sexta-feira, outubro 18, 2013

OS RIDÍCULOS

 
Semana cheia essa que passou. Em questão de dias, duas obras-primas do humorismo.
 
Primeiro, foi a ministra dos direitos humanos (?) do governo petista de Dilma Rousseff (aquela que vê cachorros ocultos atrás de cada criança - mais uma pra lista de piadistas involuntárias), a petista Maria do Rosário, indignadíssima querendo acionar a Polícia Federal para tirar do do ar um site da internet e punir os responsáveis. Chegou a divulgar uma Nota Pública a respeito etc. e tal. Alegou que o site promove a calúnia e a desinformação sobre a sua pessoa. Isso porque publicou, como notícia, que ela, Maria do Rosário, teria ficado comovida com o bandido que levou dois pipocos de um policial ao tentar roubar uma moto (o que si non è vero, è ben trovato, mas deixa pra lá...). O meliante foi baleado numa tentativa frustrada de assalto gravada em um vídeo que foi aplaudido por dez em cada dez cidadãos de bem do país, rapidamente virando um viral na internet. Tudo OK, se não fosse um pequeno detalhe, que ninguém na assessoria da ministra parece ter lembrado: o site em questão é um site de humor! (gargalhadas)
 
Depois, foi o ídolo de gerações de moçoilas e também de rapazes deslumbrados, o petista Chico Buarque, que se juntou ao clube dos censores que diz ter combatido durante a ditadura militar ao tentar impedir - e tentar justificar! - a censura em biografias de artistas como ele próprio. Chegou mesmo a escrever, com sua prosa de versejador, um artigo n'O Globo tentando justificar o injustificável. Recebeu a solidariedade de Paula Lavigne, a ex-mulher de Caetano Veloso, o mais novo "new kid on the black bloc" (e que se inscreve assim, também, na galeria nacional da ridicularia). Chico Buarque continua sendo um artista de extrema sensibilidade. Sua capacidade de entender a alma feminina é admirável. Deve ser o único capaz de compreender os sentimentos de Paula Lavigne. 
 
Os fãs-tietes-devotos de Chico Buarque, que só devem ser menos numerosos do que as torcidas do Flamengo e do Corinthians juntas, estão se dizendo decepcionados. Afirmam que o moço está mudado etc. Também, pudera:  como é que o ídolo da esquerda caviar e endinheirada, que ficou mais de quarenta anos elogiando a ditadura cubana dos irmãos Castro, pode defender agora a censura?! Que absurdo! Onde já se viu? Que falta de coerência! (gargalhadas, mais gargalhadas)  
 
Uma ministra dos direitos humanos emitindo uma Nota Pública contra uma piada e querendo tirar do ar um site de zoação. Chico Buarque mostrando que hoje ele é quem manda, falou tá falado, não tem discussão... No Brasil, os maiores comediantes são aqueles que querem continuar a ser uma piada que se leva a sério.
 
Petistas são ridículos. Só isso a dizer. São ridículos, ridículos.

quinta-feira, outubro 10, 2013

LEIAM MARX. POR FAVOR, LEIAM MARX...



Bastou um estudante ter escrito uma carta ao professor da faculdade se negando a fazer um trabalho elogiando Karl Marx que se montou um banzé enorme na imprensa contra o autor da missiva: imediatamente choveram insultos ad hominem ao rapaz, na reprodução da velha tática stalinista de character assassination ("ele é monarquista", "é rico", "gosta de baladas", "gosta de armas" etc.). O fato de o português da carta não ser dos melhores e de o "Decálogo de Lenin" ser uma falsidade histórica (nem precisava...), também ajudou a montar o ambiente de linchamento moral.

Tudo isso me leva a ser a favor que se estude Marx nas escolas. Isso mesmo: quanto mais souberem o que realmente o furunculoso disse, menos os estudantes vão se identificar e simpatizar com suas teorias. Aliás, um amigo meu, o Nelson, fez exatamente isso. Ao contrário da maioria dos marxistas, ele leu Marx. Ele quer dizer umas palavras sobre aquele que muitos chamam, carinhosamente, de "o Velho". Fala, Nelson!
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O VELHO

 
por Nelson Rodrigues
 
Em recente confissão, contei a minha visita à casa de uma grã-fina que, de três em três meses, é capa de Manchete. E, de fato, sempre que Justino Martins está em apertos, vai ao arquivo e apanha a cara da minha belíssima anfitriã. O leitor nem desconfia que já viu a mesmíssima capa umas quinze vezes. Não há nada mais parecido com uma grã-fina do que outra grã-fina. Por dentro e por fora, todas se parecem. Quem viu uma, viu as outras.
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Entro no palácio e nada descreve a minha perplexidade. Conheço, de longa data, a dona da casa. Mas como identificá-la, se lá todas se pareciam entre si como soldadinhos de chumbo? Cumprimentei umas oito, na ilusão de que era a própria. Até que uma delas, ligeiramente mais lânguida, ligeiramente mais afetada que as demais, suspirou: - “Até que enfim veio à minha casa!”. Fez-se luz em meu espírito. Era aquela.
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Bem. Estou-me perdendo no secundário em prejuízo do essencial. O que eu queria dizer é que lá passei umas cinco horas. E, até o fim da noite, só se ouviu um nome e só se falou de uma figura: Marx. Tudo era marxista. O mordomo de casaca devia ser outro marxista. Idem, os garçons dos salgadinhos, uísque e champanhe. E Marx não era apenas Marx. Não. De um momento para outro, passou a ser “o velho”. Damas e cavalheiros diziam “o velho” com uma salivação intensa.
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Foi quando, a folhas tantas, alguém lembrou que “o velho” era dado a furúnculos. Houve um frêmito de volúpia geral e inconfessável. Parece meio difícil emprestar qualquer transcendência a uma furunculose. Pois bem. Havia, ali, um tal clima marxista que os furúnculos do “velho” pareciam mais resplandecentes do que as chagas de Cristo. Os decotes palpitaram. Os cílios postiços tremeram. Havia como que uma voluptuosidade difusa, valorizada, atmosférica. E, de repente, Marx deixava de ser o profeta, o gênio, o santo. Parecia mais um fauno de tapete, torpe e senil. Ao passo que as damas presentes seriam ninfas também de tapete.
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Por aí se vê que uma simples furunculose pode deflagrar um misterioso surto erótico. Saí de lá às quatro da manhã e sem me despedir. Não foi incivilidade, absolutamente. É que eu reincidia na mesma confusão visual. Como reconhecer a anfitriã, se todas as presentes eram iguaizinhas umas às outras? Vim para casa e pensava em tudo o que vira e ouvira no sarau grã-fino.
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Eis o que eu pensava: “Como a nossa alta burguesia é marxista!”. E não só a alta burguesia. Por toda parte, só esbarramos, só tropeçamos em marxistas. Um turista que por aqui passasse havia de anotar em seu caderninho: - “O Brasil tem 80 milhões de marxistas”. Hoje, o não-marxista sente-se marginalizado, uma espécie de leproso político, ideológico, cultural, etc. etc. Só um herói, ou um santo, ou um louco, ousaria confessar, publicamente: - “Meus senhores e minhas senhoras, eu não sou marxista, nunca fui marxista. E mais: - considero os marxistas de minhas relações uns débeis mentais de babar na gravata”.
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Mas contei o episódio da furunculose para concluir: - como nós conhecemos Marx! E o conhecemos na sua intimidade doméstica, prosaica e profunda. Somos autoridades em seus furúnculos. Do mesmo modo, estamos informadíssimos sobre as suas tosses, bronquites, asmas, aerofagias etc. etc. Resta apenas uma pergunta: - e teremos a mesma intimidades com os seus escritos? Aqui se insinua a minha primeira dúvida.
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Senão, vejamos. Há três ou quatro dias, fui eu a um sarau político. Lá, como no grã-finismo, o marxismo reinava. Cheguei disposto às provocações mais sórdidas. Meus bolsos estavam entupidos de notas. Reuni a fina flor da “festiva” e comecei: “venham ouvir umas piadas bacanérrimas. Ouçam, ouçam!”. E, de repente, tornei-me extrovertido, plástico, histriônico, como um camelô da rua Santa Luzia. Promovia idéias como quem vende laranjas, canetas-tinteiro, pentes, isqueiros, calicidas.
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Logo juntou gente. E comecei a ler frases de recente leitura: - “O imperialismo é a tarefa dos povos dominantes – Alemanha, França, Inglaterra, Estados Unidos”. Estes últimos “eram o país mais progressista do mundo”. “Contra o imperialismo russo, a salvação é o imperialismo britânico.” Outra: - “O defeito dos ingleses é que não são bastante imperialistas”. Quanto à história, “avança de leste para oeste”. O colonialismo é progressista porque os povos domináveis e colonizáveis só têm para dar “a estupidez primitiva”. O budismo é “o culto bestial da natureza”.
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E que dizer da China? É uma “civilização que apodrece”. Por outro lado, a vitória dos Estados Unidos sobre o México, em 1848, foi uma felicidade para o próprio México. Dizia o autor, que eu citava: - “Presenciamos a conquista do México e regozijamo-nos, porque este país, fechado em si mesmo, dilacerado por guerras civis e negando-se a toda evolução, seja precipitado violentamente no movimento histórico. No seu próprio interesse, terá de suportar a tutela que, desde esse momento, os Estados Unidos exercerão sobre ele”.
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Por outro lado, é maravilhosa a sujeição da Índia à Inglaterra. “A Alemanha é um povo superior e os latinos e os eslavos, mera gentalha.” Ainda sobre os eslavos: - “Povos piolhentos, estes dos Bálcãs, povos de bandidos”. Os búlgaros, em especial, são “um povo de suínos” que “melhor estariam sob o domínio turco”. Em suma: todos esses povos eslavos são “povos anões”, “escórias de uma civilização milenar”. Mais ainda: - “A expansão russa para o Ocidente é a expansão da barbárie” etc. etc.
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Durante duas horas li para a “festiva”. Por fim, embolsei as notas e, arquejante, falei: - “Vocês ouviram. O autor ou autores citados já morreram. Quero saber se teriam coragem de cuspir na cova de quem escreveu tudo isso?”. E outra pergunta: - “Quem pensa assim, e escreve assim, é um canalha? Respondam”. Em fulminante resposta, todos disseram: - “É um canalha!”. Ainda os adverti: - “Calma, calma. São dois os autores! Vocês têm certeza de que são dois canalhas? E canalhas abjetos?”. Não houve uma única e escassa dúvida. Os marxistas ali presentes juraram que os autores eram “canalhas” e abjetos. E, então, só então, alcei a fronte e anunciei: - “Agora ouçam os nomes dos canalhas”. Pausa e disse: - “Marx e Engels”. Fez-se na sala um silêncio ensurdecedor. Repeti: “Marx e Engels, os dois pulhas, segundo vocês”.
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Tudo aquilo estava em 'Marx et la politique internationale', por Kostas Papaloanou etc. etc. Os dois, Marx e Engels, eram paladinos fanáticos do imperialismo, do colonialismo, admiradores dos ianques, russófobos. Disseram mais: - “A revolução proletária acarretará um implacável terrorismo até o extermínio desses povos eslavos”.
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Os marxistas que me ouviam eram poetas, romancistas, sociólogos, ensaístas. Intelectuais da mais alta qualidade. E entendiam tanto de Marx quanto de um texto chinês de cabeças para baixo. Eis a verdade: somos analfabetos em Marx, dolorosamente analfabetos em Marx.
 
(Crônica publicada em O Globo em 3.05.1968. Ver também http://gustavo-livrexpressao.blogspot.gr/2008/02/conhecendo-o-velho.html)

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Meu comentário: Por favor, leiam Marx. Principalmente vocês, marxistas, estudem Marx. Façam isso. Conheçam o verdadeiro Marx, o autêntico. Eu lhes rogo.
 
Comentário adicional: "Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. E, então, aquele sujeito que, há 500 mil anos, limitava-se a babar na gravata, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente etc. houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas." (Nelson Rodrigues)

quinta-feira, setembro 26, 2013

OS PIORES LIVROS QUE FIZERAM A CABEÇA DE MUITA GENTE (VERSÃO BRASILEIRA)

Estava devendo o post a seguir há bastante tempo, como complemento ao texto OS PIORES LIVROS QUE FIZERAM A CABEÇA DE MUITA GENTE (http://gustavo-livrexpressao.blogspot.gr/2010/03/os-piores-livros-que-fizeram-cabeca-de.html). Demorei porque a lista é longa, e, diante de tantas gemas, a maior dificuldade está em selecionar as mais representativas. Nos quesitos ruindade acadêmica, parcialidade ideológica e indigência mental, o Brasil está bem suprido: nesse particular, o país ocupa certamente os primeiros lugares em qualquer ranking mundial, ao contrário dos resultados dos exames de desempenho escolar da ONU. Eis os piores livros de autores nacionais que mais influência exerceram no Brasil nos últimos cento e tantos anos:


- A Ilusão Americana, Eduardo Prado (1890) - Certidão de nascimento do antiamericanismo tupiniquim, ganhou status de obra "cult" entre os acadêmicos em parte porque foi o primeiro livro censurado pela República (em 1893, pela ditadura de Floriano Peixoto). Espécie de bíblia dos inimigos do "império estadunidense", quase sempre gente ressentida e movida pela inveja do "gigante do Norte", serve tanto à direita (o autor era monarquista) quanto à esquerda. Sobretudo a esta, que transformou o ódio aos EUA numa espécie de religião e num álibi para o atraso do Brasil em diversas áreas ("a culpa é dos outros" etc.). É, assim, uma espécie de precursor de As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, a bíblia dos idiotas latino-americanos (hoje rebatizados de "bolivarianos").  
- Por Que Me Ufano do Meu País, Conde Afonso Celso (1900) - Pequeno livro fundador do ufanismo nacional (também conhecido como "chupa, mundo!" ou "síndrome-do-comigo-ninguém-pode"), ou seja, a mania megalômana do brasileiro de achar que o Brasil é o melhor país do mundo, com o melhor povo, o melhor clima, os melhores rios, o melhor hino, a bandeira mais bonita etc. etc. É a base para todo tipo de patriotada a que os brasileiros se entregam alegremente de vez em quando, embalados por uma Copa do Mundo ou pelo marketing do governo megalomaníaco de plantão, tanto de direita (o regime militar) quanto de esquerda (os governos petistas de Lula-Dilma). Ironicamente, tem epígrafe em inglês (My country, right or wrong - ou seja: "Meu país, certo ou errado", o que, como lembrou Millôr Fernandes, é o mesmo que dizer "minha mãe, sóbria ou bêbada"). O post-scriptum poderia ser a frase de Samuel Johnson: "O nacionalismo é o último refúgio do canalha".
 

- Brasil, Colônia de Banqueiros, Gustavo Barroso (1934) - Leitura obrigatória nas escolas militares durante muitos anos, é uma verdadeira síntese do pensamento reacionário nacionalista muito em voga no Brasil nos anos 30, culpando uma "conspiração dos banqueiros internacionais" pelos problemas do país (seu subtítulo é "História dos empréstimos brasileiros de 1824 a 1934"). O autor, historiador renomado, era, além de dirigente e ideólogo da Ação Integralista Brasileira (a versão cabocla do fascismo), conhecido antissemita, chegando a traduzir do francês Os Protocolos dos Sábios de Sião, livro que não fica muito longe, em matéria de propaganda antijudaica e conspiracionista. Mais uma prova de que o nacionalismo rombudo e irracional é comum aos dois extremos ideológicos.
 
 
- O Cavaleiro da Esperança, Jorge Amado (1942) - Hagiografia do caudilho comunista Luiz Carlos Prestes escrita pelo autor de Tieta e de Gabriela na época em que militava no Partido Comunista (o velho PCB). Jorge Amado chegou a ser eleito deputado federal pelo "Partidão" em 1945. Nessa época, escrevia coisas sob encomenda, como tarefa ditada pela direção do partido, que o via como um bom relações-públicas. Somente despertaria do delírio totalitário e largaria a canoa furada do comunismo depois de 1956, com a revelação dos crimes de Stálin por Krushev. Antes, escreveu essa sua contribuição à criação do culto da personalidade de Prestes, o frustrado (e extremamente incompetente) Stálin tupiniquim.
 
 
- Geografia da Fome, Josué de Castro  (1946) - Não é exatamente um livro ruim (traz algumas informações importantes sobre um tema que era até então pouco estudado), mas merece estar na lista pelo uso que dele fizeram os esquerdistas, sobretudo o PT, que o transformou numa espécie de justificativa intelectual para programas inócuos e demagógicos como o finado "Fome Zero" (alguém lembra?) e o "Bolsa-Família", o maior programa de compra de votos do mundo. O autor, funcionário da ONU, entrou para o panteão de heróis da esquerda não tanto pelo que escreveu (poucos leram seus livros, como o clássico Geopolítica da Fome), mas por ter proporcionado um tema a ser explorado por demagogos e populistas de plantão. De qualquer modo, o assunto está um tanto quanto desatualizado: no Brasil de hoje, o maior problema dos pobres não é a fome, mas a obesidade - culpa, em parte, do agronegócio, tão demonizado pela esquerda. 
 

- O Mundo da Paz, Jorge Amado (1951) - Livro tão ruim que o próprio autor mandou retirar de sua lista de obras completas, por pura vergonha de tê-lo escrito. Seguindo a trilha do "realismo socialista", presente em sua biografia de Prestes e em sua trilogia stalinista Os Subterrâneos da Liberdade (1954), o baiano comete aqui um dos elogios mais grotescos e acríticos das ditaduras comunistas do Leste Europeu, a começar pela ex-URSS e por seu então líder, o ditador Josef Stálin, que o autor enaltece como o "guia, mestre e pai", o "maior gênio da humanidade" etc. Por coisas como essa, Jorge Amado, que se desfiliaria poucos anos depois do PCB, foi galardoado com o prestigiadíssimo (para os comunistas) "Prêmio Stálin"... Sem comentários.


- O Mundo do Socialismo, Caio Prado Junior (1962) - Assim como O Mundo da Paz, trata-se de um elogio desbragado e idiota das ditaduras comunistas (sobretudo URSS e China), que o autor, um dos principais ideólogos comunistas brasileiros, via como exemplos não somente de eficiência técnica e justiça social, mas também de democracia (!!!). Explicitamente panfletário, assim como seu URSS: Um Novo Mundo (1934), chega ao ponto de transcrever trechos de resoluções de congressos do Partido Comunista da União Soviética, a fim de provar que a terra do Gulag e do KGB era o paraíso na Terra...  Um modelo de propaganda ideológica e de desonestidade intelectual que seria seguido por bajuladores de ditaduras comunistas como a de Cuba.


- A Revolução Brasileira, Caio Prado Junior (1966) - Considerada uma das obras mais importantes do autor, comunista oriundo de tradicionalíssima família da elite paulista, até hoje é debatida nos círculos de esquerda. Causou furor em seu tempo, pois contrariava a tese então dominante no PCB, da existência de "restos feudais" no Brasil que deveriam ser varridos por uma revolução em duas etapas, "democrático-burguesa" etc., defendendo, em vez disso, que o Brasil já era capitalista. Por incrível que pareça, foi preciso um comunista escrever um livro para que a esquerda brasileira descobrisse esse fato óbvio.


- Minimanual do Guerrilheiro Urbano, Carlos Mariguella (1969) - Como o nome indica, trata-se de um "minimanual", escrito de forma pedagógica e de afogadilho pelo ex-deputado comunista e líder terrorista sobre as melhores técnicas para matar, emboscar, sequestrar, assaltar bancos etc. Adotado por grupos terroristas internacionais como as Brigadas Vermelhas italianas e o Baader-Meinhof alemão-ocidental (e também por bandidos comuns), virou uma espécie de obra "cult" entre os círculos radicaloides de extrema esquerda nos anos 70, mais como um símbolo do que pelos ensinamentos nele contidos, totalmente irreais (Mariguella acreditava que o guerrilheiro deveria ser um super-homem, por exemplo: deveria saber pilotar aviões, conhecer criptografia etc.). O próprio autor provou a inocuidade de suas ideias, ao ser morto numa emboscada policial em São Paulo - uma morte previsível para quem defendia a emboscada como método de luta política. 

  
- Dependência e Desenvolvimento na América Latina, Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto (1969) - Seus detratores petistas não gostam de lembrar, mas o "neoliberal" FHC sempre foi um intelectual de esquerda. Nesse livro, considerado sua magnus opus, o sociólogo defende aquela que seria uma das principais taras ideológicas da esquerda latino-americana na segunda metade do século XX: a chamada "teoria da dependência", de matriz leninista, segundo a qual a pobreza de um país é determinada pela "exploração imperialista" e pelas "perdas internacionais", como se o comércio entre países fosse um jogo de soma zero. Justifica em cada linha o conselho atribuído a FHC quando na Presidência da República: "esqueçam o que escrevi". É o único livro escrito por autor brasileiro (em co-autoria com o sociólogo chileno Enzo Faletto) que consta da lista de "Os Dez Livros que mais Comoveram o Perfeito Idiota Latino-Americano".


- Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire (1974) - Obra que marcou gerações de professores e estudantes no Brasil, é a Bíblia dos pedagogos brasileiros. Basicamente, é um panfleto de auto-ajuda marxista embalado numa linguagem de sistema pedagógico, introduzindo conceitos como "luta de classes", "revolução" e "classe operária" na sala de aula. Seu "método" de alfabetização de adultos baseado em Marx foi adotado pelo sistema de educação brasileiro nas últimas cinco décadas. Não surpreende, portanto, que não se conheça, até hoje, o nome de nenhuma pessoa que foi alfabetizada por seu "método" revolucionário. Tampouco surpreende que o Brasil esteja em penúltimo lugar no ranking mundial de educação.  Mesmo assim, o autor foi endeusado até o limite do possível, tendo sido escolhido postumamente, em 2012, o "patrono da pedagogia nacional" pelo governo petista de Dilma Rousseff. Faz sentido. 
 

- A Ilha, Fernando Morais (1976) - Reportagem que, se teve o mérito de romper o isolamento informativo sobre Cuba, vigente no Brasil desde 1964, serviu para divulgar a lenda da ilha comunista como um paraíso dos trabalhadores. O autor ficou rico escrevendo (favoralmente) sobre o comunismo, como em Olga (1985), o que lhe rendeu, além de uma gorda conta bancária, um mandato de deputado pelo PMDB de Orestes Quércia, um dos políticos mais corruptos do Brasil em todos os tempos. Atualmente, é lulista e amigo do peito de José Dirceu e companhia. 

 
- Da Guerrilha ao Socialismo: a Revolução Cubana, Florestan Fernandes (1979) - Série de apostilas transformadas em livro por um dos maiores ideólogos esquerdistas do Brasil, considerado "o pai da sociologia brasileira". Ajudou a consolidar o mito do regime castrista humanista e democrático, que prende, tortura e mata, mas o faz em nome da humanidade.

 
- Genocídio Americano: a Guerra do Paraguai, Julio José Chiavenato (1979) - Obra que pretendeu ser uma "denúncia" da Guerra do Paraguai (1864-1870), a qual mostra como um massacre ("genocídio") em que Brasil, Argentina e Uruguai, seguindo ordens do imperialismo da Inglaterra, destruíram o Paraguai, que teria pago em sangue por ser um país supostamente próspero e independente. Tal mito, divulgado pela esquerda durante décadas, foi totalmente desmentido por pesquisas posteriores. Desde então, está desmoralizado como obra histórica séria. 
 
 
Igreja: Carisma e Poder, Leonardo Boff (1984) - Livro que, inspirado na radicalização à esquerda de parte do clero na América Latina depois do Concílio Vaticano II (1962-65), é uma das referências da autoproclamada "teologia da libertação", tentativa herética oportunista de infiltrar o marxismo na Igreja Católica que teve bastante influência nos anos 70 e 80, principalmente no campo. Leonardo Boff, um de seus principais ideólogos, foi condenado em boa hora ao silêncio obsequioso pelo Papa João Paulo II em 1985 e, vendo que não poderia transformar o Vaticano numa Comunidade Eclesial de Base (CEB), num sindicato ou numa filial do PT, desligou-se da Igreja, trocando-a por Fidel Castro. Continua assessorando os dirigentes petistas, tendo-se reinventado, desde então, como autor de livros de auto-ajuda e guru ecológico. 

 
- Brasil: Nunca Mais, Arquidiocese de São Paulo (1985) - Embora importante como registro histórico e denúncia das violações dos direitos humanos pela ditadura militar, peca por não se referir, em nenhum momento, aos crimes da esquerda armada. Serviu, assim, como uma luva para os propósitos revanchistas dos que querem reescrever a História às custas dos cofres públicos.
 

- Fidel e a Religião, Frei Betto (1985) - Monólogo em forma de entrevista do ditador mais amado da esquerda brasileira, por um dos expoentes da "teologia da libertação", um frei dominicano que se autointitula "irmão em Cristo e em Castro" (sic). Um monumento à sabujice e à devoção sem limites a tiranos assassinos.


- Convite à Filosofia, de Marilena Chauí (1994) - Livro didático que, assim como O Que é ideologia?, da mesma autora, deseducou uma geração inteira de estudantes brasileiros do ensino médio. É uma espécie de bê-á-bá do pensamento marxista disfarçado de manual filosófico. A autora, verdadeira musa intelectual do PT, já chegou a dizer que, quando Lula fala, o mundo se ilumina. Em compensação, odeia a classe média.
 

- O Povo Brasileiro, Darcy Ribeiro (1995) - Último livro de Darcy Ribeiro, antropólogo que começou no PCB, foi ministro da Casa Civil de João Goulart e ficou famoso pela criação da UnB e por sua associação com o caudilho Leonel Brizola nos anos 80, quando defendia a beleza e funcionalidade das favelas, "a verdadeira habitação brasileira". Síntese das teorias populistas do "socialismo moreno" brizolista, parte da ideia de que o Brasil, devido a características raciais únicas, seria uma "nova civilização", superior a todas as outras (sobretudo aos EUA, dos quais o autor negava qualquer contribuição cultural significativa). Uma das fontes da "cultura da periferia" que hoje infesta as rádios e tevês do país. 
 
 
- Formação do Império Americano, Moniz Bandeira (2005) - Versão antiamericana da formação dos EUA, por um expoente do antiamericanismo verde-amarelo. Descreve a ascensão do Gigante do Norte como uma marcha ininterrupta de saque e guerras por um vilão da política internacional, e os demais países, como vítimas passivas do "imperialismo ianque". Basta citar que coloca no mesmo patamar o presidente Franklin Roosevelt e o ditador Adolf Hitler. Precisa dizer mais? (P.S.: Virou leitura obrigatória no Itamaraty.)
 
Menções honrosas:


- Lula, o Filho do Brasil, Denise Paraná (2003) - Hagiografia do ex-sindicalista e principal beneficiário do Mensalão. Uma ode ao operário filho de uma mulher que nasceu analfabeta. Virou filme, o fracasso mais caro já feito no Brasil. Assim como o governo do personagem em questão, o mais corrupto da História do Brasil.
 

- A Vida quer é Coragem, de Ricardo Batista Amaral (2011) - Na trilha do Chefe, o Poste também ganhou uma biografia elogiosa. Metade relato dos anos de "formação política" como militante de organizações terroristas nos "anos de chumbo" da ditadura militar, metade narrativa da campanha presidencial de 2010, tenta vender a ideia da "presidenta" ultra-preparada e competente, que doou generosamente a juventude pela luta "por um Brasil melhor" etc. O título é uma pérola de ironia involuntária.
 

- Os Últimos Soldados da Guerra Fria, Fernando Morais (2011) - Elogio da deduragem em forma de thriller político. Veja aqui: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.gr/search?q=elogio+da+deduragem
 

- Todos os de Emir Sader: Infelizmente não foi possível selecionar nenhuma obra desse autor. Qualquer livro dele merece constar de qualquer lista de piores, no Brasil ou alhures.

quarta-feira, agosto 28, 2013

ESCRAVOS DE JALECO

 
Que me perdoem as almas ingênuas e os iludidos vocacionais - os militontos não merecem perdão, e sim chibata no lombo pra aprenderem a ser gente -, mas é preciso ser muito cínico ou idiota para acreditar que a decisão de importar médicos estrangeiros, particularmente cubanos, vai trazer algum benefício concreto para a calamitosa situação da saúde no Brasil. Muito pelo contrário. Pelos seguintes motivos:

1) Não faltam médicos no Brasil: faltam meios. Os trabalhadores importados vão trazer com eles gaze, seringas, esparadrapo, mertiolate etc? Ou seja: o material que geralmente falta nos hospitais públicos brasileiros, tanto no interior quanto nas grandes cidades. Vão trazer? Se não, podem dar meia volta;

2) Segundo o acordo assinado com o governo de Cuba, os médicos estarão sujeitos a um regime de trabalho semi-escravo, no qual estarão obrigados a entregar a quase totalidade dos salários - pagos pelo governo brasileiro - à ditadura dos irmãos Castro. Além disso, ficarão impedidos de se movimentar livremente no país, com documentos retidos e suas famílias feitas reféns em Cuba. Também não poderão pedir asilo - o que é uma clara violação de todas as normas internacionais de direitos humanos;

3) Escravizados e impedidos de escaparem da tirania, os médicos cubanos serão dispensados do Revalida, o que, além de ser algo ilegal (a lei brasileira exige o exame para a prática da medicina), coloca em dúvida a qualificação profissional desses trabalhadores. Vale lembrar que o tão alardeado alto padrão de qualidade da saúde cubana é na verdade um mito criado pelo regime castrista (quando ficou doente, o próprio Fidel Castro foi se tratar na Espanha...);

4) Além dos mais de 400 milhões de reais anuais que serão gastos com salários (que irão sustentar uma ditadura falida, é bom lembrar), pagos pelo governo federal, as prefeituras serão obrigadas a bancar os custos de moradia e alimentação - mais um gasto duvidoso do dinheiro público (que poderia estar sendo aplicado, por exemplo, na construção de hospitais);

5) O governo dos petistas teve 11 anos para atuar na área e fazer os investimentos necessários, e agora vem com a conversa de querer resolver problemas estruturais de décadas com "medidas de emergência"?! A quem eles querem enganar?

Enfim, trata-se de uma grande (e cara!) enganação, mais uma pilantragem dos petralhas. Uma medida demagógica, feita para desviar a atenção da opinião pública, com objetivos eleitoreiros (o ministro da saúde, Alexandre Padilha, é candidato ao governo de SP no ano que vem), e, de quebra, achar um bode expiatório (os médicos brasileiros, transformados em "vilões" que só pensam em dinheiro e não aceitariam "sacrificar-se pelo povo" etc.). Com o agravante de visar a sustentar a ditadura cubana, a mais antiga do Ocidente, a qual transformou a exportação de "médicos" em um grande negócio, com os Castro como os maiores beneficiados. É um acinte à dignidade humana, além de uma ofensa à inteligência e ao bom senso. Faz tanto sentido quanto importar professores da Síria, ou advogados da Coreia do Norte. E você paga a conta.

P.S.: Cadê as manifestações de protesto?

terça-feira, julho 30, 2013

PROTESTOS, ONTEM E HOJE - EM IMAGENS

A evolução da consciência política do brasileiro no decorrer dos anos...
 
 
Brasil, 1968
 
 
 
Brasil, 1984
 
 
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Brasil, 2013



Pois é. O "gigante acordou".
 

quarta-feira, julho 24, 2013

UMA MODESTA PROPOSTA PARA MUDAR O BRASIL



 
A onda de protestos que varreu o Brasil em junho foi vista com perplexidade pelo governo lulodilmista e saudada otimisticamente como o despertar de um "novo Brasil" por muitos analistas. Como já escrevi aqui, tenho motivos para ser cético em relação a esse "novo Brasil" que se está alardeando por aí. Isso porque, entre outras coisas, não vi um foco nos protestos, uma liderança capaz de dar um rumo claro e direcionar a indignação represada durante 11 anos de mandarinato petista para além do oba-oba e do eventual vandalismo.  As manifestações, sem comando e sem objetivos claros, perderam-se numa barafunda de reivindicações as mais difusas e até mesmo estapafúrdias (a começar pelo tal “passe livre”, na verdade uma desculpa de grupelhos de extrema-esquerda e de mentes pré-púberes para brincar de “revolução”), sem Norte e sem conteúdo. Como numa tragédia de Shakespeare, tudo pareceu resumir-se a um espetáculo de som e fúria, significando nada.
 
Apesar de todo o barulho, não se tocou, até agora, no essencial, limitando-se os protestos a palavras de ordem vagas e abstratas, que convidam ao sequestro das manifestações pelo próprio governo e pelos partidos esquerdistas. 
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Um exemplo: quase ninguém se deu conta de que o slogan mais repetido nas manifestações – "mais saúde, mais educação" –, pode significar mais gastança, mais desperdício do dinheiro público, assim como nas obras da Copa. Não por acaso, a maior manifestação popular da História dos EUA ocorreu em 2011 CONTRA a proposta do governo Obama de universalizar o sistema de saúde pública. Mais escolas e mais hospitais (e mais médicos, como quer o governo) significa mais gastos, o que quase sempre quer dizer mais impostos – e mais corrupção. Mas ninguém parece ter percebido isso.
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Outro exemplo: o desencanto com os "partidos" e os "políticos" em geral, sem dar nomes aos bois (quase não se viram cartazes de "Fora Dilma" ou "Lula na cadeia") e "contra tudo isso que está aí". Os brasileiros que foram às ruas manifestaram-se contra todos os partidos, deixando claro que nenhum deles lhes representa. Mas do quê – ou melhor: de quais partidos e políticos – estavam falando exatamente? O que os representa?
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Para tentar colocar alguma ordem nesse caos e nessa confusão mental – que parece ser mesmo a característica principal do País de Macunaíma –, apresento a seguir uma agenda política que, asseguro, se for aplicada vai transformar radicalmente o cenário nacional. Eis minha modesta proposta para mudar o Brasil.
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Trata-se do seguinte. Um partido, ou movimento - o nome pouco importa -, que defenda os seguintes pontos:
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- Livre Mercado – Ou seja: livre iniciativa e meritocracia, e não o "capitalismo de Estado" dos companheiros no poder, o capitalismo estatal ou semi-estatal dos Eikes Batistas financiado pelo BNDES e pela Petrobrás.  Isso que dizer lutar pelo fim dos monopólios, estatais ou de empresas queridinhas do governo, e pela livre concorrência. Em outras palavras: trata-se de implantar, no Brasil, aquilo que se implantou nos EUA e na Inglaterra há uns duzentos anos, e que ainda não deu as caras na terra do patrimonialismo e dos bolsas-famílias: o capitalismo.
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- Redução do Estado – Condição essencial para que exista capitalismo é limitar o papel do Estado ao mínimo indispensável, a fim de não prejudicar a atividade econômica e proporcionar serviços públicos de qualidade onde a ação governamental é imprescindível (segurança, justiça e defesa, por exemplo). Isso passa, necessariamente, pela redução dos impostos e pela utilização mais racional do dinheiro público. Máquina inchada, apadrinhamento, ineficiência e corrupção caminham juntos, como qualquer brasileiro sabe muito bem. (Aí estão 39 ministérios para ilustrar esse fato.)
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- Defesa do Estado de Direito Democrático – Parece óbvio (e é!), mas qualquer partido ou movimento que se preze deve ter na defesa das liberdades democráticas  - de expressão, de crença, de reunião, de imprensa – parte inseparável de seu programa. Isso significa defender o mais possível a não-intervenção do Estado na vida privada do cidadão, a defesa das liberdades individuais contra o Leviatã estatal.
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- Política externa não-ideológica – Embora não seja um assunto popular no Brasil, a diplomacia deve coadunar-se com os princípios acima, distanciando-se da agenda bolivariana e antiamericana que hoje domina o Itamaraty, ditada pelo Foro de São Paulo (o maior tabu político da América Latina nos últimos 23 anos).   
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Aí está. Acredito que ninguém poderá chamar os pontos acima de radicais, ou dizer que eles pecam pela ambição desmedida. Pelo contrário: trata-se  de um programa básico, o mínimo necessário para se construir uma alternativa democrática e liberal aos partidos existentes no País. E, mesmo assim, trata-se de algo absolutamente inédito no Brasil.
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É incrível, mas nenhum – nenhum! – partido político atualmente existente no Brasil pauta sua agenda pelos princípios acima. Há partidos de todos os tipos e para todos os gostos – de esquerda, de ultra-esquerda, fisiológicos, dinheiristas etc. –, mas nenhum, pelo que sei, define-se abertamente como conservador ou liberal, portanto de direita. Esta continua a ser um anátema, enquanto ser de esquerda (ou seja: a favor de ditaduras como a de Cuba, por exemplo) é visto geralmente como algo bom e positivo. Não por acaso, as eleições no Brasil já viraram um samba de uma nota só, com todos falando a mesma linguagem esquerdista ou de Miss, defendendo "mais saúde", "mais educação", "pela vida" (alguém é contra?) etc.
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(A propósito, caro leitor: que país civilizado e democrático não possui pelo menos um partido de direita solidamente estruturado? Que nação democrática possui apenas partidos pertencentes a um lado do espectro ideológico? Poderia responder?)  
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Não me surpreende que a maioria da população brasileira, que é honesta, paga impostos e não quer viver mamando nas tetas do Estado-babá, não se reconheça em nenhum partido existente. É que nenhum deles realmente a representa. E não há nada no horizonte para preencher esse vazio. Daí o povo não saber ao certo contra o quê ou quem protesta.
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Quer mudar o Brasil? Que tal pensar no que está aí em cima, para começar?

quarta-feira, julho 10, 2013

A DIREITA PERMITIDA


por Olavo de Carvalho                                
          
        
O controle sobre o uso do vocabulário público é um dos instrumentos mais eficientes e mais perversos do arsenal criado pela estratégia de Antonio Gramsci para o estabelecimento da hegemonia – o domínio hipnótico das consciências – e a subseqüente tomada do poder pela esquerda revolucionária.

Quando você ouvir dizer que "Direita e esquerda são noções ultrapassadas", repare bem e notará que em geral a frase vem da boca de algum senhor satisfeito e de unhas polidas, que corresponde esquematicamente àquilo que no imaginário comunista constitui um "burguês". Ela é, com efeito, um lugar-comum da "direita". Pelo menos um esquerdista contumaz diria que o é -- e eu não hesitaria em lhe dar razão, com a ressalva de que aí não se trata da direita em geral, da direita essencial que se encarnou historicamente em Edmund Burke, em Disraeli, em Aléxis de Tocqueville, em T. S. Eliot ou em João Camilo de Oliveira Torres, mas de uma direita muito específica, localizada e até peculiar: a direita brasileira de hoje, constituída inteiramente de senhores satisfeitos e de unhas polidas, cuja única preocupação na vida, além de absorver rios de dinheiro para engordar e dispender rios de dinheiro para emagrecer, é precisamente não se preocupar com nada.
 
Além de poder ser facilmente identificado pela mencionada palavra-de-passe, o membro dessa facção ideológica assinala-se também por autodenominar-se "centro", um termo cuja exatidão se pode aferir matematicamente pela equidistância do seu umbigo a qualquer ponto da majestosa circunferência abdominal que delimita, por assim dizer, a sua substância espiritual.
 
Se, munido desses dois indícios, o leitor ainda tiver alguma dificuldade para distinguir o tipo, há um terceiro critério, que não falha: o componente desse partido notabiliza-se pela absoluta inexistência, no seu ser consciente, de qualquer conflito entre a tranquilidade soberana com que ele nos assegura que o comunismo morreu e a solicitude temerosa com que busca aplacar as exigências do falecido mediante polpudos cheques para projetos educacionais de doutrinação esquerdista, para a campanha do PT, para prêmios culturais dados aos ídolos da esquerda.
 
Visto da esquerda, esse é o direitista ideal, o direitista que os comunistas pediram – ou pediriam, se fossem crentes -- a Deus. Além de alimentar com sua conta bancária os empreendimentos da revolução em marcha e protegê-los sob o manto de invisibilidade das almas do outro mundo, ele ainda consente em oferecer sua própria pessoa como máximo exemplo comprobatório do argumento comunista, desempenhando de bom grado o papel do gorducho fominha, a imagem didática do burguês enfatuado, egoísta e interesseiro, que o doutrinador marxista pode, com a certeza do fácil sucesso oratório, exibir a boquiabertos militantes como protótipo do inimigo odioso e desprezível a ser varrido da face da terra pela revolução salvadora.
 
Outra vantagem indiscutível que a rotunda presença desse personagem na ala direita do palco oferece aos ocupantes da ala contrária é que, uma vez identificado o seu perfil com o da direita enquanto tal, qualquer direitista um pouco diferente dele que se apresente, por exemplo, um direitista honrado, cheio de idéias, que prefira antes defender valores morais do que representar alegremente o papel do palhaço da história, acabará parecendo um tipo estranho, não terá como ser catalogado e facilmente será expelido para o domínio do anormal, do inaceitável, do absurdo. Não havendo nome específico para isso no vocabulário corrente, o jeito será apelar à ampliação quantitativa e carimbá-lo: "Extrema-direita". Hoje em dia, com efeito, basta você dizer qualquer coisa que saia dos lugares-comuns da direita gorda sonsa, basta você fazer qualquer crítica mais séria ao discurso dominante – basta você dizer, por exemplo, que ser "gay" não é tão valioso quanto ser santo --, e pronto: todos respondem que você é o Le Pen em pessoa, se não Benito Mussolini ou Adolf Hitler. Não estou caricaturando: estou descrevendo coisas que se passam todos os dias nos jornais e nas universidades.
 
Eis então a direita reduzida à opção entre fazer o papel de bode expiatório ou ser chamada de fascista, de nazista, de virtual assassina de negros, índios e judeus (embora ela esteja repleta de judeus, negros e descendentes de índios). Como ninguém quer fazer esse papel vexaminoso, todos se apressam em vestir seu uniforme de gorduchos fominhas e a sair repetindo pelas ruas: "Sou de centro! Sou de centro!"
 
Aí a esquerda deixa você existir: o gorducho, afinal, está aí apenas para ser roubado, cuspido e ainda acusado de corrupção. Qualquer direita que não caiba nesse modelo é nazismo.
 
O próprio termo "direita" foi tão criminalizado, que hoje um brasileiro, viajando pela Europa, se surpreende ante a tranqüilidade com que um Paul Johnson, um Roger Scruton se apresentam como direitistas e na platéia ninguém tem chilique, nem os confunde com Le Pen. Sim, na Europa a direita se mostra e não é considerada pornográfica. No Brasil, quando ela aparece, as mães cobrem os olhos de seus filhos.
 
O controle sobre o uso do vocabulário público é um dos instrumentos mais eficientes e mais perversos do arsenal criado pela estratégia de Antonio Gramsci para o estabelecimento da hegemonia – o domínio hipnótico das consciências – e a subseqüente tomada do poder pela esquerda revolucionária.
 
Uma direita inerme e caricatural que não ousa dizer seu nome, uma direita incapaz de escolher seu próprio destino, uma direita condenada a desempenhar os papéis ora ridículos ora odiosos que seus inimigos lhe designaram, é o produto mais típico da hegemonia esquerdista triunfante.
 
Publicado no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, em de julho de 2000.

sábado, julho 06, 2013

NOTAS SOBRE UMA "REVOLUÇÃO" IMAGINÁRIA (6)

 
Não acharam ainda o caminho. Mas valeu pela imagem.
 
 
Eu não sei o que admirar mais no governo (rá!) de Dilma Duchefe: o impressionante crescimento do PIB, a independência que demonstra em relação a seu criador, seus discursos sempre tão coerentes e feitos em um Português impecável ou a eficientíssima coordenação entre ela e os demais membros do governo (rará!). A ideia do plebiscito-que-foi-não-foi-mas-acabou-sendo é uma prova insofismável de que o atual governo (??!!) é mesmo a cara dela. Pena que incompetência não se resolve com penteado e botox...
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Conforme esperado, o tal plebiscito proposto por Dilma, Mercadante “et caterva” foi pro saco. E agora, o que o governo do Poste Sem Luz vai propor para tentar desviar a atenção dos brasileiros? Eis algumas sugestões:
 
- Convocar um plebiscito sobre a mudança do nome do País para "Bananalândia" ou "República Cumpanhêra (sic) do Brasil".
 
- Outro plebiscito para decidir o que fazer com os estádios/elefantes brancos superfaturados depois da Copa.
 
- Promover uma campanha para que Lula seja eleito para a Academia Brasileira de Letras.
 
- Convidar 6 mil especialistas em direitos humanos de Cuba e da Coréia do Norte.
 
- Realizar um referendo sobre o “controle social da mídia”.
 
- Criar uma Comissão da Verdade para investigar por que quem se gaba de ter resistido à tortura fugiu de uma vaia no Maracanã.
 
- Colocar a PF para tentar descobrir o paradeiro de Lula da Silva.
 
- Encomendar um estudo acadêmico, encabeçado por Emir Sader e Marilena Chauí, sobre o por quê do silêncio ensurdecedor do Apedeuta.
 
- Solicitar a Paulo Henrique Amorim, à TV do “Bispo” e ao pessoal da Carta Capital uma série de artigos e reportagens enaltecendo as conquistas do governo, como a ressurreição política de Collor e Maluf e a classe média de 500 reais, e “denunciando” os protestos como uma conspiração das elites e da mídia.
 
- Pedir ao povo para fazer uma vaquinha para ajudar o Eike Batista, com assessoria do vidente Guido Mantega e do BNDES.
 
- Um referendo para decidir sobre o "passe livre" nos aviões da FAB para parlamentares e seus parentes assistirem aos jogos da seleção.
 
- Conclamar os blogueiros progressistas pagos com dinheiro estatal para inundar as redes sociais com mensagens de louvor ao PT e ao Bolsa-Família e falando mal do FHC.
 
- Chamar o pessoal do MPL, da UNE, da CUT e do movimento LGBT para gritar "abaixo a cura gay" e "Fora Feliciano".
 
- Mudar o corte de cabelo.
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Do blog de Reinaldo Azevedo, que os esquerdinhas adoram odiar: "O governo está mais perdido do que cachorro caído de mudança no meio de um protesto contra… tudo isso que está aí!" Disse tudo!
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E o "passe livre" chegou aos avioes da FAB. Que o digam Henrique Alves e Renan Calheiros...
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Bastaram alguns dias de protesto para que o presidente do Egito, Mohammed Mursi, virasse suco. Já no Brasil, há mais de três semanas o povo sai às ruas e… nada. Por que a diferença? Tenho um palpite: é que, no Egito, a palavra de ordem era "Fora Mursi"; já em Banânia é "Por um Brasil melhor"... Fui muito sutil?
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Deixa eu ver se entendi...
 
- Em um movimento sem precedentes na História, milhões saem às ruas e páram o Brasil, protestando contra a corrupcão, os gastos na Copa, por melhores transportes públicos, mais saúde, mais educação, mais segurança etc.;
 
- Em vez de ouvir esses anseios, o governo de Dilma Duchefe propõe um plebiscito sobre "reforma política" que não estava na pauta de reivindicações, que ninguém entende e que, além de inviável, é claramente INCONSTITUCIONAL (ou seja: tem cara, jeito e cheiro de GOLPE);
 
- O que estão esperando para pedir o IMPEACHMENT? ...
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“Art. 3o Nas questões de relevância nacional, de competência do Poder Legislativo ou do Poder Executivo, e no caso do § 3o do art. 18 da Constituição Federal, o plebiscito e o referendo são convocados mediante decreto legislativo, por proposta de um terço, no mínimo, dos membros que compõem qualquer das Casas do Congresso Nacional, de conformidade com esta Lei.” - Lei 9.709/98.
 
Alguma dúvida de que a proposta de dona Dilma de convocar um plebiscito é GOLPE?
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As últimas três semanas me deram mais motivos para assinar embaixo da frase:
 
- O único "movimento de massas" que me interessa é o de uma panela de macarrão. (Gustavo Bezerra)