sexta-feira, fevereiro 18, 2011

EU, O DOIDO (OU: FALO MAL DE LULA E DOS PETRALHAS, POR ISSO SOU "DOENTE".)


Um desses valentes anônimos que pululam na internet e que acham o cúmulo falar mal do Apedeuta entrou no blog e deixou um comentário sobre meu texto O IRÃ É AQUI (em que falo, justamente, de como a religião lulo-petista está transformando o Brasil numa nova República dos aiatolás). Vejam que jóia de sabedoria ele escreveu:

Rapaz, você sempre me surpreende.
Você roda, roda e acaba voltando ao tema de que mais gosta: Lula. Como não tem recebido dos seus leitores - plural? - nenhum comentário contra seus posts sobre o "desencarnado", agora busca em outros blogs. Isso é doença.
Negócio de doido!

Respondo ou vai para o lixo? OK, as duas coisas. Desde que o blog existe, escrevi, até agora, uns 800 posts. Não fiz as contas, mas acredito que, destes, a metade, uns 400, tratam, direta ou indiretamente, do Aiatolula. É muito? Sinceramente, acho que não. Afinal, o sujeito é nada mais nada menos do que o Messias reencarnado, o redentor dos pobres e oprimidos, o presidente mais importante das galáxias desde o big-bang. Diante disso, o que são uns 400 posts?

Realmente, para que falar do Lula? Essa é uma pergunta que sempre me faço. Afinal, ele "não” fez nada do que segue: "não" enganou os trouxas durante trinta anos, falsificando a História e estimulando em torno de si um culto da personalidade criado por intelectuais comunistas; "não" tentou estuprar um companheiro de cela; "não" fez a apologia da ignorância e do analfabetismo; "não" se apropriou do que os outros fizeram; "não" comandou o maior esquema de corrupção da História do Brasil; "não" promoveu o aparelhamento partidário do Estado; "não" entronizou o coronelismo; "não" serviu de porta-voz para ditadores assassinos, sendo cúmplice de seus crimes; "não" transformou o Brasil em valhacouto para terroristas; "não" fez o País passar vexame internacionalmente (e tudo isso com uma multidão de áulicos batendo palmas e repetindo o quanto ele era um sucesso...) etc. Enfim, para que se importar com isso, não é mesmo? Só pode mesmo ser doença. Ou deve ser porque, sei lá,
não tenho recebido comentários de meus poucos leitores. (Menos dos petralhas, que, ao que parece, não podem mais viver sem meu blog. Mesmo com poucos leitores, eles se surpreendem. Por que será?)
.
É, sou "doente". Mas sou feliz, obrigado. Não sei se seria tão feliz se, em vez de falar mal do Nosso Guia, eu resolvesse mandar o senso crítico às cucuias e engrossar o cordão de puxa-sacos que, nos últimos oito anos, aumentou assustadoramente. Não sei se assim eu seria mais feliz. Mais rico, certamente, eu seria.

Já falei e repito: Lula não existe. É por isso que falo mal dele. E ainda me dou ao trabalho de responder a mais um comentário cretino de um seu devoto. Haja paciência...

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

WINDS OF CHANGE




Depois de Tunísia, Egito, Iêmen e Bahrein, agora é a vez do maluco dos zóio virado do Irã Mahmoud Ahmadinejad e do pai-de-santo Muamar Kadafi da Líbia provarem o gosto amargo de protestos populares contra a ditadura. A pergunta que não quer calar é: quem será que o bufão venezuelano Hugo Chávez e a múmia cubana Fidel Castro irão culpar dessa vez pela ditadura? Os EUA não dá. Não cola.

Aliás, espera-se que a onda de protestos no Oriente Médio pela democracia chegue um dia à América Latina. Chávez, Castro, Morales, Correa, Ortega... enfim, todos os tiranos e tiranetes louvados pela companheirada: é bom botarem as barbas de molho.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

O IRÃ É AQUI


Não, não são militantes do PT jurando lealdade ao Guia Genial...
.
Ontem, uma cena bizarra ocorreu no Parlamento do Irã. A maioria dos deputados, com os punhos cerrados e gritando slogans, pediu a morte dos líderes da oposição no país. Os parlamentares exigiram punição severa para os dissidentes que, inspirados nos exemplos da Tunísia e do Egito, vêm promovendo há alguns dias manifestações de protesto pedindo o fim da teocracia iraniana. Suas Excelências queriam o sangue dos que se opõem ao regime teocrático, a forca para os infiéis que ousam criticá-lo e pedir democracia na terra dos aiatolás.

De repente me lembrei de Marcelo Madureira.

O humorista do recém-extinto programa televisivo Casseta & Planeta é protagonista de um vídeo que circula desde o ano passado na internet. Nele, Madureira aparece no programa Manhattan Connection, do canal GNT, ao lado de Diogo Mainardi e de Lucas Mendes, falando o que pensa do ex(?)-presidente Lula da Silva. Chama-o, entre outras coisas, de vagabundo e picareta. Um caso raro, raríssimo, de artista que não se rende ao politicamente correto quando trata do chefão dos petralhas, o capo di tutti capi. Esbarrei no vídeo um dia desses, por puro acaso. Está aqui: http://www.pimentanamuqueca.com.br/2010/10/06/humorista-fala-serio-e-chama-lula-de-vagabundo-e-picareta/.

O que mais me chamou a atenção não foi o vídeo em si, mas o que dele disseram alguns comentaristas no blog que o reproduziu. Eis algumas reações:

FICO MUITO TRISTE COM UM ELEMENTO MUITO LOUCO COMO ESSE, ELE SÓ PODE TÁ DROGADO PRA FALAR ISSO DO NOSSO PRESIDENTE, (TOM)

esse sujeito não ofendeu somente ao presidente. ele ofendeu a uma nação inteira. sinto-me indignado como cidadão brasileiro. (marcelo)

Esse Marcelo Madureira é uma “caca”! (leidiqueiti)

Doente! (Vítima)

Cabe aí uma Ação Penal por lesão à honra de um Chefe de Estado. Talvez LULA, com a diplomacia que o acompanha, não queira ir por esse caminho. Mas seria interessante ver esse decadente humorista atrás das grades. Se o momento fosse outro, àquele da ditadura, esse cara não contava mais no mapa múndi. (adriano Mslarsh)

Marcelo Madureira mostra desconhecimento histórico e político. É o típico analfabeto político, falta discernimento numa pessoa dessa ao falar de forma tão deselegante e de fraca argumentação de um dos maiores líderes mundiais. (Camila)


Há muito já deixei de me espantar com o que dizem os devotos de São Luiz Inácio dos Pobres. Mas confesso que ainda sou capaz de me surpreender quando os vejo tomar as dores, com unhas, dentes e verbas oficiais, de seu ídolo. Cresci ouvindo cobras e lagartos dos presidentes brasileiros. O general Figueiredo, por exemplo, era geralmente descrito como um cavalo (e olha que estávamos em pleno regime militar!). Sarney e Collor, então, foram execrados até o desespero. Sem falar em FHC, a besta-fera dos lulo-petistas. Mas falar mal de Lula, não pode. Falar mal de Lula é coisa de "louco" e "drogado", contra quem caberia uma Ação Penal etc. Quem ele pensa que é, esse cidadão, para criticar nosso presidente, um dos maiores líderes mundiais? Ele está ofendendo uma nação inteira etc. Falar mal de Lula, não, isso não pode, é coisa muito feia, é pecado. Quem o fizer, será enforcado ou apedrejado até a morte. Liberdade de expressão? Só se for a favor.

Lula é um inimputável da política brasileira, o maior que já houve em terras tupiniquins. Durante três decadas, posou de madre superiora e de sumo-sacerdote do culto das vestais, acusando todos (os que não fossem petistas, claro) de serem um bando de pilantras e vigaristas. Ele e seu partido, o PT, especializaram-se em demolir reputações alheias enquanto construíam as suas próprias (falsas). Com isso, enganaram muita gente, que estava ansiosa por ser enganada. Não faltou a Lula a adulação babosa de grande parte da imprensa (a mesma que os petistas chamam de "mídia") e de quase 100% dos artistas e intelectuais brasileiros. Uma banda de rock dos anos 80 chegou a gravar uma música baseada numa frase dele, "Os 300 picaretas" ("Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou"... lembram?). Coberto com uma aura de messias do povo, Lula não poupava ofensas a muitos que hoje são seus amigos de infância, como José Sarney e Fernando Collor. Mal chegou à presidência, confessou publicamente que é um bravateiro. Seus oito anos no poder foram uma sucessão ininterrupta de escândalos. No apagar das luzes de seu mandato, quando achava que ninguém estava vendo, livrou a cara de um terrorista homicida e garantiu passaportes diplomáticos para uma penca de parentes e amigos, inclusive pastores malandros de uma seita dona de uma emissora. Sem trabalhar desde 1975, não estudou porque não quis. Só por isso já merecia ser chamado de vagabundo e picareta, o maior vagabundo e picareta que já ocupou a Presidência da República no Brasil. Nem cito outras pilantragens suas porque aí o texto ficaria interminável.

O Irã parece ser o país ideal para revelar a vagabundagem e a picaretagem do Filho do Barril. Em 2009, o país foi sacudido por uma onda de protestos populares contra a fraude nas eleições que garantiu a permanência de Mahmoud Ahmadinejad no poder. Os manifestantes, que pediam democracia, foram brutalmente reprimidos, e muitos foram assassinados. Lula, então presidente, deu um novo sentido a suas conhecidas metáforas futebolísticas, ao comparar os protestos a um chororô de torcedores cujo time perdeu uma partida de futebol. Não contente em avalizar a fraude, ele ainda se prestou ao papel lamentável de idiota útil da tirania iraniana, ao patrocinar um acordo fajuto para que Ahmadinejad tivesse a bomba atômica. Nas últimas semanas, dezenas de opositores ao regime iraniano que participaram dos protestos de 2009 foram enforcados. Deve ter sido porque o time deles perdeu um jogo...

O Brasil está ficando cada vez mais parecido com o Irã. Aqui, também temos os nossos pasdaran, a nossa polícia religiosa. Muitos deles vivem do dinheiro que recebem do governo para manter seus blogs com elogios a Lula e a sua criatura, Dilma Rousseff. E ai de quem se atreva a criticá-los! Será condenado à fogueira pelo tribunal petista - ou corre o risco de uma ação penal, como ameaçou um dos petralhas acima. O Irã é uma teocracia. O Brasil virou uma pelegocracia.

Há, porém, uma diferença fundamental: no Irã, ao contrário do Brasil, existe oposição. Por estas bandas, não está muito longe o dia em que os deputados erguerão os punhos e gritarão slogans, pedindo a cabeça de quem ouse falar mal do Guia Genial. Só por precaução, renovei o passaporte.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

O MITO DO ISLÃ MODERADO


Na véspera do Ano Novo, um carro-bomba fez em pedaços 21 pessoas numa igreja cristã copta em Alexandria, no Egito. A igreja estava lotada de fiéis, que assistiam à missa. Entre os mortos, mulheres e crianças, além de 79 feridos. Uma barbaridade.

No dia seguinte, o papa Bento XVI fez o que se espera de qualquer pessoa decente e condenou o atentado. A reação dos mulás egípcios foi a seguinte: disseram que o chefe da Igreja Católica estava se metendo num assunto interno do Egito. Mais: afirmaram que o Sumo Pontífice não condena os atentados em que morrem muçulmanos no Oriente Médio...

As duas afirmações acima – a última das quais, abertamente mentirosa – não saíram da boca do chefe do Hamas ou de Osama Bin Laden, mas de líderes religiosos considerados "moderados", apontados como interlocutores confiáveis do Islã. Homens tolerantes, enfim.

Fico aqui pensando o que será que tais líderes religiosos diriam se, diante de um atentado contra muçulmanos em Paris ou em Roma, o papa dissesse para eles: "Isto não é problema de vocês; é um assunto interno nosso". Ou então: "Não me lembro de ter visto vocês condenando atentados em que morrem cristãos". Conseguem imaginar o escândalo? No mínimo, os muçulmanos e os intelectuais de esquerda ocidentais iriam às ruas protestar e exigir a cabeça de quem disse uma coisa dessas, tachando-o de hipócrita, de calhorda e de canalha da pior espécie. E com toda razão.

Pois bem. Não me lembro de ter visto nenhum ativista de esquerda organizar qualquer protesto contra os lideres muçulmanos egípcios. Procurei no noticiário, mas não vi nenhum conhecido crítico do Ocidente, nenhum Noam Chomsky, nenhum Tariq Ali, dizer uma palavra de repúdio ou de solidariedade às vítimas do atentado. Por que será?

Há somente uma explicação para esse tipo de duplo padrão moral: na cabeça de religiosos islâmicos, moderados ou não (e de seus aliados seculares ocidentais), a morte de cristãos não é tão grave quanto a de muçulmanos. Isso porque, por mais que se diga o contrário, não existe Islã moderado.

Antes que me entendam mal: não tenho nada contra o Islã como religião privada. Aliás, não tenho nada contra nenhuma crença individual. Para mim, crer em Alá, fazer as abluções, rezar cinco vezes ao dia com o rosto voltado para Meca, é uma questão de crença pessoal. Mas é exatamente aí que está o problema: o Islã não é uma religião privada. Crer ou não em Maomé, para um muçulmano devoto, não é uma questão pessoal. Ponto.

Se há algo que distingue o islamismo das outras religiões, em particular do cristianismo, é que no Islã não existe diferença alguma entre as esferas pública e particular. Pergunte a qualquer muçulmano sobre separação entre religião e Estado e ele provavelmente pensará que está diante de um imperialista, um marciano ou um fugitivo do hospício. É inútil procurar algo semelhante nos paises islâmicos. Até mesmo regimes seculares do Oriente Médio tem um pé no Corão: no Egito, por exemplo, é proibido pregar abertamente outra religião que não a do Profeta (um pastor protestante brasileiro foi preso lá no ano passsado por distribuir bíblias!). O Islã é mais do que um conjunto de regras de conduta moral: é uma ideologia total, que abarca todos os aspectos da vida particular, assim como da política e da economia. Daí que falar em Islã "moderado" é, no minimo, um oxímoro (Islã radical, por sua vez, é um pleonasmo). É uma auto-ilusão, uma fantasia de intelectuais multiculturalistas e politicamente corretos.

Hoje, quando o Egito e boa parte do Oriente Médio estão numa encruzilhada depois da queda do ditador Hosni Mubarak (no que foi, em tudo menos no nome, um golpe de Estado, mas não é de bom-tom dizer), a tendência é ignorar esse fato. Cansei de ler comentários de pessoas ditas sérias celebrando a participação da Irmandade Muçulmana no novo governo de transição do Egito como uma mostra de que o país estaria entrando, enfim, numa nova era de "democracia". Esquecem que, com os islamitas, a primeira eleição democrática da qual sairão vitoriosos será tambem a última. Se alguém duvida, pergunte ao Hamas ou ao Hezbollah.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

AINDA O EGITO: DESENHANDO PARA IDIOTAS


Alguém ainda não entendeu - ou finge não entender - o que está em jogo no Egito (e no Oriente Médio em geral). Um anônimo escreveu o que segue: ,

Gustavo, sua lógica agora me deixou confuso. Então no Egito deveria se manter uma ditadura sendo ela apoiada pelos EUA.
Agora em Cuba a ditadura " Castrista" não é aceita simplesmente porque " ha uma alternativa melhor ?" coisa que o Egito não tem ??? usando suas proporias palavras " Me parece uma forma de ofende-los".
A ditadura de Mubarak não oferece risco aos EUA porque se aliou a ele, já a ditadura iraniana e cubana são autônomas e por isso oferecem risco a hegemonia americana.

Fico pensando: será que quem escreveu o que vai aí em cima se deu ao trabalho de pelo menos ler o que critica? Ou - o mais provável - é só alguém apostando no "nonsense"? Deixa pra lá. Respondo assim mesmo. .

Em primeiro lugar, em que momento eu digo, caro leitor, ou mesmo sugiro, que a ditadura de Mubarak deveria ser mantida? Vou lembrar mais uma vez: Mubarak é um ditador, e toda ditadura é desprezível. Uma ditadura da Irmandade Muçulmana, então, seria muito mais do que desprezível - seria uma catástrofe, e não só para o Egito, mas para a paz e a segurança da região. Mubarak é um desastre para os egípcios. A Irmandade Muçulmana no poder seria um desastre para o mundo. Alguma dúvida quanto a isso?

Quanto à ditadura comunista de Cuba, o que dizer? A alternativa para ela é uma só - a democracia. Ao contrário do Egito, Cuba não tem uma Irmandade Muçulmana. Alguma dúvida quanto a isso também?
.
Já quanto ao Irã, é aquilo que o Egito será se a Irmandade Muçulmana chegar ao poder. Esse risco existe e é a cada dia maior.

A pessoa que escreveu o comentário considera "autônomas" ditaduras que não são aliadas dos EUA e do Ocidente. Deve achar, portanto, que existem ditaduras autônomas e não-autônomas - a do Egito seria uma destas. Seu critério para definir a autonomia de um regime não são eleições livres, pluralismo político e liberdade de expressão, mas o ódio aos EUA e ao Ocidente. Autônomos, portanto, seriam os regimes que odeiam a liberdade ocidental. Autonomia seria sinônimo de antiamericanismo. O que dizer dessa sandice?
.
Para ficar claro, vamos lá, didaticamente: .

- Mubarak é um ditador. Ahmadinejad é um ditador islamita fanático e negador do Holocausto.
.
- O Egito é uma ditadura laica. O Irã é uma ditadura teocrática.

- O Egito tem um acordo de paz com Israel. O Irã jurou varrer Israel do mapa. .

- O Egito é aliado dos EUA e do Ocidente. O Irã financia grupos terroristas.

Qual dos dois é pior? .

Entendeu agora? Posso até desenhar, mas, por favor, não me peça para segurar na mão, OK?

sábado, fevereiro 05, 2011

ATRAÇÃO PELO SUICÍDIO (OU: SALVANDO OS ESQUERDISTAS DELES MESMOS)


Pelotão de fuzilamento no Irã, 1979: muitos achavam que nada seria pior do que o Xá...
.
Uma característica definidora da loucura é a falta total de senso de proporções. Alguém que mata uma pessoa a sangue-frio é um assassino. Quem faz o mesmo com dez, ou cem, ou mil, é dez, cem ou mil vezes assassino. O primeiro deve ser condenado pela morte que causou. O segundo, pelos dez, cem ou mil assassinatos que perpetrou. Ou, dito de outro modo: as penas devem ser proporcionais ao crime cometido. Isso é tão óbvio que seria imediatamente apreendido até por crianças de cinco anos, se crianças dessa idade tivessem idéia do que é um assassinato. Não pelo louco. Para este, tanto faz se se mata um ou cem, ou dez, ou mil, ou um milhão. Em seu cérebro perturbado, não existe qualquer diferença, nenhum sentido de proporcionalidade. Cortar um galho de árvore ou atear fogo a uma casa com os moradores dentro, para ele é tudo a mesma coisa.

Por mais que se explique, por mais que se mostre, por mais que se prove para um louco - no caso, um imbecil irremediável, incapaz de qualquer pensamento minimamente lógico - esse tipo de coisa, sempre haverá, infelizmente, quem prefira ignorar o óbvio e escolher, entre dois males, o pior. Nunca subestime a capacidade de certos espíritos de desprezar o perigo e de cavar seu próprio túmulo. Por burrice, estupidez, malícia ou oportunismo, não importa: sempre haverá quem corteje a própria ruína, a própria destruição. Qualquer pessoa sensata concluiria logo que é preciso proteger esses indivíduos deles mesmos, pois são como crianças. Totalmente irresponsáveis, não são capazes de cuidar de de si mesmos, que dizer dos outros. Débeis mentais ou loucos psicóticos, para usar a terminologia científica.

Fiz o preâmbulo acima porque, mais uma vez, os fatos parecem confirmar um padrão histórico, já tantas vezes repetido. Estou falando das manifestações no Egito. Escrevi aqui um post sobre o tema. Deixei claro - pelo menos, acredito que está claro no texto - que considero o regime de Hosni Mubarak uma ditadura, e que desprezo todas as ditaduras. Escrevi também que, malgrado esse fato, existe a possibilidade alarmante de que, uma vez derrubado o regime de Mubarak, algo muito pior - uma teocracia islamita - tome seu lugar no Egito, do mesmo modo que a queda do regime despótico do xá do Irã deu lugar à tirania muito mais opressiva dos aiatolás em 1979. Apontei para o fato de que fanáticos islamitas estão posando oportunitiscamente de democratas nas manifestações, com o intuito de impor sua própria tirania, muito pior do que a atual, e enterrar assim, definitivamente, qualquer esperança de democracia. E isso não só no Egito, mas na Tunísia, no Sudão, no Iêmen, na Jordânia, no Líbano - enfim, onde quer que haja radicais muçulmanos à espreita, prontos para tomar o lugar de autocracias seculares pró-ocidentais - e IMPEDIR QUE ESTAS SE TRANSFORMEM EM DEMOCRACIAS, é bom que se diga.

Pois não é que, em vez de entender o alerta acima, há quem veja no que eu disse uma contradição? Pior: uma defesa de Mubarak?
.
Um tal de Pereira, por exemplo, que acredito seja o mesmo que tomou uns cascudos aqui outro dia, escreveu o seguinte sobre meu texto EGITO: O QUE ESTÁ EM JOGO (E AS BESTEIRAS QUE ANDAM DIZENDO POR AÍ):

Agora você está numa bela sinuca. Ou apóia Mubarak, um ditadura ou apoia a reinvidicação popular, mesmo que islâmica. Se escolher por Mubarak fica óbvio para mim e os demais leitores deste blog que você possui uma tendencia totalitária (ao contrário do que vem dizendo) e uma atitude contra o Islã e os religiosos mulçumanos.

O que passa no cérebro de quem produziu semelhante disparate? Para o tal Pereira, ao que parece, só existem duas alternativas no Oriente Médio: ditaduras seculares alinhadas ao Ocidente ou teocracias islamitas. Ou, no caso do Egito: Mubarak ou a Irmandade Muçulmana. E nada - absolutamente nada - entre um e outro. Nada mesmo. Democracia, por exemplo, nem pensar.

O rapaz não se dá conta, nem sei se tem a capacidade intelectual para compreender, mas, ao colocar a coisa nesses termos, confessou não acreditar em democracia no Oriente Médio. Para ele, ou é Mubarak ou é a Irmandade Muçulmana, e ponto final. E - afirma - escolher Mubarak seria mostrar uma "tendência totalítária (!) contra o Islã e os religiosos mulçumanos" (SIC) etc. Ou seja: o sujeito é tão inconsciente do que diz que, após confessar seu pouco apreço pela democracia naquela região, confessa em seguida sua preferência pela... Irmandade Muçulmana! Precisa dizer mais?

Ainda que - enfatizo o ainda que - a opção no Oriente Médio fosse entre os mubaraks e os fundamentalistas muçulmanos, está claro como água, para qualquer pessoa que tenha um mínimo de respeito à inteligência (para não falar em amor à própria vida), que uma ditadura secular e pró-ocidental é infinitamente menos nociva e menos perigosa do que uma teocracia islamita (ou seja: não deixa de ser algo ruim, mas é menos ruim, entenderam?). Se têm alguma dúvida, perguntem aos iranianos ou aos palestinos na Faixa de Gaza, que em 2006 viram uma ditadura secular brutal e corrupta (a do Fatah) substituída pelo reino de terror dos fanáticos do Hamas (surgido, aliás, da Irmandade Muçulmana).

Em 1979, muitos comunistas participaram, entusiasmados, da revolução popular que pôs fim à ditadura do xá do Irã. No dia seguinte, estavam todos na cadeia ou executados pelos pelotões de fuzilamento do regime fundamentalista xiita que se instalou em seguida. Eles também acreditavam que nada poderia ser pior do que o regime do xá. Negligenciaram o perigo do fundamentalismo islamita. Desse modo, cavaram sua própria sepultura.

Talvez ainda haja tempo de salvar a cabeça dos que acham que nada é pior para o Egito do que Mubarak. Mas, pelo visto, a atração dos esquerdistas pelo suicídio é realmente muito forte. É preciso salvá-los deles mesmos.

A IDEOLOGIA DA REDE GLOBO


O ator Carlos Vereza está indignado. Dizendo-se nauseado com o bom-mocismo imperante em grande parte dos meios de comunicação, ele resolveu criar um blog em que - de forma intermitente, como diz -, solta o verbo e não poupa adjetivos para se referir aos lulo-petistas e sua herança maldita.
.
Em seus posts, verdadeiros desabafos, o chefão petralha, o apedeuta amigo de negadores do Holocausto e apedrejadores de mulheres, é brindado com epítetos como canalha e cafajeste (o que, diga-se, é até pouco para descrevê-lo). Revoltado com os rumos do País, particularmente nos últimos oito anos, Vereza deixa transparecer em seu blog - que é um dos mais acessados na rede, com mais de 3 milhões de visitas, e já começa a incomodar os lulo-petistas -, todo seu horror cívico e toda sua sinceridade. Numa entrevista no programa de Jô Soares, ele aparece dizendo o que ninguém de seu meio tem coragem de dizer, chamando Lula claramente de Ali Babá (em referência aos 40 indiciados no caso do mensalão). Em um post recente, ele pergunta onde estão as Forças Armadas, diante de tamanha roubalheira e sem-vergonhice. Suas críticas não se resumem à polìtica: em vários textos, ele denuncia implacavelmente a agenda gayzista e abortista que o governo dos companheiros tenta impingir à educação no Brasil, mediante, por exemplo, kits sexuais distribuídos a crianças de sete anos de idade nas escolas públicas. (Para quem quiser conferir, é só clicar aqui: http://carlosverezablog.blogspot.com/)

O protesto de Carlos Vereza surpreende pelo personagem. Veterano ator de teatro, cinema e televisão, premiado em diversos festivais, convertido ao espiritismo, Vereza era conhecido, até há pouco, por suas idéias políticas de esquerda. Foi, inclusive, membro do Partido Comunista no período mais duro do regime militar, tendo, pelo menos em uma ocasião, feito parte da rede de apoio do pessoal da luta armada - segundo o jornalista Geneton Moraes Neto, foi ele o cabeleireiro improvisado que, em 1969, tingiu os cabelos do então terrorista Fernando Gabeira, para ajudá-lo a escapar do cerco da repressão política, que o caçava pelo sequestro do embaixador dos EUA no Brasil. Mas o mais surpreendente: há décadas, Vereza é contratado da Rede Globo de Televisão.

Assim como todo brasileiro com 30 anos ou mais, cresci tendo de aturar as novelas da Globo - as quais, por mais que se tentasse, era impossível ignorar - e
vendo as notícias do Jornal Nacional (em minha época, na voz da dupla Cid Moreira-Sérgio Chapelin). Também como todo brasileiro, cresci ouvindo que a Vênus Platinada era uma empresa voltada para a defesa dos interesses capitalistas-imperialistas e que só crescera devido à sua associação íntima com a ditadura militar. Cansei de ver figuras como Leonel Brizola desancando a Globo, prometendo mover mundos e fundos para acabar com ela. Seu dono, o jornalista Roberto Marinho, era a própria encarnação do demônio.

A exemplo do que acontece com Hollywood, a visão prevalecente em muitos setores é de que a Globo é uma emissora "de direita", vinculada a valores políticos conservadores etc. Nada poderia ser mais falso. Hollywood é, como demonstram pesos-pesados como George Clooney, Sean Penn e Oliver Stone, um celeiro de esquerdistas (leiam, por exemplo, Fidel: Hollywood's Favorite Tyrant, de Humberto Fontova, que revela apenas um exemplo de idolatria hollywoodiana por um ditador antiamericano). Do mesmo modo, a Rede Globo, p
or meio de seu noticiário e de suas telenovelas, nada mais faz do que propagar a ideologia esquerdista e (sem trocadilho) globalista, servindo de porta-voz das causas politicamente corretas.

Há muito que cultura, no Brasil, é aquilo que se convencionou chamar de "Artes & Espetáculos" - ou seja: um misto de show business e propaganda ideológica. E a propaganda ideológica, na Globo, está longe de ser velada. Pelo contrário: ela é aberta e explicitamente exercida, todos os dias, praticamente o dia todo.

O maior exemplo recente do engajamento da emissora do Jardim Botânico com causas esquerdistas foi dado em 2005, durante o chamado "plebiscito do desarmamento". Na ocasião, a Globo mobilizou uma multidão de artistas e jornalistas na campanha para convencer a população de que ela ficaria mais segura se abdicasse de seu direito legal a ter uma arma, se assim decidisse. Infelizmente para a beautiful people, parece que os
argumentos de especialistas como José Mayer e Felipe Dylon não foram muito convincentes, porque a idéia do desarmamento foi humilhantemente derrotada nas urnas, por 64% dos votos...

Não somente na questão do desarmamento a Globo tentou influenciar e manipular desavergonhadamente a opinião pública. Todos os dias, um comercial produzido e veiculado pela emissora lembra, em tom apocalíptico, que, se a humanidade não fizer nada, o aquecimento global irá destruir o planeta. "De que lado você está?", pergunta o locutor, inquisitorialmente. A Globo é que parece não saber ao certo onde está o lado da verdade nessa questão, pois já se sabe que o aquecimento global é uma farsa, inventada pelos cientistas do Painel Inrernacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU e já totalmente desmascarada por qualquer pesquisador sério.

Mas é no terreno dos costumes - ou do "comportamento" - que a militância esquerdista da Globo se faz sentir com mais intensidade. Façam um teste e contem quantas vezes, em alguma telenovela, aparecem personagens homossexuais. Agora tente ver quantos desses personagens são vilões ou, pelo menos, pessoas normais, com defeitos como todos os demais. Achou algum? Nas novelas da Globo, os gays são sempre personagens unimensionais, figuras engraçadas, de bem com a vida, ou - o que é cada vez mais frequente - vítimas de vilões "homofóbicos" (se for algum pastor protestante, então, é melhor ainda). Jamais como seres de carne e osso. Já é um item obrigatório dessa subliteratura: mesmo que o enredo se passe num quartel ou num mosteiro, deve ter não um, mas vários gays. E todos bonzinhos, para não assustar as crianças.

À propaganda gayzista junta-se o pobrismo e o vitimismo social característicos do mais vulgar marxismo de botequim, herança maldita dos anos 60 (quando se formaram a maioria dos noveleiros e diretores da Globo, quase todos notórios homossexuais). Esse pobrismo e esse vitimismo se refletem na "denúncia" de problemas como o "racismo" contra os negros e os mais pobres, sempre vistos como pessoas mais dignas e mais decentes do que os ricos (estes só são bons e decentes quando se colocam contra o pai ou a mãe milionários em defesa dos oprimidos). No mundo da Globo, favela é "comunidade" e alguma ONG está sempre fazendo o bem em algum lugar da periferia. Para completar o bom mocismo, vez ou outra se inclui um "marketing social" em alguma telenovela (como as soporíferas de Manoel Carlos), com alguma mensagem edificante sobre o valor da vida para cadeirantes, deficientes visuais, pessoas com sindrome de down etc. Finalmente, alguma "ação social" - um projeto com crianças em alguma "comunidade", por exemplo - de Luciano Huck ou de Sérgio Grossman dão um verniz todo especial a essas pessoas maravilhosas.
.
E assim por diante. Praticamente não há causa de esquerda, politicamente correta e chancelada pela UNESCO e pela UNICEF que a Globo não adote e promova. E assim também em política. Alguns exemplos: em 1992, a Globo levou ao ar uma minissérie, Anos Rebeldes, passada durante o regime militar, que mostrava de forma completamente edulcorada e falsificada a luta armada do período; quatro anos depois, uma telenovela, O Rei do Gado, mostava o MST como um movimento justo que reivindicava a posse da terra contra a opressão dos latifundiários. E tome blablablá em favor da "reforma agrária" etc.
.
Tão imersa está a Globo na tarefa de propangadear o esquerdismo que chega ao ponto de sacrificar a si mesma, como um bom militante. No ano passado, a emissora deixou de levar ao ar a vinheta de comemoração de seus 45 anos de existência, porque a chamada trazia, obviamente, o número 45 em seu logo. Os petistas chiaram, vendo nisso uma forma subliminar de propaganda política a favor do candidato adversário, cujo número era 45. O que fizeram os bons moços da Globo? Capitularam a essa pressão ridícula dos petralhas, e retiraram a mensagem do ar.

Seria de esperar, portanto, que a principal concorrente da Globo, a Rede Record, uma extensão da seita conhecida como Igreja Universal do Reino de Deus, defendesse um ponto de vista contrário e oposto ao esquerdismo global, certo? Errado. A Record, que faz um jornalismo totalmente chapa-branca, segue em tudo os passos da concorrente, para tomar o seu lugar. A TV do "bispo" Edir Macedo não só copia os programas da Globo de forma descarada (contratando atores, diretores e jornalistas da rival), como também reproduz e amplifica a agenda político-ideológica da emissora carioca. Com a única diferença que faz isso de forma muito mais escancarada, sem qualquer pudor, e com uma qualidade muito inferior. A Globo é ruim. A Record é pior. Uma verdadeira mutante, por assim dizer.

.
Se o bom-mocismo politicamente correto se restringisse aos estúdios do Projac e às festas das pessoas maravilhosas que o frequentam, já seria chato o suficiente. O problema é que essa é uma tendência hegemônica em todas as emissoras e meios de comunicação no Brasil. Também aqui a Globo dá o tom, e os outros canais a seguem. Carlos Vereza tem razão em estar nauseado.

UM POUCO DE HISTÓRIA NÃO-OFICIAL: OS CUBANOS NA ÁFRICA (OU: QUANDO FIDEL CASTRO TENTOU IGUALAR-SE A NAPOLEÃO)


Às vezes alguém me surpreende com um comentário curioso, ou fora do comum. Como o de um leitor anônimo, que diz trabalhar para uma estatal do governo de Angola desde 2002, e já ter morado em Luanda por dois anos. Ele me pede que escreva alguma coisa sobre a guerra civil que se abateu sobre Angola desde a independência do país de Portugal, em 1975. Ele gostaria de conhecer minha opinião, como professor de História, sobre o conflito e, em especial, sobre o apoio que um dos lados, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) do falecido Jonas Savimbi, recebeu de "determinados países" etc.

OK, vamos lá. Mesmo sabendo que é mais uma tentativa de pautar o blog (desconfio saber a posição do autor do comentário sobre o tema). Além do mais, como já estudei o assunto, não vejo por que não compartilhar aqui minhas impressões a respeito.

Provavelmente, o autor do comentário gostaria que eu escrevesse o seguinte:

Em 1975, as gloriosas forças internacionalistas cubanas, inspirados no exemplo do Guerrilheiro Heróico Ernesto Che Guevara, acorreram voluntariamente em socorro do povo irmão de Angola, que acabara de se tornar independente, após renhida e heróica luta de guerrilhas, contra o colonizador português. Sob a liderança sempre sábia e esclarecida do companheiro comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz, as tropas cubanas, movidas pelo forte sentimento de solidariedade internacionalista, atravessaram o Oceano Atlântico num esforço inédito - apelidado de Op
eração Carlota - para auxiliar as forças amigas do progressista MPLA contra os mercenários da FNLA e da UNITA, a soldo do imperialismo ianque e do regime fascista da África do Sul. Foi uma luta gloriosa, marcada por batalhas heróicas como a de Cuito Cuanavale (1988), em que os bravos soldados de Martí enfrentaram e derrotaram as hordas do odioso regime do apartheid sul-africano, apoiado pela Casa Branca e pelo dinheiro de Wall Street. Graças à bravura e à tenacidade dos combatentes cubanos, muitos deles negros, as forças do imperialismo e do racismo foram rechaçadas em Angola, a independência da Namíbia foi assegurada e o regime criminoso do apartheid chegou ao fim na África do Sul...

É mais ou menos assim que a História da intervenção cubana em Angola - e na África, em geral - é contada pelo Granma, o jornal oficial da ditadura dos irmãos Castro em Cuba (e, acredito, pelo governo do MPLA em Angola). A verdade histórica, porém, é um pouco diferente desse conto cor-de-rosa.
.
A intervenção cubana em Angola começa muito antes da independência, já no começo dos anos 60 (para ser exato, em 1964), quando a ditadura castrista começa a treinar guerrilheiros do MPLA. Nessa época, Fidel Castro e Che Guevara se dedicavam a "exportar a revolução", mediante organizações criadas por Havana como a Organização de Solidariedade para a África, Ásia e América Latina (OSPAAL) e a Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS, uma espécie de proto-Foro de São Paulo). Com base nesse objetivo, os barbudos começaram a fornecer treinamento, dinheiro, armas e pessoal para diversas guerrilhas no Terceiro Mundo, em especial na América Latina (e, ao contrário do que conta a lenda, não somente contra regimes ditatoriais - vide a Colômbia e a Venezuela nos anos 60, por exemplo). Já em 1962, Fidel Castro pronuncia sua famosa Segunda Declaração de Havana, na qual promete "transformar os Andes na Sierra Maestra da América do Sul". O objetivo, como escreveu o porco fedorento Che Guevara, era "criar um, dois, vários Vietnãs"...

Um lugar que parecia perfeito para os cubanos colocarem em prática essa idéia incendiária era a África. Foi para lá que Guevara se dirigiu, em 1965, para tentar organizar uma guerrilha no Congo. A guerrilha foi um fracasso total, como o próprio Guevara admitiu - um de seus contatos no Congo era um tal Laurence Kabila, que trinta anos depois se destacaria como um dos maiores carniceiros e genocidas africanos -, só sendo superada pela aventura fracassada da guerrilha de Guevara na Bolívia, em 1967 (quando morre o homem e nasce a lenda - e bota lenda nisso...).

Mas, voltando à Àfrica. Em meados dos anos 70, as guerrilhas latino-americanas apoiadas por Cuba haviam sido quase todas derrotadas (inclusive no Brasil), e Fidel Castro, cada vez mais dependente economicamente da URSS (e talvez um pouco entediado também), estava inquieto. Ele precisava de uma ação gloriosa, uma campanha militar, para se projetar internacionalmente como líder do Terceiro Mundo. Mas onde? Quase todas as colônias africanas já haviam conquistado sua independência. Quase todas, menos as colônias de Portugal. E, dentre estas, principalmente Angola, a mais rica de todas (petróleo, diamantes etc.).

Assim, em 1975, antes mesmo da declaração de independência (em novembro), ele começa a enviar primeiro "assessores" e depois tropas a Angola. O país se transformara num palco da Guerra Fria, com três forças se digladiando: o MPLA, marxista e apoiado, além de Cuba, pela URSS; a FNLA (apoiada pelo Zaire); e a UNITA (apoiada pela China, pelos EUA e pela África do Sul). Nos combates, o MPLA sai vitorioso e impõe sua ditadura, com apoio cubano, que dura até hoje.

Tudo isso é conhecido. O que poucos sabem é por que Fidel Castro resolveu mandar quase 30 mil soldados a Angola. Aqui é que entra minha visão de professor de História.

Em primeiro lugar, havia a ambição pessoal do Coma Andante (também conhecido pelos cubanos como Esteban - "Este Bandido"). Nos anos 70, ele queria emergir como figura de proa da causa terceiro-mundista, ou do "movimento não-alinhado", que estava então no auge. Ele necessitava disso, em parte por razões pessoais, ligadas à egolatria, e em parte porque desejava também livrar-se um pouco da dependência em relação à URSS, acentuada após uma série de desastres econômicos (Cuba é um exemplo perfeito de como destruir um país em nome do socialismo). Por esse motivo, ao que tudo indica a decisão de intervir em Angola foi dele, Fidel Castro, e não dos soviéticos, que parece ficaram até preocupados de início com a decisão (era a época da "détente" entre a URSS e os EUA). De qualquer modo, o Napoleão do Caribe viu recompensada sua ambição ao ser eleito, em 1979, presidente do "movimento não-alinhado" (apesar de ter tido que justificar, no mesmo ano, a invasão soviética ao Afeganistão, como justificara em 1968 a invasão soviética da Tchecoslováquia - sabem como é, Fidel é um "antiimperialista"...). E havia, claro, outros motivos internacionalistas para estar em Angola: motivos negros (petróleo), brancos (marfim), brilhantes (diamantes)... Esses motivos, ao que parece, também seduziram o comandante das tropas cubanas em Angola, o general Arnaldo Ochoa Sánchez, fuzilado em 1989 (pelo menos é o que está na acusação contra ele - o mais provável, a meu ver, é que tenha sido um expurgo).

Mas os cubanos são um povo generoso, e havia outras latitudes que demandavam sua assistência. Outro país africano que conheceu a solidariedade do regime castrista foi a Etiópia, que em 1974 se tornou um regime marxista. Os cubanos estiveram por lá também, dando uma força para o companheiro Mengistu Hailé Mariam, que estava brigando com os somalis por um pedaço de deserto. Morreram alguns milhares de etíopes e somalis, mas nada comparado ao 1 milhão de mortos na grande fome de 1984. Enquanto o povo etíope morria, os cubanos estavam por lá, ajudando o regime de Adis-Abeba.

"Ok, ok, mas você não vai falar nada da África do Sul? O Nelson Mandela agradeceu ao Fidel pela luta contra o regime do aparheid" etc. Pois é, né? Um dos grandes mistérios para mim é como alguém como Mandela, incensado pelo mundo como um líder democrático, viu alguma relação entre a presença cubana na África e o fim do apartheid na África do Sul. Provavelmente, isso se deve ao fato de que ele estava preso na época, sei lá eu... Sei apenas que a queda do apartheid na África do Sul não teve nada a ver com o que os cubanos fizeram em Angola: o regime caiu por causa da combinação de um forte movimento de oposição interna com as pressões da comunidade internacional - pressões que a ditadura castrista nem de longe conhece, apesar de toda a retórica sobre o "bloqueio".
.
Quanto a Cuba, bom... Depois de tanto dinheiro jogado fora e, principalmente, de tantas vidas perdidas em guerras e aventuras inúteis no exterior para saciar a megalomania de um unico homem, o país é hoje uma ruína - econômica, física, social, moral. Somente a censura e a repressão a quem pensa diferente do regime funcionam. Realmente, um modelo de solidariedade a ser exportado...
.
Bom, acho que é isso. Não sei se preenchi as expectativas do caro leitor. Provavelmente não. Mas quem disse que ligo para isso? Para mim, são os fatos que interessam. Não o que diz Fidel Castro.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

MAIS MASSINHA I - VAMOS VER SE AGORA ELES ENTENDEM...


Eis um exemplo de imprensa imparcial, segundo os lulo-petistas...

.
Um leitor anônimo se faz de tolinho (ou é tolinho mesmo, vai saber). Ele (ou ela) coloca em questão o nome do blog (pelo menos não quer iniciar um debate sobre vírgulas e acentos agudos). Eu, como sempre, aproveito para me exercitar dando umas chineladas. Vejam o que ele (ou ela) escreveu sobre o post FINALMENTE, UM ARGUMENTO IRREFUTAVEL (II):

Muito bem, rapaz.
Se algum incauto der uma passada d'olhos nesse seu texto, sei não, pode até ficar com a impressão de que você é um cidadão imparcial, tolerante, crítico do que julga estar errado, doa a quem doer. Mas tem que ser uma olhada rápida. Nada de reler.
Vamos lá. Primeiro: quem disse que sou imparcial? Coloque um petista e um tucano na minha frente e eu direi que com um deles, pelo menos, existe a possibilidade de diálogo. Não sou "imparcial" coisa nenhuma. Essa imparcialidade a favor do lulo-petismo não é comigo. Já deixei claro o que acho disso em vários textos. Mas pelo visto o leitor acima não deu sequer uma rápida passada d’olhos em nenhum deles. Assim fica difícil.

Outra coisa: por que Blog Do Contra? Você é contra o quê?!
Puxa vida, ainda não percebeu? Já contei a história do nome do blog aqui, não vou me repetir. Tudo bem, vou explicar. Preste atenção.

Vamos lá...

1) Você enxovalha o PT. A grande imprensa também.

De que "grande imprensa" o companheiro (ou companheira) está falando? A única "grande imprensa" que "enxovalha" o PT, ao que eu saiba, é a VEJA. Aliás, "enxovalha" nada: simplesmente divulga as petralhices da companheirada. Ao contrário da imprensa "imparcial" ou "nenhumladista", como a Istoé e a (essa é uma maravilha!) Carta Capital. Essas sim, modelos de imprensa "isenta" e "equilibrada"... Mais uma vez: que grande imprensa? A TV do "bispo"?

Aliás, é curioso: o lulo-petismo é, em grande parte, uma criação da imprensa - e falo da grande, da enorme imprensa -, que fez de tudo durante 30 anos para enaltecer o "único partido decente do Brasil" e o "lider metalúrgico dos trabalhadores"... Cansei de ver jornalista com bottom do PT no peito. Sem falar nos intelectuais, nos artistas etc. Chegaram mesmo a fazer musiquinha para ele e tal. Agora vem alguém e acha que é o inverso, porque com o mensalão em 2005 uma parte da imprensa - a parte que o cleptopetismo no poder não conseguiu cooptar com verbas oficiais - resolveu se render aos fatos e fazer jornalismo. Vai entender... (Ou melhor, entendo sim: é que os lulo-petistas não engolem o fato de que existe uma imprensa que eles não conseguiram ainda controlar. Aí estão o PNDH-3 e a Confecon do comissário Franklin Martins para provar.)

2) Você faz críticas açucaradas ao PSDB e fecha os olhos para os milhares de mazelas da tucanalhada. A grande imprensa também.
Eis algumas críticas minhas "açucaradas" ao PSDB e às mazelas da tucanada:
- São um bando de maricas incapazes de organizar uma oposição que justifique o nome;
- São um clube de dondocas e socialites, que temem mais denunciar o petralhismo e passar assim por "de direita" do que perder uma eleição;
- São liderados por um sujeito que é tao ou mais estatista e esquerdista do que os lulistas em vários aspectos;
- Enfim, são cúmplices, por omissão, medo, covardia ou comprometimento ideológico (ou sei lá mais o quê) de todas as cafajestagens dos lulo-petistas. É pouco ou quer mais?
.
Certamente, o companheiro autor do comentário gostaria que as minhas críticas ao PSDB fossem outras. Que eu os chamasse, sei lá, de "neoliberais", "partido da elite" ou outra bobagem do tipo. Sinto desapontá-lo. Afinal, isso simplesmente não é verdade – infelizmente. Além do mais, sou do contra, esqueceu?

3) Você é macaquito de americano. Chega a ser aculturado, como já disseram aqui. Só falta dizer que a crise financeira de 2008 foi obra do PT. A grande imprensa também.
- OK, sou "macaquito de americano"... Mas de que americano? Do Obama? O companheiro leu algum texto meu sobre o Lula americano aqui? Ou é simplesmente disléxico?

Não, a crise financeira de 2008 não foi obra do PT. Aliás, é preciso reconhecer: se tem algo em que os petralhas não têm nenhuma responsabilidade, é na economia. Tanto que governam há oito anos com o programa do PSDB, e ainda dizem que é tudo obra deles. Na economia, o PT não fez nada. Ainda bem.

Mais uma vez: o que raios o camarada quer dizer com "grande imprensa"?

Qual é a novidade, senhor-do-contra?!!!!
Não percebeu ainda? Se desta vez o dito-cujo nao perceber a novidade, aí só desenhando mesmo....

PS: Ah, sim... Não sabia que o Partido Democrata dos EUA havia registrado o nome. Mais ninguém pode usar, né? Vivendo e aprendendo.
Claro que pode usar. Partidos com uma ideologia esquerdista ou centro-esquerdista certamente se sentiriam felizes em copiar o nome e até as cores do partido de Barack Obama e de Al Gore, a esquerda americana. Mas um partido que se diz de oposição ao petralhismo? E, ainda por cima, "de direita"? Que "direita" é essa, cara-pálida? Se essa é a "direita" do Brasil, entao é porque já vivemos num regime soviético e não sabemos ainda. Aliás, comentários como esse só reforçam essa impressão.

Mais uma vez: vai adiantar dizer o que vai aí em cima? Provavelmente, não. Mas digo assim mesmo. Afinal, preciso justificar o nome do blog, não é mesmo?

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

UMA AULA DE “MASSINHA NÍVEL I” SOBRE HONDURAS, GOLPES, DEMOCRACIA ETC.


Um leitor que se assina como Lucas chegou atrasado ao blog. E foi logo querendo botar banca, cheio de marra. Ele escreveu o seguinte sobre meu texto RECORDANDO HONDURAS: UM LEITOR ME FAZ UM DESAFIO. E EU TOPO! (e ainda deu uma risadinha...):

Diz você no primeiro post: "Democracia e direitos humanos são valores inegociáveis".

Nossa! É um blog de um democrata, não?!

E, agora, uns artigos abaixo, vejo uma defesa do golpe em Honduras. Golpe que até mesmo os embaixadores dos EUA reconheceram ser ilegal.

Deixa eu ver se eu entendi. Um presidente legitimamente eleito é sequestrado e este presidente na tentativa de recuperar o que a Democracia lhe outorgou torna-se um "incitador de uma guerra civil"? rs

Realmente, neste blog, a defesa da democracia é inegociável... rsrs
--
Fico na dúvida se Lucas leu o texto que comenta. Lá está bem claro que, se os EUA condenaram inicialmente o "golpe” de 28/06/2009, então alguma coisa está errada, porque eles voltaram atrás logo depois. Sem falar nos argumentos jurídicos, que são pífios, como mostrei.

Mas não vou mais falar no mérito jurídico da questão. Quem quiser saber o que aconteceu de fato em Honduras, é só pesquisar, há farto material neste blog. Vou apenas fazer umas perguntas para o Lucas:

- Um presidente legitimamente eleito tem o direito de convocar um referendo declaradamente ilegal e inconstitucional, e assim rasgar a Constituição de seu país?

- Um movimento que depõe um presidente que tenta fazer isso, fazendo cumprir o Artigo da Constituição que determina que quem tentar o que ele tentou perde DE IMEDIATO (imediatamente, automaticamente, na hora) o mandato, é "golpe"?

- Se a Constituição determina a perda imediata do cargo, então o que autoriza alguém a dizer que a prisão e expulsão do presidente deposto, embora ilegais, caracterizam "golpe", já que, quando ele foi preso e expulso do país, de acordo com o mesmo Artigo constitucional, não era mais presidente (perdera o cargo "de imediato")?

- Finalmente, o que é golpe: afastar, por determinacão da Suprema Corte e do Legislativo nacionais, um presidente que tentou estuprar a Lei Maior do país ou tentar passar por cima das instituições para perpetuar-se no poder?

(Uma última observação: Não basta alguém ser eleito democraticamente para garantir que seu governo será democrático. Não custa lembrar: Adolf Hitler também foi legitimamente eleito.)

Enfim, eu posso dizer que sou um democrata, porque nunca tentei violar a Constituição de meu país para me eternizar no poder. Também nunca invadi uma embaixada alheia para transformá-la em meu quartel-general, INCITANDO, SIM, À GUERRA CIVIL (os fatos estão aí para provar). Será que mané zé laia pode dizer o mesmo?
.
Entendeu, Lucas, porque faço questão de frisar que a democracia é inegociável? Não me faça desenhar para você.

Eu poderia escrever mais a respeito. Mas, provavelmente, não iria adiantar. Para que pessoas como o Lucas compreendam o que está aí em cima, seria preciso terem, antes de tudo, boa vontade. E nao existe boa vontade se não há amor pela verdade.

FINALMENTE, UM ARGUMENTO IRREFUTÁVEL (II)

(ver dois posts abaixo)
Ah, sim!
.
Esqueçam também tudo que escrevi aqui neste blog sobre o PSDB, esse clube de socialites capazes de tudo - até perder eleição - para não enfrentar e denunciar a máquina política mais corrupta da História do Brasil. E também sobre o DEM, que tomou seu nome do Partido Democrata americano (de Barack Obama e Jimmy Carter) e que cogita até fundir-se aos tucanos. Enfim, esqueçam tudo que eu disse sobre o fato de o Brasil não contar com um partido verdadeiramente de direita, possuindo, em vez disso, a oposição mais governista do mundo... (e que isso é péssimo para a democracia).
.
Tudo isso, só para lembrar, é porque o que escrevi não tem o menor valor, já que, por culpa de um teclado desconfigurado, "comentário" e "alguém" saíram sem acento agudo em um dos cerca de 750 textos que postei aqui desde que criei este blog). Enfim, esse é o argumento irrefutável que encontraram para rebater o que escrevi: a falta de dois acentos agudos...
,
Vamos lá, gente! É só isso que vocês tem? Tenho certeza que vocês podem mais do que isso. Vamos, força! Continuem tentando. Um dia vocês conseguem.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

EGITO: O QUE ESTÁ EM JOGO (E AS BESTEIRAS QUE ANDAM DIZENDO POR AÍ)


Parece um manifestante pela democracia para você?

.
.
Antes de tudo, é preciso deixar bem claro: Hosni Mubarak, o presidente do Egito, é um ditador. E, como todas as ditaduras, a sua é desprezível. Ele se mantém no poder há 30 anos, em eleições fraudadas, existe censura à imprensa e a oposição é duramente reprimida. Além do mais, é um ditador incompetente: seu governo falhou miseravelmente em garantir boas condições de vida para a população, razão pela qual ela está saindo às ruas pedindo sua renúncia. Mubarak é um déspota, um tirano. É mais do que chegada a hora de o Egito ser uma democracia. Democracia e direitos humanos são valores universais e inegociáveis. Ponto.

Visto isso, vamos agora ao que está passando despercebido na cobertura da atual onda de protestos e manifestações que, começando na Tunísia (onde o ditador de plantão já foi posto para correr), espalhou-se por vários outros países do Norte da África e do Oriente Médio.
.
Em primeiro lugar, alguém aí prestou atenção em quem está à frente das manifestações? Ou, melhor dizendo: alguém aí já se deu conta de quem é hoje a maior força de oposição no Egito à ditadura de Mubarak? Se não sabem, eu vou explicar.

A principal força de oposição ao regime egípcio é a Irmandade Muçulmana. O que é a Irmandade Muçulmana? É uma organização terrorista islamita criada nos anos 20 e que deseja transformar o Egito – e os demais países da região - num Estado islâmico, onde imperaria a sharia, a lei muçulmana. A Irmandade Muçulmana serviu de incumbadora para várias outras organizações terroristas islamitas. Uma delas, o Hamas, tomou o poder em 2007 na Faixa de Gaza, após vencer as eleições no ano anterior. Imediatamente, todos os seus opositores políticos foram passados a fio de espada. Assim como o Hamas, a Irmandade Muçulmana deseja destruir Israel. Assim como o Hamas, a Irmandade Muçulmana odeia a democracia. Preciso dizer o que aconteceria se o Egito, o país árabe mais populoso (80 milhões de habitantes) e, ainda por cima, uma potência militar, caísse nas mãos dos fanáticos da Irmandade Muçulmana?

Não há dúvida de que as manifestações no Cairo pela renúncia de Mubarak trazem, em si, a esperança de democracia, algo que o Egito jamais conheceu em sua história milenar. Mas, ao mesmo tempo, há nelas um cheiro forte de Teerã-1979. Existe o perigo real de o Egito se tornar um novo Irã. A se julgar por muito do que tenho lido e ouvido nesses últimos dias, eu diria mesmo que o risco é bastante real, é mais real do que nunca.

Nessas horas, sempre aparecem vozes oportunistas que batem na surrada tecla: "É tudo culpa dos EUA" (notem que dizem "dos EUA", e não "de Obama"...). Isso porque Mubarak é aliado dos EUA, de quem recebe vultosa ajuda militar. A associação é instantânea nos cérebros adolescentes, para os quais o antiamericanismo é uma espécie de religião, uma senha capaz de explicar o universo: "se ele é aliado dos EUA, e se ele é um ditador, então os EUA são responsáveis pela ditadura" etc. Melhor dizendo: o Egito só é uma ditadura porque os EUA querem etc. etc.

Já ouvi vozes ditas respeitáveis repetirem essa bobagem, arrotada por gente do naipe de um Fidel Castro ou de um Hugo Chávez (que aproveitaram, aliás, para tirar uma lasquinha da crise no Egito, posando de democratas [!] e culpando – adivinhem quem – os EUA pela crise...). Inclusive aquele que está sendo apontado como o principal líder da oposição a Mubarak, o ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica Mohamed El-Baradei, já deu mostras de que assina embaixo desse discurso vigarista - ele parece ter adotado a retórica nasserista do passado, e tem feito acenos à Irmandade Muçulmana (com quem anunciou ter feito um acordo, meu Deus do céu!). Pois bem. Basta uma rápida olhada na história recente do Egito para desmontar mais essa farsa.

Em primeiro lugar, se alguém é responsável pelo fato de o Egito ser hoje uma ditadura, certamente não são os EUA, nem a antiga potência colonial, a Grã-Bretanha, mas os próprios egípcios. A rigor, o Egito é uma ditadura militar desde 1952, quando um golpe derrubou a monarquia do rei Faruk e deu início ao governo ditatorial de Gamal Abdel Nasser. Sob Nasser, um virulento nacionalismo pan-árabe e anti-Israel deu o tom da política interna e externa do país - o Egito fechou o canal de Suez em 1956, provocando uma guerra contra Israel, Reino Unido e França, e foi fragorosamente derrotado em 1967 por Israel na Guerra dos Seis Dias. Após a morte de Nasser, em 1970, seu sucessor, Anuar Sadat, atacou Israel em 1973 (a Guerra do Yom Kippur). Rechaçado no campo de batalha, percebeu que era impossível destruir Israel pelas armas e fez a única coisa sensata que um governante árabe pode fazer: assinou um acordo de paz com Israel em 1978, o que lhe rendeu um prêmio Nobel da Paz. Por esse motivo, em 1981 foi assassinado por terroristas islamitas em uma parada militar no Cairo. Seus assassinos eram membros da – adivinhem - Irmandade Muçulmana (um dos que foram presos acusados de participarem da conspiração para matar Sadat, um certo Aiman Al-Zawahiry, é atualmente o número dois da Al Qaeda de Osama Bin Laden). Desde então, Mubarak tem governado com mão de ferro, já tendo escapado de um atentado em 1996.

Mesmo assim, um idiota do antiamericanismo de espinhas na cara poderia dizer: "Ah, mas os EUA apóiam a ditadura de Mubarak com armas e dinheiro; isso mostra que esse papo de defesa da democracia é balela, que eles não defendem a democracia coisa nenhuma" etc. Eu respondo: e o que você esperava que eles fizessem, cara-pálida? Deixar a Irmandade Muçulmana tomar o poder? Pensem bem: uma ditadura do mundo árabe, coalhado de ditaduras, decide ser sua aliada. O que você faria? Derrubá-la, como fizeram com a ditadura de Saddam Hussein no Iraque? É, existe essa opção. Mas peraí: isso não seria uma intervenção externa, "imperialista"? Além do mais, que grupo terrorista-genocida é financiado pelo Cairo?

Não resta dúvida de que o regime de Mubarak é despótico e cruel, assim como despótico e cruel era o regime do Xá do Irã, Rehza Pahlevi. Mas acredito que ninguém com o juízo no lugar e em pleno domínio de suas faculdades mentais trocaria uma ditadura laica e aliada do Ocidente por uma teocracia islamita. Em 1979, muitos dos que saíram às ruas pedindo a cabeça de Rehza Pahlevi no Irã acabaram fuzilados ou enforcados apenas alguns meses depois pela polícia política dos aiatolás. É provavel que o mesmo aconteça no Egito, caso a razão - e a democracia - dê lugar às legiões do ódio e do fanatismo.

Desmentindo a máxima tiririquiana, no Egito, pior do que está, pode ficar sim. Basta a Irmandade Muçulmana chegar ao poder. Nesse caso, podem ter certeza: muitos dos que hoje estão nas ruas protestando vão sentir saudades de Hosni Mubarak.

FINALMENTE, UM ARGUMENTO IRREFUTÁVEL

Está entediado? Sem nada o que fazer? Não tem argumentos para rebater o que diz este escriba? Então faça como o leitor anônimo que escreveu o seguinte (na verdade, ele só copiou o que eu havia escrito):
>
A pérola abaixo, de autoria anônima – além de quadrúpedes, são uns valentes -, me dá mais um motivo para manter a moderação de comentarios(SIC).
P.S.: O imbecil acha que chamar alguem(SIC) de dondoca e covarde, além de cúmplice da esquerdopatia, é pouco.
"Só gosto de corrigir as pessoas inteligentes, que gostam de aprender. Os burros ficam danados quando se descobre uma besteira deles."
Aurélio Buarque de Holanda

Não!
Jura?
Sério?
É mesmo?
Caramba!
Não me diga!
Puxa vida!
Que absurdo!
.
Esqueçam tudo o que eu disse aqui sobre a corrupção da cleptocracia lulo-petista no poder. Ou sobre seu apoio incondicional e ilimitado aos piores tiranos da Terra. Ou sobre suas relações com narcotraficantres e terroristas. Tudo isso perde em importância e significado diante de um... acento agudo. Não importa que isso tenha ocorrido devido a um teclado desconfigurado (estou no exterior), que obriga o dono do blog a escrever primeiro em word e depois colocar o texto no blog. O verdadeiramente importante, o realmente significativo, o argumento irrefutável, é que faltou o acento em "comentários" e em "alguém"...
.
“Quem supervaloriza o secundário, em detrimento do essencial, revela fixação psicótica e quer apenas fugir do assunto”. (Gustavo Bezerra)
.
Primeiro foi o caçador de vírgulas. Agora é o detetive de acentos. Com o que será que esses quadrúpedes vão implicar agora? Com a cor do blog?

sábado, janeiro 29, 2011

PARA RIR UM POUQUINHO


Juro que vi ontem, na televisão do "bispo" - eles devem ter editado a "melhor parte" -, o poste de saias e botox dizer, em discurso em Porto Alegre - RS (ela estava falando da seca que assola aquele estado):

"Nós vâmu tê que tê... uma... uma política determinada... no sentido da questão do combate à seca."

Anotem o que digo: um dia ainda vão duvidar que tal criatura realmente existiu. E que chegou à Presidência da República!

Agora voltamos à programação normal.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

RECORDANDO HONDURAS: UM LEITOR ME FAZ UM DESAFIO. EU TOPO!



Deixando os caçadores de vírgulas e apostos de lado, recebo um comentário de um leitor sobre Honduras. Como o assunto me interessa de perto - basta ler quantos posts escrevi a respeito -, transcrevo-o a seguir. E como o leitor me fez um desafio, respondo. Ficou um pouco longo, mas acho que assim fica mais claro.

Carinha..
Tomara você nao seja tão extrema direita para entender isto: O golpe do 2009 em Honduras foi ilegal.. o Zelaya sem duvida é um otario, porem ele foi deposto de maneira errada e enviado ao exilio, de maneira anti-constitucional. Independentemente se ele ia violar a consitucão o não, ele nunca legalmente fiz nada..ele foi deposto sem julgamento e enviado em um avião para Costa Rica, pela força. Eu te desafio a voce ler o wikileak do embaixador de USA em Honduras, Hugo Llorens quem relata citando CORRETAMENTE nossa constitução (não como você) tudo o que aconteceu no 28 de Junho... (não o 29 como você erradamente falou).
Zelaya é um idiota corrupto (que nem Lula) como o presidente que temos hoje e todos os Presidentes que ja passaram por Honduras, porem ele foi eleito pela gente, e se a gente errou, devemos utilizar os mecanismos DENTRO da constituição para tirar ele do poder, e nunca, mais NUNCA pela força que foi o que aconteceu no 28 de Junho de 2009.
-UM HONDURENHO


RESPONDO

Minha opinião sobre o que aconteceu - e, principalmente, sobre o que NÃO aconteceu - em Honduras já é sobejamente conhecida. Quem tiver curiosidade que busque no blog, e encontrará vários textos sobre o tema. Não vou cansar o leitor repetindo aqui os mesmos fatos e argumentos que escrevi a respeito. Se quiserem encurtar caminho, estou de total acordo com a resposta do Reinaldo Azevedo ao representante brasileiro na OEA publicada aqui: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/29781/

Muito bem. Se eu já era de "extrema direita", como diz o leitor acima, antes da chanchada hondurenha - uma das maiores palhaçadas em que se meteu a diplomacia megalonanica da dupla Lula-Amorim -, depois dela eu me tornei um verdadeiro reaça, mais à direita do que Átila, o Huno... Vocês verão por quê.

O leitor me desafia a ler o telegrama que o embaixador dos EUA em Honduras, Hugo Llorens, escreveu sobre a situação política no país, telegrama este vazado pelo Wikileaks. Deve ter pensado: "Viu? Olha só o que o embaixador dos gringos escreveu sobre o golpe que derrubou o zé laia. Ele prova que houve golpe. E aí, vai manter sua opinião?".

Tenho uma notícia que, acho, não será muito do agrado do caro leitor. Eu topo seu desafio. Li o telegrama. E ele não "prova" coisa nenhuma. Pelo contrário, só CONFIRMA E REFORÇA TUDO O QUE EU DISSE AQUI. Ou seja: somente confirma e reforça que NÃO HOUVE GOLPE NENHUM EM HONDURAS, A NÃO SER O TENTADO POR MANUEL ZELAYA E SUA CORRIOLA BOLIVARIANA.

Antes de analisar o que está lá escrito, acho que vale a pena fazer um parêntese: quem está familiarizado com comunicações diplomáticas sabe que telegramas de embaixadas estão longe, mas muito longe, de significar "a verdade". Quando se trata de informação factual, sim, mas telegramas, ainda mais de análise política, estarão sempre sob a influência de fatores como a conjuntura do país, os interesses em jogo etc. Há, inclusive, a possibilidade de informação truncada ou de contra-informação (o que parece ser o caso). O conteúdo de telegramas dessa natureza, em geral, varia do extraordinariamente importante ao absolutamente irrelevante. Depende muito do momento e, principalmente, de quem o escreve. Pode captar uma certa visão a respeito de um fato, a interpretação de um ator; não é necessariamente (aliás, dificilmente é) o que "realmente aconteceu".

Pois bem. Quando Hugo Llorens escreveu seu telegrama a Washington, era o início do governo Obama, a política externa da nova administração democrata ainda não estava definida e o Departamento de América Latina do Departamento de Estado estava acéfalo - o cargo, ao que consta, estava vago há meses. Era a época em que Barack Obama se deixava fotografar recebendo o livro As VÉIAS Abertas da América Latina das mãos de um sorridente Hugo Chávez, que o chamava de "ignorante" (espera-se que ele, Obama, não se preste mais a esse papel grotesco...). Junte-se a isso a pressão internacional sobre o governo Micheletti, capitaneada pelo fanfarrão venezuelano Hugo Chávez, e a incompreensão geral do que se passara no país e você terá uma boa explicação de por que os EUA mergulharam, durante meses, na confusão total em relação a Honduras, só recobrando a razão depois que ficou claro que o lado golpista era outro.

O telegrama citado - número 09TEGUCIGALPA645, criado em 24/07/2009, classificado como "Confidencial" - reflete essa confusão. O que ele diz? Basicamente, o seguinte:

- Os argumentos legais dos defensores do "golpe" contra Zelaya não se sustentam (errado; eles se sustentam);

- Como a Constituição de Honduras não prevê o impeachment, o processo para afastar ("to impeach") Zelaya teria de ser judicial (errado novamente; a Constituição não estabelece qualquer procedimento judicial para afastar o presidente, apenas o artigo 239, como veremos adiante);

- Nenhuma das violações da Constituição hondurenha feitas por Zelaya - como propor um referendo constitucional considerado ilegal pela Corte Suprema e pelo Legislativo - justificam sua derrubada, pois ele foi deposto antes de poder fazê-lo (informação equivocada - o simples fato de propor o referendo constituiu violação da Carta Magna);

- Em outras palavras: "Zelaya na verdade nunca tentou mudar os assim chamados artigos 'pétreos' ("carved in stone")"; apenas foi "interpretado" que ele o faria (falso: ele violou um princípio fundamental da Constituição);

- Por conseguinte, ocorreu em Honduras em 28/06/2009 um "golpe de estado do poder legislativo, com o apoio do poder judiciário e dos militares" (!), pois "Não importam quais os méritos do caso contra Zelaya, sua remoção forçada pelos militares foi claramente ilegal, e a ascensão de Micheletti como 'presidente interino' foi totalmente ilegítima" etc. (Totalmente falso; havia motivos legais de sobra para depô-lo. Além do mais, se "não importam os méritos do caso", então por que o telegrama se debruça sobre eles?)

E assim por diante.

A interpretação acima está cheia de furos, além dos que já foram apontados. Eis alguns deles:

- Zelaya de fato violou a Constituição do país ao convocar, ao arrepio da Lei e do Congresso, um referendo ilegal e inconstitucional. O Artigo 239 da Constituição estipula que quem o propuser perderá DE IMEDIATO o cargo que ocupa e ficará inelegível por dez anos (o Telegrama cita de passagem o Artigo 239, mas em nenhum momento o transcreve);

- Zelaya demitiu o comandante das forças armadas, por este se negar a levar adiante o referendo ilegal. Embora a Constituição (Artigo 280) estabeleça que é direito do presidente nomear e demitir o comandante das forças armadas, a Corte Suprema determinou em 25 de junho que ele estava incorrendo em violação da Constituição ao demitir o comandante. Isso porque a demissão ocorreu devido à recusa do comandante em implementar uma decisão ilegal (o referendo). Logo, a demissão - assim como o referendo - foi, sim, ilegal;

- Embora o Artigo 239 da Constituição não especifique quem exatamente teria a incumbência de afastar o presidente - de fato, sua redação é confusa, para dizer o mínimo -, uma coisa é clara: quem tentar fazer o que Zelaya tentou perde imediatamente o cargo;

- Portanto, no momento em que foi preso e expulso do país, Zelaya já não era mais presidente da nação, segundo o Artigo 239 da Constituição de Honduras ("perde de imediato o cargo...");

- O fato de a prisão ter sido irregular, e inclusive ilegal (segundo o Artigo 102 da Constituição, que proíbe a extradição de cidadãos hondurenhos) não muda em absolutamente nada o que está no Artigo 239; Zelaya poderia ter sido preso, expulso e até fuzilado, e isso seria certamente ilegal, um crime, mas não seria "golpe de estado" (não é o Artigo 102, mas o 239, que o determina);

- Ou seja: a conclusão da embaixada dos EUA de que houve um "golpe legislativo-judicial-militar" é completamente absurda, só se sustentando por uma interpretação enviesada da Constituição de Honduras, em especial de seu Artigo 239, que deixa claro, apesar da redação esquisita, que quem propuser a prorrogação do mandato perde de imediato (ou seja: na hora, imediatamente) o cargo que ocupa. Só é possível dizer que Manuel Zelaya foi vítima de golpe ignorando totalmente esse fato.

Outros fatos que o telegrama de Hugo Llorens não menciona (até porque lhe são posteriores):

- Depois do "golpe", o governo "de facto" de Honduras manteve as eleições presidenciais, que foram realizadas livremente em novembro de 2009, inclusive com a participação de candidatos zelaystas;

- As liberdades e garantias democráticas foram preservadas e asseguradas, apesar da invasão da embaixada do Brasil e das ameaças dos partidários de Zelaya;

- Nenhum cidadão hondurenho, ao que eu saiba, foi torturado ou morto (se tiver havido algum caso, a lei do país - mesma lei que Zelaya quis jogar no lixo - dele tratará); passados quase dois anos, o país segue em paz e em ordem, e a vida continua.

Mas a maior prova de que em 28 (ou 29, tanto faz) de junho de 2009 Honduras fez uma opção pela legalidade e pela democracia foi dada pelo próprio governo a que o embaixador Llorens servia: algum tempo depois do telegrama que afirmava ter sido "ilegal" a deposição de Zelaya, o governo Obama voltou atrás e reconheceu o resultado das eleições realizadas pelo novo governo hondurenho. Ou seja: reconheceu-o como o governo DE DIREITO do país. Poucas vezes existiu confissão de erro maior do que essa.

Desde então, vários outros governos também reconheceram a legalidade do governo de Tegucigalpa, e Honduras caminha para ser readmitida na OEA (se não for, também não fará muita diferença). Cada vez mais países se dão conta de que em Honduras o lado golpista foi o deposto, não o que aplicou a Constituição. (O governo Lula, ao contrário, continuou com sua atitude caudatária a Hugo Chávez, condenando o "golpe" que não houve e exigindo o retorno IMEDIATO e INCONDICIONAL do chapeleiro maluco, juntando-se a um cerco internacional que condena no caso de ditaduras como a de Cuba.)

Então, ficou claro quem era o golpista na história?

Isso tudo à parte, é curioso como o Wikileaks se tornou o Novo Evangelho para muita gente. Não é de admirar, visto que seu criador, Julian Assange, é visto por muitos como uma espécie de mártir e messias... Sobre esse sujeito, e sobre o desserviço que ele está prestando ao mundo em nome da "liberdade de expressão" (na verdade, o vazamento irresponsável de informações secretas e confidenciais, muitas das quais um prato cheio para terroristas), já escrevi aqui alguns textos. Vou me limitar a dizer que entre o Wikileaks (ou a embaixada dos EUA) e a Constituição de Honduras, fico com a última, mesmo com seus defeitos.

Mas é claro que nem tudo que está no Wikileaks é falso ou equivocado. No mesmo arquivo referente a Honduras, existe um telegrama de outro embaixador norte-americano naquele país, Charles A. Ford. Trata-se do telegrama Secreto 08TEGUCIGALPA459, de 14/05/2008 (mais de um ano antes do "golpe"). Nele, o embaixador dos EUA traça um perfil psicológico dos mais interessantes sobre Manuel Zelaya. Ele afirma, por exemplo, o seguinte (a tradução fui eu que fiz, os grifos também são meus):

- "O Presidente hondurenho José Manuel 'Mel' Zelaya Rosales é um retrocesso [a throwback] em direção a uma era anterior centro-americana, quase uma caricatura de um 'caudilho' dono de terras em termos de seu estilo de liderança e tom. Sempre o adolescente rebelde, o principal objetivo de Zelaya no cargo é enriquecer a si mesmo e a sua família [...] se ressente da própria existência do Congresso, do Procurador-Geral e da Corte Suprema. Em seus dois anos e meio no cargo, ele se cercou de forma crescente de gente envolvida em atividades do crime organizado". (Isso é só o sumário)

- "Pessoalmente, achei Zelaya engraçado e charmoso, tendendo bastante a me dizer o que quer que ele ache que eu queria ouvir naquele momento. [...] Foi interessante ver como suas explicações diferiam de encontro para encontro, quase como se ele não tivesse qualquer lembrança de sua conversa de apenas alguns dias antes."

- "Em resumo, num período de quase três anos tornou-se claríssimo para mim que as opiniões de Zelaya mudam dia a dia ou em alguns casos hora a hora, dependendo de seu humor e de quem ele viu por último."

Ainda falando do "comportamento errático" de Zelaya, Ford observa:

- "Zelaya permanece muito como um adolescente rebelde, ansioso para mostrar sua falta de respeito por figuras de autoridade. [...] O problema é que Mel tem agido dessa maneira juvenil e rebelde durante toda sua vida e conseguiu chegar ao posto mais alto do país. [...] Ele vai continuar a levar uma vida privada caótica e altamente desorganizada."

- "Também existe um Zelaya sinistro, cercado por alguns conselheiros próximos com laços tanto com a Venezuela e Cuba quanto com o crime organizado. A defesa desesperada por Zelaya do ex-chefe de telecomunicações Marcelo Chimirri (que se acredita amplamente ser um assassino, estuprador e ladrão) sugere que Chimirri mantém muita influência sobre o próprio Zelaya. Zelaya quase certamente toma fortes medicamentos contra um problema severo nas costas e talvez outras drogas também. [...] A inabilidade de Zelaya em nomear um Vice-Ministro para Segurança empresta credibilidade àqueles que sugerem que narcotraficantes o têm pressionado para nomear um deles mesmos para essa posição. Devido à sua íntima associação com pessoas que acredita-se estejam envolvidas com o crime organizado internacional, a motivação por trás de muitas de suas decisões políticas pode certamente ser questionada. Sou incapaz de relatar a Zelaya ações sensíveis de cumprimento da lei e contra-narcóticos, devido à minha preocupação de que isso poderia pôr a vida de funcionários dos EUA em perigo."

Tem mais. Sempre nessa mesma linha. Quem quiser ler o telegrama completo, é só acessar o Wikileaks.

No final, o embaixador Ford faz uma observação que só pode ser considerada profética:

- "O último ano e meio da administração Zelaya será, a meu ver, extraordinariamente difícil para nosso relacionamento bilateral. Sua busca de imunidade para numerosas atividades do crime organizado levadas a efeito em seu governo o levará a ameaçar o império da lei e a estabilidade institucional."

Na mosca.

O leitor cujo comentário reproduzi acima e que me fez o desafio assina como "um hondurenho". Suponho que ele seja mesmo o que diz ser (e pelo nível do português, não duvido que isso seja verdade). Nesse caso, devo imaginar como ele deve ter se sentido, com um demagogo de botas e chapéu de vaqueiro invadindo uma embaixada estrangeira na capital de seu país e, juntamente com dezenas de arruaceiros, passando a usá-la para incitar a violência e a guerra civil. Imagino como ele se sentiu ao ver pela televisão cenas lamentáveis de uma embaixada transformada em palanque e quartel-general para um doido que acreditava estar sendo monitorado mentalmente por espiões israelenses arengar a seus seguidores e pregar o caos.

Certamente, como cerca de 70% da população hondurenha que queria ver o tal Zelaya fora do poder, o leitor deve ter ficado nauseado e revoltado diante de tamanha interferência em um assunto interno de seu país, patrocinada por gente como Hugo Chávez. Não sei quanto a você, caro leitor, mas eu, como brasileiro, senti uma profunda vergonha. A ponto de querer esconder minha nacionalidade.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

PARA RIR E RELAXAR

Aí veio o caçador de vírgulas e disse:
.
Ganhei meu dia.Uso de vírgula por questão de ritmo. E qual seria o ritmo, o meu ou o seu? Seria o ritmo da fala? O senhor é asmático, por isso tantas vírgulas?Faça-me o favor.Bem, pelo menos dei ao senhor alguma atenção. Seis anos de blog e impressionantes 13 seguidores. Deve ser triste.
.
O ignorante soberbo que escreveu o que vai aí em cima não sabia o que é aposto. Tive que explicar-lhe. Agora diz não saber que frases têm ritmo, sim. E que uma das funções da vírgula é dar ritmo às frases. Daí em alguns casos seu uso ser facultativo.
.
É, o blog tem 13 seguidores. E isso sem fazer propaganda, heim! Imagine se fizesse... Mas quem disse que estou aqui para ter seguidores? Deve ser muito triste depender dos aplausos dos outros para se sentir feliz.
.
Outra coisa: o blog existe desde novembro de 2006. Tem, portanto, quatro anos e dois meses (e não seis) de existência. Parece que o aprendiz de apedeuta não é ignorante só em gramática, não. Pelo visto, fugiu das aulas de matemática também.
.
Mas para quem tem como "argumento" contra o que escrevo o uso de vírgulas - ainda por cima, copiando frases de meu perfil no blog (eu, heim?) -, não saber contar é algo natural.
..
É como diria aquele meu velho professor: "Quanto mais inteligente o burro quer se mostrar, maior o peso da cangalha".
.
Essa foi boa. Ganhei minha semana.

AOS ADORADORES DO ÓDIO (OU: RECEITA PARA SER UM PERFEITO IDIOTA)


Nos últimos tempos, aumentou bastante a quantidade de lixo eletrônico (e não me refiro aos "spans" e correntes) no espaço de comentários. Deve ser por causa das férias (a molecada costuma ficar entendiada nessa época). Faço, portanto, um favor aos membros da Al-Qaeda cibernética que tentam transformar meu blog em esgoto de suas mentes poluídas - é incrível como eles não podem mais viver sem mim... hehe. Elenco, a seguir, uma pequena receita, algumas instruções que certamente lhes serão muito úteis para "debater" com este escriba.

As dicas que seguem já são conhecidas dos esquerdopatas e de seus sócios, e algumas delas podem ser encontradas em Como Vencer um Debate sem Precisar Ter Razão, do filósofo Arthur Schopenhauer (comentado pelo professor Olavo de Carvalho, outro alvo das patrulhas esquerdopatas). Trata-se de algo que, mais do que um método, revela uma mentalidade, o espírito de uma era.

Vamos às dicas:

- Invada o espaço de comentários do blog: Tente entupi-lo com o maior número de mensagens possível. Faça-o, de preferência, com mensagens longuíssimas, sem parágrafos. Textos longos e prolixos não precisam ser lidos para dar a impressão de que são respostas à altura, ou que são verdadeiros. Outra opção é a oposta: textos curtos, nada mais do que slogans (colocados sempre em maiúsculas). É preciso que sejam muitos, porém: quanto mais posts desancando o blogueiro, maior a impressão de que ele está isolado e que você, portanto, está com a razão.

- Chame os amigos: Ataque em bando, lembre-se que uma frase dita por mais de uma pessoa - um slogan - tem muito mais força do que um comentário solitário. Se possível, e se o tema o exigir, organize um manifesto ou um abaixo-assinado. O poder do número, a pressão esmagadora da maioria, prescinde de qualquer argumento, impondo-se pela intimidação física. A massa - ou a manada - está sempre certa, ao contrário do indivíduo.

- Tente irritar seu adversário: Use e abuse da argumentação ad hominem, descartando fatos por terem sido citados por fulano ou cicrano. Apele para ofensas e xingamentos pessoais, tentando tirar seu oponente do sério. Acima de tudo, calunie ("fascista" é uma boa pedida), insinuando que o blogueiro estaria a soldo de algum interesse obscuro. Questione aspectos secundários, como o estilo dos textos ou o tamanho das frases (muito longas ou muito curtas, não importa). Na falta de argumentos, acuse o blogueiro de delitos imaginários, como não dominar o idioma, inventando questiúnculas sobre supostos erros gramaticais (de pontuação, por exemplo). Com isso, você poderá desviar a atenção do foco do debate e passará a impressão de que seu adversário é inepto ou desequilibrado. No limite, acuse-o de falta de sexo ou de homossexualidade reprimida, ou de alguma outra frustração pessoal inconfessável. Finja-se de psicanalista, e jogue lama à vontade. Enfeite tudo com um sonoro palavrão, preferencialmente relativo à mãe de seu opositor. Não tenho escrúpulo nenhum em ser canalha.

- Pose de vítima: Se o blog em questão tiver um moderador de comentários, escreva um post indignado chamando isso de censura. Se o dono do blog se recusar a publicar o que você quiser que ele publique, ainda que seja uma mensagem insultuosa e caluniosa, saia gritando que ele é contra a liberdade de expressão. Ignore o fato de que o blog é algo pessoal e que o dono tem o direito de escolher quais comentários serão publicados. Para mostrar como você realmente preza o livre debate e a liberdade de expressão, esconda-se no anonimato. Se questionarem sua coragem, invoque seu direito a permanecer anônimo, dizendo que essa é uma opção do blog. Tome apenas o cuidado de não mencionar o direito do dono do blog de moderar os comentários. Lembre: o covarde jamais é você. O importante é pautar o blog. Quanto mais ódio, covardia e preconceito você destilar contra o dono do blog, mais este passará por odiento, covarde ou preconceituoso. E calunie, calunie sempre: no final, sempre haverá quem se deixará enganar, tomando a mentira pela verdade.

Aí está. As dicas acima são apenas uma pequena amostra de como costumam agir e de como "pensam" os militontos, que estão sempre alertas para destilar seu ódio a quem pensa diferente deles. Assim, caluniando sempre, esperam soterrar argumentos contrários debaixo de uma montanha de lixo, construída com provocações grosseiras e linguagem de sarjeta. Infelizmente para esses suínos, conheço todos os seus truques. Eles podem até tentar. Mas, aqui, vão passar por aquilo que são: um bando de idiotas.