segunda-feira, janeiro 10, 2011

DESTRUINDO ILUSÕES


Um leitor, o Junior, quer ser de esquerda sem os inconvenientes de ser de esquerda. Quer ser esquerdista sem os problemas que isso acarreta. Eu, como sempre, ofereço-me para o papel de destruidor de ilusões. Sei que a tarefa é inglória, até antipática, mas, infelizmente, é necessária.

Em meu último post, fiz o seguinte desafio:

Por favor, mostre-me um exemplo, apenas um exemplo, de militante de esquerda, de qualquer tipo e vertente, que seja, também, um ferrenho anticomunista e defensor do liberalismo político. Mostre-me um que seja esquerdista e inimigo de Fidel Castro, Hugo Chávez, Stálin, Mao Tsé-Tung, Che Guevara, Lênin e Marx. Somente um! É só isso que peço.

Ou, para ser mais preciso: dê-me um nome, um único e miserável nome, de algum esquerdista que seja anti-Fidel Castro, anti-FARC, antitotalitário e que, ao mesmo tempo, seja a favor do capitalismo, do Ocidente e dos EUA (lembrando: as únicas alternativas ao capitalismo são o comunismo e a anarquia; e nenhum deles é muito compatível com a civilização).


Junior respondeu assim:

Respondo: Eu sou! Sou contra Fidel Castro, Hugo Chávez, Stálin, Mao Tsé-Tung, Che Guevara, Lênin, anti-FARC, antitotalitário e anti-Bush! Mas prezo pela esquerda e não pela direita. Não concordo com o método capitalista, e isso não significa que quero fazer uma revolução comunista. Ser de esquerda, segundo penso, é ser contra o status quo operante, ser contra a desigualdade social e econômica. Penso que as pessoas deveriam ter um sistema econômico mais igualitário, e isso não significa ser totalitário. Mas você pode dizer: "mas isso é utópico!". Que seja! Não vou ser a favor do sistema econômico presente só por ele ser o "menos pior".

Caro Junior,

Continuo à espera de você me mostrar um nome, apenas um nome, de alguém que seja de esquerda e, ao mesmo tempo, ANTICOMUNISTA, PRÓ-LIBERAL e A FAVOR DO CAPITALISMO e dos EUA. Você, pelo que escreveu, está mais à esquerda do que muita gente no PSOL...

Aprendi há tempos que não se deve julgar alguém pelo que ele ou ela diz de si mesmo, e você apenas confirma isso. O que significa não concordar com o "método" capitalista? O capitalismo não é um "método", seja lá o que isso signifique; é um sistema econômico. As únicas alternativas a ele são o comunismo ou a anarquia. Dizer-se contra o capitalismo como "método", sinceramente, é não dizer rigorosamente nada (não sou contra o comunismo como "método", sou contra ele em sua totalidade).

Sua definição de esquerda como uma posição moral – ser contra a desigualdade social e econômica, em favor de um sistema mais igualitário etc. – é outra coisa que não quer dizer absolutamente nada. Aliás, é mais um fator a lhe aproximar do totalitarismo: todos os tiranos de esquerda, como Lênin, Stálin e Fidel Castro, são ou se dizem a favor da igualdade. O próprio Hitler se dizia a favor da igualdade.

Você diz que não se importa de defender algo utópico. Até aí, tudo bem. Sonhos, todos precisam ter. Mas dizer que não defende um sistema econômico por ele ser o "menos pior", é algo difícil de aceitar. O fato de o capitalismo ser "menos ruim" do que todos os outros sistemas é, para mim, motivo mais do que suficiente para defendê-lo. Do mesmo modo que a democracia, como disse Churchill, é o pior dos regimes políticos, excetuando todos os outros. Por esse seu raciocínio, deveríamos descartar a democracia, pois afinal ela é o "menos pior" dos regimes. O que sobra? O... totalitarismo! Justo aquilo que você diz não defender.

Tudo isso só vem confirmar aquilo sobre o que já escrevi abundantemente neste blog: que a suposta divisão entre esquerda "moderada" (ou "light", ou “democrática”) e esquerda radical, ou entre esquerda "vegetariana" e esquerda "carnívora" não passa de uma tola ilusão. Refrigerante light engorda menos, mas tambem engorda.
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Mas minha certeza de que você é, sim, de esquerda, e portanto é, sim, pró-totalitário como todos os esquerdistas (mesmo sem o saber), veio no último parágrafo de seu comentário.

Não nos esqueçamos que muito do terrorismo existente se deve ao próprio EUA. Foram eles os primeiros a entrarem em outros países pregando seu american way of life e a longa vida ao capitalismo. Não apoio o terrorismo. O que digo é que, talvez, se os EUA fossem menos invasivos (seja belicamente, seja culturalmente), talvez não houvesse terrorismo contra os EUA e nem anti-americanos. Pergunta: Por que não há anti-esquimós?
(Talvez estes nunca tenham se metido na cultura alheia)


Junior, vamos dar nome aos bois: de que "muito do terrorismo existente" você está falando? Do Bin Laden? Do Hamas? Do Hezbollah? Do ETA? O que você está dizendo é: só existe terrorismo porque os EUA fizeram isso ou aquilo ("se meteram na cultura alheia" etc.). Ou seja: só existe terrorismo – é o que você diz – por causa dos EUA. Em outras palavras, você está dizendo que o terrorismo é uma forma de reação ao "imperialismo", uma tese constantemente repetida por gente como Hugo Chávez e Fidel Castro.

Ainda que o terrorismo fosse isso mesmo, e que os EUA fossem os culpados por ele existir – a teoria do "estão colhendo o que plantaram" etc. –, seria preciso descobrir que tipo de “invasão bélica ou cultural” os EUA fizeram em países como o Afeganistão antes de 2001... Além do mais, eu lhe pergunto: por que não se vê um cidadão de Timor-Leste, por exemplo, se encher de bombas e ir se explodir e levar junto umas duzentas pessoas na Indonésia? A Indonésia invadiu Timor-Leste em 1976, ocupou o país por quase trinta anos, tentou impor sua cultura e exterminou boa parte da população timorense. Então, por que não há antiindonésios? (Outra coisa: quem disse que derrubar ditaduras e garantir os direitos humanos é "se meter na cultura alheia"? Então o totalitarismo agora é uma característica cultural de certos povos? Isso me parece uma forma de ofendê-los.)

Ainda assim, mesmo que os EUA fossem os grandes culpados por serem alvos de ataques terroristas – o mesmo dizem de Israel –, você estaria obrigado a afirmar que o que aconteceu em 11 de setembro de 2001 foi uma "resposta legítima" ao "imperialismo" norte-americano. Estaria obrigado a dizer que as vítimas tiveram o que mereceram. Preciso comentar isso?

Enfim, assim como vc é anticapitalista, também é antiamericano. Quase tão anticapitalista e antiamericano quanto os irmãos Castro ou o João Pedro Stédile. E é de esquerda, como você mesmo faz questão de frisar.

Portanto, o desafio continua: mostre-me alguém que se diz de esquerda e que pisaria num retrato de Karl Marx. Mostre-me um esquerdista que reverenciaria a bandeira dos EUA. Enfim, um esquerdista que defenda a liberdade e a democracia. Qualquer um. Continuo esperando. Vou esperar sentado.

sábado, janeiro 08, 2011

UMA PERGUNTA - E UM DESAFIO

Estou dedicando muito tempo a responder comentários de leitores. Alguns deles, como vocês podem ver, nem mereceriam resposta (eles parecem agir sempre em bando, como as hienas e os chimpanzés). Mas acho necessário. Às vezes, alguém faz uma pergunta interessante, e sem querer acaba me dando mais razões para pensar como penso.
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É o caso de um certo Junior, que postou o seguinte sobre meu texto "PALHAÇADA" (em que respondo a um gaiato que quis transformar o blog em seu picadeiro):
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Caro,
Se você tem direito a fazer sua própria direita, como você mesmo falou, aquela que é antitotalitária, ao contrário da direita golpista e individualista. Pergunto-te por que não posso falar de uma esquerda que também não é revolucionária e cheia de matança?

Se você pega apenas uma parte da direita e esquece os golpes e demais atrocidades que o EUA e demais cometeram. Por que não posso ir contra Fidel Castro, ser antitotalitário, ser contra as Farc e me manter na esquerda por ser contra o status operante do mundo e achar que o capitalismo não é a saída ideal para o mundo?

Penso que você se engana ao tratar somente a esquerda a maneira de Fidel.

RESPONDO

Caro,

Primeiro, não sou eu que "faço" a "minha própria" direita. Não faço nada. Apenas chamo a atenção para um fato que julgo preocupante no Brasil: a inexistência, nestas paragens, de uma resposta liberal, conservadora - e sim, de direita - à hegemonia esquerdista. E aponto para algumas características básicas da direita liberal (ou liberal-conservadora): o antitotalitarismo é uma delas. Isso significa que qualquer um que se apresentar como "de direita" mas não tiver como fundamento de ação a defesa da liberdade não contará com meu apoio. Pelo contrário: denunciarei o sujeito como um farsante.

Segundo, vamos tratar os conceitos com o devido respeito: se você está se referindo a uma direita antitotalitária (ou seja: liberal, ou liberal-conservadora) como o oposto de uma direita golpista (aqui acertou) e INDIVIDUALISTA (!?), acertou em parte. De fato, sou antitotalitário (o que significa que sou anticomunista, e antifascista), mas de onde você tirou que "golpista" e "individidualista" são coisas aparentadas? Sou antitotalitário e individualista, o que não me torna "golpista" ou seja lá o que for. O individualismo é a base mesma do pensamento liberal. Preciso explicar por quê?

Terceiro, não disse que você não pode falar de uma esquerda que não seja revolucionária. Pelo contrário, mostro em vários textos que não é preciso ser um bolchevique sedento de sangue da burguesia para ser esquerdista. Afirmo apenas que, por mais diferentes que sejam os diversos matizes de esquerda, há mais a uni-los do que a separá-los. Quem mais sustenta regimes e ideologias totalitários não são os radicais; são os "moderados".

Quarto, faço-lhe um desafio:

Por favor, mostre-me um exemplo, apenas um exemplo, de militante de esquerda, de qualquer tipo e vertente, que seja, também, um ferrenho anticomunista e defensor do liberalismo político. Mostre-me um que seja esquerdista e inimigo de Fidel Castro, Hugo Chávez, Stálin, Mao Tsé-Tung, Che Guevara, Lênin e Marx. Somente um! É só isso que peço.

Ou, para ser mais preciso: dê-me um nome, um único e miserável nome, de algum esquerdista que seja anti-Fidel Castro, anti-FARC, antitotalitário e que, ao mesmo tempo, seja a favor do capitalismo, do Ocidente e dos EUA (lembrando: as únicas alternativas ao capitalismo são o comunismo e a anarquia; e nenhum deles é muito compatível com a civilização).

Se você encontrar alguém que se encaixe na definição acima, pode ter certeza: ele ou ela não é, ou não é mais, de esquerda.

Faça isso, caro leitor, e eu deixo de ser do contra. Faça isso, e prometo que me converto no mesmo instante ao que você quiser que eu me converta, e passo a acreditar no que você quiser que eu acredite. Aproveite e me diga que sistema econômico-social além do capitalismo é compatível com a democracia e o respeito às liberdades individuais e aos direitos humanos. E que outro país além dos EUA é capaz de enfrentar ameaças como o terrorismo islamita e salvaguardar as liberdades democráticas no mundo inteiro.

Enfim, como já disse antes, eu posso ser de direita e antitotalitário. E quem é de esquerda, pode dizer que é também anticomunista? Responda, se puder.

LULA É MINHA ANTA


Leiam que bonitinho o comentário que um leitor anônimo escreveu sobre meu texto "E AGORA, LULA?". Vocês verão que ele está atrasado - já respondi a todas as observações dele em meu texto "O BRASIL PIOROU". Além disso, ele demonstra não ter entendido o que escrevi - falei de coisas como o deslumbramento com o poder, o fato de que Lula só existe se estiver sob os holofotes, o que parece que o gentil leitor não compreendeu. Mas respondo assim mesmo. Não resisto a fazer um vermelho-e-preto. Vocês vao entender por quê.

Não concordo contigo Gustavo, fato é que Lula ainda está mais em evidencia do que nunca, prova disso é que seu blog está falando dele e duvido muito que isso mudo nos proximos anos, até porque a oposição acredito que tema sua volta, coisa que acredito que acontecerá,

Meu caro, quem está falando que Lula não está mais ou não estará em evidência? Pelo contrário! O lulo-petismo está aí para ficar, e a pelegocracia mostra isso claramente. Escrevi apenas que Lula terá de contentar-se em dirigir o show dos bastidores, e que ele não está acostumado a exercer esse papel. Ele precisa de platéia, de bajuladores, da pompa do poder, ou não é Lula.

você pode querer negar, mas Lula é o maior presidente da historia do Brasil, pode ter certeza que daqui alguns anos a historia sera dividida entre antes e depois do Lula.

OK, Lula é o maior presidente desde o Big-Bang. Afinal, foi ele o idealizador do Plano Real, da Lei de Responsabilidade Fiscal, das privatizações e do superávit primário. Foi ele também o criador do Bolsa-Escola e do PROER, o pai do Mercosul e das metas de inflação. Aliás, foi ele quem inaugurou o Brasil em 1500 (uma obra do PAC). Ele esteve também com Moisés na travessia do Mar Vermelho e ao lado de Alexandre, o Grande na invasão da Ásia. Antes disso, por puro tédio, ele criou o Mundo em seis dias e, no sétimo, foi descansar tomando uma caninha e batendo uma pelada com uzcumpanhêru num churrasco na Granja do Torto.

Mas numa coisa o leitor está certo: a História já se divide entre AL e DL, ou Antes de Lula e Depois de Lula (ou "nunca antes na história destepaiz"...). Realmente, antes do Guia Genial, a sem-vergonhice e a cafajestagem ocorriam às ocultas, os governos pelo menos tentavam parecer honestos; depois dele e sua turma, nem isso.

Lula fez com que o Brasil fosse umas das economias emergentes mais sólidas do mundo, isso em tempos de crise.

Puxa, Lula "fez com que fosse" (sic), é? Sei, sei... Agora entendo por que ele resolveu registrar em cartório as obras fictícias do PAC... Ele inventou o complexo do PIB pequeno ("Meu PIB é maior do que o PIB dos outros"). Claro, nada disso teve nada a ver com o agronegócio, de que os lulo-petistas e seus amigos do MST tanto gostam, ou com um empresariado que, mesmo com tantos estímulos à produção (uma carga tributária baixíssima, como se sabe), insistem em produzir num país em que os impostos são tão bem aplicados (aumento desenfreado dos gastos e do déficit público, no governo Lula? Imagina... Só pode ser chilique da classe média paulista...). Antes era o "foi Maluf que fez". Agora é Lula, o do PIB enorme...

Eu cresci ouvindo falar na dívida externa e no governo Lula o Brasil se tornou credor do FMI, coisa impensavel na era FHC.

Cresceu ouvindo falar, mas não aprendeu ainda o que é a coisa. O Brasil é "credor" do FMI desde 1944, quando o Fundo foi criado (o nome disso é cotas; cada país dá a sua). Mas deixa pra lá. O importante é que Lula pegou a economia em frangalhos, com inflação fora de controle, endividamento acelerado... É um pássaro? É um aviâo? Não, é Lula contando mais uma piada.

Um dos únicos governos a olhar para os mais pobres, a criar programas nos quais a população pudesse melhorar de vida ( escola da familia, bolsa familia etc).
Lula consegue inclusive ser lembrado por seus adversários ( covardes o bastante para não o enfrentar.
Lula merece meu aplauso e sua lembrança

Hummm... Essa conversa de "olhar para os mais pobres" me lembra alguns regimes que prometiam o paraíso aqui na Terra, com o problema de que as pessoas tinham que passar pelo inferno antes... (o chato é que a temporada no inferno costumava se prolongar e o paraíso nunca chegava, mas sabe como é, né? as pessoas nunca estão satisfeitas...). Eu me contentaria se o governo não tivesse entronizado o assistencialismo e o coronelismo, ou roubasse menos, ou não mentisse tanto, ou não afagasse tanto ditadores... Já estaria de bom tamanho. Mas OK, já disse que com Lula o povão melhorou de vida e está comprando mais (embora isso não signifique que esteja surgindo uma "nova classe média" - já escrevo sobre isso). Também já escrevi que ele pegou o bonde andando. E que não se arrependeu nem um pouquinho de ter sido contra as mesmas políticas de que agora se diz o criador. Mas sobre isso já escrevi bastante.

De tudo que o tiete do Filho do Barril escreveu, concordo apenas com uma coisa: de fato, ele se beneficia de não ter adversários com coragem para o enfrentar. Além de cara-de-pau, o sujeito tem muita sorte, pois não tem oposição. Foi só por isso que conseguiu emplacar o poste de saias. Só por isso, também, ele merece meu desprezo.

O mais curioso é que Lula, como já escrevi aqui várias vezes, não existe. Ele não passa de um mito, uma lenda, um boitatá do folclore esquerdista tupiniquim. É por isso que estou condenado a falar dele. Quanto menos ele existe na realidade, mais sou obrigado a denunciar sua formidável impostura. Quanto mais ele foge, mais eu corro atrás. A exemplo do que ocorre com o Diogo Mainardi, Lula é minha anta.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

DA IMPORTÂNCIA DE SE INDIGNAR


Um leitor comenta um texto meu em que analiso um artigo do farsante e "marxista pop" Slavoj Zizek. Sobre o que ele diz que eu disse, falo depois. Por enquanto, vou me concentrar no que o distinto leitor falou sobre eu nutrir uma "raiva infantil" contra o Lula. Ele afirma que essa "raiva infantil" não é nada "do contra". Na verdade, diz ele, "é um coro da classe média paulista que vota no Serra ou na Marina" etc. E termina tentando fazer uma graça: "'Levar a sério política' dando chilique em blog é demais né?!"

Há vários motivos para eu considerar esse comentário uma das maiores cretinices que alguém já despejou aqui e mandar quem o fez ir pastar e comer capim. Vamos por partes.

Primeiro: não tenho raiva, muito menos "infantil", de um sujeito que não estudou porque não quis, tentou estuprar um companheiro de cela e fez bravata a vida inteira. Gente assim está abaixo de merecer sentimentos como a raiva. Merece, isso sim, asco e desprezo, únicos sentimentos que provoca esse tipo de farsante em qualquer pessoa decente. Raiva eu tenho é de quem se diz inteligente e bate palmas para, ou se deixa enganar, por um calhorda desse naipe. Além do mais, não tenho nada contra a pessoa de Lula, até porque Lula, como pessoa, não existe - o que existe é apenas a invenção dos "intelequituais" da USP. Raiva do Apedeuta? De jeito nenhum. Nojo? Certamente.

Segundo: ainda que a indignação contra o governo mais corrupto e mentiroso da História do Brasil fosse coisa da "classe média paulista", ou das dondocas do Jockey Clube, ou do Bush e da CIA – notem bem: ainda que (não me consta, por exemplo, que Dona Marta Suplicy seja uma representante do povão) –, o que isso mudaria a verdade de que o governo Lula foi o mais corrupto e mais mentiroso da História do Brasil? Em que isso diminui o fato de que há oito anos o Brasil é governado por bravateiros, ladrões, mentirosos compulsivos e amigos de terroristas, narcotraficantes e ditadores?

Na verdade, esse tipo de raciocínio bucéfalo – “isso é coisa da ‘classe mé
dia’”, ainda mais "paulista" – apenas reflete a lavagem cerebral esquerdista, de que tanto já falei aqui (e de que, pelo visto, vou ter que falar ainda muitas e muitas vezes). Os devotos do marxismo e, principalmente, seus mais fiéis praticantes, os stalinistas, inventaram a idéia de que um fato só é um fato se vier acompanhado da obrigatória chancela "proletária" ou "socialista". Isso significa que, se um representante da "burguesia" ou da "pequena burguesia" disser que dois mais dois são quatro, e um "operário" ou "proletário" insistir que é cinco, a verdade estará com o último, porque afinal ele pertence à classe certa... Se o sujeito disser que é a Terra que gira em torno do Sol, mas o Partido diz que não, pior para ele, indivíduo, e pior para os fatos. (Claro, o fato de que, de "proletários", o burguesão papador de empregadas Marx e o aristocrata sociopata Lênin não tinham nada, é convenientemente esquecido nessas horas.)

Sob os lulo-petistas, esse raciocínio simiesco se sofisticou: agora, qualquer crítica dirigida a eles e a seu chefe só é considerada válida, ou não, devido não aos fatos em si, mas a fatores sociais (“é coisa de classe média” ou das “elites”) ou geográficos (“paulista” etc.). Daí que se indignar contra o Bush, pode; com o Lula, não. Indignar-se com o Lula, não pode, é "chilique"... Ainda por cima da "classe média paulista que vota no Serra ou na Marina" etc. (Aliás, Marina Silva, com seu socialismo verde para socialites, não está muito longe da turma; basta ver de onde ela veio.)

Vamos supor que minhas críticas ao Lula e à sua corja sejam, digamos, "moralismo de direita". Nesse caso, os maiores moralistas de direita que existiram no Brasil foram os lulo-petistas. Eles passaram décadas se fingindo de vestais, indignando-se contra aquilo que hoje abraçam com alegria. A pergunta é: por que ninguém os chamava assim antes? Por que ninguém se lembrou de dizer que a oposição furibunda deles a todos os governos que vieram antes do Messias eram "coisa de sindicalista" e chilique?

Para ficar mais claro: o governo dos petralhas foi o mais corrupto de todos os tempos? Dizer isso é "coisa de classe média paulista e serrista". Tentou sufocar a liberdade de imprensa e impor leis absurdas que atentam contra a democracia? Não se pode denunciar, é "moralismo de direita". Recebeu com flores tiranos genocidas e chamou de criminosos presos políticos de ditaduras amigas? Não, não se deve ir contra isso, pois é "chilique"... (ou ainda - esse é o meu favorito -: "é uma conspiração das elites e da mídia"). E por aí vai. Um verdadeiro atentado à inteligência alheia.
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Para ficar mais claro ainda: diante de um crime como roubo e estupro, a pessoa que denuncia o ladrão ou estuprador, chamando-os dos piores nomes possíveis, não está fazendo nada que se equipare ao crime que está denunciando. Pelo contrário: é o mínimo que se deve fazer. Por sua vez, não denunciar, não se indignar diante do acontecido, não é somente sinal de fraqueza e de covardia, além de cumplicidade com o delito; é coisa típica de tolos, de verdadeiros imbecis. Diante disso, acho até que pego leve com os petralhas.

De todos os "argumentos” cretinos e idiotas para justificar a cleptocracia lulista e desqualificar os que se opôem a esse lixo, o que tenta desqualificar o mensageiro é, disparado, o mais cretino e o mais idiota. Leva a palma com louvor.

O lulo-petismo desmoralizou a propria indignação, assim como desmoralizou a honestidade e a inteligência. É mais uma herança maldita da Era da Mediocridade, agora prolongada na forma de pelegocracia. E é mais um motivo para se encher de indignação. É mais um motivo para denunciar a farsa. E isso sim, nos dias que correm, é ser do contra. E levar a sério a política.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Palhaçada!


Olha que engraçado!

Um palhacinho resolveu invadir o espaço de comentários do blog. Aliás, palhacinho, não: palhaços têm – ou, pelo menos, deveriam ter – alguma graça. Esse é daqueles que, em vez de riso, provocam apenas aquela sensação constrangedora de piedade e vergonha alheia.

O aprendiz de Tiririca, que convenientemente se apresenta como COMEDIANTE, escreveu o seguinte:

(Sobre o texto LULA É DE ESQUERDA)
Opa! Já vi que esse blog é a maior comédia, e é por aqui que eu vou ficar e não saio nunca mais. O dono é um palhaço e os comentadores uns panacas. Uh-hu!

Cara, você não é pouco burro não, só o suficiente... Desde quando ser de esquerda é promover a matança e a revolução? Isso não é ser de esquerda! Assim como a direita não se resume a guerra, matança, golpe e anti-comunismo. Ambas são visões equivocadas.

O MST e as Farc não são exemplos de esquerda, assim como o fascismo e o nazismo não são exemplos de direita. O contrário é burrice e idiotice. haha

Opa! Um ruminante quer levar umas chineladas. Pior para ele. Faço sua vontade. "U-hu"...

"Desde quando ser de esquerda é promover a matança e a revolução"? Desde que os comunas tomaram o poder na Rússia e deixaram atrás de si um rastro de 100 milhões de mortos. Mas tudo bem: nem todo esquerdista é revolucionário, aliás já escrevi isso. Como também já escrevi que não é preciso matar com as próprias mãos para ser considerado criminoso; basta ignorar o crime. E Lula faz mais do que isso, como mostra sua amizade inquebrantável com grandes humanistas e luminares da democracia e dos direitos humanos como Fidel Castro e Mahmoud Ahmadinejad.

Aliás, o Apedeuta aproveitou que ninguém estava olhando e resolveu não extraditar o assassino italiano Cesare Battisti. Resolveu esperar o último dia de seu mandato para fazer isso. Deve ser porque o tal Battisti é um direitista...

Pelo menos o herbívoro sabe que direita não é sinônimo de guerra, golpe e matança (já quanto ao "anticomunismo", discordo: direita que não é antitotálitaria não é a minha direita). Pelo menos percebe que fascismo e nazismo não têm nada a ver com direita, muito pelo contrário – há muito mais semelhanças entre o nazi-fascismo e o comunismo do que entre qualquer um deles e o liberalismo. Já é um grande mérito seu entender isso! Mas daí a dizer que “o PT e o MST não são exemplos de esquerda”??? Meu Deus do Céu! Depois de tudo que escrevi? Depois de todos os fatos que enumerei? Será que ainda vou ter que me repetir aqui?

Toda vez que um esquerdista tenta salvar a utopia de esquerda, ele vem com essa de que regime tal ou tal "não é de esquerda" etc. Daqui a pouco vão dizer que Lenin nao era leninista, e que Marx não era marxista (ou seja: que não eram de esquerda). Ora, tenham santa paciência!
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(Sobre o texto DIALOGANDO COM MUARES - que bem poderia ter se dirigido a ele)
Opa! Essa foi legal; eis que o dono-palhaço do blog se irrita e grita: "A maioria que se dane!". É isso aí! Que se dane o pobre, o burro, o analfabeto, o miserável, o negro, o judeu.

Mas acho que essa frase não é original. Se bem me lembro alguém da Alemanha já a disse antes, entre as décadas de 30 e 40. Depois tentou dominar a maioria. Aliás, ele usava um bigodinho muito engraçado e um símbolo que era semelhante a dois "s", fazendo SS. Opa!


O sujeito é mesmo uma graça! Digo que escrevo para quem pensa, e não para "maiorias", e aí ele vem com essa de "pobre, burro (OK, aqui ele acertou...), analfabeto, miserável, negro, judeu"... (como se "negro" e, ainda mais, "judeu" fossem "maioria" aqui ou na Antártida...) Será que preciso lembrar ao quadrúpede que o dever de qualquer pessoa honesta é concordar com sua própria consciência, não com o que "pensa" a maioria? A maioria – e os imbecis que acham que ela está sempre certa – que vá para o diabo que a carregue! A maioria que se lasque!

Além disso, o bocó metido a engraçadinho não esconde a própria ignorância. Está falando de Hitler? Pois saiba, meu filho, que poucas vezes houve governante que teve o apoio da maioria como teve o do bigodinho esquisito. Na Alemanha nazista, assim como no Iraque de Saddam Hussein e no Brasil de Lula, o governo tinha algo como 90% de aprovação popular! Hitler, inclusive, chegou ao poder levado pelo voto, não por um golpe de Estado. Ou seja: ele não tentou dominar "depois" a maioria, foi a maioria que o levou ao poder! O regime nazista foi odioso porque perseguiu não a maioria,
mas as... minorias! (judeus, gays, ciganos etc. - além de qualquer um que não se ajustasse à ideologia dominante) O cretino não sabe nem isso! É por essas e outras que prefiro a minoria, os do contra, como Thomas Mann e Albert Einstein, que tiveram de se exilar porque não se encaixavam no que queria a maioria. Mais uma vez: a maioria que se dane!

Agora espero que o gaiato cumpra a promessa, e não saia daqui nunca mais. Assim ele vai me proporcionar muitas gargalhadas.
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Vai, palhacinho, dá mais uma cambalhota! haha muito engraçado! Agora, conta aquela do papagaio, vai! Muito bom! Agora, imita um jumentinho! Toma aqui a alfafa hahaha.
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Hoje tem marmelada? Tem, sim senhor! Hoje tem palhaçada? Tem, sim senhor! Tem mais um idiota que levou uma chinelada? Tem, sim senhor!

segunda-feira, janeiro 03, 2011

E AGORA, LULA?


Na manhã de 2 de janeiro de 2011, Luiz Inácio Lula da Silva acordou com uma sensação estranha. Ainda de ressaca pela festa do dia anterior, quando entregou, às pressas e contendo as lágrimas, a faixa presidencial à sua pupila, ele subitamente descobriu que não estava mais no Palácio da Alvorada. Abriu os olhos e procurou pelo mordomo, o sujeito que todas os dias espiava em seu quarto para saber se tudo ia bem com o chefe, se ele não tinha tido uma síncope ou coisa parecida. Olhou em volta e procurou, também em vão, pelos seguranças, o batalhão de guarda-costas que o acompanhara, até a véspera, em todos os lugares. Pôs os chinelos, vestiu o pijama e esperou o desfile diário dos áulicos, a romaria de políticos mendigando uma verba, um cargo público, a direção de uma estatal. Ou simplesmente uma foto, um sorriso, um tapinha nas costas. Esperou, esperou, mas ninguém veio, nenhuma alma veio beijar-lhe a mão.

Não havia mais ninguém, naquele apartamento em S. Bernardo do Campo, que viesse massagear-lhe o ego inflado, dizer-lhe pela enésima vez o quanto ele era genial e importante, o quanto ele fizera e ainda faria certamente para refundar o Brasil e reformar o mundo. Ainda meio aparvalhado, ele vai à sacada e vê, sob a chuva, uma meia-dúzia de gatos-pingados, devotos petistas ou meros turistas curiosos, esperando sua aparição na janela do prédio. Com um sorriso forçado, acena para eles. Pergunta pela agenda do dia. Não há agenda do dia. Nenhuma reunião com governadores ou com membros da base alugada do governo. Nenhum congresso de "blogueiros progressistas" pagos com o dinheiro dos contribuintes. Nenhum telefonema para o Hugo Chávez ou para o Ahmadinejad. Nenhum cortejo de carros oficiais, nenhum tapete vermelho, nenhuma guarda de honra. Pior: nenhuma viagem no AeroLula. Ninguém para aplaudir cada passo seu, ninguém para rir de suas piadas. Nada. Nesse dia, não vai dar para mudar o mundo, pensa consigo mesmo. Vai à cozinha e, em vez do enxame de cozinheiros, encontra Marisa Letícia de avental, fritando uma omelete. Liga a televisão, mas logo se aborrece. Não estão falando dele, apenas como algo do passado. Agora, todos os olhos estão em sua criatura. Logo percebe que alguma coisa aconteceu. Por que ele não está mais nas manchetes? Entediado, pede uma caninha e liga no jogo do Corinthians. Pensa em Dilma, na criatura que pariu para governar em seu lugar. De agora em diante, terá de se contentar em comandar dos bastidores, coisa a que não está acostumado. Onde está a imprensa? Onde estão os holofotes? E Obama, com seu "esse é o Cara"? Também ele há muito perdeu o brilho. Súbito, invade-lhe um sentimento de tédio e de horror indescritíveis. Um vazio total.

"Sinceramente, eu queria que este dia nunca tivesse chegado", dissera ao cortar o bolo em seu último aniversário como presidente da República. Estava se referindo não à idade, mas ao fato de que, dali a algumas semanas, teria de deixar o Alvorada. Nenhum outro político brasileiro mostrou tamanho apego ao poder, e ao mesmo tempo tamanho desprezo pela liturgia do cargo, quanto Lula. Sob Lula, a mosca azul, o deslumbramento com o poder, atingiu níveis jamais igualados antes e que, acredito, jamais o serão um dia. (Mais tarde, ele tentou se desdizer, afirmando que a alternância de poder é importante para a democracia etc., mas todos sabem quando ele estava sendo sincero.) Conta-se que, na antiga República Romana, os cônsules que assumiam a direção do Estado não eram nada invejados; pelo contrário, o cargo era visto como um fardo, e aqueles que o cumpriam não recebiam nada em troca, apenas a gratidão da História. O apego desmesurado às glórias do poder só surgiria mais tarde, no Império. Lula não ficaria mal no papel de Nero ou de Calígula num filme de Cecil B. De Mille.

Lula é um ator, como afirmou, deslumbrado, o deslumbradíssimo José Celso Martinez Correia. E um ator só existe se existe platéia. Desde que surgiu para a política, há uns 30 anos, Lula não tem feito outra coisa senão representar. O espetáculo varia, conforme o gosto do público: vai do filme de terror (como nas questões de Cuba e do Irã) à opera-bufa (como em Honduras), passando pela pantomima (como no mensalão). Agora que as luzes se apagaram e a cortina desceu sobre o palco, o ator principal deve estar se sentindo desarvorado. O show era dele, e subitamente alguém – mesmo que seja alguém que ele mesmo retirou da obscuridade – tomou seu lugar. Ele não consegue adaptar-se ao papel de coadjuvante, ou de diretor de palco. Seu lugar é na ribalta, sapateando e fazendo malabarismo, equilibrando uma bola no nariz, como uma foca de circo. Sem o aplauso, sem monopolizar as atenções, ele simplesmente se anula.

"Estou saindo da Presidência, mas não da política", ameaçou o chefe do governo mais corrupto da História do Brasil. Mesmo assim, serão anos difíceis para o ex-Guia Genial. Por circunstâncias que ele certamentre gostaria que fossem outras, não será o nome dele que será diariamente repetido no noticiário, não será dele o rosto que irá estampar as manchetes de jornais e capas de revistas pelos próximos quatro anos. Para quem acostumou-se a ser bajulado e adulado continuamente, todos os dias, há decadas, ao ponto da adoração, ser promovido a cidadão é algo insuportável. Ele já prepara seu retorno para 2014. Diz-se que um estadista pensa na próxima geração, enquanto um político pensa na próxima eleição. Se isso é verdade, Lula é um político, não um estadista.

DILMA, A VALENTE


Eu sou um covarde. Eu sou um pusilânime. Eu sou um covarde e um pusilânime porque não presto continência para Dilma Rousseff. Sou um borra-botas, um bunda-mole, porque não idolatro Lula e sua criatura. Quem me alertou para isso foi um leitor chamado Augusto. Ao contrário de mim, e à semelhança de Dilma Rousseff, Augusto é um bravo, um herói. Vejam o que escreveu o valente sobre meu texto A POSSE DO POSTE:

Faça uma continencia gustavo.
Admito que coragem e ideal sejam materia prima que te faltam. Quem nao tem tem dificuldade em admitir nos outros...
A presidente tem de sobra. E ainda soma capacidade, ousadia e trabalho.
So sorry, gustavo.


Dilma Vana Rousseff, como se sabe, é a própria coragem e ideal em pessoa. Ela teve a coragem e o idealismo de aceitar ser escolhida pelo chefe. De sumir por dois dias no último apagão. De fazer dossiês. De não assumir o que disse um dia sobre a legalização do aborto. De dizer que a luta armada de que participou era pela democracia. Haja coragem. Haja ideal.

Não tenho essa coragem, nem esse ideal. Tampouco tenho a capacidade, ousadia e trabalho de Dilma Rousseff. Capacidade, ousadia e trabalho revelados todos os dias em seus discursos e em seu domínio invejável da língua e da lógica. Haja capacidade. Haja ousadia. Haja trabalho.

Como disse, sou um covarde porque não presto continência para Dilma Rousseff. Vi - juro que vi - uns dois ministros (da área civil) prestando continência para ela na cerimônia de posse. Houve época em que a regra era prestar continência para gente fardada que mandava no país. Hoje, a moda é prestar continência para Dilma Rousseff. Deve ser por isso que sou um covarde. Deve ser por isso que sou um bandido. Porque não presto continência para ela. Porque sou do contra. Porque não sigo a manada.

sábado, janeiro 01, 2011

A POSSE DO POSTE

Não sei quanto a vocês que assistiram à cerimônia de posse de Dilma Rousseff na televisão, mas achei que começou mal, muito mal, o governo da criatura de Lula.
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Em seu primeiro discurso como presidente (e não "presidenta", como querem alguns, a menos que também exista "gerenta" ou "superintendenta"), Dilma Vana Rousseff, ao lado das platitudes de praxe, repetiu uma mentira histórica. Ao mencionar o período da luta armada dos anos 60 e 70, da qual participou (e da qual diz se orgulhar), ela se referiu aos "companheiros que tombaram para que chegássemos ao que temos hoje" (ou seja: a democracia). Suas palavras foram repetidas à exaustão por uma repórter da TV Record (cujo dono, o "bispo" Edir Macedo, compareceu à cerimônia do beija-mão no Palácio do Planalto), que não parava de evocar, em tom de emoção, que a nova presidente do Brasil fora "torturada durante 22 dias", "lutou contra a ditadura", "pela democracia" etc. Embaixo do palanque, sob chuva, uma platéia de militantes petistas ouvia tudo, extasiada, ansiosa para acreditar.

Colocando à parte os possíveis exageros - tenho minhas dúvidas sobre a capacidade física de alguém sair vivo após 22 dias de tortura ininterrupta - e o fato de que o processo judicial de Dilma tenha ficado trancado, até depois das eleições, a sete chaves no STM, por força de uma liminar (o que será que ela quer tanto esconder?), a frase da Camarada Estela, agora oficialmente presidente Dilma Vana Rousseff, é mais um tijolo no edifício da mitologia que se está criando em torno de sua figura. O Brasil já teve o primeiro presidente "operário" (aliás, a "encarnação do povo", segundo suas próprias palavras) que não pega no batente há 35 anos. Agora tem a "primeira mulher". Mais: a "primeira ex-torturada", ou a "primeira mulher, ex-torturada e que lutou contra a ditadura e pela democracia".

Aí é que está. Não coloco em dúvida que Dilma Rousseff seja mulher. Nem que tenha sido presa e torturada (embora ainda espere provas de que tenha sido por 22 dias, como ela diz, ou 22 horas, ou 22 minutos). Tampouco que ela tenha lutado "contra a ditadura militar". Não duvido disso. Mas afirmar, ainda mais no primeiro discurso oficial como presidente da República, que os que pegaram em armas contra o regime de 64 "lutaram pela democracia" (ou: "para que tivéssemos o que temos hoje") é demais até para os padrões dos lulo-petistas. É querer reescrever a História, é torturar os fatos para que eles digam aquilo que se quer ouvir. Dilma Rousseff jamais lutou pela democracia. Isso porque as organizações armadas de esquerda de que participou - Colina, VAR-Palmares e VPR - jamais tiveram como objetivo a restauração das liberdades democráticas. O objetivo pelo qual assaltaram bancos, sequestraram diplomatas estrangeiros e assassinaram pessoas (inocentes ou não, não importa) não tinha nada a ver com democracia, estado de direito e eleições livres. Era, isso sim, instalar no Brasil uma ditadura comunista. Como visavam, aliás, todas as organizações armadas de esquerda do período, diga-se de passagem.

Eis a trajetória política de Dilma Rousseff: participou da luta armada para transformar o Brasil num país comunista. Foi presa e solta três anos depois. Estudou economia e trabalhou no governo do Rio Grande do Sul. Não se sabe o que estava fazendo quando das manifestações pela volta da democracia nos anos 80. Emergiu, há alguns anos, como ministra do governo Lula, tendo sido ungida sua sucessora e continuadora. Onde está a "luta pela democracia"?

O mito da luta armada como forma de "resistência democrática" contra a ditadura militar é um dos mais persistentes na História e na política brasileiras. Agora, com Dilma, ele se torna ainda mais oficial. E isso apesar de ser sobejamente desmentido pela existência de razoavél bibliografia a respeito, a qual desvenda por completo os objetivos e métodos totalitários dos "guerrilheiros" (que eram, sim, terroristas, como deixam claro suas palavras e ações - algo de que já tratei aqui em vários textos). À guisa de sugestão, recomendo ao leitor interessado no assunto a coletânea de documentos das organizações de esquerda do período organizada por Daniel Aarão Reis Filho e Jair Fernandes de Sá, Imagens da Revolução, ou os livros de Jacob Gorender, Combate nas Trevas, e de Elio Gaspari, A Ditadura Envergonhada e A Ditadura Escancarada, que mostram claramente que o terrorismo de esquerda não teve nada de "luta pela democracia". Muito pelo contrário.

Mas, para além dessa evidente falsificação histórica, a posse do poste escolhido por Lula da Silva para esquentar a cadeira presidencial por quatro anos teve, claro, outro significado. Em primeiro lugar - e isso a televisão não cessou de lembrar por um minuto sequer - ela é mulher. Muito bem. Que importância tem uma mulher na Presidência da República? Nenhuma. Países como Inglaterra, Israel, Alemanha e Chile já tiveram ou têm mulheres ocupando o cargo mais alto da nação. E isso não acrescentou absolutamente nada à política. Nem dela retirou o que quer que seja.

Francamente, não engulo o discurso feminista de que o fato de alguém ser mulher (ou homem, ou transsexual, ou ET) lhe confere qualidades e virtudes diferentes e superiores às dos demais mortais. Em política, pelo menos, isso não existe, a não ser como mistificação (estou me lembrando agora do texto que li de um esquerdista a favor de Dilma quando da polêmica do aborto nas eleições; o autor dizia que a campanha de Serra estava usando o sexo de Dilma para atacá-la - o título era "A Desconstrução da Mulher"...). Se o objetivo desse discurso é dizer que uma presidente da República ou uma primeira-ministra governam de maneira diferente dos homens, com um olhar, digamos, mais "sensível" (ou mais "feminino"), a História mostra que isso nunca, ou muito raramente, corresponde à realidade. Aí estão Golda Meir, Margaret Thatcher e Angela Merkel para provar o contrário.

Mas e o caráter "simbólico" da coisa, não é importante? Depende. Se este se refere ao fato de que é a primeira vez que uma representante do sexo frágil (prefiro como se dizia antigamente, o "belo sexo", soa bem melhor do que "gênero" - parece que as feministas não têm sexo, ou não gostam de sexo) assume o poder no Brasil, OK, é algo que tem, vá lá, um certo valor simbólico. Mas, historicamente, já houve uma Cleópatra, uma Teodora, uma Hatshepsut. Que valor, até mesmo "simbólico" ou "histórico", existe em ter hoje algo que já havia no Antigo Egito uns dois mil anos atrás?

O fato é que, se a eleição e posse de Dilma Rousseff tiveram alguma coisa de simbólico - e isso não é necessariamente algo positivo, muito pelo contrário - é que, hoje em dia, não são mais pessoas, seres de carne e osso, que são eleitos para a Presidência da República. São categorias inaugurais - o "primeiro negro", o "primeiro operário", o "primeiro homem do povo", a "primeira mulher" (ainda por cima, "ex-guerrilheira") etc. Em breve, não duvido, teremos no Palácio do Planalto o "primeiro torcedor do Bonsucesso", o "primeiro colecionador de tampinhas de garrafa", o "primeiro apreciador de chocolate amargo" e assim por diante. Qual a contribuição disso para o melhoramento da política? Aliás, qual a relevância disso? Nenhuma.

Por que digo isso? Porque, por trás desse discurso politicamente correto, está o inverso da política, a desumanização da política. Não somos mais governados por pessoas, mas por símbolos, por entes abstratos e ideológicos. Por mitos, lendas. No caso de Dilma Rousseff, é mais do que isso: trata-se de um produto, uma embalagem criada por outro mito, este construído ao longo de várias décadas. É a continuação da lenda por outros meios. Um poste, um simples poste, ao qual se acrescentaram várias demãos de tinta.

Uma anedota antiga contava a estória (ou história, não me lembro bem) de um prefeito de cidade do interior que, na falta de coisa melhor, resolveu inaugurar um poste. Fez uma festa de arromba, com discurso, banda de música, fogos de artifício, tudo. A anedota, se baseada em fato real ou não, perde para a realidade. O poste do prefeito, pelo menos, tinha luz. Quanto a Dilma Vana Rousseff, a se julgar por seu discurso de posse, tenho minhas dúvidas.

MATANDO O DOENTE PARA ACABAR COM A DOENÇA

Começo o ano de 2011 respondendo a dois leitores. O primeiro, Alberto, parece ter entendido bem meu texto "O CLUBE DOS RESSENTIDOS", e faz algumas observações pertinentes. Tenho com ele apenas uma pequena divergência pontual (na verdade, semântica), que aproveito para esclarecer aqui. O segundo, que se assina apenas como "Anônimo", é o típico leitor em que penso quando escrevo textos como o acima referido - alguém cheio de ilusões sobre um problema que não entende, ou que não quer entender. Como acredito tratar-se de alguém bem-intencionado e sinceramente interessado no debate, respondo a ele também.

Vamos aos comentários. Respondo-os em seguida, separadamente. Primeiro o Alberto:

Concordo com o texto. Já a algum tempo percebo uma certa inversão de valores na nossa sociedade, além de um excesso de puritanismo. Hoje tudo é politicamente incorreto. Palavras ganham novos significados, tornando-se proibidas.
Um dia desses assisti um episódio dos Trapalhões com o Mussum. Nesse episódio, como quase sempre, ele fazia piada com sua fixação por álcool/cachaça/"mé". Na época todos assistíamos em família, e ríamos bastante. Fiquei imaginando como seria se algum humorista ousasse criar algo parecido hoje em dia. Porque hoje tudo é proibido, de forma que ser politicamente correto tem se tornado missão impossível, exceto se você escolhe não expressar mais nenhuma opinião.

Quanto à política de cotas, vejo como um paliativo, que mascara o cerne do problema: O acesso a um ensino básico de qualidade, que permita a todos, independente de raça, crescer por mérito próprio.
E quando essas pessoas - que não tiveram acesso a um bom ensino básico - concluírem a graduação de forma sofrível e forem preteridas no mercado de trabalho em favor de outras mais preparadas, o governo vai criar cotas de vagas nas empresas também?
No fim, na ânsia de se estabelecer a igualdade, mascara-se a desigualdade.

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RESPOSTA AO ALBERTO
Estamos de total acordo quanto à ditadura do politicamente correto, que nada mais é do que a castração do pensamento crítico em nome de conveniências ideológicas. Seu exemplo do Mussum é perfeito. Não tenho nada a acrescentar.

Faço apenas uma observação: cota racial não é paliativo. Um paliativo é uma tentativa, ainda que inútil, de resolver um problema. Tentar estancar uma hemorragia com um band-aid, por exemplo. As cotas, ao contrário, não minimizam o problema que dizem combater - o racismo. Pelo contrário, o oficializam, instituindo um sistema de tribunais de pureza racial. Em outras palavras, não são parte da solução, mas do problema. São, aliás, o próprio problema.

Para que as cotas pudessem ser consideradas um paliativo - ou seja: para que fossem consideradas algo "válido, embora insuficiente" -, uma forma equivocada de tentar diminuir a desigualdade e garantir a "inclusão social" ou o que seja, o Brasil deveria ser um país em que os pobres fossem TODOS, ou em sua maioria, "negros". E em que essa condição - a raça - fosse o fator a impedir o acesso de camadas da sociedade à educação.

Nenhum desses fatores existe no Brasil. Primeiro, porque "pobre" e "negro", pelo menos aqui, são coisas distintas - é comum dizer-se que, no Brasil, as pessoas mudam de cor de acordo com a posição social: se ficam ricas, "embranquecem"; se, ao contrário, ficam pobres, "acobream-se". Segundo, ainda espero alguém me mostrar uma prova cabal e definitiva do que seria ser "negro" no Brasil, um país majoritariamente mestiço (eu mesmo, descendente de portugueses e de índios do sertão nordestino, passaria por indiano na Suécia...). Terceiro, porque raça é um conceito ideológico, não biológico - a única raça reconhecida pela Ciência é a do Homo Sapiens Sapiens. Como disse o João Ubaldo Ribeiro: "quem tem raça é cachorro".

Enfim, nem de paliativo é possível chamar as cotas raciais. Trata-se de uma medida estranha ao Brasil, contrária à nossa formação histórica e cultural. É algo problemático até nos EUA, onde a segregação há muito acabou e onde as diferenças (econômicas, sociais, culturais) entre "negros" e "não-negros" vem diminuindo nas últimas décadas, de forma acelerada (basta olhar o Obama). Seria a importação de um problema, um dos poucos que NÃO temos.

Agora, o "Anônimo":

Gustavo, você jamais poderá afirmar que " no Brasil não há racismo" e sabe por que ?, Por que você não é negro.
E não escrevo isso com ressentimento ou qualquer tipo de rancor, apenas aponto os fatos.
As pessoas que me olham diferente, vendedores de loja que me ignoram, seguranças de banco que me barram ( sem eu ter algo metálico no corpo), atendentes que me destratam por acaso estão ligando para o fato de o Brasil ser um país de miscigenados ? claro que não.

A mídia que em geral usa 2% de negros nos castings de novelas e seriados também não, então em termos práticos isso não vale de nada.

Eu acredito que enquanto não tivermos um sistema educacional que permita a todos competirem em pé de igualdade o sistema de cotas é sim válido. Eu reconheço que é um paliativo ,mas enquanto não evoluirmos em educação é a arma que nos resta para uma sociedade mais justa.


RESPOSTA AO ANÔNIMO
Discordo completamente. Não é preciso ser "negro" para constatar que o racismo é um fenômeno pouco comum - eu jamais diria "inexistente", mas é próximo disso - no Brasil, do mesmo modo que não é preciso ser judeu para saber que existe antissemitismo. Também não é preciso ser nascido nos EUA para constatar que o antiamericanismo é uma realidade. Esse tipo de raciocínio "de gueto" não vale um tostão furado.

Outra coisa: acho que não conheço nenhum "negro" de verdade no Brasil. Acredito que devam existir uns dois ou três brasileiros que possam ser considerados "negros puros". Mais do que isso, só se for imigrante africano (geralmente casado com uma loira ou uma mulata). Isso por causa - mais uma vez - da miscigenação. Quanto por cento de "sangue negro", ou de melanina alguém deve ter para ser considerado "negro" no Brasil? Ainda mais se formos levar em conta o critério "científico" adotado nos programas de cotas raciais - a auto-declaração (a pessoa "se declara negro", e pronto!). Então ser "negro" no Brasil é uma questão de opinião pessoal (própria)? Partindo desse pressuposto, e do fato de que opiniões podem mudar, qualquer um poderia se dizer negro hoje e mudar de idéia amanhã, ou vice-versa.

Não sei se o fato de alguém ser olhado diferente, ou ignorado por vendedores de loja, ou barrado em bancos, ou destratado por um atendente, caracteriza "racismo". Teríamos aí uma outra definição de racismo: "Sou negro e vítima de preconceito porque me olharam de maneira estranha na rua" etc. Já me olharam de forma diferente uma vez, e nem por
isso achei que fui vítima de preconceito ou de discriminação (talvez pelo fato de eu ser gordinho... hehe). A pessoa que lhe olhou "diferente" proferiu algum insulto referente à cor de sua pele ou a seu cabelo? Havia alguma placa na loja ou no banco indicando que só atenderiam caucasianos? Se não havia nada disso, qualquer acusação de racismo fica dependendo da subjetividade de quem a faz. Convenhamos, isso é muito pouco para embasar uma acusação, ainda mais uma tão séria (e eu acho seriíssima). Se a única prova de racismo é ter sido olhado de esguela ou destratado numa loja, ou barrado num banco, isso prova apenas que o Brasil não é a África do Sul do apartheid, concorda comigo?

Mais uma coisa: qual o critério usado para dizer que 2% (ou 1%, ou 10%, ou 60%...) do "casting" de telenovelas e seriados da "mídia" é de "negros" (ainda mais num país de miscigenados)? Seria o mesmo critério "científico" das cotas raciais, ou seja, a auto-declaração? Ainda que exista tal coisa, como é que se faria para determinar quem é e quem não é "negro"? E se o comercial ou o seriado exigir, ao contrário, atores e figurantes "negros" (um seriado sobre a escravidão no século XIX, por exemplo)? Poder-se-ia falar, nesse caso, de racismo contra "brancos", "pardos" ou "amarelos"?

Quanto ao resto do comentário, sobre as cotas serem ou não um paliativo, creio que já respondi ao Alberto sobre o mesmo assunto. Acrescento apenas que qualquer solução que não leve em conta o princípio da igualdade juridica dos cidadãos não pode ser considerada válida. Além de serem inconstitucionais, as cotas oficializam a desigualdade, não a igualdade (e pelo pior critério que existe: o da "raça"). Não têm nada a ver com justiça, mas com privilégios. É o mesmo que matar o doente para acabar com a doença.

Por isso que está aí em cima, aproveito para reafirmar o que disse: não somos racistas. Os militantes racialistas, que querem instalar a divisão da sociedade em raças, sim.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

O CLUBE DOS RESSENTIDOS


Quando eu era criança, no final dos anos 70, não perdia um episódio do Sítio do Pica-Pau Amarelo. O seriado da Rede Globo foi meu primeiro contato com a obra de Monteiro Lobato, o genial escritor paulista que encantou e alimentou a imaginação de gerações de brasileiros, com um universo abertamente anárquico (burros falantes e leitões como marqueses, entre outras transgressões ao gosto tradicional) e uma síntese ousada de folclore caipira e mitologia grega. Um oásis de vida inteligente em meio ao deserto de mediocridade imperante na televisão, o Sítio abriu as portas, para muita gente, da literatura clássica e para as delícias do conhecimento. Graças a ele e a seu autor, Teseu e o Minotauro, Dom Quixote e Cervantes, tornaram-se para mim personagens tão familiares quanto Dona Benta e o Visconde de Sabugosa, Emília e o Saci-Pererê. Graças a isso, minha infância não foi totalmente desperdiçada em peladas de várzea e em brincadeiras idiotas, tendo sido, em vez disso, povoada por uma chispa de inteligência. Na era pré-videogame e pré-internet, o Sítio era minha Disneyworld, e Lobato era meu Nintendo, era meu Playstation.

Pois não é que apareceu um burocrata (ou melhor: um burrocrata) no governo federal dizendo que Monteiro Lobato, o autor de Reinações de Narizinho, é um escritor perigoso, impróprio para crianças? Pior: era um "racista"? Isso por causa de algumas frases consideradas ofensivas (como é sensível esse pessoal!) pela patrulha politicamente correta incrustrada na máquina governamental desde há oito anos, sobre a empregada negra da Dona Benta, a simpática Tia Nastácia. Monteiro Lobato, o racista odioso, não deve ser lido nas escolas, decretaram os vigilantes da cultura e da correção politica. Monteiro Lobato, o membro da Ku Klux Klan, deve ser expulso da cultura brasileira, decidiram os sábios.

A censura à obra de Monteiro Lobato é uma dessas coisas só possíveis de acontecer em épocas de rebaixamento intelectual e embrutecimento mental como a que estamos atravessando. É o retrato de uma Era. Classificar Monteiro Lobato por supostas ofensas aos negros em seus livros - e querer bani-lo do ensino por isso - é algo tão estúpido e tão idiota quanto querer censurar a obra de Aristóteles, Shakespeare ou Mark Twain pelo mesmo motivo. É, enfim, tentar castrar a inteligência.

Assim como o criador de O Sítio do Pica-Pau Amarelo, também sou perigoso. Também sou impróprio para cérebros infantis. Não aceito, por exemplo, os argumentos usados para justificar a introdução de cotas raciais em concursos públicos. Não vejo justificativa para dar tratamento diferenciado a candidatos a uma vaga na Universidade ou no Itamaraty, por exemplo, com base na auto-proclamada "raça" ("negro" ou "afro-descendente"). Não consigo ver isso senão como a oficialização do contrário do que se alega combater: o racismo. Toda vez que alguém entra na UnB ou no Itamaraty por causa de algum programa de cotas raciais, o Brasil fica menos parecido com o Brasil, e mais parecido com o Mississípi dos anos 50 ou com a África do Sul dos tempos do apartheid. Além do mais, quem tem raça é cachorro, como bem definiu o mulato João Ubaldo Ribeiro.
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Não vejo provas de que nós, brasileiros, somos racistas. Muito pelo contrário. Se há um país em que o conceito de raça – um conceito ideológico, não biológico, diga-se de passagem – tem pouca ou nenhuma importância, se tem um lugar em que a idéia de discriminação por raça ou pela cor da pele é algo completamente estranho à cultura nacional, é o Brasil. Se duvidam disso, leiam Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre (livro que muitos, principalmente os que não o leram, odeiam).
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Há quem veja, na tentativa absurda – e burra – de atrelar Monteiro Lobato aos dogmas da militância racialista – esta, sim, racista, pois enxerga o Brasil dividido em raças, como se aqui não tivesse havido mistura racial -, um simples "excesso" de pessoas no fundo bem-intencionadas, uma distorção de uma causa justa. Nada mais falso. O Brasil é um país cheio de defeitos, mas, se tem um que, felizmente, ninguém, muito menos os brasileiros, pode dizer que temos é que seríamos racistas. Aqui, nunca houve (pelo menos até agora nunca houve) o que foi regra nos países anglo-saxões – a segregação racial, a separação total – física, jurídica, cultural – entre as raças. Pelo contrário, o colonizador português, ele mesmo muito pouco "puro" racialmente falando (era o produto de séculos de mistura entre europeus, judeus e africanos, via dominação muçulmana), entregou-se gostosamente e sem preconceitos ao esporte priápico do cruzamento com índias, negras, caboclas, mulatas e cafuzas, até não sobrar nem resquício do que seria "raça". Se houve algum "excesso", por essas bandas, não foi de racismo, mas do seu contrário, ou seja: a miscigenação.

"Ah, mas e a escravidão? Os 'brancos' não têm aqui uma dívida histórica a pagar?" etc. Essa tem sido uma frase-clichê repetida ad nauseam pelos militantes racialistas, e por muitos ingênuos que caíram na deles (sem falar nos espertalhões em busca de uma grana dos trouxas que pagam impostos). Respondo com outra pergunta: Que dívida, cara-pálida? Olhem a História: a escravidão já existia na África séculos antes de o primeiro navegador português botar os pés no continente, e continua a ser praticada em terras muçulmanas, com as bênçãos de Alá e do multiculturalismo (no Sudão ela segue sendo uma realidade, e na Arábia Saudita a prática de ter escravos só foi oficialmente abolida em 1964). Milhares de europeus loiros e de olhos azuis foram escravizados por sultões turcos morenos e de olhos azeitonados (a primeira guerra que os EUA fizeram fora de seu território, no começo do século XIX, foi contra os piratas e mercadores árabes de escravos que agiam no Norte da África). Sem falar que, no Brasil, até mesmo ex-escravos, como Zumbi – o maior símbolo da "resistência negra contra a escravidão" –, eram eles mesmos donos de escravos e exploravam o tráfico escravista. Este não teve nada a ver com "raça", no sentido em que o tomam os ativistas de ONGs e movimentos racialistas – ou seja: não eram brancos escravizando negros, até porque de "brancos" os escravizadores tinham muito pouco. Sem falar que o escravismo esteve longe de caracterizar toda a sociedade colonial. Qual a "dívida" a ser paga por um descendente da oligarquia do sertão cearense, onde a presença escrava foi ínfima, para nao dizer inexistente? E qual peso deve recair na consciência de um filho ou neto de imigrantes alemães ou italianos do Rio Grande do Sul ou de Santa Catarina pela escravidão africana (a maioria dos quais chegou ao Brasil depois da Lei Áurea)? Dívida histórica? Quem vai pagar a dívida dos faraós?

A verdade é que episódios bizarros como o da censura a Monteiro Lobato refletem um fenômeno maior. Vivemos, atualmente, uma verdadeira revolução na linguagem. Miscigenação, por exemplo, virou uma palavra proibida. "Afro-descendente", ao contrário, tornou-se uma espécie de senha, uma palavra mágica capaz de mudar a realidade. Mas o que raios vem a ser "afro-descendente"? A Ciência já comprovou que os primeiros humanos surgiram na África. Logo, toda a humanidade, até mesmo o mais alvo norueguês, é afro-descendente. Dizer que essa categoria se refere unicamente aos negros ou aos descendentes de escravos africanos trazidos, a partir do século XVI, para as Américas (muitos deles vendidos por chefes de tribos inimigas aos mercadores europeus) é, portanto, um contra-senso, um absurdo lógico, e uma mentira histórica. Dizer "afro-descendente" é o mesmo que dizer "descendente de Eva". Ou seja, todos nós.

A revolução lingüística a que estamos assistindo não se restringe ao campo racial. Do mesmo modo que os militantes racialistas em relação a termos como "afro-descendente" ou "afro-brasileiro" (outra expressão que não quer dizer rigorosamente nada), será que os militantes gayzistas, que querem impor uma lei que criminaliza piadas de bichinha (a PLC 122/06), sabem do que estão falando quando acusam alguém – geralmente, alguém que não concorda com eles – de "homofóbico"? Será que têm consciência que "homofobia" simplesmente não existe? Ora, fobia é sinônimo de medo. Conheço medo de avião, medo da morte, medo de barata, medo do escuro. Medo de quem é homossexual, não, nunca ouvi falar. Há quem não goste de gays e, inclusive, bata neles? Certamente que sim, principalmente garotões inseguros sobre sua própria sexualidade que tentam, com isso, provar que são "machos". Ou seja: morrem de medo de dar bandeira. Não são homossexuais também?

A mesma manipulação semântica ocorre com a palavra "homoafetivo". O que é isso? Qualquer relação afetiva entre pessoas do mesmo sexo. Amizade, por exemplo, ou o amor de um irmão pelo irmão, ou de um filho pelo pai. Quem falou que "homoafetivo" se refere somente a amantes do mesmo sexo? Aqui o sequestro do vocabulário também é evidente.

Tudo isso aponta para o seguinte: a discriminação, no Brasil da Era da Mediocridade lulo-petista, não é contra negros, ou gays, ou índios, ou mulheres – é contra quem pensa diferente do resto da manada. Isso significa que o verdadeiro negro no Brasil, o judeu do Brasil de hoje, a verdadeira vítima de preconceito e perseguição, atende ao seguinte perfil: é homem, branco, de classe média (ou alta), cristão e heterossexual. E que acredita que todos são iguais perante a Lei, e não que a cor da pele ou o que se faz na cama dão a alguem direitos especiais – privilégios, em bom português.

Se os militantes de ONGs racialistas e gayzistas usassem um milésimo da sensibilidade que demonstram buscando racismo e homofobia onde isso não existe para denunciar a corrupção e as pilantragens da quadrilha lulo-petista no poder há oito anos, o governo do Capo di Tutti Capi ja teria virado poeira há muito tempo. Sem querer, os membros desse clube de ressentidos repetem outro personagem de Monteiro Lobato: o Jeca Tatu. Se estivesse vivo, o criador de Dona Benta certamente perceberia pouca diferença entre o Brasil de hoje e a Botocúndia.

terça-feira, dezembro 28, 2010

DIALOGANDO COM MUARES


Lá vou eu, correr o risco de fazer alguém se sentir importante e aparecer às minhas custas. Mas fazer o quê? Não resisto a dar umas boas chineladas num botocudo.

Um gaiato, que se assina "Chico Oliveira", resolveu fazer uma graça e zurrar neste blog. Ele escreveu, sobre meu post "SESSÃO COMÉDIA" (em que comento a ignorância gramatical de um coleguinha do dito-cujo):

Eu nem sabia o que era "fascismo" imagina saber escrever corretamente esse modismo! Não é com esse tipo de argumento que você vai convencer a maioria (inclusive eu) desprovida de capacidade intelectual das suas “certezas”?

O companheiro não sabe o que é fascismo? Então faça o que o outro também não fez: estude!

Quanto a ser um modismo, concordo inteiramente. Chamar alguém de "fascista" tem sido moda entre quem não tem a menor ideia do que é a coisa – ou de como se escreve.

Pelo menos uma de minhas "certezas" está mais forte do que nunca: esquerdiotas não sabem escrever. Está convencido agora?

A propósito: não quero "convencer a maioria". Contento-me em desmascarar imposturas. Não escrevo para maiorias. Escrevo para quem pensa. A maioria que se dane!

Aí, a alimária percebeu que meu blog possui um moderador de comentários. Ele achou isso estranho:

aprovação de comentário? é favorável a "censura"? eu pensei que só o Lula e o PT eram favoráveis a censura.

Meu filho, desde quando moderar comentário em blog pessoal é "censura"? O blog é meu, publico o que eu quiser. Se não gosta, tenha o seu próprio.

Censura, caro idiota, é quando o governo impede algo de ser divulgado, atentando contra a liberdade de expressão e de pensamento. O governo! Isso quer dizer Lula e o PT. Quer saber o que é censura? Pergunte ao Franklin Martins.

Mas, convenhamos: se tem alguém que certamente vai passar a ser favorável a censura a partir deste post, é o bocó que escreveu o comentário. Pelo menos ele não iria passar vergonha.

Até isso tenho que ensinar a esses energúmenos. Daqui a pouco vou ter que ensiná-los a parar de andar de quatro e a não comer capim.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

O BRASIL PIOROU


Detesto estragar esse clima de fim de ano, de congraçamento, Natal, Ano-Novo, essas coisas boas e bonitas. Mas aprendi muito cedo que a verdade precisa ser dita, ou não deve ser dita nunca. Fico com a primeira opção.

Nos últimos tempos, uma sensação anestésica de conformismo e satisfação generalizados, e mesmo de euforia, tomou conta de muita gente no Brasil. A propaganda oficial e oficiosa - ou seja: do governo e da imprensa chapa-branca - dedica-se diariamente a nos bombardear com frases ululantes como "o Brasil melhorou", ou "agora o País está no caminho certo" (como se antes estivesse à beira do caos). Tudo para enaltecer a ele, o Guia Genial, o pai da pátria, o Cara, o verdadeiro descobridor e inventor do Brasil. Um clima de ufanismo de dar inveja à ditadura militar na época do "milagre".

Pois bem. Tenho uma péssima notícia para os pachecos e pombas-lesas que se deixaram engabelar, de vontade própria ou não, por essa patacoada dos petralhas: sob os oito anos do mandarinato lulo-petista, o Brasil não melhorou coisa nenhuma. Muito pelo contrário: o balanço é negativo. O Brasil piorou. E muito.

Antes que parem por aqui achando que digo isso apenas porque sou do contra, faço um convite e um desafio: tentem refutar o que vem em seguida. Desafio qualquer um, qualquer intelectualzinho petista da USP ou da UnB, a provar que o que está nos próximos parágrafos é mentira.

Primeiro, estamos falando de política? Pois se estamos, os fatos não são nada abonadores para a turma da estrela vermelha. Nunca antes na história destepaiz houve um governo que desceu tão baixo e tão fundo nos porões e esgotos da corrupção, da ladroeira, da bandidagem. Nos últimos oito anos, tivemos uma média de um escândalo por semana. Coisa de deixar o governo Collor parecendo um convento de freiras. Nem vou desfilar aqui o rosário de roubalheiras envolvendo direta ou indiretamente o supremo chefe da nação, pois tudo isso é sabido de todos, e além disso o texto ficaria interminável. Verdade ou mentira?

(E antes que digam que tudo isso, ou seja, todas as denúncias, mensalões, dossiês etc., não passaram de "tentativa de golpe" e de "conspiração das elites e da mídia" - a última explicação arranjada pelo Apedeuta, que já inventou outras, como "não sei nada", "fui traído" e "todo mundo faz" -, eis aqui mais uma prova de que estamos mesmo indo de mal a pior: nos últimos oito anos, assistiu-se não apenas à deterioração da moralidade na política e ao achincalhe das instituições, mas também, e principalmente, ao aumento desbragado do cinismo, ao embrutecimento intelectual do País. Imaginem se, em vez de Lula, fosse FHC o mentor do mensalão: conseguem vislumbrar a gritaria que seria?.)

Segundo, é de economia que estamos falando? OK, não sou especialista na área, e vou admitir, aqui, que nesse campo houve alguma melhora. A economia voltou a crescer, a inflação está sob controle, os brasileiros estão melhorando de vida etc. Tudo isso é verdade. Mas aqui não dá para negar que Lula e seus cupinchas pegaram o bonde andando. Ou vão me dizer que o controle da inflação e a lei de responsabilidade fiscal, para citar apenas duas medidas que tornaram possível o que temos hoje, foram obra deles, os lulo-petistas? Pelo contrário: lembro bem de onde estava Lula em 1994, quando chamava o Plano Real de "estelionato eleitoral", e, alguns anos mais tarde, quando os petistas se opuseram, com todas as forças, à Lei de Responsabilidade Fiscal. Sem falar nas privatizações, como a das telecomunicações, que eles não engoliram até hoje, mas que, por alguma razão misteriosa, decidiram manter. (Aliás, é engraçado: se FHC deixou para seu sucessor uma "herança maldita" em economia, então por que raios Lula e sua equipe mantiveram a mesmíssima política econômica do antecessor? Deixa pra lá...) Não, se a economia vai bem, isso não é por causa de Lula e de sua turma: é apesar deles. Os mesmos resultados, e muito mais e melhor, poderiam ter sido alcançados sem eles. Quanto ao PAC, não passa de uma farsa, uma miragem feita de vários projetos desengavetados do governo anterior e reunidos numa sigla nova para ganhar eleições.

Além do mais, ainda que os índices econômicos do governo Lula fossem a maravilha que este diz ser, e que muita gente acredita - e notem que eu escrevi ainda que -, quem disse que a economia é um álibi para desmandos éticos e políticos? Quer dizer que se o governo Collor, por exemplo, tivesse sido um êxito econômico, e não o desastre que foi, com megainflação e confisco da poupança, ele estaria a salvo de ter sofrido impeachment? Alguém conhece argumento mais estúpido do que esse?

Mas e os "avanços sociais"? Suponho que quem faça essa pergunta esteja falando de coisas como o Bolsa-Família, carro-chefe do governo na área. Muito bem. Eu poderia dizer que, assim como a estabilização da moeda, o Bolsa-Família foi, na verdade, uma criação do governo anterior, de FHC. Que, assim como fizeram com o PAC, os lulo-petistas reuniram dois ou três programas com nome parecido e "reinauguraram" a coisa, com pompa e cerimônia, dizendo que foram eles os pais da criança. Mas prefiro lembrar os argumentos que o próprio Lula e sua corriola diziam até bem pouco tempo atrás: que programas do tipo não passam do mais crasso assistencialismo, um paliativo inventado pelas "elites" (as mesmas que ele de vez em quando ataca, sem dar nome aos bois) para que o povão votasse "com a barriga, não com o cérebro". Prefiro dizer, como o senador Jarbas Vasconcelos - o único político brasileiro com coragem para afirmar o óbvio (por favor, ergam uma estátua para ele, só por isso ele merece) - que o Bolsa-Cabresto é o maior programa de compra de votos do mundo, uma medida demagógica e eleitoreira que promove o conformismo e o clientelismo, e não a "igualdade social". Uma gigantesca compra de consciências, em troca de um prato de lentilhas. Prefiro lembrar que foi essa mesma prática que ajudou a perpetuar a miséria do povo e garantiu o poder dos coronéis e oligarcas dos grotões, gente como Fernando Collor e José Sarney, que Lula antes dizia abominar e que agora são seus novos amigos de infância. Coisas da política? Nada disso. Coisas da safadeza mesmo.
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Ainda há quem diga, entre cínico e ingênuo: "E daí que ele seja corrupto e demagogo? O importante é que o povo está comendo três vezes ao dia" etc. Pois eu digo que esse é o raciocínio mais cretino e imbecil que alguém poderia usar para justificar o Bolsa-Cabresto. Equivale, na verdade, a uma confissão de culpa, à glorificação da demagogia. É o mesmo argumento usado na economia ("se a economia vai bem, por que se importar com a democracia?"), e um retrocesso de pelo menos cinquenta anos na política brasileira, um retorno do clássico "rouba, mas faz". É mais uma prova do abismo moral em que o Brasil foi atirado pelo lulo-petismo.
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E a política externa? Deixei-a para o final, por dois motivos: primeiro, porque o assunto (infelizmente) não é muito popular no Brasil, não tira nem dá voto. E segundo, porque aqui o governo Lula deu vazão a tudo que tem de pior, eu diria mesmo que mostrou sua verdadeira cara.
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Como tudo o mais, a propaganda chapa-branca mostra a diplomacia da era Lula como um exemplo de sucesso, e o Brasil, como um país finalmente respeitado entre os grandes etc. É mais uma mentira, talvez a maior de todas.
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Seguindo fielmente a linha do Foro de São Paulo (por favor, não me façam explicar de novo o que é, há material abundante na internet, pesquisem se quiserem), e entregando os assuntos internacionais a gente do naipe de um Marco Aurélio Garcia, Lula deu apoio total a tiranetes ridículos como Hugo Chávez na Venezuela, justificou os rompantes demagógicos de Evo Morales, chamou dissidentes de criminosos em Cuba e meteu-se numa intervenção desastrada nos assuntos internos de Honduras (a primeira vez, até onde eu sei, que o Brasil se prestou a esse papel lamentável). O governo brasileiro notabilizou-se por dar guarida a terroristas condenados em seus países de origem, tendo expostas as relações de membros do alto escalão do poder em Brasília com os narcotraficantes colombianos das FARC. Ao mesmo tempo, absteve-se de condenar, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, tiranias genocidas como a do Sudão enquanto condenava, sem pestanejar, Israel e os EUA.
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Mas o pior veio em maio deste ano: demonstrando que a megalomania é mesmo prima-irmã-gêmea-siamesa da ignorância, Lula deixou-se usar pelo louco nuclear e negador do Holocausto Mahmoud Ahmadinejad num acordo fajuto que foi logo torpedeado pela ONU, numa humilhação sem tamanho. Antes disso, o Apedeuta já tinha cometido a infâmia de justificar a fraude eleitoral e as barbaridades da polícia secreta iraniana contra manifestantes pela democracia no Irã, além de ter recebido, com rapapés, o "querido amigo" Ahmadinejad em Brasília. Uma cusparada na cara de quem ainda acredita em princípios como democracia e direitos humanos, sem falar na não-intervenção e no respeito à soberania e à autodeterminação dos povos (todos princípios, é bom que se diga, consagrados na Constituição Federal, que Lula e o PT não assinaram). Sob Lula, o Itamaraty entregou-se a uma orgia de antiamericanismo bocó e de caipirice megalomaníaca, que levaram o País a apoiar um antissemita e queimador de livros para a direção da... UNESCO (!). (Aliás, o Brasil colecionou fracassos retumbantes em todas - repito: todas - as candidaturas que lançou para a direção de órgãos internacionais.) Hoje, Lula virou piada em Israel.

Em suma: na área da política externa, assim como na política interna, não houve infâmia, baixeza, indecência e canalhice que Lula e sua corja não tenham cometido. E, o mais incrível: em todos os casos, puderam contar com quem os aplaudisse com entusiasmo.

Eu poderia me estender. Tem muito mais. O aparelhamento do Estado pela quadrilha petista e seus apaniguados. O desrespeito e o deboche do presidente da República em relação à Justiça Eleitoral. O apoio oficial (financeiro, inclusive) aos vândalos do MST e a seu projeto revolucionário maoísta. A derrama de dinheiro público para ONGs picaretas e movimentos pretensamente sociais. A propaganda mentirosa e caluniosa contra adversários políticos, a ponto da intimidação física (infelizmente, contra adversários covardes e incapazes de uma oposição decidida). A exploração demagógica das diferenças regionais. As declarações infelizes e cretinas sobre praticamente qualquer assunto. A desmoralização das instituições democráticas. A mistificação da História. A glorificação da ignorância. O caso Celso Daniel. A implantação do racismo oficial nas universidades e no serviço público. A entronização da mentira. O abastardamento da democracia. O ódio à divergência. As tentativas de revogar a Anistia e de censurar e tutelar a imprensa. Os atentados contra a liberdade de expressão e até mesmo religiosa, mediante a imposição do politicamente correto e da agenda da militância gayzista e abortista... E por aí vai. A lista é infindável.

A tudo isso, os pachecos e pelegos, cúmplices da cleptocracia petista, respondem com a frase ensaiada: "Ele é popular". E daí? Hitler, Mussolini e Saddam Hussein eram populares. O general Médici também era. Acho que até Nero, Calígula e Átila, o Huno foram populares. E isso não diminui um milímetro que seja a enormidade dos crimes que cometeram. Pelo contrário: aumenta ainda mais a perplexidade com o nível realmente soviético a que pode chegar a lavagem cerebral e o culto da personalidade, quando não há quem se oponha de verdade a isso. Anotem aí mais um legado da Era da Mediocridade: o anestesiamento de milhões de mentes. O crescimento assustador da burrice.

O que está acima seria suficiente para colocar Lula da Silva não em uma galeria de líderes respeitáveis, mas no rol dos maiores pilantras, vigaristas e picaretas que já governaram um país, em qualquer época, ou no banco dos réus. Mas Lula deixou para o final aquela que talvez seja sua maior ignomínia: não tendo conseguido impor um terceiro mandato presidencial, pinçou do meio da companheirada uma completa desconhecida, uma nulidade que seguirá até a morte suas ordens, para concorrer em seu lugar e ser eleita para a Presidência da República, usando e abusando da máquina estatal para garantir o continuísmo. Alguém de passado nebuloso, idéias idem e incapaz de elaborar um raciocínio simples em português, conhecida apenas pela obediência servil ao chefe. Podem ter certeza: sob a era Lula, o Brasil piorou; com Dilma Vana Rousseff, irá piorar ainda mais.

terça-feira, dezembro 21, 2010

DA IMPORTÂNCIA DE SER RADICAL


De todas as frases do farsante, racista, eurocêntrico, genocida em potencial e aproveitador de empregadas domésticas que foi Karl Marx ("leiam as cartas, as cartas", clamava em vão Nelson Rodrigues), há apenas uma com a qual concordo inteiramente, embora, claro, em um contexto completamente diferente daquele em que se movimentava o Papai Noel das esquerdas: "Ser radical é agarrar as coisas pela raiz; e a raiz do homem é o próprio homem".

Também já fui, em tempos idos, um radical. Mais precisamente, um radical de esquerda. Mais precisamente ainda, trotskista. Não me arrependo, nem me envergonho. Pelo contrário: considero a experiência válida, até mesmo - aliás, precisamente - didática. Hoje, quando alguém se surpreende com essa minha revelação sobre meu passado e, diante de minhas posições atuais abertamente antimarxistas e (já deixei de me importar com o rótulo) "de direita", indaga, com o olho arregalado, "Mas como é possível?", respondo com um sorriso: "Exatamente por isso". Vou me explicar melhor.

Da minha época de radicalismo trotskista guardo duas conclusões fundamentais, que a cada dia ficam mais fortes: 1) para se opor ao comunismo, ou simplesmente entendê-lo, é preciso, antes de tudo, ter sido comunista; e 2) não acredito em quem não é, ou nunca foi, radical.(Gosto de quente ou frio; morno, eu vomito.)

Ninguém pode entender o comunismo, e todas as suas variantes, sem ter estado um dia do lado de lá, ou seja, sem ter feito parte, ainda que como simpatizante, de algum partido ou grupo de ultra-esquerda. Os ingleses têm um ditado: "Only the wounded can be healed". Ou seja: Só os que foram feridos podem ser curados. Na mosca.

A participação em algum movimento radical de esquerda, seguida da muitas vezes dolorosa desilusão e da consequente queda na realidade, serve de vacina capaz de imunizar o cérebro contra as fantasias e imposturas esquerdistas. Somente quem já participou de alguma organização esquerdista - de preferência, de extrema-esquerda -, ou, então, estudou a fundo os escritos marxistas-leninistas e a história do comunismo (a ignorância do que realmente disseram e fizeram os comunas parece ser um pré-requisito obrigatório entre os militantes e simpatizantes desse credo genocida), somente esses, dizia eu, têm o discernimento e a capacidade cognitiva necessários para perceber o perigo que partidos como o PT e sua máquina pelega significam para a democracia. Somente assim para perceber que o lulo-petismo não é um fenômeno político qualquer. É, ao contrário, todo um sistema, feito de décadas de mistificação, herdeiro de todas as mentiras e falsificações engendradas pelos comunistas - e também de seus métodos.

Pelo menos nesse caso, não estou sozinho. A galeria de ex-marxistas e ex-esquerdistas que, uma vez desiludidos com a realidade comunista, tornaram-se ardentes anticomunistas e defensores da liberdade daria para lotar vários maracanãs: George Orwell, André Gide, Arthur Koestler, Viktor Kravchenko, Albert Camus, Mario Vargas Llosa, e, no Brasil, Jorge Amado, Rachel de Queiroz, Carlos Lacerda, Osvaldo Peralva, Hércules Corrêa, Paulo Francis, Ferreira Gullar, Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo... a lista é interminável. (Curiosamente, não conheço nenhum "ex-liberal" ou "ex-capitalista".) É curioso também que todos esses pertenceram, em algum momento de suas vidas, a alguma vertente radical ou extremista de esquerda. Os que, em vez de mergulharem fundo nos delírios revolucionários, optaram por uma posição mais light ou moderada, observando tudo a uma distância confortável, geralmente custam a se livrar de suas ilusões de juventude, ou se mantêm fiéis a elas (tornando-se, assim, figuras lamentáveis, como um Chico Buarque ou um Oscar Niemeyer). É que não se feriram o bastante, não se aproximaram o suficiente para perceberem a profundidade do abismo.

Eu dizia que deixei de ser trotskista, mas não de ser radical. Outro dia tive uma discussão com um intelectual esquerdista que insistia em que eu deveria enxergar Marx e o marxismo com menos paixão, e que afirmava, como se me conhecesse melhor do que eu mesmo, que eu poderia até ter deixado Trotsky de lado, mas estava imbuído do mesmo "preconceito totalitário", pois continuava a enxergar o mundo "com o olhar da guerra fria" e não seria capaz de ver as coisas com mais frieza etc. A mesma pessoa, que exala moderação, deixou-se trair, ao condenar veementemente ditaduras como a de Pinochet no Chile mas ao se recusar a dizer uma palavra de reprovação ao regime dos irmãos Castro em Cuba... (A mesma pessoa também disse que meu discurso, por apontar essa contradição gritante, era "proto-fascista"...) Percebi que estava diante de alguém que, sob um manto de aparente ambiguidade, e por trás da afetação de superioridade intelectual e moral, escondia suas próprias preferências ideológicas. Alguém que, exatamente por se declarar um "moderado", era incapaz de, ou não queria, desvencilhar-se do ranço esquerdista.

No Brasil, não é de bom-tom dizer-se radical. (Aliás, minto: no Brasil, não é de bom-tom dizer-se radical de direita; radical de esquerda, pode.) Isso significa o seguinte: pega mal ser honesto, é feio chamar as coisas pelo nome. Por estas bandas, cultiva-se não a clareza e a sinceridade, mas o bom-mocismo, o discurso duas-caras, o jogar para a platéia. Certamente uma herança cultural dos nossos ancestrais portugueses, que viveram por setecentos anos sem saber a que mestre - cristãos ou muçulmanos - deveriam prestar vassalagem no dia seguinte. Confunde-se leniência com moderação, conivência com sabedoria. Daí a pessoa intelectualmente honesta - o radical antimarxista - ser visto sempre como um inconveniente, um chato, alguém a ser excluído como um pária, um leproso, um pestilento. Quer se dar bem na política e ter uma multidão de amigos? Então esconda o que pensa e diga somente o que as pessoas querem ouvir. Esta é a Regra de Ouro das relações interpessoais no Brasil.

Seria somente uma demonstração de hipocrisia, se não fosse também um pacto com o maligno. Não exagero. Digam-me: é possível ter uma atitude morna ante um flagrante atentado à liberdade? Os últimos oito anos tiveram de tudo: mensalão, sanguessugas, tentativas de censurar a imprensa, dossiês, intimidação de adversários, apoio a ditadores... Não se indignar, não se revoltar, não insultar com as palavras mais duras quem ouse fazer isso é, na melhor das hipóteses, mostrar-se pusilânime e, na pior delas, uma confissão de culpa, de cumplicidade com o crime. Fazê-lo, ao contrário, é um dever cívico e um imperativo moral. Pode-se pedir "moderaçâo" e "neutralidade" diante do estupro e do assassinato?

Quando estamos às vésperas de mais um espetáculo grotesco, que irá inaugurar mais um período de cinismo e de desprezo pela inteligência com a eleição de um poste de saias, escolhido a dedo para esquentar a cadeira presidencial até a volta do chefe, nunca a palavra "moderado" combinou tanto com pusilanimidade e capitulação. Jamais a falta de uma oposição de verdade se fez mais sentida. Nunca foi tão necessário, tão importante, tão urgente ser radical.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

EIS COMO LULA MOSTRA SEU AMOR PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO


A notícia está no Estadão de hoje, 16/12. Vejam como Lula da Silva tem em alta conta a liberdade de expressão:

Por João Domingos, no Estadão:
O presidente Lula afirmou ontem que, à exceção da imprensa da China e de Cuba, em todo o mundo os meios de comunicação preferem deixar de noticiar realizações dos governos e buscar assuntos com apego junto à sociedade.A Presidência da República distribuiu um livro com 310 páginas sobre as realizações do governo Lula de 2003 a 2010. Os feitos, segundo Lula, foram muito mal cobertos pela imprensa.

Por isso, afirmou, decidiu enviar um exemplar para cada editor de Política e de Economia dos meios de comunicação. “Eu quero que todo mundo receba, para as pessoas perceberem o quanto perderam de (ao não) cobrir coisas boas do governo”.

No entanto, segundo Lula, isso não ocorre só no Brasil, mas no mundo inteiro - exceção para China e Cuba. “Se você for à Argentina e aos Estados Unidos, se for à Alemanha… Obviamente que a imprensa cobre aquilo que tem mais apego à sociedade”.


Comento
Ainda há quem se pergunte por que Lula e os petistas se queixam tanto da imprensa no Brasil, e planejam inclusive amordaçá-la, como demonstra o PNDH-3. Pois aí está a resposta. Para Lula, imprensa boa é a que existe em... Cuba e na China! Ou seja: para ele, imprensa boa é imprensa nenhuma! Não me recordo de ter visto confissão maior de amor ao totalitarismo do que essa.

Há dois dias, Lula da Silva fez um discurso em que se mostrou publicamente solidário com o dono do Wikileaks, Julian Assange. Disse que era um absurdo ninguém na imprensa brasileira estar defendendo o sujeito, que está preso por estupro, e considerou sua prisão um "atentado à liberdade de expressão". Escrevi um texto a respeito. Agora, o Apedeuta vem reforçar ainda mais meus argumentos.

Há oito anos o Brasil é governado por um comediante, um animador de auditório deslumbrado com o poder que acha que o fato de ser popular lhe dá o direito a fazer e dizer o que quiser. Ele é o comediante, mas os palhaços são os que o elegeram e o apóiam.

Termino com duas frases, que Lula certamente desconhece:

"Imprensa que se preze é sempre do contra; o resto não passa de armazém de secos e molhados" (Millôr Fernandes)

"Se me perguntarem se prefiro um governo sem imprensa livre ou imprensa livre sem governo, respondo que prefiro a segunda opção" (Thomas Jefferson)

Sem mais, meritíssimo.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

SOBRE A DIFICULDADE DE CERTOS CÉREBROS ENTENDEREM ANALOGIAS


Se tem uma coisa que nunca vai deixar de me surpreender, e que podem me acusar de subestimar, é a estupidez e ignorância dos esquerdiotas. Vejam o que escreveu um tal de “Arthur”, sobre meu texto “Lula, o Wikileaks e a Liberdade de Expressão: Uma Grande Palhaçada”:
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Criticando o certo com palavras erradas, texto fraco. Que analogia infeliz essa do roubo do carro viu.
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À parte o fato de que o leitor não explica o que seria o certo e o errado na questão – deve acreditar, como os pastores neopentocostais, que basta pronunciar um enunciado para que ele seja verdadeiro –, vou me concentrar na questão da analogia, que o leitor achou – novamente, sem dizer por quê – “fraca”.
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Só para lembrar: Lula declarou que, no caso do Wikileaks, a culpa não é de quem vazou informações secretas de um governo, mas de quem produziu as informações. É o mesmo que culpar o dono do carro por ter sido roubado. Daí a analogia.
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Escrevo para pessoas inteligentes, ou que, pelo menos, não saiam por aí relinchando e andando de quatro. Mas, em alguns casos, tenho que fazer uma concessão ao embrutecimento geral da sociedade, que vem se acelerando nos últimos anos, para me fazer entender por esses energúmenos. O sujeito achou a analogia “fraca”? Não a entendeu? Então aí vai outra, espero que desta vez entenda.
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Digamos que você escreva um livro, cheio de fofocas picantes. As informações ali colhidas, por comprometedoras, não são para consumo público, você as guarda para publicá-las postumamente. Aí um belo dia aparece um sujeito e rouba suas anotações, que são publicadas. De quem é a culpa: sua ou do ladrão de documentos?
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Julian Assange fez exatamente isso, com um agravante: as informações que ele roubou e divulgou são oficiais e podem colocar em risco a vida de milhares de pessoas mundo afora. Isso por si só já seria motivo para colocá-lo na cadeia em qualquer país civilizado, onde roubo de dados secretos do governo é crime, e não tem nada a ver com liberdade de expressão. Mas ele não está preso e respondendo a processo por isso, e sim por estupro.
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Será que agora o distinto leitor se deu conta do que estou falando? Ou será que achou também essa analogia “fraca”? Mas aí eu teria que me rebaixar ao nível dos quadrúpedes.