sexta-feira, novembro 09, 2007

EU, O HOMOFÓBICO


Vasculhando meus posts antigos, deparei com o seguinte comentário de um simpático leitor ao meu texto "República dos coitadinhos", postado em 13/07, comentário este que aqui transcrevo na íntegra (sem mudar uma vírgula, como sempre faço):

Tua visão dicotômica da realidade é irreal. Mas tdo bem sou Homossexual e por isso serei anõnimo porém sincero.No mundo inteiro existe preconceito contra nós e nenhum empresário no nosso país é ou foi punido por discriminação quanto a opção sexual dos seus funcionários. Isso é liberdade???? Só um recadinho."Direita vamos devolver".

Como de costume, não resisto à tentação de dizer algumas palavras sobre os comentários a meus textos, ainda mais quando descem a lenha em mim. Mesmo quando não são assinados, como é este o caso. Pois bem, eis aqui minha resposta.

Caro "anônimo",

muito obrigado por seu comentário. Embora até agora não tenha entendido o que você quis dizer com a primeira frase ("Tua visão dicotômica da realidade é irreal"), que parece ter sido redigida em algum idioma por mim desconhecido, creio que, no geral, compreendi seu ponto de vista.

No texto em questão, faço referência ao projeto de lei que está para ser aprovado no Senado Federal - PLC 122/06 -, que prevê a criminalização da "homofobia", ou seja, da aversão a homossexuais. Pelo que eu entendi, foi minha abordagem crítica a esse projeto de lei que lhe deixou chateado (pelo menos, acredito que você não esteja indignado por causa da minha opinião sobre o caso Renan Calheiros, que era o assunto central do texto). Nesse caso, vou lembrar um pouco o que acho desse projeto de lei, se você me permite.

A primeira questão que deve ser colocada é o que se deve entender por "homofobia", novo crime terrível (ainda não é crime hediondo, por enquanto) que a referida lei pretende coibir com a força do monopólio da violência pelo Estado. Gostaria que você me esclarecesse algumas dúvidas. Seria a tal "homofobia" aquela piadinha - de gosto duvidoso, é verdade, mas não é isso que vem ao caso agora - que a turma de amigos costuma contar, na mesa de bar, sobre os trejeitos do amigo ou conhecido gay? Seria, em vez disso, o uso daquelas expressões usadas e consagradas pelo vocabulário popular - às vezes chulo, concordo, mas isso também não vem ao caso - para designar os indivíduos homossexuais, tais como "veado", "bicha", "boiola", "baitola" etc.? Seria o fato de um pastor evangélico citar a Bíblia para expor o ponto de vista de sua religião - completamente absurdo, como todas as religiões, a meu ver, mas esta também não é a questão - sobre a homossexualidade? Seria, ainda, o ato de negar uma cantada dada por algum praticante dessa modalidade sexual, em algum bar, boate ou na rua?

Se o "crime" que se pretende coibir, com a força da lei, é algum desses citados acima - o que, a meu ver, é exatamente o risco que corremos se vier a ser aprovada essa lei idiota -, então, meu caro amigo anônimo, pode me considerar de antemão um criminoso. Pode chamar a polícia. Se, em vez disso, trata-se de uma medida destinada a punir atos de violência, como espancamentos e até assassinatos, cometidos contra os adeptos do homossexualismo, então, pode ter certeza de que eu seria o primeiro a me colocar a favor dessa lei.

Tenho fortes razões para crer que os punidos por essa lei cretina, infelizmente, não serão os skinheads e homofóbicos que se divertem espancando casais gays e travestis, pois leis que coibem tais atos de intolerância sexual - ou racial, ou de qualquer outro tipo - já existem há bastante tempo e estão devidamente tipificadas no Código Penal (só para lembrar: agressão é agressão, não importa a raça, cor, sexo, religião ou opção sexual da vítima, pois a Justiça é cega para essas coisas - aliás, é por isso mesmo que ela é representada com uma venda nos olhos). A PLC 122/06, ao contrário, punirá principalmente a imensa maioria (creio eu que ainda é a maioria, mas nunca se sabe...) que não partilha desse gosto exótico, e que se verá impedida de dizer o que pensa sobre o assunto. Em outras palavras: retirará a venda dos olhos da Justiça, criando uma categoria especial e privilegiada de cidadãos, definidos não pelo fato de serem cidadãos, logo titulares de deveres e direitos, mas unicamente pelo que fazem na cama. Cidadãos acima dos demais, portanto - inclusive do ponto de vista sexual.

Você mesmo, meu caro anônimo, deu ainda mais motivo para que eu pense assim, ao afirmar, em seu comentário, nunca ter visto um empresário ser preso no Brasil "por discriminação contra a opção sexual de seus funcionários". Sem querer, você matou a charada. Em primeiro lugar, a que discriminação você está se referindo, exatamente? Se o empresário em questão não gosta de pessoas que preferem parceiros do mesmo sexo, ou receia deparar com dois homens ou duas mulheres se beijando ou trocando carícias dentro de seu escritório, ou tem opiniões religiosas sobre o assunto, pode-se querer que ele mude obrigatoriamente sua forma de pensar? Se ele é dono de seu negócio e é, por exemplo, um corintiano fanático, deveria ser obrigado, por lei, a admitir funcionários palmeirenses? Nesse caso, a "homofobia", assim como a aversão a palmereinses ou são-paulinos, seria, portanto, nada mais do que uma opinião. Preconceituosa, pode-se dizer, mas ainda assim uma opinião. O funcionário palmeirense poderia muito bem sentir-se "discriminado" e solicitar a punição do empresário preconceituoso por ter esse tipo de ponto de vista contra seu clube do coração. Deve-se punir crimes de opinião? Isso não lembra aquele negócio... como é mesmo o nome? Ah lembrei: ditadura?

Não pense que eu seja "homofóbico" ou coisa parecida. Nada disso. Como já disse antes e repetirei sempre que for necessário, não tenho nada contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transsexuais, panssexuais, transgêneros ou - ufa! - simpatizantes, assim como não tenho nada contra quem gosta de sushi ou de música sertaneja. Sou apenas alguém que considera a liberdade de expressão e de pensamento como valores universais, muito acima dos melindres de grupos específicos. Para mim, alguém ser homossexual ou não me interessa tanto quanto saber se o sujeito torce para o Flamengo ou para o XV de Piracicaba. O fato de os torcedores do XV de Piracicaba serem minoria e até se sentirem discriminados por causa disso não lhes dá o direito, em minha opinião, de requererem uma lei específica e exclusiva para eles. Lei esta, aliás, que os colocaria na mesma categoria dos deficientes físicos (alguém defenderia, em são juízo, cotas para homossexuais no serviço público?). Dizer o que se pensa, sem o risco de ser preso por causa disso - sim, isso é liberdade.

Espero ter-me feito entender. No dia em que um empresário for para a cadeia, neste país, por não aceitar em sua empresa um empregado gay, ou por chamar um funcionário de "veado" ou "boiola", eu me convencerei que não vivemos mais numa democracia.

Um abraço (mas de longe, pois abraço muito apertado e demorado em outro homem é coisa de boiola...)

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P.S.: Só uma perguntinha: o que significa "Direita, vamos devolver?" É alguma gíria gay?

Um comentário:

augusto disse...

muito bom o seu blog, parabens,pus nos links do meu

www.augustoaraujo.blogspot.com

nao frequenta Orkut?tem comunidades boas lá

vai ter um encontro de Liberais aí em Brasilia está nbo blog do Adolpho Sachsida

http://bdadolfo.blogspot.com/

abs!