quarta-feira, junho 11, 2008

OBAMA, O LULA AMERICANO


Pergunta: um Obama branco e loiro teria o mesmo sex-appeal?
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Se eu fosse norte-americano, eu não votaria em Barack Obama. Os motivos são os seguintes:

Demagogia racial - Embora se apresente como um candidato multirracial, buscando a todo custo evitar o discurso militante, Obama, o primeiro político negro - para os padrões dos EUA, entenda-se, porque por estas bandas ele está mais para mulato - a concorrer por um grande partido à presidência dos EUA, deve suas chances de chegar à Casa Branca, pelo menos até o momento, principalmente àquilo que ele pede que não notem nele - a cor da pele. Nos EUA, o fato de ser negro ou pertencer a alguma minoria étnica ou racial é tão importante para um político quanto é a origem social no Brasil. Em termos puramente de propostas políticas, Obama não se distingue muito (com algumas exceções importantes em política externa, como veremos) do candidato rival, o republicano John McCain. O que o diferencia é o tom de sua epiderme. Assim como o que distinguia Lula de José Serra ou de Geraldo Alckmin não eram as idéias (até porque estas sempre faltaram ao Molusco), mas sobretudo o fato de Lula vir de berço pobre e de uma infância sofrida. Foi isso, além de uma visão messiânica e paternalista, o que garantiu as duas eleições de Lula à presidência da República. Se fosse branco, será que Obama teria as mesmas chances de chegar à presidência?

Nos EUA, ao contrário do sexo (Hillary Clinton) e da raça (Obama), a origem social dos candidatos conta muito pouco para a construção da imagem do político. Lembrem-se do embate entre Richard Nixon e John Kennedy, o primeiro a ser televisado, em 1960. Ao contrário de Kennedy, filho de um miliardário que fez fortuna com negócios com a Máfia durante a Grande Depressão, e que jamais precisou trabalhar um dia sequer na vida, Nixon vinha de família modesta (seu pai era dono de um posto de gasolina na Califórnia), estudou numa universidade obscura e teve de ralar muito - e mentir muito - para ascender na política. Apesar dessa discrepância social, os americanos preferiram e preferem até hoje o filhinho-de-papai ao self-made-man. Em grande parte, o motivo era o próprio Nixon, um sujeito sem o menor charme, bem diferente do bonitão Kennedy. Mas isso revela bastante sobre como funciona a mente do eleitor americano. No debate de 1960, Nixon foi triturado. Não porque não tivesse as melhores propostas, mas porque tinha uma imagem ruim no vídeo. Assim como Serra em comparação a Lula, por exemplo. Não por acaso, Obama já está sendo apresentado como o "Kennedy negro".

Falta de clareza - Assim como utiliza a cor da pele como trunfo eleitoral, o candidato democrata usa e abusa de outra vantagem em relação a McCain - o gogó. Convenhamos, o sujeito é um mestre da oratória. Nisso ele também se aproxima do atual presidente brasileiro. O que lhe sobra em carisma - dado pela raça, é bom que se diga - e em talento oratório lhe falta, porém, em clareza. Seu lema de campanha se resume a uma só palavra - change ("mudança") - e suas idéias, num conjunto de frases de efeito e lugares-comuns ("if you're ready for change..."). O que significa exatamente essa tal "mudança" prometida permanece uma incógnita. Obama se esforça para transmitir uma imagem de político equilibrado, de bom-moço comprometido com as boas causas da humanidade, crítico ao legado dos anos Bush etc. Mas sem agredir ninguém, sem ofender ninguém, na linha "Obaminha paz e amor" (lembram?). Nessa linha, ele já rompeu publicamente com o pastor da igreja que freqüentou durante mais de vinte anos, Jeremiah Wright, por este ter feito declarações racistas (contra os brancos). Que ele só o tenha feito agora, quando as declarações arrepiantes foram amplamente divulgadas, é algo que dá o que pensar sobre a honestidade de suas palavras... Além disso, suas propostas para a política externa norte-americana são, digamos, pouco convencionais. Por exemplo, Obama já anunciou que sentaria para negociar com os irmãos Castro, e que toparia conversar até com Ahmadinejad, o maluco que manda no Irã dos aiatolás e já jurou varrer Israel do mapa. Diante das críticas negativas, voltou atrás em suas declarações. Para quem se diz um moderado extremo, ou um extremista da moderação, convenhamos, é algo muito estranho, além de não transmitir muita confiança.

Inexperiência - Outro ponto que aproxima Obama de Lula, antes de este último ser eleito para seu primeiro mandato presidencial, em 2002. No Brasil, isso não costuma contar muito, pois nos acostumamos a valorizar outros quesitos - a "juventude", por exemplo, vista como sinônimo de "renovação" -, enquanto a experiência é geralmente associada à corrupção e ao fisiologismo. Os americanos, porém, sempre pragmáticos, valorizam a experiência. Pois bem. McCain é um político experiente, e tem uma história de vida que, para nós pode ser um anátema, mas pelo menos para os americanos, é bem impressionante - já era prisioneiro de guerra no Vietnã quando Obama mal saíra das fraldas. E quanto a Obama, que experiência ele tem? Que outra credencial ele possui para querer governar a maior potência do planeta? Resposta: a cor da pele.

Pelos motivos elencados acima, toda essa onda com a candidatura Obama - "o primeiro negro com chances reais de chegar à presidência dos EUA" etc. etc. - não me comove. Sei que não estou sozinho nessas ponderações. Muita gente no Brasil, e inclusive no Itamaraty, deseja secretamente que McCain ganhe - os republicanos são tradicionalmente menos protecionistas em assuntos de comércio exterior -, mas, por alguma razão insondável, não ousam externar essa opinião. Mais uma vez, agradeço aos céus por eu não ser político.

Sempre tive uma desconfiança quase instintiva em relação a políticos que usam a raça ou a origem social como um trampolim para suas ambições eleitorais, e que abusam do bom-mocismo para parecerem confiáveis. Confesso que torci para que o indicado pelo Partido Democrata não fosse Hillary Clinton, pois não agüento aquele sorriso forçado, sem falar na discurseira feminista politicamente correta (ainda por cima nos EUA? Deus me livre!). Mas nem por isso vou me deixar levar pela obamamania. Tem toda a pinta de ser mais uma tapeação, como foi, nos anos 90, Bill Clinton e seu charuto erótico. Caetano Veloso disse em entrevista ao Estado de S. Paulo que acha Obama "charmoso, bonito e bacana". Como deve achar Lula e Mangabeira Unger, para quem já fez campanha.
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Por tudo isso, eu não votaria em Obama, assim como jamais votarei num candidato do PT. Obama não me engana. É o Lula americano.

2 comentários:

Vagner Barreto disse...

Perai cara, vc é do PSDB? seu blog é uma declaração de amor ao LULA do primeiro ao ultimo post. E tambem acho que vc é de ESQUERDA. Ah, eu também não sabia que em paises capitalista as pessoas são rescucitadas e só são assassinadas nos socialistas (vide toda as guerras mundiais, onde os americanos iam rescucitando os inimigos pelo caminho. kkkk). Os dois lados são assassinos seu xiita.

Marco A disse...

Seu leitor da Veja tucano direitista alienado! Brincadeiras à parte,é claro que o Obama foi eleito pela cor, mas sentar com Fidel e Ahmadinejad só ia ajudar mesmo a paz mundial... E Israel merece mesmo ser destruída, foi um país criado pela ONU em 47, totalmente artificialmente, que expulsa o povo que já vivia ali faz tempo. Não gostei de você. Você é muito americanista... E Lula não era inexperiente, ele era engajado na política desde antes de você sair do ventre de sua mãe, eu acho...