quinta-feira, setembro 10, 2009

O COROA DO RIO (OU: "VOU APERTAR, MAS NÃO VOU ACENDER AGORA"...)


Um video que já está circulando no Youtube - é uma pena que eu não o tenha aqui para mostrar (ainda não aprendi como colocar no blog) - mostra o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, em seu melhor estilo. Com aquele seu coletezinho esperto (ou "ixxxpééérrrrto", em bom carioquês) ele, muito à vontade (bastante à vontade, de fato...), aparece, todo serelepe, dando um "recado pra rapaziada".

Em um show de reggae da banda Tribo de Jah na Chapada dos Veadeiros - que melhor lugar haveria? -, o Coroa do Rio, bastante animado, aproveita para fazer um de seus discursos mais eloqüentes a favor do meio ambiente ("Viva a Amazônia", "Viva Bob Marley", Viva Chico Mendes"). Em seguida, ao lembrar de recente decisão judicial na Argentina que descriminaliza o porte e consumo pessoal de canabis, Minc, sabe-se lá por conta de qual estranho mecanismo mental (ou não), emenda o discurso ecológico com a defesa entusiasmada da "descriminalização do usuário" (!), enquanto alguém na platéia grita "Maconha! Maconha! Pré-Sal! Pré-Sal!" (!?). Conclama a todos, então, a fazerem um momento "paz e amor", abraçando e beijando quem estiver ao lado, o amigo, a namorada, o namorado... No final, com a fala engrolada, Minc termina o discurso bamboleando, todo pimpão, ensaiando uns passinhos de reggae geriátrico.

No palco - lugar onde ele se sente melhor do que em qualquer outro, sem dúvida -, Minc ainda exortou a platéia juvenil: "Não vamos deixar queimarem a Amazônia!" Queimar a Amazônia, não. Queimar a Amazônia, não pode, diz Minc. Só a Amazônia.

De todos os ministros do governo Lula, Carlos Minc é, certamente, o mais divertido. O mais lúdico, digamos assim. E não quero dizer com isso algo necessariamente bom. Muito pelo contrário. É certo que um ministro não deve se isolar em seu gabinete, mas um mínimo de compostura, um mínimo de decência, é esperado. Não é o caso de Minc, que prefere dar show para as câmeras - e um show de péssima qualidade.

Não nego as credenciais de Minc para falar de ecologia, embora o tema não me entusiasme nem um pouco. Aliás, sempre desconfiei que essa é uma daquelas causas feitas sob medida para os esquerdistas fazerem proselitismo barato contra o "cruel sistema capitalista" (e o fato de ele, Minc, ter chamado os produtores rurais de "vigaristas" parece corroborar essa impressão). Que ele, Minc, também tenha em seu currículo o fato de ter sido militante da mesma organização terrorista de esquerda a que pertenceu Dilma Rousseff nos anos 60 também não é algo, como direi?, particularmente abonador. Assim como não é o fato de ele já ter dado pitaco até sobre a proibição católica do aborto, investindo-se, assim, da condição de especialista em teologia. Tudo isso é bastante revelador sobre a pessoa e - principalmente - o personagem. O Coroa do Posto Seis (ou "Posssto Seixxx") já participou da "marcha da maconha" no Rio, e não esconde de ninguém que acha que a "descriminalização do usuário" (sic) é o melhor caminho para "acabar com essa hipocrisia que está aí". Penso que, nesse assunto, ele está sendo, pelo menos, sincero. Acredito mesmo que ele pratica o que prega. O que explica, diga-se, muitas de suas opiniões.

A descriminalização das drogas é uma dessas idéias que, aparentemente, dizem uma coisa, mas cujo efeito na prática é exatamente outro. Seus defensores a justificam como uma questão de liberdade individual, e alguns deles, mais intelectualizados, não raro apelam mesmo, de boa ou má fé, para alguns pensadores liberais do século XIX, como John Stuart Mill. Ocorre que tal idéia é exatamente o oposto da liberdade, cujo corolário inseparável é a responsabilidade individual - o que é freqüentemente esquecido. Com efeito, nada mais contrário à noção de responsabilidade - e, portanto, de liberdade - do que o vício em maconha ou em cocaína. Principalmente quando se sabe que é esse vício, queiram ou não os defensores da "descriminalização" como Carlos Minc, que alimenta o narcotráfico nas favelas. Sem falar no tráfico internacional. Ainda espero algum especialista no assunto, fã ou não de Bob Marley, me convencer como tal medida, se aplicada no Brasil, irá contribuir para diminuir o tráfico e a violência, quando se sabe que a questão não depende de um único país. Pelo contrário: é um tema realmente mundial. Ou se libera em todos os países, ou não se libera em nenhum. (Basta olhar para o paraíso dos maconheiros, a Jamaica, que tem alguns dos piores índices de criminalidade do continente.) Até lá, o consumo de maconha e outras substâncias ilícitas é mais do que um assunto privado: é conivência e cumplicidade com o crime, ponto final. Falta de responsabilidade, se é para ser menos duro.

Minc, aliás, dá um exemplo claro dessa falta de responsabilidade. Se tivesse guardado suas opiniões para si, ou mesmo dito o que disse em casa, num ambiente particular, perante uma platéia de amigos, poder-se-ia afirmar que se trata de um ponto de vista pessoal dele, Minc, sem maiores consequências. Mas não. Ele fez uma declaração pública, em cima de um palco, em um show de reggae, deixando clara sua posição sobre o assunto. Posição, vale lembrar, não dele unicamente, mas de um ministro de Estado. Era, enfim, o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, fazendo a apologia das drogas, crime previsto em Lei. A pena é de 5 a 15 anos de prisão.

O hábito de fumar maconha ou de ingerir outras substâncias alucinógenas caminha lado a lado com a falta de responsabilidade. Quem diz isso não é um "reaça", um "careta": é alguém que preferiu colocar a coerência acima de qualquer outra consideração. Basta atentar para o seguinte fato: na hora de defender a "descriminalização", os apreciadores do fumacê rotulam qualquer crítica que lhes for dirigida como direitista, reacionária etc. Quando, porém, estão estrebuchando por causa dos efeitos da droga, fazem questão de exigir que o Estado cuide deles. Isso, aliás, já ocorre, pois a mesma Lei que eles tanto gostam de atacar como "conservadora", lhes garante a assistência médica gratuita em caso de algum problema decorrente do que é, na verdade, uma escolha pessoal, uma opção de cada um. E isso com o seu, o meu, o nosso suado dinheirinho. A questão é: se fumar um beque é uma questão de liberdade individual, como dizem, por que fazer a sociedade pagar por esse vício? Se tivessem um mínimo de coerência, deveriam abdicar de qualquer tratamento ou assistência médica estatal, em troca da "liberdade" de curtir um baseado.
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Ainda que fosse só Carlos Minc, mas o problema é maior do este ou aquele membro do governo. Há algumas semanas, Lula esteve na Bolívia, onde manteve reunião com o cocaleiro Evo Morales, seu companheiro. Na ocasião, o presidente brasileiro deixou-se fotografar ao lado de Morales, com um enorme colar em volta do pescoço, feito com folhas de coca. Desde que Morales assumiu a presidência, a produção de cocaína no país, e sua exportação para o Brasil, só vêm aumentando. Agora entendi por que Lula chamou Carlos Minc para ser ministro.
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O Coroa do Rio deve ter fumado todo o Código Penal antes de fazer seu discurso e sua dancinha. E não fez efeito algum. É isso aí, rapaziada.

Um comentário:

(c) maioria silenciosa: P.A.S. disse...

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