segunda-feira, fevereiro 23, 2009

ACONTECEU. UM LEITOR ESCREVE JUSTIFICANDO O TERRORISMO ISLAMITA. AGORA TUDO É PERMITIDO


Aconteceu. Finalmente um leitor escreveu para este blog para justificar o injustificável e cantar loas à morte. Finalmente alguém escreveu defendendo, com todas as letras, a violência cega e genocida contra um Estado democrático. Uma linha foi cruzada. Agora, como diria Dostoievski, tudo passa a ser permitido.
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Por injustificável quero dizer o terrorismo islamita, os atentados homicidas-suicidas de grupos de fanáticos religiosos genocidas como o Hamas, o Hezbollah e a Al-Qaeda. Por cantar loas à morte quero dizer enxergar nos ataques desses facínoras uma forma legítima de "resistência" contra o que seria uma forma de opressão - no caso, representada pelo Ocidente e particularmente por Israel, elevada à condição de Grande Satã do momento depois da aposentadoria do Bush. Por defender a violência cega contra um Estado democrático digo bater palmas para quem deseja, nada mais, nada menos, do que um novo Holocausto, ainda pior do que o primeiro.

Leiam por si mesmos, e digam se eu estou exagerando. O leitor em questão é um tal de Humberto, que, escrevendo para comentar meu post anterior, no qual rebato o pacifismo de outro leitor, que insistia em igualar Israel ao Hamas, cometeu o seguinte texto, que aqui transcrevo em vermelho, seguido de meus comentários, em preto:
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Concordo contigo, a guerra é legítima, defender seu território é legitíssimo. Por isso os palestinos se insurgem com bombas e pedras. Para que Israel fique em seu quintal e não invada quintal alheio.
Leiam atentamente o parágrafo acima. O autor justifica o terrorismo de grupos como o Hamas - que ele não cita em momento algum, preferindo esconder-se atrás da fórmula simpática dos "palestinos que se insurgem com bombas e pedras" -, associando-o a uma suposta reação contra uma suposta invasão do quintal alheio por parte de Israel. Como se os foguetes e homens-bombas do Hamas e do Hezbollah fossem uma justa resposta contra a ocupação israelense. Já disse antes, mas vou repetir, dessa vez da forma mais didática possível: ISSO É FALSO!
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O terrorismo palestino contra Israel não decorre de nenhuma ação ou "invasão" israelense nos territórios palestinos, como diz o leitor anti-Israel. Essa teoria pode ter sido verdadeira um dia, durante os anos de luta - terrorista também, é bom que se diga - da antiga OLP contra Israel, até, digamos, meados dos anos 80, antes que a OLP abandonasse oficialmente o terrorismo e aceitasse a existência de Israel, e antes da assinatura dos Acordos de Oslo, em 1993, pelos quais os dois lados - palestinos e israelenses - se reconheceram mutuamente. Hoje em dia, porém, afirmar que o terrorismo islamita tem alguma coisa a ver com a luta para "libertar" os territórios palestinos ocupados de uma suposta "invasão" israelense é algo que só pode ser fruto de cinismo ou ignorância. Nos últimos nove anos, Israel fez diversos movimentos em direção à paz definitiva, inclusive concessões territoriais, e nada disso se converteu em movimentos semelhantes do outro lado. Chegou mesmo a retirar à força os colonos israelenses da Faixa de Gaza, UNILATERALMENTE E SEM PEDIR NADA POR ISSO, e nem assim os ataques do Hamas cessaram ou diminuíram. Pelo contrário: desde então, os atentados se multiplicaram! Como dizer, portanto, que o terrorismo é uma forma de insurgência contra uma "invasão" israelense??? Simplesmente mentiroso!
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Enquanto Israel invadir e implementar assentamentos judeus na palestina, vai levar bomba. E merece!
Mais uma vez: o leitor apela para a mentira para justificar o terror. O terrorismo islamita não tem nada a ver com os assentamentos judeus, como está claro no exemplo de Gaza. Querem mais um exemplo? Em 2000, as tropas israelenses se retiraram do sul do Líbano, que se transformou então em território do Hezbollah. O que aconteceu desde então? Os ataques do Hezbollah contra os colonos judeus da Galiléia, assim como os do Hamas a partir da Faixa de Gaza, diminuíram? Nada disso: foram intensificados! Isso PROVA que o terrorismo contra Israel não tem nenhuma relação, absolutamente nenhuma, com qualquer "luta pela terra" na região.
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Agora, prestem bastante atenção a uma coisa que eu vou dizer, e que talvez choque algum leitor menos informado: O CHAMADO CONFLITO ISRAELO-PALESTINO NÃO EXISTE MAIS, ACABOU FAZ TEMPO. Desde, pelo menos, os Acordos de Oslo de 1993, assinados por Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, a questão palestina já está resolvida: os dois lados concordaram em reconhecer o direito de cada um existir e com a solução de dois Estados - um israelense, outro palestino (este último, compreendendo os territórios da Faixa de Gaza e da Cisjordânia). Sobraram algumas arestas a ser resolvidas, como o status de Jerusalém, mas a questão, do ponto de vista territorial, já está resolvida. O que existe, então? O que existe é o terrorismo de grupos de fanáticos como o Hamas e o Hezbollah, apoiados pelo Irã e pela Síria e que não aceitam o direito de Israel à existência, nem reconhecem a solução dos dois Estados. Esses grupos não querem a paz, não lutam por um Estado palestino convivendo ao lado de Israel: querem, isso sim, a destruição completa de Israel, o genocídio de toda a sua população. E para isso estão dispostos a literalmente tudo, inclusive a usar a população civil palestina como escudos humanos e a massacrar seus oponentes do Fatah - contando, para isso, com a conivência de grande parte da imprensa mundial, que insiste em ver em Israel, e não no Hamas e no Hezbollah, o lado agressor.
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Agora que o “Mr. Assentamento”(Bibi) vai tomar posse, tem tudo pra ser uma festa de bomba.
Outra mentira, que se baseia na tentativa de culpar o governo de Israel, seja quem lá estiver, pelo terrorismo. Se novas ondas de homens-bombas ocorrerem, isso não será devido a nada que o novo governo israelense fizer ou deixar de fazer, mas será única e somente culpa dos próprios terroristas, que juraram varrer Israel do mapa.
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Assim como, em 2000, a intransigência de Yasser Arafat ajudou involuntariamente a eleger o "linha-dura" Ariel Sharon, em 2009 o terrorismo do Hamas ajudou a eleger Netanyahu. Mas isso, no final, tem pouca importância. Pois, AINDA QUE O NOVO GOVERNO ISRAELENSE INTENSIFIQUE OS ASSENTAMENTOS, AINDA QUE RESOLVA REOCUPAR TODOS OS TERRITÓRIOS DEVOLVIDOS POR ISRAEL AOS PALESTINOS NOS ÚLTIMOS ANOS, NÃO SERÁ ESSA A CAUSA DE NENHUM ATENTADO DO HAMAS OU DO HEZBOLLAH. SEJA QUAL FOR O OCUPANTE DO GOVERNO ISRAELENSE, OS INIMIGOS DE ISRAEL NÃO VÃO DESISTIR DE SEU INTENTO DE DESTRUIR ISRAEL E TRANSFORMAR O PAÍS NUM OCEANO DE SANGUE E CADÁVERES. Sabem por quê? Por um motivo muito simples, simplícissimo, que o leitor-admirador do terrorismo não menciona em seu comentário: ao contrário do Fatah, o Hamas e o Hezbollah não aceitam a existência do Estado de Israel, não aceitam a solução de dois Estados - inclusive o Estado palestino - e querem nada mais, nada menos, do que DESTRUIR Israel. Repito aqui a pergunta que formulei em outro post, e que até agora permanece sem resposta: ALGUÉM ACREDITA QUE, SE ISRAEL DEVOLVER TODO O TERRITÓRIO OCUPADO AO LONGO DOS ANOS, OU MESMO QUE AS FRONTEIRAS NA REGIÃO VOLTEM A SER COMO ERAM ANTES DE 1947, O TERRORISMO ISLAMITA VAI DEIXAR DE EXISTIR?
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Custa o judeu respeitar o território que não é seu? Precisa agir de modo provocativo, incentivando o ódio contra sí?
Vou deixar de lado a lengalenga sobre "respeitar o território" - creio que basta ler o que está aí em cima para perceber quem respeita o território alheio, e quem não reconhece sequer o direito do outro existir. Vou me concentrar aqui somente no que o leitor diz sobre "o judeu" (como se Israel não fosse, na verdade, um Estado democrático e plurirreligioso) agir "de modo provocativo, incentivando o ódio contra si". Esse tipo de afirmação, ao inverter a realidade, busca omitir o seguinte fato: para o Hamas, para o Hezbollah, a maior provocação que um judeu pode fazer é simplesmente existir. Aliás, um certo ditador alemão pensava do mesmo jeito, algumas décadas atrás...
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O dia em que existir uma entidade internacional com autoridade, pra impor que se cumpra a divisão da palestina não com um mas com DOIS Estados, e que se imponha o respeito às fronteiras, sem ocupações, sem assentamentos ilegais, aí sim, poderá se crimimalizar a insurgência(de ambos os lados), de outro modo, fica difícil.
Afirmação desonesta, por dois motivos: 1) presumo que a dita entidade internacional a que o autor se refere seja a ONU, que se coloca inteiramente ao lado dos palestinos contra Israel (basta lembrar o caso da tal escola da ONU que teria sido bombardeada por forças israelenses no começo do ano, e que se revelou uma farsa); e 2) a divisão da região em DOIS ESTADOS já foi acordada, como disse antes, desde 1993. A paz não chegou à região não porque a dita entidade internacional não tenha força para impor essa solução, mas porque é conivente com quem não aceita essa solução. No final, a paz depende não de Israel, mas do reconhecimento de Israel por quem o enxerga como agressor. Logo, querer a partir daí condenar a resposta israelense ao terrorismo islamita só pode ser cretinice.
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É preciso reconhecer que a insurgência primeira, vem dos invasores judeus, com seus muros e soldados, sua imposição. A violência gerada,é consequência.
Mentira. A violência parte de quem não aceita a existência de Israel e os Acordos de Oslo. Israel se defende. Ponto.
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Os donos do mundo são fiadores desse estado de coisas, o troco pode ser tanto uma palestina insurgente, como um “onze-de-setembro”.
Prestem atenção nessas expressões: "donos do mundo", "fiadores desse estado de coisas"... Quem seriam os tais donos do mundo? Os trinta ou quarenta banqueiros judeus que mandam nos negócios mundiais? Ou a grande conspiração sionista internacional financiada, ao mesmo tempo, pelos grandes tubarões capitalistas e pelos... bolcheviques? Se você lembrou dos Protocolos dos Sábios de Sião e da propaganda nazista do Dr. Goebbels, acertou em cheio.
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E - vejam só - seriam esses mesmos "donos do mundo", esses judeus-malvados-assassinos-de-Cristo, os responsáveis por uma, como diz o leitor, "Palestina insurgente" (leia-se Hamas e Hezbollah, de que já falei) e também por um... "11 de setembro". É isso mesmo que você leu, caro leitor: segundo o sábio leitor que mandou o comentário acima, os atentados terroristas de Osama Bin Laden e da Al-Qaeda seriam também uma forma de resistência do "oprimido" contra o Ocidente opressor... Claro, não importa muito que o tal representante dos oprimidos do mundo seja um multimilionário saudita com algumas idéias exóticas sobre como as mulheres devem se vestir e ser recebido por 72 virgens no paraíso em caso de morte na luta por Alá... Mais que isso: segundo o distinto leitor simpatizante do Hamas, tais ataques seriam o resultado do que se planeja nos porões da Casa Branca, talvez com a presença de um dos tais Sábios de Sião denunciados nos famosos Protocolos... Alguém aí pensou em teorias conspiratórias?
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Finalmente um defensor do terror islamita deixou cair a máscara, colocando-se abertamente do lado dos islamofascistas, que promovem a morte e a dor como método para exterminar um povo inteiro e impor pela força uma visão religiosa obscurantista do mundo. Falta pouco, muito pouco, para que o distinto leitor comece a negar o Holocausto, achando exagerados os relatos de 6 milhões de mortos em câmaras de gás... Alguém aí pensou em antissemitismo?
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Posso mencionar pelo menos dez bons motivos para defender Israel e condenar, sem ambigüidade, o terrorismo islamita. Aí está mais um: não consigo aceitar a mentira, ainda mais quando visa a justificar a barbárie.

5 comentários:

Pobre Pampa disse...

É bem difícil entender a questão palestina, em função dos filtros que existem e que não deixam chegar as notícias corretas.

Mas não tem como justificar ações terroristas como as do hamas e do hesbolah. São terroristas e ponto final! Não lutam pela terra, mas pela eliminação do estado de Israel. Será esta, a real intenção do povo palestino? Não acredito que eles tenham esta visão do mundo, embora saiba o que a propaganda política pode fazer.

Agora, o que me deixa pasmo é que as esquerdas acreditam que ser contra a direita é ser de esquerda e que o hamass e seus malucos são esquerdistas! Bem, talvez a nossa esquerda imagine que qualquer ser com intenções totalitárias seja, de fato esquerdista...

José Ricardo Weiss disse...

Gustavo.
Tolos existem em qualquer lugar. Atoleimados, crêem que as soluções para o mundo estão em publicações da laia do "Manifesto Comunista", do "Minimanual do Guerrilheiro" e têm como ídolos Stalin, Mao, Fidel.
São os que justificam "a fria máquina de matar" do "herói" Che Guevara, que assassinava a sangue-frio inclusive os próprios companheiros, por estarem com fome, mas "sin perder la ternura jamás".
Não se importam com OS FATOS. Aliás, sempre que os fatos contradizem suas idiotias, pior para os fatos. Certamente serão distorcidos por sua inépcia.
Somente seus ídolos têm direitos. Inclusive o de escravizar, encarcerar, incinerar, assassinar toda uma população em nome de seus "ideais"!
Que se lancem as bombas sobre as cabeças daqueles que não concordam com suas palermices! O "outro mundo possível" tem que ser construído de qualquer maneira!Viva "la revolución"!
Como grandes "estudiosos" que são, tais apatetados se esquecem que levamos centenas de anos para EVOLUIR de bárbaros para a civilização que hoje conhecemos. Porém, a utopia que se jactam somente produziu caos, fome, destruição e assassínio em todas as nações onde fora implantada, pois é somente isto que suas revoluções conseguem fazer.
Hitler seguiu tais idéias; Stalin seguiu tais idéias; Mao seguiu tais idéias; Fidel e Che seguiram tais idéias; muitos brasileiros também - e, graças a estes néscios, tivemos anos de ditadura militar no país.
Não importa o que fez Israel para tentar evitar o confronto. Todas as soluções pacíficas que Israel promoveu são apenas "mentiras" que algum desassisado já se incumbiu de distorcer para que outros "utopistas" pudessem expor "suas idéias" em blogs como o seu, Gustavo.
E sempre será assim. A ótica distorcida de sua visão de mundo fala "paz", mas prepara a guerra, com bombas e pedras e um "onze-de-setembro" para exterminar quem não segue suas ideologias.

Leo disse...

Gustavo,

Concordo que estamos impregnados de uma esquerda burra, que não atenta em momento algum para a realidade que a cerca. Defende o terrorismo como uma simples revolta. Mas devemos também confessar a burrice da direita que defende a violência de estado como uma forma de sobrevivência de seu povo. Como este blog é estritamente maniqueísta, do tipo “ou você está comigo ou está contra mim”, percebemos logo que lado você escolheu.

Não considero que o mundo funcione desta maneira, que só tem a diminuir a capacidade de escolha das pessoas. O mundo é pleno movimento. E na política este movimento se dá pela revolução, seja ela de que tipo for. A formação do Estado é um grande mito que deve ser o tempo todo posto em questão. Não existe revolução sem derramamento de sangue. Foi assim na Revolução Francesa, que derrubou a sociedade de corte e afirmou os ideais burgueses no mundo, assim como na Revolução Russa, que derrubou o czarismo e trouxe uma nova forma de pensar na Rússia, posteriormente uma nova revolução na Rússia, trazendo a derrubada da URSS. O tempo todo há choque de idéias e elas entram em conflito pela revolução, somente ela permite o movimento e a mudança. Foi necessário a revolução em Cuba para que esta mudasse, assim como digo que Cuba precisa de uma nova revolução para que mude novamente e deixe de ser o que é. É uma grande besteira a defesa do Estado, que só pensa no continuísmo e no mesmo pensamento de sempre. Israel deve ser derrubado por uma revolução também! Islâmica talvez, através do Hamas, e quando este pensar em constituir um estado, deve ser derrubado por uma nova revolução. Devemos pensar na mudança sempre e não em manter um mesmo pensamento contra o movimento.

Nenhum Estado deve se manter. Devemos derrubar, construir e novamente derrubar. Sempre! Que se matem judeus e islamitas! Que derrubem o Brasil! O sangue deve jorrar!

Anônimo disse...

E se o Hamas realmente constituísse um novo Estado e viesse querer tomar a sua casinha, leo?
O que vc iria fazer?
Nova "revolução"? Pense que daí o sangue que jorrado seria o seuzinho....
Engraçado....nunca vi tantos subterfugios para tentar se defender o mal....
(...garanto que iria pedir ajuda norte-americana nestas horas.....rs)

Bruno de Souza disse...

Ainda não! Segundo Dostoievski, tudo só passa a ser permitido, quando deixamos de crer em Deus.