sexta-feira, junho 10, 2011

POR QUE BIN LADEN NÃO SE ESCONDEU NO BRASIL?

Por 6 votos a 3, o STF decidiu que Cesare Battisti merece a liberdade. Os senhores ministros, depois de muito deliberarem sobre o assunto, concluíram que o terrorista homicida não é um terrorista homicida (parte da imprensa já havia decidido o mesmo antes, pois só o chama de “ativista”...). Decidiram também que a Itália, cuja Justiça condenou Battisti por quatro assassinatos nos anos 70, em um processo judicial limpo, não é um paîs democrático. Nisso estão de acordo com o Apedeuta, que rasgou no último dia do mandato um tratado de extradição entre os dois países.





Battisti na juventude: o idealismo estampado na cara


Segundo o STF, Battisti não é um terrorista, e o grupo a que ele pertenceu, que tinha o singelo nome de Proletários Armados para o Comunismo (PAC), era um clube de escoteiros. Também de acordo com os senhores ministros, a Itália não é uma democracia. Democracia é Cuba, cujos presos políticos Lula-Apedeuta já comparou a bandidos. O STF já decretou cartorialmente a nulidade de um Artigo da Constituição no caso do “casamento gay”. Agora decidiu que terrorismo não é crime.

Entre os argumentos utilizados pelos juízes da Suprema Corte para livrar a cara de Battisti, estava o de que a Justiça italiana, ao exigir a extradição do criminoso, estava cometendo uma “ingerência” em um “assunto interno” do Brasil. Ingerência? Assunto interno? Desde quando querer que um assassino condenado judicialmente seja extraditado para cumprir pena por seus crimes no país onde eles foram cometidos é ingerência (ainda mais em um “assunto interno”)? O governo Lula-Dilma, e agora o STF, é que cometeram uma gravíssima ingerência na política italiana, ao protegerem um facínora com argumentos de Policarpo Quaresma. O nacionalismo é mesmo o último refúgio do velhaco.

Quando uma tropa de elite dos EUA matou Osama Bin Laden, uma tropa parlamentar liderada pelo senador Eduardo Suplicy chorou a morte do megaterrorista, alegando profundas preocupações humanitárias. Agora esses mesmos humanistas do terror comemoram a soltura do terrorista homicida Battisti. Nenhum deles solta uma lágrima pelas vítimas. Direitos humanos é coisa preciosa demais para ser desperdiçada com as famílias dos mortos, pensaram. Vejam a foto a seguir (Suplicy está na foto):


Battisti e seus amigos: verdadeiros humanistas


O engraçado (para não dizer o trágico) dessa situação surreal é que hâ mesmo quem se encha de indignação contra o waterboarding em prisioneiros da Al Qaeda pelas forças de segurança dos EUA, mas não diga uma palavra em favor dos direitos dos mortos pelos terroristas de esquerda. Os petistas que defendem Battisti alegaram, entre outros motivos para não entregá-lo à Justiça italiana, que ele estava doente. Essa gente é mesmo movida por um forte sentido humanitário.


O Brasil virou o cafofo do Battisti. Osama Bin Laden cometeu um erro ao refugiar-se no Paquistão. Deveria ter vindo para o Brasil. Aqui, com o apoio de tantos amigos influentes como Tarso Genro e o senador Suplicy, ele certamente receberia o status de refugiado político. Poderia até iniciar uma parceria com Antonio Palocci, como consultor. De direitos humanos.


Mas também, que coisa essas vítimas de Battisti, heim? Quem mandou ser assassinado pelas balas da esquerda? Não sabiam que terrorismo é só o que a direita faz? Os cadáveres precisam aprender a morrer do lado certo.


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P.S.: Somente para lembrar, aí vai uma lista dos assassinatos atribuídos a Battisti:


6 de junho de 1978, Udine - Antonio Santoro, agente penitenciário, é assassinado por Battisti e outro cúmplice que declarou que ele - Battisti -disparou a arma.


16 de fevereiro de 1979, Santa Maria di Sala - Lino Sabbadin, açougueiro, depois de reagir ao roubo cometido por Battisti e seus comparsas, é brutalmente assassinado por Diego Giacomin. Battisti dava cobertura no momento do crime.


16 de fevereiro de 1979, Milano - Pierluigi Torregiani, também brutalmente assassinado por ter reagido anteriormente a um assalto numa pizzaria, cometido pelo grupo de Battisti. Esse crime foi ainda mais hediondo por dois motivos: o grupo retornou ao local para "acertar contas" com Pierluigi por ter atirado num dos comparsas na tentativa anterior, e também porque o grupo atinge o filho adolescente de Pierluigi - Alberto, que até hoje vive paralisado numa cadeira de rodas por conta dos disparos. Eis uma foto recente de Alberto Torregiani:

19 de abril de 1979, Milano - Segundo testemunhas, Battisti atira diversas vezes no agente da DIGOS (Divisão de Inteligência da Polícia), Andrea Campagna, que foi um dos responsàveis pela investigação do caso de Torregiani.

quinta-feira, junho 09, 2011

É CADA UMA...

Outro que resolveu acampar por aqui, sem dizer o nome, acha que o ofendi por chamá-lo de maconhista (e não de maconheiro - aliás: que nome se deve usar para quem puxa uma erva? deixa pra lá...) porque apontei seu déficit de atenção ao tratar da questão das drogas. Ele acha que faço isso porque sou um preconceituoso, é só porque ele quer achar uma solução dentro da lei para as drogas, ora que coisa! A "solução dentro da lei" que ele achou é sensacional: tornar legal o narcotráfico. Genial, não?

Ele faz uma pergunta que é, realmente, coisa de gênio. Vou reproduzir aqui, porque é mesmo uma pérola de lógica e bom senso:

Como as FARC sairiam lucrando se, pela minha premissa, não se poderia comprar de nenhuma rede ligada ao tráfico? Se a produção seria interna (interna significa dentro do Brasil, pois acho que isso não ficou claro para o senhor) como traficantes de fora do país continuariam a controlar a produção, refino, comercialização e distribuição de drogas como a cocaína?

Eu já disse, num outro post, quem controla a produção, refino, distribuição e comercialização de cocaína no mundo. Não adiantaria repetir que são as FARC, pois o leitor não sabe do que estou falando (ou já torrou todos os neurônios defendendo a idéia maconhista). Vou fazer apenas uma pergunta.

Diga-me como, caro leitor, a produção de maconha ou de cocaína "seria interna" (assim como todo o ciclo produtivo-distributivo)? Isso significa que toda a produção se destinaria somente ao mercado interno? A importação e exportação do produto seriam proibidas? Haveria barreiras comerciais e tarifas protecionistas? Por que não transformar a erva e a coca em commodities? E onde se conseguiriam as mudas e sementes? E o know-how necessário? Quem passaria a produzir em fazendas? Haveria um fundo especial do Banco do Brasil para estimular a produção? A EMBRAPA receberia verbas para pesquisas na área? E que rede de farmácias ou supermercados passaria a comercializar o produto? Pelo visto o leitor deve ter um plano detalhado de como isso se daria.

Tenho uma sugestão: já que se lançou a idéia de uma "indústria brasileira regulamentada pelo Estado" etc., proponho a criação de mais uma estatal: a MACONHABRÁS. Que tal? Vamos defender a soberania também nessa área. A cannabis é nossa! (E por que não a COCAINABRÁS, a HEROINABRÁS e a CRACKOBRÁS? Seriam ótimos cabides de emprego.)

Como se vê, falta lógica e coerência nas minhas respostas ao amigo maconhista. Quem sabe se eu ficar bem fumadão e cheiradão eu tenha uma idéia tão luminosa quanto a do caro leitor. Quem sabe eu até vire presidente de alguma dessas estatais.

É cada um que aparece, viu?

ATENTADO CONTRA A INTELIGÊNCIA

Um leitor insistente (quase que uso outro adjetivo), o Zé, me deu uma boa idéia. Como ele está indignadíssimo porque os EUA teriam usado o waterboarding para arrancar informações vitais de terroristas presos que levaram à localização do finado Osama Bin Laden, e portanto acha que não deveriam ter feito o que fizeram para passar o rodo no maior terrorista da História, resolvi fazer mais uma enquete.

Já que o Zé não quer dizer que outro método de interrogatório ele considera menos desumano e mais eficiente do que o waterboarding, nas condições da atual guerra ao terrorismo islamita, lanço a pergunta no blog:

Para você, leitor, que outro método, mais humanitário e que não fira os sentimentos do terrorista preso, os EUA deveriam ter usado para pegar o Osama?

a) hipnose;

b) telepatia;

c) conversar;

d) teatro infantil;

e) terapia de vidas passadas.

Eu, como sou um bandido, um facínora, um torturador cruel e desumano, tenho uma idéia melhor, mais pé-no-chão. Que tal submeter o prisioneiro aos seguintes tratamentos?

a) obrigá-lo a ouvir 24 horas de axé-music, sertanejo e pagode;

b) exigir que analise, frase por frase, os discursos de Dilma Rousseff (mas com moderação: a coisa é muito forte e pode causar danos cerebrais irreversíveis);

c) fazê-lo encontrar a parte da Declaração Universal dos Direitos do Homem que iguala waterboarding a choques elétricos no pau-de-arara;

d) matriculá-lo num curso de "como odiar os EUA fingindo defender a democracia e os direitos humanos", ministrado por Noam Chomsky e Hugo Chávez.

Não sei quanto a quem lê este post, mas, para mim, qualquer das opções acima me parece pior do que o waterboarding. Um verdadeiro crime e um atentado contra os direitos humanos, digno de levar o autor ao Tribunal de Haia.

Quanto a quem não tem coragem de criticar abertamente a ação norte-americana que livrou o mundo de monstros genocidas como Bin Laden, e que usa o waterboarding como desculpa para chorar a morte desse facínora e exercitar o esporte predileto dos idiotas (ou seja: atacar os EUA, não importa o que façam)... bem, só me resta repudiar mais esse atentado terrorista contra a inteligência e o bom senso.

MACONHA EMBURRECE



Ai, que tédio!...

Em um post anterior, escrevi que tenho mais o que fazer do que ensinar o bê-a-bá a maconhistas. Apesar disso, vou voltar ao assunto, mais uma vez (espero – mesmo - que seja a última).

Um anônimo candidato ao Nobel encasquetou que achou a solução ideal para o problema das drogas: basta liberar, e pronto. Respondi, com fatos e argumentos – citando inclusive o caso da Lei Seca nos EUA, oportunisticamente usado pelos pró-maconhistas -, que essa idéia, a descriminalização, é uma idiotice. O tal leitor (!) porém, não se convenceu, e, em vez disso, resolveu dar mais uma prova de que as drogas fazem mesmo mal ao cérebro.

Vejam o que ele (que ainda por cima me chama de “senhor”, ai jesus...) cometeu, digo escreveu:

O senhor pelo visto não presta a atenção no que eu escrevo. Nos dois comentários que escrevi fui bem claro quando disse:

QUE NÃO SERIA PERMITIDA A COMPRA DE DROGAS DO NARCOTRÁFICO, ISSO INCLUI AS FARC.

Portanto, a legalização exige produção e supervisão interna (dentro do país) dessa "nova indústria" pelo governo.

PS: Só para garantir, pois você pode não ter lido antes:

COM A LEGALIZAÇÃO E A REGULAMENTAÇÃO, NÃO SERÁ PERMITIDA A COMPRA DE DROGAS DO NARCOTRÁFICO, ISSO INCLUI AS FARC E QUALQUER REDE LIGADA AO TRÁFICO DE DROGAS.

Entendeu ou quer que eu desenhe?


Não, meu amigo maconhista, eu li sim o que você escreveu. Acho que você é que não estava no seu estágio mental normal e não prestou atenção ao que escreveu. Primeiro, porque a compra de drogas no narcotráfico já é proibida. Além do mais, você deixou claro que não leu – ou se leu, não entendeu, porque deveria estar meio enevoado para entender qualquer coisa – nadinha que eu escrevi. Por isso vou repetir, embora deteste fazê-lo, só para garantir. Vamos lá, preste atenção:

Meu amigo, sabe quem mais sairia lucrando com a “legalização regulamentada” das drogas? Já disse no outro post, mas parece que ele não entendeu: as FARC. Quer saber por quê? Porque a legalização significaria tão-somente dar mais poder a quem controla a produção, refino, comercialização e distribuição das drogas. E quem controla a produção, refino, comercialização e distribuição de drogas como a cocaína? Resposta: as FARC. Ficou entendido?

Vamos ver se dessa vez o cara entende. Posso até desenhar, mas, por favor, não me peça pra pegar na mão, OK?

Aí está mais um motivo para ser contra a legalização da maconha: fumar erva causa perda de neurônios e dislexia. Aí está o comentário acima para provar.

quarta-feira, junho 08, 2011

OS HUMANISTAS DO TERROR - II

Lá vou eu responder de novo ao Zé, o leitor para o qual eu sou um torturador cruel e malvado porque aplaudi a ação norte-americana que livrou o mundo do Bin Laden. Ele despeja aqui toda sua indignação humanista:

Ok, eu desisto. Você acaba por vencer a conversar não pelo argumento, mas sim pela tua burrice excessiva!

Cada dia eu aprendo algo novo. Agora descobri, graças ao Zé, que se pode vencer um debate por burrice (ainda por cima “excessiva”). Vivendo e aprendendo.

Não Zé, por favor não desista! Não prive os leitores da delícia de criticar minha burrice excessiva por pedir que você mostre um método de interrogatório menos brutal e mais eficaz do que o waterboarding. Voce já estava quase me convencendo de que o waterboarding é uma prática tão cruel e desumana quanto esmagar dedos e aplicar choques elétricos nos genitais. Não nos deixe sem sua sabedoria.

(Por falar em burrice, “você” e “tua” gramaticalmente não combinam na mesma frase. Acredito que o Zé quis dizer “sua burrice excessiva”.)

Se os tais cadetes de West Point aceitam tal ritual imbecil, problema deles, afinal foi o direito deles de escolher entrar para o lugar. Mas acho que um prisioneiro não escolhe ser torturado. Não misture coisas com sua ironia vulgar. Incluir época medieval e etc. não faz o menor sentido para a discussão.

O que é isso, Zé? Que conversa é essa de dizer “é problema deles” que os cadetes de West Point sofram waterboarding de seus colegas por diversão? De jeito nenhum! Afinal, eles também são seres humanos, merecem ter seus direitos respeitados, ou não? Ou será que isso vale apenas para os terroristas da Al Qaeda? Cadê os direitos dos cadetes? Que absurdo!

Pois é, né? E eles ainda escolhem entrar nesse lugar, mesmo sabendo que é assim que os veteranos se divertem com os calouros. Para você ver que coisa terrível é esse tal waterboarding.

Mas então, estou esperando você me dizer o nome de alguma vítima de waterboarding que morreu ou ficou incapacitada por causa dessa cruel tortura medieval. Diga-me o nome de um, somente um, membro do Talibã ou da Al Qaeda que foi pro saco ou está hoje numa cadeira de rodas após ter sido submetido a essa prática bárbara.

Se disse que waterboarding funciona, é porque foi através deste método que os EUA conseguiram informações de seus prisioneiros (apesar de não duvidar que outros métodos poucos amistosos não tenham sido usados, apenas não foram divulgados). Mas o método é errado porque é tortura! E convenhamos, qualquer tortura funciona, basta ter o tempo necessário para isto. Não inverta as coisas.Tortura é crime, seja ela qual for.

Ok, o método é errado porque é tortura e tortura é errado etc, etc. Nesse caso, fico cada vez mais convencido de que o Zé conhece outro método de interrogatório mais adequado e que não fira a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Vamos ver.

Além do mais, realmente o waterboarding é um método muito controverso, pois afinal – vejam que coisa! – ele funciona! Ou seja: corre-se o risco de que ele leve à captura ou morte de terroristas. Que horror!

Você disse: “Assino embaixo. Tortura é um erro. Mais que isso: é um crime, independentemente do agente (e do agido, faltou dizer). Por isso é preciso que alguém diga que método de interrogatório menos desumano que o waterboarding existe para arrancar informações vitais de fanáticos da Al-Qaeda. Talvez o Zé saiba.”

Você não me parece considerar a tortura um erro, pois se assim considerasse não defenderia o waterboarding (que também é tortura). Se você quer um método menos desumano, por que não começa a procurar fora da tortura?

Opa! Quem disse que eu “defendo o waterboarding”? Aponte onde exatamente eu afirmei isso. Disse, e repito, que, nas condições atuais da guerra ao terrorismo islamita, ninguém apresentou método menos desumano, e que apelar para os Direitos Humanos no caso de Bin Laden, como muitos fizeram, é uma obscenidade.

Não, Zé, não sou eu que tenho que procurar um método menos desumano: é você, que critica os EUA por causa do waterboarding, que tem o dever moral de sugerir um método melhor, que gere resultados sem mutilar ou incapacitar o prisioneiro. Já sugeri o hipnotismo. Que tal obrigar os terroristas a escutar axé-music e sertanejo? (Não sei quanto a vocês, mas eu confessaria o que quisessem para escapar desse tormento.)

Aí você diz a pérola do dia: “Até porque os inimigos dos EUA estão se lixando para Direitos Humanos. Aí estão Cuba e Coréia do Norte para provar”.
Belíssimo argumento! Quer dizer que porque nossos inimigos torturam, nós vamos torturar também. Muito bem! Terroristas explodem duas torres nos EUA, devem os EUA atirar dois aviões no Irã e matar 3000 inocentes também? Cuba é comunista. Devemos nos converter ao comunismo também? Por favor, se os EUA são defensores dos Direitos Humanos, é errado agir ao contrário disto, mesmo com os inimigos. Responder na mesma moeda é agir fora da lei e do correto!


Ai Jesus... Essa falta absoluta de senso de proporções dos antiamericanos patológicos travestidos de humanistas é algo que não deixa de me surpreender. Agora defendo que imitemos os inimigos da liberdade... Logo eu, que pratico tiro ao alvo na foto do Coma Andante Fidel Castro todos os dias. Vamos lá, preste atenção.

Muito bem, Zé, então vamos imitar os comunas. Eles acham mesmo esse papo de direitos humanos coisa de burgueses e de boiolas. A primeira coisa que teríamos que fazer seria substituir o waterboarding por um método, digamos, socialista, como o choque elétrico e o chicote. Vamos mais além, e acabemos de vez com a liberdade de imprensa e de organização partidária, instituindo a ditadura do partido único. Mais que isso: acabemos com qualquer resquício de democracia, mesmo quando é usada para atacar a própria democracia – usando o waterboarding, por exemplo, como pretexto para condenar a operação que matou o Bin Laden.

Não utilizo os Direitos Humanos para livrar Bin Laden de nada. Os Direitos Humanos devem ser respeitados em si mesmos e não apenas parcialmente. Se Cuba trucida seus inimigos, a Coréia invade o espaço aéreo do Japão, os EUA são os primeiros a se manifestarem contra. Mas se o seu exército tortura seus inimigos, então está tudo certo, pois estes inimigos são terrorista (e, pelo teu argumento, não humanos), e por isso devem ser torturados!

Se o Zé tivesse um mínimo de honestidade, para nao dizer senso de realidade, deixaria de lado essa conversa mole de "não utilizo os direitos humanos para livrar a cara do Bin Laden" e admitiria de vez que é exatamente isso que ele faz. Talvez ele não perceba, pois seu ódio disfarçado aos EUA é tão grande que já o deixou cego ao significado das próprias palavras, ou talvez seja só um grande cínico mesmo. O fato é que seria muito mais honesto de sua parte. Pelo menos ele não passaria pelo vexame de tentar igualar, no plano moral, os EUA e tiranias como a de Cuba e a da Coréia do Norte... O waterboarding para eliminar terroristas e a tortura contra dissidentes de um regime totalitário, tudo no mesmo saco! Tsc, tsc.

Você considera os Direitos Humanos com algumas exceções, ou seja, parcialmente. Os Direitos Humanos são universais, independente de quem seja.

Isso mesmo, os direitos humanos são universais. E são algo sagrado demais para ser usado como desculpa para atacar os EUA por ter eliminado um monstro terrorista. Ao ver alguem fazendo isso, dá vontade de vomitar.

Falando sério: nenhum país leva tão a sério o respeito aos direitos humanos de seus inimigos quanto os EUA. Em nenhum outro lugar do planeta há tantas garantias e restrições à ação governamental, mesmo em tempo de guerra. Nenhum outro lugar está sob tamanho escrutínio por causa do tratamento que dá a seus prisioneiros. E nenhum outro é tão atacado por causa disso. Fico imaginando que tipo de reação teria qualquer outro país se tivesse sofrido ataque semelhante ao de 11 de setembro de 2001, que tipo de tratamento daria a um inimigo capturado que pudesse levar ao autor do atentado. Certamente, seria algo muito diferente do waterboading... (E duvido que houvesse essa celeuma toda.)

Fiquemos assim: o Zé me apresenta um método de interrogatório mais humano e tão eficiente quanto o waterboading para combater terroristas islamitas e eu saio às ruas carregando um retrato de Bin Laden e queimo uma bandeira dos EUA. Se ele não fizer isso, que tenha a decência, pelo menos, de reconhecer seu antiamericanismo primário e juvenil.

segunda-feira, junho 06, 2011

"É PÓ DE DEZ! É ERVA DE CINCO! QUEM VAI QUERER?"



Pequenos comerciantes ansiosos para terem seu negócio legalizado e pagarem impostos: tem gente que gostaria que assim fosse



Na boa? Essa conversa de “descriminar” a maconha (e a cocaína, e a heroína, e o crack...) já encheu o saco faz tempo. Tenho pouca paciência para os maconhistas e suas idéias chapadas. Mesmo assim, vou me dar ao trabalho de responder – mais uma vez... espero que seja a última – a um leitor anônimo que está tentando me converter à religião maconhista com base num argumento, digamos, “pragmático”.

Diz o leitor que todo o problema das drogas (e não só da maconha, vejam bem) estaria resolvido caso os governos simplesmente resolvessem legalizar o narcotráfico. Bastaria decretar que é legal produzir, comercializar e consumir maconha (e cocaína, e heroína, e crack...) e pronto! Todos os males que envolvem a questão, a começar pela violência, desapareceriam como num passe de mágica. O problema seria a proibição. Acabe-se com ela, e acaba-se com o problema. Simples assim.

No mundo da imaginação, onde habitam gnomos e fadas, talvez essa tese poderia conter algum grão de verdade. No mundo real, que é o habitado por este escriba, porém, as coisas são um tanto quanto diferentes.

Vejamos o que escreveu o leitor. Respondo em seguida:

Caro, estou tentando discutir o assunto dentro da legalidade. Em momento algum defendo o uso de drogas fora da lei ou que o tráfico deve permanecer como está. Minha sugestão foi trazer para legalidade substâncias que são consideradas ilícitas, da mesma maneira que foi feito nos EUA com a bebida. Pergunto-te (pois desconheço essa parte) como foi feito nos EUA para legalizar a venda de bebidas sem que isso legalizasse a máfia e o tráfico de bebidas?

Se foi possível fazer com as bebidas sem permitir que bandidos se tornassem empresários, por que você não acha possível fazer o mesmo com as outras drogas?

Minha proposta foi uma legalização regulamentada das drogas. Fui bem claro no meu post passado ao dizer que não seria permitida a compra de drogas do narcotráfico, isso inclui as FARC. Portanto, a legalização exige produção e supervisão interna dessa "nova indústria" pelo governo.

Vamos lá, com paciência (e é preciso uma dose extra de paciência para debater com um pró-maconhista).

Em primeiro lugar, “discutir dentro da legalidade”, a meu ver, só tem um significado: defender a Lei contra os que estão se lixando para ela, achando que queimar um baseado é mais importante. E a Lei proíbe o comércio e o consumo de drogas. Fumar unzinho e cheirar uma carreira de pó é compactuar com o crime. Ponto.

O leitor faz uma distinção, saída de sua própria cabeça, entre narcotráfico e o comércio legal de drogas – como se não fossem uma só e única coisa. Talvez por isso seja tão difícil para ele entender as consequências funestas da legalização. Mas vou tentar iluminar essa câmara escura.

Meu amigo, sabe quem mais sairia lucrando com a “legalização regulamentada” das drogas? Já disse no outro post, mas parece que ele não entendeu: as FARC. Quer saber por quê? Porque a legalização significaria tão-somente dar mais poder a quem controla a produção, refino, comercialização e distribuição das drogas. E quem controla a produção, refino, comercialização e distribuição de drogas como a cocaína? Resposta: as FARC. Ficou entendido?

(Aliás, já perceberam que, por trás da idéia maconhista, estão sempre amigos dessa organização narcobandoleira? Já escrevi sobre isso, como quem quiser poderá constatar aqui: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2009/10/conexao-narcoesquerdista.html)

O leitor me pergunta, pois confessa desconhecer essa parte, como foi feito nos EUA para legalizar as bebidas alcoólicas depois da proibição. Fico impressionado como alguém se apresenta quase como especialista na matéria, a ponto de propor a legalização das drogas, até mesmo citando o exemplo da Lei Seca nos EUA, e admite ignorar a história da mesma. Mas tudo bem, aproveito para explicar.

Para começo de conversa, a proibição da produção e venda de bebidas alcoólicas – a chamada Lei Seca – foi um momento excepcional na história dos EUA, tendo vigorado por alguns anos (mais precisamente: de 1919 a 1933). Durante esse período, tal proibição caracterizou uma exceção, não a regra – a proibição valia para os EUA apenas (Al Capone e outros mafiosos que exploravam a bebida ilegal traziam seu produto do exterior, em especial do Canadá). Nada, portanto, que possa ser comparado à proibição das drogas, que existe na maioria dos países.

“Como foi possível acabar com a proibição sem permitir que os mafiosos se tornassem empresários?”, é a pergunta cândida do leitor. Isso foi possível por dois motivos.

Primeiro, os mafiosos, como Al Capone, já estavam atrás das grades (este por uma acusação lateral, de sonegação de impostos), e as redes criminosas que exploravam o ramo de bebidas estavam desmanteladas (alguns mafiosos, depois, passaram-se para outros ramos, como o de jogo e... drogas).

Segundo, e mais importante: os mafiosos estavam longe, muito longe, de dominarem todo o ciclo produtivo-distributivo do uisque e da cerveja - quando a proibição foi finalmente revogada, na década de 30, os grandes produtores-distribuidores do produto estavam fora dos EUA, principalmente na Europa, onde a proibição de vinho e conhaque jamais ocorreu. Eles, enfim, agiam legalmente, como faziam há séculos. Foi por esse motivo que os gângsteres de Chicago e Nova York não se tornaram grandes empresários do uísque ou da cerveja.

Entendeu? É por isso que o fim da proibição da bebida, nos EUA, foi uma boa idéia, enquanto que fazer o mesmo com as drogas, hoje, seria um gesto de suprema estupidez. Seria unicamente entronizar o crime organizado, dando-lhe ainda mais poder.

Não é preciso ser um gênio para perceber que não há absolutamente nada em comum entre o fim da Lei Seca nos EUA nos anos 30 e a legalização das drogas. Esse tipo de associação malandra só pode ser o resultado de ignorância ou de vigarice intelectual. Ignorância, aliás, que o leitor já confessou a respeito da questão.  

Além do mais, se o objetivo da legalização, como diz o leitor, é criar uma nova indústria, geradora de emprego, renda e impostos, então o que explica a animosidade dos maconhistas às indústrias do fumo e do álcool, a ponto de as leis coibindo o cigarro em lugares públicos avançarem de forma inversamente proporcional aos movimentos pela legalização do baseado? Não seria exatamente – é só uma suposição – porque o álcool e o tabaco, ao contrário da maconha (e da cocaína, da heroína, do crack...) são uma “indústria”?

Enfim, toda essa lenga-lenga pró-maconhista não passa de uma desculpa para favorecer quem já lucra milhões de dólares produzindo e vendendo essa porcaria. Os narcoterroristas das FARC e Fernandinho Beira-Mar devem estar adorando. Não vêem a hora de trocar o uniforme camuflado e a roupa de presidiário por um elegante terno Armani e se tornarem grandes empresários do novo negócio legal da maconha e da cocaína. Executivos respeitáveis, geradores de empregos e pagadores de impostos... Certamente, adorariam participar de uma “marcha da maconha”.

Já estou até vendo como seria. Passeando pela rua, deparo com uma loja em que um vendedor, em altos gritos, anuncia o produto:

- Vamos entrando, cliente, é só aqui: maconha da boa, direto do Paraguai: só cinco reais a trouxinha! Cocaína da pura, só dez reais o grama! Sensacional promoção: compre três e leve, inteiramente grátis, um lança-perfume!

Querem saber? Há coisas mais importantes que requerem minha atenção. Tenho mais o que fazer do que ficar explicando o bê-a-bá para maconhistas.

OS HUMANISTAS DO TERROR

Mais uma do Zé, o humanista, que acha muito feio o que os EUA fizeram para despachar o Bin Laden. Ele não desiste. Para seu azar, eu também não.

Não confunda as coisas. Não apelo para os Direitos Humanos para livrar ninguém de sua devida punição, muito menos um terrorista como Bin Laden, não me acuse de algo que eu não disse.

OK, Zé, você não apela para os Direitos Humanos etc. e tal. Vou lembrar disso até o final do texto.

NÃO odeio os EUA, mas também não os idolatro como alguns. Se eles cometem algo indevido não vou me fingir de cego e dizer que está tudo bem, porque afinal, “eles nos livraram de Bin Laden”.

Nao odeia os EUA, apenas o que eles fizeram... O “algo indevido” a que Zé se refere é o waterboarding, que para ele é tortura e invalidaria toda a operação que levou à morte de Bin Laden no Paquistão. Falarei sobre isso mais adiante.

Ter Bin Laden morto é um alívio. Mas não é esta a questão que eu coloquei, e você insiste recorrentemente em desviar tal questão. Eu estou falando de TORTURA.

E eu estou falando de waterboarding. Quem está se desviando da questão?

Agora se você não acha que waterboarding é um tipo de tortura, temos então uma outra questão a ser resolvida. Sei muito bem do que se trata o waterboarding e considero isto um tipo de tortura. Se assim não fosse, o que levaria a pessoa torturada (ou waterboardiada) a abrir o bico? Será porque ela acha legal? Uma espécie de diversão que em troca de se divertir a pessoa em questão fala o que os torturadores (ou waterboardeadores) querem saber? Ridículo! Waterboarding é tortura e, como pudemos ver, funciona muito bem!

Tá bom, waterboarding é tortura etc. e tal. Os cadetes de West Point que passam pelo ritual anualmente têm, portanto, que buscar imediatamente um advogado e acionar as Forças Armadas norte-americanas por causa dessa prática abominável. Também todos aqueles que ficaram aleijados ou incapacitados para o resto da vida por terem sido submetidos a esse tormento medieval devem entrar sem tardar com um processo no Tribunal Internacional de Haia contra os EUA. Sem falar nos parentes dos cidadãos mortos em alguma sessão dessa prática cruel e desumana.

Só tem uma coisa que está me deixando encafifado: se o waterboarding, como o próprio Zé admitiu, funciona muito bem, e foi o que permitiu aos Navy Seals meterem uma bala no Bin Laden, o Zé está dizendo que toda a ação que eliminou o Bin Laden foi errada, certo? Sim, porque se um método "funciona muito bem", e foi o que permitiu a eliminação do terrorista, a questão deixa de ser se waterboarding é tortura ou não, mas se leva ou não ao fim almejado. Ou seja: foi errado não porque é tortura, mas porque funciona! (E muito bem, como reconheceu o Zé.) Portanto, ele está preocupado não com os direitos humanos do Bin Laden, mas com o fato de que práticas como o waterboarding se mostram eficazes no combate aos terroristas.

Agora respondendo a tua pergunta: “que erro os EUA cometeram? Livrar o mundo de Bin Laden?”
Não, livrar o mundo de Bin Laden foi algo acertado. A tortura foi o erro. E a tortura sempre será um erro inadmissível independente de que seja o agente.

Assino embaixo. Tortura é um erro. Mais que isso: é um crime, independentemente do agente (e do agido, faltou dizer). Por isso é preciso que alguém diga que método de interrogatório menos desumano que o waterboarding existe para arrancar informações vitais de fanáticos da Al-Qaeda. Talvez o Zé saiba.

Quanto a sua indignação:

Acredito que ele quis dizer indagação (e não “indignação”...).

“Agora fiquei intrigado. Se o Zé é leigo no assunto, então por que condena a forma como os EUA acabaram com o Bin Laden? É o mínimo que se espera: se alguém critica os EUA por terem usado o waterboarding para arrancar informações de terroristas presos que permitiram chegar até o cafofo do Osama, tem o dever de, pelo menos, sugerir um método melhor. Que tal hipnotismo?”
Não é porque sou leigo em assuntos militares, que eu não consiga distinguir claramente o método usado como sendo tortura. E isso me permite a crítica. Ou você concorda com todos os filmes que vê só porque não é diretor de cinema? Independente de ser um general de guerra, posso discordar plenamente do método usado. Método este condenado na declaração dos direitos humanos. Para os países signatários, não há exceção!

OK, Zé, você acha que waterboarding é tortura. Só me resta repetir o que disse antes sobre o assunto.

E mais uma vez, não custa lembrar: continuo a esperar um plano elaborado de captura do Bin Laden que exclua o waterboarding. Quem condena os EUA pelo que fizeram tem a obrigação moral de dizer como deveriam ter agido. Se não o fizer, vou me convencer que é só mais um antiamericano empedernido em busca de um pretexto para atacar o “império”. Até porque os inimigos dos EUA estão se lixando para Direitos Humanos. Aí estão Cuba e Coréia do Norte para provar.

Mas o mais interessante: Zé começou o comentârio dizendo o seguinte: “Não apelo para os Direitos Humanos para livrar ninguém de sua devida punição, muito menos um terrorista como Bin Laden, não me acuse de algo que eu não disse”.

Eu não acuso, Zé. Aí está você que não me deixa mentir.

Em outro post, escrevi que invocar os Direitos Humanos no caso do Bin Laden (ou dos criminosos nazistas) é uma obscenidade. Aí está o leitor novamente para comprovar o que eu disse.

domingo, junho 05, 2011

LEGALIZAR MACONHA É COISA DE QUEM FUMOU TODA A LÓGICA E QUER TROCAR O RESPEITO À LEI POR UM CAPRICHO ADOLESCENTE





Capitão Nascimento e Eliot Ness: respeito à Lei é bom e eu gosto


Um leitor anônimo julga ter encontrado a solução perfeita para o problema das drogas. Comentando meu último post sobre o tema, ele escreveu o seguinte. Transcrevo de uma vez só, na íntegra.

Novamente você atropela os argumentos para chegar logo a conclusão. No fim acaba por concluir indevidamente.Se os EUA um dia tiveram uma lei seca que não permitia a venda de bebidas e hoje em dia possuem todo o suporte legal para a venda de bebidas, significa que etapas foram cumpridas.Ao se permitir a venda de bebidas, se permite a compra e a venda de bebidas legalmente estabelecidas. Os EUA importam bebidas reconhecidamente dentro das normas da lei, assim como produzem da mesma maneira.Se as drogas fossem legalizadas não seria diferente. Ao se criar uma indústria de maconha, por exemplo para citarmos uma das drogas. A indústria funcionaria com o plantio da erva em lugares regulamentados, a extração e a fabricação seriam feitas por empresas regulamentadas que pagariam impostos e receberiam um selo de permissão para venda. A compra do narcotráfico não seria permitida. Isso é fácil de conceber.Concordo plenamente quando você diz que "numa democracia, a lei deve ser sagrada, vale para todos". E é por isso mesmo que falo em legalizar, tornar legal e passar a fazer parte da lei a permissão para a compra, venda e uso de drogas dentro de normas rigorosamente estabelecidas. Portanto, a legalização leva antes a uma rigorosa regulamentação determinando categoricamente como se deve fazer perante essa legalidade.Agora, por favor, dizer que "Tropa de Elite" quebrou tabus é o fim. O filme até que não é dos piores, mas não inovou em nada. "Cidade de Deus" já mostrava tudo isso: badidagem, classe média comprando drogas, briga pelo poder, corrupção policial. "Tropa de Elite" nada mais é do que uma propaganda discarada do BOPE. Transformar "Capitão Nascimento" em heroi é demais!Quanto aos "Intocáveis" isso sim foi uma escolha excelente!

Que beleza, não? Depois de ler o que está aí em cima, fica-se com vontade de perguntar: afinal, por que não se legaliza logo o comércio de maconha (e de cocaína, e de heroína, e de crack) de vez? Afinal, como afirma o leitor, é algo que só traria benefícios: uma indústria regulamentada e geradora de empregos, pagadora de impostos etc. Igualzinho às indústrias de bebidas e de cigarros. Já consigo até vislumbrar os anúncios: "Marlboro Cannabis, menos alcatrão, mais cânhamo". Ou: "Cheire Coca: é o maior barato". Um novo ramo da economia seria aberto. E o mais importante: seria o fim do narcotráfico.

Acho que, depois dessa, Platão, Tomás Campanella e Thomas More ficariam com vergonha das pobres utopias por eles idealizadas. Sugiro que o leitor apresente sua proposta revolucionária à ONU. É caso, no mínimo, para um Nobel da Paz.

Pois é, né? Quando a esmola é grande demais, o cego desconfia, como se diz lá na minha terra. O bem-intencionado leitor só se esquece de um pequeno detalhe, coisa sem importância: quem, caro leitor, controla o comércio (ainda) ilegal de drogas? Já dei uma pista no post anterior, mas vou lhe ajudar: são quatro letras. Adivinhou? OK, vou ser mais explícito: quem são os maiores produtores e distribuidores de cocaína do mundo? Se você pensou nas FARC, acertou em cheio.

Pois bem. O que aconteceria se o governo do Brasil, hoje o maior destino das exportações de cocaína vindas dos acampamentos das FARC, ou um conjunto de países, resolvesse, de uma hora para a outra, descriminalizar o que hoje é ilegal? Aqueles que hoje dominam o narcotráfico se tornariam mais ou menos poderosos? Preciso responder?

Para usar um exemplo da época da Lei Seca: imagine que os EUA, cansados de enxugar gelo na guerra contra as máfias que exploram o comércio ilegal de uísque e cerveja, resolvessem dar a luta por perdida e portanto legalizar o comércio e consumo de bebidas alcoólicas, com base no mesmo argumento hoje usado para a maconha. Provavelmente os chefões mafiosos da época, como Al Capone e Lucky Luciano, virariam os maiores empresários do mundo, e hoje controlariam a economia de metade do planeta. Agora substitua-os pelas FARC hoje em dia. Maravilha, não?

O grande erro dos que advogam a legalização do tráfico - e seria legalização do tráfico, tenham certeza - é que não conseguem, ou não querem, enxergar as conseqüências que tal decisão teria no mundo real, fora das considerações genéricas e abstratas, de tipo prático ou moral, sobre "liberdade individual" ou "saúde pública". Legalizar qualquer droga ilícita serviria apenas para legalizar e entronizar o crime organizado. Nada mais que isso.

Agora, indo para a crítica de cinema: é verdade que Cidade de Deus já antecipa muito do que se vê em Tropa de Elite, em especial no que diz respeito à violência da bandidagem. Mas, francamente, dizer que o filme de José Padilha não é inovador só pode ser brincadeira de quem não conhece o cinema brasileiro. O filme incomodou tanta gente justamente por mostrar a polícia no seu papel de polícia (em Cidade de Deus, ainda é a velha polícia corrupta) e bandido como bandido (coisa que o filme de Fernando Meirelles também fez, e por isso também foi criticado pela "burritsia" tupiniquim, que viu nele uma "estetização da violência"). Além do mais, nenhum outro filme brasileiro antes de Tropa de Elite, que eu saiba, mostra de forma tão explícita e sem concessões os "usuários", sobretudo os de classe média e alta, e inclusive ONGs, como o que de fato são - cúmplices da bandidagem. Foi isso, muito mais do que qualquer propaganda do Bope, o que realmente incomodou e indgnou os maconhistas.

Outra coisa: pelo visto o leitor não assistiu ao filme Os Intocáveis, de Brian De Palma. Se o tivesse feito, teria percebido o que o diálogo que transcrevi quer dizer. Certamente saberia que Eliot Ness (aliás, um personagem que realmente existiu) era o inimigo número um de Al Capone - ele passa todo o filme combatendo o comércio ilegal de bebidas, tentando prender Capone. Só no final do filme, com Capone já preso, é que ele diz sua opinião sobre a Lei Seca. Isso está no diálogo que eu transcrevi.

Portanto, caro leitor, se você acha um absurdo transformar o Capitão Nascimento em um herói - coisa que o POVO brasileiro, que lotou os cinemas, fez de imediato, identificando-se com o personagem -, não deveria considerar Eliot Ness um exemplo. O que vale para um filme vale também para o outro.

Assim como Eliot Ness no caso da Lei Seca, pode ser que um dia, quem sabe, seja normal e aceitável cheirar uma carreira de pó ou fumar um baseado. Mas, até que esse dia chegue, é a defesa da Lei o que importa. Pelo menos para os que prezam a democracia e a colocam acima de um capricho hedonista.

RESPOSTA A UM HUMANISTA - II

Não é que o tal do Zé, o humanista retroativo, insiste em chorar aqui a morte do Bin Laden? Ele escreveu sobre meu post RESPOSTA A UM HUMANISTA (ele vai em vermelho):

Me chamar de antiamericano etc etc. realmente resolve toda a questão. Isso não é resposta digna.

Se alguém chamou alguém aqui de antiamericano, foi o próprio Zé. Ou apelar para direitos humanos para livrar a cara de Bin Laden é coisa de quem ama os EUA? (e a humanidade, enfim)

Falo da tortura e de seus maleficios. Como um país que se diz humanista e defensor dos Direitos Humanos é capaz de torturar seus inimigos para atingir seus fins? Parece que nosso velho Maquiavel sempre esteve certo em sua célebre frase.

E eu falo do waterboarding, que pelo visto o leitor não sabe do que se trata. Falo também da necessidade de combater os terroristas, de caçá-los e puni-los, onde quer que se escondam. Procure se informar a respeito. Aí, depois, a gente conversa.

Já pensou se os EUA levassem ao pé da letra a frase de Maquiavel (no sentido que lhe dá nosso amigo, que deve conhecer d'O Príncipe só a orelha)? Não sobraria um osso inteiro no corpo de nenhum terrorista preso. Mas querer que ele entenda isso é um pouco demais.

Daí o autor deste blog, na sua sede de vingança contra aqueles que defendem a dignidade de todos os humanos, xinga-os de serem contra os americanos e amigos de terroristas e blá blá blá.

Estou curioso para saber que terrível afronta o Zé me causou para eu ter essa "sede de vingança". Será ele algum ex-coleguinha meu do jardim de infância que roubou meu lanche na hora do recreio? Ou será que é aquele moleque que certa vez furou minha bola de futebol por pura maldade e despeito?

Pelo visto o Zé é um dos que "defendem a dignidade de todos os humanos", como ele disse, para se diferenciar de mim, o vingativo, que quero o mal para todos os humanos... Enfim, ele é um humanista, uma pessoa do bem, porque acha um absurdo o que os EUA fizeram com o Bin Laden. Deve acreditar, portanto, que o moralmente correto seria deixar o terrorista solto. Eu penso bem diferente. Por isso eu sou mau, muito mau, como se vê.

Aliás, já virou praxe dos direitistas de quando uma pessoa chama atenção para um erro dos EUA, estes chamam esta pessoa de antiamericana e antidemocrata e outras palavras sem sentido.

Ele não gosta que o chamem de antiamericano e de antidemocrata, mas não vê problema em me tachar de direitista... Tudo bem, não me importo com o rótulo. Pergunto apenas: que erro os EUA cometeram? Livrar o mundo de Bin Laden?

Mas a questão, que ainda está pendente, é que Prender ou matar um homem numa guerra é viável. Mas torturá-lo não é.

Numa guerra não se luta para prender, mas para matar o inimigo. Quem tem o dever de prender é a Polícia, não o Exército, a Marinha ou a Força Aérea. E Bin Laden, desde que cometeu a atrocidade de 11 de setembro, era um alvo militar legítimo, como já cansei de escrever. Chegar a ele, mediante os métodos que foram empregados, é plenamente justificável numa situação de guerra. Ou o Zé vai querer ensinar métodos de interrogatório e táticas de combate antiterrorista aos Navy Seals? Será que ele é um expert em guerra antiterror e eu não sabia?

Querer que em troca eu dê um plano de combate militar é uma enorme hipocrisia, como sempre será uma irônia ardilosa pedir a um leigo que faça o serviço de um especialista.

Agora fiquei intrigado. Se o Zé é leigo no assunto, então por que condena a forma como os EUA acabaram com o Bin Laden? É o mínimo que se espera: se alguém critica os EUA por terem usado o waterboarding para arrancar informações de terroristas presos que permitiram chegar até o cafofo do Osama, tem o dever de, pelo menos, sugerir um método melhor. Que tal hipnotismo?

Eu durmo todo dia com minha cabeça tranquila, pois nunca torturei ninguém e nem me passa pela mente isso!

Xiiiii, Zé. Sinto dizer, mas seu caso parece mais sério do que eu imaginava. Dormir tranquilamente sabendo que, se dependesse de você, Bin Laden ainda estaria por aí lépido e fagueiro, sei não... Não parece ser coisa de quem tem um senso moral bem apurado. A cada bomba que a Al Qaeda explodisse, eu teria pesadelos com as vítimas. Veria a mim mesmo, no mínimo, como cúmplice da matança. Acho que não conseguiria nem me olhar no espelho.

Mas isso, claro, é para quem tem algum senso de proporções. Não é para esse tipo de leitor.

MAIS UM SITE. E UM ARTIGO GENIAL.

Este blog ganhou mais um link na seção "Sites Interessantes". Trata-se do excelente site Implicante. Recomendo. Há videos e artigos pra lá de interessantes. Tudo feito com muita verve e bom-humor (outra coisa que pode entrar para a lista de espécies em extinção, se vigorar a chatice politicamente correta que ameaça punir com cadeia até piada de bichinha).

Para começar, destaco o artigo linkado a seguir, de autoria de Flávio Morgenstern (de quem, confesso pedindo perdão de joelhos, ainda não tinha ouvido falar): http://www.implicante.org/artigos/esquerda-e-coisa-de-imbecil-live-with-that/. Inteligente e divertido, um panorama perfeito da imbecilidade esquerdiota que grassa hoje nas universidades do Brasil, onde outrora se estudava e hoje se fuma bagulho - literal e ideológico. (Atentem para o video de Slavoj Zizek, o Marcuse piorado da Eslovênia, tentando explicar sua teoria chapadona sobre vasos sanitários da Alemanha, e como o hábito alemão de ver os próprios excrementos se relaciona profundamente com a ideologia. Ou não.) Muito bom, simplesmente imperdível. Só tem um defeito: não fui eu quem escrevi.

Se você pretende se desintoxicar dessa doença infanto-juvenil chamada esquerdismo, sugiro começar pelo texto acima. O único risco é você ficar mais inteligente.

sábado, junho 04, 2011

PARA QUEM NÃO TEM UM PÉ DE MACONHA EM LUGAR DO CÉREBRO (OU: POR QUE NÃO SOU MACONHISTA)

Sei que é difícil exigir objetividade de alguém que defende a sério a legalização da maconha (e da cocaína, e da heroína, e do crack...). Mas vamos lá.

Um anônimo resolveu postar sua opinião sobre meu texto UMA IDÉIA VIAJANDONA. Ele começa tentando fazer uma graça:

Nossa!, fundamentar teu argumento com "Tropa de Elite" realmente é espetacular. Capitão Nacimento [sic] realmente é um gênio, a mais suprema inteligência do país!!!

Não gostou do diálogo do filme? Tudo bem, tenho outros exemplos. Do mesmo filme, pelo mesmo personagem:

"Quando eu vejo neguinho fazendo passeata 'pela paz', me dá vontade de sair na porrada".

Durante décadas o cinema brasileiro tratou bandidos como vítimas ou heróis, e não como bandidos. Aí veio Tropa de Elite e mostrou, pela primeira vez, as coisas como realmente são. Isso sim, é quebrar um tabu. Entendo por que o leitor não gostou do filme.

POr favor, acorda! Teu argumento tem vários furos que não te faz realmente aprofundar a questão por um preconceito a priori de que legalizar as drogas é ruim.

OK, vamos ver então que "preconceito a priori" é esse de que fala o autor. Porque, até agora, o que afirmei e reafirmo é que legalizar as drogas (pelo menos ele não falou em "regulamentar"...) é o melhor caminho para premiar a irresponsabilidade e render-se, sim, ao crime.

Dizer que legalizar as drogas é o mesmo que legalizar o tráfico é um argumento incorreto. Se legalizadas, as drogas seriam vendidas da mesma maneira que outras drogas legalizadas são vendidas: passando por uma industrialização, depois comércio legal e consumidor. O governo passaria a cobrar impostos (como é feito com cigarro e bebida) e teria com isso uma boa arrecadação. Isso com certeza reduziri o poder do tráfico. Pra que comprar ilegalmente se agora já se pode comprar na legalidade?

Agora é a minha hora de ser irônico: Nossa! Então legalizar as drogas é diferente de legalizar o tráfico? E isso vai acabar com o problema do vício etc.? Jura?

Então quer dizer que basta o governo legalizar a maconha (e a cocaína, e a heróina, e o crack...), tornando possível que ela seja comercializada na loja da esquina, que o problema do tráfico e da criminalidade acaba? Que coisa genial! E de quebra o governo ainda criaria mais uma fonte de arrecadação de impostos? Não me diga! Por que eu nunca pensei nisso antes? Sério?

Puxa, como parece simples, não?

Na verdade, não. A solução não é assim tão simples. A menos que se deseje mandar às favas a razão e regredir ao pensamento mágico.

Vamos supor que o Congresso resolva descriminalizar o comércio de drogas no Brasil. Alguns traficantes, provavelmente, veriam nisso uma oportunidade de legalizar seu negócio, trocando o AR-15 pelo terno e gravata e virando respeitáveis executivos etc. Até aí, beleza, não duvido que isso possa acontecer um dia. Mas tem um problema nisso aí.

O Brasil não produz um grama sequer de cocaína, que vem quase totalmente de países vizinhos como a Colômbia e a Bolívia, assim como outras drogas. Supondo que o comércio de drogas se torne legal no Brasil, mas não nesses países (pelo menos na Colômbia, onde os narcoterroristas das FARC são os maiores produtores e distribuidores do mundo), que efeito isso teria na diminuição dos índices de criminalidade? Posso antecipar um possível efeito da legalização: os cartéis de narcotraficantes colombianos e bolivianos ficariam ainda mais poderosos. Estes teriam, a partir de então, um mercado gigantesco à sua disposição - e melhor: de forma totalmente legal. Conseguem imaginar o desastre que seria?

A verdadeira questão que envolve as drogas - e há outros posts em que escrevo sobre isso - não diz respeito à substância em si. Drogas ilicitas sempre existirão. O verdadeiro problema, o cerne da questão, é a ilegalidade. Comprar maconha ou cocaína é ilegal, ponto final. Pode ser que um dia deixe de ser, e adquirir uma trouxa de cannabis ou uns gramas de pó seja algo tão corriqueiro quanto comprar um litro de leite na padaria, mas até lá trata-se do respeito à lei o que está em jogo. E, numa democracia, a lei deve ser sagrada, vale para todos. Preciso ser mais explícito a esse respeito?

É por esse motivo que o que vem em seguida não faz o menor sentido:

Dizer que a legalização das drogas é o mesmo que legalizar o roubo e o assassinato só pode ser alguma piada de mal gosto. Você trata a substância (droga) como sendo em si criminosa, o que é um erro. Crime é o tráfico de drogas. Se as drogas forem legalizadas, estaremos vendendo legalmente uma substância (como muitas outras são vendidas de forma legal) por uma outra via que não será mais o narcotráfico. Quem ganharia com isso seriam os empresários que tivessem capital para investir nessa nova indústria, e não os traficantes.

Vamos lá, por partes.

1) Legalizar as drogas porque "a guerra às drogas fracassou", como está dizendo FHC, é o mesmo que proclamar a rendição da Lei ao narcotráfico. Pela mesma lógica, dever-se-ia legalizar o estupro e o assassinato, pois afinal de contas trata-se de duas práticas ilegais, que nem por isso deixam de ser cometidas. Afinal, a "guerra ao roubo" ou a "guerra ao homicídio" são perdidas todos os dias, sempre que se comete um desses delitos.

2) Exatamente, criminosa em si não é a droga, mas o tráfico. E crime é crime. Até que o tráfico deixe de ser um delito - e, por suas dimensões internacionais, isso teria que ser ao mesmo tempo no mundo inteiro -, comprar e consumir maconha (e cocaína, e heroína, e crack...) é abastecer o narcotráfico e compactuar com o crime. Essa é a verdadeira questão, como afirmei acima.

Essa é uma verdade tão óbvia, tão evidente, que o próprio FHC parece ter percebido a estupidez da idéia de legalizar as drogas - ele agora prefere dizer que não se trata de legalizar, mas de "não criminalizar o usuário", que deveria, segundo diz, ser submetido à tratamento médico em vez de preso (o que já ocorre na realidade, é bom que se diga). Enfim, até ele já percebeu que querer legalizar não é solução - é parte do problema.

Para ficar mais claro o que quero dizer, reproduzo a seguir o diálogo final do filme Os Intocáveis, de Brian de Palma (1987). O filme trata da guerra das autoridades norte-americanas contra a máfia de Al Capone em Chicago, durante os anos da "Lei Seca", que proibiu o comércio de bebidas alcoólicas nos EUA nos anos 20.

(Na saída de seu escritório, o inspetor do FBI Eliot Ness é abordado por um repórter, que lhe faz algumas perguntas.)

- Repórter: Dizem que vão revogar a Lei Seca. O que o senhor vai fazer a respeito?

- Eliot Ness (depois de alguns instantes): Acho que vou tomar um drinque.

Entenderam? É por essas e outras que acho uma idiotice e uma estupidez a idéia maconhista.

RESPOSTA A UM HUMANISTA

Um tal Zé - posso estar enganado, mas desconfio que é o mesmo em que dei uma chinelada outro dia num post sobre a religião desarmamentista - está indignadíssimo com o dono do blog. Ele deve achar que sou um monstro moral porque fiquei feliz com o fato de que os EUA mandaram o Osama Bin Laden fazer jihad lá no reino do chifrudo - e da maneira que considero a mais adequada. Ele escreveu o seguinte:

Não vou nem sequer falar aqui se a maneira como Bin Laden foi morto é considerada correta e justa, senão é capaz de você me chamar de "anti-americano" e "viúva do Bin Laden" e aquele monte de blá blá blá sem sentido e fundamento. No entanto, não concordo (e penso que qualquer um que defenda a justiça e a liberdade de verdade também não concorde) que a Tortura é inaceitável em qualquer caso. Não podemos aceitar a tortura e muito menos ser irônico a respeito como se o ato americano não tivesse sido gravíssimo!

Vou ser bonzinho com o leitor que escreveu o que vai acima. Não, Zé, não vou lhe chamar de antiamericano e de viúva do Bin Laden. Não vou usar nenhum "blablablá sem sentido e fundamento" (como lembrar que abrigar terroristas é uma violação seriíssima do direito internacional e que Bin Laden era um alvo militar legítimo). Sobre tudo isso já falei à exaustão, creio eu. Vou somente dizer que você não tem a menor noção do que está ocorrendo à sua volta. Ou é um grande cara-de-pau.

Assim como o distinto leitor é certamente um humanista, pois "não concorda que a tortura é inaceitável em qualquer caso" (sic), eu também acho a tortura uma coisa abominável. Esmagar dedos, dar choques elétricos nos genitais, arrebentar ossos e dentes de um prisioneiro, além de ser uma covardia, é algo que só pode causar repulsa a qualquer pessoa com um mínimo de senso de decência e dignidade. Mesmo que seja para eliminar o terrorista mais procurado do mundo? Mesmo que seja para eliminar o terrorista mais procurado do mundo.

É por esse motivo que acho que o waterboarding, no caso dos assassinos da Al Qaeda, é o menor dos males possíveis. Não conheço - e acho que o Zé também não conhece - nenhum caso de terrorista preso que tenha sucumbido ou ficado com graves sequelas físicas ou mesmo psicológicas por causa do waterboarding. Também ignoro se algum cadete de West Point que já passou pela experiência num trote de calouros resolveu entrar com uma queixa-crime contra a prática em algum tribunal, por considerar que foi vítima de tortura ou coisa parecida.

E nem precisa lembrar (mas eu lembro assim mesmo): quem afirma que os EUA agiram erradamente ao despachar Bin Laden para os quintos dos infernos tem a obrigação de dizer como os EUA deveriam ter procedido. Continuo esperando por isso.

Para gente como o Zé, os EUA fizeram algo "gravíssimo". Seria o waterboarding? Duvido muito. Resta a eliminação do Bin Laden pelos Navy Seals. Sendo assim, só posso concluir: é mais um antiamericano patológico e uma viúva do Bin Laden que está chorando a morte de seu herói. E que está usando a questão do waterboarding como pretexto para remoer seu ódio. Talvez para não perder o costume.

Enfim, faço questão de repetir: os EUA estão de parabéns por terem livrado o mundo de mais um monstro. Acredito que fizeram a coisa certa. E durmo tranquilo com isso em mente. E os que invocam os direitos humanos no caso do Bin Laden, posando de humanistas, será que podem dizer o mesmo?

terça-feira, maio 31, 2011

OS ASSASSINOS "DELES" E OS "NOSSOS". OU: TERRORISTAS E TORTURADORES, QUAL A DIFERENÇA?

Existe um troço chamado "Amor e Revolução". Trata-se de uma telenovela exibida pelo SBT, a rede de televisão de Sílvio Santos. O enredo - se é que se pode chamar assim coisa tão tosca - tem como tema central os chamados "anos de chumbo" da luta armada durante o regime militar, nos anos 60 e 70. Uma coleção de clichês ideológicos e de meias-verdades sobre o período, que até parece saída de uma cartilha do MEC encomendada e aprovada por Fernando Haddad, "Amor e Revolução", a começar pelo título, é um lixo, uma porcaria típica dos programas da emissora de Sílvio Santos.

Desde que a Rede Globo - estupidamente rotulada de "direitista" pelos bocós da esquerda jurássica - inaugurou o filão, levando ao ar em 1992 a minissérie Anos Rebeldes para coincidir com o impeachment do neocompanheiro Fernando Collor de Mello, não se via tamanha falsificação histórica, tanta bobagem travestida de História na televisão brasileira. "Amor e Revolução" é o retrato perfeito da historiografia predominante sobre o regime militar no Brasil, na qual prevalece uma visão edulcorada da esquerda armada e a condenação maniqueísta dos militares.

Nem é preciso assistir a um capítulo da telenovela-trash (e mesmo se eu pudesse, não perderia meu tempo vendo essa bobajada); basta ler a sinopse para perceber o tamanho da propaganda ideológica travestida de teledramaturgia. Nesse caso, propaganda a favor dos "guerrilheiros", mostrados sempre - sempre, sem exceção - com uma aura de santidade, como jovens idealistas e heróicos, em luta contra a cruel e assassina ditadura militar, pela "democracia" e "por um mundo melhor". Os militares, por sua vez, são sempre - sempre, sem exceção - retratados como torturadores malvados e desumanos. Já seria constrangedor o bastante, se a novela, assinada por um autor importado da Record do "bispo" Macedo (outro amigão da turma do Planalto), não tivesse a qualidade artística de um dramalhão mexicano, com personagens que beiram o ridículo na forma amadoristica com que são interpretados, perto da qual Malhação parece uma jóia de dramaturgia shakesperiana.

Além do caráter trash da novelinha, há outro aspecto que vale a pena ressaltar. O dono do falido Banco Pan-Americano, ao que parece, pegou gosto pela "Semana do Presidente" - programinha que ia ao ar em sua emissora nos anos 80, em que o homem do baú bajulava os presidentes de plantão. Senor Abravanel sempre se deu bem com o governo, qualquer governo. Com o de Dilma Vana Rousseff, a Rainha Muda, não é diferente. Ele quis fazer um agrado à ex-companheira Stela da Vanguarda Popular Revolucionária, que tem no "passado de luta" uma peça importante do mito criado em torno de sua figura (o que ela realmente fez no período, estranhamente, permanece um mistério, e, se depender dela, permanecerá assim até o fim dos tempos). Só não precisava apelar na teledramaturgia de quinta e na pesquisa histórica de vigésima categoria. O público, pelo visto, não engoliu muito bem a patacoada, pois a coisa anda patinando no ibope. Tanto que o diretor resolveu incrementar a trama, incluindo um beijo lésbico na novela para ver se rendia alguns pontos a mais na audiência. (E assim fazer uma média com a turma GLBTT; sabe como é: amor, revolução, beijo lésbico, essas coisas...)

Pois bem. Se há algo que se salva nesse amontoado de slogans esquerdistas embalados numa roupagem que ficaria bem n'A Praça é Nossa são os depoimentos que alguns personagens reais aceitaram dar ao final de cada capítulo. Andei assistindo a alguns deles. Refletindo a hegemonia absoluta da esquerda nesse tema, a imensa maioria dos depoimentos - praticamente 90% - é de ex-militantes de organizações esquerdistas, como o guerrilheiro de festim José Dirceu, que repetiu pela enésima vez o personagem que criou para si mesmo, com aquele sotaque caipira forçado (fala-se que a própria Dilma Rousseff pode dar um depoimento até o fim da novela). Como era de se esperar, eles carregam na "luta pela democracia e pela liberdade" e na descrição das torturas que dizem ter sofrido nas mãos de seus captores militares etc. etc. Aqui e ali, uma vítima do terrorismo de esquerda, como o aposentado Orlando Lovecchio, que perdeu a perna na explosão de uma bomba em São Paulo em 1968, e o filho de um guarda assassinado por terroristas no assalto a um hospital (!), contam a sua história. Mas o predomínio é de gente de esquerda, que capricha no papel de vítima da repressão e merecedora da devoção das novas gerações.

Dentre os depoimentos da turma esquerdista, há um realmente assombroso. É o do hoje professor de música Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz. Apesar do último nome ("da Paz") e do codinome utilizado nos anos de clandestinidade ("Clemente"), a história de Carlos Eugênio é barra-pesada. Ex-chefe do grupo tático armado da ALN (Ação Libertadora Nacional), organização terrorista criada pelo ex-deputado comunista Carlos Mariguella (morto em 1969), Carlos Eugênio narra com riqueza de detalhes uma das ações de que participou - o assassinato (os terroristas chamavam de "justiçamento") de um empresário, o dinamarquês Henning Albert Boilesen, numa rua de São Paulo, em 1971. Boilesen, que era acusado pela guerrilha de financiar a repressão, foi morto à queima-roupa, em plena luz do dia, com dezenas de tiros de fuzil e metralhadora disparados por Carlos Eugênio e outros terroristas. "Clemente" parece sentir prazer ao lembrar dos tiros de fuzil Mauser que ele disparou e que acertaram o empresário, abatido sem qualquer chance de defesa. E justifica o assassinato, lembrando que era uma guerra etc. e tal. Chega mesmo a sugerir que havia uma certa "beleza" na execução daquele "inimigo do povo"...

Não vou me estender aqui analisando o depoimento de Carlos Eugênio (que nunca foi preso e recebeu uma generosa indenização, como "perseguido político", da Comissão de Anistia da Presidência da República): Reinaldo Azevedo, em seu blog, já fez isso, num post devastador (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/cuidado-leitor-abaixo-voce-lera-o-testemunho-de-um-assassino-frio-convicto-metodico-e-apaixonado-pela-morte-depois-voce-podera-ate-assistir-a-seu-testemunho-e-isso-e-so-o-comeco/). Vou me limitar a fazer uma pergunta.

Digam-me, com toda sinceridade, que diferença existe entre Carlos Eugênio e os assassinos de Rubem Paiva e de Vladimir Herzog? Além do fato de pessoas como Carlos Eugênio terem recebido gordas indenizações do Erário - não bastou terem sido anistiados, ainda recebem grana do Estado pelo que fizeram -, o que as difere dos torturadores a serviço do regime militar? Há assassinos "do bem" e "do mal"? Ou há somente assassinos?

Imaginem um ex-agente do DOPS ou do DOI-CODI vindo a público descrever de forma minuciosa como arrebentou todos os ossos do subversivo preso no pau-de-arara e na cadeira do dragão. Imaginem-no relatando nos mínimos pormenores como ele torturou sua vítima até a morte. Agora pensem nele dizendo isso com orgulho, buscando justificar esse crime bárbaro na base do "era uma guerra, eles também faziam" etc. Alguém conseguiria presenciar tal cena sem vomitar?

Carlos Eugênio escreveu dois livros - Viagem à Luta Armada e Nas Trilhas da ALN, publicados respectivamente pelas editoras Civilização Brasileira e Bertrand Brasil. Li os dois há algum tempo. Neles, ele descreve, usando pseudônimos, atos como o frio assassinato de Boilesen, decidido pelo "tribunal revolucionário" da ALN de Mariguella (autor de um manual em que se dizia orgulhoso de ser um terrorista). Uma das ações de que participou foi o "justiçamento" de outro militante da organização, Márcio Leite de Toledo, fuzilado com oito tiros por Carlos Eugênio e outro carrasco, no mesmo ano e na mesma cidade em que foi assassinado Boilesen.

Carlos Eugênio tenta justificar a morte de Boilesen como um ato da "revolução" - tal como está no título da telenovela do SBT -, pois afinal o empresário dava dinheiro para a repressão etc., como se isso justificasse o homicídio. O mesmo não pode dizer de Márcio Leite de Toledo, exterminado não porque fosse um "inimigo", mas porque desejava abandonar a luta armada... É assim que agem os revolucionários de esquerda: começam matando burgueses e terminam aniquilando a si próprios.

Carlos Eugênio candidatou-se a deputado nas últimas eleições. Teve uma votação ridícula. Felizmente. Imagino um debate entre ele e o deputado Jair Bolsonaro, também do Rio de Janeiro. Carlos Eugênio se apresentou aos eleitores como um ex-guerrilheiro e combatente contra o regime militar, orgulhoso de ter matado "pelo menos seis" pessoas. Bolsonaro, ao que se saiba, jamais torturou ou matou ninguém. Qual dos dois, Carlos Eugênio ou Bolsonaro, mais representa a barbárie?

Na história romanceada da luta armada de esquerda no Brasil, Carlos Eugênio, Mariguella e Lamarca foram heróis. Não é de estranhar. Afinal, o nome que ele usava na clandestinidade era "Clemente"...

Por favor, alguém me responda: qual a diferença entre um terrorista e um torturador?

UMA IDÉIA VIAJANDONA



"A liberdade sem a sabedoria e sem a virtude é o pior dos males possíveis".(Edmund Burke)


Os maconheiros (ainda é assim que se chama, não?) estão em plena ofensiva pela "descriminalização" da erva do capeta. E estão exultantes. Contam, para tanto, com um reforço de peso: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (nessas horas, ninguém na esquerda, que está à frente da tese maconhista, lembra que FHC é um "neoliberal", mas deixa pra lá).

Pois bem. O sociólogo FHC entrou de cabeça na "luta" para "descriminalizar" a cannabis. Ele acredita, quero crer que sinceramente, que esse é o melhor caminho para resolver o problema da violência e da criminalidade que acompanham o vício de puxar um baseado. Chegou mesmo a protagonizar um documentário sobre o assunto.

Já falei e repito: considero esse lero-lero de "legalize já" uma das maiores besteiras que já apareceram nos últimos tempos. A "causa" maconhista, definitivamente, não é para quem tem os neurônios em ordem. Coisa de vagabundos ou de iludidos (acho que FHC está na segunda categoria).

O problema da bandeira maconhista é que ela está, com o perdão do trocadilho, viciada desde o início. Os defensores da idéia maconhista afirmam que querem discutir o assunto (como se todos os que fossem contra a legalizaçào estivessem, na verdade, contra o debate, o que é uma grossa pilantragem). OK, vamos discutir. Em primeiro lugar, vamos usar as palavras certas. Os maconhistas dizem que querem a descriminalização - eles chamam de "regulamentação" - do negócio. Ora, o tema já está regulamentado no Brasil. Portanto, não é de regulamentar que se trata.

Outra coisa: os maconheiros alegam que sua "causa" é em defesa da liberdade individual etc. e tal. Já falei o que penso sobre isso, e não quero me repetir. Vez ou outra, eles organizam uma "marcha da maconha", com slogans favoráveis à legalização e ao uso da erva – o que é crime de apologia as drogas, mas vá lá. Há alguns dias, mais uma dessas marchas foi reprimida pela PM em São Paulo. Os maconheiros reclamaram. Disseram que era um absurdo, uma violência etc. e tal. Quase ninguém lembrou que os distintos maconheiros levaram borrachada e gás lacrimogeneo não porque estivessem queimando um fuminho ou provocando a polícia (o que muitos estavam de fato fazendo), mas porque estavam atrapalhando o trânsito, impedindo a liberdade de ir e vir dos cidadãos. É a “liberdade” maconhista em ação…

Voltando a FHC. Não assisti ainda ao documentário a que me referi, mas, pelo que vi na internet, posso dizer que é algo que confirma que é preciso estar muito fumado para defender a causa maconheira. No filme, o sociólogio FHC defende, ao lado de outras personalidades, como Jimmy Carter, Bill Clinton (e... Paulo Coelho!), a tese de que a "guerra às drogas fracassou". Gostaria de saber do quê exatamente ele está falando, essa tal "guerra às drogas". Trata-se de uma expressão que tem tanto significado quanto "guerra ao terrorismo" (ou "guerra à guerra"). A guerra não é contra a maconha ou a cocaína, mas contra quem as trafica. E é sim, contra quem usa essas substâncias, abastecendo o narcotráfico.

Além do mais, fico encafifado: se a "guerra às drogas", como diz FHC, fracassou no mundo todo, e a solução, portanto, é legalizar o tráfico, o que isso significa exatamente? A meu ver, significa uma rendição ao crime. Mais ou menos assim: o narcotráfico existe, e ele mata milhares de jovens todos os anos. Os esforços para contê-lo e botar os bandidos na cadeia não estão dando certo. Vamos, então, desistir da luta.

Maravilha, não? Fico aqui me perguntando: se a defesa da lei e da ordem – ou seja: da democracia – não está funcionando, então que se dane a lei e a ordem! Por que não legalizar o roubo e o assassinato de vez? Faria todo sentido, não acham?

No documentário, FHC aparece visitando vários países da Europa, como Portugal, Holanda e Suiça. Ele quer "aprender com a experiência" desses países no trato da questão, segundo diz. Neles, o consumo e o comércio de maconha – e de outras drogas, como a heroína, mas isso não convém dizer – estão liberados. O Estado, inclusive, fornece um kit com seringas para viciados, como forma, dizem, de "administrar o dano", tratando a questão como um problema não policial, mas “de saúde pública”, como se fosse um tratamento contra vermes. Um ministro português aparece afirmando que nos últimos tempos o número de viciados no país diminuiu bastante, querendo sugerir que isso teria ocorrido por causa de semelhante medida adotada pelas autoridades locais. Estou ansioso para descobrir que relação causal existe entre a distribuição de kits com seringas e a diminuiçào do vício. OK, admito por um instante que seja mesmo verdade a tal redução do vício em Portugal. Nesse caso, admito muito modestamente que não sei por que ela ocorreu. Só tenho uma certeza: é preciso ser vidente e ter poderes mágicos para afirmar que isso seria devido à distribuição das tais seringas.

Também não posso deixar de me espantar: se bancar o vício com dinheiro do Erário é o caminho para diminuir o número de viciados em drogas como a heroína, então por que o governo não faz o mesmo em relação a outras vítimas de outras drogas, como o álcool e o tabaco? Por que, em vez disso, o governo gasta milhões em campanhas contra o alcoolismo e o tabagismo? Gente, um ministro português descobriu que distribuir kits a viciados ajuda a diminuir o vício, vejam que genial! Por que não começamos imediatamente a distribuir um kit-cachaça e um kit-cigarro? (Seria o "bolsa-viajandão", que tal?) Garanto que os alcoólatras e fumantes deixariam na hora o vício.

Por falar em álcool e cigarro, é curioso como os maconheiros adoram falar mal dessas substâncias, ao mesmo tempo em que defendem a liberação das drogas ilícitas. Um dos argumentos é que fazem mais mal à saúde do que a maconha etc. É, pode ser. Comidas gordurosas e biscoito de chocolate tambem fazem mal à saúde. O Ministério da Saúde, aliás, não cansa de alertar para o consumo desses produtos, chegando mesmo a querer proibir a propaganda para crianças. Ainda vamos legalizar a maconha e proibir o biscoito de chocolate.

Na verdade, FHC não precisaria ter ido à Holanda ou à Suiça para ver os efeitos das drogas na sociedade e nos indivíduos. Ele poderia constatar isso, e com muito mais clareza, visitando a periferia de alguma grande cidade brasileira. Poderia começar com Valparaíso de Goiás, pertinho de Brasília, onde todos os dias morre um adolescente baleado em algum tiroteio entre traficantes. Ou então, se não quiser ir muito longe, pode dar uma passada na Cracolândia, em pleno centro de São Paulo. Sugiro tentar a fórmula européia junto aos zumbis que zanzam pelo local. Nesse caso, quem sabe a distribuição de um "kit-crack" surtiria algum efeito positivo sobre aquelas pessoas, imitando o que já foi tentado (sem sucesso) há alguns anos na Suiça. Aliás, o governo da Holanda acabou de decretar que a venda de maconha em cafés para estrangeiros está proibida. Conseguem adivinhar por quê? É que os turistas estavam aproveitando a liberalidade das leis holandesas para traficar. Pois é...

O título do documentário em que FHC propõe a descriminação da maconha (e de outras drogas, porque a questão não se limita à cannabis) é "Quebrando um tabu". A meu ver, o verdadeiro tabu foi quebrado há uns três anos, em uma cena do filme Tropa de Elite, de José Padilha. Reproduzo o diálogo, que demorou uns 40 anos para ser mostrado em um filme brasileiro:

(Numa operação numa favela carioca, o Capitão Nascimento acaba de matar um traficante que resistiu à prisão à bala. Na boca-de-fumo, várias pessoas são presas, inclusive uma que se identifica como "estudante", que lá estava se abastecendo de erva – bondade do diretor: eles não costumam subir o morro para ficarem boladões. Segue o diálogo).

- Capitão Nascimento (apontando o cadáver crivado de balas do traficante): - Você aí! Me diga: quem foi que matou esse aqui?

- "Estudante": - Foi o senhor, capitão.

- Capitão Nascimento: - Quem?

- "Estudante": - Foi o senhor quem matou.

- Capitão Nascimento: - Nada disso! Quem matou foi você, seu maconheiro! (e seguem alguns bons cascudos no “estudante”).

Para mim, só este diálogo já valeu o filme. E vale por uns dez documentários pró-maconhistas estrelados por FHC.

terça-feira, maio 24, 2011

MINHA TEORIA DA CONSPIRAÇÃO FAVORITA

Como todos sabem, Barack Hussein Obama desmoralizou os que dizem que ele não é cidadão nato norte-americano, e que portanto ocupa ilegalmente a Presidência dos EUA. Como todos sabem também, desde que despachou o megaterrorista Osama Bin Laden, o cartaz do homem nunca esteve tão em alta, ele nunca esteve tão por cima da carne-seca. Principalmente depois dessa imensa vitória publicitária, dizer que Obama não é gringo, como fez o Donald Trump (o do cabelo ridículo), ou simplesmente falar mal do demiurgo, só pode ser coisa de reacionários racistas e malucos.

Mesmo assim, considerando o conhecido gosto dos americanos pelas teorias da conspiração, e decidido a colocar um ponto final nessa quizília toda envolvendo a nacionalidade do presidente histórico, resolvi elaborar eu mesmo minha própria teoria conspiratória. É a seguinte, acompanhem:

Barack Hussein Obama é americano da gema, tanto quanto o Bush ou o John Wayne. O pai dele nasceu no Brooklin, não no Quênia - o que tornaria o filho automaticamente inelegível para a Presidência dos EUA, pois descumpriria um dos requisitos básicos para que ele, Obama, seja considerado um natural born citizen, como manda a Constituição americana, ainda que ele tivesse nascido no alto do Empire State Building: o de que ambos os pais sejam americanos (natos ou naturalizados). Na verdade, Obama inventou a estória do pai queniano e de família muçulmana (além do mais, súdito da Coroa britânica) somente para dar argumentos à direita americana.

Do mesmo modo, Obama resolveu esconder sua certidão de nascimento por quase quatro anos - antes disso, mostrou um documento provisório on-line com claros sinais de falsificação - somente para dar assunto aos birthers e fazer de bobo o Donald Trump na Casa Branca. Durante todo esse tempo, Obama gastou milhares de dólares com um batalhão de advogados e fugiu de responder a processos judiciais para provar sua nacionalidade apenas para dar corda aos republicanos direitistas e calar-lhes a boca agora. E esperou para fazer isso em grande estilo, na véspera da operação que resultou na morte do inimigo número um do mundo civilizado. Obviamente, ele também se antecipou ao que seus inimigos racistas e nazistas diriam do timing escolhido (uma maneira de desviar a atenção de sua popularidade decrescente etc.): é só porque ele é negro, claro.

Enfim, Obama pensou em tudo desde o início. Ele já tinha tudo planejado, nos mais mínimos detalhes, na época de sua eleição à Presidência. Mas, para não deixar os republicanos do Tea Party tristes e sem assunto, ele bolou um esquema ainda mais maquiavélico, fazendo questão de mostrar um documento, o birth certificate, que, ao supostamente "provar" que ele nasceu no Havaí, apresenta estranhos indícios de manipulação (como uma assinatura que não condiz com a de sua mãe e um número de registro superior ao de pessoas nascidas e registradas depois de sua própria data de nascimento). Isso sem falar das declarações de sua avó paterna, que em pelo menos duas ocasiões já afirmou que o viu nascer no Quênia (boatos da internet, claro).

E os demais pontos obscuros da biografia obamista, como sua ligação com o terrorista Bill Ayers, os sermões antiamericanos raivosos de seu pastor e mentor espiritual - por vinte anos! -, Jeremiah Wright, a polêmica sobre sua religião (cristão? muçulmano? ateu? adepto do hare krishna ou do santo daime?), seus negócios inexplicados com o vigarista Tony Rezko e com o escândalo da ACORN etc.? É tudo invenção da extrema-direita e da Ku Klux Klan, óbvio. Alíás, da KKK, não: da CIA, do Mossad e dos assassinos de Kennedy. E por que nada disso sai na grande imprensa, de lá e de cá? Para atiçar a curiosidade de blogueiros direitistas e conspiracionistas, claro. Ou seja: é tudo obra dos mesmos que destruíram as Torres Gêmeas no 11 de setembro e dos que capturaram os alienígenas em Roswell.

Como se vê, em se tratando de Barack Hussein Obama, tudo é muito claro, muito transparente, não há qualquer dúvida, nada, absolutamente nada a ser esclarecido. E quem duvidar disso só pode ser o Donald Trump ou um doido racista.