segunda-feira, março 14, 2011

FAZ-ME RIR


Leitor (?) metido a engraçadinho quis equilibrar uma bola no nariz e fazer cambalhota no blog. Vejam o que desovou aqui o candidato a Tiririca:
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Extra, extra! O Blog do Contra denuncia: a culpa pelo tsunami no Japão é do Lula, da Dilma e dos petralhas!
Esse blog devia se candidatar a melhor blog de humor.

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Lembrei na hora de um post meu, de mais de um ano. É sobre outra tragédia natural e sobre o que dela disse um rapaz muito apreciado pelo Apedeuta: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2010/01/loucura-de-chavez.html.
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Diante disso, dizer o quê? Os petralhas são mesmo uns comediantes.
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Ô racinha idiota!
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P.S. Estou pensando mesmo em inscrever o blog num concurso de humor. Comentários como o do companheiro aí em cima merecem um prêmio na categoria nonsense e besteirol.

sábado, março 12, 2011

SOBRE KADAFI, A LÍBIA, TIRANIAS ETC. - E ALGUMAS PERGUNTAS INCÔMODAS


Há algumas semanas, a Líbia mergulhou na guerra civil. O que virá daí, ninguém sabe. Até alguns dias atrás, parecia que as forças insurgentes, que tomaram a metade leste do país, iam ganhar a parada. O tal "comitê de transição" ganhou apoios importantes no campo diplomático, e foi mesmo reconhecido pelo governo da França. Agora, porém, já se admite que o ditador e destaque de escola de samba Muamar Kadafi - o "irmão e amigo" de Luiz Inácio, o Apedeuta - poderá manter-se no poder, esmagando a ferro e fogo a oposição. De qualquer maneira, é possível que, se os rebeldes marcharem sobre a capital e expulsarem Kadafi, o que surja daí seja algo até pior - o exemplo do Egito, onde os fanáticos da Irmandade Muçulmana ganham terreno a cada dia após a queda do regime de Hosni Mubarak, está aí para servir de aviso aos incautos, que acham que uma revolta popular contra uma ditadura é sinônimo de democracia (infelizmente não é, principalmente no Oriente Médio, principalmente nos países árabes).

Não tenho o menor apreço por Kadafi, um tirano assassino e terrorista, como já deixei claro em vários textos meus. Tenho-no na mesma categoria de outros tiranos assassinos e terroristas, como os mulás ensandecidos do Talibã e o finado Saddam Hussein do Iraque (ou seja: na mesma classe dos insetos pestilentos, como as baratas e os piolhos). Ficaria muito feliz de vê-lo no banco dos réus em Haia ou pendurado numa corda em Trípoli. É por esse motivo que não consigo entender o que tenho lido e ouvido na imprensa nos últimos dias sobre a guerra civil na Libia.

Ligo a TV e leio os jornais e vejo uma penca de jornalistas e comentaristas conclamando, indignadíssimos, as potências ocidentais a enviar os fuzileiros navais à Líbia e deporem o tirano Kadafi, em nome da liberdade, dos direitos humanos etc. Por coincidência ou não, trata-se das mesmas pessoas que passaram os últimos sete anos descendo o malho em Jorjibúxi por causa da invasão do Iraque, tais como, para ficar apenas no Brasil, Arnaldo Jabor. Tais jornalistas e comentaristas pintam a invasão e a ocupação anglo-americana como nada menos do que um desastre e uma catástrofe total, embora o Iraque tenha hoje algo parecido com uma democracia, quando jamais conhecera nada semelhante em 5 mil anos de história (também ninguém lembrou que Abu Ghraib era, nos tempos de Saddam, um matadouro humano). Muito bem. Também acho que intervir na Líbia e expulsar Kadafi seria prestar um serviço à humanidade. Mas uma pergunta incômoda me vem à mente: por que invadir o Iraque e derrubar Saddam Hussein foi um crime e fazer o mesmo na Líbia com Kadafi é um gesto humanitário? Alguém poderia me explicar ou só eu percebi a contradição?

Fui a favor da intervenção no Iraque, e não escondo isso de ninguém. Achei então, e continuo achando - e até agora ninguém conseguiu me mostrar um argumento convincente provando o contrário - que havia razões - éticas, morais, filosóficas, geopolíticas - mais que suficientes para que a ONU (que infelizmente declinou da missão para que foi criada), ou os EUA, ou o Reino Unido, enfim alguém, ocupasse o país e mandasse o regime e a pessoa de Saddam Hussein para os quintos dos infernos. Digo mais: havia muito mais motivos para derrubar Saddam do que há, hoje, para intervir na Líbia e destronar Kadafi.

Querem fatos e argumentos? OK, vamos lá. Os dois principais motivos pelos quais se criticou e continua a se criticar o envio de tropas à Bagdá - as tais armas de destruição em massa e o terrorismo - estavam presentes no Iraque, mas não na Líbia. Saddam não tinha as tais armas, mas se comportava como se as tivesse. Bravateou acerca das mesmas até não poder mais, brincando de gato-e-rato (melhor: de gato-e-sapato) com os inspetores da ONU durante doze anos e dezessete resoluções do Conselho de Segurança. Se tivesse mentido menos, e bravateado menos, é possível que ainda estivesse no poder. Mais que isso: ele havia usado as tais armas proibidas, como gases tóxicos, anos antes, contra o próprio povo iraquiano (curdos, principalmente). Era, portanto, comprovadamente um genocida sem qualquer escrúpulo em matar civis com armas como gás mostarda, e que se negava a permitir inspeções internacionais. E continuava, sim, a apoiar o terrorismo - por exemplo, abrigando chefes terroristas como Abu Nidal e dando dinheiro vivo a parentes de homens-bomba palestinos mortos em atentados contra cidadãos israelenses.

O mesmo não pode ser dito de Kadafi, que, apesar de ser um déspota asqueroso, fez um acordo com o mundo civilizado em 2003 - não por acaso, no mesmo ano da invasão do Iraque -, pelo qual renunciou formalmente a ter armas nucleares, e também, ao que se sabe, ao apoio ao terrorismo, que lhe tornara o maior inimigo dos EUA nos anos 70 e 80 e lhe custara um bombardeio norte-americano que quase o matou em 1986. Chegou mesmo, por esse motivo, a ser cortejado e adulado por muitos governos ocidentais, inclusive pelos EUA, que passaram a vê-lo, aliás burramente, como um "aliado" (Barack Obama só faltou pedir-lhe a bênção na reunião do G-8 em L'Aquila, na Itália - sem falar em genuflexões abjetas, como a do Apedeuta, que o chamou de "amigo e irmão"...). Kadafi é, portanto, um tirano sanguinário e certamente louco, mas nem de longe apresenta o mesmo grau de periculosidade do açougueiro de Bagdá (que Satanás o tenha).

Visto isso, o que sobra? Sobra o fato incontrastável de que Kadafi, assim como Saddam, é um tirano nojento, que oprime e mata seu próprio povo. Para mim, motivo suficiente para clamar por uma intervenção da comunidade internacional, ou de quem mais o possa, para livrar o mundo dessa escória. Mas e os que se encheram de indignação pela decisão de Bush e dos neocons de invadir o Iraque e livrar o mundo de Saddam, que justificativa têm para defender uma intervenção externa na Líbia hoje? O fato de Kadafi ser um tirano e um assassino? Mas Saddam também não era, e até pior? E por que ficaram em silêncio esses anos todos quanto ao genocídio em Darfur, por exemplo? Será que é porque o presidente dos EUA agora é Obama, e não Bush? Então uma invasão armada democrata é melhor do que uma invasão armada republicana? É mesmo? Por quê?
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Das duas uma: ou os que condenaram a invasão do Iraque retiram tudo que disseram e pedem perdão a George W. Bush, ou deixam de lado essa conversa oportunista de defender uma intervenção na Líbia. No primeiro caso, admitem que derrubar Saddam foi a decisão certa, e que ficaram contra por pura babaquice antiamericana. No segundo caso, tornam-se cúmplices do ditador, mas pelo menos mantêm um mínimo de honestidade. No primeiro caso, fazem as pazes com a coerência e com a democracia. No segundo, apenas com a coerência. De qualquer modo, essas são as únicas atitudes honestas que podem tomar. Tudo o mais é duplo padrão moral e demagogia.
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Parafraseando o que eu já disse sobre outros ditadores: eu posso defender uma intervenção estrangeira para retirar Kadafi do poder na Líbia, assim como defendi a intervenção estrangeira que retirou Saddam Hussein do poder no Iraque (e não me arrependo, muito pelo contrário). Posso dizer, sem medo de ser ou parecer contraditório, que odeio todos os ditadores, não somente uns, e que o caminho para lidar com eles é a força.
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E Arnaldo Jabor, será que pode?

quarta-feira, março 09, 2011

A PROIBIÇÃO DE PERGUNTAR

Alguns anos atrás, o senador José Agripino Maia (DEM-RN) caiu numa armadilha que ele mesmo ajudou a montar. Em uma das inúmeras CPIs para, dizem, investigar mais um dos milhares de escândalos dos petralhas – no caso, o dos dossiês contra adversários do lulanato fabricados nos computadores da Casa Civil da Presidência da República –, ao inquirir a então chefona da pasta, Dilma Rousseff, se ela estava ou não mentindo (como se fosse preciso perguntar...), ele se referiu ao passado da atual presidente. "Se a senhora mentiu a seus interrogadores na prisão, por que não estaria mentindo agora?", perguntou o senador, candidamente. Foi a deixa que Dilma esperava. "O senhor não sabe o que é ser torturado, senador", respondeu Dilma. De um instante para outro, passou de principal acusada num caso de espionagem a mártir e heroína da esquerda, para gáudio dos lulo-petistas.

O exemplo é eloquente, por mostrar, de um lado, a ingenuidade política de um senador experiente da assim chamada "oposição" e, de outro, o processo de construção da mitologia em torno da figura misteriosa de Dilma. Provavelmente sem o querer, Agripino deu a Dilma a oportunidade de lembrar um fato que até agora tem somente ela, Dilma, como testemunha. Com isso, permitiu que ela, Dilma, controlasse e manipulasse o show, posando à vontade de vítima, uma verdadeira Joana d'Arc, enquanto ele passava por torturador...

Há muitos pontos cegos no passado de Dilma Vana Rousseff. Pessoalmente, não duvido que ela tenha sido torturada, como afirma a versão oficial. Mas durante 22 dias? Além de parecer fisicamente impossível – e também inútil, como sabe qualquer pessoa com conhecimento sobre as condições do combate à luta armada, em que tempo era tudo –, é unicamente a palavra dela, até agora. Outra coisa: por que ela foi presa mesmo? Segundo diz a própria e repete a propaganda petista, ela foi presa pelo "crime de organização". Na verdade, ela foi presa e condenada a três anos de prisão por ter feito parte de três organizações terroristas. O que faziam essas organizações? Assaltavam bancos, sequestravam diplomatas estrangeiros e assassinavam pessoas. Em nome do que o faziam? Do comunismo. (Mas isso, claro, também não convém lembrar – além de ex-torturada, Dilma lutou pela democracia, não nos esqueçamos...)

Aqui é que começa a parte mais nebulosa da história/estória de Dilma Rousseff, presidente do Brasil. No ano passado, o historiador Carlos Fico tentou ter acesso ao processo da guerrilheira Dilma Rousseff na Justiça Militar. Lá estão, segundo se acredita, os verdadeiros motivos da prisão de Dilma, sua ficha completa. Foi barrado por uma liminar judicial a pedido da Casa Civil da Presidência da República, que impediu a divulgação dos documentos. A pergunta que fica é: se Dilma se gaba de seu passado de guerrilheira e de prisioneira política, a ponto de utilizá-lo em sua defesa numa CPI, então por que não deixa que ele venha a lume? Deve ser o único caso na História de alguém que se orgulha de seu passado, mas faz de tudo para mantê-lo na penumbra.

O que fez exatamente no período aquela que o guerrilheiro de festim e mensaleiro José Dirceu chamou de "minha camarada de armas"? Ninguém sabe. E, se depender dela, ninguém jamais saberá um dia. É proibido perguntar.

A mesma cortina de sombras e segredos que cerca Dilma repetiu-se durante as eleições presidenciais de 2010. Naquelas que foram provavelmente as eleições mais mornas da História, um dos raros momentos em que a oposição decidiu tirar a cabeça da areia e fazer Política (assim, com P maiúsculo) ocorreu quando foi divulgado um vídeo de 2007 em que Dilma aparece dizendo sua opinião sobre a legalização do aborto. "Eu acho que deve haver, sim, a legalização do aborto", foram as palavras textuais da chefe da Casa Civil, que a candidata a presidente tratou de negar de pés juntos e rosário na mão. De repente, virou "jogo sujo" e "reacionarismo medieval" simplesmente repetir o que estava no vídeo. Numa clássica inversão da realidade, buscou-se condenar não a candidata pega na mentira, mas quem divulgou o material. Um grupo de militantes petistas disfarçado de jornalistas chegou mesmo a intimidar em São Paulo o dono de uma gráfica que imprimiu panfletos da Igreja Católica que recomendavam não votar em quem defende a legalização do aborto (uma posição com a qual se pode ou não concordar, mas que é da Igreja Católica). Acusou-se o candidato adversário de difundir "boatos" e "rumores" etc. Em nenhum momento a campanha de Dilma – e a imprensa com ela mancomunada – referiu-se ao conteúdo do video. Sobre este, assim como sobre o passado de Dilma, baixou-se o decreto implacável: é proibido perguntar. E ponto final.

Ninguém quis saber, mas a verdadeira questão não era o aborto em si, mas o ziguezague retórico de uma candidata sobre um assunto que, queira-se ou não, afeta os brasileiros e é, sim, um tema politico importante. Em nome da proteção a uma candidata de discurso tatibitate, o que se tentou, e efetivamente se conseguiu, inclusive com argumentos forçados e demagógicos ("é porque ela é mulher" etc.), foi impedir que a verdade viesse à tona. Assim como ocorreu com seu mentor e inventor Luiz Inácio Lula da Silva, indagar sobre quem é e o que realmente pensa Dilma Rousseff passou a ser visto como um crime de lesa-majestade. O importante, decretaram os lulo-petistas, era elegê-la. Indagar quem ela é, e o que passa por sua cabeça, é algo que só pode ser coisa de reacionários da Opus Dei.

Por denunciar esse tipo de impostura e insistir em saber quem é e o que pensa Dilma, fui acusado por um blogueiro pró-Dilma de ter um discurso "proto-fascista". Pois é. De repente, cobrar coerência de uma candidata à Presidência, lembrando o que ela mesma disse, virou uma forma de proto-fascismo... Se a eleição de Dilma Rousseff prova alguma coisa, é que não é preciso mais ter passado, nem idéias, nem mesmo cérebro, para ser presidente do Brasil. Basta ter um padrinho influente e milhões de devotos prontos a adorar mais um ídolo de pés de barro.

O Brasil já teve um ex-operário-bravateiro na chefia da nação. Agora tem a ex-guerrilheira que ninguém sabe ao certo o que fez. Nem o que diz. E falar disso virou um tabu. Em outros tempos chamava-se a isso de censura.

quinta-feira, março 03, 2011

O PAÍS DOS TIRIRICAS


O Brasil virou piada. E das mais sem graça (tipo Show do Tom).

Não bastou ter sido eleito – com 1 milhão e trezentos mil votos! –, Tiririca agora é membro da Comissão de Educação e Cultura (!) da Câmara dos Deputados!

Claro que fiquei abismado, assim como todo mundo. Quer dizer, todo mundo que ainda insiste em levar a sério a política nesta terra de lulas e dilmas.
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Tiririca no Congresso já é uma anedota. Na Comissão de Educação e Cultura, então, é um deboche, é um escracho total. Coisa do "novo-velho Brasil" inaugurado pelo Apedeuta em 2003. É capaz de Tiririca chegar na comissão e dizer, em seu primeiro pronunciamento: "O que é que faz a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados? Na realidade, eu não sei"... É nisso que dá oito anos de culto oficial da ignorância e do analfabetismo.
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Mas também, onde já se viu, o abestado ocupar um assento em tal comissão, quando a Comissão de Infra-Estrutura do Senado tem entre seus membros a figura ilustre de José Sarney, e a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional conta com a presença ínclita do probo e impoluto Fernando Collor de Mello? Sem falar no lídimo João Paulo Cunha, integrante da Comissão de Ética (de Ética!) da Câmara dos Deputados. Realmente, por que se espantar com coisa tão pouca, quando a Fundação Casa de Rui Barbosa quase foi tomada de assalto pelo sapientíssimo revolucionário da ortografia Emir Sader?...
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Agora, para virar chanchada de vez, só falta chegar à Presidência da República alguém de passado nebuloso e incapaz de elaborar um raciocínio coerente, sem agredir as regras mais básicas da língua, única e simplesmente por indicação do chefe, que abusou da máquina estatal e mandou a Lei às favas para elegê-lo. Só falta mesmo alguém eleito para esquentar a cadeira e que vai em programa matinal de culinária falar "o" omelete e "pra mim cozinhar".

Epa! Peraí...

quarta-feira, março 02, 2011

QUANDO DOIS E DOIS SÃO QUATRO


Ferreira Gullar

Talvez seja esta a última vez que escreva sobre o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil. Com alívio o vi terminar o seu mandato, pois não terei mais que aturá-lo a esbravejar, dia e noite, na televisão, nem que ouvir coisas como esta: "Ele é tão inteligente que fala todas as línguas sem ter aprendido nenhuma". Pois é, pena que não fale tão bem português quanto fala russo.

É verdade que tivemos, ainda, que aturá-lo nos três últimos dias do mandato, quando "inaugurou" obras inexistentes e fez tudo para ofuscar a presidente que chegava.

Depois de passar a faixa, foi para um comício em São Bernardo, onde, até as 23h, continuava berrando no palanque, do qual nunca saíra desde 2002.

Aproveitou as últimas chances para exibir toda a sua pobreza intelectual, dizendo-se feliz por deixar o governo no momento em que os Estados Unidos, a Europa e o Japão estão em crise.

Alguém precisa alertá-lo para o fato de que a crise, naqueles países, atinge, sobretudo, os trabalhadores. Destituído de senso crítico, atribui a si mesmo ("um torneiro mecânico") o mérito de ter evitado que a crise atingisse o Brasil. Sabe que é mentira mas o diz porque confia no que a maioria da população, desinformada, acreditará.

Isso dá para entender, mas e aqueles que, sem viverem do Bolsa Família nem do empréstimo consignado, veem nele um estadista exemplar, que mudou o Brasil? É incontestável que, durante o seu governo, a economia se expandiu e muita gente pobre melhorou de vida. Mas foi apenas porque ele o quis, ou também porque as condições econômicas o permitiram?

Vamos aos fatos: até a criação do Plano Real, a economia brasileira sofria de inflação crônica, que consumia os salários. Qual foi a atitude de Lula ante o Plano Real? Combateu-o ferozmente, afirmando que se tratava de uma medida eleitoreira para durar três meses.

À outra medida, que veio consolidar o equilíbrio de nossa economia, a Lei de Responsabilidade Fiscal, Lula e seu partido se opuseram radicalmente, a ponto de entrarem com uma ação no Supremo para revogá-la. Do mesmo modo, Lula se opôs à política de juros do Banco Central e ao superávit primário, providências que complementaram o combate à inflação e garantiram o equilíbrio econômico. Essas medidas, sim, mudaram o Brasil, preservando o valor do salário e conquistando a confiança internacional.

Lembro-me do tempo em que o preço do pão e do leite subia de três em três dias.

Quem tinha grana, aplicava-a no overnight e enriquecia; quem vivia de salário comia menos a cada semana.

Se dependesse de Lula e seu partido, nenhuma daquelas medidas teria sido aplicada, e o Brasil -que ele viria a presidir- seria o da inflação galopante e do desequilíbrio financeiro. Teria, então, achado fácil governar?

Após três tentativas frustradas de eleger-se presidente, abandonou o discurso radical e virou Lulinha paz e amor. Ao deixar o governo, com mais de 80% de aprovação, afirmou que "é fácil governar o Brasil, basta fazer o óbvio". Claro, quem encontra a comida pronta e a mesa posta, é só sentar-se e comer o almoço que os outros prepararam.

A verdade é que Lula não introduziu nenhuma reforma na estrutura econômica e social do país, mas teve o bom senso de dar prosseguimento ao que os governos anteriores implantaram. A melhoria da sociedade é um processo longo, nenhum governo faz tudo. Inteligente, mas avesso aos estudos, valeu-se de sua sagacidade, já que é impossível conhecer a fundo os problemas de um país sem ler um livro; quem os conhece apenas por ouvir dizer não pode governar.

Por isso acho que quem governou foi sua equipe técnica, não ele, que raramente parava em Brasília. Atuou como líder político, não como governante, e, se Dilma fizer certas mudanças, pouco lhe importará, pois nem sabe ao certo do que se trata. Para fugir a perguntas embaraçosas, jamais deu uma entrevista coletiva.

Afinal, ninguém, honestamente, acredita que com programas assistencialistas e aumento do salário mínimo se muda o Brasil.

O tempo se encarregará de pôr as coisas em seu devido lugar. O presidente Emílio Garrastazu Médici também obteve, em 1974, 82% de aprovação.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO/ILUSTRADA


terça-feira, março 01, 2011

BATENDO NUM ESPANCADOR DA INCULTA E BELA


O tal fã da patacoada neomarxista-pop de Slavoj Zizek pede para apanhar mais um pouquinho. Hesito, por caridade, mas faço sua vontade. É mais uma oportunidade de defender a Inculta e Bela de mais um de seus agressores esquerdofrênicos.

Pois é... Entào tanger é um verbo de sentido único? Tá certo, GÊNIO.

Lembrando: o rapaz escreveu gostar das opiniões de um autor "que tangem cultura". Vamos ver o que diz o dicionário a respeito?

tanger (tan-ger)

v.t.

Tocar (as cordas de instrumentos musicais, um fole de ferreiro, ou o gado).

Tocar, açoitar, fustigar (animais para que andem ou fujam): o boiadeiro tangeu o gado para a invernada.

Fig. Dizer respeito a, pertencer. (na expressão "no que tange a")

v.i.

Soar: o sino tangia lúgubre.
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Ao dizer que gosta das opiniões de um autor "que tangem cultura" (e não "no que tange à cultura"), o leitor quis dizer, portanto, uma das opções abaixo (como verbo transitivo):

1) As opiniões de Slavoj Zizek tocam cultura (no mesmo sentido de tocar violão, p. ex.);

2) As opiniões de Slavoj Zizek tocam, açoitam ou fustigam a cultura (como na expressão "tocar a boiada").

Ou, como verbo intransitivo:

- As opiniões de Slavoj Zizek soam cultura (com o mesmo sentido de "o sino soa").

Não contente com as opções acima, o leitor quis encontrar um outro sentido para o verbo. Só se esqueceu de combinar com a gramática. "Tanger", no sentido de "dizer respeito a", "pertencer", é transitivo indireto, exige o emprego completo da expressão "no que tange a" ("no tocante a", "no que diz respeito a", "no que concerne a"). O resto... bem, o resto é ignorância do idioma mesmo!
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Sei não, mas, se eu tivesse que apostar, apostaria na opção 2 acima – tanger como verbo transitivo direto. As opiniões de Zizek realmente açoitam e fustigam a cultura. Assim como açoitam e fustigam os cérebros da legião de bobocas que o consideram o máximo.
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Como besteira puxa besteira, o ruminante comete ainda as seguintes palavras:

Parabéns mais uma vez, agora pela manipulacão de minha "fala", o seu inimigo comunista. HEHEHEHEHEHEHEHEHE, patético a sua pessoa, me coloca como um comunista mais uma vez na caixinha (através do método dicotômico estúpido olaviano).

Vejamos. O tal Slavoj Zizek, que é acusado às vezes de ser um intelectual e um filósofo, costuma louvar as "virtudes revolucionárias" do pensamento de grandes humanistas e defensores da democracia e dos direitos humanos como... Robespierre, Lênin e Mao Tsé-tung (!). O primeiro inaugurou a palavra terrorismo, no sentido atual. Os dois últimos, até prova em contrário, eram comunistas. O que devo concluir, a partir de então: que Zizek e os idiotas que o elegeram o guru dos órfãos do Muro são devotos de Nossa Senhora Aparecida?
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Apenas a título de exercício especulativo: imaginem se alguém resolvesse organizar uma coletânea de discursos de, sei lá, Hitler ou Goebbels, escrevendo para estes um prefácio em que louva as virtudes revolucionárias do nazismo e a "hipótese nazista". Que tal? Conseguem imaginar a barulheira que seria? (E com toda razão: um lixo desses não merece mesmo ser publicado.)
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Só mais uma coisinha: "patético a sua pessoa"? O que houve com a velha e boa concordância de gênero? (patético – masculino; pessoa – feminino; logo, "patética a sua pessoa".) Agora entendi por que o dito-cujo se queixou, assim como uma sua coleguinha, de minhas palavras "difíceis": não se deve esperar mesmo um vocabulário muito amplo de quem não sabe a diferença sequer entre os gêneros masculino e feminino...

E só para deixar o rapaz feliz:

Lembrando que você não publicou meu comentário no post de ante ontem, respondeu ele (SIC) neste de forma picotada e incompleto e provavelmente nem vai publicar este. Grato
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Aí está. Publiquei. Pior para o leitor. Poderia tê-lo poupado de mais esse vexame.

Por que os esquerdiotas não sabem escrever? E por que gostam tanto de passar vergonha? É falta de noção mesmo ou é por prazer?
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P.S.: Slavoj Zizek é um dos autores de referência do novo diretor da Casa de Rui Barbosa, o “sábio” Emir Sader, um sujeito que escreve "Getulho" e "fusilar", entre outras preciosidades. É mais um fato a corroborar que espancar a ultima flor do Lácio é mesmo um requisito dos devotos tupiniquins do Marcuse piorado da Eslovênia...

sábado, fevereiro 26, 2011

EU, O "PHODÃO" (OU: ALGUMAS PALAVRAS SOBRE SLAVOJ ZIZEK A UM DE SEUS DISCÍPULOS TUPINIQUINS)


Mais um da turma que não pode mais viver sem o blog resolveu entrar aqui. Um leitor, que se assina como João Marcelo - o mesmo que se queixou outro dia de minha "raiva infantil" do Apedeuta, que seria somente um "coro da classe média paulista que vota no Serra ou na Marina" (ai, ai...), reclama de meu tratamento a um assim chamado "filósofo" que faz muito sucesso entre alguns subintelectuais, mini-intelectuais e pseudo-intelectuais de esquerda e de extrema-esquerda, o esloveno Slavoj Zizek, cujo pensamento, baseado num marxismo de terreiro, já descasquei aqui: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2009/07/slavoj-zizek-ou-o-dever-de-enterrar.html.
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O referido leitor não se conforma de eu ter dito o que disse sobre esse Marcuse piorado, tanto que me manda vários comentários – alguns, mais de uma vez, como se quisesse ter certeza que vou mesmo publicá-los. Como gancho, ele usa outro comentário, de uma coleguinha dele, que reclamou de meu vocabulário "difícil" (também respondi a ela aqui: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2011/01/eu-o-alienado-direto-dos-tempos-da.html)

Não só o uso de um vocabulário difícil mas também nem soube argumentar a respeito do Zizek. Hehehehehehehehehe...
Dividir o mundo em dois, entre capitalistas X comunistas é de uma estupidez absurda, parece um senhor da década de 50 do século passado. Me tirar para comunista foi a melhor parte, hehehehee... Que maravilha, um EU que vê um mundo muito interessado em minha opinião. Comentar sobre um filosofo de forma jornalística sem ao menos conhecer nada a respeito dele (apenas uma matéria em uma revista), vai ser motivo para lhe tirarem como um pedante. Estou errado?


Está. Redondamente errado.

Primeiro erro: não sou eu que divido o mundo entre capitalistas x comunistas, como se eu ainda vivesse nos tempos da brilhantina. Quem faz isso é gente como esse tal Zizek, um defensor das virtudes revolucionárias do maoísmo (!). Na visão dele, Zizek, sou um capitalista, um liberal (eles gostam de dizer "neoliberal"), logo um reacionário, um contrarrevolucionário, um maldito verme que precisa ser exterminado – como foram cerca de 75 milhões só na China Comunista, cujo pai e fundador, o tirano sanguinário Mao Tsé-tung, Zizek reverencia. Da minha parte, não divido o mundo entre capitalistas e comunistas, uma divisão, alias, falsa (basta ver a China de hoje para comprovar), mas, sim, entre democratas e totalitários. Adivinhe de que lado eu coloco o Zizek (e os bobalhões que acham o máximo esse repetidor de slogans bolcheviques).

Segundo erro: conheço Zizek não somente por um artigo de revista. Li - e me arrependi de tê-lo feito –, suas antologias de discursos de grandes humanistas como Lênin, Mao Tsé-tung e Robespierre. Mas basta ler o artigo em questão para ter uma idéia do que pensa o tal "filósofo". Trata-se tão-somente de mais um órfão do Muro, um sujeito que não pode viver sem uma estátua de Marx ou de Lênin para reverenciar. Enfim, alguém do mesmo naipe do trotskista Tariq Ali ou do anarquista Noam Chomsky, que têm no ódio à democracia e aos EUA sua razão de viver. Estou errado?

Sem esperar sequer resposta, o discipulo (ou seria devoto?) desse neo-Sartre dos idiotas escreveu ainda:

Se você quiser discutir a respeito do filosofo (algo que você tentou sem ao menos ler um livro dele)repito minhas palavras (se você quiser pode dar outro chilique e usar palavras difíceis ou me desqualificar igual o seu xará através da tática "sou superior" "já fui assim um dia" veja SCHOPENHAUER, Artur "Como vencer um debate sem ao menos ter razão" 1819):

Pode ficar tranquilo, caro leitor. Desta vez, nao vou usar palavras "difíceis" (parece que um bom vocabulário e esquerdismo não combinam muito bem). Vou-me limitar a comentar o que você mesmo diz. É o bastante para desqualificá-lo, sem precisar recorrer ao método schopenhauriano (do qual, aliás, falei em outro post meu: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2011/01/aos-adoradores-do-odio-ou-receita-para.html.)

E sim, sou superior. E sim, já fui assim um dia.

Gosto do Zizek principalmente dos comentários que tangem cultura mas alguns momentos ele me parece muito sedutor e fala mais do que conhece.
Enfim... Acho que você não entendeu muita coisa que o Zizek disse, a sua pessoa já leu mais coisas dele ou foi apenas uma coluna em uma revista?

Tenho uma dúvida de ordem vocabular: os comentários do dito-cujo "tangem cultura"? Na minha terra, e também no dicionário, o verbo "tanger" significa afastar, conduzir como gado ("tanger a boiada"). Devo entender então que os comentários do Zizek sobre a Noviça Rebelde afastam a cultura, é isso? (A propósito: faz todo o sentido.) Ou o leitor quis dizer a expressão "no que tange a", que tem o mesmo significado de "no tocante a" ou "no que diz respeito a"?

Pelo visto o caro leitor aprecia os comentários de um autor sobre cultura, mas, no que tange à própria, não tem lá muita afinidade. A começar pelo idioma...

Quanto à pergunta, já a respondi. Adiante.

A hipótese comunista vai no sentido de arriscar o impossível, de se re-inventar, você está afim de se posicionar como um "phodão" ou dificil de enganar mas acho que não entendeu muito bem.Uma das críticas do Zizek vai no sentido de que as pessoas aceitam a situação político- econômica como permanente e que veio para ficar, o "arriscar o impossivel" vai justamente contra essa mentalidade pequena.

OK, sou um "phodão" porque não estou "afim de" (sic) engolir essa conversa mole de "hipótese comunista" (não depois de 100 milhões de cadáveres – e ainda tem quem ache pouco...). E confesso que não entendo mesmo como alguém ainda vê alguma coisa de positivo nisso. Mas pelo menos numa coisa eu concordo com o Zizek: assim como ele, não aceito a visão de que a situação político-econômica é algo permanente e imutável. Pelo contrário: defendo o ponto de vista completamente oposto, principalmente em lugares como Venezuela, Cuba e Coréia do Norte, onde a "hipótese comunista" veio para ficar. Aqui sou plenamente a favor de "arriscar o impossível" e mandar esses regimes para o raio que os parta, como os árabes estão mandando as ditaduras do Norte da África para o diabo que as carregue. Será que o Zizek diria o mesmo?

O resto nem merece comentário, de tão tosco e rombudo que é. Apenas respondo: sim, a idéia de preservação do meio ambiente é produto do desenvolvimento capitalista; sim, Chernobyl demonstra claramente a falsidade da tal "hipótese comunista" aplicada à ecologia; e sim, gosto de Olavo de Carvalho. O companheiro prefere Emir Sader e Frei Betto?

Quanto ao Parabéns pelo blog "pseudo- intelectual sou phoda": obrigado. Nunca disse que sou um intelectual.

Ô gente besta!

OBAMA E KADAFI: ALGUÉM LEMBRA?

Vocês deixam eu me gabar um pouquinho?

Publiquei o texto abaixo neste blog em 10 de julho de 2009. Vocês irão observar que eu estava sendo, como direi?, premonitório (ou será que era só lucidez mesmo?). Na época, o "mundo" babava por Obama e considerava seu gesto em relação ao ditador e pomba-gira líbio Muamar Kadafi uma mostra de que algo "bom", "histórico", estava acontecendo... Remando contra a maré global de babaquice obâmica, escrevi que o gesto mostrava apenas aquilo que mostrava: a rendição de um presidente dos EUA à tirania e ao terrorismo. Parece que agora, dois anos depois, o pessoal que incensava Obama por apertar a mão desse ditador louco e assassino descobriu que ele, Kadafi, é um ditador louco e assassino...

Pois é. Como dizia um velho conhecido meu: "É chato ter razão"...




A DOUTRINA OBAMA EM AÇÃO (OU: O SIGNIFICADO DE UM APERTO DE MÃO)


A foto acima já está circulando na internet. Ela mostra Barack Hussein apertando a mão do ditador líbio Muamar Kadafi, durante a Cúpula do G-8 que ora se celebra em L'Aquila, na Itália. Barack Hussein faz cara de contrição, como se estivesse confessando algum pecado a Kadafi. Este, por sua vez, não esconde o sorriso de satisfação, parecendo deliciar-se com o momento. Um observador menos atento poderia até achar que é um pai-de-santo atendendo um de seus "filhos" em busca de conselho e orientação espiritual.


Confesso que nem eu, em meus piores pesadelos, poderia imaginar que um dia veria cena tão degradante. O chefe da maior potência mundial, o líder do Mundo Livre, curvando-se ante o coronel Kadafi, o mesmo que Lula chamou de "meu amigo, meu irmão". Dessa vez Barack Hussein conseguiu superar até mesmo o Apedeuta.


Mais surpreendente do que o aperto de mão em si - outro momento "histórico" do governo "histórico" de Obama, como não se cansará de repetir a imprensa obamista - foi a circunstância em que ele ocorreu: a saudação foi dada por iniciativa de Barack Hussein, logo após Kadafi ter insultado os EUA, chamando o país de "terrorista" e comparando-o a Osama Bin Laden. A reação de Barack Hussein à ofensa foi ter corrido até Kadafi e apertado sua mão. Com isso, ele corroborou a afirmação de Kadafi, reconhecendo que os EUA são um país terrorista, comparável a Bin Laden.


Surpreendente, também, mas no pior sentido da palavra, é a forma como a imprensa mundial está tratando o episódio, derramando-se em elogios e rapapés à "atitude altiva" e ao gesto de "estadista" de Barack Hussein. Sim, isso mesmo: a imprensa está aplaudindo Obama por ele ter apertado a mão de um ditador por ele ter insultado seu país e o comparado ao maior terrorista da História...


A ofensa é ainda mais surrealista por ter vindo de quem veio: Kadafi, há 40 (quarenta!) anos no poder na Líbia, onde manda e desmanda com mão de ferro, não é somente um ditador: é um ditador terrorista. Em seu currículo, está uma ampla folha de serviços prestados ao terrorismo internacional, que vai de grupos extremistas palestinos como o Setembro Negro (massacre de Munique, 1972) até o IRA norte-irlandês nas décadas de 70 e 80. Sua obra-prima foi a explosão de um Jumbo da Pan Am sobre a cidade de Lockerbie, na Escócia, em 1988 (270 mortos). Mas, sejamos justos: de uns tempos para cá - mais especificamente, desde que os EUA perderam a paciência com ele e mandaram bomba em sua cabeça, e após o país ter sido ameaçado de pesadas sanções internacionais -, ele tem-se mostrado bastante moderado, até bondoso: imaginem só, ele até aceitou indenizar os parentes das vítimas de Lockerbie...


O aperto de mão entre Barack Hussein e o coronel Kadafi é um gesto significativo. Significa que Barack Hussein quer ficar amigo de ditadores. Significa que ele realmente acredita que o problema do mundo é os EUA, e não bandoleiros como Kadafi ou Bin Laden. Significa que o discurso antiamericano e pró-terrorista finalmente chegou à Casa Branca. Obama deve ter lido e levado a sério a maçaroca antiamericana que Hugo Chávez lhe deu de "presente" alguns meses atrás, "As Véias Abertas da América Latina", de Eduardo Galeano. Só isso explica tamanha complacência com tiranos e assassinos, tamanha inversão da realidade.


Qual será o próximo passo do grande estadista Barack Hussein? Talvez marcar uma partida de beisebol com Fidel Castro, como fez Jimmy Carter. Ou, quem sabe, uma rodada de biriba com Ahmadinejad, enquanto discute com o líder iraniano se o Holocausto existiu ou não. Melhor ainda: um tête-à-tête com Bin Laden nas montanhas do Afeganistão, com cobertura pela CNN e anúncio de mais um feito "histórico" da diplomacia obamista. Entre a decapitação de um infiel e o apedrejamento de uma adúltera, os dois líderes poderão trocar algumas idéias interessantes sobre respeito às diferenças e multiculturalismo.


Na foto em que aparece pedindo a bênção ao tirano Kadafi, Barack Hussein parece estar pedindo desculpas. De fato, é isso o que o gesto demonstra. Kadafi, por sua vez, deve ter pensado: "é, parece que décadas de antiamericanismo raivoso deram resultado; agora sou respeitado e o chefe do Satã imperialista em pessoa vem se rebaixar perante mim e me fazer reverência". Ahmadinejad e Kim Jong-Il podem se regozijar. Pelo visto, terrorism works: o terrorismo funciona. Principalmente se, do outro lado, estiver um governo que prefere capitular a enfrentá-lo.


Tragam o Bush de volta!

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

A LÍBIA É AQUI


Mais uma vez, Augusto Nunes, em seu blog, bota os pingos nos is e presta um serviço valioso à verdade. O titulo do texto já diz tudo. A foto aí em cima também.
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Para que os brasileiros deixem a Líbia, basta um pedido de Lula ao amigo e irmão Kadafi

Desde domingo, centenas de brasileiros em perigo na Líbia aguardam o pouso do avião fretado pelo Itamaraty. Desde domingo, o chanceler Antonio Patriota espera sentado a autorização do governo local para o pouso em algum aeroporto. Desde domingo, Lula faz de conta que conhece só de vista o homem que há 42 anos manda e desmanda no país. O que espera Patriota para interromper a amnésia malandra e recordar ao ex-presidente os tempos em que entrava sem bater na tenda beduína onde Muammar Kadafi conversa, descansa e dorme escoltado pela guarda pessoal só de mulheres?

Há pouco mais de um ano e meio, na reunião da União Africana realizada em Sirte, na Líbia, Lula e Kadafi andaram protagonizando cenas que, infiltradas em qualquer dramalhão de cinema, fariam a plateia inteira chorar lágrimas de esguicho. “Meu amigo, meu irmão e líder”, derramou-se o convidado de honra, olhos nos olhos com o anfitrião, na abertura da discurseira. Kadafi pareceu especialmente comovido, naquele 1º de julho de 2009, ao ouvir o parceiro responsabilizar os países industrializados pelo “caráter perverso da ordem internacional”.

Em seguida, o orador acusou a imprensa em geral e os jornalistas brasileiros em particular de tratar com “preconceito premeditado” as relações amistosas entre os governos latino-americanos e as ditaduras da região. Só gente preconceituosa poderia fingir que não vê “a persistência e a visão de ganhos cumulativos que norteia os líderes africanos”, todos muito conscientes de que “consolidar a democracia é um processo evolutivo”. Kadafi ficou tão animado com o palavrório que no encontro seguinte, promovido na Venezuela, propôs uma aliança militar, “nos moldes da OTAN”, entre os liberticidas africanos e os companheiros cucarachas.

No momento, o terrorista vocacional não tem tempo para pensar nessas grandezas: está inteiramente absorvido pela guerra de extermínio movida contra o povo líbio. Mas atenderá imediatamente ao telefone se souber que é Lula quem está do outro lado da linha. E, se ouvir o pedido, não se negará a suspender por algumas horas o bombardeio aéreo da população civil para permitir que o avião do Itamaraty recolha os brasileiros. Ninguém recusa o que pede um amigo e irmão. (Se recusar, o Brasil colherá mais uma prova de que a política externa da cafajestagem, parida pelo que Ricardo Setti batizou de “lulalato”, serviu apenas para envergonhar o país governado por um megalomaníaco).

Além de acionar o ex-presidente, Antonio Patriota deve reforçar urgentemente o esquema de segurança da embaixada na Líbia. Assustado com a força da insurreição popular, Kadafi tem consultado o companheiro Hugo Chavez sobre planos de fuga e refúgios seguros. O último a tratar desses assuntos com o imaginoso venezuelano foi o hondurenho Manuel Zelaya. Os dois decidiram que um bom esconderijo seria a embaixada brasileira em Tegucigalpa. Kadafi avisou nesta terça-feira que prefere morrer a deixar o país. Se Patriota não abrir o olho, o bolívar-de-hospício e o ditador acuado tentarão abrir em Tripoli mais uma Pensão do Lula.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

DITADORES ESCLEROSADOS


O que acontece quando um tirano fala de outro tirano? Defende a tirania, claro.

Pois foi o que o tiranossauro do Caribe e ídolo dos perfeitos idiotas, Fidel Castro, o Coma Andante, fez nesta terça-feira, ao sair das catacumbas em mais uma de suas "reflexões" de publicação obrigatória na "imprensa" (?) oficial cubana. Acreditem, há quem dê atenção a esse tipo de coisa. Desta vez não deu para evitar, tive de ler o troço. O que disse o facínora? Atacou os EUA, claro, que, segundo ele, estariam por trás dos protestos na Líbia e estariam inclusive planejando invadir o país. Os motivos seriam os de sempre: petróleo, a dominação mundial etc. Curioso como ele não lembrou de nada disso no caso do Egito ou da Tunísia. Por que será?

Teve mais. O serial killer e santo de devoção do Apedeuta saiu com um "pode-se estar ou não de acordo com Kadafi, mas...". Como assim, "pode-se estar ou não de acordo"? O companheiro Fidel está falando dos 270 mortos na explosão de um Boeing em Lockerbie, Escócia, em 1988, crime cometido a mando de Kadafi? Ou nas tantas centenas de pessoas assassinadas pelos grupos terroristas financiados com dinheiro líbio nos anos 70 e 80? "Pode-se estar ou não de acordo" com isso, como se pode estar ou não de acordo com uma opinião, sei lá, sobre futebol? Preciso mesmo dizer qual a única atitude decente diante do terrorismo?

Talvez Castro esteja se referindo aos mortos sob tortura ou assassinados pela ditadura de seu amigo, o pai-de-santo Kadafi. Mas aí existe um problema: os líbios não podem discordar de Kadafi, assim como os cubanos não podem discordar da ditadura dele, Fidel, que já dura inacreditáveis 52 – cinquenta e dois! – anos. É por isso, por não poderem discordar do governo sem tomarem uma borrachada na cabeça, que os líbios estão nas ruas pedindo a saída de Kadafi do poder. Quando será que o mesmo ocorrerá na ilha-prisão dos irmãos Castro?

O fuzilador do Caribe aprendeu com Noam Chomsky (ou foi este que aprendeu com aquele, tanto faz) a jogar areia nos olhos dos incautos culpando os EUA (mais uma vez, notem bem: ele culpa os EUA, não Obama) por tudo de ruim que existe no mundo, até mesmo pela existência de ditaduras que têm no antiamericanismo sua razão de ser. Só falta acusar o Tio Sam de ter colocado Kadafi no poder.

Ontem, Kadafi fez uma aparição na TV estatal líbia soltando fogo pelas narinas, prometendo mandar bala nos manifestantes e dizendo que só morto sairá do poder, em que está agarrado desde 1969. Pelo menos nesse último quesito, espero sinceramente que ele cumpra a promessa. O mundo se veria livre de mais um tirano patético e esclerosado.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

O DESCONTROLE PETRALHA



Ah, eles estão descontrolados!

Até mesmo para xingar os outros os petralhas são umas toupeiras. Vejam os comentários involuntariamente hilariantes que dois novos leitores assíduos do blog, um anônimo e outro, que se apresenta como "Carlito", cometeram. Coloco os dois no mesmo post, em parte para economizar espaço, e em parte porque não valem mais do que um post mesmo. Além disso, eles certamente se sentiriam bem um ao lado do outro.

Vamos lá, meninos, aprendam como se deve desmoralizar alguém. Primeiro o anônimo:

Agora são 402 posts sobre o Lula. Isso, fala mais, asno. Eternize o ídolo.Além de arrogante é burro. Bem, os burros sempre são arrogantes. Só assim podem esconder a própria ignorância e/ou frustração. Fica aí no seu mundinho, viuvinha do FHC.Vou deixá-lo só, que é como você vive. Vá buscar comentários em outros blogs, já que o seu tá tão animado quanto as noites do Alasca.

Estou preocupado. Então sou eu que eternizo o ídolo-pai-todo-poderoso? Eu tenho todo esse poder? Mas este não é um blog insignificante, com alguns parcos leitores? Agora fiquei confuso. Será que é porque eu sou arrogante e burro?

Ah, entendi! Então sou doido e doente não porque falo mal do Apedeuta, mas porque falo dele. É isso! O Filho do Barril é tão importante que já alcançou o status de totem, de tabu. Falar sobre ele eterniza o mito. Só pode ser.

Pensei que o caro leitor fosse só disléxico. Mas agora vejo que é cretino mesmo. Viuvinha de FHC? O companheiro não leu nada do que escrevi sobre o clube de socialites esquerdistas que é o PSDB? Preciso colocar mais links? Alguém aí falou em "asno"?

Outra coisa: o blog não tem a menor intenção de ser "animado". Se quer animação, vá ao Carnaval de Olinda ou a um comício do Redentor da Humanidade. Isto aqui não é programa de auditório.

Pronto! Agora são 403 posts sobre o Apedeuta e seus devotos. É minha modesta contribuição ao desmascaramento da maior mentira da História do Brasil. E aos patetas que querem vê-la eternizada, sem que se fale dela.

Agora é a vez do Carlito, aquele que me chama de "senhor" (a propósito, o senhor está no Céu...):

O senhor é muito fácil de ser alfinetado. Basta uma investida e pronto, o senhor revela o direitista, o lambe-saco do PSDB, o babaca que é. Está mais que evidente a serviço de quem o senhor está. Não, não vista o hábito de mocinho, de independente, de contra a safadeza. O senhor é contra as safadezas apenas de uns, as de outros o senhor esconde, varre para baixo de tapete, ignora, "engaveta". Bem fraquinhos os seus argumentos. Diz logo quem o senhor é.

Não sabia que eu era almofada para ser alfinetado... hehe Meu filho, quem disse que é preciso uma "investida" (eu, heim?) para que eu me "revele um direitista"? Não percebeu ainda que sou anticomunista, antiestatista, antipetralha e liberal, ou seja: um direitista, um conservador - logo, na visão de mundo petralha, um membro da elite golpista, um maldito reacionário que se diverte maltratando os empregados e praticando tiro ao alvo em mendigos etc.? Enfim, todos esses rótulos que os petralhas gostam de usar para (des)qualificar todos os que não são nem pensam como eles? Não sacou ainda, meu filho, para que serve e sobre o quê é o blog? (E o babaca sou eu, vejam só...)

Ai meu jesus cristinho: "lambe-saco do PSDB" foi demais! O que esses petralhas têm no lugar do cérebro? Cimento? Ou a mesma matéria orgânica que recheia a cabeça dos camarões? É cinismo ou burrice mesmo, ou as duas coisas? Ô Carlito, tenta ler antes o que já escrevi, rapaz! Aí, quem sabe, quando você já souber tomar sorvete sem sujar a nuca, a gente conversa, tá bom?

A serviço de quem eu estaria? Deixe-me ver, vou me adiantar ao petralha anencéfalo: da CIA, de Wall Street, da Máfia, dos Incas Venuzianos?... Não seria da minha própria consciência? Mas duvido que quem escreve esse tipo de baboseira aí em cima tenha a mínima idéia do que é isso.

Hum... então sou contra as safadezas só de uns é? E boto as de outros debaixo de tapete, é mesmo? Sei, sei... Deve ser porque não sou "nenhumladista" ou "isentista". Ou seja: não caio na lorota de que "são todos iguais" para salvar a cara e encobrir a verdadeira natureza da bandidagem petista. Já cansei de escrever sobre isso aqui, mas desconfio que o Carlito não tenha sequer se dado ao trabalho de pesquisar um pouquinho no arquivo do blog antes de vir aqui vomitar suas petralhices.

Agora, o argumento mais inteligente de todos. Estão preparados? Lá vai:

Sai do armário, meninaaaaaaaaaaaaa!Antes que eu me esqueça, vá morder seu pai na bunda.

Sei não... Sair do armário, morder o pai na bunda... Esses petralhas são estranhos. Será que é isso que eles fazem naqueles congressos do partido?

P.S.: Sei que vai ser difícil para vocês, porque afinal vocês agora não podem mais viver sem o blog, mas não precisam se dar ao trabalho de responder a este post, rapazes. Vocês vão perder seu tempo, porque não vou ler - vai direto para o lixo. Sugiro que tentem pautar outro blog. Neste aqui, vocês não entram mais (já tenho seus IDs, não insistam). Sei que vocês vão ficar tristes, a vida de vocês vai perder o sentido, mas se não quiserem entender, não dou a mínima: podem ir tomar na CUT e vão para a Cuba que os pariu, bando de vagabundos!

TESTE DE PACIÊNCIA (OU: FALANDO DE FOLCLORE PARA DISLÉXICOS)


Tem gente que acredita em outras lendas...
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Ah, que chato!

Se tem uma coisa que realmente testa minha paciência, mais até do que a sonsice e o cinismo, é a burrice. Ou, no caso, a dislexia. Detesto ter de desenhar para quem não consegue traçar uma linha reta entre um ponto e outro.

Um anônimo não entendeu uma frase de meu texto EU, O DOIDO (OU: FALO MAL DE LULA E DOS PETRALHAS, POR ISSO SOU DOENTE):

Lula não existe (palavras suas) e você escreve 400 posts falando dele.Isso é o que eu chamo de uma não-existência de sucesso.

Vamos lá, apertando a tecla SAP:

http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2011/01/lula-e-minha-anta.html

http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2009/10/o-boitata-de-caetes.html

Se, depois de ler o que está nos links acima, o leitor ainda não souber do que estou falando, só posso concluir que é alguém com uma séria lesão no córtex cerebral. Ou é só um gaiato mesmo que não tem mais o que fazer.

Fico cá pensando: além de não saber ler e não ter escrúpulos, o que mais é necessário para ser petralha?

UM CONTO DE DOIS LADRÕES (UMA FÁBULA)


Um petralha está chateado comigo porque não deixei que ele pautasse o blog. Ficou bravo porque não permiti que ele transformasse este espaço num palanque para "denunciar" os malfeitos dos outros. Provavelmente, ele pensa que, ao fazer isso, está absolvendo as pilantragens da companheirada. "Se todos roubam, por que se importar?" É assim que pensa essa gente.

Para ficar claro por que não aceito esse tipo de petralhice - a mais cínica e vigarista de todas -, aí vai uma pequena fábula.

Dois ladrões são pegos em flagrante assaltando uma velhinha. Na delegacia, eles tentam se safar dizendo o seguinte:

Ladrão 1: - Seu delegado, sou inocente, não roubei ninguém etc. etc.

Ladrão 2:

- Seu delegado, não roubei; sou vítima de uma conspiração das elites e da mídia. (1a versão)

- Não vi nada, não sei de nada. (2a versão)

- É, sou, mas quem não é? Somos todos iguais. (3a versão)

(Detalhe importante: antes de ser pego roubando, o Ladrão 2 posava de puro e de "diferente", o único honesto da vizinhança; os ladrões eram os outros.)

Pergunta 1: Preciso dizer de quem estou falando?

Pergunta 2: Quem é o mais safado?

Moral da história: Quem bate a carteira é bandido; quem bate a carteira e grita "pega ladrão" é duas vezes mais bandido.

Se safadeza matasse, não existiria mais nenhum petralha vivo.

MAIS UM PARA O LIXO


Outro, um tal Carlito (que ainda por cima me chama de "senhor", ai Jesus...), quis aproveitar para tentar pautar o blog. Escreveu o rapaz:

O senhor já leu o artigo do link abaixo?
(segue o link, com um artigo sobre um tucano - que não vou colocar aqui porque não sou moleque de recados de petista)
Que tal publicar no seu blog? Ah, claro, o senhor é contra os petralhas, apenas.

Nem titubeei. Direto para a lata do lixo.

E sim, sou contra os petralhas. Acha pouco?
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Ah, também sou contra usar blogs alheios como correia de transmissão da petralhada, viu?

Francamente...

EU, O DOIDO (OU: FALO MAL DE LULA E DOS PETRALHAS, POR ISSO SOU "DOENTE".)


Um desses valentes anônimos que pululam na internet e que acham o cúmulo falar mal do Apedeuta entrou no blog e deixou um comentário sobre meu texto O IRÃ É AQUI (em que falo, justamente, de como a religião lulo-petista está transformando o Brasil numa nova República dos aiatolás). Vejam que jóia de sabedoria ele escreveu:

Rapaz, você sempre me surpreende.
Você roda, roda e acaba voltando ao tema de que mais gosta: Lula. Como não tem recebido dos seus leitores - plural? - nenhum comentário contra seus posts sobre o "desencarnado", agora busca em outros blogs. Isso é doença.
Negócio de doido!

Respondo ou vai para o lixo? OK, as duas coisas. Desde que o blog existe, escrevi, até agora, uns 800 posts. Não fiz as contas, mas acredito que, destes, a metade, uns 400, tratam, direta ou indiretamente, do Aiatolula. É muito? Sinceramente, acho que não. Afinal, o sujeito é nada mais nada menos do que o Messias reencarnado, o redentor dos pobres e oprimidos, o presidente mais importante das galáxias desde o big-bang. Diante disso, o que são uns 400 posts?

Realmente, para que falar do Lula? Essa é uma pergunta que sempre me faço. Afinal, ele "não” fez nada do que segue: "não" enganou os trouxas durante trinta anos, falsificando a História e estimulando em torno de si um culto da personalidade criado por intelectuais comunistas; "não" tentou estuprar um companheiro de cela; "não" fez a apologia da ignorância e do analfabetismo; "não" se apropriou do que os outros fizeram; "não" comandou o maior esquema de corrupção da História do Brasil; "não" promoveu o aparelhamento partidário do Estado; "não" entronizou o coronelismo; "não" serviu de porta-voz para ditadores assassinos, sendo cúmplice de seus crimes; "não" transformou o Brasil em valhacouto para terroristas; "não" fez o País passar vexame internacionalmente (e tudo isso com uma multidão de áulicos batendo palmas e repetindo o quanto ele era um sucesso...) etc. Enfim, para que se importar com isso, não é mesmo? Só pode mesmo ser doença. Ou deve ser porque, sei lá,
não tenho recebido comentários de meus poucos leitores. (Menos dos petralhas, que, ao que parece, não podem mais viver sem meu blog. Mesmo com poucos leitores, eles se surpreendem. Por que será?)
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É, sou "doente". Mas sou feliz, obrigado. Não sei se seria tão feliz se, em vez de falar mal do Nosso Guia, eu resolvesse mandar o senso crítico às cucuias e engrossar o cordão de puxa-sacos que, nos últimos oito anos, aumentou assustadoramente. Não sei se assim eu seria mais feliz. Mais rico, certamente, eu seria.

Já falei e repito: Lula não existe. É por isso que falo mal dele. E ainda me dou ao trabalho de responder a mais um comentário cretino de um seu devoto. Haja paciência...

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

WINDS OF CHANGE




Depois de Tunísia, Egito, Iêmen e Bahrein, agora é a vez do maluco dos zóio virado do Irã Mahmoud Ahmadinejad e do pai-de-santo Muamar Kadafi da Líbia provarem o gosto amargo de protestos populares contra a ditadura. A pergunta que não quer calar é: quem será que o bufão venezuelano Hugo Chávez e a múmia cubana Fidel Castro irão culpar dessa vez pela ditadura? Os EUA não dá. Não cola.

Aliás, espera-se que a onda de protestos no Oriente Médio pela democracia chegue um dia à América Latina. Chávez, Castro, Morales, Correa, Ortega... enfim, todos os tiranos e tiranetes louvados pela companheirada: é bom botarem as barbas de molho.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

O IRÃ É AQUI


Não, não são militantes do PT jurando lealdade ao Guia Genial...
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Ontem, uma cena bizarra ocorreu no Parlamento do Irã. A maioria dos deputados, com os punhos cerrados e gritando slogans, pediu a morte dos líderes da oposição no país. Os parlamentares exigiram punição severa para os dissidentes que, inspirados nos exemplos da Tunísia e do Egito, vêm promovendo há alguns dias manifestações de protesto pedindo o fim da teocracia iraniana. Suas Excelências queriam o sangue dos que se opõem ao regime teocrático, a forca para os infiéis que ousam criticá-lo e pedir democracia na terra dos aiatolás.

De repente me lembrei de Marcelo Madureira.

O humorista do recém-extinto programa televisivo Casseta & Planeta é protagonista de um vídeo que circula desde o ano passado na internet. Nele, Madureira aparece no programa Manhattan Connection, do canal GNT, ao lado de Diogo Mainardi e de Lucas Mendes, falando o que pensa do ex(?)-presidente Lula da Silva. Chama-o, entre outras coisas, de vagabundo e picareta. Um caso raro, raríssimo, de artista que não se rende ao politicamente correto quando trata do chefão dos petralhas, o capo di tutti capi. Esbarrei no vídeo um dia desses, por puro acaso. Está aqui: http://www.pimentanamuqueca.com.br/2010/10/06/humorista-fala-serio-e-chama-lula-de-vagabundo-e-picareta/.

O que mais me chamou a atenção não foi o vídeo em si, mas o que dele disseram alguns comentaristas no blog que o reproduziu. Eis algumas reações:

FICO MUITO TRISTE COM UM ELEMENTO MUITO LOUCO COMO ESSE, ELE SÓ PODE TÁ DROGADO PRA FALAR ISSO DO NOSSO PRESIDENTE, (TOM)

esse sujeito não ofendeu somente ao presidente. ele ofendeu a uma nação inteira. sinto-me indignado como cidadão brasileiro. (marcelo)

Esse Marcelo Madureira é uma “caca”! (leidiqueiti)

Doente! (Vítima)

Cabe aí uma Ação Penal por lesão à honra de um Chefe de Estado. Talvez LULA, com a diplomacia que o acompanha, não queira ir por esse caminho. Mas seria interessante ver esse decadente humorista atrás das grades. Se o momento fosse outro, àquele da ditadura, esse cara não contava mais no mapa múndi. (adriano Mslarsh)

Marcelo Madureira mostra desconhecimento histórico e político. É o típico analfabeto político, falta discernimento numa pessoa dessa ao falar de forma tão deselegante e de fraca argumentação de um dos maiores líderes mundiais. (Camila)


Há muito já deixei de me espantar com o que dizem os devotos de São Luiz Inácio dos Pobres. Mas confesso que ainda sou capaz de me surpreender quando os vejo tomar as dores, com unhas, dentes e verbas oficiais, de seu ídolo. Cresci ouvindo cobras e lagartos dos presidentes brasileiros. O general Figueiredo, por exemplo, era geralmente descrito como um cavalo (e olha que estávamos em pleno regime militar!). Sarney e Collor, então, foram execrados até o desespero. Sem falar em FHC, a besta-fera dos lulo-petistas. Mas falar mal de Lula, não pode. Falar mal de Lula é coisa de "louco" e "drogado", contra quem caberia uma Ação Penal etc. Quem ele pensa que é, esse cidadão, para criticar nosso presidente, um dos maiores líderes mundiais? Ele está ofendendo uma nação inteira etc. Falar mal de Lula, não, isso não pode, é coisa muito feia, é pecado. Quem o fizer, será enforcado ou apedrejado até a morte. Liberdade de expressão? Só se for a favor.

Lula é um inimputável da política brasileira, o maior que já houve em terras tupiniquins. Durante três decadas, posou de madre superiora e de sumo-sacerdote do culto das vestais, acusando todos (os que não fossem petistas, claro) de serem um bando de pilantras e vigaristas. Ele e seu partido, o PT, especializaram-se em demolir reputações alheias enquanto construíam as suas próprias (falsas). Com isso, enganaram muita gente, que estava ansiosa por ser enganada. Não faltou a Lula a adulação babosa de grande parte da imprensa (a mesma que os petistas chamam de "mídia") e de quase 100% dos artistas e intelectuais brasileiros. Uma banda de rock dos anos 80 chegou a gravar uma música baseada numa frase dele, "Os 300 picaretas" ("Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou"... lembram?). Coberto com uma aura de messias do povo, Lula não poupava ofensas a muitos que hoje são seus amigos de infância, como José Sarney e Fernando Collor. Mal chegou à presidência, confessou publicamente que é um bravateiro. Seus oito anos no poder foram uma sucessão ininterrupta de escândalos. No apagar das luzes de seu mandato, quando achava que ninguém estava vendo, livrou a cara de um terrorista homicida e garantiu passaportes diplomáticos para uma penca de parentes e amigos, inclusive pastores malandros de uma seita dona de uma emissora. Sem trabalhar desde 1975, não estudou porque não quis. Só por isso já merecia ser chamado de vagabundo e picareta, o maior vagabundo e picareta que já ocupou a Presidência da República no Brasil. Nem cito outras pilantragens suas porque aí o texto ficaria interminável.

O Irã parece ser o país ideal para revelar a vagabundagem e a picaretagem do Filho do Barril. Em 2009, o país foi sacudido por uma onda de protestos populares contra a fraude nas eleições que garantiu a permanência de Mahmoud Ahmadinejad no poder. Os manifestantes, que pediam democracia, foram brutalmente reprimidos, e muitos foram assassinados. Lula, então presidente, deu um novo sentido a suas conhecidas metáforas futebolísticas, ao comparar os protestos a um chororô de torcedores cujo time perdeu uma partida de futebol. Não contente em avalizar a fraude, ele ainda se prestou ao papel lamentável de idiota útil da tirania iraniana, ao patrocinar um acordo fajuto para que Ahmadinejad tivesse a bomba atômica. Nas últimas semanas, dezenas de opositores ao regime iraniano que participaram dos protestos de 2009 foram enforcados. Deve ter sido porque o time deles perdeu um jogo...

O Brasil está ficando cada vez mais parecido com o Irã. Aqui, também temos os nossos pasdaran, a nossa polícia religiosa. Muitos deles vivem do dinheiro que recebem do governo para manter seus blogs com elogios a Lula e a sua criatura, Dilma Rousseff. E ai de quem se atreva a criticá-los! Será condenado à fogueira pelo tribunal petista - ou corre o risco de uma ação penal, como ameaçou um dos petralhas acima. O Irã é uma teocracia. O Brasil virou uma pelegocracia.

Há, porém, uma diferença fundamental: no Irã, ao contrário do Brasil, existe oposição. Por estas bandas, não está muito longe o dia em que os deputados erguerão os punhos e gritarão slogans, pedindo a cabeça de quem ouse falar mal do Guia Genial. Só por precaução, renovei o passaporte.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

O MITO DO ISLÃ MODERADO


Na véspera do Ano Novo, um carro-bomba fez em pedaços 21 pessoas numa igreja cristã copta em Alexandria, no Egito. A igreja estava lotada de fiéis, que assistiam à missa. Entre os mortos, mulheres e crianças, além de 79 feridos. Uma barbaridade.

No dia seguinte, o papa Bento XVI fez o que se espera de qualquer pessoa decente e condenou o atentado. A reação dos mulás egípcios foi a seguinte: disseram que o chefe da Igreja Católica estava se metendo num assunto interno do Egito. Mais: afirmaram que o Sumo Pontífice não condena os atentados em que morrem muçulmanos no Oriente Médio...

As duas afirmações acima – a última das quais, abertamente mentirosa – não saíram da boca do chefe do Hamas ou de Osama Bin Laden, mas de líderes religiosos considerados "moderados", apontados como interlocutores confiáveis do Islã. Homens tolerantes, enfim.

Fico aqui pensando o que será que tais líderes religiosos diriam se, diante de um atentado contra muçulmanos em Paris ou em Roma, o papa dissesse para eles: "Isto não é problema de vocês; é um assunto interno nosso". Ou então: "Não me lembro de ter visto vocês condenando atentados em que morrem cristãos". Conseguem imaginar o escândalo? No mínimo, os muçulmanos e os intelectuais de esquerda ocidentais iriam às ruas protestar e exigir a cabeça de quem disse uma coisa dessas, tachando-o de hipócrita, de calhorda e de canalha da pior espécie. E com toda razão.

Pois bem. Não me lembro de ter visto nenhum ativista de esquerda organizar qualquer protesto contra os lideres muçulmanos egípcios. Procurei no noticiário, mas não vi nenhum conhecido crítico do Ocidente, nenhum Noam Chomsky, nenhum Tariq Ali, dizer uma palavra de repúdio ou de solidariedade às vítimas do atentado. Por que será?

Há somente uma explicação para esse tipo de duplo padrão moral: na cabeça de religiosos islâmicos, moderados ou não (e de seus aliados seculares ocidentais), a morte de cristãos não é tão grave quanto a de muçulmanos. Isso porque, por mais que se diga o contrário, não existe Islã moderado.

Antes que me entendam mal: não tenho nada contra o Islã como religião privada. Aliás, não tenho nada contra nenhuma crença individual. Para mim, crer em Alá, fazer as abluções, rezar cinco vezes ao dia com o rosto voltado para Meca, é uma questão de crença pessoal. Mas é exatamente aí que está o problema: o Islã não é uma religião privada. Crer ou não em Maomé, para um muçulmano devoto, não é uma questão pessoal. Ponto.

Se há algo que distingue o islamismo das outras religiões, em particular do cristianismo, é que no Islã não existe diferença alguma entre as esferas pública e particular. Pergunte a qualquer muçulmano sobre separação entre religião e Estado e ele provavelmente pensará que está diante de um imperialista, um marciano ou um fugitivo do hospício. É inútil procurar algo semelhante nos paises islâmicos. Até mesmo regimes seculares do Oriente Médio tem um pé no Corão: no Egito, por exemplo, é proibido pregar abertamente outra religião que não a do Profeta (um pastor protestante brasileiro foi preso lá no ano passsado por distribuir bíblias!). O Islã é mais do que um conjunto de regras de conduta moral: é uma ideologia total, que abarca todos os aspectos da vida particular, assim como da política e da economia. Daí que falar em Islã "moderado" é, no minimo, um oxímoro (Islã radical, por sua vez, é um pleonasmo). É uma auto-ilusão, uma fantasia de intelectuais multiculturalistas e politicamente corretos.

Hoje, quando o Egito e boa parte do Oriente Médio estão numa encruzilhada depois da queda do ditador Hosni Mubarak (no que foi, em tudo menos no nome, um golpe de Estado, mas não é de bom-tom dizer), a tendência é ignorar esse fato. Cansei de ler comentários de pessoas ditas sérias celebrando a participação da Irmandade Muçulmana no novo governo de transição do Egito como uma mostra de que o país estaria entrando, enfim, numa nova era de "democracia". Esquecem que, com os islamitas, a primeira eleição democrática da qual sairão vitoriosos será tambem a última. Se alguém duvida, pergunte ao Hamas ou ao Hezbollah.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

AINDA O EGITO: DESENHANDO PARA IDIOTAS


Alguém ainda não entendeu - ou finge não entender - o que está em jogo no Egito (e no Oriente Médio em geral). Um anônimo escreveu o que segue: ,

Gustavo, sua lógica agora me deixou confuso. Então no Egito deveria se manter uma ditadura sendo ela apoiada pelos EUA.
Agora em Cuba a ditadura " Castrista" não é aceita simplesmente porque " ha uma alternativa melhor ?" coisa que o Egito não tem ??? usando suas proporias palavras " Me parece uma forma de ofende-los".
A ditadura de Mubarak não oferece risco aos EUA porque se aliou a ele, já a ditadura iraniana e cubana são autônomas e por isso oferecem risco a hegemonia americana.

Fico pensando: será que quem escreveu o que vai aí em cima se deu ao trabalho de pelo menos ler o que critica? Ou - o mais provável - é só alguém apostando no "nonsense"? Deixa pra lá. Respondo assim mesmo. .

Em primeiro lugar, em que momento eu digo, caro leitor, ou mesmo sugiro, que a ditadura de Mubarak deveria ser mantida? Vou lembrar mais uma vez: Mubarak é um ditador, e toda ditadura é desprezível. Uma ditadura da Irmandade Muçulmana, então, seria muito mais do que desprezível - seria uma catástrofe, e não só para o Egito, mas para a paz e a segurança da região. Mubarak é um desastre para os egípcios. A Irmandade Muçulmana no poder seria um desastre para o mundo. Alguma dúvida quanto a isso?

Quanto à ditadura comunista de Cuba, o que dizer? A alternativa para ela é uma só - a democracia. Ao contrário do Egito, Cuba não tem uma Irmandade Muçulmana. Alguma dúvida quanto a isso também?
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Já quanto ao Irã, é aquilo que o Egito será se a Irmandade Muçulmana chegar ao poder. Esse risco existe e é a cada dia maior.

A pessoa que escreveu o comentário considera "autônomas" ditaduras que não são aliadas dos EUA e do Ocidente. Deve achar, portanto, que existem ditaduras autônomas e não-autônomas - a do Egito seria uma destas. Seu critério para definir a autonomia de um regime não são eleições livres, pluralismo político e liberdade de expressão, mas o ódio aos EUA e ao Ocidente. Autônomos, portanto, seriam os regimes que odeiam a liberdade ocidental. Autonomia seria sinônimo de antiamericanismo. O que dizer dessa sandice?
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Para ficar claro, vamos lá, didaticamente: .

- Mubarak é um ditador. Ahmadinejad é um ditador islamita fanático e negador do Holocausto.
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- O Egito é uma ditadura laica. O Irã é uma ditadura teocrática.

- O Egito tem um acordo de paz com Israel. O Irã jurou varrer Israel do mapa. .

- O Egito é aliado dos EUA e do Ocidente. O Irã financia grupos terroristas.

Qual dos dois é pior? .

Entendeu agora? Posso até desenhar, mas, por favor, não me peça para segurar na mão, OK?

sábado, fevereiro 05, 2011

ATRAÇÃO PELO SUICÍDIO (OU: SALVANDO OS ESQUERDISTAS DELES MESMOS)


Pelotão de fuzilamento no Irã, 1979: muitos achavam que nada seria pior do que o Xá...
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Uma característica definidora da loucura é a falta total de senso de proporções. Alguém que mata uma pessoa a sangue-frio é um assassino. Quem faz o mesmo com dez, ou cem, ou mil, é dez, cem ou mil vezes assassino. O primeiro deve ser condenado pela morte que causou. O segundo, pelos dez, cem ou mil assassinatos que perpetrou. Ou, dito de outro modo: as penas devem ser proporcionais ao crime cometido. Isso é tão óbvio que seria imediatamente apreendido até por crianças de cinco anos, se crianças dessa idade tivessem idéia do que é um assassinato. Não pelo louco. Para este, tanto faz se se mata um ou cem, ou dez, ou mil, ou um milhão. Em seu cérebro perturbado, não existe qualquer diferença, nenhum sentido de proporcionalidade. Cortar um galho de árvore ou atear fogo a uma casa com os moradores dentro, para ele é tudo a mesma coisa.

Por mais que se explique, por mais que se mostre, por mais que se prove para um louco - no caso, um imbecil irremediável, incapaz de qualquer pensamento minimamente lógico - esse tipo de coisa, sempre haverá, infelizmente, quem prefira ignorar o óbvio e escolher, entre dois males, o pior. Nunca subestime a capacidade de certos espíritos de desprezar o perigo e de cavar seu próprio túmulo. Por burrice, estupidez, malícia ou oportunismo, não importa: sempre haverá quem corteje a própria ruína, a própria destruição. Qualquer pessoa sensata concluiria logo que é preciso proteger esses indivíduos deles mesmos, pois são como crianças. Totalmente irresponsáveis, não são capazes de cuidar de de si mesmos, que dizer dos outros. Débeis mentais ou loucos psicóticos, para usar a terminologia científica.

Fiz o preâmbulo acima porque, mais uma vez, os fatos parecem confirmar um padrão histórico, já tantas vezes repetido. Estou falando das manifestações no Egito. Escrevi aqui um post sobre o tema. Deixei claro - pelo menos, acredito que está claro no texto - que considero o regime de Hosni Mubarak uma ditadura, e que desprezo todas as ditaduras. Escrevi também que, malgrado esse fato, existe a possibilidade alarmante de que, uma vez derrubado o regime de Mubarak, algo muito pior - uma teocracia islamita - tome seu lugar no Egito, do mesmo modo que a queda do regime despótico do xá do Irã deu lugar à tirania muito mais opressiva dos aiatolás em 1979. Apontei para o fato de que fanáticos islamitas estão posando oportunitiscamente de democratas nas manifestações, com o intuito de impor sua própria tirania, muito pior do que a atual, e enterrar assim, definitivamente, qualquer esperança de democracia. E isso não só no Egito, mas na Tunísia, no Sudão, no Iêmen, na Jordânia, no Líbano - enfim, onde quer que haja radicais muçulmanos à espreita, prontos para tomar o lugar de autocracias seculares pró-ocidentais - e IMPEDIR QUE ESTAS SE TRANSFORMEM EM DEMOCRACIAS, é bom que se diga.

Pois não é que, em vez de entender o alerta acima, há quem veja no que eu disse uma contradição? Pior: uma defesa de Mubarak?
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Um tal de Pereira, por exemplo, que acredito seja o mesmo que tomou uns cascudos aqui outro dia, escreveu o seguinte sobre meu texto EGITO: O QUE ESTÁ EM JOGO (E AS BESTEIRAS QUE ANDAM DIZENDO POR AÍ):

Agora você está numa bela sinuca. Ou apóia Mubarak, um ditadura ou apoia a reinvidicação popular, mesmo que islâmica. Se escolher por Mubarak fica óbvio para mim e os demais leitores deste blog que você possui uma tendencia totalitária (ao contrário do que vem dizendo) e uma atitude contra o Islã e os religiosos mulçumanos.

O que passa no cérebro de quem produziu semelhante disparate? Para o tal Pereira, ao que parece, só existem duas alternativas no Oriente Médio: ditaduras seculares alinhadas ao Ocidente ou teocracias islamitas. Ou, no caso do Egito: Mubarak ou a Irmandade Muçulmana. E nada - absolutamente nada - entre um e outro. Nada mesmo. Democracia, por exemplo, nem pensar.

O rapaz não se dá conta, nem sei se tem a capacidade intelectual para compreender, mas, ao colocar a coisa nesses termos, confessou não acreditar em democracia no Oriente Médio. Para ele, ou é Mubarak ou é a Irmandade Muçulmana, e ponto final. E - afirma - escolher Mubarak seria mostrar uma "tendência totalítária (!) contra o Islã e os religiosos mulçumanos" (SIC) etc. Ou seja: o sujeito é tão inconsciente do que diz que, após confessar seu pouco apreço pela democracia naquela região, confessa em seguida sua preferência pela... Irmandade Muçulmana! Precisa dizer mais?

Ainda que - enfatizo o ainda que - a opção no Oriente Médio fosse entre os mubaraks e os fundamentalistas muçulmanos, está claro como água, para qualquer pessoa que tenha um mínimo de respeito à inteligência (para não falar em amor à própria vida), que uma ditadura secular e pró-ocidental é infinitamente menos nociva e menos perigosa do que uma teocracia islamita (ou seja: não deixa de ser algo ruim, mas é menos ruim, entenderam?). Se têm alguma dúvida, perguntem aos iranianos ou aos palestinos na Faixa de Gaza, que em 2006 viram uma ditadura secular brutal e corrupta (a do Fatah) substituída pelo reino de terror dos fanáticos do Hamas (surgido, aliás, da Irmandade Muçulmana).

Em 1979, muitos comunistas participaram, entusiasmados, da revolução popular que pôs fim à ditadura do xá do Irã. No dia seguinte, estavam todos na cadeia ou executados pelos pelotões de fuzilamento do regime fundamentalista xiita que se instalou em seguida. Eles também acreditavam que nada poderia ser pior do que o regime do xá. Negligenciaram o perigo do fundamentalismo islamita. Desse modo, cavaram sua própria sepultura.

Talvez ainda haja tempo de salvar a cabeça dos que acham que nada é pior para o Egito do que Mubarak. Mas, pelo visto, a atração dos esquerdistas pelo suicídio é realmente muito forte. É preciso salvá-los deles mesmos.