Um leitor, comentando um post meu de dezembro do ano passado ("LULA É DE ESQUERDA"), e provavelmente intrigado com minhas críticas à canhota, fez uma pergunta singela: Afinal, a esquerda não pode ser democrática? Só a direita é que pode?Este é um blog assumidamente do contra. Contra a burrice, a acomodação, o conformismo, o infantilismo, a ingenuidade, a abobalhação e a estupidez que ameaçam tomar conta do País e do Mundo. Seja livre. Seja do contra. - "A ingenuidade é uma forma de insanidade" (Graham Greene)
sábado, julho 09, 2011
ALGUMAS CONDIÇÕES PARA EXISTIR UMA ESQUERDA DEMOCRÁTICA
Um leitor, comentando um post meu de dezembro do ano passado ("LULA É DE ESQUERDA"), e provavelmente intrigado com minhas críticas à canhota, fez uma pergunta singela: Afinal, a esquerda não pode ser democrática? Só a direita é que pode?quinta-feira, julho 07, 2011
CARTA ABERTA AOS LÍDERES DA "OPOSIÇÃO"
Caros senhores deputados e senadores dos partidos da assim chamada "oposição" no Brasil (escrevo "oposição" entre aspas; nos próximos parágrafos, explico por quê): sexta-feira, julho 01, 2011
A CULPA DA VÍTIMA. OU: O TERRORISMO "CAVALHEIRESCO" DA ESQUERDA
O norte-americano Curtis Carly Cutler era cônsul dos EUA em Porto Alegre (RS) quando, em 4 de abril de 1970, sua caminhonete Plymouth foi fechada por um Fusca. Dele, sairam vários homens fortemente armados com revólveres e metralhadoras. Era uma tentativa de seqüestro. Não somente de seqüestro, mas de assassinato: depois de manobrar o automóvel para fugir dos seqüestradores, Cutler sentiu um forte impacto - um dos bandidos, frustrado pelo fracasso da operação, disparou contra ele um balaço de pistola .45, ferindo-o nas costas. Por pouco ele não morreu. quinta-feira, junho 30, 2011
O balanço do semestre perdido comprova que o governo Dilma é o governo Lula sem serviço de som e sem efeitos especiais

Tão perdido quanto o primeiro semestre do governo Dilma. Mãe do PAC e Madrinha do Pré-Sal, a candidata apresentou-se durante a campanha eleitoral como parteira do país mais que perfeito que Lula concebeu. Tinha tanta intimidade com a máquina administrativa que os retoques finais no Brasil Maravilha começariam já no dia da posse. Pura tapeação. Passados seis meses, continuam nos palanques de 2010 as 500 Unidades de Pronto Atendimento, as 8 mil Unidades Básicas de Saúde, as 800 Praças do PAC, os 2.800 postos de polícia comunitária e as escolas de educação infantil, fora o resto.
A transposição das águas do São Francisco não tem prazo para ficar pronta. O leilão do trem-bala será adiado pela terceira vez. Os canteiros de obras da Copa e da Olimpíada estão despovoados. Há seis anos no Palácio do Planalto, a superexecutiva acaba de descobrir que só a privatização livrará os aeroportos do completo colapso. A compra dos caças reivindicados pela Aeronáutica ficará para quando Deus quiser. As fronteiras seguem desprotegidas. Das 6 mil creches prometidas na campanha, apenas 54 foram entregues. Menos de 500 casas populares ficaram prontas. E os flagelados da Região Serrana do Rio não deixarão tão cedo os abrigos onde sobrevivem desde as tempestades de janeiro.
A diferença entre o primeiro semestre da afilhada e o último do padrinho é que o ilusionista teve de deixar o palco em que esgotou o estoque inteiro de truques. Livres da discurseira atordoante, os brasileiros puderam contemplar a paisagem mais atentamente. O que estão vendo não rima com o que ouviram durante oito anos. Milhões já sabem que o paraíso só existe no cartório. Descobriram que o governo Dilma é a continuação do governo Lula, mas sem som e sem efeitos especiais. Disso resulta a sensação de que a coisa conseguiu ficar pior. Mesmo que sejam ambos bisonhos, a versão falada parecerá sempre melhor que o filme mudo.
quarta-feira, junho 29, 2011
RUMO À DITADURA

- Um dono de bar ou restaurante não tem o diteito de negar-se a atender um casal gay que queira fazer um jantar romântico no local?
- O pai ou mãe de família não tem o direito de escolher se a pessoa que vai cuidar de seu filho pequeno é homossexual ou não? (Uma ex-atriz da Globo, hoje deputada evangélica, está sendo crucificada porque afirmou que sim.)
segunda-feira, junho 27, 2011
A MARCHA DA INSENSATEZ

É esse tipo de gente que gosta de marchar por aí. Eu, como sou um indivíduo, estou em outra.
quinta-feira, junho 16, 2011
ESSA VELHA JUVENTUDE (OU: OS APOLOGISTAS DA BURRICE)
Há duas semanas, um estudante universitário foi assassinado a tiros no campus da USP. Seus assassinos foram dois ladrões, que o mataram para roubar o dinheiro que ele acabara de sacar de um caixa eletrônico. Seu corpo foi encontrado, horas depois do latrocínio, ao lado do carro, no estacionamento da faculdade. Na mesma semana, a milhares de quilômetros de distância, uma estudante, também universitária, foi estuprada dentro do campus da Universidade Federal do Acre (UFAC).
Diante de casos assim, seria de esperar que os estudantes universitários, tomados de horror e de indignação por causa desses atos bárbaros, organizassem um protesto contra a falta de segurança nos campi. O natural seria esperar que eles se mobilizassem e fizessem uma marcha, digamos, cobrando uma ação mais efetiva da polícia nas imediações da universidade, certo?
Errado. Poucos dias depois do assassinato, os estudantes da USP foram às ruas defender outra causa. Eles estavam ocupados demais preparando uma manifestação sobre um assunto muito mais urgente e infinitamente mais importante: a marcha da maconha...
Houve tempo em que a morte de um estudante era motivo para que ocorresse uma revolução por semana. Hoje, tal fato passa quase despercebido, ficando restrito aos programas policialescos da televisão. Mais importante é o direito dos descolados da USP de queimarem unzinho na sala de aula. Melhor: sem polícia por perto para atrapalhar (e prender bandidos que assaltam e estupram colegas estudantes). "Polícia má, que não me deixa fumar um baseado: má, reacionária, neoliberal, fascista e inimiga da educação..."
Seria injusto dizer que os maconhistas não estavam pensando no colega assassinado. De certa forma, eles estavam também pensando na polícia. Tanto que um dos slogans mais repetidos pelos maconheiros era "Polícia fora do campus!" - ou seja: maconha sim; polícia não. (Outros coros que fizeram sucesso com a galera foram "Ei, polícia, maconha é uma delícia!" e "Polícia sem-vergonha, seu filho também fuma maconha"...). Crêem estar prestando, assim, um grande e inestimável serviço à humanidade.
Se tem algo que a onda maconhista atual deixa claríssimo é que a idade mental de quem participa de "marchas da maconha" - agora disfarçadas, com as bênçãos paternais do STF, de "marchas da liberdade"... - é algo assim entre o jardim-de-infância e a pré-puberdade. Nessa faixa etária, as pessoas não têm ainda consciência do perigo, precisam estar sob os cuidados e a supervisão permanentes de um adulto até para ir à esquina. Nem consciência do perigo nem da liberdade, que rima sempre - sempre - com responsabilidade (outra coisa que desconhecem totalmente, e que acham que foi inventada por velhos caretas só para cortar-lhes o barato).
Junte a isso o fato de que as universidades brasileiras há muito deixaram de ser lugares de ensino e de estudo, onde se faz qualquer outra coisa, menos estudar. Em vez disso, já viraram verdadeiras madraçais, onde militantes sindicais travestidos de professores encostados em departamentos infrutíferos doutrinam adolescentes com idéias imbecis contra o "sistema". E tome apologia das drogas disfarçada de "defesa da liberdade"...
O resultado disso tudo só poderia ser a proliferação da estupidez em níveis realmente assustadores. A ponto de a descriminalização da maconha ser considerada mais importante do que a vida de um estudante.
Pensando bem, faz mesmo todo sentido os revolucionários do toddyinho e dos sucrilhos sairem às ruas em defesa de seu direito de usar a mesada do papai para queimar neurônios tragando cannabis: afinal, eles estâo se lixando para a segurança, assim como estão se lixando para a Lei, essa imposição burguesa. Nada mais natural do que defenderem a "causa" de ajudar a enriquecer os narcotraficantes. Estes devem estar morrendo de rir da playbozada.
Que tal uma marcha em favor da volta da inteligência às universidades brasileiras? Eu topo.
O ERRO DE VARGAS LLOSA (OU: REFLEXÕES SOBRE UM TABU)

Não acreditei quando me disseram. Creio mesmo que, se não tivesse ouvido a informação de uma fonte fidedigna, merecedora de toda confiança, eu teria duvidado da sanidade mental de quem me deu a notícia. Acharia mesmo que a coisa não passava de calúnia ou maledicência. Mas era verdade, por mais incrível que fosse.
O escritor Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura do ano passado (o Comitê do Nobel, depois de várias derrapadas nos últimos tempos, finalmente parece que resolveu se redimir), apoiou abertamente, nas eleições presidenciais peruanas, o candidato vencedor, Ollanta Humala.
Aí você me pergunta: quem é Ollanta Humala?
Pense num milico ultra-nacionalista, na pior tradição de caudilhismo destrambelhado da América Latina, com um discurso que beira o fascismo (ou quando não é o próprio, transplantado para os trópicos). Um Hugo Chávez dos Andes, com uma biografia bem parecida - foi tenente-coronel do Exército, e inclusive já tentou um golpe de Estado apoiado pelo coronel venezuelano. Assim como aquele, não conseguiu chegar ao poder na marra, então decidiu fazê-lo pelas urnas, dizendo-se um democrata. (O golpismo, aliás, está na família: seu irmão, Antauro, está preso por ter liderado a quartelada, na qual morreram quatro soldados em 2005.)
Agora imagine o sujeito acima, não tendo conseguido ser eleito na primeira vez, apresentando-se agora aos eleitores, graças aos feitiços de um bando de marqueteiros petistas contratados, numa embalagem "light", "soft", como um político "moderado", negando de pés juntos qualquer vinculação com o chavismo e se dizendo um ardoroso convertido à democracia, ao livre mercado e ao respeito à propriedade privada.
Parece familiar? Tem cheiro, sabor e forma de farsa? E é mesmo.
Você deve estar se perguntando: o que levou Mario Vargas Llosa, um intelectual respeitado, dono de impecáveis credenciais liberais - defendia o liberalismo quando isso ainda era um anátema na América Latina, e chegou a ser agredido pelos esbirros de Chávez na Venezuela algum tempo atrás -, a dar seu apoio a esse aleijão ideológico em roupagem "Humalinha paz e amor" (ou Hugo Chávez antes de cair a máscara)?
A resposta está na adversária de Humala - e na falta total de senso de proporções. Keiko Fujimori, a candidata derrotada, é filha de Alberto Fujimori, o ex-presidente peruano que, descobru-se depois, nem peruano era (nasceu no Japão).
Fujimori, o pai, foi, como todos sabem, um desastre. Seu governo, apesar de algumas conquistas importantes (a derrota do terrorismo comunista, principalmente), afundou em um festival de abritrariedades e de escândalos de corrupção (algo, aliás, que o aproxima de outros governos vizinhos). Com Keiko não será diferente, deve ter pensado o autor de Pantaleão e as Visitadoras. Ademais, Fujimori o derrotou nas eleições presidenciais de 1990 (pelo que os amantes da Literatura deveriam ser-lhe gratos, diga-se de passagem).
Pois bem. Mesmo com esses motivos pessoais para detestar Fujimori, a decisão de Vargas Llosa de apoiar Humala é incompreensível. Mais que isso: é de uma idiotice sem tamanho.
Fujimori é corrupto, ladrão e assassino, mas está preso, cumprindo pena. Além do mais, sua criminalidade jamais ultrapassou os limites do Peru: ele jamais esteve vinculado a um esquema criminoso continental como o Foro de São Paulo. Já Humala não só é um golpista, como é cria do Foro, assim como Evo Morales, Rafael Correa, Daniel Ortega e Manuel Zelaya. Tanto que Hugo Chávez só o chama de "bom soldado". E que membros dessa organização revolucionária estão atrás das grades? (Pelo contrário, com a vitória de Humala, mais um deles está no poder num país latino-americano.)
Recorrendo a uma metáfora zoológica, tomada emprestada do filósofo Olavo de Carvalho - talvez o único filósofo de verdade que sobrou no Brasil; por isso ele é tão odiado -: votar em Humala para não ter de votar na filha de Fujimori é como escolher ser feito em pedaços por um tigre para não ser mordido por uma raposa. Se eleita, Keiko Fujimori seria uma raposa tomando conta do galinheiro. Ollanta Humala é um tigre pastoreando um rebanho de ovelhas. Um tigre financiado e patrocinado por outros tigres, tão predadores quanto. E um tigre não deixa de ser tigre porque tem as unhas pintadas, como escreveu Olavo.
Alvaro, filho de Vargas Llosa, também escritor, cunhou a expressão "esquerda vegetariana" para se referir a esquerdistas "moderados", em contraposição aos esquerdistas "carnívoros" ou radicais como Hugo Chávez e Evo Morales. Trata-se de uma tremenda bobagem. Na categoria de "vegetarianos" estariam políticos como Humala e Lula, um sujeito que enganou a todos durante décadas, e que é amigo pessoal das FARC e de Fidel Castro, tendo sido co-fundador, com este último, do Foro de São Paulo. Como já escrevi várias vezes, essa estória de esquerda "vegetariana" não passa de conversa mole para boi dormir. Na verdade, não existe esquerda vegetariana. Existe esquerda herbívora (no sentido de ruminante).
Toda a idéia das "duas esquerdas", tão cara a tantos intelectuais esquerdistas latino-americanos, tem por único e exclusivo objetivo a salvação da esquerda, nada mais que isso. O que se quer é evitar, assim, o surgimento de uma direita séria e democrática. É isso, mais do que a ditadura cubana ou as fanfarronadas bolivarianas, o que mais escandaliza e o que mais causa horror a pessoas como Vargas Llosa, pai e filho.
Por que isso? Porque Vargas Llosa e seu filho, assim como muitos iguais a eles, são ex-comunistas (ou ex-esquerdistas), mas não são anticomunistas (nem anti-esquerdistas).
Sendo ex-comunistas, falta-lhes a coragem e a ousadia necessárias para dar o grande salto, declarando-se abertamente anticomunistas. E, como tal, sentem a necessidade, até mesmo psicológica, de se agarrarem ao cordão umbilical que os mantém presos ao útero esquerdista. Desse modo, podem criticar a esquerda (a "carnívora") sem parecerem "reacionários" ou "fascistas". Fazem, como Arnaldo Jabor em relação aos desmandos éticos do PT, uma crítica de esquerda ao bolivarianismo.
O exemplo de Mario Vargas Llosa ilustra à perfeição a persistência do talvez mais arraigado tabu de todos os tempos: o que os norte-americanos chamam de anti-anticomunismo. Consiste esse tabu na proibição de se declarar anticomunista, mediante a matização da esquerda, embora não se faça o mesmo com a direita, vista sempre como um bloco único, monolítico. Esse tabu é tão forte que se revela facilmente diante da escolha entre um esquerdista bolivariano travestido de democrata como Humala e uma picareta como Keiko Fujimori.
Basta um pequeno exercício para comprovar essa realidade. Existem milhares de ex-comunistas, que são vistos até com certa simpatia pelo mainstream. Todos conhecem pelo menos um. Mas quantas pessoas você conhece, prezado leitor, que, já tendo transitado um dia por algum partido ou organização comunista, declaram-se abertamente anticomunistas?
Fernando Gabeira, Dilma Rousseff, Antonio Palocci, José Dirceu - para citar os brasileiros - foram marxistas na juventude ou ligados, de uma forma ou de outra, à ideologia comunista. Quantos, porém, chegaram ao nível de um Arthur Koestler, um Vladimir Bukowski, um Raymond Aron, e se tornaram anticomunistas?
Ser ex-comunista (e nem precisa ser "ex"), no Brasil e na América Latina, continua a ter um certo charme, é algo considerado até mesmo sexy e aceitável. Mas, anticomunista? Ah, isso não... Dizer-se anticomunista (ou conservador) é declarar-se morto política e socialmente; é passar recibo de reacionário, de ultra-direitista, de intolerante, de anti-democrata e de anti-progressista. Curiosamente, não se diz o mesmo de quem se apresenta como antifascista. É permitido ser ex-comunista (ou mesmo comunista), mas não (nunca, jamais!) anticomunista. É a teoria do "totalitarismo favorito", tão brilhantemente analisada por Jean-François Revel.
Por não terem coragem de cruzar o Rubicão ideológico, muita gente contribui para manter acesa a ilusão comunistóide ou marxistóide, autoenganando-se com adjetivos eufemísticos como "moderado" ou "vegetariano". Em nome da conservação de uma antiga paixão ideológica de juventude, deixam-se cegar pela perda do senso de proporções. Nem um Prêmio Nobel como Vargas Llosa escapou dessa armadilha mental.
terça-feira, junho 14, 2011
VERGONHA
Achou revoltante? Então leia o que vem em seguida.
Após esse crime, Achille Lollo, condenado a 18 anos de cadeia por um tribunal italiano, seguiu o mesmo caminho de seu compatriota e colega de ideologia Cesare Battisti, e fugiu da Itália. Assim como aquele, passou por vários paises, vindo parar no Brasil. Aqui, encontrou amigos generosos, dispostos a dar-lhe refúgio. Durante alguns anos, filiou-se ao PT. Depois, consta que foi um dos fundadores do PSOL, aquele partido de gente maravilhosa e do bem, como o deputado Chico Alencar e o ex-BBB Jean Wyllis. Protegido por seus amigos brasileiros, ele viveu a dolce vita no Rio de Janeiro durante anos, impunemente.
Em 2005, a pena de Achille Lollo foi declarada prescrita pela Justiça da Itália. Sem o risco de parar atrás das grades, ele resolveu voltar finalmente para o país natal. Lá chegando, saiu-se com a seguinte pérola de defesa: sim, ele jogou gasolina no apartamento, mas não foi ele quem acendeu o fósforo. Ou seja, zombou da Justiça italiana até o fim.
A pena de Lollo pode estar prescrita, mas o crime que ele cometeu ficará para sempre na lembrança de todos. Provavelmente ele viverá muitos anos ainda, gozando das benesses do sistema que tentou destruir. Quanto a Mario, Virgilio e Stefano Mattei, a vida destes não poderá ser recuperada. Cometeram um erro: morreram do lado errado.
A vida no Brasil parece ter feito bem a Achille Lollo. Eis uma foto recente dele, o revolucionário humanista:
Gostaria de achar uma palavra para descrever o asco que sinto. Mas as fotos acima já dizem tudo.
Eles não têm vergonha? Eu tenho por eles.
sábado, junho 11, 2011
RETRÁTU DU INTELEQUITUAU BRAZILÊRU
sexta-feira, junho 10, 2011
ELOGIO DA IGNORÂNCIA
O texto, como se tornou praxe nesses casos, está sendo divulgado em uma “nota pública” por um conglomerado de sindicatos e de associações de professores, certamente receosos de perderem a boquinha que conseguiram no governo dos companheiros após a reação da parte da sociedade que pensa contra mais esse absurdo da era lulopetista (nessas horas, eles se apóiam, assinam manifestos, tudo em nome da "classe"). Tendo isso em mente, fica mais fácil explicar o que segue. Vai em vermelho. Comento em seguida.
A fala dos pobres: muito barulho por nada
Trabalho há mais de 20 anos com formação inicial e continuada de professores do ensino fundamental e tenho procurado discutir com eles sobre a legitimidade dos falares populares, a necessidade de reconhecer que a língua dos pobres tem regras próprias, expressividade e economia de recursos.
Notem que o texto começa com um argumento de autoridade (“Trabalho há mais de 20 anos na área” etc.). A idéia é dizer “eu sou especialista, você não; logo, eu sei mais do que você" - algo que poderia valer para alunos do jardim-de-infância, que desconhecem ainda a diferença entre um nome e um verbo. A questão não é sobre a legitimidade dos falares populares (seja lá o que isso significa), mas sobre gramática. Desconheço a existência de uma “língua dos pobres” - conheço apenas a língua portuguesa. Falar “nóis pega os peixe” não é “língua de pobre” - é língua de quem nunca ouviu falar em regras gramaticais. Pobre não é sinônimo de ignorante. Assim como rico não é o mesmo que intelectual. Preciso explicar por quê?
Não é prestigiada socialmente, não tem valor no mercado de empregos de colarinho branco, não é admitida na Academia, mas, do ponto de vista linguístico, é tão boa quanto o dialeto chamado padrão.
Essa é a base da teoria do “nóis pega os peixe”: a norma culta e a língua chamada popular estariam no mesmo nivel, têm o mesmo valor, e corrigir alguém por não concordar sujeito com verbo é “preconceito linguístico”. Só tem um problema: “tão boa” para quem? Só se for para professores de sociolinguística acometidos de delírio populista, que acham que Camões e Tiririca estão no mesmo patamar de igualdade.
A diferença maior é que os falantes do dialeto padrão têm o poder político, social e econômico que falta aos pobres.
Ah bom! Agora entendi tudo. A gramática é uma forma de dominação das elites... Só falta dizer que a Matemática e a Geometria são instrumentos da exploração da burguesia.
Só não entendi uma coisa: se a língua é um instrumento da dominação do homem pelo homem, como dizia Stálin, então qual o sentido de se ensinar Português nas escolas? Se falar errado é certo, para quê corrigir? Em vez de Machado de Assis, o modelo de bom uso do idioma deveria ser o Lula.
Não cabe à escola ignorar, ou censurar as variantes populares, mas sim respeitar a fala dos alunos e, ao mesmo tempo, ensinar a todos a empregar também a norma culta em ocasiões sociais que exigem um registro formal da língua e, principalmente, como usá-la na escrita.
Cabe às escolas ensinar, mostrar a diferença entre o certo e o errado, em primeiro lugar – coisa que as escolas brasileiras fazem mal e porcamente, diga-se –, e não deixar de fazê-lo sob o pretexto de que é “preconceito linguístico”. Respeitar a variedade linguistica é diferente de decretar a não-validade da gramática em certos casos. A variedade linguística não deve ser confundida com ausência de regras. Se não, teremos um preconceito... contra a gramática!
Sobre isso é que interessa discutir agora, e não dar continuidade a esta polêmica estéril sobre um livro destinado a jovens e adultos que reconhece a existência e a legitimidade de formas verbais típicas dos dialetos populares.
As pessoas que criticaram o livro em questão – que provavelmente não leram – devem ler o capítulo “Escrever é diferente de falar”, para constatar que a autora assume uma posição equilibrada e academicamente justificada em relação às variações dialetais. Além disso, o capítulo contém numerosos exercícios de concordância nominal e verbal e pontuação, rigorosamente de acordo com a gramática da norma culta. Uma ou duas frases, fora do contexto do capítulo, estão sendo utilizadas para condenar um livro e a posição da autora em favor da língua dos pobres.
Eu li a parte do livro que ensina que não há qualquer diferença entre dizer "nós pegamos" e "nós pega" (detalhe: não na fazenda ou na rua, mas na escola). Acredito também que muitos leram. Se ainda não o fizeram, vejam por si mesmos e tirem suas proprias conclusões (cliquem para ampliar):
Agora me digam, com toda franqueza: é ou não é apologia do erro?Marlene Carvalho se diz professora. Professora de quê? Só se for de sociolinguística. Quanto à disciplina Língua Portuguesa, melhor não deixar que ela chegue perto de crianças.
POR QUE BIN LADEN NÃO SE ESCONDEU NO BRASIL?

Battisti e seus amigos: verdadeiros humanistas
O engraçado (para não dizer o trágico) dessa situação surreal é que hâ mesmo quem se encha de indignação contra o waterboarding em prisioneiros da Al Qaeda pelas forças de segurança dos EUA, mas não diga uma palavra em favor dos direitos dos mortos pelos terroristas de esquerda. Os petistas que defendem Battisti alegaram, entre outros motivos para não entregá-lo à Justiça italiana, que ele estava doente. Essa gente é mesmo movida por um forte sentido humanitário.
O Brasil virou o cafofo do Battisti. Osama Bin Laden cometeu um erro ao refugiar-se no Paquistão. Deveria ter vindo para o Brasil. Aqui, com o apoio de tantos amigos influentes como Tarso Genro e o senador Suplicy, ele certamente receberia o status de refugiado político. Poderia até iniciar uma parceria com Antonio Palocci, como consultor. De direitos humanos.
Mas também, que coisa essas vítimas de Battisti, heim? Quem mandou ser assassinado pelas balas da esquerda? Não sabiam que terrorismo é só o que a direita faz? Os cadáveres precisam aprender a morrer do lado certo.
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P.S.: Somente para lembrar, aí vai uma lista dos assassinatos atribuídos a Battisti:
6 de junho de 1978, Udine - Antonio Santoro, agente penitenciário, é assassinado por Battisti e outro cúmplice que declarou que ele - Battisti -disparou a arma.
16 de fevereiro de 1979, Santa Maria di Sala - Lino Sabbadin, açougueiro, depois de reagir ao roubo cometido por Battisti e seus comparsas, é brutalmente assassinado por Diego Giacomin. Battisti dava cobertura no momento do crime.
19 de abril de 1979, Milano - Segundo testemunhas, Battisti atira diversas vezes no agente da DIGOS (Divisão de Inteligência da Polícia), Andrea Campagna, que foi um dos responsàveis pela investigação do caso de Torregiani.