terça-feira, janeiro 19, 2010

POR QUE NÃO SOU MULTICULTURALISTA


Já disse aqui e alhures, e não me canso de dizer: não sou multiculturalista. Se me disserem que todas as culturas se equivalem, que os valores cultivados pelos nhambiquaras e pelo papa são a mesma e única coisa - como tentaram fazer sobre o cadáver do antropólogo Claude Lévi-Strauss, falecido no ano passado, numa clara distorção de seu pensamento -, eu vou rebater chamando quem diz isso de iludido ou mentiroso. Os valores, ao contrário do que diz certa antropologia, diferem de povo para povo, de cultura para cultura. Às vezes de cidade para cidade, de bairro para bairro, até mesmo dentro de casa. Não há dois seres humanos que pensem da mesma forma em relação a questões como direitos humanos e democracia. Muito menos povos, culturas, religiões diferentes.

Digo isso e me vem à mente um incidente acontecido comigo, há uns dois anos mais ou menos. Era eu o encarregado dos assuntos de China na minha divisão no Itamaraty. A China, como todos sabem, tem um sistema político bem diferente do nosso, para dizer o mínimo. Um belo dia, vem à nossa divisão o ministro-conselheiro da embaixada da China (estou falando, claro, da República Popular). Após os salamaleques de praxe, ele entrou num assunto "meio chato", como ele mesmo disse. Tirou da pasta que carregava algumas folhas de papel. Eram páginas de um site da internet, mantido pelo governo de Taiwan. O diplomata chinês queixou-se do fato de que Taiwan, com quem o Brasil não mantém relações diplomáticas e que é considerada oficialmente por Pequim uma província rebelde, apresentava-se no site como "República da China" - expressão banida do vocabulário diplomático brasileiro, diga-se de passagem. Não somente se queixou, aliás, mas praticamente exigiu que o governo brasileiro "fizesse alguma coisa" (ou seja: retirasse o site do ar). Tive de usar de toda minha (pouca) habilidade diplomática para tentar explicar ao diplomata chinês que a internet no Brasil era um território livre, ao contrário do que ocorre na China, e que não cabia ao governo brasileiro retirar um site do ar, ainda que a informação veiculada fosse mentirosa. Não adiantou. O chinês fincou pé, achou aquilo um absurdo. Como podem permitir que publiquem tal coisa na rede mundial de computadores, perguntava-se o tempo todo o chinês.

Por que conto essa história? Por um motivo simples: o multiculturalismo, a idéia tão bonita do respeito às diferenças, vira fumaça quando confrontada com certas realidades. A China não é um lugar tão complicado quanto, por exemplo, o Irã. Mas ainda assim é um sistema - ou uma "cultura", como queiram - estranho. O conceito de democracia e de liberdade de expressão, por exemplo, lá não tem qualquer valor. Isso ficou claríssimo para mim ao final da conversa. Por mais relativista que alguém seja, é difícil lidar com 60 anos de comunismo político e 5 mil anos de autocracia.
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A verdade dolorosa é que a preocupação com o "outro", com a sensibilidade alheia, de outros povos, religiões e culturas, é uma característica nossa, ocidental. Foi nesse lado do planeta, mais especificamente em sua parte norte-atlântica, que surgiu a noção de que há valores e princípios universais, válidos para todos os povos do mundo, independentemente de nacionalidade, raça, sexo ou religião. Enfim, "o homem", e não o "ocidental" ou "oriental", o "cidadão" em vez do "cristão" ou do "muçulmano" ou "budista". Foi dessa visão realmente revolucionária - a idéia política mais revolucionária da história da humanidade, ouso dizer - que nasceram as modernas democracias e o mais belo documento já produzido pelo gênero humano: a Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948. Não por acaso, fonte inesgotável de constrangimento para regimes como o de Pequim, que censura a internet e mantém blogueiros presos por criticarem o governo. Governos como o chinês - e nem falo aqui do maior inimigo da liberdade atualmente, o fundamentalismo religioso islamita - não dão a menor bola para as suscetibilidades alheias, estão se lixando para coisas como tolerância e respeito às diferenças. Somos nós, a civilização judaico cristã-ocidental, que nos enchemos de culpa e pisamos em ovos quando lidamos com outras culturas.
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Isso significa que se deve dar o troco na mesma moeda, mandando a tolerância às favas, certo? - concluiria o idiota da objetividade. Nada disso. É justamente o contrário: trata-se de defender a democracia e os direitos humanos como valores universais, acima das diferenças culturais, a fim precisamente de defender o respeito a essas diferenças. A própria democracia, tida como uma imposição imperialista ocidental por muito intelectual esquerdista de miolo-mole, se encarrega de fazer isso, traz em si a condição indispensável à convivência entre os diferentes. É claro que não é algo perfeito, mas é infinitamente melhor do que a alternativa que se coloca, de um relativismo niilista que só favorece os inimigos da democracia - e da tolerância. Se alguém conhece um caminho melhor para levar ao congraçamento e à paz entre os povos, que o apresente.
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O paradoxo de nossa época é que aqueles que mais se apegam ao dogma multiculturalista, como a chave da tolerância e da paz entre os povos, são os mesmos que terminam justificando, de uma forma ou de outra, a intolerância em lugares como a China e o Oriente Médio. O argumento é contraditório: alegam que não há culturas superiores nem inferiores, todas se equivalem em seus valores e princípios; logo mas, não se deve querer impor ao mundo uma idéia universal de democracia, pois esta seria apenas a expressão do modo de ver ocidental, válido para o Brasil ou a França, mas não para a China ou o Irã.
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A conclusão lógica desse raciocínio é a seguinte: se o governo chinês continua prendendo e fuzilando opositores ao regime ou censurando a internet, ou se uma tribo indígena na Amazônia pratica o infanticídio, isso não deve ser visto como exemplo de barbárie, mas deve ser aceito como parte da paisagem, como uma expressão cultural local. E isso em nome da... tolerância e do respeito às diferenças (!!!). Não se vê, ou não se quer ver, que a própria idéia de tolerância e respeito às diferenças só se tornou possível por causa de um movimento político e intelectual ocorrido há duzentos anos em uma franja ocidental do planeta, levado adiante por gente branca e de olhos claros, que proclamou, pela primeira vez, que todos os homens são livres e iguais em direitos e deveres, e que isso é um valor universal. Ou seja: afirmam que todos são iguais no essencial, não havendo distinções de fundo entre as culturas, mas, quando se trata de um valor universal como os direitos humanos, afirmam que somos diferentes. Vai entender...
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É por esse tipo de contradição que eu não sou multiculturalista. O multiculturalismo não passa de um discurso politicamente correto feito para pregar o bom-mocismo em novelinhas adolescentes.

ELES NÃO MUDARAM. SÓ TROCARAM DE PELE. E DE MÁSCARA.


Segue um pouco de "fogo amigo". A VEJA desta semana traz um texto do economista Maílson da Nóbrega, intitulado "O PT mudou o Brasil? Ou foi o contrário?". Por trás da denúncia acertada da desfaçatez dos petistas ao se apropriarem de feitos como a estabilização econômica, apresentando-se como "fundadores do Brasil", há uma tese que considero equivocada, e que já rebati aqui: a de que o PT, o partido de Lula, teria se rendido à realidade e mudado programaticamente. Que teria mudado, enfim.

Considero Maílson da Nóbrega um economista brilhante, e um analista arguto da cena econômica nacional e internacional. Concordo com muitos de seus juízos, inclusive sobre o governo Lula e o PT, como este: O PT pretendia mudar o Brasil, mas para pior. O título de seu programa para as eleições de 2002 era "a ruptura necessária". Prometia "uma ruptura com o atual modelo econômico, fundado na abertura e na desregulação radicais da economia nacional e na consequente subordinação de sua dinâmica aos interesses e humores do capital financeiro globalizado". Soa ridículo hoje, não?. Mas nem por isso vou deixar de discordar quando acho que ele erra. E ele comete um erro crasso, a meu ver, quando atribui um peso, a meu ver, exagerado à "conversão" do PT às regras do mercado, mediante a "Carta ao Povo Brasileiro", de 2002.

Ao contrário do que ele, Maílson, diz, a tal Carta não foi o começo do fim das idéias que o PT sempre defendeu - estatistas, hostis ao capital estrangeiro etc. Foi, isso sim, uma manobra tática, necessária à tomada e manutenção do poder político. Lula e o PT se renderam ao mercado não porque tenham feito uma opção clara e insofismável pelo capitalismo liberal, mas por falta absoluta de opção: ou era isso, ou era contentar-se com o eterno papel de oposição. Basta atentar para um fato freqüentemente ignorado: a "conversão" dos petistas ao mercado não veio acompanhada de seu complemento necessário, a confissão e o arrependimento. O partido simplesmente trocou um discurso por outro, quando viu que o anterior não estava ajudando a ganhar as eleições. Fez isso por um motivo puramente instrumental, utilitário. Por puro oportunismo político. É isso que Lula quis dizer quando se definiu como uma metamorfose ambulante (e nauseante).

Tampouco é verdade que as visões econômicas do PT morreram de vez com Lula na Presidência. Elas estão, no máximo, hibernando. Se Lula nomeou um banqueiro para presidir o Banco Central, elevou a taxa de juros no primeiro mês de governo e a meta de superávit primário, não é porque tenha se convertido ao neoliberalismo. Muito menos a aliança com partidos e figuras que antes abominava significa uma mudança radical na forma como o partido e Lula sempre encararam o poder: como o objetivo máximo a ser alcançado, em nome do qual tudo é permitido - até engavetar o discurso anterior de décadas sobre capitalismo e ética.

A preservação da política econômica e da plataforma construída pelos antecessores não significa o reconhecimento de que essas políticas estavam certas quando foram implementadas e que o PT, então na oposição, estava errado. Pelo contrário. Significa uma chance de, tendo agarrado o poder nas mãos para não mais soltar, exercitar a falácia do "nunca antes neste país" e aparecer como "pai dos pobres". Para isso não é preciso coragem, nem mesmo inteligência: basta ser esperto e ter muita cara-de-pau.

O trecho mais problemático do texto de Maílson da Nóbrega é o seguinte:

Muito se deve à intuição política do presidente e ao trabalho de seu primeiro ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Lula percebeu que a preservação de sua popularidade dependia do controle da inflação e por isso reforçou a autonomia do Banco Central. Ele cresceu aos olhos do mundo em razão de sua simpatia, de seu carisma e por ser um líder de esquerda moderado, defensor da democracia e da economia de mercado.

Até um observador lúcido do Brasil como Maílson da Nóbrega, ex-ministro de Estado, caiu na esparrela do Lula esquerdista "moderado, defensor da democracia e da economia de mercado". Isso mostra como foi eficiente a lavagem cerebral petista. É a teoria das duas esquerdas, a "carnívora", representada por tipinhos ridículos como Hugo Chávez e Evo Morales, e a "vegetariana", responsável e moderada, a qual Lula pertenceria. Nada mais falso. A política externa do Itamaraty sob Lula não tem feito outra coisa senão comprovar que a esquerda latino-americana, longe de estar dividida entre "carnívoros" e "vegetarianos", está bem unida, desenvolvendo uma ação coordenada em lugares como Honduras, sempre no sentido de destruir a democracia e substituí-la por governos populistas e autoritários. A economia - insisto nesse ponto - é um instrumento dessa política maior, e não um fim em si mesmo para os petistas.

O erro dos economistas está em não enxergar além dos números da economia, alguém já disse. Para eles, basta que o governo adote uma política econômica responsável e atraia investimentos, que tudo o mais lhe será perdoado. É assim que pensa a maioria das pessoas, aliás, para quem democracia e ética, por exemplo, são simples conceitos abstratos, muito bonitos mas sem peso efetivo na vida cotidiana. O problema é que a economia não é tudo. A China é atualmente uma das economias mais dinâmicas do planeta, graças a reformas liberais que abriram o país para o capitalismo, mas segue sendo uma tirania comunista no plano político. Para os economistas, e sobretudo os economistas liberais, isso não tem qualquer importância. Desde que o governo mantenha a economia funcionando, pode censurar, prender, fuzilar e corromper à vontade. É aí que mora o perigo.

No final de seu texto, Maílson da Nóbrega afirma que Lula curvou-se às imposições da nova realidade do país, herdada de FHC, e termina dizendo: "O Brasil mudou o PT, que agora é, em todos os sentidos, um partido como os outros." Não poderia estar mais errado. O governo Lula se sustenta unicamente numa combinação de sorte (pela situação econômica mundial favorável em 2003-2008), oportunismo e hipocrisia. Assim como o PT não mudou o Brasil para melhor, o Brasil não mudou o PT. Este continua a ser o que sempre foi, um partido esquerdista a serviço de uma visão totalitária e personalista, sem nenhum compromisso filosófico com a democracia e a sociedade livre. Apenas soube trocar o discurso camaleonicamente quando lhe foi conveniente, para melhor agarrar-se ao poder e enganar os incautos. De nenhuma maneira é um partido como os outros.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

EU, O "SEM FALTA DE CRIATIVIDADE"


Voltando das férias, deparo com alguns comentários. Um deles é bem engraçado. É sobre um post em que eu mostro uma foto do Filho do Barril abrindo um sorrisão ao lado do governador do DF, José Roberto Arruda (o do panetone). Escreveu o leitor sem nome, sem rosto e sem noção:

Um blog que se diz contra tudo e todos, deveria entender o espirito da coisa, ou seja, a frase do Presidente Lula fala exatamente desta foto que está sendo mostrada. Como tem gente burra e sem falta de criatividade.

Antes de mais nada, obrigado pelo "sem falta de criatividade". Significa que criatividade não me falta. Poucas vezes recebi elogio tão simpático. Visto a carapuça com muito gosto. Realmente, sou muito burro e "SEM FALTA de criatividade". Hehe...


O leitor diz que eu sou "contra tudo e contra todos". Injustiça para com este escriba. Sou a favor de muitas coisas. Da vergonha na cara, por exemplo. Ou, para ser mais específico: de não jogar no lixo o discurso defendido ainda ontem somente por ter trocado de lugar, da oposição para o governo.

Realmente, tenho dificuldade em "entender o espírito da coisa", como o leitor diz. Afinal, a foto que postei mostra Lula ao lado de Arruda, sorrindo ambos, com uma camiseta escrita "Arruda" nas costas. Creio que não precisa queimar muita massa cinzenta para concluir que os dois se dão muito bem, ao contrário do que pensam os petistas do DF. (Assim como Lula se dá muito bem com Collor, Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho...). O que eu não entendi direito?

Aproveitando o gancho, lembrei agora de uma passagem da autobiografia de Jorge Amado, Navegação de cabotagem, que li nessas férias. O autor de Tieta escreve que, certa vez, nos anos 50, estava na URSS, onde conheceu um português, ardoroso militante comunista e incondicional do sistema soviético. O portuga começou a conversa inflando o peito e dizendo que, na pátria dos trabalhadores e do socialismo, não havia roubo, nem mesmo batedores de carteira. Ao ser desmentido com fatos - haviam roubado a bolsa da esposa de Jorge Amado, Zélia Gattai, pouco antes -, ele veio com essa: é verdade, mas a URSS tinha os melhores ladrões do mundo, os mais rápidos, os mais ágeis, com os dedos mais leves! Em seguida afirmou, novamente de forma peremptória, que na URSS não havia absolutamente prostituição, essa chaga das sociedades capitalistas. Mais uma vez os fatos trataram de mostrar que o contrário é que era verdade, como demonstrava o movimento nos hotéis de Moscou. Foi então que o comuna chovinista saiu-se com a seguinte sacada genial: é verdade, mas não há no mundo quem supere as mulheres soviéticas na cama, eram umas tigresas, as melhores do mundo, as mais fogosas, insaciáveis etc.

Por que conto essa história? Porque ela serve como uma luva para explicar o "espírito da coisa" a que se refere o leitor. Ela explica à perfeição como funciona a cabeça de um petista.

sábado, janeiro 16, 2010

HAITI: COLOCANDO OS PINGOS NOS "IS"

Epa! Peraí! Parece que alguém não entendeu o que eu escrevi sobre o Haiti (ver meu último post).
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De um leitor, que prefere permanecer anônimo:
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Desculpe, Gustavo, mas eu é que não quero que o MEU dinheiro suado seja gasto fora do país. EU NÃO TENHO NENHUMA responsabilidade com o que acontece lá fora. Esta ajuda ao Haiti pelo governo brasileiro não passa de um jogo de vitrine.
Preferiria que o dinheiro estivesse sendo gasto aqui....
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O comentário se refere a meu último texto, no qual aponto a manipulação política da tragédia do Haiti pelo governo Lula, que está usando a catástrofe para se promover lá fora. Vou repetir o que disse: para mim, a ajuda aos haitianos é necessária e louvável. Mais que isso: é uma obrigação moral, uma questão de humanidade. Divirjo, isso sim, é do uso político que o governo faz de catástrofes como essa, como fica claro pelo contraste entre a prontidão no caso do Haiti e a lentidão no caso de tragédias acontecidas em território nacional. Esse contraste mostra que há uma clara instrumentalização política dos desastres que atraem a atenção internacional (o que é uma canalhice), mas isso não significa que se deva dar as costas ao que ocorre no resto do mundo (o que é uma atitude chovinista, para dizer o mínimo).
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Em outras palavras: não sou contra a ajuda ao Haiti, muito pelo contrário. Sou contra, sim, o atrelamento dessa ajuda a uma política externa que se guia pela megalomania e pelo "protagonismo", que usa até terremoto em outros países para exercer sua "liderança" imaginária (já demonstrada, com os resultados conhecidos, em países como Honduras, por exemplo). É por esse motivo que também sou contra a manutenção dos militares brasileiros naquele país (mas isso é motivo para outro post).
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Concordo com o autor do comentário em um único ponto: a ajuda do governo brasileiro ao Haiti é uma vitrine da diplomacia lulista. Mas discordo totalmente quando ele diz que o País não tem nada que ajudar os haitianos nesse momento de desespero que eles estão enfrentando. Não se trata, numa situação como essa, de adotar uma atitude nacionalisteira ou provinciana. A ajuda ao Haiti é uma questão humanitária, não política (daí minha crítica ao governo Lula). O meu, o seu, o nosso suado dinheirinho também é para isso, queira ou não o leitor. E eu, você, nós temos, sim, responsabilidade pelo que acontece lá fora, com o restante da humanidade. Ou vai dizer o distinto leitor que o povo do Haiti, ou ele próprio, não fazem parte do gênero humano?
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Sei que corro o risco de parecer piegas, mas a verdade é que o que acontece no Haiti me diz respeito, sim. Tanto quanto o que acontece em Darfur, no Brasil, na Venezuela, em Cuba, no Irã ou na Coréia do Norte. É esse, aliás, um dos pontos que me separam dos que estão no governo no Brasil atualmente: para eles, questões como democracia e direitos humanos, ou, como no caso haitiano, o socorro às vítimas de um terremoto num país miserável, não são valores universais por si mesmos; são, no máximo, peças de troca no tabuleiro geopolítico mundial. Acredito, ao contrário, que a vida humana, seja onde for, é sagrada, e que é preciso defendê-la. Chamem isso como quiserem; para mim, é um IMPERATIVO MORAL.
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Se "o meu, o seu suado dinheiro" etc. não serve também para ajudar quem dele precisa, num momento de extrema necessidade como um desastre natural, então para que serve? O fato de a tragédia no Haiti estar sendo usada politicamente pelo governo Lula e sua diplomacia aloprada não nos deve fazer fechar os olhos para o sofrimento alheio. É exatamente o contrário: justamente por isso, é que é preciso denunciar a manipulação política da tragédia haitiana. É mais uma indignidade de Lula e sua turma.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

HAITI: OS QUE LUCRAM COM A DESGRAÇA ALHEIA


O que vai a seguir é algo desagradável e poderá afetar alguns espíritos mais sensíveis, sei bem. Mas nem por isso é menos necessário. Quem acredita que a verdade é cor-de-rosa errou de blog.

Que a tragédia inominável que atingiu o Haiti - já se fala em 120 mil mortos, dos quais 15 brasileiros - é uma das maiores da História, já é um fato inquestionável. Que as dimensões humanas e materiais do terremoto seriam certamente bem menores se o país contasse com um mínimo de infra-estrutura - logo, não foi um simples desastre natural, mas teve, também, o dedo da ação (ou omissão) humana -, é algo que também parece líquido e certo. Ninguém discute isso. Assim como ninguém discute que nunca o Haiti precisou tanto de ajuda internacional, e que toda ajuda, venha de onde vier, é bem-vinda e necessária. Tudo isso está fora de questão, e não é hora de politicagens de qualquer tipo.

Pois é. O que incomoda e causa repulsa na catástrofe haitiana é que, desgraçadamente, mesmo tragédias naturais como o terremoto que devastou Porto Príncipe não estão livres da manipulação política. Se têm alguma dúvida, dêem uma olhada mais de perto na atuação do governo Lula no episódio.

A reação do governo brasileiro ao desastre haitiano foi pronta e imediata, como deveria mesmo ser. Já foram anunciados R$ 15 milhões em ajuda humanitária, batalhões de equipes de ajuda estão sendo despachados, ministros de Estado interromperam suas férias para viajar ao local etc. Tudo isso é, repito, necessário e louvável. Nem por isso deixa de aumentar em mim as suspeitas de manipulação política da desgraça alheia, com objetivos bem pouco nobres ou humanitários.

Há algumas semanas, o litoral do Rio de Janeiro foi assolado por chuvas que provocaram deslizamentos em Angra dos Reis, responsáveis por mais de 50 mortes. Pouco mais de um ano atrás, o estado de Santa Catarina foi varrido por fortes chuvas que deixaram centenas de mortos e milhares de desabrigados. Dia desses, o Nordeste também sofreu com inundações, que deixaram um rastro de morte e destruição. E não vi nenhuma reação tão rápida e pronta do governo federal em nenhum desses casos. Não vi nenhuma mobilização tão efetiva. Nenhum ministro interrompeu suas férias e foi verificar in loco os estragos e prestar solidariedade às vítimas. Enfim, nada que se possa comparar ao que se assiste hoje no Haiti.

Antes que digam: não, não estou comparando as tragédias. Ao contrário de muita gente, não perdi ainda o senso das proporções: o terremoto no Haiti é pior, muito pior. Mas uma tragédia é uma tragédia, não importa se morrem um, mil ou cem mil. Ainda mais uma ocorrida em território nacional. Daí minha suspeita de que há algo mais na reação do governo Lula à tragédia no Haiti do que piedade cristã e desejo de ajudar o próximo.

O que explica a rápida reação do governo Lula no caso do Haiti e a - coloquemos de maneira suave - leniência do mesmo nos demais casos citados acima? A resposta, basta ter olhos para ver, é que o terremoto no Haiti, por ter ocorrido no exterior e galvanizado a atenção internacional, é, também, uma excelente vitrine, uma oportunidade de ouro para que um governo que se gaba de seu "protagonismo" internacional exercite sua "liderança". Ainda mais para um governo que há cinco anos mantém uma força de paz no Haiti, como parte de sua busca obsessiva por uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU - o Santo Graal da diplomacia brasileira.

Para o governo Lula, aparecer como beneficiário de uma população miserável e desabrigada é uma forma de reafirmar essa credencial. Além de poder exercitar, no plano interno, o discurso conciliador, unificador, pregando a "união de todos" e o "fim das diferenças" (ou seja: o fim da oposição, que já quase não existe). Com isso, o personagem Lula pode desempenhar seu papel favorito, pedindo que todos se dêem as mãos. E isso mesmo dizendo, até em momentos como esse, mais uma de suas luladas, como afirmar que o terremoto foi uma "injustiça" (tivesse sido nos EUA ou no Japão, então seria um ato de justiça divina?)

Lulices à parte, é triste dizer, mas tragédias como a haitiana, por suas dimensões catastróficas, dão muito mais visibilidade internacional do que uma enchente em algum rincão do Brasil. O que está em jogo, aí, muito mais do que preocupações humanitárias, é a imitação terceiro-mundista da realpolitik. Nesse sentido, a tragédia no Haiti foi uma bênção para o governo Lula.

Estou sendo leviano? Então respondam: qual tragédia teve uma resposta mais rápida do governo Lula: a do Haiti ou qualquer uma que atingiu o Brasil nos últimos anos? Se não quiserem responder, atentem para a seguinte história que vou contar.

Há quase dois anos, estive na China, aonde fui para fazer um curso. Naquele momento, começo de 2008, o regime comunista chinês estava sendo alvo de fortes protestos internacionais, por causa das denúncias de violações de direitos humanos e da brutal repressão aos distúrbios no Tibete. Pois bem. No período em que lá estive, ocorreu um forte tremor de terra na província de Sichuan, no centro do país, que matou 75 mil pessoas. Adivinhem o que aconteceu então: da noite para o dia - não estou exagerando - as manchetes sobre a falta de liberdades e o desrespeito aos direitos humanos que ameaçavam mesmo a realização das Olimpiadas no país, sumiram do noticiário. Subitamente, criticar o regime de Pequim ou falar em coisas como democracia e direitos humanos na China virou um tabu, falta de respeito com os mortos, para dizer o mínimo. A ditadura comunista, claro, deitou e rolou com essa situação, conclamando à "união de todos" e ao "fim das diferenças".

Também para Lula, o terremoto no Haiti foi providencial. Com a tragédia, ele espera reforçar o protagonismo megalonanico da potência imaginária e, de quebra, ganhar pontos rumo ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, que é o único motivo de o Brasil ter-se metido no atoleiro do Haiti, no que já se vão cinco anos. E isso mesmo às custas de 120 mil haitianos e 15 brasileiros, dos quais 14 militares, mortos. Mas, para quem corteja o apoio de terroristas e ditadores como Mahmoud Ahmadinejad tendo em vista o mesmo objetivo, convenhamos, até que o preço não é tão alto assim. Nem terremoto em terras alheias escapa da politicagem lulista. É triste, mas é a realidade.

terça-feira, janeiro 12, 2010

A REVOLUÇÃO LULO-PETISTA-BOLIVARIANA

Há duas maneiras de se analisar o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), apresentado na véspera do Natal pelo secretário Paulo Vanucchi e aprovado pelo presidente-demiurgo, e que tanto barulho tem provocado, inclusive com pedidos de demissão nos altos escalões governamentais e rumores de crise militar. A primeira é como mais uma monumental trapalhada, obra de um bando de ferrabrazes e porra-loucas incrustados no governo, de “aloprados” com idéias juvenis de revanchismo e de “justiça social” a qualquer preço – inclusive ao preço da própria justiça e dos direitos humanos. Outra é como a culminação de uma estratégia longamente planejada, de alcance internacional, da qual os atuais governantes no Brasil são apenas uma peça, e que está voltada para a demolição das instituições democráticas e para a instalação, em seu lugar, de uma ditadura de esquerda, conforme o caminho preconizado por Gramsci e pelo Foro de São Paulo.

Somente para não deixar passar em branco: o tal PNDH-3 estabelece, entre outras medidas, a censura à imprensa, ao prever punições para os órgãos de informação que não se comportarem bem em relação ao tema dos direitos humanos, segundo determinação do governo; legaliza a violência no campo de grupos revolucionários como o MST, ao instituir, no lugar da aplicação da Lei, como a implementação de mandados de reintegração de posse, “reuniões de conciliação” entre proprietários e invasores; e impõe o revanchismo e a mistificação histórica como norma, ao sugerir a revisão da Lei de Anistia de 1979, de modo a punir somente os que combateram o terrorismo de esquerda. Defende, ainda, a legalização do aborto e a regularização da profissão de prostituta – métier em tudo compatível com a dignidade da pessoa humana.
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Não sei quanto a quem lê estas linhas, mas acredito que é a segunda alternativa colocada no primeiro parágrafo a que mais corresponde à realidade. Não é a primeira vez que essas iniciativas são propostas pela claque do Planalto – e, tudo indica caso a tentativa atual falhe, não será a última. Medidas como a censura governamental, disfarçada sob o pomposo rótulo de “controle social da mídia”, mediante a idéia da criação de um Conselho Nacional de Jornalismo e, mais recentemente, da CONFECOM, sem falar na revogação da Anistia e na proteção estatal aos baderneiros do MST, são pontos de honra para ministros como Paulo Vanucchi, Tarso Genro e Franklin Martins. A julgar pelo prontuário dos esquerdistas no poder, creio que não há muita dúvida de que estamos mesmo diante de uma tentativa de golpe – a mais grave ameaça à democracia no Brasil desde o fim do regime militar.

Claro, já estão dizendo por aí que o Apedeuta não tem nada a ver com a estrovenga, que é tudo uma maluquice desse ou daquele ministro mais estouvado etc. Seria estranho se não fosse assim. O ataque à democracia, no figurino gramsciano, jamais deve ser frontal e aberto: deve-se sempre manter uma certa plausible deniability – o trabalho sujo, a tarefa de destruir os valores da democracia e da liberdade, cabe aos cães de fila como Vanucchi e Tarso Genro, jamais aos generais como Lula. Este, segundo o clássico figurino gramsciano, poderá sempre esconder-se por trás de seu cargo e da faixa presidencial, posando de democrata e de estadista – “o cara”, escolhido “homem do ano” pelo Le Monde. Quando esquerdistas falam em democracia e em justiça, podem ter certeza: as maiores vítimas serão a democracia e a justiça.

O governo Lula bateu-se contra um golpe inexistente em Honduras, apoiando e dando abrigo na embaixada a quem de fato tentou golpear as instituições naquele país. Deu seu respaldo à fraude política e à tirania no Irã, em Cuba e na Venezuela, fechando os olhos para o golpe institucional na Nicarágua. Nada mais natural, portanto, que, mais cedo ou mais tarde, tentasse seu próprio golpe bolivariano. Com o PNDH-3, a máscara democrática do lulo-petismo finalmente caiu. O golpismo lulo-petista-bolivariano está em marcha. Só não vê quem não quer.

domingo, janeiro 03, 2010

OS SIMPÁTICOS


Li um dia desses que Lula está ensinando Dilma Rousseff a ser simpática. Em um evento qualquer, ele notou que sua pupila, com aquele seu jeito meigo e doce conhecido de seus assessores, estava ignorando o garçom que a servia. Lula aconselhou-a a agradecer ao rapaz. Educação? Polidez? Sincera consideração? Nada disso. "Ele poderá ser seu eleitor", explicou o Babalorixá.

Lula é, como escreveu o José Celso Martinez Corrêa, um grande ator, um especialista na arte de cortejar o público. Pessoalmente, dizem, ele é uma simpatia só, um sujeito boa-praça, como se dizia antigamente. Verdadeiro mestre do absurdo, uma mistura de Sílvio Santos e Ratinho, ele sabe como ninguém jogar para a platéia, entremeando seus improvisos com piadas, algumas de gosto duvidoso, palavrões e metáforas futebolísticas. Pode não combinar com a liturgia do cargo, mas e daí? A patuléia adora. Donde seu conselho a Dilma, que é, pelo menos nesse aspecto, seu oposto exato.

Lula sabe o que diz. Nas três primeiras tentativas de chegar à presidência da República - em 1989, 1994 e 1998 -, todas fracassadas, ele perdeu, em parte, por causa de sua imagem de político radical e carrancudo. Em 2002, após um banho de marketing, nasceu o "Lulinha paz e amor", que não assustava mais ninguém, imagem repetida em 2006. Saía de cena o sindicalista de língua presa e inimigo das elites e entrava o animador de auditório. Lula não faria feio, creio eu, como dono de creche ou apresentando um show de stand-up comedy.

Tendo reconstruído Lula, agora os marqueteiros do lulo-petismo têm a difícil missão de transformar Dilma em algo palatável para o público em 2010. Como se viu no último programa eleitoral do PT, ela ainda tem alguma dificuldade em sorrir para as câmeras. E saber sorrir, fazer boa figura, falar a "língua do povo" - ou seja: ser populista -, tudo isso é mais importante, no Brasil de hoje, do que ter idéias ou, sei lá, ética. É o que define uma eleição, mais do que qualquer outra coisa. Claro está que há nisso uma infantilização, uma cretinização da política: seja agradável com o eleitor, faça uma graça, apostando em sua pouca inteligência, e ele votará em você alegremente, abanando o rabinho e fazendo festa.

Muito se fala no "carisma" de Lula, como uma das causas de sua popularidade. Francamente, as duas coisas estão longe de ser algo necessariamente positivo. Carismáticos e populares, Hitler e Mussolini também eram. Mais importante é ser honesto ou, pelo menos, respeitar a democracia. Mas isso, no Brasil atual, é de somenos importância. Com o lulo-petismo, a política se reduziu a um concurso de simpatia para conquistar o voto de garçons.

sábado, janeiro 02, 2010

HONDURAS: O QUE NÃO ACONTECEU


É assim que a esquerda vê o que houve em Honduras.
Só faltou combinar com os fatos.
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Chile, setembro de 1973. O presidente civil e democraticamente eleito, Salvador Allende, decide implantar no país o socialismo por meios legais. Diante disso, e para salvaguardar as liberdades democráticas, o Congresso Nacional e a Suprema Corte, amparados na Constituição do país e no apoio da maioria da população chilena, decidem pela ilegalidade do governo socialista. Um grupo de militares, liderados pelo general Augusto Pinochet, recebe dos Altos Poderes da República a missão de depor o presidente, que é preso e deportado para Cuba. Nenhum tiro é disparado. Os militares, cumprindo ordem legal do Judiciário, mantêm o calendário eleitoral e as liberdades democráticas. A presidência é assumida pelo presidente do Parlamento, conforme determina a Constituição. Pouco tempo depois, ocorrem eleições presidenciais, conforme previsto. Um novo presidente, civil e democraticamente eleito, assume o cargo. O país volta ao normal.

Brasil, março de 1964. O presidente civil, João Goulart, encabeça um governo esquerdista que caminha célere para uma forma de ditadura sindicalista, apoiando-se cada vez mais nos comunistas e nos setores subalternos das Forças Armadas. O Congresso Nacional e o STF declaram então o governo ilegal e inconstitucional. O alto comando militar é incumbido pelo Legislativo e pelo Judiciário da tarefa de depor o presidente. Este é destituído do cargo, detido e enxotado para o Uruguai. Assumindo o poder interinamente, o presidente do Congresso exerce a presidência até o fim de seu mandato, entregando-a ao sucessor escolhido nas eleições presidenciais realizadas em 1965. Os militares retornam aos quartéis. A vida volta à normalidade.

Honduras, junho de 2009. Uma claque de militares, sob orientação da CIA e de mercenários israelenses que usam como arma potentes raios de alta freqüência que invadem o cérebro e embaralham o pensamento, agem na calada da noite e derrubam num sangrento golpe de Estado o presidente democraticamente eleito Manuel Zelaya, que é preso em casa de pijamas e despachado para a Costa Rica. Fazem-no sem qualquer respaldo legal, à revelia dos demais poderes da República e da maioria da população do país, que exige a volta imediata e incondicional do democrata Zelaya ao poder. Os milicos suspendem a Constituição, fecham o Congresso, prendem e cassam centenas de parlamentares. Tomam o poder, impõem uma junta militar e barbarizam: as prisões ficam lotadas de estudantes e trabalhadores, os soldados se divertem praticando tiro-ao-alvo em quem descumprir o toque de recolher. A censura é imposta, as eleições canceladas, os casos de tortura e assassinato se multiplicam. O país vira um imenso quartel.

Qualquer pessoa com um mínimo de discernimento e com um QI acima de 50 já deve ter percebido que nenhum dos quadros mostrados acima corresponde à realidade dos fatos. Já deve ter chegado à conclusão, se ainda tem um cérebro que funciona, que a História foi bem diferente do que está descrito acima. Nem os militares chilenos tomaram o poder de forma legal e incruenta, nem seus colegas brasileiros preservaram a legalidade após a queda de Goulart, nem Manuel Zelaya foi derrubado num golpe militar, muito menos sangrento. Nada disso é verdade.

Nada disso é verdade, exceto para o governo Lula da Silva, cuja diplomacia reduziu-se, nos últimos seis meses, à condição de escada para o retorno de Zelaya ao poder em Honduras, de onde foi defenestrado por tentar, seguindo o figurino chavista, reformar a Constituição do país a despeito da própria Constituição, que proíbe isso terminantemente. Para o governo brasileiro, assim como para o venezuelano e o nicaragüense, e, até há pouco, o norte-americano, Zelaya foi vítima de golpe militar, não tentou estuprar a Constituição hondurenha, as liberdades constitucionais não foram mantidas e asseguradas e eleições presidenciais limpas e democráticas - do tipo que não ocorre há cinqüenta anos em Cuba e há trinta no Irã, país cujos pleitos o governo Lula não hesita em reconhecer e em aplaudir com entusiasmo - não foram realizadas. Só falta apontar para os incontáveis cadáveres insepultos nas ruas de Tegucigalpa abatidos a tiros pelos militares hondurenhos para dizer que lá houve golpe.

O descolamento da diplomacia lulista da realidade no caso de Honduras já atingiu niveis de verdadeira paranóia, uma mistura de filme de ficção com comédia pastelão. Há umas duas semanas vi uma entrevista do capa-preta Marco Aurélio Top, Top Garcia na Band. Ao responder a pergunta sobre Honduras, o assessor especial da Presidência da República para encrencas cucarachas disse lamentar que o compañero chapeludo Manuel Zelaya, que há meses ocupa o prédio que um dia foi a embaixada brasileira, não tenha passado a noite de Natal na cadeira de presidente. E repetiu a cantilena de que o sucedido em Honduras desde 28/06 passado evoca os golpes militares da História recente latino-americana etc. Mais não consegui ver. Faltou-me estômago.

No próximo dia 27 de janeiro, a chanchada lulista-bolivariana em Honduras atingirá seu ápice, quando Porfirio Lobo receber das mãos de Roberto Micheletti a faixa de presidente da República. O "hóspede" brasileiro Manuel Zelaya, reduzido à insignificância política, tentará, quem sabe, um último gesto ousado contra os "gorilas" que o destituíram, teletransportando-se junto com a ex-primeira dama Xiomara e seus minguantes partidários para o palácio presidencial. Enquanto isso, o Itamaraty lançará nota desconhecendo a posse do novo presidente e, num gesto de profunda galhardia e patriotismo, em nome dos mais elevados princípios democráticos e à altura do papel cada vez mais protagônico desempenhado pelo Brasil no cenário internacional, declarará guerra à pequenina Honduras. Após duros combates, em que a capital hondurenha será bombardeada pelos novos caças Rafale entregues por Nicolas Sarkozy, e nos quais as tropas brasileiras lutarão bravamente ao lado das milícias bolivarianas arregimentadas por Hugo Chávez, os golpistas hondurenhos serão derrotados. Então, Dom Manuel Zelaya, com seu chapelão e bigode, cavalgando garboso pangaré branco, sairá da embaixada brasileira para adentrar triunfalmente o palácio do governo, tendo ao lado, como seus conselheiros, Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia. Suas primeiras medidas serão declarar-se presidende perpétuo e mudar o nome do país para República Bolivariana de Honduras, anexando-o, em seguida, à Grande Venezuela. A política externa brasileira do governo Lula terá, enfim, alcançado seu momento de glória.

EU TAMBÉM QUERO TER DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE - A TODA ELA


Interrompo minhas férias para fazer, como sempre, um desabafo. Esse tipo de interrupção, aliás, é uma constante na vida de quem se mete a escrever contra a esquerda e o politicamente correto (ou, como prefiro dizer, o ideologicamente estúpido). Afinal, como diz o ditado, pessoas de bem podem descansar e tirar férias; os canalhas, porém, nunca o fazem, estão sempre ativos, planejando novas canalhices.
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Vocês já devem ter lido ou ouvido a respeito: no apagar das luzes de 2009, quando Brasília está às moscas e todos só estão pensando em panetone e nas festas de fim de ano, o secretário de direitos humanos do Aiatolula, o ex-guerrilheiro da ALN Paulo Vanucchi, bolou um decreto que prevê, entre outras coisas, a criação de uma tal "comissão da verdade" para investigar os crimes praticados durante a ditadura militar no Brasil. Com um detalhe interessante: somente os crimes cometidos pelos agentes da repressão política, como tortura, seriam investigados. Se você pensou que o objetivo da estrovenga é rever a Lei de Anistia de 1979, que perdoou a todos, não fazendo distinção entre quem foi preso e quem prendeu, você acertou em cheio. A idéia, aliás, já gerou um começo de crise com as Forças Armadas - totalmente desnecessária, como toda crise artificialmente criada.
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Já escrevi aqui, neste blog - essa frase, de tão repetida, já está virando um clichê - sobre as tentativas revanchistas dos paulos vanucchis e tarsos genros da vida, sempre disfarçadas com rótulos pomposos como "punição dos torturadores" e - o meu preferido - "direito à memória e à verdade" (aliás, nome do livro que a dita secretaria de direitos humanos lançou há dois anos sobre os mortos e desaparecidos políticos da esquerda durante o regime de 64, e que não faz qualquer referência aos que a esquerda armada matou). De modo que não vou repetir, desta vez, os mesmos argumentos apresentados anteriormente. Não vou lembrar, aqui, que o argumento da tortura como crime imprescritível e de lesa-humanidade, aparentemente justo, é, na verdade, uma falácia de quem acha que terrorismo não é. Nem vou desmascarar novamente a mentira segundo a qual o que as organizações de ultra-esquerda de que participaram gente como Paulo Vanucchi, Dilma Rousseff, Franklin Martins e José Dirceu praticaram não foi terrorismo, mas "luta contra a ditadura" ou "resistência ao autoritarismo".

Já tratei de tudo isso, das lendas e balelas inventadas pela esquerda sobre a luta armada, em outros posts. Vou me limitar a dizer, desta feita, apenas isso: eu concordo inteiramente com a idéia de rever a Lei de Anistia. Mais: sou totalmente a favor de jogá-la na lata do lixo. Mais ainda: desejo que os torturadores sejam todos - todos, sem exceção - responsabilizados criminalmente e punidos exemplarmente, na forma da Lei. Quero mais é que eles se danem. Se quiserem aplicar aos meganhas brasileiros que torturaram e assassinaram prisioneiros políticos os princípios do direito internacional humanitário, aliás, quero dizer que eu sou a favor. Para mim, não existe ex-torturador. E lugar de torturador é mesmo a cadeia.

Isso significa que sou a favor do projeto da dupla Vanucchi/Genro de rever a Lei de Anistia, certo? Aí é que está: ERRADO! Por um motivo muito prosaico: assim como eles, eu acho que não existe ex-torturador. Mas, ao contrário deles, acredito que também não existe ex-terrorista. Quem jogou bomba em aeroporto ou em quartel, quem assaltou banco, sequestrou e matou em nome da "revolução" deve, também, responder pelo que fez. Ou, então, que se mantenha o status quo atual. A meu ver, os esquerdistas têm tanto direito à Anistia quanto quem estava do outro lado da trincheira, defendendo o regime. Falando mais claramente: EU QUERO QUE TERRORISTAS E TORTURADORES, E NÃO SOMENTE UM LADO OU OUTRO, PAGUEM POR SEUS CRIMES. OU QUE, PELO MENOS, OS ASSUMAM PUBLICAMENTE. Qualquer outra coisa que não seja isso é apenas a imposição de um tribunal ideológico por parte dos derrotados de ontem que querem, agora que estão por cima, ir à forra. Ou seja: revanchismo, puro e simples. EU TAMBÉM QUERO TER DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE - A TODA ELA, E NÃO SOMENTE À PARTE QUE CONVÉM A QUEM ESTÁ, HOJE, NO PODER. Acho, aliás, que esse não é um direito só meu: é de toda a população brasileira.

Em outras palavras, o projeto da tal secretaria de direitos humanos não passa de uma tremenda vigarice intelectual, um passo a mais na gigantesca impostura e na obra de mistificação político-histórica sem paralelos que é a versão esquerdista dos "anos de chumbo" no Brasil - versão na qual só teria havido heróicos guerrilheiros idealistas, de um lado, e cruéis torturadores, de outro. Terroristas - e excluo deliberadamente o "ex" da palavra - não têm o direito de julgar e condenar torturadores, assim como estes não têm o direito de julgar e condenar aqueles. E isso não é porque eu tenha qualquer simpatia por um lado ou por outro. É pura lógica. Ou, se preferirem, por decência.

O regime militar, cujos agentes torturaram e mataram, anistiou a estes e também àqueles que pegaram em armas para derrubá-lo e substituí-lo por uma ditadura comunista (ainda estou à espera de que me provem que as organizações de esquerda armada, e mesmo não-armada, como o PCB, se batiam pela democracia e pela liberdade no Brasil, e não por um regime inspirado em Cuba, na ex-URSS ou na China maoísta). Esperava, com isso, botar uma pedra sobre o período e pacificar o País, levando ao esquecimento dos delitos de ambos os lados. Pode-se discordar desse objetivo, pode-se, inclusive, achar que o perdão aos torturadores foi um erro, uma aberração, mas não se pode negar um fato fundamental: ao anistiar seus inimigos, os militares foram bem mais benevolentes do que o atual governo esquerdista brasileiro, que já canonizou seus mortos, enquanto tenta de todas as maneiras revogar a Anistia aos que os perseguiram.
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O nome disso, na novilíngua esquerdista que está aos poucos tomando o lugar da língua portuguesa, é duplo padrão moral ou viés ideológico. Em linguagem sem frescuras, é cinismo e hipocrisia mesmo. Uma tremenda empulhação, mais uma, de um governo que não se contenta em refundar a nação - quer também reescrever a História.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

FÉRIAS


Este blog entra de férias até janeiro, pois este escriba, mesmo sendo ateu, também é filho de Deus (e isso não quer dizer que seja filho do "filho do Brasil"...).
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Voltarei com novidades e mais chineladas nos devotos do lulismo apedêutico. Isto é, se o aquecimento global não derreter a Terra até lá...(a propósito, viram como está quente na Europa?)
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Para todos os que acreditam (e também para os que não acreditam), UM FELIZ NATAL E UM ÓTIMO ANO NOVO! (2010 promete...).

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Esse leitor não entendeu nada. E merece ser educado.


(ver primeiro post anterior)
Eu sei que o comentário não vale uma réplica. Mas faço assim mesmo:

INCRÍVEL QUE EXISTAM PESSOAS QUE FAÇAM TAL COISA COMO ESTA.O GUSTAVO QUIS INSINUAR ALGO A RESPEITO DE LULA PRESIDENTE DA REPUBLICA? POR CAUSA DE UMA FOTO COM UM GOVERNADOR ELEITO POR MILHARES DE CIDADÃOS REPRESENTANTE LEGAL E INSTITUCIONAL DO DISTRITO FEDERAL E P.S.D.B ENTÃO? PARCEIROS,COLIGADOS AO D.E.N E MUITO MAIS PRÓXIMOS? TEM CULPA DISSO??

Quem escreveu o que está acima - em letra de fôrma, como se isso desse mais verdade ao que vai escrito - preferiu ficar no anonimato. Compreendo. E traduzo: a "tal coisa como esta" (sic) a que ele(a) se refere é a foto que eu coloquei em meu último post, a que mostra o Apedeuta ao lado do governador do DF, um sorridente José Roberto Arruda.

O(a) tal leitor(a), que deve ser fã do Filho do Barril, ficou indignado(a) com a "insinuação". Como se eu - ou a foto - estivesse "insinuando" alguma coisa. A foto mostra, não insinua nada. Só isso. Ou: fala por si mesma, ao contrário do que disse o Guia Genial sobre as imagens de Arruda recebendo dinheiro de propina.

Para não ir muito longe: até há pouco tempo, quando estourava um escândalo de corrupção envolvendo outros partidos, os petistas tinham por hábito escancarar fotos de Maluf ao lado de Collor, ou de ACM ao lado de Collor, ou de ACM ao lado de Maluf, sei lá, para reforçar a idéia de que eram todos (menos, claro, os petistas) uns ladrões safados. Agora, quando alguém faz isso com o "Noço Guia"... aí não, isso é uma "insinuação" absurda! Não entendo. Ou melhor: entendo, sim.

Também pra não ir muito longe, já que o comentário não merece mais do que esse registro, vou aproveitar e repetir aqui as mesmas duas perguntinhas que fiz em outro post, e que até agora permanecem sem resposta:

- POR QUE OS QUE AGORA PEDEM O IMPEACHMENT DE ARRUDA NÃO PEDIRAM O IMPEACHMENT DE LULA EM 2005?

- O DEM fez pressão, e Arruda já não é mais membro do partido, nem irá concorrer às próximas eleições. E JOSÉ DIRCEU, GENOÍNO, DELÚBIO SOARES, PALOCCI, SÍLVIO PEREIRA E OUTROS MENSALEIROS E ALOPRADOS, QUANDO SERÃO EXPULSOS DO PT?

Alguém aí pode me dar uma resposta?
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Para quem, assim como eu, acha que imagens valem mais do que palavras, aí vai uma galeria de imagens interessantes do filho de Dona Lindu com alguns honoráveis personagens de nossa ex-república.


Lula com Belzebu
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Lula com Asmodeu



Lula com Renan Calheiros, Jader Barbalho e Severino Cavalcanti.

Paro por aqui. Meu estômago não agüenta.


quinta-feira, dezembro 17, 2009

Alô, petistas do DF! Vejam esta foto...

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Agora eu entendi o que Lula quis dizer quando afirmou que "as imagens não falam por si"...
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O problema é que falam, sim. E valem mais do que mil palavras.
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Mais um achado do blog de Augusto Nunes. Especial para os petistas do DF.

BRASIL DECLARA GUERRA A HONDURAS


Calma! Ainda não chegamos a esse ponto... Quer dizer, ainda não: com a diplomacia megalonanica do Itamaraty lulista, nada é impossível. Coloquei o título acima por causa do texto que vai a seguir, com algum atraso, de Augusto Nunes, publicado em seu blog em 12/12. Nada a comentar. Recomendo-o a todos que insistem em ver na chanchada do governo Lula em Honduras algo menos do que o maior fiasco da História da diplomacia brasileira.

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A MANHÃ DE JANEIRO EM QUE LULA ACORDOU INVOCADO

Na manhã de 28 de janeiro de 2010, o presidente Lula acordou invocado, saiu da cama sem falar com Marisa Letícia, vestiu o mesmo terno da véspera e foi para o Planalto sem fazer a barba. Entrou no gabinete em silêncio, chamou aos berros o secretário Gilberto Carvalho, ordenou-lhe que lesse em voz alta o noticiário sobre a posse festiva do presidente Porfírio Lobo, ocorrida na manhã anterior, e perdeu a paciência com Honduras.

Mais invocado que nunca, ligou para o Obama sem chamar o intérprete, exigiu que o companheiro conversasse em brasileiro, quis saber se a Uáite Rause iria mesmo reconhecer o segundo governo golpista e, ao ouvir que sim, soltou o tremendo iú ar a san ófi a bítichi que aprendera dois dias antes com Celso Amorim. Antes que o ianque desse um único pio, em inglês ou português, do outro lado da linha, proibiu Barack Obama de chamá-lo de Cara, rompeu relações com os EUA e jogou o celular pela janela.

Colocou os pés sobre a mesa, ordenou a Gilberto Carvalho que parasse de bater palmas e convocasse para uma reunião, em caráter de urgência urgentíssima, os companheiros Marco Aurélio Garcia, Celso Amorim, Dilma Rousseff e Nelson Jobim. Pediu o jornal da véspera, trancou-se no gabinete, escreveu duas letras na linha horizontal superior das palavras cruzadas, parou para descansar e começava a dormir quando ouviu batidas na porta. Os convocados estavam lá, avisou Gilberto Carvalho.

Na abertura da reunião, o presidente declarou instalado o Conselho de Guerra da República, composto pelos presentes, e nomeou o ordenança Gilberto Carvalho para cuidar da ata. No improviso de 25 minutos, encarregou Marco Aurélio Garcia da montagem da Frente Bolivariana de Combate aos Golpistas em Geral e da América Central em Particular, incumbiu Celso Amorim de conseguir o apoio logístico da Nicarágua, mandou Dilma Rousseff incluir no PAC as obras necessárias para a ocupação do país inimigo e promoveu Nelson Jobim a almirante-de-esquadra e chefe da Marinha Brasileira de Ataque e Conquista.

Depois de nomear-se Chefe Supremo do Conselho de Guerra, proclamou a independência do prédio da embaixada em Tegucigalpa, transformou-o em sede da República Bolivariana de Honduras, decidiu que a caçula da ONU teria como presidente o companheiro Manuel Zelaya e ordenou a Gilberto Carvalho que enviasse um buquê de rosas à primeira-dama Xiomara.

Terminada a reunião histórica, Lula resolver contar o que fizera ao amigo hondurenho, pediu a Dilma Rousseff que emprestasse o celular e ligou para o casarão em Tegucigalpa. E então soube pelo senhor Catunda, antigo encarregado de negócios, que não havia mais hóspedes por lá. No meio da madrugada, depois de reconhecer o novo governo, Zelaya abandonara a pensão. Sem pagar a conta.

ESSE LEITOR ENTENDEU TUDO. E MERECE MEU APLAUSO


Ao contrário do que alguns podem pensar, este blog não vive somente de atirar pedras, mas também de aplausos. É o que faço agora, sem qualquer ironia, em relação a um comentário que recebi sobre o post a respeito do artigo pró-Ahmadinejad e pró-diplomacia lulista do mensaleiro Zé Dirceu, publicado ontem na Folha de S. Paulo. O leitor entendeu tudo, e aproveitou para colocar questões interessantes, que não estavam no texto. É uma pena que ele (ou ela) tenha preferido permanecer anônimo.

Seja quem for, saiba que só tenho uma coisa a dizer sobre o que você escreveu: parabéns!

Eis o comentário:

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Zé Mané Dirceu:
"Mesmo o terrorismo islâmico tem como uma de suas razões históricas a hipertrofia dos EUA e do sionismo no Oriente Médio, que condenam o povo palestino a ser uma nação sem Estado, os países árabes a um cerco permanente e o Irã a uma ameaça constante de agressão militar por parte de Israel."

Essa foi a pior parte, daquelas que faz voce pensar qual é o limite da estupidez humana. Mas não é surpresa, pois os esquerdistas são mestres na arte de inversão da relação sujeito-objeto, agente-paciente. Querem fazer parecer que a vítima é na verdade o criminoso.

A culpa do terrorismo islâmico é do próprio islamismo que tem em si as raízes da intolerância em suas crenças. Querer jogar a culpa do terrorismo pra cima dos EUA é um cinismo.

Existe um paralelo aqui com a criminalidade urbana, que militantes do pensamento marxista querem explicar jogando a culpa no capitalismo, ou seja, na parte da sociedade que por escolha própria estuda, trabalha e produz.

Daí o menor de idade infrator é considerado "um adolescente em situação de risco e vulnerabilidade social."(!!) É um faz-me-rir: e a adolescente que foi atacada e roubada quando saía da escola por este mesmo infrator, esta é o que então?

Terrorismo internacional ou crime de rua,em ambos os casos, o acéfalo de esquerda sempre diz, na prática, que as vítimas merecem a violência.

A doença marxista está espalhada em todos os lugares e comtempla todos os tipos de criminosos e pessoas de má índole - desde o bandido comum, assaltante de rua, até os grandes bandidos chefes de nações, como o cínico Ahmadinejad e o ignorante Lula e seu bando.

A RELIGIÃO AQUECIMENTISTA E A COMÉDIA DE COPENHAGUE


Nesses dias em que só se fala na reunião da COP-15 e em coisas como aquecimento global, acho importante dar uma parada e pensar um pouco.

Vi ontem, na TV, o bufão venezuelano Hugo Chávez e seu pupilo, o índio de araque bolivano Evo Morales, falando na tal Conferência do Clima. Chávez culpou a "dominação imperialista" pelos problemas ecológicos do mundo. Morales pediu o fim do sistema capitalista. Enquanto isso, Dilma Rousseff, Carlos Minc, Marina Silva e José Serra não se entendiam sobre a melhor maneira de pedir mais dinheiro aos países ricos e reduzir as emissões de CO2. Do lado de dentro e de fora, uma multidão de ongueiros enfrentava a polícia e culpava os "países ricos" pelo aquecimento global, enquanto sentiam na pele os efeitos desse aquecimento... tiritando de frio.

O que está acontecendo em Copenhague merece uma reflexão mais profunda. Trata-se de uma super-reunião de ONGs patrocinada pela maior delas, a ONU, para servir de palanque anticapitalista e "discutir" - coloquemos assim - as melhores soluções para um problema sobre cuja existência não há nenhum consenso científico. É uma espécie de Forum Social Mundial do meio ambiente, no qual ninguém parece chegar a um acordo, e que caminha para ser um estrondoso fracasso.

O mais surreal de tudo isso é que, como já afirmei aqui, não há nada, absolutamente nada, que prove cientificamente que o motivo mesmo da reunião - o aquecimento global antropogênico, ou criado pelo homem - é uma realidade. Isso mesmo. Ao contrário do que você cansou de ouvir nesses dias na Jornal Nacional e no Fantástico, onde a frase mais repetida foi "estudos com-pro-va-ram que as temperaturas estão aumentando" etc., não existe uma mísera evidência, uma prova consensual qualquer, de que o que está sendo discutido em Copenhague seja verdadeiro. Ao mesmo tempo, um escândalo envolvendo o vazamento de e-mails comprometedores trocados por cientistas da Universidade East Anglia, ligados ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), pegos em flagrante manipulando dados para esconder ("to hide") estatísticas que contrariam a tese do aquecimento global, foi rapidamente abafado pelos grandes jornais. Há algo de podre nesse reino, que por coincidência é o da Dinamarca.

Em Copenhague, está ocorrendo um dos maiores eventos religiosos da História da humanidade. A questão ecológica, sobretudo o chamado aquecimento global, já deixou há muito tempo de ser um assunto científico para se tornar uma questão de fé, de religião. É uma nova religião, com todas as características de culto milenarista, inclusive uma elaborada escatologia.
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Isso quem diz não sou eu. São cientistas com décadas de experiência no estudo do clima, e que, por motivos desconhecidos, constituem vozes isoladas, sistematicamente ignoradas pela chamada grande mídia. Cientistas como o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion, representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM). Em entrevista recente, o professor Molion, que tem 40 anos anos de estudos sobre o clima nas costas, afirmou o seguinte (vejam a entrevista aqui:http://www.noticiasagricolas.com.br/noticias.php?id=59089):

- Não existe aquecimento global. Muito menos provocado pelo homem. Medições científicas mostram que a temperatura dos oceanos, que correspondem a 71% da superfície da Terra, está, na verdade, diminuindo. Não há nenhuma comprovação científica de que o nível do mar está aumentando: em alguns lugares, ele avança; em outros, retrocede; em outros, ainda, permanece o mesmo há séculos. "E o derretimento das geleiras?" Não são geleiras, são blocos flutuantes de gelo. É um processo totalmente natural. E não tem qualquer influência na mudança do nível dos oceanos. (Aliás, estudos recentes mostraram que o gelo no Ártico está, ao contrário do que se passou a dizer, maior do que antes.)

- O CO2, apontado como o grande vilão do aquecimento global, não tem absolutamente nada a ver com o clima da Terra. Não é o CO2 que controla o clima. É o Sol. Em um período de mais ou menos 90 anos, ocorrem variações no nível de radiação solar, com períodos de radiação mais intensa e outros de menor intensidade. Nos próximos 20 ou 25 anos, a previsão é que a atividade solar irá diminuir, logo a tendência será um resfriamento, e não aquecimento da Terra.

- O CO2 não tem qualquer influência no aquecimento ou resfriamento da Terra. Pelo contrário: o CO2 é o gás da vida. Sem ele, não haveria natureza, tampouco vida no planeta. O CO2 é uma resposta. Quanto mais CO2, maior é a produção das plantas. (Nota à margem: lembram de seu professor de Biologia falando em como se dá o processo de fotossíntese?)

- As emissões de CO2 pela ação humana (fábricas, automóveis etc) não respondem absolutamente por qualquer mudança de temperatura do planeta. Calcula-se em cerca de 200 bilhões de toneladas a quantidade de CO2 emitida anualmente de forma natural (pela vegetação, vulcões etc.). A margem de erro é de 40 bilhões de toneladas, para cima ou para baixo. Desse volume, a atividade humana responde por cerca de 6 bilhões de toneladas/ano, ou seja, por aproximadamente 3% (três por cento) de todo o CO2 emitido na atmosfera. É mais de três vezes menos a margem de erro admitida para medir o total de CO2 emitido pela natureza todos os anos. Uma quantidade ínfima, insignificante mesmo. O que provoca algum dano ao meio ambiente não é o CO2, assim como não era o tal CFC o culpado pelo tal buraco na camada de ozônio (outra farsa, uma espécie de "ensaio" para o "aquecimento global"), mas outros elementos, como o enxofre, além das queimadas e da devastação das florestas.

Você deve estar se perguntando: mas, se o aquecimento global é um mito, desprovido de qualquer base científica, o que representantes de 192 países estão fazendo em Copenhague? Por que tanto dinheiro, tantos cientistas, governantes, diplomatas e artistas de Hollywood, gente como Al Gore e os membros do IPCC, estão sustentando uma mentira? Molion arrisca uma resposta:

"Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção."

Não sei quanto a vocês, mas eu sempre desconfiei dessa conversa de "aquecimento global". Ainda mais "criado pelo homem". Principalmente quando se percebe que o discurso aquecimentista, de uns tempos para cá, virou uma espécie de dogma, contra o qual não se admite a menor contestação. Não vi, até agora, nenhum especialista em clima contrário à tese de aquecimento global sendo chamado para expor sua tese na Rede Globo, por exemplo (Molion deu uma entrevista para a Band), muito menos na COP-15. Vi, sim, foi o Al Gore com aquele seu power-point, tentando explicar como, se o gelo do Ártico está aumentando em vez de diminuir, as calotas polares irão desaparecer assim mesmo. E muita propaganda, muitos comerciais emocionantes na TV mostrando apelos de criacinhas e imagens de ursos polares com seus filhotes. Há dois anos, quando Al Gore recebeu o Nobel da Paz juntamente com os cientistas do IPCC, escrevi um texto dizendo que o mundo vai acabar. Não por causa das previsões dessa turma, mas porque ele, Al Gore, ganhou o Nobel da Paz... Lula, claro, não poderia ficar de fora: outro dia, ele deu também sua contribuição à Ciência, dizendo que o problema do aquecimento global é que a Terra é redonda - se fosse quadrada, o problema não existiria...

O que parece claro, além de todas essas batatadas, é que o discurso ambientalista constitui uma forma de controle social, com um viés claramente ideológico, direcionado contra um sistema político e econômico - o capitalismo. O caráter maniqueísta da propaganda é indisfarçável: de um lado, a turma de bem, os defensores do maior controle da emissão de CO2 e pregadores do apocalipse que afirmam que, se nada for feito, o mundo caminhará para a destruição; de outro, o lado mau e perverso, os ricos industriais que só pensam no lucro e que estão se lixando para a preservação do meio ambiente e para o derretimento das calotas polares... A isso soma-se uma tentativa de submeter os hábitos pessoais ("ande menos de carro", "coma menos carne" etc.) ao que se convencionou chamar de "interesse coletivo". Já sabemos no que isso vai dar. E não é coisa boa.

Verdadeiro ou falso, o certo é que o discurso do aquecimento global não está sendo debatido como deveria. Observações como as do prof. Molion continuam sendo ignoradas pelo mainstream, que continua despejando milhões de dólares e emitindo toneladas de carbono para convencer a todos de algo que, tudo indica, é uma imensa farsa. O que me dá o direito, mesmo não sendo especialista na matéria, de pensar que o discurso aquecimentista não passa de uma fraude ideológica feita sob medida por e para ONGs ripongas e caudilhos terceiro-mundistas. Pelo menos até que se veja alguma coisa parecida com um debate, e não slogans demagógicos anticapitalistas.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

DIRETO DAS TREVAS: O ANTISSEMITISMO DESCARADO DE UM CHEFÃO PETISTA


Ah, não! Essa eu tenho que comentar!

Lembram de José Dirceu, o homem do mensalão petista? Pois é. O sujeito resolveu sair das sombras de negócios meio heterodoxos como "consultor" para escrever um artigo na Folha de S. Paulo de hoje, 16/12. Sabem sobre o que fala o impoluto? Da política externa brasileira. Mais especificamente: de um Artigo (que, aliás, trascrevi aqui há alguns dias) que critica a visita do maluco Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil.

Se havia alguma dúvida de que a diplomacia lulista é mesmo um descalabro, e que a visita de Ahmadinejad foi mesmo o flerte com o Mal, o artigo de Dirceu se encarrega de acabar com ela de forma eloqüente e definitiva. São mentes como a desse senhor, de onde brotou o maior esquema de corrupção da História do Brasil, que estão por trás da diplomacia pró-tiranias e megalonanica do governo Lula. Pensei até em rebater o que diz o ex-chefe da Casa Civil da presidência da República. Mas percebi que outro já o fez, de forma muito competente. Pelo menos não terei de remexer nessa matéria fecal.

Segue o post que Reinaldo Azevedo publicou em seu blog sobre o assunto. Não tenho nada a acrescentar. Só a lamentar que um jornal como a Folha se preste a servir de tribuna para gente desse naipe.

Sempre que alguém falar da política externa do governo Lula, lembrem desse artigo de Zé Dirceu.

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O LIXO FEDORENTO PRODUZIDO POR JOSÉ DIRCEU

Cada um faça o que quiser do seu jornal. Eu me dou o direito apenas de comentar e de fazer indagações que partilho aqui com vocês. Por que o ex-deputado José Dirceu, cassado em razão de seu comportamento indecoroso mesmo para os padrões vigentes no Congresso brasileiro, réu no mensalão, escreve artigos num jornal como a Folha? Só pode ser porque a imprensa brasileira, que os petistas chamam “mídia”, adora botar uma corda no próprio pescoço; adora encontrar um abrigo no peito do inimigo; adora flertar com aqueles que fazem de tudo para silenciá-la.

Certamente há quem acredite que devemos, em nome dos nossos princípios, ter com aqueles que nos querem destruir a tolerância que eles, em nome dos princípios deles, não têm com a gente. O resultado dessa equação é que os que odeiam a democracia ganham sempre. De resto, Dirceu conta com uma equipe, certamente paga com o que ele consegue amealhar como “consultor de empresa privada”, para produzir um site. O chato, para ele, é que ninguém lê aquela porcaria, a não ser a rede petista infiltrada na “mídia”, que, invariavelmente, se encarrega de reproduzir coisas que são escritas lá.

Dirceu odeia a imprensa — menos a que fala bem do PT, é claro — e tem seu próprio canal para escoar o lixo intelectual que produz. O que justifica que ocupe também um lugar no mundo dos vivos? Posto isso, faço um vermelho-e-azul com o artigo que ele publicou hoje na Folha.

O PROFESSOR da USP José Augusto Guilhon Albuquerque escreveu nesta Folha (9/12) crítica à visita ao Brasil do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Disse ter ficado confuso quanto ao que é paz e o que é desejável e, em exercício inaceitável de distorção dos fatos, afirma que houve cumplicidade brasileira com as atrocidades cometidas pelo governo iraniano. Primeiramente, o professor omite que o iraniano foi recebido após as visitas dos presidentes de Israel, Shimon Peres, e da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.
A estupidez está dada já nas primeiras linhas. Peres e Abbas não são compensações à presença de Ahmadinejad no Brasil. Mas pensemos um pouco com a cabeça marota de Dirceu: digamos que fossem. Dado que o petista, como se verá, é claramente simpático à causa iraniana, entende-se que Peres — e talvez até Abbas — sejam, vejam que formidável, o “Mal” que serve de contrapeso ao “Bem”. Assim, Lula teria feito uma concessão, recebendo gente não muito decente, como os líderes israelense e palestino, para depois abrir os braços a este gigante moral que é o presidente do Irã. Tenho de notar à margem que Abbas tem em Ahmadinejad um de seus maiores inimigos: o Irã financia os terroristas do Hamas.

Quer dizer que o professor acha ruim receber Ahmadinejad, mas nada tem contra a recepção a Peres, presidente de um país que seguidamente viola as resoluções da Organização das Nações Unidas e cujo governo é responsável, pela via da força, por negar seguidamente ao povo palestino o direito de ter seu próprio país?
Dou de barato que Dirceu ignore as seguidas resoluções da ONU contra o Irã, com a diferença de que o fórum que costuma “condenar” Israel é o Conselho de Direitos Humanos, coalhado de “antiimperialistas” e anti-semitas militantes. O que realmente é formidável é a afirmação, sem quaisquer outras considerações, de que Israel nega ao povo palestino o direito a seu próprio país. Como se sabe, os pacíficos palestinos querem um país, negado por beligerantes judeus. Por que Dirceu não pergunta ao próprio Abbas o que ele pensa da “luta” do Hamas? Em segundo lugar, o que a causa palestina tem a ver com Ahmadinejad? Tivessem os palestinos o seu estado, seria outra a política do Irã?

Mas o ardil de Albuquerque veio acompanhado da ausência de leitura da cobertura que a Folha fez do encontro com o iraniano. No caderno Mundo (24/11), somos informados de que Lula “aproveitou a presença de Ahmadinejad para transmitir cobranças quase unânimes da comunidade diplomática”, deixando “claro que repudia a hostilidade aberta de Ahmadinejad a Israel” e que “o Brasil, embora busque os melhores vínculos possíveis com o Irã, tem ressalvas em relação a algumas posições do iraniano”. O jornal publicou ainda as seguintes frases do presidente Lula: “A política externa brasileira é balizada pelo compromisso com a democracia e o respeito à diversidade. Defendemos os direitos humanos e a liberdade de escolha de nossos cidadãos e cidadãs com a mesma veemência com que repudiamos todo ato de intolerância ou de recurso ao terrorismo” e “Defendemos o direito do povo palestino a um Estado viável e a uma vida digna, ao lado de um Estado de Israel seguro e soberano”.
As frases que Dirceu tão bem selecionou para indicar a suposta contraposição do governo brasileiro a Ahmadinjad deixam, então, claro que aquele senhor não respeita a democracia, a diversidade e a tolerância. Mais: deixam claro que, com efeito, ele recorre ao terrorismo.

Isso não importa, não é mesmo, professor? Afinal, a política externa que o sr. defende é a adotada no governo Fernando Henrique Cardoso, que desejava uma ordem unipolar, com os EUA dando as cartas. O professor não se incomoda com essa concepção de política externa nem com a invasão do Iraque sem autorização da ONU ou com os centros de tortura americanos mundo afora. Não há limites à hipocrisia, professor? A cumplicidade com essa submissão é que é inaceitável.
Aqui, a delinqüência intelectual de sempre com o governo ao qual os petistas devem, na prática, a sua própria existência por razões tantas vezes elencadas. A ordem multipolar petista compreende o apoio a um terrorista como Ahmadinejad, a proteção ao genocida do Sudão, o apoio a todas as transgressões à ordem democrática dos bolivarianos, o flerte com os narcoterroristas das Farc. Os EUA e aliados atacaram o Iraque em março de 2003. Lula já era presidente da República — logo, o governo anterior, de FHC, não pôde se pronunciar a respeito daquele fato em si e de outros que dele decorreram, como as acusações de tortura. As ilações de Dirceu são descabidas porque mentirosas.

A diretriz do governo Lula para a política externa é, reconhecidamente, responsável pelo papel de destaque no mundo que o Brasil conquistou.
É mentira! Essa política externa que apóia tudo quanto é bandido mundo afora não trouxe um centavo para o Brasil. A boa posição que o país ocupa na economia mundial nada deve à política externa. Desafio Dirceu a provar com números. Ele não vai porque sabe que se trata de uma clamorosa, vergonhosa e absoluta MENTIRA!

Ela se pauta, entre outros fatores, pela compreensão de que nossos interesses nacionais serão tão mais ressonantes quanto maior for o caráter multipolar da nova ordem internacional. E esse caminho passa por integrar os países em desenvolvimento e seus blocos regionais e por construir novas pontes diplomáticas.
Embromação disfarçada de retórica integracionista. O Irã não integra “bloco” nenhum — ou ele diga qual é. Nem os países árabes vêem com bons olhos a hipertrofia dos seus , no mais das vezes, inimigos persas do xiismo. O único bloco que o Irã integra é o dos países párias, que ameaçam a ordem internacional com o apoio ao terrorismo.

O Brasil não aceita o jogo da vilanização, cujo único propósito é reforçar a supremacia de uma superpotência e seus aliados.
O patriotismo é último refúgio dos canalhas. E o antiamericanismo é o penúltimo dos canalhas latino-americanos.

O presidente Lula age como interlocutor de distintos parceiros, com respeito à autodeterminação e mantendo sempre como horizonte estratégico a superação do unilateralismo como caminho único para a paz.
Sem dúvida! Como Chamberlain e Daladier dialogando com Hitler em nome de um mundo mais plural…

A passagem de Ahmadinejad pelo Brasil serviu também para que a comunidade internacional se fizesse ouvida pelo iraniano. E Lula deixou isso claro no encontro.
Claro, o mundo precisa ouvir Ahmadinejad. Precisamos lhe dar o palco para que ele defenda a destruição de Israel (ele não recuou) e para que ele negue o Holocausto (ele não recuou). Com efeito, José Dirceu: se não for Lula a lhe dar tal chance, quem será?

Se o professor escolheu torcer os fatos, não pode alegar desconhecimento de que a principal ameaça à paz mundial é a existência de um mundo unipolar.
O período não faz sentido. Ainda que fosse uma bobagem, o certo seria escrever: “Se o professor NÃO ESCOLHER torcer os fatos…” Afinal, para não “alegar” o desconhecimento — e, pois, expressar o reconhecimento de um ponto de vista que é do próprio Dirceu —, o professor teria de escolher apegar-se àquilo que Dirceu considera os fatos… É uma questão de linguagem e de lógica. Dirceu atrapalhou-se com uma espécie de dupla negação que há em “NÃO pode alegar DESconhecimento”. É coisa típica de uma mente um tanto perturbada, que não consegue distinguir o certo do errado, o bem do mal e, como estamos cansados de saber, o mocinho do bandido. Daí a escolha invariável dessa gente pelo errado, pelo mal… e pelo bandido!

As principais guerras recentes (Iugoslávia, Iraque, Afeganistão) foram produto desse desequilíbrio.
Como é que é? O que tem a “guerra da Iugoslávia” a ver com a do Iraque e com a do Afeganistão? Digamos, para efeitos de pensamento apenas, que a do Iraque tenha sido injustificada. Mesmo no mundo perturbado de Dirceu, a intervenção americana no Afeganistão padece da mesma falta de motivos? E a da Iugoslávia? O Ocidente deveria ter permitido que a limpeza étnica se consumasse, inclusive contra os islâmicos da região? Dirceu não sabe o que diz.

Ou, pior, sabe, como demonstra o parágrafo seguinte.

Mesmo o terrorismo islâmico tem como uma de suas razões históricas a hipertrofia dos EUA e do sionismo no Oriente Médio, que condenam o povo palestino a ser uma nação sem Estado, os países árabes a um cerco permanente e o Irã a uma ameaça constante de agressão militar por parte de Israel.
Entenderam? O terrorismo é uma reação à hipertrofia dos EUA e ao sionismo. Assim, entende-se, é preciso antes dar um jeito nessas duas deformações. Segundo Dirceu, é Israel quem ameaça permanentemente o Irã, não o contrário. Agora entendi: os verdadeiros culpados pelos atentados de 11 de setembro foram as próprias vítimas. Quando um terrorista palestino joga foguetes em Israel ou explode um bomba num ônibus ou numa pizzaria, os culpados por isso são os judeus. Faltava-nos esta iluminação: para Dirceu, o terrorismo, que qualquer pessoa decente considera sempre culpado, é inocente quando ataca e quando é atacado.

Os sucessivos acordos de paz fracassados pedem que outros países, como o Brasil, contribuam com uma interlocução positiva no Oriente Médio. Por isso, receber Ahmadinejad foi, sim, uma decisão acertada.
Está dada qual é a”contribuição positiva” que o Brasil tem a dar: apoio ao terrorismo e às ditaduras e censura às democracias americana e israelense. E não pensem que Dirceu fala por si mesmo. Ele vocaliza o pensamento petista. Felizmente, o mundo começou a se dar conta dessa picaretagem. Já percebeu que o Brasil resolveu ter os párias como aliados.

Concluindo
Por que um jornal como a Folha precisa de Dirceu? Respondo como leitor: talvez porque, a exemplo do resto da grande imprensa, o jornal esteja preocupado em demonstrar que é plural e não tem lado. Eis um gigantesco equívoco mesmo segundo esse princípio.

A grande imprensa, entendo, tem mesmo de ser plural, o que, convenham, de hábito, não é. Cadê as vozes críticas à tese do aquecimento global, para citar um exemplo quente? A defesa do terrorismo, no entanto, deve fazer parte da pluralidade aceitável? Quando Dirceu livra os terroristas de suas responsabilidades, ele os defende por vias oblíquas. Acatar tal voz não revela pluralidade, mas concessão à defesa de um crime de lesa humanidade. “Ah, é importante saber o que eles pensam”. Para tanto, ele conta com os seus próprios meios.

Eis aí o verdadeiro PT! O mensaleiro Dirceu, pensando essas porcarias, é hoje um dos principais articuladores da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência.

Com a serenidade possível, sem paranóia, os judeus que vivem no Brasil, brasileiros ou não, devem refletir profundamente sobre as palavras de Dirceu. O anti-sionismo sempre foi um excelente armário para esconder o anti-semitismo. Não ouso dizer que Dirceu seja um anti-semita por convicção porque lhe faltam cultura política e informação mesmo para escolher essa ignomínia. Deve-se prestar atenção às escolhas de um governo, de um partido, de um político. O governo Lula, o PT e José Dirceu escolheram o Irã de Ahmadinejad. E a escolha de Ahmadinejad, como sabemos, é destruir Israel e, por conseqüência, os judeus. É ele quem diz isso, não sou quem lhe atribui tal intenção.

Ah, sim: se judeus há no PT, aí já considero que não seja matéria de política, mas de psicanálise. Cumpre saber a origem psíquica da atração pelo algoz.