sexta-feira, setembro 09, 2011

UM ANO DEPOIS, O DESMONTE DE UMA FARSA

No último dia do mês de maio de 2010, nove militantes da ONG turca IHH morreram quando soldados israelenses abordaram o navio Mavi Marmara, no Mar Mediterrâneo. O navio era parte de um comboio que se dirigia à Faixa de Gaza, onde pretendia romper o bloqueio militar criado por Israel desde 2006, quando os terroristas do Hamas tomaram o poder na região.

Foi um deus-nos-acuda. Seguiu-se imediatamente uma onda de indignação mundial, não pelo fato de os soldados israelenses terem sido recebidos com paus e pedras, mas por terem reagido e não se deixado linchar. Embora um vídeo deixasse claro que os militares foram atacados ao abordarem o navio, Israel foi acusado de assassinato a sangue-frio de inocentes ongueiros e militantes pacifistas, que só queriam levar ajuda humanitária aos palestinos. Como em outras situações, o Estado judaico foi execrado. Chegou-se mesmo à comparação infame dos métodos isralenses com os dos nazistas...

À época, confesso que quase senti o cheiro dos fornos crematórios nos campos de concentração. Tentei debater com alguns colegas de trabalho, chamando a atenção para fatos que, como em todas as situações envolvendo Israel, estavam sendo sistematicamente omitidos pelos jornais. Sobretudo para o fato de que a tal "flotilha da liberdade" (?!) sabia que estava se dirigindo para uma área sob bloqueio militar, e que certamente haveria reação do governo israelense à qualquer tentativa de rompê-lo. Argumentei - ou melhor: tentei argumentar - que de "humanitário" o comboio não tinha nada, e que a coisa toda tinha jeito de provocação contra Israel. Apanhei um bocado, no blog e fora dele. Não adiantou mostrar o vídeo (um dos soldados israelenses foi ferido à bala), nem as óbvias conexões da ONG turca com o Hamas. O veredicto já estava dado, antes mesmo do Mavi Marmara zarpar da Turquia: Israel era o inimigo da humanidade, e ponto final.

Pois bem. Passou-se mais de um ano, e não é que um relatório da ONU concluiu que o que houve foi uma... provocação contra Israel? O chamado Relatório Palmer, divulgado no último dia 4 de setembro, considera que o bloqueio israelense foi uma ação legal, dando razão a Tel-aviv quando sublinha que os militares enfrentaram “resistência organizada e violenta por parte de um grupo de passageiros”. Embora apresente críticas a Israel por ter usado o que chama de força “excessiva e não-razoável”, o relatório não deixa dúvidas: a começar pela tentativa de romper o bloqueio, Israel foi agredido, e reagiu a uma agressão - uma provocação, enfim. Tanto que, tão logo o Relatório saiu à tona, o governo da Turquia, que deu apoio ao tal comboio, saiu ameaçando cortar relações diplomáticas com Israel. Está falando grosso, para desviar a atenção de sua participação numa farsa.

A repercussão do Relatório Palmer, claro, não chegará nem perto da gritaria que se seguiu ao "massacre israelense" contra os "pacíficos militantes" da ONG turca IHH. Se fosse para dar o mesmo peso às duas notícias, as manchetes dos jornais do mundo inteiro teriam que só ter um assunto por semanas a fio. Mas é algo importante, sem dúvida, por servir para desmascarar mais uma gigantesca fraude montada pelos inimigos da única democracia do Oriente Médio, que muitos odeiam exatamente por isso, mas não têm coragem de dizê-lo.

Obviamente, os que detestam Israel e gostariam de vê-lo varrido do mapa não vão deixar de odiá-lo por causa disso. Tipos como o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que aspira a transformar a Turquia numa potência islâmica, sem falar em malucos como Mahmoud Ahmadinejad e os terroristas do Hamas, vão continuar a hostilizar Israel de todas as maneiras possíveis. Eles sabem que sempre poderão contar com o apoio de inocentes úteis e inúteis, alguns dos quais embarcaram na nau dos insensatos um ano atrás. Eles sabem que, para muitos ocidentais, não importa o que faça, Israel (assim como os EUA) estará sempre errado. Foi confiando nisso que armaram a palhaçada sangrenta do Mavi Marmara. Afinal, de que valem os fatos, se o ódio fala mais alto?

Quanto a mim, vou continuar esperando os que me desceram o malho no ano passado terem ao menos a dignidade de se retratarem e me pedirem desculpas. Desconfio, porém, que será uma espera inútil. Mais uma vez.

sexta-feira, setembro 02, 2011

O ELOGIO DA DEDURAGEM

Perigosos terroristas e mercenários de extrema direita financiados pela CIA, segundo Fernando Morais


Acabou de sair, pela Companhia das Letras, o novo livro do badaladíssimo Fernando Morais, Os Últimos Soldados da Guerra Fria. Segundo a sinopse que li num site, o livro narra a história de uma rede de espiões a serviço da ditadura comunista cubana infiltrados em grupos de exilados anticastristas nos EUA durante os anos 90 - uma história que, por si só, vale a pena ser lida.

Ainda não comprei o livro, mas, pelo que andei vendo e lendo na internet, já posso fazer uma idéia do que se trata. Principalmente de quem são os "heróis" e os "bandidos" dessa história, segundo Morais. E já posso adiantar que, pelo menos quanto a um dos lados, a coisa cheira a engodo, a falsidade, a mistificação.

Se depender do autor de Chatô e Corações Sujos, pode-se facilmente deduzir que o livro pode até ser boa leitura, cheio de revelações saborosas e lances cinematográficos, mas dificilmente o leitor terá em mãos uma obra jornalística que possa ser chamada, por mínimo que seja, de isenta ou imparcial. Muito pelo contrário.

Conhecido chavista e castrista, assim como o famoso guerrilheiro de festim e mensaleiro José Dirceu (de quem, aliás, falava-se até um dia desses que estaria planejando uma biografia), Fernando Morais pode ser qualquer coisa, menos um escritor "neutro". Ainda mais em se tratando de regimes como o dos irmãos Castro, a ditadura mais longeva do Ocidente, por quem nutre uma indisfarçável admiração a ponto da tietagem explícita (como quase toda a esquerda tupiniquim, diga-se). Morais já tratou do tema antes, em um livro publicado em 1976 - A Ilha - que, se teve o mérito de ser a primeira obra escrita por um autor brasileiro sobre Cuba em muitos anos, em pleno governo militar do general Geisel, traz o estigma indelével de ter ajudado a construir a mitologia esquerdóide sobre a tirania castrista, uma velha tara da esquerdopatia latino-americana. Mais tarde, ele daria outra contribuição valiosa à hagiografia esquerdista nacional, em sua biografia da agente comunista alemã (era espiã do serviço secreto militar soviético) Olga Benario - que virou um péssimo filme, por sinal. Assim como em A Ilha Morais pinta a ditadura cubana com tintas benévolas e virtuosas (como se uma ditadura benévola e virtuosa fosse algo possível), em Olga, ele mostra a primeira mulher de Luiz Carlos Prestes como uma heroína e mártir da esquerda revolucionária dos anos 30 etc. e tal. Só faltou cantar a Internacional ao ritmo de salsa.

Em Os Últimos Soldados da Guerra Fria, pelo visto, Morais segue o mesmo figurino esquerdista consagrado em seus outros best-sellers. Basta ver como ele se refere, em todas as entrevistas que concedeu até agora sobre o livro, aos alvos da espionagem cubana nos EUA - os membros da comunidade exilada na Flórida. "Desertores", "traidores", "terroristas", "mercenários" e "milícias de extrema direita" são os adjetivos que ele usa para definir os exilados (só faltou o gusanos - "vermes" -, que é a maneira habitual como a propaganda oficial cubana se refere aos inimigos da tirania). A missão dos agentes cubanos a serviço de Fidel Castro infiltrados entre eles seria, assim, "evitar ataques terroristas contra Cuba" (127 em cinco anos, segundo contabilidade de Morais, que não diz quantos morreram nesses ataques). Até ser desmantelada, com a prisão de vários desses espiões pelo FBI em 1998, essa operação, chamada de Rede Vespa, teria sido responsável por impedir "dezenas de atos terroristas" etc.

Não ponho em dúvida que, entre os cerca de 2 milhões de cubanos exilados nos EUA desde que em 1959 Fidel e Raúl Castro tomaram o poder e instalaram uma ditadura comunista na ilha caribenha, haja grupos de extrema direita e mesmo terroristas. Certamente, eles existem, e já cometeram atentados (alguns deles, como Orlando Bosch e Luís Posada Carriles, contra vítimas civis). Mas uma coisa é admitir esse fato; outra coisa é enaltecer o trabalho de espionagem de uma tirania contra exilados em um país estrangeiro. E parece que é exatamente isso o que Fernando Morais faz em seu novo livro.

Fico pensando como seria recebido um livro que elogiasse, por exemplo, a Operação Condor, a cooperação clandestina entre as ditaduras militares do Cone Sul da América Latina contra seus inimigos exilados nos anos 70. O autor de semelhante peça seria execrado (com razão) como um crápula e um canalha, e coberto com os piores adjetivos. Entre os alvos visados pelos serviços secretos militares estavam grupos terroristas de extrema esquerda que praticavam atentados, alguns dos quais, como os Montoneros argentinos e o MIR chileno, estavam organizados na Junta de Coordenação Revolucionária (JCR, uma espécie de precursora do Foro de São Paulo). E não há, pelo menos na vasta bibliografia de esquerda, nenhuma obra que os chame de mercenários e terroristas. Gostaria que alguém me explicasse por que isso só vale para os cubanos de Miami. Assim como adoraria saber por que nenhuma dessas obras chama abertamente o que existe em Cuba de ditadura. Muito agradeceria também se me explicassem por que os policiais e militares que participaram da Condor são execrados, enquanto que os espiões cubanos presos nos EUA são louvados como heróis em Cuba.

"Alto lá, seu agente do imperialismo ianque! A Operação Condor matou vários exilados; seu objetivo era liquidar fisicamente os opositores das ditaduras militares no exílio, ao contrário da Rede Vespa" etc. - poderia gritar o patrulheiro esquerdista, erguendo sua carteirinha de militante. Pois bem, companheiro! Tenho aqui duas questões a fazer: 1) se o objetivo da rede de espiões cubanos na Flórida era "evitar atos terroristas", como diz Morais, como eles fariam isso? Certamente, não seria pelo convencimento, mas pela eliminação física (sequestro, assassinato ou o que seja) dos terroristas - ou seja: exatamente o que fazia a DINA chilena do general Pinochet; e 2) em 1996, Fidel Castro ordenou o afundamento de uma balsa com dezenas de refugiados cubanos que tentavam escapar da ilha-prisão. Várias pessoas morreram. Eram todas terroristas?

No mesmo ano de 1996, no auge da "guerra secreta" contra os "mercenários" anticastristas descrita por Morais, o Coma Andante deixou clara sua determinação de defender o povo cubano, mandando derrubar um avião do grupo de exilados Hermanos al Rescate, que havia penetrado o espaço aéreo cubano. O que o levou a tomar essa decisão tão patriótica? O avião - vejam vocês - estava atirando... panfletos! Uma terrível ameaça terrorista, como se vê. (Para não falar dos cerca de 17 mil fuzilados desde 59, como os três pobres-diabos executados em 2003 por tentarem fugir do país, assim como centenas de presos politicos e as Damas de Blanco... todos perigosíssimos bandidos contrarrevolucionários, claro.)

Posso estar enganado, mas desconfio que esses fatos ficaram de fora da narrativa de Fernando Morais ou, se foram mencionados, o são de forma superficial, ou mesmo como uma justificativa para os atos da ditadura cubana. Se for esse o caso, fica a pergunta: por que não justificar também os crimes da Operação Condor? Quem sabe Fernando Morais, com seus inegáveis talento literário e veia investigativa, resolva um dia escrever um livro sobre isso. Mas aí acho que já estou sonhando alto demais...

quinta-feira, agosto 25, 2011

KADAFI, OU A ATRAÇÃO DA ESQUERDA POR DITADURAS

Acabou a comédia de Muamar Kadafi. O ex-homem forte da Líbia, antigo inimigo público número um da humanidade nos anos 70 e 80, quando usou e abusou do dinheiro do petróleo para financiar grupos terroristas em todo o mundo, está acuado em Trípoli por uma rebelião armada, depois de ter cometido o erro de tantos outros tiranos: o massacre do próprio povo. Após 42 anos de ditadura brutal e absoluta, compartilhada com os filhos, o bizarro pai-de-santo e destaque de escola de samba, que tomou o poder num golpe militar aos 27 anos de idade, seguirá, ao que tudo indica, o mesmo destino de tantos outros déspotas com as mãos sujas de sangue, como Nicolae Ceaucescu, Slobodan Milosevic, Idi Amin e Erich Honecker: a morte, a prisão ou o exílio. A lata de lixo da História.

Nem vou discutir, aqui, se a intervenção da OTAN no conflito libio foi ou não juridicamente correta, e se Nicolas Sarkozy e o boboca Barack Obama fizeram ou não a coisa certa no âmbito da ONU e do direito internacional. Deixo essa questão para os juristas responderem. Da minha parte, lembro apenas que ninguém parece estar prestando muita atenção a esse detalhe, ao contrário do que ocorreu quando o demônio George W. Bush resolveu despachar Saddam Hussein em 2003. Na ocasião, difícil esquecer, houve o maior escarcéu por causa disso, e quase ninguém lembrou que Saddam era um dos piores tiranos e assassinos da História, que mereceu o destino que teve. Também não vou me debruçar, por ora, sobre as dúvidas e incertezas que cercam o cenário da Líbia pós-Kadafi, tendo em vista os riscos que acarreta um movimento armado que tem em suas fileiras elementos com óbvias conexões fundamentalistas islamitas (assim como no Egito e em outros países varridos pela “primavera árabe”). Embora seja algo com o que se preocupar, não é isso o que interessa aqui.

Kadafi pode até ser página virada, mas muitos que lamentam sua queda e que sempre o apoiaram não o são. Infelizmente. Muitos - sobretudo no governo Lula, digo, Dilma – estão hoje criticando, aberta ou veladamente, o que chamam de “forças contrarrevolucionárias a serviço do imperialismo” (ou seja: os rebeldes). Curiosamente, os mesmos que saíram às ruas e assinaram manifestos indignados contra a “invasão do Iraque”. A conclusão é que Kadafi (ou Saddam) seria assim uma espécie de líder popular e representante da “resistência dos oprimidos” etc. etc.

Não é difícil perceber de quem estou falando: é o mesmo tipo de gente que baba ao ouvir um discurso do “coma andante” Fidel Castro, ou de seu imitador Hugo Chávez, ou do índio de araque Evo Morales. São os mesmos que até outro dia viam na finada União das Repúblicas Socialistas Soviéticas a “esperança da humanidade”, ignorando qualquer crítica que se fizesse a ela e ao comunismo como “propaganda burguesa”… É a esquerda, enfim.

(E aqui abro um parêntese: falo de esquerda no singular, e não no plural – “esquerdas” –, porque, em que pesem as diferenças programáticas entre as várias correntes e matizes esquerdistas, que não podem ser ignoradas, há mais a uni-las do que a separá-las – o desprezo à democracia, por exemplo, é um traço comum a todas elas, sendo apenas mais descarado em umas do que em outras.)

E antes que alguém me acuse de dizer que pró-ditaduras são apenas os esquerdistas: desconheço o nome de algum intelectual ou politico importante de direita que defenda abertamente e cante louvores a ditadores com a mesma desenvoltura e com a mesma falta de inibição que os intelectuais e politicos de esquerda. Que o diga Luiz Inácio Lula da Silva, o Apedeuta, que transformou a adulação de tiranos de estimação na marca registrada de sua política externa – seguida, agora, fielmente, por sua discípula. Figuras como Frei Betto, Oscar Niemeyer, Antonio Candido e Fernando Morais, para não falar em gurus do jet-set esquerdista internacional como Noam Chomsky e Tariq Ali e, obviamente, partidos como o PT e o PCdoB, não se constrangem em agir como porta-vozes de regimes como a ditadura cubana – ou líbia. E o fazem em nome da humanidade! É um acinte!

Não existe, hoje, um único ditador, em nenhuma parte do mundo, que não conte com o aplauso entusiasmado ou, pelo menos, com a simpatia ou o silêncio cúmplice e acabrunhado da esquerda. Pense em qualquer um deles – qualquer um! – e você esperará em vão alguma palavra mais dura, alguma crítica, por parte de algum esquerdista. Em contraste com essa passividade bovina, é grande a gritaria contra governos “de direita” democraticamente eleitos, como o do ex-presidente colombiano Alvaro Uribe e o de Sebastián Piñera, que enfrenta atualmente uma onda de vandalismo esquerdopata travestido de reinvindicação social no Chile. Se você pensou em duplo padrão moral e hipocrisia, acertou em cheio.

“Ah mas e as ditaduras de direita, como a de Pinochet no Chile, não tiveram também seus apologistas?”, perguntaria alguém da sinistra, para quem o “todos fazem igual” já se tornou uma espécie de álibi, uma licença para fazer o mal sem o inconveniente do peso na consciência. Na época, sim, certamente, a começar pelos próprios golpistas. Mas digam-me o nome de um, apenas um, intelectual direitista de renome que avalizou e bateu palmas para a censura e a tortura de presos politicos. (No caso do regime militar brasileiro, nem adianta procurar, pois se um dia houve por aqui intelectuais de direita, conservadores ou liberais, não sobrou nenhum.) Pode-se dizer o mesmo de gente como Chico Buarque ou Antonio Candido em relação a Cuba?

Foi a esquerda, não a direita, que inventou a teoria da ditadura “virtuosa”. Tem sido assim desde a Revolução Francesa e o Terror de Robespierre – há ditaduras “boas” e “más”, sendo as primeiras as que façam avançar a “causa do povo” (o socialismo, a ditadura do proletariado etc.) e as más, as que se oponham a esse objetivo. Do mesmo modo, haveria o terrorismo “do mal” (o de extrema-direita ou fascista) e o “do bem” (como no caso de Cesare Battisti e dos “guerrilheiros” que “lutaram contra a ditadura militar”).

No caso da "direita", ao contrário, inexiste essa justificação moral da ditadura e do terror: os governos dos EUA, por exemplo, sempre consideraram os ditadores com ele alinhados como escroques com os quais, por razões estratégicas, eram obrigados a lidar, e dos quais se livrariam na primeira oportunidade (“ele é um filho-da-puta, mas é nosso filho-da-puta”, é a frase famosa atribuída a Franklin Roosevelt sobre o ditador Anastasio Somoza da Nicarágua). O próprio Kadafi era visto, até meses atrás, como um “aliado” do Ocidente, e bajulado com rapapés pelos governos que hoje o execram. E não deixara de ser um filho-da-puta.

Mesmo um monstro moral como Henry Kissinger buscava justificar seu apoio a regimes como o de Pinochet em bases pragmáticas, em termos de realpolitik – eram os tempos da Guerra Fria –, e não morais, ignorando cinicamente as violações dos direitos humanos (o que fazia também em relação à URSS e à China, diga-se). Até mesmo os militares que tomaram o poder no Brasil e em vários outros países da América Latina nos anos 60 e 70 viam os regimes por eles instalados como de exceção, portanto provisórios, tanto que aceitaram devolver o poder à sociedade (a propósito: quando os Castro aceitarão fazer isso em Cuba?). A esquerda, contudo, vai além de tudo isso. Ela instituiu a glorificação de homicidas como algo inseparável de seu programa politico-ideológico. Em suma, considera as “suas” ditaduras não como um mal necessário, mas como algo somente necessário – na verdade, como o objetivo mesmo de sua ação. Nem sequer tapa o nariz. Isso porque ela é intrinsecamente antidemocrática e pró-autoritária.

Kadafi, Assad, Mubarak, Ben Ali, Ahmadinejad, Mugabe, Kim Jong-il, Castro, Chávez, Morales… Para qualquer pessoa decente e civilizada, que tenha algum respeito pela democracia e pelos direitos humanos, os nomes acima causam imediatamente asco e repulsa. Menos, claro, se você for de esquerda. Nesse caso, o tirano da Líbia, como disse Lula, é um “amigo e irmão”. Assim como todos os inimigos da humanidade.

sexta-feira, agosto 19, 2011

O DIREITO A SER TOLO. OU: A INTOLERÂNCIA DOS TOLERANTES. OU AINDA: OS OBSCURANTISTAS DO BEM

Escolha uma das alternativas abaixo. Para você, liberdade de expressão é:

a) a liberdade de manifestar a opinião sobre qualquer assunto, sem medo de censura;

b) essencialmente, o direito de pensar diferente, de divergir;

c) um direito constitucional inalienável e uma das bases da democracia;

d) o direito de expressar somente a opinião considerada justa pela maioria, ou correta, sensata e inteligente.

Se você escolheu, entre as opções acima, qualquer uma que não a "d", parabéns, você é um cidadão que sabe o significado da liberdade de expressão, está plenamente habilitado para conviver com outros numa democracia. Se, ao contrário, você optou por NÃO marcar "a", "b" ou "c", seu lugar é em Cuba ou na Coréia do Norte.

Agora leiam o que está nos links a seguir:


A primeira notícia é sobre um processo que está sendo movido pelo Ministério Público de São Paulo contra um pastor de uma igreja evangélica. Motivo: ofensa aos ateus. Querem que a rede de televisão em que o tal pastor falou se retrate pelo que ele disse etc.

Nem vou discutir, aqui, as palavras do tal pastor da tal igreja, de quem nem tinha ouvido falar. Pelo que li, o que ele disse foi uma tolice, uma cretinice. Não é preciso ser crente em Deus para ser uma pessoa boa e pacífica, como sabem os fundamentalistas islamitas. A questão não é essa. É a seguinte: ele tem ou não o direito de falar o que pensa?

Sou ateu, portanto não tenho nada de positivo a dizer sobre as crenças de evangélicos, católicos, muçulmanos, judeus ou umbandistas. Exatamente por isso, aliás, não posso aceitar que queiram cassar uma opinião diferente da minha. O nome disso é censura. Ponto.

Todos os dias, pastores evangélicos - para não falar dos católicos - são avacalhados na internet, e no entanto não se vê ninguem pedir a cabeça de seus detratores numa bandeja (e se o fizessem, eu seria um dos primeiros a reclamar contra esse absurdo). As ofensas, inclusive, já chegaram à esfera criminal: na última parada gay em São Paulo, imagens de santos católicos foram achincalhadas e expostas ao ridículo por militantes gayzistas (o que é, aliás, um crime, pois viola o Artigo 208 do Código Penal, que pune com cadeia quem desrespeitar símbolos religiosos). Ainda assim, não se viu ninguém ameaçando-os de processo penal por causa disso. Por que, então, um pastor deve ter seu direito à palavra cassado e caçado por causa de sua opinião sobre o ateísmo? Em que parte da Constituição ou do Código Penal está escrito que isso é um delito? Onde está escrito que a liberdade de expressão vale para uns e não para outros?

Repito: não creio em Deus, entre outros motivos, porque considero a religião uma questão privada, individual. Exatamente por isso, defendo o direito dos crentes falarem o que quiserem a meu respeito (desde, claro, que não seja uma incitação à violência). Posso garantir que jamais me verão ameaçando processar alguém por causa de uma opinião, seja ela qual for. Para mim, sagrado é o direito ao livre pensamento - meu e de quem discorda de mim. E os que querem calar o tal pastor, podem dizer a mesma coisa?

Quanto à segunda notícia, quem a ler vai perceber claramente que a intolerância não está do lado de quem espalhou os outdoors, mas de quem quer punir uma opinião religiosa. Pode-se discordar dela, achá-la estúpida e até preconceituosa, mas se pode, francamente, impedir que ela seja veiculada? O outdoor em questão limita-se a citar três passagens bíblicas contrárias ao homossexualismo. Foi o bastante, porém, para a mensagem ter sido considerada (horror, horror!) "homofóbica". Ora, o que se deve fazer: reescrever a Bíblia?

Pelo visto essa deve ser a intenção do sr. Luiz Mott, presidente do Grupo Gay da Bahia e queridinho da Rede Globo. Mott deve ser um teólogo frustrado, a se julgar por sua afirmação de que citar a Bíblia nessa questão seria uma atitude obscurantista e intolerante, pois afinal o Antigo Testamento defende o apedrejamento de adúlteras etc. Atenção, católicos do mundo todo: há um impostor em Roma! O verdadeiro papa não se chama Bento XVI: ele se chama, na verdade, Luiz Mott! É ele a suprema autoridade teológica, o maior exegeta dos textos sagrados desde S. Tomás de Aquino...

Como disse, sou ateu, mas nem por isso vou sair por aí me arrogando ares de teólogo, coisa que não sou nem pretendo ser. Ao contrário dos "inimigos do obscurantismo", não tenho a ambição de reescrever nenhum texto religioso para que se adapte a minhas próprias convicções particulares. Basta-me a razão. Citar a Bíblia, ou qualquer outro texto religioso, para criticar o homossexualismo pode até ser um anacronismo, algo incompatível com a modernidade. Mas é um crime?

Mais uma vez, o que se quer é instituir o delito de opinião. E delito de opinião só existe em ditaduras. Preciso repetir o que penso a respeito?

Quando pretensos ateus e militantes gayzistas, que se apresentam como campeões da tolerância, tentam, em nome dessa alegada tolerância, intimidar e calar quem pensa de forma divergente, é porque estamos vivendo uma época realmente perigosa. Não me acanho em denunciar esse total absurdo, até porque há ateus que se comportam como inquisidores medievais, e há evangélicos (ou católicos) que levantam bem alto a bandeira da liberdade de expressão. A meu ver, esse tipo de coisa demonstra apenas a fragilidade daquilo que passa por aí como ateísmo: chego mesmo a duvidar de uma corrente filosófica que apela para as leis (além do mais, leis inexistentes), em vez de argumentos racionais, contra quem dela discorda. Confundem mesmo Estado laico com Estado ateu, que é exatamente o oposto da democracia.

E se alguém apontar alguma suposta contradição nessa minha atitude, porque afinal sou ateu (logo, por uma estranha lógica, deveria ser "contra os crentes" etc.), não hesitarei em lembrar o óbvio: que liberdade é sempre a liberdade de discordar, de pensar diferentemente. É a liberdade, inclusive, de dizer bobagem. O resto é intolerância e ditadura. Ponto final.

Até porque, se for para proibir as pessoas de dizerem tolices, seria preciso colocar uma mordaça em todo mundo. Vai ver é exatamente isso o que querem os "progressistas". Com o apoio de muitos "intelectuais" e de grande parte da imprensa (e, agora, do Ministério Público), estão conseguindo.

segunda-feira, agosto 15, 2011

A "FAXINA" DE MENTIRINHA DE DONA DILMA

Falando sério: alguém realmente acredita nessa bobagem de que Dilma Rousseff está fazendo uma "faxina" contra a corrupção em seu governo? Alguém crê sinceramente nessa conversa mole?

Um grupo de senadores, entre os quais o peemedebista Pedro Simon e o pedetista (e ex-petista) Cristóvam Buarque, acredita – ou finge acreditar. Suas excelências resolveram lançar um movimento parlamentar contra a corrupção no atual governo, a qual, mesmo para os padrões lulopetistas, já passou dos limites do tolerável. Até aí, tudo bem, diria o leitor. Só que, ao mesmo tempo em que pedem punição severa aos ladrões do dinheiro público encastoados no poder em Brasília, manifestam seu apoio à... Dilma!

Suas excelências são idiotas? Ou são caras de pau? Ou estão apenas tirando um sarro com a cara de todos? Ou será que é tudo isso ao mesmo tempo?

Desde que, em 2005, eu vi, da janela de minha sala, uma passeata da UNE contra o mensalão e a favor de Lula (!!!???), eu não via tanta esquizofrenia. Não dá para separar a corrupção do governo Dilma, do mesmo modo que não dá para separar Dilma de Lula, de quem é somente a cria. O lulopetismo se nutre da roubalheira, e vice-versa. Lula é o pai dos corruptos, o maior bandido e maior vigarista que já ocupou a Presidência da República na História do Brasil. Dilma é cria de Lula. Entenderam ou preciso desenhar?

Os senadores acreditam que Dilma não tem nada a ver com as estripulias de Palocci, Alfredo Nascimento, Pedro Novais e Wagner Rossi e com a barafunda que viraram os ministérios dos Transportes, do Turismo e da Agricultura (para citar apenas alguns). Crêem, ou fingem que crêem, que a Muda Decorosa está realmente empenhada num esforço moralizador, na “limpeza” do governo. Como se a corrupção no governo luliopetista fosse uma simples camada de poeira que pudesse ser espanada.

Não, senhores, não é! A corrupção, para os lulopetistas, não é algo superficial, que possa ser varrido com um simples espanar: é um método! Mais que isso: é a sua propria essência, está profundamente arraigada em seu organismo. A ocupação e aparelhamento da máquina governamental para servir aos companheiros, a substituição de critérios técnicos e profissionais pela militância, a transformação do Estado em comitê sindical e em distribuidor de benesses para os apaniguados, a compra de consciências mediante verbas e bolsas-cabresto – tudo isso não constitui exceções, mas o fundamento mesmo do "modo petista de governar". Daí para a roubalheira pura e simples, para o saque dos cofres públicos, é um pulinho.

O lulopetismo, meus amigos, é a maior máquina de cooptação política da História do Brasil. A relação promíscua entre interesses partidários e empresariais, a ausência de separação entre o público e o privado, são suas características inseparáveis. Se duvidam, vejam a trajetória empresarial de Lulinha e, agora, o futuro brilhante da neta do Apedeuta, cuja incipiente carreira nos palcos será patrocinada com uma dinheirama da Oi (que está retribuindo favores feitos pelo avô). A gangue incrustada no Ministério do Turismo desviava dinheiro do Erário para ONGs inexistentes no Amapá. Digam-me: não é exatamente isso que os companheiros no poder fazem há mais de oito anos, em escala muito maior?

E não venham me dizer que o PT se corrompeu devido ao contato com partidos como o PR e o PMDB! Isso não passa de um jeito confortável de enganar a si mesmo, como se os petistas fossem um bando de virgens vestais e como se a ladroeira fosse algo externo ao partido. Pelo contrário, trata-se de algo que vem desde sua criação, em 1980, e mesmo antes. Tem a ver com uma forma de fazer política baseada na idéia de inimputabilidade, baseada, por sua vez, num conceito auto-atribuído de “missão histórica”. O PT passou, em poucos anos, de partido que não se aliava a ninguém a partido que se alia a todos e que, em nome do "pudê", topa qualquer parada. Com isso, segue uma linha natural dos partidos de esquerda, a começar pelos partidos comunistas, que passavam rapidamente do sectarismo ao pragmatismo de acordo com as circunstâncias. O que Lula e o PT fizeram foi levar isso ao paroxismo e ao deboche, superando qualquer coisa que tenha vindo antes nesse quesito. Entre as greves do ABC paulista no final dos anos 70 e o mensalão há uma linha quase reta. Aliás, ainda há quem, do lado do PT, negue que a coisa existiu – o que prova, mais uma vez, que ninguém os supera em deniability. (O mensalão, aliás, deve ser o único caso de crime sem mandante e sem beneficiário na História da humanidade, pois o chefe até hoje alega que não sabia de nada – ou que foi traído, ou que todo mundo faz igual etc.)

É preciso ser muito tolo ou muito cínico para não perceber que o governo Dilma Rousseff – na verdade, o governo Lula, parte III – está podre de alto a baixo, já nasceu carcomido, e que a tal “faxina” prometida não passa de jogada para a platéia. Assim como é impossível dissociar o mensalão e todos os demais incontáveis escândalos de corrupção dos últimos nove anos da trajetória do PT e do "pensamento" lulopetista, é impossivel dissociar a criatura de Lula da lambança em seu governo. Esperar uma "faxina moral" por parte de Dona Dilma é como esperar que Lula recite Shakespeare ou Goethe na Academia Brasileira de Letras.

Há limite para tudo. Menos para o caradurismo dos petralhas. E para a disposição de algumas pessoas de se deixarem cair em mais um conto-do-vigário por eles protagonizado. Enquanto gente como Pedro Simon e Cristóvam Buarque não acordar para a realidade, haverá quem continue a chamar de faxina o ato de jogar o lixo para debaixo do tapete.

sábado, agosto 13, 2011

A REBELIÃO DOS DELINQÜENTES

Demorou um pouco, mas parece que parte da grande imprensa caiu na real e percebeu que os distúrbios na Inglaterra durante esta semana não foram nenhuma manifestação de coitadinhos sem emprego e sem perspectivas na vida, mas, sim, obra de arruaceiros, bandidos, criminosos, salafrários, vagabundos.

O perfil dos presos pela polícia britânica não deixa dúvidas: não são manifestantes; são vândalos, pura e simplesmente. Muitos têm casa e trabalho e são bem grandinhos: saíram às ruas por farra, para barbarizar, nada mais do que isso.

Mesmo se fossem todos desempregados e imigrantes ilegais, nada justifica o que aconteceu na terra dos Beatles. Quem ateia fogo a prédios e a ônibus, quem espanca e rouba pessoas indefesas, não está protestando, não está fazendo manifestação contra ou a favor do que quer que seja: está cometendo crimes; seu lugar é na cadeia e fim de papo.

Como sempre acontece, o sociologismo vigarista e o marxismo de galinheiro que pautam muitas redações de jornais mundo afora tentaram mostrar o quebra-quebra nos subúrbios londrinos como uma forma de protesto contra a crise econômica (falou-se até em "racismo" e "xenofobia") etc. etc., mas está claro para quem quiser ver que a coisa toda não passou de um imenso arrastão, com gangues de mascarados e estadodependentes aproveitando para fazer a limpa em lojas e casas, levando o terror a pessoas decentes. Usaram a morte de um suspeito numa operação policial de combate a gangues armadas como pretexto para desencadear a maior onda de saques e depredações na terra da rainha desde os anos 80. O mesmo tipo de coisa aconteceu nos subúrbios de Paris em 2005.

Vai demorar um pouco mais, mas um dia os mesmos que estão hoje mordendo a língua por causa do que disseram sobre os hooligans do Reino Unido vão perceber que os "estudantes" em Santiago do Chile não estão nem aí para a educação, como estão dizendo. Como bons filhinhos-de-papai, estão se lixando para as universidades, deixando-se levar pelo velho esquerdismo bocó de sempre. O fato de o atual presidente chileno ser o "direitista" Sebastián Piñera é um motivo a mais - na verdade, o principal motivo - para "protestarem". (Aliás, Piñera já está sendo mostrado na imprensa como herdeiro de... Pinochet!!! Entre outras coisas porque afirmou o óbvio: que não existe nada de graça neste mundo.) Para atingir seu objetivo desestabilizador, esses baderneiros tentam constranger o governo com reivindicações que sabem ser inaceitáveis - como a "exigência" de que escolas particulares... não lucrem! Não passa de teatro de rua, explorado por gente que quer o "fim do capitalismo" e que não diz um pio contra regimes como o de Cuba - o modelo de sociedade ideal para esses cretinos (ou perto disso, para pessoas como Antonio Candido).

Vai demorar mais ainda para que muitos finalmente se dêem conta de que "manifestações" semelhantes que costumam pipocar por aqui - como certas "greves" convocadas por sindicatos esquerdistas e por "estudantes" em São Paulo e no Rio de Janeiro - também têm por único objetivo externar o ódio desses mimadinhos criados com toddyinho e sucrilhos contra o "sistema", segundo eles representados por governos "de direita". Não apresentam nada de novo, nenhuma solução; apenas slogans rançosos, para atrair os holofotes. Sem falar nas invasões do bando criminoso chamado MST. (Mas tente dizer isso: é "criminalização dos movimentos sociais" e estamos conversados!)

Ainda há idiotas que enxergam no baguncismo em Londres e em Santiago um quê de Praça Tahrir, vendo com esperança mal-disfarçada o que para eles parece um revival de contestações passadas, das quais participaram quando jovens ou gostariam de ter participado. São uns tontos que não sabem a diferença entre uma ditadura e regimes democráticos, entre uma tirania e um governo eleito democraticamente. O que esses fascistas querem é o que seus avós ideológicos também queriam nos anos 20 e 30, quando as hordas de Mussolini e de Hitler conseguiram derrubar a democracia na Itália e na Alemanha usando tática muito parecida. Talvez a maioria nem saiba disso, pois têm o nível de consciência política da platéia do Faustão. Há até quem prefira culpar a "direita racista e xenófoba" pelo ocorrido... (Depois do maluco assassino da Noruega, virou moda.) Querem apostar?

Que Sebastián Piñera não mostre a mesma covardia que David Cameron no começo dos tumultos e saiba defender a democracia de quem a usa para miná-la com as desculpas mais esfarrapadas. Que não se deixe intimidar pelas patrulhas politicamente corretas e não titubeie em empregar o legítimo monopólio da força pelo Estado que lhe é conferido pela Constituição democrática de seu país para fazer valer a Lei contra os que querem destruí-la e que não aceitam o diálogo. Se os governantes da Itália e da Alemanha tivessem agido firmemente contra os nazifascistas, a História teria sido outra.

Em Londres, em Santiago ou em São Paulo, a cretinice esquerdopata está à solta, quebrando vitrines e fazendo vítimas. Para essa gente, só há um remédio: Polícia. Borrachada democrática no lombo deles! Está mais do que na hora desses delinqüentes aprenderem a viver num ambiente civilizado e que, numa sociedade democrática, não existe lugar para quem queima lojas e agride pessoas nas ruas. Só assim poderão aprender que sem Lei e Ordem não existe democracia.

terça-feira, agosto 09, 2011

OS DEVANEIOS DO VELHINHO

De vez em quando alguém me manda um link na área de comentários, geralmente para um texto ou uma entrevista de alguma vaca sagrada do esquerdismo nacional. Aconteceu de novo. Um anônimo, provavelmente mais um da sinistra – essa gente adora se apoiar nas palavras de figuras do tipo, agindo como abelhas, guiados por feromônios –, remete a uma entrevista de Antonio Candido, um dos medalhões da esquerda tupiniquim (foi fundador do PT e o escambau), à revista “Brasil de Fato” (um dos panfletos chapa-branca crias da era lulista, como a Carta Capital). O texto é inacreditável. A começar pelo título, que diz tudo: “O socialismo é uma doutrina triunfante”. Levado por uma, como direi?, curiosidade mórbida, acabei lendo o troço. E não resisti a fazer também meus comentários.

Selecionei a parte mais, digamos, controversa da entrevista. Depois de discorrer sobre literatura e dizer que está afastado de todas as novidades há 30 anos – ele diz não saber o que é e-mail – o professor Antonio Candido trava o seguinte diálogo com a entrevistadora-fã (botei em negrito alguns trechos):

Brasil de Fato – O senhor é socialista?
Antonio Candido – Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria.

Ao ler o que está aí em cima, voltei à minha infância. Lembrei imeditamente do Didi Mocó: "Cuma???" O socialismo, uma “doutrina triunfante”??? É isso mesmo, professor?

Nem vou me concentrar nessa questão, por ora. Prefiro comentar as palavras de Antonio Candido sobre os primórdios da indústria capitalista, que, segundo ele, foram algo assim como o inferno de Dante. Esse tipo de afirmação é corrente desde os romances de Dickens. Mas aí eu me pergunto: e o que havia antes? O feudalismo. E, no feudalismo, como era a vida? Certamente, não era nenhum mar de rosas. Desconfio que Antônio Cândido jamais leu Von Mises. Se o fizesse, perceberia que, no capitalismo, as condições de vida MELHORARAM de forma geral, inclusive para o operariado.

Mas cortei um parágrafo da entrevista. Vejamos o que diz o gênio:

Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: “o senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana”. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na “Ideologia Alemã”: as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.

Ai, ai.... (longo suspiro). Qualquer um, mesmo um militante do PSTU, deve ter sentido, ao ler essas palavras, aquela sensação desconfortável que a gente costuma chamar de "vergonha alheia". Trata-se de uma visão primária, infantil mesmo, do que seria o socialismo – Antonio Candido o descreve como se fosse um misto de conto-de-fadas e de livro do Gabriel Chalita. Até para os padrões marxistas, tal conceito de socialismo é de uma superficialidade inacreditável, ginasiana. É constrangedor ver um ancião de 93 anos de idade com idéias tão esclerosadas, dignas de uma cartilha do PT ou do PSOL. Chega a ser tocante.

A opinião de Antonio Candido sobre a suposta miséria dos trabalhadores no capitalismo, por exemplo, é de fazer corar de vergonha até o mais burocrático editor do "Pravda". Para ele, as conquistas sociais se devem ao socialismo, não existe capitalismo com face humana etc. O fato de o capitalismo ser o sistema econômico que mais produziu riqueza na história da humanidade e – o que é mais importante – o ÚNICO capaz de conciliar lucro com liberdade (e as tais conquistas sociais) não existe para o velho socialista Antônio Cândido. É o capitalismo, esse bicho-papão...

Mas o mais incrível vem na explicação de Antonio Candido para sua última afirmação ("O socialismo só não deu certo na Rússia" - e em nenhum outro lugar, esqueceu-se de dizer):

Virou capitalismo. A revolução russa serviu para formar o capitalismo. O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar.

Ah bom! Agora entendi tudo. O que deu errado na URSS não foi o socialismo; não foi a ditadura do proletariado; foi o... capitalismo!

Agora só falta botar a culpa pelos fuzilamentos, pelas torturas, pela censura e pelos milhões de mortos nos campos de concentração na Casa Branca ou nos banqueiros de Wall Street. Santo Deus!

Falando sério: uma das coisas mais desonestas que existem é essa lengalenga de que tudo de bom que existe no capitalismo se deve ao socialismo. É uma das maiores mentiras que alguem já inventou. Mesmo que fosse verdade, gostaria de saber por que o Gulag teria sido necessário para que existissem hoje décimo-terceiro salário e férias remuneradas.

Brasil de Fato – O socialismo como luta dos trabalhadores?
Antonio Candido – O socialismo como caminho para a igualdade. Não é a luta, é por causa da luta. O grau de igualdade de hoje foi obtido pelas lutas do socialismo. Portanto ele é uma doutrina triunfante. Os países que passaram pela etapa das revoluções burguesas têm o nível de vida do trabalhador que o socialismo lutou para ter, o que quer. Não vou dizer que países como França e Alemanha são socialistas, mas têm um nível de vida melhor para o trabalhador.


O "grau de igualdade de hoje", que segundo Antonio Candido foi obtido "pelas lutas do socialismo" foi proporcionado pelo próprio capitalismo, que tem no lucro e na propriedade seu grande fator equalizador (não os laços de parentesco ou os títulos de nobreza). Mas lembrar esse fato talvez seja pedir demais ao cérebro de Antonio Candido.

Agora, estão prontos para ter uma aula de precisão conceitual e de rigor lógico? Então lá vai:

Brasil de Fato – Para o senhor é possível o socialismo existir triunfando sobre o capitalismo?
Antonio Candido – Estou pensando mais na técnica de esponja. Se daqui a 50 anos no Brasil não houver diferença maior que dez do maior ao menor salário, se todos tiverem escola… não importa que seja com a monarquia, pode ser o regime com o nome que for, não precisa ser o socialismo! Digo que o socialismo é uma doutrina triunfante porque suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas. Não tenho cabeça teórica, não sei como resolver essa questão: o socialismo foi extraordinário para pensar a distribuição econômica, mas não foi tão eficiente para efetivamente fazer a produção. O capitalismo foi mais eficiente, porque tem o lucro. Quando se suprime o lucro, a coisa fica mais complicada. É preciso conciliar a ambição econômica – que o homem civilizado tem, assim como tem ambição de sexo, de alimentação, tem ambição de possuir bens materiais – com a igualdade. Quem pode resolver melhor essa equação é o socialismo, disso não tenho a menor dúvida. Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser… o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo.


Acredito que nem mesmo um primeiranista de ciências sociais na USP ou na UnB teria muita dificuldade em perceber a total confusão de conceitos que Antonio Candido faz acima. Primeiro, ele diz que o sistema ideal não precisa ser socialista. Depois, que o sistema que melhor pode conciliar a ambição econômica com a igualdade é o... socialismo. Em seguida, proclama que o mundo está caminhando para isso. Mas nem ele sabe ao certo o que viria a ser esse sistema, de modo que só posso concluir que ele não tem mesmo a menor idéia do que está falando...

Isso fica claro quando o professor destila sua definição de socialismo como o "máximo de igualdade econômica", entendida por ele como igualdade salarial. O que Marx diria disso?

As palavras de Antonio Candido me fizeram lembrar de uma entrevista que o Lula deu anos atrás, antes de ser presidente. Na ocasião, o Apedeuta se disse socialista, mas confessou não saber exatamente como seria o socialismo se fosse um dia aplicado no Brasil. Não tinha idéia do que seria. A pergunta é: por que eu deveria apoiar algo que ninguém sabe ao certo do que se trata?

Mas esperem! O ápice da entrevista – e da sabedoria de Antonio Candido – vem agora.

Brasil de Fato – O que o socialismo conseguiu no mundo de avanços?
Antonio Candido – O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. Se você tira os rótulos e vê as realidades, vê como o socialismo humanizou o mundo.


É, o socialismo "humanizou" o mundo. Pena que foi a um preço, digamos assim, um pouco alto: algo como uns cem milhões de mortos... Vejamos como esse sistema maravilhoso fez isso em um lugar específico citado por Antonio Candido como modelo de igualdade entre os homens.

Em Cuba eu vi o socialismo mais próximo do socialismo. Cuba é uma coisa formidável, o mais próximo da justiça social.

Se eu precisava de algo que me convencesse, de uma vez por todas, que o capitalismo é mesmo o melhor sistema e que esse papo de socialismo é mesmo coisa de gente de miolo mole, o venerável professor Antonio Candido acabou de me proporcionar o argumento definitivo: para ele, o mais próximo de justiça social que existe é... Cuba!!!

Precisa comentar?

Não a Rússia, a China, o Camboja. No comunismo tem muito fanatismo, enquanto o socialismo democrático é moderado, é humano. E não há verdade final fora da moderação, isso Aristóteles já dizia, a verdade está no meio.

E a castradura cubana, pelo visto, não tem nada de fanatismo, seria esse tal "socialismo democrático" de que fala Antonio Candido. Parece que, para ele, se Aristóteles estivesse vivo, concordaria que Cuba é o juste milieu. Seria, certamente, um militante bolivariano...

Acho que o que vai acima dá bem uma idéia de como funciona uma mente genial como a de Antonio Candido, um dos heróis da intelectualidade uspiana – o que dá também uma idéia da indigência mental de nossos intelelequituais. O resto da entrevista é pura louvação ao socialismo, "a grande visão do homem, que não foi ainda superada, de tratar o homem realmente como ser humano" etc... Quando li isso, confesso que quase chorei; lembrou meus 14 anos.

Nem tudo na entrevista de Antonio Candido é delírio esquerdóide. Pelo menos numa coisa vou concordar: em certo momento, ele diz que o capitalismo atual está embebido de socialismo. É verdade! Vejam o "capitalismo" brasileiro, feito de dinheiro público distribuído à larga pelos companheiros em ministérios que já viraram balcões de negócios. Antonio Candido cita como prova do “triunfo do socialismo” o fato de que até figuras como Maluf falam hoje em justiça social. Deve ser porque Maluf, assim como Collor e Sarney, agora é lulista de carteirinha.

No final, Antonio Candido aproveita para fazer altos elogios ao MST, em especial à "preocupação cultural" do movimento, o que segundo ele não havia em movimentos anteriores. Ele diz que isso "é uma coisa muito bonita" do MST. De fato, é muito bonito ver os filhos dos invasores aprendendo a odiar o capitalismo e a venerar grandes humanistas como Mao Tsé-tung e Che Guevara em alguma universidade mantida pela gangue. Sem falar que, de economia, a turma de João Pedro Stédile entende bastante. Principalmente como tungar o Erário...

Antonio Candido diz ainda:

É preciso cultura. Não é só o livro, é conhecimento, informação, notícia… Minha tese de doutorado em ciências sociais foi sobre o camponês pobre de São Paulo – aquele que precisa arrendar terra, o parceiro. Em 1948, estava fazendo minha pesquisa num bairro rural de Bofete e tinha um informante muito bom, Nhô Samuel Antônio de Camargos. Ele dizia que tinha mais de 90 anos, mas não sabia quantos. Um dia ele me perguntou: “ô seu Antonio, o imperador vai indo bem? Não é mais aquele de barba branca, né?”. Eu disse pra ele: “não, agora é outro chamado Eurico Gaspar Dutra”. Quer dizer, ele está fora da cultura, para ele o imperador existe. [...]

E Antonio Candido não sabe ainda que o Muro caiu. Empatou, né?

Um dos ensinamentos que ficaram da minha infância foi o respeito à opinião dos mais velhos. Mesmo que essa opinião seja absurda, não importa: é uma questão de respeito, de reverência, pelos anos vividos. Minha bisavó morreu aos 99 anos jurando de pés juntos que o homem não tinha ido à Lua. Não adiantava tentar argumentar, mostrar o video da aterrissagem, ela fincava pé: fora tudo encenação, como nos filmes de Hollywood etc. Durante um tempo tentei convencê-la, mas acabei desistindo. Concluí que era mesmo muito difícil para uma pessoa nascida no século XIX acreditar em um evento de tal magnitude. Era algo além de sua compreensão. Além do mais, provavelmente pensar assim a deixava feliz. Para quê contrariar a velhinha?

Desde que Oscar Niemeyer cometeu um artigo inacreditável na Folha de S. Paulo em que elogia um livro que não leu sobre Stálin - e que afirma exatamente o contrário do que ele escreveu a respeito de seu grande ídolo -, eu não lia tanta besteira sobre socialismo saída da boca de um medalhão da esquerda tupiniquim. Antonio Candido, 93 anos, não foge à regra da senilidade esquerdista (a última vez que ouvi falar do professor, ele estava discursando para um bando de baderneiros profissionais em meio a uma “greve” na USP; na ocasião, ele deu o seguinte conselho aos revolucionários juvenis do toddyinho e dos sucrilhos: “sejam justos e injustos”). Ao ler a entrevista, lembrei de Antero de Quental, escritor português do século XIX, que certa vez, numa célebre polêmica literária, respondeu a um desafeto com os seguintes termos:

Innovar é dizer aos prophetas, aos reveladores encartados: «ha alguma cousa que vós ignoraes; alguma cousa que nunca pensastes nem dissestes; ha mundo além do circulo que se vê com os vossos oculos de theatro; ha mundo maior do que os vossos systemas, mais profundo do que os vossos folhetins; ha universo um pouco mais extenso e mais agradavel sobre tudo do que os vossos livros e os vossos discursos.»

Fico tentado a responder a Antonio Candido com as palavras acima. Mas então me lembro que ele tem 93 anos. Para quê contrariar o velhinho?

Afinal, não nos esqueçamos: o sobrenome dele é “Cândido”.

segunda-feira, agosto 08, 2011

LULA FOI À LONA EM BOGOTÁ



Na imagem, o momento em que Alvaro Uribe aplicava um poderoso cruzado de direita em um megalomaníaco boquirroto amigo das FARC, no primeiro round
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por Augusto Nunes

O pastelão encenado no picadeiro do Circo do Planalto por Dilma Rousseff, Nelson Jobim e Celso Amorim acabou ofuscando o fiasco do palanque ambulante em Bogotá, onde fez escala na quinta-feira passada para animar um encontro entre empresários brasileiros e colombianos. Lula estava lá para discorrer sobre as relações entre os dois países. No meio da discurseira, resolveu discutir a relação com Alvaro Uribe. Foi nocauteado no primeiro assalto.

Caprichando na pose de consultor-geral do mundo, com os olhos voltados para o presidente Juan Manuel Santos, Lula cruzou a fronteira da civilidade com a desfaçatez dos inimputáveis. “Estou certo que você e a presidenta Dilma Rousseff podem fazer mais do que fizemos o presidente Uribe e eu”, começou. Pararia por aí se fosse sensato. Nunca será, confirmou a continuação do falatório: “Tínhamos uma boa relação, mas com muita desconfiança. Não confiávamos totalmente um no outro”.

Lula confia em delinquentes, cafajestes, doidos de pedra, assassinos patológicos, sociopatas, ladrões compulsivos ─ e em qualquer obscenidade cucaracha. Hugo Chávez é um bolívar-de-hospício, mas o amigo brasileiro participou até de comícios eleitorais na Venezuela. Evo Morales tungou a Petrobras e anistiou os ladrões de milhares de carros brasileiros, mas Lula tem muito apreço por um lhama-de-franja. Cristina Kirchner não perde nenhuma chance de atazanar exportadores brasileiros, mas Lula não resiste ao charme da inventora do luto de luxo. O único problema do subcontinente é Uribe.

Embora desprovido de razões para desconfianças, Lula foi permanentemente desrespeitoso ─ e frequentemente grosseiro ─ com o colombiano que também conseguiu dois mandatos nas urnas, despediu-se da presidência com 85% de aprovação nas pesquisas e transmitiu o cargo ao sucessor que escolheu. Embora sobrassem motivos para desconfiar de Lula, Uribe sempre o tratou com respeito e elegância. E suportou pacientemente, durante oito anos, as manifestações unilaterais de hostilidade.

A paciência chegou ao fim, avisou a devastadora sequência de mensagens divulgadas por Uribe no Twitter. “Lula criticava Chávez em sua ausência, mas tremia quando ele estava presente”, pegou no fígado o primeiro contragolpe. Outros três registraram que “Lula se negou a extraditar o Padre Medina, terrorista refugiado no Brasil”, que “Lula procurou impedir que a televisão transmitisse a reunião da Unasul em Bariloche que discutiu o acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos” e que “Lula jamais admitiu que os integrantes das FARC são narcoterroristas”.

O quinto contragolpe ─ “Lula fingia durante o governo que era o nosso melhor amigo” ─ não seria o último. Mas o nocaute já se consumara quando foi desferido. É compreensível que o viajante ainda estivesse grogue no dia seguinte, como comprovam a forma e o conteúdo da entrevista publicada pelo jornal O Tempo. “Sinceramente, estranhei muito a reação do companheiro Uribe, por quem tenho profundo respeito”, recuou o palanqueiro, que se negou a comentar o teor das mensagens.

“Se ele tem alguma dúvida com alguma coisa que eu disse, seria mais fácil me chamar em vez de tuitar”, queixou-se. O uso do neologismo parece ter induzido o repórter a acreditar que Lula tem intimidade com modernidades virtuais. Pretendia usar o twitter para responder a Uribe? , quis saber o jornalista. “Não, porque é preciso pensar antes de dizer as coisas, e muitas vezes no Twitter a pessoa não pensa, simplesmente escreve”, desconversou.

Como o entrevistador não replicou, pode-se deduzir que não conhece direito o entrevistado. Deveria ter-se informado com Uribe, que sabe com quem está falando. O ex-presidente colombiano sabe que Lula é do tipo que primeiro fala e depois pensa ─ se é que pensa. Sabe que Lula não escreve, em redes sociais ou num guardanapo do botequim, pela simples e boa razão de que não quis aprender a escrever.

Lula comprou a briga usando o microfone. Colidiu com a palavra escrita e acabou nocauteado pelo Twitter.

sábado, agosto 06, 2011

ABAIXO A IDEOLOGIA GAYZISTA

Faço questão de repetir, para que não haja qualquer dúvida: não tenho absolutamente nada contra gays, lésbicas, travestis, transgêneros ou seja lá o nome com que se apresentem. Acho - e quero deixar isso bem claro -, que cada um tem o direito de levar a vida como quiser. O que fazem debaixo dos lençóis, francamente, não me interessa nem um pouco. A vida é sua, irmão, faça com ela o que bem entender. Também nada me espanta. Para mim, não faz qualquer diferença se o sujeito gosta de mulher ou se é apaixonado por um pé de mandacaru. Considero mesmo algo plenamente normal, é assim desde que o mundo é mundo, e sempre será. Não tenho nada a dizer sobre isso, nem contra nem a favor. Simplesmente não é da minha conta e ponto final.

É exatamente por acreditar que a sexualidade é um assunto privado, que diz respeito unicamente às pessoas envolvidas, que não posso aceitar que o Estado passe a ditar regras a respeito. É precisamente por achar que se trata de uma questão de foro íntimo que não posso ficar calado diante do avanço da ideologia gayzista, hoje o movimento político mais poderoso no Brasil, ao lado do maconhista e do racialista - e, ouso dizer, o mais nocivo à tolerância e à democracia.

Como disse antes, a opção sexual de cada um, assim como a cor ou a comida preferidas, é uma questão individual, ninguém tem nada que meter a colher. Muito menos o Estado deve se imiscuir na vida privada dos indivíduos. Quando isso acontece, então deixa de ser um assunto particular - a coisa passa a me dizer respeito, como a qualquer cidadão.

Passa a ser da minha conta quando o governo começa a distribuir um kit-gay nas escolas, que ensina a crianças de 11 anos de idade a beleza do homossexualismo. Quem disse que o Estado deve ter alguma palavra a dizer sobre o assunto? Ainda mais para crianças, que estão ainda em formação e não têm o discernimento necessário para fazer uma escolha consciente sobre o que quer que seja?

Passa a ser da minha conta quando a prefeitura da maior cidade do País gasta dinheiro público para distribuir gel lubrificante a manifestantes seminus numa parada gay - é para isso que servem os impostos?

Passa a ser da minha conta quando um lobby poderosíssimo usa os meios de comunicação e até telenovelas como palanque para enfiar goela abaixo da sociedade um projeto de lei que, se aprovado, irá criar uma casta de privilegiados, acima dos demais mortais - pior: criminalizando qualquer ponto de vista que não for do agrado desses seres super-sensíveis e iluminados, instituindo o delito de opinião e sepultando, assim, a liberdade de expressão - e, portanto, a democracia.

Passa a ser da minha conta quando esse lobby, com os formidáveis recursos midiáticos de que dispõe, resolve forçar a barra para mentir descaradamente, exibindo falsas estatísticas que mostram como um matadouro de homossexuais o país que tem a maior parada gay do mundo, para aprovar uma lei que lhes concederá privilégios - até porque já dispõem da mesma proteção legal facultada a todos os demais cidadãos.

Passa a ser da minha conta quando o princípio da igualdade de todos perante a Lei é jogado no lixo para garantir privilégios, como o de debochar da crença alheia, ridicularizando imagens e símbolos religiosos - crime punível com cadeia pelo Código Penal.

Passa a ser da minha conta quando, cedendo à patrulha politicamente correta, a principal Corte judicial do País decide simplesmente rasgar a Constituição, reescrevendo um artigo da mesma que trata da organização da família, e que só poderia ser mudado por Emenda Constitucional, passando, assim, por cima da separação de Poderes.

Enfim, é da minha conta quando um grupo tenta impor, pela mentira e pela propaganda, sua agenda político-ideológica ao restante da sociedade. É da minha conta quando qualquer opinião divergente é imediatamente tachada como "homofóbica" (termo, aliás, que não tem qualquer sentido). É da minha conta quando tentam me amordaçar.

Até porque, se eu não puder mais falar o que penso sobre esse assunto, o que os impediria de me obrigar a adotar seu estilo de vida?

Viva a liberdade de expressão!

Viva a diversidade!

Viva a democracia!

Abaixo a censura!

Abaixo a intolerância!

Abaixo a ideologia gayzista!

sexta-feira, agosto 05, 2011

MAIS DO MESMO

Quando Dilma Vana Rousseff subiu a rampa do Palácio do Planalto, muita gente passou a repetir para si mesmo que, pelo menos no estilo e em política externa, haveria alguma mudança. Não mais batatadas diárias sobre tudo, arroubos de boçalidade e de megalomania retórica, mas recato e compostura. Do mesmo modo, não mais cumplicidade com ditaduras e com regimes violadores dos direitos humanos, acreditaram os que pensaram que uma ex-terrorista e ex-presa politica no poder faria diferença nesse quesito. Agora sim, com uma mulher na Presidência da República, o Brasil deixará de fazer sala para titulares de regimes que apedrejam mulheres, pensaram os iludidos vocacionais de plantão, para quem a atual inquilina do Alvorada é em algo diferente do criador.

Durou pouco a fantasia. A essa altura, está claro para quem pensa que o que antes passava por discrição era apenas despreparo, e o que era visto como silêncio decoroso não era mais do que falta do que falar (e incapacidade de formular um raciocínio lógico). Alguns meses depois da apoteose em Brasília, dois ministros já caíram, um deles pela segunda vez, enredados na mesma trama de ladroeira que já virou o prato do dia há nove anos. O terceiro, talvez presssentindo o naufrágio iminente, acabou de pedir para sair.

Em lugar do boquirroto e domador de sucuris de quartel Nelson Jobim para o cargo de ministro da Defesa, entra Celso Amorim, até o ano passado o ministro das relações exteriores de Lula da Silva. Nessa qualidade, protagonizou vexames históricos como o acordo fajuto com o Irã de Mahmoud Ahmadinejad e a chanchada da tentativa de emplacar um golpista bolivariano em Honduras, entre afagos indecentes de seu patrão em ditadores como Hugo Chávez e os irmãos Castro. Cai por terra, portanto, o mito recém-criado da presidenta-amiga-dos-direitos-humanos e retorna à ribalta o defensor de um kissingerianismo terceiro-mundista, amigo de tiranos e dos narcoterroristas das FARC, expoente máximo do megalonaniquismo nacional. Com um detalhe: agora ele vem armado.

Bastaram pouco mais de seis meses para que o mito da gerentona ultra-competente e intransigente defensora da moralidade administrativa desse lugar à muda abobada incapaz de desencalhar as obras do PAC e refém das velhas prostitutas do PMDB. Agora revelou-se que, de novo, o governo Dilma Rousseff não tem sequer os nomes que o compõem. Se o Apedeuta tivesse conseguido emplacar um terceiro mandato, como tentou fazer, não ficaria mais óbvia a continuidade da Era da Mediocridade.

EU JÁ SABIA

Somente agora, alguns milhares de mortos depois, a ONU e grande parte da imprensa parecem ter descoberto que Bashar al-Ashad, o ditador sanguinário da Síria, é um ditador sanguinário. Modéstia à parte, eu já sabia disso há tempos. Tanto que escrevi, aqui, um texto sobre o assunto. Foi no dia 1 de julho de 2010, portanto mais de um ano atrás. Na época - e, dizem, ainda hoje - governava o Brasil um sujeito que dizia acreditar sinceramente ser possível alcançar a paz conversando com todo mundo, "até com quem não quer a paz". De lá para cá, a posição do governo brasileiro nao mudou muito. Tampouco a natureza assassina do regime de Damasco.

Leiam.
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A INCRÍVEL CONTRIBUIÇÃO DA SÍRIA PARA A PAZ MUNDIAL


Lula encontrou-se ontem com Bashar al-Assad, presidente da Síria. Discutiram, segundo está nos jornais, assuntos relativos ao Oriente Médio. Lula, como se sabe, tem um interesse especial na região. Tanto que já patrocinou um "acordo" com a Turquia e o Irã para permitir que este último continue a enriquecer urânio para seu programa nuclear secreto destinado a destruir Israel. Inclusive ele se opõe a sanções internacionais contra Mahmoud Ahmadinejad. Lula já chamou árabes de turcos, e confundiu árabes com persas. Lula é um gênio.

O que discutiram, exatamente, Lula e seu colega sírio? A paz. Mais especificamente, a paz entre palestinos e israelenses, que, segundo Lula e al-Assad, só poderá ser alcançada no dia em que Israel acabar com o bloqueio a Gaza e deixar de colocar em prática sua política de assentamentos. Para Lula e al-Assad, a paz na região depende unicamente de Israel.

Muito bem. Qual a contribuição da Síria para a paz no Oriente Médio? Eis algumas de suas credenciais:

- Tentou destruir Israel três vezes, em 1948, 1967 e 1973 - e perdeu em todas;

- Invadiu o Líbano em 1976, patrocinando diversos grupos terroristas que infernizaram o país nas décadas seguintes;

- Em 2005, seus serviços secretos mataram, em um atentado à bomba, o primeiro-ministro do Líbano, Rafik Hariri, conforme relatório da ONU. No atentado, em que morreram 21 pessoas, foram usados 1000kg de explosivos;

- Dá apoio total ao Hezbollah no Líbano e ao Hamas na Faixa de Gaza. Nem o Hezbollah nem o Hamas querem saber de uma solução de dois estados na região, mas, sim, aniquilar Israel e implantar um Estado islâmico.

Além do que está acima, Bashar al-Assad, filho de Hafez al-Assad, que governou a Síria com mão de ferro durante trinta anos, ostenta alguns títulos portentosos. Segundo a revista Foreign Policy, por exemplo, ele ocupa a 12a posição no ranking dos piores ditadores do mundo. O regime que comanda é aliado próximo do Irã de Mahmoud Ahmadinejad, e é acusado de alguns milhares de mortes de opositores políticos. Ele, Bashar al-Assad, não dá qualquer sinal de que irá permitir eleições livres e deixar o poder um dia. Deve ser por isso que Lula o identificou como um interlocutor confiável, ao contrário de Israel.

Em sua visita ao Brasil, Bashar al-Assad repetiu o mantra de que apóia o princípio da "terra por paz". Muita gente acredita, sinceramente ou não, que se Israel devolver os territórios ocupados desde 1967 haverá paz na região. A rigor, essa questão está resolvida desde 1993, quando Yitzhak Rabin e Yasser Arafat assinaram os acordos de Oslo reconhecendo o direito à existência de dois estados - um palestino e um israelense. Mas al-Assad, que não referendou os acordos de Oslo, parece acreditar, assim como Lula, que a solução para o problema da paz e da guerra na região depende exclusivamente de Israel. Cabem a eles, portanto, responder as seguintes perguntas:

- Em 2000, Israel se dispôs, perante a Autoridade Nacional Palestina (à época, comandada por Yasser Arafat), a devolver 95% da Cisjordânia, em nome do princípio de "terra por paz". O que houve em seguida? Mais paz ou mais guerra?

- No mesmo ano de 2000, também em nome do princípio da "terra por paz", Israel se retirou do sul do Líbano. O que fez então o Hezbollah, que controla a região? Paz ou guerra?

- Em 2005, o governo israelense do brucutu Ariel Sharon ordenou a retirada, unilateral e incondicional, de todos - todos! - os colonos judeus da Faixa de Gaza, entregando o controle do território inteiramente aos palestinos. Foi a maior operação do tipo "terra por paz" já ocorrida na região. Pois bem. O que houve depois? O Hamas deixou de lançar mísseis contra Israel?

"Terra por paz", né? Sei... Até o momento, está mais para "terra por bombas". Será assim pelo menos até que os inimigos jurados de Israel, como o Hezbollah e o Hamas - patrocinados pela Síria de Bashar al-Assad - desistam de sua intenção declarada de varrer Israel do mapa, como também quer o negador do Holocausto Mahmoud Ahmadinejad. Será assim até que desistam do terrorismo.

Ah sim! Na conversa que tiveram, Lula e al-Assad não falaram no terrorismo do Hamas e do Hezbollah. Também não falaram sobre a necessidade de se reconhecer o direito de Israel existir.

Ao final do encontro que teve com Lula em Brasília, Bashar al-Assad se disse "muito grato" pela posição do governo brasileiro em relação ao Oriente Médio. Faz todo sentido.

É com esse tipo de humanista que o governo Lula trata. Seria ridículo, se não fosse também sangrento.

sábado, julho 30, 2011

A ARTE DE ENGANAR OS TROUXAS

Em Filosofia existe uma falácia chamada generalização apressada. Falácia, para quem não sabe, é um argumento falso ou tendencioso, geralmente preconceituoso. É o resultado de um erro de raciocínio e/ou de uma tentativa de enganar a si próprio ou os outros. Consiste essa falácia, como o próprio nome indica, em retirar, de alguns fatos, conclusões apressadas e generalizantes, resultando daí uma falsa associação, em geral coletiva.

Em outras palavras, a generalização apressada busca tirar uma conclusão com base em evidências insuficientes, e julgar todas as coisas de um determinado universo com base numa amostragem muito pequena. Consequentemente, ela ignora detalhes, fatores, circunstâncias e mesmo os casos que poderiam refutar a universalidade de suas premissas. Alguns exemplos:

1. “Minha avó tem dor de cabeça crônica. Meu vizinho também tem e descobriu que o motivo é um câncer. Logo, minha avó tem câncer.”
2. “Nas duas vezes em que fui assaltado, os bandidos eram negros. Bem que minha mãe fala que todo negro tem tendência para ladrão!”.

3. “O pastor da igreja X roubou o dinheiro dos fiéis. Fulano é pastor. Logo, também é ladrão.”
4. “Meu tio é candomblecista e já matou um bode para oferecer ao orixá. Beltrano foi ao terreiro de candomblé. Logo, ele também mata animais para o orixá.”
5. “Fulano entrou para a igreja X e ficou fanático. Logo, todos os fiéis da igreja X são fanáticos.”
6. “Fulano entrou para uma igreja protestante e ficou fanático. Logo, todos os protestantes são fanáticos.”
7. “Crentes/muçulmanos/bramanistas/etc. são todos fanáticos.”
8. “Todo americano é racista.”


Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência e que ainda não foi lobotomizada pela propaganda esquerdista já deve ter percebido que estamos assistindo à repetição desse padrão falacioso no caso do masssacre cometido na Noruega por Anders Behring Breivik, o maluco que está sendo mostrado como exemplo de "direitista" na Europa. Subitamente, como eu suspeitava desde o início, passou-se a culpar a "direita", tida como uma coisa única e monolítica, pelos atentados terroristas. Um boboca até me enviou um link para uma notícia segundo a qual um senador italiano de direita elogiou as "idéias" de Breivik. Sim, e daí?

A conclusão, apressada e falaciosa, é a seguinte: a direita – toda ela, sem exceção – é "islamófoba, xenófoba e racista". Pior: "a direita" – novamente: toda ela, sem exceção – é terrorista. (Curiosamente, o mesmo tipo de argumentação costuma ser imediatamente rechaçado, no tocante à esquerda e ao Islã, no caso de ataques terroristas de extrema-esquerda ou islamitas.)

Já apontei a óbvia empulhação que está por trás desse argumento calhorda. Em outras palavras, o que se está afirmando a partir do caso de Breivik é o seguinte:

- Breivik se diz antimarxista. Portanto, todos os antimarxistas são assassinos.

- Breivik se diz antimulticulturalista. Logo, todos os que tenham qualquer crítica a fazer ao muliticulturalismo são assassinos perigosíssimos.

- Breivik se diz antiislâmico. Voltaire também era.

E mais:

- Breivik se diz cristão. Logo, todos os cristãos são assassinos e merecem estar na cadeia.

Eu poderia estender essa mesma linha de raciocínio e chegar às seguintes conclusões sobre Breivik:

- Ele é norueguês. Logo, todo norueguês é assassino e terrorista.

- Ele é branco, loiro e de olhos azuis. Nunca dê as costas para um branco, loiro e de olhos azuis.

Agora, o meu argumento preferido:

- Breivik é pró-homossexuais (está no tal "manifesto" que ele escreveu). Vou pensar nisso na próxima vez que vir um bando de travestis desfilando alegremente em alguma parada gay.

Na boa: querem achar um jeito bom de enganar os otários e caluniar a direita? Aceitem meu conselho: tentem fazer melhor da proxima vez.

quinta-feira, julho 28, 2011

O MASSACRE NA NORUEGA: MAIS UMA TAPEAÇÃO ESQUERDISTA

Vamos pensar um pouco?

Sou visceralmente contra análises rasas e superficiais. Simplesmente não consigo me contentar com opiniões simplistas sobre temas complexos. Principalmente quando se está diante de uma tremenda empulhação, uma tentativa grosseira de manipulação das mentes de todos em nome de uma agenda politico-ideológica.

Anders B. Breivik, o canalha que matou 76 pessoas na Noruega numa explosão de ódio assassino, é um terrorista. Não resta a menor dúvida quanto a isso. Ninguém com um mínimo de decência deixaria de execrá-lo e condená-lo com todas as forças. Seu lugar é a cadeia – em minha opinião, pelo resto de sua vida miserável. Ponto.

Até aí, estou chovendo no molhado, alguém poderia dizer. Mas até o óbvio – aliás, principalmente o óbvio, nesses tempos bicudos –, precisa ser reiterado. Breivik é um canalha e um terrorista. E é louco. Aqui é que está o problema.

A essa altura, quem acompanha o noticiário e lê jornais, a começar pela Rede Globo e pelo New York Times, deve estar convencido que de maluco Breivik não tem nada, e é, ao contrário, um representante da “direita racista cristã fundamentalista” etc. Suas ações, longe de mostrarem loucura, revelariam a ponta de um complô, de uma cabala de partidos e forças políticas "antimarxistas-xenófobas-islamófobas” etc. etc. Mais que isso: revelariam a “essência” da direita. A responsabilidade pelo massacre não seria individual, de Breivik, mas sim dos “partidos de direita” (ou de "extrema-direita") europeus. Estes seriam os verdadeiros culpados, ou pelo menos os “responsáveis morais” pela chacina, diz o subtexto.

Isso é claramente uma mentira, uma gigantesca tapeação. Mais uma.

Atentados terroristas de islamitas fanáticos acontecem praticamente todos os dias no Oriente Médio e em outros lugares, e, no entanto, não vejo ninguém na esquerda dizer que os assassinos representam a “essência” do Islã. Pelo contrário: os extremistas são sempre descritos como loucos psicopatas e qualquer associação que se tente fazer entre seus atos e o Islã é imediatamente rechaçada como preconceito antiislâmico. Também não vejo ninguém na esquerda propor maior vigilância sobre organizações islamitas após cada atentado do Hamas ou da Al Qaeda. Pelo contrário: muitas vezes esses contam com a condescendência e até mesmo com a justificação de muitos “humanistas”, para quem terrorismo é só o que o Ocidente e a direita fazem. E não vejo ninguém apontar a responsabilidade moral (para dizer o mínimo) daqueles pelo terrorismo islamita.

(Aliás, já começaram a aparecer vozes na imprensa dizendo que o Hamas é um interlocutor legítimo, e não uma organização terrorista que quer destruir Israel... O grupo, aliás, também aproveitou para condenar o massacre em Oslo, culpando - vejam só - o "sionismo"...)

Há outros exemplos a demonstrar esse duplo padrão ideológico e moral. As ditaduras comunistas mataram 100 milhões de pessoas no século XX, mas nenhum esquerdista que se preze dirá jamais que Karl Marx teve alguma culpa nisso, embora tais regimes não tenham feito mais do que aplicar suas teorias. Nesse caso, há um claro liame entre Marx e Stalin, entre Marx e Mao Tsé-tung, entre Marx e Fidel Castro. Por que ninguém admite, pelo menos, a “responsabilidade moral” de Marx pelo que ocorreu?

No caso do terrorista norueguês, a lógica se inverte. Bastou um maluco com idéias psicóticas e destrambelhadas entrar em ação para a esquerda mundial começar a alardear a existência de um grande plano de dominação mundial direitista. Estão esfregando as mãos, atacando a “direita”…

Na verdade, por trás de todas as demonstrações de indignação moral pela morte das 76 pessoas, de todos os editoriais condenando a “intolerância racial” pelo ocorrido, o que se quer, no caso do louco terrorista norueguês, é (coloco em maiúsculas para deixar claro) DEMONIZAR A DIREITA. Nada mais do que isso. O assassino da Noruega forneceu um pretexto para a esquerda atacar seus adversários ideológicos. E, como em todo pretexto, pouco importam os fatos. O importante é alcançar o objetivo de pichar e satanizar o oponente, desqualificá-lo ao ponto de torná-lo irreconhecível, como se representasse o que de pior existe na humanidade. Os propagandistas de esquerda infiltrados na imprensa estão se esforçando para mostrar todo indivíduo com idéias de direita (antimarxistas e críticas do multiculturalismo) como cúmplices ou co-autores intelectuais do massacre. Por ignorância ou safadeza, não importa. Aliás, é assim que agem os fascistas: pela calúnia, pela difamação do outro. Hoje é a satanização da “direita”; ontem foram os Protocolos dos Sábios de Sião.

Isso é muito grave! Estão usando o caso da Noruega como uma desculpa para atacar um dos pilares da democracia, que é a pluralidade de idéias. Pior: estão fazendo isso posando de democratas e de tolerantes, fingindo indignação e humanismo. Pior ainda: mediante a distorção do que seria o “pensamento da direita”, supostamente representado por um louco.

Quem tiver a pachorra de ler a maçaroca que Brevik escreveu não terá dificuldades em perceber que o autor é simplesmente um maluco, não tem nada de ideólogo (muito menos “de direita”). Não há um minimo de racionalidade ali. Um sujeito que mistura Cavaleiros Templários com John Stuart Mill mostra no mínimo desconhecimento, não pode ser normal da cabeça. No tal manifesto, quando cita o Brasil, ele mostra tão-somente ignorância, culpando, de forma atabalhoada, a mistura de raças pela corrupção (é que ele não conhece o PT…). Lembrei em outro texto que Breivik, ao mesmo tempo em que se diz um “radical cristão”, se define como pró-homossexuais (convenhamos, é um tipo bem estranho de radical cristão). Nem por isso vou sair por aí dizendo que ele fez o que fez porque é pró-gay, ou que todo gayzista é um assassino em massa. Se alguém disser isso, serei o primeiro a denunciá-lo como um farsante e um pilantra.

A conclusão de tudo isso é a seguinte: para a esquerda, quando se trata de outros, não existem loucos solitários, e terroristas são apenas os de “direita”. Jamais os de esquerda ou os islamitas (os quais são tratados quase sempre como "ativistas"). Estes merecem, em vez de condenação, compreensão e apoio. Aí está Cesare Battisti que não me deixa mentir.