terça-feira, outubro 25, 2011

EXPLICANDO O BLOG A UM LEITOR



Um leitor, que assina como "brasileiro", escreveu o seguinte comentário sobre meu último texto, em que falo da morte ignominiosa de Muamar Kadafi:

Pela primeira vez, acho, sou obrigado a concordar com o que você escreveu. Kadafi deveria ter sido levado a julgamente e recebido sua pena, mesmo que esta fosse a morte. Devemos respeitar as leis e não a barbárie.Tudo indica que a Líbia muito em breve terá um novo tirano!

Ok, brasileiro: mesmo não escrevendo para que concordem comigo, gosto quando o fazem, não vou mentir. Mas fiquei encafifado com uma coisa.

Por que esta seria "a primeira vez" que o leitor concorda com algo que escrevi? Pelo visto ele nao leu muitos textos meus. Falei da execução extrajudicial de Kadafi – seu assassinato puro e simples – e que esta foi um mau sinal e uma afronta à Justiça. Em que isso difere da minha opinião em todos os outros posts?

Desconfio que o leitor acima não entendeu ainda o que é o blog. Isso porque em todos – repito: todos – os meus textos procuro me guiar pela defesa da Lei e da Civilizacão contra o arbítrio e a barbárie. A julgar pelo seu comentário, pareceria que o post sobre Kadafi seria uma exceção, e não a regra.

Pergunto: onde, em que texto, eu digo algo que destoa do que eu disse em meu último post?

Não condenei o assassinato de Kadafi somente porque se tratou de um ato ilegal, ou por uma questão de humanitarismo (os comunas diriam "sentimentalismo burguês"), mas também por uma questão de lógica, de coerência. Vou dar alguns exemplos: em que minha opinião sobre a morte de Kadafi difere da minha opinião sobre a tentativa de golpe bolivariano em Honduras? Ou os desmandos totalitários de Hugo Chávez? Ou a ditadura castrocomunista em Cuba? Ou a roubalheira dos petralhas? Ou as tentativas deles de calar a liberdade de imprensa e de pensamento? Ou de impor uma ditadura gayzista e de oficializar o racismo sob o pretexto de defender minorias? Gostaria de saber.

Das duas uma: ou o leitor não leu nada do que escrevi antes ou acha que a Lei vale apenas para Kadafi. Nesse caso, deveria explicar por que esta não se aplicaria nos demais exemplos que citei.

Alguém aponte, por favor, onde eu me afastei, um milímetro que seja, da defesa da Lei e da Democracia. Podem procurar. Se acharem alguma frase minha destoante do que escrevi sobre Kadafi, prometo que fecho o blog e me filio ao PT.

sexta-feira, outubro 21, 2011

UM TIRANO A MENOS. E UM MOTIVO PARA SE PREOCUPAR

Muamar Kadafi foi pro saco. Morreu de maneira coerente com seu reinado de terror, que durou 42 anos: de forma ignominiosa, abatido a tiros, feito um animal, depois de ter sido descoberto dentro de um buraco em Sirte, sua cidade natal. Não lamento por ele, nem lhe tenho nenhuma piedade. É um ditador a menos para envergonhar a humanidade. Que a terra lhe seja pesada.

Apesar disso - aliás, justamente por isso -, ao ver o vídeo em que ele aparece ensanguentado, sendo espancado por um bando de rebeldes armados, implorando para não ser morto, fui tomado de dois sentimentos conflitantes: primeiro, de júbilo, pela rara oportunidade de ver um tirano sanguinário capturado; depois, de frustração, pois perdeu-se uma excelente oportunidade de se fazer Justiça.

Kadafi já estava dominado, sem chances de escapar. Deveria, portanto, ter sido conduzido sob custódia. Deveria ter tido sua integridade física preservada para ser levado a julgamento e responder por seus crimes. Deveria ter sido julgado e condenado a uma pena compatível com seus delitos – e isso inclui a morte, como no caso de seu colega Saddam Hussein no Iraque. Em vez disso, ele foi seviciado e linchado por uma turba sedenta de sangue e de vingança.

Não estou dizendo que Kadafi merecia um destino melhor do que aquele a que condenou milhares de pessoas, dentro e fora da Líbia. Ao contrário de muitos “humanistas” da esquerda pró-castrista, não tenho nenhuma lágrima a derramar por ditadores, seja de que lado estiverem. (Aliás, o que teria a dizer o auto-proclamado consultor-geral do mundo, Luiz Inácio Apedeuta da Silva, sobre a morte de seu “amigo e irmão”?) Mas sei diferenciar Justiça de vingança. A primeira faz parte da civilização; a segunda, da barbárie. Ao executarem Kadafi, capturado e indefeso, os rebeldes líbios se asssemelharam a ele. Pior: podem ter ajudado a criar um mártir.

"Ah mas logo você, que aplaudiu a morte de Bin Laden, vem falar em direitos humanos no caso de Kadafi?", poderia perguntar um idiota da objetividade, achando que me pegou em contradição. Tive de responder a algumas viúvas do terrorista saudita que acharam um absurdo um comando norte-americano tê-lo despachado para os quintos dos infernos sem antes ter-lhe lido os direitos. Repito: a morte de Bin Ladin foi uma necessidade militar, ditada pelas circunstâncias de uma guerra que ele mesmo começou. Kadafi, ao contrário, já estava capturado, não havia por que matá-lo sem julgamento. Do mesmo modo que Saddam Hussein, ele já não representava nenhum perigo quando foi apanhado. Bin Ladin, pode-se dizer, morreu em combate; Kadafi, por sua vez, era um prisioneiro. Seus captores deveriam tê-lo tratado como tal. É isso o que distingue quem leva a sério direitos humanos de quem os despreza.

À frustração por não ver Kadafi sentado no banco dos réus, onde certamente ajudaria a revelar importantes segredos politicos de nosso tempo – e quantos governantes, principalmente na Europa, devem estar aliviados por causa disso! – juntou-se a preocupação pelo futuro da Líbia. Desde que se iniciou a chamada "primavera árabe", no começo do ano, venho buscando alertar, junto com mais dois ou três blogueiros teimosos, que uma coisa é derrubar ditadores como Mubarak e, agora, Kadafi; outra coisa, muito mais difícil, é substuí-los por governos democráticos. No Egito e na Tunísia, os fundamentalistas islamitas estão ganhando espaço a cada dia – na semana passada, a polícia matou 25 cristãos coptas no Cairo, e não se ouviu quase nada a respeito na imprensa ocidental. Na Líbia, igualmente, há ex-membros da Al Qaeda no tal conselho nacional de transição, e quase ninguém parece estar muito preocupado com isso.


A primeira condição para a existência da democracia – o império da lei – acabou de ser jogada no lixo na Líbia. E justamente quando era mais necessária, para distinguir os novos donos do poder da tirania. Kadafi foi assassinado. É uma pena. O que virá depois, só Alá é quem sabe.

sábado, outubro 15, 2011

O HUMOR INVOLUNTÁRIO DOS ESQUERDIOTAS

Kadafi e Castro: um já era, outro ainda tem devotos


Sou forçado a reconhecer: os esquerdiotas são engraçados. No quesito humor involuntário, do tipo que chamamos de vergonha alheia, tenho de admitir: eles são insuperáveis. Quando começo a questionar se eles são mesmo as bestas quadradas que são, eis que vem um exemplar da fauna e comprova a estupidez e a burrice desse pessoal. Ou a sonsice, sei lá eu.

Manguei aqui de um post anônimo que endeusava o tiranossauro rex do Caribe, Fidel Castro ("um dos maiores heróis da humanidade", que "amou todo ser humano que passou pela sua vida", segundo a alimária que mandou o comentário). Um outro leitor (ou o mesmo, sei lá) escreveu dizendo que não entendeu a piada, dando-me assim mais um motivo para cair na gargalhada. Ainda levantei a hipótese de o dito-cujo ser apenas um gaiato que estava se fazendo de bobo. Ele (ou ela) disse que não era gaiato coisa nenhuma, e que estava falando sério quando disse que não entendeu a anedota. Pior para ele: se fosse um gaiato, pelo menos seria alguém com um mínimo de inteligência, e eu não precisaria acionar a tecla SAP.

Sim, é isso mesmo que vocês leram: um imbecilóide, certamente acometido de delirius totalitarius, enaltece o chefão de uma das ditaduras mais antigas do mundo, eu rio disso e alguém diz que não entendeu a piada... Pior: escreveu o que está a seguir:

Bom dia GustavoSou gaiato quando tenho que ser, mas no meu comentário estava falando serio, Não sou fã de Fidel Castro, e já li algumas dezenas/centenas de historias sobre ele contada sempre pela mídia CAPITALISTA (EUA), Sei também que ele, eu e você não somos santos .Apenas acho que se o povo cubano passa fome não e porque Fidel entra na casa da população para roubar/retirar/estragar seus alimentos.Acho que você já ouviu fala em sanções internacionais!

Alguém que diz não ser fã de Fidel Castro e que, ao mesmo tempo, não entendeu por que ri de um comentário que chamou o serial killer do Caribe de "um dos maiores heróis da humanidade" deve estar, no mínimo, testando os limites da lógica. Só isso já seria motivo suficiente para não responder a quem mandou o comentário acima. Sobretudo a quem escreve (em maiúsculas) "mídia capitalista (EUA)". Além do mais, confesso que ando meio sem paciência para dar aula de "Massinha-Nível I" para mentalmente prejudicados (ainda mais sobre um assunto de que já falei tanto neste blog - basta ver os arquivos). Mas vamos lá, vou tentar ser didático. Só não me peçam para pegar na mão, OK?

Que bom, caro leitor, que você acha que Fidel Castro, o assassino de quase 100 mil cubanos, não é um santo. Eu tambem não sou. Mas numa coisa eu tenho certeza que sou diferente dele: não me assenhoreei de um país inteiro, nem meti meus adversários na cadeia, ou os fuzilei. Também não impus a censura aos meios de comunicação nem transformei um país outrora próspero numa ruína material, política e moral.

Se o povo cubano passa fome - e passa, não tenham dúvida -, isso é, sim, porque existe alguém que rouba/retira/estraga seus alimentos, como aliás roubou tudo o mais (a começar pela liberdade). E isso não tem nada a ver com "sanções internacionais", mas com incompetência pura e simples. Preciso ser mais claro?

Já estava escrevendo uma resposta mais extensa quando li o seguinte comentário (novamente anônimo - uma das características dos esquerdistas é a coragem):

Acho estranho o modo como você sempre se refere ao Fidel como vilão, como se os presidentes dos países capitalistas também não tivessem seus erros.

O que eu acho estranho, meu jovem, é que haja quem acha que chamar um ditador assassino de ditador assassino é algo estranho... Ainda mais quando se usa o "argumento" dos "erros dos presidentes dos países capitalistas" etc. Gostaria de saber o seguinte:

- Que "presidente de país capitalista" TRAIU uma revolução inicialmente DEMOCRÁTICA para instalar uma DITADURA PESSOAL COMUNISTA, que já dura 52 anos, PRENDER DISSIDENTES e impor a CENSURA?

- Que "presidente de país capitalista" PROIBIU todos os partidos políticos exceto o próprio, mandou FUZILAR 17 mil opositores e foi responsável por cerca de 100 MIL MORTES (muitas, de pessoas que sucumbiram ao tentar fugir da ilha-prisão)?

- Que "presidente de país capitalista" transformou um dos países mais prósperos das Américas num chiqueiro e num prostíbulo, uma verdadeira ruína material e moral? (E tudo com muito amor, claro...)

Enfim, que "presidente de país capitalista" fez o que está acima? Bush? Obama? FHC?

Quantos países estão mergulhados em miséria e subdesenvolvimento as custas da exploração e colonização americana.

Qual? Sei apenas de um lugar nas Américas que poderia ser considerado uma "colônia" dos EUA: Porto Rico. Que tal comparar os índices de riqueza e desenvolvimento de Porto Rico com os de Cuba?

Aliás, é curioso: os Castro e sua corriola adoram se queixar do embargo (eles chamam "bloqueio") que impede as empresas americanas de lucrarem na ilha. São tão contrários ao imperialismo dos EUA que estão doidos para serem explorados novamente por ele... Engraçado, não?

Cuba poderia ter se tornado um " Haíti" e não se tornou, é um país pobre sem industrias por conta do embargo, e apesar dele ...

Cuba não se tornou um "Haiti", mas nem precisava: o regime dos Castro fez bastante para aproximar a ilha do vizinho haitiano. O Haiti sempre foi uma porcaria, desde a independência; já CUBA ERA UM DOS PAÍSES MAIS PRÓSPEROS DAS AMÉRICAS: antes de 1959, os níveis de riqueza (inclusive sociais) eram SUPERIORES AOS DA ITÁLIA. Cuba poderia ter-se tornado uma Costa Rica ou uma Coréia do Sul, e no entanto... É com esses países, não com o Haiti, que Cuba deve ser comparado.

Por falar em Haiti, gostaria de saber por que os milhares de haitianos que fogem todos os anos da miséria não escolhem o paraíso socialista de Cuba para emigrar, e sim os EUA... Afinal, Cuba está ali ao lado, enquanto para chegar à Terra do Tio Sam é preciso enfrentar uma travessia longa e perigosa. Mesmo assim, os haitianos preferem arriscar a vida para chegar à Flórida (como fazem também os cubanos). Por que será?

Quanto a Cuba ser pobre e não ter indústrias "por causa do embargo", aí vai um fato que o autor do comentário certamente ignora: durante 30 anos, o regime dos Castro recebeu o equivalente a TRÊS PLANOS MARSHALL da defunta URSS - dinheiro suficiente para transformar qualquer país numa potência econômica. E o que fez o herói da humanidade Fidel Castro com essa dinheirama? Certamente, não investiu na dinamização da economia de seu país. (A propósito: será que o leitor que mandou o comentário sabe o que foi a URSS? Será que até isso vou ter que explicar?...)

O que vai acima PROVA - é uma prova, não é assim porque eu digo - que Cuba é o que é não porque "outros" assim querem, mas devido principalmente à INCOMPETÊNCIA e à ESTUPIDEZ do regime castrista, que levou o pais à falência. Dizer que a situação de penúria em que Cuba se encontra é o resultado do embargo é o mesmo que afirmar que a ditadura dos Castro só existe porque os EUA querem... E o pior é que muita gente caiu nessa esparrela, e vive repetindo-a por aí.

a saúde e a educação cubana servem de exemplo inclusive para o Brasil.

Ainda que isso fosse verdade, em nenhum lugar está escrito que saúde e educação são o preço a pagar pela falta de liberdade e de democracia. Se fosse assim, regimes como o nazista e o stalinista estariam plenamente justificados, e deveríamos cantar loas a Hitler e a Stálin (afinal, eles eram tiranos e assassinos, "mas pelo menos davam saúde e educação para o povo"...). Sem falar que, antes de Fidel Castro tomar o poder e transformar Cuba num porta-aviões de Moscou, Cuba ostentava índices considerados bons nos dois quesitos. Outros países conseguiram construir bons sistemas de saúde e de educação sem precisar censurar a imprensa ou fuzilar e prender dissidentes políticos (sem falar que educação de qualidade com censura é um contra-senso). Enfim, por que eu deveria trocar eleições livres e cultura democrática por um SUS melhorado?

E não me venha citar Yoani Sanchez, porque se formos nos atentar aos fatos .. quem sustenta Yoani e seu marido ? já que são jornalistas independentes, trabalham para quem ?? por que esta informação nunca é divulgada.

OK, não vou falar de Yoani Sánchez, até porque há outros blogueiros cubanos até melhores do que ela. Vou dizer apenas que há quem diga que ela é sustentada pela ditadura castrista.... (!) Como se vê, tem maluco para todos os gostos. (E ainda vem um zé-mané falar em "fatos"...)

É claro que o que escrevi aí em cima não vai fazer qualquer diferença para quem me mandou os comentários. Não vai, certamente, mudar um milímetro sua devoção à castradura cubana. Isso porque os esquerdiotas de todos os matizes vivem numa espécie de universo paralelo, um mundo da fantasia onde o capitalismo é o mal, os EUA são um império satânico e Fidel Castro é um herói (ou só é ditador porque os EUA querem, coitado...). Mas dá bem uma idéia do lixo moral que tomou conta dessas mentes entorpecidas pela propaganda ideológica mais safada.

Enfim, é inútil tentar debater com esse tipo de gente, porque é inútil debater com um lobotomizado. Do mesmo modo, é perda de tempo tentar explicar-lhes uma piada: afinal, humor é para quem tem mais de dois neurônios e anda na posição ereta.

domingo, outubro 09, 2011

POR UM PAÍS MAIS BURRO, MAIS FEIO E MAIS SEM-GRAÇA: É A CENSURA LULOPETISTA EM AÇÃO

O Brasil está ficando cada vez mais um país sem-graça. E mais feio. E mais burro. Graças aos petistas.

Primeiro foram os pôneis malditos ("um símbolo de pureza infantil maculado como representação do mal"). Depois, a Gisele Bündchen de lingerie ("reforça estereótipos machistas contra a mulher"). Seguiu-se um quadro do Zorra Total ("incitação ao assédio sexual nos metrôs", gritou o sindicato dos metroviários). E, finalmente, uma piada de mau gosto sobre comer (no sentido sexual) uma cantora grávida e o bebê que está esperando ("crime de pedofilia", sentenciaram os juízes de família). E tudo isso em menos de um mês!

Um comercial de automóveis, uma propaganda de lingerie, um quadro babaca de programa humorístico e uma piada de mau gosto causam mais indignação do que a corrupção dos petralhas. Só no Brasil.

Quando digo que a ditadura do politicamente correto já se instalou por estas plagas, neguinho vem e acha que é exagero. Desde que se instalaram no poder, os lulopetistas não têm feito mais do que duas coisas: locupletar-se nas verbas e cargos oficiais e tentar, de todas as maneiras, tutelar e censurar o livre pensamento. Eles chamam isso de "controle social" e de "regulamentação da mídia". Eu chamo pelo nome que tem: censura, pura e simplesmente. Inclusive dos comerciais: a única propaganda que essa turma entende e permite é a deles próprios.

Desprovidos de humor, os guardiães da moral e dos bons costumes não gostam de piadas, exigindo que sejam sempre corretas e edificantes, incentivadoras de virtudes cívicas e dos valores da companheirada. Esquecem-se, assim, que o humor não tem outra obrigação além de ser engraçado (pode mesmo ser grosseiro ou idiota). Recalquados(as), vêem num comercial de calcinha e sutiã uma ofensa à dignidade das mulheres. Inimigos do humor, da beleza e da inteligência, querem impor travas à liberdade de criação, subordinando-a aos ditames do partido ou do sindicato. Não por acaso, um desses bobocas já quis proibir, por "racismo", até Monteiro Lobato...

O curioso é que esses mesmos defensores do feminismo e inimigos de piadas supostamente pedófilas não vêem nada de errado em distribuir, com dinheiro público, gel lubrificante numa parada gay, ou em um ministro da Educação propor a distribuição de kits-gays para crianças de 11 anos de idade nas escolas públicas. São esses mesmos aiatolás e arautos da virtude que querem impor uma lei que pune com prisão o padre católico ou pastor evangélico que tiver a ousadia de citar o que diz a Bíblia sobre o homossexualismo - e que, não se enganem, também punirá o engraçadinho que fizer piada com os companheiros boiolas.

Até onde os novos censores, encastelados no governo dos companheiros, vão levar sua sanha moralista? Quem sabe resolvam reescrever os contos de fada. Assim, o caçador abandonaria a profissão e, junto com o lobo-mau, se converteria à causa ecológica; por sua vez, o lobo mau desistiria de sua intenção de comer a vovozinha (certamente, um elogio da tara por gente idosa) e a chapeuzinho vermelho (olha a pedofilia aí, gente). Também os comerciais e programas humorísticos seriam submetidos, antes, a uma estrita avaliação por um seleto comitê de sociólogos e antropólogos da USP e da UnB, que "a nível de" se empenhariam em verificar se os squetchs possuem ou não uma mensagem conforme os mais elevados princípios e valores do lulopetismo. Só falta aquela plaquinha com o selo da censura oficial antes dos filmes e programas na TV.

O Brasil já teve um Jânio Quadros, que, acometido de furor moralista, quis proibir até desfile de biquíni em concurso de miss (as feministas que não cuidam dos cabelos e não raspam o sovaco, como a "ministra" Iriny Lopes, certamente aplaudiriam). Hoje, tem a patrulha esquerdista que não gosta de humor e de comercial da Hope. E ainda tem quem os apóie. Não há limites para a ridicularia dessa gente.

E só para não perder a piada: você trocaria uma Gisele Bündchen por uma Iriny Lopes?

sexta-feira, outubro 07, 2011

PIADA PRONTA

Ah, assim eu não aguento!

Um leitor-piadista resolveu matar este blogueiro de rir. Eis seu comentário a meu ultimo post:

Realmente eu não entendi o motivo/logica que o SR.Gustavo transformou esse texto em um piada.

Das duas uma: ou o sujeito é um gaiato ou não entendeu mesmo a piada. Neste ultimo caso, nem com tecla SAP adianta. Só posso continuar de onde parei:

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA… (parando para retomar o fôlego)HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA….

PS.: Na boa? Eu não ria tanto assim desde isso aqui: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2009/01/ideologia-gag-de-niemeyer.html. Agora só falta o Oscar Niemeyer dizer que o serial killer do Caribe ficava “a cantar e a dançar” enquanto fuzilava dissidentes e reduzia um país inteiro à indigência. Êta povinho besta, meu deus do céu!

quinta-feira, outubro 06, 2011

SEM COMENTÁRIOS




Que tal rir um pouquinho pra desopilar o fígado?

Um leitor anônimo me mandou uma piada ótima. Vejam e caiam na gargalhada (sublinhei os trechos mais engraçados):

Fidel Castro Por incrível que pareça, há “pouco” tempo atrás fez um lado de todo um continente tremer, enquanto o outro lado o via como um exemplo a seguir, fez o mundo parar inúmeras vezes pra ouvir seus discursos, seja por medo ou admiração, salvou milhares de pessoas da fome, da prostituição e da ignorância, colocou sua vida em favor de seu país e seu povo. Fidel amou cada ser humano que passou por sua vida, indiretamente ou diretamente, não resolveu todos os problemas da ilha e muito menos do planeta, mas tudo que ele conseguiu fazer foi feito com amor, de dentro da alma. Aquele velho doente é um dos maiores Heróis da História da Humanidade. Publicar Excluir

Depois dessa, só assim mesmo:

Hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha...

Peraí, mais um pouco:

Hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha....

Sem mais, meritíssimo.

quarta-feira, outubro 05, 2011

A ESTUPIDEZ DO ANTIAMERICANISMO

Leiam o que um anônimo me escreveu:

"O que tem a ver Hiroshima e Nagasaki com os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001? Nada, claro."O que ?? como assim nada?? , vejo que sua obstinação em defender a America chega a escurecer o seu entendimento, sua mente tão brilhante se torna obscura e cega até mesmo seu tão alardeado entendimento.Osama Bin Laden é fruto direto da guerra fria.Quando a Russia invadiu um até então pais pequeno e desconhecido, que rota de hippies. Para socorrer esse país os bondosos americanos injetaram tecnologia, armas e dinheiro na família que dominava a região ...a família " Bin Laden" e o resto é historia, inclusive da amizade historia com a família Bush, algo que curiosamente você nunca publicou em seu blog.

O comentário acima foi publicado sobre meu último post, O BODE EXPIATÓRIO DO MUNDO, em que trato da religião que mais avança no mundo: o antiamericanismo bocó e rombudo, que chega ao ponto de "se indignar" diante da simples lembrança (!) dos ataques de 11 de setembro ("os EUA são sempre o lado mau e perverso, jamais são vítimas" etc.). Como qualquer pessoa com um mínimo de inteligência pode perceber (sem falar em senso de humanidade), trata-se de uma idiotice sem tamanho, despejada aqui por alguém que já se deixou intoxicar totalmente pela propaganda ideológica mais cretina. Mesmo assim, vou responder a mais essa patacoada.

Começo perguntando, mais uma vez: o que tem a ver Hiroshima e Nagasaki com os atentados de 11 de setembro? Bin Ladin virou terrorista por causa do que aconteceu com o Japão em 1945? Então os terroristas da Al-Qaeda fizeram o que fizeram para, sei lá, "vingar" os japoneses? Foi isso?

Dizer que Bin Ladin foi um “fruto direto da Guerra Fria” é o mesmo que afirmar que somos frutos diretos dos dinossauros, porque afinal viemos depois deles... Não se deve confundir anterioridade com causalidade. Quando Bin Ladin foi ao Afeganistão lutar contra os soviéticos, ele o fez para combater os "infiéis", em nome da "jihad", a "guerra santa" islâmica. Já era, portanto, um fanático islamita. O que isso tem a ver com o que os EUA fizeram, antes ou depois?

Outra coisa: os EUA injetaram dinheiro e armas para os grupos mujahidin que combatiam o exército sovietico no Afeganistão, mas de onde o leitor tirou que "a família que dominava a região" era os bin ladins? Bin Ladin era um renegado dentro da própria família: esta não teve nada a ver com o que ele fez. Daí porque o fato de que os Bush tinham amizade com os Bin Ladin não quer dizer absolutamente nada (a não ser, claro, que você seja uma mente delirante e conspiracionista, do tipo Michael Moore). Sem falar que, entre os grupos apoiados por Washington no Afeganistão, estiveram vários que não se tornaram terroristas. Portanto, afirmar que Bin Ladin seria uma “criação dos EUA” é uma falácia, para dizer o mínimo.

Mas digamos que sim, Bin Ladin tenha feito o que fez porque queria vingar Hiroshima, era um fruto direto da Guerra Fria e Bush era amigo da familia: em que – repito: em que – isso justificaria a morte de 3 mil pessoas? O que os mortos em 11 de setembro de 2001 tinham a ver com isso?

Como já disse, o que incomoda os antiamericanos, velados ou não, é que os EUA foram vítimas de um ataque terrorista, e isso nao podem negar. Obstinados em negar o óbvio, tentam achar justificativas para o que aconteceu dez anos atrás. Em um verdadeiro monumento à estupidez humana, desembocam sempre no mesmo raciocínio delinquente: os ataques teriam sido não um crime monstruoso contra a humanidade cometido por um bando de dementes, mas uma "resposta dos oprimidos" à "política internacional dos EUA" etc. E isso independentemente do que tenham feito ou deixado de fazer. Enfim, ODEIAM OS EUA NÃO PELO QUE FIZERAM, MAS PELO QUE SÃO: a terra da democracia e da liberdade, não importa o que digam.

Agora tenho um motivo a mais para não dar trela a esse discurso idiota: tenho sempre que ensinar o bê-à-bá a quem é incapaz de raciocinar em posição ereta. E isso, tenho de admitir, é um teste de paciência.

sábado, outubro 01, 2011

O BODE EXPIATÓRIO DO MUNDO

Um devoto anônimo da seita antiamericana - a religião que mais cresce no mundo, mais até do que o Islã ou os cultos evangélicos - me mandou um longo comentário em que se queixa, chorosamente, da "excessiva atenção" dada nos últimos dias aos dez anos da tragédia do 11 de setembro de 2001 nos EUA. Lembrando os bombardeios atômicos a Hiroshima e Nagasaki na II Guerra Mundial, ele (ou ela) diz lamentar o fato de nenhum militar norte-americano (ou de qualquer país aliado, enfim), ao contrário do que ocorreu com os alemães e japoneses, ter sido condenado pelas atrocidades cometidas contra a população civil (na Alemanha e no Japão, por exemplo). Afirma, ainda, ver "com indignação" as reportagens e documentários sobre os ataques terroristas, pois, segundo diz, "há muito não escuto falar nada sobre as atrocidades que os americanos cometeram contra o mundo" (sic). No final, solta a seguinte pérola:

Aliás, os eventos do 11 de setembro foram frutos dos presentes que a atrapalhada política internacional americana deu ao mundo: Bin Laden, Talibãs, Saddam Hussein, todos são frutos da burrice imperialista americana no Oriente Médio. E mesmo tendo armado todos esses e muitos outros terroristas e tiranos ao redor do mundo, ainda olhamos para os coitadinhos americanos com pena e dor. É lógico! Afinal, não foram os americanos mortos nos atentados que produziram os terroristas; foram os militares megalomaníacos e políticos gananciosos que o fizeram; os ataques não mataram nenhum deles; mataram apenas civis, inocentes e desprotegidos, da mesma forma que em Hiroshima e Nagasaki. Mas lá, como não foram americanos que morreram, ninguém lembra, ninguém fala.

Confesso que tenho pouca paciência para a discurseira antiamericana. Além de ser um trololó bucéfalo, muitos que o repetem nem se dão conta de que são antiamericanos, e que estão apenas justificando o que de pior existe na humanidade. Apenas repetem, mecanicamente, uma lengalenga ideológica condicionada pelo ódio, que muitos não admitem que sentem, contra os EUA - na verdade, contra a própria humanidade.

É exatamente esse o caso do autor do comentário acima. Aparentemente alguém indignado contra as injustiças da História (e o mundo é um lugar injusto, como todos sabem), acaba reproduzindo, na verdade, um dos discursos mais canalhas e criminosos de todos os tempos. Quase certamente sem o saber, acaba confessando-se cúmplice do terrorismo islamita, apelando para agravos passados.

O irritante desse discurso é que ele seria somente idiota, se não tivesse seguidores. Enquanto o Sol brilhar sobre a Terra, haverá gente, ingênua ou mal-intencionada, a lembrar as bombas sobre o Japão para destilar o ressentimento (muitas vezes, misturado a sentimentos inconfessáveis de inveja e admiração) contra os EUA e tudo que ele representa - a democracia, principalmente.

Sim, é verdade que os EUA cometeram ações que atingiram civis durante a II Guerra, como os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki. Assim como TODAS as grandes potências que participaram do conflito, de ambos os lados, diga-se. Vistas à distância, quase 70 anos depois, tudo parece um gigantesco assassinato em massa (e, em muitos casos, foi isso mesmo). Mas pode-se abstrair daí o sentido da guerra? Os EUA mataram civis, assim como os alemães e os soviéticos também o fizeram (e em escala bem maior). Mas podem dizer que, ao contrário de seus inimigos, agiram em defesa de uma causa justa, e também (no caso das bombas sobre o Japão) para abreviar a guerra. Pergunte a um japonês o que ele acha do papel dos EUA na II Guerra e ele, quase certamente, agradecerá pelo fato de hoje o Japão ser um país pacífico e democrático, ao mesmo tempo em que se encolherá de vergonha pelo que seus avós fizeram nos países invadidos pelas forças nipônicas (nem por isso, porém, vou sair por aí insinuando que os japoneses "tiveram o que mereceram"). Do mesmo modo, os alemães terão que purgar, por gerações, o horror dos crimes nazistas (e não apenas contra os judeus). Sem falar nos cidadãos dos países libertados do jugo nazista pelas tropas de Patton e Eisenhower. Será que acreditam que os EUA deveriam se desculpar pelo que fizeram?

Aliás, acho mesmo que faltou alguém em Nuremberg: os soviéticos, que assinaram um pacto com os nazistas em 1939 e foram, assim, co-responsáveis pela eclosão da II Guerra. Sem falar nos milhões de mortos pela URSS de Stálin - antes, durante e depois do confronto. Para citar apenas um exemplo, ocorrido no começo da guerra: 25 mil soldados poloneses capturados foram exterminados pela polícia soviética na floresta de Katyn, em 1940. Somente alguns anos atrás, foi revelado que esse assassinato em massa foi cometido pelos russos (durante décadas, a propaganda comunista culpou os nazistas pelo massacre). E como esse há centenas, milhares de casos. Mas onde está a indignação contra esses crimes?

Falando nisso, também vejo com indignação a maioria das reportagens sobre o 11 de setembro veiculadas nestes dias, mas por um motivo bem diferente: a maioria delas, como já escrevi aqui, só faltam culpar os próprios EUA pelo ocorrido. Exatamente como faz o comentarista anônimo - aliás, ele (ou ela), vai além, e diz claramente que os EUA (e, portanto, todos os que morreram) tiveram o que mereceram.

O que tem a ver Hiroshima e Nagasaki com os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001? Nada, claro. A não ser que você seja um papagaio repetidor de slogans e platitudes antiamericanas, para quem qualquer ato de terror cometido contra os EUA, por pior que seja, é justificado. Outro dia, respondendo a uma amiga minha que, provavelmente sem o saber, endossou o discurso anti-EUA por trás da lembrança de "outros setembros", afirmei que tal discurso, ao contrapor fatos como o golpe no Chile em 1973 à tragédia de dez anos atrás em Nova York e Washington, visava tão-somente a miniminizar e, em última instância, a anular a lembrança dos ataques terroristas. O mesmo digo agora dessa tentativa tosca de contrapor - é esse o verbo - Hiroshima e Nagasaki ao 11 de setembro (aliás, o autor do comentário não tem do que se queixar: as bombas atômicas sobre o Japão, ao contrário do que ele afirma, são um dos fatos mais lembrados e repisados da História).

Do mesmo modo, somente sendo muito cretino e tendo o cérebro totalmente lavado pela vulgata esquerdóide à la Noam Chomsky para enxergar no 11 de setembro o resultado dos "presentes que a atrapalhada política americana deu ao mundo". Bin Laden, o Talibã e Saddam Hussein não são "frutos da burrice imperialista no Oriente Médio", mas do fanatismo islamita e do totalitarismo, que não precisam de ninguém para se justificarem. A menos que se considere as figuras citadas acima como robôs teleguiados, sem vontade própria, ninguém é terrorista ou ditador devido à vontade alheia. Não foram os EUA, até onde sei, que criaram Kadafi, Ahmadinejad ou Bashar al-Assad. Também não foi o Pentágono ou a CIA que engendraram o Hamas e o Hezbollah. O envolvimento direto dos EUA nos assuntos do Oriente Médio começa em 1958, quando Eisenhower enviou soldados ao Líbano. A Irmandade Muçulmana, organização-mãe do Hamas, surgiu em 1928 - trinta anos antes. Portanto, mesmo cronologicamente, tentar atribuir a culpa pelo fanatismo islamita aos EUA é coisa de quem vê chifre em cabeça de burro.

(Aliás, se há alguém a se culpar pela formação de Bin Laden, não são os EUA, mas a finada URSS, pois foi a hoje quase esquecida invasão do Afeganistão pelo exército soviético em 1979 que levou o milionário saudita a deixar sua terra natal e a aderir à jihad contra os "infiéis". Mas, como não houve americanos na parada, disso ninguém lembra, ninguém fala.)

Ainda que os ataques terroristas de 11/09 fossem uma "resposta" à política norte-americana no Oriente Médio - notem bem: ainda que -, seria necessário um grau de canalhice muito grande para afirmar que os EUA "colheram o que plantaram" (pois é isso que se está dizendo). Seria o mesmo que dizer que as cerca de 3 mil pessoas que morreram tostadas e esmagadas nas Torres Gêmeas e nos aviões MERECIAM morrer, pois teriam sido um alvo "legítimo". Ora, por que não dizer que os mortos em Hiroshima também "mereceram morrer"?

É claro que dizer isso seria uma estupidez enorme, até mesmo para um antiamericano. Por isso esse discurso vigarista precisa vir coberto de um verniz "humanista", lembrando tragédias passadas - como se estas justificassem o terror. Em qualquer caso, trata-se de algo típico de delinquentes morais, em busca de um bode expiatório - e que melhor bode expiatório pode existir do que os EUA, que muitos odeiam e todos invejam?

Já disse e repito: o que incomoda gente como o anônimo que me mandou o comentário (e que está "indignado" por causa disso...) é que ele não pode negar que, em 11 de setembro de 2001, os EUA foram VÍTIMAS, e não autores, de um ataque hediondo - simplesmente o maior ataque terrorista da História. Isso essa gente não pode conceber, ou entender, porque quebra radicalmente o esquema mental em que estão presos. Estão tão acostumados a ver o mundo de forma maniqueísta, em termos de "bem" e "mal" (sendo o "mal" o satã imperialista norte-americano, e o "bem", por conseguinte, todos os que se oponham a ele), que as noções de bem e de mal, de justo e injusto, já se misturaram em suas cabeças deformadas, invertendo-se completamente. Simplesmente não conseguem sair desse atoleiro mental porque não conseguem enxergar além do ódio que sentem pela pátria de Jefferson e Lincoln. Não percebem, ou não querem perceber, que os bin ladins não odeiam os EUA e o Ocidente pelo que estes fizeram, mas pelo que são. Talvez por partilharem desse mesmo ódio. Os devotos da seita antiamericana podem até tentar disfarçar, mas sempre deixam esse ódio vir à tona. Enquanto eu estiver aqui, faço questão de retirar-lhes a máscara.

quinta-feira, setembro 29, 2011

E ELE É DOUTOR!

O "dotô onóriscauza" em um momento de profunda reflexão intelectual


Saiu na midia:


Lula recebe título "honoris causa" em Paris


Qual o melhor comentário para a notícia acima?


a) Dizem que é o primeiro latino-americano a receber esse título. E o primeiro que não sabe soletrá-lo.


b)"O que faz um doutor honoris causa? Eu não sei, mas quando eu for escolhido, eu te conto" (Tiririca)


c) Que bom! Agora só falta dar o prêmio mundial de honestidade ao Zé Dirceu, ao companheiro Delúbio e ao Valdemar Costa Neto.


d) E olha que ele nem precisou escrever um livro. Nem ler.


e) Lula doutor em Paris? E depois você ainda pergunta por que a Europa está em crise...


f) "Gringos trouxas" (o homenageado).

quarta-feira, setembro 28, 2011

O PONTO ONDE ESTAMOS



Uma imagem que vale mais do que mil palavras.

Sem mais, meritíssimo.

DA IMPOSSIBILIDADE DE DEBATER COM ESQUERDISTAS

"Quando alguém está honestamente certo 55% do tempo, isso é muito bom e não faz sentido discordar. Se alguém está 60% certo, isso é maravilhoso, sinal de boa sorte...mas o que deve ser inferido sobre estar 75% certo? Os sábios diriam que é algo suspeito. Bem, que tal 100% certo? Quem quer que diga estar 100% certo é um fanático, um criminoso e o pior tipo de crápula." Velho provérbio judeu da Galícia, citado por Czeslaw Milosz, Mente Cativa.



Durante anos, alimentei a esperança de que era possível debater racionalmente com gente da esquerda. Acreditava, então, que era factível sentar para conversar e trocar idéias com quem segue os ensinamentos de Marx e Lênin, como pessoas civilizadas. Vã ilusão. Depois de várias tentativas, percebi finalmente que aquela era uma busca ingênua, que eu estava à procura do inalcançável.


Já me resignei diante do fato de que jamais verei um Noam Chomsky debatendo, por exemplo, com um Roger Scruton, ou um Emir Sader fazendo o mesmo com um Olavo de Carvalho. Sempre que eu tentava chamar algum esquerdista para o debate, para o confronto de idéias, encontrava apenas evasivas ou era coberto de insultos. Quando eu abordava algum deles e questionava sobre a contradição entre se dizer a favor da democracia e gritar vivas, ao mesmo tempo, à ditadura comunista de Cuba, eu era brindado, em vez de respostas, com frases como “não vou discutir com um burguês como você”. O mesmo neste blog: vez ou outra, alguém me cobre de ofensas, inclusive pessoais, mas nunca – nunca, jamais – alguém da sinistra me escreveu para debater qualquer assunto.


É impossível debater com a esquerda, porque ela não quer. Um debate é um momento em que duas ou mais pessoas racionais, num exercício de humildade intelectual, colocam suas teses e crenças à prova, testando-as sob o escrutínio de argumentos contrários e buscando encontrar a verdade. Para tanto, é necessário um mínimo de honestidade e de boa-fé. Não é o que ocorre com os militantes da esquerda. Não se pode debater com eles, pois não há debate possível com quem está plenamente convencido que encontrou a verdade. Afinal, se eu sou o futuro, o outro lado só pode ser o passado; se eu represento o bom, o belo e o justo, meus adversarios só podem representar o mau, o feio e o injusto. Então, para quê debater?


Não há debate quando um dos lados está convicto de que sua crença é a verdade revelada. Nessas condições, o debate vira monólogo, oportunidade de gritar slogans e mero exercício de propaganda ideológica. Nada de revisar o dogma e de contrapor-lhe novos fatos e evidências, mas de reafirmá-lo, de repisá-lo, pois não há nada de novo que possa ser acrescentado; trata-se apenas de repetir o que já está escrito, como faziam os monges da Idade Média. O lado adversário, por sua vez, passa a ser visto apenas como o “inimigo”, um “reacionário”. Diante de um sujeito assim tão incômodo, os esquerdistas fingem um ar estudado de superioridade afetada ou, no caso dos mais idiotas, tascam-lhe logo um “fascista” – epíteto usado para desqualificar todos aqueles que pensam diferente deles próprios, esquecendo-se que essa tática de fugir ao debate e desqualificar o adversário é típica dos… fascistas (eu mesmo, há alguns meses, tive meu discurso tachado de "proto-fascista" por um membro da ala "moderada" do esquerdismo aguado travestido de alto pensamento filosófico).


É impossível discutir racionalmente com alguém que está imbuído de uma “missão” histórica redentora da humanidade, e que tem a necessidade psicológica, exatamente por isso, de reafirmar e reconfirmar o tempo todo essa crença messiânica (tanto para os outros quanto para si mesmo). Qualquer coisa diferente disso – o confronto com opiniões discordantes, por exemplo – não passa, na cabeça dessas pessoas, de um desvio, de uma forma de afastá-las da “luta”. Não se vai para a guerra para debater com o inimigo, mas para eliminá-lo.


A idéia de um debate franco e honesto com um esquerdista, seja radical ou “moderado”, é tão absurda quanto esperar pluralidade de idéias em um partido de esquerda. O conceito de debate, para os esquerdistas, é inseparável da propaganda, está baseado no que Lênin chamava de “centralismo democrático” – o debate é permitido, desde que seja a favor do socialismo… Ou seja: é livre a manifestação do pensamento, mas apenas se o pensamento em questão estiver de acordo com os objetivos da revolução proletária. É exatamente essa reafirmação, intra muros, do dogma que os esquerdistas chamam de “debate”. Qualquer coisa diferente disso – ou seja: qualquer coisa além da própria grei – deve ser evitada e suprimida. Daí que todos aqueles que destoam do coro geral, ou seja, todos os que não são esquerdistas, devem ser reduzidos ao mais absoluto silêncio: transformados em párias, cercados por uma cortina de ferro pelos que controlam os meios de informação (quase todos, hegemonizados pelo unanimismo esquerdista), não se deve sequer mencioná-los.


Mas, se não é possível debater com esquerdistas, o que resta fazer? Resta denunciar suas imposturas, desmascará-los como os charlatães que são, expor suas óbvias inclinações totalitárias. Acima de tudo, pode-se e deve-se retirar o véu que impede que muitos vejam o que tanto se esforçam em esconder: que suas posições são incompatíveis com a democracia. A fuga do debate é uma prova disso.


É claro que o que falei acima vale também para extremistas de outras ideologias. A esquerda, como se sabe, não tem o monopólio da intolerância. Mas jamais vi, pelo menos no Brasil, um professor de Filosofia ou de Sociologia abertamente de direita e que se arrogasse, ainda por cima, a exclusividade do “debate". Jamais vi alguém assim posando de único e legítimo defensor da liberdade contra a censura. Esse papel tem sido exercido, há décadas, pelos esquerdistas, levando ao esquecimento do fato de que, quando se opunham à censura (na época do regime militar, por exemplo) estavam reivindicando a liberdade de expressão e de opinião não para todos, mas somente para eles próprios. A liberdade, enfim, de negar a liberdade para todos os que os questionem. O unico debate admitido pelos esquerdistas é entre eles mesmos. Foi assim ontem, é assim hoje.

terça-feira, setembro 27, 2011

O DIREITO DEVE SER ACHADO NA LEI, NÃO NA SARJETA



Charles-Louis de Secondat, Barão de Montesquieu:

os juízes do STF fariam bem em relê-lo


Um tal Heverton, que deve ser o assessor jurídico do Luiz Mott, escreveu um comentário muito engraçado sobre meu texto O GOLPE DO STF. E UMA PERGUNTA: GAYS NÃO FAZEM SEXO?, no qual denuncio o golpe (in) constitucional desfechado pelos juízes do STF no último dia 4 de maio, quando decidiram, cedendo à pressão de um lobby midiático, abolir um artigo da Constituição e mudar, de uma canetada, a organização familiar no Brasil. Eis o que disse a reencarnação de Rui Barbosa:

Bla bla bla...primeiro, voce está desatualizado, volte para a faculdade de direito antes de emitir suas opinioes pseudo-jurídicas.

Vou ignorar o balbuceio afetado ("bla bla bla") e me concentrar nas palavras. Fiquei curioso: o que será que o Heverton quer dizer com "você está desatualizado" na questão? Será que ele está afirmando que defender a Lei – e os princípios jurídicos que devem nortear uma Constituição – é uma questão, assim, de moda? Nesse caso, então, faço questão de dizer, como fazia Nelson Rodrigues: eles são o futuro? nesse caso, eu sou a Idade Média, sou a Antiguidade!

Quanto a voltar para a faculdade, não, obrigado. Parece que as faculdades de direito no Brasil, que nunca foram lá essas coisas, estão meio que infiltradas por um tal “direito alternativo” ou “direito achado na rua”, que não combina bem com minha idéia de Direito. Se for para referendar golpes institucionais como o do STF, prefiro permanecer leigo no assunto. Prefiro ficar do lado da Lei – ou seja, da civilização – contra aqueles que querem "ajustá-la" a seus interesses casuísticos.

Hoje em dia a moderna forma de interpretação NAO USA mais apenas LER o texto da constituição, isso é positivismo extremado, e é o mesmo positivismo que possibilitou o massacre a judeus, negros, deficientes e GAYS na antiga alemanha.

Estou pasmo...

A "moderna forma de interpretação" de que fala o rapaz inclui passar por cima da separação de poderes e mandar a Lei para as cucuias? E defender princípios jurídicos e filosóficos como a separação de poderes agora é "positivismo extremado"? Então foi a defesa de princípios como esse – descumprido, agora, pelo STF – o que "possibilitou o massacre de judeus, negros, deficientes e GAYS" (assim, em maiúsculas – afinal, eles são especiais...) na Alemanha hitlerista?

Confesso que isso nunca tinha me passado antes pela cabeça. Então foi a defesa da tripartição dos poderes e do devido processo legal, e não a ideologia nazista, o que levou ao Holocausto? Caramba!...

Essa é uma interpretação realmente revolucionária do Direito e da História! Gente, esqueçam tudo que ouviram até agora sobre o nazismo, o antissemitismo, a idéia de raça ariana etc. Segundo Heverton, Hitler e os nazistas mandaram milhões para a morte porque eles, nazistas, tinham lido... Montesquieu!

Quase que eu me esqueço que, entre os nazistas, também havia um monte de bichonas (posso estar errado, mas desconfio que o leitor nunca ouviu falar nas SA; sem falar no próprio Fuhrer, com aquela cintura larga e aquele cabelinho meio emo... sei não, dá até pra desconfiar).

Para se interpretar a constituição, deve-se ater aos PRINCÍPIOS QUE A NORTEIAM, e se vc tiver curiosidade de LER fundamentação do STF, vai notar que sao esses principios que possibilitaram a extensão do direito a uniao estavel hetero para as homo.ah, volta lá pro seu clube do chá.

Ah, então é de princípios que se está falando? Vou citar apenas dois que o STF mandou às favas com a decisão inconstitucional de aprovar a tal "união homoafetiva":

- Separação de poderes: a Constituição (que ainda é, queiram ou não os adeptos do "direito achado na rua" – na verdade, na sarjeta), a principal Lei do país, estabelece claramente as funções dos três poderes do Estado. E não me consta que Montesquieu tenha dito ou escrito que cabe ao Judiciário legislar, ainda mais em matéria constitucional. Do contrário, por que não dar ao Executivo o poder para julgar ou fazer leis, tornando o STF e o Congresso irrelevantes? Parece que já vimos esse filme antes, não?

- Igualdade de todos perante a Lei: É uma das bases, se não a base principal, de qualquer sociedade democrática, que todos os cidadãos tenham os mesmos direitos e deveres, definidos pela Lei do país. E a Lei brasileira deixa claro que nenhum grupo de indivíduos merece ter privilégios por causa de raça, cor, religião ou qualquer outro motivo (orientação sexual, por exemplo). Ao rasgar a Constituição para beneficiar os gays, o STF instituiu uma nova categoria de cidadãos, cujos direitos estão acima da Lei, que deve se adaptar a eles, e não o inverso.

Como já falei, não tenho nada contra, em princípio, que gays e lésbicas possam juntar seus trapinhos e viver felizes para sempre. Não tenho nada contra, inclusive, que adotem crianças (é melhor ter dois pais, ou duas mães, do que nenhum). Só acho estranho – estranho, não, inaceitável – que, para atender a uma reinvidicação de um grupo minoritário, o principal tribunal do país resolva descumprir a Lei e instalar o baguncismo jurídico.

Ficamos assim: os gays querem casar? Que elejam então uma bancada de deputados comprometidos em levar adiante a idéia. Que façam uso do direito ao voto direto e democrático que possuem como cidadãos e consigam eleger uma bancada pró-"união homoafetiva". Aí poderão apresentar um projeto de emenda constitucional (PEC) alterando o Artigo 226 da Constituição Federal, que trata da regulamentação da família. Qualquer outro caminho que não seja este é ilegal e inconstitucional: mais que isso, é um GOLPE contra a democracia.

Quanto à pergunta que fiz no post, se os gays fazem sexo ou não, ainda continuo sem resposta.

Agora dá licença, que eu vou voltar pro meu clube de chá. Montesquieu está me esperando.

domingo, setembro 25, 2011

ONDE O ÓDIO SE ESCONDE

Noam Chomsky e Fidel Castro: todos os ditadores são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros


Mandei meu texto A ESTUPIDEZ DOS "OUTROS SETEMBROS" para uma amiga minha de longa data, que mora no exterior. Trata-se de alguém meio de esquerda, como quase todo mundo. Enfim, uma pessoa normal, com opiniões coincidentes com as da maioria sobre a maioria dos assuntos. Ela me respondeu dizendo mais ou menos o seguinte:

1 - Meu texto padeceria de duas falhas, pois partiria do pressuposto de que quem lembra "outros setembros" está querendo apagar a lembrança do 11/9. Antes disso, haveria uma política da memória que estabelece quais fatos devem ser lembrados e quais devem ser esquecidos, pois todo ato de lembrança também seria um ato de esquecimento. E todo ato de esquecimento - uso as palavras dela - requer nos tornarmos invisíveis ao sofrimento de outrem. Citando literalmente: "Não argumento a favor do esquecimento do 11/9. Argumento, sim, em favor da lembrança de outros que padeceram e cujo sofrimento e tormento não são escutados, lembrados, ou até brought to justice. Você fala em termos excludentes, como aquela poesia de Cecília Meireles, OU ISSO OU AQUILO. Esse não é o meu ponto de vista - eu sou POR ISSO E POR AQUILO".

Também citando-a literalmente:

2 - Passemos agora ao segundo ponto que gostaria de levantar sobre o seu argumento - que também acho ser excludente. Você quer qualificar e diferenciar as mortes no WTC daquelas ocorridas no Chile ou com os palestinos. Mas, peraí, o problema do holocausto é do mundo inteiro, o problema do 11 de setembro é do mundo inteiro.... o problema do Chile e o dos palestinos são só deles mesmo?

E finalizou:

Não sei você, mas eu não me julgo capaz de qualificar a morte de qualquer povo, setor, ou partisans de acordo com o tipo de tragédia. Eu, sim, incluo 'todos os setembros' como tragédias da humanidade. Eu, sim, não digo que há tragédias e 'tragédias'. Não posso falar sobre todas as outras pessoas do mundo, mas, aparentemente, você coloca todos no mesmo saco e argumenta que isso não passa de maquinação de um bando de essencialistas do debate político. Mas, veja, ao argumentar isso, você mesmo entra no mesmo tipo de fragilidade analítica e, no fim das contas, só fortalece esse debate tragédia/tragédias, ele/nós, estados unidos/resto do mundo. Eu não faço parte desse debate e, portanto, não me inclua nele.

Depois de dizer que me imaginava "mais inteligente e preparado do que isso", ela arremata: Os 'outros setembros' não são estúpidos, Gustavo. Todos os setembros são validos, todos eles contam uma narrativa de dor, sofrimento e perda de vidas.

Respondi da seguinte maneira:

Bom (segue o nome de minha amiga), gostei de saber que você, segundo suas palavras, não é da turma do OU ISSO OU AQUILO, até porque as tragédias não são excludentes. Eu também sou do ISSO E AQUILO, como no poema. Mas nem por isso vou deixar de perceber quando tentam fazer uma manipulação da realidade com claros objetivos ideológicos. Vamos aos dois pontos que você mencionou:

1) Você diz que há uma "política de memória" que estabelece que fatos devem ser lembrados e quais devem ser esquecidos. Quem estabeleceu essa política? Se você está falando do 11/9, não vejo como lembrar os mortos no atentado pode significar o esquecimento de outras tragédias e de outros sofrimentos. A menos que você seja um Noam Chomsky ou um Tariq Ali da vida, autores que aliás cito, e que acham que vale tudo para atacar os EUA. Esse pessoal, é engraçado, faz exatamente aquilo que acusa os outros de fazer, tentando apagar (e é isso mesmo que querem) a memória do 11/9. É como se os mortos nas Torres Gêmeas e nos aviões tivessem alguma culpa a expiar pelo golpe de 73 no Chile ou por Sabra e Chatila. Enfim, uma baita pliantragem.

Sem falar que os episódios do Chile e de Sabra e Chatila são dois dos mais lembrados e repisados da História. O Pinochet, inclusive, foi sim, no final da vida, "brought to justice" (ao contrário do Fidel Castro, por exemplo). Nem por isso vou sair por aí dizendo que se deve punir alguns ditadores e perdoar outros. Portanto, o que se quer é apagar a lembrança do 11/9, sim (já que não conseguiram culpar os proprios EUA pelos atentados - até tentaram, mas não colou).

2) Quanto ao segundo ponto, acho que você não entendeu o que eu escrevi: qualquer exercício de comparação envolve senso de proporções. É evidente que as mortes no Chile ou no Líbano não pertencem apenas aos chilenos ou aos palestinos, assim como o Holocausto e os 100 milhões de mortos pelo comunismo não dizem respeito apenas aos judeus ou aos russos e chineses (ou seja: não estou tentando "qualificar" a morte de ninguém, é exatamente o oposto). Mas é preciso ter algum senso de proporções para avaliar a realidade. Allende foi em parte responsável pela própria queda, como sabe qualquer um que estudar um pouco o que foi o governo marxista da Unidade Popular, e o massacre dos palestinos ocorreu dentro do contexto da guerra civil libanesa. Nada disso se pode dizer do 9/11: as pessoas morreram sem saber por quê, de forma não-provocada. Isso não justifica nada, claro, mas ajuda a desmascarar associações como a que os antiamericanos de plantão fazem todo 11 de setembro.

Enfim, toda essa onda de "outros setembros" é coisa da esquerda tonta e antiamericana.

E, a título de P.S.:

Só mais uma coisa: você não acha curioso que os "outros setembros" citados são sempre fatos que tiveram o dedo dos EUA ou de Israel, como o golpe do Chile e o massacre no Líbano? Por que não citam, sei lá, o começo da Segunda Guerra Mundial, que também aconteceu num setembro? Afinal, todos os setembros são válidos, não é verdade?

Fiquei esperando uma resposta para essa minha última observação. Em vez de respondê-la, minha amiga reclamou do fato de que, segundo ela, "as pessoas tiram Chomsky de bode expiatório para tudo". Aproveitou para fazer um pequeno elogio de Chomsky ("é o cara que desperra da pós-adolescência branca, rica e universitária americana para a idéia de que há um mundo depois das fronteiras dos EUA") e, na frase seguinte, me critica por eu estar supostamente baseando "a esquerda do mundo todo" no Chomsky etc. Afirma que, ao criticar a esquerda e seus "outros setembros", eu estaria caindo na mesma ciranda maniqueísta etc. etc. (quanto a isso, não faço nenhuma questão em negar: quando se trata de liberdade versus tiranias, sou maniqueísta mesmo, e com muito orgulho). Pediu alguma citação ou referência em que Chomsky ou Tariq Ali tenham dito que querem esquecer o 11/09 e que ele deve ser apagado da memória, pois "não tem uma pessoa sã que diga isso". Afirmou ainda alguma coisa que não consegui entender direito sobre palhaçada e crianças pedindo para morrer, e que "os atentados de 9/11 não podem ser reduzidos simplesmente a uma política de memória - o que é necessário são estudos que ultrapassem o que a memória constrói e consigam revelar dados, narrativas, e explicações importantes sobre o mundo em que vivemos e sobre o que queremos fazer daqui para frente" etc. Finalmente, disse que não vai ficar discutindo minhas opiniões políticas, que seriam "essencialistas". (Fez, a propósito, uma associação entre minha afirmação sobre os "outros setembros" serem coisa de esquerda tonta antiamericana e o criacionismo que até agora também não consegui entender.)

Minha amiga certamente não entendeu, ou não quis entender, nada do que escrevi, o que não me surpreende (também se disse ocupada demais com a tese que está escrevendo na universidade para debater comigo, o que compreendo). Afinal, reconheço que é mesmo difícil para alguém com vagas inclinações esquerdistas (ou seja, alguém que, em geral, segue o mainstream) apreender um texto de quem não reza pela cartilha de um Noam Chomsky. Sem falar que ela parece não saber que o sujeito já chegou até a defender o regime genocida do Khmer Vermelho do Camboja, dizendo que as denúncias de massacres nos campos da morte eram invenções da imprensa burguesa... Hoje ele anda por aí abraçado a Hugo Chávez e a Fidel Castro, entre um livro e outro em que tudo o que faz é desviar a atenção do que aconteceu em 11 de setembro de 2001 para citar a Baía dos Porcos ou o Vietnã. Uma mente sã?

Certamente minha amiga não sabe, assim como 99% da humanidade, que todo o discurso dos "outros setembros", sob o pretexto de "lembrar outros sofrimentos", pretende, na verdade, relativizar, minimizar e anular a memória do que aconteceu nos EUA naquela manhã de terça-feira uma década atrás. Ou seja: não visa a lembrar, mas esquecer. E faz isso ao CONTRAPOR à lembrança do horror nas Torres Gêmas os setembros cultuados pela esquerda, como se uma tragédia relativizasse, minimizasse ou anulasse outra. Certamente, ela não sabe que isso se chama propaganda e desinformação - coisa que a esquerda, chomskiana ou não, é useira e vezeira em fazer.

Uma coisa é lembrar outros massacres e outras tragédias; outra coisa é tentar CONTRAPOR esses massacres ao que aconteceu nos EUA dez anos atrás. E é EXATAMENTE ISSO o que está por trás da discurseira dos "outros setembros". Mais uma vez: se o objetivo é lembrar, e não esquecer, por que não lembram do começo da II Guerra? Ou do massacre dos atletas israelenses em Munique, em 1972, cometido por um grupo terrorista que se chamava, não por acaso, Setembro Negro?

A resposta é óbvia e, como tudo que é óbvio, precisa ser explicado nestes dias: o começo da II Guerra e o massacre de Munique não servem aos objetivos propagandísticos dos antiamericanos. A queda de Allende no Chile, ou a chacina dos palestinos, sim. Afinal, o governo dos EUA de então apoiou o golpe de Pinochet, e o massacre de Sabra e Chatila ocorreu sob as barbas das tropas israelenses - e Israel é aliado dos EUA, entenderam? Logo, o 11/9 viria como uma espécie de "vingança" contra atos passados dos EUA, que estariam, assim, "colhendo o que plantaram" (como se os mortos tivessem alguma coisa a ver com isso...). Não se trata, portanto, de lembrar tragédias por serem tragédias, por constituírem momentos de sofrimento e dor para toda a humanidade, como faria qualquer pessoa com um mínimo de decência, mas de instrumentalizá-las, de utilizá-las com um fim político-ideológico. Mesmo que a tragédia em questão não possa ser comparada, em termos de contexto e de dimensão, ao 11/9 (sobretudo no caso do Chile). Em outras palavras: uma canalhice, uma imoralidade total.

Minha amiga não é - isso posso dizer com certeza - uma fanática, tampouco uma radical antiamericana. Não é uma militante de esquerda, embora tenha lá suas simpatias mais ou menos secretas (ainda traz um certo ranço petista, mas tudo bem). Até onde sei, é uma pessoa bastante razoável; desconfio mesmo que nem seja particularmente politizada. É somente alguém inteligente que se deixou levar por um discurso vigarista, que repete provavelmente sem pensar, como a maioria dos que o repetem ad nauseam, mecanicamente. Acredito em sua sinceridade quando diz que todos os setembros são iguais e constituem tragédias da humanidade. Mas, infelizmente, ela não se deu conta da manipulação ideológica de que está, sem querer e sem saber, participando. E é aí que está a eficácia desse tipo de propaganda. Ela é eficaz não pelo que diz abertamente, mas pelo que NÃO diz, apenas sugere ou estimula, apelando muitas vezes para a ingenuidade e a boa-fé das pessoas.

O que está por trás do discurso dos "outros setembros"? O ódio, pura e simplesmente. O ódio aos EUA e a tudo que ele representa. Sobretudo o ódio à liberdade e à democracia. Mas é claro que os antiamericanos que o engendraram não podem explicitar esse ódio. Precisam apresentá-lo com outra roupagem, desidratada, liofilizada, embalada e envernizada, como se fosse o contrário do que é. Mas basta cavar um pouco e a verdade vem à tona: não engoliram o fato de que os EUA (o mundo civilizado, na verdade) foi alvo de um ataque abjeto, e portanto buscam pretextos para continuar alimentando essa mentalidade odienta. E os "outros setembros" caem como uma luva para esse objetivo, levando muita gente - gente inteligente, racional e moderada - a referendar essa impostura.

Minha amiga pode achar que não faz parte do debate e pedir que eu não a inclua nele. Tarde demais. Ao ter referendado o discurso dos "outros setembros", ela já se incluiu. Só me resta tentar ajudá-la a sair desse atoleiro.

terça-feira, setembro 20, 2011

É PRECISO DAR NOMES AOS BOIS. E O NOME DA CORRUPÇÃO É DILMA ROUSSEFF!

Desde o último dia 7 de setembro, protestos contra a corrupção mais ou menos espontâneos têm ocorrido em todo o país. Em diversos lugares, cidadãos cansados de serem feitos de idiotas pelas "otoridades" resolveram sair às ruas e protestar, sem bandeiras partidárias, contra a ladroagem que impera no Planalto. Já está sendo organizado um protesto nacional em várias cidades para o próximo dia 12 de outubro.

A notícia em si é animadora, e parece demonstrar que parte da população brasileira, diante do silêncio cúmplice e covarde da oposição (?), decidiu responder a pergunta do correspondente do jornal espanhol El Pais, Juan Arias ("Por que não reagem?"), e finalmente despertou de anos de letargia. Já estava mais do que na hora de sacudir o marasmo e o conformismo e dizer um basta à roubalheira, à lambança e à cafajestagem, que nos últimos anos atingiram níveis de descaramento sem precedentes. É algo importante, também, por romper o monopólio das ruas pela esquerda, que dura, no Brasil, uns quarenta anos, no mínimo (pela primeira vez, não vejo bandeiras vermelhas numa manifestação política). Talvez por isso, alguns veículos de imprensa, principalmente do PIG (Partido da Imprensa Governista) não gostaram da novidade. Quem sabe se os manifestantes quebrassem algumas vitrines de lojas e ateassem fogo à bandeira dos EUA, eles vissem a coisa com outros olhos... Enfim, trata-se de algo, certamente, bem-vindo. Mas há uma pegadinha aí.

A pegadinha consiste no fato de que, até agora, não se deu nome aos bois. Fala-se em corrupção em termos genéricos e abstratos, de forma vaga, não se ligando a coisa a partidos ou a pessoas. Tirando algumas vagas e tímidas citações a Lula e a Zé Dirceu, não vi nenhum manifestante defender claramente a punição de fulano ou beltrano. Não vi ninguém, por exemplo, denunciar a farsa que é o PAC, ou o escoadouro de dinheiro público que serão as obras para a Copa do Mundo, ou o festival de absurdos que virou o MEC sob o inacreditável Fernando Haddad (que até "kit-gay" já quis enfiar goela abaixo de criancinhas nas escolas). Nessas condições, as marchas contra a corrupção correm o risco de virar algo parecido com uma "marcha contra a violência" ou uma "marcha pela paz" - ou seja: algo até bem-intencionado, mas absolutamente inútil. Ou, então, de cair na generalização resignada de que "é assim mesmo", "somos todos corruptos", "não tem jeito" etc.

É preciso deixar bem claro: a corrupção, no Brasil, tem cara, nome e sobrenome. E a corrupção na atualidade se chama Dilma Vana Rousseff. Assim como, até ontem, atendia pelo nome de Luiz Inácio Lula da Silva, o Apedeuta.

Que fique claro que o governo Dilma Rousseff não passa de uma continuação do mandarinato lulo-petista, que a "presidenta" durona e competente é apenas um mito criado pelos mesmos que criaram o mito Lula. Nada mais cínico, nesse sentido, do que a idéia da "faxina" nos ministérios que estaria sendo feita por Dilma, o que não passa de mais uma invenção da imprensa companheira (invenção, aliás, negada pela própria Dilma). Vários ministros já caíram e outros, provavelmente cairão, mas é como se Dilma, que os nomeou, não tivesse nada a ver com o esquema.

Já vi esse filme. Assistimos, durante oito anos, à comédia do presidente que, diante dos descalabros planejados na sala ao lado, não sabia de nada, não via nada (isso foi antes de se dizer “traído” e de descobrir que “todos fazem igual”). Agora temos a presidente-faxineira (a gerente ultra-competente, pelo visto, não cola mais, assim como a lenda da presidente "intelectual" que falsificou o próprio currículo e é incapaz de lembrar o título e o autor do último livro que leu). Blindada, com certeza. Ninguém se dá conta de que a corrupção é a própria alma do governo Dilma, e que qualquer um que for indicado para participar desse governo deve ser colocado de antemão sob suspeita.

Pior: há o risco de a causa ser sequestrada pelos mesmos que deveriam estar na berlinda. Vamos lembrar. A "luta contra a corrupção" ou pela "ética na política" sempre foi uma bandeira da esquerda no Brasil. Foi no impeachment de Collor, em 92, que o PT se fortaleceu e surgiu, de fato, para a política nacional (antes, era o partido dos sindicalistas barbudos e socialistas, para quem combater a corrupção era coisa da pequena burguesia moralista). Depois, na CPI dos anões e em todas as outras que se seguiram, os petistas e seus clones esquerdistas emergiram como os vigilantes da moral e dos bons costumes, os únicos bons e puros em meio a um mar de ladrões.

No decorrer dos anos, o partido da estrela vermelha se especializou em destruir reputações alheias enquanto erguia seu próprio mito, e tratava de preparar o caminho para o assalto (literal e figurado) ao Estado. Tudo isso apenas como um instrumento para chegar ao poder: uma vez alcançado o objetivo, os companheiros trataram logo de jogar a bandeira da ética na lata do lixo, pois não mais lhes servia. Hoje, a UNE, que esteve à frente dos protestos vinte anos atrás, virou uma repartição chapa-branca, e dedica-se a fazer "protestos a favor" (não me surpreenderia, aliás, se organizasse um ato "contra a corrupção"...). O líder dos estudantes “carapintadas” que saíram às ruas pedindo o impeachment de Collor, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindbergh Farias, é um dos frequentadores do cafofo de Zé Dirceu em Brasília, e o partido das vestais está de braços dados com Maluf, Sarney e Collor. (E não venham me dizer que a Rainha Muda é "prisioneira" da base alugada ou coisa parecida: ninguém é prisioneiro porque quer.)

Collor só caiu porque os brasileiros foram às ruas contra ele, Collor, e não contra a "corrupção" (nas passeatas, o grito era "Fora Collor", não "Fora Corrupção"). Enquanto os que marcham não se derem conta que Dilma Rousseff é apenas a gerente da roubalheira, insistindo em não ligar o criador à criatura (e há mesmo, nos protestos, quem acredite piamente que ela vai fazer a tal "faxina"), nada vai acontecer. Até que tomem consciência de que é preciso dar nomes aos bois e às vacas, vão ficar enxugando gelo e correndo atrás do próprio rabo, pedindo para serem enganados de novo.

Fora Dilma! Fora PT!

sábado, setembro 17, 2011

É POR ESTAS E OUTRAS QUE DEFENDO ISRAEL

Juro que um dia ainda vou descobrir que estranho mecanismo psíquico leva algumas pessoas a, voluntariamente, passarem vergonha. Por exemplo, entrando em blogs alheios para postar cretinices as mais absurdas na área de comentários, mostrando-se em toda sua empáfia e ignorância.

Um bestalhão desses aí achou que poderia responder a meu post "UM ANO DEPOIS, O DESMONTE DE UMA FARSA", sobre a patuscada monumental, desmascarada agora por um relatório da própria ONU, montada no ano passado por uma ONG "humanitária" mancomunada com os fanáticos terroristas do Hamas para provocar uma cena de sangue que deixasse Israel mal na fita. Do texto mesmo, o dito-cujo não diz uma palavra. Em vez disso, repete um punhado de clichês antiisraelenses e acaba revelando seu ódio - atenção - contra um povo. Vejam o que despejou aqui o energúmeno, que se esconde no anonimato:

Mais uma vez entra em cena um personagem, que ignora historia e que despeja impropérios os quais ignora seu contexto.

Imagino que o tal "personagem" a que se refere o autor da frase acima seja eu. Digo "imagino" porque a construção torturada da oração ("despeja impropérios os quais ignora seu contexto"...) permite diferentes interpretações. O autor do enunciado diz que ignoro a História, mas se mostra totalmente ignorante em análise sintática. Tanto que desconhece a expressão "cujo" (dica: "impropérios cujo contexto ignora" fica melhor).

O que os palestinos tem ?? nada... um povo que foi tirado de sua terra,de sua historia por decisão de terceiros ( ONU ).

Eu vou dizer o que os palestinos têm (e não "tem", a menos que o verbo venha no singular): uma liderança irresponsável e demagógica na Cisjordânia, que já recusou várias ofertas de paz desde o tempo de Arafat, e um governo terrorista na Faixa de Gaza (o Hamas), que se recusa a reconhecer o direito de Israel existir e faz de tudo para sabotar o processo de paz na região. Para tanto, opõe-se à criação do Estado palestino, conforme os acordos de Oslo de 1993 (surpreso?).

Outra coisa: gostaria de saber que decisão recente da ONU foi favorável aos israelenses e contrária aos palestinos. Digamos, nos últimos quinze anos. Estou curioso.

Se o leitor está se referindo à decisão da ONU que criou o Estado de Israel, em 1947, a idéia de Estado palestino (e mesmo de "povo palestino") era inexistente à época, só se impondo depois da derrota árabe na Guerra dos Seis Dias (1967). Até lá, e mesmo depois, adivinhe de onde partiu a maior oposição à idéia de um Estado palestino: dos países... árabes (Egito e Síria, principalmente).

Por que estou dizendo isso? Porque ignoro a História do Oriente Médio, claro.

Uma nação sem território, se isso não fosse o bastante, um povo privado dos mais básicos direitos como alimentação e remédios.

O território já está definido desde 93. Falta apenas o Hamas concordar com a existência dos dois estados, convivendo lado a lado. Para isso, só precisa fazer duas coisas: reconhecer a existência do outro lado e renunciar ao terrorismo (assim como fez a Fatah de Arafat). Quando farão isso?

Quanto ao povo palestino estar privado dos direitos à alimentação, remédios etc., Israel se ofereceu para fazer chegar a "ajuda humanitária" que a ONG IHH afirmava trazer aos palestinos em Gaza. O bloqueio também existia pelo lado egípcio, mas jamais se leu ou ouviu um pio sobre isso. Por que será?

Diante do terrorismo de Israel o terrorismo do Hamas é como um sussurro que responde a um grito.

Nem sei se vale a pena comentar isso... Mas vamos lá, didaticamente: o Hamas prometeu destruir Israel, varrer o país do mapa, e só não mata mais civis por causa da vigilância israelense. Seu objetivo é instalar um Estado teocrático islâmico, à semelhança do Irã. Em 2007, o grupo deu um golpe em Gaza e massacrou seus rivais da Fatah. Dezenas foram mortos a tiros e degolados. Parece um sussuro?

Israel sim é uma nação terrorista.

Há governos que praticam o terrorismo. Há, inclusive, Estados terroristas. Mas não existe "nação terrorista". O Irã, por exemplo, é um Estado patrocinador do terrorismo, mas a nação iraniana, o povo iraniano, não. Nação é uma coisa; Estado, é outra. A identificação entre os dois como se fosse uma coisa só é algo típico de fascistas, como os criminosos do Hamas e do Hezbollah. Aqui o autor da frase acima revelou sua verdadeira face antissemita - considera uma nação inteira, no caso o povo judeu, como "terrorista" (o qual, portanto, deve ser eliminado).

Sem falar que a frase acima, no contexto em que está colocada, dá a entender que o Hamas não seria terrorista, e que esse epíteto caberia, em vez disso, a Israel. Algo assim como dizer que a Al-Qaeda é um clube de caridade, e os EUA, um império totalitário e fundamentalista... Se alguém conhece algo mais cretino do que isso, por favor escreva para o blog.

Páro por aqui. Mais não digo, para poupar o anônimo autor do comentário de maior humilhação. Mas é só pedir de novo, e terei prazer em expô-lo.

sexta-feira, setembro 16, 2011

A ESTUPIDEZ DOS "OUTROS SETEMBROS"

Já é uma tradição: todo 11 de setembro, enquanto a humanidade, compungida, lembra o horror indizível das Torres Gêmeas desabando e levando consigo milhares de seres humanos transformados em pó no maior ato terrorista da História, um bando de zé-manés, leitores de Noam Chomsky e Tariq Ali, aproveita a ocasião para lembrar "outros setembros". Certamente incomodados com as homenagens às vítimas de um ataque cruel e desumano, perpetrado por fanáticos, arranjam um jeito, mesmo assim, de destilar sua raiva contra a maior democracia do mundo, buscando contrapor, ao 11 de setembro "dos americanos", uma data "alternativa": o 11 de setembro de 1973 (queda do governo de Allende no Chile), ou o setembro de 1982 em Beirute (massacre dos refugiados palestinos em Sabra e Chatila). O objetivo é contrapor a memória de outros fatos ao 11 de setembro de 2001, a "data deles", a fim de minimizá-la e abafá-la, reduzindo-a à insignificância.

Trata-se de uma verdadeira obra-prima de desviacionismo e vigarice intelectual, digna dos manuais de desinformação e propaganda da época do antigo KGB, e que precisa ser denunciada com toda força. Em primeiro lugar, o 11 de setembro de 2001 não é "dos americanos" (alguns preferem dizer "estadunidenses"). É uma data da humanidade. Assim como Auschwitz e o Holocausto não dizem respeito somente aos judeus, e o genocidio em Ruanda não é um assunto apenas dos ruandeses. Morreram, no WTC e no Pentágono, além do vôo que se espatifou na Pensilvânia, cerca de 3 mil pessoas, de mais de 50 nacionalidades (inclusive brasileiros). Logo, o atentado terrorista não atingiu apenas um país, mas foi uma ofensa a todo o mundo civilizado. Mesmo que só tivessem morrido americanos, o ataque foi uma barbaridade sem precedentes, que só pode causar repulsa a pessoas decentes. Rotular o 11/09 como uma data "dos americanos", como se dissesse respeito tão-somente aos EUA ou ao governo de George W. Bush, além de ser uma obscenidade, não passa, portanto, do antiamericanismo mais bocó, sequer disfarçado.

Ao tentarem contrapor à lembrança dos ataques fatos como a queda de Allende e o massacre de Sabra e Chatila, como se fossem uma espécie de "anti-11/09", os antiamericanos de plantão incorrem na total delinquência e na completa cretinice. Isso porque tais memórias não são, em absoluto, excludentes. A menos que se considere as pessoas esmagadas e queimadas vivas nas Torres Gêmeas como diretamente responsáveis pelo golpe militar do general Pinochet, 28 anos antes, ou pela chacina de civis palestinos levada a cabo pelos milicianos falangistas libaneses da família Gemayel, não há qualquer razão lógica e, muito menos, moral, para qualquer tipo de associação entre um e outro fato. Todos foram tragédias - a de 2001, bem maior em dimensões e consequências. Eu poderia lembrar, por exemplo, o 5 de setembro de 1972 (data do massacre dos atletas israelenses nos Jogos Olímpicos de Munique, executado por um grupo terrorista palestino que se intitulava, não por acaso, Setembro Negro) e isso não mudaria absolutamente nada o que sinto em relação a outras tragédias do tipo, como a do Chile ou a do Líbano. Não sei se os que ficam mordidos com a lembrança do 11 de setembro "dos americanos" podem dizer o mesmo. Acho que não.

Além do fato de serem tragédias humanas, não há termo de comparação entre o que aconteceu nos EUA e o que houve nas ruas de Santiago ou de Beirute. O golpe de 11 de setembro de 1973 no Chile foi a culminação de um longo processo de radicalização política, iniciado três anos antes e instigado pelo próprio governo marxista de Salvador Allende. Por mais terrível que tenha sido o golpe (e foi terrível, com milhares de mortes, inclusive a do próprio Allende, morto dentro do palácio presidencial com seus guarda-costas), a verdade inegável é que ele esteve longe de ter sido não-provocado, ao contrário dos ataques da Al-Qaeda. Diferentemente destes, tratou-se do desfecho sangrento de uma quase guerra civil, em que ambos os lados – e não somente os militares – conspiravam contra a democracia e em favor de um golpe de Estado. No final, venceu a direita – e a esquerda, derrotada, desde então passou a se dizer democrata, como escreveu o cientista político Carlos Rangel. (E agora cobra equivalência entre os dois 11 de setembros, como se não tivesse sua parcela de culpa pelo ocorrido, eu diria.)

O golpe do Chile e o massacre de Sabra e Chatila foram episódios, respectivamente, da Guerra Fria e da Guerra Civil Libanesa. Evidentemente, nenhuma das vítimas merecia morrer. Terríveis como foram, com sua cota de vítimas inocentes, não se pode compará-los, contudo, ao 11 de setembro de 2001, quando milhares de pessoas foram trucidadas, sem saber por que, por um inimigo literalmente caído do céu. Pretender minimizar seu impacto, apelando para a lembrança de "outros setembros", é coisa de verdadeiros aleijões morais, de gente sem o menor escrúpulo e sem a menor consciência, que acredita que uma desgraça anula outra - ou pior: que uma justifica outra.

Na verdade, o que incomoda muita gente no 11 de setembro é que não podem dizer, como estão acostumados a fazer, que os EUA foram o lado agressor. É que têm que admitir, contra a vontade, que o grande satã imperialista foi vítima de uma agressão covarde e canalha. Essas pessoas se alimentam do ódio, pura e simplesmente, que sentem por aquilo que muitas delas invejam em segredo. Elas não dizem, e jamais vão admitir um dia, que se regozijaram com as cenas de morte e destruição em Manhattan dez anos atrás. São pessoas como o ex-frade Leonardo Boff, que lamentou – lamentou! – que tivessem sido "apenas" dois aviões os que atingiram o WTC: "quisera que tivessem sido 25"... Enfim, são uns verdadeiros humanistas, pessoas maravilhosas, gente do bem e preocupada com o bem-estar da humanidade.