quinta-feira, janeiro 20, 2011

A MAIOR FARSA DA HISTÓRIA DO BRASIL


No último dia de seu mandato, faltando poucas horas para entregar a faixa a uma desconhecida que ele escolheu no meio da militância, Luiz Inácio Lula da Silva resolveu não extraditar o terrorista italiano Cesare Battisti, acusado de quatro assassinatos em seu país. Com isso, insultou a Justiça da Itália (que, ao contrário das de Cuba ou do Irã, considera suspeita e inidônea), as vítimas de Battisti, a decência e a humanidade.

Horas antes, ele aprontou mais uma: por intermédio de seu Chanceler, Celso Amorim, o Itamaraty presenteou com passaportes diplomáticos alguns "bispos" da Igreja Universal do Reino de Deus e vários parentes de Lula. Por lei, o passaporte vermelho é exclusivo de autoridades, diplomatas (e seus dependentes) e pessoas que dele necessitem para exercer funções oficiais em benefício da nação.

Na mesma semana, Lula aproveitou para tripudiar de milhões de brasileiros, ao comentar o aumento de mais de 60% no salário que os deputados se autoconcederam, e de mais de 100% no de presidente da República. Perguntado a respeito, ele não encontrou nada melhor a dizer senão lamentar, em tom de chacota, sua "falta de sorte", pois estaria deixando o cargo dali a alguns dias...

Se o Brasil fosse um pais sério, e não a terra da chanchada, tipos como Lula já estariam na cadeia há tempos. O que vai aí em cima é uma pequena amostra, pequeníssima - refere-se apenas à última semana de seu governo. Tem muito mais, tanto que é até difícil elencar o número de vezes que Lula da Silva ofendeu a gramática, a lógica, a honestidade e a inteligência desde que assumiu o papel de histrião-mor da República. Daqui a alguns anos, lembraremos de Lula com profunda vergonha, como se lembra hoje em dia das calças boca-de-sino ou dos penteados dos anos 70 (com a diferença de que estes, apesar de cafonas, eram inofensivos).

OK, OK, Lula é um farsante, o maior que já pisou o tapete do Palácio do Planalto. Tudo isso é público e notório etc. e tal. A questão é: por que ninguém dá a mínima? Por que o povo brasileiro não resolve imitar os tunisianos e sair às ruas pedindo a cabeça do Apedeuta numa bandeja?

A resposta-padrão, que é sempre brandida nessas horas, é a seguinte: sob Lula, o Brasil mudou. Sob Lula, os pobres melhoraram de vida etc. Isso é o que repete a propaganda oficial.

Uma leitora, a Cecília, me escreveu perguntando se isso é mesmo verdade. Cecília tem 17 anos. Não tem idade suficiente, portanto, para lembrar do Brasil antes do Plano Real. Nem do Lula líder da oposição - a mais barulhenta e irresponsável que já existiu no Brasil, ao contrário do que existe hoje, que nem merece o nome de oposição -; enfim, do Lula antes de virar presidente. De Lula, assim como todos de sua idade, ela tem apenas a imagem do "estadista", do líder que "tirou milhões da pobreza", cantado em verso e prosa por uma legião de intelectuais vendidos e por uma imprensa embasbacada e covarde. Cecília quer saber, e isso é ótimo, se o que dizem é verdade. Quer saber se o que disse sua mãe - que a vida de todos melhorou de 2003 para cá - é um fato ou não, e qual relacão existiria entre isso e o governo Lula. Eu respondi da única maneira que se pode responder: com sinceridade. Escrevi o seguinte:

Sim, a vida dos pobres melhorou nos últimos oito anos. Assim como vem melhorando, de forma quase ininterrupta, nos últimos vinte, trinta, quarenta ou cinquenta anos. Pegue qualquer dado estatístico, qualquer tabela, e você verá que a curva é sempre ascendente. Há, no Brasil de 2011, menos gente vivendo em condições subumanas do que havia em 1960 ou em 1930. Há menos pobreza, menos doenças contagiosas, menos mortos ao nascer, menos analfabetos (quer dizer, com a exceção da política...). Do mesmo modo, há hoje mais estradas, mais televisores, mais automóveis, mais geladeiras, mais fogões, mais mesas e mais cadeiras.

Por que isso acontece? Porque esse é um processo do desenvolvimento capitalista brasileiro. Por estas bandas, o capitalismo, embora muito atrasado em relação a outros paises, conseguiu retirar muita gente da miséria. Conseguiu melhorar a vida de muitos. Poderia, inclusive, ter feito muito mais, se o governo deixasse. Poderia ter criado muitos mais empregos, se não houvesse, por exemplo, tantos impostos (além do mais, mal aplicados).

A questão não é se a vida da maioria esteja ou não melhorando, inclusive em aspectos como saúde e educação. Isso é um fato. A questão é que essa melhora nas condições de vida da população não se deve a governo X ou Y, não é, enfim, uma "conquista do governo Lula", como diz a propaganda oficial (e muito menos do Bolsa-Cabresto, que não passa de uma forma de perpetuar uma clientela política). Se o Brasil hoje produz mais, por exemplo, alimentos, se é hoje uma potência agrícola, isso não se deve ao governo Lula, que pouco ou nada fez para estimular esse setor nos últimos oito anos. Tampouco ao governo FHC, ou Collor, ou Sarney. É algo que se deve, em primeiro lugar, ao agronegócio, que é visto como um bicho-papão pela companheirada do PT e do MST.

Do mesmo modo, se hoje não temos inflação fora de controle, se a economia está estabilizada, isso também não foi uma graça alcançada pela intercessão de São Luiz Inácio dos Pobres e companhia: na verdade, eles pegaram o bonde andando das reformas implementadas pelo governo FHC. Mesmas reformas a que se opuseram com tanto ardor antes de chegarem ao poder.

Enfim, a vida melhorou sim, mas não por causa do Lula e dos petistas – foi APESAR deles. O principal mérito - na verdade, o ÚNICO mérito - do governo Lula foi NÃO ter mexido no que estava certo: a economia (ou seja: o que foi bom, no governo Lula, não era novo, e o que era novo, não era bom). Eles apostam na amnésia coletiva para vender a idéia mentirosa de que tudo de bom que existe foram eles que fizeram, e antes era o caos.

Isso quer dizer o seguinte: um dos principais fatores a dar legitimidade ao governo Lula (e agora, Dilma), a idéia de que "o meu governo fez o povo melhorar de vida", é uma farsa. Embora se baseie numa verdade – sim, a vida da maioria melhorou nos últimos anos, como já vinha melhorando antes –, é uma mentira demagógica.

Esse discurso dos lulo-petistas é completamente falso, é um jeito que acharam de enganar os otários. Além disso, mesmo que a prosperidade e a melhoria da vida dos cidadãos fosse obra de governo A ou B, o fato de o governo Lula ter sido o mais corrupto da História do Brasil – sem falar nos constantes ataques às liberdades fundamentais, como a de imprensa, e a politica externa escandalosa – dele retira qualquer traço de legitimidade. Já escrevi bastante sobre isso, aliás.


Outra coisa: se você ouvir algum economista do IPEA ou de alguma fundação ligada ao PT falando no surgimento de uma "nova classe média", pode preparar a cesta de ovos e tomates, pode chamar a polícia. O que determina classe social não é a capacidade de consumo, mas o papel que cada um exerce na economia, além de fatores como a educação e o acesso a outros serviços essenciais. Cerca de 50% dos lares brasileiros continuam sem saneamento básico, e nos exames internacionais os alunos brasileiros terminam sempre dando vexame, ficando nos últimos lugares. A classe D pode estar comprando mais geladeiras e tomando mais refrigerante, mas, se não tiver esgoto, e se não souber ler e contar direito, continua sendo classe D, e nao C ou B. Aliás, essa sopa de letrinhas não quer dizer rigorosamente nada. É mais uma balela dos lulo-petistas, os inventores do Brasil-maravilha.

Resumindo: com Lula, a vida melhorou? Sim, como já vinha melhorando antes. Isso foi devido a ele e aos petistas? Não. Pelo contrário: poderia ter sido feito muito mais sem eles. A economia não precisa de Lula e dos petistas para seguir crescendo. Já Lula e os petistas precisam da economia para seguir enganando a todos. Por que se diz então que foi Lula o grande gênio por trás desse processo? Só Deus sabe.

Se há motivos de sobra para repudiar o governo dos petralhas como a maior farsa da História do Brasil, em economia isso não é muito diferente. Não, o Brasil não mudou. Em economia, então, não mudou absolutamente nada. Ainda bem. Agora, que tantos se deixem enganar por Lula e sua quadrilha, é algo que desafia a compreensão.

terça-feira, janeiro 18, 2011

SOBRE A ESCRAVIDÃO - UMA PEQUENA LIÇÃO DE HISTÓRIA


Nem todo comentário crítico ao que escrevo vem de mentes perturbadas e infantilizadas. De vez em quando - infelizmente, bem menos do que eu gostaria -, alguém consegue discordar do blog sem mandar o idioma e as normas da civilização às favas nem descer ao nível dos quadrúpedes ou dos protozoários. Um leitor, o Rafael Dias, está nessa categoria. Rafael não é um energúmeno - e isso, dada a situação geral da inteligência no Brasil de hoje, já é alguma coisa. Ele está apenas equivocado. Por essa razão, e por acreditar que ele quer aprender, respondo seu post. Ele escreveu, a respeito de meu texto ZUMBI, O ESCRAVOCRATA (os grifos são meus):

Concordo quando se diz que a unianimidade é burra. É importante ouvir os vários atores envolvidos no processo social. Realmente foi uma grande supresa para mim saber (se, de fato é verdade) que Zumbi era dono de escravos. Contudo, a visão que você expôs no seu texto é muito parcial, pois parte de casos isolados (mesmo que um exemplo seja o próprio Zumbi dos Palmares) e tenta criar a idéia de que era normal um negro escravizar o outro. Acho possível que isso tenha acontecido. Porém, você esqueceu citar em seu texto o critério fundamental para se decidir que seria escravo: a cor da pele, que tinha que, necessariamente ser negra. Não conheço registros na História do Brasil de brancos sendo escravizados. Não entenda o meu comentário como uma contra reação ideológica. Quando abordamos uma questão e temos a sincera intenção de tratá-la com transparência, não podemos esquecer de tocar em determinados pontos cruciais para que as nossas críticas não pareçam a defesa de um ponto de vista só nosso que queremos disseminar e que nem sempre dá conta de representar a realidade. Você escreve muito bem. Um texto limpo e claro. Mas peca no trato com o conteúdo, pois deixa de criticar o sitema segregador que existia formalmente, para tentar justificá-lo, alegando que os ditos segregados também eram praticantes das mesmas injustiças que sofriam. Foi um período tão nefasto da nossa história, que, até hoje irradia efeitos em nossa sociedade.
O que se pode inferir do seu texto é que a escravidão era válida, tendo em vista que alguns negros também a praticavam. É isso?

Caro Rafael,

Antes de tudo, obrigado por não ofender minha mãe nem usar adjetivos como "reacionário" ou "fascista" para se referir à minha pessoa. Nisso você já se diferencia da maioria dos que vêm aqui dizendo discordar do que escrevo. Vamos a seu comentário.

Você diz que a visão de meu texto é "muito parcial, pois parte de casos isolados" etc. Sobre ser ou não parcial, já tratei disso em outros textos, e não quero me repetir aqui. Digo apenas que, se você está se referindo ao exemplo de Zumbi dos Palmares como um "caso isolado", então só posso concluir que vivemos em mundos diferentes. Assim como Zumbi, houve muitos outros casos de ex-escravos que, uma vez alforriados, tornaram-se, eles mesmos, negociantes de escravos (alguns deles prosperaram bastante nesse negócio). Além do mais, como se pode chamar de "caso isolado" o fato de um líder escravo, não um líder qualquer, mas simplesmente o símbolo maior da luta anti-escravista no Brasil, ter sido, ele também, proprietário de escravos? É o mesmo que descobrir que Gandhi, por exemplo, era um belicista ou que Madre Teresa de Calcutá era uma devassa que mantinha secretamente um prostíbulo. Você diria que esses seriam "casos isolados" também?
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Depois disso, o mínimo que se espera é que toda instituição que leva o nome de Zumbi troque de nome imediatamente, ou que o dia 20 de novembro - dia da "consciência negra", em homenagem também a esse personagem - deixe de existir.

Rafael, não sei de onde você tirou a conclusão de que eu tento "criar a idéia de que era normal um negro escravizar outro". Primeiro, porque não se trata de uma idéia, muito menos criada por mim: é um fato histórico. Já escrevi e repito: a escravidão existia na África séculos antes de os portugueses lá chegarem no século XV, e continuou muito tempo depois, praticada pelos próprios africanos. Isso acontece, inclusive, ainda hoje, em países como o Sudão e a Arábia Saudita. Um príncipe saudita, aliás, foi preso em Londres no fim do ano passado acusado de ter espancado até a morte seu escravo de estimação... Isso é fato, não fui eu que inventei. (Aliás, gostaria de saber quando é que os descendentes dos faraós e sobas africanos irão pagar sua dívida histórica pela escravização de milhões de seres humanos...)

O que está aí em cima, Rafael, é suficiente para desmontar, como absurda, sua afirmação de que eu teria esquecido o "critério fundamental para se definir quem seria escravo: a cor da pele, que tinha que ser, necessariamente, negra". Isso porque a cor da pele, negra ou não, JAMAIS foi critério para se definir quem era e quem não era escravo, pelo menos no caso da África. Durante séculos, negros escravizaram negros, e inclusive brancos - desde a época dos faraós -, e quando os portugueses começaram a traficar escravos no Atlântico, os compravam em grande parte de tribos locais, que também praticavam a escravidão (e que eram, também, negros). Foram os europeus, não africanos ou asiáticos, que aprenderam com estes a escravizar outros povos, e não o inverso. Além disso, os portugueses, um povo muito pouco "puro" racialmente, jamais usaram o conceito de "raça" (muito menos a "cor da pele"), para escravizar quem quer que seja, até porque, como diz Gilberto Freyre, a consciência de raça era-lhes algo inteiramente estranho - o que havia era uma consciência de cultura, o que é uma coisa muito diferente. Se havia algo que definia quem seria escravo ou não, pelo menos no caso dos portugueses, não era a "raça" ou a "cor de pele": era a religião (se não fosse cristão, por exemplo; e, nas terras muçulmanas, se não fosse muçulmano etc.).

Aliás, se não me engano foi também Gilberto Freyre - leia Casa-Grande & Senzala, eu recomendo - que chamou a atenção para o fato de que o racismo moderno é uma invenção tipicamente anglo-saxônica, surgida com a Reforma Protestante a partir dos séculos XVI-XVII. Essa visão se consolida no século XIX, com as teorias científicas e pseudo-científicas então em voga, que foram instrumentalizadas para justificar o colonialismo (darwinismo, evolucionismo etc - inclusive, é bom que se diga, o marxismo). Nada que tivesse a ver, por mínimo que fosse, com o escravismo colonial português, de base essencialmente - na verdade, exclusivamente - católica e renascentista. É por esse motivo que a segregação racial foi imposta em países como os EUA ou a África do Sul, mas nunca, jamais, no Brasil, onde imperou, desde o início da colonização, a mistura racial, a miscigenação. (Quer dizer, pelo menos até agora nunca houve segregação racial no Brasil, porque, se depender dos "militantes negros", esta vai virar uma realidade por estas bandas - aliás, graças a absurdos como o sistema de cotas raciais, já está virando.)

Já escrevi o que está acima, com outras palavras, em outros textos. Se quiser, dê uma olhada nos posts O CLUBE DOS RESSENTIDOS e O FIM DE UM MITO. Você perceberá que já respondi suas questões.

Não é difícil, portanto, perceber que sua conclusão de que eu estaria "justificando" a escravidão, dizendo que ela teria sido "válida" etc. não tem nenhum sentido. Não justifico nem considero válida a escravidão, apenas chamo a atenção para o fato esquecido de que ela não foi praticada apenas por europeus de cabelos loiros e de olhos azuis. E que qualquer tentativa de se confundir escravidão com "raça" - ou, simplesmente, usar esse conceito biologicamente falso para propor "reparações" ou o que seja - não passa de grossa falsificação histórica e desonestidade intelectual.

Espero ter-lhe ajudado. Se precisar de mais algum esclarecimento, é só escrever. Ou, então, procure uma biblioteca.

EU, O ALIENADO (DIRETO DOS TEMPOS DA BRILHANTINA)


Ah sim! Tinha me esquecido de um dos apelidos clássicos que a corriola esquerdopata gosta de usar para se referir a todos aqueles que discordam deles. Acabou ficando de fora da listinha que preparei, com alguns adjetivos que essa turma cuspiu no blog. Mas, graças a uma leitora chamada Vivanny, vou poder incluir mais essa pérola aqui.

Eis o que ela escreveu:

Tsc, tsc...que triste, pessoa supostamente instruída, utilizando-se de vocabulário difícil e completamente ALIENADO!

Dizer o quê? Bem-vindos à época da brilhantina!

P.S.: Vivianny acha meu vocabulário "difícil". Não se espante, minha cara: é que escrevo numa língua há muito esquecida, e que a cada dia é mais e mais maltradada. Chama-se Português. Talvez você já tenha ouvido falar. Duvido, porém, que seja o caso dos esquerdiotas, que querem vê-la substituída por uma coleção de slogans e platitudes.

UM SINISTRO DÉJÀ VU (OU: O ELOGIO DA INCOMPETÊNCIA)


O Rio de Janeiro, o Brasil e o mundo choram os mortos na região serrana fluminense por causa das chuvas torrenciais e já se está armando mais uma picaretagem dos lulo-petistas em cima da tragédia. Enquanto todos choram, Sérgio Cabral, o novo inimputável da política brasileira (ele herdou esse posto do Apedeuta), e Dilma Rousseff, a gerentona durona e, dizem, "eficiente", dão um show de sumiço e incompetência. Mas dizer isso, neste momento, não é de bom-tom, decretou a imprensa devotada à criação de mais um mito político. A mesma imprensa que vomita boçalidades sobre Franco da Rocha, em São Paulo, acha feio acusar de incompetência os que governam (?) o Rio – e o Brasil. É a “imparcialidade” jornalística em ação...

Não, não vou escrever nada sobre o espetáculo de desídia e inépcia que o governo (?) de Cabral e Dilma estão dando no Rio. Não vou falar que, graças à ineficiência escandalosa destes, vidas poderiam ter sido salvas e o número de mortos, que já ultrapassa 600, poderia ser bem menor. Não vou falar que, até agora, não se viu um único caminhão do Exército na área devastada pelas enchentes. Nem que são os voluntários, e não os serviços públicos, que estão fazendo a diferença nos salvamentos. Sobre nada disso vou falar. Vou me limitar a lembrar do que escrevi aqui no ano passado, quando mais uma calamidade de água e lama se abateu sobre o mesmo estado governado (?) por Cabral, que pelo visto só chora pelos royalties do petróleo. Escrevi, então, o seguinte texto (em 9 de abril de 2010):

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AS CHUVAS E A POLITICAGEM

Uma das coisas mais nojentas que existem é a tentativa de politizar desastres naturais. Mesmo que não sejam tão naturais assim. Como a chuva torrencial que desabou sobre o Rio de Janeiro nesta semana - e que já deixou, segundo as últimas contagens, mais de 180 mortos. É por isso que as declarações de Lula e sua turma nesses dias exalam a esgoto.

A tragédia no Rio provocou uma onda de pesar e solidariedade raras vezes vista antes no Brasil. Jornalistas, políticos, artistas, todos enfim, demonstraram um ar compungido e de respeito às vítimas, no melhor espírito "somos todos cariocas (ou fluminenses)". De repente, todos pareceram se unir, concentrando-se no socorro aos desabrigados e deixando a política de lado, como os americanos depois do 11 de setembro. E isso é muito bom. É algo extremamente louvável. Tragédias como a do Rio não devem mesmo ser exploradas politicamente por ninguém. Quem o fizer deve ser execrado em praça pública e expulso da convivência com gente decente. Mortos não têm partido.

Exatamente por isso, a pergunta que fica no ar é: por que essa atitude serena, equilibrada, "isenta", não foi adotada por muitos que hoje choram os mortos no Rio quando das chuvas que atingiram São Paulo, há apenas algumas semanas? Por que ninguém disse, então, "agora, somos todos paulistas"?

Em São Paulo, choveu durante 47 dias ininterruptos, e o número de mortos foi bem menor do que os mais de cem que morreram no Rio (detalhe: em apenas UM DIA de temporal). Mesmo assim, petistas e assemelhados deleitaram-se com o episódio, mal contendo a alegria em atacar a "incompetência" e a "negligência" do prefeito Kassab e do agora ex-governador José Serra, em busca de dividendos eleitorais. A mesma atitude serena e compungida que os petistas e seus aliados na imprensa demonstram agora em relação aos mortos no Rio não tiveram em relação aos mortos de São Paulo. Será que é porque São Paulo é governada por tucanos e o Rio por aliados de Lula e Dilma Rousseff? Não, isso seria pensar muito mal dessa gente boa e honesta, não é mesmo?

O pior é que motivo para acusar a irresponsabilidade das autoridades lulistas na catástrofe fluminense é o que não falta. Um dia depois de um barranco desabar em Niterói e deixar mais de 200 pessoas desaparecidas, soterrando casas que haviam sido construídas em cima de um lixão (com conhecimento da prefeitura), os jornais noticiam que o governo Lula transferiu nos últimos tempos, via Ministério da Integração Nacional, algo como 64% do orçamento em "ajuda de emergência" para a Bahia, cabendo ao Estado do Rio de Janeiro 0,9% do total. O Ministério da Integração Regional, a quem cabe, entre outras atribuições, lidar com calamidades, era comandado até a semana passada por Geddel Vieira Lima (apelido: "agatunado"), que vem a ser baiano e está de olho na cadeira de governador do Estado nas eleições deste ano. O atual governador da Bahia, por sua vez, é Jaques Wagner, do PT. Lula reagiu à notícia da maneira que lhe é peculiar: chamou-a de "leviandade", considerando-a, certamente, uma tentativa calhorda de se politizar uma questão que deveria estar acima de picuinhas eleitorais. É, Lula, você tem razão. Calamidades como a do Rio devem mesmo estar acima de considerações políticas. Pergunte a Geddel Vieira Lima.

Mas, pensando bem, por que se surpreender com mais essa tragédia anunciada, tornada ainda mais grave e revoltante pela leviandade petista? Afinal, esse é o mesmo governo que considerou uma "intervenção imperialista" a pronta ajuda dos EUA às vítimas do terremoto no Haiti, transformando o desastre numa ocasião para uma disputa mesquinha com Washington em nome do "protagonismo internacional", não foi?

Nem São Pedro escapou da policanalhada lulista. Ninguém está a salvo.
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P.S.: George W. Bush quase foi crucificado por causa do desastre do furacão Katrina em Nova Orleans, em 2005. A imprensa americana atacou a demora do governo em socorrer os desabrigados. Houve até quem pedisse o impeachment do governo, por incompetência. E Cabral e Dilma, quando isso vai acontecer com eles?

segunda-feira, janeiro 17, 2011

UM CRIME QUASE PERFEITO


Era para ser o assassinato político perfeito. Um tiroteio no Arizona – estado de, entre outros, o ex-candidato a Presidência dos EUA John McCain. Seis mortos, inclusive uma menina de 9 anos de idade (ainda por cima, nascida em 11/09/2001). Uma deputada do Partido Democrata – o partido de Obama – ferida gravemente com um tiro na cabeça. Um assassino armado até os dentes. Pronto. Estava montado o palco para mais um circo, mais uma tentativa oportunista do beautiful people americano para criar um "caso" e ganhar alguns pontinhos na guerra cultural.

Antes mesmo que a fumaça dos tiros tivesse se dissipado, a grande imprensa americana e mundial, o New York Times à frente, já tinha escolhido os culpados: Sarah Palin, que colocara em seu website uma imagem de alvo sobre o distrito da deputada baleada (que o atirador do Arizona tenha visto ou não tal imagem, não tem a menor importância, decretaram os jornais), o Tea Party, o NRA, a "cultura das armas" etc. Só faltaram colocar a culpa na CIA ou no Mossad.
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Pois é, né? Parecia um caso perfeito para ser explorado pela esquerda americana, que vê em Sarah Palin nada menos do que um demônio de saias e na posse de armas de fogo, e não nos que as portam, a causa de todos os crimes. Barack Obama, claro, não perdeu a chance de tirar uma lasquinha do episódio, pregando a “união de todos” etc. Parecia perfeito. Mas não contavam com a realidade.

Jared Lee Loughner, o assassino mentalmente perturbado que matou 6 e feriu gravemente 14, inclusive a deputada democrata Gabrielle Guiffords, se encaixa muito mais no perfil de esquerdista paranóico do que de membro do Tea Party. Vamos a alguns fatos:
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- Ele odeia o governo dos EUA, que acreditava estar manipulando sua mente - seu ódio chegava a extremos de paroxismo quando via George W. Bush na TV.
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- Fanático por teorias conspiratórias, ele acreditava, como milhares de esquerdistas e antiamericanos, que os atentados de 11 de setembro de 2001 foram perpetrados pela Casa Branca.
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- Ele lia Marx e Hitler. Não me surpreenderia se em sua biblioteca fossem encontrados livros de Noam Chomski e de Tariq Ali (ou, se fosse brasileiro, de Emir Sader e Frei Betto).
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- Gabriele Guiffords, a congressista democrata ferida com um tiro na cabeça, e que se tornou uma quase-mártir do lobby anti-armas nos EUA, defende, ela mesma, a posse de armas ("como uma tradição", mas defende).
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Nem é preciso lembrar, mas nenhum desses fatos foi mencionado na imprensa brasileira, tendo sido referidos somente vários dias depois do atentado, e apenas de relance, na grande mídia norte-americana. O veredicto já havia sido tomado, antes mesmo que o caso chegasse às manchetes: a culpa do crime foi de Sarah Palin, do Tea Party, da NRA...
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Era para ter sido o crime perfeito. Os esquerdistas americanos acreditaram nisso. Muitos caíram na deles. Menos os que têm algum respeito pelos fatos, em vez da ideologia.

Uma Impressionante Coleção de Argumentos Brilhantes


Os que acompanham o blog devem ter percebido que nos últimos dias tenho dado bastante espaço aos comentários. Gostaria de responder a todos, mas infelizmente não disponho de tempo, nem de paciência, para isso. Vou fazer um favor então a todos que lêem o blog, principalmente àqueles que adoram usar a área de comentários como parede de banheiro público (ou como o próprio). Vou resumir aqui alguns epítetos que me vêm brindando alguns leitores e ex-leitores do blog.

Você, caro leitor, que se sentiu ofendido e ficou revoltado por algo que escrevi, verifique antes de comentar algum texto meu se os adjetivos que você pretende usar para desqualificar meus argumentos não estão na lista abaixo (a qual, é claro, não é exaustiva, nem, creio eu, definitiva). Basta pinçar um deles e, voilà!, eis uma perfeita resposta a este blogueiro, que vai deitar por terra tudo que eu disser a respeito de qualquer assunto. Basta me chamar do que vem em seguida, e pronto: vai estar ganha a parada. Nem precisa pensar.

Eis a lista:
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"você se tornou um reacionário". (Alessandro Nóbrega)
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"Eu particularmente acho seu discurso proto-fascista". (Pablo Capistrano)

"[defende o] facismo (sic)". (Comandante)

"não passa de um grande reacionário de primeira categoria". (bomberman)

"preconceituoso". (Anônimo)

"faz o discurso das elites e dos senhores de engenho". (Anônimo)

"[mostra] antagonismo infundado, medíocre e infantil com (sic) aqueles que pretendem trazer o merecido equilíbrio para nossa nação". (Anônimo)

"patológico psicanaliticamente falando". (Antonio Neto)

"insiste no pensamento mítico, místico, mágico, fantasioso, metafísico, preconceituoso, carregado de ódio e fanatismo". (Antonio Neto, de novo)

"Quanta asneira!". (Henrique S.)

"rebelde sem causa". (Silas)

"miquinho amestrado do sistema atual". (Silas, de novo)

"Da sua boca só sai merda". (Diogo)

"Quanta bosta escreveu". (Nildooooo Jr.)

"muito fraco espiritualmente, um vendido". (Nildooooo Jr., de novo)

"limitado, preconceituoso, quadrado...". (gamma)

"cuzão. para de ver tv e dá uma volta na rua pra ver oq acontece. (Anonimo)

"Zé Mané" (Junior).
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"falta boa vontade". (Junior, de novo)
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"tem uma raiva infantil do Lula". (Anonimo)

"você quer se posicionar como um 'phodão'". (Joao Marcelo)

"retardado", "palhaço". (Comediante)
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"marionete para os EUA controlar (sic)". (Comediante, de novo)
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"sujeitinho mal amado", "gordo feio", "comedor de puta". (Carlos)

E, o melhor argumento de todos, a meu ver:

"seu judeu filho da puta" (Carlos, de novo)

O que posso dizer, diante dessa coletânea de argumentos tão brilhantes, tão sólidos e inteligentes, tão bem estruturados e articulados, logicamente concatenados e impecáveis, além de escritos de forma tão elegante? Nada, claro. Eles falam por si mesmos.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

A ESTRANHA LÓGICA DOS ESQUERDISTAS


Mais uma do Junior, o leitor que acredita que existe esquerda democrática sem ser antimarxista. Que inventou a ideia de que é possível ser antitotalitário sem ser anticomunista. Ele não desiste. Eu também não desisto de mostrar que isso é um contra-senso total.

PPS: Esquerda antitotalitária existe (isso eu já provei). Mas pedir para alguém de esquerda apoiar o capitalismo e adorar os EUA é pedir para alguém de esquerda não ser de esquerda. Esse tipo de pegadinha é um total absurdo! Como você quer encontrar alguém de esquerda que não seja de esquerda? Como SEMPRE suas perguntas (assim como as respostas) são ILÓGICA!!!

Ok, Junior, você “provou” que existe esquerda antitotalitária. Isso quer dizer que você "provou" o seguinte: 1) Marx não foi o pai do totalitarismo comunista; e 2) O comunismo não era um regime totalitário.

Sem querer, você acerta em cheio, quando diz: “Pedir para alguém de esquerda apoiar o capitalismo e adorar os EUA é pedir para alguém de esquerda não ser de esquerda”. É exatamente isso! Você acabou de confirmar – mais uma vez – que esquerda pró-capitalista (logo, antitotalitária) e que não seja antiamericana é algo que não existe! É algo tão real quanto duendes e unicórnios.

Você só se equivoca num ponto: não é preciso adorar os EUA para não ser de esquerda. Basta não odiar os EUA. E suas opiniões sobre o terrorismo também deixam claro que não é possível ser de esquerda sem odiar a grande democracia americana.

Junior, você tem razão: como quero encontrar alguém de esquerda que não seja de esquerda? Como posso encontrar um esquerdista que não repudie integralmente o comunismo? Que não odeie os EUA? Que não procure justificar o terrorismo? Pedir isso é pedir algo que não existe. Esquerda democrática é mesmo uma contradição lógica. Obrigado por confirmar isso.

Enfim, deixei claro que é preciso ser antimarxista para ser antitotalitário. Que não é possivel ser contra o totalitarismo e recusar-se a repudiar Marx e a odiar o capitalismo e os EUA. Junior acha que dizer isso é ser ilógico. Fazer o quê?

Estranha lógica, essa dos esquerdistas. Estranhíssima. Melhor não entendê-la. Até porque, é impossível.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

ADEUS A MAIS UM GÊNIO (UM P.S.)

Junior parece ter desistido de sua decisão de deixar o blog. Parece que ele ainda quer brincar. Eu também quero brincar, claro.

Junior escreveu:
PS: Parabéns! Está aprendendo a fazer lógica. Pena que as suas premissas sejam SEMPRE falaciosas!

Assim como você, também não gosto que digam de mim o que eu não disse.

Em momento algum venerei Marx. Disse apenas que não iria pisar no retrato dele. Não sou marxista! Mas isso não me faz ser um anti-marxista. Assim como não gosto de Copa do Mundo, mas isso não significa que seja uma pessoa anti-copa do mundo. Aprenda a diferenciar as coisas.

Até.

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Obrigado. Agora falta você dizer qual premissa por mim colocada é falaciosa.

Tá bom, Junior, você não venera o barbudo comedor de empregadas. "Apenas" não é antimarxista. A questão continua: é possivel ser antitotalitário e não ser antimarxista? Você já sabe o que penso a respeito.

Eu também não venero Hitler, nem Stálin, nem Mao Tsé-tung, nem Fidel Castro, nem Dilma Rousseff. Mas faço questão de frisar, sim, que sou anti-nazista e anticomunista (ou seja: antimarxista e antitotalitário). Você acabou de confirmar que não pode dizer o mesmo.

Imagine se alguém dissesse: "Não venero Hitler. Mas não pisaria num retrato dele. Não sou hitlerista. Mas isso não me faz ser um anti-hitlerista". O que você diria?

É isso aí. Antes era a teoria do roubo da galinha. Agora, é a da Copa do Mundo. Tem certas "lógicas" que é melhor nem tentar entender...

E, finalmente, só para lembrar:

Afinal, existe esquerdista que seja antitotalitário? Existe alguém que seja de esquerda e que não odeie o capitalismo e os EUA?

O HERÓI DOS IDIOTAS GLOBALIZADOS


Escrevi aqui outro dia que não sabia quem era Julian Assange. Agora eu sei. É um mitômano, um megalomaníaco. Um perfeito idiota. O supremo idiota. O rei dos idiotas. O herói da idiotice global. Do mesmo naipe de um Noam Chomski, um Oliver Stone, um Michael Moore.

Os advogados de Assange – que, como até os esquimós sabem, causou um reboliço de proporções mundiais ao publicar milhares de documentos secretos e confidenciais da diplomacia americana em seu site Wikileaks – agora vieram com essa: seu cliente corre o risco, se for extraditado para a Suécia, onde responde a um processo por estupro, de ir parar em Guantánamo. Pior: de ser executado pelo governo dos EUA.

A coisa seria somente risível, se não fosse mais uma pedra no edifício da mitologia que se está criando em torno de Assange. É mais facil o governo de Dilma Rousseff extraditar o terrorista italiano Cesare Battisti ou o representante das FARC no Brasil, o ex-padre Oliverio Medina, do que o dono do Wikileaks ser recambiado para Guantánamo ou acabar no corredor da morte em alguma prisão norte-americana. É um acinte à inteligência.

Assange, vamos lembrar, está sendo processado por estupro. E a Suécia, ainda que Lula da Silva ache que não, é uma democracia, assim como a Itália (classificação que, segundo os lulo-petistas, caberia, ao contrário, a Cuba ou ao Irã). Então, qual é o problema?

Não me causa surpresa que esse sujeito tenha se transformado no queridinho dos esquerdiotas: seu site, o Wikileaks, dedica-se a tornar inútil o trabalho dos diplomatas dos EUA, revelando dados que podem colocar em risco a segurança não só do país, mas do mundo todo. E isso, sim, é crime! Qual sua motivação? O antiamericanismo, o ódio, o puro e simples ódio, aos EUA, que é inseparável do ódio à civilização e à democracia. O que esse cara quer é tornar o mundo menos, e não mais, seguro, e aproveitar para aparecer nas manchetes dos jornais. E é por isso que tantos idiotas o veneram. Não tem nada a ver com “liberdade de expressão”. Nada a ver com o Freedom of Information Act (FOIA), com o qual já estão comparando - burramente, ignorantemente - o Wikileaks.

Os EUA têm segredos a esconder, e alguns, inclusive, precisam ser revelados? Não há duvida que sim, do mesmo modo que os governos da Suazilândia e do Butão. Mas não é isso que Assange faz. Em seu site, ele mostra um vídeo em que um helicóptero norte-americano Apache pulveriza um grupo de inocentes no Iraque, inclusive alguns jornalistas da Reuters. O ataque foi o resultado de um erro de informação, e os responsáveis, com ou sem Assange, deverão pagar por isso. Mas sua intenção ao mostrar o vídeo e ao vazar os documentos é reforçar a ideia de que os EUA estão no Iraque para praticar tiro ao alvo em civis. O que ele pretende é jogar lama nos EUA, pura e simplesmente. Para a alegria dos que odeiam os - é assim que eles chamam -"estadunidenses".

Há quem compare Assange a Daniel Ellsberg, o ex-funcionário do Pentágono que causou furou em 1971 ao divulgar informações secretas do governo dos EUA sobre a guerra do Vietnã. Os Pentagon Papers, como foram chamados, abalaram o governo e colocaram ainda mais a opinião pública contra a guerra. Há três diferenças fundamentais: primeiro, o número de documentos vazados por Ellsberg era muito menor do que os de agora (cerca de 1.000 contra mais de 250 mil); segundo, Ellsberg poderia dizer que estava agindo movido pela pròpria consciência, pois fora oficial de inteligência do Pentágono e estivera, inclusive, no Vietnã (se agiu certo ou não, esta é outra questão); terceiro, e o mais importante: os documentos vazados por Ellsberg não afetavam diretamente a segurança de cidadãos (norte-americanos ou não) no mundo todo, como é o caso do Wikileaks.

Mesmo assim, na época Nelson Rodrigues chegou a escrever uma crônica na qual perguntava sobre Daniel Ellsberg: se, na Segunda Guerra Mundial, um soldado americano roubasse documentos ultra-secretos revelando a data e a localização do desembarque do Dia D na Normandia, seria ou não considerado um traidor? Ellsberg foi tratado como herói pela esquerda anti-EUA. Assange também está tendo tratamento semelhante.

Tudo isso, porém, é acadêmico. O importante é que Assange está se escudando em sua condição de celebridade instantânea da esquerda chique e do antiamericanismo global para fugir a uma convocação legal por outro crime, que não tem qualquer relação com o Wikileaks. Para ele, é até conveniente que assim o seja, pois como se sabe seu público se alimenta de paranóia e fantasias conspiratórias. Quando eu quiser pôr em perigo a segurança do mundo livre, vou tomar o cuidado de estuprar duas suecas antes. Assim, estarei blindado contra qualquer acusação legal, que poderei atribuir a uma armação do imperialismo para me pegar.

Os advogados de Julian Assange estão com medo de que ele acabe em Guantánamo. Acho o receio totalmente infundado. Para alguém como ele, a cadeia não é a pior punição. Deixar de ser manchete, sim.

EIS COMO FUNCIONA A MENTE DE UM ESQUERDOPATA


Recebi uma mensagem absolutamente reveladora de um certo "Carlos" (não se preocupe, meu caro: seu ID já está anotado). Trata-se de uma amostra de como "funciona" uma mente esquerdopata, a mais que perfeita tradução do que vai por dentro das caixas cranianas desses seres iluminados e maravilhosos que são os esquerdiotas. E é mais uma prova de que este blog é desaconselhável para quem tem problemas psíquicos e para idiotas, ou seja, para quem tem idade mental inferior a cinco anos. Preparem o Engov:

Você caro Gustavo é mais um daqueles sujeitinhos mal amados. Nada de mulher ou sexo; nada de amor, amizade... Deve ser um gordo feio, que fica vendo um monte de merda americana na TV, comendo McDonald. Comedor de puta, pois não tem nenhuma chance com a mulherada perante o teu físico grotesco. Lamento... frustrado desse jeito, acho que também seria como você, seu judeu filho da puta! Defende a bandeira da liberdade única e exclusivamente para conseguir dinheiro à vontade e não pagar as penas das injustiças e desigualdades do mundo. Todos vocês são uma corja só: individualistas, assassinos e bandidos corruptos!!!

Vocês devem estar se perguntando: por que eu publiquei ISSO aqui? E por que ainda me dou ao trabalho de comentar essa porcaria, saída de uma mente certamente doentia e escrita em linguagem de cortiço? Peço desculpas aos demais leitores pelo nível realmente abissal desse tipo de coisa, mas respondo: publico porque tem um significado, digamos, didático.
Antes de expelir essa excrescência de meu blog – fique tranquilo, caro imbecil, aqui você não bota mais os cascos –, não resisto a dizer algumas palavras sobre, bem, sobre "isso aí".

O autor do, como dizer?, "comentário" reproduzido acima é um gênio, como já disse. Além de saber tudo sobre modos de produção econômicos (chegou a dizer, em resposta a um post meu anterior, que o capitalismo é uma "construção ideológica", vejam só...), ele sabe tudo da minha pessoa. Mais do que isso: sabe tudo sobre minha privacidade. Deve ter sido professor de Freud ou de Lacan na faculdade, pois conhece até os mais profundos recônditos de minha vida sexual e afetiva... É tambem alguém dotado de uma incrível percepção extra-sensorial, pois sabe perfeitamente como é meu tipo físico, além de conhecer a fundo minha dieta diária e o que vejo na televisão. Daqui a pouco vai adivinhar minha cor favorita ou para que time de futebol eu torço. Gostaria de saber o nome da empresa que fabrica o chip que o dito-cujo instalou em meu cérebro para me monitorar ou coisa parecida...

Mas o mais impressionante, o mais genial em sua mensagem, é que, graças a ele, eu descobri – sim, agora eu sei – que eu sou um "judeu filho da puta" (!?). Sim, senhores! Confesso que fiquei surpreso com essa revelação. Já tinha sido alvo de ofensas pessoais de baixo nível, e inclusive de xingamentos à minha genitora, mas, sinceramente, "judeu" é a primeira vez. Ainda por cima os dois epítetos juntos: “judeu filho da puta”! Só posso concluir que, para quem expeliu essa pérola, as duas coisas são sinônimos, existiria até uma relação causal entre as duas palavras. Ou seja: sou judeu porque sou f.d.p. e sou f.d.p. porque sou judeu. De qualquer maneira, sou um judeu desprezível, que merece ser exterminado. Peraí! Isso me lembra alguém...

Páro por aqui. Tanta imundície já está me dando náusea, enjôo, ânsia de vômito. Já estou com vontade de dar às palavras do tal “Carlos” o mesmo destino que se dá a um lanche digerido do MacDonald’s. A diferença é que nem o esgoto, creio eu, iria aceitar esse tipo de indecência.

ADEUS A MAIS UM GÊNIO


Ah, que pena!

O Junior – aquele leitor que insiste na existência de uma esquerda antitotalitária, assim como muitos insistem que existem ETs e que a Terra seria oca – decidiu pedir para sair do blog. Não quer mais brincar. Não vai mais me brindar com sua sabedoria.

Vejam o que ele escreveu sobre meu texto UM EXERCÍCIO DE LÓGICA IMPECÁVEL (OU: A FILOSOFIA DO ROUBO DA GALINHA):
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Definitivamente o pessoal de direita não sabe lógica!

Respondendo ao anônimo: Em momento algum eu me disse citando Marx, logo não preciso demonstrar fonte do mesmo.

Respondendo ao Gustavo. Não queime os seus livros de filosofia, apenas faça o que você não fez: estude-os.

A lógica que utilizei foi a mais simples, que pode ser encontrada em qualquer livro de Introdução à Lógica, e que pelo visto você não consegue sequer acompanhar. O que disse em ambos os silogismo nada mais foi do que:

Todo A é B
C é A
Logo, C é B.

A tua lógica é que não tem lógica alguma. Você disse:

X tem A
X tem A porque B
X é B porque C
X é C porque D

Depois quis concluir da seguinte forma:
Y não A
Logo, Y é G

Ou seja, uma lógica de botequim que só um bebum pode comprar!

Vai estudar, seu Zé Mané! Teu discurso não tem coerência alguma.

Mas como você admitiu a falácia da premissa A (Todo Homem que se diz ser contra a desigualdade social e econômica é totalitário), não vejo mais porque continuar estendendo minha conversa.

Como admiti que ambas as premissas A estavam erradas, não preciso me explicar quanto a filosofia do ladrâo de galinha que você tentou me atribuir.

Até.
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Junior, realmente nao consigo acompanhar sua lógica, em especial sua teoria revolucionária do roubo da galinha – aquela que compara a defesa (inconsciente ou não) do totalitarismo com um ladrão de galináceos. Sou um cara meio curto das idéias, não tenho toda essa sua sofisticação intelectual. Por exemplo, não consigo entender como é possível alguém se dizer contrário a ditaduras e ao mesmo tempo venerar Marx, o pai ideológico das piores ditaduras que já existiram. Pensei que você pudesse me explicar isso.

Até pensei em seguir seu conselho, e reler toda minha biblioteca de Filosofia, desde os pré-socráticos. Mas ai me dei conta de que não preciso, pois você já explicou tudo. Sua teoria, de tão inovadora, transforma Aristóteles num Zé Mané, assim como eu.

Realmente meu discurso não tem coerência nenhuma, como você disse. Afinal, é muita incoerência da minha parte afirmar que qualquer um que se diga contrário ao totalitarismo tem que repudiar o marxismo. Coerência, mesmo, é se dizer um defensor da liberdade e continuar venerando o pai ideológico de Lenin e Stalin.

Como já disse, a premissa A – "Todo homem que diz ser contra a desigualdade social e econômica é totalitário" – está errada, pelos motivos que já apontei. O maior deles é um simples detalhe, que voce, pelo visto, esqueceu: eu simplesmente NÃO disse isso. Afirmei, e repito, o seguinte: Todo homem que se diz contra a desigualdade social e econômica (ou pela paz, o amor, as flores e as borboletas...) mas que não repudia o marxismo É SIM, A FAVOR DO TOTALITARISMO (por convicção ou por ingenuidade, não importa). E todo aquele que insistir no contrário ou é um tolo ou é um cínico. Mas isso, claro, é logica de botequim que só um bebum pode comprar...

É uma pena mesmo que voce va nos deixar, Junior. Mas pelo menos não vou ter mais que repetir a pergunta de que voce fugiu de responder: afinal, existe esquerdista que seja antitotalitário? Existe alguém que seja de esquerda e que não odeie o capitalismo e os EUA? Você, com esse seu comentário, respondeu a pergunta.

Adeus, Junior. Você vai deixar saudades.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

EU, O "TUCANO"


Mais um para a galeria de leitores que pedem para apanhar. Uma cavalgadura dessas daí cometeu o seguinte comentário sobre meu texto A ESTATIZACÃO DA VIDA PRIVADA:

Concordo com esse texto mas sugiro que você mude o nome do Blog.Ao invés de Blog Do Contra coloque blog do PSDB.Você só usa o blog para criticar o governo do PT? Pare com isso e começe a ser sensato. Não use esse poderoso veículo de comunicação apenas para mudar as opiniões das pessoas. Se quer falar dos erros do governo do Lula ok mas ressalte também os acertos.

Ai, ai... Fico na dúvida se devo responder a esse tipo de coisa ou não (é chato ficar me repetindo). Mas vamos lá. Pelo menos ele disse que "concordou" com o texto (será que concorda mesmo? Sei não...).

Mudar o nome do blog? Já pensei nisso. Mas, francamente, "Blog do PSDB" (?!) O companheiro aí em cima pelo visto não deu uma olhada nos arquivos do blog. Se fizesse issso, perceberia que há lá vários textos meus em que desço o malho nesse chá de dondocas e bando de socialistas envergonhados que é o PSDB, um partido que faz de tudo – até perder eleição – para não confrontar o chefe do governo mais corrupto da História do Brasil. Deixo aqui alguns links para que ele mesmo tire a prova:
http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2010/02/onde-esta-direita.html;http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2010/02/rumo-farsa-eleitoral.html; e http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2007/11/pt-e-psdb-o-duoplio-esquerdista.html.

O que não me deixa de causar espanto em comentários assim são frases como "Você só usa o blog para criticar o governo do PT?" etc. Digamos que isso fosse verdade. Que o blog só existisse para criticar os petralhas. Pergunto: e daí? Qual o problema com isso? Eles estão acima da crítica? Então, para falar mal do Lula, é preciso falar mal do Serra ou do DEM também, senão não vale? É isso o que chamam de "neutralidade"?

Quem acompanha o blog sabe perfeitamente que não me limito a criticar Lula e o PT. Mas e se fizesse isso, qual seria o búsilis? "Ah, mas você não vai falar mal do PSDB também?" etc. Posso até falar, como falo, mas não porque os petralhas querem que eu fale (ou pelos motivos que eles acham que devo criticar). Quem disse que para denunciar os petralhas é preciso olhar para o outro lado? Isso não passa de uma forma de pautar o blog. Se é isso que querem, podem tirar o jegue da chuva que ele já está molhado.

Essa tentativa tosca de reduzir toda a política à polarizacão petistas versus tucanos é uma das coisas mais falsas que existem, como já cansei de escrever, além de ser um claro sinal de rebaixamento do debate político. Então tudo se resume a ter de escolher entre mais e menos esquerda, entre a esquerda da esquerda e a direita da esquerda? Então quem não é petista é tucano? É isso?

É curioso como a principal linha de defesa dos petistas e assemelhados, hoje, seja o nenhumladismo, isto é, a idéia muito conveniente de que "todos fazem igual" e que, portanto, as culpas se equivalem, e o jogo estaria zerado. Quer dizer: antes, "eles" se diziam os virtuosos e diferentes de "tudo isso que está ai". Agora, ele se escudam na idéia de que são iguais a todo mundo. Não caio nessa. Aliás, já denunciei aqui esse discurso como uma forma de empulhacào, criada para salvar a cara da petralhada. Todos iguais, o cacete!

Outra coisa: não quero mudar a opinião de ninguém. Os lulo-petistas, por exemplo, vão continuar com a opinião deles lendo ou não o que escrevo. Quero apenas expor a minha opinião (ter uma opinião própria, aliás, está ficando perigoso...). E minha opinião, deixo claro, não é a mesma de quem diz "quer falar mal do governo, ressalte também os acertos". Também já falei desse tipo de discurso acaciano aqui. Aliás, já ressaltei, em outros textos, o principal – na verdade, o único – acerto do governo Lula: a manutenção da mesma política economica de FHC. Eles, os petralhas, é que parecem que não gostam muito de falar nisso. Até dizem que foram eles que fizeram tudo... Mas dizer isso, claro, é ser "tucano".

Não, meu filho, não sou sensato. Não vou mudar o nome do blog. Não vou deixar que me pautem. O blog continua sendo Do Contra. Contra a burrice. Contra a sonsice. Contra comentários cretinos como o que está aí em cima.

UM EXERCÍCIO DE LÓGICA IMPECÁVEL (OU: A FILOSOFIA DO ROUBO DA GALINHA)


O Junior, aquele leitor que acha que ser de esquerda é pertencer ao lado bom e maravilhoso da humanidade, continua querendo ser de esquerda sem pagar o preço lógico por isso. Ele escreveu o seguinte, sobre meu texto "DESTRUINDO ILUSÕES":

Não há nada de burro em você, mas falta boa vontade. A analogia que fiz foi muito simples. Em termos lógicos você disse:

A)Todo Homem que se diz ser contra a desigualdade social e econômica é totalitário.
B) Junior é contra a desigualdade social e econômica.
C) Logo, Junior é totalitário.

Eu disse:
A) Todo pobre é ladrão de galinha.
B) Fulano é pobre.
C) Logo, Fulano é ladrão de galinha.

Logicamente, premissas e conclusão estão corretas, mas a premissa A (de ambas as partes) é falaciosa. Portanto, se uma premissa é mentirosa, a conclusão não pode ser correta.

Continuo a afirmar: sou contra a desigualdade social e econômica e também sou contra o totalitarismo.

---
Caro Junior,

Parafraseando o que você disse a meu respeito, desconfio de que você até tem boa vontade em querer aprender, mas falta-lhe, infelizmente, a necessária capacidade cognitiva.

Depois de ler essa sua explicação sobre a analogia entre a defesa do totalitarismo e o roubo da galinha, tomei uma decisão drástica: vou agora mesmo queimar todos os meus livros de Filosofia. Vou fazer uma grande fogueira. O que você escreveu é simplesmente uma revolução. Voce inventou uma nova lógica: a lógica do roubo da galinha.

Em primeiro lugar, quero dizer que concordo inteiramente com você quando diz que a a premissa A ("Todo Homem que se diz ser contra a desigualdade social e econômica é totalitário") é falaciosa. Só tem um problema: onde foi que eu escrevi isso? Minha memória pode falhar às vezes, mas me lembro bem do que eu disse – e, principalmente, do que eu NÃO disse. E o que escrevi foi o seguinte (vou resumir para você):

1) Não basta se dizer a favor da igualdade (ou da justiça, ou da paz e do amor...); é preciso ser coerente;

2) A favor da igualdade etc., tiranos como Stálin e Hitler também eram;

3) Dizer-se a favor da igualdade etc. sem enfatizar igualmente a LIBERDADE é um contra-senso, e significa, sim, aproximar-se do totalitarismo, que também valoriza a “igualdade”;

4) Defender a liberdade (portanto, ser anti-totalitário) é repudiar o marxismo, pois não é possível ser anti-totalitário sem ser antimarxista.

Enfim, sua analogia – e a explicação que você dá a ela - tem tanto sentido quanto a seguinte:

A) Manoel tem um aquário.
B) Ele tem um aquário porque mora sozinho.
C) Ele mora sozinho porque é solteiro.
D) Ele é solteiro porque é mulherengo.

Manoel então resolveu aplicar esse mesmo método a seu amigo, Joaquim. Ele chegou à seguinte conclusão lógica:

A) Joaquim não tem um aquário.
B) Logo, Joaquim é gay.

E só para lembrar, propus uma questão lógica bastante simples:

A) Junior se diz de esquerda e contra o totalitarismo.
B) O marxismo é uma ideologia de esquerda e é essencialmente totalitária.
C) Junior se recusa a dizer-se antimarxista.
D) Preciso continuar?

Continuo a perguntar: conhece alguém que seja de esquerda e antimarxista? Conhece algum esquerdista que cuspiria no retrato de Marx? Algum que não odeia o capitalismo e os EUA? Você, pelo visto, não é essa pessoa.

terça-feira, janeiro 11, 2011

RESPOSTA A UM GÊNIO


Isso de ficar respondendo comentários de certos leitores chega a ser cansativo. Mas não dá para evitar. Vejam o que escreveu um certo "Carlos”, sobre meu texto DESTRUINDO ILUSÕES (transcrevo a parte que dá para aproveitar):

[...] Penso que há um equívoco em tua resposta ao junior. Você diz que se alguém não é a favor do capitalismo ou é comunista ou anarquista. Mas o que é isso? Dizer que estas são as únicas possibilidades do homem é reducionismo. Todas as três formas citadas são construções ideológicas recentes. Não creio que um grego do séc. VII a.C. vivesse em algum destes três sistemas.

Reduzir-nos a estes três é assumir a incapacidade do homem de pensar num sistema mais avançado e melhor.


O autor do comentário acima, como vocês devem ter notado, é um gênio. Sim, pois só um gênio para dizer que há uma terceira alternativa ao capitalismo, além do comunismo ou da anarquia. Só um cérebro privilegiado para afirmar que dizer o contrário é "reducionismo". Só mesmo um Einstein, um Stephen Hawking, para dizer que o capitalismo é uma "construção ideológica", como o comunismo ou o anarquismo...

Suponho que o autor dessas pérolas de sabedoria tenha as chaves de um mundo perfeito, uma terra encantada onde corre leite e mel. Estou curioso: que outro sistema "mais avançado e melhor" que o capitalismo a humanidade criou ou vai criar um dia? Talvez o Carlos saiba.

Em tempo: o fato de os gregos do século VII a.C. viverem num sistema econômico-social diferente do capitalismo, ou do comunismo, ou da anarquia, quer dizer o quê, exatamente? Que deveríamos renunciar ao que temos hoje e voltar 2.500 anos atrás? Não dá para negar que é uma alternativa. Já temos três, portanto: o comunismo, a anarquia (que as vezes se confundem) e a volta ao passado escravista. Ou, por que não?, uma volta ao feudalismo? Ou, ainda, por que não retroceder um pouco mais na escala do tempo e regressar à epoca das tribos coletoras-caçadoras? Pensei muito e não, obrigado: fico com o capitalismo mesmo.

Na verdade, pelo visto só há uma alternativa mesmo ao capitalismo. Ela implica abandonar a posição ereta e passar a movimentar-se sobre os quatro membros ao mesmo tempo. Significa passar a andar de quatro e comer capim. Como já estou velho demais para isso, e como tenho ambições bem modestas - basta o sistema permitir a liberdade, já está de bom tamanho para mim -, prefiro o capitalismo.

DESTRUINDO ILUSÕES - II


Respondo ao Junior, um leitor do blog que insiste em ser de esquerda sem as consequências de ser de esquerda. Ele vai em vermelho, cor com a qual certamente se identifica:

O que você diz sobre a minha resposta não é o que eu disse. Você distorceu o que eu disse a seu favor.

Junior, você me deixou confuso: não foi você que escreveu o comentário? Limitei-me a analisar e responder o que você escreveu. Cheguei mesmo a reproduzir integralmente, aqui, suas palavras, como faço novamente agora. Mas você diz que o que eu disse não foi o que você disse. Foi algum "bogus"?

Dizer que alguém por ser contra a desigualdade social e econômica é se aproximar do totalitarismo só porque Lênin, Stalin e Hitler o fizeram, é uma falácia da tua parte. É como dizer que só porque um pobre roubou uma galinha, então todo pobre é ladrão de galinha. Não é bem assim que a coisa funciona.

"Só porque"? Então você acha pouco convergir com esses ditadores e assassinos em massa?...

Mas deixa pra lá. O importante é que apontei um aspecto comum a todas as formas de totalitarismo – a ênfase na "igualdade", em detrimento da liberdade (a melhor maneira de não ter nem uma coisa nem outra). Aspecto esse que você, pelo que escreveu, compartilha. Se isso é uma "falácia", como você diz, então devemos concluir que toda a lógica é falaciosa e deve ser abandonada.

Junior, confesso que não entendi essa sua analogia do apoio ao totalitarismo com o roubo da galinha. Poderia explicar melhor? Talvez eu seja muito burro e não tenha entendido pensamento tão elevado...

Se falo que sou contra a desigualdade social e econômica e também sou contra o totalitarismo, significa que NÃO vejo como solução para a desigualdade o totalitarismo.

Como já disse, Lênin, Stálin e Hitler tambem se diziam contra a desigualdade etc. Mas é verdade, falar não é o bastante. É preciso ser coerente. Falar que é a favor da liberdade mas não firmar posição contra o marxismo, por exemplo, é de uma incoerência sem tamanho. Eu diria mesmo que é um sintoma de esquizofrenia.

Mas OK, você diz que não considera o totalitarismo uma solução. Perfeito, estamos de acordo quanto a esse ponto. Isso significa que você deve repudiar totalmente o marxismo, fonte dos piores regimes totalitários do século XX, certo? Mas será que é isso que você faz?
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Outra falácia da tua parte é me colocar como a favor do terror e dos terroristas. Se eu disse que o terrorismo é uma resposta ao imperialismo, não quer dizer que sou a favor deste tipo de ação. Significa apenas a constatação de um fato: sempre onde houver império, haverá contra-império; logo, se não houvesse império não haveria como alguém ser anti-império.

Mais uma incoerência: dizer-se contra o terrorismo e afirmar, logo em seguida, que ele é uma "resposta ao imperialismo" (!) só pode ser cinismo retórico ou confusão mental. É o mesmo que colocar Bin Laden e os fanáticos do Hamas ou do Hezbollah como lutadores da liberdade em defesa dos oprimidos... Como lutadores contra o "império" etc. Se isso não é justificar o terrorismo – e, portanto, a morte de milhares de inocentes –, sinceramente não sei o que é. (Sem falar que meu exemplo da Indonésia e de Timor-Leste continua sem resposta: se o terrorismo é uma forma de “resistência à dominação estrangeira”, então por que não há terroristas antiindonésios?)

Em outras palavras, o que você está dizendo é o seguinte: o terrorismo é uma reacão ao "imperialismo". Logo, se não houver "império", não haverá mais terrorismo. Logo, se não houver mais EUA, deixará de existir o terrorismo. Conclusão: os EUA, e não Bin Laden, são os grandes culpados pela existência do terrorismo. Ou: o problema não é o terrorismo em si, mas o "império"...
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Pensei em classificar esse tipo de raciocínio como bucéfalo. Mas percebi que chamá-lo assim seria injusto. É mais que bucéfalo: é delinquente. É criminoso.
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Junior, você me perguntou em outro post por que não há anti-esquimós, assim como há antiamericanos (ou antiisraelenses). Tenho um palpite: será que é porque os esquimós, ao contrário dos EUA, não constituem uma sociedade, digamos assim, afluente, berço das idéias liberais e da sociedade mais democrática já existente, além, claro, de a mais rica? O que acha?

Mas nem precisa responder. O que vem em seguida já respondeu tudo para mim:

Pergunta: Por que deveria pisar no retrato de Karl Marx, se muito do que ele disse no "Capital" e sobre o capital é verdade? Por que deveria esquecer Marx, se até mesmo os capitalistas americanos o leram e o consideram relevante?

Resposta: por que você deveria pisar no retrato de Marx? Por nada. Só porque ele foi o pai ideológico das piores ditaduras que já existiram sobre a Terra? (Sem ele, não teria havido Lênin, nem Stálin, nem Mao Tsé-Tung, nem Fidel Castro...) Só porque ele foi um notório racista, etnocêntrico e advogado do exterminio de populações inteiras? Por que se importar com essas coisas desimportantes? Por que um democrata e defensor da liberdade iria cuspir no túmulo de alguém assim, não é mesmo?

Ah, mas "até mesmo os capitalistas americanos" consideram o Carlos Marques relevante, é? Bom, pior pra eles, isso mostra apenas que deveriam estudá-lo melhor, não o conhecem o bastante. Aliás, não digo que o velho barbudo comedor de empregadas não tenha lá sua relevância histórica, nem que devemos esquecê-lo: pelo contrário, acho que figuras como Marx, assim como os crimes inomináveis que ele inspirou, devem estar sempre na memória. É preciso sempre lembrar dos crimes do comunismo, assim como de Auschwitz. Assim, quem sabe, haverá menos gente iludida na idéia do Marx "humanista", entre outras balelas que nos ensinaram no ginásio.

Mas enfim, Junior, quando é que você vai me mostrar um exemplo de esquerdista que preza pela liberdade e pela democracia, anticomunista e defensor do capitalismo e do liberalismo, enfim, da sociedade aberta? Até agora, você só comprovou o que venho afirmando desde que criei este blog: que é impossivel ser de esquerda e não ser, de alguma forma, pró-totalitário. Pelo que você escreveu, você está em sintonia com o que dizem o PSOL ou o PSTU. Continuo esperando. Sou um cara paciente.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

DESTRUINDO ILUSÕES


Um leitor, o Junior, quer ser de esquerda sem os inconvenientes de ser de esquerda. Quer ser esquerdista sem os problemas que isso acarreta. Eu, como sempre, ofereço-me para o papel de destruidor de ilusões. Sei que a tarefa é inglória, até antipática, mas, infelizmente, é necessária.

Em meu último post, fiz o seguinte desafio:

Por favor, mostre-me um exemplo, apenas um exemplo, de militante de esquerda, de qualquer tipo e vertente, que seja, também, um ferrenho anticomunista e defensor do liberalismo político. Mostre-me um que seja esquerdista e inimigo de Fidel Castro, Hugo Chávez, Stálin, Mao Tsé-Tung, Che Guevara, Lênin e Marx. Somente um! É só isso que peço.

Ou, para ser mais preciso: dê-me um nome, um único e miserável nome, de algum esquerdista que seja anti-Fidel Castro, anti-FARC, antitotalitário e que, ao mesmo tempo, seja a favor do capitalismo, do Ocidente e dos EUA (lembrando: as únicas alternativas ao capitalismo são o comunismo e a anarquia; e nenhum deles é muito compatível com a civilização).


Junior respondeu assim:

Respondo: Eu sou! Sou contra Fidel Castro, Hugo Chávez, Stálin, Mao Tsé-Tung, Che Guevara, Lênin, anti-FARC, antitotalitário e anti-Bush! Mas prezo pela esquerda e não pela direita. Não concordo com o método capitalista, e isso não significa que quero fazer uma revolução comunista. Ser de esquerda, segundo penso, é ser contra o status quo operante, ser contra a desigualdade social e econômica. Penso que as pessoas deveriam ter um sistema econômico mais igualitário, e isso não significa ser totalitário. Mas você pode dizer: "mas isso é utópico!". Que seja! Não vou ser a favor do sistema econômico presente só por ele ser o "menos pior".

Caro Junior,

Continuo à espera de você me mostrar um nome, apenas um nome, de alguém que seja de esquerda e, ao mesmo tempo, ANTICOMUNISTA, PRÓ-LIBERAL e A FAVOR DO CAPITALISMO e dos EUA. Você, pelo que escreveu, está mais à esquerda do que muita gente no PSOL...

Aprendi há tempos que não se deve julgar alguém pelo que ele ou ela diz de si mesmo, e você apenas confirma isso. O que significa não concordar com o "método" capitalista? O capitalismo não é um "método", seja lá o que isso signifique; é um sistema econômico. As únicas alternativas a ele são o comunismo ou a anarquia. Dizer-se contra o capitalismo como "método", sinceramente, é não dizer rigorosamente nada (não sou contra o comunismo como "método", sou contra ele em sua totalidade).

Sua definição de esquerda como uma posição moral – ser contra a desigualdade social e econômica, em favor de um sistema mais igualitário etc. – é outra coisa que não quer dizer absolutamente nada. Aliás, é mais um fator a lhe aproximar do totalitarismo: todos os tiranos de esquerda, como Lênin, Stálin e Fidel Castro, são ou se dizem a favor da igualdade. O próprio Hitler se dizia a favor da igualdade.

Você diz que não se importa de defender algo utópico. Até aí, tudo bem. Sonhos, todos precisam ter. Mas dizer que não defende um sistema econômico por ele ser o "menos pior", é algo difícil de aceitar. O fato de o capitalismo ser "menos ruim" do que todos os outros sistemas é, para mim, motivo mais do que suficiente para defendê-lo. Do mesmo modo que a democracia, como disse Churchill, é o pior dos regimes políticos, excetuando todos os outros. Por esse seu raciocínio, deveríamos descartar a democracia, pois afinal ela é o "menos pior" dos regimes. O que sobra? O... totalitarismo! Justo aquilo que você diz não defender.

Tudo isso só vem confirmar aquilo sobre o que já escrevi abundantemente neste blog: que a suposta divisão entre esquerda "moderada" (ou "light", ou “democrática”) e esquerda radical, ou entre esquerda "vegetariana" e esquerda "carnívora" não passa de uma tola ilusão. Refrigerante light engorda menos, mas tambem engorda.
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Mas minha certeza de que você é, sim, de esquerda, e portanto é, sim, pró-totalitário como todos os esquerdistas (mesmo sem o saber), veio no último parágrafo de seu comentário.

Não nos esqueçamos que muito do terrorismo existente se deve ao próprio EUA. Foram eles os primeiros a entrarem em outros países pregando seu american way of life e a longa vida ao capitalismo. Não apoio o terrorismo. O que digo é que, talvez, se os EUA fossem menos invasivos (seja belicamente, seja culturalmente), talvez não houvesse terrorismo contra os EUA e nem anti-americanos. Pergunta: Por que não há anti-esquimós?
(Talvez estes nunca tenham se metido na cultura alheia)


Junior, vamos dar nome aos bois: de que "muito do terrorismo existente" você está falando? Do Bin Laden? Do Hamas? Do Hezbollah? Do ETA? O que você está dizendo é: só existe terrorismo porque os EUA fizeram isso ou aquilo ("se meteram na cultura alheia" etc.). Ou seja: só existe terrorismo – é o que você diz – por causa dos EUA. Em outras palavras, você está dizendo que o terrorismo é uma forma de reação ao "imperialismo", uma tese constantemente repetida por gente como Hugo Chávez e Fidel Castro.

Ainda que o terrorismo fosse isso mesmo, e que os EUA fossem os culpados por ele existir – a teoria do "estão colhendo o que plantaram" etc. –, seria preciso descobrir que tipo de “invasão bélica ou cultural” os EUA fizeram em países como o Afeganistão antes de 2001... Além do mais, eu lhe pergunto: por que não se vê um cidadão de Timor-Leste, por exemplo, se encher de bombas e ir se explodir e levar junto umas duzentas pessoas na Indonésia? A Indonésia invadiu Timor-Leste em 1976, ocupou o país por quase trinta anos, tentou impor sua cultura e exterminou boa parte da população timorense. Então, por que não há antiindonésios? (Outra coisa: quem disse que derrubar ditaduras e garantir os direitos humanos é "se meter na cultura alheia"? Então o totalitarismo agora é uma característica cultural de certos povos? Isso me parece uma forma de ofendê-los.)

Ainda assim, mesmo que os EUA fossem os grandes culpados por serem alvos de ataques terroristas – o mesmo dizem de Israel –, você estaria obrigado a afirmar que o que aconteceu em 11 de setembro de 2001 foi uma "resposta legítima" ao "imperialismo" norte-americano. Estaria obrigado a dizer que as vítimas tiveram o que mereceram. Preciso comentar isso?

Enfim, assim como vc é anticapitalista, também é antiamericano. Quase tão anticapitalista e antiamericano quanto os irmãos Castro ou o João Pedro Stédile. E é de esquerda, como você mesmo faz questão de frisar.

Portanto, o desafio continua: mostre-me alguém que se diz de esquerda e que pisaria num retrato de Karl Marx. Mostre-me um esquerdista que reverenciaria a bandeira dos EUA. Enfim, um esquerdista que defenda a liberdade e a democracia. Qualquer um. Continuo esperando. Vou esperar sentado.

sábado, janeiro 08, 2011

UMA PERGUNTA - E UM DESAFIO

Estou dedicando muito tempo a responder comentários de leitores. Alguns deles, como vocês podem ver, nem mereceriam resposta (eles parecem agir sempre em bando, como as hienas e os chimpanzés). Mas acho necessário. Às vezes, alguém faz uma pergunta interessante, e sem querer acaba me dando mais razões para pensar como penso.
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É o caso de um certo Junior, que postou o seguinte sobre meu texto "PALHAÇADA" (em que respondo a um gaiato que quis transformar o blog em seu picadeiro):
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Caro,
Se você tem direito a fazer sua própria direita, como você mesmo falou, aquela que é antitotalitária, ao contrário da direita golpista e individualista. Pergunto-te por que não posso falar de uma esquerda que também não é revolucionária e cheia de matança?

Se você pega apenas uma parte da direita e esquece os golpes e demais atrocidades que o EUA e demais cometeram. Por que não posso ir contra Fidel Castro, ser antitotalitário, ser contra as Farc e me manter na esquerda por ser contra o status operante do mundo e achar que o capitalismo não é a saída ideal para o mundo?

Penso que você se engana ao tratar somente a esquerda a maneira de Fidel.

RESPONDO

Caro,

Primeiro, não sou eu que "faço" a "minha própria" direita. Não faço nada. Apenas chamo a atenção para um fato que julgo preocupante no Brasil: a inexistência, nestas paragens, de uma resposta liberal, conservadora - e sim, de direita - à hegemonia esquerdista. E aponto para algumas características básicas da direita liberal (ou liberal-conservadora): o antitotalitarismo é uma delas. Isso significa que qualquer um que se apresentar como "de direita" mas não tiver como fundamento de ação a defesa da liberdade não contará com meu apoio. Pelo contrário: denunciarei o sujeito como um farsante.

Segundo, vamos tratar os conceitos com o devido respeito: se você está se referindo a uma direita antitotalitária (ou seja: liberal, ou liberal-conservadora) como o oposto de uma direita golpista (aqui acertou) e INDIVIDUALISTA (!?), acertou em parte. De fato, sou antitotalitário (o que significa que sou anticomunista, e antifascista), mas de onde você tirou que "golpista" e "individidualista" são coisas aparentadas? Sou antitotalitário e individualista, o que não me torna "golpista" ou seja lá o que for. O individualismo é a base mesma do pensamento liberal. Preciso explicar por quê?

Terceiro, não disse que você não pode falar de uma esquerda que não seja revolucionária. Pelo contrário, mostro em vários textos que não é preciso ser um bolchevique sedento de sangue da burguesia para ser esquerdista. Afirmo apenas que, por mais diferentes que sejam os diversos matizes de esquerda, há mais a uni-los do que a separá-los. Quem mais sustenta regimes e ideologias totalitários não são os radicais; são os "moderados".

Quarto, faço-lhe um desafio:

Por favor, mostre-me um exemplo, apenas um exemplo, de militante de esquerda, de qualquer tipo e vertente, que seja, também, um ferrenho anticomunista e defensor do liberalismo político. Mostre-me um que seja esquerdista e inimigo de Fidel Castro, Hugo Chávez, Stálin, Mao Tsé-Tung, Che Guevara, Lênin e Marx. Somente um! É só isso que peço.

Ou, para ser mais preciso: dê-me um nome, um único e miserável nome, de algum esquerdista que seja anti-Fidel Castro, anti-FARC, antitotalitário e que, ao mesmo tempo, seja a favor do capitalismo, do Ocidente e dos EUA (lembrando: as únicas alternativas ao capitalismo são o comunismo e a anarquia; e nenhum deles é muito compatível com a civilização).

Se você encontrar alguém que se encaixe na definição acima, pode ter certeza: ele ou ela não é, ou não é mais, de esquerda.

Faça isso, caro leitor, e eu deixo de ser do contra. Faça isso, e prometo que me converto no mesmo instante ao que você quiser que eu me converta, e passo a acreditar no que você quiser que eu acredite. Aproveite e me diga que sistema econômico-social além do capitalismo é compatível com a democracia e o respeito às liberdades individuais e aos direitos humanos. E que outro país além dos EUA é capaz de enfrentar ameaças como o terrorismo islamita e salvaguardar as liberdades democráticas no mundo inteiro.

Enfim, como já disse antes, eu posso ser de direita e antitotalitário. E quem é de esquerda, pode dizer que é também anticomunista? Responda, se puder.

LULA É MINHA ANTA


Leiam que bonitinho o comentário que um leitor anônimo escreveu sobre meu texto "E AGORA, LULA?". Vocês verão que ele está atrasado - já respondi a todas as observações dele em meu texto "O BRASIL PIOROU". Além disso, ele demonstra não ter entendido o que escrevi - falei de coisas como o deslumbramento com o poder, o fato de que Lula só existe se estiver sob os holofotes, o que parece que o gentil leitor não compreendeu. Mas respondo assim mesmo. Não resisto a fazer um vermelho-e-preto. Vocês vao entender por quê.

Não concordo contigo Gustavo, fato é que Lula ainda está mais em evidencia do que nunca, prova disso é que seu blog está falando dele e duvido muito que isso mudo nos proximos anos, até porque a oposição acredito que tema sua volta, coisa que acredito que acontecerá,

Meu caro, quem está falando que Lula não está mais ou não estará em evidência? Pelo contrário! O lulo-petismo está aí para ficar, e a pelegocracia mostra isso claramente. Escrevi apenas que Lula terá de contentar-se em dirigir o show dos bastidores, e que ele não está acostumado a exercer esse papel. Ele precisa de platéia, de bajuladores, da pompa do poder, ou não é Lula.

você pode querer negar, mas Lula é o maior presidente da historia do Brasil, pode ter certeza que daqui alguns anos a historia sera dividida entre antes e depois do Lula.

OK, Lula é o maior presidente desde o Big-Bang. Afinal, foi ele o idealizador do Plano Real, da Lei de Responsabilidade Fiscal, das privatizações e do superávit primário. Foi ele também o criador do Bolsa-Escola e do PROER, o pai do Mercosul e das metas de inflação. Aliás, foi ele quem inaugurou o Brasil em 1500 (uma obra do PAC). Ele esteve também com Moisés na travessia do Mar Vermelho e ao lado de Alexandre, o Grande na invasão da Ásia. Antes disso, por puro tédio, ele criou o Mundo em seis dias e, no sétimo, foi descansar tomando uma caninha e batendo uma pelada com uzcumpanhêru num churrasco na Granja do Torto.

Mas numa coisa o leitor está certo: a História já se divide entre AL e DL, ou Antes de Lula e Depois de Lula (ou "nunca antes na história destepaiz"...). Realmente, antes do Guia Genial, a sem-vergonhice e a cafajestagem ocorriam às ocultas, os governos pelo menos tentavam parecer honestos; depois dele e sua turma, nem isso.

Lula fez com que o Brasil fosse umas das economias emergentes mais sólidas do mundo, isso em tempos de crise.

Puxa, Lula "fez com que fosse" (sic), é? Sei, sei... Agora entendo por que ele resolveu registrar em cartório as obras fictícias do PAC... Ele inventou o complexo do PIB pequeno ("Meu PIB é maior do que o PIB dos outros"). Claro, nada disso teve nada a ver com o agronegócio, de que os lulo-petistas e seus amigos do MST tanto gostam, ou com um empresariado que, mesmo com tantos estímulos à produção (uma carga tributária baixíssima, como se sabe), insistem em produzir num país em que os impostos são tão bem aplicados (aumento desenfreado dos gastos e do déficit público, no governo Lula? Imagina... Só pode ser chilique da classe média paulista...). Antes era o "foi Maluf que fez". Agora é Lula, o do PIB enorme...

Eu cresci ouvindo falar na dívida externa e no governo Lula o Brasil se tornou credor do FMI, coisa impensavel na era FHC.

Cresceu ouvindo falar, mas não aprendeu ainda o que é a coisa. O Brasil é "credor" do FMI desde 1944, quando o Fundo foi criado (o nome disso é cotas; cada país dá a sua). Mas deixa pra lá. O importante é que Lula pegou a economia em frangalhos, com inflação fora de controle, endividamento acelerado... É um pássaro? É um aviâo? Não, é Lula contando mais uma piada.

Um dos únicos governos a olhar para os mais pobres, a criar programas nos quais a população pudesse melhorar de vida ( escola da familia, bolsa familia etc).
Lula consegue inclusive ser lembrado por seus adversários ( covardes o bastante para não o enfrentar.
Lula merece meu aplauso e sua lembrança

Hummm... Essa conversa de "olhar para os mais pobres" me lembra alguns regimes que prometiam o paraíso aqui na Terra, com o problema de que as pessoas tinham que passar pelo inferno antes... (o chato é que a temporada no inferno costumava se prolongar e o paraíso nunca chegava, mas sabe como é, né? as pessoas nunca estão satisfeitas...). Eu me contentaria se o governo não tivesse entronizado o assistencialismo e o coronelismo, ou roubasse menos, ou não mentisse tanto, ou não afagasse tanto ditadores... Já estaria de bom tamanho. Mas OK, já disse que com Lula o povão melhorou de vida e está comprando mais (embora isso não signifique que esteja surgindo uma "nova classe média" - já escrevo sobre isso). Também já escrevi que ele pegou o bonde andando. E que não se arrependeu nem um pouquinho de ter sido contra as mesmas políticas de que agora se diz o criador. Mas sobre isso já escrevi bastante.

De tudo que o tiete do Filho do Barril escreveu, concordo apenas com uma coisa: de fato, ele se beneficia de não ter adversários com coragem para o enfrentar. Além de cara-de-pau, o sujeito tem muita sorte, pois não tem oposição. Foi só por isso que conseguiu emplacar o poste de saias. Só por isso, também, ele merece meu desprezo.

O mais curioso é que Lula, como já escrevi aqui várias vezes, não existe. Ele não passa de um mito, uma lenda, um boitatá do folclore esquerdista tupiniquim. É por isso que estou condenado a falar dele. Quanto menos ele existe na realidade, mais sou obrigado a denunciar sua formidável impostura. Quanto mais ele foge, mais eu corro atrás. A exemplo do que ocorre com o Diogo Mainardi, Lula é minha anta.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

DA IMPORTÂNCIA DE SE INDIGNAR


Um leitor comenta um texto meu em que analiso um artigo do farsante e "marxista pop" Slavoj Zizek. Sobre o que ele diz que eu disse, falo depois. Por enquanto, vou me concentrar no que o distinto leitor falou sobre eu nutrir uma "raiva infantil" contra o Lula. Ele afirma que essa "raiva infantil" não é nada "do contra". Na verdade, diz ele, "é um coro da classe média paulista que vota no Serra ou na Marina" etc. E termina tentando fazer uma graça: "'Levar a sério política' dando chilique em blog é demais né?!"

Há vários motivos para eu considerar esse comentário uma das maiores cretinices que alguém já despejou aqui e mandar quem o fez ir pastar e comer capim. Vamos por partes.

Primeiro: não tenho raiva, muito menos "infantil", de um sujeito que não estudou porque não quis, tentou estuprar um companheiro de cela e fez bravata a vida inteira. Gente assim está abaixo de merecer sentimentos como a raiva. Merece, isso sim, asco e desprezo, únicos sentimentos que provoca esse tipo de farsante em qualquer pessoa decente. Raiva eu tenho é de quem se diz inteligente e bate palmas para, ou se deixa enganar, por um calhorda desse naipe. Além do mais, não tenho nada contra a pessoa de Lula, até porque Lula, como pessoa, não existe - o que existe é apenas a invenção dos "intelequituais" da USP. Raiva do Apedeuta? De jeito nenhum. Nojo? Certamente.

Segundo: ainda que a indignação contra o governo mais corrupto e mentiroso da História do Brasil fosse coisa da "classe média paulista", ou das dondocas do Jockey Clube, ou do Bush e da CIA – notem bem: ainda que (não me consta, por exemplo, que Dona Marta Suplicy seja uma representante do povão) –, o que isso mudaria a verdade de que o governo Lula foi o mais corrupto e mais mentiroso da História do Brasil? Em que isso diminui o fato de que há oito anos o Brasil é governado por bravateiros, ladrões, mentirosos compulsivos e amigos de terroristas, narcotraficantes e ditadores?

Na verdade, esse tipo de raciocínio bucéfalo – “isso é coisa da ‘classe mé
dia’”, ainda mais "paulista" – apenas reflete a lavagem cerebral esquerdista, de que tanto já falei aqui (e de que, pelo visto, vou ter que falar ainda muitas e muitas vezes). Os devotos do marxismo e, principalmente, seus mais fiéis praticantes, os stalinistas, inventaram a idéia de que um fato só é um fato se vier acompanhado da obrigatória chancela "proletária" ou "socialista". Isso significa que, se um representante da "burguesia" ou da "pequena burguesia" disser que dois mais dois são quatro, e um "operário" ou "proletário" insistir que é cinco, a verdade estará com o último, porque afinal ele pertence à classe certa... Se o sujeito disser que é a Terra que gira em torno do Sol, mas o Partido diz que não, pior para ele, indivíduo, e pior para os fatos. (Claro, o fato de que, de "proletários", o burguesão papador de empregadas Marx e o aristocrata sociopata Lênin não tinham nada, é convenientemente esquecido nessas horas.)

Sob os lulo-petistas, esse raciocínio simiesco se sofisticou: agora, qualquer crítica dirigida a eles e a seu chefe só é considerada válida, ou não, devido não aos fatos em si, mas a fatores sociais (“é coisa de classe média” ou das “elites”) ou geográficos (“paulista” etc.). Daí que se indignar contra o Bush, pode; com o Lula, não. Indignar-se com o Lula, não pode, é "chilique"... Ainda por cima da "classe média paulista que vota no Serra ou na Marina" etc. (Aliás, Marina Silva, com seu socialismo verde para socialites, não está muito longe da turma; basta ver de onde ela veio.)

Vamos supor que minhas críticas ao Lula e à sua corja sejam, digamos, "moralismo de direita". Nesse caso, os maiores moralistas de direita que existiram no Brasil foram os lulo-petistas. Eles passaram décadas se fingindo de vestais, indignando-se contra aquilo que hoje abraçam com alegria. A pergunta é: por que ninguém os chamava assim antes? Por que ninguém se lembrou de dizer que a oposição furibunda deles a todos os governos que vieram antes do Messias eram "coisa de sindicalista" e chilique?

Para ficar mais claro: o governo dos petralhas foi o mais corrupto de todos os tempos? Dizer isso é "coisa de classe média paulista e serrista". Tentou sufocar a liberdade de imprensa e impor leis absurdas que atentam contra a democracia? Não se pode denunciar, é "moralismo de direita". Recebeu com flores tiranos genocidas e chamou de criminosos presos políticos de ditaduras amigas? Não, não se deve ir contra isso, pois é "chilique"... (ou ainda - esse é o meu favorito -: "é uma conspiração das elites e da mídia"). E por aí vai. Um verdadeiro atentado à inteligência alheia.
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Para ficar mais claro ainda: diante de um crime como roubo e estupro, a pessoa que denuncia o ladrão ou estuprador, chamando-os dos piores nomes possíveis, não está fazendo nada que se equipare ao crime que está denunciando. Pelo contrário: é o mínimo que se deve fazer. Por sua vez, não denunciar, não se indignar diante do acontecido, não é somente sinal de fraqueza e de covardia, além de cumplicidade com o delito; é coisa típica de tolos, de verdadeiros imbecis. Diante disso, acho até que pego leve com os petralhas.

De todos os "argumentos” cretinos e idiotas para justificar a cleptocracia lulista e desqualificar os que se opôem a esse lixo, o que tenta desqualificar o mensageiro é, disparado, o mais cretino e o mais idiota. Leva a palma com louvor.

O lulo-petismo desmoralizou a propria indignação, assim como desmoralizou a honestidade e a inteligência. É mais uma herança maldita da Era da Mediocridade, agora prolongada na forma de pelegocracia. E é mais um motivo para se encher de indignação. É mais um motivo para denunciar a farsa. E isso sim, nos dias que correm, é ser do contra. E levar a sério a política.