França revolucionária e sobretudo na Rússia, ao contrário, a revolução foi feita para eliminar a propriedade e, com ela, a liberdade do indivíduo, resultando nas piores formas de opressão estatal conhecidas na História da humanidade. Se o critério é a democracia e a liberdade, portanto, reacionários são os socialistas e comunistas, não os conservadores. 
 
(Mais um parêntese: não que não exista uma direita reacionária, como escrevi acima. Mas é a parte da direita que abandonou o conservadorismo, preterindo-o em favor de soluções estatistas e socialistas. Isso mesmo: socialistas. Parece confuso? Então lembrem do criador do fascismo, o ditador italiano Benito Mussolini, que veio das fileiras do Partido Socialista italiano. Não que ele tenha abandonado o socialismo para mergulhar no delírio totalitário - ele apenas lhe deu um outro nome. Mussolini e Hitler consideravam o liberalismo seu maior inimigo, adotando políticas muitas vezes copiadas dos comunistas, a começar pelo controle total da sociedade pelo Partido-Estado. Quando virem um esquerdista chamar alguém de "fascista" - um de seus xingamentos preferidos -, pensem nisso.)
 
Pergunta: Direita liberal e extrema direita se confundem?
Minha resposta: De maneira nenhuma direita liberal e extrema-direita se confundem, pois não se pode confundir liberalismo político e econômico com a sua antítese, o dirigismo estatal, encarnado tanto pela extrema-direita quanto pela extrema-esquerda. Daí os conservadores serem inimigos irreconciliáveis do totalitarismo, seja de direita ou de esquerda, mantendo uma distância não somente política, mas sobretudo filosófica, dos fascistas. O mesmo não pode ser dito da esquerda "moderada", ou centro-esquerda, em relação à extrema esquerda: une-as um laço fundamental, que é a devoção ao Estado, laço este comum também aos extremistas de direita. Por isso é mais provável uma aliança entre a esquerda e a extrema-esquerda (como de fato ocorre, atualmente, no Brasil), ou entre os dois extremos ideológicos, do que entre liberais (ou liberais-conservadores) e a extrema-direita. Aliás, a aliança entre os extremos de cada lado já se realizou historicamente (o pacto "de não-agressão" entre Hitler e Stálin, que foi o catalisador imediato da Segunda Guerra Mundial, em 1939). Uma aliança assim jamais seria possível entre liberais e fascistas.
 
Portanto, só se pode entender a atual hegemonia ideológico-cultural esquerdista no Brasil, e a consequente vilanização da "direita", como o resultado de uma grosseira falsificação da História e das ideias. Falsificação que precisa ser denunciada com todas as forças por qualquer pessoa com um mínimo de honestidade intelectual. Do contrário, o Brasil continuará a ser um país em que a política se resume a petistas e tucanos, dilmas e aécios. Uma quase república soviética, governada por comissários de araque - e sem oposição digna desse nome.

domingo, dezembro 15, 2013

ABAIXO OS PAIS DA PÁTRIA

A imagem da semana. Deveria ser a de todos os dias.
 
Três fatos da semana que passou merecem ser comentados. São os seguintes:
 
1 - a morte do líder anti-apartheid sul-africano Nelson Mandela ou, mais precisamente, a onda de mistificação histórica que se lhe seguiu, com contornos necrofílicos e de verdadeiro culto da personalidade, assunto de que tratei aqui em vários textos;
 
2 - a derrubada de uma estátua de Lênin, o líder da Revolução bolchevique de 1917 na Rússia e fundador da finada URSS, por um grupo de manifestantes que protestavam contra o governo pró-russo de Viktor Yanukovich, em Kiev, Ucrânia, e
 
3 - as revelações bombásticas do ex-secretário nacional de Justiça, o delegado da Polícia Federal Romeu Tuma Júnior, em livro recém-lançado (Assassinato de Reputações), entre as quais a existência de uma fábrica de dossiês no governo petista contra adversários políticos e o fato espantoso de que Luiz Inácio Lula da Silva foi um informante do DOPS, a polícia política do regime militar, nos anos 70 e 80 - o que o transforma, provavelmente, na maior farsa da História política do Brasil (além de testemunha indispensável a ser ouvida na "comissão da verdade" criada ironicamente para denunciar os crimes da ditadura militar).
 
Não escolhi as três notícias por acaso. Elas estão intimamente relacionadas, assim como os personagens em questão. Não obstante as diferenças óbvias existentes entre os três, Mandela, Lênin e Lula foram ou são líderes populares e carismáticos, com legiões de seguidores devotos e fanáticos. No caso de Mandela, as imagens do funeral não deixam qualquer margem à dúvida de que o personagem transformou-se, graças a um eficiente trabalho de endeusamento e desinformação, num semideus, sem qualquer relação com a realidade. O mesmo no que diz respeito a Lênin durante os anos da URSS. Quanto a Lula, partilha com os outros dois a aura de líder popular e ídolo da esquerda, apesar (ou, talvez, por causa) da montanha de denúncias de corrupção, que não param de se acumular. Enfim, os três são, cada um a seu modo, "pais da pátria". (Essa foi uma das expressões mais usadas na imprensa para se referir a Mandela, o "pai da nação sul-africana" etc.)
 
Aí está mais um bom motivo para destoar da multidão e não deixar de lado o senso crítico, que parece ter sido abandonado por grande parte da imprensa nesses dias. Tirando talvez os founding fathers, os pais fundadores dos EUA (que, mais do que um país, é uma ideia), desconfio de qualquer político (aliás, desconfio dos políticos em geral) que se apresentem, e que sejam considerados como, "pais da pátria". Por motivos que acredito serem óbvios.

Em primeiro lugar, o pai da pátria, o líder carismático e personalista, está sempre acima e à frente da população, colocando-se, assim, acima da própria democracia. Não deve ser por acaso que todos os países em que se cultuam líderes desse tipo - Bolívar na Venezuela; Gandhi na Índia; Jinah no Paquistão; Mao na China; Ho Chi Mihn no Vietnã; Nasser no Egito; Ataturk na Turquia; Perón na Argentina; Getúlio Vargas (ou, mais recentemente, Lula) no Brasil - têm problemas sérios com a democracia, ou ainda estão engatinhando no terreno democrático. Em geral, regimes totalitários ou países subdesenvolvidos ou do Terceiro Mundo (como eram chamados antigamente). É que a democracia é um sistema político essencialmente impessoal, baseado no império da lei e nas instituições, e não em homens fortes, do tipo caudilhos iluminados, que combinam mais com ditaduras.

Mesmo que o líder seja associado a causas irrepreensíveis como a luta contra o racismo, pela paz e pela democracia (o que não era bem o caso de Mandela, como procurei mostrar em meus textos anteriores), o fato é que a democracia, como forma de governar e filosofia política, é incompatível com o caudilhismo e o culto da personalidade, sob qualquer de suas formas. A democracia não combina com pais da pátria.

Em segundo lugar, o culto a caudilhos políticos, assim como a pop stars, é sempre algo irracional, baseado no emocionalismo e não nos fatos. A idolatria a Mandela - para ficarmos apenas no assunto que dominou as manchetes - não foge à regra, ancorando-se em doses cavalares de paternalismo e na infantilização das massas, que choram a morte do "paizinho" Madiba até com mais fervor do que se fosse alguém da família. Nos últimos anos, depois que deixou o governo em 1999, Mandela não fez mais do que estimular, mesmo indiretamente, esse tipo de comportamento irracional e infantilizado, ao qual não falta mesmo certo elemento erótico (vi um comentarista da Globo derramar-se melosamente em elogios ao sorriso de Mandela, "o mais bonito que já vi"...). Não há como negar o elemento de farsa nesse fenômeno. (Farsa bem ilustrada pelo episódio cômico-surreal do impostor que se fez passar por intérprete de sinais na cerimônia em homenagem a Mandela. Este, na verdade um esquizofrênico, tentou depois se justificar, dizendo que viu "anjos" no estádio de futebol... Um fenômeno de alucinação coletiva, na verdade.)  
 
Ao contrário do cada vez mais desacreditado Lênin, nem Mandela nem Lula foram derrubados do pedestal em que foram colocados por décadas de propaganda e bajulação por setores da política e da imprensa. É provável que a verdade sobre Mandela continue obscurecida durante muitos anos, pelo menos enquanto houver políticos e celebridades dispostos a continuar sustentando a mentira do líder pacifista e democrata (que comandou uma organização terrorista e era amigo de ditadores, é bom lembrar). Já Lula, o maior ícone da esquerda brasileira nas últimas quatro décadas, tem sua máscara retirada um pouco a cada dia, e as revelações de Tuma Júnior são uma marretada a mais no muro de mistificação erguido em torno do "maior líder operário da História do Brasil".

(E que marretada! O que torna ainda mais inexplicável que, com exceção da Veja, nenhum outro órgão da "mídia conservadora e capitalista" tenha dado publicidade às denúncias, as mais graves desde o mensalão, e que mereceriam, por isso, pelo menos uma edição especial do Fantástico... Até o momento em que escrevo estas linhas, reina um silêncio ensurdecedor sobre o assunto.)

Finalmente, como o segredo de aborrecer é dizer tudo (houve até um bobalhão que me chamou de "ressentido" por ter exposto fatos sobre Mandela...), aí vai uma história interessante, que a meu ver ilustra bem o mecanismo psicológico por trás do culto da personalidade, e que vale para os três casos citados acima.

Conta-se que, logo após a revelação dos crimes de Stálin (até então, o Mandela da esquerda mundial), em 1956, um velho militante comunista brasileiro, adaptado aos novos ventos de mudança que sopravam de Moscou, assim definiu o culto à personalidade do "camarada" Stálin, o paradigma de todos os cultos da personalidade, e que era chamado geralmente de "pai" pelos comunistas do mundo inteiro até ser desmascarado como o tirano sanguinário que era: "- Em minha cidade, quando alguém chama outro homem de pai sem que seja seu pai biológico ou adotivo, damos um nome a isso: filho da puta"

Definição que cabe bem a quem esconde fatos para edulcorar biografias. 

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Com este texto, completo mais de MIL posts publicados no blog. A maioria, de minha própria lavra. Espero ter contribuído, de alguma maneira, para romper o muro de silêncio e de estupidez que cerca os assuntos que abordei. Acho que vou dar um tempo no blog. Tenho outros projetos a que quero me dedicar. Assim, deixo já aqui meus votos de boas festas e de um bom ano, com mais lucidez e menos assuntos para comentar (embora saiba que isso será difícil; afinal, "eles" não param...). A todos que me acompanharam até aqui, UM FELIZ NATAL E UM EXCELENTE 2014!    

sexta-feira, dezembro 13, 2013

PRÊMIO IDIOTA DA SEMANA


E o prêmio Idiota da Semana, concedido pela Academia Brasileira de Investigadores de Débeis Mentais, Bocós e Assemelhados, vai para o Giovane Martins, o rapaz que conseguiu a incrível proeza de cometer dois textos em seu blog sem refutar nada do que escrevi sobre Nelson Mandela.  Mais que isso: negou-se a refutar o que quer que seja e ainda disse que está se lixando para os fatos. Parabéns! Ele merece!

Segue o comentário que enderecei ao moço. Tentei ser o mais claro possível:
 
Giovânus,

1 - Só li seus textos porque você colocou o link.

2 - Só lhe respondi porque você me citou.

3 - Vá à merda.
 
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013 14:11:00 BRT
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quarta-feira, dezembro 11, 2013

UMA CONFISSÃO ASSUSTADORA

Não crianças, esse senhor no video acima não está cantando uma canção de ninar...


Recebi um comentário muito curioso e revelador do Giovane Martins, o rapaz que acha que sou um ressentido/ofendido/vingativo/contra-todo-mundo-o-tempo-todo porque citei aqui alguns fatos pouco lembrados sobre Nelson Mandela, o novo santo dos politicamente corretos. Ele - mais uma vez! - não rebate nada que escrevi, mas mesmo assim se acha no direito de postar em minha area de comentários. E ainda faz uma revelação estarrecedora sobre si mesmo.
 
Pensei em não publicar, em parte porque não merece resposta, como tudo que ele escreveu, e em parte por piedade. Sim, piedade. Afinal, o Mandela-boy mostra em seu comentário um lado bastante funesto de sua personalidade. Ele praticamente confessa não estar nem aí para coisas como paz, liberdade, democracia e direitos humanos (e isso porque ele se diz uma pessoa muito sensível, uma boa alma, o moço...). Fico compadecido diante de quem se detona dessa maneira. Mas acho que vale a pena responder, para mostrar o nível de certos pseudo-filósofos da internet. 
 
Não é todo dia que alguém escreve algo tão desabonador sobre si mesmo. Para azar do Giovane, eu prestei atenção ao que ele disse. Vamos lá.
 
Gustavo,

Você parece escrever partindo do princípio de que seus leitores não sabem história. Eu não. Todo mundo sabe da história do Mandela, e eu nunca a neguei. Meu texto não analisa isso.
 
Não sei quanto a quem lê o blog, mas a maioria ignora História, sim. Sobretudo a história da África do Sul (a de Mandela então, nem se fala). Basta ver a mistificação em torno da figura do "pai da nação sul-africana", que os textos do rapaz apenas reforçam.
 
Querem exemplos? Vamos lá, didaticamente:

- Quantos que estão entoando cânticos de louvor ao "pacifista" Mandela sabem que ele foi comandante de uma organização terrorista?
 
- Quantos sabem que foi pelo motivo acima, e não "por se opor ao apartheid", que ele foi preso e condenado? 

- Quantos sabem de atentados como o de Church Street? 

- Quantos sabem dos milhares de assassinatos cometidos pelo CNA contra brancos e negros?

- Quantos sabem o que era necklacing?
 
- Quantos sabem que o "democrata" Mandela era amigo de tiranos (e aplaudia tiranias)?
 
- Quantos sabem que ele foi comunista?
 
- Quantos sabem que o CNA virou uma máfia, e que os herdeiros de Mandela, como o estuprador Jacob Zuma, são bandidos?
 
- Quantos sabem que a desigualdade social na África do Sul só aumentou depois do fim do apartheid? (e não, não estou defendendo o regime do apartheid, por favor...)
 
Enfim, quantos conhecem os fatos acima? (um artigo interessante é esse aqui: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1758)
 
Giovane, pelo que ele mesmo diz, não está nessa categoria. Pelo contrário: ele diz que não nega a história do Mandela. E AQUI ESTÁ A PARTE MAIS ESCANDALOSA DO QUE ELE ESCREVEU. Se ignorasse os fatos sobre a vida de Mandela, ou se os negasse, seria melhor para ele, ele sairia melhor na fita. O problema é que o sujeito confessa que sabe dos fatos e NÃO SE IMPORTA. Como ele mesmo disse no primeiro texto: "Pouco me importa se o ex-presidente da África do Sul foi amigo do Fidel Castro, se os políticos que o sucederam fracassaram ou não, ou se o CNA (Congresso Nacional Africano) tornou-se uma máfia." Lembra disso, Giovane? Foi você que escreveu.
 
Ou seja: o camarada conhece as atrocidades do CNA, as relações de Mandela com ditadores assassinos, sua filiação ao comunismo, seu legado desastroso... e não dá a minima! Vê as pessoas louvando Mandela como um pacifista e um democrata, sabe que isso não é verdade, mas está se lixando!

Confesso que poucas vezes vi alguém se rebaixar desse jeito. É assustador!

Devo deduzir, das palavras acima, que o problema do moço é pior do que eu imaginava. Se ele desconhecesse os fatos que citei, teria pelo menos uma desculpa. Poderia alegar ignorância. Como não é o caso, não tem esse álibi.
 
Meu texto analisa quem procura se colocar contra a sociedade o tempo todo, mostrando uma atitude infantil de quem precisa chamar a atenção. Mais do que infantil, é, sim, uma atitude ressentida diante da sociedade e uma atitude de autoafirmação. Por que ficar contra todo mundo o tempo todo?

Que curioso. Eu achava que tinha escrito um texto sobre o Mandela, mas Giovane parece estar mais preocupado com minhas "intenções"... (eu, heim? da última vez que me perguntaram isso engatei um namoro sério...) Só isso para explicar essa lengalenga de ter escrito um texto (em que cita um texto meu) para "analisar" quem fica "contra a sociedade o tempo todo" etc. 

Então  lembrar fatos ignorados pela maioria e denunciar um culto da personalidade é "ficar contra a sociedade o tempo todo"? Isso é mostrar "uma atitude infantil de quem precisa chamar a atenção"? É ter "uma atitude ressentida diante da sociedade"? uma "atitude de autoafirmação"? Pensei que estava apenas lembrando fatos. Historiadores e biógrafos, portanto, são todos ressentidos e attention-seekers...

Outra coisa: quem está "contra todo mundo o tempo todo"? Não sou niilista. Defendo, sim, o que a maioria, infelizmente, despreza ou desconhece, e faço isso com base em fatos e argumentos (para os quais o jovem está se lixando). E o faço por amor à VERDADE (o que ele também despreza, como admite). Nietzsche (que está longe de ser meu filósofo favorito) dizia que somente sabe admirar quem sabe desprezar. Desprezo cultos à personalidade porque admiro e prezo a inteligência (Giovane, pelo que escreveu, pensa exatamente o oposto). Isso é "ficar contra todo mundo o tempo todo"? 

Em seguida, o pobre rapaz repete que está cantando e andando para a História. E defende uma teoria no mínimo curiosa:
 
Por este motivo, não vou refutar o que você diz, pois eu já conheço a história do Mandela. E sei que quem "endeusa" o Mandela como você diz, procura seguir o exemplo bom dele. O lado ruim que se foda, todo mundo já conhece e todo mundo sabe que foi um erro. É muito difícil, pra você, entender isso?
 
OK, Giovane. Já percebi que você não vai refutar nada que eu escrevi. Já vi que você não se dá bem com os fatos e a lógica. Já conhece a história e não dá a mínima para ela... Tanto que não vê nenhum problema em endeusar (sem aspas) um personagem politico desdenhando fatos pouco edificantes de sua biografia. Devo deduzir, então, que, como os devotos de Santo Mandela só enxergam o lado bom dele, e que o lado ruim que se foda, eu poderia seguir esse exemplo e só enxergar o "lado bom" de figuras como Hitler ou Stálin, já que eles também teriam tido um "lado bom"... Sim, porque fodam-se os fatos, como você disse. E vejam que Mandela tinha sim, virtudes, que não nego. Mas desprezar fatos pouco convenientes em nome de um culto da personalidade me parece coisa de gente deslumbrada e descerebrada. E pedir que se aceite isso é algo difícil de entender. Difícil, não: impossível. 
 
Por favor, não me diga para refutar fatos. Eu já te expliquei a mesma coisa várias vezes e é só isso que você soube responder. O próprio texto que você postou agora, diz a mesma coisa o tempo inteiro, ler ele [SIC] foi um tédio. Não fique agindo como um burro, por favor.
 
terça-feira, 10 de dezembro de 2013 10:47:00 BRT
 
Meu caro, quando se escreve um texto sobre um personagem público (ou sobre qualquer outro assunto), o mínimo que se espera é que tal análise se baseie em fatos. Mas OK, já que Giovane não se dá bem com fatos, e que acha que lembrar fatos é coisa de gente burra, gostaria de saber por que se meteu a escrever sobre esse assunto. Sim, pois o assunto é Mandela, certo? Pelo menos esse é o tema de meus textos. O rapaz me citou, e somente por isso respondi. E lhe desafiei a refutar o que escrevi. Sim, sei que isso é um tédio. Fatos são tediosos. Mais divertido é mandar o senso crítico às favas e seguir a onda de oba-oba necrofílica. Ignorance is a bliss, como se diz por aí. Mas estou em outra. Prefiro pensar. 
 
ExcluirEu ia pedir para o tal do Giovane deixar de agir como um idiota. Mas desconfio que seria inútil. Quem não liga para a verdade não merece sequer esse tipo de conselho. Nem merece mais atenção.
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P.S.: Em tempo: quem estava ontem na cerimônia em homenagem a Mandela era alguém que também procura seguir somente o lado bom dele, sem dar bola para outros fatos menos luminosos de sua vida. Estou falando de Raúl Castro, o hermano-en-jefe da ilha-prisão de Cuba. Ele também quer que os fatos se fodam. Não somente os fatos, mas o povo que ele tiraniza há mais de cinco décadas juntamente com o irmão, outro amigão do peito de Mandela. Eles querem todos que a História se foda. Mas, para o azar deles, estou aqui para defendê-la.

segunda-feira, dezembro 09, 2013

AINDA SOBRE MANDELA. OU: O INCRÍVEL CASO DO MENINO MUITO SENSÍVEL QUE NÃO GOSTA DE FATOS. OU: EU, O "RESSENTIDO"


Não crianças, aquele símbolo ali atrás não é o do "paz e amor"...

Ai Que tédio!
 
Lá vou eu dar um pouco mais de atenção ao tal de Giovane e rebater o que ele escreveu mais uma vez sobre mim. Giovane é admirador/fã/tiete/devoto de Nelson Mandela. Não do Mandela real, do Mandela-homem, de carne e osso, que comandou o CNA e que foi amigo de ditadores, como mencionei anteriormente. Mas do Mandela-mito, o Mandela Nobel da Paz, o Mandela da música, das celebridades, da Madonna e do Bono Vox. É sobre esse Mandela, o da propaganda, que Giovane quer falar, e dele somente. Eu estou em outra, como vocês sabem.
 
Giovane tem um blog. O Blog do Giovane. Rebati, ponto a ponto, um texto que ele escreveu, em que cita meu blog. Achei que o rapaz já tinha entendido o recado. Uma pessoa honesta ou, pelo menos, minimamente inteligente, teria percebido a gafe, pediria desculpas pelas besteiras que disse, prometeria estudar um pouco mais e colocaria a viola no saco. Ou então, passaria ao contra-ataque, tentando achar algum erro factual ou lógico em minha argumentação. Mas não o Giovane. Ele está acima desse tipo de coisa mundana. Em lugar de rebater meu texto, com fatos e lógica, ele comete mais um, no qual prefere insistir em me citar sem me refutar. Pior: insiste em me chamar de "ressentido" e outros adjetivos por essa minha mania de colocar fatos à frente de cultos à personalidade (algo que exala um indisfarçável odor de totalitarismo, e o caso de Mandela não é exceção). Vamos lá, mais uma vez. Já que o Mandela-boy não se emenda, espero que pelo menos os leitores do blog tirem algum proveito.
 
Giovane não gosta de fatos sobre Nelson Mandela. Ele acha que isso é coisa de gente ressentida, invejosa. Tanto que só escreve a palavra entre aspas ("fatos"). Tem, portanto, a obrigação de refutá-los, mostrar que são falsos, mas não é isso que faz. Para ele, não importa que os fatos sejam verdadeiros ou não (aliás, ainda espero provarem que os fatos que mencionei são falsos). Ele também não gosta de refutar argumentos. Tanto que novamente não o faz, e reconhece isso abertamente. Em vez disso, menciona meu blog. Cita meu texto, diz que ele é um amontado de clichês, mas não refuta NADA que está lá escrito... Simplesmente me chama de "ressentido", e pronto. E ainda diz que não faz "argumentação ad hominem". (!!!!)

Giovane não gosta da razão (ou do "culto da racionalidade", como ele escreveu no primeiro texto). Diz isso, e alega um suposto "princípio ético" ao ter postado um comentário aqui. Princípio ético que pelo visto esqueceu na hora de escrever seus dois textos inacreditáveis, já que cita meus textos sem refutá-los e, de quebra, ainda me brinda com um modelo de argumentação ad hominem, como vocês verão adiante. Rebati tudo que ele escreveu, mas ele acha pouco. Mais: ele não está nem aí. Tanto que, em vez de dizer onde eu errei ou faltei com a verdade, ele se limita a dizer que eu "não entendi" o que ele escreveu. De fato, não entendi até agora. Se eu tivesse de apostar, diria que ele escreveu o que escreveu para negar fatos inegáveis sobre seu ícone/deus/pai. É a hipótese mais provável. E ainda faz o que deve achar uma ironia sofisticadíssima: "não sou professor de pré-primário". Não duvido. Para ser professor, mesmo que de criancinhas, tem de ter algum apreço pela inteligência. Não parece ser seu caso.
 
Giovane acha que fiquei "visivelmente ofendido" com o que ele escreveu a meu respeito (tolinho: estou rindo até agora). Ele diz isso porque me dei ao trabalho de responder a seu texto, e publiquei alguns comentários no seu blog. Eu achava que, ao fazer isso, eu estava sendo apenas honesto. Ele também acha que sou "vingativo" e duvida de minha racionalidade (que ele despreza, diga-se), entre outras coisas, porque eu disse "quem escreve o que quer, lê o que não quer" (uma grande "ameaça", como se pode ver...). Fico me perguntando por que eu quereria me vingar de alguém que me faz rir tanto com essas pérolas... 
 
Giovane não dá o braço a torcer, e logo após recordar que não refutou nada que escrevi em meu blog, diz que respondeu meu comentário "de forma mais racional" (logo ele, que diz desprezar a racionalidade e os fatos...). E escreveu uma joia de sintaxe estropiada: "(logo vou deixar um link para a resposta dele, onde sou chamado de "emotivo"), dizendo, resumidamente, que a intenção do meu texto não era a que ele esperava, e que se ele ficou ofendido, era melhor repensar sobre [SIC] meu objetivo." Oi???
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Giovane é um emotivo, uma alma muito sensível, como já escrevi. Tão sensível e tão emotivo em relação a Mandela que, além de desdenhar a lógica e os fatos, como ele mesmo admite, adivinha intenções ocultas atrás de minhas palavras, como se fosse dotado de dons telepáticos "(considero um elogio, mas sei que a intenção não era essa)". E se atrapalha com as próprias palavras, como um bebê com um brinquedo que não sabe usar. Ele diz, por exemplo, que procuro atacar sua "argumentação lógica" (como se fosse possível atacar algo que não existe... o rapaz não entende ironia) e que "tentei refutar" cada trecho de seu texto (não "tentei": REFUTEI, ponto a ponto, seu texto, que transcrevi integralmente). Volta a colocar os fatos que citei sobre Mandela entre aspas (mais uma vez: ele não refuta nenhum deles). E ainda solta a seguinte barrigada: "Disse que não vale a pena responder a textos como o meu, mas mesmo assim, o fez: querendo ou não, é coisa de gente ressentida." Respondi e respondo de novo, como estou fazendo agora, e pelo mesmo motivo: porque me citou. Pelo teor, realmente não vale a pena responder. "Ressentido", é? Agora é assim que se chama quem se baseia em fatos e não embarca em babações de ovo coletivas? Querendo ou não, é coisa de gente deslumbrada.

Não para por aí. Giovane não somente desconhece lógica elementar, como também tem dificuldades sérias com interpretação de textos. Ele diz que eu insinuo, por exemplo, que ele seria "chavista, esquerdista, comunista e que meu texto é [SIC] um culto à personalidade, que não condiz com os fatos sobre Mandela." Isso porque lembrei que o culto à personalidade de Mandela é comparável ao do cadáver de Hugo Chávez, inclusive na cafonice ("Ele não morreu, vive em nossos corações" etc.). Ou seja: ele não sabe a diferença entre uma comparação, uma figura de linguagem, e uma insinuação de fato. E ainda diz que eu "não sei ler"...

A única parte mais ou menos honesta do novo texto de Giovane é quando ele repete que não vai refutar nada que eu disse. À essa confissão de inépcia argumentativa ele acrescenta que o que escrevi "mostra que ele (ou seja: eu) não sabe ler nem escrever com a cabeça livre". Fico pensando o que seria "ler e escrever com a cabeça livre"... Seria escrever livre de fatos e da razão? Vai ver é isso... Se for esse o caso, então realmente não consigo. 
 
Em seguida, o jovem cheerleader mandelista diz que, por mais "brochante" [SIC] que pareça, vai tentar explicar seu texto. Eu me contentaria que ele explicasse por que não leva nenhum dos fatos que citei sobre Mandela em consideração. Porque o texto dele é inexplicável. Aliás, quem se propõe a explicar a si mesmo num texto sobre outra pessoa já está dizendo que está fora do alcance de qualquer explicação racional. E isso, realmente, é algo bem broxante (além de desonesto e um bocado egocêntrico).
 
Giovane diz que não está preocupado com política o tempo todo (deve achar que é o meu caso: minha maior preocupação é com a honestidade moral e intelectual). Na verdade, ele parece não se preocupar com política em tempo nenhum, pelo menos no caso de Mandela.  Também diz que não tem ideologia política alguma [SIC] (a exceção deve ser a ideologia mandelista...). E sai com essa: "A direita e a esquerda incultas fazem o que o autor do Blog do Contra fez: analisam as coisas de acordo com suas ideologias políticas." Não conheço nenhum autor, filósofo, historiador ou cientista político, de esquerda, direita ou centro, culto ou inculto, que não tente basear suas análises em alguma forma de ideologia política. Giovane deve ser um caso único. E ainda compara quem se interessa por política a um "amigo chato que só fala em futebol, que não consegue pensar em algo novo e que vai morrer fracassado, com uma bandeira comunista ou anti-comunista -- não interessa se o comunismo ainda existe ou não, viver no passado "é o que há" para um fracassado." etc. A conclusão, pelo contexto da frase, é que "viver no passado" é lembrar fatos omitidos em torno de um personagem por aqueles que o erigiram em objeto de culto quase religioso. Segundo essa linha de raciocínio, historiadores e biógrafos, por exemplo, são todos uns fracassados...

Giovane diz que não está "interessado em ideologias políticas" (nem na Política, nem em História, nem na biografia de Mandela) e que por isso fez um texto "que não tem como tema central, de forma alguma, a política", mas sim uma "análise sobre o Nelson Mandela que derrotou o Apartheid apenas com a conversa" (como se o apartheid tivesse caído apenas pela lábia do Madiba... como já afirmei antes, o fim do regime foi o resultado de uma série de fatos históricos e políticos, que Giovane ignora por completo). Mais uma vez, fica claro o problema de tentar fazer uma "análise", como ele diz, de uma figura histórica e política ignorando a História e a política.  
 
Mais Giovane: "citei o Blog do Contra, já que nele estavam todos os argumentos dos quais queria utilizar como exemplo do que não fazer, expondo o pensamento ideológico e, logo depois, teorizando, mesmo que em poucas linhas, sobre onde se encaixa o "ressentimento", que é um conceito filosófico, ao contrário do que foi citado no texto-resposta (o autor do contra acredita que é psicanalítico)." A sintaxe, assim como a lógica, realmente não é o forte do rapaz...

(By the way, não ignoro que o ressentimento seja um conceito filosófico, e não psicanalítico. Apenas o rapaz não sabe manejar o conceito, como não sabe manejar a lógica: se soubesse, não atribuiria minha crítica ao culto à personalidade de Mandela ao "ressentimento". Seu ressentimento com fatos que destoem do oba-oba, porém, está bem caracterizado, e desconfio que tenha um fundo psicológico.)

Mais adiante, Giovane diz usar "mais argumentos da filosofia" (quais? de que corrente ou escola filosófica?) para entoar o cântico necrofílico de que "Mandela morreu apenas simbolicamente e que ele está vivo em nossos corações" (lembram dos chavistas? pois é... pelo visto ele não os conhece). E repete, usando o plural majestático, que "não precisamos nos preocupar com a ausência do Mandela, pois já absorvemos o que admiramos dele, assim como os ressentidos absorveram apenas o lado ruim de Nelson Mandela". E tome blábláblá e panegírico. Diz que "o sujeito" (ou seja: eu) "não entendeu que o que eu quis dizer, é que podemos aprender muito com Mandela, inclusive com seus erros. É preciso ser forte para sofrer humilhações morais e físicas durante a vida inteira, e conseguir dar a volta por cima, abdicando da violência, e utilizando a Comissão da Verdade não para a vingança, e sim para o exemplo." E logo na frase seguinte se contradiz flagrantemente (ei, ele mandou a razão às cucuias, lembram?): "Essa grandeza não foi negada pelo administrador do Blog do Contra." Exatamente! Lembrei o papel importante de Mandela na transição para o fim do apartheid, e no apaziguamento entre brancos e negros após sua saída da prisão. Lembrei também diversos fatos pouco lisonjeiros de sua biografia. Enfim, citei os dois lados do Mandela, o rapaz apenas um lado. Ele absorveu apenas o Mandela da propaganda, o Mandela pop. Para ele Mandela é uma figura unidimensional, todo amor e pureza. Para mim, existe o Mandela dos fatos, o Mandela da História. Por esse motivo eu seria um "ressentido", alguém que "preferiu ficar apenas no campo da política e não no da inteligência." Como se política e inteligência, nesse caso específico, fossem coisas distintas! Mais: como se negar ou ignorar (vamos lá, mais uma vez) FATOS fosse uma atitude de gente inteligente!
 
Apesar de tudo isso, Giovane não volta atrás no que escreve (REPITO: SOBRE MINHA PESSOA, MEU BLOG E MEU TEXTO, E NÃO SOBRE MEUS ARGUMENTOS A RESPEITO DE MANDELA, O QUE ELE IGNORA TOTALMENTE). Ainda por cima, ele se diz um incompreendido ("Sei que quem leu meu texto de cabeça fria conseguiu entendê-lo além do que escrevi" e "Quem leu de forma inteligente, não estava procurando uma cartilha sobre o comportamento do Mandela" etc.). Tudo para tentar justificar o fato de não mencionar, em nenhum momento, nada que escrevi SOBRE MANDELA. E ainda força a mão para defender o indefensável: "Também acreditei, por um momento, que a resposta ao meu texto seria uma reflexão, mesmo que oposta a minha, e não apenas outra publicação cheia de "fatos"" (novamente, entre aspas). Ou seja: quer uma "reflexão" sobre um personagem histórico que dispense os fatos... Reflexão sem fatos. Pois é.
 
A torrente de besteira pseudo-filosófica não cessa. Ele ainda finge ter "errado" por topar um debate (achei que era um debate) comigo: "Errei novamente, e reconheço isso. Foi ingenuidade acreditar que alguém que preza tanto pela racionalismo, como se ainda estivesse no iluminismo, fosse ter sensibilidade de fazer uma análise diferente da que fez anteriormente, sem conseguir ultrapassar o cunho político." Ou seja: como eu viveria, segundo ele, no Século XVIII (enquanto ele vive num mundo atemporal e metafísico só dele, como os nerds que cultuam a série O Senhor dos Anéis), eu não seria capaz de apreender sua argumentação tão elevada e sofisticada pois, sendo eu uma máquina totalmente racional, faltar-me-ia a sensibilidade necessária para falar de Mandela e "ultrapassar o cunho político"... (Ou seja: os fatos).  

Depois, tomando-me como arquétipo do que seria a "direita" (gente como ele, apesar da pose "pós-ideológica", só consegue "pensar" em bloco), Giovane diz "A direita e a esquerda olham para Mandela e só o enxergam abraçado com Fidel Castro." Bom, olho para as homenagens póstumas a Mandela (e aí incluo os textos do Giovane) e vejo ali o culto da personalidade. O rapaz olha para Mandela e vê um santo, um semideus ou um herói sem manchas. Ou seja: não vê os fatos. E, tentando parecer acima das ideologias (na verdade, acima da realidade, como o Barão de Munchausen), afirma o seguinte: "Dos dois lados, o abraço transforma Mandela em um comunista, o que é apoiado pela extrema esquerda e condenado pela extrema direita." (Como se somente houvesse esses extremos em política.) Se tivesse pesquisado um pouquinho, teria percebido que Mandela não se tornou comunista por ter abraçado Fidel Castro. Isso porque Mandela ERA MEMBRO DO PARTIDO COMUNISTA DA ÁFRICA DO SUL (vejam o link abaixo)! Em 1961, inclusive, ele impôs ao CNA uma aliança com os comunistas, que transferiram know-how ao CNA em técnicas de conspiração e sabotagem. Mas isso, claro, é um fato, e Giovane já demonstrou que não dá a mínima para fatos. Fatos são para gente burra, sentenciou. Ele é sensível demais para se preocupar com isso... 

Tem mais: "Não conseguem perceber que Nelson Mandela não abdicou só da violência, mas também das posições políticas" (Mandela abdicou das posições políticas? De qualquer posição política? Virou um ser completamente apolítico? uma criatura etérea, acima da humanidade, sentado à direita de Deus-Pai Todo-Poderoso, talvez?) "Esteve acima de esquerda e direita quando pôs fim ao Apartheid." (Sempre esteve à esquerda do espectro político, tanto que jamais criticou seu amigo Fidel Castro. E mais uma vez: não, não foi ele, Mandela, que "pôs fim ao apartheid". Foi a pressão internacional, o fim da Guerra Fria, o bom senso do De Klerk etc. Enfim, foi uma obra coletiva. Estude História, meu jovem!) E essa: "Governou seu país e começou a construir uma democracia livre de qualquer ideologia senão a da igualdade social, o que é difícil em países como a África do Sul." "Igualdade social" é uma ideologia?
 
No final, o menino acha que encontrou um argumento definitivo para me desacreditar: "Acreditei que meu último erro, ao escrever o texto anterior e também esse, foi o de dar atenção para um cara que lê Olavo de Carvalho e Magnoli." Quem escreveu isso foi o mesmo cara que disse negar usar da argumentação ad hominem, típico expediente de quem quer fugir do debate. (Eu ia perguntar se ele já leu algum livro ou artigo de Olavo de Carvalho ou de Demétrio Magnoli, mas nem precisa perguntar...).
 
E mais essa: "Eu já suspeitava dos seus argumentos tão veementes contra o comunismo. Achei, no entanto, que suas referências literárias viessem de intelectuais de direita de verdade, como o Pondé, que consegue ir além do comunismo, mas não tinha visto os livros que são recomendados em seu blog." Além do ato falho ("suspeitava" de argumentos contra o comunismo... o que há de "suspeito" na oposição a uma ideologia totalitária e genocida?), o bocó revela falta de atenção, um sintoma de dislexia. Um dos livros que recomendo e cuja capa está bem visível no blog é Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, do Pondé. Outro é Por Que Virei à Direita, que tem entre seus autores o mesmo Luiz Felipe Pondé... O idiota não é só desonesto e vive no mundo da lua: é disléxico.
 
Prosseguindo no vexame, diz ainda: "No entanto, eu não estava errado: minha intenção, desde o início, é expor argumentos e usá-los como exemplo." Até agora espero esses argumentos. E finaliza, tirando o corpo fora, com ar de quem está realmente sendo sincero ao acreditar nas próprias palavras: "Peço desculpas ao autor do Blog do Contra por não ficar aqui refutando argumentos. A internet está aí para quem quiser rebater os argumentos da esquerda ou da direita, é só pesquisar. No meu caso, já passei dessa fase." Caro Giovane: não peça desculpas a mim. Peça desculpas aos fatos, à História, por tê-los desprezado tão acintosamente. Peça desculpas à verdade. Quanto ao "já passei dessa fase", não duvido. Do "Massinha Nível I", deve ter ido para o "Massinha Nível II". Vai demorar um tempinho até você aprender a tomar sorvete sem molhar a nuca. Mas acredito que, com algum esforço, um dia você consegue.
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Escrevi tudo isso acima mas o fato é que não estou aqui para falar do Giovane, nem de mim. Estou aqui para falar de Mandela, ou melhor: do mito Mandela. E os fatos que mencionei sobre Mandela ainda esperam ser refutados. Ei-los:
 
- Mandela, a pomba da paz, comandou o braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA), responsável por dezenas de atos terroristas, muitos dos quais vitimaram inocentes;
 
- Mandela, o defensor dos direitos humanos, foi amigo de tiranos e ditadores assassinos como Fidel Castro, Muamar Kadafi e Robert Mugabe;
 
 
- Seus sucessores e herdeiros políticos são notórios ladrões e corruptos, e a África do Sul de hoje, sob a tutela do CNA, tornou-se um antro de corrupção, desigualdade, AIDS e violência.
 
Enfim, são fatos, nada mais do que fatos. Tem gente que prefere ignorá-los. Fazer o quê? Que se danem. Não os fatos, mas os que os desprezam. Estes desprezam a própria inteligência.