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domingo, novembro 17, 2013

Marcola e Fernandinho Beira-Mar prestam solidariedade aos mensaleiros e se declaram presos políticos

 
O ex-ministro José Dirceu e o deputado federal José Genoíno, que tiveram a prisão decretada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no dia 15 de novembro por seu envolvimento no escândalo do Mensalão em 2005, receberam um apoio de peso. Inspirados pelo exemplo dos petistas, que se declararam "presos políticos", os líderes das facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital), de São Paulo, Marcos Willians Herbas Camacho (vulgo Marcola) e Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, Luiz Fernando da Costa (o Fernandinho Beira-Mar), presos desde 2001, lançaram hoje, dia 17, um manifesto no qual protestam de forma veemente contra a "forma arbitrária e antidemocrática" com que foram condenados, e se declaram, também, presos políticos.

No manifesto - chamado de "salve" na gíria criminal -, Marcola e Beira-Mar expressam total apoio e solidariedade aos doze condenados cujos mandados de prisão foram expedidos na última sexta-feira. Não foram poupadas palavras duras ao ministro do STF Joaquim Barbosa, que decretou a prisão imediata dos acusados: "negro traidor" e "capitão-do-mato a serviço da elite conservadora" são alguns adjetivos assacados contra Barbosa. O manifesto também acusa a "mídia burguesa" e os "interesses capitalistas" pelas detenções. "Nesse momento difícil que os manos companheiros presos políticos Zé Dirceu, Genoíno, Delúbio, Valério, Pizzolato e outros estão atravessando, queremos mandar um salve e manifestar todo nosso apoio e solidariedade. Também nos consideramos presos políticos", afirma o texto do manifesto. "Assim como vocês, somos vítimas inocentes do sistema, punidos injustamente e sem provas por termos lutado por um mundo melhor, mais justo, fraterno e solidário". 
 
A nota louva ainda Dirceu, ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, e Genoíno, ex-presidente nacional do PT, chamando-os de "heróis da luta pela democracia" e "guerreiros do povo brasileiro". Quanto a Dirceu, o texto credita sua prisão a uma "perseguição das forças reacionárias que dominam há quinhentos anos este país" e à "inveja da elite". Esta não se conformaria, segundo o texto, em consumir apenas vinhos nacionais e de segunda categoria, "mordendo-se de inveja por não poder, como Dirceu, desfrutar um Romané Conti de 2 mil reais a garrafa todo café da manhã".
 
O manifesto contesta a legitimidade das prisões e finaliza, de forma desafiadora:  "Não poderão prender nossas consciências. Abaixo o sistema! Liberdade para os presos políticos! Viva o PT!"
 
Procurado por nossa reportagem, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se encontra de férias em Cuba, declarou por sua assessoria que não irá comentar a nota-manifesto dos dois líderes criminosos. Entretanto, afirmou que considera os petistas encarcerados "presos de consciência" e "vítimas de um julgamento de exceção". "É triste ver os cumpanhêro (sic) Dirceu e Genuíno ser preso desse jeito", lamentou o ex-presidente. E acrescentou, lembrando visita presidencial dele à ilha em 2010: "Eles (os petistas presos) são os único prêsu políticu (sic) da América Latina, hoje. Os daqui de Cuba é tudo (sic) bandido comum". 

Do lado de fora das penitenciárias de segurança máxima de Presidente Bernardes (SP) e de Catanduvas (PR), onde Marcola e Beira-Mar, respectivamente, cumprem pena por tráfico de drogas, assalto, sequestro e homicídio, um grupo de militantes e simpatizantes está desde ontem em vigília, defendendo a inocência dos acusados.

quarta-feira, janeiro 02, 2013

A DÉCADA PERDIDA – POR MARCO ANTONIO VILLA

A década perdida

31 de dezembro de 2012
MARCO ANTONIO VILLA - O Estado de S.Paulo

A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 foi recebida como um conto de fadas. O País estaria pagando uma dívida social. E o recebedor era um operário.

Operário que tinha somente uma década de trabalho fabril, pois aos 28 anos de idade deu adeus, para sempre, à fábrica. Virou um burocrata sindical. Mesmo assim, de 1972 a 2002 - entre a entrada na diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e a eleição presidencial -, portanto, durante 30 anos, usou e abusou do figurino do operário, trabalhador, sofrido. E pior, encontrou respaldo e legitimação por parte da intelectualidade tupiniquim, sempre com um sentimento de culpa não resolvido.

A posse - parte dos gastos paga pelo esquema do pré-mensalão, de acordo com depoimento de Marcos Valério ao Ministério Público - foi uma consagração. Logo a fantasia cedeu lugar à realidade. A mediocridade da gestão era visível. Como a proposta de governo - chamar de projeto seria um exagero - era inexequível, resolveram manter a economia no mesmo rumo, o que foi reforçado no momento da alta internacional no preço das commodities.

Quando veio a crise internacional, no final de 2008, sem capacidade gerencial e criatividade econômica, abriram o baú da História, procurando encontrar soluções do século 20 para questões do século 21. O velho Estado reapareceu e distribuiu prebendas aos seus favoritos, a sempre voraz burguesia de rapina, tão brasileira como a jabuticaba. Evidentemente que só poderia dar errado. Errado se pensarmos no futuro do País. Quando se esgotou o ciclo de crescimento mundial - como em tantas outras vezes nos últimos três séculos -, o governo ficou, como está até hoje, buscando desesperadamente algum caminho. Sem perder de vista, claro, a eleição de 2014, pois tudo gira em torno da permanência no poder por mais um longo tempo, como profetizou recentemente o sentenciado José Dirceu.

Os bancos e as empresas estatais foram usados como instrumentos de política partidária, em correias de transmissão, para o que chamou o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, de "projeto criminoso de poder", quando do julgamento do mensalão. Os cargos de direção foram loteados entre as diferentes tendências do Partido dos Trabalhadores (PT) e o restante foi entregue à saciedade dos partidos da base aliada no Congresso Nacional. O PT transformou o patrimônio nacional, construído durante décadas, em moeda para obter recursos partidários e pessoais, como ficou demonstrado em vários escândalos durante a década.

O PT era considerado uma novidade na política brasileira. A "novidade" deu vida nova às oligarquias. É muito difícil encontrar nos últimos 50 anos um período tão longo de poder em que os velhos oligarcas tiveram tanto poder como agora. Usaram e abusaram dos recursos públicos e transformaram seus Estados em domínios familiares perpétuos. Esse congelamento da política é o maior obstáculo ao crescimento econômico e ao enfrentamento dos problemas sociais tão conhecidos de todos.

Não será tarefa fácil retirar o PT do poder. Foi criado um sólido bloco de sustentação que - enquanto a economia permitir - satisfaz o topo e a base da pirâmide. Na base, com os programas assistenciais que petrificam a miséria, mas garantem apoio político e algum tipo de satisfação econômica aos que vivem na pobreza absoluta. No topo, atendendo ao grande capital com uma política de cofres abertos, em que tudo pode, basta ser amigo do rei - a rainha é secundária.

A incapacidade da oposição de cumprir o seu papel facilitou em muito o domínio petista. Deu até um grau de eficiência política que o PT nunca teve. E o ano de 2005 foi o ponto de inflexão, quando a oposição, em meio ao escândalo do mensalão, e com a popularidade de Lula atingindo seu nível mais baixo, se omitiu, temendo perturbar a "paz social". Seu principal líder, Fernando Henrique Cardoso, disse que Lula já estava derrotado e bastaria levá-lo nas cordas até o ano seguinte para vencê-lo facilmente nas urnas. Como de hábito, a análise estava absolutamente equivocada. E a tragédia que vivemos é, em grande parte, devida a esse grave erro de 2005. Mas, apesar da oposição digna de uma ópera-bufa, os eleitores nunca deram ao PT, nas eleições presidenciais, uma vitória no primeiro turno.

O PT não esconde o que deseja. Sua direção partidária já ordenou aos milicianos que devem concentrar os seus ataques na imprensa e no Poder Judiciário. São os únicos obstáculos que ainda encontram pelo caminho. E até com ameaças diretas, como a feita na mensagem natalina - natalina, leitores! - de Gilberto Carvalho - ex-seminarista, registre-se - de que "o bicho vai pegar". A tarefa para 2013 é impor na agenda política o controle social da mídia e do Judiciário. Sabem que não será tarefa fácil, porém a simples ameaça pode-se transformar em instrumento de coação. O PT tem ódio das liberdades democráticas. Sabe que elas são o único obstáculo para o seu "projeto histórico". E eles não vão perdoar jamais que a direção petista de 2002 esteja hoje condenada à cadeia.

A década petista terminou. E nada melhor para ilustrar o fracasso do que o crescimento do produto interno bruto (PIB) de 1%. Foi uma década perdida. Não para os petistas e seus acólitos, claro. Estes enriqueceram, buscaram algum refinamento material e até ficaram "chiques", como a Rosemary Nóvoa de Noronha, sua melhor tradução. Mas o Brasil perdeu.

Poderíamos ter avançado melhorando a gestão pública e enfrentado com eficiência os nossos velhos problemas sociais, aqueles que os marqueteiros exploram a cada dois anos nos períodos eleitorais. Quase nada foi feito - basta citar a tragédia do saneamento básico ou os milhões de analfabetos.

Mas se estagnamos, outros países avançaram. E o Brasil continua a ser, como dizia Monteiro Lobato, "essa coisa inerme e enorme".

MARCO ANTONIO VILLA É HISTORIADOR E PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS (UFCAR)

domingo, novembro 04, 2012

RECORDAR É VIVER

O que vai a seguir é uma seleção de vídeos sobre a maior farsa da História política do Brasil, um cidadão que há quase quatro décadas frequenta o noticiário. Trata-se de uma modesta contribuição minha à preservação da memória nacional. Nela, pretendo lembrar aos brasileiros desmemoriados o que dizia há alguns anos e quem é um estranho personagem que fez sua carreira denegrindo e atacando adversários e se dizendo o único verdadeiro representante do bom, do belo e do justo abaixo da linha do Equador.

Acometidos de estranha amnésia, muitos eleitores parecem ter esquecido completamente de quem se trata. Faço questão, portanto, de lembrar-lhes esse fato, mediante as próprias palavras do personagem. Aquele que Celso Amorim chama de "nosso guia" e que muitos consideram um "gênio".
 
Sobre o bolsa-família:
 

Sobre o Real (e Collor):

Sobre a prisão, em 1980 (ele recebeu uma indenização do Estado por isso):


Sobre o aquecimento global (uma aula de geografia):


Sobre o Mensalão:


Sobre os Sarney:


Sobre si mesmo (ao falar de outros políticos):

segunda-feira, outubro 22, 2012

JOAQUIM BARBOSA E O RACISMO PETISTA

Quando Lula nomeou Joaquim Barbosa para ser ministro do STF, o PT acreditava que ele, por ser negro, estaria afirmando as políticas raciais do governo e que seria, ao mesmo tempo, um instrumento dócil a serviço do projeto de poder lulopetista.

Agora que o julgamento do Mensalão mostrou que Joaquim Barbosa, ao contrário do que esperava o PT, é um juiz de verdade, e não um militante, os petistas estão furiosos com ele. Isso porque acreditam que, por o terem "colocado lá", ele lhes deve favores. E o estão cobrindo de insultos e ofensas racistas na internet.

Trocando em miúdos: quando Joaquim Barbosa foi nomeado, era o "primeiro ministro negro do STF". Agora, é o "negro traidor", pois se recusou a fazer o papel de jagunço do lulopetismo.

Conclusão1: Assim como fizeram no Congresso com o Mensalão, os petistas tentaram acabrestar o STF. Desta vez, com a arma racial. Mas quebraram a cara.

Conclusão2: Negro bom, para os petistas, é negro que dá a pata.

Ou seja: além de CORRUPTOS, são RACISTAS.

Sem mais, meritíssimo.
***
Em tempo, que fique claro: Joaquim Barbosa merece meu respeito e meu aplauso. Mas não o vejo como um "herói". Não é herói quem simplesmente cumpre seu dever. E ao mandar os mensaleiros para a cadeia os juízes do STF estáo cumprindo suas funções. Nada mais do que isso.

Essa mania dos brasileiros de aclamar heróis de tempos em tempos, seja na política, seja no esporte, é reveladora de um traço cultural nosso, um certo messianismo, um caudilhismo - e, nesse caso, da fragilidade institucional do país. A frase é verdadeira: triste do país que precisa de heróis.

Além disso, Joaquim Barbosa é merecedor de respeito por seu passado, não porque é negro e "veio de baixo", mas porque soube superar as dificuldades e estudou para ser o que é - ao contrário de um certo Apedeuta, que, ao contrário da lenda, não o fez porque não quis. Mesmo assim, muita gente, branca, negra ou cor-de-rosa, veio da pobreza e delas eu não compraria um carro usado. Origem pobre e cor da pele não são atestados de honestidade. Aliás, não são atestados de nada.

Não gosto de heróis. O Brasil não precisa deles, sejam falsos ou verdadeiros. Só precisa que se cumpra a lei. E de vergonha na cara. Já seria de bom tamanho.

domingo, outubro 07, 2012

PERGUNTAR NÃO OFENDE...

Luiz Inácio Lula da Silva chefiou o maior esquema de corrupção da História do Brasil - a condenação dos mensaleiros no STF tornou esse fato inegável e impossível de esconder. Marcos Valério e o advogado de Roberto Jefferson deixaram claro que ele, Lula, não somente sabia de tudo como foi o chefe da quadrilha - José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares foram apenas os executores, paus-mandados a seu serviço.

Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto esteve na Presidência da República, afrontou acintosamente, e de forma quase diária, a Justiça, ao descumprir inúmeras vezes a legislação eleitoral, usando e abusando da máquina do Estado para fazer campanha para seus apaniguados. 

Luiz Inácio Lula da Silva recebeu do representante das FARC no Brasil, segundo denúncia da revista VEJA (jamais refutada), oferta de 5 milhões de dólares para sua campanha à Presidência em 2002. Três anos depois, a mesma revista denunciou a doação ilegal de dinheiro da ditadura comunista de Cuba para sua campanha. Novamente, não foi refutada. 

Luiz Inácio Lula da Silva foi o presidente mais pró-ditaduras que o Brasil já teve, tendo escarnecido dos direitos humanos em países como o Irã, chegando ao ponto de devolver refugiados cubanos para a ilha-prisão, enquanto acolheu terroristas como Cesare Battisti. Juntamente com Hugo Chávez, Lula interveio abertamente nos negócios internos de Honduras e do Paraguai, patrocinando, nesses dois países, tentativas de golpe (enquanto chamava de golpistas os que tinham aplicado a lei). Violou, assim, a Constituição Federal, que determina expressamente que as relações internacionais do Brasil devem guiar-se pelo respeito aos direitos humanos, à paz e à soberania dos povos.

Luiz Inácio Lula da Silva estuprou a Constituição diversas vezes, ao tentar impor a censura aos meios de comunicação de forma sub-reptícia (o "controle social da mídia"), e inclusive tendo expulsado - contra a Lei - um jornalista estrangeiro por não ter gostado do teor de matéria por ele escrita (na ocasião, declarou em alto e bom som: "Foda-se a Constituição!").

Luiz Inácio Lula da Silva fez tudo para abafar o caso do assassinato em 2002 do prefeito de Santo André, Celso Daniel, que seria o coordenador de sua campanha à Presidência naquele ano. Seu chefe da Casa Civil, Gilberto Carvalho, está diretamente envolvido no caso.

Luiz Inácio Lula da Silva usou e abusou de suas prerrogativas presidenciais para favorecer amigos e correligionários, inclusive parentes, como seu filho Lulinha, que desde que o pai chegou ao poder passou de monitor de zoológico com salário de 600 reais por mês a dono de empresa milionária associada à antiga Telemar (coincidentemente ou não, depois que esta foi vendida em transação patrocinada pelo pai-presidente). 

Luiz Inácio Lula da Silva tentou chantagear um ministro do STF, tentando obter com isso o adiamento do julgamento do mensalão.

Luiz Inácio Lula da Silva, segundo documentos divulgados pelo Wikileaks, tentou extorquir dinheiro dos fabricantes do avião Rafale, na concorrência aberta pela FAB para adquirir novos jatos militares. A comissão que receberia pelo serviço seria sua "aposentadoria".   

Diante dos fatos acima - apenas uma amostra, pois há mais -, fica a pergunta:

POR QUE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA NÃO ESTÁ NA CADEIA? (Ou, pelo menos, respondendo a processo penal?)

Com a palavra, os senhores procuradores do Ministério Público.

quarta-feira, setembro 26, 2012

LULA: O COMEÇO DO FIM

 
"Este não é o fim, e pode mesmo não ser o começo do fim, mas é, certamente, o fim do começo". - Winston Churchill
 
O Brasil está mudando. E para melhor.
 
Alguns fatos apontam para essa conclusão otimista. Primeiro, o julgamento do mensalão, que começou morno e que parecia caminhar para terminar em pizza, parece que é para valer. Apesar da ausência inexplicável no banco dos réus do capo di tutti cappi, e de algumas questões mal resolvidas (como os constantes arranca-rabos entre Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski), as condenações, bem ou mal, estão saindo. Caiu por terra, assim, de forma acachapante, a tese defendida há sete anos por Lula e seus asseclas, segundo a qual o mensalão não existiu (ou foi uma "conspiração das elites e da mídia golpista" etc.). É algo positivo, sem dúvida. Ao que parece, o Brasil está aproveitando a chance de deixar de ser o país da impunidade.
 
Outro fato positivo, e simbolicamente mais importante, foi a recusa de alguns partidos da base aliada do governo de referendar uma nota a favor do ex-presidente - e enfatizo aqui o "ex-presidente", porque parece que ele não entendeu que não é mais presidente da República - Luiz Inácio Lula da Silva contra as acusações de Marcos Valério, feitas à revista VEJA, de que ele, Lula, não só sabia, como foi o mentor e chefe do esquema do mensalão. A nota, denunciaram os líderes de alguns partidos aliados, foi-lhes arrancada à base da coação pelo presidente do PT, Rui Falcão.
 
Não sei se vocês perceberam, mas o que está descrito aí em cima é algo absolutamente inédito: pela primeira vez em dez anos, e mesmo antes, um grupo de políticos (ainda por cima, aliados) recusou-se a fazer o papel de aduladores do Apedeuta. Pela primeira vez desde que este apareceu na vida política nacional, há mais de trinta anos, políticos aliados se negaram a bajulá-lo. Depois de décadas sendo sistematicamente paparicado, incensado, endeusado por legiões de políticos, artistas e intelectuais, Luiz Inácio Lula da Silva teve de ouvir um "não" como resposta. Não é pouca coisa.
 
Não é segredo para ninguém que o culto da personalidade de Lula já atingiu níveis realmente stalinianos, superando mesmo o de Getúlio Vargas na época da ditadura estadonovista. Em vários textos, escrevi sobre isso. É algo inseparável da criação de seu mito político, que se alimenta tão-somente de um misto de esquerdismo inercial e complexo de culpa das elites (já falo sobre isso). Agora, ao que tudo indica esse mito começa a desbotar, gerações de vigaristas ou de idiotas bem-intencionados estão vendo, finalmente, que o ídolo tem pés de barro. O reizinho está ficando nu. 
 
De vez em quando ouço alguém dizer, como que justificando para si mesmo o fato de se ter deixado enganar por tanto tempo: "Lula é um gênio". Comparam-no, assim, a um Einstein, um Newton, um Galileu. Um gênio instintivo, um gênio da política etc. etc. Ora essa! Nada mais equivocado e, diria mesmo, nada mais cretino. Dizer que Lula é um gênio é uma forma de alimentar o culto da personalidade criado em torno do Filho do Barril. É um insulto aos verdadeiros gênios, e é uma maneira de isentar-se de culpa pela construção do mito, a maior farsa política da História do Brasil.

Não, Lula nunca foi um gênio. É, sim, um demagogo, um político esperto que se aproveitou da boa-fé de milhões de incautos para chegar onde chegou e fazer o que fez. Um populista espertalhão, de escassa cultura e igual inteligência, que teve a sorte - e que sorte! - de encontrar pela frente um povo despolitizado e uma elite intelectual sequiosa de endeusar mais uma figura "popular". Lula teve a fortuna (no sentido maquiavélico do termo, e também pecuniário) de contar com os préstimos involuntários de uma oposição abúlica, que desperdiçou a oportunidade de retirá-lo do poder por impeachment (oportunidade que ele, Lula, jamais desperdiçaria). Junte-se a isso a amnésia que caracteriza o eleitorado brasileiro, uma mídia simpática e um fugaz crescimento econômico - construído sobre bases anteriormente estabelecidas - e se terá um retrato fiel da "genialidade" de Lula.

Em vão se buscará em Lula, desde sua aparição no cenário político nacional, uma única palavra sábia, alguma frase inteligente ou uma análise mais aprofundada sobre qualquer assunto. Vejam os registros. Não há nada, absolutamente nada: apenas velhos chavões esquerdistas, quando na oposição, slogans soprados por algum intelectual marxista, repetidos e adaptados à situação do momento. Nem um resquício, por menor que seja, de pensamento próprio ou original. Sem falar nos seus adversários políticos de ontem, como Sarney, Collor ou Maluf, hoje seus fiéis aliados. Em tudo isso, um grande vazio de idéias, sem qualquer conteúdo, embalado numa imagem messiânica de "líder popular", vindo de baixo e semi-analfabeto (por vontade própria, mas lembrar esse fato não é "politicamente correto"...). Gênio? 

Até o tão propalado carisma de Lula tem muito de falso e de artificial. Lula tornou-se líder carismático em contraste com os políticos mais tradicionais, velhas raposas vindas das oligarquias ou tecnocratas insossos como José Serra, tendo sido incensado mais por seus defeitos do que por qualquer qualidade, aliás inexistente. Por exemplo, seus erros de português, inaceitáveis num político tradicional, e mesmo num cidadão comum razoavelmente instruído, nele se converteram numa virtude a ser explorada, uma prova de sua origem "do povo" - criticá-lo por isso seria "preconceito elitista" etc. (Aliás, criticá-lo por qualquer motivo foi, durante decênios, um delito de lesa-santidade.) Que Lula só fale errado por ter desprezado a própria educação, e que se desconheça um único livro que tenha lido em toda sua vida porque escolheu, por vontade própria, ser limítrofe, é algo que passou completamente despercebido, um fato omitido até hoje pelos devotos da seita lulopetista. Lula foi erguido às mais altas posições - messias, oráculo, Deus - sem que nada o qualificasse a tanto. Ao contrário, foi escolhido exatamente por não ter nenhuma qualidade.
 
Tanto Lula é um homem sem qualidades que o mito lulista precisa, para existir, reescrever constantemente a história. Lula já disse que a democracia brasileira é fruto da luta do PT, o que é mentira - o PT nem existia em 1979, quando a Lei de Anistia, que agora muitos querem revogar, foi aprovada, após intensa campanha popular e democrática. Nos anos seguintes, o partido da estrela vermelha dedicou-se a promover greves, muitas delas irresponsáveis e eleitoreiras, tendo expulsado três parlamentares que votaram em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral em 1985 (o candidato do regime militar, talvez profeticamente, era o hoje aliado Paulo Maluf) e se recusado a assinar a Constituição de 1988. Lula, aliás, foi deputado federal constituinte, mas quase ninguém se lembra disso. Uma vez no governo, Lula surfou na onda alheia da estabilidade econômica, a qual se opõs quando era oposição -, apropriou-se das conquistas de outros e registrou, em cartório, a fundação do Brasil. Se conseguiu safar-se do julgamento do mensalão (não sem antes tentar coagir e chantagear um ministro do STF), foi não por seus próprios méritos, que não os tem, mas por obra e graça de uma legião de áulicos e adoradores, dispostos a tudo para alimentar o culto à sua personalidade. Lula foi "blindado".  

O mais irônico de tudo é que Lula é uma criação das elites - as mesmas elites que ele adora achincalhar em seus discursos. Foram as elites, foi a burguesia brasileira, a intelligentisia da USP e da PUC, as marilenas chauí, os emir sader, os frei betto, além de um exército de artistas e jornalistas, que criaram o personagem. É nesses setores que se encontram seus devotos mais ardorosos. Celso Amorim, por exemplo, chama-o de "nosso guia". Marta Suplicy declarou recentemente que Lula é Deus. Isso mesmo: Deus. Nada menos. É a elite, mais do que o povão, que adora rir de suas piadas chulas, e que vê sabedoria e inteligência onde só há platitudes e frases desconexas.

Já em 1979, o grande dramaturgo e cronista Nelson Rodrigues apontava para esse fenômeno de sabujice coletiva, ao dizer, em entrevista à revista Playboy: "Vocês [os jornalistas] acham que o Lula é um Napoleão, um Gêngis Khan. Mas a verdade é que ele, Lula, não fez nada, rigorosamente nada". Lula não precisou fazer nada para chegar onde chegou: sempre achou quem fizesse o serviço sujo por ele - e inclusive quem por ele se sacrificasse, como Delúbio Soares, que já declarou que encara a prisão como um "dever partidário".

Diante de tanta mediocridade, agora cada vez mais exposta sem os confetes e o brilho do poder, os que um dia acreditaram no Lula redentor da humanidade - os que mantêm um resquício de pudor, pelo menos - recolhem-se com vergonha, num silêncio acabrunhado. Silêncio que aumenta diante da continuação de Lula que é Dilma Vana Rousseff. Nada mais natural que Lula tenha escolhido, para sucedê-lo, uma nulidade como Dilma Rousseff. Nulidades atraem nulidades.
 
Triste do país que já teve um Lula no mais alto cargo da nação. Triste do país que entroniza a vulgaridade, a safadeza, a cupidez e a ignorância. Lula já vai tarde. Este pode não ser seu fim. Mas que seja, pelo menos, o começo do fim.

sexta-feira, agosto 17, 2012

A TENTATIVA DE GOLPE DO MENSALÃO

Não tenho tido tempo para acompanhar o julgamento do Mensalão no STF. Mas, pelo que li e ouvi até agora, levando-se em conta tudo que se disse desde que o escândalo estourou, em 2005, é possível arriscar algumas conclusões. Por trás do juridiquês e das manobras dos advogados de defesa – um deles chegou a comparar o tratamento dispensado a seu cliente com as torturas no DOI-CODI na época da ditadura militar (!!!) –, esconde-se, na realidade, uma das tramas mais sórdidas já elaboradas na História do país.
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Dito assim, parece o óbvio ululante. Mas o faço inspirado nas palavras do maior beneficiado e – são os fatos que apontam – mandante do esquema. Refiro-me a ele mesmo, o Apedeuta, Luiz Inácio Lula da Silva, inexplicavelmente ausente da denúncia apresentada pelo Procurador-Geral da República, como notou o advogado do delator do escândalo, o ex-deputado Roberto Jefferson.
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Vamos lembrar. Nos últimos sete anos, Lula apresentou, pelo menos, quatro versões para o que aconteceu. Primeiro negou que o Mensalão tivesse existido. Depois, tentou minimizar o ocorrido, dizendo que era caixa dois e que "todo mundo faz igual". Em seguida, ensaiou um pedido de desculpas em rede nacional e se disse "traído", sem especificar por quem. Finalmente, descobriu que foi uma tentativa golpista da "zelite". Desde então, essa tem sido a linha de defesa oficial do lulopetismo. Entre uma desculpa e outra, tentou safar-se com um "não vi nada, não sei nada" e esperou que acreditassem (e, pasmem, ainda há quem acredite...).
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De todas as versões apresentadas até agora pelo Guia Genial, a última, da conspiração, é a minha preferida. Sim, Lula está certo. Sim, houve uma tentativa de golpe no Brasil. Por parte dos mensaleiros.
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Existe a tendência, bastante simplista, de enxergar a corrupção em termos tão-somente de ganhos financeiros pessoais. O Mensalão não se encaixa nessa categoria. Na verdade, o escândalo foi além disso. Foi uma tentativa de golpe contra a democracia, mediante o acabrestamento do Legislativo. Para tanto, montou-se um esquema gigantesco – e milionário – que envolveu deputados, militantes, publicitários, banqueiros e figuras do submundo da política. Um esquema altamente sofisticado de compra de votos no Congresso, mediante desvio de dinheiro público. Tinha tudo para dar certo, e daria, se um dos membros da gangue – Roberto Jefferson –, inconformado em ser feito de boi-de-piranha após a descoberta do esquema fradulento do PTB nos Correios, não resolvesse chutar o balde e botar a boca no trombone. Como sói acontecer no submundo do crime, foi preciso que um participante da maracutaia abrisse o bico para que toda a lama viesse à tona.
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Por trás de tudo isso, estava não somente a vontade de lucro pessoal – apesar de imagens ridículas, como a dos dólares na cueca, e de alguns membros da quadrilha, como o notório Silvinho Land-Rover, terem se beneficiado financeiramente –, mas, sobretudo, o interesse de um partido e seus aliados de submeterem as instituições políticas do país a seu projeto político de poder. Como nos filmes sobre a máfia – e o PT é uma associação mafiosa –, é a lealdade ao “chefe”, o capo di tutti capi, ou à organização criminosa, o que esteve em primeiro lugar (há inclusive um bode expiatório que se dispõe a ser sacrificado, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares). Tratou-se de uma tentativa de acabar com a independência dos Poderes e instalar, em seu lugar, um regime autoritário, com um Legislativo dócil e submisso ao Executivo – por 30 mil reais mensais a cabeça. Esse sempre foi, aliás, o grande objetivo do PT, que sempre desprezou a democracia. O Mensalão foi, assim, nada mais do que a culminação de toda uma trajetória política, pautada desde o princípio pela idéia de que para “mudar o sistema” todos os meios eram válidos.
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(Claro, sempre há os cínicos ou idiotas, que botam a culpa de tudo no "sistema" e depois vão dormir. Acabo de ler um texto de um simpatizante esquerdista que, citando Hegel, responsabiliza o "capitalismo" pela corrupção petista... Segundo esse esquema mental, os petistas seriam seres puros e angelicais, idealistas que se teriam "desviado" do reto caminho da justiça e do socialismo pelo contato com a política "burguesa"...)
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O julgamento do Mensalão – que os petralhas, ainda por cima, fizeram de tudo para melar e adiar, inclusive com uma tentativa de chantagem de Lula a um juiz do STF – não é, portanto, mais um julgamento sobre um caso de roubalheira nos cofres públicos. É mais do que isso. É o julgamento da tentativa mais descarada e atrevida – como disse o Procurador-Geral da República – contra o funcionamento do sistema democrático no Brasil em décadas. É o julgamento de um bando de golpistas que atentaram contra a Democracia.
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Vira e mexe, os lulopetistas afirmam que o Mensalão foi uma "tentativa de golpe". É verdade. De fato, o Mensalão foi uma tentativa de golpe. Dos petralhas contra a democracia. Como demonstram as incursões do lulopetismo em política externa, como em Honduras e no Paraguai, eles falam de golpe porque de golpe eles entendem.

terça-feira, outubro 13, 2009

DE PATRIOTADA A PATRIOTADA

Não parece, mas o cartaz acima não é do governo Lula...
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Diogo Mainardi escreveu mais um daqueles textos essenciais na VEJA desta semana (está aqui: http://veja.abril.com.br/blog/mainardi/). Ele desmascara, como já é usual, a propaganda patrioteira e ufanista do governo e do PT, que nos últimos tempos, com o pré-sal e a escolha do Rio para sede das Olimpíadas de 2016, atingiu níveis realmente mussolinianos, tendo ultrapassado tudo que as ditaduras de Vargas e do general Médici produziram.

Mainardi lembra que os intelectuais do lulo-petismo, como Marilena Chauí e Ricardo Kotscho, dedicam-se a repetir, hoje, o que até pouquíssimo tempo atrás condenavam com furor stalinista em outros governos. Marilena Chauí escreveu mesmo um livro em que se mostrava escandalizada com a propaganda patrioteira do governo FHC por ocasião dos 500 anos do descobrimento, em 2000. Pelo visto, seu escândalo se deveu não à celebração dos 500 anos, mas ao fato de ser FHC, e não Lula, quem estava à frente da festa. Era o fato de que Lula não estava lá para dizer que o Brasil agora era a maior potência da História do Universo.

Hoje é difícil acreditar, mas houve uma época em que ser de esquerda era ser "do contra". Era sinônimo de cultivar o senso crítico em relação à propaganda patrioteira e ao ufanismo. De torcer o nariz para o chauvinismo verde-amarelista e para as correntes pra frente, que constituíam uma forma de as "classes dominantes" manterem o poder e esmagar a minoria de impatriotas que se negavam a aplaudir a grandiosidade do governo. Era dizer Epa! quando todos diziam Oba! diante do governante de plantão. Os lulo-petistas conseguiram desmoralizar também essa idéia. Hoje, ser "do contra" é ser "de direita". Como não gosto da música de Don e Ravel, sou, portanto, um impatriota.

De fato, os lulo-petistas conseguiram botar no chinelo tudo que veio antes em termo de patriotada, de ufanismo babão e chauvinista. Eles são mesmo do balacobaco. Perto de Marilena Chauí e Ricardo Kotscho, o Conde Affonso Celso é um traidor da pátria, e Plínio Salgado e Amaral Netto não passam de amadores. Todos os estereótipos cultivados durante décadas pelos esquerdistas para ridicularizar o regime militar e a "direita" - os slogans ufanistas, o "Brasil ame-o ou deixe-o" etc. - aplicam-se à perfeição a eles próprios, os esquerdistas. Outro dia, vi uma propaganda do PCdoB na televisão. Lá estava um militante, cara de nerd. Ele ficou cantando as glórias do governo Lula, o melhor do mundo. A certa altura, ele exclamou, cheio de entusiasmo e de orgulho patriótico: "Ninguém segura este País"... Nisso, os lulo-petistas confirmam, mais uma vez, o conselho de Lênin: "Acuse-os do que você faz, condene-os pelo que você é".
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Como já escrevi aqui, o patriotismo exacerbado tem algo de complexo de vira-latas. Antes, os lulo-petistas criticavam "as elites" pelo apego demasiado às coisas de fora, demonstrado, por exemplo, pela necessidade meio infantil de reconhecimento pelos grandes e poderosos. Hoje, Lula e seus seguidores ostentam como prova de que o País finalmente é um "global player" o... reconhecimento pelos grandes e poderosos. Gostam de repetir que Lula é "O Cara", como o chamou Barack Obama (e ele é "O Cara" porque foi Obama quem disse, vejam bem; tivesse sido o presidente do Gabão, não seria a mesma coisa), e que os jornais estrangeiros não páram de elogiar o Brasil etc. etc. Enfim, transformaram o "Deu no New York Times" no critério absoluto para aferir o sucesso do atual governo - exatamente o que criticavam em governos passados. Há algo de insegurança, de baixa auto-estima, no excesso de orgulho patriótico.
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O governo Lula demonstrou que, pior do que um esquerdita na oposição, é um esquerdista no poder. Do mesmo modo, só há alguém mais patrioteiro do que um general da época da ditadura militar: é um devoto da religião lulo-petista. E muito mais desonesto, também.

terça-feira, março 18, 2008

O BOLSA-FAMÍLIA PRECISA ACABAR. PARA O BEM DOS POBRES.



O governo federal divulgou ontem que o Bolsa-Família, o carro-chefe da atual administração lulista, foi ampliado para os jovens de 16 e 17 anos de idade, num limite de dois por família. Com isso, o valor máximo mensal pago a cada família do programa passou de R$ 112 para R$ 172. Isso significa que 1,1 milhão dos 11 milhões de famílias que já recebem o Bolsa-Família serão beneficiados por essa nova modalidade. Antes, o limite de idade para o jovem receber o benefício era de 15 anos.

O Bolsa-Família precisa acabar. Para o bem dos pobres. Para o bem do Brasil. Para o bem da ética. Da moralidade. Da honestidade. Da vergonha na cara. A ampliação do programa, para colocar debaixo da asa estatal os jovens de 16 e 17 anos - a sete meses das próximas eleições municipais - é não somente um acinte, um escândalo, um tapa na cara de quem acha que já chegamos ao fundo do poço em termos de crise ética e desmoralização da política: é um desserviço aos próprios supostos beneficiados por esse programa do governo Lula.

O Bolsa-Família nada mais é do que a ampliação do velho voto de cabresto, em nível federal, mediante a compra de votos em troca de dinheiro. Nada mais que isso. Seu objetivo não é eliminar, nem mesmo diminuir, a fome e a pobreza, ou o analfabetismo - cada família, teoricamente, precisa comprovar que os filhos estão na escola para receber a esmola estatal. Aparentemente, trata-se de uma idéia bem-intencionada. Mas não é nada disso. Seu efeito sobre a vida das pessoas mais pobres se faz sentir do mesmo jeito que as tradicionais cestas básicas doadas pelos coronéis do sertão em período eleitoral: ou seja, um instrumento de reprodução, e não de diminuição, da pobreza. O mecanismo de conservação do poder e da miséria, aqui, é exatamente o mesmo, não muda um milímetro, sendo, na verdade, ampliado: se antes a massa faminta e maltrapilha era manipulada pelo coronel local, agora todos são convertidos em estadodependentes. E não me venham com a churumela do discurso oficial de que o governo pretende que os beneficiados pelo Bolsa-Família deixem de depender do programa nos próximos anos. Ou alguém já viu na História um governo renunciar voluntariamente a esse gigantesco curral eleitoral? O Bolsa-Família já foi usado eleitoralmente em 2006, para ajudar a reeleger o Apedeuta. Será novamente usado em 2008, assim como em 2010, com certeza. E, para que esse apoio eleitoral se repita, é preciso haver mais pobres, não menos. Os pobres, mais uma vez, são usados como gado, como massa de manobra a serviço dos interesses eleitorais dos eternos donos do "pudê".

Sempre desconfiei que as causas mais profundas da pobreza e da miséria em que sobrevivem milhões de brasileiros são muito mais de ordem cultural do que econômica. Com o Bolsa-Família, essa minha desconfiança se acentuou. O programa não visa a acabar com a pobreza, mas a eternizá-la, na forma da criação de uma rede de clientela e dependência estatal em troca do apoio nas eleições. Sob o governo dos petralhas, a demagogia e o paternalismo estatal, na forma de assistencialismo, já viraram deboche, atingiram um ponto nunca dantes alcançado na história dêfte paif. O Bolsa-Família é a maior prova disso. Não satisfeito em garantir a lealdade de milhões de estadodependentes, felizes por tirarem as barrigas da miséria graças à caridade oficial, a companheirada no poder agora quer fisgar a molecada em idade eleitoral. Agem, assim, como o personagem principal do filme M, o Vampiro de Düsseldorf, que seduzia criancinhas com doces e chocolates antes de matá-las. Assim como no filme, aproveitam-se da ingenuidade dos adolescentes para garantir seus próprios interesses.

Os governantes populistas repetem com freqüência que gostam dos pobres. É verdade. Eles gostam mesmo. Gostam tanto que fazem questão que eles existam em abundância, e se reproduzam. Enquanto houver pobreza e ignorância - e sem-vergonhice -, o lulo-petismo terá uma fonte inesgotável de apoio.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

O BRASIL NÃO DEVE MAIS. APESAR DOS PETISTAS.

Deu nos jornais de hoje. O Banco Central anunciou que, pela primeira vez na História, o Brasil dispõe, em caixa, de mais dinheiro do que o necessário para pagar sua dívida externa. Daria para pagar a danada e ainda sobrariam uns 4 bilhões de dólares. De devedor, o Brasil é agora credor dos gringos.

A notícia é excelente. Finalmente nos livramos de um fantasma que assombrou gerações. A minha, por exemplo, que está na faixa dos trinta e poucos anos, cresceu ouvindo que a tal dívida era o maior entrave ao desenvolvimento do País. Acostumamo-nos a achar que ela era impagável. Lembro que, quando eu comecei a despertar para as coisas do mundo, lá pelos meados dos anos 80, havia poucas certezas na vida. Uma delas era que jamais veríamos o dia em que a dita dívida seria, enfim, coisa do passado. Era algo, se tanto, para os nossos netos ou bisnetos. Até que enfim nos livramos de um fardo. No entanto...

No entanto, "notícia boa demais a gente desconfia", como se diz em minha terra. No caso, não é a notícia em si, uma das melhores coisas que já aconteceram nos últimos tempos no Brasil, mas o que os atuais ocupantes do poder vão fazer com ela. Os lulo-petistas, claro, vão tentar capitalizar em cima da notícia. Vão dizer que o mérito é todo deles, que fizeram o dever de casa em economia. Lula vai aparecer na TV enchendo o peito, dizendo que "nunca na história defte paif" etc., etc. Não caiam nessa. É mais uma empulhação da quadrilha no poder.

O fim do problema da dívida externa não é uma vitória do governo Lula, nem dos lulo-petistas. É uma vitória da ortodoxia econômica. Quem tem memória lembra bem: os lulo-petistas sempre foram contra as políticas ortodoxas ("neoliberais") que permitiram o equilíbrio das contas públicas. Clamaram contra elas, quando estas começaram a ser aplicadas, durante o governo de seu rival FHC, treze anos atrás. Alegavam, demagogicamente, que tais políticas seriam "uma submissão aos ditames do FMI e do capital internacional". Uma vez no poder, porém, mudaram de discurso, mantendo a mesma política econômica que condenavam com tanto fervor na véspera. Sem confissão, nem arrependimento. Não por convicção, mas por puro oportunismo. Por pura demagogia.

O sucesso da política econômica de Mantega, Meirelles e cia. não se dá por causa dos petistas, mas apesar deles. Incapazes de apresentar coisa melhor do que a política de seus rivais tucanos, trataram de copiá-los. Não foram os lulo-petistas que criaram as condições para o sucesso dessa política ortodoxa. Apenas beneficiaram-se dela. Depois de terem tentado de todas as maneiras destruí-la, dela se apropriaram. Não podendo ter destruído a árvore em sua raiz, estão colhendo os seus frutos. O que chamam de sucesso é apenas a prova de sua desonestidade.

Assim como fizeram com a ética e com a democracia, os lulo-petistas aderiram à ortodoxia econômica por conveniência política, por oportunismo. Trata-se de uma adesão instrumental, e não filosófica. Se adotam uma linha econômica baseada em pré-requisitos como responsabilidade fiscal, metas de inflação e superávit primário, não é porque acreditam de fato nesses princípios, mas apenas porque os consideram um instrumento útil à conservação de seu poder. Este, sim, é o único compromisso dos lulo-petistas, sua única e real causa.

Nesse trabalho de enganar a todos, os lulo-petistas contaram também com uma boa dose de sorte. De fato, a sorte de Lula é impressionante. Durante seu governo, ele se beneficiou de uma maré extremamente favorável da economia mundial. Assim como Hugo Chávez, que se beneficia da alta dos preços do petróleo no mercado internacional para impor seu "socialismo do século XXI". Assim como seu colega venezuelano, Lula usa o capitalismo e a democracia para miná-los. E, assim como Chávez, ele não pode dizer que foi o criador dessa situação favorável.

Não há como negar também que as boas notícias na área econômica têm um lado negativo para os lulo-petistas. Até agora, por exemplo, não os vi comemorarem tanto assim a notícia de que o País é, enfim, dono de seu destino. Deve ser porque, com o problema da dívida enfim solucionado, não poderão mais botar a culpa pelos males do Brasil no FMI ou em outro agente externo. Não poderão mais defender a realização de um plebiscito em defesa do calote da dívida externa, como já fizeram antes. Terão que procurar outro bode expiatório. As elites ou a mídia golpista, quem sabe.

O que permite tamanha distorção da realidade pelos petralhas, além dos fatores citados, é uma boa dose de ingenuidade política por parte de seus críticos liberais. Estes tendem a absolutizar o papel da economia, acreditando que, basta o governo adotar uma linha ortodoxa, com resultados positivos, e provará ser um governo de gente madura e responsável. Não pode haver engano maior do que esse. O que esses senhores não entendem é que a economia não é um fim em si mesmo; é um meio para a conquista e manutenção do poder político. Se os petistas rezam, hoje, pela cartilha da ortodoxia liberal, isso não ocorre porque tenham se convertido ao credo da liberdade e da democracia, mas apenas porque esperam que tal política lhes garanta as bases materiais necessárias à implantação de um projeto totalitário de poder. Esse projeto pode muito bem conviver com uma política econômica capitalista, como demonstram os exemplos da China e do Vietnã. Na América Latina, seu principal instrumento de articulação estratégica é o Foro de São Paulo. Nele, o mesmo governo que é hoje louvado por seu "pragmatismo" e "responsabilidade" por muitos economistas cerra fileiras ao lado de ditadores como Fidel Castro e do narcotráfico internacional. Enquanto os banqueiros e financistas se mantiverem satisfeitos com os números da economia, não prestarão atenção a esse processo.

A História demonstra que encher os bolsos da burguesia é a melhor maneira de seus inimigos prepararem o golpe que a varrerá do mapa e lhes permitirá a conquista do poder. Foi assim na Rússia czarista, com a ajuda do Kaiser alemão a Lênin para derrubar o governo provisório de Kerensky. Foi assim na Alemanha, com parte da burguesia alemã apoiando os nazistas de Hitler. E é assim hoje, no Brasil, com o governo de Lula e dos petralhas. Enquanto esses burgueses estúpidos continuarem pensando com seus bolsos e suas barrigas, e não com suas cabeças, o triunfo definitivo dos inimigos da liberdade será só uma questão de tempo.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

GOVERNO DE PSICOPATAS


Como acontece com quase todo mundo, chega um momento em que me canso de falar em política. Nessas horas, vou à estante e pego aleatoriamente um livro, sem qualquer relação com o assunto. Em geral, um romance ou uma reportagem, ou um livro de História. Mas não tem jeito. Não dá pra fugir da realidade. Por mais que tentemos dela escapar, ela sempre nos puxa de volta, como um buraco negro, engolindo tudo em sua volta.

Descobri a inutilidade desse meu esforço de passar pelo menos umas horas sem pensar em Lula, PT, mensalão, Foro de São Paulo e, agora, cartões corporativos quando comecei a folhear um livro da escritora de romances policiais Patricia Cornwell, "Retrato de um Assassino - Jack, O Estripador: Caso Encerrado", que, como diz o título, trata dos crimes do famoso serial killer inglês do final do século XIX. A certa altura, nas páginas 35 e 36, a autora se debruça sobre o conceito clínico de psicopatia. Entre outras coisas, ela diz o seguinte:

"(...) O conceito de que é errado roubar, violentar, atacar, mentir ou fazer qualquer outra coisa que degrade, defraude o outro ou o prive de suas características humanas não é assimilado pelo psicopata.

(...) os psicopatas não exibem emoções humanas normais e constituem uma pequena porcentagem da população que é responsável por uma alta porcentagem dos crimes. São pessoas extraordinariamente astutas que levam uma vida dupla. Os que lhes são próximos geralmente não têm idéia de que por trás da máscara de simpatia existe um monstro que só se revela - como o Estripador - um pouco antes de atacar.

O psicopata é incapaz de amar. Quando demonstra o que parece remorso, tristeza ou pesar, está manipulando, e a expressão dessas emoções se origina de suas próprias necessidades e não de consideração autêntica por outra criatura. Ele costuma ser atraente, carismático e de inteligência acima da média. Embora seja dado a impulsos, é organizado no planejamento e na execução de seus crimes. Não há cura. Não se pode reabilitá-lo nem 'preservá-lo da desventura criminosa' (...)".

Vocês já devem ter percebido. Ao ler as definições acima, é impossível não remeter ao que está acontecendo no Brasil de hoje. É impossível não pensar em Lula e nos petistas. As palavras de Patricia Cornwell num livro sobre Jack, o Estripador parecem ajustar-se perfeitamente à definição dos que ora nos governam.

Antes que alguém me acuse, não é minha intenção demonizar os companheiros lulistas. Mesmo se eu quisesse, não poderia demonizá-los, pois os fatos falam por si mesmos. Como diz o Reinaldo Azevedo, não se trata de demonizar os petralhas, mas de denunciá-los. E denunciá-los, convenhamos, é inseparável de algumas conclusões a respeito deles. Tomemos as denúncias de corrupção contra o governo. Quem pode dizer que a ausência de qualquer sentimento de remorso, a atrofia completa de qualquer senso de moral, que caracterizam os psicopatas, se encaixam perfeitamente na forma de os petistas lidarem com o assunto? Diante do último escândalo envolvendo os lulo-petistas, o dos cartões corporativos, o que faz o governo? Reconhece o crime, pune os culpados, pede perdão pelo delito cometido? Não: tenta atirar lama nos que o acusam, querendo com isso fazer com que todos relevem sua ladroagem. Alguém viu, até agora, um membro do alto escalão do governo, ou mesmo do baixo escalão, admitir publicamente que, sim, roubou, e que roubar é errado, é um crime e deve ser punido como tal? Em entrevista às páginas amarelas da Veja desta semana, o secretário-geral do PT, o deputado federal José Eduardo Cardozo, reconhece que o mensalão existiu. É um passo importante, sem dúvida, por destoar do que insistem em dizer os petralhas e seus amigos na imprensa. Mas o que Cardozo diz em seguida? Que houve "equívocos" de "alguns dirigentes", que se deixaram levar por "um pragmatismo equivocado", esquecendo-se do que era o partido original, e que "a questão ética é indispensável na construção de nossas bandeiras". Que questão ética, deputado? Que bandeiras? Fica parecendo que o partido tinha um "patrimônio ético" que se perdeu. O PT nunca teve patrimônio ético, tinha apenas um discurso moralista fajuto para justificar sua própria roubalheira em nome do poder, ou do socialismo, ou do que quer que seja. A raiz da corrupção petista não está num suposto "desvio de rota" da pureza do partido original, como se este fosse um clube de santos que se perderam, mas em sua própria essência original totalitária. Os arquitetos do mensalão e de outras cafajestadas, os Delúbios, os Silvinhos podem tranqüilamente dizer-se fiéis operadores a serviço da causa original petista. Seu "erro", seu "pecado", não foi terem coordenado a roubalheira: foi terem sido apanhados.

Outro exemplo: a memória dos "anos de chumbo" da ditadura militar no Brasil. A ninguém escapa o fato de que as esquerdas dela se apropriaram totalmente. Impera, nesse assunto, o maniqueísmo puro e simples. Apenas um lado, o das esquerdas, é mostrado: o lado em que elas aparecem sempre como vítimas da repressão, da censura, da tortura, dos assassinatos, dos desaparecimentos. Silencia-se completamente sobre a violência das guerrilhas, que incluiu assaltos, seqüestros e assassinatos, ou então busca-se mesmo justificar tais atos como uma forma de resistência contra a opressão e de luta pela democracia. Uma falsidade total, pois o que a esquerda armada queria não era instaurar a democracia, mas impor uma ditadura comunista. No entanto, os remanescentes dessa época, os Zé Dirceus, os Franklin Martins, as Dilmas Rousseffs, os Genoínos apresentam-se e são apresentados como devotados democratas. Considera-se crime somente o que é cometido contra as esquerdas, nunca por elas. Se os esquerdistas roubam, mentem, matam ou seqüestram, é por uma boa causa, ou então não passa de intriga da direita. Do mesmo modo, somente as ditaduras de direita estão sujeitas à obrigação moral de respeitar os direitos humanos.

Em psiquiatria, diz-se que psicopata é uma pessoa sem inibições morais, carente de remorso e arrependimento. Para um esquerdista, assim como para um serial killer, seus crimes não são crimes. Pelo contrário: são mesmo motivo de orgulho ou, quando muito, um mal necessário, um meio para atingir um fim. O esquerdismo é uma psicopatia, uma perversão moral, uma doença do espírito.

As características elencadas por Patricia Cornwell para definir a mente psicopática servem à perfeição para classificar os que nos governam atualmente. Assim como Jack, o Estripador e outros criminosos seriais, os atuais ocupantes do poder no Brasil se guiam pela astúcia infinita, pela duplicidade moral e pela manipulação mental. E, assim como ocorria com o assassino de prostitutas do East End londrino, a psicopatia esquerdista não tem cura. Jack, o Estripador jamais foi pego por seus crimes. Será que o mesmo ocorrerá com os lulo-petistas?

sábado, maio 05, 2007

MANGABEIRA UNGER, O PROFESSOR ALOPRADO*


Ex-brizolista, ex-mentor de Ciro Gomes e professor de Direito na Universidade Harvard, Roberto Mangabeira Unger é um dos intelectuais mais esquisitos que já apareceram debaixo do Equador. Com cara enfezada de poucos amigos, discurso pernóstico e um estranhíssimo sotaque gringo (embora seja brasileiro), ele era até há pouco tempo um dos críticos mais ferozes do governo petista. Em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, em 15/11/2005, sob o título "Pôr fim ao governo Lula", o professor Mangabeira Unger escreveu o seguinte:

"AFIRMO que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos.

Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento do presidente. (...) Desde o primeiro dia de seu mandato o presidente desrespeitou as instituições republicanas.(...)

Afirmo que o presidente, avesso ao trabalho e ao estudo, desatento aos negócios do Estado, fugidio de tudo o que lhe traga dificuldade ou dissabor e orgulhoso de sua própria ignorância, mostrou-se inapto para o cargo sagrado que o povo brasileiro lhe confiou. (...)"

Poucos dias atrás, o autor das linhas reproduzidas acima, o mesmo Roberto Mangabeira Unger que queria o impedimento de Lula, recebeu um convite para integrar o governo, como titular da recém-criada "Secretaria Especial de Ações a Longo Prazo" – já jocosamente apelidada de SEALOPRA –, com status de Ministro de Estado. Mangabeira Unger aceitou o convite na hora. Pouco depois, como que por encanto, seu artigo desapareceu de sua página de internet.

Qual a causa de tão súbita e radical transformação, verdadeiro giro de 180 graus? A resposta última para essa pergunta, claro, só pode ser encontrada na mente misteriosa desse estranho personagem. Uma coisa, porém, é certa: ao se lançar tão açodadamente para apanhar o rosbife atirado pelo governo que antes execrava com tanto furor, Mangabeira Unger provou pelo próprio exemplo pessoal aquilo que denunciava tão ferozmente em seu artigo de 2005: que o governo Lula é, de fato, o mais corrupto da história nacional, integrado por oportunistas e desonestos de todo tipo. Por isso, resolvi escrever o texto a seguir em sua homenagem:

AFIRMO que Mangabeira Unger aderiu ao governo mais corrupto de nossa história nacional. Adesão tanto mais nefasta por demonstrar a falta de honestidade, o oportunismo e a avacalhação de um intelectual que se pretendia sério e respeitado, mas que, no final, mostrou sua verdadeira face, abraçando aquilo que antes esconjurava em troca de uma parcela de poder.

Afirmo que, no artigo que publicou em 15/11/2005, no qual defendia o
impeachment de Lula, Mangabeira Unger não estava sendo sincero e que ele jogou no lixo todos seus anos de ensino e todos os livros que escreveu. De agora em diante, tudo que ele vier a dizer ou escrever não merece ser levado a sério.

Afirmo que Mangabeira Unger é um dos intelectuais mais desonestos que já apareceram no Brasil, o que não é coisa fácil, sendo capaz de sacrificar a própria reputação para usufruir as vantagens e benesses do poder.

Afirmo que Mangabeira Unger, ao deixar-se cooptar pelo lulismo, comprometeu-se para sempre com um presidente que, como ele mesmo afirmou, desde o primeiro dia de seu mandato desrespeitou as instituições republicanas.

Afirmo que Mangabeira Unger e seu partido, o PRB, não passam de instrumentos da avacalhação geral que tomou conta do país desde que o lulismo chegou ao poder.

Afirmo que, ao rejeitar tão descaradamente o que escreveu, Mangabeira Unger revelou-se não apenas desonesto e oportunista, mas leviano. Ele se mostrou o maior dos lulistas, pois segue à risca os ensinamentos do apedeuta, que confessou ter vivido de bravatas até sua chegada ao poder.

Afirmo que Mangabeira Unger deve desculpas não a Lula, por tê-lo definido, corretamente aliás, como um governante omisso e preguiçoso, mas ao povo brasileiro, que ele, Mangabeira Unger, tão desavergonhadamente enganou.

Afirmo que Mangabeira Unger, ao retirar seu artigo com ataques a Lula de sua página na internet, revelou não apenas oportunismo, mas covardia intelectual, repetindo o método stalinista de tentar "reescrever" a história, simplesmente fazendo desaparecer dos registros oficiais imagens ou textos considerados inconvenientes (infelizmente para ele, hoje existe a internet).

Afirmo que a repetição perseverante dessas verdades em todo o país acabará por acender, no coração dos brasileiros, uma chama que reduzirá a cinzas um sistema que hoje se julga intocável e perpétuo - e do qual Mangabeira Unger aceitou fazer parte, como mais um de seus aloprados.

Afirmo que, menos de dois anos depois de seu artigo na
Folha de S. Paulo, o dever de todos os cidadãos é negar o direito de Mangabeira Unger de querer engabelar a todos novamente, tentando justificar sua adesão aos que corromperam e esvaziaram as instituições republicanas, apelando para lugares-comuns como "a situação mudou" e "Lula não teve nada a ver com a crise". Tais alegações são um insulto à inteligência, um atentado contra a razão.

É coisa, enfim, de um verdadeiro aloprado.


P.S.: Se quiserem ler a íntegra do artigo de 15/11/2005 de Mangabeira Unger, acessem o site http://www.estadaocom.br/ultimas/nacional/noticias/2007/abr/24/347.htm.



* Texto publicado neste blog originalmente em 27/04/2007, e republicado por motivos de melhor editoração.