segunda-feira, junho 06, 2011

"É PÓ DE DEZ! É ERVA DE CINCO! QUEM VAI QUERER?"



Pequenos comerciantes ansiosos para terem seu negócio legalizado e pagarem impostos: tem gente que gostaria que assim fosse



Na boa? Essa conversa de “descriminar” a maconha (e a cocaína, e a heroína, e o crack...) já encheu o saco faz tempo. Tenho pouca paciência para os maconhistas e suas idéias chapadas. Mesmo assim, vou me dar ao trabalho de responder – mais uma vez... espero que seja a última – a um leitor anônimo que está tentando me converter à religião maconhista com base num argumento, digamos, “pragmático”.

Diz o leitor que todo o problema das drogas (e não só da maconha, vejam bem) estaria resolvido caso os governos simplesmente resolvessem legalizar o narcotráfico. Bastaria decretar que é legal produzir, comercializar e consumir maconha (e cocaína, e heroína, e crack...) e pronto! Todos os males que envolvem a questão, a começar pela violência, desapareceriam como num passe de mágica. O problema seria a proibição. Acabe-se com ela, e acaba-se com o problema. Simples assim.

No mundo da imaginação, onde habitam gnomos e fadas, talvez essa tese poderia conter algum grão de verdade. No mundo real, que é o habitado por este escriba, porém, as coisas são um tanto quanto diferentes.

Vejamos o que escreveu o leitor. Respondo em seguida:

Caro, estou tentando discutir o assunto dentro da legalidade. Em momento algum defendo o uso de drogas fora da lei ou que o tráfico deve permanecer como está. Minha sugestão foi trazer para legalidade substâncias que são consideradas ilícitas, da mesma maneira que foi feito nos EUA com a bebida. Pergunto-te (pois desconheço essa parte) como foi feito nos EUA para legalizar a venda de bebidas sem que isso legalizasse a máfia e o tráfico de bebidas?

Se foi possível fazer com as bebidas sem permitir que bandidos se tornassem empresários, por que você não acha possível fazer o mesmo com as outras drogas?

Minha proposta foi uma legalização regulamentada das drogas. Fui bem claro no meu post passado ao dizer que não seria permitida a compra de drogas do narcotráfico, isso inclui as FARC. Portanto, a legalização exige produção e supervisão interna dessa "nova indústria" pelo governo.

Vamos lá, com paciência (e é preciso uma dose extra de paciência para debater com um pró-maconhista).

Em primeiro lugar, “discutir dentro da legalidade”, a meu ver, só tem um significado: defender a Lei contra os que estão se lixando para ela, achando que queimar um baseado é mais importante. E a Lei proíbe o comércio e o consumo de drogas. Fumar unzinho e cheirar uma carreira de pó é compactuar com o crime. Ponto.

O leitor faz uma distinção, saída de sua própria cabeça, entre narcotráfico e o comércio legal de drogas – como se não fossem uma só e única coisa. Talvez por isso seja tão difícil para ele entender as consequências funestas da legalização. Mas vou tentar iluminar essa câmara escura.

Meu amigo, sabe quem mais sairia lucrando com a “legalização regulamentada” das drogas? Já disse no outro post, mas parece que ele não entendeu: as FARC. Quer saber por quê? Porque a legalização significaria tão-somente dar mais poder a quem controla a produção, refino, comercialização e distribuição das drogas. E quem controla a produção, refino, comercialização e distribuição de drogas como a cocaína? Resposta: as FARC. Ficou entendido?

(Aliás, já perceberam que, por trás da idéia maconhista, estão sempre amigos dessa organização narcobandoleira? Já escrevi sobre isso, como quem quiser poderá constatar aqui: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2009/10/conexao-narcoesquerdista.html)

O leitor me pergunta, pois confessa desconhecer essa parte, como foi feito nos EUA para legalizar as bebidas alcoólicas depois da proibição. Fico impressionado como alguém se apresenta quase como especialista na matéria, a ponto de propor a legalização das drogas, até mesmo citando o exemplo da Lei Seca nos EUA, e admite ignorar a história da mesma. Mas tudo bem, aproveito para explicar.

Para começo de conversa, a proibição da produção e venda de bebidas alcoólicas – a chamada Lei Seca – foi um momento excepcional na história dos EUA, tendo vigorado por alguns anos (mais precisamente: de 1919 a 1933). Durante esse período, tal proibição caracterizou uma exceção, não a regra – a proibição valia para os EUA apenas (Al Capone e outros mafiosos que exploravam a bebida ilegal traziam seu produto do exterior, em especial do Canadá). Nada, portanto, que possa ser comparado à proibição das drogas, que existe na maioria dos países.

“Como foi possível acabar com a proibição sem permitir que os mafiosos se tornassem empresários?”, é a pergunta cândida do leitor. Isso foi possível por dois motivos.

Primeiro, os mafiosos, como Al Capone, já estavam atrás das grades (este por uma acusação lateral, de sonegação de impostos), e as redes criminosas que exploravam o ramo de bebidas estavam desmanteladas (alguns mafiosos, depois, passaram-se para outros ramos, como o de jogo e... drogas).

Segundo, e mais importante: os mafiosos estavam longe, muito longe, de dominarem todo o ciclo produtivo-distributivo do uisque e da cerveja - quando a proibição foi finalmente revogada, na década de 30, os grandes produtores-distribuidores do produto estavam fora dos EUA, principalmente na Europa, onde a proibição de vinho e conhaque jamais ocorreu. Eles, enfim, agiam legalmente, como faziam há séculos. Foi por esse motivo que os gângsteres de Chicago e Nova York não se tornaram grandes empresários do uísque ou da cerveja.

Entendeu? É por isso que o fim da proibição da bebida, nos EUA, foi uma boa idéia, enquanto que fazer o mesmo com as drogas, hoje, seria um gesto de suprema estupidez. Seria unicamente entronizar o crime organizado, dando-lhe ainda mais poder.

Não é preciso ser um gênio para perceber que não há absolutamente nada em comum entre o fim da Lei Seca nos EUA nos anos 30 e a legalização das drogas. Esse tipo de associação malandra só pode ser o resultado de ignorância ou de vigarice intelectual. Ignorância, aliás, que o leitor já confessou a respeito da questão.  

Além do mais, se o objetivo da legalização, como diz o leitor, é criar uma nova indústria, geradora de emprego, renda e impostos, então o que explica a animosidade dos maconhistas às indústrias do fumo e do álcool, a ponto de as leis coibindo o cigarro em lugares públicos avançarem de forma inversamente proporcional aos movimentos pela legalização do baseado? Não seria exatamente – é só uma suposição – porque o álcool e o tabaco, ao contrário da maconha (e da cocaína, da heroína, do crack...) são uma “indústria”?

Enfim, toda essa lenga-lenga pró-maconhista não passa de uma desculpa para favorecer quem já lucra milhões de dólares produzindo e vendendo essa porcaria. Os narcoterroristas das FARC e Fernandinho Beira-Mar devem estar adorando. Não vêem a hora de trocar o uniforme camuflado e a roupa de presidiário por um elegante terno Armani e se tornarem grandes empresários do novo negócio legal da maconha e da cocaína. Executivos respeitáveis, geradores de empregos e pagadores de impostos... Certamente, adorariam participar de uma “marcha da maconha”.

Já estou até vendo como seria. Passeando pela rua, deparo com uma loja em que um vendedor, em altos gritos, anuncia o produto:

- Vamos entrando, cliente, é só aqui: maconha da boa, direto do Paraguai: só cinco reais a trouxinha! Cocaína da pura, só dez reais o grama! Sensacional promoção: compre três e leve, inteiramente grátis, um lança-perfume!

Querem saber? Há coisas mais importantes que requerem minha atenção. Tenho mais o que fazer do que ficar explicando o bê-a-bá para maconhistas.

OS HUMANISTAS DO TERROR

Mais uma do Zé, o humanista, que acha muito feio o que os EUA fizeram para despachar o Bin Laden. Ele não desiste. Para seu azar, eu também não.

Não confunda as coisas. Não apelo para os Direitos Humanos para livrar ninguém de sua devida punição, muito menos um terrorista como Bin Laden, não me acuse de algo que eu não disse.

OK, Zé, você não apela para os Direitos Humanos etc. e tal. Vou lembrar disso até o final do texto.

NÃO odeio os EUA, mas também não os idolatro como alguns. Se eles cometem algo indevido não vou me fingir de cego e dizer que está tudo bem, porque afinal, “eles nos livraram de Bin Laden”.

Nao odeia os EUA, apenas o que eles fizeram... O “algo indevido” a que Zé se refere é o waterboarding, que para ele é tortura e invalidaria toda a operação que levou à morte de Bin Laden no Paquistão. Falarei sobre isso mais adiante.

Ter Bin Laden morto é um alívio. Mas não é esta a questão que eu coloquei, e você insiste recorrentemente em desviar tal questão. Eu estou falando de TORTURA.

E eu estou falando de waterboarding. Quem está se desviando da questão?

Agora se você não acha que waterboarding é um tipo de tortura, temos então uma outra questão a ser resolvida. Sei muito bem do que se trata o waterboarding e considero isto um tipo de tortura. Se assim não fosse, o que levaria a pessoa torturada (ou waterboardiada) a abrir o bico? Será porque ela acha legal? Uma espécie de diversão que em troca de se divertir a pessoa em questão fala o que os torturadores (ou waterboardeadores) querem saber? Ridículo! Waterboarding é tortura e, como pudemos ver, funciona muito bem!

Tá bom, waterboarding é tortura etc. e tal. Os cadetes de West Point que passam pelo ritual anualmente têm, portanto, que buscar imediatamente um advogado e acionar as Forças Armadas norte-americanas por causa dessa prática abominável. Também todos aqueles que ficaram aleijados ou incapacitados para o resto da vida por terem sido submetidos a esse tormento medieval devem entrar sem tardar com um processo no Tribunal Internacional de Haia contra os EUA. Sem falar nos parentes dos cidadãos mortos em alguma sessão dessa prática cruel e desumana.

Só tem uma coisa que está me deixando encafifado: se o waterboarding, como o próprio Zé admitiu, funciona muito bem, e foi o que permitiu aos Navy Seals meterem uma bala no Bin Laden, o Zé está dizendo que toda a ação que eliminou o Bin Laden foi errada, certo? Sim, porque se um método "funciona muito bem", e foi o que permitiu a eliminação do terrorista, a questão deixa de ser se waterboarding é tortura ou não, mas se leva ou não ao fim almejado. Ou seja: foi errado não porque é tortura, mas porque funciona! (E muito bem, como reconheceu o Zé.) Portanto, ele está preocupado não com os direitos humanos do Bin Laden, mas com o fato de que práticas como o waterboarding se mostram eficazes no combate aos terroristas.

Agora respondendo a tua pergunta: “que erro os EUA cometeram? Livrar o mundo de Bin Laden?”
Não, livrar o mundo de Bin Laden foi algo acertado. A tortura foi o erro. E a tortura sempre será um erro inadmissível independente de que seja o agente.

Assino embaixo. Tortura é um erro. Mais que isso: é um crime, independentemente do agente (e do agido, faltou dizer). Por isso é preciso que alguém diga que método de interrogatório menos desumano que o waterboarding existe para arrancar informações vitais de fanáticos da Al-Qaeda. Talvez o Zé saiba.

Quanto a sua indignação:

Acredito que ele quis dizer indagação (e não “indignação”...).

“Agora fiquei intrigado. Se o Zé é leigo no assunto, então por que condena a forma como os EUA acabaram com o Bin Laden? É o mínimo que se espera: se alguém critica os EUA por terem usado o waterboarding para arrancar informações de terroristas presos que permitiram chegar até o cafofo do Osama, tem o dever de, pelo menos, sugerir um método melhor. Que tal hipnotismo?”
Não é porque sou leigo em assuntos militares, que eu não consiga distinguir claramente o método usado como sendo tortura. E isso me permite a crítica. Ou você concorda com todos os filmes que vê só porque não é diretor de cinema? Independente de ser um general de guerra, posso discordar plenamente do método usado. Método este condenado na declaração dos direitos humanos. Para os países signatários, não há exceção!

OK, Zé, você acha que waterboarding é tortura. Só me resta repetir o que disse antes sobre o assunto.

E mais uma vez, não custa lembrar: continuo a esperar um plano elaborado de captura do Bin Laden que exclua o waterboarding. Quem condena os EUA pelo que fizeram tem a obrigação moral de dizer como deveriam ter agido. Se não o fizer, vou me convencer que é só mais um antiamericano empedernido em busca de um pretexto para atacar o “império”. Até porque os inimigos dos EUA estão se lixando para Direitos Humanos. Aí estão Cuba e Coréia do Norte para provar.

Mas o mais interessante: Zé começou o comentârio dizendo o seguinte: “Não apelo para os Direitos Humanos para livrar ninguém de sua devida punição, muito menos um terrorista como Bin Laden, não me acuse de algo que eu não disse”.

Eu não acuso, Zé. Aí está você que não me deixa mentir.

Em outro post, escrevi que invocar os Direitos Humanos no caso do Bin Laden (ou dos criminosos nazistas) é uma obscenidade. Aí está o leitor novamente para comprovar o que eu disse.

domingo, junho 05, 2011

LEGALIZAR MACONHA É COISA DE QUEM FUMOU TODA A LÓGICA E QUER TROCAR O RESPEITO À LEI POR UM CAPRICHO ADOLESCENTE





Capitão Nascimento e Eliot Ness: respeito à Lei é bom e eu gosto


Um leitor anônimo julga ter encontrado a solução perfeita para o problema das drogas. Comentando meu último post sobre o tema, ele escreveu o seguinte. Transcrevo de uma vez só, na íntegra.

Novamente você atropela os argumentos para chegar logo a conclusão. No fim acaba por concluir indevidamente.Se os EUA um dia tiveram uma lei seca que não permitia a venda de bebidas e hoje em dia possuem todo o suporte legal para a venda de bebidas, significa que etapas foram cumpridas.Ao se permitir a venda de bebidas, se permite a compra e a venda de bebidas legalmente estabelecidas. Os EUA importam bebidas reconhecidamente dentro das normas da lei, assim como produzem da mesma maneira.Se as drogas fossem legalizadas não seria diferente. Ao se criar uma indústria de maconha, por exemplo para citarmos uma das drogas. A indústria funcionaria com o plantio da erva em lugares regulamentados, a extração e a fabricação seriam feitas por empresas regulamentadas que pagariam impostos e receberiam um selo de permissão para venda. A compra do narcotráfico não seria permitida. Isso é fácil de conceber.Concordo plenamente quando você diz que "numa democracia, a lei deve ser sagrada, vale para todos". E é por isso mesmo que falo em legalizar, tornar legal e passar a fazer parte da lei a permissão para a compra, venda e uso de drogas dentro de normas rigorosamente estabelecidas. Portanto, a legalização leva antes a uma rigorosa regulamentação determinando categoricamente como se deve fazer perante essa legalidade.Agora, por favor, dizer que "Tropa de Elite" quebrou tabus é o fim. O filme até que não é dos piores, mas não inovou em nada. "Cidade de Deus" já mostrava tudo isso: badidagem, classe média comprando drogas, briga pelo poder, corrupção policial. "Tropa de Elite" nada mais é do que uma propaganda discarada do BOPE. Transformar "Capitão Nascimento" em heroi é demais!Quanto aos "Intocáveis" isso sim foi uma escolha excelente!

Que beleza, não? Depois de ler o que está aí em cima, fica-se com vontade de perguntar: afinal, por que não se legaliza logo o comércio de maconha (e de cocaína, e de heroína, e de crack) de vez? Afinal, como afirma o leitor, é algo que só traria benefícios: uma indústria regulamentada e geradora de empregos, pagadora de impostos etc. Igualzinho às indústrias de bebidas e de cigarros. Já consigo até vislumbrar os anúncios: "Marlboro Cannabis, menos alcatrão, mais cânhamo". Ou: "Cheire Coca: é o maior barato". Um novo ramo da economia seria aberto. E o mais importante: seria o fim do narcotráfico.

Acho que, depois dessa, Platão, Tomás Campanella e Thomas More ficariam com vergonha das pobres utopias por eles idealizadas. Sugiro que o leitor apresente sua proposta revolucionária à ONU. É caso, no mínimo, para um Nobel da Paz.

Pois é, né? Quando a esmola é grande demais, o cego desconfia, como se diz lá na minha terra. O bem-intencionado leitor só se esquece de um pequeno detalhe, coisa sem importância: quem, caro leitor, controla o comércio (ainda) ilegal de drogas? Já dei uma pista no post anterior, mas vou lhe ajudar: são quatro letras. Adivinhou? OK, vou ser mais explícito: quem são os maiores produtores e distribuidores de cocaína do mundo? Se você pensou nas FARC, acertou em cheio.

Pois bem. O que aconteceria se o governo do Brasil, hoje o maior destino das exportações de cocaína vindas dos acampamentos das FARC, ou um conjunto de países, resolvesse, de uma hora para a outra, descriminalizar o que hoje é ilegal? Aqueles que hoje dominam o narcotráfico se tornariam mais ou menos poderosos? Preciso responder?

Para usar um exemplo da época da Lei Seca: imagine que os EUA, cansados de enxugar gelo na guerra contra as máfias que exploram o comércio ilegal de uísque e cerveja, resolvessem dar a luta por perdida e portanto legalizar o comércio e consumo de bebidas alcoólicas, com base no mesmo argumento hoje usado para a maconha. Provavelmente os chefões mafiosos da época, como Al Capone e Lucky Luciano, virariam os maiores empresários do mundo, e hoje controlariam a economia de metade do planeta. Agora substitua-os pelas FARC hoje em dia. Maravilha, não?

O grande erro dos que advogam a legalização do tráfico - e seria legalização do tráfico, tenham certeza - é que não conseguem, ou não querem, enxergar as conseqüências que tal decisão teria no mundo real, fora das considerações genéricas e abstratas, de tipo prático ou moral, sobre "liberdade individual" ou "saúde pública". Legalizar qualquer droga ilícita serviria apenas para legalizar e entronizar o crime organizado. Nada mais que isso.

Agora, indo para a crítica de cinema: é verdade que Cidade de Deus já antecipa muito do que se vê em Tropa de Elite, em especial no que diz respeito à violência da bandidagem. Mas, francamente, dizer que o filme de José Padilha não é inovador só pode ser brincadeira de quem não conhece o cinema brasileiro. O filme incomodou tanta gente justamente por mostrar a polícia no seu papel de polícia (em Cidade de Deus, ainda é a velha polícia corrupta) e bandido como bandido (coisa que o filme de Fernando Meirelles também fez, e por isso também foi criticado pela "burritsia" tupiniquim, que viu nele uma "estetização da violência"). Além do mais, nenhum outro filme brasileiro antes de Tropa de Elite, que eu saiba, mostra de forma tão explícita e sem concessões os "usuários", sobretudo os de classe média e alta, e inclusive ONGs, como o que de fato são - cúmplices da bandidagem. Foi isso, muito mais do que qualquer propaganda do Bope, o que realmente incomodou e indgnou os maconhistas.

Outra coisa: pelo visto o leitor não assistiu ao filme Os Intocáveis, de Brian De Palma. Se o tivesse feito, teria percebido o que o diálogo que transcrevi quer dizer. Certamente saberia que Eliot Ness (aliás, um personagem que realmente existiu) era o inimigo número um de Al Capone - ele passa todo o filme combatendo o comércio ilegal de bebidas, tentando prender Capone. Só no final do filme, com Capone já preso, é que ele diz sua opinião sobre a Lei Seca. Isso está no diálogo que eu transcrevi.

Portanto, caro leitor, se você acha um absurdo transformar o Capitão Nascimento em um herói - coisa que o POVO brasileiro, que lotou os cinemas, fez de imediato, identificando-se com o personagem -, não deveria considerar Eliot Ness um exemplo. O que vale para um filme vale também para o outro.

Assim como Eliot Ness no caso da Lei Seca, pode ser que um dia, quem sabe, seja normal e aceitável cheirar uma carreira de pó ou fumar um baseado. Mas, até que esse dia chegue, é a defesa da Lei o que importa. Pelo menos para os que prezam a democracia e a colocam acima de um capricho hedonista.

RESPOSTA A UM HUMANISTA - II

Não é que o tal do Zé, o humanista retroativo, insiste em chorar aqui a morte do Bin Laden? Ele escreveu sobre meu post RESPOSTA A UM HUMANISTA (ele vai em vermelho):

Me chamar de antiamericano etc etc. realmente resolve toda a questão. Isso não é resposta digna.

Se alguém chamou alguém aqui de antiamericano, foi o próprio Zé. Ou apelar para direitos humanos para livrar a cara de Bin Laden é coisa de quem ama os EUA? (e a humanidade, enfim)

Falo da tortura e de seus maleficios. Como um país que se diz humanista e defensor dos Direitos Humanos é capaz de torturar seus inimigos para atingir seus fins? Parece que nosso velho Maquiavel sempre esteve certo em sua célebre frase.

E eu falo do waterboarding, que pelo visto o leitor não sabe do que se trata. Falo também da necessidade de combater os terroristas, de caçá-los e puni-los, onde quer que se escondam. Procure se informar a respeito. Aí, depois, a gente conversa.

Já pensou se os EUA levassem ao pé da letra a frase de Maquiavel (no sentido que lhe dá nosso amigo, que deve conhecer d'O Príncipe só a orelha)? Não sobraria um osso inteiro no corpo de nenhum terrorista preso. Mas querer que ele entenda isso é um pouco demais.

Daí o autor deste blog, na sua sede de vingança contra aqueles que defendem a dignidade de todos os humanos, xinga-os de serem contra os americanos e amigos de terroristas e blá blá blá.

Estou curioso para saber que terrível afronta o Zé me causou para eu ter essa "sede de vingança". Será ele algum ex-coleguinha meu do jardim de infância que roubou meu lanche na hora do recreio? Ou será que é aquele moleque que certa vez furou minha bola de futebol por pura maldade e despeito?

Pelo visto o Zé é um dos que "defendem a dignidade de todos os humanos", como ele disse, para se diferenciar de mim, o vingativo, que quero o mal para todos os humanos... Enfim, ele é um humanista, uma pessoa do bem, porque acha um absurdo o que os EUA fizeram com o Bin Laden. Deve acreditar, portanto, que o moralmente correto seria deixar o terrorista solto. Eu penso bem diferente. Por isso eu sou mau, muito mau, como se vê.

Aliás, já virou praxe dos direitistas de quando uma pessoa chama atenção para um erro dos EUA, estes chamam esta pessoa de antiamericana e antidemocrata e outras palavras sem sentido.

Ele não gosta que o chamem de antiamericano e de antidemocrata, mas não vê problema em me tachar de direitista... Tudo bem, não me importo com o rótulo. Pergunto apenas: que erro os EUA cometeram? Livrar o mundo de Bin Laden?

Mas a questão, que ainda está pendente, é que Prender ou matar um homem numa guerra é viável. Mas torturá-lo não é.

Numa guerra não se luta para prender, mas para matar o inimigo. Quem tem o dever de prender é a Polícia, não o Exército, a Marinha ou a Força Aérea. E Bin Laden, desde que cometeu a atrocidade de 11 de setembro, era um alvo militar legítimo, como já cansei de escrever. Chegar a ele, mediante os métodos que foram empregados, é plenamente justificável numa situação de guerra. Ou o Zé vai querer ensinar métodos de interrogatório e táticas de combate antiterrorista aos Navy Seals? Será que ele é um expert em guerra antiterror e eu não sabia?

Querer que em troca eu dê um plano de combate militar é uma enorme hipocrisia, como sempre será uma irônia ardilosa pedir a um leigo que faça o serviço de um especialista.

Agora fiquei intrigado. Se o Zé é leigo no assunto, então por que condena a forma como os EUA acabaram com o Bin Laden? É o mínimo que se espera: se alguém critica os EUA por terem usado o waterboarding para arrancar informações de terroristas presos que permitiram chegar até o cafofo do Osama, tem o dever de, pelo menos, sugerir um método melhor. Que tal hipnotismo?

Eu durmo todo dia com minha cabeça tranquila, pois nunca torturei ninguém e nem me passa pela mente isso!

Xiiiii, Zé. Sinto dizer, mas seu caso parece mais sério do que eu imaginava. Dormir tranquilamente sabendo que, se dependesse de você, Bin Laden ainda estaria por aí lépido e fagueiro, sei não... Não parece ser coisa de quem tem um senso moral bem apurado. A cada bomba que a Al Qaeda explodisse, eu teria pesadelos com as vítimas. Veria a mim mesmo, no mínimo, como cúmplice da matança. Acho que não conseguiria nem me olhar no espelho.

Mas isso, claro, é para quem tem algum senso de proporções. Não é para esse tipo de leitor.

MAIS UM SITE. E UM ARTIGO GENIAL.

Este blog ganhou mais um link na seção "Sites Interessantes". Trata-se do excelente site Implicante. Recomendo. Há videos e artigos pra lá de interessantes. Tudo feito com muita verve e bom-humor (outra coisa que pode entrar para a lista de espécies em extinção, se vigorar a chatice politicamente correta que ameaça punir com cadeia até piada de bichinha).

Para começar, destaco o artigo linkado a seguir, de autoria de Flávio Morgenstern (de quem, confesso pedindo perdão de joelhos, ainda não tinha ouvido falar): http://www.implicante.org/artigos/esquerda-e-coisa-de-imbecil-live-with-that/. Inteligente e divertido, um panorama perfeito da imbecilidade esquerdiota que grassa hoje nas universidades do Brasil, onde outrora se estudava e hoje se fuma bagulho - literal e ideológico. (Atentem para o video de Slavoj Zizek, o Marcuse piorado da Eslovênia, tentando explicar sua teoria chapadona sobre vasos sanitários da Alemanha, e como o hábito alemão de ver os próprios excrementos se relaciona profundamente com a ideologia. Ou não.) Muito bom, simplesmente imperdível. Só tem um defeito: não fui eu quem escrevi.

Se você pretende se desintoxicar dessa doença infanto-juvenil chamada esquerdismo, sugiro começar pelo texto acima. O único risco é você ficar mais inteligente.

sábado, junho 04, 2011

PARA QUEM NÃO TEM UM PÉ DE MACONHA EM LUGAR DO CÉREBRO (OU: POR QUE NÃO SOU MACONHISTA)

Sei que é difícil exigir objetividade de alguém que defende a sério a legalização da maconha (e da cocaína, e da heroína, e do crack...). Mas vamos lá.

Um anônimo resolveu postar sua opinião sobre meu texto UMA IDÉIA VIAJANDONA. Ele começa tentando fazer uma graça:

Nossa!, fundamentar teu argumento com "Tropa de Elite" realmente é espetacular. Capitão Nacimento [sic] realmente é um gênio, a mais suprema inteligência do país!!!

Não gostou do diálogo do filme? Tudo bem, tenho outros exemplos. Do mesmo filme, pelo mesmo personagem:

"Quando eu vejo neguinho fazendo passeata 'pela paz', me dá vontade de sair na porrada".

Durante décadas o cinema brasileiro tratou bandidos como vítimas ou heróis, e não como bandidos. Aí veio Tropa de Elite e mostrou, pela primeira vez, as coisas como realmente são. Isso sim, é quebrar um tabu. Entendo por que o leitor não gostou do filme.

POr favor, acorda! Teu argumento tem vários furos que não te faz realmente aprofundar a questão por um preconceito a priori de que legalizar as drogas é ruim.

OK, vamos ver então que "preconceito a priori" é esse de que fala o autor. Porque, até agora, o que afirmei e reafirmo é que legalizar as drogas (pelo menos ele não falou em "regulamentar"...) é o melhor caminho para premiar a irresponsabilidade e render-se, sim, ao crime.

Dizer que legalizar as drogas é o mesmo que legalizar o tráfico é um argumento incorreto. Se legalizadas, as drogas seriam vendidas da mesma maneira que outras drogas legalizadas são vendidas: passando por uma industrialização, depois comércio legal e consumidor. O governo passaria a cobrar impostos (como é feito com cigarro e bebida) e teria com isso uma boa arrecadação. Isso com certeza reduziri o poder do tráfico. Pra que comprar ilegalmente se agora já se pode comprar na legalidade?

Agora é a minha hora de ser irônico: Nossa! Então legalizar as drogas é diferente de legalizar o tráfico? E isso vai acabar com o problema do vício etc.? Jura?

Então quer dizer que basta o governo legalizar a maconha (e a cocaína, e a heróina, e o crack...), tornando possível que ela seja comercializada na loja da esquina, que o problema do tráfico e da criminalidade acaba? Que coisa genial! E de quebra o governo ainda criaria mais uma fonte de arrecadação de impostos? Não me diga! Por que eu nunca pensei nisso antes? Sério?

Puxa, como parece simples, não?

Na verdade, não. A solução não é assim tão simples. A menos que se deseje mandar às favas a razão e regredir ao pensamento mágico.

Vamos supor que o Congresso resolva descriminalizar o comércio de drogas no Brasil. Alguns traficantes, provavelmente, veriam nisso uma oportunidade de legalizar seu negócio, trocando o AR-15 pelo terno e gravata e virando respeitáveis executivos etc. Até aí, beleza, não duvido que isso possa acontecer um dia. Mas tem um problema nisso aí.

O Brasil não produz um grama sequer de cocaína, que vem quase totalmente de países vizinhos como a Colômbia e a Bolívia, assim como outras drogas. Supondo que o comércio de drogas se torne legal no Brasil, mas não nesses países (pelo menos na Colômbia, onde os narcoterroristas das FARC são os maiores produtores e distribuidores do mundo), que efeito isso teria na diminuição dos índices de criminalidade? Posso antecipar um possível efeito da legalização: os cartéis de narcotraficantes colombianos e bolivianos ficariam ainda mais poderosos. Estes teriam, a partir de então, um mercado gigantesco à sua disposição - e melhor: de forma totalmente legal. Conseguem imaginar o desastre que seria?

A verdadeira questão que envolve as drogas - e há outros posts em que escrevo sobre isso - não diz respeito à substância em si. Drogas ilicitas sempre existirão. O verdadeiro problema, o cerne da questão, é a ilegalidade. Comprar maconha ou cocaína é ilegal, ponto final. Pode ser que um dia deixe de ser, e adquirir uma trouxa de cannabis ou uns gramas de pó seja algo tão corriqueiro quanto comprar um litro de leite na padaria, mas até lá trata-se do respeito à lei o que está em jogo. E, numa democracia, a lei deve ser sagrada, vale para todos. Preciso ser mais explícito a esse respeito?

É por esse motivo que o que vem em seguida não faz o menor sentido:

Dizer que a legalização das drogas é o mesmo que legalizar o roubo e o assassinato só pode ser alguma piada de mal gosto. Você trata a substância (droga) como sendo em si criminosa, o que é um erro. Crime é o tráfico de drogas. Se as drogas forem legalizadas, estaremos vendendo legalmente uma substância (como muitas outras são vendidas de forma legal) por uma outra via que não será mais o narcotráfico. Quem ganharia com isso seriam os empresários que tivessem capital para investir nessa nova indústria, e não os traficantes.

Vamos lá, por partes.

1) Legalizar as drogas porque "a guerra às drogas fracassou", como está dizendo FHC, é o mesmo que proclamar a rendição da Lei ao narcotráfico. Pela mesma lógica, dever-se-ia legalizar o estupro e o assassinato, pois afinal de contas trata-se de duas práticas ilegais, que nem por isso deixam de ser cometidas. Afinal, a "guerra ao roubo" ou a "guerra ao homicídio" são perdidas todos os dias, sempre que se comete um desses delitos.

2) Exatamente, criminosa em si não é a droga, mas o tráfico. E crime é crime. Até que o tráfico deixe de ser um delito - e, por suas dimensões internacionais, isso teria que ser ao mesmo tempo no mundo inteiro -, comprar e consumir maconha (e cocaína, e heroína, e crack...) é abastecer o narcotráfico e compactuar com o crime. Essa é a verdadeira questão, como afirmei acima.

Essa é uma verdade tão óbvia, tão evidente, que o próprio FHC parece ter percebido a estupidez da idéia de legalizar as drogas - ele agora prefere dizer que não se trata de legalizar, mas de "não criminalizar o usuário", que deveria, segundo diz, ser submetido à tratamento médico em vez de preso (o que já ocorre na realidade, é bom que se diga). Enfim, até ele já percebeu que querer legalizar não é solução - é parte do problema.

Para ficar mais claro o que quero dizer, reproduzo a seguir o diálogo final do filme Os Intocáveis, de Brian de Palma (1987). O filme trata da guerra das autoridades norte-americanas contra a máfia de Al Capone em Chicago, durante os anos da "Lei Seca", que proibiu o comércio de bebidas alcoólicas nos EUA nos anos 20.

(Na saída de seu escritório, o inspetor do FBI Eliot Ness é abordado por um repórter, que lhe faz algumas perguntas.)

- Repórter: Dizem que vão revogar a Lei Seca. O que o senhor vai fazer a respeito?

- Eliot Ness (depois de alguns instantes): Acho que vou tomar um drinque.

Entenderam? É por essas e outras que acho uma idiotice e uma estupidez a idéia maconhista.

RESPOSTA A UM HUMANISTA

Um tal Zé - posso estar enganado, mas desconfio que é o mesmo em que dei uma chinelada outro dia num post sobre a religião desarmamentista - está indignadíssimo com o dono do blog. Ele deve achar que sou um monstro moral porque fiquei feliz com o fato de que os EUA mandaram o Osama Bin Laden fazer jihad lá no reino do chifrudo - e da maneira que considero a mais adequada. Ele escreveu o seguinte:

Não vou nem sequer falar aqui se a maneira como Bin Laden foi morto é considerada correta e justa, senão é capaz de você me chamar de "anti-americano" e "viúva do Bin Laden" e aquele monte de blá blá blá sem sentido e fundamento. No entanto, não concordo (e penso que qualquer um que defenda a justiça e a liberdade de verdade também não concorde) que a Tortura é inaceitável em qualquer caso. Não podemos aceitar a tortura e muito menos ser irônico a respeito como se o ato americano não tivesse sido gravíssimo!

Vou ser bonzinho com o leitor que escreveu o que vai acima. Não, Zé, não vou lhe chamar de antiamericano e de viúva do Bin Laden. Não vou usar nenhum "blablablá sem sentido e fundamento" (como lembrar que abrigar terroristas é uma violação seriíssima do direito internacional e que Bin Laden era um alvo militar legítimo). Sobre tudo isso já falei à exaustão, creio eu. Vou somente dizer que você não tem a menor noção do que está ocorrendo à sua volta. Ou é um grande cara-de-pau.

Assim como o distinto leitor é certamente um humanista, pois "não concorda que a tortura é inaceitável em qualquer caso" (sic), eu também acho a tortura uma coisa abominável. Esmagar dedos, dar choques elétricos nos genitais, arrebentar ossos e dentes de um prisioneiro, além de ser uma covardia, é algo que só pode causar repulsa a qualquer pessoa com um mínimo de senso de decência e dignidade. Mesmo que seja para eliminar o terrorista mais procurado do mundo? Mesmo que seja para eliminar o terrorista mais procurado do mundo.

É por esse motivo que acho que o waterboarding, no caso dos assassinos da Al Qaeda, é o menor dos males possíveis. Não conheço - e acho que o Zé também não conhece - nenhum caso de terrorista preso que tenha sucumbido ou ficado com graves sequelas físicas ou mesmo psicológicas por causa do waterboarding. Também ignoro se algum cadete de West Point que já passou pela experiência num trote de calouros resolveu entrar com uma queixa-crime contra a prática em algum tribunal, por considerar que foi vítima de tortura ou coisa parecida.

E nem precisa lembrar (mas eu lembro assim mesmo): quem afirma que os EUA agiram erradamente ao despachar Bin Laden para os quintos dos infernos tem a obrigação de dizer como os EUA deveriam ter procedido. Continuo esperando por isso.

Para gente como o Zé, os EUA fizeram algo "gravíssimo". Seria o waterboarding? Duvido muito. Resta a eliminação do Bin Laden pelos Navy Seals. Sendo assim, só posso concluir: é mais um antiamericano patológico e uma viúva do Bin Laden que está chorando a morte de seu herói. E que está usando a questão do waterboarding como pretexto para remoer seu ódio. Talvez para não perder o costume.

Enfim, faço questão de repetir: os EUA estão de parabéns por terem livrado o mundo de mais um monstro. Acredito que fizeram a coisa certa. E durmo tranquilo com isso em mente. E os que invocam os direitos humanos no caso do Bin Laden, posando de humanistas, será que podem dizer o mesmo?

terça-feira, maio 31, 2011

OS ASSASSINOS "DELES" E OS "NOSSOS". OU: TERRORISTAS E TORTURADORES, QUAL A DIFERENÇA?

Existe um troço chamado "Amor e Revolução". Trata-se de uma telenovela exibida pelo SBT, a rede de televisão de Sílvio Santos. O enredo - se é que se pode chamar assim coisa tão tosca - tem como tema central os chamados "anos de chumbo" da luta armada durante o regime militar, nos anos 60 e 70. Uma coleção de clichês ideológicos e de meias-verdades sobre o período, que até parece saída de uma cartilha do MEC encomendada e aprovada por Fernando Haddad, "Amor e Revolução", a começar pelo título, é um lixo, uma porcaria típica dos programas da emissora de Sílvio Santos.

Desde que a Rede Globo - estupidamente rotulada de "direitista" pelos bocós da esquerda jurássica - inaugurou o filão, levando ao ar em 1992 a minissérie Anos Rebeldes para coincidir com o impeachment do neocompanheiro Fernando Collor de Mello, não se via tamanha falsificação histórica, tanta bobagem travestida de História na televisão brasileira. "Amor e Revolução" é o retrato perfeito da historiografia predominante sobre o regime militar no Brasil, na qual prevalece uma visão edulcorada da esquerda armada e a condenação maniqueísta dos militares.

Nem é preciso assistir a um capítulo da telenovela-trash (e mesmo se eu pudesse, não perderia meu tempo vendo essa bobajada); basta ler a sinopse para perceber o tamanho da propaganda ideológica travestida de teledramaturgia. Nesse caso, propaganda a favor dos "guerrilheiros", mostrados sempre - sempre, sem exceção - com uma aura de santidade, como jovens idealistas e heróicos, em luta contra a cruel e assassina ditadura militar, pela "democracia" e "por um mundo melhor". Os militares, por sua vez, são sempre - sempre, sem exceção - retratados como torturadores malvados e desumanos. Já seria constrangedor o bastante, se a novela, assinada por um autor importado da Record do "bispo" Macedo (outro amigão da turma do Planalto), não tivesse a qualidade artística de um dramalhão mexicano, com personagens que beiram o ridículo na forma amadoristica com que são interpretados, perto da qual Malhação parece uma jóia de dramaturgia shakesperiana.

Além do caráter trash da novelinha, há outro aspecto que vale a pena ressaltar. O dono do falido Banco Pan-Americano, ao que parece, pegou gosto pela "Semana do Presidente" - programinha que ia ao ar em sua emissora nos anos 80, em que o homem do baú bajulava os presidentes de plantão. Senor Abravanel sempre se deu bem com o governo, qualquer governo. Com o de Dilma Vana Rousseff, a Rainha Muda, não é diferente. Ele quis fazer um agrado à ex-companheira Stela da Vanguarda Popular Revolucionária, que tem no "passado de luta" uma peça importante do mito criado em torno de sua figura (o que ela realmente fez no período, estranhamente, permanece um mistério, e, se depender dela, permanecerá assim até o fim dos tempos). Só não precisava apelar na teledramaturgia de quinta e na pesquisa histórica de vigésima categoria. O público, pelo visto, não engoliu muito bem a patacoada, pois a coisa anda patinando no ibope. Tanto que o diretor resolveu incrementar a trama, incluindo um beijo lésbico na novela para ver se rendia alguns pontos a mais na audiência. (E assim fazer uma média com a turma GLBTT; sabe como é: amor, revolução, beijo lésbico, essas coisas...)

Pois bem. Se há algo que se salva nesse amontoado de slogans esquerdistas embalados numa roupagem que ficaria bem n'A Praça é Nossa são os depoimentos que alguns personagens reais aceitaram dar ao final de cada capítulo. Andei assistindo a alguns deles. Refletindo a hegemonia absoluta da esquerda nesse tema, a imensa maioria dos depoimentos - praticamente 90% - é de ex-militantes de organizações esquerdistas, como o guerrilheiro de festim José Dirceu, que repetiu pela enésima vez o personagem que criou para si mesmo, com aquele sotaque caipira forçado (fala-se que a própria Dilma Rousseff pode dar um depoimento até o fim da novela). Como era de se esperar, eles carregam na "luta pela democracia e pela liberdade" e na descrição das torturas que dizem ter sofrido nas mãos de seus captores militares etc. etc. Aqui e ali, uma vítima do terrorismo de esquerda, como o aposentado Orlando Lovecchio, que perdeu a perna na explosão de uma bomba em São Paulo em 1968, e o filho de um guarda assassinado por terroristas no assalto a um hospital (!), contam a sua história. Mas o predomínio é de gente de esquerda, que capricha no papel de vítima da repressão e merecedora da devoção das novas gerações.

Dentre os depoimentos da turma esquerdista, há um realmente assombroso. É o do hoje professor de música Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz. Apesar do último nome ("da Paz") e do codinome utilizado nos anos de clandestinidade ("Clemente"), a história de Carlos Eugênio é barra-pesada. Ex-chefe do grupo tático armado da ALN (Ação Libertadora Nacional), organização terrorista criada pelo ex-deputado comunista Carlos Mariguella (morto em 1969), Carlos Eugênio narra com riqueza de detalhes uma das ações de que participou - o assassinato (os terroristas chamavam de "justiçamento") de um empresário, o dinamarquês Henning Albert Boilesen, numa rua de São Paulo, em 1971. Boilesen, que era acusado pela guerrilha de financiar a repressão, foi morto à queima-roupa, em plena luz do dia, com dezenas de tiros de fuzil e metralhadora disparados por Carlos Eugênio e outros terroristas. "Clemente" parece sentir prazer ao lembrar dos tiros de fuzil Mauser que ele disparou e que acertaram o empresário, abatido sem qualquer chance de defesa. E justifica o assassinato, lembrando que era uma guerra etc. e tal. Chega mesmo a sugerir que havia uma certa "beleza" na execução daquele "inimigo do povo"...

Não vou me estender aqui analisando o depoimento de Carlos Eugênio (que nunca foi preso e recebeu uma generosa indenização, como "perseguido político", da Comissão de Anistia da Presidência da República): Reinaldo Azevedo, em seu blog, já fez isso, num post devastador (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/cuidado-leitor-abaixo-voce-lera-o-testemunho-de-um-assassino-frio-convicto-metodico-e-apaixonado-pela-morte-depois-voce-podera-ate-assistir-a-seu-testemunho-e-isso-e-so-o-comeco/). Vou me limitar a fazer uma pergunta.

Digam-me, com toda sinceridade, que diferença existe entre Carlos Eugênio e os assassinos de Rubem Paiva e de Vladimir Herzog? Além do fato de pessoas como Carlos Eugênio terem recebido gordas indenizações do Erário - não bastou terem sido anistiados, ainda recebem grana do Estado pelo que fizeram -, o que as difere dos torturadores a serviço do regime militar? Há assassinos "do bem" e "do mal"? Ou há somente assassinos?

Imaginem um ex-agente do DOPS ou do DOI-CODI vindo a público descrever de forma minuciosa como arrebentou todos os ossos do subversivo preso no pau-de-arara e na cadeira do dragão. Imaginem-no relatando nos mínimos pormenores como ele torturou sua vítima até a morte. Agora pensem nele dizendo isso com orgulho, buscando justificar esse crime bárbaro na base do "era uma guerra, eles também faziam" etc. Alguém conseguiria presenciar tal cena sem vomitar?

Carlos Eugênio escreveu dois livros - Viagem à Luta Armada e Nas Trilhas da ALN, publicados respectivamente pelas editoras Civilização Brasileira e Bertrand Brasil. Li os dois há algum tempo. Neles, ele descreve, usando pseudônimos, atos como o frio assassinato de Boilesen, decidido pelo "tribunal revolucionário" da ALN de Mariguella (autor de um manual em que se dizia orgulhoso de ser um terrorista). Uma das ações de que participou foi o "justiçamento" de outro militante da organização, Márcio Leite de Toledo, fuzilado com oito tiros por Carlos Eugênio e outro carrasco, no mesmo ano e na mesma cidade em que foi assassinado Boilesen.

Carlos Eugênio tenta justificar a morte de Boilesen como um ato da "revolução" - tal como está no título da telenovela do SBT -, pois afinal o empresário dava dinheiro para a repressão etc., como se isso justificasse o homicídio. O mesmo não pode dizer de Márcio Leite de Toledo, exterminado não porque fosse um "inimigo", mas porque desejava abandonar a luta armada... É assim que agem os revolucionários de esquerda: começam matando burgueses e terminam aniquilando a si próprios.

Carlos Eugênio candidatou-se a deputado nas últimas eleições. Teve uma votação ridícula. Felizmente. Imagino um debate entre ele e o deputado Jair Bolsonaro, também do Rio de Janeiro. Carlos Eugênio se apresentou aos eleitores como um ex-guerrilheiro e combatente contra o regime militar, orgulhoso de ter matado "pelo menos seis" pessoas. Bolsonaro, ao que se saiba, jamais torturou ou matou ninguém. Qual dos dois, Carlos Eugênio ou Bolsonaro, mais representa a barbárie?

Na história romanceada da luta armada de esquerda no Brasil, Carlos Eugênio, Mariguella e Lamarca foram heróis. Não é de estranhar. Afinal, o nome que ele usava na clandestinidade era "Clemente"...

Por favor, alguém me responda: qual a diferença entre um terrorista e um torturador?

UMA IDÉIA VIAJANDONA



"A liberdade sem a sabedoria e sem a virtude é o pior dos males possíveis".(Edmund Burke)


Os maconheiros (ainda é assim que se chama, não?) estão em plena ofensiva pela "descriminalização" da erva do capeta. E estão exultantes. Contam, para tanto, com um reforço de peso: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (nessas horas, ninguém na esquerda, que está à frente da tese maconhista, lembra que FHC é um "neoliberal", mas deixa pra lá).

Pois bem. O sociólogo FHC entrou de cabeça na "luta" para "descriminalizar" a cannabis. Ele acredita, quero crer que sinceramente, que esse é o melhor caminho para resolver o problema da violência e da criminalidade que acompanham o vício de puxar um baseado. Chegou mesmo a protagonizar um documentário sobre o assunto.

Já falei e repito: considero esse lero-lero de "legalize já" uma das maiores besteiras que já apareceram nos últimos tempos. A "causa" maconhista, definitivamente, não é para quem tem os neurônios em ordem. Coisa de vagabundos ou de iludidos (acho que FHC está na segunda categoria).

O problema da bandeira maconhista é que ela está, com o perdão do trocadilho, viciada desde o início. Os defensores da idéia maconhista afirmam que querem discutir o assunto (como se todos os que fossem contra a legalizaçào estivessem, na verdade, contra o debate, o que é uma grossa pilantragem). OK, vamos discutir. Em primeiro lugar, vamos usar as palavras certas. Os maconhistas dizem que querem a descriminalização - eles chamam de "regulamentação" - do negócio. Ora, o tema já está regulamentado no Brasil. Portanto, não é de regulamentar que se trata.

Outra coisa: os maconheiros alegam que sua "causa" é em defesa da liberdade individual etc. e tal. Já falei o que penso sobre isso, e não quero me repetir. Vez ou outra, eles organizam uma "marcha da maconha", com slogans favoráveis à legalização e ao uso da erva – o que é crime de apologia as drogas, mas vá lá. Há alguns dias, mais uma dessas marchas foi reprimida pela PM em São Paulo. Os maconheiros reclamaram. Disseram que era um absurdo, uma violência etc. e tal. Quase ninguém lembrou que os distintos maconheiros levaram borrachada e gás lacrimogeneo não porque estivessem queimando um fuminho ou provocando a polícia (o que muitos estavam de fato fazendo), mas porque estavam atrapalhando o trânsito, impedindo a liberdade de ir e vir dos cidadãos. É a “liberdade” maconhista em ação…

Voltando a FHC. Não assisti ainda ao documentário a que me referi, mas, pelo que vi na internet, posso dizer que é algo que confirma que é preciso estar muito fumado para defender a causa maconheira. No filme, o sociólogio FHC defende, ao lado de outras personalidades, como Jimmy Carter, Bill Clinton (e... Paulo Coelho!), a tese de que a "guerra às drogas fracassou". Gostaria de saber do quê exatamente ele está falando, essa tal "guerra às drogas". Trata-se de uma expressão que tem tanto significado quanto "guerra ao terrorismo" (ou "guerra à guerra"). A guerra não é contra a maconha ou a cocaína, mas contra quem as trafica. E é sim, contra quem usa essas substâncias, abastecendo o narcotráfico.

Além do mais, fico encafifado: se a "guerra às drogas", como diz FHC, fracassou no mundo todo, e a solução, portanto, é legalizar o tráfico, o que isso significa exatamente? A meu ver, significa uma rendição ao crime. Mais ou menos assim: o narcotráfico existe, e ele mata milhares de jovens todos os anos. Os esforços para contê-lo e botar os bandidos na cadeia não estão dando certo. Vamos, então, desistir da luta.

Maravilha, não? Fico aqui me perguntando: se a defesa da lei e da ordem – ou seja: da democracia – não está funcionando, então que se dane a lei e a ordem! Por que não legalizar o roubo e o assassinato de vez? Faria todo sentido, não acham?

No documentário, FHC aparece visitando vários países da Europa, como Portugal, Holanda e Suiça. Ele quer "aprender com a experiência" desses países no trato da questão, segundo diz. Neles, o consumo e o comércio de maconha – e de outras drogas, como a heroína, mas isso não convém dizer – estão liberados. O Estado, inclusive, fornece um kit com seringas para viciados, como forma, dizem, de "administrar o dano", tratando a questão como um problema não policial, mas “de saúde pública”, como se fosse um tratamento contra vermes. Um ministro português aparece afirmando que nos últimos tempos o número de viciados no país diminuiu bastante, querendo sugerir que isso teria ocorrido por causa de semelhante medida adotada pelas autoridades locais. Estou ansioso para descobrir que relação causal existe entre a distribuição de kits com seringas e a diminuiçào do vício. OK, admito por um instante que seja mesmo verdade a tal redução do vício em Portugal. Nesse caso, admito muito modestamente que não sei por que ela ocorreu. Só tenho uma certeza: é preciso ser vidente e ter poderes mágicos para afirmar que isso seria devido à distribuição das tais seringas.

Também não posso deixar de me espantar: se bancar o vício com dinheiro do Erário é o caminho para diminuir o número de viciados em drogas como a heroína, então por que o governo não faz o mesmo em relação a outras vítimas de outras drogas, como o álcool e o tabaco? Por que, em vez disso, o governo gasta milhões em campanhas contra o alcoolismo e o tabagismo? Gente, um ministro português descobriu que distribuir kits a viciados ajuda a diminuir o vício, vejam que genial! Por que não começamos imediatamente a distribuir um kit-cachaça e um kit-cigarro? (Seria o "bolsa-viajandão", que tal?) Garanto que os alcoólatras e fumantes deixariam na hora o vício.

Por falar em álcool e cigarro, é curioso como os maconheiros adoram falar mal dessas substâncias, ao mesmo tempo em que defendem a liberação das drogas ilícitas. Um dos argumentos é que fazem mais mal à saúde do que a maconha etc. É, pode ser. Comidas gordurosas e biscoito de chocolate tambem fazem mal à saúde. O Ministério da Saúde, aliás, não cansa de alertar para o consumo desses produtos, chegando mesmo a querer proibir a propaganda para crianças. Ainda vamos legalizar a maconha e proibir o biscoito de chocolate.

Na verdade, FHC não precisaria ter ido à Holanda ou à Suiça para ver os efeitos das drogas na sociedade e nos indivíduos. Ele poderia constatar isso, e com muito mais clareza, visitando a periferia de alguma grande cidade brasileira. Poderia começar com Valparaíso de Goiás, pertinho de Brasília, onde todos os dias morre um adolescente baleado em algum tiroteio entre traficantes. Ou então, se não quiser ir muito longe, pode dar uma passada na Cracolândia, em pleno centro de São Paulo. Sugiro tentar a fórmula européia junto aos zumbis que zanzam pelo local. Nesse caso, quem sabe a distribuição de um "kit-crack" surtiria algum efeito positivo sobre aquelas pessoas, imitando o que já foi tentado (sem sucesso) há alguns anos na Suiça. Aliás, o governo da Holanda acabou de decretar que a venda de maconha em cafés para estrangeiros está proibida. Conseguem adivinhar por quê? É que os turistas estavam aproveitando a liberalidade das leis holandesas para traficar. Pois é...

O título do documentário em que FHC propõe a descriminação da maconha (e de outras drogas, porque a questão não se limita à cannabis) é "Quebrando um tabu". A meu ver, o verdadeiro tabu foi quebrado há uns três anos, em uma cena do filme Tropa de Elite, de José Padilha. Reproduzo o diálogo, que demorou uns 40 anos para ser mostrado em um filme brasileiro:

(Numa operação numa favela carioca, o Capitão Nascimento acaba de matar um traficante que resistiu à prisão à bala. Na boca-de-fumo, várias pessoas são presas, inclusive uma que se identifica como "estudante", que lá estava se abastecendo de erva – bondade do diretor: eles não costumam subir o morro para ficarem boladões. Segue o diálogo).

- Capitão Nascimento (apontando o cadáver crivado de balas do traficante): - Você aí! Me diga: quem foi que matou esse aqui?

- "Estudante": - Foi o senhor, capitão.

- Capitão Nascimento: - Quem?

- "Estudante": - Foi o senhor quem matou.

- Capitão Nascimento: - Nada disso! Quem matou foi você, seu maconheiro! (e seguem alguns bons cascudos no “estudante”).

Para mim, só este diálogo já valeu o filme. E vale por uns dez documentários pró-maconhistas estrelados por FHC.

terça-feira, maio 24, 2011

MINHA TEORIA DA CONSPIRAÇÃO FAVORITA

Como todos sabem, Barack Hussein Obama desmoralizou os que dizem que ele não é cidadão nato norte-americano, e que portanto ocupa ilegalmente a Presidência dos EUA. Como todos sabem também, desde que despachou o megaterrorista Osama Bin Laden, o cartaz do homem nunca esteve tão em alta, ele nunca esteve tão por cima da carne-seca. Principalmente depois dessa imensa vitória publicitária, dizer que Obama não é gringo, como fez o Donald Trump (o do cabelo ridículo), ou simplesmente falar mal do demiurgo, só pode ser coisa de reacionários racistas e malucos.

Mesmo assim, considerando o conhecido gosto dos americanos pelas teorias da conspiração, e decidido a colocar um ponto final nessa quizília toda envolvendo a nacionalidade do presidente histórico, resolvi elaborar eu mesmo minha própria teoria conspiratória. É a seguinte, acompanhem:

Barack Hussein Obama é americano da gema, tanto quanto o Bush ou o John Wayne. O pai dele nasceu no Brooklin, não no Quênia - o que tornaria o filho automaticamente inelegível para a Presidência dos EUA, pois descumpriria um dos requisitos básicos para que ele, Obama, seja considerado um natural born citizen, como manda a Constituição americana, ainda que ele tivesse nascido no alto do Empire State Building: o de que ambos os pais sejam americanos (natos ou naturalizados). Na verdade, Obama inventou a estória do pai queniano e de família muçulmana (além do mais, súdito da Coroa britânica) somente para dar argumentos à direita americana.

Do mesmo modo, Obama resolveu esconder sua certidão de nascimento por quase quatro anos - antes disso, mostrou um documento provisório on-line com claros sinais de falsificação - somente para dar assunto aos birthers e fazer de bobo o Donald Trump na Casa Branca. Durante todo esse tempo, Obama gastou milhares de dólares com um batalhão de advogados e fugiu de responder a processos judiciais para provar sua nacionalidade apenas para dar corda aos republicanos direitistas e calar-lhes a boca agora. E esperou para fazer isso em grande estilo, na véspera da operação que resultou na morte do inimigo número um do mundo civilizado. Obviamente, ele também se antecipou ao que seus inimigos racistas e nazistas diriam do timing escolhido (uma maneira de desviar a atenção de sua popularidade decrescente etc.): é só porque ele é negro, claro.

Enfim, Obama pensou em tudo desde o início. Ele já tinha tudo planejado, nos mais mínimos detalhes, na época de sua eleição à Presidência. Mas, para não deixar os republicanos do Tea Party tristes e sem assunto, ele bolou um esquema ainda mais maquiavélico, fazendo questão de mostrar um documento, o birth certificate, que, ao supostamente "provar" que ele nasceu no Havaí, apresenta estranhos indícios de manipulação (como uma assinatura que não condiz com a de sua mãe e um número de registro superior ao de pessoas nascidas e registradas depois de sua própria data de nascimento). Isso sem falar das declarações de sua avó paterna, que em pelo menos duas ocasiões já afirmou que o viu nascer no Quênia (boatos da internet, claro).

E os demais pontos obscuros da biografia obamista, como sua ligação com o terrorista Bill Ayers, os sermões antiamericanos raivosos de seu pastor e mentor espiritual - por vinte anos! -, Jeremiah Wright, a polêmica sobre sua religião (cristão? muçulmano? ateu? adepto do hare krishna ou do santo daime?), seus negócios inexplicados com o vigarista Tony Rezko e com o escândalo da ACORN etc.? É tudo invenção da extrema-direita e da Ku Klux Klan, óbvio. Alíás, da KKK, não: da CIA, do Mossad e dos assassinos de Kennedy. E por que nada disso sai na grande imprensa, de lá e de cá? Para atiçar a curiosidade de blogueiros direitistas e conspiracionistas, claro. Ou seja: é tudo obra dos mesmos que destruíram as Torres Gêmeas no 11 de setembro e dos que capturaram os alienígenas em Roswell.

Como se vê, em se tratando de Barack Hussein Obama, tudo é muito claro, muito transparente, não há qualquer dúvida, nada, absolutamente nada a ser esclarecido. E quem duvidar disso só pode ser o Donald Trump ou um doido racista.

sexta-feira, maio 20, 2011

CHEGA DE BOIOLICE

O Brasil está virando cada vez mais um país de boiolas.

Antes que você, caro leitor, tomado de um surto de indignação politicamente correta, resolva me submeter a um linchamento público e me tasque um processo por - em breve isso poderá ser possível - "homofobia", elegendo-me o Bolsonaro da vez, conceda-me pelo menos o direito de explicar o que quero dizer com a frase acima.

Em primeiro lugar, por boiolice não me refiro a nenhuma opção ou preferência sexual, seja por quem (ou pelo quê) quer que seja. Ser boiola, aqui, não tem absolutamente nada a ver com ser homossexual - aliás, não tem qualquer relação com a sexualidade, seja qual for. Esse tipo de coisa é para revistas de fofocas e programas de TV. Refiro-me tão-somente a uma atitude (ou melhor dizendo, falta de atitude) em relação à democracia e à liberdade individual. Atitude que, infelizmente, tem sido corrente no país de uns tempos para cá, ameaçando tornar-se obrigatória.

Trocando em miúdos: há gays que não são boiolas e há héteros que se deixam levar pela maior frescura, comportando-se como maricas. O sujeito pode ser o maior mulherengo e ser um boiola, e pode estar apaixonado por um porco-espinho e ser um exemplo de virilidade. Boiolice tem a ver não com o que se faz na cama, mas com hombridade.

Feito este esclarecimento inicial (espero que tenha ficado claro), vamos ao tema central deste texto.

A cada dia multiplicam-se, no Brasil, os casos de covardia moral, de renúncia voluntária à resistência contra o engodo e a impostura. Ou seja: de boiolice. Vejamos alguns exemplos.

Na Congresso Nacional, um projeto de lei - o PLC 122 - ameaça criminalizar qualquer opinião - eu disse: opinião - que possa ser considerada, de algum modo, "homofóbica", ou seja, preconceituosa, contra gays, lésbicas, travestis etc. O projeto é entusiasticamente apoiado pelos grandes meios de comunicação de massa, como a Rede Globo, tendo em sua comissão de frente uma senadora-sexóloga e um ex-BBB eleito deputado federal. Se for aprovado, o tal projeto de lei colocará na ilegalidade qualquer pessoa que tiver a ousadia de citar a Bíblia (ou o Corão) para se referir à homossexualidade, jogando no lixo, portanto, a liberdade de expressão e a maior manifestação desta, a liberdade religiosa.

Seria de esperar, portanto, que houvesse um forte movimento de repúdio a essa clara tentativa antidemocrática, que afronta a opinião da maioria absoluta da população brasileira. Mas que nada! Quase ninguém no mainstream ousa levantar a voz contra essa patacoada, com medo de ser tachado de "homofóbico" ou coisa parecida. Do mesmo modo, quase ninguém tem coragem de criticar a distribuição de um "kit gay" nas escolas, que ensina crianças de 7 e 8 anos de idade as virtudes e a beleza do Ken brincar de médico com o Ken e de a Barbie brincar de casinha com a Barbie.

Na mesma linha "cute-cute", o STF aprovou recentemente a "união homoafetiva". Independentemente do mérito da questão, os senhores ministros mudaram, de uma tacada, um artigo da Constituição Federal, o que legalmente só pode ser feito pelo Congresso mediante Emenda Constitucional. Simplesmente decidiram, cedendo à vontade de um lobby fortíssimo, que um Artigo da Carta Magna não vale mais e ponto final.

Ao decidirem mudar um Artigo da Constituição, os ministros do STF arvoraram-se em legisladores, mandando às favas, assim, a separação de Poderes, base da democracia. Pela lógica, portanto, deveriam esperar que alguém na OAB exigisse imediatamente, no mínimo, a dissolução do STF e a prisão de seus ministros por tentarem um golpe (in)constitucional. Mais uma vez, porém, praticamente nenhuma voz se ergueu para denunciar a trapaça.

O mais curioso é que, para justificar essa decisão, os ministros da Suprema Corte o fizeram pisando em ovos, procurando desviar-se da questão em pauta - a união civil entre pessoas do mesmo sexo -, substituindo o termo homossexual pelo anódino e antisséptico, quase angelical, "homoafetivo". Feito um grupo de freiras pudicas, não ousaram falar abertamente o que todos sabem: que gays também fazem sexo. Foram, nesse sentido, mais boiolas do que os militantes gayzistas que promovem "beijaços" em frente a igrejas católicas - estes, pelo menos, assumem claramente seu preconceito contra uma religião.

Essa constante e sistemática rendição ao politicamente correto constitui uma espécie de anti-Viagra, resultando na impotência voluntária de quem deveria estar nas ruas protestando contra todas essas violações à democracia, disfarçadas de bom-mocismo. E com argumentos, digamos assim, de maricas. Vejam o caso do desarmamentismo, uma religião que usa de todos os pretextos para se impor (o último dos quais foi um massacre cometido por um débil mental numa escola no Rio de Janeiro, com armas adquiridas ilegalmente).

Todo o discurso desarmamentista se baseia no argumento de que o cidadão de bem não é competente o suficiente para ter uma arma de fogo legalizada e que é ele, e não o bandido, o maior responsável pela violência e pela criminalidade no País. Em outras palavras: você, cidadão, em nome da própria segurança e da "paz", deve renunciar a seu direito à autodefesa. Conhecem boiolice maior do que essa? (talvez aquele símbolo feito com as duas mãos imitando um coraçãozinho...)

No caso da falácia desarmamentista, pelo menos, há alguma resistência organizada, como demonstrou o repúdio de 64% da população brasileira à idéia cretina de proibir a venda legal de armas no plebiscito de 2005 (os devotos da seita, porém, não desistiram, e já planejam reeditar a bobajada). Talvez pelo fato de afetar mais diretamente a vida das pessoas, sobretudo dos mais pobres, que, ao contrário do senador José Sarney, não têm dinheiro para contratar um batalhão de seguranças particulares, a idéia desarmamentista foi rejeitada. Mas isso não impede que a ideologia politicamente correta seja cada vez mais hegemônica no Brasil.

Tal fato é facilmente constatado em outros fronts da batalha cultural, nos quais o discurso do pobrismo e sua variante principal, o vitimismo, reinam incontestáveis e absolutos. As cotas raciais, por exemplo, já são uma realidade nas universidades e no serviço público, a despeito da própria formação mestiça da sociedade brasileira e afrontando abertamente o princípio constitucional da igualdade de todos perante a lei. O discurso das minorias, paradoxalmente, já se tornou majoritário no Brasil. A ponto de, hoje, declarar-se negro (ou "afro-descendente") ou gay (ou lésbica, ou transssexual, ou sei lá mais o quê) constituir uma verdadeira marca distintiva, facilitadora e garantidora de direitos especiais - privilégios. E o mais espantoso: tudo isso visto como se fosse algo perfeitamente natural, sem que se levante quase nenhuma voz de protesto (logo abafada e estigmatizada como "racista" ou "homofóbica"). Uma tremenda veadagem.

E por aí vai. Ai de quem se insurja contra a ocupação de espaços pela militância gayzista-desarmamentista-racialista: correrá o risco de virar um pária e até mesmo sofrer um processo legal e - caso seja aprovado o PLC 122 - acabar atrás das grades. Do mesmo modo, infeliz daquele que denuncie o culto da ignorância, outra marca registrada do vitimismo pobrista: é um "preconceituoso" e um "elitista". Diante da perspectiva de se tornar impopular e de vir a ser tachado com rótulos tão infamantes, o indivíduo prefere calar-se a peitar os que seqüestram a democracia. Coisa de boiola.

Curvar-se à ditadura do politicamente correto, muitas vezes escondendo as verdadeiras opiniões para não afrontar ou ferir suscetibilidades de quem se acha dono da verdade e da virtude, tornou-se a única e obrigatória regra moral seguida à risca no Brasil. Fora desse círculo infernal, se ousar destoar dos bem-pensantes e pensar com a própria cabeça, você será automaticamente rotulado como um intolerante, um racista, um homofóbico e um direitista raivoso (de preferência da TFP e da Opus Dei).

Isso sem falar na política propriamente dita, onde a boiolice reina poderosa e absoluta. Para começar, decidiu-se que chamar de apedeuta e analfabeto um sujeito que fazia a apologia do apedeutismo e do analfabetismo é "preconceito da elite". Além disso, tentem contar em quantos escândalos de corrupção e outros a companheirada no poder se meteu desde 2003. Em todos esses casos, a começar pelo mensalão, a dita "oposição", que tem o dever de se opor ao governo, comportou-se, em vez disso, como um clube de mulherzinhas.

O último escândalo da petralhada foi o milagre da multiplicação da conta bancária protagonizado por Antonio Palocci, o do estupro da conta do caseiro. Mais uma vez, o que fez o PSDB? Deu um show de falta de coragem e de testosterona. Acabei de ler algumas declarações de Aécio Neves, praticamente pedindo desculpas por tocar no assunto da conta de Palocci no Senado. Uma coisa assim, bem fofa. Com uma oposição dessas, por que o governo precisa de base aliada? São ou não são um bando de boiolas?

Uma das coisas que me lembro de ouvir quando criança era que um homem tinha que ter coragem. Que tinha que ser bravo, até fisicamente, para defender sua honra e enfrentar aquilo que considerasse errado ou injusto. Coragem e caráter, enfim, eram duas coisas inseparáveis. Era isso, mais até do que gostar ou não de mulher, o que definia e caracterizava a verdadeira macheza. Pelo menos foi assim que eu aprendi, e é nisso que acredito desde então.

Hoje, porém, para ser considerado alguém respeitável no Brasil, você tem que compactuar com a mentira e esconder as próprias opiniões. Ao ver a bundamolice geral que tomou conta do País na era da mediocridade lulopetista, não posso deixar de indagar: afinal, os brasileiros são eunucos?

quarta-feira, maio 18, 2011

QUERO SER PETISTA

Antes que algum leitor apressado conclua que mudei de lado por causa do título acima, deixem-me explicar.

Ser petista é, hoje no Brasil, o melhor negócio que alguém pode fazer. E quando falo em “negócio” quero dizer isso mesmo que vocês estão pensando: cifrões, muitos cifrões. Melhor do que ganhar na loteria.

Dois fatos recentes comprovam isso de forma arrasadora.

Primeiro fato: Delúbio Soares - “o nosso Delúbio”, como gosta de dizer o Apedeuta - voltou ao berço do PT, do qual se desfiliara na esteira do escândalo do mensalão, em 2005 (aquele que o Apedeuta disse que foi uma conspiração das elites e da mídia). Foi recebido com festa, com direito a churrasco com os companheiros e tudo. Para quem já esqueceu (e parece que a cada dia mais gente é acometida de uma estranha amnésia), Delúbio era o tesoureiro do partido, o homem da mala, e introdutor do conceito de "despesas não-contabilizadas" no vocabulário politico.

Ao contrário de outros partidos, como o DEM, que expulsou de imediato o ex-governador do DF José Roberto Arruda, pego em flagrante num escândalo semelhante (e de menores proporções) ao mensalão petista, o PT nunca deixa seus militantes na mão. E ainda se beneficia de jornalistas amigos, que, em nome do “nenhumladismo”, afirmam que “todos são iguais” etc. É bom ser petista.

Segundo fato: o ex-ministro da Fazenda e atual ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, aumentou em 20 vezes seu patrimônio em 4 anos. Segundo ele, ganhos decorrentes de uma empresa de consultoria.

Assim como Delúbio, Palocci caiu em desgraça alguns anos atrás, dessa feita por causa da violação do sigilo bancário de um caseiro, que revelou suas idas em Brasília a uma casa suspeita onde aconteciam coisas idem. Tendo ajudado a violar a conta do caseiro, agora ele faz de tudo para que não saibam quanto ele tem em sua conta bancária, e como exatamente ele ganhou essa bolada em tão pouco tempo. E conta para isso com um batalhão de amigos poderosos. A começar pela presidenta-gerenta, que já declarou: “um ex-ministro tem um alto valor no mercado”. Sem falar na falta de oposição (ou alguém realmente acredita que José Serra e Aécio Neves são oposição ao lulopetismo? Como diria Bussunda: fala sério...).

Como se vê, é bom ser petista. Ser petista é ter um alto valor no mercado. E é nunca ter que dar explicações.

terça-feira, maio 17, 2011

OS PETISTA ASTRAVANCA O POGREÇO



"A ignorância é o nosso grande patrimônio nacional".(Paulo Francis)


Quase não acreditei quando li nos jornais. Mesmo para os padrões da era da mediocridade lulopetista, a coisa parecia simplesmente extrapolar qualquer limite. Mas era verdade, infelizmente. Estava lá, estampada em letras garrafais, a manchete inacreditável: "Livro do MEC ensina Português errado".

Não é possível, pensei imediatamente com meus botões. Deve ser intriga da oposição, acreditei, esquecendo-me por um instante que, no Brasil de hoje, não existe oposição. Desconfiado, busquei averiguar se a coisa era mesmo verdade. Esgotei todas as possibilidades. A prova do crime é inegável: está lá, no livro “Por uma vida melhor” (gostaram do título?), da professora (?) Heloísa Ramos, distribuído pelo Programa Nacional do Livro Didático a 485 mil alunos, crianças e adultos.

Graças à obra da professora (!) Heloísa, aprendemos que falar "os livro mais interessante estão emprestado" e "nós pega o peixe", ao contrário do que me ensinaram desde pequeno, não é errado. Mais: ficamos sabendo que a norma culta da lingua e a linguagem, digamos, popular, estão ambas no mesmo nível de correção e aceitabilidade, o aluno pode escolher entre as duas que não tem problema. O “os” antes de “livro”, no singular, já aponta tratar-se de plural, ensina a cartilha do MEC. Por que se importar com concordância verbal, concordância nominal, essas coisas chatas? Lembrar tais regras, dizer que uma forma estâ correta e a outra não, é “preconceito linguístico”.

Agora que descobri que sou um preconceituoso por insistir em usar o plural e em concordar verbo e sujeito, assim como eram todos os meus professores de Português, fica a pergunta: se em Gramática não existem regras, se é tudo uma questão de escolher entre a norma culta e a dita linguagem "popular", se ambas as formas são legítimas, então para quê ir à escola? Para quê estudar?

Antes que a professora (de quê?) Heloísa Ramos ou algum doutor do MEC do companheiro Fernando Haddad me chame de preconceituoso e elitista por eu escrever (e falar) nós pegamos (e não “nós pega”) e nós vamos (em vez de "nóis vai"), gostaria de saber qual o sentido em ir à sala de aula aprender que tanto faz dizer uma coisa ou outra. Gostaria que me explicassem por que alguém gastaria anos de sua vida para aprender que o português que se fala na sarjeta é o correto.

Toda essa bobajada de "linguagem popular" versus "linguagem culta" (erradamente identificada como "da elite") não passa de culto marxista do pobrismo e da ignorância, de mero exercício de demagogia em sala de aula. Algo que, desgraçadamente, tem-se tornado a norma – ironicamente – de oito anos para cá. Dominar os rudimentos da Gramática, saber ler e escrever corretamente, decretaram os sábios do MEC, é coisa da elite burguesa. E os pobres que estudam? Com razão, vêem nisso um insulto.

Por que aprender a ler, escrever e contar (a tal “educação bancária”, como gostam de dizer os devotos de São Paulo Freire, o guru de gente como a professora Heloísa), se o mais importante é a tal “educação para a cidadania”? Proponho o seguinte: já que agora temos a Gramática não-normativa, que sejam ensinadas também a Matemática não-normativa (em que dois e dois sejam quatro ou cinco, dependendo de se é na periferia ou no Morumbi) e a Geografia não-normativa (aquela em que o Sul seja Norte e vice-versa). E por que não a Ciência não-normativa, em que a Terra passe a ser chata, e não esférica? Que tal? Não seria de espantar, já que em História, por exemplo, costuma-se ensinar que Cuba é um paraíso dos trabalhadores e que o governo do Apedeuta foi o melhor de todos os tempos.

Na verdade, não há por que se surpreender. Os lulopetistas, sob a liderança iluminada do Grande Guia, já decidiram que, no terreno da ética, o certo é errado e o errado é o certo. Por que não fazer o mesmo na Gramática? Se em política o que predomina há oito anos é a avacalhação oficial, por que não promover o emburrecimento nas escolas?

O livro que ensina que é certo falar errado chama-se “Por um Mundo Melhor”. Nem precisaria dizer, mas o mundo não vai ficar melhor com a proliferação da ignorância.

sábado, maio 14, 2011

O DIREITO EXISTE PARA FAZER JUSTIÇA, NÃO PARA PROTEGER CRIMINOSOS CONTRA A HUMANIDADE



O título acima deveria ser óbvio. Mas nos últimos tempos as coisas andam tão esquisitas que até o óbvio tornou-se subversivo. É preciso repetir sempre para que todos entendam.

Quando vejo as viúvas de Bin Laden, reais e metafóricas, choramingando que a morte do megaterrorista foi uma “violação do Direito Internacional”, pergunto para mim mesmo: os companheiros são cínicos ou simplesmente idiotas?

A operação militar que resultou na eliminação do autor da barbaridade de 11 de setembro de 2001 foi uma ação de guerra. Bin Laden, e todos os que estavam com ele no prédio-fortaleza em Abottabad, era um alvo militar legítimo. Não há o que discutir. Ponto.

É assombrosa a quantidade de besteira que tenho lido na internet sobre a suposta ilegalidade da operação norte-americana.

Atacam os EUA por não terem avisado o governo do Paquistão, o que seria um desrespeito ao Direito Internacional. Ninguém lembrou que abrigar terroristas como Bin Laden – ele estava há cinco anos numa mansão na zona mais vigiada do Paquistão, ao lado da principal Academia Militar do país, e ninguém sabia? – é mandar o Direito Internacional (e qualquer noção de decência e de humanidade) para a lata de lixo.

Citar o Direito Internacional e a Declaração Universal dos Direitos do Homem para condenar a ação norte-americana que livrou o mundo de Bin Laden é uma obscenidade. Parece que muitos esqueceram que esses instrumentos surgiram para defender a humanidade de criminosos como Bin Laden, não para protegê-los.

Dois exemplos, um deles bem recente, encaixam-se perfeitamente no caso de Bin Laden:


• Em 1960, um comando israelense sequestrou em Buenos Aires o criminoso de guerra nazista Adolf Eichman, que lá vivia havia anos, levando-o para Jerusalém, onde foi julgado, condenado à morte e enforcado. Legalmente, a operação poderia ser caracterizada como uma violação da soberania da Argentina, já que foi realizada sem o conhecimento das autoridades locais (Eichman havia inclusive se naturalizado cidadão argentino). Eichmam foi um dos assassinos em massa mais frios de todos os tempos, responsável por milhares de mortes de judeus em campos de extermínio nas áreas ocupadas pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Quem violou o Direito Internacional: os israelenses, que o capturaram, ou o governo argentino de então, que dava abrigo e proteção a criminosos nazistas?


• Em março de 2008, um bombardeio do Exército colombiano matou vários membros das FARC, a narcoguerrilha comunista que atua há anos na Colômbia. Entre eles, o número dois da organização, Raúl Reyes. O bombardeio aconteceu em um acampamento das FARC localizado em território do Equador, cujo governo imediatamente reclamou de violação de sua soberania. Quem cometeu um atentado ao Direito Internacional: o governo da Colômbia, que eliminou Reyes, ou o governo do Equador, que, revelou-se então, abriga e protege narcoterroristas?


Se dependesse dos humanistas e legalistas da esquerda liberticida e americanófoba, Bin Laden ainda estaria vivo, solto e planejando ataques. Esses senhores não dão a mínima para os milhares de civis mortos em atentados terroristas pela Al Qaeda. Querem apenas um pretexto para atacar o “império”.


Mesmo com Barack Hussein Obama na presidência dos EUA, os esquerdopatas não podem dizer abertamente que morreu um aliado deles, e inventam desculpas jurídicas. Perfeitos fariseus, acham que caçar e eliminar terroristas e genocidas é ilegal, mas abrigá-los, não. Para eles, Adolf Eichman, Raúl Reyes e Osama Bin Laden são vitimas.


Para a parte da humanidade que presta, eles tiveram o que mereceram. O Direito existe para fazer Justiça. E a Justiça foi feita. Por isso não se conformam.