sábado, junho 04, 2011

PARA QUEM NÃO TEM UM PÉ DE MACONHA EM LUGAR DO CÉREBRO (OU: POR QUE NÃO SOU MACONHISTA)

Sei que é difícil exigir objetividade de alguém que defende a sério a legalização da maconha (e da cocaína, e da heroína, e do crack...). Mas vamos lá.

Um anônimo resolveu postar sua opinião sobre meu texto UMA IDÉIA VIAJANDONA. Ele começa tentando fazer uma graça:

Nossa!, fundamentar teu argumento com "Tropa de Elite" realmente é espetacular. Capitão Nacimento [sic] realmente é um gênio, a mais suprema inteligência do país!!!

Não gostou do diálogo do filme? Tudo bem, tenho outros exemplos. Do mesmo filme, pelo mesmo personagem:

"Quando eu vejo neguinho fazendo passeata 'pela paz', me dá vontade de sair na porrada".

Durante décadas o cinema brasileiro tratou bandidos como vítimas ou heróis, e não como bandidos. Aí veio Tropa de Elite e mostrou, pela primeira vez, as coisas como realmente são. Isso sim, é quebrar um tabu. Entendo por que o leitor não gostou do filme.

POr favor, acorda! Teu argumento tem vários furos que não te faz realmente aprofundar a questão por um preconceito a priori de que legalizar as drogas é ruim.

OK, vamos ver então que "preconceito a priori" é esse de que fala o autor. Porque, até agora, o que afirmei e reafirmo é que legalizar as drogas (pelo menos ele não falou em "regulamentar"...) é o melhor caminho para premiar a irresponsabilidade e render-se, sim, ao crime.

Dizer que legalizar as drogas é o mesmo que legalizar o tráfico é um argumento incorreto. Se legalizadas, as drogas seriam vendidas da mesma maneira que outras drogas legalizadas são vendidas: passando por uma industrialização, depois comércio legal e consumidor. O governo passaria a cobrar impostos (como é feito com cigarro e bebida) e teria com isso uma boa arrecadação. Isso com certeza reduziri o poder do tráfico. Pra que comprar ilegalmente se agora já se pode comprar na legalidade?

Agora é a minha hora de ser irônico: Nossa! Então legalizar as drogas é diferente de legalizar o tráfico? E isso vai acabar com o problema do vício etc.? Jura?

Então quer dizer que basta o governo legalizar a maconha (e a cocaína, e a heróina, e o crack...), tornando possível que ela seja comercializada na loja da esquina, que o problema do tráfico e da criminalidade acaba? Que coisa genial! E de quebra o governo ainda criaria mais uma fonte de arrecadação de impostos? Não me diga! Por que eu nunca pensei nisso antes? Sério?

Puxa, como parece simples, não?

Na verdade, não. A solução não é assim tão simples. A menos que se deseje mandar às favas a razão e regredir ao pensamento mágico.

Vamos supor que o Congresso resolva descriminalizar o comércio de drogas no Brasil. Alguns traficantes, provavelmente, veriam nisso uma oportunidade de legalizar seu negócio, trocando o AR-15 pelo terno e gravata e virando respeitáveis executivos etc. Até aí, beleza, não duvido que isso possa acontecer um dia. Mas tem um problema nisso aí.

O Brasil não produz um grama sequer de cocaína, que vem quase totalmente de países vizinhos como a Colômbia e a Bolívia, assim como outras drogas. Supondo que o comércio de drogas se torne legal no Brasil, mas não nesses países (pelo menos na Colômbia, onde os narcoterroristas das FARC são os maiores produtores e distribuidores do mundo), que efeito isso teria na diminuição dos índices de criminalidade? Posso antecipar um possível efeito da legalização: os cartéis de narcotraficantes colombianos e bolivianos ficariam ainda mais poderosos. Estes teriam, a partir de então, um mercado gigantesco à sua disposição - e melhor: de forma totalmente legal. Conseguem imaginar o desastre que seria?

A verdadeira questão que envolve as drogas - e há outros posts em que escrevo sobre isso - não diz respeito à substância em si. Drogas ilicitas sempre existirão. O verdadeiro problema, o cerne da questão, é a ilegalidade. Comprar maconha ou cocaína é ilegal, ponto final. Pode ser que um dia deixe de ser, e adquirir uma trouxa de cannabis ou uns gramas de pó seja algo tão corriqueiro quanto comprar um litro de leite na padaria, mas até lá trata-se do respeito à lei o que está em jogo. E, numa democracia, a lei deve ser sagrada, vale para todos. Preciso ser mais explícito a esse respeito?

É por esse motivo que o que vem em seguida não faz o menor sentido:

Dizer que a legalização das drogas é o mesmo que legalizar o roubo e o assassinato só pode ser alguma piada de mal gosto. Você trata a substância (droga) como sendo em si criminosa, o que é um erro. Crime é o tráfico de drogas. Se as drogas forem legalizadas, estaremos vendendo legalmente uma substância (como muitas outras são vendidas de forma legal) por uma outra via que não será mais o narcotráfico. Quem ganharia com isso seriam os empresários que tivessem capital para investir nessa nova indústria, e não os traficantes.

Vamos lá, por partes.

1) Legalizar as drogas porque "a guerra às drogas fracassou", como está dizendo FHC, é o mesmo que proclamar a rendição da Lei ao narcotráfico. Pela mesma lógica, dever-se-ia legalizar o estupro e o assassinato, pois afinal de contas trata-se de duas práticas ilegais, que nem por isso deixam de ser cometidas. Afinal, a "guerra ao roubo" ou a "guerra ao homicídio" são perdidas todos os dias, sempre que se comete um desses delitos.

2) Exatamente, criminosa em si não é a droga, mas o tráfico. E crime é crime. Até que o tráfico deixe de ser um delito - e, por suas dimensões internacionais, isso teria que ser ao mesmo tempo no mundo inteiro -, comprar e consumir maconha (e cocaína, e heroína, e crack...) é abastecer o narcotráfico e compactuar com o crime. Essa é a verdadeira questão, como afirmei acima.

Essa é uma verdade tão óbvia, tão evidente, que o próprio FHC parece ter percebido a estupidez da idéia de legalizar as drogas - ele agora prefere dizer que não se trata de legalizar, mas de "não criminalizar o usuário", que deveria, segundo diz, ser submetido à tratamento médico em vez de preso (o que já ocorre na realidade, é bom que se diga). Enfim, até ele já percebeu que querer legalizar não é solução - é parte do problema.

Para ficar mais claro o que quero dizer, reproduzo a seguir o diálogo final do filme Os Intocáveis, de Brian de Palma (1987). O filme trata da guerra das autoridades norte-americanas contra a máfia de Al Capone em Chicago, durante os anos da "Lei Seca", que proibiu o comércio de bebidas alcoólicas nos EUA nos anos 20.

(Na saída de seu escritório, o inspetor do FBI Eliot Ness é abordado por um repórter, que lhe faz algumas perguntas.)

- Repórter: Dizem que vão revogar a Lei Seca. O que o senhor vai fazer a respeito?

- Eliot Ness (depois de alguns instantes): Acho que vou tomar um drinque.

Entenderam? É por essas e outras que acho uma idiotice e uma estupidez a idéia maconhista.

RESPOSTA A UM HUMANISTA

Um tal Zé - posso estar enganado, mas desconfio que é o mesmo em que dei uma chinelada outro dia num post sobre a religião desarmamentista - está indignadíssimo com o dono do blog. Ele deve achar que sou um monstro moral porque fiquei feliz com o fato de que os EUA mandaram o Osama Bin Laden fazer jihad lá no reino do chifrudo - e da maneira que considero a mais adequada. Ele escreveu o seguinte:

Não vou nem sequer falar aqui se a maneira como Bin Laden foi morto é considerada correta e justa, senão é capaz de você me chamar de "anti-americano" e "viúva do Bin Laden" e aquele monte de blá blá blá sem sentido e fundamento. No entanto, não concordo (e penso que qualquer um que defenda a justiça e a liberdade de verdade também não concorde) que a Tortura é inaceitável em qualquer caso. Não podemos aceitar a tortura e muito menos ser irônico a respeito como se o ato americano não tivesse sido gravíssimo!

Vou ser bonzinho com o leitor que escreveu o que vai acima. Não, Zé, não vou lhe chamar de antiamericano e de viúva do Bin Laden. Não vou usar nenhum "blablablá sem sentido e fundamento" (como lembrar que abrigar terroristas é uma violação seriíssima do direito internacional e que Bin Laden era um alvo militar legítimo). Sobre tudo isso já falei à exaustão, creio eu. Vou somente dizer que você não tem a menor noção do que está ocorrendo à sua volta. Ou é um grande cara-de-pau.

Assim como o distinto leitor é certamente um humanista, pois "não concorda que a tortura é inaceitável em qualquer caso" (sic), eu também acho a tortura uma coisa abominável. Esmagar dedos, dar choques elétricos nos genitais, arrebentar ossos e dentes de um prisioneiro, além de ser uma covardia, é algo que só pode causar repulsa a qualquer pessoa com um mínimo de senso de decência e dignidade. Mesmo que seja para eliminar o terrorista mais procurado do mundo? Mesmo que seja para eliminar o terrorista mais procurado do mundo.

É por esse motivo que acho que o waterboarding, no caso dos assassinos da Al Qaeda, é o menor dos males possíveis. Não conheço - e acho que o Zé também não conhece - nenhum caso de terrorista preso que tenha sucumbido ou ficado com graves sequelas físicas ou mesmo psicológicas por causa do waterboarding. Também ignoro se algum cadete de West Point que já passou pela experiência num trote de calouros resolveu entrar com uma queixa-crime contra a prática em algum tribunal, por considerar que foi vítima de tortura ou coisa parecida.

E nem precisa lembrar (mas eu lembro assim mesmo): quem afirma que os EUA agiram erradamente ao despachar Bin Laden para os quintos dos infernos tem a obrigação de dizer como os EUA deveriam ter procedido. Continuo esperando por isso.

Para gente como o Zé, os EUA fizeram algo "gravíssimo". Seria o waterboarding? Duvido muito. Resta a eliminação do Bin Laden pelos Navy Seals. Sendo assim, só posso concluir: é mais um antiamericano patológico e uma viúva do Bin Laden que está chorando a morte de seu herói. E que está usando a questão do waterboarding como pretexto para remoer seu ódio. Talvez para não perder o costume.

Enfim, faço questão de repetir: os EUA estão de parabéns por terem livrado o mundo de mais um monstro. Acredito que fizeram a coisa certa. E durmo tranquilo com isso em mente. E os que invocam os direitos humanos no caso do Bin Laden, posando de humanistas, será que podem dizer o mesmo?

terça-feira, maio 31, 2011

OS ASSASSINOS "DELES" E OS "NOSSOS". OU: TERRORISTAS E TORTURADORES, QUAL A DIFERENÇA?

Existe um troço chamado "Amor e Revolução". Trata-se de uma telenovela exibida pelo SBT, a rede de televisão de Sílvio Santos. O enredo - se é que se pode chamar assim coisa tão tosca - tem como tema central os chamados "anos de chumbo" da luta armada durante o regime militar, nos anos 60 e 70. Uma coleção de clichês ideológicos e de meias-verdades sobre o período, que até parece saída de uma cartilha do MEC encomendada e aprovada por Fernando Haddad, "Amor e Revolução", a começar pelo título, é um lixo, uma porcaria típica dos programas da emissora de Sílvio Santos.

Desde que a Rede Globo - estupidamente rotulada de "direitista" pelos bocós da esquerda jurássica - inaugurou o filão, levando ao ar em 1992 a minissérie Anos Rebeldes para coincidir com o impeachment do neocompanheiro Fernando Collor de Mello, não se via tamanha falsificação histórica, tanta bobagem travestida de História na televisão brasileira. "Amor e Revolução" é o retrato perfeito da historiografia predominante sobre o regime militar no Brasil, na qual prevalece uma visão edulcorada da esquerda armada e a condenação maniqueísta dos militares.

Nem é preciso assistir a um capítulo da telenovela-trash (e mesmo se eu pudesse, não perderia meu tempo vendo essa bobajada); basta ler a sinopse para perceber o tamanho da propaganda ideológica travestida de teledramaturgia. Nesse caso, propaganda a favor dos "guerrilheiros", mostrados sempre - sempre, sem exceção - com uma aura de santidade, como jovens idealistas e heróicos, em luta contra a cruel e assassina ditadura militar, pela "democracia" e "por um mundo melhor". Os militares, por sua vez, são sempre - sempre, sem exceção - retratados como torturadores malvados e desumanos. Já seria constrangedor o bastante, se a novela, assinada por um autor importado da Record do "bispo" Macedo (outro amigão da turma do Planalto), não tivesse a qualidade artística de um dramalhão mexicano, com personagens que beiram o ridículo na forma amadoristica com que são interpretados, perto da qual Malhação parece uma jóia de dramaturgia shakesperiana.

Além do caráter trash da novelinha, há outro aspecto que vale a pena ressaltar. O dono do falido Banco Pan-Americano, ao que parece, pegou gosto pela "Semana do Presidente" - programinha que ia ao ar em sua emissora nos anos 80, em que o homem do baú bajulava os presidentes de plantão. Senor Abravanel sempre se deu bem com o governo, qualquer governo. Com o de Dilma Vana Rousseff, a Rainha Muda, não é diferente. Ele quis fazer um agrado à ex-companheira Stela da Vanguarda Popular Revolucionária, que tem no "passado de luta" uma peça importante do mito criado em torno de sua figura (o que ela realmente fez no período, estranhamente, permanece um mistério, e, se depender dela, permanecerá assim até o fim dos tempos). Só não precisava apelar na teledramaturgia de quinta e na pesquisa histórica de vigésima categoria. O público, pelo visto, não engoliu muito bem a patacoada, pois a coisa anda patinando no ibope. Tanto que o diretor resolveu incrementar a trama, incluindo um beijo lésbico na novela para ver se rendia alguns pontos a mais na audiência. (E assim fazer uma média com a turma GLBTT; sabe como é: amor, revolução, beijo lésbico, essas coisas...)

Pois bem. Se há algo que se salva nesse amontoado de slogans esquerdistas embalados numa roupagem que ficaria bem n'A Praça é Nossa são os depoimentos que alguns personagens reais aceitaram dar ao final de cada capítulo. Andei assistindo a alguns deles. Refletindo a hegemonia absoluta da esquerda nesse tema, a imensa maioria dos depoimentos - praticamente 90% - é de ex-militantes de organizações esquerdistas, como o guerrilheiro de festim José Dirceu, que repetiu pela enésima vez o personagem que criou para si mesmo, com aquele sotaque caipira forçado (fala-se que a própria Dilma Rousseff pode dar um depoimento até o fim da novela). Como era de se esperar, eles carregam na "luta pela democracia e pela liberdade" e na descrição das torturas que dizem ter sofrido nas mãos de seus captores militares etc. etc. Aqui e ali, uma vítima do terrorismo de esquerda, como o aposentado Orlando Lovecchio, que perdeu a perna na explosão de uma bomba em São Paulo em 1968, e o filho de um guarda assassinado por terroristas no assalto a um hospital (!), contam a sua história. Mas o predomínio é de gente de esquerda, que capricha no papel de vítima da repressão e merecedora da devoção das novas gerações.

Dentre os depoimentos da turma esquerdista, há um realmente assombroso. É o do hoje professor de música Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz. Apesar do último nome ("da Paz") e do codinome utilizado nos anos de clandestinidade ("Clemente"), a história de Carlos Eugênio é barra-pesada. Ex-chefe do grupo tático armado da ALN (Ação Libertadora Nacional), organização terrorista criada pelo ex-deputado comunista Carlos Mariguella (morto em 1969), Carlos Eugênio narra com riqueza de detalhes uma das ações de que participou - o assassinato (os terroristas chamavam de "justiçamento") de um empresário, o dinamarquês Henning Albert Boilesen, numa rua de São Paulo, em 1971. Boilesen, que era acusado pela guerrilha de financiar a repressão, foi morto à queima-roupa, em plena luz do dia, com dezenas de tiros de fuzil e metralhadora disparados por Carlos Eugênio e outros terroristas. "Clemente" parece sentir prazer ao lembrar dos tiros de fuzil Mauser que ele disparou e que acertaram o empresário, abatido sem qualquer chance de defesa. E justifica o assassinato, lembrando que era uma guerra etc. e tal. Chega mesmo a sugerir que havia uma certa "beleza" na execução daquele "inimigo do povo"...

Não vou me estender aqui analisando o depoimento de Carlos Eugênio (que nunca foi preso e recebeu uma generosa indenização, como "perseguido político", da Comissão de Anistia da Presidência da República): Reinaldo Azevedo, em seu blog, já fez isso, num post devastador (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/cuidado-leitor-abaixo-voce-lera-o-testemunho-de-um-assassino-frio-convicto-metodico-e-apaixonado-pela-morte-depois-voce-podera-ate-assistir-a-seu-testemunho-e-isso-e-so-o-comeco/). Vou me limitar a fazer uma pergunta.

Digam-me, com toda sinceridade, que diferença existe entre Carlos Eugênio e os assassinos de Rubem Paiva e de Vladimir Herzog? Além do fato de pessoas como Carlos Eugênio terem recebido gordas indenizações do Erário - não bastou terem sido anistiados, ainda recebem grana do Estado pelo que fizeram -, o que as difere dos torturadores a serviço do regime militar? Há assassinos "do bem" e "do mal"? Ou há somente assassinos?

Imaginem um ex-agente do DOPS ou do DOI-CODI vindo a público descrever de forma minuciosa como arrebentou todos os ossos do subversivo preso no pau-de-arara e na cadeira do dragão. Imaginem-no relatando nos mínimos pormenores como ele torturou sua vítima até a morte. Agora pensem nele dizendo isso com orgulho, buscando justificar esse crime bárbaro na base do "era uma guerra, eles também faziam" etc. Alguém conseguiria presenciar tal cena sem vomitar?

Carlos Eugênio escreveu dois livros - Viagem à Luta Armada e Nas Trilhas da ALN, publicados respectivamente pelas editoras Civilização Brasileira e Bertrand Brasil. Li os dois há algum tempo. Neles, ele descreve, usando pseudônimos, atos como o frio assassinato de Boilesen, decidido pelo "tribunal revolucionário" da ALN de Mariguella (autor de um manual em que se dizia orgulhoso de ser um terrorista). Uma das ações de que participou foi o "justiçamento" de outro militante da organização, Márcio Leite de Toledo, fuzilado com oito tiros por Carlos Eugênio e outro carrasco, no mesmo ano e na mesma cidade em que foi assassinado Boilesen.

Carlos Eugênio tenta justificar a morte de Boilesen como um ato da "revolução" - tal como está no título da telenovela do SBT -, pois afinal o empresário dava dinheiro para a repressão etc., como se isso justificasse o homicídio. O mesmo não pode dizer de Márcio Leite de Toledo, exterminado não porque fosse um "inimigo", mas porque desejava abandonar a luta armada... É assim que agem os revolucionários de esquerda: começam matando burgueses e terminam aniquilando a si próprios.

Carlos Eugênio candidatou-se a deputado nas últimas eleições. Teve uma votação ridícula. Felizmente. Imagino um debate entre ele e o deputado Jair Bolsonaro, também do Rio de Janeiro. Carlos Eugênio se apresentou aos eleitores como um ex-guerrilheiro e combatente contra o regime militar, orgulhoso de ter matado "pelo menos seis" pessoas. Bolsonaro, ao que se saiba, jamais torturou ou matou ninguém. Qual dos dois, Carlos Eugênio ou Bolsonaro, mais representa a barbárie?

Na história romanceada da luta armada de esquerda no Brasil, Carlos Eugênio, Mariguella e Lamarca foram heróis. Não é de estranhar. Afinal, o nome que ele usava na clandestinidade era "Clemente"...

Por favor, alguém me responda: qual a diferença entre um terrorista e um torturador?

UMA IDÉIA VIAJANDONA



"A liberdade sem a sabedoria e sem a virtude é o pior dos males possíveis".(Edmund Burke)


Os maconheiros (ainda é assim que se chama, não?) estão em plena ofensiva pela "descriminalização" da erva do capeta. E estão exultantes. Contam, para tanto, com um reforço de peso: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (nessas horas, ninguém na esquerda, que está à frente da tese maconhista, lembra que FHC é um "neoliberal", mas deixa pra lá).

Pois bem. O sociólogo FHC entrou de cabeça na "luta" para "descriminalizar" a cannabis. Ele acredita, quero crer que sinceramente, que esse é o melhor caminho para resolver o problema da violência e da criminalidade que acompanham o vício de puxar um baseado. Chegou mesmo a protagonizar um documentário sobre o assunto.

Já falei e repito: considero esse lero-lero de "legalize já" uma das maiores besteiras que já apareceram nos últimos tempos. A "causa" maconhista, definitivamente, não é para quem tem os neurônios em ordem. Coisa de vagabundos ou de iludidos (acho que FHC está na segunda categoria).

O problema da bandeira maconhista é que ela está, com o perdão do trocadilho, viciada desde o início. Os defensores da idéia maconhista afirmam que querem discutir o assunto (como se todos os que fossem contra a legalizaçào estivessem, na verdade, contra o debate, o que é uma grossa pilantragem). OK, vamos discutir. Em primeiro lugar, vamos usar as palavras certas. Os maconhistas dizem que querem a descriminalização - eles chamam de "regulamentação" - do negócio. Ora, o tema já está regulamentado no Brasil. Portanto, não é de regulamentar que se trata.

Outra coisa: os maconheiros alegam que sua "causa" é em defesa da liberdade individual etc. e tal. Já falei o que penso sobre isso, e não quero me repetir. Vez ou outra, eles organizam uma "marcha da maconha", com slogans favoráveis à legalização e ao uso da erva – o que é crime de apologia as drogas, mas vá lá. Há alguns dias, mais uma dessas marchas foi reprimida pela PM em São Paulo. Os maconheiros reclamaram. Disseram que era um absurdo, uma violência etc. e tal. Quase ninguém lembrou que os distintos maconheiros levaram borrachada e gás lacrimogeneo não porque estivessem queimando um fuminho ou provocando a polícia (o que muitos estavam de fato fazendo), mas porque estavam atrapalhando o trânsito, impedindo a liberdade de ir e vir dos cidadãos. É a “liberdade” maconhista em ação…

Voltando a FHC. Não assisti ainda ao documentário a que me referi, mas, pelo que vi na internet, posso dizer que é algo que confirma que é preciso estar muito fumado para defender a causa maconheira. No filme, o sociólogio FHC defende, ao lado de outras personalidades, como Jimmy Carter, Bill Clinton (e... Paulo Coelho!), a tese de que a "guerra às drogas fracassou". Gostaria de saber do quê exatamente ele está falando, essa tal "guerra às drogas". Trata-se de uma expressão que tem tanto significado quanto "guerra ao terrorismo" (ou "guerra à guerra"). A guerra não é contra a maconha ou a cocaína, mas contra quem as trafica. E é sim, contra quem usa essas substâncias, abastecendo o narcotráfico.

Além do mais, fico encafifado: se a "guerra às drogas", como diz FHC, fracassou no mundo todo, e a solução, portanto, é legalizar o tráfico, o que isso significa exatamente? A meu ver, significa uma rendição ao crime. Mais ou menos assim: o narcotráfico existe, e ele mata milhares de jovens todos os anos. Os esforços para contê-lo e botar os bandidos na cadeia não estão dando certo. Vamos, então, desistir da luta.

Maravilha, não? Fico aqui me perguntando: se a defesa da lei e da ordem – ou seja: da democracia – não está funcionando, então que se dane a lei e a ordem! Por que não legalizar o roubo e o assassinato de vez? Faria todo sentido, não acham?

No documentário, FHC aparece visitando vários países da Europa, como Portugal, Holanda e Suiça. Ele quer "aprender com a experiência" desses países no trato da questão, segundo diz. Neles, o consumo e o comércio de maconha – e de outras drogas, como a heroína, mas isso não convém dizer – estão liberados. O Estado, inclusive, fornece um kit com seringas para viciados, como forma, dizem, de "administrar o dano", tratando a questão como um problema não policial, mas “de saúde pública”, como se fosse um tratamento contra vermes. Um ministro português aparece afirmando que nos últimos tempos o número de viciados no país diminuiu bastante, querendo sugerir que isso teria ocorrido por causa de semelhante medida adotada pelas autoridades locais. Estou ansioso para descobrir que relação causal existe entre a distribuição de kits com seringas e a diminuiçào do vício. OK, admito por um instante que seja mesmo verdade a tal redução do vício em Portugal. Nesse caso, admito muito modestamente que não sei por que ela ocorreu. Só tenho uma certeza: é preciso ser vidente e ter poderes mágicos para afirmar que isso seria devido à distribuição das tais seringas.

Também não posso deixar de me espantar: se bancar o vício com dinheiro do Erário é o caminho para diminuir o número de viciados em drogas como a heroína, então por que o governo não faz o mesmo em relação a outras vítimas de outras drogas, como o álcool e o tabaco? Por que, em vez disso, o governo gasta milhões em campanhas contra o alcoolismo e o tabagismo? Gente, um ministro português descobriu que distribuir kits a viciados ajuda a diminuir o vício, vejam que genial! Por que não começamos imediatamente a distribuir um kit-cachaça e um kit-cigarro? (Seria o "bolsa-viajandão", que tal?) Garanto que os alcoólatras e fumantes deixariam na hora o vício.

Por falar em álcool e cigarro, é curioso como os maconheiros adoram falar mal dessas substâncias, ao mesmo tempo em que defendem a liberação das drogas ilícitas. Um dos argumentos é que fazem mais mal à saúde do que a maconha etc. É, pode ser. Comidas gordurosas e biscoito de chocolate tambem fazem mal à saúde. O Ministério da Saúde, aliás, não cansa de alertar para o consumo desses produtos, chegando mesmo a querer proibir a propaganda para crianças. Ainda vamos legalizar a maconha e proibir o biscoito de chocolate.

Na verdade, FHC não precisaria ter ido à Holanda ou à Suiça para ver os efeitos das drogas na sociedade e nos indivíduos. Ele poderia constatar isso, e com muito mais clareza, visitando a periferia de alguma grande cidade brasileira. Poderia começar com Valparaíso de Goiás, pertinho de Brasília, onde todos os dias morre um adolescente baleado em algum tiroteio entre traficantes. Ou então, se não quiser ir muito longe, pode dar uma passada na Cracolândia, em pleno centro de São Paulo. Sugiro tentar a fórmula européia junto aos zumbis que zanzam pelo local. Nesse caso, quem sabe a distribuição de um "kit-crack" surtiria algum efeito positivo sobre aquelas pessoas, imitando o que já foi tentado (sem sucesso) há alguns anos na Suiça. Aliás, o governo da Holanda acabou de decretar que a venda de maconha em cafés para estrangeiros está proibida. Conseguem adivinhar por quê? É que os turistas estavam aproveitando a liberalidade das leis holandesas para traficar. Pois é...

O título do documentário em que FHC propõe a descriminação da maconha (e de outras drogas, porque a questão não se limita à cannabis) é "Quebrando um tabu". A meu ver, o verdadeiro tabu foi quebrado há uns três anos, em uma cena do filme Tropa de Elite, de José Padilha. Reproduzo o diálogo, que demorou uns 40 anos para ser mostrado em um filme brasileiro:

(Numa operação numa favela carioca, o Capitão Nascimento acaba de matar um traficante que resistiu à prisão à bala. Na boca-de-fumo, várias pessoas são presas, inclusive uma que se identifica como "estudante", que lá estava se abastecendo de erva – bondade do diretor: eles não costumam subir o morro para ficarem boladões. Segue o diálogo).

- Capitão Nascimento (apontando o cadáver crivado de balas do traficante): - Você aí! Me diga: quem foi que matou esse aqui?

- "Estudante": - Foi o senhor, capitão.

- Capitão Nascimento: - Quem?

- "Estudante": - Foi o senhor quem matou.

- Capitão Nascimento: - Nada disso! Quem matou foi você, seu maconheiro! (e seguem alguns bons cascudos no “estudante”).

Para mim, só este diálogo já valeu o filme. E vale por uns dez documentários pró-maconhistas estrelados por FHC.

terça-feira, maio 24, 2011

MINHA TEORIA DA CONSPIRAÇÃO FAVORITA

Como todos sabem, Barack Hussein Obama desmoralizou os que dizem que ele não é cidadão nato norte-americano, e que portanto ocupa ilegalmente a Presidência dos EUA. Como todos sabem também, desde que despachou o megaterrorista Osama Bin Laden, o cartaz do homem nunca esteve tão em alta, ele nunca esteve tão por cima da carne-seca. Principalmente depois dessa imensa vitória publicitária, dizer que Obama não é gringo, como fez o Donald Trump (o do cabelo ridículo), ou simplesmente falar mal do demiurgo, só pode ser coisa de reacionários racistas e malucos.

Mesmo assim, considerando o conhecido gosto dos americanos pelas teorias da conspiração, e decidido a colocar um ponto final nessa quizília toda envolvendo a nacionalidade do presidente histórico, resolvi elaborar eu mesmo minha própria teoria conspiratória. É a seguinte, acompanhem:

Barack Hussein Obama é americano da gema, tanto quanto o Bush ou o John Wayne. O pai dele nasceu no Brooklin, não no Quênia - o que tornaria o filho automaticamente inelegível para a Presidência dos EUA, pois descumpriria um dos requisitos básicos para que ele, Obama, seja considerado um natural born citizen, como manda a Constituição americana, ainda que ele tivesse nascido no alto do Empire State Building: o de que ambos os pais sejam americanos (natos ou naturalizados). Na verdade, Obama inventou a estória do pai queniano e de família muçulmana (além do mais, súdito da Coroa britânica) somente para dar argumentos à direita americana.

Do mesmo modo, Obama resolveu esconder sua certidão de nascimento por quase quatro anos - antes disso, mostrou um documento provisório on-line com claros sinais de falsificação - somente para dar assunto aos birthers e fazer de bobo o Donald Trump na Casa Branca. Durante todo esse tempo, Obama gastou milhares de dólares com um batalhão de advogados e fugiu de responder a processos judiciais para provar sua nacionalidade apenas para dar corda aos republicanos direitistas e calar-lhes a boca agora. E esperou para fazer isso em grande estilo, na véspera da operação que resultou na morte do inimigo número um do mundo civilizado. Obviamente, ele também se antecipou ao que seus inimigos racistas e nazistas diriam do timing escolhido (uma maneira de desviar a atenção de sua popularidade decrescente etc.): é só porque ele é negro, claro.

Enfim, Obama pensou em tudo desde o início. Ele já tinha tudo planejado, nos mais mínimos detalhes, na época de sua eleição à Presidência. Mas, para não deixar os republicanos do Tea Party tristes e sem assunto, ele bolou um esquema ainda mais maquiavélico, fazendo questão de mostrar um documento, o birth certificate, que, ao supostamente "provar" que ele nasceu no Havaí, apresenta estranhos indícios de manipulação (como uma assinatura que não condiz com a de sua mãe e um número de registro superior ao de pessoas nascidas e registradas depois de sua própria data de nascimento). Isso sem falar das declarações de sua avó paterna, que em pelo menos duas ocasiões já afirmou que o viu nascer no Quênia (boatos da internet, claro).

E os demais pontos obscuros da biografia obamista, como sua ligação com o terrorista Bill Ayers, os sermões antiamericanos raivosos de seu pastor e mentor espiritual - por vinte anos! -, Jeremiah Wright, a polêmica sobre sua religião (cristão? muçulmano? ateu? adepto do hare krishna ou do santo daime?), seus negócios inexplicados com o vigarista Tony Rezko e com o escândalo da ACORN etc.? É tudo invenção da extrema-direita e da Ku Klux Klan, óbvio. Alíás, da KKK, não: da CIA, do Mossad e dos assassinos de Kennedy. E por que nada disso sai na grande imprensa, de lá e de cá? Para atiçar a curiosidade de blogueiros direitistas e conspiracionistas, claro. Ou seja: é tudo obra dos mesmos que destruíram as Torres Gêmeas no 11 de setembro e dos que capturaram os alienígenas em Roswell.

Como se vê, em se tratando de Barack Hussein Obama, tudo é muito claro, muito transparente, não há qualquer dúvida, nada, absolutamente nada a ser esclarecido. E quem duvidar disso só pode ser o Donald Trump ou um doido racista.

sexta-feira, maio 20, 2011

CHEGA DE BOIOLICE

O Brasil está virando cada vez mais um país de boiolas.

Antes que você, caro leitor, tomado de um surto de indignação politicamente correta, resolva me submeter a um linchamento público e me tasque um processo por - em breve isso poderá ser possível - "homofobia", elegendo-me o Bolsonaro da vez, conceda-me pelo menos o direito de explicar o que quero dizer com a frase acima.

Em primeiro lugar, por boiolice não me refiro a nenhuma opção ou preferência sexual, seja por quem (ou pelo quê) quer que seja. Ser boiola, aqui, não tem absolutamente nada a ver com ser homossexual - aliás, não tem qualquer relação com a sexualidade, seja qual for. Esse tipo de coisa é para revistas de fofocas e programas de TV. Refiro-me tão-somente a uma atitude (ou melhor dizendo, falta de atitude) em relação à democracia e à liberdade individual. Atitude que, infelizmente, tem sido corrente no país de uns tempos para cá, ameaçando tornar-se obrigatória.

Trocando em miúdos: há gays que não são boiolas e há héteros que se deixam levar pela maior frescura, comportando-se como maricas. O sujeito pode ser o maior mulherengo e ser um boiola, e pode estar apaixonado por um porco-espinho e ser um exemplo de virilidade. Boiolice tem a ver não com o que se faz na cama, mas com hombridade.

Feito este esclarecimento inicial (espero que tenha ficado claro), vamos ao tema central deste texto.

A cada dia multiplicam-se, no Brasil, os casos de covardia moral, de renúncia voluntária à resistência contra o engodo e a impostura. Ou seja: de boiolice. Vejamos alguns exemplos.

Na Congresso Nacional, um projeto de lei - o PLC 122 - ameaça criminalizar qualquer opinião - eu disse: opinião - que possa ser considerada, de algum modo, "homofóbica", ou seja, preconceituosa, contra gays, lésbicas, travestis etc. O projeto é entusiasticamente apoiado pelos grandes meios de comunicação de massa, como a Rede Globo, tendo em sua comissão de frente uma senadora-sexóloga e um ex-BBB eleito deputado federal. Se for aprovado, o tal projeto de lei colocará na ilegalidade qualquer pessoa que tiver a ousadia de citar a Bíblia (ou o Corão) para se referir à homossexualidade, jogando no lixo, portanto, a liberdade de expressão e a maior manifestação desta, a liberdade religiosa.

Seria de esperar, portanto, que houvesse um forte movimento de repúdio a essa clara tentativa antidemocrática, que afronta a opinião da maioria absoluta da população brasileira. Mas que nada! Quase ninguém no mainstream ousa levantar a voz contra essa patacoada, com medo de ser tachado de "homofóbico" ou coisa parecida. Do mesmo modo, quase ninguém tem coragem de criticar a distribuição de um "kit gay" nas escolas, que ensina crianças de 7 e 8 anos de idade as virtudes e a beleza do Ken brincar de médico com o Ken e de a Barbie brincar de casinha com a Barbie.

Na mesma linha "cute-cute", o STF aprovou recentemente a "união homoafetiva". Independentemente do mérito da questão, os senhores ministros mudaram, de uma tacada, um artigo da Constituição Federal, o que legalmente só pode ser feito pelo Congresso mediante Emenda Constitucional. Simplesmente decidiram, cedendo à vontade de um lobby fortíssimo, que um Artigo da Carta Magna não vale mais e ponto final.

Ao decidirem mudar um Artigo da Constituição, os ministros do STF arvoraram-se em legisladores, mandando às favas, assim, a separação de Poderes, base da democracia. Pela lógica, portanto, deveriam esperar que alguém na OAB exigisse imediatamente, no mínimo, a dissolução do STF e a prisão de seus ministros por tentarem um golpe (in)constitucional. Mais uma vez, porém, praticamente nenhuma voz se ergueu para denunciar a trapaça.

O mais curioso é que, para justificar essa decisão, os ministros da Suprema Corte o fizeram pisando em ovos, procurando desviar-se da questão em pauta - a união civil entre pessoas do mesmo sexo -, substituindo o termo homossexual pelo anódino e antisséptico, quase angelical, "homoafetivo". Feito um grupo de freiras pudicas, não ousaram falar abertamente o que todos sabem: que gays também fazem sexo. Foram, nesse sentido, mais boiolas do que os militantes gayzistas que promovem "beijaços" em frente a igrejas católicas - estes, pelo menos, assumem claramente seu preconceito contra uma religião.

Essa constante e sistemática rendição ao politicamente correto constitui uma espécie de anti-Viagra, resultando na impotência voluntária de quem deveria estar nas ruas protestando contra todas essas violações à democracia, disfarçadas de bom-mocismo. E com argumentos, digamos assim, de maricas. Vejam o caso do desarmamentismo, uma religião que usa de todos os pretextos para se impor (o último dos quais foi um massacre cometido por um débil mental numa escola no Rio de Janeiro, com armas adquiridas ilegalmente).

Todo o discurso desarmamentista se baseia no argumento de que o cidadão de bem não é competente o suficiente para ter uma arma de fogo legalizada e que é ele, e não o bandido, o maior responsável pela violência e pela criminalidade no País. Em outras palavras: você, cidadão, em nome da própria segurança e da "paz", deve renunciar a seu direito à autodefesa. Conhecem boiolice maior do que essa? (talvez aquele símbolo feito com as duas mãos imitando um coraçãozinho...)

No caso da falácia desarmamentista, pelo menos, há alguma resistência organizada, como demonstrou o repúdio de 64% da população brasileira à idéia cretina de proibir a venda legal de armas no plebiscito de 2005 (os devotos da seita, porém, não desistiram, e já planejam reeditar a bobajada). Talvez pelo fato de afetar mais diretamente a vida das pessoas, sobretudo dos mais pobres, que, ao contrário do senador José Sarney, não têm dinheiro para contratar um batalhão de seguranças particulares, a idéia desarmamentista foi rejeitada. Mas isso não impede que a ideologia politicamente correta seja cada vez mais hegemônica no Brasil.

Tal fato é facilmente constatado em outros fronts da batalha cultural, nos quais o discurso do pobrismo e sua variante principal, o vitimismo, reinam incontestáveis e absolutos. As cotas raciais, por exemplo, já são uma realidade nas universidades e no serviço público, a despeito da própria formação mestiça da sociedade brasileira e afrontando abertamente o princípio constitucional da igualdade de todos perante a lei. O discurso das minorias, paradoxalmente, já se tornou majoritário no Brasil. A ponto de, hoje, declarar-se negro (ou "afro-descendente") ou gay (ou lésbica, ou transssexual, ou sei lá mais o quê) constituir uma verdadeira marca distintiva, facilitadora e garantidora de direitos especiais - privilégios. E o mais espantoso: tudo isso visto como se fosse algo perfeitamente natural, sem que se levante quase nenhuma voz de protesto (logo abafada e estigmatizada como "racista" ou "homofóbica"). Uma tremenda veadagem.

E por aí vai. Ai de quem se insurja contra a ocupação de espaços pela militância gayzista-desarmamentista-racialista: correrá o risco de virar um pária e até mesmo sofrer um processo legal e - caso seja aprovado o PLC 122 - acabar atrás das grades. Do mesmo modo, infeliz daquele que denuncie o culto da ignorância, outra marca registrada do vitimismo pobrista: é um "preconceituoso" e um "elitista". Diante da perspectiva de se tornar impopular e de vir a ser tachado com rótulos tão infamantes, o indivíduo prefere calar-se a peitar os que seqüestram a democracia. Coisa de boiola.

Curvar-se à ditadura do politicamente correto, muitas vezes escondendo as verdadeiras opiniões para não afrontar ou ferir suscetibilidades de quem se acha dono da verdade e da virtude, tornou-se a única e obrigatória regra moral seguida à risca no Brasil. Fora desse círculo infernal, se ousar destoar dos bem-pensantes e pensar com a própria cabeça, você será automaticamente rotulado como um intolerante, um racista, um homofóbico e um direitista raivoso (de preferência da TFP e da Opus Dei).

Isso sem falar na política propriamente dita, onde a boiolice reina poderosa e absoluta. Para começar, decidiu-se que chamar de apedeuta e analfabeto um sujeito que fazia a apologia do apedeutismo e do analfabetismo é "preconceito da elite". Além disso, tentem contar em quantos escândalos de corrupção e outros a companheirada no poder se meteu desde 2003. Em todos esses casos, a começar pelo mensalão, a dita "oposição", que tem o dever de se opor ao governo, comportou-se, em vez disso, como um clube de mulherzinhas.

O último escândalo da petralhada foi o milagre da multiplicação da conta bancária protagonizado por Antonio Palocci, o do estupro da conta do caseiro. Mais uma vez, o que fez o PSDB? Deu um show de falta de coragem e de testosterona. Acabei de ler algumas declarações de Aécio Neves, praticamente pedindo desculpas por tocar no assunto da conta de Palocci no Senado. Uma coisa assim, bem fofa. Com uma oposição dessas, por que o governo precisa de base aliada? São ou não são um bando de boiolas?

Uma das coisas que me lembro de ouvir quando criança era que um homem tinha que ter coragem. Que tinha que ser bravo, até fisicamente, para defender sua honra e enfrentar aquilo que considerasse errado ou injusto. Coragem e caráter, enfim, eram duas coisas inseparáveis. Era isso, mais até do que gostar ou não de mulher, o que definia e caracterizava a verdadeira macheza. Pelo menos foi assim que eu aprendi, e é nisso que acredito desde então.

Hoje, porém, para ser considerado alguém respeitável no Brasil, você tem que compactuar com a mentira e esconder as próprias opiniões. Ao ver a bundamolice geral que tomou conta do País na era da mediocridade lulopetista, não posso deixar de indagar: afinal, os brasileiros são eunucos?

quarta-feira, maio 18, 2011

QUERO SER PETISTA

Antes que algum leitor apressado conclua que mudei de lado por causa do título acima, deixem-me explicar.

Ser petista é, hoje no Brasil, o melhor negócio que alguém pode fazer. E quando falo em “negócio” quero dizer isso mesmo que vocês estão pensando: cifrões, muitos cifrões. Melhor do que ganhar na loteria.

Dois fatos recentes comprovam isso de forma arrasadora.

Primeiro fato: Delúbio Soares - “o nosso Delúbio”, como gosta de dizer o Apedeuta - voltou ao berço do PT, do qual se desfiliara na esteira do escândalo do mensalão, em 2005 (aquele que o Apedeuta disse que foi uma conspiração das elites e da mídia). Foi recebido com festa, com direito a churrasco com os companheiros e tudo. Para quem já esqueceu (e parece que a cada dia mais gente é acometida de uma estranha amnésia), Delúbio era o tesoureiro do partido, o homem da mala, e introdutor do conceito de "despesas não-contabilizadas" no vocabulário politico.

Ao contrário de outros partidos, como o DEM, que expulsou de imediato o ex-governador do DF José Roberto Arruda, pego em flagrante num escândalo semelhante (e de menores proporções) ao mensalão petista, o PT nunca deixa seus militantes na mão. E ainda se beneficia de jornalistas amigos, que, em nome do “nenhumladismo”, afirmam que “todos são iguais” etc. É bom ser petista.

Segundo fato: o ex-ministro da Fazenda e atual ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, aumentou em 20 vezes seu patrimônio em 4 anos. Segundo ele, ganhos decorrentes de uma empresa de consultoria.

Assim como Delúbio, Palocci caiu em desgraça alguns anos atrás, dessa feita por causa da violação do sigilo bancário de um caseiro, que revelou suas idas em Brasília a uma casa suspeita onde aconteciam coisas idem. Tendo ajudado a violar a conta do caseiro, agora ele faz de tudo para que não saibam quanto ele tem em sua conta bancária, e como exatamente ele ganhou essa bolada em tão pouco tempo. E conta para isso com um batalhão de amigos poderosos. A começar pela presidenta-gerenta, que já declarou: “um ex-ministro tem um alto valor no mercado”. Sem falar na falta de oposição (ou alguém realmente acredita que José Serra e Aécio Neves são oposição ao lulopetismo? Como diria Bussunda: fala sério...).

Como se vê, é bom ser petista. Ser petista é ter um alto valor no mercado. E é nunca ter que dar explicações.

terça-feira, maio 17, 2011

OS PETISTA ASTRAVANCA O POGREÇO



"A ignorância é o nosso grande patrimônio nacional".(Paulo Francis)


Quase não acreditei quando li nos jornais. Mesmo para os padrões da era da mediocridade lulopetista, a coisa parecia simplesmente extrapolar qualquer limite. Mas era verdade, infelizmente. Estava lá, estampada em letras garrafais, a manchete inacreditável: "Livro do MEC ensina Português errado".

Não é possível, pensei imediatamente com meus botões. Deve ser intriga da oposição, acreditei, esquecendo-me por um instante que, no Brasil de hoje, não existe oposição. Desconfiado, busquei averiguar se a coisa era mesmo verdade. Esgotei todas as possibilidades. A prova do crime é inegável: está lá, no livro “Por uma vida melhor” (gostaram do título?), da professora (?) Heloísa Ramos, distribuído pelo Programa Nacional do Livro Didático a 485 mil alunos, crianças e adultos.

Graças à obra da professora (!) Heloísa, aprendemos que falar "os livro mais interessante estão emprestado" e "nós pega o peixe", ao contrário do que me ensinaram desde pequeno, não é errado. Mais: ficamos sabendo que a norma culta da lingua e a linguagem, digamos, popular, estão ambas no mesmo nível de correção e aceitabilidade, o aluno pode escolher entre as duas que não tem problema. O “os” antes de “livro”, no singular, já aponta tratar-se de plural, ensina a cartilha do MEC. Por que se importar com concordância verbal, concordância nominal, essas coisas chatas? Lembrar tais regras, dizer que uma forma estâ correta e a outra não, é “preconceito linguístico”.

Agora que descobri que sou um preconceituoso por insistir em usar o plural e em concordar verbo e sujeito, assim como eram todos os meus professores de Português, fica a pergunta: se em Gramática não existem regras, se é tudo uma questão de escolher entre a norma culta e a dita linguagem "popular", se ambas as formas são legítimas, então para quê ir à escola? Para quê estudar?

Antes que a professora (de quê?) Heloísa Ramos ou algum doutor do MEC do companheiro Fernando Haddad me chame de preconceituoso e elitista por eu escrever (e falar) nós pegamos (e não “nós pega”) e nós vamos (em vez de "nóis vai"), gostaria de saber qual o sentido em ir à sala de aula aprender que tanto faz dizer uma coisa ou outra. Gostaria que me explicassem por que alguém gastaria anos de sua vida para aprender que o português que se fala na sarjeta é o correto.

Toda essa bobajada de "linguagem popular" versus "linguagem culta" (erradamente identificada como "da elite") não passa de culto marxista do pobrismo e da ignorância, de mero exercício de demagogia em sala de aula. Algo que, desgraçadamente, tem-se tornado a norma – ironicamente – de oito anos para cá. Dominar os rudimentos da Gramática, saber ler e escrever corretamente, decretaram os sábios do MEC, é coisa da elite burguesa. E os pobres que estudam? Com razão, vêem nisso um insulto.

Por que aprender a ler, escrever e contar (a tal “educação bancária”, como gostam de dizer os devotos de São Paulo Freire, o guru de gente como a professora Heloísa), se o mais importante é a tal “educação para a cidadania”? Proponho o seguinte: já que agora temos a Gramática não-normativa, que sejam ensinadas também a Matemática não-normativa (em que dois e dois sejam quatro ou cinco, dependendo de se é na periferia ou no Morumbi) e a Geografia não-normativa (aquela em que o Sul seja Norte e vice-versa). E por que não a Ciência não-normativa, em que a Terra passe a ser chata, e não esférica? Que tal? Não seria de espantar, já que em História, por exemplo, costuma-se ensinar que Cuba é um paraíso dos trabalhadores e que o governo do Apedeuta foi o melhor de todos os tempos.

Na verdade, não há por que se surpreender. Os lulopetistas, sob a liderança iluminada do Grande Guia, já decidiram que, no terreno da ética, o certo é errado e o errado é o certo. Por que não fazer o mesmo na Gramática? Se em política o que predomina há oito anos é a avacalhação oficial, por que não promover o emburrecimento nas escolas?

O livro que ensina que é certo falar errado chama-se “Por um Mundo Melhor”. Nem precisaria dizer, mas o mundo não vai ficar melhor com a proliferação da ignorância.

sábado, maio 14, 2011

O DIREITO EXISTE PARA FAZER JUSTIÇA, NÃO PARA PROTEGER CRIMINOSOS CONTRA A HUMANIDADE



O título acima deveria ser óbvio. Mas nos últimos tempos as coisas andam tão esquisitas que até o óbvio tornou-se subversivo. É preciso repetir sempre para que todos entendam.

Quando vejo as viúvas de Bin Laden, reais e metafóricas, choramingando que a morte do megaterrorista foi uma “violação do Direito Internacional”, pergunto para mim mesmo: os companheiros são cínicos ou simplesmente idiotas?

A operação militar que resultou na eliminação do autor da barbaridade de 11 de setembro de 2001 foi uma ação de guerra. Bin Laden, e todos os que estavam com ele no prédio-fortaleza em Abottabad, era um alvo militar legítimo. Não há o que discutir. Ponto.

É assombrosa a quantidade de besteira que tenho lido na internet sobre a suposta ilegalidade da operação norte-americana.

Atacam os EUA por não terem avisado o governo do Paquistão, o que seria um desrespeito ao Direito Internacional. Ninguém lembrou que abrigar terroristas como Bin Laden – ele estava há cinco anos numa mansão na zona mais vigiada do Paquistão, ao lado da principal Academia Militar do país, e ninguém sabia? – é mandar o Direito Internacional (e qualquer noção de decência e de humanidade) para a lata de lixo.

Citar o Direito Internacional e a Declaração Universal dos Direitos do Homem para condenar a ação norte-americana que livrou o mundo de Bin Laden é uma obscenidade. Parece que muitos esqueceram que esses instrumentos surgiram para defender a humanidade de criminosos como Bin Laden, não para protegê-los.

Dois exemplos, um deles bem recente, encaixam-se perfeitamente no caso de Bin Laden:


• Em 1960, um comando israelense sequestrou em Buenos Aires o criminoso de guerra nazista Adolf Eichman, que lá vivia havia anos, levando-o para Jerusalém, onde foi julgado, condenado à morte e enforcado. Legalmente, a operação poderia ser caracterizada como uma violação da soberania da Argentina, já que foi realizada sem o conhecimento das autoridades locais (Eichman havia inclusive se naturalizado cidadão argentino). Eichmam foi um dos assassinos em massa mais frios de todos os tempos, responsável por milhares de mortes de judeus em campos de extermínio nas áreas ocupadas pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Quem violou o Direito Internacional: os israelenses, que o capturaram, ou o governo argentino de então, que dava abrigo e proteção a criminosos nazistas?


• Em março de 2008, um bombardeio do Exército colombiano matou vários membros das FARC, a narcoguerrilha comunista que atua há anos na Colômbia. Entre eles, o número dois da organização, Raúl Reyes. O bombardeio aconteceu em um acampamento das FARC localizado em território do Equador, cujo governo imediatamente reclamou de violação de sua soberania. Quem cometeu um atentado ao Direito Internacional: o governo da Colômbia, que eliminou Reyes, ou o governo do Equador, que, revelou-se então, abriga e protege narcoterroristas?


Se dependesse dos humanistas e legalistas da esquerda liberticida e americanófoba, Bin Laden ainda estaria vivo, solto e planejando ataques. Esses senhores não dão a mínima para os milhares de civis mortos em atentados terroristas pela Al Qaeda. Querem apenas um pretexto para atacar o “império”.


Mesmo com Barack Hussein Obama na presidência dos EUA, os esquerdopatas não podem dizer abertamente que morreu um aliado deles, e inventam desculpas jurídicas. Perfeitos fariseus, acham que caçar e eliminar terroristas e genocidas é ilegal, mas abrigá-los, não. Para eles, Adolf Eichman, Raúl Reyes e Osama Bin Laden são vitimas.


Para a parte da humanidade que presta, eles tiveram o que mereceram. O Direito existe para fazer Justiça. E a Justiça foi feita. Por isso não se conformam.

quinta-feira, maio 12, 2011

EU, A VERGONHA DA PÁTRIA

Se tem uma coisa que aprendi há tempos, e que a cada dia se reforça, é que nunca se deve subestimar a capacidade dos antiamericanos de achar sempre maneiras novas de odiar os EUA.

Por mais que o país faça, ou não faça, dá na mesma: o ódio continua, independentemente dos fatos.

Bastou o terrorista Osama Bin laden ter sido despachado para os quintos dos infernos pelos Navy Seals no Paquistão e a patota esquerdopata começou a berrar que a morte do terrorista foi “ilegal” e que ele deveria ter sido preso etc (como se ele não estivesse em guerra...).

Com a mesma tenacidade (eu ia dizendo: burrice) com que negam o fato de que não havia outro jeito de se livrar de Bin Laden (ei, é uma guerra, perceberam?), insistem em defender o demiurgo Barack Hussein Obama, que deu a ordem de mandar bala no terrorista (já desisti de tentar entender esse pessoal).

Vejam o que um desses valentes anônimos me mandou:

É bom que se diga que Obama provou sua nacionalidade, acredito que você ainda não a tenha por certa, e se una ao coro de Donald e Sara Pallin, em uma infundada questão como se nos EUA não houvessem [sic] negros, Jesse Jackson era de onde mesmo ???

Sério? Obama “provou” sua nacionalidade? Melhor: ele “provou” que é um natural born citizen, como manda a Constituição dos EUA?

Até agora, tudo que ele mostrou foi um documento – escondido por quase quatro anos! – que, supondo que seja verdadeiro (tudo é duvidoso em se tratando de Obama), atestaria que ele nasceu no Havaí. O mesmo documento, porém, deixa claro que o pai dele, como não era segredo para ninguém, era queniano e jamais se naturalizou norte-americano. Logo, pelo critério do natural born citizen, Obama tem tanto direito a ser presidente dos EUA quanto eu. O que estão vendendo como ponto final é, na verdade, o começo da encrenca.

Engraçado como houve até uma celeuma no início da campanha presidencial em 2008 com relação à nacionalidade do John McCain, porque ele nasceu no Panamá (o pai dele era comandante militar na Zona do Canal), o que o levou a mostrar o documento que prova que ele é, sim, cidadão natural norte-americano (e provou isso no Vietnã, como todos sabem). Já pedir que Obama faça o mesmo é "racismo" e maluquice. Por que será?

Outra coisa: o que tem a ver ser negro com ser ou não ser americano? Confesso que essa eu não entendi.

Obama representa a mudança na historia, representa um mundo plural e igualitário ; representa o fim da linha de " globalizantes e globalizados ".

Que bonitinho! Juro que, ao ler essas palavras, quase chorei. Obama, a “mudanca”, Obama, o “mundo plural e igualitário”... Só faltou dizer que o homem cura unha encravada e espinhela caída. Isso só não vale na hora de matar terroristas como Bin Laden, né? Aí o que conta mesmo é a tática do velho Bush.

Pelo menos numa coisa eu concordo com o autor da frase acima. Obama realmente "representa a mudança" etc. Aliás, como ele representa! O sujeito é mesmo um ator. Merece o Oscar!

Só um adendo: nem toda “mudança” é boa. Hitler era a mudança na Alemanha, assim como Fidel Castro era a mudança em Cuba e Hugo Chávez é a mudança na Venezuela. Às vezes é melhor conservar do que mudar.

Do mesmo modo, nem sempre um “mundo plural e igualitário” é sinônimo, necessariamente, de um mundo melhor. Um mundo em que ditaduras como as da Líbia e a da Síria tenham o mesmo peso e a mesma influência dos EUA ou do Canadá é um mundo melhor?

Bush iniciou esta guerra sem no entanto concluí-a, Bush com sua sede de petroleo invadiu o Iraque atrás de " armas químicas" que não encontrou. E por fim a maior das farsas, as familias Bush e Bin Laden são amigas a [sic] decadas, isso ja foi documentado por Michael Moore.

Duas coisas: 1) não foi Bush quem começou a guerra ao terrorismo islamita: foi a Al-Qaeda; e 2) Franklin Roosevelt também não viu o fim da II Guerra.

Ah, entendi! Bush invadiu o Iraque por causa da “sede de petróleo”... É mesmo? Digamos que tenha sido. Em que isso muda o fato de que hoje os iraquianos têm algo que parece uma democracia, algo inédito em 5 mil anos de história, enquanto na época de Saddam o que tinham era chicote?

"E as armas de destruição em massa?" etc. Já falei bastante sobre isso, mas vamos lá, de novo: Saddam se comportava como se as tivesse, e já as havia utilizado contra seu próprio povo antes. Quem sabe o melhor seria esperar que ele as usasse... (não, obrigado).

Agora, vejam só a “maior das farsas”, segundo o bravo que escreveu o comentário.

Estão prontos para ficarem escandalizados?

Atenção, tirem as crianças da sala, porque a coisa é mesmo forte!

Estão preparados? Então lá vai: a família Bush é amiga da família Bin Laden!

Claro, isso torna o Bush automaticamente co-autor dos atentados de 11 de setembro, não é mesmo? Lógico!

Além do mais – atenção para o detalhe – isso foi “documentado por Michael Moore”!

Desculpem, mas aqui não dá para evitar a risada: hahahahahahaha!

Se eu fosse bushista, como provavelmente o idiota acima acha que sou, não faria melhor para desmoralizar os bobalhões esquerdopatas. Escolheria para desmoralizá-los o "argumento" de que os Bush e os Bin Laden são amigos (a familia Bin Laden já havia renegado o terrorista há décadas, mas isso não tem importância para os teóricos da conspiração). Para coroar, eu apresentaria como modelo de autoridade jornalistica o balofo e delinquente intelectual Michael Moore. Esse pessoal não aprende mesmo.

Bush teve uma reeleição fraudulenta, ou você se esqueceu que ele também não foi eleito, AL Goore renunciou uma contagem de votos tão estranha que colocou em duvida todo o processo eleitoral.

Suponho que o leitor esteja falando da primeira eleição de Bush (em 2000) e não da reeleição, em 2004... Mas vamos lá: a primeira eleição foi tão fraudulenta que foi decidida pela Suprema Corte americana, o que só a torna fraudulenta na cabeça dos esquerdiotas. O problema foi o sistema de contagem eleitoral, como todos sabem. Al Gore não renunciou: reconheceu a derrota. Em que esse pessoal se baseia para dizer tanta asneira?

Já Obama foi eleito, e ninguém contesta a legitimidade de sua eleição. O que está em jogo é seu direito constitucional de ser presidente dos EUA. Em outras palavras, se ele é ou não um natural born citizen, como manda a Constituição. Até agora, há mais sombras do que luzes nessa questão.

O leitor é mesmo um sábio, pois em seguida escreveu o seguinte:

Mas para você isso tudo não tem importância, afinal você é um personagem.
Mais uma vez respeito que alguém assim representando meu país é uma vergonha para a diplomacia


Ele quis dizer "repito", e não "respeito", mas tudo bem. É... Realmente, sou um personagem, alem de ser uma vergonha para a diplomacia brasileira. Afinal, vejam que coisa, eu me atrevo a perguntar quem é Barack Hussein Obama! Pior: eu aplaudo a morte de um terrorista que matou milhares de pessoas!

Certamente se, em vez disso, eu resolvesse bajular ditadores e comparasse presos políticos a bandidos eu seria motivo de orgulho para a pátria. Talvez eu ganhasse até uma medalha.

Acho que o mesmo leitor despejou, em outro post, a seguinte pérola de sabedoria:

É uma vergonha alguém que trabalha no Itamaraty com uma cabeça como a sua, é uma vergonha para o país.

Sério: quando criei este blog, eu não era tão anti-esquerdista. Fiquei assim graças a comentários cretinos como o que está aí em cima.

quarta-feira, maio 11, 2011

UMA PERGUNTA INCÔMODA



Estou há dias matutando, atormentado por uma pergunta que não pára de me incomodar. É o seguinte:

POR QUE BARACK OBAMA ESTÁ SENDO LOUVADO COMO HERÓI POR TER MATADO BIN LADEN, JÁ QUE A MORTE DELE FOI, COMO DIZEM, ILEGAL, E GEORGE W. BUSH É ATÉ HOJE EXECRADO COMO UM BANDIDO, POR TER INVADIDO O IRAQUE E DERRUBADO SADDAM HUSSEIN, O QUE FOI TAMBÉM, DIZEM, ILEGAL?

Alguém teria uma resposta? (Nem precisa lembrar: só respostas inteligentes, por favor.)

AS VIÚVAS DO BIN LADEN. OU: MATAR TERRORISTAS NÃO PODE, MAS ABRIGAR TERRORISTAS PODE... OU: O DIREITO INTERNACIONAL A SERVIÇO DO TERROR

Ai, ai... Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde (confesso que acreditei que seria mais tarde) ia aparecer alguma viúva do Bin Laden chorando a morte de seu herói neste blog. A última dessa turma é reclamar que a operação que levou o saudita a pregar a jihad junto ao capiroto foi ilegal etc. e tal. Um anônimo fez mais, e encasquetou que, ao defender que os EUA fizeram muito bem em meter uma bala no cocoruto do terrorista, eu estaria sendo "incoerente". Ele quer brincar. Eu, claro, também.

Cara, você é realmente incoerente com suas afirmações. Primeiro vem igual uma freira carola falar que Obama desrespeita a constituição americana por não poder ser legalmente presidente. Ao mesmo tempo joga no lixo o Direito Internacional e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Primeiro: Freira carola (SIC - existe freira que não seja carola?) é o escambau! Obama precisa provar ainda que é um natural born citizen, e que tem, portanto, o direito legal a ser presidente dos EUA. Ou então a Constituição dos EUA - e todas as instituições da maior potência do planeta - não valem um dólar furado.

Segundo: o Direito Internacional estabelece que abrigar terroristas é crime. Bin Laden morava há cinco anos numa mansão numa das regiões mais vigiadas do Paquistão, a poucos quilômetros da maior Academia Militar do país. Alguém que não deseja passar por tolo sinceramente acredita que ele não teve a ajuda do governo local nesses anos todos?

Terceiro: A Declaração Universal dos Direitos Humanos condena o terrorismo. Preciso dizer mais alguma coisa?

Vejam só como sou incoerente: quero que Obama cumpra a Constituição de seu país, provando ter sido legal sua eleição para a presidência, e me regozijo com a morte de um terrorista. Talvez se eu fizesse o inverso eu fosse um legalista... Que tal?

É óbvio que nenhum terrorista respeita isso, afinal, são seres que nada respeitam. Mas defender que países respeitados internacionalmente, como os EUA e que são signatários e defensores abertos dos Direitos Humanos, é um contra senso.

Há uma coisa que terroristas como Bin Laden respeitam, além do Corão: gente que usa o Direito Internacional e a Declaração Universal dos Direitos Humanos como escudos para protegê-los da Justiça. Se comparam casos como o dele à polêmica do birth certificate do Obama, aí é que morrem de amores mesmo. O respeito vira paixão... Terroristas adoram gente sem senso de proporção e significado.

Você realmente acha que é correto os EUA agir [sic] sem respeitar o Direito e a Lei que defendem porque o alvo (terroristas) não respeita nenhuma lei?

Não, não acho. Apenas acredito que a Lei está a serviço da humanidade, e não o contrário. Até onde sei, não existe nada no Direito Internacional que determine que um país que está há dez anos caçando o terrorista mais procurado do mundo deve avisar, antes de lançar uma operação para matá-lo, os membros do governo que abriga esse terrorista. Nenhuma Lei, ao que eu saiba, obriga alguém a ser idiota (bom, no Brasil estão quase conseguindo...).

Aliás, faço questão de dizer: nesse caso do Bin Laden, foi cometida, sim, uma grave violação do Direito Internacional. Grave não: gravíssima. Quem a cometeu? O PAQUISTÃO! (os motivos estão aí em cima).

Parêntese: o curioso (ou nem tanto) é que um dos primeiros a levantar a questão da suposta ilegalidade da morte do Bin Laden foi um grande defensor dos direitos humanos e da legalidade: Hugo Chávez. Precisa comentar?

(Por falar em Chávez, ele tem motivos pessoais para estar preocupado. Que o digam seus amigos das FARC, que recebem armas e abrigo do governo venezulano. Mas Chávez, como o leitor que escreveu o comentário, é um legalista, não é mesmo?)

Agora, francamente: quem defende com tanto vigor o Direito Internacional no caso de Bin Laden tem o dever de dizer como os EUA, ou quem mais o seja, chegariam até o terrorista se não fosse do jeito que foi. Tem a obrigação, enfim, de apresentar um plano detalhado para apanhar o terrorista e fazer justiça.

Aguardo esse plano ansiosamente. Eu e todos os governos do mundo civilizado.

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P.S.: Mal terminei de escrever este post, alguém cometeu o seguinte comentário sobre meu último texto. Transcrevo a parte que é possível ler:

Mas uma nação como os EUA que pregam tanto a democracia, agir desta maneira é se igualar aos terrorista islâmicos, usar tortura e matar dois homens desarmados foi no mínimo se igualar aos homens bomba que matam inocentes sim.


Pois é. Primeiro, a morte de Bin Laden foi ilegal. Agora, Bin Laden e os EUA nivelados... Precisa dizer mais alguma coisa?

A MAIS NOVA “CAUSA NOBRE” DOS ÓRFÃOS DE BIN LADEN

Ah as viúvas de Bin Laden... Acabaram de descobrir uma nova causa nobre para a qual se dedicar. Não se conformam que o megaterrorista Osama Bin Laden esteja agora junto a Alá. Precisam porque precisam de alguma coisa para continuar a atacar o “império”... Mais que isso: afirmam, como o senador Eduardo Suplicy, que a morte do assassino que não dava a mínima para o direito internacional foi uma violação do direito internacional etc.

Um desses humanistas retroativos postou um comentário sobre meu último texto, O LAMENTO DAS VIÚVAS DO TERRORISTA. Eis o que ele escreveu. Respondo a seguir.

Caro, mesmo sendo Bin Laden um terrível terrorista, o direito internacional deve ser respeitado!

Concordo plenamente. Sobretudo em tempo de guerra a um inimigo solerte, que não respeita qualquer regra ou convenção internacional. Seria interessante lidar com fanáticos assassinos que cultuam a morte (principalmente dos outros) de modo a não ferir o “direito internacional”, tal como o coloca o leitor... Só não sei se seria o meio mais seguro.

Por falar nisso, ao que me consta, abrigar terroristas também é uma violação da lei internacional, não é?

1) Os EUA declararam abertamente que se utilizaram de tortura para achar Bin Laden.

Não me diga! Então a morte do Osama foi ilegal porque, para chegar até ele, alguns militares norte-americanos brincaram de waterboarding com algum prisioneiro? "Olha aqui, vocês não podem ir lá pegar o Bin Laden porque fulano confessou sob pressão"...Talvez o autor do comentário tenha uma sugestão melhor de método de interrogatório. A propósito, citem o nome de algum terrorista preso em Guantánamo que tenha morrido por causa do waterboarding.

2) Bin Laden foi morto desarmado.

O governo Obama divulgou versões diferentes de como Bin Laden foi morto (já pensaram se tivesse sido o Bush? deixa pra lá...). Numa delas, Obama está com um fuzil AK-47 ao alcance da mão. Mesmo que estivesse desarmado, porém, os Navy Seals já tinham sido recebidos a tiros no prédio. O que deveriam fazer? Ler-lhe a Declaração Universal dos Direitos do Homem? (By the way, suponho que matar Hitler desarmado seria também um ato ilegal, não?)

3) O Paquistão, sendo um país reconhecido pelos EUA, deveria ter sua soberania respeitada. A invasão é ILEGAL!

Concordo em gênero, número e grau que se deve respeitar a soberania do Paquistão, como a de qualquer outro país. E a maior agressão que um país pode sofrer à sua soberania é permitir que terroristas se abriguem em seu território, com o apoio, ao que tudo indica, de funcionários do governo. Foi por causa disso que o Talibã foi enxotado do poder no Afeganistão.

4) A invasão do Paquistão sem o devido aviso é digna de uma declaração de guerra. Imagine se fosse o contrário? Caso o Paquistão invadisse os EUA, a resposta imediata destes seria, no mínimo, um bombardeio.

É mesmo, invadir o Paquistão para matar Bin Laden equivaleu a uma declaração de guerra dos EUA etc. Por que o governo paquistanês não declara guerra a Washington? Tenho um palpite: Osama estava no país há anos sem ser incomodado, praticamente ao lado de um quartel do Exército... Eu me surpreendo que os EUA não tenham declarado guerra ao Paquistão.

Respondendo a pergunta retórica: o que eu faria se o Paquistão, ou qualquer outro país, “invadisse” os EUA, em busca de um terrorista procurado, que se encontraria abrigado em solo americano, protegido e acobertado pelo governo americano? Eu aplaudiria! Claro! Agora, diga-me o nome de algum terrorista procurado abrigado em solo americano, protegido e acobertado pelo governo.

Toda essa lenga-lenga sobre soberania e direito internacional serve apenas para dar um verniz jurídico ao lamento das viúvas do terrorista islamita. Como já disse antes, tudo isso não passa de pretexto. Caso a operação que matou Osama tivesse sido planejada conjuntamente com o Paquistão, ou que ele tivesse sido preso, os inimigos dos EUA e da Liberdade iriam chiar do mesmo jeito (lembram da chadeira por causa do julgamento do Saddam Hussein no Iraque?).

Para finalizar, vou lembrar outro fato: em 1976, um comando israelense voou secretamente até o aeroporto de Entebbe, Uganda, onde resgatou um grupo de civis israelenses que estavam sendo mantidos como reféns por terroristas palestinos. O comando matou os sequestradores e os soldados ugandenses que guardavam o local. Pelas regras do direito internacional, a operação foi uma violação da soberania de Uganda, portanto ilegal. O que os reféns libertados achariam dessa interpretação?

Também sou a favor do direito e do justo, como sou a favor de todas as coisas boas, puras e belas que existem no mundo. Por isso gostaria muito que me dissessem que outro caminho havia para livrar o mundo de Bin Laden. Querem defender o terrorismo? Então o façam abertamente, sem apelar para desculpas jurídicas.

terça-feira, maio 10, 2011

O LAMENTO DAS VIÚVAS DO TERRORISTA

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) está preocupado. Humanista sensível, incansável defensor das causas sociais, em especial dos direitos humanos, o parlamentar-cantor da cueca vermelha achou muito feio o que os EUA fizeram, ao mandarem para o Além o megaterrorista Osama Bin Laden. Acredita que os Navy Seals norte-americanos (ele diria “estadunidenses”) não tinham nada que descer de helicóptero na casa-fortaleza de Bin Laden e despachá-lo a tiros. Nisso, conta com o apoio de outros companheiros da Casa do Espanto, como o ex-cara-pintada e atual cara-de-pau Lindbergh Farias (PT-RJ) e o “sábio” Cristóvam Buarque (PDT-DF), que acham a mesma coisa. (Cristóvam, aliás, parece que está meio decepcionado com Obama: onde já se viu, caçar e matar terroristas? Isso era para o Bush...)

Quando Eduardo suplicy fica preocupado, eu também fico. Mas não, necessariamente, pelos mesmos motivos. "Foi uma violação da soberania do Paquistão", disparou o senador-Mogadon, naquele seu jeito Suplicy de ser, talvez se esquecendo que o terrorismo não reconhece fronteiras, e que um país que abriga terroristas – Bin Laden estava há anos em seu cafofo no Paquistão e ninguém de lá sabia? – está, automaticamente, sujeito a raids do tipo. Talvez se os EUA avisassem os militares paquistaneses, sugere Suplicy, a operação poderia ser considerada legal. É, pode ser. E o risco de Bin Laden escapar seria muitíssmo maior. Vamos trocar a morte de Bin Laden pelas boas relações com um governo que o homizia?, devem ter perguntado as autoridades norte-americanas. Tenho uma sugestão: por que, na próxima vez, não chamar o senador Suplicy? Certamente ele convenceria Bin Laden a se entregar. Bastaria cantar, para ele, Blowin' in the Wind. Eu também me renderia.

"Ele deveria ter sido preso e julgado", choramingou o pai do Supla. É, deveria. Mas tem um pequeno detalhe aí: depois de prendê-lo, onde ele ficaria custodiado? Em Guantánamo? (mas a prisão não é ilegal, como afirmam os inimigos do "império"?). Na Arábia Saudita, onde já o esperava uma condenação à morte? Em Haia, cujo Tribunal Penal Internacional é motivo de controvérsia? Ou, quem sabe, na Papuda, em Brasília? Suplicy deve saber. Lindbergh também. Cristóvam idem. "Mas e os criminosos nazistas, como Goering e Hess, não foram julgados em Nuremberg?", perguntam os que se esquecem que Goering e Hess se renderam às tropas aliadas, encarando o julgamento que veio depois.

Todo esse chororô sobre Bin Laden, um dos maiores assassinos da História, que estava se lixando para soberania e direitos humanos, só é possível porque Eduardo Suplicy é possível. Desde 2001, os EUA estão em guerra. E, numa guerra, o inimigo é morto. Ao decretar guerra ao povo americano – ao mundo civilizado, na verdade –, tendo sido responsável por milhares de mortes de civis inocentes, Bin Laden tornou-se um alvo militar legíitimo. Não era um batedor de carteiras.

Pelo visto, as palavras "guerra" e "terrorismo" são completamente desconhecidas para Suplicy, o senador das boas causas. Também pudera. Humanista que é, ele já demonstrou seu amor pela legalidade e pelos direitos humanos ao posar para fotos na cadeia ao lado do terrorista italiano Cesare Battisti, promovido a refugiado político por Tarso Genro. Não me causa surpresa vê-lo agora chorar a morte de Bin Laden, cobrando para ele o mesmo tratamento que ele negou a suas vítimas. Tampouco me surpreenderia se o visse visitando seu novo amigo Osama em alguma prisão, se ele tivesse sido preso, posando para fotos, todo sorrisos, ao lado do chefe da Al-Qaeda. Aliás, nada que vier de Suplicy me surpreende.

Informa a imprensa que, ao livrar o mundo de sua presença, Obama deixou três viúvas. Esqueceram-se de suas três viúvas brasileras do Congresso Nacional. Pelo menos uma delas,
Eduardo Suplicy, tem razões particulares para lamentar a morte de Bin Laden. Afinal, ele perdeu a oportunidade de defender mais uma causa nobre.

P.S.: Já tinha terminado de escrever o post acima quando me deparei com o comentário abaixo, assinado por um certo Zé, um sujeito que, além de tudo, é meio distraído. Certos comentários dispensam comentários. Vejam e se espantem.

Engraçado você falar que o ato do STF para benefício dos gays foi inconstitucional, mas nada falar sobre a morte de Bin Laden, onde os EUA claramente desrespeitaram em mais de um ponto a "Declaração Universal dos Direitos Humanos", a qual os próprios EUA são signatarios. Além disso, invadiram um país legalmente constituído (Paquistão) sem sequer avisarem.

Quer dizer que se algo beneficía os gays, então, é inconstitucional, mas se for em benefício da guerra dos EUA, então tá tudo bem.


Precisa comentar?

segunda-feira, maio 09, 2011

MALÍCIA OU DISLEXIA?

Um leitor, o Gabriel, ao que parece não entendeu meu post SOBRE OBAMA. OU: DE COMO SER UM "BOM LíDER" SEM PRECISAR RESPEITAR A LEI. A certa altura, comentando uma observação minha sobre a necessidade de enquadrar melhor o fenômeno terrorista, ele escreveu o seguinte:

Desculpe, mas com a tua explicação não vi nenhuma diferença entre o terrorismo sionista e o terrorismo islamita. Ambos mataram inocentes pela causa que seguiam.

Quem lê o que está acima fica com a impressão de que sou a favor de alguns tipos de terrorismo, mas não de outros. Que faço uma distinção moral entre eles. Talvez tenha sido essa a intenção do Gabriel. Se foi o caso, lamento informar, mas não deu certo.

O texto a que o Gabriel se refere não pode ser entendido fora do contexto da minha resposta a outro leitor, que discorda da expressão "terrorismo islamita" (ele a acha preconceituosa contra o Islã). Eis o que o leitor escreveu, a respeito de meu texto SOBRE OBAMA E OSAMA: RESPOSTA AOS LEITORES:

2) O que você chama de "terrorismo islamita" é absurdo! Terrorismo é uma coisa, o Islã outra. Ser islamita não significa ser terrorista e nem o contrário. Não existe terrorismo islamita. Existe o Terrorismo!

Minha resposta ao comentário acima foi, resumidamente, a seguinte: a expressão terrorismo islamita é valida, e é a mais correta, pois falar simplesmente em Terrorismo (assim, com T maiúsculo), embora seja moralmente correto (todos os terrorismos são perversos) não acrescenta nada na luta contra os extremistas assassinos ("guerra ao terror" é uma fórmula vazia). A guerra que o mundo civilizado trava desde 2001 não é contra "o terror" em geral, o terror como algo abstrato, mas contra uma forma específica e bem concreta de terrorismo: o terrorismo islamita.

É preciso analisar o fenômeno terrorista não somente em termos do método (bombas, assassinatos, sequestros etc.), mas da causa, ou ideologia. Há terrorismo islamita, assim como há terrorismo sionista (e cristão, e budista etc.). Dei, a esse respeito, um exemplo histórico (o Grupo Stern, que atuou na década de 40 onde hoje é Israel), para ilustrar a existência de varios terrorismos com diversas causas e motivações.

Em outras palavras: se não for analisada a motivação última que leva os fanáticos da Al Qaeda ou do Hamas a se explodirem em atentados contra civis indefesos, não se dará jamais uma resposta definitiva ao terrorismo islamita. E isso não será alcançado, certamente, enquanto os governos que têm a obrigação de combatê-lo insistirem em não chamá-lo pelo nome, preferindo, em vez disso, expressões anódinas como "guerra ao terror" (que é o mesmo que "guerra à guerra"). Esta é a primeira regra para vencer uma guerra: saber quem é o inimigo.

É logico e evidente que, ao dizer o que está acima, não estou afirmando que o terrorismo X é "melhor" ou "menos mau" do que o terrorismo Y. Dizer isso é uma grande besteira, que só poderia sair de cérebros irremediavelmente prejudicados pela malícia ou pela dislexia. Sei não, e nesse ponto posso estar enganado, mas acho que leitores que escrevem comentários como o de acima estão mais para a segunda categoria.