quarta-feira, abril 18, 2012

CORRUPÇÃO: AS METAMORFOSES DO DISCURSO LULOPETISTA. OU: POR QUE NÃO SÃO TODOS IGUAIS


Se tem uma coisa que nunca vai deixar de me surpreender é a cara-de-pau dos petralhas, e quão profundamente o lulopetismo penetrou no imaginário coletivo, anestesiando a todos. 

Vejam o mais recente escândalo de corrupção a estarrecer o país, o caso do senador (sem partido, ex-DEM), Demóstenes Torres. Sabendo que os companheiros iriam aproveitar a deixa para fazer a velha demagogia oportunista de sempre e tentar desviar a atenção de suas maracutaias (dito e feito: está em pleno andamento uma operação-abafa do mensalão no STF, com a participação ativa do presidente do PT, Rui Falcão), publiquei aqui uma série de posts mostrando a diferença de tratamento pelos próprios partidos a politicos do DEM apanhados com a boca na botija e a notórios ladravazes petistas, "blindados" pela máquina partidário-estatal. Tentei, com isso, mostrar como os ladrões petistas sempre se dão bem, pois afinal, ao contrário dos demais, eles têm pedigree (além de uma imprensa em geral dócil e muitos, muitos amigos e simpatizantes). 

Que ingenuidade a minha! A rede de corrupção montada por Carlinhos Cachoeira, sabe-se com cada vez mais detalhes, era muito maior do que se imaginava. Não se restringia a um senador teoricamente oposicionista (ainda vamos inventar a oposição governista) que, não importa se seja absolvido ou não, já foi expulso da política.  Atingia - oh, surpresa! - alguns cardeais do lulopetismo, como o atual governador do DF, Agnelo Queiroz. Cheguei a mostrar uma foto de Demóstenes e uma de Agnelo, já enrolado em outras ladroeiras, como se fizessem parte de esquemas diferentes... (Aliás, foi Cachoeira o pivô do primeiro escândalo da era lulopetista, o caso Valdomiro Diniz, em 2004, lembram?) Como se vê, para apanhar um petralha, nem precisa mirar: atire uma pedra para cima escrito "corrupto" que ela cairá na cabeça de um deles.  

Mas não é sobre isso que quero falar. Os fatos estão aí, há farto material para quem quiser se informar e se horrorizar. O que me chama realmente a atenção, nessa pornochanchada sem fim que já virou a política brasileira, é como o discurso dos petralhas se metamorfoseou desde o momento em que a esquerda, no Brasil, deixou de ser pedra para se tornar vidraça.  É aqui que a desonestidade desse pessoal se revela em todo seu despudor.  Façamos um pequeno exercício de memória.

Acredito que todos que tenham mais de 30 anos lembram bem: de 1980 a 1992, ou seja, da criação do PT até o impeachment de Collor, o discurso da esquerda sobre ética eram um, e, desde então, é outro, completamente diferente. Em um primeiro momento, digamos até 92, a denúncia da corrupção (ou dos "malfeitos", como diria a Poderosa) era desdenhada como "moralismo burguês" - o importante era fazer a "revolução", o "socialismo" etc. A revolução não veio, então trataram de reinventar o discurso. Da queda de Collor em diante, o PT e seus aliados esquerdistas adotaram com gosto o discurso moralista, descobrindo a "ética na política". E não apenas isso: sendo a corrupção "de direita" - ainda hoje há muitos que pensam assim -, o PT e seus aliados não eram somente os paladinos da ética e da virtude, mas os únicos realmente limpos e honestos em meio a um mar de pilantras. Enquanto foi útil, essa teoria foi repetida à exaustão, sendo usada para enganar milhões de otários. 

Como se sabe, o governo Lula desmoralizou totalmente essa tese, expondo a falácia da corrupção como apanágio da "direita" - o mensalão, especialmente, revelou-se superior a qualquer coisa que a "direita", seja lá o que isso signifique no Brasil, fez, faz ou fará um dia. Ganhou corpo, então, uma nova metamorfose no discurso lulopetista, agora oficial: em vez do "somos diferentes", entrou em cena o "somos iguais". Ou seja: passou-se, num salto, do autoproclamado monopólio da virtude à banalização da corrupção, com todos os políticos atirados na mesma vala comum. O raciocínio era: "já que fomos desmascarados, vamos jogar lama para todos os lados; assim, enlameados todos, fica impossível distinguir quem é quem". Que melhor jeito de salvar a própria cara do que o vigarista que, apanhado em flagrante, diz cinicamente, "sou, mas quem não é?" Muitos, inclusive varios antipetistas, cairam nessa armadilha, resignando-se diante da impressão de que são todos "farinha do mesmo saco" etc. 

Tanto um discurso quanto o outro são, obviamente, grossas empulhações, verdadeiros engana-trouxas. Enquanto se apresentava como o supra-sumo da ética e da honestidade, sabe-se hoje, o PT preparava na surdina o maior esquema de corrupção da História do Brasil. Agora, com a tese oposta do "são todos iguais", o que pretende, na verdade, é desviar a atenção de sua excepcionalidade política, assim como salvar o discurso esquerdista sobre corrupção.  Aqui e ali vejo alguém que se diz desencantado com o lulopetismo - quase sempre, um ex-petista envergonhado - dizer, num sociologuês de pé-sujo, que o buraco é mais embaixo porque - afirma com ares de grande contrição - a raiz da roubalheira não deve ser buscada nesse ou naquele partido, mas no "sistema", ou melhor, no "capitalismo" etc.  Não seriam os partidos, nem os programas, nem mesmo os homens, mas ele, o terrível, o inefável "sistema", o responsável por tentar a humanidade e desviá-la do mau caminho. Contra esse monstro implacável, esse Leviatã, é inútil tentar resistir etc. etc.  

Não é preciso muito tutano para perceber que isso é mais uma mentira, uma tentativa tosca e cínica de diluir responsabilidades e salvar a face da esquerda depois que esta perdeu o monopólio da verdade e da virtude.

Trata-se de uma mentira, em primeiro lugar, pois se existe algo incompatível com a corrupção é o... capitalismo. Não o capitalismo dos companheiros, o capitalismo de Estado dos eikes batistas e dos fundos de pensão inaugurado por Lula et caterva - e que muitos economistas acham uma maravilha -, mas o capitalismo de verdade, o qual, para funcionar, exige regras claras e precisas, separação das esferas pública e privada - e rigidez moral. Fico pensando o que aconteceria se fosse descoberto em Washington um esquema de compra de votos de parlamentares pela Casa Branca. O governo cairia, com certeza. Nixon caiu por muito menos. (Já nos países socialistas esse problema nunca existiu, claro: a imprensa censurada dava um jeito de não mostrar o que acontecia...)

Toda a lengalenga sobre a corrupção ser "de direita" ou "inerente ao capitallsmo" (o que na prática é o mesmo discurso vigarista) serve apenas para esconder o fato inegável: sob a hegemonia petista, a corrupção, que sempre existiu no Brasil, tornou-se um sistema de poder, a forma mesma de exercer a autoridade estatal. Aqui, sim, pode-se falar de um "sistema", no pior sentido da palavra.

Não sei se a corrupção é uma patologia moral, ou se é algo inerente à natureza humana, como dizem os psicólogos. Sei apenas que roubar por roubar, para satisfazer um instinto egóico ou pela pura e simples sede de lucro, é uma coisa; roubar como um sistema de poder - e o que os lulopetistas criaram nos últimos dez anos é um sistema de poder baseado no loteamento do Estado, não há dúvida - é outra, infinitamente pior. 

Já escrevi aqui e repito: não, os petralhas não são iguais aos outros políticos; são piores! Uma coisa é o batedor de carteira ou vigarista individual que vive de aplicar golpes; outra é a construção de uma máquina política que se alimenta do aparelhamento estatal e do fisiologismo para sobreviver e se expandir, apelando, enquanto saqueia o erário, para objetivos pretensamente elevados e altruístas. Em um caso, basta chamar a polícia; em outro, é preciso uma verdadeira reprogramação neurolinguística. Comparar os dois é como comparar uma pulga e um elefante.

A perplexidade de grande parte da intelectualidade diante de fenômenos como a corrupção lulopetista ou de casos como o do senador Demóstenes Torres (que também é parte dela) não passa de teatralidade e de farisaísmo de quem sempre concordou, no fundo, com a tese da corrupção "de direita" e que hoje, na impossibilidade prática de sustentar tamanha falsidade, busca desesperadamente no "sistema" um bode expiatório. Trata-se tão-somente de mais um embuste, mais um engodo destinado a enganar os incautos e colocar a culpa num ente coletivo abstrato - o capitalismo, o "individualismo", o "consumismo" etc.  O que se pretende, com isso, é negar a responsabilidade individual e atacar a democracia - vista sempre como "liberal" ou "burguesa". Enfim, a mesma velha cantilena marxistóide e anticapitalista de sempre, agora requentada e apresentada com outro rótulo. Antigamente, chamava-se a isso de dialética. Mas podem chamar de pilantragem, mesmo.

COMO NASCE UM ESTADISTA - UM P.S.

(Ler primeiro post anterior)

Um leitor, o João Linhares, chamou a atenção para o fato de que uma imagem que postei em meu último post, e que mostra o Apedeuta lendo ao contrário a obra-prima da literatura universal "O Aleph", do gênio literário Paulo Coelho, foi manipulada por computador. Ele está certo, e basta ver a foto com cuidado para constatar que ela é mesmo falsa. Tratou-se meramente de uma imagem ilustrativa, que nem precisaria estar lá para mostrar o abismo realmente continental que existe entre o fugitivo da escola e Abraham Lincoln (era este o objetivo do texto). 

Para me redimir desse pecado - sou mesmo obsessivo com essas coisas -, aí vão duas imagens de legitimidade comprovada, que provam como o Filho do Barrill é mesmo o Lincoln brasileiro, partilhando com este o amor aos livros e a boa escrita. Vejam e comprovem:  


Bilhete desenhado por Lula por ocasião do aniversário do sobrinho Dogival, em 7 de novembro de 1981. Notem a segurança com que o futuro presidente e estadista global colocou as letras no papel.


Bilhete manuscrito pelo Guia Genial em flagrante capturado por um fotógrafo durante reunião em Brasília, em dezembro de 2005. Nele, lê-se (com dificudade): "Tem demandas do Conselho que precisa ser discutido" (SIC). Atentem para a correção gramatical, a perfeita concordância verbal, o estilo impecável... (Fonte: blog do Augusto Nunes)
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No total, 19 palavras escritas pelo filho da mulher que nasceu analfabeta em oito anos de governo. Uma produção intelectual digna de um José Saramago ou de um Mario Vargas Llosa. Só perde, acho, para o Tiririca.

Fica aqui minha sugestão aos idealizadores do "museu do Lula" em S. Bernardo do Campo: os bilhetes acima poderiam constar da exposição, colocados em lugar de honra entre outros itens da memorabilia lulista.  Certamente, vão calar a boca dos criticos.

sábado, abril 14, 2012

COMO NASCE UM ESTADISTA

A notícia de que vão abrir um museu para o lulismo me fez lembrar uma passagem remota de minha infância.

Certa feita, lá nos meados da década de 1980, caiu em minhas mãos um texto que jamais esqueci. 

Era um panfleto de um sindicato, creio que de professores (minha mãe era professora numa instituição de ensino federal). O texto se referia a um candidato a presidente, ou melhor, transcrevia uma crítica bastante feroz a esse candidato, aliás bastante preconceituosa. Dizia, entre outras coisas (pego de memória, mas não deve ser difícil achar na internet): o sujeito vinha de baixo, era um grosseirão, era rude, tinha maus modos, vestia-se mal, não sabia se comportar em sociedade etc. etc. Era, enfim, alguém totalmente desqualificado. Como se poderia pensar em tal indivíduo como presidente da República?, concluía.  

Logo depois de fechar aspas, o autor do texto dizia o seguinte (mais uma vez, faço-o de memória): "Sabem de quem o crítico acima estava falando? De ABRAHAM LINCOLN, décimo-sexto presidente dos Estados Unidos da América, o homem que libertou os escravos" etc.

Até aí, nada de mais, diria o leitor. Mas o interessante veio depois. Na frase seguinte, o texto comparava Lincoln com um político que se lançava então candidato, ou que já preparava o caminho para ser candidato, ao cargo maior da nação. Assim como Lincoln, diziam o texto e o subtexto, esse político era criticado por "vir de baixo" e ser "grosseiro, rude, ter maus modos" etc. Assim como Lincoln, ele seria vítima de preconceito. O nome dele? Luiz Inácio Lula da Silva... (!!!).

Vocês lembram? Na época, Lula era o único homem sério e honesto no Brasil.  O culto da personalidade criado pelos petistas em torno da figura de Lula levava-os a compará-lo ao maior presidente da História dos EUA, e um dos líderes mais importantes de todos os tempos. Lula já era considerado um santo para muita gente. Não por acaso, ele logo se compararia a Tiradentes e a Jesus Cristo. Como disse Nelson Rodrigues já em 1980, Lula não fizera, até então, rigorosamente nada, mas já era um Napoleão, era um Gêngis Khan. Para enaltecê-lo, valia tudo. Até esquecer fatos importantes e distorcer a História.  

O que os devotos da seita lulista esqueceram? Talvez as imagens abaixo forneçam uma dica: 













Abraham Lincoln, the Rail-splitter, de Norman Rockwell (1965). Era assim que Lincoln passava os dias entre um turno e outro de trabalho...


O jovem Lincoln lendo à luz da lareira. Comparem com as atividades preferidas do jovem (e do velho) Lula: peladas e churrascos com a companheirada...

O jovem Abe indo para a labuta diária. Observem o objeto que ele leva nas mãos e que observa atentamente.


"Tão chato quanto andar de esteira..." Um Lincoln já maduro ensinando o prazer da leitura para seu filho, Tad.

E, para finalizar, vejam esta capa de um livro infantil sobre a juventude do presidente norte-americano, nascido numa cabana e que trabalhou como lenhador antes de se formar em Direito (o título é: "Abe Lincoln - o menino que amava os livros): 



Creio que as imagens acima, para usar um velho clichê, valem mais do que mil palavras. E, certamente, por um milhão de panfletos de sindicatos petistas com louvores ao Apedeuta. 

Nem seria necessário lembrar, mas faço questão de dizer assim mesmo: é nos detalhes - nesse caso, num hábito - que está a diferença entre um estadista e um farsante. São coisas assim que fazem os grandes homens.  E as grandes nações.         
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P.S.: Somente para que não acusem o autor deste texto de (oh, horror!) preconceituoso e de chamar o Estimado Líder de analfabeto e preguiçoso, eis uma foto que desmente todas as críticas ao apedeutismo de Lula, mostrando-o no auge da atividade intelectual:




Então? É ou não é o Lincoln brasileiro?

quinta-feira, abril 12, 2012

UM MUSEU PARA O LULISMO


Leio na imprensa que vão abrir um Museu para o Lula. O nome oficial do negócio - Museu do Trabalho e do Trabalhador - esconde o verdadeiro objetivo do troço: bajular o Filho do Barril. A idéia partiu do prefeito de S. Bernardo do Campo (SP), berço do petismo, o famoso pelegão Luiz Marinho. O preço da brincadeira? 18 milhões de reais, saídos - surpresa! - dos cofres públicos.

Estimulado por iniciativa tão edificante, motivada certamente pelos mais altos ideais de civismo e de preservação da memória histórica e cultural, resolvi dar minha modesta contribuição aos idealizadores do tal museu. Elaborei uma pequena cronologia com as datas mais marcantes da trajetória do líder mais importante do mundo desde o Gênese. Acredito que será útil para explicar os vídeos e fotografias. Ei-la:

1944 - Nasce o Messias, no sertão de Garanhuns (que fica, na realidade, no agreste pernambucano), de uma mulher que nasceu analfabeta. Na hora do nascimento, dizem, apareceu um arco-íris, as flores desabrocharam e caiu uma chuva que fez correr leite e mal nas barrancas do rio mais próximo. O menino Lula cresce em meio a - e dentro de - animais do pasto, tais como cabritas, vacas e jumentas.

1952 - Em um caminhão pau-de-arara, Lula vai ao Sul Maravilha. Já tinha a idéia de reformar a geografia comercial do mundo e realizar sua grande ambição - comprar a Câmara dos Deputados (30 mil paus a cabeça).

1952 a 1970 - Período formativo na vida do redentor da humanidade. Forçado pelas circunstâncias, Lula tem que trabalhar. Consegue seu primeiro diploma, de torneiro-mecânico no Sebrae. Por alguma razão estranha, ele se esqueceu desse detalhe depois, quando, eleito presidente, disse que aquele era seu "primeiro diploma". Nesse mesmo período, o Brasil passa por transformações radicais, inclusive golpe militar e ditadura. Lula joga bola, namora e perde um dedo.

1971 - Filia-se ao sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo. Descobre aí uma mina de ouro. Tem tempo bastante para estudar, mas desiste por achar aquilo tão chato quanto andar de esteira (além do mais, os intelectuais acham bonito: operário que se preze tem que falar "menas" e "pra mim fazer"). Em vez dos livros, prefere as assembléias e as partidas do Corinthians.

1974 - Pára de trabalhar para se dedicar ao sindicato, onde faz tudo para que outros parem de trabalhar também. Levado por um de seus irmãos, militante do Partido Comunista, ele se candidata à diretoria do sindicato. Ganha. Começa aí sua ascensão para o Olimpo. Na vida pessoal, conhece uma "viúva jeitosinha" com quem se casa depois de um luto de seis meses (estendido depois, em entrevistas, para três anos).

1978 a 1980 - Com as greves do ABC paulista, Lula dá o grande salto, despontando para o cenário nacional, mundial e intergalático. Age como um mediador entre os patrões e os trabalhadores, aperfeiçoando um estilo que seria comum nos anos seguintes.  Gasta seu tempo falando para assembléias de operários num dia e para patrões no outro. Para ambos promete o melhor dos mundos. Vira o xodó da esquerda festiva e dos intelectuais, que o santificam. Em 1979, um artigo do New York Times o apresenta como "herói da classe trabalhadora". O autor, um jornalista norte-americano, é recompensado anos depois, com Lula já na presidência, com a expulsão do país por ter-se referido aos hábitos etílicos do presidente. Conhece Zé Dirceu.

1980 - Momento dramático na vida do Grande Líder: Lula é preso por incitamento à greve e enquadrado na lei de segurança nacional da ditamole do general Figueiredo. Passa momentos terríveis no DOPS paulista, comandado, à época, por seu amigo Romeu Tuma. Tão terrível foi a estada de um mês na cadeia que os prisioneiros resolvem fazer uma greve de fome de três dias: Lula adere, tomando o cuidado de esconder um saco de balas Paulistinha debaixo do travesseiro. Indignado com tamanha arbitrariedade, ele ainda acha tempo para conhecer melhor o "menino do MEP". Por esse trauma, Lula garantiu 6 mil reais mensais em sua conta bancária, a título de indenização como "perseguido político".

No mesmo ano, Lula e mais um grupo de sindicalistas, intelectuais e padres marxistas fundam o PT - Partido do Trambique.

1982 - Candidata-se a governador de S. Paulo. Perde feio. Ainda não tinha descoberto o caminho das pedras - e dos dólares.

1985 - Como presidente do PT, expulsa do partido três deputados que votaram em Tancredo Neves para a presidência. O candidato dos militares, Paulo Maluf, é hoje seu fiel aliado.

1986 - É eleito deputado federal constituinte. Pouco se sabe o que fez durante o mandato. Nem ele lembra direito.

1988 - Sob seu comando, o PT se recusa a assinar a Constituição Federal. Passa todo o mandato de José Sarney atacando ferozmente o presidente, também ele hoje seu fiel aliado.

1989 - Candidata-se pela primeira vez à Presidência da República. Perde no segundo turno para Fernando Collor de Mello, hoje também - adivinhem - seu fiel aliado.

1990 - Funda, juntamente com Fidel Castro, o Foro de São Paulo, organização de partidos revolucionários que tem por objetivo "restaurar na América Latina o que se perdeu no Leste Europeu". Só em 2005 - quinze anos depois! - a grande imprensa brasileira "descobre" que o Foro existe e é bastante ativo.

1992 - Na crise do impeachment de Collor, descobre o discurso da "ética na política". Nos anos seguintes, passa a interpretar, com maestria, o papel de único político honesto do Brasil. Enquanto isso, seu partido preparava na surdina o maior escândalo de corrupção da História do país.

1994 - Candidata-se pela segunda vez a presidente. Perde no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso. Acusa o Plano Real, que acabou com a inflação e estabilizou a moeda brasileira pela primeira vez em décadas, de "estelionato eleitoral".

1998 - Candidato pela terceira vez, é novamente derrotado no primeiro turno por FHC. Passa anos atacando veementemente o governo, principalmente aquilo que manterá e de que se beneficiará quando chega ao poder, como as privatizações, o Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal etc. Inclusive o Bolsa-Família ele tratou de copiar da administração anterior, não sem antes condenar, em várias declarações, o "assistencialismo das elites", que leva o povo a "votar com o estômago, não com a cabeça".   

2002 - Finalmente elege-se presidente da República no segundo turno, contra José Serra. Em uma de suas primeiras declarações, confessa que tudo que dissera até ali fora mera bravata. Foi aplaudido.
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A cronologia se encerra por aqui. O resto da história é de todos conhecida. Ou pelo menos deveria.
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Uma boa idéia seria estampar as paredes do museu com frases do companheiro Lula. Algumas sugestões:
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"Obrigado, Fidel, por você existir" (sobre seu grande ídolo)
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"Não vi nada, não sei de nada" (sobre o mensalão)
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"Todos fazem igual" (sobre o mesmo assunto)
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"Fui traído" (ibidem)
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"Na Venezuela tem democracia até demais" (sobre o país de Hugo Chávez)
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"É uma questão de vascaínos contra flamenguistas" (sobre os protestos por democracia no Irã, durante os quais dezenas de pessoas foram assassinadas pelos agentes do regime)
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"Imaginem se todos os bandidos de São Paulo resolverem fazer greve de fome" (sobre os presos políticos na ilha de Cuba, os quais comparou a criminosos comuns)
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"Que se foda a Constituição!" (quando expulsou o jornalista que escreveu sobre seu gosto por uma cachacinha) 

quarta-feira, abril 11, 2012

ENQUANTO ISSO, EM BRASÍLIA... (PARTE 6)

- Demóstenes Torres, senador (sem partido) por Goiás.
- Expulso do DEM.
- Corre risco de cassação.
- Sua carreira politica acabou.

- João Paulo Cunha, deputado (PT-SP)
- Envolvido no escândalo do mensalão.
- Presidente da Comissão de Constituição e Justiça (!!!!!!) da Câmara dos Deputados


PRECISA COMENTAR?

sábado, abril 07, 2012

EXPLICANDO A DEMOCRACIA A UM LEITOR. (OU: DEBATER 1964 VIROU CRIME?)

Mais um momento em que um militante da esquerda progressista debatia com um militar reformado sobre os rumos do Brasil em 1964: atrás dele (ou seria dela?) militantes reforçam seus argumentos, no mais perfeito figurino democrático. Notem o respeito pela opinião divergente...


O leitor que se apresenta como Artur Lima parece não ter entendido meu último texto, em que falo do duplo padrão ideológico e moral dos esquerdistas para falar de fascismo, ditadura, essas coisas.  Ajudo-o a encontrar o caminho da luz. Ele vai em vermelho:

Gustavo, você como um defensor da democracia como se sente ao saber que um grupo de pessoas se reuniu justamente para comemorar um momento da historia Brasileira no qual não houve liberdade ? , uma mancha na historia da democracia.

Primeiro: o grupo de militares que foi agredido covardemente por um bando de baderneiros profissionais na frente do Clube Militar não se reuniu para "comemorar" o que quer que seja. Alguns até poderiam estar lá para celebrar ou movidos por alguma intenção saudosista, mas o objetivo do evento era DEBATER os fatos de 1964. Era um DEBATE sobre os acontecimentos daquele ano, que levaram ao golpe (ou contra-golpe) que derrubou o governo Goulart. Coisa que os esquerdistas fazem o tempo todo, mas não se vê ninguém tentando impedi-los de fazer isso no berro. Os militares estavam lá reunidos para debater e, no caso, expressar sua opinião sobre um fato histórico. Isso é crime?

Segundo: a que o leitor se refere exatamente, quando fala de "um momento da história brasileira no qual não houve liberdade", e "uma mancha na história da democracia"?  Ao movimento político-militar de março/abril de 1964, que - é bom lembrar - teve amplo apoio da maioria da sociedade brasileira na época? Ou à escalada de radicalização política promovida e estimulada pelo governo Goulart, que tinha, sabe-se hoje, pouquíssimo apreço pela democracia (talvez menos ainda do que os militares que o depuseram)? É preciso ser mais específico com as palavras e com os fatos.

Terceiro: que eu saiba, NENHUM dos militares que estavam ali presentes, que foram insultados e agredidos física e verbalmente, é acusado da prática de tortura ou outros delitos (e se havia algum torturador, certamente não era a maioria). Estavam lá, inclusive, veteranos da FEB que lutaram na Itália. Isso não fez diferença para a turba de delinqüentes morais que acusou a todos, aos gritos, de "assassinos" e "torturadores". Então ir a um debate sobre 1964 no Clube Militar e/ou ter uma opinião que diverge da visão da esquerda sobre o assunto é ser um "assassino" e "torturador"?   

Há o que celebrar dessa época ? não vejo razão alguma para comemorar e sim para se envergonhar.

Repito a pergunta: a que o leitor se refere exatamente? Também acho que não há o que se comemorar em 1964. Até porque, NENHUM DOS LADOS queria democracia. Havia dois golpes em andamento. Ganhou o da direita. Nenhum dos dois me parece louvável. O leitor pode dizer a mesma coisa? 

Como você quer se sintam os parentes dos mais de 300 mortos e desaparecidos desta época ao ver que um pequeno grupo estão comemorando os " grandes feitos" deste saldo ?

Resposta: como gente civilizada, e não como um bando de chimpanzés que saem por aí xingando e cuspindo em quem pensa diferente. É pedir muito?
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Mais uma vez: não era uma celebração, era um debate. Mas OK, vamos pensar nos parentes dos mortos pelos órgãos da repressão política, a maioria dos quais envolvidos com a luta armada.  Nesse caso, seria justo dedicar pelo menos um pouco de tempo a refletir sobre como se sentem os parentes dos cento e tantos mortos pelos terroristas de esquerda. 

Como você, leitor, quer que se sintam os pais do soldado Mário Kozel Filho, feito em pedaços na explosão de um carro-bomba em 1968? Ou do marinheiro inglês David A. Cuthberg, metralhado estupidamente no Rio por um bando terrorista? E quanto ao tenente Alberto Mendes Junior, torturado e assassinado a coronhadas pelo grupo do ex-capitão Lamarca? Ou Marcio Leite de Toledo, exterminado pelos próprios "camaradas de armas" (como diria o Zé Dirceu) num "justiçamento" (há vários casos semelhantes)?

Será que a tal "comissão da verdade" (que melhor seria chamar de "omissão da verdade") vai tratar desses casos? Como você acha que se sentem as famílias desses e de outros mortos pela esquerda armada ao ver que os assassinos de seus filhos, pais e irmãos, contra todas as evidências, são louvados hoje como "lutadores pela democracia"? E que ainda por cima receberam gordas indenizações do Estado, ao contrário de suas vítimas, que não receberam nem desculpas. Então somente os cadáveres de um lado é que contam? (A propósito, não há mais desaparecidos políticos no Brasil: foram todos considerados oficialmente mortos pelo governo em 1995.)  

Você fala em democracia, mas me parece que esta só é mencionada quando o PT ou a esquerda estão em sua contramão.

Talvez seja porque, hoje, quem ameaça a democracia são partidos como o PT e seus aliados de esquerda, que promovem palhaçadas como o "protesto" no Clube Militar, impedindo na base do grito e da cusparada que militares octogenários debatessem sobre 1964. Um dos que participaram da agressão foi o PCdoB, que queria fazer uma revolução maoísta nas selvas do Araguaia e que, até onde eu sei, não renunciou ainda ao comunismo. Com que direito esses grupos vêm falar em democracia? 

E só para que fique claro, não há punks e skinheads por toda a parte entretanto é necessário que se combatam esses grupos com todo o rigor justamente para que não proliferem. 

Não tenho nada contra punks (aliás, nem falei neles), já os skinheads e qualquer movimento racista e neonazista merecem a mais firme condenação de qualquer pessoa decente. Não se deve ser tolerante com esses intolerantes. A questão é: e os comunistas? Por que mereceriam tratamento diferenciado?

Trocando em miúdos, o que está aí em cima é o seguinte: militares têm tanto direito a debater sobre qualquer assunto quanto os esquerdistas. Têm o direito de mostrar a sua versão dos fatos e, inclusive, de comemorar os feitos do regime militar, se assim quiserem. Do mesmo modo como a esquerda comemora e venera seus "heróis". Tentar impedir um ou outro de fazerem isso, ainda mais na base da gritaria e da cusparada, além de um óbvio atentado à liberdade de opinião, é típico de trogloditas que acham que são donos da Verdade - e da História.  Coisa, enfim, de autênticos fascistas.

Quanto a mim, posso dizer que sou contra todas as ditaduras, de esquerda e de direita. E que, sim, defendo o direito à memória e à verdade - à TODA a verdade.

E o leitor que escreveu o comentário, pode dizer o mesmo?

sexta-feira, abril 06, 2012

OS FALSOS TOLERANTES

Na foto acima, o momento em que um grupo de democratas e progressistas da esquerda argumenta com militares aposentados sobre o movimento de 1964, em frente ao Clube Militar no Rio de Janeiro: notem o alto nível do debate, o amor à democracia, a tolerância...

Há alguns dias, dois tarados foram presos no Sul por usarem a internet para incitar o ódio - racial, sexual, ideológico etc. - contra estudantes da UnB. Em mensagens explícitas, pregavam (e, parece, planejavam) um massacre no local. A polícia investiga, inclusive, se eles tinham algum tipo de relação com o assassino de 12 crianças no ano passado numa escola em Realengo, no Rio de Janeiro.

Nem precisa ir muito longe para perceber que se trata de dois imbecis, dois débeis mentais, que merecem mofar na cadeia ou numa instituição psiquiátrica. Mas a esquerda - sempre ela! - insiste em faturar em cima desse tipo de coisa. Aqui e ali aparece algum espertinho afirmando que os dois malucos seriam representantes da "direita", seja lá o que isso signifique no Brasil - país onde, como se sabe, todos são esquerdistas (é o mesmo tipo de gente que chama quem discorda deles de "proto-fascista", por aí se vê...).

Não é a primeira vez, e - podem anotar - não será a última, que casos como esse serão usados e abusados pelo pessoal da sinistra para promover uma empulhação. Basta lembrar, para citar um exemplo recente, de Anders B. Breivik, o assassino serial da Noruega apresentado como "extremista de direita" que, em seus delírios megalômanos, misturava Cavaleiros Templários com militância pró-gay (e que, descobriu-se depois, tinha feito treinamento militar na Rússia, mas isso também foi abafado). Outro caso, este mais recente, foi o do soldado americano que, num surto de loucura, chacinou 16 civis no Afeganistão. Ninguém parece se importar muito com o fato de que ele está preso e corre sério risco de ser sentenciado à morte - o importante, para fins propagandísticos, é que era um "imperialista ianque" matando mulheres e crianças indefesas. E a verdade? Ora, a verdade...

Em todos esses casos, o que menos importa para os esquerdóides e arautos do politicamente correto (o novo nome para a velha "linha justa" dos partidos comunistas) são os fatos. O importante, o que realmente os leva a escrever o que escrevem e a dizer o que dizem, é o "gancho" para destilar sua idiotia ideológica, ora tácita, ora escancarada.  E nisso eles são insuperáveis.

Para que os intelectualóides que, num laivo provavelmente masoquista, gostam de fustigar o capitalismo e o Ocidente, fossem considerados tolerantes seria necessário, em primeiro lugar, que viessem a público renegar o marxismo, uma ideologia genocida por natureza. Seria preciso que condenassem, de forma clara e sem meias palavras, o comunismo - o regime mais assassino da História, perto do qual o Terceiro Reich era uma confraria de amadores. 

Apresentam a realidade como se houvesse um bando de skinheads ou de tropas das SA espreitando em cada esquina, falando em "renascimento do fascismo" etc. e tal, mas se esquecem (será que é esquecimento mesmo?) que nazismo e comunismo foram ALIADOS antes de serem inimigos (já ouviram falar no pacto Molotov-Ribbentrop de 1939?).

Além disso, como considerar tolerante quem se recusa a dizer uma palavra sobre os presos políticos na ilha-prisão de Cuba? Ou sobre os enforcamentos de opositores no Irã? 

E quanto ao terrorismo islamita: quando vão parar de atacar Israel e de se colocar, na prática, ao lado dos genocidas do Hamas e do Hezbollah, verdadeiros - aqui sim o termo se aplica - fascistas islâmicos?  

Quando vão parar de tentar achar desculpas e "explicações" para atentados terroristas como os cometidos por Mohammed Merah na França (que já está sendo considerado uma "vítima", vejam só...)?  

Eis a verdade inconveniente, que os esquerdistas fazem de tudo para esconder: eles e seus simpatizantes não têm o direito de abrir a boca para falar em tolerância. Não enquanto continuarem silenciando sobre regimes totalitários e criminosos genocidas.

Para que tivessem esse direito, deveriam primeiro se livrar do ranço ideológico que os faz bater palmas ou ficar indiferentes à falta de liberdade em países como Cuba. Deveriam, antes de mais nada, adotar uma postura clara de defesa da democracia e dos direitos humanos como valores universais e inegociáveis. Em vez disso, enchem-se de indignação contra ditaduras passadas, como a dos militares brasileiros ou a de Pinochet no Chile, mas não dizem uma palavra sobre a ditadura presente dos irmãos Castro (a não ser para pedir "equilíbrio" aos que a criticam...). 

Ainda por cima, aplaudem uma "comissão da verdade" feita por revanchistas que querem rasgar a Lei de Anistia e punir os que os perseguiram, enquanto escondem deliberadamente os crimes da esquerda armada, repetindo a mentira de que os "guerrilheiros" não eram terroristas e lutavam por democracia. Não contentes, não vêem nenhum problema em um bando de fascistas de esquerda impedir, na base do sopapo e da cusparada, um debate - sim, um debate! - de militares reformados sobre 1964. E ainda falam em democracia!

Enquanto os "intelequituais" da esquerda aguada e pró-dilmista não tiverem a hombridade de admitirem o que está aí em cima, qualquer palavra deles sobre tolerância terá tanto valor quanto uma nota de 25 reais. São tão tolerantes quanto os que veneram e sobre os quais silenciam.
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E o pior é que esses mesmos adoradores do ódio e da morte, que NEGAM A PLURALIDADE, ainda fazem pose de "progressistas" e de "humanistas". É muita cara de pau!
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Tão nocivo quanto o militante esquerdopata e raivoso é o intelequitual da esquerda aguada e nenhumladista. Aliás, este último é pior, porque mais dissimulado e, portanto, mais desonesto. Para esse tipo de charlatão, assim como para todos os inimigos da democracia, não se deve ter nenhuma tolerância.

quinta-feira, abril 05, 2012

ENQUANTO ISSO, EM BRASÍLIA.... (PARTE 5)

- Demóstenes Torres, senador pelo DEM (GO);
- Desmascarado como um farsante;
- Abandonado por seu partido.


- Ideli Salvatti, ministra (PT-SC) do governo Dilma;
- Envolvida em negociatas (compra suspeita de lanchas no Ministério da Piaba);
- ?????

TODOS IGUAIS?

OS FARSANTES DE LÁ E OS DE CÁ




Esta eu catei no blog do Augusto Nunes. Mostra à perfeição como se tratam farsantes em alguns lugares e na terra dos lulas e das dilmas.  Em alguns lugares, um presidente renuncia por ter plagiado uma tese de doutorado.  Por estas bandas, fantasiam passado e presente, plagiam até política econômica - e ainda são louvados por isso. É como diz aquela frase: "cada país tem os vigaristas que merece". 
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02/04/2012
Direto ao Ponto

A renúncia do presidente húngaro, os doutores malandros e a grande tabelinha entre Celso Arnaldo e Deonísio da Silva

A aula-relâmpago de Deonísio da Silva sobre a renúncia do presidente húngaro e os doutores malandros foi enriquecida com um comentário do jornalista Celso Arnaldo Araújo que merece reprodução neste espaço. Acompanhem a tabelinha entre os dois craques. (AN)

Deonísio, meu caro

Lembrança irrepreensível, na forma e na oportunidade, como sempre. Com que então um magiar que nunca tínhamos visto mais gordo ou menos douto, dá uma lição de Ph.D (o D aqui não de Doctor, mas de Decência) em gente nossa que só bota banca de doutor?

O plágio do presidente húngaro ocorreu há 20 anos e, convenhamos, não é grave o suficiente para induzir suicídio, nem na época nem tão tardiamente — mesmo porque, sabe sobre o que versava a tese? A história dos Jogos Olímpicos. No entanto, o presidente Pál Schmitt (nome estranho para um húngaro, não?) preferiu a renúncia a assistir, segundo ele, à divisão do país.

Sim, o país estava eticamente dividido ─ por causa de uma tese de doutorado sobre os Jogos Olímpicos defendida há 20 anos por um homem que, numa carreira aparentemente lisa e reta, chegou a presidente há dois anos e que, também ao que parece, exercia suas funções (menores, num regime parlamentarista como o húngaro) com razoável dignidade.

Aqui, a vergonhosa defesa de tese do atual ministro da Educação não deixou ninguém vermelho – os examinadores não renunciaram nem ao almoço daquele dia depois de referendar, com louvor, a tese encomiástica de Mercadante. Foi, digamos assim, uma tesinha — sem o menor tesão acadêmico. Uma jogada pra torcida — no caso, a banca amestrada — que valeu o título. A rigor, não foi uma defesa de tese, mas uma tese de defesa do governo Lula, por um de seus áulicos.

Tudo bem. Aloízio Mercadante hoje é, de fato e de direito, Professor Doutor. Nada há a fazer. Se plagiou, plagiou a mediocridade de si mesmo. Mas o sacrifício do presidente húngaro, caro Deonísio, me obriga a revolver o caso do falso doutorado da presidente Dilma.

Lembra você? O título constava de seu currículo oficial e, numa entrevista que deu ao Roda Viva ainda candidata, ouviu o apresentador desfilar seus atributos acadêmicos e ela nem piscou ao saber-se detentora de “doutorado em Economia pela Unicamp”.

Mais tarde, descobriram que o doutorado curricular de Dilma só existia no mundo do trem-bala. E tudo ficou por isso mesmo. Mas, a meu ver, o caso dela é mais grave que o do imolado Pál que, bem ou mal, escreveu fisicamente uma tese e compareceu à presença de uma banca. Talvez não tivesse percebido o alcance de seu plágio. Talvez estivesse com pressa de terminar o trabalho. Há vários “talvez” nessa história de 20 anos atrás.

Pois Dilma, é certo, não defendeu tese alguma — de sua lavra ou de outrem. Simplesmente inventou-a, ou permitiu que a inventassem, bem como seu efeito prático, o doutorado, que ganhou vida numa única folha de papel. Isso não soa familiar? Coisas desse governo que só existem no papel ofício? Conhece alguma?

O fato é: a presidente Dilma só não é doutora hoje porque descobriram que ela não é doutora. Simples assim.

Mas confesso, Deonísio: no fundo eu gostaria que Dilma tivesse concluído seus estudos e defendido o título que nunca defendeu e nunca teve. E como eu gostaria de fazer parte da banca examinadora! Seria um momento histórico: examinar uma economista, no momento de almejar o mais alto grau da hierarquia acadêmica, que expressa muita dificuldade em defender a tese de uma única ideia.

Há, inclusive entre os colaboradores desta coluna, confrontados diariamente com o dilmês, quem duvide de seu próprio diploma universitário em língua portuguesa – e reivindique sindicâncias a respeito. Não chego a tanto. Conheço, e você também, médicos, engenheiros, jornalistas e até professores que não sabem escrever um recado de duas linhas.

Se bem que, presidente, é a primeira…

Abraço

Celso Arnaldo

sábado, março 31, 2012

E SE FOSSE MAOMÉ?


Um leitor, o David, enviou-me um link para um comercial de Red Bull que foi tirado do ar pelo Conar, o Conselho Nacional de Regulamentação Publicitária. Ele mostra a famosa passagem bíblica em que Jesus está no barco com Pedro e outros apóstolos, que estão pescando. Jesus começa a andar sobre as águas. É por que ele é santo e coisa e tal? Não, é porque ele toma Red Bull, diz o próprio Cristo, com uma voz meio chapada, que está mais para Bob Marley do que para o Messias. Ah, então é por isso que ele anda sobre as águas? Não - responde o Filho de Deus -: é só escolher as pedras. E lá vai ele, o Salvador, aos saltinhos, entre um gole e outro do energético.

Não vi nada de ofensivo no comercial, que achei até engraçado. Sendo ateu, esse tipo de coisa não me afeta. Acho divertidíssimo, por exemplo, o filme A Vida de Brian, do grupo inglês Monty Python, uma das obras mais sarcásticas que já vi, que tira um tremendo sarro da história de Jesus. Proibi-lo seria uma estupidez, além de um óbvio atentado à liberdade artística (ao contrário de uma campanha da Benetton, veiculada há alguns anos, em que um padre e uma freira aparecem se beijando na boca). Mas admito que há quem se sinta ofendido em sua fé religiosa. E que veja no comercial de Red Bull uma afronta. Nesse caso, além de simplesmente não consumirem o produto - ainda somos livres para fazer escolhas, não? -, essas pessoas têm, sim, o direito de reclamar. Pesquisei e descobri que em outros paises democráticos, como a África do Sul e a Itália, esse e outros comerciais do mesmo produto e de teor semelhante também foram retirados do ar a pedido de cristãos mais sensíveis.

"Ah, mas isso é censura", apressa-se a bradar quem acredita que a liberdade não tem limites. Nada mais forçado. Censura seria se fosse uma imposição arbitrária do Estado, determinada não pela Lei, mas pela discricionaridade do governante - ou dos militantes de algum movimento político que querem colocar o Estado a seu serviço. Ou seja, se fosse um ato de uma ditadura - como aquela que os esquerdistas veneram e que o papa Bento XVI visitou esta semana (e onde a festa de Natal, por exemplo, ficou proibida por trinta anos, e rezar em público até há alguns anos dava cadeia, como ocorria em todas as tiranias comunistas). Nem a África do Sul de hoje nem a Itália são, ao que eu saiba, ditaduras. Além disso, a Constituição brasileira protege a liberdade de religião, punindo a profanação de símbolos religiosos (algo que se tornou comum, por exemplo, nas paradas gays). Pode-se dizer que é uma Constituição autoritária? 

Antes de criticarem a suposta intolerância de católicos ou protestantes, seria bom perguntarem a si mesmos: e se fosse Maomé? Há alguns dias, o chefe da BBC de Londres confessou publicamente que a emissora só aceita fazer piadas ou críticas a Jesus, mas não a Maomé. Sua justificativa: é que os cristãos, ao contrario dos muçulmanos, não reagem quando provocados... Acho que jamais vi confissão de cinismo e covardia maior do que essa, um claríssimo duplo padrão moral. O fato de os cristãos não reagirem quando insultados (talvez levando ao pé da letra a máxima de que é melhor dar a outra face) é, a meu ver, um ponto a seu favor, uma prova de que estão habilitados a viver numa sociedade democrática. Ao contrário dos islamitas que se explodem em mercados lotados e matam crianças.  

Sejamos honestos: nenhuma religião é mais combatida, atacada, vilipendiada, execrada, espinafrada, esculhambada (com ou sem motivo, não importa) do que a cristã - e, em especial, a fé católica. Muitos que reclamam de intolerância na retirada do comercial de Red Bull esquecem que, de todas as liberdades de que gozamos em uma democracia, a pioneira, a mãe de todas as demais, é a liberdade religiosa, de crença e de culto. Liberdade que é afrontada praticamente todos os dias no Brasil, por "movimentos" que, a pretexto de defender o caráter laico do Estado e os direitos de minorias, querem impor suas ideologias totalitárias, tentando calar a boca de padres e pastores e banir, por exemplo, crucifixos de repartições públicas. Em um país cultural e majoritariamente (a seu modo, mas ainda assim) cristão, não há como não ver nisso uma clara imposição autoritária de uma minoria organizada. Pior: uma intromissão numa questão de foro íntimo, pessoal, que é a religião. Não se trata, portanto, de uma rendição ao politicamento correto, mas exatamente do oposto.
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Muitos que enxergam censura na decisão do Conar sobre o comercial de Red Bull que faz troça com Jesus não vêem nenhum problema em pedir prisão para um humorista por uma piada considerada sexista ou preconceituosa (aqui sim, pode-se falar de patrulha politicamente correta). Geralmente são os mesmos que acham plenamente normal e compreensível muçulmanos queimarem embaixadas - e pessoas - por causa de uma charge do profeta Maomé. Anestesiados por um entorpecente mental chamado multiculturalismo, são implacáveis ao atacar severamente o suposto machismo ou casos de pedofilia na Igreja Católica, enquanto fecham os olhos ou mesmo procuram justificar crimes semelhantes ou piores cometidos em nome do Islã. 
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Só para dar um exemplo mais ou menos próximo: na Faixa de Gaza, hoje dominada pelos terroristas islamitas do Hamas e transformada numa cabeça-de-ponte do Irã, meninas de 8 anos de idade são forçadas a se casarem com homens mais velhos, em cerimônias de casamento coletivo. Se fossem cristãos, seriam acusados de pedófilos e estupradores. Mas não se vê quase ninguém denunciando-os como tal. Para a maioria dos que torcem o nariz para o cristianismo, as prescrições - e são apenas prescrições, sem qualquer efeito legal impositivo - de um velhinho vestido de branco sobre aborto e homossexualismo causam mais revolta do que o apedrejamento de mulheres acusadas de adultério e o estupro de crianças - de ambos os sexos - pelos devotos de Maomé. Tampouco os que se dedicam a criticar o papa e a Igreja se dão conta de que a religião mais perseguida do mundo, hoje, é o cristianismo.

Querem dados? Então lá vai. No Iraque, até 2003 havia cerca de 1 milhão de católicos; hoje sobraram menos da metade. São todos os dias atacados por   terroristas islamitas, e praticamente não restou nenhuma igreja intacta no país. No Egito, que passou recentemente por uma revolução tida por democrática, os cristãos coptas, a comunidade religiosa mais antiga do país - muito mais antiga do que o Islã -, sofre perseguições diárias dos fanáticos salafitas, que ganharam bastante poder depois da queda do ditador Hosni Mubarak. Critica-se George W. Bush por ter invadido o Iraque e despachado Saddam Hussein para o inferno, mas não se diz uma palavra sobre esse holocausto cristão. Em outros lugares - Sudão, Índia, Paquistão, Arábia Saudita, China - os cristãos são diariamente ameaçados e atacados, sendo proibidos de professar o culto livremente. Não por acaso, muitos desses países são muçulmanos ou ditaduras. Cristãos são impedidos de professar sua fé e assassinados todos os dias no mundo. Mas quem se importa?
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Como já disse, sou ateu, mas nem por isso anticlerical, o que não é nenhuma contradição. O direito à heresia, como sabia Voltaire, é uma conquista da civilização. Mas não significa o fim da liberdade de crença. Ironicamente, hoje o anticlericalismo é uma ideologia aliada das formas mais extremas de fundamentalismo religioso (no caso, islâmico), sendo um traço comum à esquerda mais "progressista" e "sofisticada" e aos fanáticos da Al Qaeda. Já perceberam como os que adoram jogar lama em 2000 anos de cristianismo - ou seja: na própria civilização ocidental, que não seria a mesma sem os papas e os afrescos da Capela Sistina - não dizem uma palavra sobre as atrocidades cometidas em nome do Islã? Pelo mesmo motivo por que repudio a intolerância e o fanatismo de certos pastores evangélicos e mulás, acho a militância antirreligiosa e, sobretudo, anticristã, uma tolice. É por isso que concordo 110% com a frase do Diogo Mainardi: "Em Deus eu não acredito, mas na Igreja, sim".

Nessa questão do comercial do Red Bull, assim como em todas as outras que envolvam a liberdade religiosa, estou com os cristãos, embora eu seja uma ovelha desgarrada. Aliás, exatamente por isso: se for para ficar a favor apenas da liberdade dos que pensam igual a mim, que espécie de democrata seria eu? A liberdade, numa democracia, é sempre a de quem pensa diferente de nós mesmos. Não vou deixar de tomar um Red Bull na balada, mas nem por isso vou escarnecer da crença alheia. Até porque, não há nada de democrático nisso. 

O PAPA E O MARXISMO


Frase do papa Bento XVI, dita durante viagem à ilha-presídio de Cuba, dominada há 53 anos por uma dupla que tomou o poder prometendo democracia e instalou, em vez disso, a ditadura mais longeva do Ocidente:

"O marxismo não corresponde mais à realidade".

Discordo da frase de Sua Santidade.  Como assim, "não corresponde mais à realidade"? 

Por acaso algum dia o marxismo - esse delírio sociológico responsável por mais de 100 milhões de mortos no século XX - teve alguma coisa a ver com a vida real? Quando? Onde? Em 1917 na Rússia? Em 1949 na China? Em 1959 em Cuba? 

Está claro que o Sumo Pontífice se equivocou. Uma ideologia que produziu aberrações como Stálin, Mao Tsé-tung, Pol Pot e Fidel Castro - que agora posa de "tolerante", vejam só... - não corresponde à realidade, nem hoje nem ontem. Sua única correspondência é com a destruição do indivíduo, a tirania, a falta de liberdade, sob o pretexto de uma igualdade fictícia (e que os próprios comunas são os primeiros a jogar no lixo, arvorando-se em elite dominante onde quer que chegaram ao poder).

Então a censura, o Gulag, o paredón - tudo isso correspondeu à realidade um dia, em algum lugar, apenas está "obsoleto"? Mais ou menos como a TV preto-e-branco está para a TV a cores, ou a máquina de escrever para o computador? 
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Já pensou se alguém dissesse o mesmo do fascismo: "não corresponde mais à realidade"? Imaginem só a gritaria...

E a democracia, o oposto do comunismo, teria, portanto, um valor datado?  Ou seja, teria valido para uma certa época, mas não mais para hoje?

Preciso mesmo responder essa pergunta? 

O mais surrealista de tudo: a frase foi dita pelo papa no caminho para Cuba, ditadura marxista há cinco décadas... Logo onde!
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Para ficar perfeita, a frase do papa precisaria ter uma palavra a menos: "O marxismo não corresponde à realidade"

Aliás, jamais correspondeu. Cem milhões de cadáveres - uns 100 mil em Cuba - não deixam dúvidas quanto a isso.