sábado, maio 07, 2011

O GOLPE DO STF. E UMA PERGUNTA: GAYS NÃO FAZEM SEXO?

Na última quinta-feira, dia 4, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, aprovar no Brasil a união civil de pessoas do mesmo sexo - o que abre o caminho para o chamado "casamento gay". De agora em diante, casais do mesmo sexo que comprovem a união estável terão os mesmos direitos e deveres que casais heterossexuais. O que acho da decisão? Não tenho nada contra, como não tenho nada contra a adoção de crianças por casais homossexuais. Direitos iguais etc. Muito diferente do PLC 122, a Lei da Mordaça Gay, que ameaça acabar com a igualdade de todos perante a Lei, instituindo o delito de opinião. Daí porque sou radicalmente contra este, mas não contra a decisão do STF, que me parece justa.

Tudo muito bem, tudo muito bom, etc. e tal. Sou mesmo a favor de que todos tenham os mesmos direitos e obrigações, e a corte constitucional parece ter entendido o mesmo. A aprovação do casamento gay parece mesmo um avanço. Mas tem duas coisas que não consegui entender direito.

Primeiro: pode um tribunal, mesmo se for a Suprema Corte do País, decretar a não-validade de um preceito constitucional? Segundo a Carta Magna promulgada em 5 de outubro de 1988, cabe ao Poder Legislativo, e a ele somente, modificar um Artigo da Constituição Federal. Cabe ao STF, como instância máxima de um dos três Poderes da República, zelar pela constitucionalidade das decisões judiciais. Pois bem. O que diz a Constituição da República Federativa do Brasil? Diz o seguinte, de forma clara:

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.


Não sou jurista, tampouco conhecedor do assunto (abandonei o curso de Direito no segundo ano), mas está claro para mim que os ministros do STF, ao aprovarem o casamento gay, modificaram completamente o que está escrito aí acima. Instituíram, de uma só vez, uma nova forma de organização familiar no Brasil. Em outras palavras: legislaram sobre a matéria, exercendo - eu quase disse: usurpando - a função do Poder Legislativo. Com isso, o que ocorreu foi um GOLPE (IN)CONSTITUCIONAL. O STF NÃO PODERIA TER REESCRITO A CONSTITUIÇÃO! ESSE PAPEL CABE AO LEGISLATIVO!

Faz diferença se a decisão dos ministros foi por uma "boa causa", como estão dizendo por aí? NÃO! NÃO FAZ NENHUMA DIFERENÇA! Rasgou-se a Lei do mesmo jeito. As funções dos Poderes da República não podem ficar ao talante dessa ou daquela interpretação. O mesmo tipo de argumento pode ser utilizado em favor de qualquer outra coisa. Com isso, criou-se um precedente perigoso para a democracia: o que impede os senhores ministros de revogarem o Artigo 5 da Constituição, por exemplo, que trata dos direitos e garantias fundamentais, em nome, sei lá, do "bem público"? Afinal, a Constituição existe para ser respeitada ou não?

Por que será que os ministros do STF, que são pessoas doutas e certamente conhecem a Constituição, resolveram descumpri-la, atribuindo-se um papel legiferante que não lhes cabe, segundo a própria Carta Magna? Posso estar enganado, mas o fato de ser muito mais difícil tal decisão ser aprovada no Congresso Nacional dá uma dica importante a esse respeito. (O fato de serem 513 deputados e 81 senadores, contra 11 no STF, também talvez explique alguma coisa.)

Segunda coisa. Assim como defendo o respeito à Constituição, sou a favor de que se chame as coisas pelo nome. Afinal, o que raios vem a ser "união homoafetiva"? Vamos deixar de lado os eufemismos. O que se acabou de aprovar foi a união civil entre um homem e um homem, ou entre uma mulher e outra mulher. E isso quer dizer relações que, na imensa maioria dos casos pelo menos, envolvem sexo. Quero dizer "aquilo" mesmo: trocar fluidos corporais, transar, furunfar - dêem o nome que quiserem. É isso que as pessoas, héteros ou não, fazem entre quatro paredes, desde que o mundo é mundo. Por que essa frescura agora de "homoafetivo"? Vejam o que disse, em um arroubo de pura inspiração poética, um dos ministros do STF, Ricardo Lewandowsky, ao justificar seu voto favorável à tal "união homoafetiva":

“(…) estão surgindo, entre nós e em diversos países do mundo, ao lado da tradicional família patriarcal, de base patrimonial e constituída, predominantemente, para os fins de procriação, outras formas de convivência familiar, fundadas no afeto, e nas quais se valoriza, de forma particular, a busca da felicidade, o bem estar, o respeito e o desenvolvimento pessoal de seus integrantes.”

Não é lindo? Dá vontade de chorar! Outras formas de convivência familiar, "fundadas no afeto", caracterizadas pela "busca da felicidade", do "bem estar" etc. Esperem aí... agora já entendi o que é esse troço de "união homoafetiva": é a relação que eu tenho, por exemplo, com meu... pai!

Ora, senhores gays e simpatizantes! Deixem de ser caretas! Que papo é esse de "homoafetivos"? Digam logo que vocês fazem sexo também! Para quê tanto moralismo pequeno-burguês? Não querem ser tratados de maneira igual aos héteros, com os mesmos direitos e deveres? Pois então saiam do armário, ora bolas!

Trata-se de um óbvio paradoxo: os militantes gayzistas adoram repetir que sua "luta" é por "dignidade" para os gays etc. Na hora de defender a dignidade da prática homossexual, porém, retiram o time de campo, cobrindo-se com o rótulo anódino de "homoafetividade". Os adversários do casamento gay, como a Igreja Católica, não escondem a dignidade da união sexual tradicional, homem-mulher, voltada para a procriação (e "patriarcal", "de base patrimonial", como diz Lewandowsky). Os gays querem ficar no mesmo patamar de dignidade. Por que então essa conversa mole de "homoafetivo"? Gays não fazem sexo também?

Afinal, por que esse pudor todo ao tratar da questão essencial, que é o direito - e sim, acho que é um direito - de o indivíduo juntar os trapinhos com outro do mesmo sexo? Só consigo achar uma explicação: estão tentanto dessexualizar a relação gay. Com isso, está-se criando uma nova categoria de indivíduo, que se relaciona com o parceiro não mais a partir do sexo, essa coisa feia e suja, mas em padrões mais elevados e espirituais, "fundadas no afeto". Nada mais daquele entrelaçamento de corpos desnudos, aqueles movimentos sensuais, aquilo lá e o lá naquilo, se é que vocês me entendem... Isso é para os héteros, um tipo mais primitivo da espécie humana, que ainda se organiza familiarmente visando à procriação, vejam que coisa mais antiquada. Enfim, um ser não evoluído o bastante para ter uma relação, assim, mais avançada e progressista, "homoafetiva"...

Confesso que jamais imaginei que um dia veria um ministro do STF enaltecer a união homossexual (perdão, "homoafetiva"), descrevendo os praticantes do "amor entre iguais" como seres tão sensíveis, tão puros e angelicais. (Aliás, anjos não têm sexo, não é mesmo?) Até agora eu só tinha visto coisa parecida nas novelas da Rede Globo.

Como já falei, tenho cá meus preconceitos, mas o contra gays não está entre eles. Agora, pela primeira vez, vejo um preconceito transformado em lei: o preconceito "homoafetivo". Pior: mediante o descumprimento da própria Lei Maior. Desde a última quinta-feira, não existem mais, no Brasil, héteros e gays, mas héteros e "homoafetivos". Desde então, também, a divisão de poderes foi para o beleléu. Graças aos ministros do STF e à sua capitulação ao "politicamente correto".

AINDA O DESARMAMENTISMO: EXPLICANDO O DIREITO DE AUTODEFESA (APERTANDO A TECLA SAP)

Esta é do leitor que se assina como João (sobre a questão do desarmamento civil):

OK! Aceito plenamente o direito que todos tem de escolher ter ou não uma arma. Mas pergunto por que esse direito vem na frente de outros? Considero tão essencial como este, o meu direito de escolher ter mais de uma mulher legalmente (poligamia) e o meu direito de escolher usar drogas ou não (sem que esta escolha seja criminalizada). Por que tais direitos não poderiam ser legalizados também?

Simples: porque existe uma coisa chamada senso de proporções.

Igualar o direito à autodefesa - algo tão básico que é reconhecido até pela Igreja Católica - com escolher ter quantas esposas quiser, usar drogas ou não etc., é não saber o significado das palavras "direito" e "escolha". Primeiro, porque, ao contrário do direito à própria segurança, a poligamia é uma questão cultural, não universal - há lugares, como os países árabes, em que ela é permitida juridicamente. Segundo, porque a descriminalização do comércio e uso de drogas ilícitas implicaria em outros danos (sobretudo sociais) além dos que já são infligidos à saúde do viciado (sobre isso já escrevi bastante no blog; basta pesquisar) - nada a ver também, portanto, com o direito legítimo à autodefesa.

Enfim, não há como botar no mesmo saco o direito fundamental de escolher sobre a própria segurança e nada do que está aí em cima. Pelo mesmo motivo que não é possível dizer, sem ofender a Lógica, que o direito à autodefesa significa o direito a ter uma bomba atômica em casa ou a praticar tiro ao alvo nos transeuntes com uma arma de fogo. O direito a ter um carro não me dá o direito a usá-lo para atropelar os pedestres.

Ficou claro ou preciso desenhar?

SOBRE OBAMA. OU: DE COMO SER UM "BOM LÍDER" SEM PRECISAR RESPEITAR A LEI...

Uns dois posts abaixo, respondi um comentário de um leitor chamado Gabriel, que reclamou do fato de eu criticar o Obama, mas não o Bush. Respondi que isso era uma forma de anular culpabilidades, uma tática empregada sistematicamente pelos petralhas no Brasil, sobre a qual já escrevi extensivamente neste blog ("todos fazem igual" etc.). Enfim, faço isso porque não sou "nenhumladista", ou seja: não acredito que malfeitos de ambos os lados resultem em situações do tipo "elas por elas". Aí veio um leitor anônimo e escreveu o que segue:

Elas por elas não! Falemos mal de todos os que tiverem erros e problemas e não só de alguns...

Ok, falemos então. Critico Obama por ser um farsante que esconde a própria nacionalidade, e por surfar na onda alheia. Posso dizer o mesmo de Bush?

A propósito, já que perguntou, terrorismo sionista é tão errado quanto terrorismo islamita.

Engana-se. O terrorismo não se define apenas pelos métodos empregados, mas pela causa, ou ideologia, em nome da qual se mata. Do contrário, ou seja, se é tudo uma questão de "método", pode-se igualar movimentos como a Al Qaeda e a Resistência Francesa contra a ocupação nazista na II Guerra. Um exemplo de terrorismo sionista foi o Grupo Stern, que atuou nos anos 40 contra a dominação inglesa na Palestina - seus membros chegaram a explodir um hotel, com dezenas de mortes civis inocentes, em nome da causa sionista (a recriação do "Israel bíblico" etc.). De forma semelhante, grupos como o Hamas usam o terrorismo a partir de uma interpretação fundamentalista do Corão e visam a instalar uma teocracia islâmica, sendo, portanto, um exemplo de terrorismo islamita. Daí a inocuidade de se falar em "guerra ao terror", expressão que não significa absolutamente nada (ao contrário de terrorismo islamita). Um pouco de estudo faria bem ao leitor.

Quanto a Obama, o problema é que você está hiperdimensionando algo para justificar todo o resto. Caso Obama não tivesse problema algum para ser presidente, mas fosse infiel (como Clinton) isso provavelmente seria motivo para taxá-lo de mau presidente, mentiroso e outros blá blá blá que já há muito ouço. Mas o fato de ser infiel com a esposa ou não ser americano de fato, não faz dele um mal líder. Para ser mal líder é preciso outra justificativa.

O que eu estaria "hiperdimensionando", segundo o leitor, seria o fato de que até agora Obama não provou, por A mais B, que é um natural born citizen, condição indispensável para quem quiser ser presidente dos EUA. É o fato de que, portanto, sua eleição ao cargo pode ter sido ILEGAL - o que, se comprovado, será o maior escândalo político da História dos EUA, capaz de deixar Watergate no chinelo.


A propósito, o que seria o "todo o resto" que eu estaria justificando, segundo o leitor? Acaso seria o fato de que um presidente necessita respeitar as leis de seu país? Pois bem, é isso mesmo que eu defendo.

Pelo que entendi, o leitor entende que rasgar a Constituição que jurou defender não faz de alguém um mau presidente e mentiroso, ao contrário de ser infiel (como teria sido o caso de Clinton) etc. Esquece assim que Clinton quase perdeu o cargo não porque foi "infiel" (isso é entre ele e a Hillary), mas porque cometeu perjúrio numa investigação federal (mentiu sobre ter feito ou não sexo com a estagiária). E isso, convém dizer, é muito menos do que estão acusando Obama.

"Mas e daí se Obama não for americano?", pergunta o leitor, candidamente. É mesmo, e daí? E daí que existe uma Constituição, não é mesmo? Dane-se a Lei, não é verdade? Aliás, para que leis? Para que a democracia?

Enfim, o que caracteriza um MAU (e não "mal") líder é, principalmente, o desprezo pela Lei e pelas instituições. Isso pode ser tolerado em Banânia, mas não numa democracia como os EUA. Todo o resto é blablablá de quem está se lixando para a legalidade.

sexta-feira, maio 06, 2011

O LUTO SINCERO DOS FANÁTICOS E O LUTO ENVERGONHADO DOS HIPÓCRITAS

Como era esperado, a morte de Osama Bin Laden por um comando de elite norte-americano criou mais um mártir da jihad. Em vários países islâmicos - Paquistão, Indonésia, Egito -, milhares de fanáticos islamitas saíram e sairão às ruas para protestar contra os EUA e prantear o "guerreiro sagrado", jurando vingança. A ponto de já se começar a ouvir, aqui e ali, este ou aquele comentarista mais assustadiço: talvez tivesse sido melhor não ter assassinado o chefe terrorista, para "não provocar" os muçulmanos...

Lorota de covardes ou de aliados do terrorismo. O fundamentalismo islamita não precisa de nenhuma provocação para se justificar. Ele alimenta-se a si mesmo, como todo fanatismo. Ou alguém acredita, sinceramente, que, se os Navy Seals não tivessem metido uma bala na cabeça de Bin Laden, os ataques terroristas cessariam e os islamitas se transformariam em democratas?

Entre os que choraram a morte de Bin Laden está o Hamas. O Hamas é uma organização islamita terrorista que jurou destruir Israel e que é apoiada pelo Irã. Assim como a Al Qaeda, o Hamas usa homens-bomba contra alvos civis e deseja instalar um Estado islâmico na Palestina. Há alguns dias, grande parte da imprensa internacional saudou, como uma "esperança de paz", a anunciada reconciliação entre o Hamas e o Fatah, o movimento palestino "moderado". Em 2007, o Hamas tomou o poder na faixa de Gaza e, após um banho de sangue contra seus rivais da Fatah, intensificou seus ataques terroristas contra alvos israelenses, provocando uma guerra com Israel. Porque uma frente unida do Hamas com o Fatah seria uma esperança de paz para o Oriente Médio é algo que desafia minha compreensão.

O lamento dos fanáticos assassinos do Hamas é odioso, mas pelo menos é sincero. Eles não escondem que consideravam Bin Laden um herói. Para eles, o chefe da Al Qaeda era um aliado na jihad contra os infiéis ocidentais etc. No mundo abjeto dos terroristas, seu lamento faz sentido. Outros lamentam a morte do assassino serial, mas por cinismo e dissimulação, não ousam fazê-lo abertamente, escondendo-se por trás de uma cortina de argumentos pretensamente jurídicos e até morais para justificar a cumplicidade com o mal.

"Foi um assassinato puro e simples", escuto aqui e acolá, com diferentes variações, que vão da ingenuidade lacrimosa ao cinismo descarado. Esses humanistas devem crer que um assassino de mais de 3 mil pessoas inocentes, e que viveu apenas para matar, poderia ter sido capturado vivo (tornando-se, assim, um ímã para atentados terroristas) e levado a julgamento (onde? em Wahington? em Haia? em Islamabad?). Multiculturalistas, e sempre preocupados com os pruridos islâmicos (mas, quase nunca, cristãos), consideram a decisão de atirar o cadáver ao mar uma ofensa ao Islã, e indagam se não teria sido preferível enterrar o corpo em algum lugar mais adequado (para que o túmulo se tornasse local de peregrinação para islamitas fanáticos? não, obrigado). Ao contrário desses senhores, acho que os EUA fizeram muito bem em despachar Bin Laden para o diabo que o carregue. O mundo ficou melhor sem ele.

Outros, como o ditador de ópera-bufa venezuelano Hugo Chávez, disfarçam melhor, e usam argumentos menos piegas. "Foi um atentado à soberania", zurrou o Napoleão de hospício, tentando cobrir com brios de nacionalismo ofendido a eliminação de um inimigo da humanidade. Como se o terrorismo da Al Qaeda respeitasse fronteiras nacionais, e como se o governo dos EUA devesse ter comprometido o sucesso da operação ao informar os militares locais, tão confiáveis na luta contra o terrorismo que Bin Laden morava a poucos quilômetros de um quartel do exército paquistanês (o Talibã, aliás, foi uma criação do serviço secreto do Paquistão). Além do mais, alguém duvida que, se a eliminação de Bin Laden fosse uma operação conjunta americano-paquistanesa, e não exclusivamente americana, os inimigos dos EUA iriam deixar de cacarejar do mesmo jeito?

Tipos como Chávez e Noam Chomsky - seu mentor intelectual, e também um dos autores de cabeceira de Bin Laden - estão se roendo por dentro, amargando a morte de um aliado. Do mesmo modo que o ex-frei e ex-cristão Leonardo Boff, que lamentou publicamente terem sido "só" dois, e não vinte e cinco, os aviões que destruíram as Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. Para eles, foi uma derrota. Mas falta-lhes a coragem e a sinceridade necessárias para admitir isso. Não têm a honestidade de reconhecer abertamente que estão com o coração partido pelo desaparecimento do terrorista de estimação. Para gente como eles, assim como para o PT, morreu um inimigo do inimigo. E o inimigo de meu inimigo é meu amigo, pensam. Pela lógica, Bin Laden era, portanto, seu amigo.

Tecnicamente, a morte de Bin Laden foi um assassinato seletivo. Foi algo moral? A meu ver, não só foi moral, como foi uma obrigação. Eliminá-lo fisicamente, assim como aniquilar a estrutura da Al Qaeda, era imprescindível para a eliminação da ameaça terrorista. Essa é a única maneira de combater um inimigo que não tem medo de morrer - ou de convencer outros a morrerem por ele - para levar a morte ao lado adversário (e o lado adversário, nesse caso, são civis). Os que choram a morte de Bin Laden estão cuspindo nas mais de 3 mil vítimas fatais que ele deixou para trás. Como um cão hidrófobo, só restava matá-lo.

Aqui entra uma questão interessante. Barack Hussein Obama está sendo louvado e glorificado por ter mandado o terrorista saudita para o encontro de Alá. Muitos que votaram em Obama o fizeram em oposição aos métodos empregados por George W. Bush na "guerra ao terror". Um desses métodos é a noção de ataque preventivo, que pressupõe táticas como o assassinato seletivo de inimigos. Agora Obama copia Bush, e ordena o assassinato seletivo de Bin Laden. Bush foi execrado, Obama é um herói. Gostaria de saber por quê.

Outro ponto importante: há dois anos, Israel foi execrado na mídia por ter lançado uma campanha para caçar e eliminar terroristas do Hamas na Faixa de Gaza. A condenação a Israel foi praticamente unânime. Um relatório da ONU chegou mesmo a acusar as forças israelenses de bombardearem deliberadamente alvos civis (o que se provou ser uma acusação falsa). Pois bem. O que o governo de Barack Hussein Obama fez que Israel não tem feito sistematicamente? Que diferença há entre matar Bin Laden no Paquistão e eliminar terroristas na Faixa de Gaza? Por que matar Bin Laden é prestar um serviço à humanidade - como de fato o foi - e fazer o mesmo com os membros do Hamas ou do Hezbollah é "genocídio"?

Tais perguntas, obviamente, ficarão sem resposta. Para odiar os EUA, e tudo que ele representa (a começar pela liberdade, artigo desconhecido no mundo árabe e muçulmano), assim como para odiar Israel, não é necessário nenhum fato, nenhum argumento. Basta ser fanático ou idiota. Por extremismo religioso ou por covardia moral, tanto faz. Os inimigos da humanidade perderam um herói. O mundo venceu.

DESARMAMENTISMO. OU: COMO AUMENTAR A SEGURANÇA... DA BANDIDAGEM!

Um leitor incansável, o Julio, está há vários posts tentando me convencer que, como o cidadão pode se machucar ao reagir a um assalto, não deve ter direito a escolher comprar um revólver legalmente. Acredita ele que, como existe a probabilidade de isso acontecer, o mais seguro seria renunciar a esse direito e ficar à mercê do criminoso (ou seja: entre ter uma chance, que pode dar errado, e não ter chance nenhuma, prefere a segunda opção). Eu, claro, discordo. Ainda mais depois de mais esse comentário que ele postou aqui:

Pra começar, probabilidade é matemática e é muito menos aleatória que você julga ser.

Portanto, meu caro, a tua lógica de colocar todos os argumentos da mesma maneira é que é falaciosa. Morrer dirigindo um automóvel não é tão provável quanto morrer ao se reagir a um assalto. Senão caímos na lógica do absurdo que diz "vamos todos morrer mesmo não importa o que eu faça". Que vamos todos morrer é lógico, agora o modo que cada um morre não é igual.

Mas [SIC] do que discutir o direito de escolher ter armas, deveríamos discutir políticas de segurança mais eficazes, já que independente de se poder ter ou não uma arma, não julgo que esta seja a melhor opção para a segurança.


Tá bom, Julio. Probabilidade é matemática etc. e tal. Já me convenceu que, matematicamente, existe 100% de chance de eu levar um tiro se eu estiver armado na hora de um assalto. Também está matematicamente comprovado que, em 100% - cem por cento - dos casos, o bandido não tem a menor intenção de fazer qualquer mal à vítima, reaja ela ou não. Todas as outras probabilidades matemáticas - inclusive a de que o agressor desista de seu intento criminoso ao perceber que a vítima está armada - não passam de fantasias que eu inventei. Aliás, pobre do criminoso, ele não tem culpa de nada; o culpado é o cidadão, que insiste no direito de autodefesa e em colocar, assim, sua segurança (e a do bandido) em risco. Já estou convencido que o desarmamentismo é mesmo o melhor caminho para um mundo de paz e felicidade. Vou agora mesmo abraçar uma árvore.

Ainda assim, tem uma coisa que continua a me deixar encafifado: não tenho a menor idéia de quantas pessoas morrem ao reagirem armadas a um ataque armado. Tampouco sei quantos NÃO morrem ao reagirem (talvez o leitor tenha uma estatística sobre o assunto). Mas desconfio que o número dos que morrem ou ficam aleijados seja bem inferior ao das vítimas fatais no trânsito, que são alguns milhares por ano. Mais uma vez: por que não proibir todos de terem carros? (e facas, e martelos, e espetos de churrasco, e alfinetes...)

Também concordo que mais importante do que discutir o direito de ter ou não armas é uma política efetiva de segurança que garanta que eu possa sair à rua sem medo de ser assaltado. Até porque um direito fundamental e inalienável do indivíduo é o de autodefesa, que não deve, de maneira nenhuma, ser satanizado. Isso é tão básico que nem deveria estar em discussão. A propósito: quando o Estado vai garantir a minha segurança com uma polícia realmente eficiente?

Julio tem todo o direito de achar que ter uma arma de fogo (e saber usá-la) não é o melhor caminho para garantir a própria segurança. Eu penso igual, tanto que usei esse direito que me cabe e preferi não ter uma arma. Considero sagrado seu direito de escolher. Pena que falta reciprocidade, pois ele não acha que devo ter esse direito. Ao contrário, quer que eu renuncie a ele, pois pode ser perigoso para mim mesmo etc. Mais um pouco, e vai me obrigar a escovar os dentes e me proibir de comer carne vermelha.

Enfim, quero poder optar livremente por ter ou não uma arma para me defender e a minha família em caso de necessidade. Julio acha que não tenho esse direito. Além disso, ele acredita que, entre ter esse direito e confiar no senso de humanidade do bandido, a segunda opção é a mais razoável. É, pode ser que ele esteja certo. Em vez de aulas de tiro, técnicas de convencimento com assassinos drogados. Vamos testar as probabilidades?

Enquanto isso, leio na internet que o governo vai reduzir a verba para o policiamento das fronteiras, por onde entram drogas e armas ilegais para abastecer a criminalidade. No mesmo dia em que lança oficialmente mais uma campanha "pelo desarmamento"... É, os desarmamentistas estão certos: a culpa é mesmo do cidadão. Por que não proibi-lo?

quinta-feira, maio 05, 2011

SOBRE OBAMA E OSAMA: RESPOSTA AOS LEITORES

Um leitor anônimo comenta meu texto "De Volta à Realidade". Respondo em seguida:

Bom, mas deixa algumas dúvidas.

1) Obama por vir depois de Bush, só poderia colher o que o primeiro plantou, seja isto algo ruim ou bom. Portanto, não faz sentido dizer que ele colheu o que Bush plantou, isto é óbvio. O que interessa é como ele continuou isto.

Há uma diferenca entre anterioridade e causalidade. O fato de algo vir antes não explica necessariamente o que vem depois. Eu posso dizer "antes de mim, vieram os dinossauros" e isso está correto. Mas não posso dizer: "estou aqui por causa dos dinossauros".

No caso de Obama e Bush, existe claramente uma relação causal, e não somente temporal. Obama matou Osama não porque veio depois de Bush, mas porque Bush decapitou a Al Qaeda. Bin Laden só foi cercado e abatido a tiros no Paquistão porque estava sendo caçado há anos. Desde que, para ser mais preciso, Bush ordenou que as tropas invadissem o Afeganistão e botassem seus assassinos para correr. Portanto, faz todo sentido dizer que Obama está, sim, colhendo o que outros plantaram para ele. Faz todo sentido dizer que Obama está surfando na onda alheia. Aliás, isso me lembra alguém...

2) O que você chama de "terrorismo islamita" é absurdo! Terrorismo é uma coisa, o Islã outra. Ser islamita não significa ser terrorista e nem o contrário. Não existe terrorismo islamita. Existe o Terrorismo!

Essa novilíngua politicamente correta é mesmo uma praga. Escolhi o termo terrrorismo islamita (e não “islâmico”) justamente para diferenciar o terrorismo da Al Qaeda, Hamas e Hezbollah do Islã, e aí vem alguém e me acusa de preconceito... contra o Islã! Francamente, não sei mais o que fazer para ficar nas boas graças dos patrulheiros.


O leitor não sabe a diferença entre islamita e islâmico? Tudo bem, explico: é a mesma diferença que existe entre um fundamentalista cristão e o Papa. Existe, sim, terrorismo islamita, que nada mais é do que o resultado de uma interpretação literal (fundamentalista) do Corão.

Para ficar mais claro: nem todo terrorista é islamita, mas todo islamita é, potencialmente, terrorista. Deu para entender?

Aliás, uma de minhas críticas ao governo de George W. Bush era que, em vez de especificar como inimigo essa variante de terrorismo, preferiu a expressão eufemística de "guerra ao terror", uma fórmula vazia, que significa o mesmo que "guerra à guerra". Por que falar em terrorismo islamita é errado, mas em "terrorismo sionista" não?

Mas a afirmação mais inacreditável de todas é a que vem em seguida:

3) O possível fato de que Obama não seja americano impede ele de ser um bom presidente? A lei não poderia ser revista?

Não só impede, como é motivo para ele perder o cargo e ir parar na cadeia. Ser um bom presidente, seja nos EUA ou em Burkina Fasso, é, acima de tudo, respeitar a lei do país. E falsificar ou sonegar informações referentes à nacionalidade, sua ou de outros, é crime, ponto final. Ainda mais se for para se tornar presidente dos EUA. Richard Nixon é lembrado hoje como um bom presidente – na área internacional, pelo menos –, mas perdeu a cadeira por ter rasgado a lei no escândalo de Watergate. Outros povos menos civilizados podem estar acostumados a ter governantes que debocham das leis e fazem pouco caso da democracia. Nos EUA, é um tantinho diferente.

Mas espere aí, deixe-me ver se entendi direito: então alguém engana o mundo todo e se torna presidente de forma ilegal e inconstitucional, mas, como ele foi um “bom presidente”, então em vez de ser preso, ele é recompensado com uma revisão da Lei – e não uma lei qualquer, mas um artigo fundamental da Constituição? É isso mesmo? Mas afinal, a Lei existe para ser cumprida ou não? E quem deve zelar para que ela seja cumprida não é o presidente da República? Ou deve valer o "rouba (ou mente), mas faz"? Não seria melhor jogar a Constituição no lixo de uma vez por todas?

Ainda que Barack Hussein Obama descobrisse a cura da AIDS, se for comprovado que ele não é, como diz ser, um natural born citizen, estará caracterizada uma das maiores fraudes de todos os tempos. Supor que a lei de um país poderia ser revista no caso dele seria colocar um homem acima da própria Lei e da propria democracia. Aliás, não é outra coisa que os devotos da fé obamista têm feito.

Outro leitor, o Gabriel, é um pouco, digamos, mais explicito:

Bush também não cumpriu todas as suas promessas de campanha, no entanto, você nunca fala mal dele. Isso parece um tanto ilógico: se Obama não faz, então, ele é mal presidente; se Bush não faz, tá tudo bem, foi apenas um lapso. Se Obama faz, é porque Bush já havia preparado o terreno, então, nada tem de significativo para a presidência de Obama; se Bush faz, então, ele é o líder exemplar. Tua crítica ao presidente americano não tem fundamento.

Pois é, né? Agora sou um bushista. Só porque não falo mal dele, que já se aposentou, mas do Obama, que está aí. Nao acho que o governo de George W. Bush esteja livre de críticas, e nisso me diferencio da guarda de ferro obamista em relação ao governo e à figura de Obama. Mas uma coisa tenho de admitir: Bush foi o melhor presidente que o Iraque e o Afeganistão ja tiveram. Já Obama, é o melhor produto que o marketing político já engendrou.

Sem falar no essencial: ninguém põe em dúvida que Bush, com todos os seus defeitos, é americano da gema, de pai e mãe, e portanto cumpriu todos os requisitos necessários para ser presidente dos EUA. Quanto à Obama... Ele pode até ter nascido no Havaí, como mostra o documento que ele escondeu durante três anos e que só agora, com a popularidade despencando e na véspera da operação que matou Bin Laden, ele resolveu mostrar, num show pirotécnico na Casa Branca. Mas as dúvidas sobre seu direito legal a ser presidente dos EUA continuam. Aliás, agora é que a questão vai esquentar para valer.

Ficamos assim: é proibido falar mal de Obama, porque existiu um George W. Bush. Também fica proibido criticar os petistas, porque existem os tucanos. Assim, ficariam todos igualados na mentira, um anularia o outro, e ficariam elas por elas. Muito justo, não?

Querem mesmo que eu responda?

A FALÁCIA DESARMAMENTISTA: ELES NÃO DESISTEM. EU TAMBÉM NÃO!

Eles também defendem o desarmamento...


O tal leitor que assina como Julio insiste em defender o desarmamentismo com um argumento curioso. Ele apela para uma questão, digamos, "técnica" (ou, se preferirem, " de competência") para justificar sua crença de que um mundo sem o direito de escolher ter ou não uma arma de fogo legalmente adquirida seria mais seguro. Vejam o que ele escreveu, após me citar:

Sinceramente quero que se dane o “Viva Rio”. Quero aqui discutir o pressuposto primeiro que você coloca: direito de escolher. Penso que a possibilidade de poder escolher algo é preciso que antes se possa se utilizar adequadamente este algo, senão é imprudência. Estamos falando de algo letal (uma arma de fogo) que tem o poder de ferir e em último caso matar. Portanto, não pode ser comparado com objetos diferentes. Uma faca de cozinha pode ser usada para matar, mas seu caráter instrumental é para cozinhar e não para matar. Já uma arma de fogo é bem diferente. Se ela for ser utilizada para defesa pessoal, espera-se que no mínimo este que a impunha saiba utilizá-la. Por exemplo, eu tenho o direito de escolher ter um carro ou não, mas se eu o tiver e quiser dirigi-lo, devo antes saber dirigir e também tirar uma licença para isto. Com a arma isto não acontece. Com o meu direito de ter uma arma posso tê-la e usá-la sem ao menos saber como se aperta o gatilho. Que segurança um homem pode ter ao possuir uma arma se não sabe como usá-la?

Meu caro, parece que estamos do mesmo lado nessa questão (e não me refiro só ao Viva Rio). O direito de escolher de que falo é o mesmo de que você fala. É evidente que o indivíduo que escolhe ter uma arma de fogo tem o dever – aliás, o dever não: o DIREITO – de aprender a manejá-la corretamente. Do mesmo modo que o cidadão que escolhe comprar um carro necessita antes saber dirigir. Isso é tão óbvio, tão acaciano, que nem me senti na obrigação de repetir essa observação aqui. O direito de escolha diz respeito não somente à compra e ao registro legal de uma arma de fogo, mas também a treinamento etc. De onde o leitor tirou que o que se aplica no caso dos carros não se aplica no das armas de fogo?

A propósito: o caráter instrumental de uma faca de cozinha é cortar, não cozinhar (nunca vi ninguém cozinhando na lâmina de uma faca de cozinha, por exemplo). O caráter instrumental de uma arma de fogo, por sua vez, não é matar, mas sim defender (ou praticar tiro a alvo, se for por esporte). Logo, o que vale para um vale para o outro.

"Que segurança um homem pode ter ao possuir uma arma se não sabe como usá-la?" Nenhuma, claro. Assim como não adianta nada ter uma Ferrari e não saber dirigir. Nem por isso vou sair por aî encampando campanhas demagógicas e oportunistas em defesa do fim do direito de comprar carros. Aviões também podem matar, como se viu no 11 de setembro. Por que não proibir também aviões?

Em todos esses casos, é bom lembrar, trata-se de objetos letais, que podem ser usados para matar. Hoje em dia, para comprar uma arma e registrá-la legalmente o cidadão passa por uma verdadeira via-crúcis burocrática, que dura meses. É muito mais difícil adquirir de forma legal um revólver 32 no Brasil do que comprar um automóvel. Com a proibição, o que já é difícil ficaria impossível, e sobraria apenas o comércio ilegal, com as consequências previsíveis. Além disso, o número de pessoas qualificadas para usar armas de fogo de forma responsável cairia, e não o contrário. Preciso dizer por que isso significaria menos, e não mais, segurança?

Achar que não há probabilidade de um homem que saiba usar uma arma se sair melhor ao utilizá-la do que aquele que não sabe é o mesmo que dizer que treinar e aprender para melhorar em algo não serve de nada. Afinal, creio que alguém que saiba dirigir (e treine diariamente) há dez anos seja melhor na direção do que aquele que nunca apertou o pé num acelerador.

Confesso que fiquei meio confuso depois de ler esse parágrafo. Primeiro, porque não escrevi nada que se assemelhe ao que está aí em cima. Além do mais, já disse que não discuto probabilidades. Pelo simples motivo de que é impossivel discuti-las, por sua própria natureza aleatória. A única coisa que digo, e aproveito para repetir, é que o cidadão tem o direito de escolher ter ou não uma arma de forma legal (eu, por exemplo, escolhi NÃO ter). E é somente assim, aliás, que alguém poderá treinar e aprender a usar uma arma de forma conveniente. Exatamente como no caso dos motoristas. Estou curioso para saber que misteriosa relação existe entre retirar do cidadão honesto o direito a possuir uma arma de forma legal (e a treinar regularmente) e o aumento da segurança. Até agora não vi nenhum argumento consistente que mostrasse a existência dessa relação.

Por fim, reafirmo que uma situação de surpresa é bem diferente. Se alguém já foi rendido pelo assaltante, a probabilidade de uma reação do assaltado terminar mal é bem maior do que se o assaltado resolver passar seu dinheiro para o assaltante. Ainda mais se o assaltado não for preparado para utilizar arma de fogo. Sou velho, gordo, sedentário e nunca sequer toquei em uma arma de fogo. Não acho que numa situação dessas o meu direito de escolher ter uma arma mude a situação de ser assaltado (ou morto).

Mais uma vez: se o leitor quer discutir probabilidades, está perdendo seu tempo. A probabilidade de ser baleado e morrer ao reagir a um assalto é a mesma de não ser assaltado e morto se o bandido souber, ou desconfiar, que a vítima está armada (isso, curiosamente, não se diz). Mesmo assim, vou propor um pequeno exercício. Imagine que você seja um assaltante, estuprador e assassino. Você está ansioso para invadir uma casa e fazer a festa. Naquela rua, você fica sabendo que pelo menos um morador possui arma de fogo. Na outra, voce fica sabendo, por fonte segura, que ninguém tem arma em casa. Que rua voce escolheria para atacar? Melhor: em que rua você, caro leitor desarmamentista, escolheria para morar?

Pense ainda nessa outra situação: alguém botou na cachola que você deve ir desta para melhor e lhe jurou de morte. Ele monta, então, uma emboscada. Armado, ou com o direito a ter uma arma, você tem alguma chance de sair vivo. Sem armas – pior: privado do direito a escolher ter (ou não) uma arma, de forma legal, com nota fiscal etc. –, suas chances de sair vivo a um encontro desse tipo se reduzem drasticamente. A menos que você tenha à sua disposição um ou mais guarda-costas, e a menos que seu assassino desista de lhe matar ou seja ruim de mira, a probabilidade de ele fazer o serviço é bem maior. Há, claro, outra solução: você poderia tentar convencer o assassino na base da conversa ou, se você for muito corajoso, pode tentar peitar o matador no braço. Que filme é esse? “Gandhi”? "Superman"?

O leitor se esquece que o direito a adquirir legalmente uma arma de fogo vem junto do direito a aprender a usá-la. Não está disposto a fazê-lo porque é gordo, velho e sedentário? OK, não tem problema, é um direito seu. Só não venha dizer que isso é argumento para retirar o direito de o cidadão escolher sobre sua própria segurança. Já imaginou a chatice que seria viver numa sociedade em que não houvesse o direito a escolher ser gordo e sedentário, por exemplo?

Enfim, toda a argumentação do companheiro acima pode ser resumida assim:

- Ao ter uma arma de fogo legalmente, você pode morrer (ao reagir a um assalto, por exemplo).
- Logo, ter armas de fogo faz mal para sua saúde.
- Logo, todo cidadão deve ser proibido de ter armas de fogo.

Resolvi fazer uma pequena adaptação, baseada no mesmíssimo raciocínio:

- Ao dirigir um automóvel, você pode morrer (num acidente de trânsito, por exemplo).

- Logo, ter um automóvel faz mal para sua saúde.

- Logo, todo cidadão deve ser proibido de ter acesso a automóveis.

Mude para qualquer outra coisa – facas de cozinha, martelos, pedaços de pau etc. – e a "lógica" será exatamente a mesma. Por que não obrigar todos a ter seis anos de idade? Aliás, parece que é isso mesmo o que quer essa patota.

No começo de seu comentário, o leitor escreveu que eu estaria apelando para insultos. De certa forma, ele acertou. Usar a lógica é mesmo um insulto para quem defende argumentos falaciosos.

terça-feira, maio 03, 2011

DE VOLTA À REALIDADE

Agora que o autor do maior ataque terrorista da História repousa no fundo do mar com um buraco na cabeça, devendo fazer companhia aos peixes (quer dizer, menos para os que acreditam que o homem não foi à Lua ou que Elvis não morreu), acho que vale a pena tecer algumas considerações, como se dizia antigamente.

Primeiro: a morte de Osama Bin Laden (que o inferno lhe seja escaldante) não significa, de maneira nenhuma, o fim do terrorismo. Muito menos do sentimento que o alimenta, o antiamericanismo raivoso e hormonal, tão conhecido por estas plagas. Se têm alguma dúvida, dêem uma olhada nas batatadas que já estão circulando por aí, ou lembrem do que andaram dizendo figuras como Leonardo Boff a respeito da queda das Torres Gêmeas. Daí tirem suas próprias conclusões a respeito.

Segundo: a Al Qaeda já era, e não é de agora. A espinha dorsal da organização terrorista foi quebrada há anos, desde a época de George W. Bush. Há tempos Bin Laden era nada mais do que um símbolo, não tendo qualquer importância prática no esquema terrorista. A Al Qaeda hoje é uma rede espalhada pelo mundo, sem comando único, uma espécie de franquia do terror. Seria uma questão de tempo chegar em Bin Laden. Com ou sem ele, o terror seguirá.

Terceiro: poucos se deram conta, e daqui para a frente quase ninguém vai lembrar, mas somente agora Obama cumpriu sua primeira promessa de campanha - justamente a eliminação do terrorista número um do planeta. E só o conseguiu devido à dizimação da estrutura da Al Qaeda pelo governo Bush, o que começou com a expulsão dos fanáticos de Bin Laden do Afeganistão após o 11 de setembro de 2001. Estão enchendo a bola de Obama, como se ele fosse um herói, mas a verdade é que ele está colhendo o que outros plantaram. Pior: o que Bush - isso mesmo: Bush - plantou.

Muitos já se apressam a dizer que, com a eliminação de Bin Laden, Obama está com a reeleição garantida em 2012. Vamos ver. A popularidade de Obama vinha em queda livre até a semana passada, pois os americanos, quase três anos depois de sua eleição e ascensão ao céu dos politicamente corretos, ainda esperam ver cumpridas todas as demais promessas que ele fez, como a solução da crise econômica e o fechamento da prisão de Guantánamo, o que ele prometeu fazer em um ano. Sem falar em sua política vacilante e, na prática, pró-islamita, em países como o Egito e a Líbia. Obama parece ter percebido que governar um país como os EUA e liderá-lo na luta contra o terrorismo islamita não é tão fácil quanto fazer um discurso "histórico" olhando o teleprompter.

É possível que Obama seja reeleito em 2012, mas não será, certamente, por causa de Bin Laden. Afinal, ele não foi eleito por nada que fez, mas pelo que é - melhor dizendo: pela cor de sua pele. Os americanos votaram num personagem criado por marqueteiros, não em alguém que faz. Obama pode passar um mandato inteiro em branco (sem trocadilho, senhores patrulheiros!) e isso não afetará em nada sua imagem, pois já é "histórico".

Talvez não por acaso, Obama ordenou a operação que despachou Osama desta para pior apenas um dia depois de ter protagonizado uma pantomima inesquecível na Casa Branca. Percebendo o dano que os rumores sobre seu local de nascimento poderiam causar à sua popularidade, já arranhada pelos motivos mencionados acima - apenas 38% da população americana acredita que ele nasceu nos EUA -, o demiurgo resolveu tocar no assunto em público, pela primeira vez. E o fez da maneira que se espera de um produto de marketing: com um verdadeiro espétáculo de pirotecnia e desinformação. A imprensa do mundo inteiro estampou em suas manchetes que Obama havia calado a boca dos birthers, tendo "provado" que nasceu no Havaí, e não no Quênia como dissera em pelo menos duas ocasiões sua avó paterna. Logo os canais de TV de todo o mundo estavam repetindo ad nauseam o mantra: "Obama nasceu nos EUA, ponto final" e não se fala mais sobre o assunto. Aí veio a morte de Bin Laden.

Se eu fosse um cara crédulo, desses que acreditam em duendes e na honestidade de petistas, eu acharia uma tolice essa quizília e me daria por satisfeito com o showzinho de Obama na Casa Branca. Mas fui picado faz tempo pelo mosquito da dúvida, o que faz de mim um desconfiado crônico e patológico. Obama não provou nada, a não ser que é um mestre da enganação. Seu passado continua coberto de brumas, tão cheio de furos quanto um queijo suiço.

Em primeiro lugar, o documento que apareceu no telão durante o jantar de gala na Casa Branca como se fosse um texto canônico não encerra a questão da nacionalidade de Obama, ao contrário do que está sendo divulgado, numa espécie de reinterpretação do dogma papal: Obama locuta, causa finita. Pelo contrário, o papel apenas levanta mais dúvidas sobre o status jurídico da nacionalidade de Obama, visto que a definição constitucional de natural born citizen vai além do local de nascimento (ele poderia ter nascido no alto do Monte Rushmore, mas, filho de pai queniano, continuaria impedido, segundo a Lei americana, de exercer a Presidência). Além disso, toda sua arenga jurando ser americano nato se baseou no ataque ao mensageiro, de modo a que ninguém preste atenção na mensagem. No caso, o mensageiro é o bilionário Donald Trump, pré-candidato à Presidência dos EUA. O público se acabou de rir com as piadas de Obama sobre Trump, que fez fortuna explorando o mau gosto dos americanos por jogos e cassinos. Além do mais - eis o argumento definitivo -, olhem só que cabelo ridículo!

Donald Trump pode ser um palhaço de penteado ridículo, mas tem dinheiro suficiente para não se deixar amedrontar pelo esquema obamista. E fez a pergunta que até agora continua sem resposta: afinal, Obama é ou não é americano? "Ah, mas que importância isso tem?". Além do fato de significar que o atual presidente dos EUA estaria automaticamente inabilitado para o cargo, eu diria: nenhuma. Os esquerdistas que elegeram Obama já decidiram que ele pode ter nascido em Marte e isso não vai fazer nenhuma diferença. Afinal, ele não é uma pessoa: é uma cor de pele. Quem ousar lhe fazer perguntas, como seu local de nascimento e sua ligação com corruptos e terroristas como Bill Ayers e Tony Rezko, é um racista e teórico da conspiração, e ponto final.

Não custa nada lembrar: o ex-presidente peruano Alberto Fujimori passou todo seu mandato jurando de pés juntos ter nascido na terra dos incas. Anos depois, descobriu-se que ele nasceu no Japão. A pergunta que fica é: se isso aconteceu com Fujimori, que tinha muito menos recursos - financeiros e de mídia - à sua disposição, por que não aconteceria com Obama, que tem a seu serviço o mais gigantesco aparato de propaganda da História da humanidade? (Mas novamente vejo alguém balançando a cabeça e repetindo, como a querer convencer-se a si mesmo: "teoria da conspiração, teoria da conspiração"...)

Outro exemplo para pensar: há alguns dias, os autores de um relatório da ONU que acusava Israel de visar deliberadamente alvos civis palestinos durante a campanha israelense contra o Hamas em 2008-2009 foram obrigados a se retratar, reconhecendo que tal acusação era falsa. Na época da guerra, a acusação foi repetida todos os dias, e numerosos governos, inclusive o do Brasil, basearam-se nela para condenar de antemão Israel. Agora a verdade vem à tona. Isso mudará uma vírgula do que disseram então os inimigos de Israel?

Ao contrário do que afirma o ditado popular, a mentira não tem perna curta: suas passadas, na verdade, são bem largas. Para que ela se imponha, basta que se tenham os recursos necessários e que se encontrem pessoas dispostas a ser enganadas. Curta mesmo é a inteligência de quem se deixa engabelar por fraudes como Barack Hussein Obama. Mesmo quando ele presta um serviço à humanidade, o que daí exala é um nítido e indefectível odor de farsa.

DESMONTANDO AS FALÁCIAS DESARMAMENTISTAS



Escreveu um leitor, que se apresenta como Julio Nogueira, sobre meu último post:

Lamento por dizer-te isto, mas teus exemplos para justificarem o seu direito de escolher ter uma arma é tão ingênuo como o do senhor Cortez. Vamos a eles:

Eu também lamento, caro leitor, mas pelo fato de você ter escolhido jogar a Lógica e o bom senso na lata do lixo para defender uma tese indefensável. Vamos lá.

1) - Perdeu, playboy! Passa a grana agora senão te dou um teco na fuça!
- Mas, senhor assaltante, espere só um minuto enquanto eu ligo para a Policia...

Ou então:

- Pode começar a rezar canalha, eu vou te matar!
- Calma, distinto assassino: dê-me apenas uns instantes para eu chamar a viatura policial mais próxima...

Você realmente acha que numa situação destas o sujeito X em questão conseguiria se defender se estivesse armado? Creio que numa situação de surpresa destas o sujeito X teria que ser o Rambo pra driblar o assaltante/assassino, puxar sua arma, mirar e ainda acertar o bandido. Que filme é este? "Missão Impossível"? "007 o agente que nunca morre"?

Não acho nem desacho nada, meu caro. Aliás, não discuto probabilidades. É provável que o sujeito, ao se defender de um assalto, leve um tiro, como é provável que não leve e vire um herói. Ninguém pode fazer nenhum tipo de afirmação taxativa nessa área. Pode ser que, ao sair à rua, eu ache um bilhete premiado de loteria, ou pode ser que eu leve um raio na cabeça. Tenho apenas uma certeza: que, em qualquer das situações descritas acima, a vítima, se estivesse armada, teria pelo menos uma chance de se defender. Pode dar errado? Claro que sim, e é um risco que se assume. Mas pelo menos haveria essa chance. Pense em uma tentativa de assassinato, como o massacre de Realengo: o agressor já chega atirando, pronto para matar. A vítima pode ou não estar armada. Se estiver, ela poderá ou não ser morta. Se não estiver... Bom, aí só apelando para o Viva Rio mesmo.

Acorde, meu caro! Estamos falando do mundo real e nele com arma ou sem arma não há tempo para reação. Vamos a um fato real que aconteceu há alguns anos no RJ:

No mundo real, existem várias possibilidades, e não apenas uma. Mas vamos lá.

O homem estava em seu carro com a namorada na rua. De repente apareceu um bandido gritando:

- Perdeu, playboy! Passa a grana agora senão te dou um teco na fuça!

O homem no carro era um policial e andava armado. Não pensou duas vezes, puxou sua arma e atirou no bandido. Acertou em cheio e matou o bandido. Ponto pra ele, ganhou do bandido no tiro. No entanto, para seu azar, o bandido conseguiu apertar o gatilho e acertou a namorada do policial. O bandido morreu e a namorada morreu! Valeu a pena?

OK, então como existe a possibilidade de algo dar errado numa reação a um assalto, então o melhor é não ter o direito a escolher ter ou não uma arma para se defender. Ou seja: como existe o risco de que alguém mais se machuque, o melhor é ficar à mercê da bandidagem. Ou seja: armas são perigosas, melhor não tê-las. Mais que isso: é melhor não poder escolher. Muito lógico.

Mas vejamos essa outra situação. Um bandido desiste de assaltar alguém à simples visão de que a vítima está, ou poderá estar, armada (nem precisa reagir). Preciso responder se vale a pena?

E nem precisa lembrar: casos assim existem. E só acontecem porque o cidadão (ainda) tem o direito a escolher ter ou não uma arma para se defender. E não adianta procurar estatísticas – como, por exemplo: “ter uma arma aumenta a probabilidade de ser morto num assalto” etc., como se não aumentasse, também, a probabilidade de NÃO ser assaltado. Ou você já viu alguém que acabou de espantar um criminoso a tiros procurar uma delegacia para fazer um B.O.? Quantas pessoas só estão vivas porque estavam armadas? Inútil procurar dados sobre isso.

Isso aconteceu com um homem que foi treinado para usar arma de fogo com pelo menos alguma maestria. Imagine se a situação fosse com um homem comum? Não creio que o resultado fosse melhor!

Pode ser que sim, pode ser que não... Só uma certeza permanece: sem o direito a escolher sobre sua defesa, o indivíduo vira uma presa fácil. Com esse direito, ele pelo menos tem uma chance. Sem ele, não tem chance nenhuma. Não haveria treino que desse jeito.

Em outras palavras, para ver se entendem: pode ser que, ao manejar uma faca na cozinha, eu prepare um belo prato ou tenha um corte profundo, podendo vir a falecer em virtude de homorragia. Deve-se então proibir o cidadão de ter acesso às facas?

Mas tudo isso é bobagem, porque afinal não defendo que o cidadão deva ter armas de fogo em casa. Digo apenas que ele tem o DIREITO DE ESCOLHER tê-las ou não, em vez de deixar essa escolha nas mãos do Estado. Eu, por exemplo, escolhi não ter armas de fogo. E quero continuar a ter esse direito. Parece que é isso que os desarmamentistas menos entendem (ou fingem que não entendem, sei lá).

Em seguida, o leitor me cita novamente, para apresentar uma curiosa teoria sobre os regimes totalitários.

2) o desarmamento civil, com a proibição da venda e posse legal de todo tipo de armas de fogo, foi uma idéia implementada em regimes como os de Hitler e Stálin. Quem poderia proteger o cidadão desses regimes?
Resposta:

Hitler: O povo alemão em massa apoiava o partido Nazista. Por que você acha que, mesmo armados, o povo representaria algum tipo de resistência?

Argumento interessante. Pode ser resumido assim: o povo alemão amava Hitler (e os judeus e dissidentes? deixa pra lá), logo não importa se tivesse o direito a se armar, porque não representaria nenhum tipo de resistência ao regime etc. Nesse caso, seria mais lógico a ditadura nazista ter permitido a todos possuírem armas legalmente, não acha? Sim, porque se todos amavam o tirano, então por que retirar-lhes esse direito?

Imagino que os nazistas assim procederam porque o INDIVIDUO, nesse tipo de regime, precisa ser domado e submetido pelo Estado. Daí a primeira coisa que tais tiranias fazem é desarmar a população. Isso porque sabem que, armados – ou com o direito a ter ou não uma arma de fogo legal –, é mais difícil transformar todos em militantes e vacas de presépio do Partido.

Stalin: O governo de Stalin foi um dos mais (senão o maior de todos) tiranos do mundo. Por que você acha que o homem comum conseguiria resistir ao "governo de ferro" mesmo que armado? Acho que Stalin teria um motivo a mais para trucidar ainda mais a população.
Até.

Pois é. Stálin, assim como Hitler, trucidou a população porque esta estava desarmada. Será que ele poderia ter feito o que fez se encontrasse pela frente individuos em pleno gozo de seus direitos (como o de armar-se, por exemplo)? Vai ver foi exatamente por isso que ele desarmou a todos.

Outro leitor, o Eduardo Cortez, confirmou minha impressão de que não entendeu patavina do que escrevi a respeito do assunto (ou, então, é um grande gaiato mesmo). Vejam como ele interpretou o direito de escolha:

Mas o que é isso? Quer dizer que o que deve prevalecer é o meu direito de escolher? Que seja!

Quero então, ter o direito de poder escolher ter ou não ter uma bomba em casa. Quero também ter o direito de escolher ter mais de uma mulher legalmente. Quero ter o direito de escolher dirigir na contra mão, ultrapassar o sinal vermelho, andar pelado na rua, cobiçar e obter a mulher do próximo, gritar num hospital, pegar o que eu quiser na feira, sem que seja punido por isso. Também quero ter o direito de escolher se atiro ou não atiro com minha arma no cachorro do vizinho, ou quem sabe o direito de escolher entrar em qualquer residência ao meu bel-prazer?

Com esse teu DIREITO DE ESCOLHER podemos ir longe. Por que não deixar o Irã escolher se quer ter ou não quer ter uma bomba atômica?

O argumento é o mesmo, mas creio que nesse caso você seria do contra, não é mesmo?

Ai, ai... É assim que esse pessoal entende o direito a escolher sobre sua própria segurança. Direito que os norte-americanos e os suiços, para citar apenas alguns povos bárbaros, têm garantido em suas constituições. Ter o direito a escolher – nem falo em ter ou não, mas em poder escolher – comprar um revólver ou uma espingarda legalmente registrados é o mesmo que escolher ter uma bomba em casa, casar com quantas mulheres quiser, dirigir na contra-mão, ultrapassar o sinal vermelho, andar pelado na rua etc. Só faltou – aliás, não faltou, não – dizer: “e por que não ter uma bomba atômica”?

Nem precisaria comentar nada aqui, mas lá vai: para gente que “pensa” desse jeito, não existem direitos, mas somente “licenças”, o abuso de direitos. Não haveria o direito de o indivíduo decidir pela sua própria segurança, portanto, porque isso seria abrir um precedente: “hoje ele tem um revólver 32; amanhã terá um avião bombardeiro” etc.

O leitor não tem qualquer senso de proporções, e acha que elaborou um argumento brilhante. Não sabe a diferença entre poder escolher ter ou não uma arma de fogo de forma legal e ter uma bomba de nêutrons. Eu me surpreenderia se ele soubesse a diferença entre uma mosca e um rinoceronte.

Para ficar mais claro, vou tentar reproduzir aqui o mesmo raciocínio do leitor aplicado a outro exemplo:

Mas o que é isso? Liberdade de ir e vir? Que seja!

Quero ter a liberdade, então, de pisar no calo do sujeito mais próximo, de chutar mendigos na calçada, de sapatear em cima de cimento molhado, de dar pontapé em velhinhos e criancinhas etc.

Viram que lógica fantástica?

Enfim, esta foi uma pequena mostra de como funciona a mente dos desarmametistas, essas pessoas maravilhosas e inteligentíssimas, como se acabou de ver.

segunda-feira, maio 02, 2011

AINDA A RELIGIÃO DESARMAMENTISTA: RESPOSTA A UM CRENTE



Um leitor, o Eduardo Cortez, pelo visto não entendeu o post "Minha Conversão ao Desarmamentismo". Eis o que ele escreveu a respeito:

Independente de se ter arma ou não em casa, eu pensava que o dever do Estado era proteger o cidadão. Se todos precisamos de armas para nos defender, pergunto-te pra que Polícia e pra que Estado? E por favor, refiro-me a estes como instituições universais que existem em (quase) todos os países, não estou falando só de Brasil ou governo de X ou de Y.

Em Filosofia existe uma coisa chamada "falsa dicotomia". Trata-se de uma falácia, ou seja, um falso argumento, bastante comum. É algo que pode ser exemplificado pelos seguintes raciocínios: "Fulano é contra o desarmamento civil; logo, ele é a favor de que todos tenham armas". Ou: "Beltrano defende o direito de o deputado Bolsonaro falar suas besteiras; portanto, ele é um homofóbico e racista" etc.


É claro que isso é uma grossa empulhação. Na melhor das hipóteses, demonstra falta de coordenação neuronial. Na pior delas, denota desonestidade. Vamos lá.

Em primeiro lugar, eu NÃO disse que todos precisam de armas para se defender. Procure em todos os textos que escrevi a respeito, e você não vai encontrar nada que se aproxime, sequer remotamente, dessa afirmação. O que disse, e repito, foi o seguinte: todos têm - ou melhor: devem ter - o DIREITO DE ESCOLHER. Escolher o quê? Ter ou não uma arma de fogo legalizada, se assim acharem necessário para sua própria segurança (ou mesmo para fins recreativos, como num clube de tiro etc). O que querem os arautos do desarmamentismo civil? Acabar com esse direito. O que acho disso? Sou contra, claro.

Não é preciso ser fã de armas de fogo para perceber a tremenda enganação que é a idéia do "desarmamento civil". Tampouco é necessário ser membro da National Rifle Association e ter um arsenal em casa para perceber o risco que tal lei, se aprovada, significaria para a liberdade individual. No caso, uma das liberdades mais fundamentais: a de escolher sobre sua própria vida. Sem falar no perigo para a segurança de cada um.


O leitor me pergunta, e quero crer que o faz a sério: pra que Polícia e pra que Estado? etc. Tudo bem, meu caro, eu respondo: para me proteger, entre outras coisas que justifiquem o imposto que eu pago. Proteger de quem? A melhor maneira de responder essa pergunta é com um diálogo:

- Perdeu, playboy! Passa a grana agora senão te dou um teco na fuça!
- Mas, senhor assaltante, espere só um minuto enquanto eu ligo para a Policia...


Ou então:

- Pode começar a rezar canalha, eu vou te matar!
- Calma, distinto assassino: dê-me apenas uns instantes para eu chamar a viatura policial mais próxima...

Uma pergunta final: o desarmamento civil, com a proibição da venda e posse legal de todo tipo de armas de fogo, foi uma idéia implementada em regimes como os de Hitler e Stálin. Quem poderia proteger o cidadão desses regimes?

É a isso que os devotos da religião desarmamentista querem nos levar. Sem o desarmamento, existe a possibilidade de o cidadão escolher ou não se defender. Com o desarmamento, a escolha passa a ser entre fugir ou rezar. Preciso responder - ou melhor: repetir - qual opção eu escolheria?

Há somente duas maneiras de ser favorável à idéia desarmamentista: sendo desonesto ou sendo ingênuo. Posso estar enganado, mas creio que o leitor acima se enquadra nessa segunda categoria. Se bem que, depois do auê todo que o Viva Rio e a Rede Globo fizeram depois do massacre na escola do Rio, estou começando a achar que de ingênuos os devotos desarmamentistas não têm nada...

A MORTE DO SERIAL KILLER

Os inimigos da liberdade estão de luto. Um dos mais cruéis assassinos em série de todos os tempos foi eliminado. Responsável por milhares de mortos, inclusive inocentes e menores de idade, era procurado em todo o mundo por seus crimes.

Homicida frio e verdadeira máquina de matar, era um inimigo jurado dos EUA e do Ocidente. Havia prometido destruir a democracia onde quer que existisse, e substituí-la por uma das piores formas de tirania já concebidas. Ordenou o extermínio de centenas, muitos dos quais executou com as próprias mãos. Criminoso facinoroso e covarde, tinha no terror sua principal arma. Um inimigo da humanidade.

Eis sua foto:

Oops! Foto errada. Na verdade, eu estava me referindo a esse aqui:




P.S.: É óbvio que a morte de Bin Laden é uma boa noticia, e que a justiça foi feita. Mas engana-se quem pensa que ela significará o fim do terrorismo. Do mesmo modo que a morte do porco fedorento Ernesto ”Che” Guevara na Bolívia não significou o fim, ou mesmo a diminuição, do antiamericanismo esquerdopata mais bocó, muito pelo contrário. Basta ver a quantidade de idiotas que veneram o dito-cujo. Na realidade, existe o risco de a morte de Bin Laden significar o surgimento de um mito. Mesmo assim, celebremos essa vitória da liberdade. Osama Bin Laden agora vai fazer companhia a outros, como Saddam Hussein, na galeria dos que, ao partirem desta para (espero) pior, não vão deixar nenhuma saudade. Que a terra lhe seja pesada. Já vai tarde.

quinta-feira, abril 28, 2011

A INCRÍVEL SABEDORIA DO DEPUTADO BBB (OU: O SOCIALISMO GAYZISTA)

Em breve, isso poderá tornar-se ilegal


O deputado Jean Wyllis (PSOL-RJ) é mesmo do balacobaco, como se dizia antigamente. Membro da multidão de "famosos" e nem tanto que costumam lançar-se candidatos a cada eleição, o ex-BBB aproveitou os quinze minutos de fama instantânea adquirida na gincana televisiva para se candidatar a, e ser eleito, deputado federal. Mas não um deputado qualquer, senhoras e senhores. Gay assumido, ele é um parlamentar GLBT – ou GLBTBBB, como quiserem.

Jean Wyllis é um personagem emblemático, mais até do que o colega Tiririca, vindo, assim como ele, do mundo (ou submundo) da televisão. Ele é, digamos, um símbolo de nosso tempo. Depois de ter ganho uma bolada como vencedor do BBB – não assisti à edição, pois não assisto a esse programa idiota, mas ouvi dizer que foi a maior melação –, ele resolveu se dar um ar "sério", vestindo terno e gravata, pondo óculos e deixando a barba crescer. Isso para defender, como sua principal bandeira – aliás, a única –, o chamado "movimento gay". Mais especificamente: o PLC 122/06, apropriadamente chamado de Lei da Mordaça Gay - o tal projeto de lei bolado por uma deputada petista que, se aprovado, punirá com cadeia qualquer manifestação de "homofobia". Gostaria de saber o que o deputado entende por "homofobia", já que o próprio PLC 122, de tão vago, não deixa claro do que se trata. Gostaria também de saber em que exatamente um projeto como esse irá contribuir para a democracia.

Jean Wyllis não se abala, e, diante das críticas, vindas principalmente de setores religiosos, resolveu emitir uma proclamação. Eis o que escreveu sua excelência, entre outras gemas de sabedoria aprendidas na escola Pedro Bial de filosofia:

"O PLC 122 , apesar de toda campanha para deturpá-lo junto à opinião pública, é um projeto que busca assegurar para os homossexuais os direitos à dignidade humana e à vida. O PLC 122 não atenta contra a liberdade de expressão de quem quer que seja, apenas assegura a dignidade da pessoa humana de homossexuais, o que necessariamente põe limite aos abusos de liberdade de expressão que fanáticos e fundamentalistas vêm praticando em sua cruzada contra LGBTs".

Muito bem, deputado Jean Wyllis. O PLC 122 é um projeto maravilhoso e o Brasil, pelo que se depreende de suas palavras, é um campo de extermínio de homossexuais, onde estes vêem sua "dignidade de pessoa humana" constantemente ameaçada (com a maior parada gay do mundo? deixa pra lá...) etc. etc. Pergunto apenas: as demais leis existentes, a começar com a Constituição Federal, não asseguram para os homossexuais, assim como para qualquer cidadão, os "direitos à dignidade humana e à vida"? Se alguém assassinar um gay, por exemplo, não irá ser preso e condenado por homicídio? Acaso o juiz irá perguntar a opção sexual da vitima ou do agressor antes de determinar a sentença? (O mesmo no caso de gays que matam, e casos assim, embora o deputado Jean Wyllis possa discordar, existem.)

Outra coisa que acho que não entendi direito: se o PLC 122 "não atenta contra a liberdade de expressão de quem quer que seja", como diz o deputado, o que significa exatamente "pôr limite aos abusos de liberdade de expressão"? Seria proibir padres católicos e pastores evangélicos de citarem a Bíblia? E todos os que fizerem isso são, portanto, "fanáticos e fundamentalistas em cruzada" contra a santa causa LGBT? E os que contarem piadas de bichinha, também se enquadram nessa categoria? Torcedores de futebol que chamam de "viado" os juizes e jogadores adversários são todos carolas e fanáticos, e devem ser impedidos de xingar? Quem irá decidir o que é e o que não é "abuso da liberdade de expressão"? Talvez o deputado Jean Wyllis e a Rede Globo.

Em sua "resposta", o sábio Jean Wyllis afirma não se pautar pelo que diz a Epístola de S. Paulo aos Romanos, mas pela Constituição. Posso estar enganado, mas acho que o deputado ex-BBB esqueceu que a Constituição do Brasil garante a igualdade de todos perante a Lei. E que isso vale para os homossexuais, os heterossexuais, os panssexuais e a torcida do São Cristóvão. Todos têm o direito legal a receber e exigir o mesmo tratamento, indistintamente, no serviço público.

Mas Jean Wyllis e seus amigos gayzistas não estão contentes com isso. Eles querem mais. O quê, exatamente? Querem ser tratados como seres diferentes, e não iguais em direitos e deveres. Diferentes como? Superiores, acima dos demais mortais. Em outras palavras: querem privilégios, pura e simplesmente. Tal como o de ser tratado com reverência sacramental, acima de qualquer crítica e mesmo de qualquer gracinha.

Na prática, graças à ditadura cotidiana do "politicamente correto", os gays e assemelhados já dispõem desse tratamento VIP nos meios de comunicação, como já cansei de escrever aqui. Agora querem porque querem que isso esteja escrito em Lei. Em resumo: querem ser tratados como indivíduos especiais. Parece absurdo? E é mesmo. Um absurdo abençoado e crismado pela Rede Globo e pelo BBB.

Que alguém veja dignidade e decência em dois marmanjos ou duas mulheres fazerem o que quiserem na cama, não é problema meu, cada um tem suas proprias idéias a respeito. Trata-se de uma questão puramente individual, pertencente unicamente à esfera privada. Do mesmo modo – o que é geralmente esquecido –, ter ou não preconceitos, nessa ou em outra área. O que não se pode nem se deve aceitar de jeito nenhum é que isso signifique a imposição de um "direito" acima dos de outros. Pouco importa se os que se opõem a essa iniciativa sejam "fanáticos e fundamentalistas". Aliás, corrijam-me se estou errado, a liberdade religiosa ainda é um dos pilares da democracia.

Ainda assim, Jean Wyllis acha que o PLC 122 não afronta a liberdade de expressão. Ele acredita, quero crer que sinceramente, que a tal lei é compatível com a democracia. Não é difícil entender por que ele pensa assim. Afinal, o partido político ao qual se filiou tem como símbolo um sol sorridente e se chama "Socialismo e Liberdade". Para quem defende aberrações como o PLC 122, nada mais natural do que ser eleito por um partido que estampa em seu nome dois termos antagônicos e inconciliáveis, um verdadeiro oxímoro.

Já falei e repito: não tenho nada contra os gays, mas contra o gayzismo. São duas coisas distintas. Se você não sabe a diferença, eu explico. A primeira é uma opção sexual e diz respeito unicamente à pessoa que a faz, ou que a tem, sei lá, desde criancinha. A segunda é uma ideologia política. Há homossexuais que não sao gayzistas e há militantes GLBTT que são héteros. Jean Wyllis, por acaso, é gay e gayzista. Um ativista do socialismo gay. Do mesmo modo, não tenho nada a favor do que dizem os evangélicos sobre o "amor entre iguais", mas nem por isso vou me dar o direito de querer ensinar religião a pastores e padres, determinando que passagem da Bíblia deve e qual não deve ser levada a sério. Por que não reescrever o livro ou queimá-lo? Seria mais honesto.

No começo deste texto, falei do Tiririca. O palhaço pelo menos tem a seu favor o fato de não se levar a sério. Já Jean Wyllis, com seu discurso de bom-moço e sua militância gayzista, acredita-se mesmo um benfeitor da humanidade. Pior que um ex-BBB, só um ex-BBB com agenda política.

sábado, abril 23, 2011

MINHA CONVERSÃO AO DESARMAMENTISMO

Acho que cometi uma injustiça com os defensores do desarmamento civil. Desde o último texto que publiquei sobre o assunto, sou atormentado pela impressão de que posso ter sido duro demais com essas pessoas maravilhosas, que só querem o bem de todos e a paz para a humanidade.

Por isso, resolvi me redimir comigo mesmo e com minha consciência. Sensibilizado com os argumentos da Rede Globo e do Viva Rio, que aproveitaram o morticínio em uma escola no Rio de Janeiro por um demente para ressuscitar a idéia de que as armas de fogo adquiridas legalmente por cidadãos honestos são a raiz de toda a violência no Brasil e no mundo, resolvi me converter de vez à religião desarmamentista. Decidi renunciar definitivamente a meu direito de escolher ter ou não um revólver 32 comprado num estabelecimento legalizado e engrossar a legião dos que vestem branco e fazem passeata "pela paz".

Mas, para isso, vou fazer apenas algumas exigências. Aceito não mais ter o direito de decidir sobre minha segurança e de minha família, passando a confiar unicamente em nossas competentíssimas autoridades policiais, desde que sejam atendidas as seguintes condições. Ei-las:

- Que todos os bandidos, em especial os assaltantes de bancos e os narcotraficantes, sigam esse meu exemplo cívico e entreguem também suas armas, como fuzis automáticos e metralhadoras, em nome de um mundo melhor, de paz e de amor;

- Que loucos psicopatas como o assassino da escola de Realengo - que adquiriu suas armas ILEGALMENTE, repita-se - façam o mesmo, diminuindo assim a probabilidade de novos massacres;

- Que o ilustríssimo senador José Sarney, bem como os juízes que defendem o desarmamento civil, aposentem igualmente os carros blindados que costumam usar e os guarda-costas que estão a seu serviço, pagos com dinheiro público - afinal, eles também estão armados;

- Que a excelentíssima ministra dos direitos humanos (rarará), Maria do Rosário, que retirou da gaveta a idéia de um novo plebiscito sobre o desarmamento, devolva o dinheiro que recebeu durante sua campanha à deputada da fábrica Taurus pois, ao aceitar essa ajuda financeira de um fabricante de armas de fogo, que, segundo ela, contribuem para a violência, está assumindo que contribui, ela também, para a violência;

- Que se proíbam facas e outros objetos letais, como grampos e garfos, ou canetas de ponta fina, já que armas de fogo devem ser proibidas porque ferem e matam; melhor: que se proíbam também pedaços de pau e pedras, e que qualquer indivíduo de posse desses objetos de morte, como lenhadores e pedreiros, sejam presos e processados por porte ilegal de arma;

E, finalmente:

- Que se dê uma resposta racional e lógica à seguinte pergunta: se proibir o comércio legal de armas de fogo e desarmar a população é solução para a violência, então por que, nos EUA, onde o comércio é legal, está provado que mais armas significam menos crimes, e não o contrário?

Ou então:

Por que, se armas de fogo nas mãos de cidadãos de bem significam mais violência, países como a Jamaica, onde as armas são proibidas, têm uma taxa de criminalidade muito maior do que a Suiça, onde cada cidadão pode ter um fuzil debaixo da cama?

Estou disposto a abjurar tudo que escrevi até hoje sobre o tema, e a me tornar o mais ativo dos militantes anti-armas e pró-desarmamento civil, se qualquer uma das condições acima (nem é preciso que sejam todas) for atendida. Prometo virar o maior inimigo de tudo que dispara, corta, fura ou contunde. Prometo também cantar 100 vezes, todos os dias, "Imagine", de John Lennon e abraçar a árvore mais próxima.

Como viram, é muito fácil me converter à causa desarmamentista. E aí, Viva Rio, vai encarar?

quinta-feira, abril 21, 2011

PEQUENA GALERIA DE VULTOS DA HUMANIDADE

A seguir, apresento uma série de breves biografias de algumas figurinhas carimbadas do álbum da esquerda. Vai em ordem cronológica. Vocês verão o tipo de gente humanista e amante da liberdade que são os ídolos de nossos esquerdistas, essas pessoas, como se sabe, maravilhosas e do bem, que só querem o melhor para a humanidade. Começo com o pai de todos. Vejam como eles defendem o bom, o belo e o justo.

Como diz o velho ditado (que acabei de inventar): dize-me quem veneras e eu direi quem és.


Karl Marx (1818-1883) - Nos livros de História, é o filósofo e economista alemão fundador do chamado "socialismo científico", um dos mais importantes pensadores da humanidade. Na vida real, foi um notório racista e eurocêntrico, defensor do extermínio de raças inteiras, além de farsante contumaz, que falsificava dados econômicos para favorecer suas teses, que apresentava sob um falso véu "científico", mediante as quais pregava o "fim inexorável" do capitalismo.


Fundador e primeiro presidente da Associação Internacional dos Trabalhadores, jamais trabalhou, tendo sido durante toda a vida um parasita social, sustentado, juntamente com sua família, pelo amigo Friedrich Engels (1820-1895), rico herdeiro de uma indústria de tecidos em Manchester, Inglaterra.


Democrata radical, expulsou os seguidores de Bakunin do movimento que fundou, enquanto denunciava o autoritarismo dos governos europeus de sua época. De origem burguesa e judia, odiava burgueses e judeus. Casado com uma aristocrata, demonstrou todo seu amor ao proletariado engravidando a empregada, de quem, como bom progressista, tratou de se livrar junto com a criança, mandando-as embora.


Economista genial, até hoje é levado a sério por causa, entre outras coisas, de sua teoria do empobrecimento gradativo da classe operária, realidade que pode ser facilmente atestada em qualquer país europeu ou nos EUA.


Embora ateu, concebeu uma teoria essencialmente escatológica com traços messiânicos e apocalípticos, que descambou na maior máquina assassina da História da humanidade - e, paradoxalmente, numa forma de religião estatal. Mas ainda há quem acredite que ele não teve nada a ver com o que veio depois, coitado.



Vladimir Lênin (1870-1924) - Discípulo fiel de Marx e Engels, passou à História como o principal líder da Revolução bolchevique de 1917 na Rússia, que inaugurou o primeiro Estado socialista da História, a URSS, da qual foi o primeiro governante. No mundo real, foi o idealizador do partido comunista vertical e centralizado, sem lugar para divergências, e primeiro ditador soviético, responsável por milhares de mortes.


Grande humanista, foi responsável por milhões de mortes na grande fome de 1921-1922 e criou os primeiros campos de concentração, tendo sido o mentor e criador do totalitarismo comunista. Maquiavélico no pior sentido da palavra, livrou-se dos partidos que lutaram juntamente com os bolcheviques para derrubar o czar e o governo provisório, dando início à repressão comunista.


Pertencente à nobreza, como tantos revolucionários, dirigiu seu ódio a essa classe social em particular, após o enforcamento, durante sua adolescência, de seu irmão mais velho, por este ter participado em uma conspiração para assassinar o czar.


Após a "desestalinização" iniciada por Krushev em 1956, os dirigentes soviéticos tentaram dissociar sua imagem do terror stalinista. A farsa durou algum tempo, tendo vindo abaixo depois do colapso da URSS em 1991. Foi o guru de Stálin - e de Mao, de Fidel Castro, de Kim Il-Sung, de Ceaucescu...



Josef Stálin (1878-1953) - Ditador psicopata e genocida, seu nome tornou-se sinônimo de terror e totalitarismo. Começou a carreira de revolucionário profissional assaltando bancos a mando de Lênin.


Amante da arte e da cultura, amigo das crianças e das flores, tanto que não permitia nenhuma manifestação cultural que não fosse aprovada pelo partido, perpetrou alguns dos piores massacres da História, como a grande fome ucraniana de 1932-1933, com dezenas de milhões de mortos. Paranóico, instaurou o terror absoluto na URSS em gigantescos expurgos, que incluíram as Forças Armadas e alguns de seus mais próximos colaboradores. Antissemita, aliou-se a Hitler em 1939, assinando com este um "pacto de não-agressão" pelo qual os dois ditadores dividiram a Polônia e deflagraram a II Guerra Mundial.


Segundo o historiador russo Dimitri Volkogonov, foi o grande culpado pela II Guerra Mundial, que planejava desencadear, tendo sido surpreendido por Hitler, que atacou a URSS em 1941. Vangloriava-se de ter derrotado os nazistas, mas só o conseguiu devido à ajuda dos EUA e da Grã-Bretanha.


Após a guerra, usou as armas doadas por Roosevelt para expandir o comunismo para o Leste Europeu à ponta de baioneta, dando início à Guerra Fria. Antes de morrer, completamente senil, planejava um novo expurgo, dessa vez contra os judeus. Seu reino de terror levou à morte de mais de 30 milhões de pessoas. É o ídolo do PCdoB e de Oscar Niemeyer.



Leon Trotsky (1879-1940) - Figura estranhíssima, um dos líderes da Revolução Russa de 1917 juntamente com Lênin. Foi, assim como aquele, um assassino serial e um defensor do extermínio de classes inteiras. Mas muitos o têm, sabe-se lá por quê, na conta de antitotalitário.


Um dos arquitetos do Estado totalitário soviético, criou o Exército Vermelho, que usou para reprimir de forma sangrenta revoltas contra os comunistas no poder. Inimigo figadal da democracia e da sociedade "burguesas", terminou sendo vítima da própria máquina repressiva que ajudou a montar: tendo perdido a disputa pelo poder para Stálin, foi por ele deportado da URSS em 1929 e por fim assassinado por um agente stalinista no México, em 1940.


O cerne do trotskismo é a teoria da "revolução permanente", segundo a qual o socialismo, para triunfar em um país, precisa ser implantado em nível mundial. Em outras palavras, o que se estabeleceu na URSS não deu certo porque a revolução não se espalhou pelo mundo todo... Seus seguidores, que se dividiram em inúmeros grupelhos, cada um mais radical e trotskista do que o outro, estão há décadas tentando ressuscitar a IV Internacional, fundada por ele em oposição à III Internacional (Comintern).


Sua oposição ao stalinismo (mas não à ditadura comunista) e sua morte trágica, assim como sua origem judia (que sempre renegou), deram-lhe uma aura de "profeta expulso" e de "mártir" revolucionário contra o "burocratismo stalinista". É o D. Sebastião da esquerda radical, herói maior do PSTU e do PCO.


Antonio Gramsci (1891- 1937) - Conhecido por sua teoria do "bloco histórico" e da "conquista da hegemonia", segundo a qual os comunistas deveriam se concentrar na batalha cultural, mediante a ocupação de espaços na superestrutura da sociedade. Fingido e dissimulado, para dizer o mínimo, sua teoria baseia-se na idéia de que os comunistas devem partir para a busca da hegemonia cultural, em primeiro lugar, para depois consolidar seu poder político e econômico. Não surpreende que seja uma espécie de Dale Carnegie da esquerda, idealizador de uma estratégia revolucionária disfarçada que foi adotada entusiasticamente por partidos como o PT. O fato de ter sido prisioneiro político do regime fascista de Mussolini (que começou no Partido Socialista Italiano, diga-se) apenas reforça sua aura de "mártir" comunista.

Mao Tsé-Tung (1893-1976) - Principal líder da revolução comunista chinesa e fundador do Estado comunista chinês, foi o maior assassino em massa da História - o número de mortes pelo regime que comandou chega a cerca de 75 milhões de pessoas, provocadas, em particular, pela fome em massa decorrente do desastroso "Grande Salto Adiante" e pela chamada "revolução cultural" - o movimento de destruição da cultura chinesa tradicional em favor do culto de sua personalidade por legiões de adolescentes fanatizados, em 1966-1969.


Tirano cínico e megalomaníaco, conhecido como O Grande Timoneiro, quis rivalizar com a URSS pelo controle do movimento comunista internacional. Invadiu e anexou o Tibete em 1959, promovendo uma limpeza étnica. Gostava de deflorar mocinhas e, dizem, também rapazes. Foi um dos tiranos mais sanguinários de todos os tempos, fonte e inspiração para o Khmer Vermelho do genocida Pol Pot no Camboja. Os chineses de hoje, mais interessados em ganhar dinheiro, têm certa vergonha em lembrar dele, apesar de ser o seu rosto bolachudo a estampa da moeda local. Mesmo assim, ainda tem fãs no exterior. Gente como o filósofo e Guarda Vermelho tardio Slavoj Zizek, que vê profunda sabedoria em seus ensinamentos, assim como vê em A Noviça Rebelde.



Ho Chi Mihn (1890-1969) - Passou para a História como o líder de um movimento de libertação, primeiro da dominação colonial francesa e depois contra os norte-americanos, um símbolo da vitória do mais fraco contra o mais forte, imagem reforçada pela aparência frágil. Foi, na verdade, um típico ditador comunista, chefe da repressão no Vietnã do Norte e mentor da agressão vietcongue ao Vietnã do Sul, fato que desencadeou a Guerra do Vietnã. Patrocinou atentados terroristas e massacres, como o de cerca de 3 mil pessoas na cidade de Huê durante a Ofensiva do Tet (1968) - fato que praticamente não foi noticiado na imprensa ocidental durante o conflito.



Fidel Castro (n. 1926) - O ditador mais longevo do Ocidente é mesmo uma figuraça. Admirador de Hitler e de Franco na juventude, começou a carreira de revolucionário distribuindo tiros como gângster estudantil. Farsante ideológico, mentiroso patológico e mitômano, enganou a todos, a começar pela CIA e pelo New York Times, fazendo-se passar por democrata e anticomunista para tomar o poder e instalar sua ditadura pessoal, juntamente com seu irmão Raúl e os comunistas cubanos.


Humanista ao extremo, é responsável por cerca de 100 mil mortos na ilha-prisão de Cuba, dos quais 17 mil fuzilados. Quase levou o mundo a uma guerra nuclear em 1962, ao defender um ataque nuclear soviético aos EUA. Deu dinheiro, armas e homens para movimentos terroristas na América Latina, África e Ásia nos anos 60/70/80. Auto-proclamado inimigo do imperialismo e defensor do Terceiro Mundo, aplaudiu com entusiasmo a invasão soviética da ex-Tchecoslováquia em 1968 e do Afeganistão em 1979, provando assim que esse negócio de terceiro mundo é mesmo coisa do submundo.


Campeão das boas causas e nada homofóbico, mandou prender e encarcerar homossexuais em campos de "reeducação" nos anos 60. Megalomaníaco, perseguiu a Igreja Católica e os intelectuais. Arruinou Cuba, antes um país próspero, levando sua população à pobreza, à prisão e ao exílio. Impôs um regime de terror e de censura que já dura 52 anos.


Apesar disso (ou, provavelmente, por causa disso), é até hoje endeusado pela esquerda latino-americana e mundial, tendo virado um verdadeiro popstar, ídolo e ditador do coração de cantores da MPB e de vários astros de Hollywood. Nos últimos tempos, andou meio adoentado, decidindo dedicar seu tempo a suas reflexões e a seu novo trabalho como garoto-propaganda da Adidas.


Os cubanos, como se sabe, amam o Coma Andante, como se vê pelo apelido carinhoso que lhe deram: "Esteban" (de "este bandido"). Amam tanto, aliás, que o regime castrista não vê necessidade alguma em permitir eleições livres, com partidos plurais - enquanto isso, os cubanos se antecipam, votando com os remos e com os pés.



Ernesto "Che" Guevara (1928-1967) - Talvez a maior patacoada criada pelos fabricantes de mitos esquerdistas, entrou para a História porque fotografava bem (no sentido de posar, diga-se). Virou uma espécie de trademark, de marca registrada, para vender de cerveja até biquíni.


Estrategista brilhante, guerrilheiro ultra-competente, "El Chancho" ("O Porco", por causa da catinga de rim fervido que exalava) ficou famoso por ter participado da guerrilha de mentirinha de Fidel Castro em Sierra Maestra e por ter fracassado miseravelmente nas duas tentativas guerrilheiras que comandou: Congo e Bolívia. Fracassou também como ministro da economia (!) de Cuba, quando levou a economia do país ao colapso (botou na cachola que iria transformar a ilha numa potência industrial vendendo açúcar).


Idealista, humanista sensível, demonstrou toda sua competência comandando centenas de fuzilamentos sumários em Havana. Admirador de Stálin e de Mao Tsé-Tung, dizia-se incapaz de ser amigo de alguém que dele discordasse ideologicamente.


Tolerante e transigente, nada arrogante e antipático, não se misturava com os cubanos. Pregava o ódio que transforma a pessoa numa "perfeita e fria máquina de matar". Apesar disso, sua frase mais famosa, que fala em "não perder a ternura", parece saida de um livro do Gabriel Chalita. Depois de morto, virou pôster e camiseta, usada por muitos pacifistas. É o ídolo de gerações de idiotas: Jean-Paul Sartre chegou a dizer que ele era "o ser humano mais completo do século XX" e seu conterrâneo Diego Maradona tatuou seu rosto no ombro - o que prova, mais uma vez, o mal irreparável que cafungar um certo pó branco causa ao cérebro. Perdoai-os, Pai!



Salvador Allende (1908-1973) - Na versão oficial, é um dos santos e mártires da esquerda latino-americana, tendo preferido suicidar-se no palácio presidencial de La Moneda a render-se aos golpistas do general Augusto Pinochet.


A realidade, porém, é um pouco mais complexa. Antissemita, racista e defensor da eugenia, o médico Salvador Allende Gossens teve esse lado pouco conhecido de sua biografia revelado há alguns anos pelo escritor chileno Victor Farías (Salvador Allende: Antissemitismo e Eutanásia). Também se costuma ignorar o fato de ele ter dado abrigo a criminosos de guerra nazistas depois da guerra.


Mas nem precisaria conhecer essa faceta do ex-presidente socialista do Chile. Aliado de Fidel Castro, ele levou o Chile ao abismo, tendo sido provavelmente morto pelos próprios guarda-costas cubanos, como afirma o ex-agente do serviço secreto cubano Juan Vivés em livro lançado na França (Cuba Nostra: les sécrets d'état de Fidel Castro, 2005).


Dessa maneira, os seguranças de Allende, diante da derrota iminente, teriam pretendido criar um "mártir" da esquerda. Pela quantidade de pessoas que acreditam nessa versão dos acontecimentos, eles conseguiram alcançar esse intento.





Hugo Chávez (n. 1954) - Ditador fanfarrão da Venezuela, o chefe da "revolução bolivariana" e do "socialismo do século XXI" quer ser uma cópia de Fidel Castro. Militar golpista, liderou uma tentativa de golpe sangrenta em 1992. Desde então, acusa todos que se opõem a ele de golpistas.


Eleito presidente em 1998, tratou de descumprir todas as promessas de campanha e de rasgar a Constituição do país, criando uma nova, que lhe permitiu perpetuar-se no poder. Governa por plebiscitos, como Hitler fazia, e conseguiu impor-se como o campeão do antiamericanismo na América Latina, criando até mesmo uma associação de países, uma tal Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA).


Gosta muito de televisão, tanto que criou uma própria, a Telesul, para fazer propaganda. Defensor da liberdade de imprensa, desde que seja a favor, fechou o principal canal de televisão do país porque não gostava das notícias. Intervém constantemente nos assuntos políticos dos países vizinhos, já tendo patrocinado tentativas de golpe no Peru e em Honduras (nesta última, em conluio com o companheiro Lula). Dá apoio e armas aos narcoterrroristas colombianos das FARC, que possuem bases em território venezuelano.


Sempre que tais fatos vêm à tona, o coronel Chávez dá o maior piti e reage com bravatas nacionalistas, ameaçando ir á guerra contra a Colômbia. Recentemente, ele mudou a lei no último instante para garantir a maioria de seu partido no Parlamento.


Sempre uma voz da razão, o visionário Chávez enxerga coisas que os outros não vêem. A última dele foi ter descoberto que o capitalismo e o imperialismo destruíram a civilização em Marte, onde os marcianos viviam felizes no socialismo. Isso foi antes de os EUA terem destruído o Haiti com sua máquina de fazer terremotos.


Figura folclórica, saída diretamente das páginas do Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano, Chávez já deixou de ser uma pessoa e, como o McDonald's, virou uma franquia, com clones em outros países, como o galã de filme pornô equatoriano Rafael Correa e o índio de araque Evo Morales na Bolívia. Sua "robolución", regada a petrodólares e a muita ladroeira, tem arrastado a Venezuela para o caos, e ele não esconde sua intenção de vê-la transformada numa segunda Cuba (e, pelos números da economia, está conseguindo).


Luiz Carlos Prestes (1898-1990) - Figura venerável, considerado o principal líder do comunismo no Brasil. Ficou famoso pela Coluna Prestes (na verdade, Miguel Costa, nome de seu verdadeiro comandante), movimento tenentista que percorreu o Brasil em 1924-1926 contra a República Velha. Personagem lendário, toda sua vida foi isso mesmo: uma lenda.


Em 1930, Prestes rompe com o tenentismo e adere ao comunismo, viajando para a URSS de Stálin, onde trabalha como engenheiro e, segundo sua biografia hagiográfica escrita por Jorge Amado ("O Cavaleiro da Esperança"), denunciou pessoas num expurgo stalinista.


Em 1934, entra no PCB (fundado em 1922), contra a vontade dos militantes mais antigos, por imposição da URSS. Revolucionário incompetente e atrapalhado, liderou na clandestinidade a malograda insurreição comunista de 1935 no Rio de Janeiro. Nessa e em outras ocasiões, deixou cair nas mãos da polícia documentos comprometedores que levaram à prisão de muitos companheiros de partido. Submisso à URSS, stalinista empedernido, promoveu perseguições internas no PCB, que comandava como ditador. Num episódio cuja autoria negou até o fim, ordenou o assassinato de uma adolescente por suspeita de traição em 1936.


Libertado da prisão em 1945, subiu ao palanque com o ex-ditador Getúlio Vargas, que enviara, anos antes, sua primeira mulher, a agente comunista alemã Olga Benario, para a morte na Alemanha de Hitler. Eleito senador, declarou em discurso que, em caso de guerra entre o Brasil e a URSS, ficaria do lado da URSS, sendo esse fato uma das razões para a cassação de seu mandato e do registro do PCB em 1948.


Gabava-se, em 1964, de que os comunistas já estavam no governo, embora ainda não estivessem no poder. Com a tomada do poder pelos militares, vê seu prestígio e influência na esquerda diminuírem drasticamente. Em 1980, de volta do exílio (na URSS, novamente), perde o comando do PCB. Foi enterrado com a bandeira do PDT de Leonel Brizola, um ano antes da implosão da URSS.




Leonel Brizola (1922-2004) - Cunhado do ex-presidente João Goulart e afilhado político do ex-ditador Getúlio Vargas, o engenheiro gaúcho Leonel de Moura Brizola despontou para a política nacional após a renúncia de Jânio Quadros em 1961, ao liderar a "campanha da legalidade" pela posse do cunhado. É o descobridor da famosa equação matemática segundo a qual cunhado não é parente; é candidato.


Boquirroto e valentão, Brizola desprezava a legalidade, tendo sido um dos pivôs do movimento militar que levou à queda de Jango em 1964 - foi dele, por exemplo, a idéia de organizar milícias armadas conhecidas como "Grupos de Onze" durante o governo Goulart.


Exilado no Uruguai, o caudilho dos pampas recebeu dinheiro do ditador cubano Fidel Castro para implantar focos de guerrilha no Brasil. As tentativas deram em nada, e Brizola deixou de vez a carreira de guerrilheiro. Quanto ao dinheiro recebido de Havana, que dizem ter sido algo em torno de 1 milhão (de dólares), Brizola jamais prestou contas, tendo sido apelidado por isso de "El Ratón" pelos cubanos.


De volta do exílio em 1979, Brizola passou a bajular os militares e tentou recuperar o espólio do getulismo, organizando o PDT - Partido do Dono, Táentendendo? Personalista e autoritário, comandou o PDT de forma ditatorial, como um feudo ou uma estância. Demagogo e populista, estimulou a ocupação ilegal dos morros cariocas quando foi governador do Rio de Janeiro (1983-1987 e 1991-1994), o que contribuiu drasticamente para o aumento da criminalidade, em especial do tráfico de drogas, agravado pela leniência oficial. Para piorar, proibiu a polícia de subir morro atrás de bandido, enquanto se encontrava alegremente, em seu gabinete, com banqueiros do jogo do bicho. Ao mesmo tempo, via espiões da CIA em cada esquina, xingava a Rede Globo e defendia a reforma agrária. Menos no Uruguai, onde criava umas cabecinhas de gado. Alavancou e promoveu a carreira política de grandes nomes da inteligência e da política nacional, como Agnaldo Timóteo e Anthony Garotinho.


Oportunista, Brizola seguiu à risca o conselho de Getúlio, de aproveitar para montar sempre a égua encilhada. Nas eleições presidenciais de 1989, em que chegou em terceiro lugar, perdendo por pouco para um tal sapo barbudo, ele desceu o malho no então candidato Fernando Collor de Mello, apenas para collorir depois que este foi eleito. Mas sua grande herança foram os CIEPs - Centros Integrados de Exercício com Pistolas. Cada tiro disparado por traficante numa favela do Rio de Janeiro é uma homenagem a Leonel Brizola.




Luiz Inácio Lula da Silva (n. 1945) - O Filho do Barril não poderia ficar de fora dessa lista. Também conhecido como "o cara" (de pau) é fundador e "presidente de honra" do PT, Partido da Tapeação.


Chefe da maior quadrilha e do maior esquema de corrupção da História do Brasil, gerenciado pelos compadres Zé Dirceu e Delúbio Soares e denunciado pelo Procurador-Geral da República. Amigo e irmão de ditadores, fundador, ao lado de Fidel Castro, do Foro de São Paulo, que durante quinze anos disseram que não existia.


Ex-sindicalista, não trabalha desde 1975, mas é o maior líder dos trabalhadores da História do Brasil. Foi preso por uma greve ilegal em 1980, quando enganou os carcereiros e os demais companheiros de cela numa "greve de fome" que durou três dias, tendo escondido debaixo do travesseiro um saco de balas Paulistinha. (Na mesma ocasião, sentindo-se muito solitário e em protesto contra o cruel regime militar, tentou estuprar um companheiro de cela.) Tomou gosto pela pantomima, aperfeiçoando-a nos anos seguintes, até atingir o estado da arte como animador de auditório.


Foi deputado federal, mas ninguém lembra do que fez no Congresso, nem ele mesmo (tanto que, ao ser eleito presidente da República, em 2002, esqueceu que tinha sido diplomado antes como deputado, dizendo, emocionadíssmo, que aquele era seu "primeiro diploma"). Passou anos vociferando contra todos os governos, em especial o de FHC, a quem nunca perdoou por tê-lo vencido em duas eleições no primeiro turno e diante de quem sempre se sentiu meio inferiorizado por este ter estudado e falar inglês e francês, enquanto ele ainda não passou da Fase I do bê-a-bá para mentalmente prejudicados.


Farsante e bravateiro, adotou a mesma política econômica do governo anterior, que vivia esculhambando, passando a reivindicar, confiante na falta de memória dos brasileiros, ter sido o pai da estabilidade econômica, além de inventor do Brasil e descobridor da Via-Láctea. Seu governo ajudou a alavancar as contas bancárias de amigos e parentes e a reabilitar figuras ilustres e impolutas da República como José Sarney e Fernando Collor de Mello, hoje firmes aliados de sua sucessora.


Dono de uma, digamos, sabedoria popularesca, aprendida nos churrascos com os companheiros e vendo os jogos do Corinthians, é um caso único na História, pois é filho de uma mulher que nasceu analfabeta. Expressão acabada do político vindo de baixo (do esgoto) e de demagogo populista, acharia lindo o epíteto, se soubesse o que é epíteto. Doutor honoris causa em embromação e fanfarronice, é a perfeita encarnação do apedeuta, não tendo estudado porque não quis (e quem disser isso é um preconceituoso e elitista).


Bonachão, é chegado numa pinga, mas não gosta que falem nisso - chegou a expulsar um jornalista gringo que teve a ousadia de escrever sobre o assunto, mostrando, assim, todo seu apreço pela liberdade de imprensa e de expressão. Homem sem complexos, só não gosta que o comparem a FHC, aquele metido. Também é reconhecidamente um sentimental, que chora por tudo: menos para as vítimas de ditaduras amigas, que compara a bandidos do PCC.


Canonizado e elevado à condição de Messias por intelectuais leitores de orelha de livros sobre Marx e Gramsci que acham o máximo suas batatadas (como dizer que o problema do aquecimento global é porque a Terra é redonda), é adorado por milhões de brasileiros, sejam militantes petistas e intelectuais marxistas, sejam milhões de pobres ignorantes comprados com o prato de lentilhas do Bolsa-Cabresto (o assistencialismo, aliás, era criticado duramente por ele antes de chegar ao poder).


Seus oito anos de viagens no Aerolula foram um deboche interminável das leis e das instituições, começando com o caso Waldomiro Diniz e com o mensalão e terminando com o escândalo Erenice Guerra. Sobre o mensalão, aliás, disse primeiro que não sabia de nada, depois que era caixa dois e que todo mundo fazia igual e, finalmente, que tinha sido traído. Só há pouco decidiu que foi uma tentativa de golpe das elites (pronuncia-se "zelite") e da "mídia". Recentemente, fizeram um filme sobre sua vida, ao custo de 16 milhões de reais, em que não se tocou em nenhum desses assuntos inconvenientes.


Espertalhão, picareta e gozador (com a nossa cara e com o nosso dinheiro), é o maior vigarista da história política brasileira. Sem oposição a lhe denunciar as pilantragens, conseguiu fabricar e emplacar, em tempo recorde, uma sucessora para esquentar a cadeira, enquanto prepara sua volta. Os brasileiros podem ficar tranquilos: como mostra a foto acima, o futuro do Brasil está nas mãos desse homem.