terça-feira, agosto 09, 2011

OS DEVANEIOS DO VELHINHO

De vez em quando alguém me manda um link na área de comentários, geralmente para um texto ou uma entrevista de alguma vaca sagrada do esquerdismo nacional. Aconteceu de novo. Um anônimo, provavelmente mais um da sinistra – essa gente adora se apoiar nas palavras de figuras do tipo, agindo como abelhas, guiados por feromônios –, remete a uma entrevista de Antonio Candido, um dos medalhões da esquerda tupiniquim (foi fundador do PT e o escambau), à revista “Brasil de Fato” (um dos panfletos chapa-branca crias da era lulista, como a Carta Capital). O texto é inacreditável. A começar pelo título, que diz tudo: “O socialismo é uma doutrina triunfante”. Levado por uma, como direi?, curiosidade mórbida, acabei lendo o troço. E não resisti a fazer também meus comentários.

Selecionei a parte mais, digamos, controversa da entrevista. Depois de discorrer sobre literatura e dizer que está afastado de todas as novidades há 30 anos – ele diz não saber o que é e-mail – o professor Antonio Candido trava o seguinte diálogo com a entrevistadora-fã (botei em negrito alguns trechos):

Brasil de Fato – O senhor é socialista?
Antonio Candido – Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria.

Ao ler o que está aí em cima, voltei à minha infância. Lembrei imeditamente do Didi Mocó: "Cuma???" O socialismo, uma “doutrina triunfante”??? É isso mesmo, professor?

Nem vou me concentrar nessa questão, por ora. Prefiro comentar as palavras de Antonio Candido sobre os primórdios da indústria capitalista, que, segundo ele, foram algo assim como o inferno de Dante. Esse tipo de afirmação é corrente desde os romances de Dickens. Mas aí eu me pergunto: e o que havia antes? O feudalismo. E, no feudalismo, como era a vida? Certamente, não era nenhum mar de rosas. Desconfio que Antônio Cândido jamais leu Von Mises. Se o fizesse, perceberia que, no capitalismo, as condições de vida MELHORARAM de forma geral, inclusive para o operariado.

Mas cortei um parágrafo da entrevista. Vejamos o que diz o gênio:

Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: “o senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana”. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na “Ideologia Alemã”: as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.

Ai, ai.... (longo suspiro). Qualquer um, mesmo um militante do PSTU, deve ter sentido, ao ler essas palavras, aquela sensação desconfortável que a gente costuma chamar de "vergonha alheia". Trata-se de uma visão primária, infantil mesmo, do que seria o socialismo – Antonio Candido o descreve como se fosse um misto de conto-de-fadas e de livro do Gabriel Chalita. Até para os padrões marxistas, tal conceito de socialismo é de uma superficialidade inacreditável, ginasiana. É constrangedor ver um ancião de 93 anos de idade com idéias tão esclerosadas, dignas de uma cartilha do PT ou do PSOL. Chega a ser tocante.

A opinião de Antonio Candido sobre a suposta miséria dos trabalhadores no capitalismo, por exemplo, é de fazer corar de vergonha até o mais burocrático editor do "Pravda". Para ele, as conquistas sociais se devem ao socialismo, não existe capitalismo com face humana etc. O fato de o capitalismo ser o sistema econômico que mais produziu riqueza na história da humanidade e – o que é mais importante – o ÚNICO capaz de conciliar lucro com liberdade (e as tais conquistas sociais) não existe para o velho socialista Antônio Cândido. É o capitalismo, esse bicho-papão...

Mas o mais incrível vem na explicação de Antonio Candido para sua última afirmação ("O socialismo só não deu certo na Rússia" - e em nenhum outro lugar, esqueceu-se de dizer):

Virou capitalismo. A revolução russa serviu para formar o capitalismo. O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar.

Ah bom! Agora entendi tudo. O que deu errado na URSS não foi o socialismo; não foi a ditadura do proletariado; foi o... capitalismo!

Agora só falta botar a culpa pelos fuzilamentos, pelas torturas, pela censura e pelos milhões de mortos nos campos de concentração na Casa Branca ou nos banqueiros de Wall Street. Santo Deus!

Falando sério: uma das coisas mais desonestas que existem é essa lengalenga de que tudo de bom que existe no capitalismo se deve ao socialismo. É uma das maiores mentiras que alguem já inventou. Mesmo que fosse verdade, gostaria de saber por que o Gulag teria sido necessário para que existissem hoje décimo-terceiro salário e férias remuneradas.

Brasil de Fato – O socialismo como luta dos trabalhadores?
Antonio Candido – O socialismo como caminho para a igualdade. Não é a luta, é por causa da luta. O grau de igualdade de hoje foi obtido pelas lutas do socialismo. Portanto ele é uma doutrina triunfante. Os países que passaram pela etapa das revoluções burguesas têm o nível de vida do trabalhador que o socialismo lutou para ter, o que quer. Não vou dizer que países como França e Alemanha são socialistas, mas têm um nível de vida melhor para o trabalhador.


O "grau de igualdade de hoje", que segundo Antonio Candido foi obtido "pelas lutas do socialismo" foi proporcionado pelo próprio capitalismo, que tem no lucro e na propriedade seu grande fator equalizador (não os laços de parentesco ou os títulos de nobreza). Mas lembrar esse fato talvez seja pedir demais ao cérebro de Antonio Candido.

Agora, estão prontos para ter uma aula de precisão conceitual e de rigor lógico? Então lá vai:

Brasil de Fato – Para o senhor é possível o socialismo existir triunfando sobre o capitalismo?
Antonio Candido – Estou pensando mais na técnica de esponja. Se daqui a 50 anos no Brasil não houver diferença maior que dez do maior ao menor salário, se todos tiverem escola… não importa que seja com a monarquia, pode ser o regime com o nome que for, não precisa ser o socialismo! Digo que o socialismo é uma doutrina triunfante porque suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas. Não tenho cabeça teórica, não sei como resolver essa questão: o socialismo foi extraordinário para pensar a distribuição econômica, mas não foi tão eficiente para efetivamente fazer a produção. O capitalismo foi mais eficiente, porque tem o lucro. Quando se suprime o lucro, a coisa fica mais complicada. É preciso conciliar a ambição econômica – que o homem civilizado tem, assim como tem ambição de sexo, de alimentação, tem ambição de possuir bens materiais – com a igualdade. Quem pode resolver melhor essa equação é o socialismo, disso não tenho a menor dúvida. Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser… o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo.


Acredito que nem mesmo um primeiranista de ciências sociais na USP ou na UnB teria muita dificuldade em perceber a total confusão de conceitos que Antonio Candido faz acima. Primeiro, ele diz que o sistema ideal não precisa ser socialista. Depois, que o sistema que melhor pode conciliar a ambição econômica com a igualdade é o... socialismo. Em seguida, proclama que o mundo está caminhando para isso. Mas nem ele sabe ao certo o que viria a ser esse sistema, de modo que só posso concluir que ele não tem mesmo a menor idéia do que está falando...

Isso fica claro quando o professor destila sua definição de socialismo como o "máximo de igualdade econômica", entendida por ele como igualdade salarial. O que Marx diria disso?

As palavras de Antonio Candido me fizeram lembrar de uma entrevista que o Lula deu anos atrás, antes de ser presidente. Na ocasião, o Apedeuta se disse socialista, mas confessou não saber exatamente como seria o socialismo se fosse um dia aplicado no Brasil. Não tinha idéia do que seria. A pergunta é: por que eu deveria apoiar algo que ninguém sabe ao certo do que se trata?

Mas esperem! O ápice da entrevista – e da sabedoria de Antonio Candido – vem agora.

Brasil de Fato – O que o socialismo conseguiu no mundo de avanços?
Antonio Candido – O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. Se você tira os rótulos e vê as realidades, vê como o socialismo humanizou o mundo.


É, o socialismo "humanizou" o mundo. Pena que foi a um preço, digamos assim, um pouco alto: algo como uns cem milhões de mortos... Vejamos como esse sistema maravilhoso fez isso em um lugar específico citado por Antonio Candido como modelo de igualdade entre os homens.

Em Cuba eu vi o socialismo mais próximo do socialismo. Cuba é uma coisa formidável, o mais próximo da justiça social.

Se eu precisava de algo que me convencesse, de uma vez por todas, que o capitalismo é mesmo o melhor sistema e que esse papo de socialismo é mesmo coisa de gente de miolo mole, o venerável professor Antonio Candido acabou de me proporcionar o argumento definitivo: para ele, o mais próximo de justiça social que existe é... Cuba!!!

Precisa comentar?

Não a Rússia, a China, o Camboja. No comunismo tem muito fanatismo, enquanto o socialismo democrático é moderado, é humano. E não há verdade final fora da moderação, isso Aristóteles já dizia, a verdade está no meio.

E a castradura cubana, pelo visto, não tem nada de fanatismo, seria esse tal "socialismo democrático" de que fala Antonio Candido. Parece que, para ele, se Aristóteles estivesse vivo, concordaria que Cuba é o juste milieu. Seria, certamente, um militante bolivariano...

Acho que o que vai acima dá bem uma idéia de como funciona uma mente genial como a de Antonio Candido, um dos heróis da intelectualidade uspiana – o que dá também uma idéia da indigência mental de nossos intelelequituais. O resto da entrevista é pura louvação ao socialismo, "a grande visão do homem, que não foi ainda superada, de tratar o homem realmente como ser humano" etc... Quando li isso, confesso que quase chorei; lembrou meus 14 anos.

Nem tudo na entrevista de Antonio Candido é delírio esquerdóide. Pelo menos numa coisa vou concordar: em certo momento, ele diz que o capitalismo atual está embebido de socialismo. É verdade! Vejam o "capitalismo" brasileiro, feito de dinheiro público distribuído à larga pelos companheiros em ministérios que já viraram balcões de negócios. Antonio Candido cita como prova do “triunfo do socialismo” o fato de que até figuras como Maluf falam hoje em justiça social. Deve ser porque Maluf, assim como Collor e Sarney, agora é lulista de carteirinha.

No final, Antonio Candido aproveita para fazer altos elogios ao MST, em especial à "preocupação cultural" do movimento, o que segundo ele não havia em movimentos anteriores. Ele diz que isso "é uma coisa muito bonita" do MST. De fato, é muito bonito ver os filhos dos invasores aprendendo a odiar o capitalismo e a venerar grandes humanistas como Mao Tsé-tung e Che Guevara em alguma universidade mantida pela gangue. Sem falar que, de economia, a turma de João Pedro Stédile entende bastante. Principalmente como tungar o Erário...

Antonio Candido diz ainda:

É preciso cultura. Não é só o livro, é conhecimento, informação, notícia… Minha tese de doutorado em ciências sociais foi sobre o camponês pobre de São Paulo – aquele que precisa arrendar terra, o parceiro. Em 1948, estava fazendo minha pesquisa num bairro rural de Bofete e tinha um informante muito bom, Nhô Samuel Antônio de Camargos. Ele dizia que tinha mais de 90 anos, mas não sabia quantos. Um dia ele me perguntou: “ô seu Antonio, o imperador vai indo bem? Não é mais aquele de barba branca, né?”. Eu disse pra ele: “não, agora é outro chamado Eurico Gaspar Dutra”. Quer dizer, ele está fora da cultura, para ele o imperador existe. [...]

E Antonio Candido não sabe ainda que o Muro caiu. Empatou, né?

Um dos ensinamentos que ficaram da minha infância foi o respeito à opinião dos mais velhos. Mesmo que essa opinião seja absurda, não importa: é uma questão de respeito, de reverência, pelos anos vividos. Minha bisavó morreu aos 99 anos jurando de pés juntos que o homem não tinha ido à Lua. Não adiantava tentar argumentar, mostrar o video da aterrissagem, ela fincava pé: fora tudo encenação, como nos filmes de Hollywood etc. Durante um tempo tentei convencê-la, mas acabei desistindo. Concluí que era mesmo muito difícil para uma pessoa nascida no século XIX acreditar em um evento de tal magnitude. Era algo além de sua compreensão. Além do mais, provavelmente pensar assim a deixava feliz. Para quê contrariar a velhinha?

Desde que Oscar Niemeyer cometeu um artigo inacreditável na Folha de S. Paulo em que elogia um livro que não leu sobre Stálin - e que afirma exatamente o contrário do que ele escreveu a respeito de seu grande ídolo -, eu não lia tanta besteira sobre socialismo saída da boca de um medalhão da esquerda tupiniquim. Antonio Candido, 93 anos, não foge à regra da senilidade esquerdista (a última vez que ouvi falar do professor, ele estava discursando para um bando de baderneiros profissionais em meio a uma “greve” na USP; na ocasião, ele deu o seguinte conselho aos revolucionários juvenis do toddyinho e dos sucrilhos: “sejam justos e injustos”). Ao ler a entrevista, lembrei de Antero de Quental, escritor português do século XIX, que certa vez, numa célebre polêmica literária, respondeu a um desafeto com os seguintes termos:

Innovar é dizer aos prophetas, aos reveladores encartados: «ha alguma cousa que vós ignoraes; alguma cousa que nunca pensastes nem dissestes; ha mundo além do circulo que se vê com os vossos oculos de theatro; ha mundo maior do que os vossos systemas, mais profundo do que os vossos folhetins; ha universo um pouco mais extenso e mais agradavel sobre tudo do que os vossos livros e os vossos discursos.»

Fico tentado a responder a Antonio Candido com as palavras acima. Mas então me lembro que ele tem 93 anos. Para quê contrariar o velhinho?

Afinal, não nos esqueçamos: o sobrenome dele é “Cândido”.

segunda-feira, agosto 08, 2011

LULA FOI À LONA EM BOGOTÁ



Na imagem, o momento em que Alvaro Uribe aplicava um poderoso cruzado de direita em um megalomaníaco boquirroto amigo das FARC, no primeiro round
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por Augusto Nunes

O pastelão encenado no picadeiro do Circo do Planalto por Dilma Rousseff, Nelson Jobim e Celso Amorim acabou ofuscando o fiasco do palanque ambulante em Bogotá, onde fez escala na quinta-feira passada para animar um encontro entre empresários brasileiros e colombianos. Lula estava lá para discorrer sobre as relações entre os dois países. No meio da discurseira, resolveu discutir a relação com Alvaro Uribe. Foi nocauteado no primeiro assalto.

Caprichando na pose de consultor-geral do mundo, com os olhos voltados para o presidente Juan Manuel Santos, Lula cruzou a fronteira da civilidade com a desfaçatez dos inimputáveis. “Estou certo que você e a presidenta Dilma Rousseff podem fazer mais do que fizemos o presidente Uribe e eu”, começou. Pararia por aí se fosse sensato. Nunca será, confirmou a continuação do falatório: “Tínhamos uma boa relação, mas com muita desconfiança. Não confiávamos totalmente um no outro”.

Lula confia em delinquentes, cafajestes, doidos de pedra, assassinos patológicos, sociopatas, ladrões compulsivos ─ e em qualquer obscenidade cucaracha. Hugo Chávez é um bolívar-de-hospício, mas o amigo brasileiro participou até de comícios eleitorais na Venezuela. Evo Morales tungou a Petrobras e anistiou os ladrões de milhares de carros brasileiros, mas Lula tem muito apreço por um lhama-de-franja. Cristina Kirchner não perde nenhuma chance de atazanar exportadores brasileiros, mas Lula não resiste ao charme da inventora do luto de luxo. O único problema do subcontinente é Uribe.

Embora desprovido de razões para desconfianças, Lula foi permanentemente desrespeitoso ─ e frequentemente grosseiro ─ com o colombiano que também conseguiu dois mandatos nas urnas, despediu-se da presidência com 85% de aprovação nas pesquisas e transmitiu o cargo ao sucessor que escolheu. Embora sobrassem motivos para desconfiar de Lula, Uribe sempre o tratou com respeito e elegância. E suportou pacientemente, durante oito anos, as manifestações unilaterais de hostilidade.

A paciência chegou ao fim, avisou a devastadora sequência de mensagens divulgadas por Uribe no Twitter. “Lula criticava Chávez em sua ausência, mas tremia quando ele estava presente”, pegou no fígado o primeiro contragolpe. Outros três registraram que “Lula se negou a extraditar o Padre Medina, terrorista refugiado no Brasil”, que “Lula procurou impedir que a televisão transmitisse a reunião da Unasul em Bariloche que discutiu o acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos” e que “Lula jamais admitiu que os integrantes das FARC são narcoterroristas”.

O quinto contragolpe ─ “Lula fingia durante o governo que era o nosso melhor amigo” ─ não seria o último. Mas o nocaute já se consumara quando foi desferido. É compreensível que o viajante ainda estivesse grogue no dia seguinte, como comprovam a forma e o conteúdo da entrevista publicada pelo jornal O Tempo. “Sinceramente, estranhei muito a reação do companheiro Uribe, por quem tenho profundo respeito”, recuou o palanqueiro, que se negou a comentar o teor das mensagens.

“Se ele tem alguma dúvida com alguma coisa que eu disse, seria mais fácil me chamar em vez de tuitar”, queixou-se. O uso do neologismo parece ter induzido o repórter a acreditar que Lula tem intimidade com modernidades virtuais. Pretendia usar o twitter para responder a Uribe? , quis saber o jornalista. “Não, porque é preciso pensar antes de dizer as coisas, e muitas vezes no Twitter a pessoa não pensa, simplesmente escreve”, desconversou.

Como o entrevistador não replicou, pode-se deduzir que não conhece direito o entrevistado. Deveria ter-se informado com Uribe, que sabe com quem está falando. O ex-presidente colombiano sabe que Lula é do tipo que primeiro fala e depois pensa ─ se é que pensa. Sabe que Lula não escreve, em redes sociais ou num guardanapo do botequim, pela simples e boa razão de que não quis aprender a escrever.

Lula comprou a briga usando o microfone. Colidiu com a palavra escrita e acabou nocauteado pelo Twitter.

sábado, agosto 06, 2011

ABAIXO A IDEOLOGIA GAYZISTA

Faço questão de repetir, para que não haja qualquer dúvida: não tenho absolutamente nada contra gays, lésbicas, travestis, transgêneros ou seja lá o nome com que se apresentem. Acho - e quero deixar isso bem claro -, que cada um tem o direito de levar a vida como quiser. O que fazem debaixo dos lençóis, francamente, não me interessa nem um pouco. A vida é sua, irmão, faça com ela o que bem entender. Também nada me espanta. Para mim, não faz qualquer diferença se o sujeito gosta de mulher ou se é apaixonado por um pé de mandacaru. Considero mesmo algo plenamente normal, é assim desde que o mundo é mundo, e sempre será. Não tenho nada a dizer sobre isso, nem contra nem a favor. Simplesmente não é da minha conta e ponto final.

É exatamente por acreditar que a sexualidade é um assunto privado, que diz respeito unicamente às pessoas envolvidas, que não posso aceitar que o Estado passe a ditar regras a respeito. É precisamente por achar que se trata de uma questão de foro íntimo que não posso ficar calado diante do avanço da ideologia gayzista, hoje o movimento político mais poderoso no Brasil, ao lado do maconhista e do racialista - e, ouso dizer, o mais nocivo à tolerância e à democracia.

Como disse antes, a opção sexual de cada um, assim como a cor ou a comida preferidas, é uma questão individual, ninguém tem nada que meter a colher. Muito menos o Estado deve se imiscuir na vida privada dos indivíduos. Quando isso acontece, então deixa de ser um assunto particular - a coisa passa a me dizer respeito, como a qualquer cidadão.

Passa a ser da minha conta quando o governo começa a distribuir um kit-gay nas escolas, que ensina a crianças de 11 anos de idade a beleza do homossexualismo. Quem disse que o Estado deve ter alguma palavra a dizer sobre o assunto? Ainda mais para crianças, que estão ainda em formação e não têm o discernimento necessário para fazer uma escolha consciente sobre o que quer que seja?

Passa a ser da minha conta quando a prefeitura da maior cidade do País gasta dinheiro público para distribuir gel lubrificante a manifestantes seminus numa parada gay - é para isso que servem os impostos?

Passa a ser da minha conta quando um lobby poderosíssimo usa os meios de comunicação e até telenovelas como palanque para enfiar goela abaixo da sociedade um projeto de lei que, se aprovado, irá criar uma casta de privilegiados, acima dos demais mortais - pior: criminalizando qualquer ponto de vista que não for do agrado desses seres super-sensíveis e iluminados, instituindo o delito de opinião e sepultando, assim, a liberdade de expressão - e, portanto, a democracia.

Passa a ser da minha conta quando esse lobby, com os formidáveis recursos midiáticos de que dispõe, resolve forçar a barra para mentir descaradamente, exibindo falsas estatísticas que mostram como um matadouro de homossexuais o país que tem a maior parada gay do mundo, para aprovar uma lei que lhes concederá privilégios - até porque já dispõem da mesma proteção legal facultada a todos os demais cidadãos.

Passa a ser da minha conta quando o princípio da igualdade de todos perante a Lei é jogado no lixo para garantir privilégios, como o de debochar da crença alheia, ridicularizando imagens e símbolos religiosos - crime punível com cadeia pelo Código Penal.

Passa a ser da minha conta quando, cedendo à patrulha politicamente correta, a principal Corte judicial do País decide simplesmente rasgar a Constituição, reescrevendo um artigo da mesma que trata da organização da família, e que só poderia ser mudado por Emenda Constitucional, passando, assim, por cima da separação de Poderes.

Enfim, é da minha conta quando um grupo tenta impor, pela mentira e pela propaganda, sua agenda político-ideológica ao restante da sociedade. É da minha conta quando qualquer opinião divergente é imediatamente tachada como "homofóbica" (termo, aliás, que não tem qualquer sentido). É da minha conta quando tentam me amordaçar.

Até porque, se eu não puder mais falar o que penso sobre esse assunto, o que os impediria de me obrigar a adotar seu estilo de vida?

Viva a liberdade de expressão!

Viva a diversidade!

Viva a democracia!

Abaixo a censura!

Abaixo a intolerância!

Abaixo a ideologia gayzista!

sexta-feira, agosto 05, 2011

MAIS DO MESMO

Quando Dilma Vana Rousseff subiu a rampa do Palácio do Planalto, muita gente passou a repetir para si mesmo que, pelo menos no estilo e em política externa, haveria alguma mudança. Não mais batatadas diárias sobre tudo, arroubos de boçalidade e de megalomania retórica, mas recato e compostura. Do mesmo modo, não mais cumplicidade com ditaduras e com regimes violadores dos direitos humanos, acreditaram os que pensaram que uma ex-terrorista e ex-presa politica no poder faria diferença nesse quesito. Agora sim, com uma mulher na Presidência da República, o Brasil deixará de fazer sala para titulares de regimes que apedrejam mulheres, pensaram os iludidos vocacionais de plantão, para quem a atual inquilina do Alvorada é em algo diferente do criador.

Durou pouco a fantasia. A essa altura, está claro para quem pensa que o que antes passava por discrição era apenas despreparo, e o que era visto como silêncio decoroso não era mais do que falta do que falar (e incapacidade de formular um raciocínio lógico). Alguns meses depois da apoteose em Brasília, dois ministros já caíram, um deles pela segunda vez, enredados na mesma trama de ladroeira que já virou o prato do dia há nove anos. O terceiro, talvez presssentindo o naufrágio iminente, acabou de pedir para sair.

Em lugar do boquirroto e domador de sucuris de quartel Nelson Jobim para o cargo de ministro da Defesa, entra Celso Amorim, até o ano passado o ministro das relações exteriores de Lula da Silva. Nessa qualidade, protagonizou vexames históricos como o acordo fajuto com o Irã de Mahmoud Ahmadinejad e a chanchada da tentativa de emplacar um golpista bolivariano em Honduras, entre afagos indecentes de seu patrão em ditadores como Hugo Chávez e os irmãos Castro. Cai por terra, portanto, o mito recém-criado da presidenta-amiga-dos-direitos-humanos e retorna à ribalta o defensor de um kissingerianismo terceiro-mundista, amigo de tiranos e dos narcoterroristas das FARC, expoente máximo do megalonaniquismo nacional. Com um detalhe: agora ele vem armado.

Bastaram pouco mais de seis meses para que o mito da gerentona ultra-competente e intransigente defensora da moralidade administrativa desse lugar à muda abobada incapaz de desencalhar as obras do PAC e refém das velhas prostitutas do PMDB. Agora revelou-se que, de novo, o governo Dilma Rousseff não tem sequer os nomes que o compõem. Se o Apedeuta tivesse conseguido emplacar um terceiro mandato, como tentou fazer, não ficaria mais óbvia a continuidade da Era da Mediocridade.

EU JÁ SABIA

Somente agora, alguns milhares de mortos depois, a ONU e grande parte da imprensa parecem ter descoberto que Bashar al-Ashad, o ditador sanguinário da Síria, é um ditador sanguinário. Modéstia à parte, eu já sabia disso há tempos. Tanto que escrevi, aqui, um texto sobre o assunto. Foi no dia 1 de julho de 2010, portanto mais de um ano atrás. Na época - e, dizem, ainda hoje - governava o Brasil um sujeito que dizia acreditar sinceramente ser possível alcançar a paz conversando com todo mundo, "até com quem não quer a paz". De lá para cá, a posição do governo brasileiro nao mudou muito. Tampouco a natureza assassina do regime de Damasco.

Leiam.
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A INCRÍVEL CONTRIBUIÇÃO DA SÍRIA PARA A PAZ MUNDIAL


Lula encontrou-se ontem com Bashar al-Assad, presidente da Síria. Discutiram, segundo está nos jornais, assuntos relativos ao Oriente Médio. Lula, como se sabe, tem um interesse especial na região. Tanto que já patrocinou um "acordo" com a Turquia e o Irã para permitir que este último continue a enriquecer urânio para seu programa nuclear secreto destinado a destruir Israel. Inclusive ele se opõe a sanções internacionais contra Mahmoud Ahmadinejad. Lula já chamou árabes de turcos, e confundiu árabes com persas. Lula é um gênio.

O que discutiram, exatamente, Lula e seu colega sírio? A paz. Mais especificamente, a paz entre palestinos e israelenses, que, segundo Lula e al-Assad, só poderá ser alcançada no dia em que Israel acabar com o bloqueio a Gaza e deixar de colocar em prática sua política de assentamentos. Para Lula e al-Assad, a paz na região depende unicamente de Israel.

Muito bem. Qual a contribuição da Síria para a paz no Oriente Médio? Eis algumas de suas credenciais:

- Tentou destruir Israel três vezes, em 1948, 1967 e 1973 - e perdeu em todas;

- Invadiu o Líbano em 1976, patrocinando diversos grupos terroristas que infernizaram o país nas décadas seguintes;

- Em 2005, seus serviços secretos mataram, em um atentado à bomba, o primeiro-ministro do Líbano, Rafik Hariri, conforme relatório da ONU. No atentado, em que morreram 21 pessoas, foram usados 1000kg de explosivos;

- Dá apoio total ao Hezbollah no Líbano e ao Hamas na Faixa de Gaza. Nem o Hezbollah nem o Hamas querem saber de uma solução de dois estados na região, mas, sim, aniquilar Israel e implantar um Estado islâmico.

Além do que está acima, Bashar al-Assad, filho de Hafez al-Assad, que governou a Síria com mão de ferro durante trinta anos, ostenta alguns títulos portentosos. Segundo a revista Foreign Policy, por exemplo, ele ocupa a 12a posição no ranking dos piores ditadores do mundo. O regime que comanda é aliado próximo do Irã de Mahmoud Ahmadinejad, e é acusado de alguns milhares de mortes de opositores políticos. Ele, Bashar al-Assad, não dá qualquer sinal de que irá permitir eleições livres e deixar o poder um dia. Deve ser por isso que Lula o identificou como um interlocutor confiável, ao contrário de Israel.

Em sua visita ao Brasil, Bashar al-Assad repetiu o mantra de que apóia o princípio da "terra por paz". Muita gente acredita, sinceramente ou não, que se Israel devolver os territórios ocupados desde 1967 haverá paz na região. A rigor, essa questão está resolvida desde 1993, quando Yitzhak Rabin e Yasser Arafat assinaram os acordos de Oslo reconhecendo o direito à existência de dois estados - um palestino e um israelense. Mas al-Assad, que não referendou os acordos de Oslo, parece acreditar, assim como Lula, que a solução para o problema da paz e da guerra na região depende exclusivamente de Israel. Cabem a eles, portanto, responder as seguintes perguntas:

- Em 2000, Israel se dispôs, perante a Autoridade Nacional Palestina (à época, comandada por Yasser Arafat), a devolver 95% da Cisjordânia, em nome do princípio de "terra por paz". O que houve em seguida? Mais paz ou mais guerra?

- No mesmo ano de 2000, também em nome do princípio da "terra por paz", Israel se retirou do sul do Líbano. O que fez então o Hezbollah, que controla a região? Paz ou guerra?

- Em 2005, o governo israelense do brucutu Ariel Sharon ordenou a retirada, unilateral e incondicional, de todos - todos! - os colonos judeus da Faixa de Gaza, entregando o controle do território inteiramente aos palestinos. Foi a maior operação do tipo "terra por paz" já ocorrida na região. Pois bem. O que houve depois? O Hamas deixou de lançar mísseis contra Israel?

"Terra por paz", né? Sei... Até o momento, está mais para "terra por bombas". Será assim pelo menos até que os inimigos jurados de Israel, como o Hezbollah e o Hamas - patrocinados pela Síria de Bashar al-Assad - desistam de sua intenção declarada de varrer Israel do mapa, como também quer o negador do Holocausto Mahmoud Ahmadinejad. Será assim até que desistam do terrorismo.

Ah sim! Na conversa que tiveram, Lula e al-Assad não falaram no terrorismo do Hamas e do Hezbollah. Também não falaram sobre a necessidade de se reconhecer o direito de Israel existir.

Ao final do encontro que teve com Lula em Brasília, Bashar al-Assad se disse "muito grato" pela posição do governo brasileiro em relação ao Oriente Médio. Faz todo sentido.

É com esse tipo de humanista que o governo Lula trata. Seria ridículo, se não fosse também sangrento.

sábado, julho 30, 2011

A ARTE DE ENGANAR OS TROUXAS

Em Filosofia existe uma falácia chamada generalização apressada. Falácia, para quem não sabe, é um argumento falso ou tendencioso, geralmente preconceituoso. É o resultado de um erro de raciocínio e/ou de uma tentativa de enganar a si próprio ou os outros. Consiste essa falácia, como o próprio nome indica, em retirar, de alguns fatos, conclusões apressadas e generalizantes, resultando daí uma falsa associação, em geral coletiva.

Em outras palavras, a generalização apressada busca tirar uma conclusão com base em evidências insuficientes, e julgar todas as coisas de um determinado universo com base numa amostragem muito pequena. Consequentemente, ela ignora detalhes, fatores, circunstâncias e mesmo os casos que poderiam refutar a universalidade de suas premissas. Alguns exemplos:

1. “Minha avó tem dor de cabeça crônica. Meu vizinho também tem e descobriu que o motivo é um câncer. Logo, minha avó tem câncer.”
2. “Nas duas vezes em que fui assaltado, os bandidos eram negros. Bem que minha mãe fala que todo negro tem tendência para ladrão!”.

3. “O pastor da igreja X roubou o dinheiro dos fiéis. Fulano é pastor. Logo, também é ladrão.”
4. “Meu tio é candomblecista e já matou um bode para oferecer ao orixá. Beltrano foi ao terreiro de candomblé. Logo, ele também mata animais para o orixá.”
5. “Fulano entrou para a igreja X e ficou fanático. Logo, todos os fiéis da igreja X são fanáticos.”
6. “Fulano entrou para uma igreja protestante e ficou fanático. Logo, todos os protestantes são fanáticos.”
7. “Crentes/muçulmanos/bramanistas/etc. são todos fanáticos.”
8. “Todo americano é racista.”


Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência e que ainda não foi lobotomizada pela propaganda esquerdista já deve ter percebido que estamos assistindo à repetição desse padrão falacioso no caso do masssacre cometido na Noruega por Anders Behring Breivik, o maluco que está sendo mostrado como exemplo de "direitista" na Europa. Subitamente, como eu suspeitava desde o início, passou-se a culpar a "direita", tida como uma coisa única e monolítica, pelos atentados terroristas. Um boboca até me enviou um link para uma notícia segundo a qual um senador italiano de direita elogiou as "idéias" de Breivik. Sim, e daí?

A conclusão, apressada e falaciosa, é a seguinte: a direita – toda ela, sem exceção – é "islamófoba, xenófoba e racista". Pior: "a direita" – novamente: toda ela, sem exceção – é terrorista. (Curiosamente, o mesmo tipo de argumentação costuma ser imediatamente rechaçado, no tocante à esquerda e ao Islã, no caso de ataques terroristas de extrema-esquerda ou islamitas.)

Já apontei a óbvia empulhação que está por trás desse argumento calhorda. Em outras palavras, o que se está afirmando a partir do caso de Breivik é o seguinte:

- Breivik se diz antimarxista. Portanto, todos os antimarxistas são assassinos.

- Breivik se diz antimulticulturalista. Logo, todos os que tenham qualquer crítica a fazer ao muliticulturalismo são assassinos perigosíssimos.

- Breivik se diz antiislâmico. Voltaire também era.

E mais:

- Breivik se diz cristão. Logo, todos os cristãos são assassinos e merecem estar na cadeia.

Eu poderia estender essa mesma linha de raciocínio e chegar às seguintes conclusões sobre Breivik:

- Ele é norueguês. Logo, todo norueguês é assassino e terrorista.

- Ele é branco, loiro e de olhos azuis. Nunca dê as costas para um branco, loiro e de olhos azuis.

Agora, o meu argumento preferido:

- Breivik é pró-homossexuais (está no tal "manifesto" que ele escreveu). Vou pensar nisso na próxima vez que vir um bando de travestis desfilando alegremente em alguma parada gay.

Na boa: querem achar um jeito bom de enganar os otários e caluniar a direita? Aceitem meu conselho: tentem fazer melhor da proxima vez.

quinta-feira, julho 28, 2011

O MASSACRE NA NORUEGA: MAIS UMA TAPEAÇÃO ESQUERDISTA

Vamos pensar um pouco?

Sou visceralmente contra análises rasas e superficiais. Simplesmente não consigo me contentar com opiniões simplistas sobre temas complexos. Principalmente quando se está diante de uma tremenda empulhação, uma tentativa grosseira de manipulação das mentes de todos em nome de uma agenda politico-ideológica.

Anders B. Breivik, o canalha que matou 76 pessoas na Noruega numa explosão de ódio assassino, é um terrorista. Não resta a menor dúvida quanto a isso. Ninguém com um mínimo de decência deixaria de execrá-lo e condená-lo com todas as forças. Seu lugar é a cadeia – em minha opinião, pelo resto de sua vida miserável. Ponto.

Até aí, estou chovendo no molhado, alguém poderia dizer. Mas até o óbvio – aliás, principalmente o óbvio, nesses tempos bicudos –, precisa ser reiterado. Breivik é um canalha e um terrorista. E é louco. Aqui é que está o problema.

A essa altura, quem acompanha o noticiário e lê jornais, a começar pela Rede Globo e pelo New York Times, deve estar convencido que de maluco Breivik não tem nada, e é, ao contrário, um representante da “direita racista cristã fundamentalista” etc. Suas ações, longe de mostrarem loucura, revelariam a ponta de um complô, de uma cabala de partidos e forças políticas "antimarxistas-xenófobas-islamófobas” etc. etc. Mais que isso: revelariam a “essência” da direita. A responsabilidade pelo massacre não seria individual, de Breivik, mas sim dos “partidos de direita” (ou de "extrema-direita") europeus. Estes seriam os verdadeiros culpados, ou pelo menos os “responsáveis morais” pela chacina, diz o subtexto.

Isso é claramente uma mentira, uma gigantesca tapeação. Mais uma.

Atentados terroristas de islamitas fanáticos acontecem praticamente todos os dias no Oriente Médio e em outros lugares, e, no entanto, não vejo ninguém na esquerda dizer que os assassinos representam a “essência” do Islã. Pelo contrário: os extremistas são sempre descritos como loucos psicopatas e qualquer associação que se tente fazer entre seus atos e o Islã é imediatamente rechaçada como preconceito antiislâmico. Também não vejo ninguém na esquerda propor maior vigilância sobre organizações islamitas após cada atentado do Hamas ou da Al Qaeda. Pelo contrário: muitas vezes esses contam com a condescendência e até mesmo com a justificação de muitos “humanistas”, para quem terrorismo é só o que o Ocidente e a direita fazem. E não vejo ninguém apontar a responsabilidade moral (para dizer o mínimo) daqueles pelo terrorismo islamita.

(Aliás, já começaram a aparecer vozes na imprensa dizendo que o Hamas é um interlocutor legítimo, e não uma organização terrorista que quer destruir Israel... O grupo, aliás, também aproveitou para condenar o massacre em Oslo, culpando - vejam só - o "sionismo"...)

Há outros exemplos a demonstrar esse duplo padrão ideológico e moral. As ditaduras comunistas mataram 100 milhões de pessoas no século XX, mas nenhum esquerdista que se preze dirá jamais que Karl Marx teve alguma culpa nisso, embora tais regimes não tenham feito mais do que aplicar suas teorias. Nesse caso, há um claro liame entre Marx e Stalin, entre Marx e Mao Tsé-tung, entre Marx e Fidel Castro. Por que ninguém admite, pelo menos, a “responsabilidade moral” de Marx pelo que ocorreu?

No caso do terrorista norueguês, a lógica se inverte. Bastou um maluco com idéias psicóticas e destrambelhadas entrar em ação para a esquerda mundial começar a alardear a existência de um grande plano de dominação mundial direitista. Estão esfregando as mãos, atacando a “direita”…

Na verdade, por trás de todas as demonstrações de indignação moral pela morte das 76 pessoas, de todos os editoriais condenando a “intolerância racial” pelo ocorrido, o que se quer, no caso do louco terrorista norueguês, é (coloco em maiúsculas para deixar claro) DEMONIZAR A DIREITA. Nada mais do que isso. O assassino da Noruega forneceu um pretexto para a esquerda atacar seus adversários ideológicos. E, como em todo pretexto, pouco importam os fatos. O importante é alcançar o objetivo de pichar e satanizar o oponente, desqualificá-lo ao ponto de torná-lo irreconhecível, como se representasse o que de pior existe na humanidade. Os propagandistas de esquerda infiltrados na imprensa estão se esforçando para mostrar todo indivíduo com idéias de direita (antimarxistas e críticas do multiculturalismo) como cúmplices ou co-autores intelectuais do massacre. Por ignorância ou safadeza, não importa. Aliás, é assim que agem os fascistas: pela calúnia, pela difamação do outro. Hoje é a satanização da “direita”; ontem foram os Protocolos dos Sábios de Sião.

Isso é muito grave! Estão usando o caso da Noruega como uma desculpa para atacar um dos pilares da democracia, que é a pluralidade de idéias. Pior: estão fazendo isso posando de democratas e de tolerantes, fingindo indignação e humanismo. Pior ainda: mediante a distorção do que seria o “pensamento da direita”, supostamente representado por um louco.

Quem tiver a pachorra de ler a maçaroca que Brevik escreveu não terá dificuldades em perceber que o autor é simplesmente um maluco, não tem nada de ideólogo (muito menos “de direita”). Não há um minimo de racionalidade ali. Um sujeito que mistura Cavaleiros Templários com John Stuart Mill mostra no mínimo desconhecimento, não pode ser normal da cabeça. No tal manifesto, quando cita o Brasil, ele mostra tão-somente ignorância, culpando, de forma atabalhoada, a mistura de raças pela corrupção (é que ele não conhece o PT…). Lembrei em outro texto que Breivik, ao mesmo tempo em que se diz um “radical cristão”, se define como pró-homossexuais (convenhamos, é um tipo bem estranho de radical cristão). Nem por isso vou sair por aí dizendo que ele fez o que fez porque é pró-gay, ou que todo gayzista é um assassino em massa. Se alguém disser isso, serei o primeiro a denunciá-lo como um farsante e um pilantra.

A conclusão de tudo isso é a seguinte: para a esquerda, quando se trata de outros, não existem loucos solitários, e terroristas são apenas os de “direita”. Jamais os de esquerda ou os islamitas (os quais são tratados quase sempre como "ativistas"). Estes merecem, em vez de condenação, compreensão e apoio. Aí está Cesare Battisti que não me deixa mentir.

terça-feira, julho 26, 2011

MAIS UMA ESQUERDICE...

No último post, analiso a tentativa tosca dos esquerdopatas de instrumentalizar ideologicamente o recente massacre na Noruega. Mencionei então um comentário imbecil feito em um post meu anterior, DA IMPORTÂNCIA DE SE INDIGNAR. Talvez alguém não tenha entendido. Como faço questão de deixar as coisas claras e de dizer toda a verdade – vai ver é por isso que alguns me acham um chato –, transcrevo aqui as palavras do valente anônimo. Alguns comentários, como eu já disse aqui, dispensam comentários, e dizem mais sobre quem os escreveu do que sobre o tema em si. Este não foge à regra:

Esta semana um direitista se indignou, agiu da mesma forma que um extremista da Jihad.

O que você pensa disso Gustavo, se é que você pensa, já que você defensor da direita e do capitalismo sempre mostrou através de seus textos que a direita é boa e a esquerda é má, que a direita é civilizada e que a esquerda é selvagem e brutal.

Um jovem de extrema direita agindo como um extremista Islâmico na Noruega, um fato isolado ? não acredito, é por isto que eu acredito no pós-capitalismo e não mais em Capitalismo x Socialismo.


Ai, ai… Vamos lá, rapaz, preste atenção:

Primeiro, vamos chamar as coisas pelo nome: o autor do atentado na Noruega não é um “direitista”; é um fascista (e bem doido, por sinal). Leia meu post anterior. Fascismo e comunismo têm mais em comum do que gostam de admitir fascistas e comunistas. E o mesmo ocorre com o terrorismo islamita (prefiro a expressão “islamofascismo”, que considero mais acertada). Se a direita é boa e a esquerda é má? Depende do que o distinto considera direita e esquerda. Eu, por exemplo, considero Churchill de direita, e Stálin de esquerda. Acho que um foi benéfico para a humanidade, e o outro foi um criminoso. Alguma objeção?

Outra coisa: o texto a que o bravo se refere era sobre a importância de se indignar contra a corrupção dos petralhas no poder desde 2002. O que isso tem a ver com tentar explodir um prédio governamental e massacrar jovens numa ilha? É essa a única forma de indignação que o leitor conhece?

Segundo: ainda que o terrorista fosse um “fundamentalista cristão”, logo de extrema-direita, como está sendo anunciado, o que penso do que ele fez? Que ele merece cadeia, ora. E estou certo de que qualquer conservador ou liberal de direita, defensor do capitalismo e da democracia, pensa do mesmo modo. Um sujeito que matou mais de 70 pessoas indefesas é um bandido e um sociopata, seu lugar é na prisão. E os senhores da esquerda, defensores do socialismo, quando vão dizer o mesmo de gente como Cesare Battisti e os narcoterroristas das FARC? Ou dos terroristas islamitas, que muitos vêem como “lutadores da liberdade” contra o “imperialismo”?

Quanto ao ataque ter sido obra de um assassino isolado, esta parece ser a tese mais provável até o momento. Particularmente, acho que o criminoso agiu sozinho, pois é assim que costumam agir vagabundos do tipo, acometidos de delírios psicóticos (basta dar uma olhada nas fotos para ver que o sujeito não bate bem da bola). Só não consigo entender que relação existiria entre isso e a crença num “pós-capitalismo”… O que seria isso? A maioria dos países ainda nem teve a oportunidade de conhecer o capitalismo - o capitalismo de verdade, baseado na livre iniciativa e na livre concorrência – e já há quem fale em “pós-capitalismo”… Vai ver os ataques na Noruega foram a manifestação de um “pós-terrorismo”. Prefiro chamar de terrorismo mesmo. Assim como prefiro chamar de ignorante soberbo quem vem com essa conversa mole de “pós” isso e “pós” aquilo.

Ah, e só para terminar: sou direitista, antimarxista e antimulticulturalista. E não fiquei nem um milímetro menos por causa do ocorrido. Acho que lugar de terrorista, de esquerda ou de direita, é atrás das grades. E os esquerdistas, podem dizer o mesmo?

É cada bobalhão que aparece…

segunda-feira, julho 25, 2011

A INCRÍVEL FÁBRICA DE CALÚNIAS DA ESQUERDA EM AÇÃO



A calúnia de Apeles, de Sandro Botticeli (1494-5)


Quando digo que a capacidade da canhota de distorcer fatos e produzir pretextos oportunistas para atacar todos aqueles que não concordam com seus dogmas (isto é: a "direita") é realmente sem limites, acreditem, não estou exagerando.

A última da sinistra foi a manipulação descarada da realidade em seguida ao massacre pavoroso de cerca de 80 pessoas por um maníaco psicopata na Noruega. Não haviam passado nem 24 horas e a grande imprensa já estava culpando a "extrema direita cristã fundamentalista" pelo morticínio. De repente, qualquer um que tivesse críticas a fazer ao marxismo e ao multiculturalismo passou a ser tratado como cúmplice de mais essa chacina. Um cretino anônimo até postou um comentário em outro post meu praticamente me acusando de querer fazer o mesmo...

Deduzi, na hora, que iriam se fartar com a coisa, aproveitando para criar um caso e tentar manipular a opinião pública. Iriam mentir mais uma vez, confiando na ignorância e na ingenuidade alheias para ver se cola.

Acertei na mosca. De novo.

Antes de entrar nos detalhes do massacre em Oslo, vale lembrar alguns casos parecidos ocorridos recentemente:

- No final do ano passado, uma deputada do Partido Democrata foi ferida gravemente a tiros por um louco nos EUA; os devotos de Obama acharam um jeito de culpar o Tea Party e a Sarah Palin pelo ocorrido.

- Há algumas semanas, um jornal inglês fechou suas portas depois que estourou um escândalo no Reino Unido que envolvia escutas telefônicas ilegais; houve quem se aproveitasse do episódio para criticar a "excessiva liberdade de imprensa".

- Alguns meses atrás, um débil mental entrou armado numa escola do Rio de Janeiro e abriu fogo contra os estudantes, matando vários; foi a deixa para que os defensores do "desarmamentismo" tentassem ressuscitar a idéia, rejeitada pela população brasileira em 2005.

Esses exemplos não são isolados: pelo contrário, demonstram um padrão, o mesmo que está sendo repetido agora no caso do serial killer norueguês. Trata-se da fábrica de mentiras e de calúnias da esquerda em ação. Os jornais estão descrevendo o atirador como um extremista de direita, antimarxista, antimuçulmano e anti-imigrantes. Uma espécie de Sarah Palin nórdico. A mensagem é: não é possível ser de direita, conservador, antimarxista e crítico do multiculturalismo politicamente correto sem sair por aí explodindo bombas e metralhando pessoas num acampamento de jovens...

Na verdade, não foram só as cerca de 80 pessoas mortas em dois ataques quase simultâneos as vítimas dessa explosão de insanidade: a lógica e o bom senso também. Dizer que o assassino de Oslo representa o pensamento de direita ou conservador é como afirmar que Hitler e Charles Manson representam os verdadeiros ideais liberais e antimarxistas. Ou seja: uma tremenda enganação e um atentado à inteligência, para dizer o mínimo.

Não é preciso ter um PhD em Ciência Política para perceber que o que está por trás de todo esse trololó ideológico é tão-somente mais uma tentativa de caluniar os inimigos da esquerda, seja na Noruega ou em outro lugar. Basta prestar atenção.

No manifesto que colocou na internet, o assassino confessa sua admiração pelo premiê russo Vladimir Putin, um ex-agente do KGB conhecido por seu pouco apreço pela democracia. Além disso, ele copiou trechos inteiros de manifesto semelhante escrito por Ted Kaczinsky, o Unabomber - um maluco que odeia a tecnologia e que aterrorizou os EUA durante anos com pacotes-bomba. Várias passagens parecem saídas diretamente de um texto da Al Qaeda, inclusive imitando o estilo dos terroristas islamitas. Uma das palavras que ele repete é "revolução". Convenhamos, não é exatamente um discurso típico de um liberal-conservador ou de um direitista. No mesmo manifesto, ao mesmo tempo em que se define como antimulticulturalista, anti-imigrantes e pró-Israel, ele se diz anti-racista e pró-homossexuais. Parece um cristão fundamentalista de direita?

Onde os esquerdiotas de plantão vêem extremismo de direita o que existe, na verdade, é muita confusão, tipica de mentes perturbadas. Basta lembrar que o sujeito cita, ao mesmo tempo, John Stuart Mill, Kant e Maquiavel... (A propósito, senhores esquerdistas e multiculturalistas: deve-se proibir esses autores?)

Apesar da manipulação que estão tentando fazer do caso, parece claro que o criminoso agiu como um assassino isolado, um lonewolf, e que toda a discurseira do próprio sobre sua suposta participação numa organização maior não passa de bravata típica de uma personalidade delirante. Nisso, aliás, os atentados geralmente atribuídos à "extrema-direita" costumam se diferenciar dos perpetrados por grupos jihadistas e de extrema-esquerda, que em geral costumam ser muito mais bem organizados, quase nunca ocorrendo de forma isolada.

Outra diferença fundamental é que os crimes da "direita" encontram sempre condenação imediata (inclusive de governos de direita como os de Angela Merkel e de Nicolas Sarkozy), enquanto que os demais sempre contam com quem os procure minimizar ou justificar, muitas vezes com os mais belos argumentos humanistas (como "resistência ao imperialismo", por exemplo). São os mesmos que condenam a "direita" como um todo pelos atos tresloucados de um assassino enlouquecido os que fazem de tudo para separar os atentados do Hamas e da Al Qaeda do Islã, atacando o "preconceito ocidental e anti-islâmico".

Há algum tempo, uma brasileira apareceu com marcas de faca nas pernas, alegando ter sido atacada por neonazistas na Suiça. Foi um deus-nos-acuda. Artigos foram escritos condenando a intolerância racial da direita contra imigrantes na Europa etc. Pouco depois, descobriu-se que tinha sido tudo uma farsa: os ferimentos tinham sido auto-infligidos pela suposta vítima, que certamente tem problemas psicológicos. Mas já era tarde. O "caso" já tinha sido criado. Uma jornalista da Folha de S. Paulo, tentando justificar a precipitação de grande parte da imprensa no episódio, disse que ele pode até não ter sido verdadeiro, mas tudo bem, porque era "verossímil"...

A tentativa de transformar Anders Behring Breivik em representante da direita é algo com que ele certamente concordaria. A exploração oportunista e imediatista dos fatos é incompatível com a honestidade e com a capacidade de pensar em termos mais abrangentes. Para quem tem interesse em contar pontos na guerra de propaganda, a verdade é apenas um detalhe. Aliás, menos que isso. É um inimigo a ser exterminado.

sábado, julho 23, 2011

DE COSTAS PARA A REALIDADE

Se tem uma coisa que me deixa nauseado - talvez nauseado não seja a palavra certa, mas fico realmente intrigado - é a capacidade, aparentemente ilimitada, de muitos intelectuais, subintelectuais e mini-intelectuais daqui e de alhures de se iludirem e de insistirem em não enxergar o óbvio. É algo para deixar vermelho de raiva até o mais franciscano dos monges.

Vejam, por exemplo, a quantidade de besteira que se escreveu - e que, certamente, continurá a ser escrita, por muitos anos ainda - sobre a crise econômica eclodida nos EUA em 2008. De repente, pipocaram de todos os lados "especialistas" com um discurso bem coordenado, eu diria mesmo sincronizado, sobre o assunto. Com poucas variações, os "argumentos" apresentados podem ser resumidos nas seguintes idéias-força (ou melhor, idéias-clichês):

- "A culpa da crise é do capitalismo, um sistema que instiga os piores instintos no homem, como o egoísmo, a falta de solidariedade etc.";

- "A crise comprova - mais uma vez - que o sistema capitalista está em seus estertores no mundo todo";

- "A solução para a crise é um grau maior de intervenção do Estado na economia";

- "Portanto, Marx estava certo e devemos retornar a ele".

Difícil dizer qual idéia acima é a mais falsa, a mais idiota, a mais ofensiva à inteligência. Comecemos com a primeira. Nada mais cretino do que falar nas "boas intenções" socialistas em contraste com as "más intenções" dos capitalistas. Se a idéia é condenar moralmente o lucro individual, tal como fazia a Igreja Católica na Idade Média, isso já foi rechaçado há mais de duzentos anos por ninguém menos do que o pai do liberalismo econômico, Adam Smith, na famosa afirmação de que é o desejo de lucro do padeiro, e não qualquer elevado princípio altruísta, que garante o pão diário na mesa do consumidor. Ou, como disse certa vez Roberto Campos, numa frase que jamais foi refutada: "No capitalismo, os resultados são melhores do que as intenções; no socialismo, as intenções são melhores do que os resultados".

Se alguém duvida ou se sente desconfortável com isso, então que olhe para o outro lado e veja a maravilha em que deram as "boas intenções" dos bolcheviques em todos - todos, sem exceção - os países em que se instalou uma "ditadura do proletariado"... (Aliás, gostaria de saber qual revolucionário marxista ou político social-democrata aceitaria ser um simples operário em um país comunista; qual deles toparia participar de uma revolução proletária para virar trabalhador em alguma fábrica ou fazenda coletiva em Cuba ou na Coréia do Norte... alguém se habilita?)

Quanto à segunda idéia, o capitalismo está em crise desde pelo menos 1929, e de lá para cá, todos sabemos o que aconteceu: os regimes totalitários que tentaram destruir o capitalismo liberal e substituí-lo pela estatolatria, como o comunismo e o nazi-fascismo, naufragaram miseravelmente. A previsão do ex-premiê soviético Nikita Krushev, feita nos anos 50 e dirigida às democracias ocidentais lideradas pelos EUA - "Nós vamos enterrar vocês" - entrou para a galeria de frases irônicas e risíveis da História. Alardear o fim iminente do capitalismo e defender o maior intervencionismo e o dirigismo estatal, ainda mais em países que jamais conheceram nada parecido com uma economia de livre mercado, é algo que só pode ser entendido como recusa a ver o mundo em volta, e como insistência psicótica no erro.

Com a mesma certeza e com a mesma teimosia típicas dos ignorantes soberbos, os inimigos da livre iniciativa e da propriedade privada anunciam a ressurreição de Marx, visto sempre como um filósofo e economista genial e como um grande humanista, cuja obra, como Cristo em relação ao Vaticano, teria sido distorcida e não teria tido, portanto, nenhuma relação com o que aconteceu depois de sua morte. (Ou seja: os fuzilamentos em massa, a repressão política, a censura e o exterminío de mais de 100 milhões de pessoas devem ter sido, pelo visto, obra do acaso.) Já é quase uma tradição: de tempos em tempos, sempre que surge o menor sinal de crise no horizonte, alguém tenta ressuscitar Marx. Basta o índice Dow Jones balançar e aparecerá uma revoada de abutres gritando pela enésima vez "o capitalismo morreu" e propondo, também pela enésima vez, um "retorno a Marx". (Outros são mais escancaradamente imbecis e saem dizendo coisas como "agora, somos todos socialistas".)

É impressionante. O Muro caiu, a URSS virou peça de museu, mas o culto a Marx sobrevive como verdadeiro fetiche de acadêmicos e militantes esquerdistas (muitas vezes, as duas coisas se confundem). Talvez não haja cadáver mais insepulto em toda a História. Esse culto necrofílico baseia-se, como todo culto do tipo, na idealização de um passado mítico - no caso, as idéias do pai-fundador de uma religião secular -, extraindo sua força da pura e simples negação da realidade.

É um caso mesmo de psicopatia, de dissonância cognitiva: quanto mais os fatos desmentem a crença, mais esta se fortalece, por um mecanismo mental de auto-engano, da mesma maneira como ocorre em cultos messiânicos e apocalípticos que se vêem constrangidos a explicar por que o mundo não acabou na data prevista. Há quase cem anos os antônios conselheiros do marxismo de galinheiro anunciam o fim do mundo capitalista e o advento do paraíso socialista, no qual todos serão felizes e correrá leite e mel. Como isso nunca acontece, resolvem adiar a previsão. É precisamente assim que agem os devotos de São Carlos Marx, padroeiro do Gulag e do paredón.

Pois bem, senhores fãs do velho Marx, que o vêem como uma espécie de oráculo que explica tudo: em que capítulo de O Capital ele explica o colapso da URSS e o fracasso do marxismo no Leste Europeu - o maior fiasco de todos os tempos? Em que trecho do Manifesto Comunista ele prevê a conversão da China comunista à economia de mercado? Aliás, foi o capitalismo que salvou o regime comunista na China, transformando um país outrora miserável em uma potência mundial (somente nos últimos trinta anos, cerca de 400 milhões - mais de dois brasis - de chineses saíram da miséria graças ao capitalismo na terra de Mao Tsé-tung). Muito antes, nos anos 20, foram grandes empresários capitalistas ocidentais que, atendendo a um apelo desesperado de Lênin, reergueram a economia da finada URSS. Marx previu isso?

Se acharem esses assuntos muito difíceis, tentem então o seguinte: procurem explicar, com base no marxismo, a atual crise do euro que, tendo começado na Grécia, ameaça espalhar-se para os outros países e ameaça a própria existência da União Européia. Tentem mostrar que papel o "livre mercado" e a "ganância capitalista" tiveram na explosão da dívida grega, resultado, na verdade, de décadas de gastança e de irresponsabilidade fiscal - e que revela, isto sim, o fracasso do welfare state na Europa. Tentem explicar a crise fiscal européia da atualidade com base em Marx. Podem citar a bibliografia se quiserem.

Gostaria que algum anticapitalista de plantão, algum crente na superioridade moral do socialismo e adorador de Barack Obama - cujo governo, é curioso, só fez aumentar o déficit público dos EUA, mas que ainda tem muitos devotos fiéis que o vêem como o salvador da humanidade - me explicasse o que está nos parágrafos acima. Gostaria que alguém me dissesse que outro sistema econômico, além do capitalismo, pode gerar prosperidade e igualdade (sim, igualdade: que outro nome se deve dar à mobilidade social proporcionada pelo trabalho e pelo dinheiro?), num ambiente de constante inovação e de liberdade individual.

Como, para responder as indagações acima, é preciso antes de tudo um mínimo de honestidade intelectual, desconfio, porém, que ficarei sem resposta. Ainda espero ver um dia um adorador de Marx admitir que seu objeto de culto era um farsante e um idiota, que só ajudou a trazer infelicidade para o mundo, e que a humanidade não inventou, até agora, nada melhor para superar a pobreza do que o capitalismo. Nesse dia, porém, os oceanos irão secar, o Saara será inundado e o inferno vai virar um bloco de gelo.

segunda-feira, julho 18, 2011

A TRAGÉDIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL

Estudantes da UnB em pleno ato em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade


Alguns anos atrás, uma família em Minas Gerais foi processada pelo Ministério Público por ter se recusado, durante anos, a enviar seus filhos para a escola. Não para que eles trabalhassem na roça ou pedissem dinheiro nos sinais de trânsito, mas por outro motivo, mais compreensível. Em vez de matricular os adolescentes em instituições de ensino públicas ou particulares, seus pais preferiram educá-los em casa mesmo, onde receberam toda a educação fundamental e média.

O advogado dos pais teve, então, a seguinte idéia, na verdade um desafio: propôs a realização de um exame, no qual se poderia averiguar o nível de conhecimento dos rapazes. O exame foi feito e, em todas as matérias, eles obtiveram nota igual ou superior à da média dos alunos regularmente matriculados. Estavam devidamente capacitados, do ponto de vista intelectual, para passarem no vestibular e ingressarem na universidade.

A história, que mal saiu na imprensa, é realmente surreal, apesar de verdadeira. Nos EUA, educar os filhos em casa, da maneira que a família considera mais adequada, é um direito praticado por milhares de pessoas – o nome disso é homeschooling. No Brasil, é crime, ainda por cima chamado de “abandono intelectual”. Mais surrealista ainda é o fato de que, ao fazer essa opção, a família decidiu proporcionar-lhes exatamente aquilo que há muito tempo não se encontra mais nas escolas brasileiras: uma educação decente e de qualidade.

Ao optar pelo homeschooling, os pais pouparam seus filhos de serem submetidos sistematicamente a sessões de lavagem cerebral por molestadores juvenis, que consideram “educação” um sinônimo de doutrinação ideológica, baseada na vulgata marxistóide mais vagabunda. Salvaram-nos de serem usados como cobaias em “experimentos didáticos” por doutrinadores travestidos de professores, que acham normal falar e escrever “nóis pega os peixe” e consideram o respeito à gramática, como mostrou o livro recentemente aprovado pelo MEC, coisa de preconceituosos e elitistas. Os rapazes escaparam, também, de ser obrigados a assistir a vídeos e a ler cartilhas enaltecedoras da "diversidade sexual", livrando-se, assim, de serem doutrinados, em plenos anos de formação psicológica, sobre as virtudes redentoras do lesbianismo e da sodomia. Em vez disso, seus pais, certamente conhecendo a realidade do ensino no Brasil, resolveram dar a eles o que não encontrariam nas escolas brasileiras. E ainda foram acusados de “abandono intelectual”…

Não é segredo para ninguém que aquilo que se convencionou chamar de educação no Brasil de hoje não passa da mais pura vigarice, de um verdadeiro crime de lesa-inteligência a serviço de ideologias imbecis e de partidos políticos sem nenhum compromisso com o progresso mental da população. Essa realidade, que existe há pelo menos quatro décadas, foi agravada nos últimos anos, com a subida ao poder de um presidente que se gaba – e que é louvado por isso – de suas poucas luzes. O MEC foi tomado de assalto por uma turma comandada por um ministro especialista em marxismo que não sabe soletrar a palavra “cabeçalho” e que transformou uma das poucas coisas que funciona(va)m no país, o ENEM, em motivo de piada e em símbolo de incompetência. Nada mais simbólico do Brasil de hoje do que o fato de que existem mais ex-BBBs do que arqueólogos, e que um palhaço analfabeto seja membro da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Nunca na história deste país o apedeutismo, o culto da ignorância, foi tão disseminado e contou com tamanho apoio e estímulo oficiais.

Tal fato, por mais gritante que seja, passa geralmente despercebido. Pior: não é avaliado como deveria. Fale em ensino no Brasil e a primeira coisa que você ouvirá será, provavelmente, algo como “é preciso mais verbas para as escolas” etc. Tendo nascido e sido criado em família de professores, acostumei-me com queixas por melhores salários para a categoria (um tio meu, professor de Química em uma escola pública, era um dos mais queixosos; descobri há pouco que o ultimo curso de aperfeiçoamento profissional que ele fez foi em 1971…).

É incrível como, no Brasil, o dinheiro é considerado a solução para tudo. É um traço de nosso caráter nacional. O problema não é a falta de recursos. Ao contrário do que se costuma dizer, o Estado brasileiro gasta muito com educação no Brasil (se gasta bem, aí é outra coisa). Se dependesse do volume de dinheiro público gasto com o setor, o Brasil estaria na vanguarda da produção científica mundial. A parte principal da culpa pela má qualidade do que se ensina nas salas de aula recai, obviamente, em quem a ministra, ou seja: os professores.

Na parte desenvolvida do mundo, os professores são geralmente os melhores alunos de suas disciplinas, que buscam, assim, compartllhar o conhecimento adquirido. No Brasil, é o contrário: ninguém quer ser professor, e as cátedras são assumidas, com raras exceções, pelos piores. Essa falta de prestígio não pode ser atribuída simplesmente a uma política governamental. Os professores no Brasil geralmente não atuam como mestres, mas como sindicalistas. Estão mais interessados em atacar o capitalismo e em fazer greve por melhores salários (e que sempre - sempre - só prejudicam os alunos que querem estudar) do que em preparar uma aula decente. E não só nas escolas públicas. Fiz o primeiro grau numa escola particular, católica, uma das melhores da cidade. Lembro que a professora de História, admiradora da Revolução Cubana e da teologia da libertação, não cansava de repetir que o capitalismo era um sistema mau e perverso e que o socialismo era a solução para a humanidade. Eu tinha dez anos de idade. Se eu tivesse estudado em casa, sem a chatice de ir à escola todos os dias, não teria perdido tanto tempo, e talvez tivesse aprendido mais e melhor.

Essa realidade, infelizmente, pouco mudou. De fato, a cada dia fica pior. Nos exames internacionais, os alunos brasileiros invariavelmente tiram os ùltimos lugares em habilidades básicas, como leitura e Matemática. Digam-me o nome de um (1, hum) acadêmico brasileiro da área de ciências humanas que tenha escrito alguma obra relevante nos últimos cinqüenta anos, reconhecida internacionalmente. Simplesmente não há ninguém. Nas escolas, predomina o desprezo pelo que chamam de “educação bancária” – em suma: o conhecimento de matérias como Português, História e Matemática. Mais importante é a “conscientização” ou a “cidadania”. O ensino técnico, então, é considerado mera formação de mão-de-obra para o capitalismo (quem me dera se assim fosse: provavelmente, seríamos hoje uma Coréia do Sul ou uma Cingapura). Aliás, é engraçado: nas faculdades de pedagogia, Paulo Freire é visto como um deus. Curiosamente, porém, não conheço um único caso de alguém alfabetizado pelo método genial e revolucionário que dizem que ele inventou. As escolas deixaram de ser lugares de ensino para se tornarem assembléias sindicais e bocas-de-fumo, em que estudantes não estudam e professores não ensinam. Depois estes ainda reclamam que são tratados com desrespeito e até com violência nas salas de aula.

O resultado dessa visão demagógica da educação é que, todos os anos, milhares de alunos saem das escolas ótimos militantes, prontos para gritar slogans contra o capitalismo e a globalização, mas incapazes de ler, escrever e contar direito. Não é por acaso que, ao lado de algumas ilhas de excelência (quase sempre em cursos de exatas, menos expostos à doutrinação marxista), exista um oceano de mediocridade. Universidades que antes eram consideradas de ponta, como a UnB, viraram antros de vigarice acadêmica e de intolerância ideológica, verdadeiras madraçais do pensamento único esquerdista, em que a principal atividade acadêmica de muitos alunos é passar o tempo fumando maconha em sala de aula. Quanto à UNE, que em outros tempos foi um farol da luta pela democracia e pela educação, converteu-se numa repartição pública, em que zelosos burocratas estudantis do PCdoB dedicam-se a fazer propaganda a favor do governo que tem Collor e Sarney como aliados.

Em geral, são os mesmos que estão hoje à frente da UNE e da UnB os que adoram botar a culpa no “governo” (menos, claro, o federal, ou os com ele mancomunados) pelo estado lamentável da educação no Brasil. Até parece que vivemos em um país cuja sociedade valoriza a cultura e o conhecimento. Lembro de uma conversa que tive uma vez com um sujeito do povo, há alguns anos. Ele veio me dizer que não queria que seus filhos fossem muito inteligentes, “porque se não iam passar por doidos”. É isso. Entre ser ignorante e “passar por doido” numa roda de amigos, melhor ficar com a primeira opção. Ou seja: a ignorância é a norma, a inteligência é a esquisitice... Os esquerdiotas apenas deram uma mãozinha, adaptando esse raciocínio imbecil: para que estudar, companheiro, e aprender a ler e a falar certo, essa coisa de burguês?

Quando vejo um esquerdista pró-petista e pró-governo falar em educação, primeiro me dá vontade de rir, depois de agarrar uma arma. Com que direito vêm falar no assunto, quando os mais intelectualizados dentre eles escrevem “mulçumano” e “a tempos é assim”?

sexta-feira, julho 15, 2011

OS MALES DO ESQUERDISMO AGUADO

No Brasil, como todos sabem, ninguém é de direita. Quase todos - e só digo "quase" porque sempre há alguns excêntricos, como este blogueiro - rezam pela cartilha da sinistra. Uns mais, outros menos, pouco importa. Impera entre nós um esquerdismo hegemônico, arraigado, onipresente, sufocante, implacável.

Vejam a chamada "elite" brasileira, tão demonizada pelo pessoal da canhota: nada mais intrinsecamente esquerdista. Pense numa causa, qualquer causa, como o casamento gay e a liberação da maconha, ou a manutenção da menoridade penal, que provocam repulsa instintiva ao "povão": a "elite" é a favor. Os petralhas adoram falar mal da dita-cuja, mas o fato é que têm nela um forte aliado ideológico. Provavelmente em nenhum outro lugar do mundo a classe dominante, por assim dizer, é tão marxista.

Mais de quarenta anos atrás, Nelson Rodrigues já apontava esse fenômeno - ele escreveu certa vez que tinha encontrado, num sarau de grão-finos, uma auto-proclamada "noiva espiritual de Guevara"... Vá a um sarau de grã-finos, ou à sua versão atual, o jantar inteligente. Se sobreviver a algum, você assistirá, invariavelmente, a um desfile de profundas consciências sociais. Na verdade, quanto mais se sobe na escala da sociedade, menor a chance de ver alguém defender as virtudes da liberdade capitalista, da livre iniciativa e da economia de mercado. Em vez disso, ao lado dos elogios àquele filme iraniano chatíssimo que ninguém quer admitir não ter visto para não passar por desatualizado, é grande a chance de receber uma aula sobre o importantíssimo papel da ONG tal no combate à fome em algum país da África.

Façam um teste, se duvidam de mim. Tentem achar, em algum desses ambientes, alguma opinião, algum ponto de vista, que destoe do que vem a seguir. A probabilidade de ouvir um comensal dizer alguma das frases listadas neste post é bastante grande. São verdadeiros mantras, repetidos ad nauseam por essas cabeças privilegiadas, as "pessoas maravilhosas":

- "Acho um horror a política de Israel quanto aos palestinos; sou antissionista, mas não antissemita".

- "Não sou antiamericano, mas os EUA são um país imperialista, responsável por grande parte das mazelas do mundo; Barack Obama é um sopro de esperança e renovação para a humanidade".

- "Concordo com o Arnaldo Jabor: o PT renegou suas origens de esquerda, deixando-se contaminar pelo fisiologismo e pela corrupção da política brasileira".

- "Lula é um político genial e carismático, um estadista vindo do povo, e um exemplo de superação individual; criticá-lo pelos erros de português é preconceito elitista".

- "Dilma Rousseff é um exemplo de mulher corajosa e competente, uma ex-guerrilheira que lutou pela democracia; criticá-la é machismo da direita fundamentalista".

- "Sou contra as invasões de terras produtivas, mas não se pode criminalizar os movimentos sociais".

- "Não sou contra a propriedade privada, mas acho que ela deve cumprir uma função social; o Estado deve controlar setores estratégicos da economia, como o petróleo".

- "Funcionando ou não, as cotas cumprem uma função importante, pois o Brasil tem uma dívida histórica a ser paga aos afro-descendentes".

- "Apóio o movimento GLBTT, pois o Brasil é um país extremamente homofóbico".

- "Tenho minhas dúvidas sobre o desarmamento da população, mas acredito que vai diminuir a violência - afinal, armas matam".

- "Não adianta criminalizar o usuário; as drogas deveriam ser legalizadas, pois a guerra ao narcotráfico fracassou no mundo inteiro".

- "Estou dando minha contribuição ao combate ao aquecimento global, tentando emitir menos carbono andando de bicicleta".

- "Odeio ditaduras! Todas elas! Cuba? A culpa é do bloqueio. Se os EUA acabassem com ele, haveria liberdade na ilha".

Com poucas variações, é isso que se costuma ouvir numa roda de pessoas "inteligentes" e "progressistas": um esquerdismo aguado, "moderado" - o que significa: moderadamente anticapitalista e pró-totalitário. Um conjunto de chavões e clichês esquerdóides, repetidos com ar de sabedoria profunda e de superior "neutralidade". É esse tipo de opinião bom-mocista, repetidora automática de chavões politicamente corretos, que constitui o mainstream no Brasil, sendo replicado por dez em cada dez "formadores de opinião". Tente discordar, colocando um ponto de vista mais à direita, e você correrá o risco de passar por chato e estraga-prazer, ou mesmo de ser linchado pela patrulha do pensamento, como um reacionário ou "fascista".

A hegemonia desse esquerdismo diluído - que predomina na maior parte da imprensa (para não falar das universidades, onde o que impera mesmo é o esquerdismo hardcore, de foice e martelo) - resulta, em parte, de um ranço ideológico, que se mantém meio por inércia, e, em parte, de pura covardia moral e intelectual. Muitos já perceberam há tempos que a esquerda é uma canoa furada, coisa de imbecil, mas, por medo de cruzar o Rubicão, de romper com velhas fantasias de adolescência, recusam-se a evoluir e a abraçar as idéias liberais. Temem, acima de tudo, ficar sozinhos, apartados dos companheiros de geração e de utopia. Acreditam, para se consolar, que diluindo o discurso preservam o gosto da utopia juvenil e evoluem, ao mesmo tempo, para uma forma de esquerdismo mais "moderno" e tolerante. Como se um veneno diluído também não fizesse mal.

Seria somente um problema de carência afetiva e de infantilismo, de necessidade psicológica de pertencer a um "coletivo", se essa insistência nos clichês esquerdóides não fosse, também, algo extremamente funesto, com conseqüências nefastas para a democracia. Ditadores como os irmãos Castro e tiranetes como Hugo Chávez não precisam de nada mais do que essa espécie de "neutralidade" para continuarem mandando e desmandando.

Do mesmo modo, terroristas como o recém-falecido Osama Bin Laden (acreditem: houve, por aqui, quem chorasse a morte dele, invocando altos princípios morais e éticos) não fazem a menor questão de que se concorde totalmente com seus métodos: basta culpar o alvo principal de seus ataques, os EUA, pela existência do terrorismo. Por exemplo: responsabilizando a política externa norte-americana no Oriente Médio ou israelense pelos atentados do Hamas e do Hezbollah. Essa justificativa cai como uma luva para os objetivos genocidas dos islamofascistas.

Na época da Guerra Fria, cunhou-se a expressão "companheiros de viagem" para designar aquelas pessoas, geralmente artistas ou intelectuais, que, embora não fossem comunistas, agiam objetivamente a favor dos interesses comunistas, servindo, por ingenuidade ou não, de porta-vozes voluntárias ou involuntárias da propaganda do KGB. Hoje, os companheiros de viagem são a maioria no Brasil. Minha única dúvida é se o são de forma inconsciente. (Acredito que sim, pois a ingenuidade e a ignorância são irmãs siamesas, ainda mais quando acompanhadas da soberba.)

Faço questão de repetir: não existe esquerda light, moderada, "vegetariana", "democrática": existe esquerda ingênua ou dissimulada. Cada vez menos ingênua, e cada vez mais dissimulada, diga-se de passagem. Nesse ponto, creio mesmo que a esquerda radical, raivosa, "carnívora", tem a vantagem de certa honestidade: pelo menos esta não se esconde detrás de um discurso untuoso e floreado, e assume abertamente sua idiotice. Quanto à outra, das duas uma: ou é cúmplice ou é idiota.

A MARCHA DOS VAGABUNDOS

De uns tempos para cá, virou moda a realização de marchas e manifestações de protesto no Brasil. Há marchas para tudo, para todos os gostos. Tem uma marcha da maconha, uma marcha das vadias, uma parada gay (a maior do mundo, e um desfile de bizarrices)... Só não há marchas contra ou a favor do que realmente importa.

Convenhamos, há mais e melhores razões para sair de casa e carregar cartazes nas ruas. Há motivos de sobra para se indignar e organizar marchas de protesto no Brasil. Só não há quem as realize.

Onde está uma marcha contra a corrupção no governo dos petralhas, que somente este ano já custou o cargo de dois ministros (um deles, pela SEGUNDA vez)? Ou uma marcha contra a empulhação das obras do PAC, que, apesar de toda a fanfarra, não saem do papel? Ou contra a lerdeza nas obras da Copa do Mundo, que, pelo visto, será um festival de ladroeira como foi o Pan do Rio em 2007? Ou pela divulgação dos documentos sigilosos do governo? Ou contra o abrigo a terroristas estrangeiros, que mancha a imagem do País no exterior? Ou por mais segurança, mais saúde, mais educação, mais esgotos etc.? Motivo é o que não falta.

Enfim, cadê a "sociedade civil", os sindicatos, a CUT, a UNE, numa hora dessas? (Só para constar: é claro que eu sei onde estão, e por que não protestam; por que iriam protestar contra aquilo de que fazem parte e de que se beneficiam?)

Até parece que, em vez de se indignarem e saírem às ruas cobrando seus direitos e exigindo punição aos corruptos, os brasileiros têm outras prioridades. Em vez de luta contra a roubalheira e a sem-vergonhice, a marcha das vadias...

Se eu não fosse tão caridoso, eu poderia até pensar que os brasileiros já estão todos anestesiados e dominados por um discurso vigarista que inverteu o senso de prioridades, ou que foram comprados por um prato de lentilhas. Acharia até que quem marcha por aí nos dias de hoje não passa de um bando de pelegos e vagabundos sustentados pelo dinheiro estatal. (Mas não, é claro que não pode ser nada disso, imagina; pensar assim é coisa da elite...)

Por que, em vez de uma marcha da maconha, não organizam uma marcha contra a vadiagem e a cafajestagem na política? Por que não uma marcha em defesa da ética e da inteligência?

No Egito, na Síria, na Espanha, na Grécia, a população indignada sai às ruas exigindo mudanças e reformas. Nesses países, a revolta popular já derrubou governos. Só no Brasil causas como a liberação da maconha e a parada gay são mais importantes. Uma verdadeira marcha à ré.

quarta-feira, julho 13, 2011

POR QUE OS BRASILEIROS NÃO REAGEM?



Juan Arias *

O fato de que em apenas seis meses de governo a presidente Dilma Rousseff tenha tido que afastar dois ministros importantes, herdados do gabinete de seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva (o da Casa Civil da Presidência, Antonio Palocci – uma espécie de primeiro-ministro – e o dos Transportes, Alfredo Nascimento), ambos caídos sob os escombros da corrupção política, tem feito sociólogos se perguntarem por que neste país, onde a impunidade dos políticos corruptos chegou a criar uma verdadeira cultura de que “todos são ladrões” e que “ninguém vai para a prisão”, não existe o fenômeno, hoje em moda no mundo, do movimento dos indignados.

Será que os brasileiros não sabem reagir à hipocrisia e à falta de ética de muitos dos que os governam? Não lhes importa que tantos políticos que os representam no governo, no Congresso, nos estados ou nos municípios sejam descarados salteadores do erário público? É o que se perguntam não poucos analistas e blogueiros políticos.

Nem sequer os jovens, trabalhadores ou estudantes, manifestaram até agora a mínima reação ante a corrupção daqueles que os governam.

Curiosamente, a mais irritada diante do saque às arcas do Estado parece ser a presidente Rousseff, que tem mostrado publicamente seu desgosto pelo “descontrole” atual em áreas do seu governo e tirou literalmente – diz-se que a purga ainda não acabou – dois ministros-chave, com o agravante de que eram herdados do seu antecessor, o popular ex-presidente Lula, que teria pedido que os mantivesse no seu governo.

A imprensa brasileira sugere que Rousseff começou – e o preço que terá que pagar será elevado – a se desfazer de uma certa “herança maldita” de hábitos de corrupção que vêm do passado. E as pessoas das ruas, por que não fazem eco ressuscitando também aqui o movimento dos indignados? Por que não se mobilizam as redes sociais?

O Brasil, que, motivado pela chamada marcha das Diretas Já (uma campanha política levada a cabo durante os anos 1984 e 1985, na qual se reivindicava o direito de eleger o presidente do país pelo voto direto), se lançou nas ruas contra a ditadura militar para pedir eleições, símbolo da democracia, e também o fez para obrigar o ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992) a deixar a Presidência da República, por causa das acusações de corrupção que pesavam sobre ele, hoje está mudo ante a corrupção.

As únicas causas capazes de levar às ruas até dois milhões de pessoas são a dos homossexuais, a dos seguidores das igrejas evangélicas na celebração a Jesus e a dos que pedem a liberalização da maconha.

Será que os jovens, especialmente, não têm motivos para exigir um Brasil não só mais rico a cada dia ou, pelo menos, menos pobre, mais desenvolvido, com maior força internacional, mas também um Brasil menos corrupto em suas esferas políticas, mais justo, menos desigual, onde um vereador não ganhe até dez vezes mais que um professor e um deputado cem vezes mais, ou onde um cidadão comum depois de 30 anos de trabalho se aposente com 650 reais (300 euros) e um funcionário público com até 30 mil reais (13 mil euros).

O Brasil será em breve a sexta potência econômica do mundo, mas segue atrás na desigualdade social, na defesa dos direitos humanos, onde a mulher ainda não tem o direito de abortar, o desemprego das pessoas de cor é de até 20%, frente a 6% dos brancos, e a polícia é uma das que mais matam no mundo.

Há quem atribua a apatia dos jovens em ser protagonistas de uma renovação ética no país ao fato de que uma propaganda bem articulada os teria convencido de que o Brasil é hoje invejado por meio mundo, e o é em outros aspectos. E que a retirada da pobreza de 30 milhões de cidadãos lhes teria feito acreditar que tudo vai bem, sem entender que um cidadão de classe média europeia equivale ainda hoje a um brasileiro rico.

Outros atribuem o fato à tese de que os brasileiros são gente pacífica, pouco dada aos protestos, que gostam de viver felizes com o muito ou o pouco que têm e que trabalham para viver em vez de viver para trabalhar.

Tudo isso também é certo, mas não explica que num mundo globalizado – onde hoje se conhece instantaneamente tudo o que ocorre no planeta, começando pelos movimentos de protesto de milhões de jovens que pedem democracia ou a acusam de estar degenerada – os brasileiros não lutem para que o país, além de enriquecer, seja também mais justo, menos corrupto, mais igualitário e menos violento em todos os níveis.

Este Brasil, com o qual os honestos sonham deixar como herança a seus filhos e que – também é certo – é ainda um país onde sua gente não perdeu o gosto de desfrutar o que possui, seria um lugar ainda melhor se surgisse um movimento de indignados capaz de limpá-lo das escórias de corrupção que abraçam hoje todas as esferas do poder.

* Juan Arias é correspondente do do jornal espanhol EL PAÍS no Brasil