quinta-feira, dezembro 06, 2007

AS VIVANDEIRAS DO DESARMAMENTISMO


A cena é conhecida: nos EUA, um maluco entra em um lugar público e, sem nenhum motivo aparente ou racional, saca uma pistola ou submetralhadora e começa a disparar indiscriminadamente. No final do tiroteio, várias pessoas jazem mortas no chão, crivadas de balas, e outras saem feridas, enquanto o atirador, acuado pela polícia, é abatido a tiros ou se suicida.

O episódio mais recente dessa triste rotina ocorreu há dois dias, no estado de Nebraska. Um adolescente de 19 anos entrou num shopping-center armado até os dentes e começou a fuzilar as pessoas em volta. Oito morreram, além do atirador. Depressivo, este deixara uma carta em que relatava sua intenção de se matar "com estilo". Provavelmente ansiava, com esse gesto tresloucado, alcançar postumamente a celebridade, como os dois adolescentes que massacraram os colegas de escola em Columbine, oito anos atrás.

No Brasil, país que, felizmente, como se sabe, não tem dessas coisas - as batalhas campais entre narcotraficantes e polícia nas favelas cariocas ou as chacinas nos bares da periferia paulistana já nos bastam -, grande parte da imprensa, horrorizada, aproveita e martela a velha tecla: se esses gringos idiotas fizessem uma campanha de desarmamento, do tipo "sou da paz", vestindo branco e abraçando a Lagoa, certamente tragédias como essas não ocorreriam. Se resolvessem deixar de lado esse culto machista das armas e fizessem um referendo, como o que se fez no Brasil dois anos atrás em favor do desarmamento, não estaríamos vendo cenas semelhantes se repetindo. E etc. etc. etc.

As vivandeiras do desarmamento estão de volta. Vivandeiras, para quem não sabe, eram as mulheres que seguiam as tropas brasileiras na Guerra do Paraguai. Desde então, a palavra passou a ser sinônimo de quem cerca as autoridades - civis e militares - solicitando "providências urgentes" sempre que uma crise se avizinha. Dois anos atrás, elas sofreram uma derrota, quando 64% da população rejeitou - mais por medo da bandidagem do que por amor à liberdade de escolha, é verdade - sua proposta de "desarmar" a sociedade. Mas elas não desistem assim tão fácil. A cada massacre em alguma cidadezinha dos EUA, elas se manifestam com força redobrada. "Viram só? Mais um banho de sangue nos EUA. A culpa é do lobby pró-armas, que impede o governo norte-americano de exercer um controle efetivo sobre os milhões de armas em circulação no país", proclamam aos quatro ventos, certas de que sempre haverá espíritos pouco críticos ou simplórios o suficiente para cair nessa esparrela.

A idéia de que tragédias como a de Nebraska ou de Columbine poderiam ser evitadas se houvesse um maior controle governamental sobre as armas é um desses mitos que a esquerda politicamente correta daqui e de alhures adora cultivar. É uma maneira muito esperta de manipular a verdade. Serve para desviar a atenção do fato de que crimes como esses acontecem não porque há uma arma na mão de alguém, mas porque há uma mente doentia por trás do gatilho. Se fosse uma faca de cozinha ou um canivete, em vez de uma pistola 45 ou uma escopeta 12, haveria mortes também, como demonstraram os atentados suicidas de 11 de setembro de 2001 (aliás, é curioso como os mesmos que advogam o fim da liberdade de escolha em nome do desarmamento no Brasil se mostram tão indignados quanto às rígidas regras de segurança adotadas nos aeroportos dos EUA após os ataques às Torres Gêmeas...). A questão não é a quantidade de armas em circulação, mas quem as porta, assim como o que importa não é quantos carros há nas estradas, mas se o motorista sabe ou não dirigir. Além disso, já está mais que comprovado que a fórmula "menos armas, mais segurança" não funciona na prática. Há atualmente, nos EUA, muito mais armas de fogo nas mãos de cidadãos comuns do que no Brasil, onde vigora uma legislação duríssima e um "Estatuto do Desarmamento" que praticamente proíbe o indivíduo de comprar legalmente um revóver 38. E, no entanto, o que predomina lá é a fórmula inversa, ou seja, "mais armas, menos crimes". Façam uma pesquisa, se quiserem, e vocês vão ver.

Na verdade, não há nada, rigorosamente nada, que permita dizer que um controle maior do Estado sobre as armas nas mãos da população - ou, inversamente, a ausência desse controle - influi, de forma decisiva, nos índices de criminalidade. Basta ver exemplos como o do Japão e da Jamaica, países onde portar armas, mesmo em casa, é ilegal e que têm níveis de violência muito diferentes - quase nulos no Japão, assustadores na Jamaica. Por sua vez, a Suiça convive muito bem com uma legislação que permite a um cidadão guardar um fuzil militar no armário, e nem por isso se vêem os suíços se matando como se estivessem em guerra.

Sabe-se que os EUA possuem uma tradição de o indivíduo possuir armas e portá-las. Mais que uma tradição, é um direito assegurado pela Constituição. Suas origens estão na própria formação histórica do país, a partir de comunidades na prática independentes, em que a posse de um rifle ou de uma pistola sempre foi vista como uma garantia de segurança contra índios e de liberdade contra qualquer ingerência estatal. Durante a Guerra de Independência (1775-1781), foram as milícias de cidadãos, os minutemen, que estiveram à frente da luta contra as forças coloniais britânicas. Ao contrário dos países da América Latina, colonizados manu militari por Espanha e Portugal, ter ou não uma arma, para os norte-americanos, passou a ser, desde então, mais que uma questão de segurança, um símbolo de resistência à opressão e de liberdade individual.

Daí a resistência dos norte-americanos a qualquer projeto de lei que busque tolher esse direito. É difícil para nós, brasileiros, compreendermos isso. Nossa mentalidade, herdada do colonialismo português, sempre colocou a liberdade individual, o direito de escolha do indivíduo, em segundo lugar. Como demonstram os vários períodos ditatoriais da História do País, sempre vigorou, entre nós, uma postura favorável e simpática ao intervencionismo estatal, ao Estado-Leviatã, em vez do Estado liberal clássico. Este continua a ser, para nós, um anátema, geralmente confundido com práticas anárquicas e nepotistas ou com o funesto e incompreendido "neoliberalismo" (a culpa de todos os nossos males, segundo a visão esquerdista, assim como a "globalização" e o Fernando Henrique...).
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A simples noção de liberdade individual, bem como a responsabilidade que lhe é inerente, nos é algo completamente estranho. Um exemplo demonstra isso de forma bastante didática: quando era criança, o piloto norte-americano Chuck Yeager, o primeiro homem a romper a barreira do som, matou acidentalmente seu irmão com um tiro de espingarda. Apesar do trauma, seu pai o pôs no colo e ensinou-o a manejar corretamente a arma, para que acidentes do tipo não se repetissem. Pode-se imaginar situação semelhante no Brasil? Há alguns dias, uma parte da arquibancada do Estádio da Fonte Nova, em Salvador, desabou, matando sete pessoas. Em vez de apurar responsabilidades, o governo estadual do petista Jaques Wagner resolveu demolir o estádio. Do mesmo modo agiu o governo do Pará, da também petista Ana Júlia Carepa, diante da denúncia de que uma menina de 15 anos havia ficado quase um mês trancafiada numa cela com mais de 20 homens, onde teria sido sistematicamente estuprada: mandou demolir a cadeia. Nos EUA, diante de uma tragédia como a relatada acima, busca-se acertar, corrigir o erro. No Brasil, manda-se demolir - ou desarmar. Cada povo encara - ou não - seus demônios de forma diferente.
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A associação entre desarmamentismo e totalitarismo é inegável. Não por acaso, uma das primeiras medidas que regimes totalitários como o de Hitler e Stálin tomaram foi proibir todos os cidadãos de portar armas. Somente as Forças Armadas e os órgãos de segurança - inclusive a polícia política - tinham esse direito. E o resultado não foi nenhum aumento da segurança para a população. Muito pelo contrário. A julgar pelas simpatias ideológicas de partidos como o PT, que defende o desarmamento, por regimes como o de Cuba e pelos narcoterroristas das FARC, é lícito desconfiar de medidas desse tipo.

Ao contrário do que nos dizem diariamente as ONGs "da paz" e a Rede Globo, armas são, sim, uma proteção. Sempre me perguntei por que os tarados e malucos que resolvem se matar e levar uns dez junto consigo nos EUA escolhem lugares como escolas ou jardins-de-infância para cometer seus massacres. Por que não atacam, por exemplo, uma convenção de caçadores ou um clube de tiro? Há dezenas de motivos para tragédias sangrentas como as de Columbine ou Nebraska. Inclusive, e principalmente, motivos de ordem psicológica. A posse de armas por cidadãos comuns, porém, não é um deles.

2 comentários:

Esteban disse...

“hola,
acá nosotros perguntamos:? Cuál la razion que Hugo Chavez y Evo Morales fazen y dizen lo que quer con brazil y brasileños ainda baten las palmas para el ditadores.
Evo Morales tomou la focia petrobras de brasileños y su presidiente que es un gran covard aceitou muy calado y ainda diz que fue justo.
Hugo Chavez faz una propaganda muy ruin en mundo de proalcool brasileño y su presidiente ainda bate las palmas para el ditador Hugo Chavez con sorizo.
perdón nosa indescricion, más es muy dificil de entender porque brasileños tien tanto miedo de Hugo Chavez y Evo Morales.
la verdad es que si continuar asin Hugo Chavez y Morales conseguindo tudo de brazil la focia y con mucha facilidad, con cierteza su provincia de ACRE será también tomado la forcia y con cierteza su presidiente y brasileños van más una vez ficar caladitos y ainda bateren las palmas para el ditadores .
perdón la sinceridad y portuñol.
más acá es motivo de destaque y mucho comentario que presideinte de brazil es Nino de recado de Fidel, Chavez y Morales.
Esteban Crustille
Córdoba”

Larie Pereira disse...

Compreendo seu ponto de vista, porém discordo em partes.
Tudo bem que o direito de portar armas pode ser visto como liberdade individual. Mas ainda assim penso que não deveria ser tão fácil pra “mente doentia por trás do gatilho” conseguir se armar.