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segunda-feira, julho 02, 2012

CONFORME EU QUERIA DEMONSTRAR - A MORTE DO MERCOSUL

Escrevi o texto abaixo em 30/10/2009. Continua mais atual do que nunca, por isso o republico. Vejam a palhaçada que foi a entrada da Venezuela de Hugo Chavez no Mercosul e a suspensão do Paraguai do bloco. Um é uma ditadura, outro é um país em que um presidente foi deposto segundo as normas constitucionais. Está claro que toda a gritaria sobre "golpe" no Paraguai não passou de uma desculpa para os bolivarianos e seus amigos darem um golpe de verdade, mandando a cláusula democrática do Mercosul para as cucuias.

Notem como, quase três anos atrás, os parlamentares brasileiros já preparavam o caminho para golpear o Mercosul com a entrada da Venezuela. O Mercosul, que já nao funcionava, agora será um palanque do chavismo.
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O FIM DO MERCOSUL

Um minuto de silêncio, por favor.

Faleceu ontem, 29/10, o Mercosul - Mercado Comum do Sul. Morreu vítima de cinismo e de vigarice. Quem o matou foram os senadores brasileiros. Em reunião no Conselho de Relações Exteriores do Senado, estes decidiram, por 12 votos a 5, a favor da entrada da Venezuela chavista no bloco.

De nada adiantou o relatório inicial do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), contrário à medida. O rolo compressor lulo-petista e a falta de oposição real no País falaram mais alto, garantindo a vitória do pleito, para a alegria de senadores governistas comprometidos com os princípios dos direitos humanos e da democracia, como Inácio Arruda (PCdoB - CE).

Juntamente com o bloco, serão enterrados os documentos-base do Mercosul, como o Protocolo de Ushuaia, que estabelece a cláusula democrática - ou seja, que somente países em que as regras da democracia sejam respeitadas e cumpridas poderão participar do bloco. Farão companhia à honestidade e à vergonha na cara, que já bateram as botas faz tempo.

Foram duas as desculpas dos coveiros do Mercosul para justificar o magnicídio: 1) é melhor integrar do que isolar; e 2) quem fará parte do bloco é o Estado venezuelano, não o governo de Hugo Chávez.

As duas desculpas são apenas isso: desculpas, e das mais esfarrapadas. Trata-se de uma argumentação que seria estúpida, se não fosse vigarista. Coisa de canalhas mesmo, de gente sem nenhuma consideração pela verdade nem pela inteligência alheia.

Primeiro: o argumento do "não-isolamento" é desmentido pelos fatos. A idéia é que, ao não isolar a semi-ditadura chavista dos demais países, o país melhoraria e caminharia rumo à democracia. Devemos conversar com os ditadores, convidá-los para jantar e para freqüentar nossos salões, e eles se converterão em democratas, é o que se está dizendo. É o mesmo argumento usado para justificar a política brasileira e da OEA em relação à ditadura castrista de Cuba. É uma falsidade completa. Nos últimos anos, o regime chavista foi tudo, menos isolado internacionalmente, e isso não o fez avançar um milímetro em direção à democracia. Chávez não deixou de ser Chávez, ou seja, não melhorou nada, por causa disso. Pelo contrário: os países que tiveram contato com ele, Chávez, pioraram bastante - vejam os exemplos de Bolívia, Equador, Nicarágua e Honduras. O mesmo no caso de Cuba: há tempos os países do continente, Brasil inclusive, vêm defendendo o diálogo com a tirania castrista. Isso levou a algum tipo de abertura ou democratização do regime nos últimos cinqüenta anos?

Para não ir muito longe: o regime racista do apartheid na África do Sul caiu, em 1990, não porque fosse paparicado pelos demais países, mas, pelo contrário, porque a "comunidade internacional" - a mesma que hoje baba por Cuba e tenta isolar Honduras - fez pressão e defendeu o ISOLAMENTO do país (do país mesmo, e não somente do "governo"). Até boicote na área esportiva houve. É um exemplo de que esse papo de "não-isolamento" não passa de colóquio para ruminantes adormecerem (traduzindo: não passa de conversa pra boi dormir).

Em outras palavras: de acordo com a diplomacia brasileira, chancelada pelos senadores brasileiros, nada de isolar regimes humanistas como os do Sudão ou do Irã, ou de Cuba ou da Coréia do Norte, com os quais se pode conversar; isolar, só se for uma ditadura brutal e genocida, como a de Honduras.

Quanto ao segundo argumento, de que quem está entrando no Merdosul, digo Mercosul, é o país-Venezuela, não o país-Chávez, é outra cascata da grossa: quem a defende, gente do naipe do senador governista (de qualquer governo) Romero Jucá (PMDB-RR), aposta que todos sejam idiotas, ou que não saibam de nada que está acontecendo na Venezuela. Desde que Chávez chegou ao poder, há dez anos, ele deixou claro para quem quiser saber que só deixará o trono quando passar desta para melhor (ou para pior, espero sinceramente). Dito de outro modo: ele vai ficar na presidência até morrer. Para isso ele já tomou e está tomando todas as providências: submeteu o Judiciário, acabrestou o Congresso, acabou com a separação de Poderes e ameaça, todos os dias, a imprensa que o critica com prisões e censura. Isso significa que votar pela entrada da Venezuela no Mercosul, neste momento, é o mesmo que avalizar o governo Chávez. Do mesmo modo que fazer um acordo com a Alemanha nos anos 30 seria o mesmo que referendar o nazismo. É provável, aliás, que a ditadura chavista dure mais tempo do que o Mercosul.

Nada que está aí em cima, claro, foi levado em conta pelos senhores senadores brasileiros. Assim como não foi levado em conta pelos Congressos argentino e uruguaio, que já aprovaram o ingresso da Venezuela no Mercosul. Agora a votação final será no plenário do Senado. É bastante provável que este confirme a decisão da Comissão de Relações Exteriores. Nesse caso, terá sido dado o tiro de misericórdia no Mercosul.
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O Mercosul nasceu da necessidade de integração regional decorrente da democratização da América do Sul, nos anos 80, e acaba seus dias, ingloriamente, como palanque de um caudilho autoritário e populista.
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Descanse em paz, Mercosul. Que a terra lhe seja leve. Que pena, era tão jovem... Acendamos uma vela.

terça-feira, março 04, 2008

"A COLÔMBIA É O ISRAEL DA AMÉRICA LATINA", DIZ CHÁVEZ. E A VENEZUELA É O IRÃ


Frase do fanfarrão venezuelano Hugo Chávez dita ontem, quando estourou a crise político-diplomática com a Colômbia por causa da morte de um facínora das FARC: "A Colômbia é o Israel da América Latina".

Pela primeira vez vou concordar com algo dito pelo palhaço de Miraflores. Sem querer, ele fez uma analogia correta. A Colômbia pode mesmo ser comparada a Israel. Afinal, ambos os países estão há décadas sitiados por movimentos terroristas que agem dentro de suas fronteiras e por governos hostis, que lhes dão apoio. E ambos são constantemente atacados por exercerem o direito elementar de se defenderem, tendo muitas vezes de realizar incursões nos países vizinhos para caçar terroristas que lá buscam - e conseguem - refúgio. Sim, a Colômbia pode ser comparada a Israel. E os narcoterroristas das FARC são o Hamas, o Hizbollah. A Venezuela de Hugo Chávez é o Irã. E o Equador de seu pupilo Rafael Correa é a Síria.

Hugo Chávez não dá ponto sem nó. O Napoleão de circo sabe que grande parte da opinião pública latino-americana já está adestrada ideologicamente a se colocar de forma automática contra os EUA e Israel, e ao lado dos terroristas palestinos. Nisso ele conta com décadas, senão séculos, de propaganda anti-semita. Sabe que muita gente, inclusive gente que se considera ilustrada e progressista, que fica indignadíssima quando o exército israelense responde a algum atentado terrorista palestino, como está ocorrendo agora mesmo na Faixa de Gaza, não se importaria se os assassinos do Hamas ou do Hizbollah cumprissem o que juraram fazer há anos, promovendo um novo Holocausto e atirando os judeus ao mar. Preferem protestar contra uma declaração infeliz do vice-ministro da Defesa israelense, que ameaçou os facínoras do Hamas com duras represálias caso continuem atacando Israel, a condenar de forma clara e sem ambigüidades o terrorismo anti-Israel. O mesmo faz agora o governo "moderado" e "progressista" do Brasil, que prefere pedir que a Colômbia se desculpe ante o Equador por uma "violação de soberania", enquanto se recusa a condenar as FARC e até mesmo a chamá-las de terroristas. Coloca-se, assim, ao lado das FARC/Hamas contra a Colômbia/Israel.

Ao comparar Colômbia e Israel, enquanto fornece apoio e dinheiro aos narcoterroristas das FARC, Chávez se iguala a seu companheiro Mahmud Ahmadinejad, do Irã. O coronel venezuelano está se esforçando para transformar a América Latina num novo Oriente Médio. Com o apoio de seus aliados equatorianos e brasileiros, está conseguindo.