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quarta-feira, setembro 12, 2012

QUEM DERRUBOU AS TORRES GÊMEAS?

Creio que, pelo menos uma vez a cada geração, existe um fato histórico definidor, determinante. Para a de nossos pais, foi a chegada do homem à Lua, ou a contra-revolução de 64. Para a dos nossos avós, a Segunda Guerra Mundial, ou a invenção da penicilina. Datas que vivem na memória, com um poder simbólico tamanho que já estão entranhadas na memória coletiva, de modo que cada um lembra exatamente onde se encontrava e o que estava fazendo quando leu ou ouviu aquela notícia que “mudou o mundo”.

O 11 de setembro de 2001 é um desses momentos. Para mim, pelo menos, é a data mais significativa, até agora, que tive a oportunidade de acompanhar, ao vivo, pela TV e pela internet. Em alguns textos, rememoro aquela terça-feira fatídica, já intrinsecamente mesclada à minha trajetória pessoal, a exemplo de milhões de pessoas mundo afora.

Já virou um lugar-comum afirmar que o 11/09 foi o acontecimento mais importante da História mundial desde, pelo menos, o fim da URSS, exatos dez anos antes. Mas isso não impede de recordar alguns fatos desagradáveis.

Em primeiro lugar, acho que a esta altura está claro que não foi a Al-Qaeda que jogou os aviões contra as Torres Gêmeas e o Pentágono. (E antes que algum teórico da conspiração se anime: não, também não foi a CIA, ou o serviço secreto israelense, ou os maçons - aliás, gostaria de saber por que todas as teorias conspiratórias [todas!] miram nos EUA ou em Israel, deixando de lado seus inimigos.) Bin Laden e sua corja sequestraram as aeronaves e as utilizaram como mísseis, mas não foram eles, os terroristas islamitas, os únicos responsáveis, em última instância, pela barbaridade inominável. O ato em si, foram eles que cometeram, e inclusive se vangloriaram disso. Mas a cadeia de eventos que culminou no maior atentado terrorista da História é bem anterior à decisão de executá-lo.

Explico-me. Bin Laden e sua rede de assassinos alucinados não teriam feito o que fizeram se não fosse por uma cadeia de eventos, ou melhor, por um certo estado ideológico, gestado durante décadas, e que teve seu clímax na derrubada do WTC. Estou falando do antiamericanismo, essa doença mental do século XX, que entrou pelo XXI e que tem suas raízes nas duas extremas: direita e esquerda, fascismo e comunismo.

Desde pelo menos os anos 60, quando a Guerra Fria ameaçou tornar-se quente em conflitos como o do Vietnã (perdido pelos EUA em casa e na televisão, e não nos campos de batalha, mas essa é outra história), o realejo antiamericano não tem cessado de tocar, entrou definitivamente no mainstream.

Hipnotizadas por essa cantilena xenófoba, entorpecidas pela leitura (os que leram) de Gramsci e dos catataus impenetráveis dos teóricos da Escola de Frankfurt, e infantilizadas por um anticapitalismo geralmente arrotado por burgueses que não abrem mão das comodidades do capitalismo, gerações inteiras se acostumaram a enxergar nos EUA e na "sociedade tecnocapitalista" do qual este é a epítome a síntese do Mal, sinônimo de exploração, violência e alienação humana. A ex-URSS e a China, em contrapartida, seriam um antídoto à "unipolaridade" (o novo nome do "imperialismo"), vistos como alternativas ou, pelo menos, equivalentes ao Tio Sam – como se a Pátria da Democracia, o país de Thomas Jefferson e de Abraham Lincoln, fosse menos preferível ou equivalente a qualquer ditadura comunista... Em algum momento depois do desaparecimento da URSS, a utopia comunista ou comuno-socialista, com pitadas de niilismo "pós-moderno", aliou-se ao fanatismo religioso islamita em uma frente comum. Cedo ou tarde, o resultado disso seriam ataques terroristas como o de 11/09.

Foi esse estado mental, esse fenômeno de hipnose coletiva, fruto de décadas de doutrinação, que abriu o caminho e preparou os espíritos – coloquemos desse modo – para a tragédia de 11 de setembro. Primeiro, como justificativa e vanglória sobre uma montanha de cadáveres: eles, os americanos, "receberam o que mereciam" ou "colheram o que plantaram". Ou, então, como recusa a encarar a realidade, refletida na incapacidade psicológica de enxergar os EUA como vítimas de uma agressão covarde: a tragédia não foi cometida por terroristas islamitas, mas pelos próprios americanos, interessados em um pretexto para invadir o Afeganistão e se apossarem do petróleo do Oriente Médio etc. etc. (afinal, eles, uzamericânu, são os culpados por tudo de ruim que existe no mundo, não é mesmo?). Em tudo isso, o discurso do ódio mal disfarçado e o contentamento mórbido, que levaram alguns autoproclamados "humanistas" como o ex-frei e marxista Leonardo Boff a manifestações de regozijo ("queria que tivessem sido vinte e cinco aviões!"). Essa tara moral, essa perversão ideológica, serviu de justificativa para a derrubada das torres gêmeas e para o assassinato de quase 3 mil pessoas.

Hoje, 11 anos e duas guerras depois, Bin Laden está morto, enterrado no fundo do mar, e a Al-Qaeda, cada vez mais em frangalhos, é apenas uma sombra do que foi um dia. Mas a mentalidade antiamericana que chocou o ovo da serpente terrorista continua mais viva do que nunca, em governos populistas e autoritários geralmente apoiados por "movimentos" que, em nome das causas mais variadas (antiglobalização, ambientalistas, feministas, racialistas, gayzistas etc.), apontam suas baterias verbais contra o capitalismo e a democracia liberal, enquanto silenciam sobre, quando não aplaudem abertamente, regimes tirânicos e terroristas como o do Irã.

Há ainda os que, ingênua ou maliciosamente, procuram diminuir o impacto da catástrofe, lembrando "outros setembros", como se o 11/09 dissesse respeito somente aos EUA e, no final das contas, tragédias sem relação uma com a outra se excluíssem mutuamente. Foi essa mentalidade masoquista que esteve por trás da eleição em 2008 de Barack Hussein Obama, tido por muitos de seus apoiadores como um antídoto ao "imperialismo". Mas até Obama, o presidente "histórico", que já era "histórico" antes mesmo de ser presidente, rendeu-se à realidade, não tendo nada melhor a apresentar, após quatro anos, do que a continuação da "guerra ao terror" inaugurada por George W. Bush (embora, como todo demagogo, não o admita, nem jamais o fará).

Os antiamericanos de todos os tipos costumam repetir à exaustão o mantra de que os EUA são culpados por todo o mal que existe no mundo, e que o 11/09 foi, de certa forma, uma reação ao imperialismo ianque. Em sua cegueira ideológica, acreditam que os atentados terroristas de 11 anos atrás teriam sido provocados etc. Nesse ponto, tenho de admitir que os devotos da seita antiamericana têm alguma razão. Só esquecem de um fato fundamental: os que provocaram a atrocidade não estavam na Casa Branca ou no Pentágono, nem no Departamento de Estado. Tampouco foram o McDonald's ou a Coca-Cola.

Foi a ação insidiosa, tenaz, sistemática, de antiamericanos dentro e fora dos EUA,  por meio de uma campanha insistente e muito bem-articulada nos meios intelectuais e na mídia (inclusive em Hollywood), que provocou os ataques, ao ter criado o ambiente mental necessário à germinação do terrorismo islamita. Bin Laden foi o executor. Mas os verdadeiros mentores não falam árabe nem usam turbante. São, no mínimo, cúmplices morais de um dos maiores crimes contra a humanidade de todos os tempos.

sábado, outubro 01, 2011

O BODE EXPIATÓRIO DO MUNDO

Um devoto anônimo da seita antiamericana - a religião que mais cresce no mundo, mais até do que o Islã ou os cultos evangélicos - me mandou um longo comentário em que se queixa, chorosamente, da "excessiva atenção" dada nos últimos dias aos dez anos da tragédia do 11 de setembro de 2001 nos EUA. Lembrando os bombardeios atômicos a Hiroshima e Nagasaki na II Guerra Mundial, ele (ou ela) diz lamentar o fato de nenhum militar norte-americano (ou de qualquer país aliado, enfim), ao contrário do que ocorreu com os alemães e japoneses, ter sido condenado pelas atrocidades cometidas contra a população civil (na Alemanha e no Japão, por exemplo). Afirma, ainda, ver "com indignação" as reportagens e documentários sobre os ataques terroristas, pois, segundo diz, "há muito não escuto falar nada sobre as atrocidades que os americanos cometeram contra o mundo" (sic). No final, solta a seguinte pérola:

Aliás, os eventos do 11 de setembro foram frutos dos presentes que a atrapalhada política internacional americana deu ao mundo: Bin Laden, Talibãs, Saddam Hussein, todos são frutos da burrice imperialista americana no Oriente Médio. E mesmo tendo armado todos esses e muitos outros terroristas e tiranos ao redor do mundo, ainda olhamos para os coitadinhos americanos com pena e dor. É lógico! Afinal, não foram os americanos mortos nos atentados que produziram os terroristas; foram os militares megalomaníacos e políticos gananciosos que o fizeram; os ataques não mataram nenhum deles; mataram apenas civis, inocentes e desprotegidos, da mesma forma que em Hiroshima e Nagasaki. Mas lá, como não foram americanos que morreram, ninguém lembra, ninguém fala.

Confesso que tenho pouca paciência para a discurseira antiamericana. Além de ser um trololó bucéfalo, muitos que o repetem nem se dão conta de que são antiamericanos, e que estão apenas justificando o que de pior existe na humanidade. Apenas repetem, mecanicamente, uma lengalenga ideológica condicionada pelo ódio, que muitos não admitem que sentem, contra os EUA - na verdade, contra a própria humanidade.

É exatamente esse o caso do autor do comentário acima. Aparentemente alguém indignado contra as injustiças da História (e o mundo é um lugar injusto, como todos sabem), acaba reproduzindo, na verdade, um dos discursos mais canalhas e criminosos de todos os tempos. Quase certamente sem o saber, acaba confessando-se cúmplice do terrorismo islamita, apelando para agravos passados.

O irritante desse discurso é que ele seria somente idiota, se não tivesse seguidores. Enquanto o Sol brilhar sobre a Terra, haverá gente, ingênua ou mal-intencionada, a lembrar as bombas sobre o Japão para destilar o ressentimento (muitas vezes, misturado a sentimentos inconfessáveis de inveja e admiração) contra os EUA e tudo que ele representa - a democracia, principalmente.

Sim, é verdade que os EUA cometeram ações que atingiram civis durante a II Guerra, como os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki. Assim como TODAS as grandes potências que participaram do conflito, de ambos os lados, diga-se. Vistas à distância, quase 70 anos depois, tudo parece um gigantesco assassinato em massa (e, em muitos casos, foi isso mesmo). Mas pode-se abstrair daí o sentido da guerra? Os EUA mataram civis, assim como os alemães e os soviéticos também o fizeram (e em escala bem maior). Mas podem dizer que, ao contrário de seus inimigos, agiram em defesa de uma causa justa, e também (no caso das bombas sobre o Japão) para abreviar a guerra. Pergunte a um japonês o que ele acha do papel dos EUA na II Guerra e ele, quase certamente, agradecerá pelo fato de hoje o Japão ser um país pacífico e democrático, ao mesmo tempo em que se encolherá de vergonha pelo que seus avós fizeram nos países invadidos pelas forças nipônicas (nem por isso, porém, vou sair por aí insinuando que os japoneses "tiveram o que mereceram"). Do mesmo modo, os alemães terão que purgar, por gerações, o horror dos crimes nazistas (e não apenas contra os judeus). Sem falar nos cidadãos dos países libertados do jugo nazista pelas tropas de Patton e Eisenhower. Será que acreditam que os EUA deveriam se desculpar pelo que fizeram?

Aliás, acho mesmo que faltou alguém em Nuremberg: os soviéticos, que assinaram um pacto com os nazistas em 1939 e foram, assim, co-responsáveis pela eclosão da II Guerra. Sem falar nos milhões de mortos pela URSS de Stálin - antes, durante e depois do confronto. Para citar apenas um exemplo, ocorrido no começo da guerra: 25 mil soldados poloneses capturados foram exterminados pela polícia soviética na floresta de Katyn, em 1940. Somente alguns anos atrás, foi revelado que esse assassinato em massa foi cometido pelos russos (durante décadas, a propaganda comunista culpou os nazistas pelo massacre). E como esse há centenas, milhares de casos. Mas onde está a indignação contra esses crimes?

Falando nisso, também vejo com indignação a maioria das reportagens sobre o 11 de setembro veiculadas nestes dias, mas por um motivo bem diferente: a maioria delas, como já escrevi aqui, só faltam culpar os próprios EUA pelo ocorrido. Exatamente como faz o comentarista anônimo - aliás, ele (ou ela), vai além, e diz claramente que os EUA (e, portanto, todos os que morreram) tiveram o que mereceram.

O que tem a ver Hiroshima e Nagasaki com os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001? Nada, claro. A não ser que você seja um papagaio repetidor de slogans e platitudes antiamericanas, para quem qualquer ato de terror cometido contra os EUA, por pior que seja, é justificado. Outro dia, respondendo a uma amiga minha que, provavelmente sem o saber, endossou o discurso anti-EUA por trás da lembrança de "outros setembros", afirmei que tal discurso, ao contrapor fatos como o golpe no Chile em 1973 à tragédia de dez anos atrás em Nova York e Washington, visava tão-somente a miniminizar e, em última instância, a anular a lembrança dos ataques terroristas. O mesmo digo agora dessa tentativa tosca de contrapor - é esse o verbo - Hiroshima e Nagasaki ao 11 de setembro (aliás, o autor do comentário não tem do que se queixar: as bombas atômicas sobre o Japão, ao contrário do que ele afirma, são um dos fatos mais lembrados e repisados da História).

Do mesmo modo, somente sendo muito cretino e tendo o cérebro totalmente lavado pela vulgata esquerdóide à la Noam Chomsky para enxergar no 11 de setembro o resultado dos "presentes que a atrapalhada política americana deu ao mundo". Bin Laden, o Talibã e Saddam Hussein não são "frutos da burrice imperialista no Oriente Médio", mas do fanatismo islamita e do totalitarismo, que não precisam de ninguém para se justificarem. A menos que se considere as figuras citadas acima como robôs teleguiados, sem vontade própria, ninguém é terrorista ou ditador devido à vontade alheia. Não foram os EUA, até onde sei, que criaram Kadafi, Ahmadinejad ou Bashar al-Assad. Também não foi o Pentágono ou a CIA que engendraram o Hamas e o Hezbollah. O envolvimento direto dos EUA nos assuntos do Oriente Médio começa em 1958, quando Eisenhower enviou soldados ao Líbano. A Irmandade Muçulmana, organização-mãe do Hamas, surgiu em 1928 - trinta anos antes. Portanto, mesmo cronologicamente, tentar atribuir a culpa pelo fanatismo islamita aos EUA é coisa de quem vê chifre em cabeça de burro.

(Aliás, se há alguém a se culpar pela formação de Bin Laden, não são os EUA, mas a finada URSS, pois foi a hoje quase esquecida invasão do Afeganistão pelo exército soviético em 1979 que levou o milionário saudita a deixar sua terra natal e a aderir à jihad contra os "infiéis". Mas, como não houve americanos na parada, disso ninguém lembra, ninguém fala.)

Ainda que os ataques terroristas de 11/09 fossem uma "resposta" à política norte-americana no Oriente Médio - notem bem: ainda que -, seria necessário um grau de canalhice muito grande para afirmar que os EUA "colheram o que plantaram" (pois é isso que se está dizendo). Seria o mesmo que dizer que as cerca de 3 mil pessoas que morreram tostadas e esmagadas nas Torres Gêmeas e nos aviões MERECIAM morrer, pois teriam sido um alvo "legítimo". Ora, por que não dizer que os mortos em Hiroshima também "mereceram morrer"?

É claro que dizer isso seria uma estupidez enorme, até mesmo para um antiamericano. Por isso esse discurso vigarista precisa vir coberto de um verniz "humanista", lembrando tragédias passadas - como se estas justificassem o terror. Em qualquer caso, trata-se de algo típico de delinquentes morais, em busca de um bode expiatório - e que melhor bode expiatório pode existir do que os EUA, que muitos odeiam e todos invejam?

Já disse e repito: o que incomoda gente como o anônimo que me mandou o comentário (e que está "indignado" por causa disso...) é que ele não pode negar que, em 11 de setembro de 2001, os EUA foram VÍTIMAS, e não autores, de um ataque hediondo - simplesmente o maior ataque terrorista da História. Isso essa gente não pode conceber, ou entender, porque quebra radicalmente o esquema mental em que estão presos. Estão tão acostumados a ver o mundo de forma maniqueísta, em termos de "bem" e "mal" (sendo o "mal" o satã imperialista norte-americano, e o "bem", por conseguinte, todos os que se oponham a ele), que as noções de bem e de mal, de justo e injusto, já se misturaram em suas cabeças deformadas, invertendo-se completamente. Simplesmente não conseguem sair desse atoleiro mental porque não conseguem enxergar além do ódio que sentem pela pátria de Jefferson e Lincoln. Não percebem, ou não querem perceber, que os bin ladins não odeiam os EUA e o Ocidente pelo que estes fizeram, mas pelo que são. Talvez por partilharem desse mesmo ódio. Os devotos da seita antiamericana podem até tentar disfarçar, mas sempre deixam esse ódio vir à tona. Enquanto eu estiver aqui, faço questão de retirar-lhes a máscara.

sexta-feira, setembro 16, 2011

A ESTUPIDEZ DOS "OUTROS SETEMBROS"

Já é uma tradição: todo 11 de setembro, enquanto a humanidade, compungida, lembra o horror indizível das Torres Gêmeas desabando e levando consigo milhares de seres humanos transformados em pó no maior ato terrorista da História, um bando de zé-manés, leitores de Noam Chomsky e Tariq Ali, aproveita a ocasião para lembrar "outros setembros". Certamente incomodados com as homenagens às vítimas de um ataque cruel e desumano, perpetrado por fanáticos, arranjam um jeito, mesmo assim, de destilar sua raiva contra a maior democracia do mundo, buscando contrapor, ao 11 de setembro "dos americanos", uma data "alternativa": o 11 de setembro de 1973 (queda do governo de Allende no Chile), ou o setembro de 1982 em Beirute (massacre dos refugiados palestinos em Sabra e Chatila). O objetivo é contrapor a memória de outros fatos ao 11 de setembro de 2001, a "data deles", a fim de minimizá-la e abafá-la, reduzindo-a à insignificância.

Trata-se de uma verdadeira obra-prima de desviacionismo e vigarice intelectual, digna dos manuais de desinformação e propaganda da época do antigo KGB, e que precisa ser denunciada com toda força. Em primeiro lugar, o 11 de setembro de 2001 não é "dos americanos" (alguns preferem dizer "estadunidenses"). É uma data da humanidade. Assim como Auschwitz e o Holocausto não dizem respeito somente aos judeus, e o genocidio em Ruanda não é um assunto apenas dos ruandeses. Morreram, no WTC e no Pentágono, além do vôo que se espatifou na Pensilvânia, cerca de 3 mil pessoas, de mais de 50 nacionalidades (inclusive brasileiros). Logo, o atentado terrorista não atingiu apenas um país, mas foi uma ofensa a todo o mundo civilizado. Mesmo que só tivessem morrido americanos, o ataque foi uma barbaridade sem precedentes, que só pode causar repulsa a pessoas decentes. Rotular o 11/09 como uma data "dos americanos", como se dissesse respeito tão-somente aos EUA ou ao governo de George W. Bush, além de ser uma obscenidade, não passa, portanto, do antiamericanismo mais bocó, sequer disfarçado.

Ao tentarem contrapor à lembrança dos ataques fatos como a queda de Allende e o massacre de Sabra e Chatila, como se fossem uma espécie de "anti-11/09", os antiamericanos de plantão incorrem na total delinquência e na completa cretinice. Isso porque tais memórias não são, em absoluto, excludentes. A menos que se considere as pessoas esmagadas e queimadas vivas nas Torres Gêmeas como diretamente responsáveis pelo golpe militar do general Pinochet, 28 anos antes, ou pela chacina de civis palestinos levada a cabo pelos milicianos falangistas libaneses da família Gemayel, não há qualquer razão lógica e, muito menos, moral, para qualquer tipo de associação entre um e outro fato. Todos foram tragédias - a de 2001, bem maior em dimensões e consequências. Eu poderia lembrar, por exemplo, o 5 de setembro de 1972 (data do massacre dos atletas israelenses nos Jogos Olímpicos de Munique, executado por um grupo terrorista palestino que se intitulava, não por acaso, Setembro Negro) e isso não mudaria absolutamente nada o que sinto em relação a outras tragédias do tipo, como a do Chile ou a do Líbano. Não sei se os que ficam mordidos com a lembrança do 11 de setembro "dos americanos" podem dizer o mesmo. Acho que não.

Além do fato de serem tragédias humanas, não há termo de comparação entre o que aconteceu nos EUA e o que houve nas ruas de Santiago ou de Beirute. O golpe de 11 de setembro de 1973 no Chile foi a culminação de um longo processo de radicalização política, iniciado três anos antes e instigado pelo próprio governo marxista de Salvador Allende. Por mais terrível que tenha sido o golpe (e foi terrível, com milhares de mortes, inclusive a do próprio Allende, morto dentro do palácio presidencial com seus guarda-costas), a verdade inegável é que ele esteve longe de ter sido não-provocado, ao contrário dos ataques da Al-Qaeda. Diferentemente destes, tratou-se do desfecho sangrento de uma quase guerra civil, em que ambos os lados – e não somente os militares – conspiravam contra a democracia e em favor de um golpe de Estado. No final, venceu a direita – e a esquerda, derrotada, desde então passou a se dizer democrata, como escreveu o cientista político Carlos Rangel. (E agora cobra equivalência entre os dois 11 de setembros, como se não tivesse sua parcela de culpa pelo ocorrido, eu diria.)

O golpe do Chile e o massacre de Sabra e Chatila foram episódios, respectivamente, da Guerra Fria e da Guerra Civil Libanesa. Evidentemente, nenhuma das vítimas merecia morrer. Terríveis como foram, com sua cota de vítimas inocentes, não se pode compará-los, contudo, ao 11 de setembro de 2001, quando milhares de pessoas foram trucidadas, sem saber por que, por um inimigo literalmente caído do céu. Pretender minimizar seu impacto, apelando para a lembrança de "outros setembros", é coisa de verdadeiros aleijões morais, de gente sem o menor escrúpulo e sem a menor consciência, que acredita que uma desgraça anula outra - ou pior: que uma justifica outra.

Na verdade, o que incomoda muita gente no 11 de setembro é que não podem dizer, como estão acostumados a fazer, que os EUA foram o lado agressor. É que têm que admitir, contra a vontade, que o grande satã imperialista foi vítima de uma agressão covarde e canalha. Essas pessoas se alimentam do ódio, pura e simplesmente, que sentem por aquilo que muitas delas invejam em segredo. Elas não dizem, e jamais vão admitir um dia, que se regozijaram com as cenas de morte e destruição em Manhattan dez anos atrás. São pessoas como o ex-frade Leonardo Boff, que lamentou – lamentou! – que tivessem sido "apenas" dois aviões os que atingiram o WTC: "quisera que tivessem sido 25"... Enfim, são uns verdadeiros humanistas, pessoas maravilhosas, gente do bem e preocupada com o bem-estar da humanidade.

domingo, setembro 11, 2011

MEU TEXTO SOBRE O 11 DE SETEMBRO

Se, depois deste texto, eu sair à rua e não for linchado por uma multidão de petistas enfurecidos e manifestantes anti-EUA, anti-sistema e anti-tudo, vou me dar por feliz. Mas a verdade é que não posso deixar de escrever o que se segue, por um dever de consciência. Como li outro dia: o segredo de aborrecer é dizer toda a verdade.

Hoje é dia 11 de setembro de 2011. Exatamente dez anos atrás, o mundo assistia a cenas que, já se tornou um clichê repetir, marcaram a História. Dez anos e milhares de mortos e palavras depois, o principal responsável pelos atentados às Torres Gêmeas e ao Pentágono está morto e o mundo, definitivamente, mudou. Muitos acham que para pior.

Discordo dessa conclusão. O mundo não ficou pior. Pelo contrário: pelo menos no item segurança, as melhoras foram consideráveis.

Graças aos EUA, a ameaça representada por grupos como a Al-Qaeda, embora ainda continue a existir, diminuiu bastante. Também graças aos EUA, milhões de afegãos e iraquianos podem, pela primeira vez em mais de 5 mil anos de História, respirar outros ares que não os da opressão mais brutal. Não dá para negar que isso foi uma mudança e tanto. Do mesmo modo, não é porque a consciência do perigo fosse menor antes do 11/09 que a segurança tenha diminuído. Na verdade, ocorreu o contrário.

Não é assim, porém, que entende grande parte do que se convencionou chamar de opinião pública mundial (que nada mais é do que uma invenção da grande imprensa). Se um marciano descesse hoje na Terra, e assistisse a alguns documentários e a reportagens especiais sobre os ataques, ou se lesse a pilha de livros e artigos na grande mídia que saíram sobre o assunto, ficaria com a nítida impressão de que o autor da atrocidade não foi Osama Bin Laden, mas... George W. Bush!

Todos contra Bush

Provavelmente, o marciano deixaria o planeta com a impressão de que o ex-presidente dos EUA, e não o fundamentalismo islamita, é o maior inimigo da humanidade desde o fim do comunismo soviético. Aliás, essa expressão - fundamentalismo islamita - raramente aparece no noticiário. Quando muito, os ataques são mostrados como obra de um bando de fanáticos, que não representariam de maneira alguma, longe disso, a maravilhosa religião islâmica. Em contrapartida, sobram acusações ao "imperialismo" dos EUA etc. Ao mesmo tempo, a reação norte-americana é considerada quase unanimemente como expressão de uma "cultura" - ocidental, cristã e majoritariamente "branca" - intrinsecamente intolerante, da qual Bush seria o maior expoente.

Há pouco, assisti a uma reportagem na Globonews sobre o 11 de setembro. O autor da matéria foi a Crawford, no Texas, onde Bush tem um rancho. Em dado momento, seu guia, um militante anti-republicano, parou em frente ao rancho e abriu uma faixa anti-Bush em que se lia: "O pior presidente da História dos EUA" ou algo assim.

Fiquei um tempo meditando sobre o significado daquilo. Não demorei para chegar à seguinte conclusão: Bush pode ter sido um péssimo presidente dos EUA. Pode até mesmo ter sido o pior presidente da história dos EUA. Mas uma coisa mesmo seus maiores detratores terão de admitir: ele foi o melhor presidente que o Iraque e o Afeganistão já tiveram. Alguém pode negar?

Não é preciso ser bushista ou membro do Tea Party para reconhecer que, como presidente, Bush foi um bom comandante militar. Ele foi um presidente de guerra, e deixou isso bem claro depois do 11 de setembro. Não seria fora de propósito compará-lo, nesse aspecto, a Franklin D. Roosevelt. Assim como Roosevelt, Bush liderou a reação do país depois deste ter sido atacado. Assim como Roosevelt, ele comandou os EUA e parte do mundo contra uma ameaça à democracia. E, assim como Roosevelt, ele derrubou dois ditadores. Mas FDR era do Partido Democrata, amigo e querido do New York Times e da esquerda chique da Costa Leste. Já Bush é um roceiro do Texas, e republicano da gema.

O curioso é que os detratores do Junior não chegaram ainda a um acordo sobre quem ele é. Vale tudo contra Bush, desde chamá-lo de despreparado e de negligente por ter ignorado informes do FBI de que Bin Laden estava planejando atacar os EUA até dizer que saiu da cabeça dele a idéia de derrubar as Torres Gêmeas e atacar o Pentágono para começar uma guerra para tomar o petróleo do Oriente Médio. Os documentários da escola Michael Moore de delinqüência intelectual gostam de focalizar a cara de paisagem de Bush ao ser informado dos ataques, com aquela expressão meio preocupada, meio apalermada num jardim-de-infância na Flórida. Querem com isso transmitir a imagem de um presidente fraco e idiota, que, no momento de maior perigo, não soube o que fazer. Ao mesmo tempo, antes mesmo das torres virem abaixo, teorias da conspiração pululavam na internet acusando - adivinhem só! - o governo Bush de ter planejado os ataques como um pretexto para iniciar uma guerra ao Islã e tomar os poços de petróleo do Oriente Médio...

(Da minha parte, se o motivo da guerra foi o petróleo, espero sinceramente que as multinacionais americanas ganhem muito dinheiro explorando as reservas do Iraque. Desejo que lucrem bastante, e que tragam benefícios para o país, ajudando a reconstruir sua infra-estrutura abalada por décadas de descalabro totalitário. O petróleo iraquiano está melhor nas mãos dos americanos do que nas de Saddam Hussein. Parece, porém, que isso vai demorar um pouco para acontecer - as empresas petrolíferas americanas só tiveram, até agora, prejuízo com a invasão do Iraque, e muitas foram mesmo contra a derrubada de Saddam.)

Tamanha era a raiva dos esquerdinhas contra o Bush Junior que muitos nem se deram conta da contradição em que acabaram caindo. Numa hora, Bush era apresentado como um boboca e inepto que ignorou relatórios de segurança e foi incapaz de defender seu país na hora mais necessária; noutra, era mostrado como um gênio maquiavélico, o mentor do maior ataque terrorista da História. Até hoje não sei se ele era um despreparado ou se foi ele, Bush, quem ordenou os ataques...

Tendo ficado claro, com a confissão de Bin Ladin, que foi ele, e não a CIA ou o Mossad israelense, quem planejou e executou os atentados, os devotos da seita antiamericana tiveram de buscar outra forma de acusar a vítima. Julgaram ter encontrado o argumento perfeito na idéia (essencialmente imoral) de que os EUA estavam, com os ataques,"colhendo o que plantaram", haja vista que Bin Laden tinha lutado contra os soviéticos no Afeganistão durante os anos 80. Esqueceram apenas de dizer que ele não foi o único: muitos outros guerrilheiros mujahedin que combateram o exército vermelho nas montanhas afegãs receberam dinheiro, armas e treinamento da CIA, e nem por isso se tornaram jihadistas e saíram atirando aviões contra prédios por aí.

Iraque: uma guerra necessária

Existe, claro, a guerra no Iraque. Aqui é que se abriu a verdadeira frente de batalha contra Bush. Os EUA invadiram o Iraque atrás das armas de destruição em massa que o país possuiria e porque Saddam Hussein patrocinava o terrorismo. Nenhum desses motivos, argumentam os críticos da guerra, mostrou-se verdadeiro. Tudo não teria passado, assim, de uma loucura, uma aventura dos neoconservadores que fizeram a cabeça do Bush.

Vamos devagar com o andor. Em primeiro lugar, quanto as armas de destruição em massa, vamos admitir que Bush mentiu ao dizer que sabia que o Iraque as tinha. Nesse caso, será forçoso reconhecer que os que se opuseram à guerra também mentiram, ao dizer que sabiam que Saddam não tinha as tais armas proibidas. Na verdade, ninguém sabia. E isso porque Saddam contava com o medo de que elas existissem, usando-o como instrumento de chantagem.

Na realidade, o que houve até março de 2003 foi o desfecho de um jogo perigoso, que durou mais de uma década, e no qual o ditador iraquiano brincou de gato-e-rato com a comunidade internacional, negando que tinha as tais armas, ao mesmo tempo em que impedia os inspetores da AIEA de fiscalizarem seus arsenais. De 1990 a 2003, foram 17 resoluções da ONU descumpridas sistematicamente pelo tirano de Bagdá, que comandava, portanto, um regime fora-da-lei. Mais do que isso: um regime que já utilizara armas químicas contra sua própria população (no caso, gás mostarda, usado para matar 5 mil curdos em 1988). Era, portanto, um tirano assassino que ameaçava o mundo e escarnecia do Direito e da ONU - mesma ONU que se recusou a levar adiante a intervenção no Iraque, com base, ironicamente, no "respeito à lei internacional". Saddam contava com a tática do medo para manter o mundo paralisado e garantir sua própria sobrevivência. Para seu azar, ele teve pela frente um presidente dos EUA que não aceitou mais fazer esse joguinho. Saddam e Bush se encararam para ver quem piscava primeiro. Bush não piscou. Saddam caiu.

Suponhamos que Saddam tivesse as tais armas proibidas e as usasse contra as forças invasoras. Nesse caso, ninguém poderia dizer que Bush não teve razão ao ordenar a intervenção, e ficaria claro que os inspetores da AIEA tinham sido feitos de tolos. Felizmente, isso não aconteceu, pois o resultado seria milhares ou milhões de mortes. Em vez disso, foi revelado que as armas eram um blefe de Saddam. E o mundo se livrou de um tirano que o chantageava.

A outra justificativa para intervir no Iraque - o apoio de Saddam ao terrorismo - também está longe de ter sido uma fantasia. É certo que Saddam Hussein não tinha relação com a Al-Qaeda, assim como Kadafi e Kim Jong-il também não tinham. Mas é um fato irrefutável que o regime iraquiano do partido Baath (o mesmo que governa a Síria do carrasco Bashar al-Assad) patrocinava diversos grupos terroristas palestinos, como o de Abu Nidal, simplesmente o terrorista mais procurado do mundo nos anos 80. Até pouco antes de cair, Saddam distribuía pacotes de dinheiro à família de cada homem-bomba palestino morto em ação, como uma forma de encorajar mais atentados.

Na esteira da guerra ao terrorismo islamita deflagrada após os atentados de 11 de setembro, permitir que um regime como o de Saddam Hussein sobrevivesse era mais que uma temeridade: era uma demonstração inaceitável de fraqueza. Derrubá-lo e instalar a democracia em Bagdá, além de um dever moral, era uma necessidade militar e psicológica. Uma questão de segurança. Algo necessário, enfim.

Na falta de algo mais consistente a favor da permanência do statu quo ante, sobra o argumento econômico. A guerra, além de "inútil" e "ilegal" (como se manter ditadores no poder, e não derrubá-los, fosse a coisa legal a fazer) custou uma fortuna etc. e tal. Estou curioso para saber a opinião de um iraquiano, que pela primeira vez na História pode falar o que quer sem o medo de ser preso, torturado e morto, sobre esse tipo de argumento dos pacifistas. Gostaria de saber o que ele pensa do fato de que derrubar Saddam Hussein foi um erro, pois afinal custou muito caro...

Aliás, é curioso: se os EUA só tiveram prejuízo com a guerra no Iraque, por que diabos a fizeram? Afinal, tudo não teria sido apenas um pretexto para lucrar com a exploração do petróleo etc.? Parece que esses americanos não são tão maus quanto dizem. Tanto que, vejam só, eles aceitam até perder dinheiro para livrar o mundo de um bandidão como Saddam Hussein...

"Ah mas eles foram aliados um dia; Washington inclusive apoiou o regime iraquiano na guerra Irã-Iraque" etc. Sim, e as democracias ocidentais se aliaram a Stálin durante a Segunda Guerra Mundial. Próximo!

Mentes colonizadas

Toda a gritaria contra a "guerra do Bush", na realidade, não passa de uma cortina de fumaça, de mero pretexto para atacar os EUA. Conforme já escrevi aqui várias vezes, a pátria de Jefferson e de Lincoln estará sempre na berlinda, não importa o que faça ou deixe de fazer - antes, era por apoiar ditaduras, como as da América Latina; hoje, é por as derrubar. Os que se opuseram à derrubada de Saddam são os mesmos que condenaram a derrubada do Taliban no Afeganistão. São os noams chomskys e os freis bettos da vida, aqueles que se regozijaram, em público ou intimamente, pelos ataques ao coração da democracia e que vivem de odiar os EUA e Israel. Desonestos até a medula, usam e abusam de imagens de crianças feridas e de fotos de prisioneiros torturados para denunciar a guerra "ilegal" e "imoral", quando defendem regimes que massacram civis inocentes e torturam até a morte prisioneiros políticos. Lobos em pele de cordeiro, estão se lixando para os direitos humanos.

"Mas, se os EUA estão mesmo interessados em democracia, por que não derrubam os regimes da Arábia Saudita ou do Paquistão?", é a pergunta, feita com ar meio cândido, meio malandro, pelo antiamericano de plantão. Há várias razões, mas vou me concentrar apenas nas mais óbvias: A Arábia Saudita é uma monarquia teocrática fundamentalista, mas, ao contrário do Iraque de Saddam Hussein, não chantageia o mundo com a carta das armas de destruição em massa, nem se dedica a patrocinar ataques terroristas contra os EUA (pelo contrário, Bin Laden, que era cidadão saudita, foi condenado à morte no país). O Paquistão, uma ditadura corrupta, é um balaio de gatos que sempre fez jogo duplo, oficialmente aliado dos EUA mas secretamente aliado do Talibã, com militares ligados ao terrorismo islamita (tanto que foi lá que Bin laden foi morto). Além do mais, o país possui armas nucleares, o que desencoraja qualquer intervenção. De qualquer maneira, são, pelo menos formalmente, aliados na luta contra o terrorismo islamita, e, exatamente por isso, existe a esperança de que venham um dia a ser estados seculares e democráticos. O mesmo não podia ser dito do Afeganistão sob o Talibã e do Iraque sob Saddam Hussein.

O que está aí em cima dá bem uma idéia de por quê, ou por quem, Bush é (até hoje) tão odiado e os EUA (desde sempre), tão vilipendiados. Afinal, Bush derrubou duas das piores ditaduras de todos os tempos - uma das quais, ex-aliada da URSS, cuja morte tantos orfãos ainda choram. Pior que isso: ele usou da força para combater os terroristas, quando os bem-pensantes da esquerda bocó prefeririam que ele os chamasse para beber uma cerveja. Mas o pior de tudo, o maior dos crimes de Bush, na opinião dessa gente, é o seguinte: ele é cristão, e fervoroso. Isso não, os militantes politicamente corretos não podem perdoar! Onde é que já se viu, um presidente dos EUA que reza? Só se for no Irã: aí sim, isso é algo correto e aceitável. (E quem disser que não, é um agente da dominação imperialista...)

Outra coisa que os esquerdinhas não conseguem nem vão conseguir um dia engolir: foi o cowboy simplório do Texas, com QI 81, e não algum intelectual refinado da Nova Inglaterra, como Kennedy, ou um produto de marketing multirracial e politicamente correto, como Barack Obama, quem fez o que ele fez na arena internacional. Aliás, Bush pode até ser um caipira abobalhado e idiota, mas tanto fez na área de seguranca que Obama, o queridinho da esquerda, segue seus passos... (E nem dá para usar o argumento do sujeito ignorante que violenta o idioma em seus discursos. Afinal, disso nós, brasileiros, entendemos bastante.)

Em resumo, em 11/09/2001 os EUA foram vítimas de uma agressão covarde e terrível, não-provocada, por parte de um inimigo que não respeita nenhuma noção de humanidade. E, desde então, reagiram valentemente, a fim de tornar o mundo mais seguro e livre, na medida do possível, de tiranos e terroristas. Graças à ação enérgica e desassombrada de Bush, Condoleeza Rice e Donald Rumsfeld, a humanidade não tem mais que conviver com tipos como Bin Laden e Saddam Hussein. Pela primeira vez em milênios, os afegãos e iraquianos têm a chance de conhecer a democracia. Somente esse motivo já justifica a intervenção. (E antes que alguém lembre de Abu Ghraib, seria interessante fazer um exercício de memória e recordar como era a prisão na época de Saddam. Posso garantir que é mais uma razão para louvar a mudança de regime.)

É... pensando bem, os esquerdiotas de lá e de cá têm razão em dizer que o governo Bush foi o pior da História. Afinal, a discurseira ideológica antiamericana e pró-terrorista é incompativel com a defesa intransigente de valores democráticos. O problema é que muita gente, por preguiça mental e mimetismo, transformou-se em um exército de autômatos, repetindo sem pensar esse discurso vigarista. Isso, sim, é ser uma mente colonizada.

sábado, maio 14, 2011

O DIREITO EXISTE PARA FAZER JUSTIÇA, NÃO PARA PROTEGER CRIMINOSOS CONTRA A HUMANIDADE



O título acima deveria ser óbvio. Mas nos últimos tempos as coisas andam tão esquisitas que até o óbvio tornou-se subversivo. É preciso repetir sempre para que todos entendam.

Quando vejo as viúvas de Bin Laden, reais e metafóricas, choramingando que a morte do megaterrorista foi uma “violação do Direito Internacional”, pergunto para mim mesmo: os companheiros são cínicos ou simplesmente idiotas?

A operação militar que resultou na eliminação do autor da barbaridade de 11 de setembro de 2001 foi uma ação de guerra. Bin Laden, e todos os que estavam com ele no prédio-fortaleza em Abottabad, era um alvo militar legítimo. Não há o que discutir. Ponto.

É assombrosa a quantidade de besteira que tenho lido na internet sobre a suposta ilegalidade da operação norte-americana.

Atacam os EUA por não terem avisado o governo do Paquistão, o que seria um desrespeito ao Direito Internacional. Ninguém lembrou que abrigar terroristas como Bin Laden – ele estava há cinco anos numa mansão na zona mais vigiada do Paquistão, ao lado da principal Academia Militar do país, e ninguém sabia? – é mandar o Direito Internacional (e qualquer noção de decência e de humanidade) para a lata de lixo.

Citar o Direito Internacional e a Declaração Universal dos Direitos do Homem para condenar a ação norte-americana que livrou o mundo de Bin Laden é uma obscenidade. Parece que muitos esqueceram que esses instrumentos surgiram para defender a humanidade de criminosos como Bin Laden, não para protegê-los.

Dois exemplos, um deles bem recente, encaixam-se perfeitamente no caso de Bin Laden:


• Em 1960, um comando israelense sequestrou em Buenos Aires o criminoso de guerra nazista Adolf Eichman, que lá vivia havia anos, levando-o para Jerusalém, onde foi julgado, condenado à morte e enforcado. Legalmente, a operação poderia ser caracterizada como uma violação da soberania da Argentina, já que foi realizada sem o conhecimento das autoridades locais (Eichman havia inclusive se naturalizado cidadão argentino). Eichmam foi um dos assassinos em massa mais frios de todos os tempos, responsável por milhares de mortes de judeus em campos de extermínio nas áreas ocupadas pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Quem violou o Direito Internacional: os israelenses, que o capturaram, ou o governo argentino de então, que dava abrigo e proteção a criminosos nazistas?


• Em março de 2008, um bombardeio do Exército colombiano matou vários membros das FARC, a narcoguerrilha comunista que atua há anos na Colômbia. Entre eles, o número dois da organização, Raúl Reyes. O bombardeio aconteceu em um acampamento das FARC localizado em território do Equador, cujo governo imediatamente reclamou de violação de sua soberania. Quem cometeu um atentado ao Direito Internacional: o governo da Colômbia, que eliminou Reyes, ou o governo do Equador, que, revelou-se então, abriga e protege narcoterroristas?


Se dependesse dos humanistas e legalistas da esquerda liberticida e americanófoba, Bin Laden ainda estaria vivo, solto e planejando ataques. Esses senhores não dão a mínima para os milhares de civis mortos em atentados terroristas pela Al Qaeda. Querem apenas um pretexto para atacar o “império”.


Mesmo com Barack Hussein Obama na presidência dos EUA, os esquerdopatas não podem dizer abertamente que morreu um aliado deles, e inventam desculpas jurídicas. Perfeitos fariseus, acham que caçar e eliminar terroristas e genocidas é ilegal, mas abrigá-los, não. Para eles, Adolf Eichman, Raúl Reyes e Osama Bin Laden são vitimas.


Para a parte da humanidade que presta, eles tiveram o que mereceram. O Direito existe para fazer Justiça. E a Justiça foi feita. Por isso não se conformam.

quinta-feira, maio 12, 2011

EU, A VERGONHA DA PÁTRIA

Se tem uma coisa que aprendi há tempos, e que a cada dia se reforça, é que nunca se deve subestimar a capacidade dos antiamericanos de achar sempre maneiras novas de odiar os EUA.

Por mais que o país faça, ou não faça, dá na mesma: o ódio continua, independentemente dos fatos.

Bastou o terrorista Osama Bin laden ter sido despachado para os quintos dos infernos pelos Navy Seals no Paquistão e a patota esquerdopata começou a berrar que a morte do terrorista foi “ilegal” e que ele deveria ter sido preso etc (como se ele não estivesse em guerra...).

Com a mesma tenacidade (eu ia dizendo: burrice) com que negam o fato de que não havia outro jeito de se livrar de Bin Laden (ei, é uma guerra, perceberam?), insistem em defender o demiurgo Barack Hussein Obama, que deu a ordem de mandar bala no terrorista (já desisti de tentar entender esse pessoal).

Vejam o que um desses valentes anônimos me mandou:

É bom que se diga que Obama provou sua nacionalidade, acredito que você ainda não a tenha por certa, e se una ao coro de Donald e Sara Pallin, em uma infundada questão como se nos EUA não houvessem [sic] negros, Jesse Jackson era de onde mesmo ???

Sério? Obama “provou” sua nacionalidade? Melhor: ele “provou” que é um natural born citizen, como manda a Constituição dos EUA?

Até agora, tudo que ele mostrou foi um documento – escondido por quase quatro anos! – que, supondo que seja verdadeiro (tudo é duvidoso em se tratando de Obama), atestaria que ele nasceu no Havaí. O mesmo documento, porém, deixa claro que o pai dele, como não era segredo para ninguém, era queniano e jamais se naturalizou norte-americano. Logo, pelo critério do natural born citizen, Obama tem tanto direito a ser presidente dos EUA quanto eu. O que estão vendendo como ponto final é, na verdade, o começo da encrenca.

Engraçado como houve até uma celeuma no início da campanha presidencial em 2008 com relação à nacionalidade do John McCain, porque ele nasceu no Panamá (o pai dele era comandante militar na Zona do Canal), o que o levou a mostrar o documento que prova que ele é, sim, cidadão natural norte-americano (e provou isso no Vietnã, como todos sabem). Já pedir que Obama faça o mesmo é "racismo" e maluquice. Por que será?

Outra coisa: o que tem a ver ser negro com ser ou não ser americano? Confesso que essa eu não entendi.

Obama representa a mudança na historia, representa um mundo plural e igualitário ; representa o fim da linha de " globalizantes e globalizados ".

Que bonitinho! Juro que, ao ler essas palavras, quase chorei. Obama, a “mudanca”, Obama, o “mundo plural e igualitário”... Só faltou dizer que o homem cura unha encravada e espinhela caída. Isso só não vale na hora de matar terroristas como Bin Laden, né? Aí o que conta mesmo é a tática do velho Bush.

Pelo menos numa coisa eu concordo com o autor da frase acima. Obama realmente "representa a mudança" etc. Aliás, como ele representa! O sujeito é mesmo um ator. Merece o Oscar!

Só um adendo: nem toda “mudança” é boa. Hitler era a mudança na Alemanha, assim como Fidel Castro era a mudança em Cuba e Hugo Chávez é a mudança na Venezuela. Às vezes é melhor conservar do que mudar.

Do mesmo modo, nem sempre um “mundo plural e igualitário” é sinônimo, necessariamente, de um mundo melhor. Um mundo em que ditaduras como as da Líbia e a da Síria tenham o mesmo peso e a mesma influência dos EUA ou do Canadá é um mundo melhor?

Bush iniciou esta guerra sem no entanto concluí-a, Bush com sua sede de petroleo invadiu o Iraque atrás de " armas químicas" que não encontrou. E por fim a maior das farsas, as familias Bush e Bin Laden são amigas a [sic] decadas, isso ja foi documentado por Michael Moore.

Duas coisas: 1) não foi Bush quem começou a guerra ao terrorismo islamita: foi a Al-Qaeda; e 2) Franklin Roosevelt também não viu o fim da II Guerra.

Ah, entendi! Bush invadiu o Iraque por causa da “sede de petróleo”... É mesmo? Digamos que tenha sido. Em que isso muda o fato de que hoje os iraquianos têm algo que parece uma democracia, algo inédito em 5 mil anos de história, enquanto na época de Saddam o que tinham era chicote?

"E as armas de destruição em massa?" etc. Já falei bastante sobre isso, mas vamos lá, de novo: Saddam se comportava como se as tivesse, e já as havia utilizado contra seu próprio povo antes. Quem sabe o melhor seria esperar que ele as usasse... (não, obrigado).

Agora, vejam só a “maior das farsas”, segundo o bravo que escreveu o comentário.

Estão prontos para ficarem escandalizados?

Atenção, tirem as crianças da sala, porque a coisa é mesmo forte!

Estão preparados? Então lá vai: a família Bush é amiga da família Bin Laden!

Claro, isso torna o Bush automaticamente co-autor dos atentados de 11 de setembro, não é mesmo? Lógico!

Além do mais – atenção para o detalhe – isso foi “documentado por Michael Moore”!

Desculpem, mas aqui não dá para evitar a risada: hahahahahahaha!

Se eu fosse bushista, como provavelmente o idiota acima acha que sou, não faria melhor para desmoralizar os bobalhões esquerdopatas. Escolheria para desmoralizá-los o "argumento" de que os Bush e os Bin Laden são amigos (a familia Bin Laden já havia renegado o terrorista há décadas, mas isso não tem importância para os teóricos da conspiração). Para coroar, eu apresentaria como modelo de autoridade jornalistica o balofo e delinquente intelectual Michael Moore. Esse pessoal não aprende mesmo.

Bush teve uma reeleição fraudulenta, ou você se esqueceu que ele também não foi eleito, AL Goore renunciou uma contagem de votos tão estranha que colocou em duvida todo o processo eleitoral.

Suponho que o leitor esteja falando da primeira eleição de Bush (em 2000) e não da reeleição, em 2004... Mas vamos lá: a primeira eleição foi tão fraudulenta que foi decidida pela Suprema Corte americana, o que só a torna fraudulenta na cabeça dos esquerdiotas. O problema foi o sistema de contagem eleitoral, como todos sabem. Al Gore não renunciou: reconheceu a derrota. Em que esse pessoal se baseia para dizer tanta asneira?

Já Obama foi eleito, e ninguém contesta a legitimidade de sua eleição. O que está em jogo é seu direito constitucional de ser presidente dos EUA. Em outras palavras, se ele é ou não um natural born citizen, como manda a Constituição. Até agora, há mais sombras do que luzes nessa questão.

O leitor é mesmo um sábio, pois em seguida escreveu o seguinte:

Mas para você isso tudo não tem importância, afinal você é um personagem.
Mais uma vez respeito que alguém assim representando meu país é uma vergonha para a diplomacia


Ele quis dizer "repito", e não "respeito", mas tudo bem. É... Realmente, sou um personagem, alem de ser uma vergonha para a diplomacia brasileira. Afinal, vejam que coisa, eu me atrevo a perguntar quem é Barack Hussein Obama! Pior: eu aplaudo a morte de um terrorista que matou milhares de pessoas!

Certamente se, em vez disso, eu resolvesse bajular ditadores e comparasse presos políticos a bandidos eu seria motivo de orgulho para a pátria. Talvez eu ganhasse até uma medalha.

Acho que o mesmo leitor despejou, em outro post, a seguinte pérola de sabedoria:

É uma vergonha alguém que trabalha no Itamaraty com uma cabeça como a sua, é uma vergonha para o país.

Sério: quando criei este blog, eu não era tão anti-esquerdista. Fiquei assim graças a comentários cretinos como o que está aí em cima.

quarta-feira, maio 11, 2011

UMA PERGUNTA INCÔMODA



Estou há dias matutando, atormentado por uma pergunta que não pára de me incomodar. É o seguinte:

POR QUE BARACK OBAMA ESTÁ SENDO LOUVADO COMO HERÓI POR TER MATADO BIN LADEN, JÁ QUE A MORTE DELE FOI, COMO DIZEM, ILEGAL, E GEORGE W. BUSH É ATÉ HOJE EXECRADO COMO UM BANDIDO, POR TER INVADIDO O IRAQUE E DERRUBADO SADDAM HUSSEIN, O QUE FOI TAMBÉM, DIZEM, ILEGAL?

Alguém teria uma resposta? (Nem precisa lembrar: só respostas inteligentes, por favor.)

AS VIÚVAS DO BIN LADEN. OU: MATAR TERRORISTAS NÃO PODE, MAS ABRIGAR TERRORISTAS PODE... OU: O DIREITO INTERNACIONAL A SERVIÇO DO TERROR

Ai, ai... Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde (confesso que acreditei que seria mais tarde) ia aparecer alguma viúva do Bin Laden chorando a morte de seu herói neste blog. A última dessa turma é reclamar que a operação que levou o saudita a pregar a jihad junto ao capiroto foi ilegal etc. e tal. Um anônimo fez mais, e encasquetou que, ao defender que os EUA fizeram muito bem em meter uma bala no cocoruto do terrorista, eu estaria sendo "incoerente". Ele quer brincar. Eu, claro, também.

Cara, você é realmente incoerente com suas afirmações. Primeiro vem igual uma freira carola falar que Obama desrespeita a constituição americana por não poder ser legalmente presidente. Ao mesmo tempo joga no lixo o Direito Internacional e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Primeiro: Freira carola (SIC - existe freira que não seja carola?) é o escambau! Obama precisa provar ainda que é um natural born citizen, e que tem, portanto, o direito legal a ser presidente dos EUA. Ou então a Constituição dos EUA - e todas as instituições da maior potência do planeta - não valem um dólar furado.

Segundo: o Direito Internacional estabelece que abrigar terroristas é crime. Bin Laden morava há cinco anos numa mansão numa das regiões mais vigiadas do Paquistão, a poucos quilômetros da maior Academia Militar do país. Alguém que não deseja passar por tolo sinceramente acredita que ele não teve a ajuda do governo local nesses anos todos?

Terceiro: A Declaração Universal dos Direitos Humanos condena o terrorismo. Preciso dizer mais alguma coisa?

Vejam só como sou incoerente: quero que Obama cumpra a Constituição de seu país, provando ter sido legal sua eleição para a presidência, e me regozijo com a morte de um terrorista. Talvez se eu fizesse o inverso eu fosse um legalista... Que tal?

É óbvio que nenhum terrorista respeita isso, afinal, são seres que nada respeitam. Mas defender que países respeitados internacionalmente, como os EUA e que são signatários e defensores abertos dos Direitos Humanos, é um contra senso.

Há uma coisa que terroristas como Bin Laden respeitam, além do Corão: gente que usa o Direito Internacional e a Declaração Universal dos Direitos Humanos como escudos para protegê-los da Justiça. Se comparam casos como o dele à polêmica do birth certificate do Obama, aí é que morrem de amores mesmo. O respeito vira paixão... Terroristas adoram gente sem senso de proporção e significado.

Você realmente acha que é correto os EUA agir [sic] sem respeitar o Direito e a Lei que defendem porque o alvo (terroristas) não respeita nenhuma lei?

Não, não acho. Apenas acredito que a Lei está a serviço da humanidade, e não o contrário. Até onde sei, não existe nada no Direito Internacional que determine que um país que está há dez anos caçando o terrorista mais procurado do mundo deve avisar, antes de lançar uma operação para matá-lo, os membros do governo que abriga esse terrorista. Nenhuma Lei, ao que eu saiba, obriga alguém a ser idiota (bom, no Brasil estão quase conseguindo...).

Aliás, faço questão de dizer: nesse caso do Bin Laden, foi cometida, sim, uma grave violação do Direito Internacional. Grave não: gravíssima. Quem a cometeu? O PAQUISTÃO! (os motivos estão aí em cima).

Parêntese: o curioso (ou nem tanto) é que um dos primeiros a levantar a questão da suposta ilegalidade da morte do Bin Laden foi um grande defensor dos direitos humanos e da legalidade: Hugo Chávez. Precisa comentar?

(Por falar em Chávez, ele tem motivos pessoais para estar preocupado. Que o digam seus amigos das FARC, que recebem armas e abrigo do governo venezulano. Mas Chávez, como o leitor que escreveu o comentário, é um legalista, não é mesmo?)

Agora, francamente: quem defende com tanto vigor o Direito Internacional no caso de Bin Laden tem o dever de dizer como os EUA, ou quem mais o seja, chegariam até o terrorista se não fosse do jeito que foi. Tem a obrigação, enfim, de apresentar um plano detalhado para apanhar o terrorista e fazer justiça.

Aguardo esse plano ansiosamente. Eu e todos os governos do mundo civilizado.

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P.S.: Mal terminei de escrever este post, alguém cometeu o seguinte comentário sobre meu último texto. Transcrevo a parte que é possível ler:

Mas uma nação como os EUA que pregam tanto a democracia, agir desta maneira é se igualar aos terrorista islâmicos, usar tortura e matar dois homens desarmados foi no mínimo se igualar aos homens bomba que matam inocentes sim.


Pois é. Primeiro, a morte de Bin Laden foi ilegal. Agora, Bin Laden e os EUA nivelados... Precisa dizer mais alguma coisa?

A MAIS NOVA “CAUSA NOBRE” DOS ÓRFÃOS DE BIN LADEN

Ah as viúvas de Bin Laden... Acabaram de descobrir uma nova causa nobre para a qual se dedicar. Não se conformam que o megaterrorista Osama Bin Laden esteja agora junto a Alá. Precisam porque precisam de alguma coisa para continuar a atacar o “império”... Mais que isso: afirmam, como o senador Eduardo Suplicy, que a morte do assassino que não dava a mínima para o direito internacional foi uma violação do direito internacional etc.

Um desses humanistas retroativos postou um comentário sobre meu último texto, O LAMENTO DAS VIÚVAS DO TERRORISTA. Eis o que ele escreveu. Respondo a seguir.

Caro, mesmo sendo Bin Laden um terrível terrorista, o direito internacional deve ser respeitado!

Concordo plenamente. Sobretudo em tempo de guerra a um inimigo solerte, que não respeita qualquer regra ou convenção internacional. Seria interessante lidar com fanáticos assassinos que cultuam a morte (principalmente dos outros) de modo a não ferir o “direito internacional”, tal como o coloca o leitor... Só não sei se seria o meio mais seguro.

Por falar nisso, ao que me consta, abrigar terroristas também é uma violação da lei internacional, não é?

1) Os EUA declararam abertamente que se utilizaram de tortura para achar Bin Laden.

Não me diga! Então a morte do Osama foi ilegal porque, para chegar até ele, alguns militares norte-americanos brincaram de waterboarding com algum prisioneiro? "Olha aqui, vocês não podem ir lá pegar o Bin Laden porque fulano confessou sob pressão"...Talvez o autor do comentário tenha uma sugestão melhor de método de interrogatório. A propósito, citem o nome de algum terrorista preso em Guantánamo que tenha morrido por causa do waterboarding.

2) Bin Laden foi morto desarmado.

O governo Obama divulgou versões diferentes de como Bin Laden foi morto (já pensaram se tivesse sido o Bush? deixa pra lá...). Numa delas, Obama está com um fuzil AK-47 ao alcance da mão. Mesmo que estivesse desarmado, porém, os Navy Seals já tinham sido recebidos a tiros no prédio. O que deveriam fazer? Ler-lhe a Declaração Universal dos Direitos do Homem? (By the way, suponho que matar Hitler desarmado seria também um ato ilegal, não?)

3) O Paquistão, sendo um país reconhecido pelos EUA, deveria ter sua soberania respeitada. A invasão é ILEGAL!

Concordo em gênero, número e grau que se deve respeitar a soberania do Paquistão, como a de qualquer outro país. E a maior agressão que um país pode sofrer à sua soberania é permitir que terroristas se abriguem em seu território, com o apoio, ao que tudo indica, de funcionários do governo. Foi por causa disso que o Talibã foi enxotado do poder no Afeganistão.

4) A invasão do Paquistão sem o devido aviso é digna de uma declaração de guerra. Imagine se fosse o contrário? Caso o Paquistão invadisse os EUA, a resposta imediata destes seria, no mínimo, um bombardeio.

É mesmo, invadir o Paquistão para matar Bin Laden equivaleu a uma declaração de guerra dos EUA etc. Por que o governo paquistanês não declara guerra a Washington? Tenho um palpite: Osama estava no país há anos sem ser incomodado, praticamente ao lado de um quartel do Exército... Eu me surpreendo que os EUA não tenham declarado guerra ao Paquistão.

Respondendo a pergunta retórica: o que eu faria se o Paquistão, ou qualquer outro país, “invadisse” os EUA, em busca de um terrorista procurado, que se encontraria abrigado em solo americano, protegido e acobertado pelo governo americano? Eu aplaudiria! Claro! Agora, diga-me o nome de algum terrorista procurado abrigado em solo americano, protegido e acobertado pelo governo.

Toda essa lenga-lenga sobre soberania e direito internacional serve apenas para dar um verniz jurídico ao lamento das viúvas do terrorista islamita. Como já disse antes, tudo isso não passa de pretexto. Caso a operação que matou Osama tivesse sido planejada conjuntamente com o Paquistão, ou que ele tivesse sido preso, os inimigos dos EUA e da Liberdade iriam chiar do mesmo jeito (lembram da chadeira por causa do julgamento do Saddam Hussein no Iraque?).

Para finalizar, vou lembrar outro fato: em 1976, um comando israelense voou secretamente até o aeroporto de Entebbe, Uganda, onde resgatou um grupo de civis israelenses que estavam sendo mantidos como reféns por terroristas palestinos. O comando matou os sequestradores e os soldados ugandenses que guardavam o local. Pelas regras do direito internacional, a operação foi uma violação da soberania de Uganda, portanto ilegal. O que os reféns libertados achariam dessa interpretação?

Também sou a favor do direito e do justo, como sou a favor de todas as coisas boas, puras e belas que existem no mundo. Por isso gostaria muito que me dissessem que outro caminho havia para livrar o mundo de Bin Laden. Querem defender o terrorismo? Então o façam abertamente, sem apelar para desculpas jurídicas.

terça-feira, maio 10, 2011

O LAMENTO DAS VIÚVAS DO TERRORISTA

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) está preocupado. Humanista sensível, incansável defensor das causas sociais, em especial dos direitos humanos, o parlamentar-cantor da cueca vermelha achou muito feio o que os EUA fizeram, ao mandarem para o Além o megaterrorista Osama Bin Laden. Acredita que os Navy Seals norte-americanos (ele diria “estadunidenses”) não tinham nada que descer de helicóptero na casa-fortaleza de Bin Laden e despachá-lo a tiros. Nisso, conta com o apoio de outros companheiros da Casa do Espanto, como o ex-cara-pintada e atual cara-de-pau Lindbergh Farias (PT-RJ) e o “sábio” Cristóvam Buarque (PDT-DF), que acham a mesma coisa. (Cristóvam, aliás, parece que está meio decepcionado com Obama: onde já se viu, caçar e matar terroristas? Isso era para o Bush...)

Quando Eduardo suplicy fica preocupado, eu também fico. Mas não, necessariamente, pelos mesmos motivos. "Foi uma violação da soberania do Paquistão", disparou o senador-Mogadon, naquele seu jeito Suplicy de ser, talvez se esquecendo que o terrorismo não reconhece fronteiras, e que um país que abriga terroristas – Bin Laden estava há anos em seu cafofo no Paquistão e ninguém de lá sabia? – está, automaticamente, sujeito a raids do tipo. Talvez se os EUA avisassem os militares paquistaneses, sugere Suplicy, a operação poderia ser considerada legal. É, pode ser. E o risco de Bin Laden escapar seria muitíssmo maior. Vamos trocar a morte de Bin Laden pelas boas relações com um governo que o homizia?, devem ter perguntado as autoridades norte-americanas. Tenho uma sugestão: por que, na próxima vez, não chamar o senador Suplicy? Certamente ele convenceria Bin Laden a se entregar. Bastaria cantar, para ele, Blowin' in the Wind. Eu também me renderia.

"Ele deveria ter sido preso e julgado", choramingou o pai do Supla. É, deveria. Mas tem um pequeno detalhe aí: depois de prendê-lo, onde ele ficaria custodiado? Em Guantánamo? (mas a prisão não é ilegal, como afirmam os inimigos do "império"?). Na Arábia Saudita, onde já o esperava uma condenação à morte? Em Haia, cujo Tribunal Penal Internacional é motivo de controvérsia? Ou, quem sabe, na Papuda, em Brasília? Suplicy deve saber. Lindbergh também. Cristóvam idem. "Mas e os criminosos nazistas, como Goering e Hess, não foram julgados em Nuremberg?", perguntam os que se esquecem que Goering e Hess se renderam às tropas aliadas, encarando o julgamento que veio depois.

Todo esse chororô sobre Bin Laden, um dos maiores assassinos da História, que estava se lixando para soberania e direitos humanos, só é possível porque Eduardo Suplicy é possível. Desde 2001, os EUA estão em guerra. E, numa guerra, o inimigo é morto. Ao decretar guerra ao povo americano – ao mundo civilizado, na verdade –, tendo sido responsável por milhares de mortes de civis inocentes, Bin Laden tornou-se um alvo militar legíitimo. Não era um batedor de carteiras.

Pelo visto, as palavras "guerra" e "terrorismo" são completamente desconhecidas para Suplicy, o senador das boas causas. Também pudera. Humanista que é, ele já demonstrou seu amor pela legalidade e pelos direitos humanos ao posar para fotos na cadeia ao lado do terrorista italiano Cesare Battisti, promovido a refugiado político por Tarso Genro. Não me causa surpresa vê-lo agora chorar a morte de Bin Laden, cobrando para ele o mesmo tratamento que ele negou a suas vítimas. Tampouco me surpreenderia se o visse visitando seu novo amigo Osama em alguma prisão, se ele tivesse sido preso, posando para fotos, todo sorrisos, ao lado do chefe da Al-Qaeda. Aliás, nada que vier de Suplicy me surpreende.

Informa a imprensa que, ao livrar o mundo de sua presença, Obama deixou três viúvas. Esqueceram-se de suas três viúvas brasileras do Congresso Nacional. Pelo menos uma delas,
Eduardo Suplicy, tem razões particulares para lamentar a morte de Bin Laden. Afinal, ele perdeu a oportunidade de defender mais uma causa nobre.

P.S.: Já tinha terminado de escrever o post acima quando me deparei com o comentário abaixo, assinado por um certo Zé, um sujeito que, além de tudo, é meio distraído. Certos comentários dispensam comentários. Vejam e se espantem.

Engraçado você falar que o ato do STF para benefício dos gays foi inconstitucional, mas nada falar sobre a morte de Bin Laden, onde os EUA claramente desrespeitaram em mais de um ponto a "Declaração Universal dos Direitos Humanos", a qual os próprios EUA são signatarios. Além disso, invadiram um país legalmente constituído (Paquistão) sem sequer avisarem.

Quer dizer que se algo beneficía os gays, então, é inconstitucional, mas se for em benefício da guerra dos EUA, então tá tudo bem.


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segunda-feira, maio 09, 2011

MALÍCIA OU DISLEXIA?

Um leitor, o Gabriel, ao que parece não entendeu meu post SOBRE OBAMA. OU: DE COMO SER UM "BOM LíDER" SEM PRECISAR RESPEITAR A LEI. A certa altura, comentando uma observação minha sobre a necessidade de enquadrar melhor o fenômeno terrorista, ele escreveu o seguinte:

Desculpe, mas com a tua explicação não vi nenhuma diferença entre o terrorismo sionista e o terrorismo islamita. Ambos mataram inocentes pela causa que seguiam.

Quem lê o que está acima fica com a impressão de que sou a favor de alguns tipos de terrorismo, mas não de outros. Que faço uma distinção moral entre eles. Talvez tenha sido essa a intenção do Gabriel. Se foi o caso, lamento informar, mas não deu certo.

O texto a que o Gabriel se refere não pode ser entendido fora do contexto da minha resposta a outro leitor, que discorda da expressão "terrorismo islamita" (ele a acha preconceituosa contra o Islã). Eis o que o leitor escreveu, a respeito de meu texto SOBRE OBAMA E OSAMA: RESPOSTA AOS LEITORES:

2) O que você chama de "terrorismo islamita" é absurdo! Terrorismo é uma coisa, o Islã outra. Ser islamita não significa ser terrorista e nem o contrário. Não existe terrorismo islamita. Existe o Terrorismo!

Minha resposta ao comentário acima foi, resumidamente, a seguinte: a expressão terrorismo islamita é valida, e é a mais correta, pois falar simplesmente em Terrorismo (assim, com T maiúsculo), embora seja moralmente correto (todos os terrorismos são perversos) não acrescenta nada na luta contra os extremistas assassinos ("guerra ao terror" é uma fórmula vazia). A guerra que o mundo civilizado trava desde 2001 não é contra "o terror" em geral, o terror como algo abstrato, mas contra uma forma específica e bem concreta de terrorismo: o terrorismo islamita.

É preciso analisar o fenômeno terrorista não somente em termos do método (bombas, assassinatos, sequestros etc.), mas da causa, ou ideologia. Há terrorismo islamita, assim como há terrorismo sionista (e cristão, e budista etc.). Dei, a esse respeito, um exemplo histórico (o Grupo Stern, que atuou na década de 40 onde hoje é Israel), para ilustrar a existência de varios terrorismos com diversas causas e motivações.

Em outras palavras: se não for analisada a motivação última que leva os fanáticos da Al Qaeda ou do Hamas a se explodirem em atentados contra civis indefesos, não se dará jamais uma resposta definitiva ao terrorismo islamita. E isso não será alcançado, certamente, enquanto os governos que têm a obrigação de combatê-lo insistirem em não chamá-lo pelo nome, preferindo, em vez disso, expressões anódinas como "guerra ao terror" (que é o mesmo que "guerra à guerra"). Esta é a primeira regra para vencer uma guerra: saber quem é o inimigo.

É logico e evidente que, ao dizer o que está acima, não estou afirmando que o terrorismo X é "melhor" ou "menos mau" do que o terrorismo Y. Dizer isso é uma grande besteira, que só poderia sair de cérebros irremediavelmente prejudicados pela malícia ou pela dislexia. Sei não, e nesse ponto posso estar enganado, mas acho que leitores que escrevem comentários como o de acima estão mais para a segunda categoria.

sexta-feira, maio 06, 2011

O LUTO SINCERO DOS FANÁTICOS E O LUTO ENVERGONHADO DOS HIPÓCRITAS

Como era esperado, a morte de Osama Bin Laden por um comando de elite norte-americano criou mais um mártir da jihad. Em vários países islâmicos - Paquistão, Indonésia, Egito -, milhares de fanáticos islamitas saíram e sairão às ruas para protestar contra os EUA e prantear o "guerreiro sagrado", jurando vingança. A ponto de já se começar a ouvir, aqui e ali, este ou aquele comentarista mais assustadiço: talvez tivesse sido melhor não ter assassinado o chefe terrorista, para "não provocar" os muçulmanos...

Lorota de covardes ou de aliados do terrorismo. O fundamentalismo islamita não precisa de nenhuma provocação para se justificar. Ele alimenta-se a si mesmo, como todo fanatismo. Ou alguém acredita, sinceramente, que, se os Navy Seals não tivessem metido uma bala na cabeça de Bin Laden, os ataques terroristas cessariam e os islamitas se transformariam em democratas?

Entre os que choraram a morte de Bin Laden está o Hamas. O Hamas é uma organização islamita terrorista que jurou destruir Israel e que é apoiada pelo Irã. Assim como a Al Qaeda, o Hamas usa homens-bomba contra alvos civis e deseja instalar um Estado islâmico na Palestina. Há alguns dias, grande parte da imprensa internacional saudou, como uma "esperança de paz", a anunciada reconciliação entre o Hamas e o Fatah, o movimento palestino "moderado". Em 2007, o Hamas tomou o poder na faixa de Gaza e, após um banho de sangue contra seus rivais da Fatah, intensificou seus ataques terroristas contra alvos israelenses, provocando uma guerra com Israel. Porque uma frente unida do Hamas com o Fatah seria uma esperança de paz para o Oriente Médio é algo que desafia minha compreensão.

O lamento dos fanáticos assassinos do Hamas é odioso, mas pelo menos é sincero. Eles não escondem que consideravam Bin Laden um herói. Para eles, o chefe da Al Qaeda era um aliado na jihad contra os infiéis ocidentais etc. No mundo abjeto dos terroristas, seu lamento faz sentido. Outros lamentam a morte do assassino serial, mas por cinismo e dissimulação, não ousam fazê-lo abertamente, escondendo-se por trás de uma cortina de argumentos pretensamente jurídicos e até morais para justificar a cumplicidade com o mal.

"Foi um assassinato puro e simples", escuto aqui e acolá, com diferentes variações, que vão da ingenuidade lacrimosa ao cinismo descarado. Esses humanistas devem crer que um assassino de mais de 3 mil pessoas inocentes, e que viveu apenas para matar, poderia ter sido capturado vivo (tornando-se, assim, um ímã para atentados terroristas) e levado a julgamento (onde? em Wahington? em Haia? em Islamabad?). Multiculturalistas, e sempre preocupados com os pruridos islâmicos (mas, quase nunca, cristãos), consideram a decisão de atirar o cadáver ao mar uma ofensa ao Islã, e indagam se não teria sido preferível enterrar o corpo em algum lugar mais adequado (para que o túmulo se tornasse local de peregrinação para islamitas fanáticos? não, obrigado). Ao contrário desses senhores, acho que os EUA fizeram muito bem em despachar Bin Laden para o diabo que o carregue. O mundo ficou melhor sem ele.

Outros, como o ditador de ópera-bufa venezuelano Hugo Chávez, disfarçam melhor, e usam argumentos menos piegas. "Foi um atentado à soberania", zurrou o Napoleão de hospício, tentando cobrir com brios de nacionalismo ofendido a eliminação de um inimigo da humanidade. Como se o terrorismo da Al Qaeda respeitasse fronteiras nacionais, e como se o governo dos EUA devesse ter comprometido o sucesso da operação ao informar os militares locais, tão confiáveis na luta contra o terrorismo que Bin Laden morava a poucos quilômetros de um quartel do exército paquistanês (o Talibã, aliás, foi uma criação do serviço secreto do Paquistão). Além do mais, alguém duvida que, se a eliminação de Bin Laden fosse uma operação conjunta americano-paquistanesa, e não exclusivamente americana, os inimigos dos EUA iriam deixar de cacarejar do mesmo jeito?

Tipos como Chávez e Noam Chomsky - seu mentor intelectual, e também um dos autores de cabeceira de Bin Laden - estão se roendo por dentro, amargando a morte de um aliado. Do mesmo modo que o ex-frei e ex-cristão Leonardo Boff, que lamentou publicamente terem sido "só" dois, e não vinte e cinco, os aviões que destruíram as Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. Para eles, foi uma derrota. Mas falta-lhes a coragem e a sinceridade necessárias para admitir isso. Não têm a honestidade de reconhecer abertamente que estão com o coração partido pelo desaparecimento do terrorista de estimação. Para gente como eles, assim como para o PT, morreu um inimigo do inimigo. E o inimigo de meu inimigo é meu amigo, pensam. Pela lógica, Bin Laden era, portanto, seu amigo.

Tecnicamente, a morte de Bin Laden foi um assassinato seletivo. Foi algo moral? A meu ver, não só foi moral, como foi uma obrigação. Eliminá-lo fisicamente, assim como aniquilar a estrutura da Al Qaeda, era imprescindível para a eliminação da ameaça terrorista. Essa é a única maneira de combater um inimigo que não tem medo de morrer - ou de convencer outros a morrerem por ele - para levar a morte ao lado adversário (e o lado adversário, nesse caso, são civis). Os que choram a morte de Bin Laden estão cuspindo nas mais de 3 mil vítimas fatais que ele deixou para trás. Como um cão hidrófobo, só restava matá-lo.

Aqui entra uma questão interessante. Barack Hussein Obama está sendo louvado e glorificado por ter mandado o terrorista saudita para o encontro de Alá. Muitos que votaram em Obama o fizeram em oposição aos métodos empregados por George W. Bush na "guerra ao terror". Um desses métodos é a noção de ataque preventivo, que pressupõe táticas como o assassinato seletivo de inimigos. Agora Obama copia Bush, e ordena o assassinato seletivo de Bin Laden. Bush foi execrado, Obama é um herói. Gostaria de saber por quê.

Outro ponto importante: há dois anos, Israel foi execrado na mídia por ter lançado uma campanha para caçar e eliminar terroristas do Hamas na Faixa de Gaza. A condenação a Israel foi praticamente unânime. Um relatório da ONU chegou mesmo a acusar as forças israelenses de bombardearem deliberadamente alvos civis (o que se provou ser uma acusação falsa). Pois bem. O que o governo de Barack Hussein Obama fez que Israel não tem feito sistematicamente? Que diferença há entre matar Bin Laden no Paquistão e eliminar terroristas na Faixa de Gaza? Por que matar Bin Laden é prestar um serviço à humanidade - como de fato o foi - e fazer o mesmo com os membros do Hamas ou do Hezbollah é "genocídio"?

Tais perguntas, obviamente, ficarão sem resposta. Para odiar os EUA, e tudo que ele representa (a começar pela liberdade, artigo desconhecido no mundo árabe e muçulmano), assim como para odiar Israel, não é necessário nenhum fato, nenhum argumento. Basta ser fanático ou idiota. Por extremismo religioso ou por covardia moral, tanto faz. Os inimigos da humanidade perderam um herói. O mundo venceu.

segunda-feira, maio 02, 2011

A MORTE DO SERIAL KILLER

Os inimigos da liberdade estão de luto. Um dos mais cruéis assassinos em série de todos os tempos foi eliminado. Responsável por milhares de mortos, inclusive inocentes e menores de idade, era procurado em todo o mundo por seus crimes.

Homicida frio e verdadeira máquina de matar, era um inimigo jurado dos EUA e do Ocidente. Havia prometido destruir a democracia onde quer que existisse, e substituí-la por uma das piores formas de tirania já concebidas. Ordenou o extermínio de centenas, muitos dos quais executou com as próprias mãos. Criminoso facinoroso e covarde, tinha no terror sua principal arma. Um inimigo da humanidade.

Eis sua foto:

Oops! Foto errada. Na verdade, eu estava me referindo a esse aqui:




P.S.: É óbvio que a morte de Bin Laden é uma boa noticia, e que a justiça foi feita. Mas engana-se quem pensa que ela significará o fim do terrorismo. Do mesmo modo que a morte do porco fedorento Ernesto ”Che” Guevara na Bolívia não significou o fim, ou mesmo a diminuição, do antiamericanismo esquerdopata mais bocó, muito pelo contrário. Basta ver a quantidade de idiotas que veneram o dito-cujo. Na realidade, existe o risco de a morte de Bin Laden significar o surgimento de um mito. Mesmo assim, celebremos essa vitória da liberdade. Osama Bin Laden agora vai fazer companhia a outros, como Saddam Hussein, na galeria dos que, ao partirem desta para (espero) pior, não vão deixar nenhuma saudade. Que a terra lhe seja pesada. Já vai tarde.

sexta-feira, setembro 11, 2009

O DIA EM QUE O MUNDO ACORDOU


Se tem uma imagem do 11 de setembro que não me sai da retina, não é a dos aviões atingindo o World Trade Center em Manhattan, nem a das pessoas se atirando das janelas em desespero para a morte, nem a das Torres Gêmeas desabando em meio a um inferno de fogo, poeira e escombros. Todas essas imagens, terríveis e espetaculares como são, não superam outra, bem mais prosaica. É a foto de um grupo de jovens modernosos, provavelmente americanos ou europeus, assistindo a tudo de camarote, do outro lado do Rio Hudson, como se estivessem vendo um show de TV, com ar blasé. Despreocupados. Impassíveis. Indiferentes.

Essa imagem, realmente surreal, me marcou profundamente. A meu ver, ela sintetiza e define com precisão a maneira como muita gente, dentro e fora dos EUA, encarou e encara até hoje o que ocorreu em Nova York e Washington, naquela manhã ensolarada, oito anos atrás. Como se estivessem falando sobre a balada da noite anterior, o grupo moderninho, muito à vontade, conversa despreocupadamente. O país está sendo atacado, diante de seus olhos, mas parece que eles não estão nem aí: é como se o que estivesse ocorrendo há apenas alguns quilômetros de distância não lhes dissesse respeito em absoluto. Creio que um deles, olhando-se bem a foto, parece até estar sorrindo, fazendo graça com o ocorrido. É a imagem perfeita da acomodação em meio à catástrofe, do tédio em meio ao caos. A indiferença em relação à dor dos outros, como dizia Susan Sontag - ironicamente, uma das estrelas do esquerdismo chique nova-iorquino. Indiferença ainda mais absurda e surrealista, pelo fato de o "outro", no caso, ser americano.

Centenas de livros foram escritos e dezenas de filmes foram feitos sobre o maior atentado terrorista da História, mas pouco se falou, até agora, sobre aquilo que considero um dos motores, senão o principal motor, da tragédia. Refiro-me à maneira absolutamente negligente - eu diria mesmo criminosa - como o tema do terrorismo foi tratado durante anos, e que deu ensejo ao que os terroristas fizeram naquela terça-feira. A foto do grupinho conversando despreocupadamente enquanto, do outro lado do rio, milhares de pessoas morriam uma morte horrível ilustra isso perfeitamente.

Pouca gente se dá conta, mas o ovo da serpente terrorista contra os EUA - contra a civilização, na verdade - foi chocado bem antes, durante anos. O governo de Bill Clinton (1992-2000), enrolado em charutos eróticos e estagiárias fogosas, desprezou a ameaça que se gestava no Oriente Médio, na forma da Al-Qaeda e de Bin Laden. Quando os aviões se espatifaram contra as Torres Gêmeas, Bin Laden já havia declarado guerra contra "os judeus e os cruzados" havia cinco anos, e sua rede terrorista já havia atacado alvos norte-americanos antes (as embaixadas no Quênia e na Tanzânia, em 1998, e o navio USS Cole, em 2000), com centenas de vítimas fatais. Mas a resposta do governo democrata se limitara a algumas declarações inócuas e a alguns mísseis atirados contra alvos no deserto no Afeganistão e no Sudão - no caso deste último, até isso foi bastante condenado à época, pois os mísseis americanos teriam atingido supostamente uma fábrica de remédios mantida pelo governo islamita de Cartum. O FBI e a CIA, ao que consta, já haviam tido a oportunidade de capturar Bin Laden, mas o plano fora abortado, ao que parece, porque as autoridades norte-americanas consideravam o milionário saudita uma figura menor, um peixe pequeno no mar do terrorismo internacional. Não era, enfim, politicamente correto, nem conveniente, caçar e eliminar fanáticos muçulmanos escondidos em algum cafundó do Afeganistão. Era mais importante, para Clinton e a quinta-coluna democrata infiltrada na Casa Branca, prosseguir na autoflagelação simpática aos outros países do que enfrentar para valer assassinos de turbante. Ao mesmo tempo, Clinton e sua secretária de Estado, Madeleine Albright, esforçavam-se para reaproximar-se de governos como o da Coréia do Norte.

Por isso, não fiquei exatamente surpreendido quando os EUA foram, finalmente, atacados - pela dimensão e método do ataque, certamente, mas não pelo atentado em si. Do mesmo modo, não me surpreendi quando vi as manifestações de júbilo na internet - inclusive por e-mail - pelo sucedido nos EUA naquele dia fatídico. Não estranhei, principalmente, as inúmeras teorias conspiratórias que pulularam naqueles dias, sempre na mesma toada - os ataques teriam sido forjados pelos próprios EUA, para deflagar uma guerra contra o Islã e se apoderar do petróleo do Oriente Médio etc. etc. -, que tinham em comum o fato de apresentarem os EUA sempre como o lado agressor, jamais como vítima (é incrível o que o antiamericanismo faz na cabeça das pessoas). Nada disso me surpreendeu, embora me cause asco até hoje lembrar a forma calhorda como muita gente considerada inteligente comemorou (sem aspas) a morte de quase três mil pessoas. Durante oito anos, pelo menos, o governo dos EUA fez vista grossa ao avanço do terrorismo islamita, baixando a guarda para seus inimigos. Era questão de tempo até que um ataque daqueles fosse lançado contra a maior potência do mundo. Quando finalmente ocorreu, todos foram pegos desprevenidos, e, desconhecendo o inimigo, apontaram o dedo para os próprios EUA.

O 11 de setembro demonstrou da pior maneira possível que a negligência em relação ao terrorismo islamita e o antiamericanismo andam lado a lado. Uma nota insistentemente tocada naqueles dias dizia que, com os atentados, os EUA estavam "colhendo o que plantaram", isto é, estavam sendo alvos de uma reação legítima por causa da política de Washington no Oriente Médio etc. Ninguém pareceu muito preocupado com a fragilidade intrínseca a esse tipo de argumento (o que tem a ver a política exterior norte-americana com a recompensa de 72 virgens no paraíso, por exemplo?), nem com o fato de que isso significa justificar o terrorismo, colocar-se no mesmo patamar moral de Bin Laden. Mas uma coisa é preciso admitir: tendo em vista a omissão escandalosa do governo Clinton no tocante ao combate ao terrorismo, assim como o primado da visão politicamente correta, os EUA realmente "colheram o que plantaram" em 11 de setembro de 2001.

Durante algum tempo, após os ataques nos EUA, pareceu que o mundo havia finalmente acordado para o perigo do terrorismo islamita, a maior ameaça à civilização desde a queda do comunismo. A forma como todo o povo norte-americano se uniu, deixando de lado diferenças e picuinhas partidárias (inclusive esquecendo-se, momentaneamente, da leviandade democrata, que propiciou os atentados), foi algo que, até hoje, me causa arrepios de admiração. (A escritora italiana Oriana Fallacci escreveu que, se os atentados tivessem ocorrido na Itália, os políticos de lá teriam aproveitado a ocasião para se devorarem entre si - acredito que no Brasil não seria diferente). Mas isso, infelizmente, durou pouco. Logo o velho antiamericanismo deu o ar de sua graça (ou desgraça), manifestando-se já no momento em que os EUA decidiram caçar Bin Laden e derrubar os fanáticos do Talibã no Afeganistão. A partir daí, a união e a solidariedade demonstradas nos primeiros dias após os ataques deram lugar, cada vez mais, à demonização de Jorjibúxi, algo que a invasão do Iraque e a derrubada de Saddam Hussein em 2003, em vez de ajudarem a diminuir, só atiçaram. E isso malgrado o fato de que nunca mais os EUA sofreram nenhum atentado terrorista semelhante, embora tentativas não tenham faltado. É que solidariedade com o gigante atacado, tudo bem. Já punir os responsáveis pelo ataque... Isso, não: isso é "imperialismo".

Desde então, os dias de reação enérgica contra o terrorismo parecem cada vez mais distantes. A luta contra o terrorismo islamita deixou de ser uma prioridade, voltando aos níveis do governo Clinton. A "guerra ao terror de Bush" - sempre entre aspas, sempre acrescida do nome do ex-presidente norte-americano, como se de uma causa da civilização não se tratasse - passou a ser vista com cada vez mais descrença e sarcasmo, e hoje questões como o status de Guantánamo ou a prática do waterboarding para arrancar informações dos terroristas presos tomaram o lugar da luta contra o terrorismo islamita nas manchetes. De certa forma, voltou-se aos tempos pré-11 de setembro, com o ressurgimento do mais nefasto antiamericanismo, que agora se apresenta com o rótulo de "respeito às diferenças", com o qual se tenta disfarçar a tolerância com o terror islamita, visto como uma forma de "resistência" contra a "opressão do imperialismo ocidental". Com a ascensão de Babaca Obama e de Hillary Clinton ao poder, esse retrocesso se completou.

Quase nada se sabe sobre as pessoas na foto que ilustra esse texto. Mas uma coisa é certa: poucas imagens simbolizam melhor a falta de consciência do perigo, a negligência e a indiferença em relação à ameaça terrorista. Isso custou milhares de vidas em 11 de setembro de 2001. Custará muitas outras vidas mais, se depender de quem está atualmente na Casa Branca.