por LUIZ FELIPE PONDÉEste é um blog assumidamente do contra. Contra a burrice, a acomodação, o conformismo, o infantilismo, a ingenuidade, a abobalhação e a estupidez que ameaçam tomar conta do País e do Mundo. Seja livre. Seja do contra. - "A ingenuidade é uma forma de insanidade" (Graham Greene)
terça-feira, fevereiro 07, 2012
A mulher, o bebê e o intelectual
por LUIZ FELIPE PONDÉquinta-feira, fevereiro 02, 2012
VICIADOS EM DITADURA
Quando Dilma Vana Rousseff assumiu a Presidência da República, muitas almas ingênuas se deixaram levar pela esperança de que, ao menos na política externa, haveria alguma mudança. A postura canhestramente antiamericana e desavergonhadamente pró-ditaduras do governo anterior, responsável por alguns dos maiores vexames da história do Itamaraty (como o apoio descarado a um político golpista em Honduras, as relações mal-explicadas com os narcoterroristas das FARC e um acordo fajuto para permitir à teocracia islâmica do Irã ganhar tempo para ter a bomba atômica, entre outras enormidades), seria substituída por uma atitude mais sensata e discreta, como convém a democratas. Aparentemente, o governo Dilma estaria se afastando de regimes que apedrejam mulheres e enforcam opositores para se colocar, finalmente, do lado bom e decente da humanidade, o lado da civilização contra a barbárie. Não mais piscadelas e salamaleques para ditadores e violadores contumazes dos direitos humanos, acreditou-se, mas um pouco de compostura e decência - pelo menos isso..
Durou pouco a ilusão. Se ainda havia alguma dúvida de que o governo Dilma Rousseff nada mais é do que o governo Lula requentado (apenas com um pouco menos de verborragia e sem tantos fogos de artifício), essa foi para o beleléu no começo desta semana, com a visita da ex-camarada Estela à ilha de Cuba, o fetiche supremo dos esquerdistas.
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O que ocorreu em Havana foi o fim de mais um mito criado em torno de Dilma Rousseff, cuja biografia oficial, graças à aura de ex-guerrilheira que ninguém sabe direito o que fez, já começa a adquirir contornos de hagiografia (escrevo sobre isso em outro texto). A viagem foi precedida de alguns gestos que pareceram a muitos um sinal de "mudança", como a concessão de visto, por parte do governo brasileiro, para que a blogueira Yoani Sánchez visite o Brasil para um festival de cinema (se virá ou não, é outra questão, pois o governo cubano já negou seu pedido de saída do pais 18 vezes, e tudo indica que não o fará novamente), assim como as recentes "reformas" anunciadas pela ditadura, como a permissão para vender carros e o limite de dez anos (depois de 53 anos!) para a permanência de governantes em cargos de mando. Tudo, porém, não passou de fogo de palha, de muito confete para pouca música.
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Não se repetiu, dessa vez, a cena escabrosa de um Lula da Silva posando, sorridente, ao lado da múmia Fidel Castro no momento em que um preso de consciência, Orlando Zapata Tamayo, morria de fome em um calabouço da ditadura. Seria dificil ultrapassar nível tão abissal de abjeção. Mas a visita de Dilma não esteve longe no desprezo aos direitos humanos. Poucos dias antes de ela chegar à ilha e encontrar-se em segredo com Fidel Castro, outro dissidente, William Vilar, morreu em uma greve de fome em protesto contra a repressão política e a falta de liberdades na ilha-prisão. O que disse Dilma, a ex-torturada, sobre o fato? Nada. Nem uma só palavra.
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Em vez disso, na única ocasião em que tocou no assunto dos direitos humanos quando esteve na ilha, a digníssima tratou de comprovar, pela enésima vez, sua pouca familiaridade com as formas mais elementares de expressão e, de quebra, cometeu uma gafe que só não faria corar de vergonha seu antecessor. Perante os jornalistas, naquela língua estranha e quase ininteligível que é o dilmês, ela criticou o tratamento cruel dispensado aos presos... em Guantánamo! Sim, para a presidente do Brasil, só há tortura, só há presos de consciência, na prisão norte-americana! Ou melhor: no quesito desrespeito aos direitos humanos, todos têm culpa no cartório, exceto... a ditadura cubana! Na visão geopolítica muito peculiar de Dilma Rousseff, Marco Aurélio Garcia e companhia, não há qualquer diferença entre Cuba e os EUA, assim como não há diferença alguma entre os presos em Boniato ou Kilo 7 e os detidos em Guantánamo. (Corrigindo: para eles há diferença, sim - Cuba seria uma democracia, e os EUA, uma ditadura...)
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Com mais essa declaração infeliz, Dilma se aproximou um pouco mais de Lula, que talvez na frase mais estúpida já pronunciada por um chefe de Estado em todos os tempos, comparou em 2010 os presos políticos cubanos aos bandidos do PCC... Dilma não chegou a tanto – seria demais até para ela –, mas colocou dissidentes como Orlando Zapata e William Vilar na mesma vala comum dos terroristas presos na prisão norte-americana, como Khaled Sheik Mohammed, o mentor dos atentados de 11/09/2001.
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Por falar em Guantánamo, lembrei agora de um fato interessante: no auge do clamor mundial contra o tratamento dispensado pelos EUA aos prisioneiros, o jornalista e provocador intelectual Christopher Hitchens, falecido no final do ano passado, defendeu o fechamento da prisão norte-americana, pelo seguinte motivo: os EUA estavam ajudando a criar uma ameaça à sua seguranca, ao permitir que o local se transformasse numa grande madraçal. Em Guantánamo, os terroristas presos possuem direitos raramente respeitados em muitos países. Por exemplo, eles têm direito a rezar quantas vezes quiserem e a ler o Corão. Comparativamente a outros prisioneiros, têm mesmo um tratamento cinco estrelas. Será que se pode dizer o mesmo dos presos políticos em Cuba?
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Seria demais esperar de Dilma Rousseff, que nos anos 60 pegou em armas para transformar o Brasil numa nova Cuba, que, em sua visita à ilha, se encontrasse com dissidentes. Mas poderia, pelo menos, ficar calada. Assim, além de evitar o vexame de maltratar os ouvidos alheios com seus solecismos e anacolutos, poderia vender mais facilmente a lorota de que a visita foi apenas "de negócios", como repetiu sua assessoria. Com sua declaração inacreditável sobre Guantánamo, a musa de Arnaldo Jabor deixou claro que sua ida a Havana não visou apenas a interesses comerciais, mas, sobretudo, a prestigiar a ditadura.
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Essa é a postura do governo Dilma: para a ditadura comunista dos irmãos Castro, silêncio cúmplice e solidariedade; para os EUA, críticas – e em Cuba. Ou seja: fala grosso com os EUA, mas afina com tiranos de sua predileção. E ainda há quem fale em "mudança" na política externa brasileira... Aí está a própria Dilma para desmentir esse wishful thinking.
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Claro, haverá quem diga que não cabe a um chefe de Estado em visita a outro pais fazer declarações sobre direitos humanos ou liberdade de imprensa, pois isto seria, além de uma quebra do protocolo diplomático, imiscuir-se nos assuntos do país anfitrião etc. Já conheço essa conversa.
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Pois eu digo que, para além desse palavrório afetado, defender os direitos humanos, em lugares como Cuba, mais do que cabível, é uma obrigação política e moral. Ainda mais em se tratando do Brasil, país que é, atualmente, o maior parceiro comercial de Cuba - o que significa que é, junto com a Venezuela do bufão Hugo Chávez, o principal sustentáculo do regime. Em 2011, o saldo comercial entre Brasil e Cuba chegou a US$ 642 milhões, um recorde; empresas brasileiras participam diretamente de importantes projetos de infraestrutura na ilha, como a ampliação do porto de Mariel (de onde saíram, em 1980, milhares de cubanos fugindo do paraíso socialista). Justamente por isso, o Brasil deveria usar o poder e influência que supostamente tem para conseguir avanços democráticos na ilha dos Castro. Mas não o faz. O que leva à pergunta: se o poder não serve para influenciar outros e construir um mundo melhor, como gostam de dizer os companheiros petistas, então para quê serve?
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E não me venham dizer que as intenções, nesse caso, esbarram na realidade: poucas vezes houve condições mais favoráveis para usar o poder dos cifrões para influir nos rumos de outro país. Graças a décadas de incompetência do regime comunista, Cuba é hoje uma ruína econômica, e não tem qualquer produto de interesse para o Brasil, necessitando desesperadamente dos investimentos brasileiros para sobreviver. Já o Brasil não precisa de Cuba, exceto nos corações dos militantes mais empedernidos.
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(Não faltará, também, quem fale num tal embargo norte-americano - que alguns insistem em chamar, por ignorância ou má-fé, de “bloqueio” -, o qual na prática não embarga nada, como se tivesse alguma coisa a ver com o fato de o regime mandar prender e fuzilar pessoas.)
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Cai por terra, assim, outro mito, sistematicamente repetido pelos marqueteiros do lulo-dilmismo: o da nova potência mundial, respeitada e influente nos assuntos internacionais. No mesmo momento em que a combalida União Européia e até a Liga Árabe pressionam as tiranias do Irã e da Síria, a presidente do Brasil Maravilha, que enche a boca para falar mal dos EUA e do FMI, não tem nada a dizer sobre direitos humanos na ilha subjugada há mais de cinquenta anos pelos Castro. Não vacila em condenar os crimes passados da ditabranda militar brasileira, mas amolece quando se trata da ditadura de verdade cubana. Ditadura, só se for a dos EUA...
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Não é somente nos inumeráveis escândalos de corrupção e nas trapalhadas administrativas que o governo Dilma é um monótono déjà vu. Na política externa, também, infelizmente, é clara a continuidade. Em Cuba, caiu a máscara de Dilma. Que tanta gente se recuse a ver isso e insista que ela é diferente de quem a inventou (alimentando o mito, ainda por cima, da gerente eficaz e rigorosa com "malfeitos" de seus subordinados), é algo que só se explica por motivos ideológicos - ou psicológicos. Não tem jeito. Com ou sem Lula, petralhas são viciados em ditadura.
PS.: Já tinha escrito este texto quando leio na imprensa que a blogueira Yoani Sánchez teve o visto negado para viajar ao Brasil. Foi a 19a vez que a ditadura castrista a proibiu de sair da ilha-presídio, e a terceira tentativa frustrada de ir ao país de Dilma Rousseff. Certamente, os baba-ovos da castradura cubana dirão que foi culpa da CIA ou do embargo imposto pelos EUA à Cuba… São assim as coisas no universo mental dos devotos de ditaduras decrépitas e assassinas.
segunda-feira, janeiro 09, 2012
ENQUANTO ISSO, EM BRASÍLIA... (PARTE 3)
sexta-feira, dezembro 23, 2011
RESPONDENDO A UM FÃ DOS ECOCHATOS GLOBAIS
quinta-feira, dezembro 22, 2011
ENQUANTO ISSO, EM BRASÍLIA... (PARTE 2)
OS ÓRFÃOS DO DITADOR
Se você acha que as "manifestações de pesar" pela morte do nanico homicida Kim Jong il (já foi tarde) se limitam a sessões de choradeira histérica ensaiadas e coreografadas pelo Partido na Coréia do Norte, prepare-se: no Brasil também houve quem chorasse por esse criminoso, um tirano a menos para envergonhar a humanidade, dando pulinhos de desespero, puxando os cabelos e batendo com os punhos no chão.terça-feira, dezembro 20, 2011
segunda-feira, dezembro 19, 2011
O HERÓI DA DEMOCRACIA E A MÚMIA COMUNISTA

sábado, dezembro 17, 2011
CHRISTOPHER HITCHENS, A MORTE DE UM INTELECTUAL "DO CONTRA"
Corria o ano de 2003, poucos meses após a derrubada do ditador Saddam Hussein pelas forças da coalizão anglo-americana, quando foram divulgadas fotos mostrando soldados dos EUA claramente abusando de prisioneiros iraquianos. Em imagens chocantes, presos eram mostrados amontoados, nus, cobertos de fezes, encapuzados, ameaçados por cães e em poses obscenas, enquanto sorridentes carcereiros, entre os quais uma jovem franzina de 21 anos de idade, pareciam divertir-se como se estivessem num churrasco. Logo o local dos abusos, a prisão de Abu Ghraib, viraria sinônimo, na imprensa mundial, de tortura e arbitrariedade.quarta-feira, dezembro 14, 2011
O VEXAME DOS ECOCHATOS GLOBAIS
"Você sabe o que é Belo Monte? Não sabe? Eu sei, porque eu sou uma celebridade."segunda-feira, dezembro 12, 2011
A FOTO E A FARSA (OU: POR QUE NÃO SOU CONSPIRACIONISTA)
A foto acima mostra o jovem Fernando Gabeira, de bigode e então militante do MR-8, sendo julgado por sua participação no sequestro do embaixador dos EUA, Charles B. Elbrick, ocorrido em 1969. A foto é mais ou menos da mesma época da foto em que Dilma estava sendo interrogada pelos militares. Nem precisa dizer, mas cada um nela vê o que quer. (A propósito: Gabeira fez a autocrítica dos anos de luta armada, ao contrário de Dilma.)
Eu não sei se a foto de Dilma depondo na Justiça Militar é autêntica ou não. Faltam-me os instrumentos técnicos necessários para fazer qualquer afirmação a respeito. Pessoalmente, acredito que sim, pois não vejo motivos para que seja falsa, embora esta seja uma opinião minha, pessoal, que pode ou não ser confirmada. Uma coisa, porém, não posso, nem devo, fazer: sair por aí gritando que a foto foi manipulada. Simplesmente digo que não sei, e pronto. Afinal, não sou especialista em fotografia.
Além do mais, se a foto é verdadeira ou retocada, é algo que não tem a menor importância. A mistificação não está na foto em si, mas na história (ou melhor: estória) que estão querendo colar nela. O photoshop não está na foto, mas no mito que estão tentando criar.
Para ficar mais claro: ainda que mostrem uma foto de Dilma sendo pendurada no pau-de-arara, ou recebendo choques elétricos na cadeira do dragão, a versão de que ela foi presa e torturada porque era uma lutadora pela democracia continuará sendo mentirosa, uma verdadeira afronta à verdade histórica. Isso porque democracia jamais esteve nos planos da luta armada.
Não é preciso exagerar os fatos para mostrar que os esquerdopatas desvirtuam a História para que se encaixe em seus próprios interesses. Do mesmo modo que não é preciso bater palmas para a repressão policial-militar, ou justificar a tortura, para condenar o que a esquerda armada fez como terrorismo. Os fatos bastam. E os fatos são os seguintes: a luta armada de esquerda, da qual a jovem Dilma fez parte, não queria democracia. Assim como os militares que a combateram, diga-se. Ambos os lados – terroristas e torturadores – eram inimigos entre si, mas partilhavam o mesmo ódio e o mesmo desprezo pela liberdade. E mataram pessoas. Os que foram mortos pela repressão são hoje homenageados e suas famílias recebem indenizações do Estado. Os que morreram sob os tiros e bombas da esquerda não são sequer lembrados.
É uma atitude saudável manter-se cético em relação ao que a esquerda diz a respeito de si mesma, ainda mais quando se trata de História. É preciso desconfiar, sempre. Mas uma coisa é um ceticismo racional, baseado em provas; outra coisa, totalmente diferente, é a negação pela negação, baseada tão-só na antipatia ideológica. Não raro, esse tipo de atitude irracional e ideológica (no pior sentido) acaba servindo aos propósitos de quem visa combater. O maior aliado da esquerda mitômana é uma direita burra e despreparada. O exemplo acima mostra por quê.
Tudo que a esquerda mais quer é um pretexto para desqualificar seus adversários como um bando de malucos e conspiracionistas. Com isso, espera alimentar os próprios mitos e deturpar a verdade histórica, apresentando-se como um paradigma de equilíbrio e racionalidade (ou, no caso em questão, como heróicos lutadores pela liberdade e pela democracia, o que é uma ofensa à inteligência). É uma pena que alguns, movidos por justa indignação pelas lorotas dos esquerdistas, acabem caindo no jogo deles.
sábado, dezembro 10, 2011
MORTOS SEM PEDIGREE (OU: O REVISIONISMO HISTÓRICO ESQUERDISTA EM AÇÃO)
Dilma depondo em 1970, aos 22 anos: a foto pode até ser autêntica, mas a História está cheia de photoshop---
terça-feira, dezembro 06, 2011
LUPI, ORLANDO, NOVAIS, ROSSI, PALOCCI...
Ai que preguiça...sexta-feira, novembro 25, 2011
A RATA QUE FINGE RUGIR
Um quadro hilariante do blog de humor Kibe Loco está fazendo sucesso na internet. Ele mostra um ator imitando Dilma Rousseff, distribuindo broncas a seus ministros (a julgar pela regularidade praticamente semanal de escândalos de corrupção no atual governo, os produtores do quadro não têm por que se queixar de falta de material). Berrando palavrões em um telefone do tempo da brilhantinha, com direito a um vestidinho vermelho e sotaque fake mineiro, a Dilma de araque sai despejando impropérios a seus subordinados, terminando sempre com um "beijo no coração, filhinho". HOMENAGEM A QUEM MERECE

Tenho verdadeiro horror a homenagens, honrarias, panegíricos, essa coisa meio Rolando Lero, tão ao gosto de nossa cultura bacharelesca, em que a rasgação de seda é uma espécie de esporte nacional. É uma característica do Brasil, infelizmente, o discurso elogioso, pomposo, reverente, servil mesmo, com que muitos intelequituais e subintelequituais de botequim tanto se empenham em cair nas graças e ganhar os favores dos poderosos de plantão, não raro perdendo o senso do ridículo no meio do caminho. Considero tudo isso uma palhaçada, um dos aspectos mais nefastos de nossa cultura (outro, igualmente pernicioso, é a ausência completa de qualquer firme convicção moral). 





