quinta-feira, novembro 15, 2012

DE GAYS, CABRAS E ASNOS


Causou furor esta semana um artigo de J.R. Guzzo publicado na revista VEJA, tão acusada de "reacionarismo" pela turma que adora dizer que não a lê (mas se enche de raiva e indignação mesmo assim, vai entender...). O pessoal da esquerda-caviar, defensora do "controle social da mídia" (o que não incluiria, certamente, os telejornais da Record e a chapa-branca Carta Capital), e em particular os defensores da chamada "causa gay", rodaram a baiana e ameaçaram fazer um grande auto-de-fé com o articulista por causa do texto "Parada gay, cabra e espinafre".
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Pois bem. Eu estava quase achando graça nas piadas com referências a cabras e à VEJA que vi no Facebook e em outras redes sociais quando, ao clicar em um link, deparei-me com um artigo do ex-BBB e deputado federal (não necessariamente nesta ordem) Jean Wyllys (PSOL-RJ). Ao lê-lo, ficou claro para mim que grande parte da raiva dos gays e cia. com o artigo de Guzzo decorreu do fato de que simplesmente se abstiveram de ler o mencionado artigo ou, se o leram, não entenderam patavina, ou não quiseram entender, o que não me surpreenderia. E me deu vontade de aplaudir o texto de Guzzo.
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Antes, porém, de começar a análise do que seria a réplica do deputado-celebridade, devo começar afirmando que uma das coisas mais funestas hoje em dia - tão funesta quanto as tentativas dos petistas de justificar ou negar o mensalão, por exemplo - é a politização (ou, melhor dizendo: a ideologização) da vida privada. O que se faz entre quatro paredes, desde que não envolva menores de idade, violência não-consensual ou animais, deveria ficar entre quatro paredes, é o que diz o bom senso. Trata-se de assunto que é, ou deveria ser, estritamente privado, pertencente unicamente à esfera particular, e não política. Pelo mesmo motivo, é absurdo querer que preferências sexuais sejam fonte de direitos ou deveres. Acho que isso é mais ou menos óbvio para qualquer pessoa civilizada, não?
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Mas vamos ao texto de Jean Wyllys. Logo no início, lê-se uma clara demonstração de intolerância por parte de um autoproclamado paladino da tolerância, quando este, dizendo haver prometido não responder à coluna do ex-diretor de redação da VEJA "para não ampliar a voz dos imbecis", afirma que o texto deste "trata sobre [sic] o relacionamento dele com uma cabra e sua rejeição ao espinafre, e usa esses exemplos de sua vida pessoal como desculpa para injuriar os homossexuais", sendo, assim, um "monumento à ignorância, ao mau gosto e ao preconceito". Fecha aspas.
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Quem quer que tenha passado os olhos sobre o artigo de Guzzo  (a íntegra vai ao final deste texto) não terá dificuldade em perceber que Jean Wyllys torce o sentido do artigo para fazer um ataque pessoal ao colunista, de baixo nível e - ironicamente - de péssimo gosto. Ao usar os pronomes "dele" e "sua", bem como a expressão "de sua vida pessoal" (de J.R.Guzzo), Jean Wyllys insinua - pior: afirma taxativamente - que o colunista teria tido um "relacionamento" com um espécime caprino. Pode-se ver no trecho destacado acima uma clara ofensa pessoal, que pode ser interpretada como injúria, crime passível de punição pelo Código Penal.
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Em seguida, Jean Wyllys, tomado de furor semântico (o policiamento da linguagem é outra característica desse pessoal), envereda por uma discussão meio acadêmica sobre os termos "homossexualismo" e "estilo de vida gay", que seriam, segundo ele, equivocados, sendo o correto falar em "homossexualidade" (homossexualismo traduziria uma tendência ideológica ou política). Não seria, tampouco, uma opção, pois "ninguém escolhe ser homo, hétero ou bi"  e "a orientação sexual é constitutiva da subjetividade de cada um/a e que esta não muda (Gosta-se de homem ou de mulher desde sempre e se continua gostando)" etc.
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Deixando de lado a questão de qual seria o termo correto segundo Jean Wyllys, o "movimento" LGBT, a ONU ou a ABNT, acho estranho esse ponto, porque são os gays os primeiros a se reivindicarem de um "movimento" (o próprio Jean Wyllys é um representante desse "movimento", como não cansa de dizer). E movimento, seja qual for, não existe sem uma ideologia que o alimente e impulsione, sem um "ismo". Fala-se em feminismo, por exemplo, e ninguém parece se indignar com a expressão. No caso aqui analisado, há claramente uma ideologia, o homossexualismo. Ou, melhor dizendo, o gayzismo, apologista da opção (ou do estilo de vida, sei lá eu) gay ou LGBT.
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Quanto a ser ou não uma opção, há registros de gays que, voluntariamente, decidiram tornar-se héteros (e vice-versa). Há alguns dias, inclusive, chamou a atenção o caso de um adolescente na Grã-Bretanha que, arrependido de ter feito uma operação de mudança de sexo, queria reverter - inutilmente, pelo visto - a cirurgia para voltar a ser menino... E assim como há libélulas que decidem, voluntariamente, deixar de ser gays há machões que, um belo e florido dia, resolvem sair do armário (os militantes gays, aliás, adoram citar casos assim, e os exibem como se fossem troféus). Longe de mim querer competir com autoridades no assunto como o deputado Jean Wyllys, mas fatos são fatos, não?
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Enfim, se o gayzismo não existe, e não é uma ideologia, uma opção de vida ou de pensamento da qual se pode fazer proselitismo, o que seria, então? Talvez o nobre deputado Jean Wyllys tenha a resposta.
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Jean Wyllys prossegue, dizendo que "esse deslize lógico só não é mais constrangedor do que sua [de J.R. Guzzo] afirmação de que não se pode falar em comunidade gay e que o movimento gay não existe porque os homossexuais são distintos. E o movimento negro? E o movimento de mulheres? Todos os negros e todas as mulheres são iguais, fabricados em série?"
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Ao que parece, para o senhor Jean Wyllys, negros e mulheres podem não ser fabricados em série, mas gays, sim. A associação do "movimento gay" com outros movimentos é um truque retórico e um primor de desonestidade. Faz parte do discurso da vitimização gayzista, que pinta os gays como uma minoria oprimida ou à beira da extinção violenta (já chego lá). Mas tudo bem, empreguemos o raciocínio do ilustre deputado. Sim, o mesmo vale para os demais movimentos. E isso porque, como falar em "movimentos" ou "comunidades" baseadas em raça ou em sexo se todos são, na verdade, INDIVÍDUOS?
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Pelo visto é isso - a existência do indivíduo, em toda a sua complexidade - o que mais incomoda o distinto legislador. Ele não vê os gays como seres individuais, com interesses e opiniões políticas diversas (inclusive, anti-gayzistas, pois nem todos os gays pactuam do credo LGBT), mas como membros de um "coletivo", uma "comunidade". Para ele, é inconcebível que haja homossexuais que não sejam militantes, que preferem, em vez de agitar bandeiras, simplesmente ser deixados em paz para viver suas vidas da maneira que escolherem (a maioria, creio). Com isso, ele parece esquecer do elemento fundamental constitutivo da subjetividade humana, preferindo enquadrá-la num rótulo, o do "movimento gay". Também pudera: afinal, ele foi eleito com essa bandeira e essa agenda política. Sem isso, sem essa "causa", ele simplesmente não existe. (A propósito: há uma comunidade ou um movimento heterossexual?) É isso que o colunista da VEJA certamente quis dizer quando escreveu que "A tendência [dos militantes gays] a olharem para si mesmos como uma classe à parte, na verdade, vai na direção exatamente contrária à sua principal aspiração – a de serem cidadãos idênticos a todos os demais."
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Jean Wyllys diz não negar que a "comunidade LGBT" seja composta de indivíduos que são diferentes entre si etc., mas acaba sempre voltando ao ponto de partida: os membros dessa "comunidade" partilhariam "um sentimento de pertencer a um grupo cuja base de identificação é ser vítima da injúria, da difamação e da negação de direitos!" (com ponto de exclamação e tudo). Muito bem. Se a base de identificação da tal "comunidade LGBT" é "ser vítima de injúria, difamação e negação de direitos", então estamos diante de um critério que se caracteriza pela extrema elasticidade. Todos os seres humanos, sejam gays, héteros, brancos, negros, índios ou torcedores do Íbis Futebol Clube, podem dizer que já foram, um dia, vítimas de injúria e difamação e que tiveram algum direito seu negado (por exemplo, um branco que foi barrado no desfile do bloco de carnaval "só para negros" Ilê-Ayê da Bahia, ou um torcedor do Vasco que não pôde assistir a um jogo de seu time junto à torcida adversária). São apenas alguns exemplos. Qualquer pessoa poderia se dizer pertencente a essa imensa comunidade, que seria a mais numerosa do mundo. E, a partir daí, "agir politicamente em nome do coletivo", como diz Jean Wyllys. Mas que coletivo? Mais uma vez: ser gay ou lésbica é fazer parte de um coletivo? Mas isso não é - deveria ser, pelo menos - um assunto privado, de cunho pessoal?
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Tamanha é a vontade de Jean Wyllys de ser o porta-voz de uma "comunidade" que só existe em sua ideologia estapafúrdia que ele chega a comparar o "movimento gay" com o movimento negro, o qual, assim como aquele, estaria baseado no "sentimento de pertença" - no caso, "preconceitos a serem derrubados, injustiças e violências específicas contra as quais lutar e direitos a conquistar".  Sem querer entrar na questão de que falar em "movimento negro" no Brasil é uma construção ideológica (aí está o absurdo sistema racista de cotas para demonstrar), e que o conceito de "raça", biologicamente, é uma falácia (quem tem raça é cachorro, como escreveu João Ubaldo Ribeiro), pode-se dizer que igualar tais movimentos é uma ofensa à razão. Igualar "raça" à homossexualidade (ou heterossexualidade) como critério de existência de um "movimento" baseado no "sentimento de pertença" é algo bizarro, que beira o grotesco. Então basta que alguém se "sinta" negro ou gay para pertencer, automaticamente, ao "movimento" negro ou gay? Pode-se falar em "comunidade de sentimentos"? É algo romântico, sem dúvida, mas isso dá (ou retira) direitos a alguém?
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Claro que o senhor Jean Wyllys, como político-artista (ou artista-político) que é, se esquiva dessas questões. E chega ao clímax da sonsice no seguinte trecho: "A luta do movimento LGBT pelo casamento civil igualitário é semelhante à que os negros tiveram que travar nos EUA para derrubar a interdição do casamento interracial, proibido até meados do século XX." Não lhe passa pela cabecinha que comparar o "casamento gay" (ou, em sua linguagem de palanque, "casamento civil igualitário") com a luta anti-racista pelo casamento interracial é um atentado ao bom senso. Primeiro, porque a proibição do casamento interracial, assim como o próprio apartheid, sendo o conceito de "raça" uma invenção ideológica, foi derrubada por ser absurda em termos políticos, sociais e biológicos. Não há homens e mulheres "brancos" ou "negros", mas, simplesmente, homens e mulheres. Que relação existe entre essa conquista (e outras, como o voto feminino) e o "casamento gay"? Nenhuma, claro
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O deputado gayzista diz ainda: "Afirma o colunista de Veja que nós os e as homossexuais queremos “ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos”, e pouco depois ele coloca como exemplo a luta pelo casamento civil igualitário. Ora, quando nós, gays e lésbicas, lutamos pelo direito ao casamento civil, o que estamos reclamando é, justamente, não sermos mais tratados como uma categoria diferente de cidadãos, mas igual aos outros cidadãos e cidadãs, com os mesmos direitos, nem mais nem menos. É tão simples!
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Não, senhor Jean Wyllys, não é tão simples. E digo por quê.
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Primeiro, a criação de uma figura jurídica chamada "casamento civil igualitário" entre dois homens ou duas mulheres não se inscreve no rol daquilo que se poderia chamar de "direitos iguais". Simplesmente porque direitos iguais (como o de herança, por exemplo), já são assegurados pela lei brasileira a casais do mesmo sexo, como explica J.R.Guzzo no texto. Sem falar que o direito ao casamento, mesmo para os héteros, está longe de ser um direito ilimitado: não se pode casar, por exemplo, com menores de idade sem o consentimento dos pais, ou com mais de uma pessoa (bigamia é crime no Brasil), ou com uma irmã, ou com a própria mãe, como também afirma Guzzo.  E essa é, goste-se ou não, a forma como a família está estruturada em nossa sociedade. Cabe ao Estado reconhecer e proteger isso, e não impor à sociedade uma forma de organização familiar, qualquer que seja esta. A lei não pode (nem deve) ser modificada para satisfazer a agenda política de um "movimento", ainda mais um cujo critério de existência é tão subjetivo. Foi isso que J.R. Guzzo quis dizer ao citar o exemplo da cabra, que tão indignados deixou os militantes gayzistas e seus simpatizantes.
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Mas o mais importante: ao negar o fato de que os militantes gays querem ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, com mais direitos do que os demais, Jean Wyllys, coerente com seu papel de militante político, falta com a verdade. Basta ver o exemplo, também citado por Guzzo e ignorado por Jean Wyllys, da criminalização da chamada "homofobia". O que seria isso? Jean Wyllys não esclarece. E DUVIDO que ele venha dar uma definição precisa e acima de qualquer dúvida. Apesar disso, como lembra Guzzo em seu texto - e Jean Wyllys não refuta esse ponto - qualquer artigo de imprensa que critique o "movimento gay" será imediatamente tachado de "homofóbico" (o próprio artigo de VEJA é uma prova de que isso é verdade). E isso mesmo sem lei nenhuma que defina o que seria a tal "homofobia"...    
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O máximo de argumentação a que chega o deputado Jean Wyllys é o parágrafo seguinte: "Guzzo também argumenta que “se alguém diz que não gosta de gays, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de homossexuais, ou de espinafre, ou de seja lá o que for”. Bom, nós, os gays e lésbicas, somos como o espinafre ou como as cabras. Esse é o nível do debate que a Veja propõe aos seus leitores." Jean Wyllys não quer ser comparado a uma cabra ou a um espinafre. Está no seu direito ao pensar assim. Mas incorre em sério atentado à lógica e ao bom senso ao distorcer o que diz um texto para fugir às questões por ele colocadas. A questão é: pode-se obrigar alguém, por lei, a gostar de gays, ou de cabras, ou de espinafres? 
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O próprio Jean Wyllys, tentando responder essa pergunta, acaba caindo numa contradição: "Não, senhor Guzzo, a lei não pode obrigar ninguém a “gostar” de gays, lésbicas, negros, judeus, nordestinos, travestis, imigrantes ou cristãos. E ninguém propõe que essa obrigação exista."  Mais uma vez: será mesmo, senhor Jean Wyllys? Tem certeza? E a criminalização da "homofobia", não é um passo - um passo enorme, aliás - no sentido de impor essa obrigação?
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E, mais adiante: "Pode-se gostar ou não gostar de quem quiser na sua intimidade (De cabra, inclusive, caro Guzzo, por mais estranho que seu gosto me pareça!). Mas não se pode injuriar, ofender, agredir, exercer violência, privar de direitos." Só se pode injuriar um colunista de revista insinuando que ele teria um gosto caprofílico... E de que agressão, violência e privação de direitos se está falando? Cito Guzzo: "Não há um único delito contra homossexuais que já não seja punido pela legislação penal existente hoje no Brasil". Pode-se dizer que isso é falso? Que agressão, física ou verbal, a um homossexual não está prevista e criminalizada nas leis já existentes? Aliás, que agressão, fisica ou verbal, não é punida pela legislação atual, que protege indistintamente TODOS OS CIDADÃOS, independentemente de cor, sexo, religião etc.? (Mas, para as "lideranças" LGBT como o deputado Jean Wyllys, isso não é suficiente...).
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Mas o ápice da desonestidade Jean Wyllys deixou para o final. Ao se referir à frequente alegação de um "holocausto" gay no Brasil, J.R. Guzzo lembrou números irrefutáveis (entre 250 e 300 homossexuais assassinados em 2010, em um universo de 50.000 homicídios por ano) para demonstrar o que é obvio: que o problema não é a violência contra os gays, mas a violência contra todos. Aí vem Jean Wyllys e diz o seguinte: "O que Guzzo não diz, de propósito (porque se trata de enganar os incautos), é que esses 300 homossexuais foram assassinados por sua orientação sexual!" E completa, não se esquecendo de acrescentar o ponto de exclamação: As estatísticas se referem aos LGBTs assassinados exclusivamente por conta de sua orientação sexual e/ou identidade de gênero!"  E aproveita para comparar a violência contra os gays com a violência racista etc. etc.
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Repetindo: foram 250-300 mortos em um ano. Digamos que todos tenham sido assassinados "por sua orientação sexual" (ou seja: porque eram gays). Ainda assim, entre 50 mil homicídios, trata-se de um número irrisório, menos de 0,001% do total. Mas vou além, e pergunto ao deputado Jean Wyllys (e a quem se dispuser a responder): quantos, destes 250-300 mortos, foram realmente vítimas de crimes de ódio, ou seja, mortos por gente que odeia gays, simplesmente por serem gays? Quantos desses crimes não foram praticados também por gays? (Por exemplo: o michê que mata o cliente ou vice-versa, brigas entre casais homossexuais etc.) Acredito que crimes assim acontecem, não? Quem tem essa estatística?
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Ninguém, claro. A afirmação de Jean Wyllys é mais uma tentativa de reforçar a impostura do "holocausto" homossexual no país que tem a maior parada gay do mundo. Ele irá sempre tentar distorcer números e estatísticas, tentando "adaptá-las" à sua teoria fabricada a priori. Como todo militante, se os fatos contrariam sua ideologia, pior para os fatos. E ele jamais vai admitir o óbvio: que não somos homofóbicos.  
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No final de seu mal-costurado libelo, Jean Wyllys pergunta: "Qual seria a reação de todas e todos nós se Veja tivesse publicado uma coluna em que comparasse negros e negras com cabras e judeus com espinafre?" Não sei. Mas imagino como seria se fosse aprovada uma lei dando a um grupo de indivíduos mais direitos do que ao restante dos cidadãos, com base unicamente em um "sentimento de pertença" vagamente definido, e isso a pretexto da "igualdade". Haveria, no mínimo, uma revolução contra essa tentativa de golpe contra a democracia.  
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Qualquer um que já ouviu o discurso de um porta-voz da causa gayzista provavelmente percebeu que se trata de pessoas ultra-sensíveis que, em sua maioria, vêem a si mesmas como paladinos de uma causa progressista, representantes de uma categoria à parte e especial da sociedade, a quem se deveria não garantir direitos comuns aos demais cidadãos - tais direitos já existem -, mas, na verdade, impor à sociedade uma visão de mundo, que pode ser chamada de ideológica. No caso, uma visão que se baseia tão-somente no que as pessoas fazem debaixo dos lençóis. E que, pela incapacidade de reconhecer o "outro" e de aceitar o pensamento discordante, em quase nada difere de outros movimentos de cunho totalitário, como os comunistas e os fascistas. Não por acaso, tal causa foi adotada por partidos de extrema-esquerda como o PSOL do deputado Jean Wyllys. Para quem acredita que socialismo e liberdade são compatíveis, impor as falácias gayzistas como ideologia oficial é café pequeno.
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Quem crê ser tal coisa possível não deveria ser comparado a uma cabra. Se é para ficarmos nas comparações zoológicas, há outro tipo de animal que se encaixa melhor no perfil. Dica: tem quatro patas, orelhas grandes e zurra.
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A seguir, o texto que deu origem à toda a celeuma.

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Parada gay, cabra e espinafre

por J.R. Guzzo

Já deveria ter ficado para trás no Brasil a época em que ser homossexual era um problema. Não é mais o problema que era. com certeza, mas a verdade é que todo o esforço feito há anos para reduzir o homossexualismo a sua verdadeira natureza – uma questão estritamente pessoal – não vem tendo o sucesso esperado. Na vida política, e só para ficar num caso recente, a rejeição ao homossexualismo pela maioria do eleitorado continua sendo considerada um valor decisivo nas campanhas eleitorais. Ainda agora, na eleição municipal de São Paulo, houve muito ruído em torno do infeliz “kit gay” que o Ministério da Educação inventou e logo desinventou, tempos atrás, para sugerir aos estudantes que a atração afetiva por pessoas do mesmo sexo é a coisa mais natural do mundo. Não deu certo, no caso, porque o ex-ministro Fernando Haddad, o homem associado ao “kit”, acabou ganhando – assim como não tinha dado certo na eleição * anterior, quando a candidata Marta Suplicy (curiosamente, uma das campeãs da “causa gay” no país) fez insinuações agressivas quanto à masculinidade do seu adversário Gilberto Kassab e foi derrotada por ele. Mas aí é que está: apesar de sua aparente ineficácia como caça-votos, dizer que alguém é gay, ou apenas pró-gay. ainda é uma “acusação”. Pode equivaler a um insulto grave – e provocar uma denúncia por injúria, crime previsto no artigo 140 do Código Penal Brasileiro. Nos cultos religiosos, o homossexualismo continua sendo denunciado como infração gravíssima. Para a maioria das famílias brasileiras, ter filhos ou filhas gay é um desastre – não do tamanho que já foi, mas um drama do mesmo jeito.

Por que o empenho para eliminar a antipatia social em torno do homossexualismo rateia tanto assim? O mais provável é que esteja sendo aplicada aqui a Lei das Consequências Indesejadas, segundo a qual ações feitas em busca de um determinado objetivo podem produzir resultados que ninguém queria obter, nem imaginava que pudessem ser obtidos. É a velha história do Projeto Apollo. Foi feito para levar o homem à Lua; acabou levando à descoberta da frigideira Tefal. A Lei das Consequências Indesejadas pode ser do bem ou do mal. É do bem quando os tais resultados que ninguém esperava são coisas boas. como aconteceu no Projeto Apollo: o objetivo de colocar o homem na Lua foi alcançado – e ainda rendeu uma bela frigideira, além de conduzir a um monte de outras invenções provavelmente mais úteis que a própria viagem até lá. É do mal quando os efeitos não previstos são o contrário daquilo que se pretendia obter. No caso das atuais cruzadas em favor do estilo de vida gay, parece estar acontecendo mais o mal do que o bem. Em vez de gerar a paz, todo esse movimento ajuda a manter viva a animosidade: divide, quando deveria unir. O kit gay, por exemplo, pretendia ser um convite à harmonia – mas acabou ficando com toda a cara de ser um incentivo ao homossexualismo, e só gerou reprovação. O fato é que, de tanto insistirem que os homossexuais devem ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos, ou como uma espécie ameaçada, a ser protegida por uma coleção cada vez maior de leis. os patronos da causa gay tropeçam frequentemente na lógica- e se afastam, com isso. do seu objetivo central.

O primeiro problema sério quando se fala em “comunidade gay”é que a “comunidade gay” não existe – e também não existem, em consequência, o “movimento gay” ou suas “lideranças”. Como o restante da humanidade, os homossexuais, antes de qualquer outra coisa, são indivíduos. Têm opiniões, valores e personalidades diferentes. Adotam posições opostas em política, religião ou questões éticas. Votam em candidatos que se opõem. Podem ser a favor ou contra a pena de morte, as pesquisas com células-tronco ou a legalização do suicídio assistido. Aprovam ou desaprovam greves, o voto obrigatório ou o novo Código Florestal – e por aí se vai. Então por que, sendo tão distintos entre si próprios, deveriam ser tratados como um bloco só? Na verdade, a única coisa que têm em comum são suas preferências sexuais – mas isso não é suficiente para transformá-los num conjunto isolado na sociedade, da mesma forma como não vem ao caso falar em “comunidade heterossexual” para agrupar os indivíduos que preferem se unir a pessoas do sexo oposto. A tendência a olharem para si mesmos como uma classe à parte, na verdade, vai na direção exatamente contrária à sua principal aspiração – a de serem cidadãos idênticos a todos os demais.

Outra tentativa de considerar os gays como um grupo de pessoas especiais é a postura de seus porta-vozes quanto ao problema da violência. Imaginam-se mais vitimados pelo crime do que o resto da população; já se ouviu falar em “holocausto” para descrever a sua situação. Pelos últimos números disponíveis, entre 250 e 300 homossexuais foram assassinados em 2010 no Brasil. Mas. num país onde se cometem 50 000 homicídios por ano, parece claro que o problema não é a violência contra os gays; é a violência contra todos. Os homossexuais são vítimas de arrastões em prédios de apartamentos, sofrem sequestros-relâmpago, são assaltados nas ruas e podem ser monos com um tiro na cabeça se fizerem o gesto errado na hora do assalto – exatamente como ocorre a cada dia com os heterossexuais; o drama real, para todos, está no fato de viverem no Brasil. E as agressões gratuitas praticadas contra gays? Não há o menor sinal de que a imensa maioria da população aprove, e muito menos cometa, esses crimes; são fruto exclusivo da ação de delinquentes, não da sociedade brasileira.

Não há proveito algum para os homossexuais, igualmente, na facilidade cada vez maior com que se utiliza a palavra “homofobia”; em vez de significar apenas a raiva maligna diante do homossexualismo, como deveria, passou a designar com frequência tudo o que não agrada a entidades ou militantes da “causa gay”. Ainda no mês de junho, na última Parada Gay de São Paulo, os organizadores disseram que “4 milhões” de pessoas tinham participado da marcha – já o instituto de pesquisas Datafolha, utilizando técnicas específicas para esse tipo de medição, apurou que o comparecimento real foi de 270000 manifestantes, e que apenas 65000 fizeram o percurso do começo ao fim. A Folha de S.Paulo, que publicou a informação, foi chamada de “homofóbica”. Alegou-se que o número verdadeiro não poderia ter sido divulgado, para não “estimular o preconceito”- mas com isso só se estimula a mentira. Qualquer artigo na imprensa que critique o homossexualismo é considerado “homofóbico”; insiste-se que sua publicação não deve ser protegida pela liberdade de expressão, pois “pregar o ódio é crime”. Mas se alguém diz que não gosta de gays, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei. afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de homossexuais, ou de espinafre, ou de seja lá o que for. Na verdade, não obriga ninguém a gostar de ninguém; apenas exige que todos respeitem os direitos de todos.

Há mais prejuízo que lucro, também, nas campanhas contra preconceitos imaginários e por direitos duvidosos. Homossexuais se consideram discriminados, por exemplo, por não poder doar sangue. Mas a doação de sangue não é um direito ilimitado – também são proibidas de doar pessoas com mais de 65 anos ou que tenham uma história clínica de diabetes, hepatite ou cardiopatias. O mesmo acontece em relação ao casamento, um direito que tem limites muito claros. O primeiro deles é que o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa. Pessoas do mesmo sexo podem viver livremente como casais, pelo tempo e nas condições que quiserem. Podem apresentar-se na sociedade como casados, celebrar bodas em público e manter uma vida matrimonial. Mas a sua ligação não é um casamento – não gera filhos, nem uma família, nem laços de parentesco. Há outros limites, bem óbvios. Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar. Não pode se casar com a própria mãe. ou com uma irmã. filha, ou neta, e vice-versa. Não poder se casar com uma menor de 16 anos sem autorização dos pais. e se fizer sexo com uma menor de 14 anos estará cometendo um crime. Ninguém, nem os gays, acha que qualquer proibição dessas é um preconceito. Que discriminação haveria contra eles. então, se o casamento tem restrições para todos? Argumenta-se que o casamento gay serviria para garantir direitos de herança – mas não parece claro como poderiam ser criadas garantias que já existem. Homossexuais podem perfeitamente doar em testamento 50% dos seus bens a quem quiserem. Tem de respeitar a “legítima”", que assegura a outra metade aos herdeiros naturais – mas essa obrigação é exatamente a mesma para qualquer cidadão brasileiro. Se não tiverem herdeiros protegidos pela “legítima”, poderão doar livremente 100% de seu patrimônio – ao parceiro, à Santa Casa de Misericórdia ou à Igreja do Evangelho Quadrangular. E daí?

A mais nociva de todas essas exigências, porém, é o esforço para transformar a “homofobia” em crime, conforme se discute atualmente no Congresso. Não há um único delito contra homossexuais que já não seja punido pela legislação penal existente hoje no Brasil. Como a invenção de um novo crime poderia aumentar a segurança dos gays, num país onde 90% dos homicídios nem sequer chegam a ser julgados? A “criminalização da homofobia”é uma postura primitiva do ponto de vista jurídico, aleijada na lógica e impossível de ser executada na prática. Um crime, antes de mais nada. tem de ser “tipificado” – ou seja, tem de ser descrito de forma absolutamente clara. Não existe “mais ou menos” no direito penal; ou se diz precisamente o que é um crime, ou não há crime. O artigo 121 do Código Penal, para citar um caso clássico, diz o que é um homicídio: “Matar alguém”. Como seria possível fazer algo parecido com a homofobia? Os principais defensores da “criminalização” já admitiram, por sinal, que pregar contra o homossexualismo nas igrejas não seria crime, para não baterem de frente com o princípio da liberdade religiosa. Dizem, apenas, que o delito estaria na promoção do “ódio”. Mas o que seria essa “”promoção”? E como descrever em lei, claramente, um sentimento como o ódio?

Os gays já percorreram um imenso caminho para se libertar da selvageria com que foram tratados durante séculos e obter, enfim, os mesmos direitos dos demais cidadãos. Na iluminadíssima Inglaterra de 1895, o escritor Oscar Wilde purgou dois anos de trabalhos forçados por ser homossexual; sua vida e sua carreira foram destruídas. Na França de 1963, o cantor e compositor Charles Trenet foi condenado a um ano de prisão, pelo mesmo motivo. Nada lhe valeu ser um dos maiores nomes da música popular francesa, autor de mais de 1 000 canções, muitas delas obras imortais como Douce France – uma espécie de segundo hino nacional de seu país. Wilde, Trenet e tantos outros foram homens de sorte – antes, na Europa do Renascimento, da cultura e da civilização, homossexuais iam direto para as fogueiras da Santa Madre Igreja. Essas barbaridades não foram eliminadas com paradas gay ou projetos de lei contra a homofobia, e sim pelo avanço natural das sociedades no caminho da liberdade. É por conta desse progresso que os homossexuais não precisam mais levar uma vida de terror, escondendo sua identidade para conseguir trabalho, prover o seu sustento e escapar às formas mais brutais de chantagem, discriminação e agressão. É por isso que se tomou possível aos gays, no Brasil e no mundo de hoje, realizar o que para muitos é a maior e mais legítima ambição: a de serem julgados por seus méritos individuais, seja qual for a atividade que exerçam, e não por suas opções em matéria de sexo.

Perder o essencial de vista, e iludir-se com o secundário, raramente é uma boa ideia.

quinta-feira, novembro 08, 2012

QUEBRANDO O ENCANTO: RESPONDENDO A UM DEVOTO OBAMISTA

E ainda há quem acredite...
Ai, ai...
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Estava demorando para algum devoto da seita obamista vir aqui defender seu ídolo. Um tal de “Zek”, que ao que parece descobriu no blog a razão de sua vida, voltou a escrever. Ele ficou mordido com meu texto "Bye-Bye, Obama", em que digo que, independentemente de quem saísse vitorioso nas urnas nos EUA na última terça-feira, o mito Obama, o Obama demiurgo e reformador do mundo, tinha virado água. Ele, como bom obamista, não entendeu o que eu disse. E fez questão de comentar sobre o que eu não escrevi.

Obamistas, assim como seus congêneres nacionais, os lulopetistas, são criaturas estranhas, que parecem brigar o tempo todo com os fatos para manter intacto seu objeto de devoção. Nada contra as pessoas tietarem quem quer que seja. Mas bem que poderiam fazê-lo sem ofender a inteligência. Não é o caso do leitor. Vamos lá, vamos tentar trazer mais um botocudo para o lado da civilização (ele em vermelho):

Me diga uma coisa Gustavo como é que em um país racista como os EUA, onde há assumidamente grupos neonazistas e onde um garoto negro foi morto recentemente na Florida confundido com um criminoso apenas por ser negro, um presidente poderia ter sido eleito por ser negro ? a meu ver não faz o menor sentido.

Meu caro, e desde quando o racismo é somente branco? Há o racismo branco como há o racismo negro, o racismo índio, o racismo japonês, o racismo cor-de-rosa com bolinhas azuis... Principalmente o racismo dos que se dizem anti-racistas, e desejam, a pretexto de combater o racismo, dividir a sociedade em… raças, instituindo um tribunal de pureza racial (sim, estou falando das cotas, esse fetiche dos que enxergam tudo em duas cores). A vitória de Obama em 2008 (e agora, em menor escala, sua reeleição) foi uma vitoria do racismo. Por que digo isso? Obviamente não foi porque os neonazistas ou a Ku Klux Klan votaram no negão Obama, mas exatamente pelo contrário: porque a chantagem do "primeiro presidente negro (ou afro-americano)" falou mais alto nas duas ocasiões. Os negros são 13% da população dos EUA. Logo, não foi o "voto negro" ou "latino" que fez a diferença. Foi o da maioria da população americana, que é branca, protestante e come no MacDonald's, e que se deixou levar por essa conversa mole RACISTA (“não vota no Obama? então é racista” etc. etc.). Já escrevi sobre essa imensa empulhação, há quatro anos: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.gr/2008/11/vitria-do-racismo.html

(A propósito: o garoto-negro-morto-recentemente-na-Flórida-apenas-por-ser-negro foi morto por um vigia chicano depois que este foi atacado por aquele. A história parece ser bem mais complicada do que diz a propaganda racista-obamista.)

Barack Obama era professor de Harvard, tem dois livros publicados e foi senador pelo estado do Havaí, você quer me dizer que nada disso significa nada para você ?

Sim, significa que ele foi professor de Harvard, tem dois livros publicados e foi senador pelo Havaí... E daí? Para nada disso é preciso ser um natural born citizen, um cidadão nato norte-americano. Arnold Schwarzenegger nasceu na Áustria e foi governador da Califórnia, assim como Henry Kissinger e Madeleine Albright foram secretários de Estado e nasceram, respectivamente, na Alemanha e na ex-Tchecoslováquia. Mas se quiserem se candidatar a presidente dos EUA, serão legalmente impedidos. Fora ter sido professor, escritor e senador, o que mais credencia Obama para o cargo de presidente do maior país do planeta? Aliás, o que o credencia para o papel de novo Messias? (Novamente ouço uma voz soprando no meu ouvido: "a cor da pele, a cor da pele"...)

A era Bush a meu ver trouxe incontáveis malefícios aos EUA e ao mundo, a guerra que ele sequer terminou no Iraque, deixou o país em frangalhos sem sequer iniciar a reconstrução.

OK, e quatro anos depois, tudo que Obama tem a mostrar é a continuação – na realidade, a intensificação – da "guerra ao terror" e a retirada das tropas do Iraque. Ou seja: ao que Bush começou, ele está dando prosseguimento. Por que tanto oba-oba então? Quanto à economia, se o Bush fez um estrago nessa área, Obama tem se mostrado um seguidor aplicado, pois os níveis de desemprego nos EUA só aumentaram. Não surpreende que ele tenha ganho por uma margem tão apertada no voto popular (menos de 51%).

Repetindo: Obama foi eleito e reeleito por ser negro. Como se chama isso? Racismo. Preciso ser mais claro (sem trocadilho…)?

Obama representa a mudança de uma era, a falida era Bush que fez o sentimento de anti-americanismo aumentar no mundo todo.

A única "mudança" significativa trazida pela era Obama, foi, repito, a cor da pele do governante. Sem falar que o antiamericanismo não precisa de nenhum Bush para existir. Com Bush ou sem Bush, com Obama ou sem Obama, o antiamericanismo persiste. Aí está a tal "primavera árabe" para comprovar. Na Líbia, o embaixador norte-americano foi trucidado por uma horda de islamitas antiamericanos raivosos. Culpa do Bush? O Hamas, o Hezbollah e o MST deixaram de ser menos antiamericanos por causa de Obama?

E ainda há essa conversa sem pé nem cabeça do Obama não ser americano, isso depois de ele ter sido senador , e sendo presidente já mostrou a certidão de nascimento, o que querem mais ?

Pois é, essa "conversa sem pé nem cabeça" surgiu nas hostes do próprio Partido Democrata, durante as eleições de 2008, e continua até hoje porque Sua Majestade Barack Hussein Obama não respondeu de forma cabal nenhuma das perguntas feitas sobre sua verdadeira nacionalidade. Sem falar que a "certidão de nascimento" que ele mostrou na Casa Branca (quase quatro anos depois de ser eleito!) prova tanto que ele é um natural born citizen quanto que eu sou um cidadão do Uzbequistão (há dúvidas quanto à autenticidade do documento, sem falar que o conceito de natural born citizen vai além do local de nascimento, pois diz respeito também aos pais). Para encerrar de vez essa controvérsia toda, bastaria Obama aceitar o desafio do Donald Trump e mostrar seus registros de passaporte. Além de calar a boca dos birthers e do Tea Party, ele embolsaria a bolada de 5 milhões de dólares. Por que, em vez disso, está fugindo da raia? Isso sim, algo totalmente sem pé nem cabeça.

A era Obama não acabou, e agora teremos mais quatro anos para provar este fato.

Nem eu disse que acabou. O que chegou ao fim foi o mito, o personagem inventado pela mídia. Claro que sempre haverá quem acredite no personagem. Mas isso não é problema meu; é de quem se deixou levar por essa criação do marketing politicamente correto. Estes estão além do alcance de qualquer argumento.

segunda-feira, novembro 05, 2012

BYE-BYE, OBAMA

Quem quer que seja o vencedor das eleições presidenciais nos EUA este ano, uma coisa é certa: o mito Barack Hussein Obama chegou ao fim. Acabou. Já era. Foi para o saco. Kaput.

Quando surgiu – acredito que todos se lembram – Obama era o Ungido, o Messias, o Redentor da humanidade. Poucas vezes se viu oba-oba maior na História do universo (talvez um certo Apedeuta em um país da América do Sul, mas o culto a este, diferente do de Obama, foi gestado durante décadas). Obama, o presidente histórico, saiu literalmente do nada para partir as águas do Mar Vermelho e levar todos à terra prometida, tanto que decidiram premiar-lhe com o Nobel antes mesmo da posse. Com aquela pose estudada e aquele sorriso de mil dentes, era o presidente sexy dos sonhos de Arnaldo Jabor.

Hoje, quatro anos depois e obrigado a governar sem a ajuda do teleprompter, Obama não passa de uma pálida sombra do que muitos esperavam que ele poderia vir a ser um dia. Ganhando ou perdendo, não importa: sua estrela se apagou.

Primeiro, muitos que votaram entusiasticamente em Obama em 2008 acreditando que ele seria um pacifista – a maioria, arrisco-me a dizer – quebraram a cara: ele não somente aumentou para 30 mil o número dos soldados norte-americanos no Afeganistão, como deu continuidade e até intensificou muitos dos programas do demonizado George W. Bush em sua "guerra ao terror". Diante da dura realidade, rasgou promessas de campanha como o fechamento da prisão de Guantánamo, entre outras coisas. Igualzinho ao Bush. Mas tudo, claro, com dor no coração – afinal ele, Obama, é um "progressista"...

Pior: com Obama, os EUA passaram de potência temida e exportadora de democracia para uma potência envergonhada, que mais segue os fatos do que os determina. Basta ver a reação apalermada de Hillary Clinton ao assassinato do embaixador norte-americano na Líbia há algumas semanas. Com Obama, os EUA só faltam pedir desculpas por serem atacados por fanáticos islamitas. Avanço? Para estes últimos, talvez.

No plano doméstico, a economia continua à espera da recuperação, e políticas como o Obamacare, que, se para os brasileiros parece uma maravilha – infelizmente estamos viciados no Estado-babá assistencialista e paternalista –, geraram a maior manifestação de protesto da História dos EUA, quando mais de 1 milhão de pessoas saiu às ruas de Washington contra o plano de Obama de decidir sobre a saúde do cidadão (mas isso quase não saiu no noticiário). Quanto à crise econômica, além de injetar bilhões de ajuda a montadoras falidas, tudo que Obama fez até agora foi culpar o governo anterior e satanizar o big business, como se viu na campanha contra Mitt Romney, o que certamente deixa muita gente alegre - principalmente os que adorariam ver o fim do capitalismo (e da democracia). 

Isso sem falar nas perguntas ainda sem resposta sobre a biografia do atual ocupante da Casa Branca. Obama demorou quase quatro anos para mostrar um documento que supostamente provaria ser ele cidadão nato norte-americano, portanto legalmente apto a ser eleito para o mais alto cargo da nação. Agora, esnoba a oferta de 5 milhões de dólares do bilionário Donald Trump para apresentar seus registros de passaporte e histórico escolar. O que ele está esperando para calar de vez a boca dos birthers e do Donald Trump, aquele do topete ridículo? Em vez disso, acobertado por uma imprensa condescendente (já vimos esse filme…), fecha-se num silêncio tumular, e faz de conta que não é com ele. É certamente o presidente menos transparente da História dos EUA (e não me refiro, claro, à cor da pele).

Claro que seria exagerado dizer que nada de bom foi alcançado em quatro anos de governo Obama. Em sua presidência, os Navy Seals livraram o mundo de Osama Bin Laden, despachando o terrorista para o inferno de cristãos e muçulmanos. Mas pergunto: teria sido preciso esperar o advento de Santo Obama para isso? O serial killer só foi morto porque a espinha dorsal da Al-Qaeda foi quebrada ao longo de anos de luta, que começou em 2001. Mesmo a tão festejada retirada das tropas ianques do Iraque, por exemplo, só foi possível porque Bush Junior derrubou Saddam em primeiro lugar. O que Obama fez no terreno da segurança que não poderia ter sido feito, e com mais eficiência, por George W. Bush ou por John McCain?

Desde que surgiu pela primeira vez para os holofotes, desconfiei que Obama era mais uma patuscada global, mais uma falsa esperança dos politicamente corretos. Enquanto os botocudos batiam tambor para o demiurgo eu escrevia textos e mais textos dizendo o que ninguém queria ouvir – que Obama foi eleito por causa da cor da pele, e de uma gigantesca operação de marketing, talvez a maior de todos os tempos. Como sempre, eu estava indo na direção contrária à da manada. Ainda bem.

Nada disso, claro, faz qualquer diferença para os obamistas, tanto os de lá quanto os de cá (estes, aliás, são mais numerosos do que nos EUA, segundo as pesquisas). Para os devotos da seita, Obama é como Lula: um fracasso glorioso.

Bye-bye, Obama. No, you cant't.

domingo, novembro 04, 2012

RECORDAR É VIVER

O que vai a seguir é uma seleção de vídeos sobre a maior farsa da História política do Brasil, um cidadão que há quase quatro décadas frequenta o noticiário. Trata-se de uma modesta contribuição minha à preservação da memória nacional. Nela, pretendo lembrar aos brasileiros desmemoriados o que dizia há alguns anos e quem é um estranho personagem que fez sua carreira denegrindo e atacando adversários e se dizendo o único verdadeiro representante do bom, do belo e do justo abaixo da linha do Equador.

Acometidos de estranha amnésia, muitos eleitores parecem ter esquecido completamente de quem se trata. Faço questão, portanto, de lembrar-lhes esse fato, mediante as próprias palavras do personagem. Aquele que Celso Amorim chama de "nosso guia" e que muitos consideram um "gênio".
 
Sobre o bolsa-família:
 

Sobre o Real (e Collor):

Sobre a prisão, em 1980 (ele recebeu uma indenização do Estado por isso):


Sobre o aquecimento global (uma aula de geografia):


Sobre o Mensalão:


Sobre os Sarney:


Sobre si mesmo (ao falar de outros políticos):

sábado, novembro 03, 2012

INSISTÊNCIA NA IMPOSTURA

Navegando pelas redes sociais, descobri que voltou a circular na internet um vídeo mentiroso de 2011 em que um bando de atores globais aparece desfilando lorotas sobre a construção da usina de Belo Monte (PA). Ainda por cima, a chamada diz que "este video em breve será censurado". Balela pura.

A coisa é um besteirol acintoso, que já foi totalmente desmoralizado, mas esse pessoal não desiste. Não resisti à tentação e escrevi um post a respeito quando a coisa saiu na net pela primeira vez (
http://gustavo-livrexpressao.blogspot.gr/2011/12/o-vexame-dos-globais.html). Lá, aproveito para discorrer um pouco sobre a curiosa ideologia dos marcos palmeiras e das claúdias ohanas.

Quem tiver interesse em ver reduzida a pó de traque a performance dos globais, pode ir direto ao vídeo abaixo:

terça-feira, outubro 23, 2012

O DIA EM QUE FIDEL CASTRO QUASE DESTRUIU O MUNDO

Há exatos cinquenta anos, o mundo quase acabou.
 
Quem conhece um pouco de História sabe que não exagero. Em outubro de 1962, as duas superpotências da época, os EUA e a finada URSS, encararam-se na Crise dos Mísseis em Cuba, que por pouco – muito pouco mesmo –, não levou a uma guerra nuclear, o que significaria a destruição de toda a vida no planeta. Foi simplesmente a maior confrontação da história da humanidade.
 
Tudo começou quando o então premiê da extinta URSS, Nikita Krushev, decidiu enviar algumas dezenas de mísseis balísticos nucleares (e, soube-se depois, alguns milhares de tropas) para a ilha de Cuba, situada a apenas 120 quilômetros da Flórida. Seu objetivo era, a pretexto de proteger o regime castrista – que havia rompido com os EUA e sido alvo de uma tentativa fracassada de invasão na Baía dos Porcos, em 1961 –, alterar o equlíbrio nuclear na Guerra Fria, a favor da URSS. A operação, altamente secreta, foi descoberta pelos aviões espiões norte-americanos (os U2), que sobrevoavam a ilha.
 
Seguiram-se treze dias em que a própria sobrevivência da espécie humana esteve por um fio. O então presidente dos EUA, John Kennedy, pressionado para declarar guerra, decidiu instalar uma quarentena militar em volta da ilha. Nos EUA, milhares de pessoas, já esperando o pior, corriam para estocar alimentos em abrigos subterrâneos. Os líderes soviéticos pareciam inflexíveis. Nunca o mundo esteve tão perigosamente próximo do Apocalipse (leiam Um Minuto para a Meia-Noite, de Michael Dobbs, para saberem em detalhes sobre o que estou falando).
 
Felizmente, as mentes racionais, que sempre são minoria, acabaram predominando, e prevaleceu o bom-senso: em um acordo secreto, Krushev concordou em retirar os mísseis de Cuba, em troca da promessa de Kennedy, fielmente cumprida, de que não invadiria a ilha caribenha (de bônus, recebeu a retirada de mísseis obsoletos norte-americanos da Turquia). O mundo respirou aliviado. Provavelmente foi graças à essa decisão que você está agora lendo estas linhas.
 
Momento culminante da Guerra Fria, a Crise dos Mísseis (ou Crise de Outubro) marcou para sempre a História do século XX, inaugurando a política de "détente" (ou contenção) entre Washington e Moscou, que perdurou ate o fim da URSS, em 1991. Paralisadas pelo terror suscitado pela perspectiva de aniquilamento mútuo em uma guerra nuclear, as duas superpotências nunca ousariam enfrentar-se em um confronto direto. Jamais o mundo seria o mesmo desde então.
 
Muito se fala sobre o papel de Kennedy e de Krushev na crise, mas geralmente se deixa em segundo plano um ator fundamental: Fidel Castro.
 
O líder cubano, então um jovem revolucionário de 36 anos, tomara o poder em 1959 à frente de uma revolução popular que empolgara o mundo, prometendo democracia para a ilha. Em poucos meses, mandou as promessas democráticas às favas, transformando-se num ditador. Nesse caminho, aproximou-se dos comunistas, que antes desprezava (e que o desprezavam), tornando-se, numa manobra que desnorteou a muitos, aliado da URSS, instaurando o único regime marxista do Ocidente. Foi a seu convite que Krushev, interessado, em suas próprias palavras, em "colocar uma marmota nas calças de Tio Sam", tomou a decisão mais perigosa de sua vida (e que certamente contribuiu para sua queda, em 1964).
 
Fidel Castro pensava bem diferente de Kennedy e de Krushev. Tanto que, dizem, ao saber da decisão deste último de retirar os mísseis de Cuba, sem o seu consentimento, ficou furioso e quebrou um espelho a pontapés. "Nikita, mariquita, lo que se da no se quita", passou a ser um slogan gritado, nos anos seguntes, por claques amestradas em manifestações de apoio ao regime castrista.
 
Qual foi o papel de Castro na Crise? Até hoje os cubanos, submetidos à mais estrita censura, não sabem, e muitos fora de Cuba, que ainda têm uma imagem romântica do ditador cubano – geralmente os mesmos que consideram Cuba um exemplo de democracia... –, tampouco sabem ou querem saber. Mas o fato é que o líder cubano era abertamente a favor do confronto com os EUA, mesmo que isso resultasse na destruição total de Cuba – e do planeta – em um holocausto nuclear. Fidel Castro, o humanista, não queria a paz. Queria a guerra. Queria o fim do mundo.
 
É o próprio Krushev quem diz. Em sua autobiografia, o dirigente soviético afirma que (os grifos são meus)
 
“Castro sugeriu que a fim de impedir a destruição dos nossos mísseis, nós os usássemos contra os Estados Unidos num golpe preventivo. Achava que um ataque americano era inevitável e que cumpria que nos antecipássemos a ele. Em outras palavras: tínhamos de lançar imediatamente um ataque com mísseis nucleares contra os Estados Unidos. [...] Ficou claro para nós que Fidel Castro não havia entendido os nossos propósitos. (KHRUSHCHEV, Nikita, As fitas da glasnost: memórias de Khrushchev, São Paulo, Siciliano, 1991, p. 224)

Pois é. Muito antes de George W. Bush, Fidel Castro já defendia um "ataque preventivo". E contra os EUA. E com armas nucleares...

Posteriormente, como é de seu feitio, Castro tentou negar que tivesse feito semelhante proposta, cujo resultado inevitável seria a deflagração de uma guerra nuclear de proporções inimagináveis. Em sua primeira visita à URSS, em 1963, Castro encontrou-se com Krushev. Na ocasião, os dois tiveram o seguinte diálogo, narrado por Krushev em suas memórias:
 
[Krushev, dirigindo-se a Fidel] Eu disse a ele: “Você queria iniciar uma guerra com os Estados Unidos. Por quê? Afinal, se uma guerra começasse, nós teríamos sobrevivido, mas Cuba provavelmente não mais existiria. Seria pulverizada. Mas você estava propondo que fizéssemos um ataque preventivo!”
Ele disse: “Não, eu nunca propus isso.”
Eu disse: “Como você pode dizer que nunca o propôs?”
O intérprete falou: “Fidel, Fidel, você me falou pessoalmente sobre isso.”
Fidel novamente insistiu: “Não!”
Então começamos a procurar os documentos. É uma coisa boa que Fidel não tenha feito essa declaração apenas oralmente, mas nos enviou um documento escrito.
O intérprete mostrou-o a ele: “Como você interpreta esta palavra aqui? Não significa guerra? Um ataque nuclear?”. (KHRUSHCHEV, Sergei (ed.), Memoirs of Nikita Khrushchev, v. 3: statesman, 1953-1964, Providence, RI: Watson Institute; The Pennsilvannia State University Press, 2007, p. 348)
 
A memória de Castro realmente era falha. Em mensagem a Krushev, datada de 27 de outubro de 1962, assim ele expressou, de forma dramática, seu descontentamento com a decisão soviética de retirar os mísseis da ilha:
 
“Muitos olhos de homens, cubanos e soviéticos... dispostos a morrer com suprema dignidade, verteram lágrimas ao conhecer a decisão surpreendente, inesperada e praticamente incondicional, de retirar as armas... Nós sabíamos – não presuma que ignorávamos – que haveríamos de ser exterminados, no caso de estalar a guerra termonuclear. Contudo, nem por isso lhe pedimos que cedesse [...] Entendo que não se deve conceder aos agressores o privilégio de decidir, ainda mais quando há de se usar a arma nuclear... E não sugeri ao senhor, camarada Krushov, que a URSS fosse agressora, porque isso seria algo mais que incorreto... imoral e indigno de minha parte, mas que, desde o instante em que o imperialismo atacasse... as forças armadas destinadas à nossa defesa... respondessem com um golpe aniquilador...”. (citado em FURIATI, Claudia, Fidel Castro, uma biografia consentida, tomo II – do subversivo ao estadista, São Paulo: Record, 2002, p. 133)
 
O recentemente falecido historiador marxista inglês Eric Hobsbawn certa vez declarou em entrevista que não se importaria se morressem 15 ou 20 milhões de pessoas se fosse para construir um "amanhã radiante" socialista. O ditador cubano também não via problema algum em exterminar milhões de pessoas, ainda que o resultado disso fosse amanhã nenhum. Cada vez entendo mais por que Hobsbawn era fã de Fidel Castro.

Hoje um ancião decrépito, dedicado a desmentir boatos sobre sua morte, Fidel Castro pouco lembra o ardoroso revolucionário disposto a sacrificar a vida de milhões de seres humanos em uma hecatombe nuclear. Muitos – e isso é o mais surpreendente – ainda o vêem como um símbolo humanista de resistência e líder de um regime vítima de agressão. Mal sabem que, se dependesse daquele velhinho de barbas brancas, sequer estaríamos aqui para contar a história. Se o mundo não é hoje um monte de cinzas, certamente não é por vontade de Fidel.

segunda-feira, outubro 22, 2012

JOAQUIM BARBOSA E O RACISMO PETISTA

Quando Lula nomeou Joaquim Barbosa para ser ministro do STF, o PT acreditava que ele, por ser negro, estaria afirmando as políticas raciais do governo e que seria, ao mesmo tempo, um instrumento dócil a serviço do projeto de poder lulopetista.

Agora que o julgamento do Mensalão mostrou que Joaquim Barbosa, ao contrário do que esperava o PT, é um juiz de verdade, e não um militante, os petistas estão furiosos com ele. Isso porque acreditam que, por o terem "colocado lá", ele lhes deve favores. E o estão cobrindo de insultos e ofensas racistas na internet.

Trocando em miúdos: quando Joaquim Barbosa foi nomeado, era o "primeiro ministro negro do STF". Agora, é o "negro traidor", pois se recusou a fazer o papel de jagunço do lulopetismo.

Conclusão1: Assim como fizeram no Congresso com o Mensalão, os petistas tentaram acabrestar o STF. Desta vez, com a arma racial. Mas quebraram a cara.

Conclusão2: Negro bom, para os petistas, é negro que dá a pata.

Ou seja: além de CORRUPTOS, são RACISTAS.

Sem mais, meritíssimo.
***
Em tempo, que fique claro: Joaquim Barbosa merece meu respeito e meu aplauso. Mas não o vejo como um "herói". Não é herói quem simplesmente cumpre seu dever. E ao mandar os mensaleiros para a cadeia os juízes do STF estáo cumprindo suas funções. Nada mais do que isso.

Essa mania dos brasileiros de aclamar heróis de tempos em tempos, seja na política, seja no esporte, é reveladora de um traço cultural nosso, um certo messianismo, um caudilhismo - e, nesse caso, da fragilidade institucional do país. A frase é verdadeira: triste do país que precisa de heróis.

Além disso, Joaquim Barbosa é merecedor de respeito por seu passado, não porque é negro e "veio de baixo", mas porque soube superar as dificuldades e estudou para ser o que é - ao contrário de um certo Apedeuta, que, ao contrário da lenda, não o fez porque não quis. Mesmo assim, muita gente, branca, negra ou cor-de-rosa, veio da pobreza e delas eu não compraria um carro usado. Origem pobre e cor da pele não são atestados de honestidade. Aliás, não são atestados de nada.

Não gosto de heróis. O Brasil não precisa deles, sejam falsos ou verdadeiros. Só precisa que se cumpra a lei. E de vergonha na cara. Já seria de bom tamanho.

sábado, outubro 13, 2012

HOBSBAWN E A ERA DOS IDIOTAS

Está circulando na internet um troço curioso. Trata-se de um texto-manifesto, assinado por uma certa ANPUH (Associação Nacional de Professores de História), da qual eu, apesar de graduado em História, nunca tinha ouvido falar - e da qual, pelo que segue, orgulho-me de não ser sócio.

É uma resposta (ou deveria ser) ao obituário publicado na revista VEJA do historiador inglês Eric Hobsbawn, falecido no dia 1 de outubro aos 95 anos de idade. Os senhores da tal ANPUH se mostram indignados pelo que consideram um tratamento desrespeitoso dado pela revista ao historiador marxista inglês, uma das vacas sagradas da intelligentisia esquerdista mundial e, por tabela, brasileira - o que significa: um autor obrigatório nas universidades brasileiras, sobretudo para quem não conhece outro autor e acredita que a historiografia marxista é a única existente.

O texto é um típico produto coletivo de mentes que só sabem pensar coletivamente (ou seja: que não sabem pensar). Tanto que seus autores, na ânsia de darem uma "resposta" a quem teve a ousadia de criticar um de seus ídolos (um crime, enfim, de lesa-santidade), parecem esquecer-se de fatos básicos, fundamentais. O que apenas reforça minha convicção de que os esquerdistas são guiados por um misto de cegueira voluntária e amnésia. E por nenhum senso do ridículo.

Fiz questão de transcrever o texto na íntegra. Vai em vermelho. Meus comentários vão em preto.  

ANPUH- RESPOSTA À REVISTA VEJA

09/10/2012

Eric Hobsbawm: um dos maiores intelectuais do século XX

Na última segunda-feira, dia 1 de outubro, faleceu o historiador inglês Eric Hobsbawm. Intelectual marxista, foi responsável por vasta obra a respeito da formação do capitalismo, do nascimento da classe operária, das culturas do mundo contemporâneo, bem como das perspectivas para o pensamento de esquerda no século XXI. Hobsbawm, com uma obra dotada de rigor, criatividade e profundo conhecimento empírico dos temas que tratava, formou gerações de intelectuais.

Não se discute que Hobsbawn foi um historiador de talento, dotado de inteligência. Falo sobre isso depois. Tampouco está em questão sua influência sobre gerações de intelectuais. O debate é outro, como se verá adiante.

Ao lado de E. P. Thompson e Christopher Hill liderou a geração de historiadores marxistas ingleses que superaram o doutrinarismo e a ortodoxia dominantes quando do apogeu do stalinismo.

Nem tanto. Hobsbawn, se procurou distanciar-se do stalinismo, depois da denúncia dos crimes de Stálin feita por Kruschev em 1956, não teve a coragem e a ousadia de abandonar o barco do comunismo nos anos seguintes. Pelo contrário: até intensificou sua militância comunista, recusando-se a criticar abertamente a URSS e justificando os milhões de assassinatos de Stálin, como veremos em seguida. Ele sempre se manteve no campo marxista, dando "apoio crítico" ao Kremlin e considerando os EUA "a maior ameaça à humanidade". Nos últimos tempos, não cansava de elogiar Lula como um exemplo de governante marxista.

Deu voz aos homens e mulheres que sequer sabiam escrever. Que sequer imaginavam que, em suas greves, motins ou mesmo festas que organizavam, estavam a fazer História. Entendeu assim, o cotidiano e as estratégias de vida daqueles milhares que viveram as agruras do desenvolvimento capitalista.

Para começar, a função do historiador, como a de qualquer intelectual, não é "dar voz aos excluídos", ou, como está acima, "aos homens e mulheres que sequer sabiam escrever". Ele pode até fazer isso, mas como militante político, não como um investigador, que deve ter como único compromisso a realidade dos fatos. E a realidade da História é que as "agruras do desenvolvimento do capitalismo", ao contrário do que diz o texto, levaram à melhoria das condições gerais de vida dos trabalhadores em todos os países capitalistas europeus, conforme demonstraram, com dados e números inquestionáveis, estudiosos sérios como Ludwig von Mises (ver o seu As Seis Lições, se quiserem tirar a prova).

Mas Hobsbawm não foi apenas um "acadêmico", no sentido de reduzir sua ação aos limites da sala de aula ou da pesquisa documental. Fiel à tradição do "intelectual" como divulgador de opiniões, desde Émile Zola, Hobsbawm defendeu teses, assinou manifestos e escolheu um lado. Empenhou-se desta forma por um mundo que considerava mais justo, mais democrático e mais humano.

Aqui há uma falsidade disfarçada de verdade biográfica: Hobsbawn foi sim, além de historiador, um militante - ou um "divulgador de opiniões". Mas de maneira nenhuma essas se enquadram numa perspectiva fiel à tradição intelectual de autores como Émile Zola - Hobsbawn era comunista, Zola era um liberal e um democrata, um defensor da tolerância, famoso pela defesa do capitão Dreyfus no final do século XIX. Aliás, Hobsbawn, judeu como Dreyfus, assinou manifestos e participou de passeatas a favor do nacionalismo palestino (na época em que este sequer reconhecia o direito de Israel à existência). Aproximou-se, assim, portanto, muito mais dos detratores antissemitas de Dreyfus do que de Zola e outros paladinos da liberdade de imprensa. Algo, aliás, inexistente na defunta URSS, que Hobsbawn sempre tratou com simpatia em seus livros, como um paradigma daquilo que ele considerava um mundo "justo, democrático e mais humano"... Nada mais longe da verdade.

Claro está que, autor de obra tão diversa, nem sempre se concordará com suas afirmações, suas teses ou perspectivas de futuro. Esse é o desiderato de todo homem formulador de ideias. Como disse Hegel, a importância de um homem deve ser medida pela importância por ele adquirida no tempo em que viveu. E não há duvidas que, eivado de contradições, Hobsbawm é um dos homens mais importantes do século XX.

Deixando de lado o português arrevesado - isso de escrever "desiderato"... -, a frase de Hegel, no contexto em que está colocada, não significa rigorosamente nada: Napoleão, Hitler, Lênin e Stálin foram importantes no tempo em que viveram, e isso não acrescenta ou retira absolutamente nada do significado de suas ações. O que está em questão não é a importância de Hobsbawn - ele foi, sim, um historiador importante -, mas o valor de suas idéias. Ou, melhor dizendo: a moralidade delas.

Eis que, no entanto, a Revista Veja reduz o historiador à condição de "idiota moral" (cf. o texto "A imperdoável cegueira ideológica da Hobsbawm", publicado em www.veja.abril.com.br). Trata-se de um julgamento barato e despropositado a respeito de um dos maiores intelectuais do século XX.

Aqui, finalmente, entramos na questão principal. Vejamos quão "barato" e "despropositado" é o julgamento da revista sobre Hobsbawn.

Veja desconsidera a contradição que é inerente aos homens. E se esquece do compromisso de Hobsbawm com a democracia, inclusive quando da queda dos regimes soviéticos, de sua preocupação com a paz e com o pluralismo.

Pelo menos o texto reconhece que Hobsbawn tinha contradições... Mas somente para, logo em seguida, incorrer na maior das contradições, ao afirmar que o marxista Hobsbawn tinha uma compromisso com a democracia (!). Ora, de que democracia os autores do manifesto estão falando? Se é das "democracias populares" do Leste Europeu ou da ex-URSS, então acertaram em cheio. Mas não da democracia liberal, da democracia tal qual a conhecemos, com alternância de poder, eleições livres e liberdade de associação e de expressão, a qual Hobsbawn, como todo bom marxista, dedicava um desprezo solene, tachando-a de "burguesa". E isso mesmo após a queda dos regimes soviéticos, ao contrário do que está dito acima. Preocupação com a paz e com o pluralismo? Qual pluralismo existia na finada URSS? Existe tal coisa na moribunda ditadura cubana (que Hobsbawn admirava)? Uma coisa é a contradição que é inerente a todos os homens. Outra, é a idiotice moral de justificar a morte de milhões de seres humanos em nome do que quer que seja. 

A Associação Nacional de História (ANPUH-Brasil) repudia veementemente o tratamento desrespeitoso, irresponsável e, sim, ideológico, deste cada vez mais desacreditado veículo de informação.

A tal ANPUH considera desrespeitoso e irresponsável (!?) chamar Hobsbawn, por sua posição esquerdista pró-URSS, de idiota moral. E investe contra o mensageiro e não a mensagem. Deixando de lado o ódio da esquerda brasileira ao "cada vez mais desacreditado veículo de informação" - ódio que se estende aliás a todo e qualquer órgão de imprensa que não esteja sob seu controle -, devo dizer que, a meu ver, a denominação de idiota moral para referir-se a Hobsbawn não lhe faz justiça. Isso porque, ao contrário do que afirma a revista, ele não era um idiota. Idiota é quem não sabe o que faz. E Hobsbawn sabia. Ao se negar a criticar a URSS e ao justificar o morticínio de milhões de pessoas em nome de "um mundo melhor", ele mostrou mais que idiotice: mostrou cumplicidade moral com o terror e com a barbárie. Se ele fosse um idiota, desses de babar na gravata, seria melhor para ele: seria um álibi. Portanto, a VEJA foi até boazinha com ele...

O tratamento desrespeitoso é dado logo no início do texto "historiador esquerdista", dito de forma pejorativa e completamente destituído de conteúdo. E é assim em toda a "análise" acerca do falecido historiador.

Em primeiro lugar, o tratamento de "historiador esquerdista" (na verdade, "comunista"), não é dado pela revista, mas por outro historiador eminente, o igualmente britânico e também recentemente falecido Tony Judt. Este, citado no texto da VEJA, advertira Hobsbawn em 2008 que, com sua insistência ideológica em tratar de forma benigna a ex-URSS, ele seria lembrado pela posteridade não como "o" historiador, mas como "o historiador marxista" (ou "comunista"). E, de fato, foi isso que Hobsbaw sempre foi, e jamais escondeu que fosse.

Nós, historiadores, sabemos que os homens são lembrados com suas contradições, seus erros e seus acertos. Seguramente Hobsbawm será, inclusive, criticado por muitos de nós. E defendido por outros tantos. E ainda existirão aqueles que o verão como exemplo de um tempo dotado de ambiguidades, de certezas e dúvidas que se entrelaçam. Como historiador e como cidadão do mundo. Talvez Veja, tão empobrecida em sua análise, imagine o mundo separado em coerências absolutas: o bem e o mal. E se assim for, poderá ser ela, Veja, lembrada como de fato é: medíocre, pequena e mal intencionada.

São Paulo, 05 de outubro de 2012

Diretoria da Associação Nacional de História

ANPUH-Brasil

Gestão 2011-2013

Sempre desconfiei de textos escritos na primeira pessoa do plural, ainda mais referentes a toda uma categoria profissional ("Nós, historiadores"). Como se todos os historiadores estivessem representados etc. Mas deixa pra lá. É curioso como, ao mesmo tempo em que afirmam, corretamente aliás, que "os homens são lembrados com suas contradições, seus erros e seus acertos", os autores do manifesto buscam isentar Hobsbawn de qualquer julgamento crítico. Como se ele, Hobsbawn, estivesse acima de qualquer análise que não fosse hagiográfica - em outras palavras: acima do bem e do mal. E isso ao mesmo tempo em que caem num relativismo fácil, negando a própria validade de conceitos como bem e mal, vistos como categorias absolutas, mais em termos teológicos do que históricos ou ideológicos. (Menos, claro, se for para atacar o "imperialismo ianque" ou a besta-fera do capitalismo, mas já desisti de tentar explicar para esse pessoal que o capitalismo não é um jogo de soma zero.) 

Basta fazer um pequeno exercício para desmontar essa falácia. Imaginem se um historiador se propusesse a escrever "a" História do século XX e que, ao fazê-lo, denunciasse acerbamente os crimes do comunismo mas evitasse, de propósito, qualquer menção ao nazi-fascismo. Seria chamado, no mínimo, de intelectualmente desonesto. Agora imaginem que esse mesmo historiador fizesse declarações nas quais buscasse justificar os crimes de Hitler e de Mussolini. Algum dos signatários do manifesto da ANPUH se oporia a que se criticasse tal historiador, no mínimo como cúmplice moral dos crimes do totalitarismo nazi-fascista? Quem, em vez disso, acusaria o crítico de não levar em conta as contradições e ambiguidades do historiador, considerando a condenação moral deste como uma visão "medíocre, pequena e mal-intencionada"?

Mas deixemos que o próprio Hobsbawn responda essa questão. No artigo da VEJA, do qual o manifesto dos "historiadores" é, supostamente, uma réplica, há o relato de um episódio que os autores da "resposta" estranhamente não citam. E que apenas aumenta minha certeza de que os devotos brasileiros de Hobsbawn realmente mal e mal conhecem o pensamento e a obra do autor. Eis o episódio, uma entrevista dada em 1994 por Hobsbawn ao jornalista da BBC Michael Ignatieff (conforme relatado pelo historiador britânico Robert Conquest, autor do clássico O Grande Terror):

Segundo o historiador, o Grande Terror de Stalin [mais de 20 milhões de mortos apenas na principal de três ondas, fora outros milhões de mortes fora dos Expurgos] teria valido a pena caso tivesse resultado na revolução mundial. Ignatieff replicou essa afirmação com a seguinte pergunta: “Então a morte de 15, 20 milhões de pessoas estaria justificada caso fizesse nascer o amanhã radiante?” Hobsbawm respondeu com uma só palavra: “Sim”.

Este era Hobsbawn. O verdadeiro Hobsbawn. Aquele que em nenhum momento aparece no manifesto da ANPUH.

Não pensem vocês que não reconheço, na obra de Hobsbawn, qualidades, inclusive literárias. Entre suas obras, estão livros interessantes como A Era das Revoluções, A Era do Capital e a A Era dos Impérios (A Era dos Extremos, que trata do "breve século XX" [1914-1991], é o mais fraco da série, por razões ideológicas - Hobsbawn passa ao largo dos crimes do comunismo, como se tivessem sido uma nota de rodapé). Mesmo obras como Bandidos, se foram pioneiras em suas áreas de pesquisa, por enfocar temas até então relegados a um plano secundário pela historiografia tradicional, trazem consigo um forte ranço ideológico (no caso, a tese marxista do "banditismo social", que trata criminosos como "rebeldes primitivos" em luta contra uma ordem social injusta etc.).  Ele certamente foi um grande historiador e um intelectual importante, que não se rebaixava à condição de panfletário produtor de agitprop. Não era um agitador vulgar, como Noam Chomsky, ou um filósofo de quinta, como Slavoj Zízek. Mas, sinto dizer, ele foi, assim como estes, um idiota moral. A exemplo de intelectuais e figuras proeminentes da esquerda, como Jean-Paul Sartre, José Saramago e Gabriel García Márquez, que não quiseram ou não foram capazes de deixar suas preferências ideológicas e seus preconcentos anticapitalistas e antiamericanos fora de suas análises, Hobsbawn justificou o terror stalinista.  Flertou, para dizer o mínimo, com uma das faces do Mal. Talvez a pior de todas.

Hobsbawn foi um historiador inteligente, mas colocou a sua inteligência a serviço de um projeto totalitário que deixou mais de 100 milhões de mortos no século XX. E se recusou a fazer uma autocrítica consistente. Seu talento e capacidade acadêmica apenas aumentam sua culpa. E ainda há quem escreva manifestos defendendo (ou omitindo) essa sua atitude. Enfim, isso sim, uma visão pequena, medíocre e mal-intencionada. Coisa de idiotas.

terça-feira, outubro 09, 2012

CINISMO OU LOUCURA?


Tive a sorte (ou o azar) de nascer numa cidade e num estado onde o PT jamais chegou ao poder. Digo sorte e azar ao mesmo tempo porque, se por um lado isso me livrou de sentir na pele as "maravilhas" do "jeito petista de governar" (como o aparelhamento do Estado pelo partido e a roubalheira desenfreada "em nome dos trabalhadores"), por outro lado permitiu a eles - os petistas de lá - terem a caradura de ainda posar de “éticos” e “contra tudo isso que está aí”, repetindo o mesmíssimo discurso petista de antes do mensalão. Ofendendo a inteligência e abusando, assim, da paciência alheia.

Isso mesmo. Ainda há petistas que enchem a boca para falar de ética... e sem ruborizar.

De tanto ver esse pessoal se lamuriando após perder nas urnas, já identifiquei um padrão. E posso dizer com certeza: petista não sabe perder. Nem o que é democracia.

Basta atentar para o seguinte (onde o partido não venceu, ou onde ainda é minoria):

- Culpam sempre a "ignorância do eleitor" (como se o único "voto consciente" fosse o dado a eles, petistas); é a velha teoria (elitista, pra variar) de que "o povo não sabe votar";

- Chamam todos – todos! – os outros candidatos de corruptos (logo quem...); é a velha ladainha do "ninguém presta, só eu" (lembram?);

- Quando não contestam a legitimidade do resultado – a única eleição válida, para eles, é a que ganham –, lamentam não terem conseguido derrotar o "poder econômico" (justo o PT, que se aliou com Maluf nessas eleicões...).

Tudo isso para não terem de reconhecer o óbvio: o povo não os quis (isso eles não podem aceitar, pois afinal eles são a "vontade do povo"...).

Enfim, um comportamento claramente antidemocrático (a democracia existiria apenas para que eles, petistas, cheguem ao poder).

O mesmo se aplica aos demais partidos autoproclamados de esquerda (PSOL, PSTU etc.).

Este ano os petistas tomaram uma surra nas capitais que já governaram, como Porto Alegre (RS) e Belo Horizonte (MG) - locais visitados durante a campanha, coincidência ou não, pela presidenta-gerenta. Sem falar em Recife (PE), onde o vexame foi ainda maior. É que nesses lugares os eleitores já conhecem o PT, e portanto ficou mais dificil manter a pose de contestadores e inimigos do "sistema". Já nas cidades em que sempre foram um poder marginal (e não "marginais do poder", como disse o ministro Celso de Mello, do STF), a máscara de bons-moços ainda não caiu, e ainda há gente ingênua ou desmiolada o suficiente para levá-los a sério. 
 
Realmente, ganhando ou perdendo, a cara de pau - ou a loucura - da petralhada não tem limites. Enquanto houver tolos, haverá petistas.

domingo, outubro 07, 2012

PERGUNTAR NÃO OFENDE...

Luiz Inácio Lula da Silva chefiou o maior esquema de corrupção da História do Brasil - a condenação dos mensaleiros no STF tornou esse fato inegável e impossível de esconder. Marcos Valério e o advogado de Roberto Jefferson deixaram claro que ele, Lula, não somente sabia de tudo como foi o chefe da quadrilha - José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares foram apenas os executores, paus-mandados a seu serviço.

Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto esteve na Presidência da República, afrontou acintosamente, e de forma quase diária, a Justiça, ao descumprir inúmeras vezes a legislação eleitoral, usando e abusando da máquina do Estado para fazer campanha para seus apaniguados. 

Luiz Inácio Lula da Silva recebeu do representante das FARC no Brasil, segundo denúncia da revista VEJA (jamais refutada), oferta de 5 milhões de dólares para sua campanha à Presidência em 2002. Três anos depois, a mesma revista denunciou a doação ilegal de dinheiro da ditadura comunista de Cuba para sua campanha. Novamente, não foi refutada. 

Luiz Inácio Lula da Silva foi o presidente mais pró-ditaduras que o Brasil já teve, tendo escarnecido dos direitos humanos em países como o Irã, chegando ao ponto de devolver refugiados cubanos para a ilha-prisão, enquanto acolheu terroristas como Cesare Battisti. Juntamente com Hugo Chávez, Lula interveio abertamente nos negócios internos de Honduras e do Paraguai, patrocinando, nesses dois países, tentativas de golpe (enquanto chamava de golpistas os que tinham aplicado a lei). Violou, assim, a Constituição Federal, que determina expressamente que as relações internacionais do Brasil devem guiar-se pelo respeito aos direitos humanos, à paz e à soberania dos povos.

Luiz Inácio Lula da Silva estuprou a Constituição diversas vezes, ao tentar impor a censura aos meios de comunicação de forma sub-reptícia (o "controle social da mídia"), e inclusive tendo expulsado - contra a Lei - um jornalista estrangeiro por não ter gostado do teor de matéria por ele escrita (na ocasião, declarou em alto e bom som: "Foda-se a Constituição!").

Luiz Inácio Lula da Silva fez tudo para abafar o caso do assassinato em 2002 do prefeito de Santo André, Celso Daniel, que seria o coordenador de sua campanha à Presidência naquele ano. Seu chefe da Casa Civil, Gilberto Carvalho, está diretamente envolvido no caso.

Luiz Inácio Lula da Silva usou e abusou de suas prerrogativas presidenciais para favorecer amigos e correligionários, inclusive parentes, como seu filho Lulinha, que desde que o pai chegou ao poder passou de monitor de zoológico com salário de 600 reais por mês a dono de empresa milionária associada à antiga Telemar (coincidentemente ou não, depois que esta foi vendida em transação patrocinada pelo pai-presidente). 

Luiz Inácio Lula da Silva tentou chantagear um ministro do STF, tentando obter com isso o adiamento do julgamento do mensalão.

Luiz Inácio Lula da Silva, segundo documentos divulgados pelo Wikileaks, tentou extorquir dinheiro dos fabricantes do avião Rafale, na concorrência aberta pela FAB para adquirir novos jatos militares. A comissão que receberia pelo serviço seria sua "aposentadoria".   

Diante dos fatos acima - apenas uma amostra, pois há mais -, fica a pergunta:

POR QUE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA NÃO ESTÁ NA CADEIA? (Ou, pelo menos, respondendo a processo penal?)

Com a palavra, os senhores procuradores do Ministério Público.