terça-feira, maio 17, 2011

OS PETISTA ASTRAVANCA O POGREÇO



"A ignorância é o nosso grande patrimônio nacional".(Paulo Francis)


Quase não acreditei quando li nos jornais. Mesmo para os padrões da era da mediocridade lulopetista, a coisa parecia simplesmente extrapolar qualquer limite. Mas era verdade, infelizmente. Estava lá, estampada em letras garrafais, a manchete inacreditável: "Livro do MEC ensina Português errado".

Não é possível, pensei imediatamente com meus botões. Deve ser intriga da oposição, acreditei, esquecendo-me por um instante que, no Brasil de hoje, não existe oposição. Desconfiado, busquei averiguar se a coisa era mesmo verdade. Esgotei todas as possibilidades. A prova do crime é inegável: está lá, no livro “Por uma vida melhor” (gostaram do título?), da professora (?) Heloísa Ramos, distribuído pelo Programa Nacional do Livro Didático a 485 mil alunos, crianças e adultos.

Graças à obra da professora (!) Heloísa, aprendemos que falar "os livro mais interessante estão emprestado" e "nós pega o peixe", ao contrário do que me ensinaram desde pequeno, não é errado. Mais: ficamos sabendo que a norma culta da lingua e a linguagem, digamos, popular, estão ambas no mesmo nível de correção e aceitabilidade, o aluno pode escolher entre as duas que não tem problema. O “os” antes de “livro”, no singular, já aponta tratar-se de plural, ensina a cartilha do MEC. Por que se importar com concordância verbal, concordância nominal, essas coisas chatas? Lembrar tais regras, dizer que uma forma estâ correta e a outra não, é “preconceito linguístico”.

Agora que descobri que sou um preconceituoso por insistir em usar o plural e em concordar verbo e sujeito, assim como eram todos os meus professores de Português, fica a pergunta: se em Gramática não existem regras, se é tudo uma questão de escolher entre a norma culta e a dita linguagem "popular", se ambas as formas são legítimas, então para quê ir à escola? Para quê estudar?

Antes que a professora (de quê?) Heloísa Ramos ou algum doutor do MEC do companheiro Fernando Haddad me chame de preconceituoso e elitista por eu escrever (e falar) nós pegamos (e não “nós pega”) e nós vamos (em vez de "nóis vai"), gostaria de saber qual o sentido em ir à sala de aula aprender que tanto faz dizer uma coisa ou outra. Gostaria que me explicassem por que alguém gastaria anos de sua vida para aprender que o português que se fala na sarjeta é o correto.

Toda essa bobajada de "linguagem popular" versus "linguagem culta" (erradamente identificada como "da elite") não passa de culto marxista do pobrismo e da ignorância, de mero exercício de demagogia em sala de aula. Algo que, desgraçadamente, tem-se tornado a norma – ironicamente – de oito anos para cá. Dominar os rudimentos da Gramática, saber ler e escrever corretamente, decretaram os sábios do MEC, é coisa da elite burguesa. E os pobres que estudam? Com razão, vêem nisso um insulto.

Por que aprender a ler, escrever e contar (a tal “educação bancária”, como gostam de dizer os devotos de São Paulo Freire, o guru de gente como a professora Heloísa), se o mais importante é a tal “educação para a cidadania”? Proponho o seguinte: já que agora temos a Gramática não-normativa, que sejam ensinadas também a Matemática não-normativa (em que dois e dois sejam quatro ou cinco, dependendo de se é na periferia ou no Morumbi) e a Geografia não-normativa (aquela em que o Sul seja Norte e vice-versa). E por que não a Ciência não-normativa, em que a Terra passe a ser chata, e não esférica? Que tal? Não seria de espantar, já que em História, por exemplo, costuma-se ensinar que Cuba é um paraíso dos trabalhadores e que o governo do Apedeuta foi o melhor de todos os tempos.

Na verdade, não há por que se surpreender. Os lulopetistas, sob a liderança iluminada do Grande Guia, já decidiram que, no terreno da ética, o certo é errado e o errado é o certo. Por que não fazer o mesmo na Gramática? Se em política o que predomina há oito anos é a avacalhação oficial, por que não promover o emburrecimento nas escolas?

O livro que ensina que é certo falar errado chama-se “Por um Mundo Melhor”. Nem precisaria dizer, mas o mundo não vai ficar melhor com a proliferação da ignorância.

sábado, maio 14, 2011

O DIREITO EXISTE PARA FAZER JUSTIÇA, NÃO PARA PROTEGER CRIMINOSOS CONTRA A HUMANIDADE



O título acima deveria ser óbvio. Mas nos últimos tempos as coisas andam tão esquisitas que até o óbvio tornou-se subversivo. É preciso repetir sempre para que todos entendam.

Quando vejo as viúvas de Bin Laden, reais e metafóricas, choramingando que a morte do megaterrorista foi uma “violação do Direito Internacional”, pergunto para mim mesmo: os companheiros são cínicos ou simplesmente idiotas?

A operação militar que resultou na eliminação do autor da barbaridade de 11 de setembro de 2001 foi uma ação de guerra. Bin Laden, e todos os que estavam com ele no prédio-fortaleza em Abottabad, era um alvo militar legítimo. Não há o que discutir. Ponto.

É assombrosa a quantidade de besteira que tenho lido na internet sobre a suposta ilegalidade da operação norte-americana.

Atacam os EUA por não terem avisado o governo do Paquistão, o que seria um desrespeito ao Direito Internacional. Ninguém lembrou que abrigar terroristas como Bin Laden – ele estava há cinco anos numa mansão na zona mais vigiada do Paquistão, ao lado da principal Academia Militar do país, e ninguém sabia? – é mandar o Direito Internacional (e qualquer noção de decência e de humanidade) para a lata de lixo.

Citar o Direito Internacional e a Declaração Universal dos Direitos do Homem para condenar a ação norte-americana que livrou o mundo de Bin Laden é uma obscenidade. Parece que muitos esqueceram que esses instrumentos surgiram para defender a humanidade de criminosos como Bin Laden, não para protegê-los.

Dois exemplos, um deles bem recente, encaixam-se perfeitamente no caso de Bin Laden:


• Em 1960, um comando israelense sequestrou em Buenos Aires o criminoso de guerra nazista Adolf Eichman, que lá vivia havia anos, levando-o para Jerusalém, onde foi julgado, condenado à morte e enforcado. Legalmente, a operação poderia ser caracterizada como uma violação da soberania da Argentina, já que foi realizada sem o conhecimento das autoridades locais (Eichman havia inclusive se naturalizado cidadão argentino). Eichmam foi um dos assassinos em massa mais frios de todos os tempos, responsável por milhares de mortes de judeus em campos de extermínio nas áreas ocupadas pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Quem violou o Direito Internacional: os israelenses, que o capturaram, ou o governo argentino de então, que dava abrigo e proteção a criminosos nazistas?


• Em março de 2008, um bombardeio do Exército colombiano matou vários membros das FARC, a narcoguerrilha comunista que atua há anos na Colômbia. Entre eles, o número dois da organização, Raúl Reyes. O bombardeio aconteceu em um acampamento das FARC localizado em território do Equador, cujo governo imediatamente reclamou de violação de sua soberania. Quem cometeu um atentado ao Direito Internacional: o governo da Colômbia, que eliminou Reyes, ou o governo do Equador, que, revelou-se então, abriga e protege narcoterroristas?


Se dependesse dos humanistas e legalistas da esquerda liberticida e americanófoba, Bin Laden ainda estaria vivo, solto e planejando ataques. Esses senhores não dão a mínima para os milhares de civis mortos em atentados terroristas pela Al Qaeda. Querem apenas um pretexto para atacar o “império”.


Mesmo com Barack Hussein Obama na presidência dos EUA, os esquerdopatas não podem dizer abertamente que morreu um aliado deles, e inventam desculpas jurídicas. Perfeitos fariseus, acham que caçar e eliminar terroristas e genocidas é ilegal, mas abrigá-los, não. Para eles, Adolf Eichman, Raúl Reyes e Osama Bin Laden são vitimas.


Para a parte da humanidade que presta, eles tiveram o que mereceram. O Direito existe para fazer Justiça. E a Justiça foi feita. Por isso não se conformam.

quinta-feira, maio 12, 2011

EU, A VERGONHA DA PÁTRIA

Se tem uma coisa que aprendi há tempos, e que a cada dia se reforça, é que nunca se deve subestimar a capacidade dos antiamericanos de achar sempre maneiras novas de odiar os EUA.

Por mais que o país faça, ou não faça, dá na mesma: o ódio continua, independentemente dos fatos.

Bastou o terrorista Osama Bin laden ter sido despachado para os quintos dos infernos pelos Navy Seals no Paquistão e a patota esquerdopata começou a berrar que a morte do terrorista foi “ilegal” e que ele deveria ter sido preso etc (como se ele não estivesse em guerra...).

Com a mesma tenacidade (eu ia dizendo: burrice) com que negam o fato de que não havia outro jeito de se livrar de Bin Laden (ei, é uma guerra, perceberam?), insistem em defender o demiurgo Barack Hussein Obama, que deu a ordem de mandar bala no terrorista (já desisti de tentar entender esse pessoal).

Vejam o que um desses valentes anônimos me mandou:

É bom que se diga que Obama provou sua nacionalidade, acredito que você ainda não a tenha por certa, e se una ao coro de Donald e Sara Pallin, em uma infundada questão como se nos EUA não houvessem [sic] negros, Jesse Jackson era de onde mesmo ???

Sério? Obama “provou” sua nacionalidade? Melhor: ele “provou” que é um natural born citizen, como manda a Constituição dos EUA?

Até agora, tudo que ele mostrou foi um documento – escondido por quase quatro anos! – que, supondo que seja verdadeiro (tudo é duvidoso em se tratando de Obama), atestaria que ele nasceu no Havaí. O mesmo documento, porém, deixa claro que o pai dele, como não era segredo para ninguém, era queniano e jamais se naturalizou norte-americano. Logo, pelo critério do natural born citizen, Obama tem tanto direito a ser presidente dos EUA quanto eu. O que estão vendendo como ponto final é, na verdade, o começo da encrenca.

Engraçado como houve até uma celeuma no início da campanha presidencial em 2008 com relação à nacionalidade do John McCain, porque ele nasceu no Panamá (o pai dele era comandante militar na Zona do Canal), o que o levou a mostrar o documento que prova que ele é, sim, cidadão natural norte-americano (e provou isso no Vietnã, como todos sabem). Já pedir que Obama faça o mesmo é "racismo" e maluquice. Por que será?

Outra coisa: o que tem a ver ser negro com ser ou não ser americano? Confesso que essa eu não entendi.

Obama representa a mudança na historia, representa um mundo plural e igualitário ; representa o fim da linha de " globalizantes e globalizados ".

Que bonitinho! Juro que, ao ler essas palavras, quase chorei. Obama, a “mudanca”, Obama, o “mundo plural e igualitário”... Só faltou dizer que o homem cura unha encravada e espinhela caída. Isso só não vale na hora de matar terroristas como Bin Laden, né? Aí o que conta mesmo é a tática do velho Bush.

Pelo menos numa coisa eu concordo com o autor da frase acima. Obama realmente "representa a mudança" etc. Aliás, como ele representa! O sujeito é mesmo um ator. Merece o Oscar!

Só um adendo: nem toda “mudança” é boa. Hitler era a mudança na Alemanha, assim como Fidel Castro era a mudança em Cuba e Hugo Chávez é a mudança na Venezuela. Às vezes é melhor conservar do que mudar.

Do mesmo modo, nem sempre um “mundo plural e igualitário” é sinônimo, necessariamente, de um mundo melhor. Um mundo em que ditaduras como as da Líbia e a da Síria tenham o mesmo peso e a mesma influência dos EUA ou do Canadá é um mundo melhor?

Bush iniciou esta guerra sem no entanto concluí-a, Bush com sua sede de petroleo invadiu o Iraque atrás de " armas químicas" que não encontrou. E por fim a maior das farsas, as familias Bush e Bin Laden são amigas a [sic] decadas, isso ja foi documentado por Michael Moore.

Duas coisas: 1) não foi Bush quem começou a guerra ao terrorismo islamita: foi a Al-Qaeda; e 2) Franklin Roosevelt também não viu o fim da II Guerra.

Ah, entendi! Bush invadiu o Iraque por causa da “sede de petróleo”... É mesmo? Digamos que tenha sido. Em que isso muda o fato de que hoje os iraquianos têm algo que parece uma democracia, algo inédito em 5 mil anos de história, enquanto na época de Saddam o que tinham era chicote?

"E as armas de destruição em massa?" etc. Já falei bastante sobre isso, mas vamos lá, de novo: Saddam se comportava como se as tivesse, e já as havia utilizado contra seu próprio povo antes. Quem sabe o melhor seria esperar que ele as usasse... (não, obrigado).

Agora, vejam só a “maior das farsas”, segundo o bravo que escreveu o comentário.

Estão prontos para ficarem escandalizados?

Atenção, tirem as crianças da sala, porque a coisa é mesmo forte!

Estão preparados? Então lá vai: a família Bush é amiga da família Bin Laden!

Claro, isso torna o Bush automaticamente co-autor dos atentados de 11 de setembro, não é mesmo? Lógico!

Além do mais – atenção para o detalhe – isso foi “documentado por Michael Moore”!

Desculpem, mas aqui não dá para evitar a risada: hahahahahahaha!

Se eu fosse bushista, como provavelmente o idiota acima acha que sou, não faria melhor para desmoralizar os bobalhões esquerdopatas. Escolheria para desmoralizá-los o "argumento" de que os Bush e os Bin Laden são amigos (a familia Bin Laden já havia renegado o terrorista há décadas, mas isso não tem importância para os teóricos da conspiração). Para coroar, eu apresentaria como modelo de autoridade jornalistica o balofo e delinquente intelectual Michael Moore. Esse pessoal não aprende mesmo.

Bush teve uma reeleição fraudulenta, ou você se esqueceu que ele também não foi eleito, AL Goore renunciou uma contagem de votos tão estranha que colocou em duvida todo o processo eleitoral.

Suponho que o leitor esteja falando da primeira eleição de Bush (em 2000) e não da reeleição, em 2004... Mas vamos lá: a primeira eleição foi tão fraudulenta que foi decidida pela Suprema Corte americana, o que só a torna fraudulenta na cabeça dos esquerdiotas. O problema foi o sistema de contagem eleitoral, como todos sabem. Al Gore não renunciou: reconheceu a derrota. Em que esse pessoal se baseia para dizer tanta asneira?

Já Obama foi eleito, e ninguém contesta a legitimidade de sua eleição. O que está em jogo é seu direito constitucional de ser presidente dos EUA. Em outras palavras, se ele é ou não um natural born citizen, como manda a Constituição. Até agora, há mais sombras do que luzes nessa questão.

O leitor é mesmo um sábio, pois em seguida escreveu o seguinte:

Mas para você isso tudo não tem importância, afinal você é um personagem.
Mais uma vez respeito que alguém assim representando meu país é uma vergonha para a diplomacia


Ele quis dizer "repito", e não "respeito", mas tudo bem. É... Realmente, sou um personagem, alem de ser uma vergonha para a diplomacia brasileira. Afinal, vejam que coisa, eu me atrevo a perguntar quem é Barack Hussein Obama! Pior: eu aplaudo a morte de um terrorista que matou milhares de pessoas!

Certamente se, em vez disso, eu resolvesse bajular ditadores e comparasse presos políticos a bandidos eu seria motivo de orgulho para a pátria. Talvez eu ganhasse até uma medalha.

Acho que o mesmo leitor despejou, em outro post, a seguinte pérola de sabedoria:

É uma vergonha alguém que trabalha no Itamaraty com uma cabeça como a sua, é uma vergonha para o país.

Sério: quando criei este blog, eu não era tão anti-esquerdista. Fiquei assim graças a comentários cretinos como o que está aí em cima.

quarta-feira, maio 11, 2011

UMA PERGUNTA INCÔMODA



Estou há dias matutando, atormentado por uma pergunta que não pára de me incomodar. É o seguinte:

POR QUE BARACK OBAMA ESTÁ SENDO LOUVADO COMO HERÓI POR TER MATADO BIN LADEN, JÁ QUE A MORTE DELE FOI, COMO DIZEM, ILEGAL, E GEORGE W. BUSH É ATÉ HOJE EXECRADO COMO UM BANDIDO, POR TER INVADIDO O IRAQUE E DERRUBADO SADDAM HUSSEIN, O QUE FOI TAMBÉM, DIZEM, ILEGAL?

Alguém teria uma resposta? (Nem precisa lembrar: só respostas inteligentes, por favor.)

AS VIÚVAS DO BIN LADEN. OU: MATAR TERRORISTAS NÃO PODE, MAS ABRIGAR TERRORISTAS PODE... OU: O DIREITO INTERNACIONAL A SERVIÇO DO TERROR

Ai, ai... Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde (confesso que acreditei que seria mais tarde) ia aparecer alguma viúva do Bin Laden chorando a morte de seu herói neste blog. A última dessa turma é reclamar que a operação que levou o saudita a pregar a jihad junto ao capiroto foi ilegal etc. e tal. Um anônimo fez mais, e encasquetou que, ao defender que os EUA fizeram muito bem em meter uma bala no cocoruto do terrorista, eu estaria sendo "incoerente". Ele quer brincar. Eu, claro, também.

Cara, você é realmente incoerente com suas afirmações. Primeiro vem igual uma freira carola falar que Obama desrespeita a constituição americana por não poder ser legalmente presidente. Ao mesmo tempo joga no lixo o Direito Internacional e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Primeiro: Freira carola (SIC - existe freira que não seja carola?) é o escambau! Obama precisa provar ainda que é um natural born citizen, e que tem, portanto, o direito legal a ser presidente dos EUA. Ou então a Constituição dos EUA - e todas as instituições da maior potência do planeta - não valem um dólar furado.

Segundo: o Direito Internacional estabelece que abrigar terroristas é crime. Bin Laden morava há cinco anos numa mansão numa das regiões mais vigiadas do Paquistão, a poucos quilômetros da maior Academia Militar do país. Alguém que não deseja passar por tolo sinceramente acredita que ele não teve a ajuda do governo local nesses anos todos?

Terceiro: A Declaração Universal dos Direitos Humanos condena o terrorismo. Preciso dizer mais alguma coisa?

Vejam só como sou incoerente: quero que Obama cumpra a Constituição de seu país, provando ter sido legal sua eleição para a presidência, e me regozijo com a morte de um terrorista. Talvez se eu fizesse o inverso eu fosse um legalista... Que tal?

É óbvio que nenhum terrorista respeita isso, afinal, são seres que nada respeitam. Mas defender que países respeitados internacionalmente, como os EUA e que são signatários e defensores abertos dos Direitos Humanos, é um contra senso.

Há uma coisa que terroristas como Bin Laden respeitam, além do Corão: gente que usa o Direito Internacional e a Declaração Universal dos Direitos Humanos como escudos para protegê-los da Justiça. Se comparam casos como o dele à polêmica do birth certificate do Obama, aí é que morrem de amores mesmo. O respeito vira paixão... Terroristas adoram gente sem senso de proporção e significado.

Você realmente acha que é correto os EUA agir [sic] sem respeitar o Direito e a Lei que defendem porque o alvo (terroristas) não respeita nenhuma lei?

Não, não acho. Apenas acredito que a Lei está a serviço da humanidade, e não o contrário. Até onde sei, não existe nada no Direito Internacional que determine que um país que está há dez anos caçando o terrorista mais procurado do mundo deve avisar, antes de lançar uma operação para matá-lo, os membros do governo que abriga esse terrorista. Nenhuma Lei, ao que eu saiba, obriga alguém a ser idiota (bom, no Brasil estão quase conseguindo...).

Aliás, faço questão de dizer: nesse caso do Bin Laden, foi cometida, sim, uma grave violação do Direito Internacional. Grave não: gravíssima. Quem a cometeu? O PAQUISTÃO! (os motivos estão aí em cima).

Parêntese: o curioso (ou nem tanto) é que um dos primeiros a levantar a questão da suposta ilegalidade da morte do Bin Laden foi um grande defensor dos direitos humanos e da legalidade: Hugo Chávez. Precisa comentar?

(Por falar em Chávez, ele tem motivos pessoais para estar preocupado. Que o digam seus amigos das FARC, que recebem armas e abrigo do governo venezulano. Mas Chávez, como o leitor que escreveu o comentário, é um legalista, não é mesmo?)

Agora, francamente: quem defende com tanto vigor o Direito Internacional no caso de Bin Laden tem o dever de dizer como os EUA, ou quem mais o seja, chegariam até o terrorista se não fosse do jeito que foi. Tem a obrigação, enfim, de apresentar um plano detalhado para apanhar o terrorista e fazer justiça.

Aguardo esse plano ansiosamente. Eu e todos os governos do mundo civilizado.

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P.S.: Mal terminei de escrever este post, alguém cometeu o seguinte comentário sobre meu último texto. Transcrevo a parte que é possível ler:

Mas uma nação como os EUA que pregam tanto a democracia, agir desta maneira é se igualar aos terrorista islâmicos, usar tortura e matar dois homens desarmados foi no mínimo se igualar aos homens bomba que matam inocentes sim.


Pois é. Primeiro, a morte de Bin Laden foi ilegal. Agora, Bin Laden e os EUA nivelados... Precisa dizer mais alguma coisa?

A MAIS NOVA “CAUSA NOBRE” DOS ÓRFÃOS DE BIN LADEN

Ah as viúvas de Bin Laden... Acabaram de descobrir uma nova causa nobre para a qual se dedicar. Não se conformam que o megaterrorista Osama Bin Laden esteja agora junto a Alá. Precisam porque precisam de alguma coisa para continuar a atacar o “império”... Mais que isso: afirmam, como o senador Eduardo Suplicy, que a morte do assassino que não dava a mínima para o direito internacional foi uma violação do direito internacional etc.

Um desses humanistas retroativos postou um comentário sobre meu último texto, O LAMENTO DAS VIÚVAS DO TERRORISTA. Eis o que ele escreveu. Respondo a seguir.

Caro, mesmo sendo Bin Laden um terrível terrorista, o direito internacional deve ser respeitado!

Concordo plenamente. Sobretudo em tempo de guerra a um inimigo solerte, que não respeita qualquer regra ou convenção internacional. Seria interessante lidar com fanáticos assassinos que cultuam a morte (principalmente dos outros) de modo a não ferir o “direito internacional”, tal como o coloca o leitor... Só não sei se seria o meio mais seguro.

Por falar nisso, ao que me consta, abrigar terroristas também é uma violação da lei internacional, não é?

1) Os EUA declararam abertamente que se utilizaram de tortura para achar Bin Laden.

Não me diga! Então a morte do Osama foi ilegal porque, para chegar até ele, alguns militares norte-americanos brincaram de waterboarding com algum prisioneiro? "Olha aqui, vocês não podem ir lá pegar o Bin Laden porque fulano confessou sob pressão"...Talvez o autor do comentário tenha uma sugestão melhor de método de interrogatório. A propósito, citem o nome de algum terrorista preso em Guantánamo que tenha morrido por causa do waterboarding.

2) Bin Laden foi morto desarmado.

O governo Obama divulgou versões diferentes de como Bin Laden foi morto (já pensaram se tivesse sido o Bush? deixa pra lá...). Numa delas, Obama está com um fuzil AK-47 ao alcance da mão. Mesmo que estivesse desarmado, porém, os Navy Seals já tinham sido recebidos a tiros no prédio. O que deveriam fazer? Ler-lhe a Declaração Universal dos Direitos do Homem? (By the way, suponho que matar Hitler desarmado seria também um ato ilegal, não?)

3) O Paquistão, sendo um país reconhecido pelos EUA, deveria ter sua soberania respeitada. A invasão é ILEGAL!

Concordo em gênero, número e grau que se deve respeitar a soberania do Paquistão, como a de qualquer outro país. E a maior agressão que um país pode sofrer à sua soberania é permitir que terroristas se abriguem em seu território, com o apoio, ao que tudo indica, de funcionários do governo. Foi por causa disso que o Talibã foi enxotado do poder no Afeganistão.

4) A invasão do Paquistão sem o devido aviso é digna de uma declaração de guerra. Imagine se fosse o contrário? Caso o Paquistão invadisse os EUA, a resposta imediata destes seria, no mínimo, um bombardeio.

É mesmo, invadir o Paquistão para matar Bin Laden equivaleu a uma declaração de guerra dos EUA etc. Por que o governo paquistanês não declara guerra a Washington? Tenho um palpite: Osama estava no país há anos sem ser incomodado, praticamente ao lado de um quartel do Exército... Eu me surpreendo que os EUA não tenham declarado guerra ao Paquistão.

Respondendo a pergunta retórica: o que eu faria se o Paquistão, ou qualquer outro país, “invadisse” os EUA, em busca de um terrorista procurado, que se encontraria abrigado em solo americano, protegido e acobertado pelo governo americano? Eu aplaudiria! Claro! Agora, diga-me o nome de algum terrorista procurado abrigado em solo americano, protegido e acobertado pelo governo.

Toda essa lenga-lenga sobre soberania e direito internacional serve apenas para dar um verniz jurídico ao lamento das viúvas do terrorista islamita. Como já disse antes, tudo isso não passa de pretexto. Caso a operação que matou Osama tivesse sido planejada conjuntamente com o Paquistão, ou que ele tivesse sido preso, os inimigos dos EUA e da Liberdade iriam chiar do mesmo jeito (lembram da chadeira por causa do julgamento do Saddam Hussein no Iraque?).

Para finalizar, vou lembrar outro fato: em 1976, um comando israelense voou secretamente até o aeroporto de Entebbe, Uganda, onde resgatou um grupo de civis israelenses que estavam sendo mantidos como reféns por terroristas palestinos. O comando matou os sequestradores e os soldados ugandenses que guardavam o local. Pelas regras do direito internacional, a operação foi uma violação da soberania de Uganda, portanto ilegal. O que os reféns libertados achariam dessa interpretação?

Também sou a favor do direito e do justo, como sou a favor de todas as coisas boas, puras e belas que existem no mundo. Por isso gostaria muito que me dissessem que outro caminho havia para livrar o mundo de Bin Laden. Querem defender o terrorismo? Então o façam abertamente, sem apelar para desculpas jurídicas.

terça-feira, maio 10, 2011

O LAMENTO DAS VIÚVAS DO TERRORISTA

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) está preocupado. Humanista sensível, incansável defensor das causas sociais, em especial dos direitos humanos, o parlamentar-cantor da cueca vermelha achou muito feio o que os EUA fizeram, ao mandarem para o Além o megaterrorista Osama Bin Laden. Acredita que os Navy Seals norte-americanos (ele diria “estadunidenses”) não tinham nada que descer de helicóptero na casa-fortaleza de Bin Laden e despachá-lo a tiros. Nisso, conta com o apoio de outros companheiros da Casa do Espanto, como o ex-cara-pintada e atual cara-de-pau Lindbergh Farias (PT-RJ) e o “sábio” Cristóvam Buarque (PDT-DF), que acham a mesma coisa. (Cristóvam, aliás, parece que está meio decepcionado com Obama: onde já se viu, caçar e matar terroristas? Isso era para o Bush...)

Quando Eduardo suplicy fica preocupado, eu também fico. Mas não, necessariamente, pelos mesmos motivos. "Foi uma violação da soberania do Paquistão", disparou o senador-Mogadon, naquele seu jeito Suplicy de ser, talvez se esquecendo que o terrorismo não reconhece fronteiras, e que um país que abriga terroristas – Bin Laden estava há anos em seu cafofo no Paquistão e ninguém de lá sabia? – está, automaticamente, sujeito a raids do tipo. Talvez se os EUA avisassem os militares paquistaneses, sugere Suplicy, a operação poderia ser considerada legal. É, pode ser. E o risco de Bin Laden escapar seria muitíssmo maior. Vamos trocar a morte de Bin Laden pelas boas relações com um governo que o homizia?, devem ter perguntado as autoridades norte-americanas. Tenho uma sugestão: por que, na próxima vez, não chamar o senador Suplicy? Certamente ele convenceria Bin Laden a se entregar. Bastaria cantar, para ele, Blowin' in the Wind. Eu também me renderia.

"Ele deveria ter sido preso e julgado", choramingou o pai do Supla. É, deveria. Mas tem um pequeno detalhe aí: depois de prendê-lo, onde ele ficaria custodiado? Em Guantánamo? (mas a prisão não é ilegal, como afirmam os inimigos do "império"?). Na Arábia Saudita, onde já o esperava uma condenação à morte? Em Haia, cujo Tribunal Penal Internacional é motivo de controvérsia? Ou, quem sabe, na Papuda, em Brasília? Suplicy deve saber. Lindbergh também. Cristóvam idem. "Mas e os criminosos nazistas, como Goering e Hess, não foram julgados em Nuremberg?", perguntam os que se esquecem que Goering e Hess se renderam às tropas aliadas, encarando o julgamento que veio depois.

Todo esse chororô sobre Bin Laden, um dos maiores assassinos da História, que estava se lixando para soberania e direitos humanos, só é possível porque Eduardo Suplicy é possível. Desde 2001, os EUA estão em guerra. E, numa guerra, o inimigo é morto. Ao decretar guerra ao povo americano – ao mundo civilizado, na verdade –, tendo sido responsável por milhares de mortes de civis inocentes, Bin Laden tornou-se um alvo militar legíitimo. Não era um batedor de carteiras.

Pelo visto, as palavras "guerra" e "terrorismo" são completamente desconhecidas para Suplicy, o senador das boas causas. Também pudera. Humanista que é, ele já demonstrou seu amor pela legalidade e pelos direitos humanos ao posar para fotos na cadeia ao lado do terrorista italiano Cesare Battisti, promovido a refugiado político por Tarso Genro. Não me causa surpresa vê-lo agora chorar a morte de Bin Laden, cobrando para ele o mesmo tratamento que ele negou a suas vítimas. Tampouco me surpreenderia se o visse visitando seu novo amigo Osama em alguma prisão, se ele tivesse sido preso, posando para fotos, todo sorrisos, ao lado do chefe da Al-Qaeda. Aliás, nada que vier de Suplicy me surpreende.

Informa a imprensa que, ao livrar o mundo de sua presença, Obama deixou três viúvas. Esqueceram-se de suas três viúvas brasileras do Congresso Nacional. Pelo menos uma delas,
Eduardo Suplicy, tem razões particulares para lamentar a morte de Bin Laden. Afinal, ele perdeu a oportunidade de defender mais uma causa nobre.

P.S.: Já tinha terminado de escrever o post acima quando me deparei com o comentário abaixo, assinado por um certo Zé, um sujeito que, além de tudo, é meio distraído. Certos comentários dispensam comentários. Vejam e se espantem.

Engraçado você falar que o ato do STF para benefício dos gays foi inconstitucional, mas nada falar sobre a morte de Bin Laden, onde os EUA claramente desrespeitaram em mais de um ponto a "Declaração Universal dos Direitos Humanos", a qual os próprios EUA são signatarios. Além disso, invadiram um país legalmente constituído (Paquistão) sem sequer avisarem.

Quer dizer que se algo beneficía os gays, então, é inconstitucional, mas se for em benefício da guerra dos EUA, então tá tudo bem.


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segunda-feira, maio 09, 2011

MALÍCIA OU DISLEXIA?

Um leitor, o Gabriel, ao que parece não entendeu meu post SOBRE OBAMA. OU: DE COMO SER UM "BOM LíDER" SEM PRECISAR RESPEITAR A LEI. A certa altura, comentando uma observação minha sobre a necessidade de enquadrar melhor o fenômeno terrorista, ele escreveu o seguinte:

Desculpe, mas com a tua explicação não vi nenhuma diferença entre o terrorismo sionista e o terrorismo islamita. Ambos mataram inocentes pela causa que seguiam.

Quem lê o que está acima fica com a impressão de que sou a favor de alguns tipos de terrorismo, mas não de outros. Que faço uma distinção moral entre eles. Talvez tenha sido essa a intenção do Gabriel. Se foi o caso, lamento informar, mas não deu certo.

O texto a que o Gabriel se refere não pode ser entendido fora do contexto da minha resposta a outro leitor, que discorda da expressão "terrorismo islamita" (ele a acha preconceituosa contra o Islã). Eis o que o leitor escreveu, a respeito de meu texto SOBRE OBAMA E OSAMA: RESPOSTA AOS LEITORES:

2) O que você chama de "terrorismo islamita" é absurdo! Terrorismo é uma coisa, o Islã outra. Ser islamita não significa ser terrorista e nem o contrário. Não existe terrorismo islamita. Existe o Terrorismo!

Minha resposta ao comentário acima foi, resumidamente, a seguinte: a expressão terrorismo islamita é valida, e é a mais correta, pois falar simplesmente em Terrorismo (assim, com T maiúsculo), embora seja moralmente correto (todos os terrorismos são perversos) não acrescenta nada na luta contra os extremistas assassinos ("guerra ao terror" é uma fórmula vazia). A guerra que o mundo civilizado trava desde 2001 não é contra "o terror" em geral, o terror como algo abstrato, mas contra uma forma específica e bem concreta de terrorismo: o terrorismo islamita.

É preciso analisar o fenômeno terrorista não somente em termos do método (bombas, assassinatos, sequestros etc.), mas da causa, ou ideologia. Há terrorismo islamita, assim como há terrorismo sionista (e cristão, e budista etc.). Dei, a esse respeito, um exemplo histórico (o Grupo Stern, que atuou na década de 40 onde hoje é Israel), para ilustrar a existência de varios terrorismos com diversas causas e motivações.

Em outras palavras: se não for analisada a motivação última que leva os fanáticos da Al Qaeda ou do Hamas a se explodirem em atentados contra civis indefesos, não se dará jamais uma resposta definitiva ao terrorismo islamita. E isso não será alcançado, certamente, enquanto os governos que têm a obrigação de combatê-lo insistirem em não chamá-lo pelo nome, preferindo, em vez disso, expressões anódinas como "guerra ao terror" (que é o mesmo que "guerra à guerra"). Esta é a primeira regra para vencer uma guerra: saber quem é o inimigo.

É logico e evidente que, ao dizer o que está acima, não estou afirmando que o terrorismo X é "melhor" ou "menos mau" do que o terrorismo Y. Dizer isso é uma grande besteira, que só poderia sair de cérebros irremediavelmente prejudicados pela malícia ou pela dislexia. Sei não, e nesse ponto posso estar enganado, mas acho que leitores que escrevem comentários como o de acima estão mais para a segunda categoria.

sábado, maio 07, 2011

O GOLPE DO STF. E UMA PERGUNTA: GAYS NÃO FAZEM SEXO?

Na última quinta-feira, dia 4, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, aprovar no Brasil a união civil de pessoas do mesmo sexo - o que abre o caminho para o chamado "casamento gay". De agora em diante, casais do mesmo sexo que comprovem a união estável terão os mesmos direitos e deveres que casais heterossexuais. O que acho da decisão? Não tenho nada contra, como não tenho nada contra a adoção de crianças por casais homossexuais. Direitos iguais etc. Muito diferente do PLC 122, a Lei da Mordaça Gay, que ameaça acabar com a igualdade de todos perante a Lei, instituindo o delito de opinião. Daí porque sou radicalmente contra este, mas não contra a decisão do STF, que me parece justa.

Tudo muito bem, tudo muito bom, etc. e tal. Sou mesmo a favor de que todos tenham os mesmos direitos e obrigações, e a corte constitucional parece ter entendido o mesmo. A aprovação do casamento gay parece mesmo um avanço. Mas tem duas coisas que não consegui entender direito.

Primeiro: pode um tribunal, mesmo se for a Suprema Corte do País, decretar a não-validade de um preceito constitucional? Segundo a Carta Magna promulgada em 5 de outubro de 1988, cabe ao Poder Legislativo, e a ele somente, modificar um Artigo da Constituição Federal. Cabe ao STF, como instância máxima de um dos três Poderes da República, zelar pela constitucionalidade das decisões judiciais. Pois bem. O que diz a Constituição da República Federativa do Brasil? Diz o seguinte, de forma clara:

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.


Não sou jurista, tampouco conhecedor do assunto (abandonei o curso de Direito no segundo ano), mas está claro para mim que os ministros do STF, ao aprovarem o casamento gay, modificaram completamente o que está escrito aí acima. Instituíram, de uma só vez, uma nova forma de organização familiar no Brasil. Em outras palavras: legislaram sobre a matéria, exercendo - eu quase disse: usurpando - a função do Poder Legislativo. Com isso, o que ocorreu foi um GOLPE (IN)CONSTITUCIONAL. O STF NÃO PODERIA TER REESCRITO A CONSTITUIÇÃO! ESSE PAPEL CABE AO LEGISLATIVO!

Faz diferença se a decisão dos ministros foi por uma "boa causa", como estão dizendo por aí? NÃO! NÃO FAZ NENHUMA DIFERENÇA! Rasgou-se a Lei do mesmo jeito. As funções dos Poderes da República não podem ficar ao talante dessa ou daquela interpretação. O mesmo tipo de argumento pode ser utilizado em favor de qualquer outra coisa. Com isso, criou-se um precedente perigoso para a democracia: o que impede os senhores ministros de revogarem o Artigo 5 da Constituição, por exemplo, que trata dos direitos e garantias fundamentais, em nome, sei lá, do "bem público"? Afinal, a Constituição existe para ser respeitada ou não?

Por que será que os ministros do STF, que são pessoas doutas e certamente conhecem a Constituição, resolveram descumpri-la, atribuindo-se um papel legiferante que não lhes cabe, segundo a própria Carta Magna? Posso estar enganado, mas o fato de ser muito mais difícil tal decisão ser aprovada no Congresso Nacional dá uma dica importante a esse respeito. (O fato de serem 513 deputados e 81 senadores, contra 11 no STF, também talvez explique alguma coisa.)

Segunda coisa. Assim como defendo o respeito à Constituição, sou a favor de que se chame as coisas pelo nome. Afinal, o que raios vem a ser "união homoafetiva"? Vamos deixar de lado os eufemismos. O que se acabou de aprovar foi a união civil entre um homem e um homem, ou entre uma mulher e outra mulher. E isso quer dizer relações que, na imensa maioria dos casos pelo menos, envolvem sexo. Quero dizer "aquilo" mesmo: trocar fluidos corporais, transar, furunfar - dêem o nome que quiserem. É isso que as pessoas, héteros ou não, fazem entre quatro paredes, desde que o mundo é mundo. Por que essa frescura agora de "homoafetivo"? Vejam o que disse, em um arroubo de pura inspiração poética, um dos ministros do STF, Ricardo Lewandowsky, ao justificar seu voto favorável à tal "união homoafetiva":

“(…) estão surgindo, entre nós e em diversos países do mundo, ao lado da tradicional família patriarcal, de base patrimonial e constituída, predominantemente, para os fins de procriação, outras formas de convivência familiar, fundadas no afeto, e nas quais se valoriza, de forma particular, a busca da felicidade, o bem estar, o respeito e o desenvolvimento pessoal de seus integrantes.”

Não é lindo? Dá vontade de chorar! Outras formas de convivência familiar, "fundadas no afeto", caracterizadas pela "busca da felicidade", do "bem estar" etc. Esperem aí... agora já entendi o que é esse troço de "união homoafetiva": é a relação que eu tenho, por exemplo, com meu... pai!

Ora, senhores gays e simpatizantes! Deixem de ser caretas! Que papo é esse de "homoafetivos"? Digam logo que vocês fazem sexo também! Para quê tanto moralismo pequeno-burguês? Não querem ser tratados de maneira igual aos héteros, com os mesmos direitos e deveres? Pois então saiam do armário, ora bolas!

Trata-se de um óbvio paradoxo: os militantes gayzistas adoram repetir que sua "luta" é por "dignidade" para os gays etc. Na hora de defender a dignidade da prática homossexual, porém, retiram o time de campo, cobrindo-se com o rótulo anódino de "homoafetividade". Os adversários do casamento gay, como a Igreja Católica, não escondem a dignidade da união sexual tradicional, homem-mulher, voltada para a procriação (e "patriarcal", "de base patrimonial", como diz Lewandowsky). Os gays querem ficar no mesmo patamar de dignidade. Por que então essa conversa mole de "homoafetivo"? Gays não fazem sexo também?

Afinal, por que esse pudor todo ao tratar da questão essencial, que é o direito - e sim, acho que é um direito - de o indivíduo juntar os trapinhos com outro do mesmo sexo? Só consigo achar uma explicação: estão tentanto dessexualizar a relação gay. Com isso, está-se criando uma nova categoria de indivíduo, que se relaciona com o parceiro não mais a partir do sexo, essa coisa feia e suja, mas em padrões mais elevados e espirituais, "fundadas no afeto". Nada mais daquele entrelaçamento de corpos desnudos, aqueles movimentos sensuais, aquilo lá e o lá naquilo, se é que vocês me entendem... Isso é para os héteros, um tipo mais primitivo da espécie humana, que ainda se organiza familiarmente visando à procriação, vejam que coisa mais antiquada. Enfim, um ser não evoluído o bastante para ter uma relação, assim, mais avançada e progressista, "homoafetiva"...

Confesso que jamais imaginei que um dia veria um ministro do STF enaltecer a união homossexual (perdão, "homoafetiva"), descrevendo os praticantes do "amor entre iguais" como seres tão sensíveis, tão puros e angelicais. (Aliás, anjos não têm sexo, não é mesmo?) Até agora eu só tinha visto coisa parecida nas novelas da Rede Globo.

Como já falei, tenho cá meus preconceitos, mas o contra gays não está entre eles. Agora, pela primeira vez, vejo um preconceito transformado em lei: o preconceito "homoafetivo". Pior: mediante o descumprimento da própria Lei Maior. Desde a última quinta-feira, não existem mais, no Brasil, héteros e gays, mas héteros e "homoafetivos". Desde então, também, a divisão de poderes foi para o beleléu. Graças aos ministros do STF e à sua capitulação ao "politicamente correto".

AINDA O DESARMAMENTISMO: EXPLICANDO O DIREITO DE AUTODEFESA (APERTANDO A TECLA SAP)

Esta é do leitor que se assina como João (sobre a questão do desarmamento civil):

OK! Aceito plenamente o direito que todos tem de escolher ter ou não uma arma. Mas pergunto por que esse direito vem na frente de outros? Considero tão essencial como este, o meu direito de escolher ter mais de uma mulher legalmente (poligamia) e o meu direito de escolher usar drogas ou não (sem que esta escolha seja criminalizada). Por que tais direitos não poderiam ser legalizados também?

Simples: porque existe uma coisa chamada senso de proporções.

Igualar o direito à autodefesa - algo tão básico que é reconhecido até pela Igreja Católica - com escolher ter quantas esposas quiser, usar drogas ou não etc., é não saber o significado das palavras "direito" e "escolha". Primeiro, porque, ao contrário do direito à própria segurança, a poligamia é uma questão cultural, não universal - há lugares, como os países árabes, em que ela é permitida juridicamente. Segundo, porque a descriminalização do comércio e uso de drogas ilícitas implicaria em outros danos (sobretudo sociais) além dos que já são infligidos à saúde do viciado (sobre isso já escrevi bastante no blog; basta pesquisar) - nada a ver também, portanto, com o direito legítimo à autodefesa.

Enfim, não há como botar no mesmo saco o direito fundamental de escolher sobre a própria segurança e nada do que está aí em cima. Pelo mesmo motivo que não é possível dizer, sem ofender a Lógica, que o direito à autodefesa significa o direito a ter uma bomba atômica em casa ou a praticar tiro ao alvo nos transeuntes com uma arma de fogo. O direito a ter um carro não me dá o direito a usá-lo para atropelar os pedestres.

Ficou claro ou preciso desenhar?

SOBRE OBAMA. OU: DE COMO SER UM "BOM LÍDER" SEM PRECISAR RESPEITAR A LEI...

Uns dois posts abaixo, respondi um comentário de um leitor chamado Gabriel, que reclamou do fato de eu criticar o Obama, mas não o Bush. Respondi que isso era uma forma de anular culpabilidades, uma tática empregada sistematicamente pelos petralhas no Brasil, sobre a qual já escrevi extensivamente neste blog ("todos fazem igual" etc.). Enfim, faço isso porque não sou "nenhumladista", ou seja: não acredito que malfeitos de ambos os lados resultem em situações do tipo "elas por elas". Aí veio um leitor anônimo e escreveu o que segue:

Elas por elas não! Falemos mal de todos os que tiverem erros e problemas e não só de alguns...

Ok, falemos então. Critico Obama por ser um farsante que esconde a própria nacionalidade, e por surfar na onda alheia. Posso dizer o mesmo de Bush?

A propósito, já que perguntou, terrorismo sionista é tão errado quanto terrorismo islamita.

Engana-se. O terrorismo não se define apenas pelos métodos empregados, mas pela causa, ou ideologia, em nome da qual se mata. Do contrário, ou seja, se é tudo uma questão de "método", pode-se igualar movimentos como a Al Qaeda e a Resistência Francesa contra a ocupação nazista na II Guerra. Um exemplo de terrorismo sionista foi o Grupo Stern, que atuou nos anos 40 contra a dominação inglesa na Palestina - seus membros chegaram a explodir um hotel, com dezenas de mortes civis inocentes, em nome da causa sionista (a recriação do "Israel bíblico" etc.). De forma semelhante, grupos como o Hamas usam o terrorismo a partir de uma interpretação fundamentalista do Corão e visam a instalar uma teocracia islâmica, sendo, portanto, um exemplo de terrorismo islamita. Daí a inocuidade de se falar em "guerra ao terror", expressão que não significa absolutamente nada (ao contrário de terrorismo islamita). Um pouco de estudo faria bem ao leitor.

Quanto a Obama, o problema é que você está hiperdimensionando algo para justificar todo o resto. Caso Obama não tivesse problema algum para ser presidente, mas fosse infiel (como Clinton) isso provavelmente seria motivo para taxá-lo de mau presidente, mentiroso e outros blá blá blá que já há muito ouço. Mas o fato de ser infiel com a esposa ou não ser americano de fato, não faz dele um mal líder. Para ser mal líder é preciso outra justificativa.

O que eu estaria "hiperdimensionando", segundo o leitor, seria o fato de que até agora Obama não provou, por A mais B, que é um natural born citizen, condição indispensável para quem quiser ser presidente dos EUA. É o fato de que, portanto, sua eleição ao cargo pode ter sido ILEGAL - o que, se comprovado, será o maior escândalo político da História dos EUA, capaz de deixar Watergate no chinelo.


A propósito, o que seria o "todo o resto" que eu estaria justificando, segundo o leitor? Acaso seria o fato de que um presidente necessita respeitar as leis de seu país? Pois bem, é isso mesmo que eu defendo.

Pelo que entendi, o leitor entende que rasgar a Constituição que jurou defender não faz de alguém um mau presidente e mentiroso, ao contrário de ser infiel (como teria sido o caso de Clinton) etc. Esquece assim que Clinton quase perdeu o cargo não porque foi "infiel" (isso é entre ele e a Hillary), mas porque cometeu perjúrio numa investigação federal (mentiu sobre ter feito ou não sexo com a estagiária). E isso, convém dizer, é muito menos do que estão acusando Obama.

"Mas e daí se Obama não for americano?", pergunta o leitor, candidamente. É mesmo, e daí? E daí que existe uma Constituição, não é mesmo? Dane-se a Lei, não é verdade? Aliás, para que leis? Para que a democracia?

Enfim, o que caracteriza um MAU (e não "mal") líder é, principalmente, o desprezo pela Lei e pelas instituições. Isso pode ser tolerado em Banânia, mas não numa democracia como os EUA. Todo o resto é blablablá de quem está se lixando para a legalidade.

sexta-feira, maio 06, 2011

O LUTO SINCERO DOS FANÁTICOS E O LUTO ENVERGONHADO DOS HIPÓCRITAS

Como era esperado, a morte de Osama Bin Laden por um comando de elite norte-americano criou mais um mártir da jihad. Em vários países islâmicos - Paquistão, Indonésia, Egito -, milhares de fanáticos islamitas saíram e sairão às ruas para protestar contra os EUA e prantear o "guerreiro sagrado", jurando vingança. A ponto de já se começar a ouvir, aqui e ali, este ou aquele comentarista mais assustadiço: talvez tivesse sido melhor não ter assassinado o chefe terrorista, para "não provocar" os muçulmanos...

Lorota de covardes ou de aliados do terrorismo. O fundamentalismo islamita não precisa de nenhuma provocação para se justificar. Ele alimenta-se a si mesmo, como todo fanatismo. Ou alguém acredita, sinceramente, que, se os Navy Seals não tivessem metido uma bala na cabeça de Bin Laden, os ataques terroristas cessariam e os islamitas se transformariam em democratas?

Entre os que choraram a morte de Bin Laden está o Hamas. O Hamas é uma organização islamita terrorista que jurou destruir Israel e que é apoiada pelo Irã. Assim como a Al Qaeda, o Hamas usa homens-bomba contra alvos civis e deseja instalar um Estado islâmico na Palestina. Há alguns dias, grande parte da imprensa internacional saudou, como uma "esperança de paz", a anunciada reconciliação entre o Hamas e o Fatah, o movimento palestino "moderado". Em 2007, o Hamas tomou o poder na faixa de Gaza e, após um banho de sangue contra seus rivais da Fatah, intensificou seus ataques terroristas contra alvos israelenses, provocando uma guerra com Israel. Porque uma frente unida do Hamas com o Fatah seria uma esperança de paz para o Oriente Médio é algo que desafia minha compreensão.

O lamento dos fanáticos assassinos do Hamas é odioso, mas pelo menos é sincero. Eles não escondem que consideravam Bin Laden um herói. Para eles, o chefe da Al Qaeda era um aliado na jihad contra os infiéis ocidentais etc. No mundo abjeto dos terroristas, seu lamento faz sentido. Outros lamentam a morte do assassino serial, mas por cinismo e dissimulação, não ousam fazê-lo abertamente, escondendo-se por trás de uma cortina de argumentos pretensamente jurídicos e até morais para justificar a cumplicidade com o mal.

"Foi um assassinato puro e simples", escuto aqui e acolá, com diferentes variações, que vão da ingenuidade lacrimosa ao cinismo descarado. Esses humanistas devem crer que um assassino de mais de 3 mil pessoas inocentes, e que viveu apenas para matar, poderia ter sido capturado vivo (tornando-se, assim, um ímã para atentados terroristas) e levado a julgamento (onde? em Wahington? em Haia? em Islamabad?). Multiculturalistas, e sempre preocupados com os pruridos islâmicos (mas, quase nunca, cristãos), consideram a decisão de atirar o cadáver ao mar uma ofensa ao Islã, e indagam se não teria sido preferível enterrar o corpo em algum lugar mais adequado (para que o túmulo se tornasse local de peregrinação para islamitas fanáticos? não, obrigado). Ao contrário desses senhores, acho que os EUA fizeram muito bem em despachar Bin Laden para o diabo que o carregue. O mundo ficou melhor sem ele.

Outros, como o ditador de ópera-bufa venezuelano Hugo Chávez, disfarçam melhor, e usam argumentos menos piegas. "Foi um atentado à soberania", zurrou o Napoleão de hospício, tentando cobrir com brios de nacionalismo ofendido a eliminação de um inimigo da humanidade. Como se o terrorismo da Al Qaeda respeitasse fronteiras nacionais, e como se o governo dos EUA devesse ter comprometido o sucesso da operação ao informar os militares locais, tão confiáveis na luta contra o terrorismo que Bin Laden morava a poucos quilômetros de um quartel do exército paquistanês (o Talibã, aliás, foi uma criação do serviço secreto do Paquistão). Além do mais, alguém duvida que, se a eliminação de Bin Laden fosse uma operação conjunta americano-paquistanesa, e não exclusivamente americana, os inimigos dos EUA iriam deixar de cacarejar do mesmo jeito?

Tipos como Chávez e Noam Chomsky - seu mentor intelectual, e também um dos autores de cabeceira de Bin Laden - estão se roendo por dentro, amargando a morte de um aliado. Do mesmo modo que o ex-frei e ex-cristão Leonardo Boff, que lamentou publicamente terem sido "só" dois, e não vinte e cinco, os aviões que destruíram as Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. Para eles, foi uma derrota. Mas falta-lhes a coragem e a sinceridade necessárias para admitir isso. Não têm a honestidade de reconhecer abertamente que estão com o coração partido pelo desaparecimento do terrorista de estimação. Para gente como eles, assim como para o PT, morreu um inimigo do inimigo. E o inimigo de meu inimigo é meu amigo, pensam. Pela lógica, Bin Laden era, portanto, seu amigo.

Tecnicamente, a morte de Bin Laden foi um assassinato seletivo. Foi algo moral? A meu ver, não só foi moral, como foi uma obrigação. Eliminá-lo fisicamente, assim como aniquilar a estrutura da Al Qaeda, era imprescindível para a eliminação da ameaça terrorista. Essa é a única maneira de combater um inimigo que não tem medo de morrer - ou de convencer outros a morrerem por ele - para levar a morte ao lado adversário (e o lado adversário, nesse caso, são civis). Os que choram a morte de Bin Laden estão cuspindo nas mais de 3 mil vítimas fatais que ele deixou para trás. Como um cão hidrófobo, só restava matá-lo.

Aqui entra uma questão interessante. Barack Hussein Obama está sendo louvado e glorificado por ter mandado o terrorista saudita para o encontro de Alá. Muitos que votaram em Obama o fizeram em oposição aos métodos empregados por George W. Bush na "guerra ao terror". Um desses métodos é a noção de ataque preventivo, que pressupõe táticas como o assassinato seletivo de inimigos. Agora Obama copia Bush, e ordena o assassinato seletivo de Bin Laden. Bush foi execrado, Obama é um herói. Gostaria de saber por quê.

Outro ponto importante: há dois anos, Israel foi execrado na mídia por ter lançado uma campanha para caçar e eliminar terroristas do Hamas na Faixa de Gaza. A condenação a Israel foi praticamente unânime. Um relatório da ONU chegou mesmo a acusar as forças israelenses de bombardearem deliberadamente alvos civis (o que se provou ser uma acusação falsa). Pois bem. O que o governo de Barack Hussein Obama fez que Israel não tem feito sistematicamente? Que diferença há entre matar Bin Laden no Paquistão e eliminar terroristas na Faixa de Gaza? Por que matar Bin Laden é prestar um serviço à humanidade - como de fato o foi - e fazer o mesmo com os membros do Hamas ou do Hezbollah é "genocídio"?

Tais perguntas, obviamente, ficarão sem resposta. Para odiar os EUA, e tudo que ele representa (a começar pela liberdade, artigo desconhecido no mundo árabe e muçulmano), assim como para odiar Israel, não é necessário nenhum fato, nenhum argumento. Basta ser fanático ou idiota. Por extremismo religioso ou por covardia moral, tanto faz. Os inimigos da humanidade perderam um herói. O mundo venceu.

DESARMAMENTISMO. OU: COMO AUMENTAR A SEGURANÇA... DA BANDIDAGEM!

Um leitor incansável, o Julio, está há vários posts tentando me convencer que, como o cidadão pode se machucar ao reagir a um assalto, não deve ter direito a escolher comprar um revólver legalmente. Acredita ele que, como existe a probabilidade de isso acontecer, o mais seguro seria renunciar a esse direito e ficar à mercê do criminoso (ou seja: entre ter uma chance, que pode dar errado, e não ter chance nenhuma, prefere a segunda opção). Eu, claro, discordo. Ainda mais depois de mais esse comentário que ele postou aqui:

Pra começar, probabilidade é matemática e é muito menos aleatória que você julga ser.

Portanto, meu caro, a tua lógica de colocar todos os argumentos da mesma maneira é que é falaciosa. Morrer dirigindo um automóvel não é tão provável quanto morrer ao se reagir a um assalto. Senão caímos na lógica do absurdo que diz "vamos todos morrer mesmo não importa o que eu faça". Que vamos todos morrer é lógico, agora o modo que cada um morre não é igual.

Mas [SIC] do que discutir o direito de escolher ter armas, deveríamos discutir políticas de segurança mais eficazes, já que independente de se poder ter ou não uma arma, não julgo que esta seja a melhor opção para a segurança.


Tá bom, Julio. Probabilidade é matemática etc. e tal. Já me convenceu que, matematicamente, existe 100% de chance de eu levar um tiro se eu estiver armado na hora de um assalto. Também está matematicamente comprovado que, em 100% - cem por cento - dos casos, o bandido não tem a menor intenção de fazer qualquer mal à vítima, reaja ela ou não. Todas as outras probabilidades matemáticas - inclusive a de que o agressor desista de seu intento criminoso ao perceber que a vítima está armada - não passam de fantasias que eu inventei. Aliás, pobre do criminoso, ele não tem culpa de nada; o culpado é o cidadão, que insiste no direito de autodefesa e em colocar, assim, sua segurança (e a do bandido) em risco. Já estou convencido que o desarmamentismo é mesmo o melhor caminho para um mundo de paz e felicidade. Vou agora mesmo abraçar uma árvore.

Ainda assim, tem uma coisa que continua a me deixar encafifado: não tenho a menor idéia de quantas pessoas morrem ao reagirem armadas a um ataque armado. Tampouco sei quantos NÃO morrem ao reagirem (talvez o leitor tenha uma estatística sobre o assunto). Mas desconfio que o número dos que morrem ou ficam aleijados seja bem inferior ao das vítimas fatais no trânsito, que são alguns milhares por ano. Mais uma vez: por que não proibir todos de terem carros? (e facas, e martelos, e espetos de churrasco, e alfinetes...)

Também concordo que mais importante do que discutir o direito de ter ou não armas é uma política efetiva de segurança que garanta que eu possa sair à rua sem medo de ser assaltado. Até porque um direito fundamental e inalienável do indivíduo é o de autodefesa, que não deve, de maneira nenhuma, ser satanizado. Isso é tão básico que nem deveria estar em discussão. A propósito: quando o Estado vai garantir a minha segurança com uma polícia realmente eficiente?

Julio tem todo o direito de achar que ter uma arma de fogo (e saber usá-la) não é o melhor caminho para garantir a própria segurança. Eu penso igual, tanto que usei esse direito que me cabe e preferi não ter uma arma. Considero sagrado seu direito de escolher. Pena que falta reciprocidade, pois ele não acha que devo ter esse direito. Ao contrário, quer que eu renuncie a ele, pois pode ser perigoso para mim mesmo etc. Mais um pouco, e vai me obrigar a escovar os dentes e me proibir de comer carne vermelha.

Enfim, quero poder optar livremente por ter ou não uma arma para me defender e a minha família em caso de necessidade. Julio acha que não tenho esse direito. Além disso, ele acredita que, entre ter esse direito e confiar no senso de humanidade do bandido, a segunda opção é a mais razoável. É, pode ser que ele esteja certo. Em vez de aulas de tiro, técnicas de convencimento com assassinos drogados. Vamos testar as probabilidades?

Enquanto isso, leio na internet que o governo vai reduzir a verba para o policiamento das fronteiras, por onde entram drogas e armas ilegais para abastecer a criminalidade. No mesmo dia em que lança oficialmente mais uma campanha "pelo desarmamento"... É, os desarmamentistas estão certos: a culpa é mesmo do cidadão. Por que não proibi-lo?

quinta-feira, maio 05, 2011

SOBRE OBAMA E OSAMA: RESPOSTA AOS LEITORES

Um leitor anônimo comenta meu texto "De Volta à Realidade". Respondo em seguida:

Bom, mas deixa algumas dúvidas.

1) Obama por vir depois de Bush, só poderia colher o que o primeiro plantou, seja isto algo ruim ou bom. Portanto, não faz sentido dizer que ele colheu o que Bush plantou, isto é óbvio. O que interessa é como ele continuou isto.

Há uma diferenca entre anterioridade e causalidade. O fato de algo vir antes não explica necessariamente o que vem depois. Eu posso dizer "antes de mim, vieram os dinossauros" e isso está correto. Mas não posso dizer: "estou aqui por causa dos dinossauros".

No caso de Obama e Bush, existe claramente uma relação causal, e não somente temporal. Obama matou Osama não porque veio depois de Bush, mas porque Bush decapitou a Al Qaeda. Bin Laden só foi cercado e abatido a tiros no Paquistão porque estava sendo caçado há anos. Desde que, para ser mais preciso, Bush ordenou que as tropas invadissem o Afeganistão e botassem seus assassinos para correr. Portanto, faz todo sentido dizer que Obama está, sim, colhendo o que outros plantaram para ele. Faz todo sentido dizer que Obama está surfando na onda alheia. Aliás, isso me lembra alguém...

2) O que você chama de "terrorismo islamita" é absurdo! Terrorismo é uma coisa, o Islã outra. Ser islamita não significa ser terrorista e nem o contrário. Não existe terrorismo islamita. Existe o Terrorismo!

Essa novilíngua politicamente correta é mesmo uma praga. Escolhi o termo terrrorismo islamita (e não “islâmico”) justamente para diferenciar o terrorismo da Al Qaeda, Hamas e Hezbollah do Islã, e aí vem alguém e me acusa de preconceito... contra o Islã! Francamente, não sei mais o que fazer para ficar nas boas graças dos patrulheiros.


O leitor não sabe a diferença entre islamita e islâmico? Tudo bem, explico: é a mesma diferença que existe entre um fundamentalista cristão e o Papa. Existe, sim, terrorismo islamita, que nada mais é do que o resultado de uma interpretação literal (fundamentalista) do Corão.

Para ficar mais claro: nem todo terrorista é islamita, mas todo islamita é, potencialmente, terrorista. Deu para entender?

Aliás, uma de minhas críticas ao governo de George W. Bush era que, em vez de especificar como inimigo essa variante de terrorismo, preferiu a expressão eufemística de "guerra ao terror", uma fórmula vazia, que significa o mesmo que "guerra à guerra". Por que falar em terrorismo islamita é errado, mas em "terrorismo sionista" não?

Mas a afirmação mais inacreditável de todas é a que vem em seguida:

3) O possível fato de que Obama não seja americano impede ele de ser um bom presidente? A lei não poderia ser revista?

Não só impede, como é motivo para ele perder o cargo e ir parar na cadeia. Ser um bom presidente, seja nos EUA ou em Burkina Fasso, é, acima de tudo, respeitar a lei do país. E falsificar ou sonegar informações referentes à nacionalidade, sua ou de outros, é crime, ponto final. Ainda mais se for para se tornar presidente dos EUA. Richard Nixon é lembrado hoje como um bom presidente – na área internacional, pelo menos –, mas perdeu a cadeira por ter rasgado a lei no escândalo de Watergate. Outros povos menos civilizados podem estar acostumados a ter governantes que debocham das leis e fazem pouco caso da democracia. Nos EUA, é um tantinho diferente.

Mas espere aí, deixe-me ver se entendi direito: então alguém engana o mundo todo e se torna presidente de forma ilegal e inconstitucional, mas, como ele foi um “bom presidente”, então em vez de ser preso, ele é recompensado com uma revisão da Lei – e não uma lei qualquer, mas um artigo fundamental da Constituição? É isso mesmo? Mas afinal, a Lei existe para ser cumprida ou não? E quem deve zelar para que ela seja cumprida não é o presidente da República? Ou deve valer o "rouba (ou mente), mas faz"? Não seria melhor jogar a Constituição no lixo de uma vez por todas?

Ainda que Barack Hussein Obama descobrisse a cura da AIDS, se for comprovado que ele não é, como diz ser, um natural born citizen, estará caracterizada uma das maiores fraudes de todos os tempos. Supor que a lei de um país poderia ser revista no caso dele seria colocar um homem acima da própria Lei e da propria democracia. Aliás, não é outra coisa que os devotos da fé obamista têm feito.

Outro leitor, o Gabriel, é um pouco, digamos, mais explicito:

Bush também não cumpriu todas as suas promessas de campanha, no entanto, você nunca fala mal dele. Isso parece um tanto ilógico: se Obama não faz, então, ele é mal presidente; se Bush não faz, tá tudo bem, foi apenas um lapso. Se Obama faz, é porque Bush já havia preparado o terreno, então, nada tem de significativo para a presidência de Obama; se Bush faz, então, ele é o líder exemplar. Tua crítica ao presidente americano não tem fundamento.

Pois é, né? Agora sou um bushista. Só porque não falo mal dele, que já se aposentou, mas do Obama, que está aí. Nao acho que o governo de George W. Bush esteja livre de críticas, e nisso me diferencio da guarda de ferro obamista em relação ao governo e à figura de Obama. Mas uma coisa tenho de admitir: Bush foi o melhor presidente que o Iraque e o Afeganistão ja tiveram. Já Obama, é o melhor produto que o marketing político já engendrou.

Sem falar no essencial: ninguém põe em dúvida que Bush, com todos os seus defeitos, é americano da gema, de pai e mãe, e portanto cumpriu todos os requisitos necessários para ser presidente dos EUA. Quanto à Obama... Ele pode até ter nascido no Havaí, como mostra o documento que ele escondeu durante três anos e que só agora, com a popularidade despencando e na véspera da operação que matou Bin Laden, ele resolveu mostrar, num show pirotécnico na Casa Branca. Mas as dúvidas sobre seu direito legal a ser presidente dos EUA continuam. Aliás, agora é que a questão vai esquentar para valer.

Ficamos assim: é proibido falar mal de Obama, porque existiu um George W. Bush. Também fica proibido criticar os petistas, porque existem os tucanos. Assim, ficariam todos igualados na mentira, um anularia o outro, e ficariam elas por elas. Muito justo, não?

Querem mesmo que eu responda?

A FALÁCIA DESARMAMENTISTA: ELES NÃO DESISTEM. EU TAMBÉM NÃO!

Eles também defendem o desarmamento...


O tal leitor que assina como Julio insiste em defender o desarmamentismo com um argumento curioso. Ele apela para uma questão, digamos, "técnica" (ou, se preferirem, " de competência") para justificar sua crença de que um mundo sem o direito de escolher ter ou não uma arma de fogo legalmente adquirida seria mais seguro. Vejam o que ele escreveu, após me citar:

Sinceramente quero que se dane o “Viva Rio”. Quero aqui discutir o pressuposto primeiro que você coloca: direito de escolher. Penso que a possibilidade de poder escolher algo é preciso que antes se possa se utilizar adequadamente este algo, senão é imprudência. Estamos falando de algo letal (uma arma de fogo) que tem o poder de ferir e em último caso matar. Portanto, não pode ser comparado com objetos diferentes. Uma faca de cozinha pode ser usada para matar, mas seu caráter instrumental é para cozinhar e não para matar. Já uma arma de fogo é bem diferente. Se ela for ser utilizada para defesa pessoal, espera-se que no mínimo este que a impunha saiba utilizá-la. Por exemplo, eu tenho o direito de escolher ter um carro ou não, mas se eu o tiver e quiser dirigi-lo, devo antes saber dirigir e também tirar uma licença para isto. Com a arma isto não acontece. Com o meu direito de ter uma arma posso tê-la e usá-la sem ao menos saber como se aperta o gatilho. Que segurança um homem pode ter ao possuir uma arma se não sabe como usá-la?

Meu caro, parece que estamos do mesmo lado nessa questão (e não me refiro só ao Viva Rio). O direito de escolher de que falo é o mesmo de que você fala. É evidente que o indivíduo que escolhe ter uma arma de fogo tem o dever – aliás, o dever não: o DIREITO – de aprender a manejá-la corretamente. Do mesmo modo que o cidadão que escolhe comprar um carro necessita antes saber dirigir. Isso é tão óbvio, tão acaciano, que nem me senti na obrigação de repetir essa observação aqui. O direito de escolha diz respeito não somente à compra e ao registro legal de uma arma de fogo, mas também a treinamento etc. De onde o leitor tirou que o que se aplica no caso dos carros não se aplica no das armas de fogo?

A propósito: o caráter instrumental de uma faca de cozinha é cortar, não cozinhar (nunca vi ninguém cozinhando na lâmina de uma faca de cozinha, por exemplo). O caráter instrumental de uma arma de fogo, por sua vez, não é matar, mas sim defender (ou praticar tiro a alvo, se for por esporte). Logo, o que vale para um vale para o outro.

"Que segurança um homem pode ter ao possuir uma arma se não sabe como usá-la?" Nenhuma, claro. Assim como não adianta nada ter uma Ferrari e não saber dirigir. Nem por isso vou sair por aî encampando campanhas demagógicas e oportunistas em defesa do fim do direito de comprar carros. Aviões também podem matar, como se viu no 11 de setembro. Por que não proibir também aviões?

Em todos esses casos, é bom lembrar, trata-se de objetos letais, que podem ser usados para matar. Hoje em dia, para comprar uma arma e registrá-la legalmente o cidadão passa por uma verdadeira via-crúcis burocrática, que dura meses. É muito mais difícil adquirir de forma legal um revólver 32 no Brasil do que comprar um automóvel. Com a proibição, o que já é difícil ficaria impossível, e sobraria apenas o comércio ilegal, com as consequências previsíveis. Além disso, o número de pessoas qualificadas para usar armas de fogo de forma responsável cairia, e não o contrário. Preciso dizer por que isso significaria menos, e não mais, segurança?

Achar que não há probabilidade de um homem que saiba usar uma arma se sair melhor ao utilizá-la do que aquele que não sabe é o mesmo que dizer que treinar e aprender para melhorar em algo não serve de nada. Afinal, creio que alguém que saiba dirigir (e treine diariamente) há dez anos seja melhor na direção do que aquele que nunca apertou o pé num acelerador.

Confesso que fiquei meio confuso depois de ler esse parágrafo. Primeiro, porque não escrevi nada que se assemelhe ao que está aí em cima. Além do mais, já disse que não discuto probabilidades. Pelo simples motivo de que é impossivel discuti-las, por sua própria natureza aleatória. A única coisa que digo, e aproveito para repetir, é que o cidadão tem o direito de escolher ter ou não uma arma de forma legal (eu, por exemplo, escolhi NÃO ter). E é somente assim, aliás, que alguém poderá treinar e aprender a usar uma arma de forma conveniente. Exatamente como no caso dos motoristas. Estou curioso para saber que misteriosa relação existe entre retirar do cidadão honesto o direito a possuir uma arma de forma legal (e a treinar regularmente) e o aumento da segurança. Até agora não vi nenhum argumento consistente que mostrasse a existência dessa relação.

Por fim, reafirmo que uma situação de surpresa é bem diferente. Se alguém já foi rendido pelo assaltante, a probabilidade de uma reação do assaltado terminar mal é bem maior do que se o assaltado resolver passar seu dinheiro para o assaltante. Ainda mais se o assaltado não for preparado para utilizar arma de fogo. Sou velho, gordo, sedentário e nunca sequer toquei em uma arma de fogo. Não acho que numa situação dessas o meu direito de escolher ter uma arma mude a situação de ser assaltado (ou morto).

Mais uma vez: se o leitor quer discutir probabilidades, está perdendo seu tempo. A probabilidade de ser baleado e morrer ao reagir a um assalto é a mesma de não ser assaltado e morto se o bandido souber, ou desconfiar, que a vítima está armada (isso, curiosamente, não se diz). Mesmo assim, vou propor um pequeno exercício. Imagine que você seja um assaltante, estuprador e assassino. Você está ansioso para invadir uma casa e fazer a festa. Naquela rua, você fica sabendo que pelo menos um morador possui arma de fogo. Na outra, voce fica sabendo, por fonte segura, que ninguém tem arma em casa. Que rua voce escolheria para atacar? Melhor: em que rua você, caro leitor desarmamentista, escolheria para morar?

Pense ainda nessa outra situação: alguém botou na cachola que você deve ir desta para melhor e lhe jurou de morte. Ele monta, então, uma emboscada. Armado, ou com o direito a ter uma arma, você tem alguma chance de sair vivo. Sem armas – pior: privado do direito a escolher ter (ou não) uma arma, de forma legal, com nota fiscal etc. –, suas chances de sair vivo a um encontro desse tipo se reduzem drasticamente. A menos que você tenha à sua disposição um ou mais guarda-costas, e a menos que seu assassino desista de lhe matar ou seja ruim de mira, a probabilidade de ele fazer o serviço é bem maior. Há, claro, outra solução: você poderia tentar convencer o assassino na base da conversa ou, se você for muito corajoso, pode tentar peitar o matador no braço. Que filme é esse? “Gandhi”? "Superman"?

O leitor se esquece que o direito a adquirir legalmente uma arma de fogo vem junto do direito a aprender a usá-la. Não está disposto a fazê-lo porque é gordo, velho e sedentário? OK, não tem problema, é um direito seu. Só não venha dizer que isso é argumento para retirar o direito de o cidadão escolher sobre sua própria segurança. Já imaginou a chatice que seria viver numa sociedade em que não houvesse o direito a escolher ser gordo e sedentário, por exemplo?

Enfim, toda a argumentação do companheiro acima pode ser resumida assim:

- Ao ter uma arma de fogo legalmente, você pode morrer (ao reagir a um assalto, por exemplo).
- Logo, ter armas de fogo faz mal para sua saúde.
- Logo, todo cidadão deve ser proibido de ter armas de fogo.

Resolvi fazer uma pequena adaptação, baseada no mesmíssimo raciocínio:

- Ao dirigir um automóvel, você pode morrer (num acidente de trânsito, por exemplo).

- Logo, ter um automóvel faz mal para sua saúde.

- Logo, todo cidadão deve ser proibido de ter acesso a automóveis.

Mude para qualquer outra coisa – facas de cozinha, martelos, pedaços de pau etc. – e a "lógica" será exatamente a mesma. Por que não obrigar todos a ter seis anos de idade? Aliás, parece que é isso mesmo o que quer essa patota.

No começo de seu comentário, o leitor escreveu que eu estaria apelando para insultos. De certa forma, ele acertou. Usar a lógica é mesmo um insulto para quem defende argumentos falaciosos.

terça-feira, maio 03, 2011

DE VOLTA À REALIDADE

Agora que o autor do maior ataque terrorista da História repousa no fundo do mar com um buraco na cabeça, devendo fazer companhia aos peixes (quer dizer, menos para os que acreditam que o homem não foi à Lua ou que Elvis não morreu), acho que vale a pena tecer algumas considerações, como se dizia antigamente.

Primeiro: a morte de Osama Bin Laden (que o inferno lhe seja escaldante) não significa, de maneira nenhuma, o fim do terrorismo. Muito menos do sentimento que o alimenta, o antiamericanismo raivoso e hormonal, tão conhecido por estas plagas. Se têm alguma dúvida, dêem uma olhada nas batatadas que já estão circulando por aí, ou lembrem do que andaram dizendo figuras como Leonardo Boff a respeito da queda das Torres Gêmeas. Daí tirem suas próprias conclusões a respeito.

Segundo: a Al Qaeda já era, e não é de agora. A espinha dorsal da organização terrorista foi quebrada há anos, desde a época de George W. Bush. Há tempos Bin Laden era nada mais do que um símbolo, não tendo qualquer importância prática no esquema terrorista. A Al Qaeda hoje é uma rede espalhada pelo mundo, sem comando único, uma espécie de franquia do terror. Seria uma questão de tempo chegar em Bin Laden. Com ou sem ele, o terror seguirá.

Terceiro: poucos se deram conta, e daqui para a frente quase ninguém vai lembrar, mas somente agora Obama cumpriu sua primeira promessa de campanha - justamente a eliminação do terrorista número um do planeta. E só o conseguiu devido à dizimação da estrutura da Al Qaeda pelo governo Bush, o que começou com a expulsão dos fanáticos de Bin Laden do Afeganistão após o 11 de setembro de 2001. Estão enchendo a bola de Obama, como se ele fosse um herói, mas a verdade é que ele está colhendo o que outros plantaram. Pior: o que Bush - isso mesmo: Bush - plantou.

Muitos já se apressam a dizer que, com a eliminação de Bin Laden, Obama está com a reeleição garantida em 2012. Vamos ver. A popularidade de Obama vinha em queda livre até a semana passada, pois os americanos, quase três anos depois de sua eleição e ascensão ao céu dos politicamente corretos, ainda esperam ver cumpridas todas as demais promessas que ele fez, como a solução da crise econômica e o fechamento da prisão de Guantánamo, o que ele prometeu fazer em um ano. Sem falar em sua política vacilante e, na prática, pró-islamita, em países como o Egito e a Líbia. Obama parece ter percebido que governar um país como os EUA e liderá-lo na luta contra o terrorismo islamita não é tão fácil quanto fazer um discurso "histórico" olhando o teleprompter.

É possível que Obama seja reeleito em 2012, mas não será, certamente, por causa de Bin Laden. Afinal, ele não foi eleito por nada que fez, mas pelo que é - melhor dizendo: pela cor de sua pele. Os americanos votaram num personagem criado por marqueteiros, não em alguém que faz. Obama pode passar um mandato inteiro em branco (sem trocadilho, senhores patrulheiros!) e isso não afetará em nada sua imagem, pois já é "histórico".

Talvez não por acaso, Obama ordenou a operação que despachou Osama desta para pior apenas um dia depois de ter protagonizado uma pantomima inesquecível na Casa Branca. Percebendo o dano que os rumores sobre seu local de nascimento poderiam causar à sua popularidade, já arranhada pelos motivos mencionados acima - apenas 38% da população americana acredita que ele nasceu nos EUA -, o demiurgo resolveu tocar no assunto em público, pela primeira vez. E o fez da maneira que se espera de um produto de marketing: com um verdadeiro espétáculo de pirotecnia e desinformação. A imprensa do mundo inteiro estampou em suas manchetes que Obama havia calado a boca dos birthers, tendo "provado" que nasceu no Havaí, e não no Quênia como dissera em pelo menos duas ocasiões sua avó paterna. Logo os canais de TV de todo o mundo estavam repetindo ad nauseam o mantra: "Obama nasceu nos EUA, ponto final" e não se fala mais sobre o assunto. Aí veio a morte de Bin Laden.

Se eu fosse um cara crédulo, desses que acreditam em duendes e na honestidade de petistas, eu acharia uma tolice essa quizília e me daria por satisfeito com o showzinho de Obama na Casa Branca. Mas fui picado faz tempo pelo mosquito da dúvida, o que faz de mim um desconfiado crônico e patológico. Obama não provou nada, a não ser que é um mestre da enganação. Seu passado continua coberto de brumas, tão cheio de furos quanto um queijo suiço.

Em primeiro lugar, o documento que apareceu no telão durante o jantar de gala na Casa Branca como se fosse um texto canônico não encerra a questão da nacionalidade de Obama, ao contrário do que está sendo divulgado, numa espécie de reinterpretação do dogma papal: Obama locuta, causa finita. Pelo contrário, o papel apenas levanta mais dúvidas sobre o status jurídico da nacionalidade de Obama, visto que a definição constitucional de natural born citizen vai além do local de nascimento (ele poderia ter nascido no alto do Monte Rushmore, mas, filho de pai queniano, continuaria impedido, segundo a Lei americana, de exercer a Presidência). Além disso, toda sua arenga jurando ser americano nato se baseou no ataque ao mensageiro, de modo a que ninguém preste atenção na mensagem. No caso, o mensageiro é o bilionário Donald Trump, pré-candidato à Presidência dos EUA. O público se acabou de rir com as piadas de Obama sobre Trump, que fez fortuna explorando o mau gosto dos americanos por jogos e cassinos. Além do mais - eis o argumento definitivo -, olhem só que cabelo ridículo!

Donald Trump pode ser um palhaço de penteado ridículo, mas tem dinheiro suficiente para não se deixar amedrontar pelo esquema obamista. E fez a pergunta que até agora continua sem resposta: afinal, Obama é ou não é americano? "Ah, mas que importância isso tem?". Além do fato de significar que o atual presidente dos EUA estaria automaticamente inabilitado para o cargo, eu diria: nenhuma. Os esquerdistas que elegeram Obama já decidiram que ele pode ter nascido em Marte e isso não vai fazer nenhuma diferença. Afinal, ele não é uma pessoa: é uma cor de pele. Quem ousar lhe fazer perguntas, como seu local de nascimento e sua ligação com corruptos e terroristas como Bill Ayers e Tony Rezko, é um racista e teórico da conspiração, e ponto final.

Não custa nada lembrar: o ex-presidente peruano Alberto Fujimori passou todo seu mandato jurando de pés juntos ter nascido na terra dos incas. Anos depois, descobriu-se que ele nasceu no Japão. A pergunta que fica é: se isso aconteceu com Fujimori, que tinha muito menos recursos - financeiros e de mídia - à sua disposição, por que não aconteceria com Obama, que tem a seu serviço o mais gigantesco aparato de propaganda da História da humanidade? (Mas novamente vejo alguém balançando a cabeça e repetindo, como a querer convencer-se a si mesmo: "teoria da conspiração, teoria da conspiração"...)

Outro exemplo para pensar: há alguns dias, os autores de um relatório da ONU que acusava Israel de visar deliberadamente alvos civis palestinos durante a campanha israelense contra o Hamas em 2008-2009 foram obrigados a se retratar, reconhecendo que tal acusação era falsa. Na época da guerra, a acusação foi repetida todos os dias, e numerosos governos, inclusive o do Brasil, basearam-se nela para condenar de antemão Israel. Agora a verdade vem à tona. Isso mudará uma vírgula do que disseram então os inimigos de Israel?

Ao contrário do que afirma o ditado popular, a mentira não tem perna curta: suas passadas, na verdade, são bem largas. Para que ela se imponha, basta que se tenham os recursos necessários e que se encontrem pessoas dispostas a ser enganadas. Curta mesmo é a inteligência de quem se deixa engabelar por fraudes como Barack Hussein Obama. Mesmo quando ele presta um serviço à humanidade, o que daí exala é um nítido e indefectível odor de farsa.