Mostrando postagens com marcador universidades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador universidades. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, novembro 23, 2011

UM TEXTO IMPECÁVEL SOBRE A CHANCHADA DA USP: "O ERRO DE FOUCAULT"

É raro, mas de vez em quando alguém publica algo que presta na Folha de S. Paulo. É o caso do texto a seguir, de Luiz Felipe Pondé, que saiu em 21/11. Um resumo mais que perfeito do vazio intelectual que tomou conta das universidades brasileiras, a começar pela USP. Merece meu aplauso.
---
O erro de Foucault

Você sabia que o pensador da nova esquerda Michel Foucault foi um forte simpatizante da revolução fanática iraniana de 1979? Sim, foi sim, apesar de seu séquito na academia gostar de esconder esse “erro de Foucault” a sete chaves.

Fico impressionado quando intelectuais defendem o Irã dizendo que o Estado xiita não é um horror.

O guru Foucault ainda teve a desculpa de que, quando teve seu “orgasmo xiita”, após suas visitas ao Irã por duas vezes em 1978, e ao aiatolá Khomeini exilado em Paris também em 1978, ainda não dava tempo para ver no que ia dar aquilo.

Desculpa esfarrapada de qualquer jeito. Como o “gênio” contra os “aparelhos da repressão” não sentiu o cheiro de carne queimada no Irã de então? Acho que ele errou porque no fundo amava o “Eros xiita”.

Mas como bem disse meu colega J. P. Coutinho em sua coluna alguns dias atrás nesta Folha, citando por sua vez um colunista de língua inglesa, às vezes é melhor dar o destino de um país na mão do primeiro nome que acharmos na lista telefônica do que nas mãos do corpo docente de algum departamento de ciências humanas. E por quê?

Porque muitos dos nossos colegas acadêmicos são uns irresponsáveis que ficam fazendo a cabeça de seus alunos no sentido de acreditarem cegamente nas bobagens que autores (como Foucault) escrevem em suas alcovas.

No recente caso da USP, como em tantos outros, o fenômeno se repete. O modo como muito desses “estudantes” (muitos deles nem são estudantes de fato, são profissionais de bagunçar o cotidiano da universidade e mais nada) agem, nos faz pensar no tipo de fé “foucaultiana” numa “espiritualidade política contra as tecnologias da repressão”.

E onde Foucault encontrou sua inspiração para esse nome chique para fanatismo chamado “espiritualidade política”?

Leiam o excelente volume “Foucault e a Revolução Iraniana”, de Janet Afary e Kevin B. Anderson, publicado pela É Realizações, e vocês verão como a revolução xiita do Irã e seu fascínio pelo martírio e pela irracionalidade foram importantes no “último Foucault”.

As ciências humanas (das quais faço parte) se caracterizam por sua quase inutilidade prática e, portanto, quase impossibilidade de verificação de resultados.

Esse vazio de critérios de aplicação garante outro tipo de vazio: o vazio de responsabilidade pelo que é passado aos alunos.

Muitos docentes simplesmente “lavam o cérebro” dos alunos usando os “dois caras” que leram no doutorado e que assumem ter descoberto o que é o homem, o mundo, e como reformá-los. Duvide de todo professor que quer reformar o mundo a partir de seu doutorado.

Não é por acaso que alunos e docentes de ciências humanas aderem tão facilmente a manifestações vazias, como a recente da USP, ou a quaisquer outras, como a dos desocupados de Wall Street ou de São Paulo.

Essa crítica ao vazio prático das ciências humanas já foi feita mesmo por sociólogos peso pesado, em momentos distintos, como Edmund Burke, Robert Nisbet e Norbert Elias.

Essa crítica não quer dizer que devemos acabar com as ciências humanas, mas sim que devemos ficar atentos a equívocos causados por essa sua peculiar carência: sua inutilidade prática e, por isso mesmo, como decorrência dessa, um tipo específico de cegueira teórica. Nesse caso, refiro-me ao seu constante equívoco quanto à realidade.

Trocando em miúdos: as ciências humanas e seus “atores sociais” viajam na maionese em meio a seus delírios em sala de aula, tecendo julgamentos (que julgam científicos e racionais) sem nenhuma responsabilidade.

Proponho que da próxima vez que “os indignados sem causa” ocuparem a faculdade de filosofia da USP (ou “FeFeLeCHe”, nome horrível!) que sejam trancados lá até que descubram que não são donos do mundo e que a USP (sou um egresso da faculdade de filosofia da USP) não é o quintal de seus delírios.

Agem com a USP não muito diferente da falsa aristocracia política de Brasília: “sequestram” o público a serviço de seus pequenos interesses.

No caso desses “xiitas das ciências humanas”, seus pequenos delírios de grande “espiritualidade política”.

segunda-feira, novembro 14, 2011

A USP E A FOLHA



Por Olavo de Carvalho (na Folha de S. Paulo)


Nos anos 1930-1940, quando a USP ainda estava se constituindo administrativamente e o espírito dessa comunidade se condensava na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, a luta dos estudantes contra a ditadura getulista expressa o anseio de uma ordem constitucional democrática, como viria a ser proposta consensualmente em 1945 pelas duas alas da UDN, o conservadorismo cristão e a esquerda democrática.

O suicídio de Getulio Vargas e o recrudescimento espetacular do getulismo na década seguinte afetam profundamente a mentalidade uspiana, que, num giro de 180 graus, adere ao discurso nacional-progressista, em que a ênfase já não cai no culto das liberdades democráticas, mas nos programas sociais nominalmente destinados a erradicar a pobreza, ainda que ao custo do intervencionismo estatal crescente.

Surge nessa época o mito da "camada mais esclarecida da população", que, se conferia aos estudantes o estatuto de guias iluminados da massa ignara, ao menos lhes infundia algum senso de gratidão e de responsabilidade.

Nos anos 1960, o nacional-progressismo uspiano transmuta-se em marxismo explícito, com a adesão maciça do estudantado à revolução continental orquestrada em Cuba. As correntes liberais e democráticas desaparecem, só restando, como simulacro de pluralismo, as divisões internas do movimento comunista: stalinistas, trotskistas, maoístas etc.

Nas duas décadas seguintes, a esquerda internacional, sob a inspiração da "New Left" americana (herdeira da Escola de Frankfurt), vai abandonando as formulações marxistas dogmáticas para ampliar a base social do movimento, absorvendo como forças revolucionárias todas as insatisfações subjetivas de ordem racial, familiar, sexual etc., muitas das quais a alta hierarquia comunista condenava como irracionalistas e pequeno-burguesas.

Ao mesmo tempo, no Brasil, a derrota das guerrilhas abre caminho à adoção da estratégia gramsciana, que integra como instrumentos de guerra cultural o "sex lib", a apologia das drogas e a legitimação da criminalidade como expressão do "grito dos oprimidos".

O fracasso do modelo soviético acentua ainda a flexibilização do movimento revolucionário, com o abandono da hierarquia vertical e a adoção do modelo organizacional em "redes".

Bilionários globalistas passam a patrocinar movimentos esquerdistas por toda parte, de modo que rapidamente o discurso agora chamado "politicamente correto" se erige em opinião dominante, inibindo e marginalizando toda oposição conservadora ou religiosa, que se refugia em grupos minoritários cada vez mais desnorteados ou entre as camadas sociais mais pobres, desprovidas de canais de expressão.

Os efeitos desse processo na alma uspiana foram profundos e avassaladores: consagrados como representantes máximos do novo ethos global, os estudantes já não têm satisfações a prestar senão a seus próprios impulsos e desejos.

O jovem radical ególatra, presunçoso e insolente, a quem todos os crimes são permitidos sob pretextos cada vez mais charmosos, tornou-se o modelo e juiz da conduta humana, a autoridade moral suprema a quem o próprio consenso da mídia e do establishment não ousa contrariar de frente, sob pena de se autocondenar como reacionário, fascista, assassino de gays, negros e mulheres etc. etc. etc.

Há quem reclame dos "excessos" cometidos por aqueles jovens, mas a expressão mesma denota a queixa puramente quantitativa, a timidez mortal de contestar na base uma ideologia de fundo que é, em essência, a mesma de deputados e senadores, professores e reitores, ministros de Estado e empresários de mídia -a ideologia de todo o establishment, de todas as pessoas chiques.

A ideologia, em suma, da própria Folha de S.Paulo.

(OC é filósofo e escritor)

sábado, novembro 12, 2011

DE PEQUENOS E GRANDES CORRUPTOS

Esta semana, duas notícias pareceram mostrar que, apesar de tudo, o Brasil está melhorando. A primeira foi a retomada ordeira e sem incidentes, pela polícia, da reitoria da USP, que havia sido invadida e vandalizada por um bando de bebês mimados com saudades da época da ditadura militar. A segunda foi a ocupação, também pela polícia, da favela da Rocinha, a maior do Rio de Janeiro, onde vigorava há décadas a lei do narcotráfico. No plano internacional, outra boa nova foi a eliminação na Colômbia, pelas forças da ordem, de Alfonso Cano, comandante dos narcobandoleiros das FARC, que há mais de quarenta anos enlutecem o país vizinho e exportam drogas e violência para o resto do continente.

Os três fatos estão intimamente relacionados. Os vândalos da USP foram desalojados na operação de reintegração de posse porque - vamos relembrar - queriam a PM fora do câmpus, depois que três maconheiros foram flagrados no local. A mesma "causa" movia os traficantes da Rocinha no Rio, a começar por Nem, o chefe do narcotráfico na favela, preso alguns dias antes da retomada do morro pela polícia. As FARC, nem é preciso lembrar, vivem da exploração de drogas como a cocaína, que exportam para os morros cariocas (diga-se de passagem, ainda não vi, e espero ver um dia, um traficante das FARC ser preso no Brasil, ao invés de receber proteção do governo como "refugiado político", como aquele ex-padre de Brasília). Nos três casos, enfim, uma derrota do banditismo e uma vitória da lei e da democracia.

Das três notícias, a expulsão dos baderneiros da reitoria da USP tem um significado especial. O fato pode significar o começo de uma revolução mental nas universidades brasileiras. Assim como, pela primeira vez em trinta anos, os moradores da Rocinha podem respirar aliviados após a expulsão dos traficantes, e a população colombiana vislumbra a possibilidade de viver em paz sem as bombas e assassinatos dos facínoras das FARC, os estudantes da USP - falo de estudantes de verdade, que estudam, e não dos que estão lá somente para fazer politicagem e fumar maconha - têm a chance, também pela primeira vez em décadas, de se livrarem do jugo ideológico de grupelhos sectários, tão minoritários quanto barulhentos, que seqüestraram a universidade e tranformaram os estudantes em reféns de suas ideologias falidas e totalitárias. Têm a oportunidade, enfim, de retomar a universidade, permitindo que ela exerça o papel para o qual foi criada, que é o de produzir conhecimento. O exemplo poderia frutificar, espalhando-se para as demais universidades. Não seria pouca coisa.

Os grupos que patrocinaram a baderna no câmpus da USP, claro, não aceitarão isso de bom grado. Li que já estão ameaçando com uma greve no ano que vem - para variar, ano eleitoral. É mais um motivo para querer esse pessoal longe das universidades. Entra ano sai ano, e eles sempre dão um jeito de impor sua agenda político-partidária-eleitoral-revolucionária-maconhista sobre os 90% que não compartilham de seus "ideais". Em todas essas situações, deixam claro seu ódio à liberdade e ao pensamento discordante.

Tive a oportunidade de sentir isso na própria pele, mais de uma vez. Em 1998, eu estava terminando o curso de História na Universidade Federal do Rio Grande do Norte quando houve mais uma greve que paralisou por meses a universidade. Assim como ocorreu antes, e ocorreria depois, sempre em ano eleitoral. Eu estava farto de perder aulas por conta das ambições eleitoreiras dos partidos de esquerda, como havia ocorrido em outras greves (eram sempre o PT e o PCdoB, mas havia gente também do PSTU e de outros partidecos de extrema-esquerda), e, embora ainda relutasse em abandonar totalmente minhas ilusões esquerdistas da adolescência, sinceramente não entendia como se poderia atingir o "inimigo" (ou seja, o governo, no caso, o de FHC) e defender uma educação pública, gratuita e de qualidade (era esse o principal bordão dos grevistas) impedindo os alunos de estudarem e passando cola super-bonder nas fechaduras das portas das salas de aula...

Resolvi, então, escrever um texto de protesto, que afixei nos murais dos corredores do setor onde eu tinha aula. Posso dizer, sem exagero, que aqueles textos não duravam cinco minutos, pois eram logo arrancados. Teve uma noite em que eu coloquei o mesmo texto no mesmo mural umas dez vezes: mal eu virava as costas, e uma mão invisível e agilíssima o arrancava, sem dar tempo sequer de alguém ler o que estava escrito. E assim foi por vários dias, até que a greve foi decretada numa assembléia que, desconfio, não reuniu nem 1% dos alunos...

A esse episódio juntou-se outro, em 2000, que já contei aqui. Eu já tinha me formado, e era professor substituto no mesmo curso em que me graduei. Outro ano eleitoral, outra greve. Sabendo dos resultados funestos que mais uma paralisação teria para os alunos, resolvi submeter a decisão de aderir ou não à greve à uma votação nas duas turmas para as quais eu lecionava. Uma delas aderiu ao movimento, decisão que respeitei. Outra, dele decidiu não participar, e continuar as aulas normalmente, o que também respeitei. Mas não foi a mesma a atitude de um pirquete de grevistas (alguns deles, nem estudantes eram), que, chegada a hora da aula, à noite, tentaram me intimidar, depois apagaram as luzes da sala. E falavam em democracia e em ensino público gratuito e de qualidade...

Eu poderia citar outros fatos, muitos, que revelam esse padrão nas universidades brasileiras. Lembro que, certo dia na década de 90, um grupo de militantes de esquerda (não sei se do PT ou do PSTU) tinha armado numa feira universitária um estande com material de propaganda defendendo o boicote ao ENEM, então uma proposta do governo FHC (eram tempos do "Fora FHC"). Tentei puxar conversa com um deles, perguntando por que estava contra a idéia, que me parecia bastante razoável. Ele balbuciou alguma coisa sobre neoliberalismo e privatização, e, vendo que eu não estava ali para assinar o manifesto que tinham feito, e que insistia na pergunta, mudou de conversa e se afastou. Hoje, o ENEM é uma bagunça, graças ao trabalho labrogeiro de Fernando Haddad, provavelmente o pior ministro da Educação que o Brasil já teve em todos os tempos (e que o PT quer ver como prefeito de SP em 2012, vade retro!). Mas, curiosamente, não vejo ninguém na esquerda defendendo um boicote.

O que está acima mostra o seguinte: o que chamam por aí de "movimento estudantil" não existe, é uma palhaçada, feita por e para partidos de esquerda ou extrema-esquerda sem qualquer compromisso com a educação e com os estudantes. Pior: sem nenhum compromisso - nenhum mesmo! - com qualquer coisa que se pareça com democracia e com ética. Assim como os narcotraficantes da Rocinha e os terroristas das FARC, os bichos-grilos fashion da USP estão se lixando para tudo isso, e querem apenas se locupletar. Aí está a União Nacional dos Estudantes Amestrados (UNEA, ex-UNE) para provar.

Digam-me, com toda sinceridade: que diferença existe entre os baderneiros da USP e os petralhas que assaltam os cofres públicos? Qual a diferença entre esses mimadinhos e Orlando Silva ou Carlos Lupi? Eu respondo: NENHUMA! Assim como os ministros corruptos de hoje, os revolucionários pequeno-burgueses da USP vivem de ideologia vagabunda e de parasitar o erário. E que diferença há entre os arruaceiros que invadiram a reitoria e Nem da Rocinha? Tirando o fato de que este último andava armado e mandava incinerar desafetos, nenhuma diferença: tanto um como outro odeiam a polícia e defendem suas bocas-de-fumo. Enfim, são todos feitos da mesma lama (para não dizer outra coisa).

Os "revolucionários by GAP" e de óculos de 500 reais que vivem da mesada do papai são os orlandos silvas e os carlos lupis de amanhã. Aprendem, num movimento que conta com a cumplicidade de alguns professores e jornalistas ideologicamente comprometidos ou carentes de coragem para afrontar o politicamente correto, a arte da corrupção e da impunidade. Não é por acaso que a UNE tenha virado uma correia de transmissão do Palácio do Planalto, e que seus dirigentes sejam oriundos de partidos como o PCdoB. Entre os delinqüentes da USP está, provavelmente, um futuro ministro de Estado.

quarta-feira, novembro 09, 2011

OS MIMADINHOS DESOCUPADOS

Exemplo de "arte revolucionária" encontrada nas paredes da reitoria da USP: mimadinhos esquerdopatas e delinquentes fazem estudantes reféns de suas ideologias falidas e totalitárias. Democracia neles!


"Violência na USP", é a manchete de vários jornais de hoje, após a PM paulista ter desalojado um grupo que ocupava a reitoria da veneranda universidade. "Estudantes presos", berram em uníssono os meios de comunicação. Os 73 que foram levados de ônibus para a delegacia aproveitam cada momento de exposição na imprensa para denunciar maus-tratos por parte dos policiais. Os pais de alguns deles, assim como alguns jornalistas, vão na onda e botam a boca no mundo contra essa violência etc. e tal. Houve mesmo quem visse na coisa um quê de Ibiúna-1968.

É verdade que houve um ato de violência no campus da USP. Um, não: vários. Nenhum deles foi cometido pela PM.

A primeira violência ocorreu quando um bando de meliantes tentou impedir a prisão de três colegas apanhados em flagrante fumando maconha no campus, ferindo vários policiais e danificando viaturas da PM a pedradas. Uma dupla violência: contra a lei e contra quem é pago pelo Estado para defendê-la.

A segunda violência deu-se quando, logo em seguida, uma turba de delinquentes e arruaceiros, encapuzados e disfarçados de estudantes, resolveu invadir o prédio da administração da FFLCH, transformando-a em QG para berrar slogans esquerdóides de grupelhos sem representatividade no corpo estudantil. Uma violência contra o patrimônio público e contra a racionalidade.

A terceira violência aconteceu quando esses mesmos militontos desrespeitaram a decisão da maioria esmagadora dos estudantes da USP – que têm mais o que fazer na vida e preferem estudar a queimar fumo –, decisão esta manifestada em assembléia, e resolveram invadir tambem o prédio da reitoria, decretando a "revolução". Uma violência contra a democracia (e contra o bom senso).

Finalmente, uma última violência: tentaram transformar a maior universidade brasileira num soviete onde filhinhos-de-papai mimados e com roupas de grife dão vazão a seus delírios esquerdopatas juvenis, impedindo o funcionamento da instituição e o acesso de seus 89 mil estudantes aos serviços da universidade. Uma violência contra a inteligência e o conhecimento.

Se um morador da periferia for apanhado fumando maconha, ele será preso e fichado pela polícia. Se seus amigos resolverem tentar impedir a polícia de fazer seu trabalho e resgatá-lo na marra, vão levar bordoada. Se, além disso, decidirem invadir um prédio publico – digamos, uma escola –, impedindo os alunos de estudar e os professores de darem aula, agredindo jornalistas e exigindo a saída da PM da area, serão considerados, no mínimo, baderneiros e cúmplices do crime de narcotráfico. Assim é no estado democrático de direito, onde a lei vale para todos, sem distinção de cor, raça, ideologia ou conta bancária.

Os remelentos que invadiram a FFLCH e a reitoria da USP – verdadeiras caricaturas de revolucionários, que parecem saídos diretamente do filme Bananas, de Woody Allen – acham que são diferentes. Acreditam que, por terem quem os sustente – pápi, mâmi ou o Estado –, pertencem a uma categoria especial, acima dos demais mortais, e podem fazer o que bem entendem. Acham que estão, enfim, acima da lei. São elitistas, no pior sentido da palavra, e odeiam a democracia.

O que aconteceu na USP foi a desmoralização final de um "movimento" que vive de ideologias falidas e da mesada do papai e da mamãe. Há décadas, as universidades brasileiras foram sequestradas por partidos e sindicatos de esquerda que se dedicam a impor sua agenda antidemocrática à maioria dos estudantes, que tem que aceitar calada esse verdadeiro bullying ideológico. Bebês crescidos, muitos deles com mais de 30 anos, não se contentam em viver às custas do dinheiro estatal e da cumplicidade complacente de professores-militantes semi-analfabetos, que ainda acreditam que estamos no Brasil da época do AI-5, e promovem abertamente a bagunça e a desordem, em nome do sagrado direito de puxar um "beck".

Tive contato na minha época de estudante e também de professor, com esses arruaceiros e vagabundos (e, devo confessar, fui um deles durante um tempo). Mesmo participando de um grupinho sectário de ultra-esquerda, na época, 1994, 95, eu já os via como eles são: um bando de arruaceiros e vagabundos, que não estão nem aí para a educação (a começar pela própria) e só querem saber de zoeira e de fazer proselitismo barato para seus partidos. Mas, pelo menos, esses che guevaras do danoninho ainda não tinham sido estatizados: a UNE, essa inutilidade aparelhada pelo PCdoB, bancava as farras com o dinheiro surrupiado das carteirinhas de estudante.

Hoje, com os cumpanhêru no poder, a UNE virou UNEA (União Nacional dos Estudantes Amestrados), uma repartição chapa-branca dirigida por sorridentes pelegos, sempre a postos para torrar uma grana do governo em festinhas e em organizar, de vez em quando, um protesto a favor. Alguns de seus membros, meio que por inércia, meio que por burrice mesmo, ainda falam em revolução, mas estão mais para bunga-bunga com dinheiro alheio. Intolerantes ao extremo, incapazes de aceitar o pensamento discordante, vivem de intimidar os que deles discordam. E ainda vêm chorar em público, reclamando perante as câmeras da imprensa (a mesma que chamam de “golpista” e “burguesa”) que foram "torturados" pelos cruéis policiais porque, afinal de contas, foram levados de ônibus, e não no carrão do papai... O pai de um deles, membro de um grupo trotskista, chegou a acusar os policiais de terem “desaparecido” seu filho, que estava, na verdade, na casa da mamãe… É ridículo. É patético. E é triste.

Meus parabéns à PM de São Paulo, que, cumprindo ordem judicial, não se deixou intimidar pelas patrulhas ideológicas e deu uma aula de democracia a esses bebês mimados e malcriados, que confundem autonomia universitária com licença para transformer a universidade numa boca de fumo. Já que os pais desses desocupados não lhes ensinaram que é feio cabular aula e puxar um baseado, que aprendam isso com o povo fardado, ou seja: a polícia. Um pouco de borrachada democrática não lhes fará mal.

sábado, outubro 29, 2011

A "REVOLUÇÃO MACONHISTA" EM AÇÃO NA USP

Eis o naipe dos invasores do prédio da administração da FFLCH da USP. Notem a faixa ao lado...


Na última quinta-feira, uma turba de baderneiros e delinquentes, militontos de grupelhos de extrema-esquerda associados ao narcotráfico, atacou a PM com paus e pedras no campus da USP, a maior universidade brasileira. Motivo: os policiais tinham acabado de deter três colegas apanhados em pleno ato de queimar um baseado. Em seguida, os vagabundos invadiram o prédio da FFLCH, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, queimaram bandeiras - do Brasil e do estado de São Paulo - e estenderam cartazes pedindo a saída do reitor e da PM do campus. Uma das faixas dizia que os policiais não eram "trabaliadores" (sic), mas o "braço armados (sic) dos exploradores"...

Os delinquentes - que parte da imprensa, sei lá por quê, insiste em chamar de "estudantes" ou de "manifestantes" - acreditam que fumar maconha é parte do currículo acadêmico. Mais: que é um ato libertário e revolucionário, blá blá blá. Naturalmente, eles vêem a PM ccomo a vêem os delinquentes, e se queixam da "opressão" de que seriam vítimas: ou seja, do fato de não poderem acender um cigarrinho de artista sem ter que prestar contas à Lei por isso.

Desde maio, quando um estudante foi assassinado a tiros numa tentativa de assalto dentro do campus, há um acordo entre a reitoria da USP e a PM que concede a esta o direito - na verdade, o dever - de zelar pela segurança no local. Os "estudantes" que agora ocupam a FFLCH não levantaram um giz contra a morte brutal do colega, mas se encheram de fervor revolucionário contra a prisão de três maconheiros nas imediações das salas de aula. Ou seja: matar estudantes para roubar-lhes a carteira, pode; combater o narcotráfico e o consumo de drogas, não. É a revolução maconhista-estudantil em ação.

É inacreditável.

Um bando de desocupados acha que está acima da lei, e que tem o direito de sequestrar a universidade e de impedir, pela intimidação e pela violência, estudantes de estudarem, professores de darem aula e, agora, policiais de prenderem bandidos e combaterem o narcotráfico - e isso é visto por muitos intelectuais e jornalistas (sem falar em políticos de esquerda) como algo "normal" ou, como disse um deputado petista, um "rito de passagem" (!). Rito de passagem para o quê? Só se for para a bandidagem. Aliás, como mostram as fotos, até o visual dos narcotraficantes dos morros cariocas e da periferia os "estudantes" estão imitando. Mas há quem ache lindo jovens (ou nem tão jovens assim) atacando policiais e invadindo prédios públicos pelo sagrado direito de fumar maconha.

O fato é por demais conhecido de todos, mas, por alguma razão, quase ninguém quer tocar no assunto: as universidades brasileiras, a começar pela USP, foram tomadas por um discurso vigarista, essencialmente antidemocrático, que enxerga na defesa da Lei e da Ordem um sinal de "reacionarismo", e na agitação política - que inclui o consumo de drogas ilícitas - um gesto de rebeldia juvenil. Por trás disso estão grupelhos de extrema-esquerda que não têm absolutamente nada a ver com os interesses dos estudantes e dos professores, e que só usam as universidades como locais de agitação política para a divulgação de suas ideologias totalitárias. O mais paradoxal de tudo: geralmente, com slogans "em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade". Fascistas de esquerda, seu compromisso com a educação é nulo. Agora, mostram-se na prática aliados do narcotráfico contra a polícia, que num estado de direito é a democracia fardada. É a aliança narcótico-estudantil...

A zorra na USP reflete essa situação de indigência e de anarquia. Obviamente, a maioria dos estudantes não tem nada a ver nem se sente representada por esses maloqueiros. Estudantes de verdade não têm tempo para esse tipo de besteira: estão ocupados estudando e, em muitos casos, também trabalhando. Os revolucionários do toddyinho e dos sucrilhos que tomaram de assalto a FFLCH e querem ver a PM fora do campus não têm essas preocupações burguesas: não estudam nem trabalham, sendo sustentados por papai e mamãe. Estão lá para agitar, fazer proselitismo barato, jogar pedras na polícia - e fumar maconha.

Não por acaso, a "descriminalização da maconha", como um passo para a liberação total de qualquer substância ilícita, já constitui uma das principais bandeiras da esquerda no Brasil. Trata-se de um pretexto para fazer a "revolução", mediante a afronta à Lei e ao Estado de Direito Democrático. E nada mais do que isso. Aí estão os acontecimentos na USP para provar.

Na verdade, a maconha é a droga mais leve traficada e consumida no campus da USP. Nem de longe se compara ao efeito deletério da vulgata marxistóide e do anticapitalismo primário que passam, naquela e em quase todas as universidades do país, por "ciências humanas". Já escrevi sobre isso: as universidades públicas brasileiras, por força de décadas de hegemonia ideológica esquerdista, há muito deixaram de ser centros produtores de conhecimento e viraram verdadeiras madraçais, onde os talibãs do PCO e do PSTU deitam e rolam, muitas vezes incentivados por professores-militantes mais interessados em fazer política partidária do que em lecionar. E tudo isso estimulados por uma mitologia idiota de "rebeldia estudantil", cultivada por gente que, de tanto fumar Marx e Gramsci, acredita que ainda estamos em 1968 e que estudantes - ainda que sejam estudantes profissionais, que não estudam - são a nova classe revolucionária.

Já passou da hora de enquadrar esses filhinhos-de-papai arruaceiros e irresponsáveis. Que alguém lhes ensine, além de Português, que a Lei também é para eles e que as universidades são locais de cultura e conhecimento, e não de farra. É preciso ensinar-lhes a viver numa sociedade democrática. E, numa democracia, ninguém tem uma licença especial da sociedade para delinquir. Se os pais desses energúmenos não o fizeram, que seja a polícia, então, a lhes dar umas boas palmadas.

terça-feira, agosto 09, 2011

OS DEVANEIOS DO VELHINHO

De vez em quando alguém me manda um link na área de comentários, geralmente para um texto ou uma entrevista de alguma vaca sagrada do esquerdismo nacional. Aconteceu de novo. Um anônimo, provavelmente mais um da sinistra – essa gente adora se apoiar nas palavras de figuras do tipo, agindo como abelhas, guiados por feromônios –, remete a uma entrevista de Antonio Candido, um dos medalhões da esquerda tupiniquim (foi fundador do PT e o escambau), à revista “Brasil de Fato” (um dos panfletos chapa-branca crias da era lulista, como a Carta Capital). O texto é inacreditável. A começar pelo título, que diz tudo: “O socialismo é uma doutrina triunfante”. Levado por uma, como direi?, curiosidade mórbida, acabei lendo o troço. E não resisti a fazer também meus comentários.

Selecionei a parte mais, digamos, controversa da entrevista. Depois de discorrer sobre literatura e dizer que está afastado de todas as novidades há 30 anos – ele diz não saber o que é e-mail – o professor Antonio Candido trava o seguinte diálogo com a entrevistadora-fã (botei em negrito alguns trechos):

Brasil de Fato – O senhor é socialista?
Antonio Candido – Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria.

Ao ler o que está aí em cima, voltei à minha infância. Lembrei imeditamente do Didi Mocó: "Cuma???" O socialismo, uma “doutrina triunfante”??? É isso mesmo, professor?

Nem vou me concentrar nessa questão, por ora. Prefiro comentar as palavras de Antonio Candido sobre os primórdios da indústria capitalista, que, segundo ele, foram algo assim como o inferno de Dante. Esse tipo de afirmação é corrente desde os romances de Dickens. Mas aí eu me pergunto: e o que havia antes? O feudalismo. E, no feudalismo, como era a vida? Certamente, não era nenhum mar de rosas. Desconfio que Antônio Cândido jamais leu Von Mises. Se o fizesse, perceberia que, no capitalismo, as condições de vida MELHORARAM de forma geral, inclusive para o operariado.

Mas cortei um parágrafo da entrevista. Vejamos o que diz o gênio:

Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: “o senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana”. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na “Ideologia Alemã”: as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.

Ai, ai.... (longo suspiro). Qualquer um, mesmo um militante do PSTU, deve ter sentido, ao ler essas palavras, aquela sensação desconfortável que a gente costuma chamar de "vergonha alheia". Trata-se de uma visão primária, infantil mesmo, do que seria o socialismo – Antonio Candido o descreve como se fosse um misto de conto-de-fadas e de livro do Gabriel Chalita. Até para os padrões marxistas, tal conceito de socialismo é de uma superficialidade inacreditável, ginasiana. É constrangedor ver um ancião de 93 anos de idade com idéias tão esclerosadas, dignas de uma cartilha do PT ou do PSOL. Chega a ser tocante.

A opinião de Antonio Candido sobre a suposta miséria dos trabalhadores no capitalismo, por exemplo, é de fazer corar de vergonha até o mais burocrático editor do "Pravda". Para ele, as conquistas sociais se devem ao socialismo, não existe capitalismo com face humana etc. O fato de o capitalismo ser o sistema econômico que mais produziu riqueza na história da humanidade e – o que é mais importante – o ÚNICO capaz de conciliar lucro com liberdade (e as tais conquistas sociais) não existe para o velho socialista Antônio Cândido. É o capitalismo, esse bicho-papão...

Mas o mais incrível vem na explicação de Antonio Candido para sua última afirmação ("O socialismo só não deu certo na Rússia" - e em nenhum outro lugar, esqueceu-se de dizer):

Virou capitalismo. A revolução russa serviu para formar o capitalismo. O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar.

Ah bom! Agora entendi tudo. O que deu errado na URSS não foi o socialismo; não foi a ditadura do proletariado; foi o... capitalismo!

Agora só falta botar a culpa pelos fuzilamentos, pelas torturas, pela censura e pelos milhões de mortos nos campos de concentração na Casa Branca ou nos banqueiros de Wall Street. Santo Deus!

Falando sério: uma das coisas mais desonestas que existem é essa lengalenga de que tudo de bom que existe no capitalismo se deve ao socialismo. É uma das maiores mentiras que alguem já inventou. Mesmo que fosse verdade, gostaria de saber por que o Gulag teria sido necessário para que existissem hoje décimo-terceiro salário e férias remuneradas.

Brasil de Fato – O socialismo como luta dos trabalhadores?
Antonio Candido – O socialismo como caminho para a igualdade. Não é a luta, é por causa da luta. O grau de igualdade de hoje foi obtido pelas lutas do socialismo. Portanto ele é uma doutrina triunfante. Os países que passaram pela etapa das revoluções burguesas têm o nível de vida do trabalhador que o socialismo lutou para ter, o que quer. Não vou dizer que países como França e Alemanha são socialistas, mas têm um nível de vida melhor para o trabalhador.


O "grau de igualdade de hoje", que segundo Antonio Candido foi obtido "pelas lutas do socialismo" foi proporcionado pelo próprio capitalismo, que tem no lucro e na propriedade seu grande fator equalizador (não os laços de parentesco ou os títulos de nobreza). Mas lembrar esse fato talvez seja pedir demais ao cérebro de Antonio Candido.

Agora, estão prontos para ter uma aula de precisão conceitual e de rigor lógico? Então lá vai:

Brasil de Fato – Para o senhor é possível o socialismo existir triunfando sobre o capitalismo?
Antonio Candido – Estou pensando mais na técnica de esponja. Se daqui a 50 anos no Brasil não houver diferença maior que dez do maior ao menor salário, se todos tiverem escola… não importa que seja com a monarquia, pode ser o regime com o nome que for, não precisa ser o socialismo! Digo que o socialismo é uma doutrina triunfante porque suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas. Não tenho cabeça teórica, não sei como resolver essa questão: o socialismo foi extraordinário para pensar a distribuição econômica, mas não foi tão eficiente para efetivamente fazer a produção. O capitalismo foi mais eficiente, porque tem o lucro. Quando se suprime o lucro, a coisa fica mais complicada. É preciso conciliar a ambição econômica – que o homem civilizado tem, assim como tem ambição de sexo, de alimentação, tem ambição de possuir bens materiais – com a igualdade. Quem pode resolver melhor essa equação é o socialismo, disso não tenho a menor dúvida. Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser… o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo.


Acredito que nem mesmo um primeiranista de ciências sociais na USP ou na UnB teria muita dificuldade em perceber a total confusão de conceitos que Antonio Candido faz acima. Primeiro, ele diz que o sistema ideal não precisa ser socialista. Depois, que o sistema que melhor pode conciliar a ambição econômica com a igualdade é o... socialismo. Em seguida, proclama que o mundo está caminhando para isso. Mas nem ele sabe ao certo o que viria a ser esse sistema, de modo que só posso concluir que ele não tem mesmo a menor idéia do que está falando...

Isso fica claro quando o professor destila sua definição de socialismo como o "máximo de igualdade econômica", entendida por ele como igualdade salarial. O que Marx diria disso?

As palavras de Antonio Candido me fizeram lembrar de uma entrevista que o Lula deu anos atrás, antes de ser presidente. Na ocasião, o Apedeuta se disse socialista, mas confessou não saber exatamente como seria o socialismo se fosse um dia aplicado no Brasil. Não tinha idéia do que seria. A pergunta é: por que eu deveria apoiar algo que ninguém sabe ao certo do que se trata?

Mas esperem! O ápice da entrevista – e da sabedoria de Antonio Candido – vem agora.

Brasil de Fato – O que o socialismo conseguiu no mundo de avanços?
Antonio Candido – O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. Se você tira os rótulos e vê as realidades, vê como o socialismo humanizou o mundo.


É, o socialismo "humanizou" o mundo. Pena que foi a um preço, digamos assim, um pouco alto: algo como uns cem milhões de mortos... Vejamos como esse sistema maravilhoso fez isso em um lugar específico citado por Antonio Candido como modelo de igualdade entre os homens.

Em Cuba eu vi o socialismo mais próximo do socialismo. Cuba é uma coisa formidável, o mais próximo da justiça social.

Se eu precisava de algo que me convencesse, de uma vez por todas, que o capitalismo é mesmo o melhor sistema e que esse papo de socialismo é mesmo coisa de gente de miolo mole, o venerável professor Antonio Candido acabou de me proporcionar o argumento definitivo: para ele, o mais próximo de justiça social que existe é... Cuba!!!

Precisa comentar?

Não a Rússia, a China, o Camboja. No comunismo tem muito fanatismo, enquanto o socialismo democrático é moderado, é humano. E não há verdade final fora da moderação, isso Aristóteles já dizia, a verdade está no meio.

E a castradura cubana, pelo visto, não tem nada de fanatismo, seria esse tal "socialismo democrático" de que fala Antonio Candido. Parece que, para ele, se Aristóteles estivesse vivo, concordaria que Cuba é o juste milieu. Seria, certamente, um militante bolivariano...

Acho que o que vai acima dá bem uma idéia de como funciona uma mente genial como a de Antonio Candido, um dos heróis da intelectualidade uspiana – o que dá também uma idéia da indigência mental de nossos intelelequituais. O resto da entrevista é pura louvação ao socialismo, "a grande visão do homem, que não foi ainda superada, de tratar o homem realmente como ser humano" etc... Quando li isso, confesso que quase chorei; lembrou meus 14 anos.

Nem tudo na entrevista de Antonio Candido é delírio esquerdóide. Pelo menos numa coisa vou concordar: em certo momento, ele diz que o capitalismo atual está embebido de socialismo. É verdade! Vejam o "capitalismo" brasileiro, feito de dinheiro público distribuído à larga pelos companheiros em ministérios que já viraram balcões de negócios. Antonio Candido cita como prova do “triunfo do socialismo” o fato de que até figuras como Maluf falam hoje em justiça social. Deve ser porque Maluf, assim como Collor e Sarney, agora é lulista de carteirinha.

No final, Antonio Candido aproveita para fazer altos elogios ao MST, em especial à "preocupação cultural" do movimento, o que segundo ele não havia em movimentos anteriores. Ele diz que isso "é uma coisa muito bonita" do MST. De fato, é muito bonito ver os filhos dos invasores aprendendo a odiar o capitalismo e a venerar grandes humanistas como Mao Tsé-tung e Che Guevara em alguma universidade mantida pela gangue. Sem falar que, de economia, a turma de João Pedro Stédile entende bastante. Principalmente como tungar o Erário...

Antonio Candido diz ainda:

É preciso cultura. Não é só o livro, é conhecimento, informação, notícia… Minha tese de doutorado em ciências sociais foi sobre o camponês pobre de São Paulo – aquele que precisa arrendar terra, o parceiro. Em 1948, estava fazendo minha pesquisa num bairro rural de Bofete e tinha um informante muito bom, Nhô Samuel Antônio de Camargos. Ele dizia que tinha mais de 90 anos, mas não sabia quantos. Um dia ele me perguntou: “ô seu Antonio, o imperador vai indo bem? Não é mais aquele de barba branca, né?”. Eu disse pra ele: “não, agora é outro chamado Eurico Gaspar Dutra”. Quer dizer, ele está fora da cultura, para ele o imperador existe. [...]

E Antonio Candido não sabe ainda que o Muro caiu. Empatou, né?

Um dos ensinamentos que ficaram da minha infância foi o respeito à opinião dos mais velhos. Mesmo que essa opinião seja absurda, não importa: é uma questão de respeito, de reverência, pelos anos vividos. Minha bisavó morreu aos 99 anos jurando de pés juntos que o homem não tinha ido à Lua. Não adiantava tentar argumentar, mostrar o video da aterrissagem, ela fincava pé: fora tudo encenação, como nos filmes de Hollywood etc. Durante um tempo tentei convencê-la, mas acabei desistindo. Concluí que era mesmo muito difícil para uma pessoa nascida no século XIX acreditar em um evento de tal magnitude. Era algo além de sua compreensão. Além do mais, provavelmente pensar assim a deixava feliz. Para quê contrariar a velhinha?

Desde que Oscar Niemeyer cometeu um artigo inacreditável na Folha de S. Paulo em que elogia um livro que não leu sobre Stálin - e que afirma exatamente o contrário do que ele escreveu a respeito de seu grande ídolo -, eu não lia tanta besteira sobre socialismo saída da boca de um medalhão da esquerda tupiniquim. Antonio Candido, 93 anos, não foge à regra da senilidade esquerdista (a última vez que ouvi falar do professor, ele estava discursando para um bando de baderneiros profissionais em meio a uma “greve” na USP; na ocasião, ele deu o seguinte conselho aos revolucionários juvenis do toddyinho e dos sucrilhos: “sejam justos e injustos”). Ao ler a entrevista, lembrei de Antero de Quental, escritor português do século XIX, que certa vez, numa célebre polêmica literária, respondeu a um desafeto com os seguintes termos:

Innovar é dizer aos prophetas, aos reveladores encartados: «ha alguma cousa que vós ignoraes; alguma cousa que nunca pensastes nem dissestes; ha mundo além do circulo que se vê com os vossos oculos de theatro; ha mundo maior do que os vossos systemas, mais profundo do que os vossos folhetins; ha universo um pouco mais extenso e mais agradavel sobre tudo do que os vossos livros e os vossos discursos.»

Fico tentado a responder a Antonio Candido com as palavras acima. Mas então me lembro que ele tem 93 anos. Para quê contrariar o velhinho?

Afinal, não nos esqueçamos: o sobrenome dele é “Cândido”.

segunda-feira, junho 27, 2011

A MARCHA DA INSENSATEZ

Respondo a um valente anônimo, que escreveu o seguinte sobre meu último post:

Você Gustavo, como a maioria dos brasileiros é um HIPOCRITA, sabia? Se você quer fazer uma marcha a favor da inteligência, pq não faz? O que te impede? A marcha da maconha é realizada em mais de 40 paises a muitos anos, ou você não sabia disso? E ainda nos chama de ignorante...

Caro anônimo, você tem razão: sou um hipócrita (em minúsculas mesmo, e com acento agudo no “o”). Não saio às ruas em defesa da legalização do hábito de fumar maconha. Ainda por cima, defendo a Lei. Isso é mesmo uma grande hipocrisia.

Tentei, juro que tentei, encontrar uma meia dúzia de gatos pingados para fazer junto comigo uma marcha a favor da inteligência. Mas não consegui achar gente suficiente. Estavam todos na marcha da maconha.

Falando em marchas, eis aqui uma foto de uma que aconteceu há (e não “a”) mais de oitenta anos. (E que foi seguida de outras, em vários paises.)



É esse tipo de gente que gosta de marchar por aí. Eu, como sou um indivíduo, estou em outra.

quinta-feira, junho 16, 2011

ESSA VELHA JUVENTUDE (OU: OS APOLOGISTAS DA BURRICE)

Há duas semanas, um estudante universitário foi assassinado a tiros no campus da USP. Seus assassinos foram dois ladrões, que o mataram para roubar o dinheiro que ele acabara de sacar de um caixa eletrônico. Seu corpo foi encontrado, horas depois do latrocínio, ao lado do carro, no estacionamento da faculdade.

Na mesma semana, a milhares de quilômetros de distância, uma estudante, também universitária, foi estuprada dentro do campus da Universidade Federal do Acre (UFAC).

Diante de casos assim, seria de esperar que os estudantes universitários, tomados de horror e de indignação por causa desses atos bárbaros, organizassem um protesto contra a falta de segurança nos campi. O natural seria esperar que eles se mobilizassem e fizessem uma marcha, digamos, cobrando uma ação mais efetiva da polícia nas imediações da universidade, certo?

Errado. Poucos dias depois do assassinato, os estudantes da USP foram às ruas defender outra causa. Eles estavam ocupados demais preparando uma manifestação sobre um assunto muito mais urgente e infinitamente mais importante: a marcha da maconha...

Houve tempo em que a morte de um estudante era motivo para que ocorresse uma revolução por semana. Hoje, tal fato passa quase despercebido, ficando restrito aos programas policialescos da televisão. Mais importante é o direito dos descolados da USP de queimarem unzinho na sala de aula. Melhor: sem polícia por perto para atrapalhar (e prender bandidos que assaltam e estupram colegas estudantes). "Polícia má, que não me deixa fumar um baseado: má, reacionária, neoliberal, fascista e inimiga da educação..."

Seria injusto dizer que os maconhistas não estavam pensando no colega assassinado. De certa forma, eles estavam também pensando na polícia. Tanto que um dos slogans mais repetidos pelos maconheiros era "Polícia fora do campus!" - ou seja: maconha sim; polícia não. (Outros coros que fizeram sucesso com a galera foram "Ei, polícia, maconha é uma delícia!" e "Polícia sem-vergonha, seu filho também fuma maconha"...). Crêem estar prestando, assim, um grande e inestimável serviço à humanidade.

Se tem algo que a onda maconhista atual deixa claríssimo é que a idade mental de quem participa de "marchas da maconha" - agora disfarçadas, com as bênçãos paternais do STF, de "marchas da liberdade"... - é algo assim entre o jardim-de-infância e a pré-puberdade. Nessa faixa etária, as pessoas não têm ainda consciência do perigo, precisam estar sob os cuidados e a supervisão permanentes de um adulto até para ir à esquina. Nem consciência do perigo nem da liberdade, que rima sempre - sempre - com responsabilidade (outra coisa que desconhecem totalmente, e que acham que foi inventada por velhos caretas só para cortar-lhes o barato).

Acima de tudo, é a imaturidade, a arrogância hedonista própria da adolescência, o que explica que rapagões e moçoilas em geral bem-nascidos e bem-nutridos dediquem seu tempo a esse tipo de bobajada, vendo nos policiais - geralmente gente humilde, sem tempo nem grana para esse tipo de besteira - os substitutos do pai repressor e da mãe castradora - ou, o que é mais provável, o inverso, ou seja, pais relapsos e permissivos, que a essa hora devem estar se lamentando por não terem dado aquela palmada quando o Junior abriu o berreiro porque queria aquele carrinho de controle remoto que custava os olhos da cara... Crianças mimadas em geral viram adultos imaturos e narcisistas, que vivem apenas para satisfazer os instintos egóicos e contemplar o próprio umbigo.

Junte a isso o fato de que as universidades brasileiras há muito deixaram de ser lugares de ensino e de estudo, onde se faz qualquer outra coisa, menos estudar. Em vez disso, já viraram verdadeiras madraçais, onde militantes sindicais travestidos de professores encostados em departamentos infrutíferos doutrinam adolescentes com idéias imbecis contra o "sistema". E tome apologia das drogas disfarçada de "defesa da liberdade"...

O resultado disso tudo só poderia ser a proliferação da estupidez em níveis realmente assustadores. A ponto de a descriminalização da maconha ser considerada mais importante do que a vida de um estudante.

Pensando bem, faz mesmo todo sentido os revolucionários do toddyinho e dos sucrilhos sairem às ruas em defesa de seu direito de usar a mesada do papai para queimar neurônios tragando cannabis: afinal, eles estâo se lixando para a segurança, assim como estão se lixando para a Lei, essa imposição burguesa. Nada mais natural do que defenderem a "causa" de ajudar a enriquecer os narcotraficantes. Estes devem estar morrendo de rir da playbozada.

Que tal uma marcha em favor da volta da inteligência às universidades brasileiras? Eu topo.

quarta-feira, julho 22, 2009

PARA QUE SERVE A U.N.E?


Responda depressa: para que serve a UNE (União Nacional dos Estudantes)?

Opção A: Para representar, como entidade autônoma e suprapartidária, os legítimos interesses dos estudantes, lutando pela melhoria da educação em todos os níveis, de forma democrática e pluralista;

Opção B: Para ser um apêndice do governo federal, de quem recebeu R$ 10 milhões desde 2004, e claque eleitoral de petistas e esquerdistas;

Opção C: Para servir de trampolim para a carreira política de seus presidentes, todos, desde 1979, pertencentes ao mesmo partido - o PCdoB (detalhe: eleitos pelo voto indireto);

Opção D: Para fazer farras homéricas com o dinheiro público, regadas a muito álcool, sexo e drogas - inclusive tomando banho pelado ao ar livre e depredando colégios públicos.

Se você respondeu a Opção A, você está se referindo a algo que deveria existir, mas que, infelizmente, não existe; ou então você, provavelmente, vive em outro planeta. Se escolheu qualquer uma das demais opções, você acertou na mosca: é exatamente para isso que a UNE serve atualmente. E só.

A UNE realizou seu último "Congresso" (chamemos assim) há alguns dias, em Brasília. Foi uma festa. Ou melhor: uma esbórnia. O Correio Braziliense publicou matéria sobre o que ocorreu. Eis alguns trechos:

Por Erika Klingl:
Garrafas de bebidas alcoólicas, preservativos, drogas e muito lixo. Nada disso combina com escola. Mas, a uma semana do retorno das aulas, foi esse o cenário encontrado pela Secretaria de Educação do Distrito Federal nos 10 centros de ensino usados pelos mais de 6 mil universitários que ficaram hospedados na cidade em virtude do Congresso da União Nacional dos Estudantes (1)(UNE), entre quarta-feira da semana passada e domingo. “A gente viu uns jovens tomando banho na horta das crianças e eles ainda fizeram as necessidades em cima das plantações”, lamentou a diretora do Centro de Ensino Fundamental 01, do Lago Norte, Claudia Regina Justino Fernandes.

Mais adiante:

A horta tinha sido preparada em seis meses de trabalho com os alunos de 1ª a 6ª série do ensino fundamental. E agora, de acordo com Cláudia, com a volta às aulas, o monitor responsável pela horta, Leandro Nunes, vai ter que replantar tudo. “Não podemos permitir que as crianças comam as verduras nem mexam na terra contaminada”, completa. Cláudia conta ainda que esse foi apenas um dos problemas da presença dos estudantes na escola. “Esperávamos 400 alunos e vieram mais de 600. Muitos tomaram banhos nus no pátio da escola e constrangeram os funcionários e vizinhos. Além disso, nunca vi tanta sujeira. E a escola estava pronta para a volta às aulas”, lamenta.

Mais:

Problema semelhante ocorreu na Escola Classe do Varjão. Lá, estudam crianças de cinco a 12 anos. “Foi uma pena ver tudo sujo e alguns projetos danificados. As plantas do Ciência em Foco, por exemplo, foram todas destruídas”, conta o servidor administrativo Éder da Silva. Ele chegou a chamar os coordenadores da escola quando notou que havia consumo de drogas no ambiente. “Escola não é para isso”, completa.

Finalizando:

“Isso ocorreu em todas as escolas que eles usaram. Foi lamentável e preocupante porque deu para ver que eles não valorizam o patrimônio público”, observa a funcionária da Regional de Ensino de Brasília responsável pela acomodação dos alunos da UNE, Isabelmille Costa Militão Carneiro. De acordo com ela, a secretaria esperava receber 4 mil alunos e, no decorrer do congresso, mais de 6 mil foram alojados. (...)

A UNE já virou um assunto, literalmente, fecal. Fazer as necessidades fisiológicas em hortas plantadas por crianças em escolas públicas é o de menos. Seria somente um caso, vá lá, de falta de higiene e desrespeito ao patrimônio público. Coisa de porcalhões, enfim. Mas a nojeira deixada pela UNE vai além disso. No mesmo congresso, BANCADO COM O DINHEIRO PÚBLICO, os remelentozinhos da UNE aplaudiram até fazer calo na mão - adivinhem - o Apedeuta em pessoa, que compareceu à abertura do bundalelê. Foi a primeira vez que um presidente da República compareceu a um Congresso da UNE (também foi a primeira vez que um presidente da República foi convidado). Foi recebido por uma claque animada por slogans como "Lula, guerreiro do povo brasileiro" e gritos de "Dilma presidente!", puxados pela "presidente" da UNE, uma gaúcha de 27 anos com piercing no umbigo, militante do PCdoB, que passou a "presidência" a um - adivinhem - militante do PCdoB, de 27 anos, estudante universitário do primeiro semestre (!). Com 27 anos e no primeiro semestre da faculdade? Isso mesmo. Para ser militante da UNE, não é preciso sequer ser estudante. Basta ser idiota.

Fico cá pensando o que achariam disso os fundadores da UNE, lá no ano de 1938. O que pensariam ao ver a entidade que sempre se orgulhou de sua rebeldia e independência e de ter lutado pela democracia, primeiro no Estado Novo varguista, depois no regime militar, transformada numa correia de transmissão e comitê eleitoral do governo, dedicando-se a promover orgias com o dinheiro público? A UNE, um aparelho do PCdoB há três décadas - onde mais esse partido teria essa força eleitoral? -, é hoje mais um departamento do governo, com um discurso completamente chapa-branca, vivendo da mitologia criada em torno de 1968 e de regabofes pagos pelos impostos dos trouxas. Não admira que seus congressos sirvam apenas para ratificar o apoio incondicional ao companheiro Lula e como uma oportunidade para um desregramento total dos sentidos, se é que vocês me entendem... O extravasamento dos baixos instintos, nesse caso, vai além dos namoricos e das rodinhas de maconha, chegando à política. Ou melhor: à politicagem, mistura de política com sacanagem. Uma das "manifestações" dos filhotes de Che Guevara foi, para vocês verem, contra a CPI da Petrobras - que, por acaso, era uma das patrocinadoras da festança.

Enquanto, por estas bandas, o "movimento estudantil" tupiniquim afunda no peleguismo mais descarado, na Venezuela ele renasce com toda força, saindo às ruas contra um governo despótico e lutando por aquilo que foi esquecido no Brasil: democracia.

Quando a UNE não faz na entrada, faz na saída.

Para que serve a UNE?

quinta-feira, junho 25, 2009

USP: A HORA DOS INTOLERANTES


Guardas Vermelhos humilham um "inimigo do pensamento do camarada Mao Tsé-tung" durante a "Revolução Cultural" na China, nos anos 60: qualquer semelhança com os "grevistas" da USP que intimidam professores e estudantes NÃO é mera coincidência


Ainda não escrevi nada a respeito da atual "greve" da USP, na qual uma minoria destrambelhada de radicais e profissionais da baderna tenta, há semanas - com o apoio de parte da imprensa idiotizada ou avermelhada -, em nome da "universidade pública, gratuita e de qualidade", impedir no braço o acesso da maioria dos estudantes à... educação pública, gratuita e de qualidade. Mas venho acompanhando o assunto pelo jornais e pela internet. O tema me interessa de perto, pois, embora tenha deixado há anos de freqüentar os bancos escolares, tive uma experiência breve, porém marcante, com esse tipo de gente e suas "reivindicações". Acho que já falei aqui dessa minha experiência. Mas vou retomar o assunto.

Aconteceu em 2001. Eu era professor substituto no curso de História na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde me graduei no mesmo curso. Foi quando estourou mais uma "greve", nem me lembro mais por quê (somente durante o período em que fui estudante, devo ter enfrentado umas três greves semelhantes, no mínimo). As, digamos, "reivindicações" eram as de sempre: melhores salários, vagas exortações contra a "privatização" das universidades federais etc. Por trás do, digamos, "movimento", estavam os nomes e as siglas de sempre: o sindicato dos funcionários e dos professores, ligado à CUT, e alguns "estudantes" que nunca apareciam para estudar, geralmente militantes de alguma agremiação de esquerda, como o PSTU ou o PCdoB. Rapidamente, pelos métodos que depois eu mesmo pude constatar em sala de aula, o movimento tomou conta da universidade, e as aulas no setor em que eu lecionava estavam paralisadas. Foi então que eu, em minha ingenuidade, cometi um erro.

Meu erro foi ter feito uma pequena reunião com meus alunos, em duas turmas para as quais eu dava aula - de manhã e à noite. Na ocasião, tentei explicar, sem tentar influenciar ninguém, que a paralisação das aulas cobraria um alto preço no futuro, que o ano letivo seria fatalmente prejudicado e que seria necessário um esforço hercúleo para repor o tempo perdido. Enfim, dei minha opinião, tentando mostrar, da forma mais fria e desapaixonada possível, que os maiores prejudicados com a "greve" não seriam nem o governo FHC (era a época de FHC), nem o "neoliberalismo", nem o FMI etc., mas os próprios estudantes, em nome dos quais supostamente estaria sendo feito o "movimento". Mesmo assim, deixei claro que acataria a decisão da maioria. Concordei, então - E ESSE FOI MEU MAIOR ERRO -, em fazer uma votação democrática com os alunos. Uma das turmas, a da manhã, votou a favor da paralisação e da adesão à "greve", decisão que acatei imediatamente e sem discutir. Outra turma, a da noite, votou pela manutenção das aulas. Decisão esta que também acatei, e esperei ser respeitada.

Foi então que meus problemas começaram. Na noite seguinte, enquanto eu me dirigia para dar mais uma aula com a turma que concordara, democraticamente, em prosseguir com os estudos, fui surpreendido por uma pequena turba, umas 20 pessoas mais ou menos, concentradas em frente à minha sala de aula. Compreendi logo que era um "piquete", formado por pessoas que, em sua maioria, eu nunca tinha visto antes na vida (soube depois que o "líder" deles era um funcionário da universidade, membro do sindicato), e que estavam lá para, de alguma maneira, me intimidar. Não me fiz de rogado: entrei na sala, atravessando um corredor polonês à porta, depus meu material de ensino sobre a mesa e comecei a aula. Na verdade, tentei começar, pois, nesse exato instante, o "piquete" entrou no local e pediu a palavra. Democraticamente (MAIS UMA VEZ: FOI MEU GRANDE ERRO!), permiti que eles dissessem o que queriam. Começou então uma arenga histérica e desarticulada de um dos piqueteiros, em favor da "luta dos explorados" etc. e tal. Falaram, inclusive, em "democracia universitária". Ouvi tudo atentamente e, após uns vinte minutos, pedi educadamente que se retirassem para dar prosseguimento à minha aula, conforme tinha sido acordado pelos próprios estudantes em votação democrática. Foi aí que percebi a enormidade de meu erro.

O "líder" dos piqueteiros, o tal sindicalista, sem pedir licença nem me deixando falar, começou a vociferar, em altos brados, contra "esse professor fura-greve", berrando a plenos pulmões que "jamais tinha visto um caso de um professor assim" (que permitia a seus alunos escolherem participar ou não de uma "greve", deve ter querido dizer). Elevando a voz, com a veia do pescoço quase saltando, ele espumava de raiva, dando-me a nítida sensação de que estava prestes a pular sobre minha garganta e beber meu sangue como se bebe refrigerante. Nisso, ele era seguido por outros integrantes do "piquete" - jamais vou esquecer da cara de ódio de uma das piqueteiras, militante do PSTU, única aluna minha, aliás, que fazia parte do grupo grevista, e cujos olhos pareciam soltar faíscas contra mim. Fiquei uns minutos tentando argumentar com aquele bando de fanáticos - um deles, ao que parecia, estudante, tentou me dar uma lição de História, balbuciando alguma coisa sobre o levante revolucionário dos marinheiros alemães em 1919... (!) Nesse trabalho, fiquei sozinho, pois meus alunos, petrificados, certamente com medo de dizerem o que pensavam diante de tamanha ferocidade, assistiam a tudo em silêncio. Finalmente, consegui que se retirassem da sala e tentei retomar minha aula. Não durou dois segundos e as luzes da sala (lembrem que era de noite) se apagaram, deixando a todos nós imersos no breu total. Eu mesmo, ou um dos alunos (esse detalhe não lembro bem), religuei a energia, mas em vão: sempre que tentávamos reacender a luz, esta era cortada. E assim foi, umas três ou quatro vezes, até que desistimos da aula, por absoluta falta de condições materiais...

Foi assim que os "grevistas" demonstraram todo seu amor à democracia e à educação: desrespeitando a decisão democrática de uma turma de alunos e cortando a energia de uma sala de aula para evitar que um professor lecionasse. Para eles, deixar uma sala às escuras era a sua forma de "protestar" pela "melhoria da educação"...

Naquela noite, aprendi uma dura lição: nunca tente argumentar racionalmente com gente capaz de fazer algo assim. É inútil. Pior: é até perigoso. Por muito pouco, não acabei como uma daquelas vítimas dos Guardas Vermelhos durante a Revolução Cultural chinesa, nos anos 60. Jamais se deve ser tolerante com os intolerantes. Para eles, a Lei!

Com essa experiência em mente, foi impossível para mim evitar a sensação de déjà vu ao ler as notícias da "greve" na USP: a mesma intolerância, o mesmo radicalismo idiota e o mesmo autoritarismo travestido de "luta pela educação", é o que se verifica naquela universidade. Há semanas, uma minoria intolerante e autoritária vem intimidando, pela violência, a maioria silenciosa dos estudantes. Estes, por temor de parecerem "de direita" - o que revela uma clara patologia esquerdóide vigente nas universidades -, preferem se calar, dando a falsa impressão de que não são a maioria.

O grupo de baderneiros que vem infernizando a vida dos estudantes e professores sérios na USP é liderado por um tal Claudionor Brandão, funcionário antes encarregado da manutenção dos aparelhos de ar-condicionado da universidade, que se diz "marxista-revolucionário" e é militante de uma tal LER-QI (Liga Estratégica Revolucionária - Quarta Internacional), grupelho trotskista que se encontra à esquerda do PSTU e do PCO. O sindicato dos funcionários da USP é controlado pela tal LER-QI e pela LBI (Liga Bolchevique Internacionalista), que professam a necessidade da revolução socialista, a mesma que deixou 100 milhões de mortos no século XX. Seus militantes são principalmente funcionários públicos como Brandão e "estudantes", e por alguma razão acreditam que os campi das universidades são o cenário ideal para tentar derrubar o capitalismo e instaurar a ditadura do proletariado... Uma das exigências dos "grevistas" da USP é a readmissão de Brandão, demitido no ano passado por justa causa, e a renúncia da reitora, que teve a ousadia de tentar aplicar a Lei na universidade, punindo baderneiros que depredem o patrimônio público. Outras exigências são meros pretextos, como o slogan em defesa da "universidade pública e gratuita" ou a exigência insólita de pôr fim aos cursos à distância... Numa clara demonstração de inversão total de valores, os grevistas marcaram um tento junto a um setor facilmente manipulável da opinião pública, quando, para cumprir a Lei, a reitora solicitou e a Justiça concedeu o envio de uma tropa da PM para o campus. A PM lá esteve para fazer cumprir a Lei e garantir a liberdade de os estudantes e professores que discordam da "greve" se movimentarem livremente. Era, portanto, a DEMOCRACIA FARDADA, contra a qual os "grevistas" investiram, com paus e pedras, em moldes verdadeiramente fascistas. Mas não foi assim que entendeu parte do jornalismo, para quem PM em universidades remete automaticamente aos piores anos do regime militar. Resultado: os "grevistas" passaram a ter uma nova bandeira: contra a "repressão" da PM na USP... A LER-QI e a LBI, esses campeões da liberdade e da democracia! Pois é...

O uso da violência - física e psicológica - por parte dos baderneiros da USP para atingir objetivos que não têm nada a ver com a melhoria da educação não é nenhuma novidade. Como tampouco é novidade a forma absolutamente idiota e condescendente com que parte da imprensa aceita e até justifica a baderna, preferindo centrar fogo nas "autoridades" - a reitora ou a PM. Os "grevistas" da USP, assim como os piqueteiros que tentaram impedir minha aula oito anos atrás, não querem melhorar a educação nas universidades públicas do País coisa nenhuma. As palavras de ordem que utilizam, como a "defesa da educação pública, gratuita e de qualidade", não passam de meros pretextos para darem vazão a seus delírios de revolução ou para a velha política partidária vagabunda de sempre. Para tanto, não hesitam em empregar meios autoritários, tolhendo a liberdade de ir e vir dos outros estudantes e professores que não aderiram à "greve" - a maioria. São fascistas travestidos de grevistas, inimigos da democracia e da educação. A reitora fez muito bem em chamar a PM para impedir que essa canalha impeça os outros de estudar! Democracia neles!

O trabalho destrutivo desses esquerdopatas é facilitado por um clima ideológico propício a suas sandices. Não por acaso, seus principais recrutas entre os estudantes vêm das faculdades de ciências humanas e de comunicação, verdadeiras madraçais do esquerdismo mais bocó, onde o que se ensina há décadas, em vez de História ou Filosofia, é um misto de marxismo vulgar e anticapitalismo ginasiano, sem nenhum contato com a realidade. Há alguns dias, um esquerdista nonagenário, Antonio Candido, deu uma "aula" aos "estudantes grevistas", ao lado da petista Marilena Chauí, em que os exortou a continuarem e a radicalizarem a "luta". "Sejam justos e injustos", afirmou o venerando crítico literário, para o delírio da platéia. Quando um senhor de 91 anos incita uma turba de jovens a deixarem de lado a noção de justo e injusto, é porque algo vai mal, muito mal.

É fácil entender por que os extremistas de esquerda escolheram as universidades públicas para suas demonstrações de intolerância e proselitismo ideológico: sendo funcionários públicos ou "estudantes", eles sabem que dificilmente seus atos terão consequências, pois não correm o risco, como ocorre na iniciativa privada, de irem parar no olho da rua. Gente como Claudionor Brandão sabe que sempre terá o sindicato a lhe dar sustentação, enquanto os remelentozinhos mimados que participam do "movimento" poderão saciar, por alguns instantes, sua fantasia infanto-juvenil de participar da "luta dos explorados" e - suprema glória! - atirar algumas pedras na polícia, que será, obviamente, acusada dos piores crimes da época da ditadura se revidar e cumprir a Lei. Nisso tudo, ainda conquistarão alguns momentos de fama na "mídia". Para eles, é um jogo em que somente têm a ganhar. Os estudantes sérios, que não querem nada com esses malucos e têm mais o que fazer na vida - a imensa maioria dos estudantes, em qualquer universidade -, só têm o que perder com esse tipo de "movimento".

Assim como ocorreu naquela "greve" de 2001, da qual ninguém mais se lembra, o resultado prático do movimento na USP é bem conhecido. Encerrada a paralisação, a rotina será a seguinte: depois das férias forçadas, os professores fingirão repor as aulas, os funcionários voltarão a seus sindicatos e à politicalha de sempre, os "estudantes" da LER-QI e da LBI continuarão a sonhar em serem os novos Lênins e os novos Trotskys (e Stálins) e os estudantes que querem estudar, os mais prejudicados, tentarão correr atrás do tempo perdido. Enquanto isso, os responsáveis pela paralisação, que não têm nada a ver com o ensino, independentemente do resultado, irão cantar vitória, alegando terem alcançado uma grande "conquista" (e se não tiverem alcançado nada, dirão que ao menos a "categoria mostrou união e saiu fortalecida", ou outra coisa qualquer do gênero). E, assim, estarão preparando o terreno para mais uma "greve", mais uma "luta em favor da educação e dos excluídos"... Quantas vezes veremos esse filme?