quinta-feira, setembro 26, 2013

OS PIORES LIVROS QUE FIZERAM A CABEÇA DE MUITA GENTE (VERSÃO BRASILEIRA)

Estava devendo o post a seguir há bastante tempo, como complemento ao texto OS PIORES LIVROS QUE FIZERAM A CABEÇA DE MUITA GENTE (http://gustavo-livrexpressao.blogspot.gr/2010/03/os-piores-livros-que-fizeram-cabeca-de.html). Demorei porque a lista é longa, e, diante de tantas gemas, a maior dificuldade está em selecionar as mais representativas. Nos quesitos ruindade acadêmica, parcialidade ideológica e indigência mental, o Brasil está bem suprido: nesse particular, o país ocupa certamente os primeiros lugares em qualquer ranking mundial, ao contrário dos resultados dos exames de desempenho escolar da ONU. Eis os piores livros de autores nacionais que mais influência exerceram no Brasil nos últimos cento e tantos anos:


- A Ilusão Americana, Eduardo Prado (1890) - Certidão de nascimento do antiamericanismo tupiniquim, ganhou status de obra "cult" entre os acadêmicos em parte porque foi o primeiro livro censurado pela República (em 1893, pela ditadura de Floriano Peixoto). Espécie de bíblia dos inimigos do "império estadunidense", quase sempre gente ressentida e movida pela inveja do "gigante do Norte", serve tanto à direita (o autor era monarquista) quanto à esquerda. Sobretudo a esta, que transformou o ódio aos EUA numa espécie de religião e num álibi para o atraso do Brasil em diversas áreas ("a culpa é dos outros" etc.). É, assim, uma espécie de precursor de As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, a bíblia dos idiotas latino-americanos (hoje rebatizados de "bolivarianos").  
- Por Que Me Ufano do Meu País, Conde Afonso Celso (1900) - Pequeno livro fundador do ufanismo nacional (também conhecido como "chupa, mundo!" ou "síndrome-do-comigo-ninguém-pode"), ou seja, a mania megalômana do brasileiro de achar que o Brasil é o melhor país do mundo, com o melhor povo, o melhor clima, os melhores rios, o melhor hino, a bandeira mais bonita etc. etc. É a base para todo tipo de patriotada a que os brasileiros se entregam alegremente de vez em quando, embalados por uma Copa do Mundo ou pelo marketing do governo megalomaníaco de plantão, tanto de direita (o regime militar) quanto de esquerda (os governos petistas de Lula-Dilma). Ironicamente, tem epígrafe em inglês (My country, right or wrong - ou seja: "Meu país, certo ou errado", o que, como lembrou Millôr Fernandes, é o mesmo que dizer "minha mãe, sóbria ou bêbada"). O post-scriptum poderia ser a frase de Samuel Johnson: "O nacionalismo é o último refúgio do canalha".
 

- Brasil, Colônia de Banqueiros, Gustavo Barroso (1934) - Leitura obrigatória nas escolas militares durante muitos anos, é uma verdadeira síntese do pensamento reacionário nacionalista muito em voga no Brasil nos anos 30, culpando uma "conspiração dos banqueiros internacionais" pelos problemas do país (seu subtítulo é "História dos empréstimos brasileiros de 1824 a 1934"). O autor, historiador renomado, era, além de dirigente e ideólogo da Ação Integralista Brasileira (a versão cabocla do fascismo), conhecido antissemita, chegando a traduzir do francês Os Protocolos dos Sábios de Sião, livro que não fica muito longe, em matéria de propaganda antijudaica e conspiracionista. Mais uma prova de que o nacionalismo rombudo e irracional é comum aos dois extremos ideológicos.
 
 
- O Cavaleiro da Esperança, Jorge Amado (1942) - Hagiografia do caudilho comunista Luiz Carlos Prestes escrita pelo autor de Tieta e de Gabriela na época em que militava no Partido Comunista (o velho PCB). Jorge Amado chegou a ser eleito deputado federal pelo "Partidão" em 1945. Nessa época, escrevia coisas sob encomenda, como tarefa ditada pela direção do partido, que o via como um bom relações-públicas. Somente despertaria do delírio totalitário e largaria a canoa furada do comunismo depois de 1956, com a revelação dos crimes de Stálin por Krushev. Antes, escreveu essa sua contribuição à criação do culto da personalidade de Prestes, o frustrado (e extremamente incompetente) Stálin tupiniquim.
 
 
- Geografia da Fome, Josué de Castro  (1946) - Não é exatamente um livro ruim (traz algumas informações importantes sobre um tema que era até então pouco estudado), mas merece estar na lista pelo uso que dele fizeram os esquerdistas, sobretudo o PT, que o transformou numa espécie de justificativa intelectual para programas inócuos e demagógicos como o finado "Fome Zero" (alguém lembra?) e o "Bolsa-Família", o maior programa de compra de votos do mundo. O autor, funcionário da ONU, entrou para o panteão de heróis da esquerda não tanto pelo que escreveu (poucos leram seus livros, como o clássico Geopolítica da Fome), mas por ter proporcionado um tema a ser explorado por demagogos e populistas de plantão. De qualquer modo, o assunto está um tanto quanto desatualizado: no Brasil de hoje, o maior problema dos pobres não é a fome, mas a obesidade - culpa, em parte, do agronegócio, tão demonizado pela esquerda. 
 

- O Mundo da Paz, Jorge Amado (1951) - Livro tão ruim que o próprio autor mandou retirar de sua lista de obras completas, por pura vergonha de tê-lo escrito. Seguindo a trilha do "realismo socialista", presente em sua biografia de Prestes e em sua trilogia stalinista Os Subterrâneos da Liberdade (1954), o baiano comete aqui um dos elogios mais grotescos e acríticos das ditaduras comunistas do Leste Europeu, a começar pela ex-URSS e por seu então líder, o ditador Josef Stálin, que o autor enaltece como o "guia, mestre e pai", o "maior gênio da humanidade" etc. Por coisas como essa, Jorge Amado, que se desfiliaria poucos anos depois do PCB, foi galardoado com o prestigiadíssimo (para os comunistas) "Prêmio Stálin"... Sem comentários.


- O Mundo do Socialismo, Caio Prado Junior (1962) - Assim como O Mundo da Paz, trata-se de um elogio desbragado e idiota das ditaduras comunistas (sobretudo URSS e China), que o autor, um dos principais ideólogos comunistas brasileiros, via como exemplos não somente de eficiência técnica e justiça social, mas também de democracia (!!!). Explicitamente panfletário, assim como seu URSS: Um Novo Mundo (1934), chega ao ponto de transcrever trechos de resoluções de congressos do Partido Comunista da União Soviética, a fim de provar que a terra do Gulag e do KGB era o paraíso na Terra...  Um modelo de propaganda ideológica e de desonestidade intelectual que seria seguido por bajuladores de ditaduras comunistas como a de Cuba.


- A Revolução Brasileira, Caio Prado Junior (1966) - Considerada uma das obras mais importantes do autor, comunista oriundo de tradicionalíssima família da elite paulista, até hoje é debatida nos círculos de esquerda. Causou furor em seu tempo, pois contrariava a tese então dominante no PCB, da existência de "restos feudais" no Brasil que deveriam ser varridos por uma revolução em duas etapas, "democrático-burguesa" etc., defendendo, em vez disso, que o Brasil já era capitalista. Por incrível que pareça, foi preciso um comunista escrever um livro para que a esquerda brasileira descobrisse esse fato óbvio.


- Minimanual do Guerrilheiro Urbano, Carlos Mariguella (1969) - Como o nome indica, trata-se de um "minimanual", escrito de forma pedagógica e de afogadilho pelo ex-deputado comunista e líder terrorista sobre as melhores técnicas para matar, emboscar, sequestrar, assaltar bancos etc. Adotado por grupos terroristas internacionais como as Brigadas Vermelhas italianas e o Baader-Meinhof alemão-ocidental (e também por bandidos comuns), virou uma espécie de obra "cult" entre os círculos radicaloides de extrema esquerda nos anos 70, mais como um símbolo do que pelos ensinamentos nele contidos, totalmente irreais (Mariguella acreditava que o guerrilheiro deveria ser um super-homem, por exemplo: deveria saber pilotar aviões, conhecer criptografia etc.). O próprio autor provou a inocuidade de suas ideias, ao ser morto numa emboscada policial em São Paulo - uma morte previsível para quem defendia a emboscada como método de luta política. 

  
- Dependência e Desenvolvimento na América Latina, Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto (1969) - Seus detratores petistas não gostam de lembrar, mas o "neoliberal" FHC sempre foi um intelectual de esquerda. Nesse livro, considerado sua magnus opus, o sociólogo defende aquela que seria uma das principais taras ideológicas da esquerda latino-americana na segunda metade do século XX: a chamada "teoria da dependência", de matriz leninista, segundo a qual a pobreza de um país é determinada pela "exploração imperialista" e pelas "perdas internacionais", como se o comércio entre países fosse um jogo de soma zero. Justifica em cada linha o conselho atribuído a FHC quando na Presidência da República: "esqueçam o que escrevi". É o único livro escrito por autor brasileiro (em co-autoria com o sociólogo chileno Enzo Faletto) que consta da lista de "Os Dez Livros que mais Comoveram o Perfeito Idiota Latino-Americano".


- Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire (1974) - Obra que marcou gerações de professores e estudantes no Brasil, é a Bíblia dos pedagogos brasileiros. Basicamente, é um panfleto de auto-ajuda marxista embalado numa linguagem de sistema pedagógico, introduzindo conceitos como "luta de classes", "revolução" e "classe operária" na sala de aula. Seu "método" de alfabetização de adultos baseado em Marx foi adotado pelo sistema de educação brasileiro nas últimas cinco décadas. Não surpreende, portanto, que não se conheça, até hoje, o nome de nenhuma pessoa que foi alfabetizada por seu "método" revolucionário. Tampouco surpreende que o Brasil esteja em penúltimo lugar no ranking mundial de educação.  Mesmo assim, o autor foi endeusado até o limite do possível, tendo sido escolhido postumamente, em 2012, o "patrono da pedagogia nacional" pelo governo petista de Dilma Rousseff. Faz sentido. 
 

- A Ilha, Fernando Morais (1976) - Reportagem que, se teve o mérito de romper o isolamento informativo sobre Cuba, vigente no Brasil desde 1964, serviu para divulgar a lenda da ilha comunista como um paraíso dos trabalhadores. O autor ficou rico escrevendo (favoralmente) sobre o comunismo, como em Olga (1985), o que lhe rendeu, além de uma gorda conta bancária, um mandato de deputado pelo PMDB de Orestes Quércia, um dos políticos mais corruptos do Brasil em todos os tempos. Atualmente, é lulista e amigo do peito de José Dirceu e companhia. 

 
- Da Guerrilha ao Socialismo: a Revolução Cubana, Florestan Fernandes (1979) - Série de apostilas transformadas em livro por um dos maiores ideólogos esquerdistas do Brasil, considerado "o pai da sociologia brasileira". Ajudou a consolidar o mito do regime castrista humanista e democrático, que prende, tortura e mata, mas o faz em nome da humanidade.

 
- Genocídio Americano: a Guerra do Paraguai, Julio José Chiavenato (1979) - Obra que pretendeu ser uma "denúncia" da Guerra do Paraguai (1864-1870), a qual mostra como um massacre ("genocídio") em que Brasil, Argentina e Uruguai, seguindo ordens do imperialismo da Inglaterra, destruíram o Paraguai, que teria pago em sangue por ser um país supostamente próspero e independente. Tal mito, divulgado pela esquerda durante décadas, foi totalmente desmentido por pesquisas posteriores. Desde então, está desmoralizado como obra histórica séria. 
 
 
Igreja: Carisma e Poder, Leonardo Boff (1984) - Livro que, inspirado na radicalização à esquerda de parte do clero na América Latina depois do Concílio Vaticano II (1962-65), é uma das referências da autoproclamada "teologia da libertação", tentativa herética oportunista de infiltrar o marxismo na Igreja Católica que teve bastante influência nos anos 70 e 80, principalmente no campo. Leonardo Boff, um de seus principais ideólogos, foi condenado em boa hora ao silêncio obsequioso pelo Papa João Paulo II em 1985 e, vendo que não poderia transformar o Vaticano numa Comunidade Eclesial de Base (CEB), num sindicato ou numa filial do PT, desligou-se da Igreja, trocando-a por Fidel Castro. Continua assessorando os dirigentes petistas, tendo-se reinventado, desde então, como autor de livros de auto-ajuda e guru ecológico. 

 
- Brasil: Nunca Mais, Arquidiocese de São Paulo (1985) - Embora importante como registro histórico e denúncia das violações dos direitos humanos pela ditadura militar, peca por não se referir, em nenhum momento, aos crimes da esquerda armada. Serviu, assim, como uma luva para os propósitos revanchistas dos que querem reescrever a História às custas dos cofres públicos.
 

- Fidel e a Religião, Frei Betto (1985) - Monólogo em forma de entrevista do ditador mais amado da esquerda brasileira, por um dos expoentes da "teologia da libertação", um frei dominicano que se autointitula "irmão em Cristo e em Castro" (sic). Um monumento à sabujice e à devoção sem limites a tiranos assassinos.


- Convite à Filosofia, de Marilena Chauí (1994) - Livro didático que, assim como O Que é ideologia?, da mesma autora, deseducou uma geração inteira de estudantes brasileiros do ensino médio. É uma espécie de bê-á-bá do pensamento marxista disfarçado de manual filosófico. A autora, verdadeira musa intelectual do PT, já chegou a dizer que, quando Lula fala, o mundo se ilumina. Em compensação, odeia a classe média.
 

- O Povo Brasileiro, Darcy Ribeiro (1995) - Último livro de Darcy Ribeiro, antropólogo que começou no PCB, foi ministro da Casa Civil de João Goulart e ficou famoso pela criação da UnB e por sua associação com o caudilho Leonel Brizola nos anos 80, quando defendia a beleza e funcionalidade das favelas, "a verdadeira habitação brasileira". Síntese das teorias populistas do "socialismo moreno" brizolista, parte da ideia de que o Brasil, devido a características raciais únicas, seria uma "nova civilização", superior a todas as outras (sobretudo aos EUA, dos quais o autor negava qualquer contribuição cultural significativa). Uma das fontes da "cultura da periferia" que hoje infesta as rádios e tevês do país. 
 
 
- Formação do Império Americano, Moniz Bandeira (2005) - Versão antiamericana da formação dos EUA, por um expoente do antiamericanismo verde-amarelo. Descreve a ascensão do Gigante do Norte como uma marcha ininterrupta de saque e guerras por um vilão da política internacional, e os demais países, como vítimas passivas do "imperialismo ianque". Basta citar que coloca no mesmo patamar o presidente Franklin Roosevelt e o ditador Adolf Hitler. Precisa dizer mais? (P.S.: Virou leitura obrigatória no Itamaraty.)
 
Menções honrosas:


- Lula, o Filho do Brasil, Denise Paraná (2003) - Hagiografia do ex-sindicalista e principal beneficiário do Mensalão. Uma ode ao operário filho de uma mulher que nasceu analfabeta. Virou filme, o fracasso mais caro já feito no Brasil. Assim como o governo do personagem em questão, o mais corrupto da História do Brasil.
 

- A Vida quer é Coragem, de Ricardo Batista Amaral (2011) - Na trilha do Chefe, o Poste também ganhou uma biografia elogiosa. Metade relato dos anos de "formação política" como militante de organizações terroristas nos "anos de chumbo" da ditadura militar, metade narrativa da campanha presidencial de 2010, tenta vender a ideia da "presidenta" ultra-preparada e competente, que doou generosamente a juventude pela luta "por um Brasil melhor" etc. O título é uma pérola de ironia involuntária.
 

- Os Últimos Soldados da Guerra Fria, Fernando Morais (2011) - Elogio da deduragem em forma de thriller político. Veja aqui: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.gr/search?q=elogio+da+deduragem
 

- Todos os de Emir Sader: Infelizmente não foi possível selecionar nenhuma obra desse autor. Qualquer livro dele merece constar de qualquer lista de piores, no Brasil ou alhures.

quarta-feira, agosto 28, 2013

ESCRAVOS DE JALECO

 
Que me perdoem as almas ingênuas e os iludidos vocacionais - os militontos não merecem perdão, e sim chibata no lombo pra aprenderem a ser gente -, mas é preciso ser muito cínico ou idiota para acreditar que a decisão de importar médicos estrangeiros, particularmente cubanos, vai trazer algum benefício concreto para a calamitosa situação da saúde no Brasil. Muito pelo contrário. Pelos seguintes motivos:

1) Não faltam médicos no Brasil: faltam meios. Os trabalhadores importados vão trazer com eles gaze, seringas, esparadrapo, mertiolate etc? Ou seja: o material que geralmente falta nos hospitais públicos brasileiros, tanto no interior quanto nas grandes cidades. Vão trazer? Se não, podem dar meia volta;

2) Segundo o acordo assinado com o governo de Cuba, os médicos estarão sujeitos a um regime de trabalho semi-escravo, no qual estarão obrigados a entregar a quase totalidade dos salários - pagos pelo governo brasileiro - à ditadura dos irmãos Castro. Além disso, ficarão impedidos de se movimentar livremente no país, com documentos retidos e suas famílias feitas reféns em Cuba. Também não poderão pedir asilo - o que é uma clara violação de todas as normas internacionais de direitos humanos;

3) Escravizados e impedidos de escaparem da tirania, os médicos cubanos serão dispensados do Revalida, o que, além de ser algo ilegal (a lei brasileira exige o exame para a prática da medicina), coloca em dúvida a qualificação profissional desses trabalhadores. Vale lembrar que o tão alardeado alto padrão de qualidade da saúde cubana é na verdade um mito criado pelo regime castrista (quando ficou doente, o próprio Fidel Castro foi se tratar na Espanha...);

4) Além dos mais de 400 milhões de reais anuais que serão gastos com salários (que irão sustentar uma ditadura falida, é bom lembrar), pagos pelo governo federal, as prefeituras serão obrigadas a bancar os custos de moradia e alimentação - mais um gasto duvidoso do dinheiro público (que poderia estar sendo aplicado, por exemplo, na construção de hospitais);

5) O governo dos petistas teve 11 anos para atuar na área e fazer os investimentos necessários, e agora vem com a conversa de querer resolver problemas estruturais de décadas com "medidas de emergência"?! A quem eles querem enganar?

Enfim, trata-se de uma grande (e cara!) enganação, mais uma pilantragem dos petralhas. Uma medida demagógica, feita para desviar a atenção da opinião pública, com objetivos eleitoreiros (o ministro da saúde, Alexandre Padilha, é candidato ao governo de SP no ano que vem), e, de quebra, achar um bode expiatório (os médicos brasileiros, transformados em "vilões" que só pensam em dinheiro e não aceitariam "sacrificar-se pelo povo" etc.). Com o agravante de visar a sustentar a ditadura cubana, a mais antiga do Ocidente, a qual transformou a exportação de "médicos" em um grande negócio, com os Castro como os maiores beneficiados. É um acinte à dignidade humana, além de uma ofensa à inteligência e ao bom senso. Faz tanto sentido quanto importar professores da Síria, ou advogados da Coreia do Norte. E você paga a conta.

P.S.: Cadê as manifestações de protesto?

terça-feira, julho 30, 2013

PROTESTOS, ONTEM E HOJE - EM IMAGENS

A evolução da consciência política do brasileiro no decorrer dos anos...
 
 
Brasil, 1968
 
 
 
Brasil, 1984
 
 
Brasil, 1992
 
 
 
Brasil, 2013



Pois é. O "gigante acordou".
 

quarta-feira, julho 24, 2013

UMA MODESTA PROPOSTA PARA MUDAR O BRASIL



 
A onda de protestos que varreu o Brasil em junho foi vista com perplexidade pelo governo lulodilmista e saudada otimisticamente como o despertar de um "novo Brasil" por muitos analistas. Como já escrevi aqui, tenho motivos para ser cético em relação a esse "novo Brasil" que se está alardeando por aí. Isso porque, entre outras coisas, não vi um foco nos protestos, uma liderança capaz de dar um rumo claro e direcionar a indignação represada durante 11 anos de mandarinato petista para além do oba-oba e do eventual vandalismo.  As manifestações, sem comando e sem objetivos claros, perderam-se numa barafunda de reivindicações as mais difusas e até mesmo estapafúrdias (a começar pelo tal “passe livre”, na verdade uma desculpa de grupelhos de extrema-esquerda e de mentes pré-púberes para brincar de “revolução”), sem Norte e sem conteúdo. Como numa tragédia de Shakespeare, tudo pareceu resumir-se a um espetáculo de som e fúria, significando nada.
 
Apesar de todo o barulho, não se tocou, até agora, no essencial, limitando-se os protestos a palavras de ordem vagas e abstratas, que convidam ao sequestro das manifestações pelo próprio governo e pelos partidos esquerdistas. 
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Um exemplo: quase ninguém se deu conta de que o slogan mais repetido nas manifestações – "mais saúde, mais educação" –, pode significar mais gastança, mais desperdício do dinheiro público, assim como nas obras da Copa. Não por acaso, a maior manifestação popular da História dos EUA ocorreu em 2011 CONTRA a proposta do governo Obama de universalizar o sistema de saúde pública. Mais escolas e mais hospitais (e mais médicos, como quer o governo) significa mais gastos, o que quase sempre quer dizer mais impostos – e mais corrupção. Mas ninguém parece ter percebido isso.
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Outro exemplo: o desencanto com os "partidos" e os "políticos" em geral, sem dar nomes aos bois (quase não se viram cartazes de "Fora Dilma" ou "Lula na cadeia") e "contra tudo isso que está aí". Os brasileiros que foram às ruas manifestaram-se contra todos os partidos, deixando claro que nenhum deles lhes representa. Mas do quê – ou melhor: de quais partidos e políticos – estavam falando exatamente? O que os representa?
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Para tentar colocar alguma ordem nesse caos e nessa confusão mental – que parece ser mesmo a característica principal do País de Macunaíma –, apresento a seguir uma agenda política que, asseguro, se for aplicada vai transformar radicalmente o cenário nacional. Eis minha modesta proposta para mudar o Brasil.
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Trata-se do seguinte. Um partido, ou movimento - o nome pouco importa -, que defenda os seguintes pontos:
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- Livre Mercado – Ou seja: livre iniciativa e meritocracia, e não o "capitalismo de Estado" dos companheiros no poder, o capitalismo estatal ou semi-estatal dos Eikes Batistas financiado pelo BNDES e pela Petrobrás.  Isso que dizer lutar pelo fim dos monopólios, estatais ou de empresas queridinhas do governo, e pela livre concorrência. Em outras palavras: trata-se de implantar, no Brasil, aquilo que se implantou nos EUA e na Inglaterra há uns duzentos anos, e que ainda não deu as caras na terra do patrimonialismo e dos bolsas-famílias: o capitalismo.
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- Redução do Estado – Condição essencial para que exista capitalismo é limitar o papel do Estado ao mínimo indispensável, a fim de não prejudicar a atividade econômica e proporcionar serviços públicos de qualidade onde a ação governamental é imprescindível (segurança, justiça e defesa, por exemplo). Isso passa, necessariamente, pela redução dos impostos e pela utilização mais racional do dinheiro público. Máquina inchada, apadrinhamento, ineficiência e corrupção caminham juntos, como qualquer brasileiro sabe muito bem. (Aí estão 39 ministérios para ilustrar esse fato.)
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- Defesa do Estado de Direito Democrático – Parece óbvio (e é!), mas qualquer partido ou movimento que se preze deve ter na defesa das liberdades democráticas  - de expressão, de crença, de reunião, de imprensa – parte inseparável de seu programa. Isso significa defender o mais possível a não-intervenção do Estado na vida privada do cidadão, a defesa das liberdades individuais contra o Leviatã estatal.
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- Política externa não-ideológica – Embora não seja um assunto popular no Brasil, a diplomacia deve coadunar-se com os princípios acima, distanciando-se da agenda bolivariana e antiamericana que hoje domina o Itamaraty, ditada pelo Foro de São Paulo (o maior tabu político da América Latina nos últimos 23 anos).   
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Aí está. Acredito que ninguém poderá chamar os pontos acima de radicais, ou dizer que eles pecam pela ambição desmedida. Pelo contrário: trata-se  de um programa básico, o mínimo necessário para se construir uma alternativa democrática e liberal aos partidos existentes no País. E, mesmo assim, trata-se de algo absolutamente inédito no Brasil.
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É incrível, mas nenhum – nenhum! – partido político atualmente existente no Brasil pauta sua agenda pelos princípios acima. Há partidos de todos os tipos e para todos os gostos – de esquerda, de ultra-esquerda, fisiológicos, dinheiristas etc. –, mas nenhum, pelo que sei, define-se abertamente como conservador ou liberal, portanto de direita. Esta continua a ser um anátema, enquanto ser de esquerda (ou seja: a favor de ditaduras como a de Cuba, por exemplo) é visto geralmente como algo bom e positivo. Não por acaso, as eleições no Brasil já viraram um samba de uma nota só, com todos falando a mesma linguagem esquerdista ou de Miss, defendendo "mais saúde", "mais educação", "pela vida" (alguém é contra?) etc.
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(A propósito, caro leitor: que país civilizado e democrático não possui pelo menos um partido de direita solidamente estruturado? Que nação democrática possui apenas partidos pertencentes a um lado do espectro ideológico? Poderia responder?)  
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Não me surpreende que a maioria da população brasileira, que é honesta, paga impostos e não quer viver mamando nas tetas do Estado-babá, não se reconheça em nenhum partido existente. É que nenhum deles realmente a representa. E não há nada no horizonte para preencher esse vazio. Daí o povo não saber ao certo contra o quê ou quem protesta.
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Quer mudar o Brasil? Que tal pensar no que está aí em cima, para começar?

quarta-feira, julho 10, 2013

A DIREITA PERMITIDA


por Olavo de Carvalho                                
          
        
O controle sobre o uso do vocabulário público é um dos instrumentos mais eficientes e mais perversos do arsenal criado pela estratégia de Antonio Gramsci para o estabelecimento da hegemonia – o domínio hipnótico das consciências – e a subseqüente tomada do poder pela esquerda revolucionária.

Quando você ouvir dizer que "Direita e esquerda são noções ultrapassadas", repare bem e notará que em geral a frase vem da boca de algum senhor satisfeito e de unhas polidas, que corresponde esquematicamente àquilo que no imaginário comunista constitui um "burguês". Ela é, com efeito, um lugar-comum da "direita". Pelo menos um esquerdista contumaz diria que o é -- e eu não hesitaria em lhe dar razão, com a ressalva de que aí não se trata da direita em geral, da direita essencial que se encarnou historicamente em Edmund Burke, em Disraeli, em Aléxis de Tocqueville, em T. S. Eliot ou em João Camilo de Oliveira Torres, mas de uma direita muito específica, localizada e até peculiar: a direita brasileira de hoje, constituída inteiramente de senhores satisfeitos e de unhas polidas, cuja única preocupação na vida, além de absorver rios de dinheiro para engordar e dispender rios de dinheiro para emagrecer, é precisamente não se preocupar com nada.
 
Além de poder ser facilmente identificado pela mencionada palavra-de-passe, o membro dessa facção ideológica assinala-se também por autodenominar-se "centro", um termo cuja exatidão se pode aferir matematicamente pela equidistância do seu umbigo a qualquer ponto da majestosa circunferência abdominal que delimita, por assim dizer, a sua substância espiritual.
 
Se, munido desses dois indícios, o leitor ainda tiver alguma dificuldade para distinguir o tipo, há um terceiro critério, que não falha: o componente desse partido notabiliza-se pela absoluta inexistência, no seu ser consciente, de qualquer conflito entre a tranquilidade soberana com que ele nos assegura que o comunismo morreu e a solicitude temerosa com que busca aplacar as exigências do falecido mediante polpudos cheques para projetos educacionais de doutrinação esquerdista, para a campanha do PT, para prêmios culturais dados aos ídolos da esquerda.
 
Visto da esquerda, esse é o direitista ideal, o direitista que os comunistas pediram – ou pediriam, se fossem crentes -- a Deus. Além de alimentar com sua conta bancária os empreendimentos da revolução em marcha e protegê-los sob o manto de invisibilidade das almas do outro mundo, ele ainda consente em oferecer sua própria pessoa como máximo exemplo comprobatório do argumento comunista, desempenhando de bom grado o papel do gorducho fominha, a imagem didática do burguês enfatuado, egoísta e interesseiro, que o doutrinador marxista pode, com a certeza do fácil sucesso oratório, exibir a boquiabertos militantes como protótipo do inimigo odioso e desprezível a ser varrido da face da terra pela revolução salvadora.
 
Outra vantagem indiscutível que a rotunda presença desse personagem na ala direita do palco oferece aos ocupantes da ala contrária é que, uma vez identificado o seu perfil com o da direita enquanto tal, qualquer direitista um pouco diferente dele que se apresente, por exemplo, um direitista honrado, cheio de idéias, que prefira antes defender valores morais do que representar alegremente o papel do palhaço da história, acabará parecendo um tipo estranho, não terá como ser catalogado e facilmente será expelido para o domínio do anormal, do inaceitável, do absurdo. Não havendo nome específico para isso no vocabulário corrente, o jeito será apelar à ampliação quantitativa e carimbá-lo: "Extrema-direita". Hoje em dia, com efeito, basta você dizer qualquer coisa que saia dos lugares-comuns da direita gorda sonsa, basta você fazer qualquer crítica mais séria ao discurso dominante – basta você dizer, por exemplo, que ser "gay" não é tão valioso quanto ser santo --, e pronto: todos respondem que você é o Le Pen em pessoa, se não Benito Mussolini ou Adolf Hitler. Não estou caricaturando: estou descrevendo coisas que se passam todos os dias nos jornais e nas universidades.
 
Eis então a direita reduzida à opção entre fazer o papel de bode expiatório ou ser chamada de fascista, de nazista, de virtual assassina de negros, índios e judeus (embora ela esteja repleta de judeus, negros e descendentes de índios). Como ninguém quer fazer esse papel vexaminoso, todos se apressam em vestir seu uniforme de gorduchos fominhas e a sair repetindo pelas ruas: "Sou de centro! Sou de centro!"
 
Aí a esquerda deixa você existir: o gorducho, afinal, está aí apenas para ser roubado, cuspido e ainda acusado de corrupção. Qualquer direita que não caiba nesse modelo é nazismo.
 
O próprio termo "direita" foi tão criminalizado, que hoje um brasileiro, viajando pela Europa, se surpreende ante a tranqüilidade com que um Paul Johnson, um Roger Scruton se apresentam como direitistas e na platéia ninguém tem chilique, nem os confunde com Le Pen. Sim, na Europa a direita se mostra e não é considerada pornográfica. No Brasil, quando ela aparece, as mães cobrem os olhos de seus filhos.
 
O controle sobre o uso do vocabulário público é um dos instrumentos mais eficientes e mais perversos do arsenal criado pela estratégia de Antonio Gramsci para o estabelecimento da hegemonia – o domínio hipnótico das consciências – e a subseqüente tomada do poder pela esquerda revolucionária.
 
Uma direita inerme e caricatural que não ousa dizer seu nome, uma direita incapaz de escolher seu próprio destino, uma direita condenada a desempenhar os papéis ora ridículos ora odiosos que seus inimigos lhe designaram, é o produto mais típico da hegemonia esquerdista triunfante.
 
Publicado no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, em de julho de 2000.

sábado, julho 06, 2013

NOTAS SOBRE UMA "REVOLUÇÃO" IMAGINÁRIA (6)

 
Não acharam ainda o caminho. Mas valeu pela imagem.
 
 
Eu não sei o que admirar mais no governo (rá!) de Dilma Duchefe: o impressionante crescimento do PIB, a independência que demonstra em relação a seu criador, seus discursos sempre tão coerentes e feitos em um Português impecável ou a eficientíssima coordenação entre ela e os demais membros do governo (rará!). A ideia do plebiscito-que-foi-não-foi-mas-acabou-sendo é uma prova insofismável de que o atual governo (??!!) é mesmo a cara dela. Pena que incompetência não se resolve com penteado e botox...
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Conforme esperado, o tal plebiscito proposto por Dilma, Mercadante “et caterva” foi pro saco. E agora, o que o governo do Poste Sem Luz vai propor para tentar desviar a atenção dos brasileiros? Eis algumas sugestões:
 
- Convocar um plebiscito sobre a mudança do nome do País para "Bananalândia" ou "República Cumpanhêra (sic) do Brasil".
 
- Outro plebiscito para decidir o que fazer com os estádios/elefantes brancos superfaturados depois da Copa.
 
- Promover uma campanha para que Lula seja eleito para a Academia Brasileira de Letras.
 
- Convidar 6 mil especialistas em direitos humanos de Cuba e da Coréia do Norte.
 
- Realizar um referendo sobre o “controle social da mídia”.
 
- Criar uma Comissão da Verdade para investigar por que quem se gaba de ter resistido à tortura fugiu de uma vaia no Maracanã.
 
- Colocar a PF para tentar descobrir o paradeiro de Lula da Silva.
 
- Encomendar um estudo acadêmico, encabeçado por Emir Sader e Marilena Chauí, sobre o por quê do silêncio ensurdecedor do Apedeuta.
 
- Solicitar a Paulo Henrique Amorim, à TV do “Bispo” e ao pessoal da Carta Capital uma série de artigos e reportagens enaltecendo as conquistas do governo, como a ressurreição política de Collor e Maluf e a classe média de 500 reais, e “denunciando” os protestos como uma conspiração das elites e da mídia.
 
- Pedir ao povo para fazer uma vaquinha para ajudar o Eike Batista, com assessoria do vidente Guido Mantega e do BNDES.
 
- Um referendo para decidir sobre o "passe livre" nos aviões da FAB para parlamentares e seus parentes assistirem aos jogos da seleção.
 
- Conclamar os blogueiros progressistas pagos com dinheiro estatal para inundar as redes sociais com mensagens de louvor ao PT e ao Bolsa-Família e falando mal do FHC.
 
- Chamar o pessoal do MPL, da UNE, da CUT e do movimento LGBT para gritar "abaixo a cura gay" e "Fora Feliciano".
 
- Mudar o corte de cabelo.
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Do blog de Reinaldo Azevedo, que os esquerdinhas adoram odiar: "O governo está mais perdido do que cachorro caído de mudança no meio de um protesto contra… tudo isso que está aí!" Disse tudo!
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E o "passe livre" chegou aos avioes da FAB. Que o digam Henrique Alves e Renan Calheiros...
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Bastaram alguns dias de protesto para que o presidente do Egito, Mohammed Mursi, virasse suco. Já no Brasil, há mais de três semanas o povo sai às ruas e… nada. Por que a diferença? Tenho um palpite: é que, no Egito, a palavra de ordem era "Fora Mursi"; já em Banânia é "Por um Brasil melhor"... Fui muito sutil?
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Deixa eu ver se entendi...
 
- Em um movimento sem precedentes na História, milhões saem às ruas e páram o Brasil, protestando contra a corrupcão, os gastos na Copa, por melhores transportes públicos, mais saúde, mais educação, mais segurança etc.;
 
- Em vez de ouvir esses anseios, o governo de Dilma Duchefe propõe um plebiscito sobre "reforma política" que não estava na pauta de reivindicações, que ninguém entende e que, além de inviável, é claramente INCONSTITUCIONAL (ou seja: tem cara, jeito e cheiro de GOLPE);
 
- O que estão esperando para pedir o IMPEACHMENT? ...
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“Art. 3o Nas questões de relevância nacional, de competência do Poder Legislativo ou do Poder Executivo, e no caso do § 3o do art. 18 da Constituição Federal, o plebiscito e o referendo são convocados mediante decreto legislativo, por proposta de um terço, no mínimo, dos membros que compõem qualquer das Casas do Congresso Nacional, de conformidade com esta Lei.” - Lei 9.709/98.
 
Alguma dúvida de que a proposta de dona Dilma de convocar um plebiscito é GOLPE?
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As últimas três semanas me deram mais motivos para assinar embaixo da frase:
 
- O único "movimento de massas" que me interessa é o de uma panela de macarrão. (Gustavo Bezerra)

terça-feira, julho 02, 2013

O MELHOR MOMENTO DA COPA DAS CONFEDERAÇÕES

Os gols de Fred? Os dribles de Neymar? O tetra do Brasil? O hino cantado pela galera? Nada disso. O momento da recém-finda Copa das Confederações que entrará para a História foi o que segue:

 

E Dilma não foi à decisão entre Brasil e Espanha. Fica a pergunta: quem disse ter resistido a 22 dias de tortura durante a ditadura militar não tem coragem de encarar 2 minutos de vaia no Maracanã? Vaia é pior do que tortura?
 
Perguntar não ofende...

domingo, junho 30, 2013

O FIM DE DILMA ROUSSEFF? (E ISSO NÃO É NECESSARIAMENTE UMA BOA NOTÍCIA...) OU: REFLEXÕES SOBRE UMA REVOLTA EM BUSCA DE UM OBJETIVO


Acredito que já é possível tirar algumas conclusões sobre o que está acontecendo. Aí vai minha análise. Vamos tentar botar alguma ordem nesse galinheiro.

Primeiro o lado bom:

- Os protestos que há três semanas sacodem o Brasil não têm nada a ver com outros movimentos no mundo atual ou no passado, tais como os que recentemente sacudiram Espanha, Portugal, Grécia, Turquia, Egito, “Occupy”, 1968 e
tc. Isso é bom, porque 1) todos esses movimentos tiveram como tônica o anticapitalismo ou o antiocidentalismo, enquanto as reivindicações no Brasil são muito mais difusas; 2) alguns desses movimentos, como no Egito e os de 68 no Brasil, se dirigiam contra regimes autoritários (não é o caso – ainda – do Brasil, embora muita gente no partido do governo trabalhe nesse sentido); e 3) sobretudo na Europa, tais movimentos se deram num contexto de crise econômica, o que também não é (ainda) o caso do Brasil (apesar do “pibinho” e da volta da inflação);

- O discurso governamental triunfalista, do tipo “Brasil Maravilha”, foi totalmente desmoralizado. As ruas mostraram que a propaganda lulo-petista, exaustivamente repetida nos últimos dez anos, é uma farsa. “Mais saúde e educação”, “mais hospitais e menos estádios”, “mais segurança”, “menos impostos” “chega de corrupção” etc. mostraram que os problemas cruciais do País continuam sem solução, e escancararam o abismo entre o discurso oficial e a realidade. Enfim, acabou o oba-oba. De agora em diante, será muito mais difícil para os marqueteiros do Planalto venderem a ideia ufanista de que vivemos no melhor dos mundos;

- Caiu a máscara de Dilma Rousseff. A “gerentona” supostamente ultra-competente revelou-se como aquilo que realmente é: inábil e despreparada, incapaz de gerir os destinos do País. Demorou para dar uma resposta às manifestações e, quando o fez, depois de se aconselhar com seu padrinho político (o que mostrou, mais uma vez, despreparo e falta de independência), agiu de forma desastrosa e destrambelhada, primeiro fingindo que os protestos não tinham qualquer relação com seu governo e, depois, com propostas inócuas e/ou alopradas como a importação de médicos cubanos e o plebiscito para convocar uma Constituinte exclusiva – medida que, além de cheirar a golpismo, revelou falta de coordenação dentro do próprio governo. Incompetente, à frente de um ministério de áulicos, Dilma demonstrou também falta de coragem ao desistir, por medo de vaias, de comparecer à decisão da Copa das Confederações no Maracanã – o que deveria ser a apoteose do “Brasil Maravilha” virou motivo de constrangimento;

- Acabou o monopólio esquerdista das ruas. Os protestos, até por não terem liderança e serem (aparentemente) espontâneos, tiveram como uma das marcas principais o caráter apartidário, dirigindo-se contra todos os partidos – inclusive os de esquerda. Sob as palavras de ordem “sem partidos” e “fora oportunistas”, bandeiras do PT e de outras legendas de esquerda foram rasgadas e militantes desses partidos que tentaram se infiltrar nas manifestações foram hostilizados e expulsos. Pela primeira vez em décadas não se viram bandeiras vermelhas dominando um movimento de massas no Brasil.

Esse foi o lado bom dos acontecimentos. Agora as más notícias:

- Os protestos, que começaram em SP como uma manobra eleitoreira do PT contra o governo estadual, a pretexto do aumento da tarifa de ônibus (manobra que deu errado e fugiu ao controle), não têm rumo, nem liderança. Nessas condições, acabaram se perdendo em slogans vazios e muitas vezes contraditórios, que expressam apenas um vago sentimento de insatisfação “por um Brasil melhor” ou “contra tudo isso que está aí”, sem clareza e sem dar nome aos bois. Resultado: grupos esquerdistas e o próprio governo vêm tentando se rearticular para sequestrar as manifestações, com as causas mais disparatadas (“Fora Feliciano”, “contra a ‘bolsa-estupro’” etc.). Assim, os protestos, sem objetivos claros, perdem-se no vazio ou degeneram em baderna e vandalismo – vândalos de lojas e de instituições;

- Mais uma vez, ficou claro que não há oposição no Brasil. Tão perplexos e desorientados pela marcha dos acontecimentos quanto o governo, os partidos soi-disant
 oposicionistas se limitaram a assistir ao povo na rua, perdendo mais uma chance de se colocarem à frente das reivindicações e dos protestos, preferindo continuar no rame-rame de declarações anódinas e/ou eleitoreiras (não se viu até agora, por exemplo, nenhum movimento parlamentar a favor de uma CPI da Copa). Tímida e vacilante, a “oposição” recusou-se a denunciar o governo, chegando mesmo a considerar válida a proposta bolivariana do plebiscito para a reforma política. Um vexame, talvez pior do que o de 2005, quando DEM e PSDB perderam a oportunidade de pedir o impeachment de Lula da Silva, envolvido até o pescoço no escândalo do Mensalão;

- A grande incógnita: Lula. Em silêncio há mais de 200 dias por causa do escândalo Rosemary Noronha (mais um!), o auto-proclamado maior líder mundial da História sumiu de circulação com o início dos protestos. A má notícia é que, com o esfarelamento de Dilma Rousseff e sua queda vertiginosa nas pesquisas, "ele" poderá retornar em 2014 (muita gente no PT torce para que isso ocorra, e quer ver Dilma longe da Presidência). Pode mesmo acontecer uma inflexão mais à esquerda do governo, como a ideia do plebiscito parece antever. Enfim, não há nada certo, e as coisas podem ficar ainda piores do que já estão. A ver.

NOTAS SOBRE UMA "REVOLUÇÃO" IMAGINÁRIA (5)

 
Pode ser que todo esse fuzuê no Brasil não dê em nada, como acho que vai ser o caso, e que no final leve mesmo a uma inflexão mais à esquerda e bolivariana do governo da Dilma Duchefe (por meio de “plebiscitos” etc.), mas somente pelo fato de ter sido um movimento sem bandeiras partidárias valeu a pena. Ver os petistas e esquerdinhas em geral atordoados por terem perdido o controle das ruas é algo que simplesmente não tem preço! Agora só falta a oposição tomar vergonha na cara e cumprir seu papel.
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PERGUNTAR NÃO OFENDE: Curioso como, ao mesmo tempo em que milhares saem às ruas no Brasil, muita gente resolveu tomar chá de sumiço e/ou fazer voto de silêncio nessas últimas três semanas. Em geral, gente que costuma ser bem eloquente e barulhenta. Por que será?
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"Contra a estatuto do nascituro", "contra a 'cura gay'" (sic), "fora Feliciano" etc... Conforme previsto, os protestos, sem rumo e sem clareza, viraram uma Terra do Nunca em que cabe de tudo, menos o essencial, e inclusive slogans contra inimigos imaginarios. Pena.
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ALIÁS, PERGUNTAR NÃO OFENDE... Se os protestos são realmente apartidários (como devem ser), o que fazem neles bandeiras do "movimento LGBT" (um dos braços do lulo-petismo) e o tal "Juntos" (ou seja: o PSOL)? Alguém poderia explicar?
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PROMETO solenemente que, até essa onda de protestos acabar, e também depois dela, vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para infernizar a vida de você, que deu pulinhos de alegria quando foi anunciado que o Brasil iria sediar a Copa do Mundo e outros eventos megalomaníacos inúteis e sorvedores de dinheiro publico para os cofres da companheirada e da FIFA. Juro, com todas as minhas forças, que tudo farei para aporrinhar você, que durante dez anos achou que o Brasil tinha virado, por obra e graça do primeiro presidente operário (que não trabalha desde 1975) e maior líder mundial desde Moisés, uma terra maravilhosa, com serviços públicos de Primeiro Mundo e onde os pobres, em cada vez menor número (?), estariam todos felizes após ingressar, com 500 reais, na classe média (a mesma que Marxilena Chauí odeia e chama de “fascista” e “terrorista”). Não pouparei esforços para espezinhar você, que acreditou – e continua a acreditar! – que o Mensalão não existiu, que a corrupção é “de direita” e que Lula, Dilma e o PT são o supra-sumo da ética e da honestidade. Tudo farei para fazê-lo(a) corar de vergonha por ter acreditado nessa propaganda calhorda, a ponto de achar que o problema não são eles, os lulo-petistas, mas a “mídia conservadora”, o "sistema", o Marco Feliciano ou a polícia que não deixa os "manifestantes" saquearem à vontade, vejam que coisa! Darei o máximo de mim para constranger você, alma ingênua ou militonto, que caiu no conto do vigário do Brasil-Maravilha e bateu palmas para uma política externa ideológica alinhada ao Foro de São Paulo e ao que de pior existe na humanidade. Para você, lulopetista, simpatizante ou idiota útil, dedico este pequeno texto. Prometo que vou encher seu saco até você dizer chega. Ou então, tomar vergonha na cara e começar a pensar antes de embarcar de novo em mais uma roubada.
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Sabem o que apareceu ontem no meio de uma turba de vândalos que atirava pedras na PM em Fortaleza? Uma camiseta com a bandeira das FARC, os narcoterroristas colombianos (e amiguinhos do PT). Será que agora o Rui Falcão vai dizer que vandalismo é coisa da "direita"?
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Gilberto Carvalho disse no ano passado que em 2013 "o bicho vai pegar" (em antecipaçao às eleições no próximo ano). Pelo visto ele tentou fazer isso em SP com os companheiros do MPL, mas o tiro saiu pela culatra. O bicho está pegando, sim, mas é pro lado de Dilma Duchefe. "Nunca na história deste país" se viu um governo tão despreparado, tão incompetente, tão desorientado e desligado da realidade. Sorte dos "companheiros" que o Brasil só tem governo e aliados, e que a "oposição" (rarará) é uma papinha de alface sem sal, que há dez anos não assume seu papel.
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Que lindo os deputados terem aprovado o fim dos 14o e 15o salários para parlamentares. Quase fui às lágrimas de emoção com esse gesto tão magnânimo dos senhores congressistas. Parece que enfim ouviram o "clamor do povo" (nada a ver com as eleições no ano que vem, claro...). Mas uma pergunta não quer calar: a CPI DA COPA, sai ou não sai? E só pra aproveitar o gancho: o VERDADEIRO chefe do Mensalão, o líder mais importante da História da humanidade desde os faraós, o Grande Mudo desses dias, quando vai ver o sol nascer quadrado? Perguntar não ofende...
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Não dá pra resistir à piada... Dilma se antecipou ao juiz do jogo no Maracanã: para não ouvir mais uma vaia, resolveu dar a si mesma um cartão AMARELO...
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27 pontos de queda nas pesquisas... Parece que finalmente os brasileiros começaram a perceber que quem não conseguiu administrar uma loja de 1,99 em Porto Alegre não tem condições de administrar o Brasil... Antes tarde do que nunca.
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Título da biografia de Dilma Rousseff publicado em 2012: "A Vida Quer É Coragem". Não poderia ser mais irônico.
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Vejam o naipe da turma que se reuniu ontem com Dilma Duchefe em Brasília (muitos são sustentados pelo governo):
 
"Conselho Nacional de Juventude (Conjure), UBES, Movimento Sem-Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Marcha Mundial das Mulheres, Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Levante Popular da Juventude, Rede Fale, Hip Hop, Forum de Juventude de BH, União da Juventude Socialista (UJS), Juventude do PT (JPT), UPL, JSB, JSPDT, JPMDB, UNE, PJ, CTB, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Marcha das Vadias, Fora do Eixo e Agência Solano Trindade." (!!!???)
 
Só uma coisa a dizer, diante do que está aí em cima:
 
ELES NÃO ME REPRESENTAM!
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E a oposicinha, mais uma vez, está mostrando que está tão perdida quanto o governo. PLEBISCITO É GOLPE! CPI DA COPA JÁ! Cadê???...
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Caiu mais uma máscara de Dilma Duchefe: a valente ex-guerrilheira que diz orgulhar-se de ter enfrentado a ditadura não teve coragem de encarar o Maracanã. Suportou a tortura, mas fugiu de uma vaia...