domingo, janeiro 20, 2013

A FALÁCIA DESARMAMENTISTA E A DEMAGOGIA OBÂMICA

Confesso que certos assuntos me dão uma preguiça... Por exemplo: Barack Obama. Não consigo pensar no ex-redentor da humanidade sem me ver invadido, subitamente, por uma sensação de tédio mortal e irresistível. Mas vamos lá, noblesse oblige, e queira eu ou não, somos obrigados a lidar com esse canastrão, como se os de cá já não fossem suficientes.

O ex-messias está atualmente em plena cruzada contra a segunda emenda da Constituição dos EUA, que garante ao cidadão o direito à posse e ao porte de armas de fogo. Está aproveitando o clima de emocionalismo criado após o assassinato covarde e brutal de 28 pessoas, entre as quais 20 crianças, cometido há um mês por um demente em Connecticut, para retomar a guerra santa contra o, dizem, "lobby pró-armas", o qual, a se julgar pelo noticiário, deve ser formado por um bando de mentes pervertidas que não dão a mínima para a morte de criancinhas num jardim de infância nas mãos de um louco homicida. Tudo em nome da sua, da nossa, da minha segurança, de um mundo de paz, amor e felicidade etc.

Como disse antes, para mim é impossível conter os bocejos diante de alguns personagens e de alguns temas, de tão monótonos que são. O desarmamentismo, que na Terra do Tio Sam atende pelo nome de gun control, é há décadas uma das causes célèbres da esquerda, lá representada pelo Partido Democrata (o partido de Kennedy e de Franklin Roosevelt, gostam de lembrar, ao mesmo tempo em que fazem questão de esquecer que Lincoln, por exemplo, era republicano). Assim como a palavra "petista" no Brasil é inseparável de coisas como "controle social da mídia", fale em democratas nos EUA e virá junto, inevitavelmente, a expressão gun control. Isso torna o assunto deveras previsível e entediante. Ainda mais se vem travestido de "debate" resultante do último acontecimento a gerar comoção na mídia. O que se chama de "debate" sobre o tema "controle de armas" nos EUA hoje - e podemos dizer o mesmo na Bananalândia - não passa de uma tentativa oportunista de manipular e ludibriar a opinião pública, apelando para o emocionalismo mais rasteiro: Obama fez questão de chorar lágrimas de marketing logo após o massacre das crianças (Nelson Rodrigues dizia que o choro verdadeiro assoa o nariz, e que limpar o canto do olho, como Obama fez, é coisa de fingidor). Não contente, o presidente que já era histórico antes mesmo de ser eleito agora age como um reles molestador infantil, usando descaradamente criancinhas para tentar convencer o distinto público de que o desarmamento amplo, geral e irrestrito é o caminho. Por trás de toda essa encenação, o que há não tem nada a ver com segurança, mas sim com um indisfarçável ímpeto liberticida.

Por que digo essas coisas tão terríveis? Por que, ao contrário da multidão, não me deixo levar pelo irracionalismo, nem me comovo com mises-en-scène políticas como a interpretada por Obama na questão das armas? Porque sou um reacionário, portanto um canalha da pior espécie, um inimigo da paz e da segurança, diria um devoto da seita obâmica. Porque o discurso obamista não corresponde aos fatos, dirá a realidade.

Senão, vejamos. A idéia por trás do discurso desarmamentista é extremamente simples. É a seguinte: armas matam; logo, se não houver armas, não haverá mortes. Portanto, deve-se retirar as armas de circulação, proibi-las, bani-las. Menos armas, menos crimes, é o que se está dizendo. Isso porque existiria uma relação causal insofismável entre a posse de um revólver ou de uma espingarda e a violência. Assim como existiria uma relação causal insofismável entre ter um carro na garagem e esborrachar-se, inevitavelmente, contra um poste. Foi essa a idéia-chave que tentaram nos vender em 2005, com o plebiscito sobre o desarmamento, que foi rejeitado por 64% dos eleitores. E é essa a base, o fundamento mesmo, da teoria do gun control

Aparentemente, estamos diante de uma verdade absoluta, uma lei cientificamente comprovada, tão certa quanto a lei da gravidade. Aparentemente. Porque, se o que está dito no parágrafo anterior fosse verdadeiro, seríamos obrigados a admitir que os números sobre armas e violência no mundo são completamente falsos.

Segundo a mais recente pesquisa feita pela ONU, existem atualmente, nos EUA, cerca de 270 milhões de armas de fogo em circulação, de todos os calibres. É mais do que uma arma para cada cidadão. No Brasil, o número de armas, sob uma legislação extremamente restritiva, é de 15 milhões (para uma população total que se aproxima de 200 milhões). Por esses números, a conclusão lógica seria que os EUA são um verdadeito matadouro de gente - é a impressão que muitos têm após massacres como o de Newtown -, enquanto que a afortunada terra do carnaval seria um oásis de paz e tranquilidade ou, pelo menos, um lugar onde se mata muito menos do que no país dos caubóis (onde, além do mais, existiria uma "cultura da morte", estimulada pela indústria do cinema, os video-games violentos e a direita republicana, como gosta de dizer Arnaldo Jabor).

Pois é. Deveria ser assim, né? Só que, nesse caso, a retórica anti-armas esqueceu de combinar com os fatos, porque os números indicam exatamente o contrário.

Segundo o mencionado levantamento da ONU, que se refere ao ano de 2010, morreram a tiros, nos EUA, 9.960 pessoas. Isso corresponde a 3,2 mortos para cada grupo de 100 mil habitantes. Já no Brasil varonil, de acordo com a mesma pesquisa,  36 mil indivíduos foram vítimas mortais de armas de fogo (19,3 para cada 100 mil habitantes). Ou seja: com DEZESSEIS VEZES MENOS armas do que nos EUA, matou-se, no mesmo período, TRÊS VEZES MAIS pessoas no Brasil (vejam aqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/12/121218_armas_brasil_eua_violencia_mm.shtml.
Conclusão: se há uma relação entre a quantidade de armas e os índices de violência, é que QUANTO MAIS ARMAS, MENOS CRIMES. Exatamente o contrário do que dizem os desarmamentistas e Obama.

Também a experiência de outros países demonstra um enorme fosso entre a realidade e o discurso anti-armas. Em 1974, a Jamaica proibiu todo e qualquer tipo de arma de fogo. De lá para cá, a criminalidade aumentou vertiginosamente, e hoje o país do reggae e de Bob Marley é um dos mais violentos do mundo, só perdendo, em número de mortos em relação à população, para Honduras e Iraque. Em contrapartida, a neutra e pacífica Suiça, cuja lei garante a cada cidadão o direito a ter um fuzil militar dentro de casa, ostenta índices baixíssimos de criminalidade. O mesmo ocorre, é verdade, na Noruega e na Finlândia, que têm leis bastante rigorosas sobre a posse de armamento - o que não impediu que esses países fossem cenário de verdadeiros banhos de sangue em anos recentes. (Aliás, quantas vítimas poderiam ter sido salvas se os assassinos tivessem encontrado pela frente, em vez de alvos indefesos, cidadãos armados?) 

Qualquer pessoa com um mínimo de respeito à lógica e ao bom senso, sem falar em honestidade intelectual, analisando os números acima, chegaria facilmente à conclusão de que toda a discurseira a favor do gun control não passa de mera demagogia, de simples exploração politiqueira de tragédias como a de Sandy Hook para aprovar um pacote de leis que, em vez de reforçar a segurança, irá apenas levar mais intranquilidade à população, impedindo que o cidadão de bem possa defender a si e a sua família.

Isso fica ainda mais claro quando se analisam alguns "argumentos" comumente usados pelos desarmamentistas. Dizem, por exemplo, que o controle de armas é necessário, pois é mais fácil matar dez pessoas com uma pistola do que com uma faca etc. E é mais fácil se defender com uma pistola do que com um faca, esqueceram de dizer. Assim como aparentemente esqueceram que uma pistola ou um rifle com uma capacidade de tiros reduzida matará menos, mas também defenderá menos. O desarmamento funciona. Para os bandidos. (Nem vou me dar ao trabalho de responder ao "argumento" de que armas devem ser proibidas porque há acidentes, o qual ofende a inteligência.)

Se Barack Hussein Obama e seus marqueteiros estivessem realmente interessados em segurança, admitiriam que armas não matam pessoas - pessoas matam pessoas. E que revólveres e pistolas, se são usados para cometer crimes, também são uma garantia de segurança e de liberdade. Como, aliás, já sabiam os Founding Fathers, os pais fundadores da nação norte-americana. Não foi por acaso que o direito a possuir e a portar armas foi inserido no texto da Constituição do país. Não deve ser por acaso, também, que a revogação desse direito constitucional é algo tão caro a Obama e seus seguidores. Para quem se dedica, há anos, a se esquivar de perguntas incômodas sobre sua nacionalidade e sobre amizades suspeitas, querer impor um controle maior sobre os antecedentes dos donos de armas deveria ser visto como uma atitude, no mínimo, incoerente.        

quarta-feira, janeiro 02, 2013

A DÉCADA PERDIDA – POR MARCO ANTONIO VILLA

A década perdida

31 de dezembro de 2012
MARCO ANTONIO VILLA - O Estado de S.Paulo

A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 foi recebida como um conto de fadas. O País estaria pagando uma dívida social. E o recebedor era um operário.

Operário que tinha somente uma década de trabalho fabril, pois aos 28 anos de idade deu adeus, para sempre, à fábrica. Virou um burocrata sindical. Mesmo assim, de 1972 a 2002 - entre a entrada na diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e a eleição presidencial -, portanto, durante 30 anos, usou e abusou do figurino do operário, trabalhador, sofrido. E pior, encontrou respaldo e legitimação por parte da intelectualidade tupiniquim, sempre com um sentimento de culpa não resolvido.

A posse - parte dos gastos paga pelo esquema do pré-mensalão, de acordo com depoimento de Marcos Valério ao Ministério Público - foi uma consagração. Logo a fantasia cedeu lugar à realidade. A mediocridade da gestão era visível. Como a proposta de governo - chamar de projeto seria um exagero - era inexequível, resolveram manter a economia no mesmo rumo, o que foi reforçado no momento da alta internacional no preço das commodities.

Quando veio a crise internacional, no final de 2008, sem capacidade gerencial e criatividade econômica, abriram o baú da História, procurando encontrar soluções do século 20 para questões do século 21. O velho Estado reapareceu e distribuiu prebendas aos seus favoritos, a sempre voraz burguesia de rapina, tão brasileira como a jabuticaba. Evidentemente que só poderia dar errado. Errado se pensarmos no futuro do País. Quando se esgotou o ciclo de crescimento mundial - como em tantas outras vezes nos últimos três séculos -, o governo ficou, como está até hoje, buscando desesperadamente algum caminho. Sem perder de vista, claro, a eleição de 2014, pois tudo gira em torno da permanência no poder por mais um longo tempo, como profetizou recentemente o sentenciado José Dirceu.

Os bancos e as empresas estatais foram usados como instrumentos de política partidária, em correias de transmissão, para o que chamou o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, de "projeto criminoso de poder", quando do julgamento do mensalão. Os cargos de direção foram loteados entre as diferentes tendências do Partido dos Trabalhadores (PT) e o restante foi entregue à saciedade dos partidos da base aliada no Congresso Nacional. O PT transformou o patrimônio nacional, construído durante décadas, em moeda para obter recursos partidários e pessoais, como ficou demonstrado em vários escândalos durante a década.

O PT era considerado uma novidade na política brasileira. A "novidade" deu vida nova às oligarquias. É muito difícil encontrar nos últimos 50 anos um período tão longo de poder em que os velhos oligarcas tiveram tanto poder como agora. Usaram e abusaram dos recursos públicos e transformaram seus Estados em domínios familiares perpétuos. Esse congelamento da política é o maior obstáculo ao crescimento econômico e ao enfrentamento dos problemas sociais tão conhecidos de todos.

Não será tarefa fácil retirar o PT do poder. Foi criado um sólido bloco de sustentação que - enquanto a economia permitir - satisfaz o topo e a base da pirâmide. Na base, com os programas assistenciais que petrificam a miséria, mas garantem apoio político e algum tipo de satisfação econômica aos que vivem na pobreza absoluta. No topo, atendendo ao grande capital com uma política de cofres abertos, em que tudo pode, basta ser amigo do rei - a rainha é secundária.

A incapacidade da oposição de cumprir o seu papel facilitou em muito o domínio petista. Deu até um grau de eficiência política que o PT nunca teve. E o ano de 2005 foi o ponto de inflexão, quando a oposição, em meio ao escândalo do mensalão, e com a popularidade de Lula atingindo seu nível mais baixo, se omitiu, temendo perturbar a "paz social". Seu principal líder, Fernando Henrique Cardoso, disse que Lula já estava derrotado e bastaria levá-lo nas cordas até o ano seguinte para vencê-lo facilmente nas urnas. Como de hábito, a análise estava absolutamente equivocada. E a tragédia que vivemos é, em grande parte, devida a esse grave erro de 2005. Mas, apesar da oposição digna de uma ópera-bufa, os eleitores nunca deram ao PT, nas eleições presidenciais, uma vitória no primeiro turno.

O PT não esconde o que deseja. Sua direção partidária já ordenou aos milicianos que devem concentrar os seus ataques na imprensa e no Poder Judiciário. São os únicos obstáculos que ainda encontram pelo caminho. E até com ameaças diretas, como a feita na mensagem natalina - natalina, leitores! - de Gilberto Carvalho - ex-seminarista, registre-se - de que "o bicho vai pegar". A tarefa para 2013 é impor na agenda política o controle social da mídia e do Judiciário. Sabem que não será tarefa fácil, porém a simples ameaça pode-se transformar em instrumento de coação. O PT tem ódio das liberdades democráticas. Sabe que elas são o único obstáculo para o seu "projeto histórico". E eles não vão perdoar jamais que a direção petista de 2002 esteja hoje condenada à cadeia.

A década petista terminou. E nada melhor para ilustrar o fracasso do que o crescimento do produto interno bruto (PIB) de 1%. Foi uma década perdida. Não para os petistas e seus acólitos, claro. Estes enriqueceram, buscaram algum refinamento material e até ficaram "chiques", como a Rosemary Nóvoa de Noronha, sua melhor tradução. Mas o Brasil perdeu.

Poderíamos ter avançado melhorando a gestão pública e enfrentado com eficiência os nossos velhos problemas sociais, aqueles que os marqueteiros exploram a cada dois anos nos períodos eleitorais. Quase nada foi feito - basta citar a tragédia do saneamento básico ou os milhões de analfabetos.

Mas se estagnamos, outros países avançaram. E o Brasil continua a ser, como dizia Monteiro Lobato, "essa coisa inerme e enorme".

MARCO ANTONIO VILLA É HISTORIADOR E PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS (UFCAR)

domingo, dezembro 30, 2012

FELIZ 2013!

COM OS SINCEROS VOTOS DE QUE NOSSOS SONHOS SE REALIZEM NO ANO QUE SE INICIA...

TORTURANDO A REALIDADE. OU: A SUPERIORIDADE MORAL DAS DEMOCRACIAS

 
Ando meio sem assunto nos últimos dias. Culpa, talvez, do clima "paz e amor" que toma conta de tudo e de todos nesta época do ano, e certamente também dos esquerdopatas - é tedioso refutar suas imposturas, admito. Mas vou quebrar a regra e dar um pouco de atenção a alguém, que se assina "E agora, José?" (ah, esses apelidos engraçadinhos... o que leva alguém a se identificar desse jeito? Freud explica). Pois o tal "E agora, José?" deu-se ao trabalho de enviar um comentário a meu texto "O BODE EXPIATÓRIO DO MUNDO", em que trato do antiamericanismo, essa doença infantil dos idiotas à esquerda e à direita. Eis o que diz o rapaz (ou a moça, sei lá):

Excelente matéria da revista "Veja" (19 de dezembro de 2012) sobre a Tortura. Matéria: "A volta dos Suplícios" p. 130-132, falando justamente sobre a prática de simulação de afogamento utilizada pelos EUA para torturar seus presos políticos.

Como diz a matéria no final: " É claro que a tortura, às vezes, é eficaz. Em outras, é ineficaz. Mas em qualquer situação é crime"!
 
Sei não... A se julgar pelo nome do(a) remetente, e do contexto em que o comentário está inserido, deduzo que se trata de (posso estar enganado, mas vamos lá) uma, digamos, "crítica" à minha visão sobre a enfermidade antiamericana, em especial sobre os, digamos, "argumentos" pretensamente humanistas brandidos pelos inimigos dos EUA (e da espécie humana) para enfrentar e derrotar a ameaça terrorista (em geral, os mesmos que fazem contorcionismos mentais para justificar os atentados terroristas como uma forma de "resistência"...). Mais especificamente, seria uma crítica aos métodos adotados pelas forças de segurança dos EUA e seus aliados contra os terroristas. Mais especificamente ainda (estou fazendo isso na base do chute), o alvo da crítica seria a controversa prática do waterboarding, de que já tratei aqui em outros textos.
 
Muito bem. Caso o que vem acima esteja certo, e o autor do comentário realmente esteja mirando nesse alvo, sinto dizer, mas ele(a) errou de endereço.
 
Concordo plenamente com a matéria da VEJA. Não uso de eufemismos. Waterboarding é tortura. E tortura é crime. Ponto final. Moral e politicamente, torturar um prisioneiro, seja por qual método for, é indefensável. Desafio qualquer um a mostrar algum trecho de qualquer post meu em que me afasto, por mínimo que seja, dessa afirmação. A tal ponto que até acho estranho alguém ter-se dado ao trabalho de mencionar a referida matéria.
 
Assim como tenho horror à tortura, chego a perder a paciência com quem insinua qualquer equivalência moral entre os Navy Seals e a Al Qaeda ou o Talibã (ou entre Israel e o Hamas). Comparar os métodos (e os objetivos) de uns e de outros, de forma a dizer que são todos iguais do ponto de vista da moralidade, é uma ofensa grave à razão e à inteligência.  Fico ainda mais convencido disso quando, ao ler o mesmo texto de autoria de André Petry, correspondente da revista em Nova York, deparo com um trecho que eu subscreveria tranquilamente. Por sorte (e, talvez, azar de quem mandou o comentário), tenho um exemplar da revista na minha frente. E lá está escrito, na mesma matéria, à página 132, segundo parágrafo:       
 
As democracias ocidentais - e os Estados Unidos entre elas, é claro - são moralmente superiores aos terroristas da Al Qaeda e seus protetores. Elas atuam sob o império da lei, sob a égide de uma Constituição, dão satisfação à opinião pública e, flagrados no erro, abrem investigações, punem os infratores e tentam corrigir o rumo. Soldados americanos torturaram guerrilheiros vietcongues. Foram processados e punidos. A França pagou um alto preço pelo uso da tortura na guerra da Argélia.  Nada disso, como se sabe, acontece no universo do terrorismo. [...]
 
Preciso dizer que assino embaixo?
 
(Talvez quem mandou o comentário seja uma dessas almas sensíveis que ficaram horrorizadas no ano passado com a morte de Osama Bin Laden, em particular com o fato de que as informações que levaram os EUA até ele foram obtidas por meio de waterboarding. Nesse caso, insisto em saber que outro meio, mais eficaz e menos doloroso, essas nobres almas propõem para obter tais informações e chegar ao megaterrorista. Aguardo resposta.)
 
Uma das características da parvoíce é disfarçar-se de sabedoria, fazendo uma leitura muito parcial e seletiva da realidade para defender imposturas e preconceitos. Isso se manifesta na tentativa, por exemplo, de acusar os que defendem a superioridade moral dos EUA e de Israel em relação a seus inimigos de "defensores da tortura", o que é uma clara demonstração de desonestidade intelectual e de fasificação da verdade. Que práticas como o waterboarding, que raramente deixam sequelas físicas, sejam consideradas uma forma de tortura nos EUA, sendo, inclusive, objeto de debate público (alguém consegue visualizar tal fato em Cuba ou na Coréia do Norte?), e que aqueles que a empregam em nome da segurança nacional sejam execrados e punidos, é uma prova mais que suficiente de que os EUA tratam seus prisioneiros de forma muito mais humana do que seus inimigos o fazem. Estes, ao contrário dos americanos, não possuem tais escrúpulos morais. Desafio qualquer um a refutar esse fato.
 
Em todos os textos que escrevi sobre o tema tentei deixar claro meu posicionamento contrário à tortura e a favor da democracia contra o terrorismo. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito de muitos que ficam "indignados" com o tratamento dado pelas autoridades americanas e israelenses aos terroristas da Al Qaeda ou do Hamas - os quais não têm, aliás, nenhum pudor no uso de métodos de interrogatório muito mais duros do que o waterboarding... Alguém tem alguma dúvida quanto a isso?
 
Mas querer que aqueles cujas mentes estão poluídas pelo veneno do antiamericanismo (e de seu complemento quase obrigatório, o antissemitismo, velado ou não) entendam esse fato fundamental talvez seja pedir-lhes demais. Para essas pessoas, nenhum fato ou argumento é suficiente para mostrar-lhes que a causa dos EUA e de Israel contra o terrorismo é, na verdade, a causa da civilização contra a barbárie. Para eles, os antiamericanos, analisar os fatos e enxergar o essencial é uma forma de... tortura. 
 
Em resumo, eu posso dormir com a consciência tranquila, pois me oponho à tortura e defendo a democracia.
 
E o autor do comentário, será que pode dizer o mesmo?
 
E agora, José?

terça-feira, dezembro 18, 2012

MAIS UM MASSACRE - E MAIS UMA PERGUNTA SEM RESPOSTA

Tem histórias que, de tanto se repetirem, ficam monótonas.

Vejam o alarido dos desarmamentistas - como é insistente esse pessoal! - após o último massacre ocorrido nos EUA. Há alguns dias, um débil mental entrou armado numa escola primária no estado de Connecticut e fuzilou 28 pessoas, a maioria crianças, antes de suicidar-se com um tiro. Foi a senha para o lobby anti-armas, estimulado pelas lágrimas reptilianas de Obama, voltarem a agitar suas bandeiras.

Nem precisei esperar a notícia acabar e eu já sabia exatamente, palavra por palavra, o que diria a turma "da paz", adepta do gun control. Como em 100% dos casos envolvendo pessoas e armas de fogo, o discurso já estava pronto: revoguem a segunda emenda da Constituição, proíbam-se as armas, e as vítimas ainda estariam vivas. Impeçam o cidadão de ter acesso legalmente a armas, e casos assim não ocorrerão jamais. Retirem as armas de circulação, e todos viverão felizes para sempre. É o que sempre dizem em tais casos, e é o que sempre dirão. 

Em vários textos, tratei desse tema - quem tiver interesse, é só pesquisar -, de modo que, mais uma vez, não irei repetir os argumentos que usei para demonstrar a falácia essencial do discurso desarmamentista. Como da última vez, vou me limitar a fazer uma pergunta (é simples, não é tão difícil de responder). É a seguinte:

Por que assassinos como o de Sandy Hook sempre escolhem, para abrir fogo e cometer suas chacinas, lugares como escolas, templos religiosos ou escritórios, e não, por exemplo, uma feira de armas ou um clube de tiro?

Já fiz essa mesma pergunta antes. Fiquei sem resposta. Será que terei alguma, desta vez?

A propósito, se me perguntarem que resposta eu daria para casos como o de massacre em New Town, eu a tenho na ponta da língua. Só não sei se o calibre da resposta seria 12 ou 45.  

terça-feira, dezembro 11, 2012

PARA VIVER 105 ANOS (SEGUNDO OSCAR NIEMEYER)


Depois de derramar baldes de lágrimas nos últimos dias com todas as homenagens oficiais e oficiosas ao "gênio" Oscar Niemeyer, e de compará-las com sua vida e suas ideias, cheguei a uma conclusão.

Trata-se de uma receita para quem quiser viver 105 anos (tal como o "gênio"). Acho que a encontrei. Ei-la.

Além das dicas de saúde de praxe, que todos mais ou menos conhecem (não fumar nem beber em excesso, praticar exercícios físicos regularmente, alimentar-se bem etc.), o segredo da longevidade consiste no seguinte:

- Gostar do próprio trabalho. Principalmente se não precisar enfrentar concorrência - se for projetando prédios em que você não precise trabalhar, melhor;

- Ser idolatrado por uma multidão de adoradores, que não cansam de repetir como você é genial, divino e maravilhoso, um bambambã, a última bolacha do pacote. A ponto de citarem até a maior banalidade dita por você como se fosse um aforismo de Pascal ou um soneto de Shakespeare;

e, o mais importante,

- Ser um completo idiota em política. Por exemplo: considerando um "homem admirável" um dos maiores tiranos e assassinos da História e enaltecendo um regime genocida que deixou mais de 100 milhões de mortos (o que o torna, na prática, um cúmplice moral desses crimes contra a humanidade). Para esses, infelizmente, o segredo da longevidade de Niemeyer chegou tarde demais.

Ao contrário de Oscar Niemeyer e de outros ícones da esquerda como José Saramago e Eric Hobsbawn, não preencho nenhum dos requisitos acima. Por isso, dificilmente chegarei aos 100 anos de idade. Tampouco receberei flores de Fidel Castro e serei enterrado ao som da "Internacional Comunista". Mas, pelo menos, morrerei feliz com minha consciência.

P.S.: Vejam uma pequena amostra da "genialidade" do grande arquiteto e derradeiro stalinista: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.gr/2009/01/ideologia-gag-de-niemeyer.html

terça-feira, novembro 27, 2012

“GUARANI-KAIOWÁ DE BOUTIQUE” – POR LUIZ FELIPE PONDÉ


Muito bom texto. Luiz Felipe Pondé faz picadinho de mais uma "causa da moda", tão ao gosto da beautiful people devota da religião politicamente correta. E de quebra ainda nos brinda com uma ótima reflexão sobre a banalidade e a mediocridade reinantes no mundo virtual. Saiu na Folha do dia 20/11.

A propósito, alguém sabe como se escreve "viva a civilização" em guarani-kaiowá? (GB)
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GUARANI-KAIOWÁ DE BOUTIQUE


LUIZ FELIPE PONDÉ

As redes sociais são mesmo a maior vitrine da humanidade, nelas vemos sua rara inteligência e sua quase hegemônica banalidade. A moda agora é “assinar” sobrenomes indígenas no Facebook. Qualquer defesa de um modo de vida neolítico no Face é atestado de indigência mental.

As redes sociais são um dos maiores frutos da civilização ocidental. Não se “extrai” Macintosh dos povos da floresta; ao contrário, os povos da floresta querem desconto estatal para comprar Macintosh. E quem paga esses descontos somos nós.

Pintar-se como índios e postar no Face devia ser incluído no DSM-IV, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

Desejo tudo de bom para nossos compatriotas indígenas. Não acho que devemos nada a eles. A humanidade sempre operou por contágio, contaminação e assimilação entre as culturas. Apenas hoje em dia equivocados de todos os tipos afirmam o contrário como modo de afetação ética.

Desejo que eles arrumem trabalho, paguem impostos como nós e deixem de ser dependentes do Estado. Sou contra parques temáticos culturais (reservas) que incentivam dependência estatal e vícios típicos de quem só tem direitos e nenhum dever. Adultos condenados a infância moral seguramente viram pessoas de mau-caráter com o tempo.

Recentemente, numa conversa profissional, surgiu a questão do porquê o mundo hoje tenderia à banalidade e ao ridículo. A resposta me parece simples: porque a banalidade e o ridículo foram dados a nós seres humanos em grandes quantidades e, por isso, quando muitos de nós se juntam, a banalidade e o ridículo se impõem como paisagem da alma. O ridículo é uma das caras da democracia.

O poeta russo Joseph Brodsky no seu ensaio “Discurso Inaugural”, parte da coletânea “Menos que Um” (Cia. das Letras; esgotado), diz que os maus sentimentos são os mais comuns na humanidade; por isso, quando a humanidade se reúne em bandos, a tendência é a de que os maus sentimentos nos sufoquem. Eu digo a mesma coisa da banalidade e do ridículo. A mediocridade só anda em bando.

Este fenômeno dos “índios de Perdizes” é um atestado dessa banalidade, desse ridículo e dessa mediocridade.

Por isso, apesar de as redes sociais servirem para muita coisa, entre elas coisas boas, na maior parte do tempo elas são o espelho social do ridículo na sua forma mais obscena.

O que faz alguém colocar nomes indígenas no seu “sobrenome” no Facebook? Carência afetiva? Carência cognitiva? Ausência de qualquer senso do ridículo? Falta de sexo? Falta de dinheiro? Tédio com causas mais comuns como ursinhos pandas e baleias da África? Saiu da moda o aquecimento global, esta pseudo-óbvia ciência?

Filosoficamente, a causa é descendente dos delírios do Rousseau e seu bom selvagem. O Rousseau e o Marx atrasaram a humanidade em mil anos. Mas, a favor do filósofo da vaidade, Rousseau, o homem que amava a humanidade, mas detestava seus semelhantes (inclusive mulher e filhos que abandonou para se preocupar em salvar o mundo enquanto vivia às custas das marquesas), há o fato de que ele nunca disse que os aborígenes seriam esse bom selvagem. O bom selvagem dele era um “conceito”? Um “mito”, sua releitura de Adão e Eva.

Essas pessoas que andam colocando nomes de tribos indígenas no seu “sobrenome” no Face acham que índios são lindos e vítimas sociais. Eles querem se sentir do lado do bem. Melhor se fossem a uma liquidação de algum shopping center brega qualquer comprar alguma máquina para emagrecer, e assim, ocupar o tempo livre que têm.

Elas não entendem que índios são gente como todo mundo. Na Rio+20 ficou claro que alguns continuam pobres e miseráveis enquanto outros conseguiram grandes negócios com europeus que, no fundo, querem meter a mão na Amazônia e perceberam que muitos índios aceitariam facilmente um “passaporte” da comunidade europeia em troca de grana. Quanto mais iPad e Macintosh dentro desses parques temáticos culturais melhor para falar mal da “opressão social”.

Minha proposta é a de que todos que estão “assinando” nomes assim no Face doem seus iPhones para os povos da floresta.

quinta-feira, novembro 22, 2012

EM DEFESA DO ÓBVIO

O Brasil - eu quase escrevi: o mundo (ainda não perdi totalmente a esperança...) - está se tornando um lugar em que afirmar o óbvio está cada vez mais difícil. E isso por culpa de "movimentos" (faço questão das aspas) que, em nome de "causas" as mais díspares - e disparatadas - querem porque querem convencer a todos que dois mais dois são cinco, como no célebre livro de Orwell.
 
Em que consiste a tática dos politicamente corretos, herdeiros diretos ou indiretos da velha "linha justa" dos partidos comunistas? Eis alguns exemplos.
 
- Fulano defende o direito de Israel se defender dos ataques terroristas do Hamas e condena o uso por este de civis palestinos, inclusive crianças, como escudos humanos (o que traz sempre dividendos propagandísticos contra Israel)? É um "sionista fanático, racista, imperialista e genocida".
 
- Quer ver os mensaleiros respondendo por seus crimes na cadeia? É um membro da "elite golpista", defensora de um "moralismo udenista de classe média".
 
- Considera o culto da ignorância promovido pelo lulopetismo uma ofensa aos pobres que estudam? É um "preconceituoso" e "elitista".
 
- É contrário ao sistema de cotas raciais no serviço público, pois se trata da oficialização do racismo (pior: num país de mestiços), e tem dúvidas quanto à sinceridade de Barack Obama no tocante à sua nacionalidade? É um "racista" e "teórico da conspiração".
 
- Não se deixa levar pelo discurso ensaiado e baseado em desinformação de celebridades televisivas contra a construção de uma usina hidrelétrica, sem a qual o país corre o risco de ficar às escuras? É um "inimigo da natureza" e defensor dos "interesses ruralistas".  
  
- É contra o desarmamentismo e a "descriminalização" da maconha, e defende leis mais severas para punir a criminalidade, como a redução da maioridade penal para 16 anos? É um "fascista".
 
- Considera revanchismo a idéia de rever a Lei de Anistia de 1979 para punir apenas um dos lados do conflito ideológico dos anos do regime militar, lembrando que a esquerda armada praticou terrorismo e assassinatos? É um "defensor da ditadura", "favorável a torturadores" etc. 
 
- Quer saber a verdadeira opinião de Dilma Rousseff sobre questões como o kit-gay e o aborto? É um representante da "direita medieval" etc. etc.
 
E, finalmente:
 
- Acredita que 1) aquilo que se faz na cama é um assunto estritamente privado; 2) preferências sexuais não devem ser fonte de direitos (nem de deveres); 3)criminalizar a "homofobia" é um disparate que levaria inexoravelmente à institucionalização da censura; 4) o Brasil está longe de ser um matadouro de homossexuais; e 5) nenhum comportamento humano está acima de crítica ou de chacota? Então só pode ser um "homofóbico", "preconceituoso" e inimigo da liberdade e da diversidade sexual etc. etc. etc. - ou seja: um leitor da VEJA (a "mídia golpista").
 
Qualquer pessoa ainda não lobotomizada pela propaganda esquerdopata e "politicamente correta" não terá dificuldade alguma em perceber que as conclusões acima são uma grossa empulhação, uma tremenda impostura decorrente da mais despudorada desonestidade intelectual. É algo facilmente notado por qualquer pessoa razoavelmente dotada de inteligência. Menos, claro, se você for um militante.

O leitor razoavelmente informado e perspicaz também já deve ter percebido do quê estou falando. Há dias, um artigo do colunista da VEJA J.R. Guzzo é motivo de revolta entre os militantes gays (que eu prefiro chamar de gayzistas) e seus simpatizantes. Estes inundaram as redes sociais de comentários indignados, supostamente por causa de uma alusão a cabras que os deixou particularmente ofendidos. Alusão esta que não passou disso: uma alusão, referente ao fato de que o casamento, em nossa sociedade, não é um direito ilimitado, daí a idéia do "casamento gay" não ser algo assim tão simples - assim como a união matrimonial entre um homem (ou mulher) e uma cabra (ou um bode). Aliás, ninguém é obrigado por lei a gostar de gays, de cabras ou de espinafre, é?
 
Em texto meu anterior, fiz questão de rebater ponto a ponto os "argumentos" utilizados por um conhecido porta-voz político-artístico do "movimento" gayzista que, para tentar desqualificar o texto de Guzzo, demonstrou claramente não ter entendido o que leu (se é que leu). E tentei deixar claro - acredito que consegui fazê-lo - que o que mexeu com os brios do pessoal LGBT (ainda é assim que se chamam?) não tem nada a ver com cabras e espinafres: foram simplesmente os fatos citados acima, que Guzzo menciona em seu texto. Principalmente dois fatos que ainda esperam ser contestados: que os gays não são uma classe especial e diferente de cidadãos e que a propaganda gayzista, ao insistir na idéia contrária, acaba confirmando a Lei das Consequências Indesejadas, segundo a qual o resultado de uma luta - nesse caso, por "igualdade" - termina sendo, paradoxalmente, o seu inverso (o mesmo pode ser dito das cotas raciais, que, a pretexto de combater a discriminição racial, acabaram oficializando-a).  Assim, o "movimento" gayzista acaba conspirando contra os próprios homossexuais (que não são todos militantes da "causa", é bom que se diga). 
 
Como eu disse, já escrevi sobre o tema, e não pretendo me repetir. Vou apenas acrescentar um dado que julgo relevante. Trata-se da definição da assim chamada "homofobia", cuja criminalização é uma das principais bandeiras do "movimento" gayzista. Assim como J.R. Guzzo, tenho sérias dúvidas sobre o que viria a ser essa tal "homofobia" de que tanto falam. E, assim como o colunista da VEJA, não consigo ver nenhum sentido em criminalizar algo que não se sabe exatamente o que é e que ninguém - repito: ninguém - até agora definiu com clareza. "Homofobia" é, para dizer o mínimo, algo extremamente vago. Ao contrário, por exemplo, de "Matar alguém" ou de "Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso" (Artigo 208 do Código Penal Brasileiro; pena: detenção, de 1 mês a 1 ano, ou multa) - algo que costuma ocorrer, diga-se, nas paradas gay em várias capitais. Nesse caso, trata-se de um crime claramente tipificado pelas leis do país. Mas, "homofobia"? O que raios é "homofobia"? Citar uma passagem da Bíblia (ou do Corão) que condena a prática homossexual? Mas proibir tal coisa, concordando-se ou não com o trecho assinalado, é claramente um atentado à liberdade religiosa, um dos pilares da democracia. O que resta, então?  Uma piada de bar, talvez? É, sobra essa alternativa. Nesse caso, o que vai a seguir teria de ser proibido:
 
 
Pode-se considerar uma piada de mau gosto, ou discordar de um ponto de vista. Mas pode-se, sob qualquer pretexto, tentar censurá-los em um estado de direito democrático? De qualquer maneira, o que se estaria criminalizando é nada mais, nada menos, do que uma opinião. E delito de opinião só existe em ditaduras. Preciso ser mais claro?
 
Em outras palavras, é o seguinte: para que a tal "homofobia" seja transformada em crime, como pretendem os militantes gayzistas, a liberdade de expressão e de opinião - inclusive a liberdade de contar uma simples piada de bichinha - teria que ir para as cucuias. Isso significaria que todos teriam de ser obrigados a gostar, por lei, de gays. Ou de cabras e de espinafre.
 
Essa é a questão que está por trás (no bem sentido, claro...) de toda a onda de revolta e de indignação dos gayzistas contra o artigo da VEJA. Todo o resto - revolta por ser comparado a uma cabra, por exemplo - não passa de faniquito de viadinhos afetados e nervosinhos. Coisa de boiola.
 
Quando o debate está de antemão tolhido pelo discurso militante, que demoniza o antagonista em vez de analisar os fatos com honestidade, quem perde é a inteligência. Os militantes de "movimentos" como o LGBT se especializaram em satanizar seus críticos, cobrindo-os de injúrias de todos os tipos quando se dizem, eles mesmos, vítimas de injúria. Com essa tática desonesta, procuram desviar a atenção de fatos que lhes são incômodos, por destoarem frontalmente de seu discurso vitimista, fugindo do debate e colocando-se, assim, acima de qualquer crítica. A se julgar pela repercussão negativa do artigo da VEJA, a tática funciona.  

quinta-feira, novembro 15, 2012

DE GAYS, CABRAS E ASNOS


Causou furor esta semana um artigo de J.R. Guzzo publicado na revista VEJA, tão acusada de "reacionarismo" pela turma que adora dizer que não a lê (mas se enche de raiva e indignação mesmo assim, vai entender...). O pessoal da esquerda-caviar, defensora do "controle social da mídia" (o que não incluiria, certamente, os telejornais da Record e a chapa-branca Carta Capital), e em particular os defensores da chamada "causa gay", rodaram a baiana e ameaçaram fazer um grande auto-de-fé com o articulista por causa do texto "Parada gay, cabra e espinafre".
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Pois bem. Eu estava quase achando graça nas piadas com referências a cabras e à VEJA que vi no Facebook e em outras redes sociais quando, ao clicar em um link, deparei-me com um artigo do ex-BBB e deputado federal (não necessariamente nesta ordem) Jean Wyllys (PSOL-RJ). Ao lê-lo, ficou claro para mim que grande parte da raiva dos gays e cia. com o artigo de Guzzo decorreu do fato de que simplesmente se abstiveram de ler o mencionado artigo ou, se o leram, não entenderam patavina, ou não quiseram entender, o que não me surpreenderia. E me deu vontade de aplaudir o texto de Guzzo.
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Antes, porém, de começar a análise do que seria a réplica do deputado-celebridade, devo começar afirmando que uma das coisas mais funestas hoje em dia - tão funesta quanto as tentativas dos petistas de justificar ou negar o mensalão, por exemplo - é a politização (ou, melhor dizendo: a ideologização) da vida privada. O que se faz entre quatro paredes, desde que não envolva menores de idade, violência não-consensual ou animais, deveria ficar entre quatro paredes, é o que diz o bom senso. Trata-se de assunto que é, ou deveria ser, estritamente privado, pertencente unicamente à esfera particular, e não política. Pelo mesmo motivo, é absurdo querer que preferências sexuais sejam fonte de direitos ou deveres. Acho que isso é mais ou menos óbvio para qualquer pessoa civilizada, não?
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Mas vamos ao texto de Jean Wyllys. Logo no início, lê-se uma clara demonstração de intolerância por parte de um autoproclamado paladino da tolerância, quando este, dizendo haver prometido não responder à coluna do ex-diretor de redação da VEJA "para não ampliar a voz dos imbecis", afirma que o texto deste "trata sobre [sic] o relacionamento dele com uma cabra e sua rejeição ao espinafre, e usa esses exemplos de sua vida pessoal como desculpa para injuriar os homossexuais", sendo, assim, um "monumento à ignorância, ao mau gosto e ao preconceito". Fecha aspas.
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Quem quer que tenha passado os olhos sobre o artigo de Guzzo  (a íntegra vai ao final deste texto) não terá dificuldade em perceber que Jean Wyllys torce o sentido do artigo para fazer um ataque pessoal ao colunista, de baixo nível e - ironicamente - de péssimo gosto. Ao usar os pronomes "dele" e "sua", bem como a expressão "de sua vida pessoal" (de J.R.Guzzo), Jean Wyllys insinua - pior: afirma taxativamente - que o colunista teria tido um "relacionamento" com um espécime caprino. Pode-se ver no trecho destacado acima uma clara ofensa pessoal, que pode ser interpretada como injúria, crime passível de punição pelo Código Penal.
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Em seguida, Jean Wyllys, tomado de furor semântico (o policiamento da linguagem é outra característica desse pessoal), envereda por uma discussão meio acadêmica sobre os termos "homossexualismo" e "estilo de vida gay", que seriam, segundo ele, equivocados, sendo o correto falar em "homossexualidade" (homossexualismo traduziria uma tendência ideológica ou política). Não seria, tampouco, uma opção, pois "ninguém escolhe ser homo, hétero ou bi"  e "a orientação sexual é constitutiva da subjetividade de cada um/a e que esta não muda (Gosta-se de homem ou de mulher desde sempre e se continua gostando)" etc.
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Deixando de lado a questão de qual seria o termo correto segundo Jean Wyllys, o "movimento" LGBT, a ONU ou a ABNT, acho estranho esse ponto, porque são os gays os primeiros a se reivindicarem de um "movimento" (o próprio Jean Wyllys é um representante desse "movimento", como não cansa de dizer). E movimento, seja qual for, não existe sem uma ideologia que o alimente e impulsione, sem um "ismo". Fala-se em feminismo, por exemplo, e ninguém parece se indignar com a expressão. No caso aqui analisado, há claramente uma ideologia, o homossexualismo. Ou, melhor dizendo, o gayzismo, apologista da opção (ou do estilo de vida, sei lá eu) gay ou LGBT.
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Quanto a ser ou não uma opção, há registros de gays que, voluntariamente, decidiram tornar-se héteros (e vice-versa). Há alguns dias, inclusive, chamou a atenção o caso de um adolescente na Grã-Bretanha que, arrependido de ter feito uma operação de mudança de sexo, queria reverter - inutilmente, pelo visto - a cirurgia para voltar a ser menino... E assim como há libélulas que decidem, voluntariamente, deixar de ser gays há machões que, um belo e florido dia, resolvem sair do armário (os militantes gays, aliás, adoram citar casos assim, e os exibem como se fossem troféus). Longe de mim querer competir com autoridades no assunto como o deputado Jean Wyllys, mas fatos são fatos, não?
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Enfim, se o gayzismo não existe, e não é uma ideologia, uma opção de vida ou de pensamento da qual se pode fazer proselitismo, o que seria, então? Talvez o nobre deputado Jean Wyllys tenha a resposta.
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Jean Wyllys prossegue, dizendo que "esse deslize lógico só não é mais constrangedor do que sua [de J.R. Guzzo] afirmação de que não se pode falar em comunidade gay e que o movimento gay não existe porque os homossexuais são distintos. E o movimento negro? E o movimento de mulheres? Todos os negros e todas as mulheres são iguais, fabricados em série?"
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Ao que parece, para o senhor Jean Wyllys, negros e mulheres podem não ser fabricados em série, mas gays, sim. A associação do "movimento gay" com outros movimentos é um truque retórico e um primor de desonestidade. Faz parte do discurso da vitimização gayzista, que pinta os gays como uma minoria oprimida ou à beira da extinção violenta (já chego lá). Mas tudo bem, empreguemos o raciocínio do ilustre deputado. Sim, o mesmo vale para os demais movimentos. E isso porque, como falar em "movimentos" ou "comunidades" baseadas em raça ou em sexo se todos são, na verdade, INDIVÍDUOS?
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Pelo visto é isso - a existência do indivíduo, em toda a sua complexidade - o que mais incomoda o distinto legislador. Ele não vê os gays como seres individuais, com interesses e opiniões políticas diversas (inclusive, anti-gayzistas, pois nem todos os gays pactuam do credo LGBT), mas como membros de um "coletivo", uma "comunidade". Para ele, é inconcebível que haja homossexuais que não sejam militantes, que preferem, em vez de agitar bandeiras, simplesmente ser deixados em paz para viver suas vidas da maneira que escolherem (a maioria, creio). Com isso, ele parece esquecer do elemento fundamental constitutivo da subjetividade humana, preferindo enquadrá-la num rótulo, o do "movimento gay". Também pudera: afinal, ele foi eleito com essa bandeira e essa agenda política. Sem isso, sem essa "causa", ele simplesmente não existe. (A propósito: há uma comunidade ou um movimento heterossexual?) É isso que o colunista da VEJA certamente quis dizer quando escreveu que "A tendência [dos militantes gays] a olharem para si mesmos como uma classe à parte, na verdade, vai na direção exatamente contrária à sua principal aspiração – a de serem cidadãos idênticos a todos os demais."
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Jean Wyllys diz não negar que a "comunidade LGBT" seja composta de indivíduos que são diferentes entre si etc., mas acaba sempre voltando ao ponto de partida: os membros dessa "comunidade" partilhariam "um sentimento de pertencer a um grupo cuja base de identificação é ser vítima da injúria, da difamação e da negação de direitos!" (com ponto de exclamação e tudo). Muito bem. Se a base de identificação da tal "comunidade LGBT" é "ser vítima de injúria, difamação e negação de direitos", então estamos diante de um critério que se caracteriza pela extrema elasticidade. Todos os seres humanos, sejam gays, héteros, brancos, negros, índios ou torcedores do Íbis Futebol Clube, podem dizer que já foram, um dia, vítimas de injúria e difamação e que tiveram algum direito seu negado (por exemplo, um branco que foi barrado no desfile do bloco de carnaval "só para negros" Ilê-Ayê da Bahia, ou um torcedor do Vasco que não pôde assistir a um jogo de seu time junto à torcida adversária). São apenas alguns exemplos. Qualquer pessoa poderia se dizer pertencente a essa imensa comunidade, que seria a mais numerosa do mundo. E, a partir daí, "agir politicamente em nome do coletivo", como diz Jean Wyllys. Mas que coletivo? Mais uma vez: ser gay ou lésbica é fazer parte de um coletivo? Mas isso não é - deveria ser, pelo menos - um assunto privado, de cunho pessoal?
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Tamanha é a vontade de Jean Wyllys de ser o porta-voz de uma "comunidade" que só existe em sua ideologia estapafúrdia que ele chega a comparar o "movimento gay" com o movimento negro, o qual, assim como aquele, estaria baseado no "sentimento de pertença" - no caso, "preconceitos a serem derrubados, injustiças e violências específicas contra as quais lutar e direitos a conquistar".  Sem querer entrar na questão de que falar em "movimento negro" no Brasil é uma construção ideológica (aí está o absurdo sistema racista de cotas para demonstrar), e que o conceito de "raça", biologicamente, é uma falácia (quem tem raça é cachorro, como escreveu João Ubaldo Ribeiro), pode-se dizer que igualar tais movimentos é uma ofensa à razão. Igualar "raça" à homossexualidade (ou heterossexualidade) como critério de existência de um "movimento" baseado no "sentimento de pertença" é algo bizarro, que beira o grotesco. Então basta que alguém se "sinta" negro ou gay para pertencer, automaticamente, ao "movimento" negro ou gay? Pode-se falar em "comunidade de sentimentos"? É algo romântico, sem dúvida, mas isso dá (ou retira) direitos a alguém?
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Claro que o senhor Jean Wyllys, como político-artista (ou artista-político) que é, se esquiva dessas questões. E chega ao clímax da sonsice no seguinte trecho: "A luta do movimento LGBT pelo casamento civil igualitário é semelhante à que os negros tiveram que travar nos EUA para derrubar a interdição do casamento interracial, proibido até meados do século XX." Não lhe passa pela cabecinha que comparar o "casamento gay" (ou, em sua linguagem de palanque, "casamento civil igualitário") com a luta anti-racista pelo casamento interracial é um atentado ao bom senso. Primeiro, porque a proibição do casamento interracial, assim como o próprio apartheid, sendo o conceito de "raça" uma invenção ideológica, foi derrubada por ser absurda em termos políticos, sociais e biológicos. Não há homens e mulheres "brancos" ou "negros", mas, simplesmente, homens e mulheres. Que relação existe entre essa conquista (e outras, como o voto feminino) e o "casamento gay"? Nenhuma, claro
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O deputado gayzista diz ainda: "Afirma o colunista de Veja que nós os e as homossexuais queremos “ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos”, e pouco depois ele coloca como exemplo a luta pelo casamento civil igualitário. Ora, quando nós, gays e lésbicas, lutamos pelo direito ao casamento civil, o que estamos reclamando é, justamente, não sermos mais tratados como uma categoria diferente de cidadãos, mas igual aos outros cidadãos e cidadãs, com os mesmos direitos, nem mais nem menos. É tão simples!
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Não, senhor Jean Wyllys, não é tão simples. E digo por quê.
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Primeiro, a criação de uma figura jurídica chamada "casamento civil igualitário" entre dois homens ou duas mulheres não se inscreve no rol daquilo que se poderia chamar de "direitos iguais". Simplesmente porque direitos iguais (como o de herança, por exemplo), já são assegurados pela lei brasileira a casais do mesmo sexo, como explica J.R.Guzzo no texto. Sem falar que o direito ao casamento, mesmo para os héteros, está longe de ser um direito ilimitado: não se pode casar, por exemplo, com menores de idade sem o consentimento dos pais, ou com mais de uma pessoa (bigamia é crime no Brasil), ou com uma irmã, ou com a própria mãe, como também afirma Guzzo.  E essa é, goste-se ou não, a forma como a família está estruturada em nossa sociedade. Cabe ao Estado reconhecer e proteger isso, e não impor à sociedade uma forma de organização familiar, qualquer que seja esta. A lei não pode (nem deve) ser modificada para satisfazer a agenda política de um "movimento", ainda mais um cujo critério de existência é tão subjetivo. Foi isso que J.R. Guzzo quis dizer ao citar o exemplo da cabra, que tão indignados deixou os militantes gayzistas e seus simpatizantes.
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Mas o mais importante: ao negar o fato de que os militantes gays querem ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, com mais direitos do que os demais, Jean Wyllys, coerente com seu papel de militante político, falta com a verdade. Basta ver o exemplo, também citado por Guzzo e ignorado por Jean Wyllys, da criminalização da chamada "homofobia". O que seria isso? Jean Wyllys não esclarece. E DUVIDO que ele venha dar uma definição precisa e acima de qualquer dúvida. Apesar disso, como lembra Guzzo em seu texto - e Jean Wyllys não refuta esse ponto - qualquer artigo de imprensa que critique o "movimento gay" será imediatamente tachado de "homofóbico" (o próprio artigo de VEJA é uma prova de que isso é verdade). E isso mesmo sem lei nenhuma que defina o que seria a tal "homofobia"...    
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O máximo de argumentação a que chega o deputado Jean Wyllys é o parágrafo seguinte: "Guzzo também argumenta que “se alguém diz que não gosta de gays, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de homossexuais, ou de espinafre, ou de seja lá o que for”. Bom, nós, os gays e lésbicas, somos como o espinafre ou como as cabras. Esse é o nível do debate que a Veja propõe aos seus leitores." Jean Wyllys não quer ser comparado a uma cabra ou a um espinafre. Está no seu direito ao pensar assim. Mas incorre em sério atentado à lógica e ao bom senso ao distorcer o que diz um texto para fugir às questões por ele colocadas. A questão é: pode-se obrigar alguém, por lei, a gostar de gays, ou de cabras, ou de espinafres? 
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O próprio Jean Wyllys, tentando responder essa pergunta, acaba caindo numa contradição: "Não, senhor Guzzo, a lei não pode obrigar ninguém a “gostar” de gays, lésbicas, negros, judeus, nordestinos, travestis, imigrantes ou cristãos. E ninguém propõe que essa obrigação exista."  Mais uma vez: será mesmo, senhor Jean Wyllys? Tem certeza? E a criminalização da "homofobia", não é um passo - um passo enorme, aliás - no sentido de impor essa obrigação?
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E, mais adiante: "Pode-se gostar ou não gostar de quem quiser na sua intimidade (De cabra, inclusive, caro Guzzo, por mais estranho que seu gosto me pareça!). Mas não se pode injuriar, ofender, agredir, exercer violência, privar de direitos." Só se pode injuriar um colunista de revista insinuando que ele teria um gosto caprofílico... E de que agressão, violência e privação de direitos se está falando? Cito Guzzo: "Não há um único delito contra homossexuais que já não seja punido pela legislação penal existente hoje no Brasil". Pode-se dizer que isso é falso? Que agressão, física ou verbal, a um homossexual não está prevista e criminalizada nas leis já existentes? Aliás, que agressão, fisica ou verbal, não é punida pela legislação atual, que protege indistintamente TODOS OS CIDADÃOS, independentemente de cor, sexo, religião etc.? (Mas, para as "lideranças" LGBT como o deputado Jean Wyllys, isso não é suficiente...).
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Mas o ápice da desonestidade Jean Wyllys deixou para o final. Ao se referir à frequente alegação de um "holocausto" gay no Brasil, J.R. Guzzo lembrou números irrefutáveis (entre 250 e 300 homossexuais assassinados em 2010, em um universo de 50.000 homicídios por ano) para demonstrar o que é obvio: que o problema não é a violência contra os gays, mas a violência contra todos. Aí vem Jean Wyllys e diz o seguinte: "O que Guzzo não diz, de propósito (porque se trata de enganar os incautos), é que esses 300 homossexuais foram assassinados por sua orientação sexual!" E completa, não se esquecendo de acrescentar o ponto de exclamação: As estatísticas se referem aos LGBTs assassinados exclusivamente por conta de sua orientação sexual e/ou identidade de gênero!"  E aproveita para comparar a violência contra os gays com a violência racista etc. etc.
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Repetindo: foram 250-300 mortos em um ano. Digamos que todos tenham sido assassinados "por sua orientação sexual" (ou seja: porque eram gays). Ainda assim, entre 50 mil homicídios, trata-se de um número irrisório, menos de 0,001% do total. Mas vou além, e pergunto ao deputado Jean Wyllys (e a quem se dispuser a responder): quantos, destes 250-300 mortos, foram realmente vítimas de crimes de ódio, ou seja, mortos por gente que odeia gays, simplesmente por serem gays? Quantos desses crimes não foram praticados também por gays? (Por exemplo: o michê que mata o cliente ou vice-versa, brigas entre casais homossexuais etc.) Acredito que crimes assim acontecem, não? Quem tem essa estatística?
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Ninguém, claro. A afirmação de Jean Wyllys é mais uma tentativa de reforçar a impostura do "holocausto" homossexual no país que tem a maior parada gay do mundo. Ele irá sempre tentar distorcer números e estatísticas, tentando "adaptá-las" à sua teoria fabricada a priori. Como todo militante, se os fatos contrariam sua ideologia, pior para os fatos. E ele jamais vai admitir o óbvio: que não somos homofóbicos.  
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No final de seu mal-costurado libelo, Jean Wyllys pergunta: "Qual seria a reação de todas e todos nós se Veja tivesse publicado uma coluna em que comparasse negros e negras com cabras e judeus com espinafre?" Não sei. Mas imagino como seria se fosse aprovada uma lei dando a um grupo de indivíduos mais direitos do que ao restante dos cidadãos, com base unicamente em um "sentimento de pertença" vagamente definido, e isso a pretexto da "igualdade". Haveria, no mínimo, uma revolução contra essa tentativa de golpe contra a democracia.  
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Qualquer um que já ouviu o discurso de um porta-voz da causa gayzista provavelmente percebeu que se trata de pessoas ultra-sensíveis que, em sua maioria, vêem a si mesmas como paladinos de uma causa progressista, representantes de uma categoria à parte e especial da sociedade, a quem se deveria não garantir direitos comuns aos demais cidadãos - tais direitos já existem -, mas, na verdade, impor à sociedade uma visão de mundo, que pode ser chamada de ideológica. No caso, uma visão que se baseia tão-somente no que as pessoas fazem debaixo dos lençóis. E que, pela incapacidade de reconhecer o "outro" e de aceitar o pensamento discordante, em quase nada difere de outros movimentos de cunho totalitário, como os comunistas e os fascistas. Não por acaso, tal causa foi adotada por partidos de extrema-esquerda como o PSOL do deputado Jean Wyllys. Para quem acredita que socialismo e liberdade são compatíveis, impor as falácias gayzistas como ideologia oficial é café pequeno.
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Quem crê ser tal coisa possível não deveria ser comparado a uma cabra. Se é para ficarmos nas comparações zoológicas, há outro tipo de animal que se encaixa melhor no perfil. Dica: tem quatro patas, orelhas grandes e zurra.
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A seguir, o texto que deu origem à toda a celeuma.

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Parada gay, cabra e espinafre

por J.R. Guzzo

Já deveria ter ficado para trás no Brasil a época em que ser homossexual era um problema. Não é mais o problema que era. com certeza, mas a verdade é que todo o esforço feito há anos para reduzir o homossexualismo a sua verdadeira natureza – uma questão estritamente pessoal – não vem tendo o sucesso esperado. Na vida política, e só para ficar num caso recente, a rejeição ao homossexualismo pela maioria do eleitorado continua sendo considerada um valor decisivo nas campanhas eleitorais. Ainda agora, na eleição municipal de São Paulo, houve muito ruído em torno do infeliz “kit gay” que o Ministério da Educação inventou e logo desinventou, tempos atrás, para sugerir aos estudantes que a atração afetiva por pessoas do mesmo sexo é a coisa mais natural do mundo. Não deu certo, no caso, porque o ex-ministro Fernando Haddad, o homem associado ao “kit”, acabou ganhando – assim como não tinha dado certo na eleição * anterior, quando a candidata Marta Suplicy (curiosamente, uma das campeãs da “causa gay” no país) fez insinuações agressivas quanto à masculinidade do seu adversário Gilberto Kassab e foi derrotada por ele. Mas aí é que está: apesar de sua aparente ineficácia como caça-votos, dizer que alguém é gay, ou apenas pró-gay. ainda é uma “acusação”. Pode equivaler a um insulto grave – e provocar uma denúncia por injúria, crime previsto no artigo 140 do Código Penal Brasileiro. Nos cultos religiosos, o homossexualismo continua sendo denunciado como infração gravíssima. Para a maioria das famílias brasileiras, ter filhos ou filhas gay é um desastre – não do tamanho que já foi, mas um drama do mesmo jeito.

Por que o empenho para eliminar a antipatia social em torno do homossexualismo rateia tanto assim? O mais provável é que esteja sendo aplicada aqui a Lei das Consequências Indesejadas, segundo a qual ações feitas em busca de um determinado objetivo podem produzir resultados que ninguém queria obter, nem imaginava que pudessem ser obtidos. É a velha história do Projeto Apollo. Foi feito para levar o homem à Lua; acabou levando à descoberta da frigideira Tefal. A Lei das Consequências Indesejadas pode ser do bem ou do mal. É do bem quando os tais resultados que ninguém esperava são coisas boas. como aconteceu no Projeto Apollo: o objetivo de colocar o homem na Lua foi alcançado – e ainda rendeu uma bela frigideira, além de conduzir a um monte de outras invenções provavelmente mais úteis que a própria viagem até lá. É do mal quando os efeitos não previstos são o contrário daquilo que se pretendia obter. No caso das atuais cruzadas em favor do estilo de vida gay, parece estar acontecendo mais o mal do que o bem. Em vez de gerar a paz, todo esse movimento ajuda a manter viva a animosidade: divide, quando deveria unir. O kit gay, por exemplo, pretendia ser um convite à harmonia – mas acabou ficando com toda a cara de ser um incentivo ao homossexualismo, e só gerou reprovação. O fato é que, de tanto insistirem que os homossexuais devem ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos, ou como uma espécie ameaçada, a ser protegida por uma coleção cada vez maior de leis. os patronos da causa gay tropeçam frequentemente na lógica- e se afastam, com isso. do seu objetivo central.

O primeiro problema sério quando se fala em “comunidade gay”é que a “comunidade gay” não existe – e também não existem, em consequência, o “movimento gay” ou suas “lideranças”. Como o restante da humanidade, os homossexuais, antes de qualquer outra coisa, são indivíduos. Têm opiniões, valores e personalidades diferentes. Adotam posições opostas em política, religião ou questões éticas. Votam em candidatos que se opõem. Podem ser a favor ou contra a pena de morte, as pesquisas com células-tronco ou a legalização do suicídio assistido. Aprovam ou desaprovam greves, o voto obrigatório ou o novo Código Florestal – e por aí se vai. Então por que, sendo tão distintos entre si próprios, deveriam ser tratados como um bloco só? Na verdade, a única coisa que têm em comum são suas preferências sexuais – mas isso não é suficiente para transformá-los num conjunto isolado na sociedade, da mesma forma como não vem ao caso falar em “comunidade heterossexual” para agrupar os indivíduos que preferem se unir a pessoas do sexo oposto. A tendência a olharem para si mesmos como uma classe à parte, na verdade, vai na direção exatamente contrária à sua principal aspiração – a de serem cidadãos idênticos a todos os demais.

Outra tentativa de considerar os gays como um grupo de pessoas especiais é a postura de seus porta-vozes quanto ao problema da violência. Imaginam-se mais vitimados pelo crime do que o resto da população; já se ouviu falar em “holocausto” para descrever a sua situação. Pelos últimos números disponíveis, entre 250 e 300 homossexuais foram assassinados em 2010 no Brasil. Mas. num país onde se cometem 50 000 homicídios por ano, parece claro que o problema não é a violência contra os gays; é a violência contra todos. Os homossexuais são vítimas de arrastões em prédios de apartamentos, sofrem sequestros-relâmpago, são assaltados nas ruas e podem ser monos com um tiro na cabeça se fizerem o gesto errado na hora do assalto – exatamente como ocorre a cada dia com os heterossexuais; o drama real, para todos, está no fato de viverem no Brasil. E as agressões gratuitas praticadas contra gays? Não há o menor sinal de que a imensa maioria da população aprove, e muito menos cometa, esses crimes; são fruto exclusivo da ação de delinquentes, não da sociedade brasileira.

Não há proveito algum para os homossexuais, igualmente, na facilidade cada vez maior com que se utiliza a palavra “homofobia”; em vez de significar apenas a raiva maligna diante do homossexualismo, como deveria, passou a designar com frequência tudo o que não agrada a entidades ou militantes da “causa gay”. Ainda no mês de junho, na última Parada Gay de São Paulo, os organizadores disseram que “4 milhões” de pessoas tinham participado da marcha – já o instituto de pesquisas Datafolha, utilizando técnicas específicas para esse tipo de medição, apurou que o comparecimento real foi de 270000 manifestantes, e que apenas 65000 fizeram o percurso do começo ao fim. A Folha de S.Paulo, que publicou a informação, foi chamada de “homofóbica”. Alegou-se que o número verdadeiro não poderia ter sido divulgado, para não “estimular o preconceito”- mas com isso só se estimula a mentira. Qualquer artigo na imprensa que critique o homossexualismo é considerado “homofóbico”; insiste-se que sua publicação não deve ser protegida pela liberdade de expressão, pois “pregar o ódio é crime”. Mas se alguém diz que não gosta de gays, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei. afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de homossexuais, ou de espinafre, ou de seja lá o que for. Na verdade, não obriga ninguém a gostar de ninguém; apenas exige que todos respeitem os direitos de todos.

Há mais prejuízo que lucro, também, nas campanhas contra preconceitos imaginários e por direitos duvidosos. Homossexuais se consideram discriminados, por exemplo, por não poder doar sangue. Mas a doação de sangue não é um direito ilimitado – também são proibidas de doar pessoas com mais de 65 anos ou que tenham uma história clínica de diabetes, hepatite ou cardiopatias. O mesmo acontece em relação ao casamento, um direito que tem limites muito claros. O primeiro deles é que o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa. Pessoas do mesmo sexo podem viver livremente como casais, pelo tempo e nas condições que quiserem. Podem apresentar-se na sociedade como casados, celebrar bodas em público e manter uma vida matrimonial. Mas a sua ligação não é um casamento – não gera filhos, nem uma família, nem laços de parentesco. Há outros limites, bem óbvios. Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar. Não pode se casar com a própria mãe. ou com uma irmã. filha, ou neta, e vice-versa. Não poder se casar com uma menor de 16 anos sem autorização dos pais. e se fizer sexo com uma menor de 14 anos estará cometendo um crime. Ninguém, nem os gays, acha que qualquer proibição dessas é um preconceito. Que discriminação haveria contra eles. então, se o casamento tem restrições para todos? Argumenta-se que o casamento gay serviria para garantir direitos de herança – mas não parece claro como poderiam ser criadas garantias que já existem. Homossexuais podem perfeitamente doar em testamento 50% dos seus bens a quem quiserem. Tem de respeitar a “legítima”", que assegura a outra metade aos herdeiros naturais – mas essa obrigação é exatamente a mesma para qualquer cidadão brasileiro. Se não tiverem herdeiros protegidos pela “legítima”, poderão doar livremente 100% de seu patrimônio – ao parceiro, à Santa Casa de Misericórdia ou à Igreja do Evangelho Quadrangular. E daí?

A mais nociva de todas essas exigências, porém, é o esforço para transformar a “homofobia” em crime, conforme se discute atualmente no Congresso. Não há um único delito contra homossexuais que já não seja punido pela legislação penal existente hoje no Brasil. Como a invenção de um novo crime poderia aumentar a segurança dos gays, num país onde 90% dos homicídios nem sequer chegam a ser julgados? A “criminalização da homofobia”é uma postura primitiva do ponto de vista jurídico, aleijada na lógica e impossível de ser executada na prática. Um crime, antes de mais nada. tem de ser “tipificado” – ou seja, tem de ser descrito de forma absolutamente clara. Não existe “mais ou menos” no direito penal; ou se diz precisamente o que é um crime, ou não há crime. O artigo 121 do Código Penal, para citar um caso clássico, diz o que é um homicídio: “Matar alguém”. Como seria possível fazer algo parecido com a homofobia? Os principais defensores da “criminalização” já admitiram, por sinal, que pregar contra o homossexualismo nas igrejas não seria crime, para não baterem de frente com o princípio da liberdade religiosa. Dizem, apenas, que o delito estaria na promoção do “ódio”. Mas o que seria essa “”promoção”? E como descrever em lei, claramente, um sentimento como o ódio?

Os gays já percorreram um imenso caminho para se libertar da selvageria com que foram tratados durante séculos e obter, enfim, os mesmos direitos dos demais cidadãos. Na iluminadíssima Inglaterra de 1895, o escritor Oscar Wilde purgou dois anos de trabalhos forçados por ser homossexual; sua vida e sua carreira foram destruídas. Na França de 1963, o cantor e compositor Charles Trenet foi condenado a um ano de prisão, pelo mesmo motivo. Nada lhe valeu ser um dos maiores nomes da música popular francesa, autor de mais de 1 000 canções, muitas delas obras imortais como Douce France – uma espécie de segundo hino nacional de seu país. Wilde, Trenet e tantos outros foram homens de sorte – antes, na Europa do Renascimento, da cultura e da civilização, homossexuais iam direto para as fogueiras da Santa Madre Igreja. Essas barbaridades não foram eliminadas com paradas gay ou projetos de lei contra a homofobia, e sim pelo avanço natural das sociedades no caminho da liberdade. É por conta desse progresso que os homossexuais não precisam mais levar uma vida de terror, escondendo sua identidade para conseguir trabalho, prover o seu sustento e escapar às formas mais brutais de chantagem, discriminação e agressão. É por isso que se tomou possível aos gays, no Brasil e no mundo de hoje, realizar o que para muitos é a maior e mais legítima ambição: a de serem julgados por seus méritos individuais, seja qual for a atividade que exerçam, e não por suas opções em matéria de sexo.

Perder o essencial de vista, e iludir-se com o secundário, raramente é uma boa ideia.