segunda-feira, agosto 17, 2009

POR QUE É PRECISO LER ANTES DE FALAR

Outro dia respondi aqui a um leitor que pediu minha opinião sobre o Acordo celebrado entre o Brasil e o Vaticano, a tal Concordata Brasil-Santa Sé. O leitor reproduziu uma opinião corrente, segundo a qual a tal Concordata, em um de seus artigos (sobre educação), feria o princípio da laicidade do Estado etc. e tal. Percebi imediatamente um certo exagero anti-católico na questão. Chamei a atenção, por exemplo, para o fato de que o Vaticano é um Estado, e que a Concordata é entre dois Estados, e não com a Igreja católica. Mas, na hora, por falta de maiores informações, deixei para depois uma opinião definitiva sobre o assunto. Fiz então o que pouca gente faz numa hora dessas, e procurei ler o que diz o texto do Acordo. E percebi então que NADA, mas nada mesmo, do que estão dizendo os "defensores do Estado laico" contra a Igreja católica é verdade.

O texto da Concordata, que está para ser assinada no Congresso e motivou até uma nota de repúdio da AMB - Associação dos Magistrados Brasileiros - está aqui: http://www.scribd.com/doc/17322363/Concordata-entre-o-Brasil-e-a-Santa-Se. Atentem para o que diz o Artigo 11, ao que parece o motivo de toda a controvérsia:

Artigo 11

A República Federativa do Brasil, em observância ao direito de liberdade religiosa, da diversidade cultural e da pluralidade confessional do País, respeita a importância do ensino religioso em vista da formação integral da pessoa.

§1º. O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem qualquer forma de discriminação.

Li e reli o Artigo acima e devo admitir que não encontrei aí nada, absolutamente nada, que fira, por mais remotamente que seja, a separação entre religião e Estado. A mesma conclusão terá facilmente quem o fizer com olhos críticos, e não com espírito de Torquemada às avessas. Não há nada no dito Artigo que cheire à intolerância religiosa, ou à sobreposição de uma crença sobre o princípio da laicidade estatal. Pelo contrário: o texto fala claramente em "observância ao direito de liberdade religiosa" e em "pluralidade confessional". Quando fala do ensino religioso, deixa claro que se trata de matrícula facultativa, ou seja, não-obrigatória, do currículo escolar, não necessariamente destinada ao ensino católico, "em conformidade com a Constituição" etc. etc.
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Em outras palavras: não se trata de impor a doutrina católica, ou qualquer outra - vejam que o texto faz referência a "outras confissões religiosas" -, nas escolas públicas, mas de torná-la facultativa. Ou seja: estuda quem quiser. Ninguém será obrigado a aprender o criacionismo em vez da teoria da evolução natural, por exemplo. Já quanto às aulas de doutrinação ideológica marxista, que se tenta impingir a crianças e adolescentes sob o disfarce de aulas de "filosofia" e "sociologia", não sei se é possível dizer a mesma coisa.

Já escrevi neste blog, e os textos estão aí para mostrar, o que penso do tema religião. Sou ateu, mas nem por isso vou me tornar um inquisidor ao contrário. Se me perguntarem se prefiro o ensino das ciências ou o do Bíblia (ou do Corão, ou dos Vedas), direi que prefiro o primeiro, claro, mas isso não me dá o direito de proibir quem quiser estudar o Novo Testamento de fazê-lo. Aliás, acredito que é justamente o fato de ser ateu que me dá alguma credibilidade para falar do assunto: ao contrário de muitos "ateus" que existem por aí, não o sou apenas contra o catolicismo.
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Está em ação o CCC - Comando de Caça aos Católicos. Não me chamem para esse tipo de coisa. Defendo o Estado laico, não o stalinismo.

sexta-feira, agosto 14, 2009

ARGUMENTOS EXEMPLARES

Ontem tive uma discussão muito interessante e acalorada no trabalho sobre o assim chamado "golpe" que derrubou o golpista boliviariano Manuel Zelaya do governo em Honduras. Quem começou o debate, é bom dizer, não fui eu. Como o dito-cujo estava em visita ao Brasil, e como pedissem minha opinião sobre o assunto, não pude resistir. Apesar do tumulto - como sempre acontece, fui interrompido diversas vezes e não consegui concluir vários raciocínios -, acho que consegui expressar meu ponto de vista de maneira mais ou menos clara. Mas o que achei mais curioso foram três argumentos que me foram colocados por um dos debatedores, que insistia em chamar de "golpistas" os que tomaram o poder no país da América Central e em rejeitar essa mesma classificação a Zelaya:
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"O que houve em Honduras foi golpe; já Zelaya não pode ser chamado de golpista, pois foi deposto antes de concretizar seus desígnios autoritários. O mesmo pode ser dito de Jango, em 1964, e de Salvador Allende no Chile: tinham tendências autoritárias, mas não deram golpe; logo, não eram golpistas".
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O argumento é capcioso. Parte da premissa de que só existe golpismo após o fato consumado, e que somente então é que é possível tirar daí alguma conclusão. À primeira vista, parece correto, indo de encontro a qualquer interpretação contrafactual da História, e fiando-se apenas na frieza dos fatos. Além disso, aproxima-se da crítica feita à "guerra preventiva" de Bush - com a diferença de que, em vez desta, teríamos aqui um "golpe preventivo". Enfim, parece algo perfeitamente lógico. Mas não é.
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Não é, por um motivo muito simples: Zelaya não foi deposto pelo que pretendia ou queria fazer - a reforma da Constituição hondurenha por meio de referendo, considerado ilegal -, mas pelo que estava efetivamente fazendo: seu governo já se havia chocado frontalmente com as leis e com os demais Poderes do país, o Legislativo e o Judiciário, tendo ele tentado - não quis tentar, ele tentou - usar as Forças Armadas do país como sua milícia particular. No dia marcado para o referendo, 28/06, ele intimou o comandante do Exército a levar adiante a consulta declarada ilegal e inconstitucional, não deixando outra alternativa àquele senão agir conforme determina a Constituição, declarando-o deposto e instalando um governo provisório em seu lugar para dar prosseguimento ao calendário eleitoral. Antes disso, ao convocar o tal referendo ele já se havia colocado fora da Lei. Isso já foi tão explicado que me dá até um certo tédio repetir esses fatos aqui.
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Em outras palavras: Zelaya, e não Roberto Micheletti, agiu como um golpista, não se limitando às meras intenções: ele tentou, sim, um golpe civil. Assim como Jango e Allende, aliás, que foram também derrubados - aqui, sim, por golpes militares - não porque tivessem "tendências autoritárias", mas porque haviam de fato rompido com a legalidade institucional (se têm dúvidas quanto a isso, recomendo estudarem um pouco mais a História, e não a versão branco-e-preto que nos foi transmitida durante gerações pelo lado derrotado).
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Além do mais, esse tipo de atitude - na verdade, falta de atitude - diante de quem tenta rasgar a Constituição para eternizar-se no poder e destruir a democracia, sob a capa de um raciocínio ex-post facto, serve apenas para justificar a omissão e a pusilanimidade. Foi a mesma posição adotada pelas democracias ocidentais diante da marcha avassaladora do nazi-fascismo na década de 30: de concessão em concessão, ajudaram a preparar a catástrofe. Foi por isso que apoiei a guerra contra Saddam Hussein no Iraque: porque contra tiranos desse naipe, assim como contra terroristas, não há como agir senão preventivamente. Se dependesse dos que se opuseram à guerra, teria sido necessário esperar até Saddam usar as tais armas de destruição em massa para agir contra ele (aliás, ele usou sim, contra os curdos, em 1988, e só não conseguiu a bomba atômica porque Israel agiu em 1981. Preventivamente). Aliás, se dependesse dos que foram contra a guerra, Saddam ainda estaria no Kuwait.
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O mesmo no caso de Honduras: se depender dos que defendem argumentos como o citado aí em cima, Zelaya já deveria ter voltado ao país e se declarado ditador. Aliás, é exatamente isso que ele está tentando - e não só querendo - fazer.
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Em resumo, de acordo com o raciocínio exposto acima, um crime só é crime depois de consumado. É preciso esperar, portanto, até que o estuprador consume seu ato para prendê-lo. Até onde eu sei, porém, tentativa de estupro ainda é crime de acordo com o Código Penal.
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"Praticamente o mundo inteiro, a OEA, a ONU, a União Européia, os EUA condenaram o 'golpe' em Honduras e querem o retorno de Zelaya. Então o mundo inteiro está errado e só você está certo? Quem tem mais legitimidade: você ou Barack Obama?"
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Aqui tenho somente uma coisa a dizer: respeito profundamente quem defende esse tipo de argumento. Isso porque, embora discorde de todas elas, tenho um profundo respeito pelas religiões. O argumento da autoridade - "quem é você para ousar contestar a opinião de Roma?" - é um dos pilares da mentalidade religiosa. Sendo a autoridade em questão não a da Igreja ou do Papa, mas a de Santo Barack Hussein Obama, é até covardia. Mas, como já escrevi aqui antes, é preciso mais do que isso para me impressionar. Sei que não sou ninguém. Mas não deixo de sentir uma pontinha de orgulho ao saber que estou defendendo um ponto de vista diametralmente oposto ao de Lula ou Obama. Até onde eu sei, a verdade de uma tese ainda é determinada pela Lógica, não pela quantidade ou pela autoridade dos que nela acreditam. Aqui não vale o Obama locuta, causa finita.
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"Quando é que você vai deixar de ser massa de manobra de Diogo Mainardi e de Olavo de Carvalho?"
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Fico até com certa dúvida se devo comentar ou não esse tipo de observação. Mas, tudo bem, vamos lá. Eu ficaria preocupado se, em vez dos dois autores citados acima, alguém tentasse me apresentar como mero papagaio de um, digamos, Emir Sader ou uma Marilena Chauí. Mas, como se está falando não destes, mas de dois conhecidos arautos da "direita", realmente não me importo. Aliás, minto: fico até orgulhoso. Isso quer dizer que, mesmo tendo em relação a um deles algumas discordâncias pontuais, eu estou no caminho certo, não me deixando policiar pelas patrulhas esquerdistas. Além do mais, "massa de manobra" é brincadeira. Francamente...
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Aí está. Três exemplos ilustrativos de argumentos usados nesses dias para justificar o golpismo bolivariano e negar à democracia o direito de se defender dos que querem usá-la para destruí-la. Desnecessário repetir, mas a pergunta que eu fiz aqui outro dia continuará sem resposta: Por que os que hoje condenam o "golpe" que derrubou Zelaya não deram um pio quando este se dedicava a destruir a democracia em Honduras? Sei que vou esperar até o inferno congelar por uma resposta, mas fica a questão.

quinta-feira, agosto 13, 2009

COMO TORNAR-SE UM IDIOTA (E AINDA SER LOUVADO POR ISSO)

O que vem a seguir é uma série de recomendações, elaboradas após anos de atento estudo e observação, que visam a servir de manual ou receituário para quem quiser tornar-se um autêntico exemplar do que já se convencionou chamar de perfeito idiota latino-americano (ou europeu, ou asiático etc.). Trata-se de um conjunto de regras básicas para quem deseja fazer parte dessa crescente grei, que espero seja útil aos prováveis candidatos ao troféu de maior idiota do ano - especialmente aos estudantes e professores de Filosofia e de Ciências Sociais nas universidades brasileiras, entre os quais se pode encontrar facilmente alguns de seus espécimes mais ilustres.
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A primeira e mais importante regra de todas, e a qual o aspirante a idiota não pode jamais esquecer, é que ele ou ela deve, em primeiríssimo lugar, dividir a humanidade em duas categorias: os bons e os maus. Os bons são todos aqueles classificados no vago e abrangente rótulo de "esquerda"; os maus, obviamente, são os de "direita". Pode-se ainda refinar essa classificação, trocando esquerda por "revolucionário" ou, se esse termo parecer muito radical, "progressista", em contraposição a "conservador" e "reacionário", que dá na mesma. Desse modo, ter-se-á encontrado a maneira perfeita de definir o bem e o mal, o certo e o errado, em qualquer ramo do conhecimento: diante de um autor que não lhe agrada, mesmo que o que ele diga seja a verdade mais cristalina, basta tascar-lhe o rótulo de "direitista" e ele será imediatamente desacreditado; ante um autor de sua preferência, ainda que seja um notório charlatão e que só diga babatadas, diga que ele é de esquerda e que está do lado das classes populares, e tudo que ele disser virá revestido da verdade mais absoluta. Assim, não sendo mais necessário o exercício cansativo de pensar, tudo poderá ser resumido a essa fórmula extremamente complexa: "É de direita? Então não presta. É de esquerda? Então é bom."
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Jamais seja modesto: tenha em mente que, assim como os mutantes do mal da série X-Men, você é um deus entre insetos: saiba que você pertence a um tipo superior de indivíduos, acima do restante da humanidade, como dizia um dos maiores ídolos da idiotia esquerdista mundial, Che Guevara. Apresente-se sempre como o verdadeiro e legítimo defensor da ética e da democracia, e seus adversários como trogloditas autoritários, além de ladrões e corruptos. Com a repetição sistemática desses epítetos, mediante slogans berrados ad nauseam, estará consolidada no imaginário coletivo a idéia de esquerdista como sinônimo de tudo de bom e positivo existente na espécie humana, com a contraparte inevitável do direitista associado automaticamente a tudo que não presta. Nem precisa ser de esquerda para isso: basta seguir o que dizia o dr. Goebbels.
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Se você tem por volta de 60 anos e tiver a sorte de ter feito parte, um dia, de algum grupelho ou organização de extrema-esquerda adepta da luta armada durante os "anos de chumbo" do regime militar, e se você for pego em flagrante fazendo alguma coisa pouco republicana como um mensalão ou dossiês, faça questão de esfregar na cara de seu interlocutor que você tem uma “história", em nome da qual todos os meios se justificam. Ignore se alguém lembrar o fato inconveniente de que a organização a que você pertencia praticava assaltos e assassinatos não para que o País se tornasse uma democracia, mas para substituir a ditadura dos generais por outra ditadura, certamente pior. Se você tiver a boa fortuna de poder apresentar um atestado de ex-preso político ou torturado, ainda que tenha passado apenas algumas horas no DOPS depois de ter sido preso em alguma manifestação estudantil, então é a glória: além de "herói da resistência democrática", você poderá requerer uma gorda indenização dos cofres públicos pelos anos de perseguição política, e por não ter podido transformar o Brasil numa nova Cuba.
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Se um jornal tiver a ousadia de publicar um editorial chamando de "ditabranda" um regime que matou 424 pessoas, a maioria terroristas, em 21 anos, faça um escarcéu: chame o jornal de "golpista" e outras coisas do gênero, deixando claro seu repúdio a essa tentativa de relativizar a ditadura. Só não cometa o erro de mostrar a mesma indignação contra ditaduras nada brandas, como a de Cuba, que já matou quase cem mil e continua matando depois de 50 anos. Se alguém lhe chamar a atenção para esse detalhe, desconverse: decrete a proibição de comparar, e pronto.
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Use e abuse de termos como "fascista" para se referir a todos aqueles que, por qualquer motivo, discordam de você e acham que você não é a parte boa da humanidade. Afirme que todo direitista é fascista, e que o comunismo é o contrário do fascismo. Se alguém lhe recordar fatos como o pacto Hitler-Stálin de não-agressão e o massacre dos oficiais poloneses em Katyn, mude de assunto.
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Culpe o capitalismo (ou o neoliberalismo, ou a globalização...) por todos os males do mundo, da pobreza na África ao aquecimento global e à extinção dos ursos polares. Não se importe com o fato de que você não pode viver sem celular e internet, e que essas facilidades são frutos do capitalismo. Quanto ao aquecimento global provocado pelo homem, não tenha dúvidas: é um dogma científico. Afinal, foi Al Gore quem disse, e ele até ganhou um Oscar por isso.
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Ataque o capitalismo, onde quer que ele esteja, e também onde não esteja (como na maioria dos países da África). Deixe claro que você defende a “função social da propriedade” – como se o lucro já não cumprisse uma função social importante - e que, quanto mais Estado, mais bem-estar social - embora, se dependesse do tamanho do Estado e da carga tributária, países como o Brasil seriam de primeiríssimo mundo. Condene como ganância e egoísmo o enriquecimento pelo esforço próprio, mas não o uso dos cofres públicos para beneficiar os “companheiros”.
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Junte ao anticapitalismo uma boa dose de ressentimento racial, colocando a culpa pela crise financeira mundial nos "brancos de olhos azuis". Aliás, o verdadeiro idiota torce para que a crise atual seja o início do fim do sistema capitalista, pois acredita que o capitalismo está sempre em sua fase final de crise e degeneração, desde, pelo menos, o crash da Bolsa de Nova York em 1929.
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Se você passou anos vociferando contra a política econômica “neoliberal”, as privatizações etc., e está agora no governo, defenda a mesma política, a ponto de reivindicar sua paternidade. Reivindique para si as glórias da estabilidade econômica na época de vacas gordas, e culpe os outros (os EUA, os especuladores) em tempos de crise, ou de marolinha que virou tsunami. O importante é não reconhecer jamais, nunca, que quem botou ordem na casa foi outro, e não você.
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Condene sem hesitar o capitalismo e o imperialismo, mas silencie, ou se diga pelo menos "neutro" em relação ao comunismo ou ao terrorismo islamita. Se não for possível tomar partido abertamente em favor destes, pregue a "moderação" e exalte as virtudes da "imparcialidade". Deixe de lado qualquer isenção, porém, quando se tratar do governo Bush ou de algum seu aliado. Declare-se neutro em relação às FARC ou ao conflito Israel-Hamas na Faixa de Gaza, sem se importar com o fato de que você está igualando narcoterroristas a um governo constitucional e um país democrático a fanáticos que juraram varrê-lo do mapa. Isso, lembre, é uma posição "equilibrada".
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Como bom idiota, você acredita que ser "isento" é a suprema aspiração do jornalista, menos quando se trata de desancar a direita. É por isso que você, caro idiota, odeia revistas como a VEJA e adora a Carta Capital, esse modelo de revista "imparcial" e "independente". Ao mesmo tempo, não se esqueça de vociferar, sempre que tiver oportunidade, contra a "mídia burguesa", mas faça questão de dizer que defende a liberdade de expressão - desde que seja a favor, claro.
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Demonstre que é um antiimperialista e defensor da democracia e dos direitos humanos: o verdadeiro progressista dos tempos atuais foi contra a invasão do Iraque e do Afeganistão que, como sabemos, eram as duas Suíças do Oriente Médio, governadas antes da invasão americana por pacatos democratas. Ao mesmo tempo, não esqueça de se mostrar revoltado e horrorizado diante das cenas de soldados americanos torturando prisioneiros em Abu Ghraib e em Guantánamo, mas não diga uma palavra, a não ser em defesa, sobre a ditadura de Saddam Hussein ou a dos irmãos Castro em Cuba, onde existem umas 300 guantánamos. Se tiver de fazê-lo, diga que em Cuba ou na Venezuela existe democracia “até demais”. Lembre-se: você é um ardente defensor dos direitos humanos, menos em Havana ou em Pyongyang. Defenda com veemência o fim do embargo dos EUA a Cuba, não se esquecendo de chamar o embargo de "bloqueio" e de acrescentar-lhe os adjetivos "criminoso e genocida", mas não diga uma palavra sobre os presos políticos e a censura à imprensa na ilha-presídio. O perfeito idiota esquerdista é um inimigo ferrenho de ditaduras passadas, como a de Pinochet, mas não das ditaduras presentes como a cubana. Em relação a esta última, ele é, no máximo, "equilibrado" e "imparcial". Pelo mesmo motivo, denuncie como genocídio o que os EUA fazem no Iraque e o que Israel faz com os palestinos, não o que o governo islamita do Sudão faz em Darfur. Aproveite e tente minimizar o massacre de opositores à teocracia do Irã como uma mera rixa entre vascaínos e flamenguistas.
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Não se contente em se dizer um paladino da luta pela liberdade e pela democracia: tente reescrever a História. Tente, por exemplo, revogar uma Lei que anistiou terroristas e torturadores, de modo a que estes últimos sejam punidos, mas não os primeiros. Aliás, sempre que se colocar diante da questão, diga que o que você e seus companheiros praticaram quarenta anos atrás não foi terrorismo, e que aquele vigia de banco ou aquela dona de casa que levou uma bala na cabeça ou teve a perna estraçalhada por uma bomba foram apenas danos colaterais da heróica luta armada que queria instalar por estas plagas uma ditadura totalitária. Deixe ainda mais claro seu compromisso com a democracia e com a liberdade, repatriando, na calada da noite, fugitivos de regimes como o de Cuba e concedendo refúgio e status de perseguido político a assassinos da própria grei condenados pela Justiça de ditaduras como a Itália.
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Se alguém lhe exigir coerência, rebata dizendo que democracia e direitos humanos são, na verdade, conceitos ocidentais impostos pelo colonialismo europeu aos demais povos do planeta, e que tais conceitos são relativos - jogando no lixo, assim, a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Mas atenção: só use esse argumento relativista quando o regime em questão for o de Cuba ou da China comunista, ou do Irã ou da Coréia do Norte. Nunca, jamais, use o mesmo argumento para se referir a ditaduras como a de Pinochet no Chile ou a dos militares brasileiros após 1964.
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Se você for petista (um dos tipos mais numerosos de idiota), afirme até se convencer que o mensalão foi uma invenção da mídia golpista e das elites-que-há-quinhentos-anos-governam-o-Brasil, que querem derrubar o governo-que-mais-fez-pelos-pobres-na-História-do-Universo, proclamando que o PT é o partido mais ético do Brasil. Se não der certo, repita o discurso do chefe, e diga que não sabia de nada, que se sente "traído", ou que "todos fazem igual". Apegue-se principalmente a esse último discurso, sacando da manga a seguinte frase: "Ninguém presta na política, inclusive eu". Não ligue para o fato de que, alguns anos atrás, você estava com um discurso completamente diferente, dizendo "Ninguém presta, só eu".
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Se você, por algum motivo, não estiver se sentindo bem no PT, não tem problema: você pode pular do barco que está afundando, e fundar um novo partido, afirmando que a o governo atual traiu os trabalhadores e o socialismo e voltando ao mesmo discurso moralizante que levou o PT ao governo. Sempre haverá quem caia nessa.
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Há outras regras que caracterizam o perfeito idiota esquerdista. Por motivo de espaço, vou resumi-las aqui:
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- Emocionar-se com os discursos “históricos” de Barack Obama, antes mesmo de eles serem pronunciados;
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- Descartar o Foro de São Paulo como uma fantasia de teóricos conspiracionistas de extrema-direita, mas dar crédito a quem diz que os atentados de 11 de setembro foram uma conspiração da CIA;
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- Negar de pés juntos que o Bolsa-Família seja um programa assistencialista e eleitoreiro e chamar de "imbecil" e "ignorante" quem diz isso;
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- Ler os livros de Emir Sader e de Marilena Chauí, “as maiores cabeças da intelectualidade brasileira”;
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- Comover-se até as lágrimas com os livros de Frei Betto e Leonardo Boff, duas almas elevadas;
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- Acreditar que As VÉIAS abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, é um livro de História;
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- Considerar Oscar Niemeyer e José Saramago dois gênios da humanidade;
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- Acreditar que os filmes de Michael Moore são documentários, e não peças de ficção;
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- Considerar a China e o Vietnã de hoje exemplos de sucesso do “socialismo”, embora haja mais comunistas hoje na USP do que em Pequim ou em Hanói;
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- Idolatrar Che Guevara, Fidel Castro, Lênin, Trotsky, Mao ou Stálin, e ignorar quem foram Edmund Burke, John Stuart Mill, Ludwig von Mises, Jean-François Revel, Alexander Soljenitsin e Raymond Aron.
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- Denunciar o “pensamento único ‘neoliberal’”, muito embora o esquerdismo seja há décadas o pensamento único nas escolas e universidades, até na vida quotidiana;
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- Acreditar que não ser “alienado” e ter “senso crítico” é repetir slogans em passeatas;
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- Crer que apontar a ignorância do presidente é “preconceito”, pois afinal ele é “do povo” – mesmo tendo deixado de sê-lo há uns trinta anos, pelo menos, e não tendo estudado porque náo quis;
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- Afirmar que a oficialização do racismo por meio das cotas é o caminho para acabar com o... racismo – e isso no Brasil, um país, como se sabe, tão racista quanto era a África do Sul na época do apartheid;
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- Pregar a tolerância com todas as religiões, menos com o cristianismo (e especialmente com a Igreja Católica, a menos que seja a teologia da libertação);
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- Ser a favor do aborto, dos direitos dos gays e das minorias, em nome do "politicamente correto" – ainda que seja preciso proibir pastores evangélicos de citarem a Bíblia e humoristas de fazerem "piada de bicha";
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- Achar que a solução para o problema da violência é o desarmamento – menos dos bandidos;
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- Ser contra a redução da maioridade penal, uma “medida fascista” em vigor em países como Inglaterra e Suiça, e ser a favor da liberalização da maconha ("porque assim não haverá mais tráfico ilegal nem criminalidade");
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- (Se for radical): Achar que Lula e Hugo Chávez não são de esquerda e se venderam ao capital;
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- (Se for moderado): Achar que Lula é a esquerda "vegetariana", um antídoto ao "carnívoro" Chávez;
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- (Se for nos países ricos): Consumir-se de complexo de culpa por ser branco, homem, rico, escolarizado e cristão;
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- (Se for no Brasil): Posar de vítima por ser não-branco, mulher (ou gay), pobre, iletrado e torcedor do Olaria;
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- Acreditar que o desenvolvimento é uma questão de vontade política, via decisão governamental;
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- Achar que a Guerra Fria foi travada por um lado apenas, os EUA;
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- Achar que são “políticas sociais”, e não leis mais duras e repressão policial, a solução para a criminalidade (ou seja: todos os pobres são bandidos em potencial);
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- Não ver problema algum em consumir drogas ilícitas à noite e fazer passeata “pela paz” de manhã.
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Ah sim, outra coisa importantíssima: sempre que se colocar diante da necessidade de emitir uma opinião sobre qualquer assunto, nunca se esqueça de se certificar que seu ponto de vista coincide com o da maioria, ou, mais especificamente, com o que pensam a respeito os medalhões de nossa intelligentsia nacional e internacional. Consulte antes os sábios. Se não tiver o que dizer, repita as palavras dos mestres: eles estão sempre certos, assim como a maioria. Jamais - nunca, em hipótese alguma - cometa o erro crasso de pensar com os próprios neurônios. Tenha sempre em mente o velho ditado comunista: "Melhor errar com o Partido do que acertar fora dele".
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Finalmente, se de repente você se vir sem argumentos (o que ocorre com certa freqüência), não se acanhe e apele para o velho recurso da argumentação ad hominem, cobrindo quem não se coloca de seu lado com adjetivos como "agente da CIA", "lacaio do imperialismo" ou, então, "massa de manobra de Reinaldo Azevedo e de Olavo de Carvalho". Funciona sempre: dá a impressão de que seu adversário não tem pensamento próprio e se limita a servir de correia de transmissão desses autores. Exatamente o contrário de você, claro.
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Pronto! Se você seguir direitinho as regras acima, garanto que se tornará, em pouco tempo, mais um exemplar da fauna dos perfeitos idiotas esquerdistas. Em breve, terá aposentado de vez a massa cinzenta existente dentro de seu crânio, a qual logo entrará em desuso, e estará agindo como um robô apatetado e repetidor de slogans, seguindo a manada. Asseguro ainda que você jamais se sentirá sozinho e desamparado, pois, se há algo que caracteriza os membros dessa espécie em contínua expansão, é a incrível capacidade gregária, sendo eles vistos quase sempre em grupo, conforme o velho ditado latino: Asinus asinum fricat. Fique certo de que, uma vez aceito como parte do "coletivo", as oportunidades se abrirão, e você terá um futuro brilhante pela frente, seja em alguma repartição oficial, em algum cargo comissionado, seja como professor em algum departamento de Filosofia ou Ciências Sociais em alguma universidade pública brasileira.
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Se algum dia alguém lhe vier cobrar que preste contas de suas posições político-ideológicas, não se preocupe: acima de tudo, ser de esquerda - e ser idiota - é nunca ter de pedir perdão.

quarta-feira, agosto 12, 2009

UM GOLPISTA EM BRASÍLIA


Zelaya e Lulla em Brasília:
enquanto o brasileiro vislumbra o brilhante futuro
da América Latina sob o chavismo, o golpista boliviariano mostra a ele
o que pretende fazer com a democracia em Honduras...
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Calma! Não é a "ele" que o título acima faz referência. O golpismo do Apedeuta, até agora - e faço questão de frisar o até agora - não revelou todas as suas garras. Não porque ele não queira, é bom que se diga, mas porque, felizmente, as instituições do País (ainda existem instituições no Brasil) não o permitem. Enquanto isso, ele vai preparando o caminho, aliando-se aos sarneys e collors da vida.

O golpista a que me refiro é outro. Trata-se de Manuel Zelaya, o bigodudo com jeito de capataz de fazenda que foi defenestrado no mês passado de Honduras. Zelaya foi expulso por um movimento cívico-militar, a pedido do Legislativo e do Judiciário, por ter tentado dar um golpe civil e mudar a Constituição para eternizar-se no poder. Desde então, tem prometido, com o apoio de Chávez e de Babaca Obama, incendiar o país caso os "golpistas" em Tegucigalpa não permitam que ele retorne ao poder e transforme o país numa Venezuela.

Pois agora o golpista Zelaya está em Brasília, onde se encontrará com Lulla. O governo brasileiro, como se sabe, condenou o "golpe" que depôs Zelaya e apóia o retorno dele, Zelaya, ao poder, reconhecendo-o como legítimo presidente de Honduras. Como tal, ele será recebido aqui com honras oficiais. Certamente, os dois líderes discutirão a melhor estratégia para que Zelaya volte triunfalmente e rasgue a Constituição do país em nome da democracia. Nisso, o governo Lulla está em sintonia com a opinião de quase todo mundo, menos dos hondurenhos. Ou, falando de outro modo: o governo brasileiro está dando seu respaldo oficial ao golpismo bolivariano.

Enquanto isso, é descoberto que o fanfarrão Hugo Chávez virou fornecedor de armas pesadas para os narcobandoleiros das FARC e que a Venezuela é hoje um entreposto para o tráfico de drogas que segue da América do Sul para os EUA e a Europa. Mas o governo Lulla está mais preocupado com o acordo militar entre a Colômbia e os EUA...

Parafraseando uma frase de outra época, e de outros golpismos: "Chega de intermediários! Hugo Chávez para presidente do Brasil!"

segunda-feira, agosto 10, 2009

O DIREITO AO PRECONCEITO

Em Memórias do Cárcere, Graciliano Ramos escreveu que sentia nojo toda vez que ia ao refeitório da prisão onde se encontrava detido por atividades políticas, durante a ditadura do Estado Novo varguista. O motivo, longe de ser a qualidade da comida ou a higiene das instalações, era outro: o cozinheiro da prisão era homossexual. Tamanha era a aversão do escritor alagoano pelo homossexualismo que ele recusava até mesmo a comida servida pelo cozinheiro, que, com seus trejeitos, causava-lhe uma sensação de repulsa física quase instintiva.
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Se fosse vivo hoje, o autor de Vidas Secas e de São Bernardo, reconhecidamente um dos maiores nomes da literatura em língua portuguesa em todos os tempos, talvez o maior no século XX, seria crucificado como preconceituoso e - para usar uma palavra da moda - "homofóbico". Correria mesmo o risco de sofrer uma verdadeira campanha contra ele, com manifestos e abaixo-assinados coletados entre a intelectualidade de esquerda e grupos gays, que veriam nessa sua atitude o cúmulo da intolerância e do desrespeito às diferenças. Provavelmente, até, ele seria processado judicialmente, e teria sua reputação destruída.
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Pode-se tentar agumentar que a ojeriza de Graciliano era causada mais pelas circunstâncias e pelo ambiente sórdido da prisão, onde, como se sabe, a promiscuidade e relações homossexuais estão longe de ser algo raro, do que pela homossexualidade em si, da qual ele, Graciliano, sertanejo de Quebrangulo, interior de Alagoas, conheceu apenas o lado, digamos, menos glamouroso. O argumento não corresponde à realidade. A descrição feita por Graciliano do pederasta - como eram chamados à época os adeptos do sexo entre iguais - não deixa dúvidas de que ele nutria, em seu íntimo, um verdadeiro horror à idéia de dois homens - ou duas mulheres - se tocando e se beijando lascivamente. Era um puritano, um caretão, o Velho Graça.
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Alguém poderia dizer ainda que se tratava de mero preconceito da época, o simples reflexo de um Zeitgeist homofóbico. A tese também não se sustenta. A época em que viveu o escritor e em que se passam os acontecimentos narrados no livro - década de 30 - foi marcada, entre os setores intelectualizados da sociedade de que ele era parte (Graciliano foi militante do Partido Comunista), não pelo repúdio, mas pela tolerância em relação a práticas sexuais consideradas pouco ortodoxas. Muitos artistas e intelectuais de esquerda de renome do período eram, assim como ocorre hoje em dia, notórios homossexuais, vivendo suas vidas homoafetivas de maneira aberta ou não. Em um ambiente assim, convenhamos, sentir nojo, a ponto de recusar a comida servida por um cozinheiro gay, era e continua a ser uma manifestação de preconceito, algo, portanto, imperdoável entre indivíduos ilustrados. Não foi por acaso, aliás, que Memórias do Cárcere, um dos melhores livros de Graciliano, só tenha sido publicado após sua morte. Comunista, seu autor só admitiu postumamente sua verdadeira opinião sobre o assunto.
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Lembrei-me imediatamente de Graciliano Ramos e de Memórias do Cárcere, que li há alguns anos, ao ler a entrevista nas páginas amarelas da VEJA desta semana com a psicóloga Rozângela Alves Justino. O que tem a ver uma coisa com a outra? Muita coisa. Assim como certamente sucederia com Graciliano caso tivesse a audácia de confessar em público sua repugnância pelo homossexualismo, a dra. Rozângela está no centro de uma acirrada polêmica por defender uma terapia que, segundo ela, é capaz de "curar" os homossexuais. Há alguns dias, ela foi punida pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) e impedida de atender pacientes que desejam "curar-se" do homossexualismo. Acresce que, para justificar sua terapia, agora proibida, ela usa argumentos sobretudo religiosos (é presbiteriana). Pronto! Está aí mais uma "homofóbica", uma inimiga da tolerância e da diversidade. Clinicando há mais de vinte anos, a dra. Rozângela se diz vítima de perseguição por parte de militantes gays, e só aceita ser fotografada cobrindo o rosto, temendo por sua segurança.
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Na opinião dos militantes gays e do CFP, a dra. Rozângela Alves Justino é uma perigosa homofóbica, que usa a ciência para dar vazão a seu preconceito anti-homossexual. É uma pessoa que despreza as diferenças. Não merece, portanto, exercer sua profissão, devendo, em vez disso, responder criminalmente.
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Discordo desse veredicto por várias razões. Eis por quê.
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Em primeiro lugar, a dra. Rozângela não obriga ninguém a deixar de ser homossexual. Quem a procura - e a sua terapia - o faz não porque é impelido por outrem a fazê-lo, mas porque quer. Não há lei que impeça alguém de querer deixar de ser homossexual, por qualquer motivo que seja - inclusive, razões de ordem religiosa. Portanto, pode-se, honestamente, impedir alguém, maior de idade, de tentar deixar de ser gay, se assim o quiser? E pode-se impedir um profissional da saúde, seja médico ou psicólogo, de auxiliar essa pessoa se esta assim o deseja e o solicita? Em outras palavras: não existe o direito de alguém optar por sua sexualidade? Aliás, não é exatamente esse direito - a livre opção sexual - a principal bandeira dos militantes gays? Então, por que ele não se aplica a quem deseja abandonar o homossexualismo? Não existiria aí, na verdade, uma forte dose de heterofobia?
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Em segundo lugar, à pergunta freqüentemente feita - é possível deixar de ser homossexual? -, eu responderia com outra pergunta: é possível deixar de ser hetero e virar gay? Segundo os militantes gayzistas, sim. Aliás, muitos deles não fazem outra coisa senão tentar trazer para seu lado - literalmente - os que não compactuam com seu gosto sexual. Adoram mesmo quando alguém "sai do armário" e se assume como mais um da tribo. Por que, então, restringir o direito de homossexuais mudarem de orientação? Quer dizer que a "livre opção sexual" só vale para quem é ou deseja tornar-se gay? Por que o inverso - deixar de ser gay e tornar-se hetero - não é válido?
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Não sei se, à luz da psicologia e da medicina, o homossexualismo é ou não uma doença, a ponto de merecer tratamento psiquiátrico, e me faltam as necessárias ferramentas científicas para ter qualquer opinião a esse respeito (a quem interessar possa: não, a meu ver, não é doença). Logo, não sei se a punição à dra. Rozângela foi, cientificamente falando, correta ou não. Sei apenas que, se o homossexualismo for uma doença, não há qualquer razão para puni-la; pelo contrário, nesse caso, haverá motivos, isso sim, para elogiá-la por seu pioneirismo. Se, ao contrário, não for uma doença, tampouco há qualquer motivo para permitir que médicos e cirurgiões plásticos realizem operações de mudança de sexo, como atualmente já é feito até pelo SUS. Pois, tanto nesse como naquele caso, o que existe é o atendimento de uma solicitação por parte do paciente, que, por qualquer motivo que seja, não se sente bem com sua sexualidade e deseja mudar. Se cirurgias para mudança de sexo já são consideradas algo plenamente normal e corriqueiro, tanto quanto, por exemplo, uma operação para retirar o apêndice ou as amígdalas, por que então uma terapia para reverter a homossexualidade é uma aberração? Se um transsexual masculino pode requerer do Estado uma intervenção cirúrgica para tornar-se mulher na carteira de identidade, por que um homossexual não pode querer abandonar essa sua condição e optar por ser heterossexual (e, ainda por cima, solicitando os serviços de uma clínica particular)?
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Das duas uma: 1) ou a terapia oferecida pela dra. Rozângela Alves Justino é uma demonstração de preconceito e intolerância, e nesse caso as cirurgias de mudança de sexo - do masculino para o feminimo ou vice-versa - também o são, pois o travesti que o faz está igualmente rejeitando uma orientação sexual em favor de outra; ou 2) não é, e nesse caso, trata-se de um procedimento perfeitamente normal e benéfico à sanidade mental dos pacientes. Em qualquer dos casos, a intolerância e o preconceito não se resumem à rejeição do homossexualismo.
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Por falar nisso, é bom perguntar: o que é um preconceito? Um preconceito é uma idéia, uma opinião, que não passa pelo crivo da racionalidade. É algo, na verdade, que todo mundo - repito: todo mundo - tem a respeito de alguém ou alguma coisa. Logo, implica sempre uma escolha, quase nunca racional, como torcer por esse time em vez de outro. Eu, por exemplo, não tenho problema algum em reconhecer meu preconceito contra quem gosta de ópera ou de comida japonesa, ou de corridas de automóveis. É algo que está em mim, eu simplesmente não consigo explicar: simplesmente penso assim, e pronto. Pode-se ou não concordar com uma opinião (ou preconceito), mas isso quer dizer que se deve proibi-la? Também os homossexuais, no simples ato de serem homossexuais, estão demonstrando eles próprios um preconceito, uma aversão às relações íntimas com o sexo oposto. Do mesmo modo, é um absurdo querer obrigar alguém a não ter preconceito, a não sentir repúdio pelo homossexualismo. O preconceito é inerente à natureza humana. Desde que não se expresse na forma de violência, o preconceito é, em suma, um direito. Querer extirpá-lo da mente das pessoas, ainda mais pela força da lei, é algo que só pode ser descrito como lavagem cerebral. Mais: é um atentado à liberdade de pensamento, uma tentativa de uniformização mental. Algo típico de movimentos totalitários, como o comunismo e o nazismo.
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Aliás, vale lembrar aqui o significado da palavra tolerância: com efeito, tolerar não quer dizer concordar, renunciar ao próprio ponto de vista e aderir a quem pensa ou se comporta de maneira diferente de nós mesmos. Tampouco é aceitar conviver com o diferente, partilhar com ele o mesmo ambiente ou, como no exemplo de Graciliano Ramos, o mesmo prato de comida. Significa, isso sim, aceitar a existência, permitir que o outro pense e aja da maneira que melhor lhe convier, desde que cada um reconheça seu espaço e não procure invadir o espaço do outro. Não é, ao contrário do que vulgarmente se pensa, a ausência de preconceito, que é algo íntimo e pessoal, como fica claro no caso da aversão de Graciliano Ramos pelo cozinheiro homossexual. Do mesmo modo, ser intolerante não é sinônimo de ser preconceituoso: ter preconceitos, como disse acima, é um direito do indivíduo; ser intolerante, ou seja, rejeitar a própria existência do outro a ponto de querer exterminá-lo, varrê-lo da face da Terra por ser diferente, não. Pode-se impor, por lei, a tolerância, o respeito à diferença, mas pode-se, francamente, obrigar todos a renunciarem a seus preconceitos? Mais: isso é algo desejável?
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A militância gayzista é altamente vocal em sua propaganda do homossexualismo, e não se cansa de apregoar as virtudes dessa prática sexual. Há muitos gays, inclusive, que não escondem suas intenções de "converter" heterossexuais à sua "causa", fazendo questão de declarar seu desejo de que todo o mundo ou, pelo menos, uma parcela significativa da humanidade, se torne, um dia, homossexual. Tentam, mesmo, coibir e punir legalmente opiniões que consideram não suficientemente respeitosas e ofensivas a sua grei. O que é a parada do "Orgulho Gay" senão a celebração de uma pretensa superioridade inerente a uma opção, ou condição, sexual? Agora pretendem calar e impedir de clinicar uma psicóloga que oferece tratamento a quem deseja deixar de ser homossexual. Do mesmo modo, tentam fazer passar um projeto de Lei que, se aprovado, irá calar pastores evangélicos que citam a Bíblia para expressar sua opinião religiosa sobre o assunto. Não há como deixar de enxergar nisso uma clara demonstração de preconceito e de intolerância - contra os heterossexuais.
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Assim como outros setores da militância esquerdista, os ativistas gays se dizem os paladinos da tolerância e da democracia, rotulando qualquer um que pense diferente deles de reacionário e troglodita. São extremamente sensíveis a qualquer comentário que lhes pareça minimamente preconceituoso, e se mostram melindrados e ofendidos com a maior facilidade. É uma pena que não demonstrem a mesma sensibilidade em relação a quem pense diferente deles. O que os caracteriza é a extrema suscetibilidade em relação a qualquer manifestação de "homofobia", mas nenhuma em relação à opinião divergente. Esquecem, com freqüência, que a História está repleta de exemplos de homossexuais famosos que foram também tiranos e assassinos, como muitos imperadores romanos (Nero e Calígula vêm logo à mente) e os membros das SA nazistas - quantas pessoas sabem que as tropas de choque de Hitler eram formadas por notórios praticantes do antigo esporte da pederastia, e que não escondiam de ninguém essa sua preferência? Esquecem também que o direito a exibir publicamente seu carinho por alguém do mesmo sexo é tão sagrado quanto o direito de um heterossexual sentir repulsa diante disso. Alguém poderia por favor me explicar por que um pastor evangélico, por exemplo, deveria ser obrigado a aceitar que um casal gay troque carícias dentro de um templo durante um culto? A meu ver, ele tem todo o direito de expulsar os namoradinhos a pontapés se o fizerem. Do mesmo modo, nenhum homossexual pode ser privado do direito de tornar-se hetero, se assim o desejar. O direito dos gays acaba onde começa o dos heteros, e vice-versa.
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Como já escrevi aqui antes, é mais difícil praticar a democracia do que defendê-la. Graciliano Ramos sabia disso. Os militantes gayzistas, infelizmente, não.

sexta-feira, agosto 07, 2009

DIFAMANDO OLAVO DE CARVALHO

É uma velha regra, tão velha quanto as ideologias, que, quando aparece um intelectual que não se ajusta à maioria bem-pensante, e que passa a colocar irritantemente em dúvida os dogmas mais sagrados do pensamento hegemônico, ousando destoar do espírito de manada e pensar com a própria cabeça, esse intelectual está cometendo uma espécie de suicídio social, condenando-se ao isolamento e colecionando detratores e inimigos. Estes, diante de argumentos que não podem entender nem destruir, passam a usar, então, os mais antigos dos recursos retóricos: a calúnia e a difamação, mirando abaixo da cintura.
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É precisamente isso o que ocorre, já há alguns anos, com o (palavras de seus inimigos) "franco-atirador" e "filósofo auto-nomeado" Olavo de Carvalho. Desde que, em 1996, ele teve a audácia de publicar um livro, O Imbecil Coletivo, no qual demole uma por uma as imposturas e vigarices intelectuais da intelligentsia (ou burritsia) esquerdista brasileira - na verdade, falar em intelligentsia e falar em esquerda no Brasil é falar praticamente da mesma coisa, sendo a expressão "intelectual esquerdista" quase um pleonasmo -, ele não fez mais do que colecionar inimigos e insultos lançados contra sua pessoa, "extremista de direita" sendo um dos mais comuns. Além disso, o estilo de Olavo de Carvalho, sem papas na língua, é algo que contribui, certamente, para sua má reputação entre os círculos esquerdistas e politicamente corretos, tendo-lhe granjeado o ódio, disfarçado de olímpico desprezo, de parte significativa da intelectualidade nacional. Esta, diante de uma figura assim tão esquisita, e impotente ante seus argumentos, não vê outra maneira de se livrar dele senão reduzi-los a uma coleção de frases soltas que, retiradas do contexto em que foram escritas, resultam completamente distorcidas e falseadas. Com isso, visam a expô-lo ao ridículo e apresentá-lo como uma espécie de maluco paranóico ou, como já se chegou a dizer dele, um agente de interesses econômicos e potências estrangeiras.
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Assim, navegando aleatoriamente pela web, descobri a seguinte coleção de teorias, ou "pérolas", atribuídas a Olavo de Carvalho, que anda circulando em blogs há algum tempo. De início surpreendido ("como alguém pode afirmar tal absurdo?", é o primeiro pensamento que passa pela cabeça de quem lê as tais "pérolas"), resolvi tirar a prova e investigar, por minha conta, se aquilo que se diz de Olavo de Carvalho corresponde ou não aos fatos. Eis o que descobri (as "pérolas" vão em vermelho; os comentários são meus):
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"Pérolas" de Olavo de Carvalho
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Você sabia que…
.1) A ONU apóia o terrorismo?
OS FATOS: Não só apóia, como tem entre seus integrantes alguns dos piores terroristas e assassinos que já pisaram sobre a Terra. A menos que figuras como Omar Al-Bashir, Mahmoud Ahmadinejad, Muamar Kadafi, Fidel Castro e Vladimir Putin - entusiasticamente aplaudidos na Assembléia Geral da dita organização e absolvidos sistematicamente no Conselho de Direitos Humanos da ONU, ao contrário do que costuma acontecer com países como os EUA e Israel -, sejam líderes pacifistas e democratas. A ONU, infelizmente, mudou muito - para pior - desde que foi criada, em 1945, a ponto de ter-se tornado irreconhecível, hoje não sendo mais do que uma super-ONG e um valhacouto de tiranos e genocidas, além de uma tribuna para o antiamericanismo mais grosseiro e para o terceiromundismo mais demagógico. Não por acaso, já teve um ex-oficial nazista como seu Secretário-Geral (o austríaco Kurt Waldheim, de 1972 a 1981), serviu de palanque para Yasser Arafat quando este ainda jurava varrer Israel do mapa, em 1974, e até para Idi Amin, um dos mais caricatos tiranos africanos de todos os tempos. Hoje, a ONU tem como presidente de sua Assembléia Geral um ex-ministro do governo sandinista da Nicarágua nos anos 80, Miguel d'Escoto, e aplaude com entusiasmo quase orgasmático as diatribes antiamericanas de um Hugo Chávez. Sem falar na notória cumplicidade entre algumas de suas agências com o terrorismo do Hamas e do Hezbollah, como ficou demonstrado recentemente no episódio do ataque israelense a uma escola da ONU na Faixa de Gaza - que não existiu.
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Da próxima vez que você ouvir alguém falando em multilateralismo, lembre desses fatos.

2) Há uma conspiração comunista global e o movimento gay é parte dela?
OS FATOS: Aqui é fácil constatar. A conspiração comunista global não é algo novo, nem muito menos fruto da imaginação delirante de alguns teóricos conspiracionistas de extrema direita. Trata-se de uma realidade desde pelo menos 1919, quando Lênin criou a Comintern, a Internacional Comunista, com a missão explícita e declarada de levar a revolução comunista ao mundo inteiro. Atualmente na América Latina, a conspiração comunista, acobertada por uma parte importante da mídia, atende pelo nome de Foro de São Paulo, foi criado em 1990 por Lula e por Fidel Castro e se reúne periodicamente desde então, já tendo levado ao poder governos pró-comunistas em pelo menos nove países latino-americanos.
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Quanto ao movimento gay, sua vinculação com o comunismo internacional também não é nenhuma novidade: é algo sabido e notório desde, pelo menos, a década de 60, quando a New Left norte-americana e européia adotou a causa homossexual como uma de suas bandeiras, ao lado do feminismo, do ecologismo e do black power, para fazer ruir as bases do sistema capitalista e da civilização ocidental, de modo a impor em seu lugar a ditadura mundial do proletariado, apenas com outro nome.
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3) A Lei da Inércia é falsa e Isaac Newton era burro?
OS FATOS: Aqui não falarei nada. Deixo que o próprio Olavo de Carvalho fale por si:
http://www.olavodecarvalho.org/semana/060615jb.html. Leiam e me digam se a frase acima corresponde ou não ao que ele pensa.
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4) Há livros ensinando crianças a fazer sexo oral com elefantes?
OS FATOS: Não sei se os tais livros existem, nem se Olavo de Carvalho disse isso mesmo. Sei apenas que, sob o rótulo de "educação sexual", crianças de sete anos de idade estão sendo diariamente expostas em sala de aula a professores que as doutrinam sobre os benefícios do uso da camisinha, e que alguns até fazem questão de ensinar às crianças de forma bastante gráfica. Sei também que, segundo a pedagogia esquerdista, ensinar a transar com segurança e a não engravidar (ou, se engravidar, a abortar) já tomou o lugar das aulas de Ciências e de Biologia nas escolas públicas, e até nas particulares. Tudo em decorrência de uma visão ideológica herdada dos anos 60, segundo a qual o sexo era também uma arma revolucionária. Diante disso, não ficaria surpreso em ver uma cartilha da 1a série primária mostrando graficamente uma cena de felação entre uma criança e um paquiderme. Afinal, amar os animais também é politicamente correto, não é verdade?
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5) O Brasil hoje é uma ditadura comunista?
OS FATOS: Não sei se é já uma ditadura comunista, mas que vivemos em uma espécie de ditadura mental de esquerda, isso não dá para negar. Basta ver o que acontece com qualquer pessoa, principalmente se for um político, intelectual ou artista de sucesso, que se declare, abertamente, anticomunista. Basta ver, por exemplo, a reação da intelligentsia tupiniquim aos escritos de Olavo de Carvalho.
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6) A mídia apóia os gays para promover o controle populacional?
OS FATOS: Você já viu alguma matéria de jornal ou novela de TV que não mostre os gays como seres angelicais e superiores e como vítimas de preconceito e de um verdadeiro genocídio? Já viu alguém na mídia contestar as estatísticas, claramente falsas e manipuladas, apresentadas por ONGs gays, segundo as quais o Brasil seria um verdadeiro campo de extermínio de homossexuais? Já viu algum comentarista sério chamar a atenção para o fato de que muitos assassinatos de homossexuais são praticados por homossexuais? Já viu algum âncora de jornal ou colunista analisar criticamente a PEC 122/06, que ameaça instituir uma verdadeira polícia do pensamento no Brasil, criminalizando até mesmo uma piada de bar que possa ser considerada demonstração de "homofobia"? Não? Eu também não.
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7) O marxismo nasceu do satanismo?
OS FATOS: Desconheço a história do satanismo, mas sei alguma coisa sobre o marxismo. Sei, principalmente, que foram os ensinamentos de Marx e Engels a base doutrinal para as tiranias mais genocidas e sanguinárias da História, produzindo criminosos seriais como Stálin, Mao Tsé-tung, Pol Pot e Fidel Castro, responsáveis por nada menos do que 100 milhões de mortos. Sei também que, comparado a esses números, o satanismo parece brincadeira de criança. Perto de Stálin e Mao, Satanás é uma freira.
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8) Darwin é o pai do nazismo?
OS FATOS: Confesso que sei menos sobre Darwin e o darwinismo do que gostaria. Mas, como no exemplo anterior, conheço alguma coisa sobre o nazismo. Sei, por exemplo, que ele é herdeiro de teorias racistas e eugenistas do século XIX, que advogavam o extermínio das "raças inferiores" como forma de aprimoramento da humanidade, com base na seleção natural de Darwin. Se têm alguma dúvida, leiam o que Darwin escreveu a respeito:
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"Em algum período futuro, não muito distante se medido em séculos, as raças civilizadas do homem vão certamente exterminar e substituir as raças selvagens em todo o mundo. Ao mesmo tempo, os macacos antropomorfos... serão sem dúvida exterminados. A distância entre o homem e seus parceiros inferiores será maior, pois mediará entre o homem num estado ainda mais civilizado, esperamos, do que o caucasiano, e algum macaco tão baixo quanto o babuíno, em vez de, como agora, entre o negro ou o australiano e o gorila."
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Darwin também escreveu a seguinte "pérola":
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“Entre os selvagens, os fracos de corpo ou mente são logo eliminados; e os sobreviventes geralmente exibem um vigoroso estado de saúde. Nós, civilizados, por nosso lado, fazemos o melhor que podemos para deter o processo de eliminação: construímos asilos para os imbecis, os aleijados e os doentes; instituímos leis para proteger os pobres; e nossos médicos empenham o máximo da sua habilidade para salvar a vida de cada um até o último momento... Assim os membros fracos da sociedade civilizada propagam a sua espécie. Ninguém que tenha observado a criação de animais domésticos porá em dúvida que isso deve ser altamente prejudicial à raça humana. É surpreendente ver o quão rapidamente a falta de cuidados, ou os cuidados erroneamente conduzidos, levam à degenerescência de uma raça doméstica; mas, exceto no caso do próprio ser humano, ninguém jamais foi ignorante ao ponto de permitir que seus piores animais se reproduzissem.”
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Convenhamos: diante do que está escrito aí em cima, é difícil, senão impossível, negar a existência de uma vinculação entre o darwinismo e o nazismo, não acham?
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9) A web foi criada para combater o ateísmo?
OS FATOS: Provavelmente, quem formulou essa frase está se referindo ao fato de que a web surgiu como uma ferramenta essencialmente de uso militar, como parte de um programa de pesquisa científica bancado pelo Pentágono, em 1969. Sendo os EUA, pelo menos à época, o maior bastião mundial na luta contra o comunismo, e sendo o ateísmo um dos fundamentos do comunismo, imagino que a frase seja um caso exemplar de questão retirada de seu contexto. Como todas as demais, diga-se.
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10) O ser humano não precisa de cérebro pra viver?
OS FATOS: O mesmo nesse caso. Jamais vi Olavo de Carvalho, ou qualquer outro ser pensante, afirmar algo semelhante ao que está na frase aí em cima. Lembro, isso sim, de vê-lo se opondo com veemência, de acordo com sua crença cristã, ao aborto de fetos anencéfalos com argumentos morais e filosóficos. Como, aliás, já o vi declarando-se abertamente contrário ao aborto por uma questão de princípio. Imagino que é a respeito disso que trata a frase retirada do contexto.
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11) O nazismo e o FMI são de esquerda?OS FATOS: Sobre o nazismo, quem deixa claras suas raízes na esquerda não sou eu, é o próprio Adolf Hitler. Em 1939, falando ao escritor Hermann Rauschning em Hitler m'a dit, disse o führer:
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"Não sou apenas o vencedor do marxismo, sou seu realizador. Aprendi muito com o marxismo e não pretendo escondê-lo. O que despertou interesse nos marxistas e me forneceu ensinamentos foram seus métodos. Eu, simplesmente, levei a sério o que essas mentes de pequenos comerciantes e secretárias haviam vislumbrado timidamente. Todo o nacional-socialismo lá está contido. Veja bem: os grêmios operários de ginástica, as células empreendedoras, os desfiles monumentais, os folhetos de propaganda redigidos em linguagem de fácil compreensão pelas massas. Esses novos métodos de luta política foram praticamente inventados pelos marxistas. Eu só precisei me apoderar deles e desenvolvê-los para conseguir assim os instrumentos de que necessitávamos."
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O fundador e principal líder do nacional-socialismo afirmou ainda o seguinte:
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"Eu aprendi muito com o Marxismo, como não hesito em admitir. A diferença entre eles e eu é que eu tenho posto em prática o que esses 'revolucionários teóricos' têm começado timidamente. Eu tive apenas de concluir logicamente que a Social-Democracia falhou repetidamente devido à sua tentativa de realizar a evolução dentro da estrutura democrática. O Nacional-Socialismo é o que o Marxismo poderia ter sido se ele tivesse quebrado suas ligações absurdas e artificiais com a ordem democrática."
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Sobre o comunismo, Hitler disse ainda:
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"Há mais do que nos une ao Bolchevismo do que nos separa dele. Há, acima de tudo, um sentimento genuinamente revolucionário, que está vivo em todo o lugar na Rússia. Eu sempre considerei essa circunstância, e dei ordens para que ex-Comunistas sejam admitidos no Partido imediatamente. A pequena burguesia Social-Democrata e os sindicalistas nunca serão um Nacional-Socialista, mas o Comunista sempre será." - "The Ominous Parallels" (1982).
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Tem mais (para quem ainda tem alguma dúvida):
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"Nós somos socialistas, nós somos inimigos do atual sistema econômico capitalista para a exploração dos economicamente fracos, com seus salários injustos, com sua indecorosa avaliação do ser humano de acordo com a riqueza e a propriedade em vez de sua responsabilidade e desempenho, e nós estamos todos determinados a destruir esse sistema sob todas as condições." - Primeiro de Maio de 1927
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Se as palavras do próprio führer reproduzidas acima não forem suficientes, recomendo dar uma olhada no clássico The Road to Serfdom (O Caminho da Servidão), de Friedrich Hayek, que tem um capítulo inteiro dedicado a esmiuçar as raízes socialistas do nazismo.
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Quanto ao FMI, confesso que, por saber pouco de economia, faltam-me elementos para analisar mais profundamente a questão. Sei apenas que tal órgão é parte do complexo ONU (ver frase 1).
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12) Bill Clinton era um agente de Pequim?
OS FATOS: Se Clinton é ou não agente da ditadura comunista de Pequim, é algo que não sei. Sei apenas que, quando esteve à frente do governo dos EUA, ele tudo fez para enfraquecer a segurança de seu país, mostrando-se incrivelmente condescendente com tiranos e ditadores, sobretudo os comunistas. Algo que é, aliás, parte do programa de seu partido, o Democrata, como demonstra o governo de seu correligionário, Barack Hussein Fidel Che Obama, recém-convertido ao bolivarianismo.
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13) Os EUA entraram no Vietnã para perder?OS FATOS: Desde o momento em que o primeiro soldado norte-americano pôs os pés no Vietnã, em 1965, a mídia dos EUA e do mundo ocidental se coligou para minar o esforço de guerra do país e levar os EUA a uma derrota que foi política, e não militar. A Guerra do Vietnã foi perdida pelos EUA em casa, nas salas de estar dos lares americanos, onde a TV exibia diariamente imagens gráficas das atrocidades da guerra - sempre cometidas pelos cruéis e malvados marines, jamais pelos bravos e heróicos guerrilheiros vietcongues. As matérias diárias do New York Times e da CBS, mostrando em detalhes os corpos de soldados americanos mortos ou mutilados e os efeitos dos combates na população civil vietnamita, fizeram mais pelo resultado da guerra do que qualquer ofensiva militar planejada em Hanói. O resultado foi que milhares foram às ruas protestar contra o envolvimento dos EUA na guerra, esquecendo-se que do outro lado estava um inimigo que atacava um país soberano e não poupava meios para instalar nele um regime totalitário.
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14) Há 40 milhões de comunistas no Brasil?
OS FATOS: Só 40 milhões? Se depender da USP, ou dos departamentos de filosofia e ciências sociais de TODAS as universidades no Brasil, há mais comunistas no Brasil do que em Havana ou Pequim.
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15) Não há diferença genética entre humanos e chimpanzés na gestação?
OS FATOS: Ver a frase 10.
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16) O empresariado nunca se organizou politicamente?
OS FATOS: Digam-me o nome de um partido, qualquer um, que congregue o pensamento do empresariado brasileiro com base nos preceitos liberais. O DEM? Estou falando de um autêntico partido liberal, comprometido com a democracia e com a economia de mercado, e não de uma legenda físiológica herdeira da ARENA. O PSDB? Mostrem-me uma organização realmente vinculada ao pensamento liberal e conservador das elites empresariais, e não uma sigla nascida na mesma incubadora esquerdista, a intelectualidade uspiana paulista, que gerou o PT. Alguma das dezenas de legendas de aluguel que pipocam por aí, e que hoje mamam nas tetas do Estado-mãe petista? Nada, absolutamente nada que existe no horizonte político brasileiro pode ser descrito como um partido "conservador" ou "de direita". O mesmo não pode ser dito dos partidos de esquerda e de extrema-esquerda, que existem aos montes, e que dominam há décadas o debate político - a ponto de fazer todos acreditarem que existe direita organizada no Brasil.
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17) A ditadura foi branda e tinha eleições democráticas?
OS FATOS: "Ditabranda" foi a maneira como um importante jornal se referiu ao regime de 64 alguns meses atrás, o que provocou uma onda de indignação por parte da esquerda. Mesma esquerda que não mostra nenhum sinal de indignação diante de ditaduras nada brandas, como a de Cuba, por exemplo. A chamada ditadura militar brasileria matou 424 pessoas em 21 anos de existência, uma fração do que mataram outras ditaduras, inclusive a cubana, que mandou para o além quase 100 mil pessoas - e continua mandando, depois de 50 anos. E isso num ambiente de guerra interna, em que o terrorismo de esquerda fez cerca de 100 vítimas fatais. A repressão do regime de 64 se limitou às organizações que se opunham ao governo, não atingindo, em geral, o cidadão comum, nem interferindo em sua vida particular, como, por exemplo, na questão da liberdade religiosa. Havia eleições periódicas, com um partido da oposição - algo inexistente em Cuba. Além disso, o Congresso, mesmo mutilado, continuou existindo. A imprensa, mesmo censurada, esteve longe de ser tutelada, como ocorria nos países comunistas - os censores proibiam certas notícias, mas não pautavam as redações, como se tenta fazer hoje, em pleno regime democrático. Finalmente - e, o mais importante -, o regime autoritário-militar aceitou abrir-se gradualmente e entregar o poder aos civis. Será que o mesmo pode ser dito de ditaduras de esquerda como a cubana?
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18) Che Guevara invadiu Angola 8 anos após a sua morte?
OS FATOS: Quase certamente mais um caso de confusão deliberada e proposital, destinada a desqualificar um autor que não reza pela cartilha esquerdista. Che Guevara, o conhecido assassino e torturador cubano-argentino, foi morto em 1967 na Bolívia. Os cubanos invadiram Angola em 1975. Fizeram-no como parte de uma estratégia global, destinada a projetar o poder da ilha caribenha em terras africanas. Che Guevara esteve na África tentando insuflar guerrilhas no Congo dez anos antes. A intervenção em Angola, assim, foi apresentada simbolicamente como o "retorno" de Che ao continente. Algo que a propaganda castrista não pára de repetir.
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19) O PT é responsável pela morte de 50 mil pessoas por ano?
OS FATOS: As 50 mil pessoas a que a frase se refere correspondem ao número aproximado de assassinados, todos os anos, pelo crime organizado no Brasil. Número este que não teria sido alcançado, sem dúvida, se partidos como o PT não tivessem uma atitude cúmplice e condescendente com a criminalidade ("fruto da sociedade" ou "revolta social"). Desde a década de 30, a propaganda esquerdista alardeou o mito do bandido como uma vítima da sociedade capitalista e como uma espécie de Robin Hood ou vingador social, digno não de cadeia, mas de admiração. O resultado disso foi um relaxamento total no enfrentamento da criminalidade, que finalmente saiu do controle em lugares como São Paulo e Rio de Janeiro. O "seja marginal, seja herói" foi assumido como bandeira ideológica dos intelectuais de esquerda, muitos dos quais formaram o núcleo original do PT, tornando-se, a partir dos anos 80, um programa de governo. Sem falar no narcotráfico, para o qual a esquerda sempre manteve uma atitude entre covarde e benevolente, não vendo melhor maneira de enfrentá-lo do que alardeando os benefícios da liberalização da maconha. O atual governo brasileiro, que é do PT, não esconde sua simpatia ideológica por governos como o do cocalero Evo Morales na Bolívia e pelos narcoterroristas das FARC, os maiores produtores de cocaína do mundo, responsáveis pela maior parte do tráfico mundial. Inclusive, o PT e as FARC são parceiros no Foro de São Paulo - relação esta que foi Olavo de Carvalho o primeiro a denunciar. Não é preciso ser gênio para deduzir que o resultado lógico disso tudo são 50 mil cadáveres por ano.
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20) O General Geisel era comunista?
OS FATOS: Provavelmente uma referência à política externa adotada pelo governo de Ernesto Geisel, conhecida como "pragmatismo responsável", e marcada por um forte antiamericanismo e terceiro-mundismo. Durante o governo Geisel (1974-1979), o Brasil estabeleceu relações diplomáticas com a China Comunista e foi o primeiro país a reconhecer o regime marxista de Angola. Geisel também se notabilizou por ser um dos presidentes mais estatistas que o Brasil já teve, em qualquer época: durante seu governo foram criadas inúmeras estatais, responsáveis pelo atraso econômico do Brasil em diversas áreas. Não por acaso, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva o tem como paradigma e fonte de inspiração.
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Como se vê, uma coisa é tentar refutar um argumento com contra-argumentos lógicos e coerentes; outra coisa, bem distinta, é simplismo grosseiro feito para denegrir e difamar. Em alguns casos, o que se diz de um autor fala mais de seus detratores do que dele mesmo. É esse exatamente o caso dos difamadores de Olavo de Carvalho.

Resposta ao leitor - Sobre Concordatas, a Igreja e minorias

Escreve o Diego, sobre meu último post:
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Concordo com a maior parte do texto, e me parece que o direito aos crucifixos nas repartições públicas é justificada não só pelo aspecto cultural, mas principalmente pela maioria demográfica dos católicos nominais e dos cristãos em geral.
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Mas fica comigo a pergunta: o que Reinaldo Azevedo (e você) pensam sobre a concordata - a meu ver abusiva - entre o Vaticano e o Brasil? Será que não é tão indevido quanto a proibição judicial dos crucifixos? A "minoria perseguida" católica estaria nesse caso sendo indevidamente beneficiada?
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Respondo
Questão interessante. Não sei o que RA pensa sobre o assunto (nem procuro me guiar pelo que ele pensa). Quanto a mim, digo apenas que, pelo que eu andei lendo a respeito, a tal Concordata Brasil-Santa Sé, assinada em novembro de 2008 e que está para ser ratificada no Congresso, tem como principal ponto controverso uma questão trabalhista - o artigo 15, que isenta a Igreja católica de pagar obrigações trabalhistas a seus funcionários no Brasil. Creio que, nesse sentido, pode-se analisar o acordo, à luz do que diz a legislação trabalhista brasileira, e discutir se é algo abusivo ou não.
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Quanto a uma segunda queixa dos opositores da Concordata - a de que estaria em contradição com a laicidade do Estado brasileiro, em claro confronto com o Artigo 19 da Constituição Federal -, creio que há aqui um certo exagero. É verdade que o citado artigo deixa claro que o Estado brasileiro é laico, e que não é permitido assinar qualquer acordo com representação religiosa etc. e tal. Mas não se pode esquecer que o Vaticano não é apenas a sede do catolicismo, mas é também um Estado, reconhecido pela maioria dos países. A Concordata é com a Santa Sé, não com a Igreja católica. O Brasil tem acordos com países como a Arábia Saudita e o Irã, lugares onde não há separação entre religião e Estado. No entanto, jamais vi alguém reclamar contra isso, alegando que o Estado é laico e não pode, portanto, celebrar acordos com esses países, que são também representações religiosas. Do que se conclui que se trata, pelo visto, de mais uma demonstração de "double standard", de preconceito anticatólico. Logo, não me parece que, pelo menos nesse último aspecto, haja qualquer favorecimento indevido a uma religião, em detrimento de outras. Não vejo motivo para tanto alarme, pelo menos nesse quesito.
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Com relação à "minoria perseguida", a tal "minoria" referida não é, na verdade, minoria - a maioria dos brasileiros, até onde eu sei, ainda é, ou se considera, pelo menos nominalmente, católica. A observação de Reinaldo Azevedo, de que os católicos seriam hoje uma "minoria perseguida", tem, claramente, um sentido irônico, e se refere ao fato inegável de que existe cada vez mais um preconceito anticristão e, especialmente, anticatólico no Brasil, impulsionado por decisões como a proibição de crucifixos nas repartições públicas. E assim como existe esse preconceito anticristão, há um preconceito contra homens, brancos, heterossexuais e - claro - "de direita". Muito se fala sobre direitos dos negros, das mulheres, dos gays etc., mas quase ninguém fala dos direitos dos cristãos, é isso que ele quer dizer. Trata-se de uma crítica ao "politicamente correto", que, em nome das "minorias", quer impor a ditadura das mesmas sobre a maioria. Crítica, aliás, que subscrevo totalmente: é certo que democracia não é ditadura da maioria, mas tampouco deve ser ditadura das minorias. É o primado da tolerância, não dos privilégios.
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É isso. Espero ter sido claro.
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Um abraço.

quinta-feira, agosto 06, 2009

NÃO BASTA SER ATEU: É PRECISO SER TOLERANTE

Como já andei escrevendo aqui, mais de uma vez, não creio em Deus, nem no Diabo, nem em Céu, nem em Inferno, nem em santos, nem em milagres, nem na Virgem Maria, nem na ressurreição, nem em assombração ou em alma do outro mundo. Nem acredito em Jesus Cristo, Maomé, Buda, espíritos, orixás, gnomos, duendes, no Zé Pilintra ou no Caboclo Sete Flechas, nem em Lula ou Obama. Também já deixei claro, para quem quiser saber, que não tenho absolutamente nada contra alguém por professar esta ou aquela religião, e que considero um direito sagrado, com o perdão da palavra, a livre manifestação e expressão do sentimento religioso - desde que seja, claro, nos marcos do Estado de Direito Democrático. Em outras palavras: não creio em Deus, nem tenho qualquer religião, mas defendo com unhas e dentes o direito de outras pessoas - a maioria, e sempre será - de acreditarem e professarem suas crenças sem serem por isso molestadas.
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Compreendo que essa minha postura nem sempre é facilmente entendida, e pode gerar alguma confusão. Afinal, ser ateu e defender a tolerância em relação aos fiéis e a liberdade religiosa não é uma contradição? Sendo a Razão superior à fé, não deve impor-se sobre esta? Não é assim que pensam os ateus?
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Nada disso! Pelo menos, não é assim que eu penso a respeito desse assunto. Na verdade, não há qualquer contradição entre ser ateu - pelo menos se você não é um "ateu" religioso - e praticar a tolerância em relação a quem não o seja. Aliás, acho mesmo que é por causa disso que me descobri, lá pelos meus 14 anos de idade, descrente e ateu: porque jamais engoli a maneira terrivelmente irracional e intolerante com que as pessoas de meu convívio pessoal, quase todas católicas - católicas à brasileira, mas católicas (fui criado num ambiente predominantemente católico, como a maioria dos brasileiros) -, encaravam quem pensasse diferente delas. Na realidade, cresci num ambiente social e doméstico em que as idéias-força da religião - a crença na existência de Deus, em primeiro lugar - eram e são consideradas verdadeiras por si mesmas, sem necessidade de comprovação, unicamente pelos três pilares em que se assentam todas as religiões: a tradição, a autoridade e a revelação (como jamais tive o privilégio de ser brindado com esse terceiro elemento, aprendi desde cedo, por minha própria conta, a desconfiar dos outros dois; desde então, não parei mais). Num ambiente assim, é fácil imaginar, era e é simplesmente impensável, a mais nefanda das heresias, que alguém, ainda mais um adolescente com idéias meio esquisitas, tivesse a audácia de se declarar ateu. Católico não-praticante, ou mesmo agnóstico, vá lá, é até aceitável. Mas, ateu? Aí não, isso não se pode aceitar. Não é algo que se possa admitir nas melhores - nem nas piores - famílias.
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Mas voltemos ao motivo deste texto. Como eu ia dizendo, não existe contradição alguma entre ser ateu e tolerar as crenças religiosas (o inverso, ou seja, ser crente e tolerar quem não o seja, convenhamos, é um pouco mais complicado). Essa minha convicção fica ainda mais forte diante da atual "onda atéia" que invade as livrarias. Na internet, já existem grupos que apregoam abertamente o ateísmo. Há, inclusive, uma certa Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, uma espécie de ONG. É interessante que exista esse tipo de coisa, e é bom que esteja havendo esse debate num país em que o ateísmo, infelizmente, ainda é um tabu, e onde dizer-se ateu em público ainda significa ser visto como a própria encarnação do demo e até mesmo arriscar-se a uma sessão forçada de exorcismo com sal grosso. Mas não deixo de sentir um certo desconforto, uma sensação de que alguma coisa aí não está certa, quando me deparo com "movimentos" desse tipo.
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Quem me chamou a atenção para essa questão foi Reinaldo Azevedo, mais uma vez. Em seu blog, ele abriu um debate interessante, ao criticar, com sua lógica habitual e implacável, a decisão de uma juíza no Rio de Janeiro que, atendendo a uma solicitação de uma ONG supostamente defensora da diversidade religiosa, manifestou-se contrária à exibição de símbolos religiosos, como crucifixos, em tribunais e demais repartições públicas. À primeira vista, tal decisão judicial parece estar perfeitamente de acordo com o fato de o Estado ser laico - essa é, aliás, a principal justificativa para a ação da ONG contra os crucifixos -, e confesso que, durante muito tempo, achei estranha a presença de crucifixos em tribunais, o que, pensava, colocava em dúvida a própria imparcialidade da Justiça. Mas, lendo o que escreveu Reinaldo Azevedo, e mesmo não sendo católico (ou, talvez, exatamente por isso), concluí que ele está certo, mais uma vez. A questão não é que o Estado deva deixar de ser laico - ele precisa sê-lo, é o que diz Reinaldo -, mas que cassar e caçar símbolos religiosos em repartições públicas é que está em contradição com esse princípio democrático. Como bem lembra Reinaldo, o ateísmo pode ser uma janela para o totalitarismo, logo o contrário da tolerância:
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Incrível, reitero, como se pode, em nome da razão, abrir as brechas para o pensamento totalitário. Notem bem: o estado brasileiro não é ateu. Não é um estado que, como o chinês e o cubano — dois paraísos para quem fica nervoso quando vê um crucifixo em órgão público — se declare ateu. Ele é laico! Isso quer apenas dizer que não se orienta segundo a lógica, as necessidades e a mística de uma religião. Mas a Constituição brasileira PROTEGE as religiões e o culto religioso. NÃO HÁ UMA LEI IMPONDO CRUCIFIXO NAS REPARTIÇÕES. Aliás, nas que tenho visitado, são cada vez menos freqüentes. QUANDO HÁ LÁ UM CRUCIFIXO E UMA BÍBLIA, NO MAIS DAS VEZES, OS OBJETOS SÃO ECOS DE UM TEMPO EM QUE ESSAS ESFERAS NÃO ERAM TÃO SEPARADAS. Mas é só memória. É só história!
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Tenho algumas diferenças de opinião pontuais com o autor das linhas acima. Ele é católico praticante; eu, não. Mas, sou obrigado a dizer, ele está certíssimo nessa questão, como costuma acontecer. A presença de crucifixos em repartições do Estado não implica qualquer violação do princípio da separação entre governo e religião. Não se trata de uma imposição legal, mas de simples exercício de livre manifestação da liberdade religiosa - protegida por Lei. No mais das vezes, é uma simples questão cultural, já incorporada à cultura brasileira, como é a Páscoa e o Natal. Faço minhas as suas palavras.
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Há quem acredite que basta se dizer ateu - ou anticristão, ou antimuçulmano, ou antibudista - para que tenha gravado na testa automaticamente o selo de "progressista" e defensor da Razão contra as trevas da obscuridade religiosa e da intolerância. Nada mais equivocado. Há uma diferença, nada desprezível, entre o ateísmo baseado no ceticismo científico e racional - no qual eu procuro me situar - e uma postura militante antirreligiosa. É a mesma diferença entre a racionalidade e a irracionalidade, ou entre o ceticismo e o fanatismo. Este pode ser, inclusive, antirreligioso ou ateu, mas jamais racional. Mesmo que diga agir em nome da Razão, como os jacobinos na época da Revolução Francesa, e os marxistas depois deles. Minha experiência em uma seita revolucionária de extrema-esquerda há uns quinze anos me ensinou, a duras penas, que nem todo fanatismo é, necessariamente, religioso, e que os ateus não detêm o monopólio da tolerância. O contrário de obscurantismo não é o ateísmo, mas a razão - não a razão dos revolucionários, a Razão com R maiúsculo elevada a objeto de culto por Robespierre, mas a pura e simples racionalidade humana.
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Isso fica claro quando se observa o que dizem e como agem muitos "ateus" da atualidade. Em primeiro lugar, de onde retiraram a idéia de que o atéismo é um "movimento", a ponto de se organizarem em uma ONG? A meu ver, ser ateu é uma questão de foro particular, uma opção filosófica, assim como a própria religião, aliás. Daí o caráter intolerante de ações como a da juíza carioca, o que a meu ver expressa apenas uma forma de preconceito anticristão - sendo o Estado laico e não sendo obrigatória a presença de crucifixos em repartições públicas, por que então proibi-los? (O mesmo pode ser dito da lei que proibiu véus muçulmanos nas escolas públicas francesas - se não são obrigatórios por Lei, qual o sentido em serem proibidos?) Do mesmo modo, não me sinto representado, mas, ao contrário, fico até constrangido, com iniciativas como o "Dia do orgulho Ateu". Esse tipo de coisa é uma idiotice. Além de copiar o "Dia do orgulho Gay", outra bobagem, fruto do politicamente correto, o dia escolhido - 12 de fevereiro, aniversário de Charles Darwin - demonstra o grau de estupidez a que se chegou em nome de uma causa aparentemente correta. Se tivessem lido A Origem das Espécies, os ateus de carteirinha de hoje veriam que Darwin, hoje elevado à condição de sumo-sacerdote do culto ateísta graças, em parte, a autores como Richard Dawkins, não tinha nada de ateu. Muito pelo contrário: tendo sido, durante toda sua vida, um cristão devoto (estudou, na juventude, para ser pastor protestante), é ele o autor da teoria do "design inteligente", hoje tão atacada pelos chamados neodarwinistas como o oposto exato da teoria da seleção natural, da qual ele foi o principal - mas não o único, nem o primeiro - formulador. Os defensores da tolerância certamente também se surpreenderiam ao constatarem que seu ídolo, um homem do século XIX, era um rematado racista e defensor do extermínio de raças inferiores. É por essas e outras que não participo de nenhum movimento.
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Repito: sou ateu, mas repudio a tentativa de se tratar os ateus como mais uma minoria, como os negros ou os gays, a quem se deveria, por qualquer motivo que seja - a "reparação de uma dívida histórica" etc. -, conceder privilégios especiais, acima do direito de livre manifestação e opinião religiosa da maioria. Do mesmo modo que não aceito que negros e gays imponham suas agendas políticas aos demais indivíduos, instituindo, por exemplo, uma polícia do pensamento para coibir pretensas manifestações "racistas" ou "homofóbicas" - o que significa tolher, na prática, o direito de um padre ou pastor de citar passagens da Bíblia que condenam o homossexualismo -, não posso aceitar que, em nome do ateísmo, se coíba a liberdade religiosa. A tirania da fé não deve ser substituída pela tirania da razão.
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Do mesmo modo, também, não posso deixar de notar, na onda atual de ativismo ateu, um claro viés anticristão. Será que os que hoje gritam contra a presença de crucifixos em tribunais fariam o mesmo se, em vez de crucifixos, o que estivesse pendurado na parede fosse, digamos, uma imagem de Iemanjá ou de um Preto Velho? O que diriam se, em vez de um símbolo católico, fosse uma imagem de Buda ou um texto do Corão? Ser ateu no Brasil ou nos EUA, países cristãos e onde vigora a separação entre Estado e religião, é fácil. Difícil é ser ateu no Irã.
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Não se trata apenas de uma atitude de tipo meio-termo, "moderada", na linha "sou ateu (ou agnóstico), mas respeito todas as religiões" etc. Essa atitude é, no máximo, hipócrita. Ser ateu é não reconhecer a verdade da religião, a primeira e maior de todas a crença em um super-ser onisciente e onipotente, criador do Universo. Trata-se, isso sim, de reconhecer um direito fundamental da pessoa humana - o direito a ser católico ou protestante, hindu ou muçulmano, direito este, felizmente, assegurado por Lei no Brasil - sem abdicar, naturalmente, de meu direito igualmente inalienável de não acreditar em nada disso, e guiar-me, em vez da fé, pela razão, sem querer impô-la a ninguém. Do mesmo modo que reconheço e defendo o direito dos crentes, espero que reconheçam e defendam meu direito a pensar diferente.
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Proclamar o ateísmo, com base em argumentos pretensamente racionais e científicos, e não aceitar ou não permitir que os crentes professem livremente sua fé é trocar uma forma intolerante de pensar por outra, talvez até mais funesta. Muitos que se dizem ateus parecem se esquecer que, se vivemos atualmente, nesse limiar de século XXI, uma nova onda de fanatismo e de terrorismo religiosos, o século XX foi o mais ateísta da História, com Estados totalitários que tentaram banir, pelo uso sistemático do terror, a idéia de Deus da mente das pessoas. A ponto de a religião se tornar, em vários países comunistas, o último bastião de resistência contra a opressão ditatorial e em defesa da liberdade. Se, hoje em dia, milhares morrem trucidados pelas bombas da Al-Qaeda ou em sangrentos confrontos interreligiosos na Nigéria ou no Paquistão, milhões pereceram sob o comunismo, transformado em ideologia oficial e em religião secular (atéia) de metade do mundo.
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Não sou contra ninguém por ser cristão, ou judeu, ou muçulmano, ou seja lá que fé tiver. Sou contra quem é intolerante. E, muitas vezes, o que ocorre é que a intolerância parte de quem diz agir em nome da tolerância. Para esses, em nome da luta contra a fé e o obscurantismo, tudo passa a ser permitido - inclusive ser intolerante. Não faço parte dessa turma.
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Na verdade, cada vez mais percebo que a minoria a que pertenço é bem outra. Em seu blog, Reinaldo Azevedo não pára de fustigar os esquerdistas e politicamente corretos, dizendo que a minoria mais perseguida da atualidade tem as seguintes características: é homem, branco, heterossexual e católico. Com exceção do último aspecto, me encaixo perfeitamente no padrão. Posso mesmo afirmar que sou a "minoria da minoria": a minoria de um homem só, por assim dizer. Nem por isso vou sair por aí exigindo "direitos" acima dos outros mortais.
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Termino com as seguintes palavras de Reinaldo Azevedo, que me fizeram pensar em escrever este texto. Creio que elas expressam bem o que eu quis dizer:
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Uma coisa é ser agnóstico; outra, distinta, é considerar mera estupidez o que não pode ser explicado pela razão; uma coisa é ser ateu; outra, distinta, é achar que os crentes merecem a fogueira — ainda que seja a da desmoralização. Uma coisa é ser laico e advogar um estado idem; outra, diferente, é perseguir as religiões e os signos religiosos. Uma coisa é defender firmemente que a religião não degenere em fanatismo e sectarismo; outra, distinta, é perseguir fanática e sectariamente os que fazem questão de evidenciar a sua religião.
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Só tenho uma coisa a dizer sobre o que está aí em cima: assino embaixo!