terça-feira, janeiro 20, 2009

"Ai que preguiça"...


Recebi um post anônimo muito engraçado. Relutei um pouco antes de publicá-lo aqui, por motivos que, imagino, não são difíceis de perceber, mas não resisti. Os meandros da mente humana, sobretudo quando se mostra propensa a bizarrices, é algo que sempre me fascinou. Aí vai. Comento em seguida.

Gustavo,

Eu realmente me divirto muito com o teu blog. Simplesmente porque ele é falso e ridículo como qualquer outro blog existente. Tem meses que sou os mais variados tipos de pessoas, sejam esquerdistas, direitistas, anti-imperalistas, americanista, nordestina homossessual, pró e contra Fidel... São infinitos os meus pseudônimos. A verdade como você coloca, e principalmente no meio que você coloca, não existe. Tudo aqui é falso... eu, as pessoas que aqui escrevem, você e, principalmente, o blog em si.

No momento eu desapareço, mas futuramente volto a aparecer, de maneira diferente, de qualquer forma possível, para te apoiar ou te refutar, não importa. O que interessa é brincar neste blog imaginário que você criou... hehehe

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Fico feliz em saber que há gente que se diverte com meu blog, embora este não seja meu objetivo. Eu, da minha parte, sofro um bocado. Primeiro, pela falta de tempo para escrever sobre tudo que eu gostaria, o que sempre gera um sentimento de frustração. Segundo, porque o sentimento que me anima a escrever e a manter o blog não é bem a jocosidade, mas a tristeza - a pena da galhofa e a tinta da melancolia, como diria Machado de Assis, tão massacrado pelas "homenagens" que recebeu no ano passado. Tristeza diante daquilo que considero errado, falso, injusto ou simplesmente idiota - como o artigo impagável de Oscar Niemeyer que transformou um livro demolidor sobre Stálin em apologia do tirano -, e que demandaria mais de uma vida para ser comentado. Tristeza diante de comentários que usam e abusam de adjetivos como "falso e ridículo" sem apresentar um mísero argumento que seja, sobre qualquer assunto, a respaldar esse tipo de afirmação. Enfim, diante de tudo que me faz dizer "epa", em vez de "oba". Diante disso tudo, da miséria da condição humana, confesso que às vezes bate uma profunda e irresistível fossa, uma vontade de sentar no meio-fio e chorar, chorar...

Compreendo perfeitamente as razões que levam a comentários como o que eu transcrevi acima. Afinal, por que não consigo ser alguém "normal", politicamente correto, mainstream, do tipo de que todos gostam? Alguém assim, sem opinião, seguidor da multidão, sempre pronto a dizer algo edificante, adaptável camaleonicamente a qualquer ambiente e a qualquer platéia, mais ou menos como o personagem do filme de Woody Allen, Zelig? Por que não guardo minhas opiniões para mim mesmo e não deixo de azucrinar os bem-pensantes com essa minha mania de querer debater? Por que não perco a chance de criticar o Lula por sua apologia da ignorância ou por coisas desimportantes como o mensalão e sua devoção à ditadura cubana? Por que, destoando de nove de cada dez exemplares da espécie humana nesses dias, eu me recuso a fechar os olhos para o terrorismo do Hamas e condenar a ofensiva de Israel em Gaza? Por que me escandalizo e vejo um claro viés ideológico na decisão de um ministo da Justiça em conceder refúgio político a um terrorista de esquerda condenado por vários homicídios na Itália, um país democrático, quando esse mesmo ministro desse mesmo governo negou refúgio a dois atletas que tentavam fugir de Cuba? Por que não me emociono com a posse de Santo Obama e prefiro, em vez disso, encasquetar com tolices como o fato de que ele até agora não provou ter nascido nos EUA, como determina a Constituição que ele jurou hoje respeitar e defender? Por que insisto nessa besteira de blog? Por que, enfim, não sou um cara legal?

Mas o.k., o autor (ou autora) do comentário acha que o blog é falso, assim como este que escreve. Quer dizer com isso que tudo que aqui escrevo, assim como eu mesmo, é falso, não existe, assim como o próprio blog em si, um mero produto de minha imaginação certamente delirante etc. etc. E ainda diz, amparada no anonimato, que gosta de brincar, dizendo-se ora isso, ora aquilo, ora do contra, ora do a favor. Se a pessoa em questão entra aqui se fingindo passar por outra, e com opiniões diferentes só para ver no que vai dar, é algo, para mim, irrelevante. O que importa é sua afirmação de que, com isso, o meio escolhido, o próprio blog, é uma ilusão. Sei não. Talvez tenha razão. Talvez o blog não exista mesmo. Talvez a internet seja só uma lata de lixo, e nada mais. Talvez os fatos e argumentos que aqui apresento sejam ilusórios. Talvez eu não exista. Talvez nada exista. Talvez o Sol gire em torno da Terra, e não o contrário. Talvez, quem sabe, tudo seja um grande video-game ou uma espécie de matriz virtual. Talvez sim, talvez não, algo assim pós-moderno, um papo meio assim... sei lá, entende? Mil coisas...

Pois é, para que refutar o que este blogueiro diz, com fatos e argumentos? Para que pensar, né? Dá um trabalho danado e, além de tudo, é algo tão chato... Melhor é seguir o rebanho. Ai que preguiça...

2 comentários:

paschoal disse...

Bem Gustavo, de tudo restou positivo que você achou tempo para, educadamente, dar uma paulada no comentarista.
É até bom que de vez em quando apareça um traste desses a nos importunar. Dá uma sacudida em nossas convicções e nos faz reafirma-las com maior propósito.
Abraço Fraterno!

Joana disse...

É isso aí! Dá uma boa paulada neste vigarista.