quinta-feira, novembro 20, 2008

ZUMBI, O ESCRAVOCRATA


Hoje é o "Dia da Consciência Negra". Sobre a data, que já entrou para o calendário oficial brasileiro, não vou me estender muito aqui. Já escrevi extensivamente sobre o assunto (quem quiser saber o que penso da efeméride, é só clicar aqui: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2007/11/dia-da-conscincia-negra-uma-data.html). Vou-me limitar a comentar, de passagem, alguns fatos no mínimo curiosos a respeito dessa que já se tornou uma cause célebre dos militantes de esquerda no Brasil: a questão racial. Acompanhem.

- Na mesma semana em que se comemora o "Dia da Consciência Negra", a revista VEJA publica uma matéria reveladora sobre Zumbi dos Palmares, o maior ícone da luta de resistência contra a escravidão negra no Brasil, adotado pelos "militantes negros" como símbolo maior da luta contra o racismo.

A reportagem informa que, segundo pesquisas recentes de historiadores, Zumbi era, ele próprio, dono de escravos. Além disso, na época em que ele viveu (século XVII), a idéia de igualdade entre os homens era simplesmente inexistente - esse conceito só surgiria um século depois, com o Iluminismo na Europa. Assim como aconteceu com Tiradentes, sua transformação posterior num símbolo da luta anti-escravista foi, na verdade, o resultado de uma mistificação histórica, de um processo de idealização. Caiu mais um mito da esquerda brasileira.

- Alguns anos atrás, três estudantes da PUC do Rio foram agredidos, verbal e fisicamente, por uma horda de colegas indignados. O motivo: alguns artigos publicados num jornalzinho que mantinham.

No jornalzinho que editavam, os três estudantes criticavam a abordagem da questão racial pelos militantes do "movimento negro", e usaram uma expressão - "negros escravocratas" - que desencadeou toda a onda de ódio contra eles por parte de seus colegas e da direção da Universidade.

A expressão se referia à escravização de negros africanos por membros de outras tribos na África, o que durou séculos, antecedendo de muito o início do tráfico negreiro para o outro lado do Atlântico. E que continua, aliás, hoje em dia, em alguns países do Leste da África.

Trata-se de um fato histórico, sobejamente provado e comprovado por dezenas de estudos e livros. Mas os estudantes foram espancados por uma multidão raivosa, que considerou a expressão "racista".

- Na UnB, uma das maiores universidades do Brasil, um professor do curso de Ciência Política foi punido com vários dias de suspensão depois que um aluno, sentindo-se ofendido por ele ter usado a expressão "crioulada" em sala de aula, entrou com uma queixa-denúncia contra ele por "racismo".

Na mesma semana, o presidente Lula usou, entre risos, a mesma expressão (crioulo, crioulada) para se referir a um fato de sua infância. Não se ouviu nenhum clamor ou queixa contra ele por causa disso.

Mais recentemente, o mesmo Lula, ao se referir à eleição de Barack Obama para a presidência dos EUA, saiu-se com a seguinte frase: "Se o governo Obama não der certo, serão necessários séculos para outro negro ser eleito presidente dos EUA". Novamente, não se viu ninguém acusando Lula de racismo ou coisa parecida.

- Na mesma UnB, há algum tempo vigora um sistema de cotas raciais que reserva 20% das vagas nos cursos oferecidos a estudantes que se declararem e forem considerados "afro-descendentes". No ano passado, dois irmãos gêmeos idênticos se inscreveram no vestibular da UnB pelo sistema de cotas. Um foi considerado negro e outro, não.

Esses são apenas alguns exemplos de uma realidade cada vez mais difícil de esconder no Brasil.

O Brasil não era um país racista. Graças aos "militantes negros", está se tornando.

P.S.: Você está vendo algum branco na gravura acima?

3 comentários:

Anônimo disse...

buscar argumentos em fatos isolados para esconder os preconceitos culturais tradicionais burgueses de uma elite não superam o precoceito vigente, e tomar uma posição destas nõa resolve e nem contribui para a solução do paroblema. o debate é outro,não sei como deixam colocar na net tais afirmações!

CapEnt disse...

Anônimo, não sei como você se permite acessar a "internet" criada pelos americanos. Faça um favor para sua ideologia e se exclua do mundo digital.

Mas é claro, é muito mais conveniente buscar conforto na mentira do que enfrentar a realidade, exemplo perfeito de leitura seletiva praticado pelos "comunistas" de Nike.

Rafael Dias disse...

Concordo quando se diz que a unianimidade é burra. É importante ouvir os vários atores envolvidos no processo social. Realmente foi uma grande supresa para mim saber (se, de fato é verdade) que Zumbi era dono de escravos. Contudo, a visão que você expôs no seu texto é muito parcial, pois parte de casos isolados (mesmo que um exemplo seja o próprio Zumbi dos Palmares) e tenta criar a idéia de que era normal um negro escravizar o outro. Acho possível que isso tenha acontecido. Porém, você esqueceu citar em seu texto o critério fundamental para se decidir que seria escravo: a cor da pele, que tinha que, necessariamente ser negra. Não conheço registros na História do Brasil de brancos sendo escravizados. Não entenda o meu comentário como uma contra reação ideológica. Quando abordamos uma questão e temos a sincera intenção de tratá-la com transparência, não podemos esquecer de tocar em determinados pontos cruciais para que as nossas críticas não pareçam a defesa de um ponto de vista só nosso que queremos disseminar e que nem sempre dá conta de representar a realidade. Você escreve muito bem. Um texto limpo e claro. Mas peca no trato com o conteúdo, pois deixa de criticar o sitema segregador que existia formalmente, para tentar justificá-lo, alegando que os ditos segregados também eram praticantes das mesmas injustiças que sofriam. Foi um período tão nefasto da nossa história, que, até hoje irradia efeitos em nossa sociedade. O que se pode inferir do seu texto é que a escravidão era válida, tendo em vista que alguns negros também a praticavam. É isso?