quarta-feira, março 09, 2011

A PROIBIÇÃO DE PERGUNTAR

Alguns anos atrás, o senador José Agripino Maia (DEM-RN) caiu numa armadilha que ele mesmo ajudou a montar. Em uma das inúmeras CPIs para, dizem, investigar mais um dos milhares de escândalos dos petralhas – no caso, o dos dossiês contra adversários do lulanato fabricados nos computadores da Casa Civil da Presidência da República –, ao inquirir a então chefona da pasta, Dilma Rousseff, se ela estava ou não mentindo (como se fosse preciso perguntar...), ele se referiu ao passado da atual presidente. "Se a senhora mentiu a seus interrogadores na prisão, por que não estaria mentindo agora?", perguntou o senador, candidamente. Foi a deixa que Dilma esperava. "O senhor não sabe o que é ser torturado, senador", respondeu Dilma. De um instante para outro, passou de principal acusada num caso de espionagem a mártir e heroína da esquerda, para gáudio dos lulo-petistas.

O exemplo é eloquente, por mostrar, de um lado, a ingenuidade política de um senador experiente da assim chamada "oposição" e, de outro, o processo de construção da mitologia em torno da figura misteriosa de Dilma. Provavelmente sem o querer, Agripino deu a Dilma a oportunidade de lembrar um fato que até agora tem somente ela, Dilma, como testemunha. Com isso, permitiu que ela, Dilma, controlasse e manipulasse o show, posando à vontade de vítima, uma verdadeira Joana d'Arc, enquanto ele passava por torturador...

Há muitos pontos cegos no passado de Dilma Vana Rousseff. Pessoalmente, não duvido que ela tenha sido torturada, como afirma a versão oficial. Mas durante 22 dias? Além de parecer fisicamente impossível – e também inútil, como sabe qualquer pessoa com conhecimento sobre as condições do combate à luta armada, em que tempo era tudo –, é unicamente a palavra dela, até agora. Outra coisa: por que ela foi presa mesmo? Segundo diz a própria e repete a propaganda petista, ela foi presa pelo "crime de organização". Na verdade, ela foi presa e condenada a três anos de prisão por ter feito parte de três organizações terroristas. O que faziam essas organizações? Assaltavam bancos, sequestravam diplomatas estrangeiros e assassinavam pessoas. Em nome do que o faziam? Do comunismo. (Mas isso, claro, também não convém lembrar – além de ex-torturada, Dilma lutou pela democracia, não nos esqueçamos...)

Aqui é que começa a parte mais nebulosa da história/estória de Dilma Rousseff, presidente do Brasil. No ano passado, o historiador Carlos Fico tentou ter acesso ao processo da guerrilheira Dilma Rousseff na Justiça Militar. Lá estão, segundo se acredita, os verdadeiros motivos da prisão de Dilma, sua ficha completa. Foi barrado por uma liminar judicial a pedido da Casa Civil da Presidência da República, que impediu a divulgação dos documentos. A pergunta que fica é: se Dilma se gaba de seu passado de guerrilheira e de prisioneira política, a ponto de utilizá-lo em sua defesa numa CPI, então por que não deixa que ele venha a lume? Deve ser o único caso na História de alguém que se orgulha de seu passado, mas faz de tudo para mantê-lo na penumbra.

O que fez exatamente no período aquela que o guerrilheiro de festim e mensaleiro José Dirceu chamou de "minha camarada de armas"? Ninguém sabe. E, se depender dela, ninguém jamais saberá um dia. É proibido perguntar.

A mesma cortina de sombras e segredos que cerca Dilma repetiu-se durante as eleições presidenciais de 2010. Naquelas que foram provavelmente as eleições mais mornas da História, um dos raros momentos em que a oposição decidiu tirar a cabeça da areia e fazer Política (assim, com P maiúsculo) ocorreu quando foi divulgado um vídeo de 2007 em que Dilma aparece dizendo sua opinião sobre a legalização do aborto. "Eu acho que deve haver, sim, a legalização do aborto", foram as palavras textuais da chefe da Casa Civil, que a candidata a presidente tratou de negar de pés juntos e rosário na mão. De repente, virou "jogo sujo" e "reacionarismo medieval" simplesmente repetir o que estava no vídeo. Numa clássica inversão da realidade, buscou-se condenar não a candidata pega na mentira, mas quem divulgou o material. Um grupo de militantes petistas disfarçado de jornalistas chegou mesmo a intimidar em São Paulo o dono de uma gráfica que imprimiu panfletos da Igreja Católica que recomendavam não votar em quem defende a legalização do aborto (uma posição com a qual se pode ou não concordar, mas que é da Igreja Católica). Acusou-se o candidato adversário de difundir "boatos" e "rumores" etc. Em nenhum momento a campanha de Dilma – e a imprensa com ela mancomunada – referiu-se ao conteúdo do video. Sobre este, assim como sobre o passado de Dilma, baixou-se o decreto implacável: é proibido perguntar. E ponto final.

Ninguém quis saber, mas a verdadeira questão não era o aborto em si, mas o ziguezague retórico de uma candidata sobre um assunto que, queira-se ou não, afeta os brasileiros e é, sim, um tema politico importante. Em nome da proteção a uma candidata de discurso tatibitate, o que se tentou, e efetivamente se conseguiu, inclusive com argumentos forçados e demagógicos ("é porque ela é mulher" etc.), foi impedir que a verdade viesse à tona. Assim como ocorreu com seu mentor e inventor Luiz Inácio Lula da Silva, indagar sobre quem é e o que realmente pensa Dilma Rousseff passou a ser visto como um crime de lesa-majestade. O importante, decretaram os lulo-petistas, era elegê-la. Indagar quem ela é, e o que passa por sua cabeça, é algo que só pode ser coisa de reacionários da Opus Dei.

Por denunciar esse tipo de impostura e insistir em saber quem é e o que pensa Dilma, fui acusado por um blogueiro pró-Dilma de ter um discurso "proto-fascista". Pois é. De repente, cobrar coerência de uma candidata à Presidência, lembrando o que ela mesma disse, virou uma forma de proto-fascismo... Se a eleição de Dilma Rousseff prova alguma coisa, é que não é preciso mais ter passado, nem idéias, nem mesmo cérebro, para ser presidente do Brasil. Basta ter um padrinho influente e milhões de devotos prontos a adorar mais um ídolo de pés de barro.

O Brasil já teve um ex-operário-bravateiro na chefia da nação. Agora tem a ex-guerrilheira que ninguém sabe ao certo o que fez. Nem o que diz. E falar disso virou um tabu. Em outros tempos chamava-se a isso de censura.

4 comentários:

Ari disse...

Muito bom. O que vale é a imagem, não a substância.Pela montagem e manutenção da imagem fazem qualquer coisa. São ilusionistas. E se alguém no distinto público não entra na hipnose, partem para o abafa. Os "pastores" da Igreja Universal têm o mesmo modus operandi. Cacete é pouco para essa turma.

Ari disse...

Terceiro parágrafo, nona linha:
... presa e condenada A três anos de prisão ...

Anônimo disse...

GUSTAVO, Dilma é um mistério
Não há um só livro, até hoje publicado, que faça referencias ao seu nome. Enfim, livros sobre a época da ditadura e escritos por historiadores esquerdistas NÃO mencionam seu nome, embora citem uma série de pessoas
NENHUM LIVRO TRAZ REFERENCIAS AO NOME DILMA..???????????
Quem foi? Foi torturada? DUVIDO. Uma pessoa torturada JAMAIS volta À normalidade. O certo é que este povo que hoje se locupleta no PODER, são abutres oportunistas sobre os cadáveres de um bando de tolos e romanticos. Quem pode falar, não fala, PORQUE ESTÁ COMPRADO PELO BOLSA TERRORISTA
Mas não há verdade que não venha À tona- AGUARDEMOS
Ou será que ela foi a companheira do AGENTE DUPLO - BOI? NESTE CASO, A VACA- RSSS
Sim, pq o tal BOI serviu aos militares, fingindo-se esquerdista, e hoje está no PODER. Pergunte ao lula QUEM FOI O BOI

Jim disse...

Sr. Gustavo,
Recebi este seu excelente texto através da Sueli Guerra, do grupo "Resistência Democrática". Tomei a liberdade de (re)publicá-lo no blogue "O cão que fuma".
Por favor, se sentir algum desconforto ou qualquer contrariedade é só me dar um toque, que retirarei de imediato.
Obrigado.
O link: http://jimpereira.blogspot.com/2011/03/barack-obama-o-triste-fim-de-um-mito.html