quinta-feira, maio 05, 2011

SOBRE OBAMA E OSAMA: RESPOSTA AOS LEITORES

Um leitor anônimo comenta meu texto "De Volta à Realidade". Respondo em seguida:

Bom, mas deixa algumas dúvidas.

1) Obama por vir depois de Bush, só poderia colher o que o primeiro plantou, seja isto algo ruim ou bom. Portanto, não faz sentido dizer que ele colheu o que Bush plantou, isto é óbvio. O que interessa é como ele continuou isto.

Há uma diferenca entre anterioridade e causalidade. O fato de algo vir antes não explica necessariamente o que vem depois. Eu posso dizer "antes de mim, vieram os dinossauros" e isso está correto. Mas não posso dizer: "estou aqui por causa dos dinossauros".

No caso de Obama e Bush, existe claramente uma relação causal, e não somente temporal. Obama matou Osama não porque veio depois de Bush, mas porque Bush decapitou a Al Qaeda. Bin Laden só foi cercado e abatido a tiros no Paquistão porque estava sendo caçado há anos. Desde que, para ser mais preciso, Bush ordenou que as tropas invadissem o Afeganistão e botassem seus assassinos para correr. Portanto, faz todo sentido dizer que Obama está, sim, colhendo o que outros plantaram para ele. Faz todo sentido dizer que Obama está surfando na onda alheia. Aliás, isso me lembra alguém...

2) O que você chama de "terrorismo islamita" é absurdo! Terrorismo é uma coisa, o Islã outra. Ser islamita não significa ser terrorista e nem o contrário. Não existe terrorismo islamita. Existe o Terrorismo!

Essa novilíngua politicamente correta é mesmo uma praga. Escolhi o termo terrrorismo islamita (e não “islâmico”) justamente para diferenciar o terrorismo da Al Qaeda, Hamas e Hezbollah do Islã, e aí vem alguém e me acusa de preconceito... contra o Islã! Francamente, não sei mais o que fazer para ficar nas boas graças dos patrulheiros.


O leitor não sabe a diferença entre islamita e islâmico? Tudo bem, explico: é a mesma diferença que existe entre um fundamentalista cristão e o Papa. Existe, sim, terrorismo islamita, que nada mais é do que o resultado de uma interpretação literal (fundamentalista) do Corão.

Para ficar mais claro: nem todo terrorista é islamita, mas todo islamita é, potencialmente, terrorista. Deu para entender?

Aliás, uma de minhas críticas ao governo de George W. Bush era que, em vez de especificar como inimigo essa variante de terrorismo, preferiu a expressão eufemística de "guerra ao terror", uma fórmula vazia, que significa o mesmo que "guerra à guerra". Por que falar em terrorismo islamita é errado, mas em "terrorismo sionista" não?

Mas a afirmação mais inacreditável de todas é a que vem em seguida:

3) O possível fato de que Obama não seja americano impede ele de ser um bom presidente? A lei não poderia ser revista?

Não só impede, como é motivo para ele perder o cargo e ir parar na cadeia. Ser um bom presidente, seja nos EUA ou em Burkina Fasso, é, acima de tudo, respeitar a lei do país. E falsificar ou sonegar informações referentes à nacionalidade, sua ou de outros, é crime, ponto final. Ainda mais se for para se tornar presidente dos EUA. Richard Nixon é lembrado hoje como um bom presidente – na área internacional, pelo menos –, mas perdeu a cadeira por ter rasgado a lei no escândalo de Watergate. Outros povos menos civilizados podem estar acostumados a ter governantes que debocham das leis e fazem pouco caso da democracia. Nos EUA, é um tantinho diferente.

Mas espere aí, deixe-me ver se entendi direito: então alguém engana o mundo todo e se torna presidente de forma ilegal e inconstitucional, mas, como ele foi um “bom presidente”, então em vez de ser preso, ele é recompensado com uma revisão da Lei – e não uma lei qualquer, mas um artigo fundamental da Constituição? É isso mesmo? Mas afinal, a Lei existe para ser cumprida ou não? E quem deve zelar para que ela seja cumprida não é o presidente da República? Ou deve valer o "rouba (ou mente), mas faz"? Não seria melhor jogar a Constituição no lixo de uma vez por todas?

Ainda que Barack Hussein Obama descobrisse a cura da AIDS, se for comprovado que ele não é, como diz ser, um natural born citizen, estará caracterizada uma das maiores fraudes de todos os tempos. Supor que a lei de um país poderia ser revista no caso dele seria colocar um homem acima da própria Lei e da propria democracia. Aliás, não é outra coisa que os devotos da fé obamista têm feito.

Outro leitor, o Gabriel, é um pouco, digamos, mais explicito:

Bush também não cumpriu todas as suas promessas de campanha, no entanto, você nunca fala mal dele. Isso parece um tanto ilógico: se Obama não faz, então, ele é mal presidente; se Bush não faz, tá tudo bem, foi apenas um lapso. Se Obama faz, é porque Bush já havia preparado o terreno, então, nada tem de significativo para a presidência de Obama; se Bush faz, então, ele é o líder exemplar. Tua crítica ao presidente americano não tem fundamento.

Pois é, né? Agora sou um bushista. Só porque não falo mal dele, que já se aposentou, mas do Obama, que está aí. Nao acho que o governo de George W. Bush esteja livre de críticas, e nisso me diferencio da guarda de ferro obamista em relação ao governo e à figura de Obama. Mas uma coisa tenho de admitir: Bush foi o melhor presidente que o Iraque e o Afeganistão ja tiveram. Já Obama, é o melhor produto que o marketing político já engendrou.

Sem falar no essencial: ninguém põe em dúvida que Bush, com todos os seus defeitos, é americano da gema, de pai e mãe, e portanto cumpriu todos os requisitos necessários para ser presidente dos EUA. Quanto à Obama... Ele pode até ter nascido no Havaí, como mostra o documento que ele escondeu durante três anos e que só agora, com a popularidade despencando e na véspera da operação que matou Bin Laden, ele resolveu mostrar, num show pirotécnico na Casa Branca. Mas as dúvidas sobre seu direito legal a ser presidente dos EUA continuam. Aliás, agora é que a questão vai esquentar para valer.

Ficamos assim: é proibido falar mal de Obama, porque existiu um George W. Bush. Também fica proibido criticar os petistas, porque existem os tucanos. Assim, ficariam todos igualados na mentira, um anularia o outro, e ficariam elas por elas. Muito justo, não?

Querem mesmo que eu responda?

Um comentário:

Anônimo disse...

Elas por elas não! Falemos mal de todos os que tiverem erros e problemas e não só de alguns...

A propósito, já que perguntou, terrorismo sionista é tão errado quanto terrorismo islamita.

Quanto a Obama, o problema é que você está hiperdimensionando algo para justificar todo o resto. Caso Obama não tivesse problema algum para ser presidente, mas fosse infiel (como Clinton) isso provavelmente seria motivo para taxá-lo de mau presidente, mentiroso e outros blá blá blá que já há muito ouço. Mas o fato de ser infiel com a esposa ou não ser americano de fato, não faz dele um mal líder. Para ser mal líder é preciso outra justificativa.