sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Mais algumas respostas a um leitor anti-Israel

Segue mais uma troca de ideias com o leitor que me mandou três perguntas sobre (na verdade, contra) Israel, que eu respondi no último post. Parece que ele ainda não desistiu de seu intento de equiparar Israel ao terrorismo do Hamas. Faço novamente a sua vontade e respondo as suas novas fabulações (ele em vermelho, eu em preto):
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Gustavo,
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Parece-me que a resposta 2 foi bem respondida e não cabe voltarmos nela. No entanto, a primeira e a terceira ainda não se resolveram.
Da minha parte, as questões todas já foram devidamente respondidas. Mas vamos lá.
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Quanto a primeira, você utilizou como exemplo um criminoso que faz reféns e dispara contra você. Temos como opção (segundo você disse) atirar contra o criminoso ou não. Considero que na minha opinião, um policial deveria fazer de tudo para preservar os reféns. Ou seja, inocentes não devem morrer, pois isto seria injusto. Um criminoso sempre será criminoso e matará inocentes (isto vale para um terrorista). Mas um policial não deve se valer da mesma opinião e matar inocentes com o intuito único de se defender do criminoso. A vida do inocente é tão valiosa quanto.
Praticamente repetiu o que eu disse, com outras palavras. Pois é exatamente essa posição - eliminar o terrorista, fazer o possível para poupar os inocentes - a posição de Israel. Já quanto ao Hamas, Hezbollah etc., sabemos muito bem o que eles querem: destruir Israel, provocar um novo Holocausto. Entre um e outro, portanto, não há como se falar em equivalência moral. Por que é tão difícil para algumas pessoas perceber algo tão óbvio? Aliás, por que o leitor não cita, em momento algum, o Hamas?
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Mais uma vez, vou tentar ser o mais didático possível: numa situação de tomada de reféns, com um terrorista usando-os como escudos humanos para disparar indiscriminadamente, pode-se colocar no mesmo saco o terrorista e o policial que, na tentativa de eliminá-lo e libertar os reféns, provoca acidentalmente a morte de um dos reféns? Pode-se dizer que, nesse caso, os dois lados - os terroristas e os policiais - se equivalem moralmente?
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Se dessa vez o caro leitor não compreender a analogia, acho que vou ter que inserir a tecla SAP no blog.
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Na terceira, você disse a palavra mágica: ONU. Lembremos que os palestinos não aceitaram a divisão estabelecida pela ONU, pois consideram-na injusta. E, portanto, a criação de Israel se deu com a tomada de territórios que eram considerados dos palestinos pelos próprios. Lembremos também que Israel tomou a faixa de Gaza e passou a administrá-la.
Não foram "os palestinos" que não aceitaram a divisão estabelecida pela ONU em 1947 - foram os árabes. Árabe não é o mesmo que palestino. Vou repetir o que disse antes: só se começa a falar em palestinos, Estado palestino etc., depois da derrota árabe na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Até então, a luta era entre árabes (egípcios, jordanianos, sírios etc.) e israelenses. Quem não aceitou a partilha da ONU, lembremos, foram os árabes, que atacaram em bloco Israel. A única opção deixada aos israelenses foi defender-se dessa agressão e lutar pelas próprias vidas. Tem gente que acha até hoje isso injusto, e prefere que os árabes tivessem vencido a guerra - ou seja: que Israel fosse destruído. Penso diferente desses, e acho que Israel tem o direito de existir.
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Quanto à Faixa de Gaza, Israel só a tomou em 1967, quando até então ela pertencia ao Egito. Em 2005, Ariel Sharon - sim, ele mesmo! - ordenou a retirada dos colonos e soldados israelenses da Faixa de Gaza. De forma unilateral, sem pedir nada em troca. Imperialistas cruéis, esses israelenses, como se vê...
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Quanto à ONU, eu teria mais alguma coisa para falar, mas vou deixar para outra oportunidade. Já falei de como essa organização é hoje bem diferente do que era quando foi criada. Basta lembrar da tal escola da ONU, que teria sido bombardeada por Israel na Faixa de Gaza, e de como os próprios funcionários da ONU admitiram que o bombardeio foi do lado de fora da escola - quase um mês depois...
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Por último, novas perguntas: Por que você sempre é contra o Islã? Por que é ruim fazer acordos, mas bom fazer a guerra? Por que é errado Obama negociar com Ahmadinejad ao invés de atirar misseis no Irã?
O quê??? Eu li certo??? O caro leitor está dizendo que este escrevinhador é "sempre contra o Islã"? E que considero fazer acordos algo "sempre ruim" e a guerra, algo "sempre bom"? Peraí, deixa eu me recompor do choque...
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Meu caro, aponte onde, em que texto, em que parágrafo, em que linha eu digo que sou contra o Islã (ou o cristianismo, ou o budismo, ou o hinduísmo, ou a seita do Santo Daime...). Tenho minhas próprias opiniões sobre religião, que eu não faço questão nenhuma que alguém compartilhe comigo, mas não tenho absolutamente nada contra (nem a favor) esta ou aquela crença. Sou, isso sim, contra grupos terroristas como o Hamas e o Hezbollah, assim como sou radicalmente contra tiranias teocráticas como a do Irã. Isso me torna um inimigo do Islã?
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Outra coisa: onde foi que eu escrevi que é "sempre ruim" fazer acordos? E que é "sempre bom" fazer a guerra? Aponte onde eu disse algo parecido com isso. O que eu disse e repetirei quantas vezes for necessário é que NEM SEMPRE é bom fazer acordos - depende de com quem você negocia. É bom lembrar que foi o desejo de fazer acordos e apaziguar Hitler que abriu o caminho para a Segunda Guerra Mundial (como disse Churchill, entre a desonra e a guerra, os defensores da paz com Hitler a qualquer preço escolheram a desonra - e tiveram a guerra). Por que acho errado Obama negociar com Ahmadinejad? Pelos seguintes motivos (escolha o seu preferido):
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- Porque Ahmadinejad é um antissemita fanático que nega o Holocausto;
- Porque Ahmadinejad não reconhece o direito de Israel à existência;
- Porque Ahmadinejad já declarou inúmeras vezes que deseja varrer Israel do mapa;
- Porque Ahmadinejad financia o terrorismo do Hamas.
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É mole ou quer mais? Os acenos de Obama não estão sendo acompanhados de nenhum compromisso do Irã de que irá cessar seu programa nuclear, ou qualquer movimento semelhante. Alguém acredita realmente que será a paz que virá daí?
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A guerra NUNCA é uma boa opção. O que não significa que, às vezes, não seja a ÚNICA opção possível, além da própria destruição. Basta ver o caso da luta contra o nazi-fascismo. Há sessenta anos Israel convive com essa realidade. E há sessenta anos idiotas de todos os tipos tentam justificar, de todas as maneiras, o terrorismo contra Israel. Inclusive apelando para o pacifismo.
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Não queremos mais guerras. Somente pela diplomacia poderemos atingir a paz.
Primeiro: quem é o "nós" da frase? Sempre desconfiei de textos na primeira pessoa do plural que não especificam quem seria exatamente esse sujeito. Se o leitor está se referindo aos israelenses, a frase é correta. O mesmo não pode ser dito do Hamas, ou do Irã. Nem sempre a diplomacia é o único caminho para a paz. Se fosse assim, seria ótimo, não precisaria nem haver exércitos. Sem a força militar, a diplomacia não tem sentido, é mero exercício de retórica. A menos que se acredite piamente que o Hamas e o Irã estejam realmente interessados na paz, assim como Hitler.
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É impressionante como, para justificar o terrorismo, haja quem violente tão despudoradamente a Lógica e a História. E ainda falam em paz...

2 comentários:

José Ricardo Weiss disse...

É incrível, não é mesmo Gustavo? Esta doutrinação esquerdista que as pessoas têm recebido realmene lhes embota os pensamentos.
Uma doutrinação inquietante em que a palavra PAZ faz-se sempre presente, mas somente para maquiar a ideologia comunista.
Esta paz comunista que quer sempre "negociar", como vem fazendo Tarso e Vanucchi para jogar no lixo da História a Lei da Anistia e punir os torturadores da época do regime militar brasileiro; a paz comunista que tornou heróis os terroristas da mesma época que - mentindo sempre -, dizem hoje, estavam lutando contra a ditadura - e não a favor da implantação de uma ditadura ainda pior e mais violenta, nos moldes da extinta URSS, da China e de Cuba!
A História é mascarada! E o pouquíssimo que estas pessoas aprendem (quando conseguem) é falacioso, distorcido. E não têm a menor vontade de procurar a Verdade. Simplesmente põe os quatro membros no solo e seguem a manada! E dá-lhe "alfafa vermelha" para satisfazer a fome de conhecimento.

Felipe disse...

Gustavo,

Creio ter no momento todas as perguntas respondidas. E aceito-as plenamente.

Mas é difícil acreditar que assim como o Hamas não quer a paz, Israel a quer. Simplesmente porque quando atacamos (seja a forma que for) estaremos promovendo a violência. O ditado velho, não é mentiroso: "Violência gera violência", e enquanto um dos lados não for capaz de fazer a paz não poderemos tê-la efetivamente.

Por fim, mais uma pergunta: Deve todo o povo inocente do Irã responder pelos erros de Ahmadinejad? Deve os EUA bombardear o Irã, unicamente para punir Ahmadinejad???