terça-feira, dezembro 21, 2010

DA IMPORTÂNCIA DE SER RADICAL


De todas as frases do farsante, racista, eurocêntrico, genocida em potencial e aproveitador de empregadas domésticas que foi Karl Marx ("leiam as cartas, as cartas", clamava em vão Nelson Rodrigues), há apenas uma com a qual concordo inteiramente, embora, claro, em um contexto completamente diferente daquele em que se movimentava o Papai Noel das esquerdas: "Ser radical é agarrar as coisas pela raiz; e a raiz do homem é o próprio homem".

Também já fui, em tempos idos, um radical. Mais precisamente, um radical de esquerda. Mais precisamente ainda, trotskista. Não me arrependo, nem me envergonho. Pelo contrário: considero a experiência válida, até mesmo - aliás, precisamente - didática. Hoje, quando alguém se surpreende com essa minha revelação sobre meu passado e, diante de minhas posições atuais abertamente antimarxistas e (já deixei de me importar com o rótulo) "de direita", indaga, com o olho arregalado, "Mas como é possível?", respondo com um sorriso: "Exatamente por isso". Vou me explicar melhor.

Da minha época de radicalismo trotskista guardo duas conclusões fundamentais, que a cada dia ficam mais fortes: 1) para se opor ao comunismo, ou simplesmente entendê-lo, é preciso, antes de tudo, ter sido comunista; e 2) não acredito em quem não é, ou nunca foi, radical.(Gosto de quente ou frio; morno, eu vomito.)

Ninguém pode entender o comunismo, e todas as suas variantes, sem ter estado um dia do lado de lá, ou seja, sem ter feito parte, ainda que como simpatizante, de algum partido ou grupo de ultra-esquerda. Os ingleses têm um ditado: "Only the wounded can be healed". Ou seja: Só os que foram feridos podem ser curados. Na mosca.

A participação em algum movimento radical de esquerda, seguida da muitas vezes dolorosa desilusão e da consequente queda na realidade, serve de vacina capaz de imunizar o cérebro contra as fantasias e imposturas esquerdistas. Somente quem já participou de alguma organização esquerdista - de preferência, de extrema-esquerda -, ou, então, estudou a fundo os escritos marxistas-leninistas e a história do comunismo (a ignorância do que realmente disseram e fizeram os comunas parece ser um pré-requisito obrigatório entre os militantes e simpatizantes desse credo genocida), somente esses, dizia eu, têm o discernimento e a capacidade cognitiva necessários para perceber o perigo que partidos como o PT e sua máquina pelega significam para a democracia. Somente assim para perceber que o lulo-petismo não é um fenômeno político qualquer. É, ao contrário, todo um sistema, feito de décadas de mistificação, herdeiro de todas as mentiras e falsificações engendradas pelos comunistas - e também de seus métodos.

Pelo menos nesse caso, não estou sozinho. A galeria de ex-marxistas e ex-esquerdistas que, uma vez desiludidos com a realidade comunista, tornaram-se ardentes anticomunistas e defensores da liberdade daria para lotar vários maracanãs: George Orwell, André Gide, Arthur Koestler, Viktor Kravchenko, Albert Camus, Mario Vargas Llosa, e, no Brasil, Jorge Amado, Rachel de Queiroz, Carlos Lacerda, Osvaldo Peralva, Hércules Corrêa, Paulo Francis, Ferreira Gullar, Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo... a lista é interminável. (Curiosamente, não conheço nenhum "ex-liberal" ou "ex-capitalista".) É curioso também que todos esses pertenceram, em algum momento de suas vidas, a alguma vertente radical ou extremista de esquerda. Os que, em vez de mergulharem fundo nos delírios revolucionários, optaram por uma posição mais light ou moderada, observando tudo a uma distância confortável, geralmente custam a se livrar de suas ilusões de juventude, ou se mantêm fiéis a elas (tornando-se, assim, figuras lamentáveis, como um Chico Buarque ou um Oscar Niemeyer). É que não se feriram o bastante, não se aproximaram o suficiente para perceberem a profundidade do abismo.

Eu dizia que deixei de ser trotskista, mas não de ser radical. Outro dia tive uma discussão com um intelectual esquerdista que insistia em que eu deveria enxergar Marx e o marxismo com menos paixão, e que afirmava, como se me conhecesse melhor do que eu mesmo, que eu poderia até ter deixado Trotsky de lado, mas estava imbuído do mesmo "preconceito totalitário", pois continuava a enxergar o mundo "com o olhar da guerra fria" e não seria capaz de ver as coisas com mais frieza etc. A mesma pessoa, que exala moderação, deixou-se trair, ao condenar veementemente ditaduras como a de Pinochet no Chile mas ao se recusar a dizer uma palavra de reprovação ao regime dos irmãos Castro em Cuba... (A mesma pessoa também disse que meu discurso, por apontar essa contradição gritante, era "proto-fascista"...) Percebi que estava diante de alguém que, sob um manto de aparente ambiguidade, e por trás da afetação de superioridade intelectual e moral, escondia suas próprias preferências ideológicas. Alguém que, exatamente por se declarar um "moderado", era incapaz de, ou não queria, desvencilhar-se do ranço esquerdista.

No Brasil, não é de bom-tom dizer-se radical. (Aliás, minto: no Brasil, não é de bom-tom dizer-se radical de direita; radical de esquerda, pode.) Isso significa o seguinte: pega mal ser honesto, é feio chamar as coisas pelo nome. Por estas bandas, cultiva-se não a clareza e a sinceridade, mas o bom-mocismo, o discurso duas-caras, o jogar para a platéia. Certamente uma herança cultural dos nossos ancestrais portugueses, que viveram por setecentos anos sem saber a que mestre - cristãos ou muçulmanos - deveriam prestar vassalagem no dia seguinte. Confunde-se leniência com moderação, conivência com sabedoria. Daí a pessoa intelectualmente honesta - o radical antimarxista - ser visto sempre como um inconveniente, um chato, alguém a ser excluído como um pária, um leproso, um pestilento. Quer se dar bem na política e ter uma multidão de amigos? Então esconda o que pensa e diga somente o que as pessoas querem ouvir. Esta é a Regra de Ouro das relações interpessoais no Brasil.

Seria somente uma demonstração de hipocrisia, se não fosse também um pacto com o maligno. Não exagero. Digam-me: é possível ter uma atitude morna ante um flagrante atentado à liberdade? Os últimos oito anos tiveram de tudo: mensalão, sanguessugas, tentativas de censurar a imprensa, dossiês, intimidação de adversários, apoio a ditadores... Não se indignar, não se revoltar, não insultar com as palavras mais duras quem ouse fazer isso é, na melhor das hipóteses, mostrar-se pusilânime e, na pior delas, uma confissão de culpa, de cumplicidade com o crime. Fazê-lo, ao contrário, é um dever cívico e um imperativo moral. Pode-se pedir "moderaçâo" e "neutralidade" diante do estupro e do assassinato?

Quando estamos às vésperas de mais um espetáculo grotesco, que irá inaugurar mais um período de cinismo e de desprezo pela inteligência com a eleição de um poste de saias, escolhido a dedo para esquentar a cadeira presidencial até a volta do chefe, nunca a palavra "moderado" combinou tanto com pusilanimidade e capitulação. Jamais a falta de uma oposição de verdade se fez mais sentida. Nunca foi tão necessário, tão importante, tão urgente ser radical.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

EIS COMO LULA MOSTRA SEU AMOR PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO


A notícia está no Estadão de hoje, 16/12. Vejam como Lula da Silva tem em alta conta a liberdade de expressão:

Por João Domingos, no Estadão:
O presidente Lula afirmou ontem que, à exceção da imprensa da China e de Cuba, em todo o mundo os meios de comunicação preferem deixar de noticiar realizações dos governos e buscar assuntos com apego junto à sociedade.A Presidência da República distribuiu um livro com 310 páginas sobre as realizações do governo Lula de 2003 a 2010. Os feitos, segundo Lula, foram muito mal cobertos pela imprensa.

Por isso, afirmou, decidiu enviar um exemplar para cada editor de Política e de Economia dos meios de comunicação. “Eu quero que todo mundo receba, para as pessoas perceberem o quanto perderam de (ao não) cobrir coisas boas do governo”.

No entanto, segundo Lula, isso não ocorre só no Brasil, mas no mundo inteiro - exceção para China e Cuba. “Se você for à Argentina e aos Estados Unidos, se for à Alemanha… Obviamente que a imprensa cobre aquilo que tem mais apego à sociedade”.


Comento
Ainda há quem se pergunte por que Lula e os petistas se queixam tanto da imprensa no Brasil, e planejam inclusive amordaçá-la, como demonstra o PNDH-3. Pois aí está a resposta. Para Lula, imprensa boa é a que existe em... Cuba e na China! Ou seja: para ele, imprensa boa é imprensa nenhuma! Não me recordo de ter visto confissão maior de amor ao totalitarismo do que essa.

Há dois dias, Lula da Silva fez um discurso em que se mostrou publicamente solidário com o dono do Wikileaks, Julian Assange. Disse que era um absurdo ninguém na imprensa brasileira estar defendendo o sujeito, que está preso por estupro, e considerou sua prisão um "atentado à liberdade de expressão". Escrevi um texto a respeito. Agora, o Apedeuta vem reforçar ainda mais meus argumentos.

Há oito anos o Brasil é governado por um comediante, um animador de auditório deslumbrado com o poder que acha que o fato de ser popular lhe dá o direito a fazer e dizer o que quiser. Ele é o comediante, mas os palhaços são os que o elegeram e o apóiam.

Termino com duas frases, que Lula certamente desconhece:

"Imprensa que se preze é sempre do contra; o resto não passa de armazém de secos e molhados" (Millôr Fernandes)

"Se me perguntarem se prefiro um governo sem imprensa livre ou imprensa livre sem governo, respondo que prefiro a segunda opção" (Thomas Jefferson)

Sem mais, meritíssimo.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

SOBRE A DIFICULDADE DE CERTOS CÉREBROS ENTENDEREM ANALOGIAS


Se tem uma coisa que nunca vai deixar de me surpreender, e que podem me acusar de subestimar, é a estupidez e ignorância dos esquerdiotas. Vejam o que escreveu um tal de “Arthur”, sobre meu texto “Lula, o Wikileaks e a Liberdade de Expressão: Uma Grande Palhaçada”:
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Criticando o certo com palavras erradas, texto fraco. Que analogia infeliz essa do roubo do carro viu.
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À parte o fato de que o leitor não explica o que seria o certo e o errado na questão – deve acreditar, como os pastores neopentocostais, que basta pronunciar um enunciado para que ele seja verdadeiro –, vou me concentrar na questão da analogia, que o leitor achou – novamente, sem dizer por quê – “fraca”.
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Só para lembrar: Lula declarou que, no caso do Wikileaks, a culpa não é de quem vazou informações secretas de um governo, mas de quem produziu as informações. É o mesmo que culpar o dono do carro por ter sido roubado. Daí a analogia.
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Escrevo para pessoas inteligentes, ou que, pelo menos, não saiam por aí relinchando e andando de quatro. Mas, em alguns casos, tenho que fazer uma concessão ao embrutecimento geral da sociedade, que vem se acelerando nos últimos anos, para me fazer entender por esses energúmenos. O sujeito achou a analogia “fraca”? Não a entendeu? Então aí vai outra, espero que desta vez entenda.
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Digamos que você escreva um livro, cheio de fofocas picantes. As informações ali colhidas, por comprometedoras, não são para consumo público, você as guarda para publicá-las postumamente. Aí um belo dia aparece um sujeito e rouba suas anotações, que são publicadas. De quem é a culpa: sua ou do ladrão de documentos?
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Julian Assange fez exatamente isso, com um agravante: as informações que ele roubou e divulgou são oficiais e podem colocar em risco a vida de milhares de pessoas mundo afora. Isso por si só já seria motivo para colocá-lo na cadeia em qualquer país civilizado, onde roubo de dados secretos do governo é crime, e não tem nada a ver com liberdade de expressão. Mas ele não está preso e respondendo a processo por isso, e sim por estupro.
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Será que agora o distinto leitor se deu conta do que estou falando? Ou será que achou também essa analogia “fraca”? Mas aí eu teria que me rebaixar ao nível dos quadrúpedes.

terça-feira, dezembro 14, 2010

SESSÃO COMÉDIA


E aí, vamos rir um pouquinho?

Um bocó, que se apresenta como "Comandante" (eu, heim?), resolveu mostrar seu lado Tiririca. Vejam o que escreveu o coitado, na área de comentários de meu texto NARCOTRÁFICO: O QUE É PRECISO DIZER:

Acho que nessa você se deu mal, companheiro! Tratar pobre como bandido é facismo!

Como se não bastasse a frase em si, que nem merece resposta, o sujeito ainda precisa massacrar desse jeito a lingua portuguesa? Pô, "facismo" é demais!

Mas também, esperar o quê de um verdadeiro "Comediante", não é mesmo?

Por que os esquerdiotas são tão burros?

segunda-feira, dezembro 13, 2010

LULA É DE ESQUERDA


Ai, que tédio...

Poucos debates me fazem bocejar tanto quanto o que move alguns setores da esquerda brasileira (sempre ela...): “afinal, o governo Lula é ou não é de esquerda?” E tome blablablá...

O debate é totalmente ocioso, em primeiro lugar, porque essa questão interessa principalmente – na verdade, unicamente – a eles, os esquerdistas. São eles, os de ultra-esquerda, que “acusam” Lula et caterva de não serem de esquerda, ou seja, de não serem tão esquerdistas quanto gostariam que eles fossem (como se a única opção política legítima fosse ser de esquerda...). Morro de rir quando vejo os bestalhões do PSOL ou os porraloucas do PSTU ou do PCO berrando que o PT não é de esquerda, pois é um partido “reformista” e “social-democrata”, logo não-revolucionário etc. O fato de ser esse pessoal os defensores dessa tese oca por si só é suficiente para me afastar dessa discussão. Eles que são vermelhos que se entendam.

Mesmo assim, como não consigo resistir a uma boa polêmica, e como faço questão de botar os pingos nos “is”, vou dizer algumas palavras sobre o assunto.

Antes, porém, uma digressão.

Certo dia vi o Arnaldo Jabor falando na televisão sobre o governo Lula. Ele estava, como de hábito, baixando o pau no governo do Apedeuta, criticando sua corrupção, suas alianças espúrias, seu cinismo desbragado, sua safadeza, sua sem-vergonhice explícita etc. Até aí, nada extraordinário, nada que não seja sabido até dos moleques de rua. Mas então o cineasta saiu-se com algo assim: “Lula não é de esquerda coisa nenhuma; esquerda de verdade é o Serra, é o PSDB”...

Depois, lendo a Folha de S. Paulo, eis que me deparo com um artigo da lulo-petista Eliane Cantanhêde sobre recentes declarações de Dilma Rousseff sobre o apedrejamento de mulheres no Irã. Dilma havia afirmado que, “como mulher”, desaprova a lapidação como um método brutal de execução (talvez se fosse homem, portanto, não veria nada de mais em matar alguém a pedradas...). Mas o que chamou a atenção da colunista da Folha é que Dilma, aparentemente, estaria se distanciando da posição de seu mentor Lula, que em várias ocasiões cantou e andou para o que o regime de seu amigo Ahmadinejad faz com o povo iraniano. Para ela, Dilma Rousseff estaria dando sinais de que “seu” governo levaria em conta, pelo menos no Irã, a questão dos direitos humanos. E arrematou: com isso, ela, Dilma, estaria fazendo uma escolha clara por uma política externa mais “de esquerda”...

São duas as conclusões possíveis decorrentes dos dois exemplos acima:

- O governo Lula não é de esquerda, porque é corrupto e demagógico (Jabor); e

- A causa dos direitos humanos é de esquerda (Cantanhêde).
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(Ou seja: 1) corrupção e demagogia são características "de direita" e 2) A "direita" é inimiga dos direitos humanos.)

Não mais do que dois neurônios são necessários para que se perceba que as duas teses acima são completamente mentirosas, eu diria mesmo ofensivas à inteligência e à História. Se tem uma coisa que esta última mostra à exaustão é que corrupção e demagogia, assim como o desprezo aos direitos humanos, andam lado a lado de regimes e ideologias esquerdistas. Se têm alguma dúvida, dêem uma olhada em certa ilha do Caribe ou na história da Europa Oriental nos últimos oitenta anos e tentem refutar que isso seja verdade. Está lançado o desafio.

À parte alguns fatos óbvios que a esquerda brasileira insiste em negar – que o PSDB do estatista e ex-presidente da UNE José Serra e do marxiano teórico da dependência FHC também é de esquerda –, as afirmações de Jabor e de Cantanhêde – dois “formadores de opinião” – apontam para um fato lastimável e incompreensível, que já demonstrei em vários textos meus anteriores: ser de “esquerda”, no Brasil, é ser o lado bom, inteligente e sexy da humanidade. Por dedução, ser de direita, ou declarar-se como tal, equivale a passar recibo de criminoso ou de mau-caráter. É como se Stálin e Mao Tsé-Tung, que eram de esquerda, não tivessem existido. Ou como se Winston Churchill, que era de direita, também não. Daí a política no Brasil ter-se reduzido a uma assembléia de esquerdistas, e as eleições, a um campeonato de esquerdismo – no qual, logicamente, sai vencedor o mais esquerdista. Enfim, uma ditadura mental, sem lugar para a pluralidade.

Feita essa digressão, voltemos à questão principal do texto: Lula é de esquerda?

Tenho uma péssima notícia para os esquerdiotas: Lula é um deles. É de esquerda. E isso não é assim porque eu quero que seja. É assim porque os fatos estão aí para mostrar. Ou então tentem refutar o que se segue, se puderem.

Lula é de esquerda, em primeiro lugar, porque é ele mesmo quem o diz. Assim como dez em cada dez políticos brasileiros, é bom dizer. Isso, se não serve em si de prova – não devemos julgar fulano pelo que ele diz de si mesmo, é verdade – forma um conjunto probatório irrefutavel à luz de outros elementos. Vou tentar ser mais claro.

Um bobalhão desses daí resolveu escrever o seguinte na área de comentários de meu blog (ele estava se referindo a alguns fatos óbvios citados por mim em outro texto):

“A política econômica do Lula é neoliberal. Lula promovedor de uma revolução maoísta?!? Você bebeu o que, companheiro? Lula não faz revolução nem aqui no Brasil, nem na China.”

Ai, ai... Pelo menos uma vez eu gostaria de ser acusado pelo que digo, não pelo que não digo. E me lembro bem do que eu não disse. Não afirmei, para comeco de conversa, que Lula promove uma revolução maoísta – quem faz isso é o MST. Basta ler qualquer texto produzido pela turma de João Pedro Stédile para constatar isso (recomendo A Democracia Ameaçada, de Denis Lerrer Rosenfeld, para quem quiser saber o que realmente querem os emessetistas). O que faz o governo dos companheiros? Dá dinheiro para o MST continuar com suas invasões (que eles chamam “ocupações”). Isso é promover a revolução? Não sei. Sei apenas que é promover a baderna. Agora, o MST não é de esquerda? Talvez para o autor da frase acima não seja de esquerda o bastante. Para mim, assim como para todos os que tiveram as propriedades invadidas e depredadas por esses extremistas farofeiros, é.

Além do mais, pode-se ser esquerdista sem ser revolucionário. Basta ser esperto. Basta ser cara-de-pau. E isso Lula é até demais. Preciso dizer por quê?

O mesmo idiota dá a entender, em outro comentário, que as FARC “não são de esquerda”. Pergunto-me o que elas devem fazer para que ele as considere como tal. Matar mais e sequestrar mais gente em nome da revolução comunista? É que ele deve achar que o narcotráfico é “de direita”... Entendi.

Mas querem saber como o governo Lula (e, agora, o de sua criatura) é, digamos, "pouco esquerdista"? Vejam a política externa. Nos últimos sete anos, a política externa brasileira não fez mais do que cortejar ditaduras como as de Cuba e tiranetes como Hugo Chávez da Venezuela, tudo para afrontar eles, uzamericânu. Um antiamericanismo tosco, da Idade da Pedra, pontuado por alianças saídas diretamente do Foro de São Paulo, criado por Lula e Fidel Castro para “restabelecer na América Latina o que se perdeu no Leste Europeu”... Digam-me que tirano antiamericano, que regime antiocidental, não foi paparicado pelo Itamaraty durante o governo Lula! Por que será que o Apedeuta se empenhou tanto nisso? Deve ter sido por excesso de direitismo, claro...

“Ah mas e a política econômica 'neoliberal'?”, perguntam os idiotas da objetividade. Esse é o principal “argumento” dos que pensam que Lula da Silva é um modelo de responsabilidade fiscal e de compromisso com o mercado. Tenho a dizer o seguinte (além de lamentar que, de liberal – ou “neoliberal”, como gostam de dizer os esquerdóides – a politica econômica de FHC, e muito menos a de Lula, tenha muito pouco, infelizmente):

Nada mais “neoliberal” do que a ditadura comunista da China. E nem por isso o regime de Pequim deixa de ser o que é: uma ditadura comunista. Alguma dúvida quanto a isso?

Além do mais, olha aí a História de novo que não me deixa mentir: em 1921, somente quatro anos após tomarem o poder na Rússia (no que foi, é bom dizer, um golpe de Estado), Lênin e os bolcheviques implementaram a Nova Política Econômica (NEP), que restabeleceu a propriedade privada e chamou de volta os capitalistas. Os comunistas russos decidiram agir desse modo assim que viram que não havia outro jeito de fazer a economia funcionar. Assim como os comunistas chineses ou vietnamitas de hoje, eles perceberam que não importa a cor do gato, desde que ele pegue o rato – ou seja: desde que a politica econômica adotada, seja qual for, conserve o poder político.

Na verdade, é perfeitamente possível conciliar um sistema econômico na prática capitalista com uma ditadura comunista brutal. É por não entenderem essa verdade evidente, e por não serem capazes de enxergar um milimetro além de seus lucros imediatos, que muitos empresários acham a China de hoje o máximo e acreditam, ou querem acreditar, que a própria economia irá levar o país a virar um dia uma democracia. Não caio nessa, até porque já estive lá.

Outra coisa fundamental: toda essa lengalenga de que Lula não seria de esquerda não tem nada de novo. Pelo contrário: historicamente, se há uma característica dos esquerdistas, é que eles sempre se acusaram mutuamente de não serem de esquerda o suficiente.

Anarquistas já “acusavam” Marx de “direitista” na época da I Internacional, fundada em 1864. Posteriormente, na II Internacional (1889-1914), marxistas de esquerda e de direita se digladiaram para saber quem era mais radical e mais anticapitalista. Trotsky tornou-se inimigo de Stalin não pelos crimes deste, mas porque, dizia, ele não era, segundo pensava, um marxista de verdade. Os trotskistas de hoje papagueiam esse discurso, afirmando que a URSS “não era socialista” e divergindo entre si, acusando-se – adivinhem – de não serem demasiado esquerdistas... E por aí vai, ad aeternum.
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Em todos esses momentos, há pelo menos uns cento e trinta anos, o padrão é o mesmo: trata-se de um discurso para salvar a esquerda, pura e simplesmente. A mensagem é: “É diferente do que eu acho que deveria ser? Então não é socialismo”; “Não me agrada? Então não é de esquerda.” E assim, o ciclo continua, até que apareca alguém mais radical acusando os radicais de hoje de serem excessivamente moderados etc. etc. Que alguns milhões de pessoas pereçam nessa luta por algo que não se sabe exatamente o que seria, é algo que não tem importância.

Para ficar mais claro: se Lula resolvesse dissolver o Congresso e nacionalizar todas as empresas capitalistas, proclamando, sei, lá, a República Petista do Brasil, ainda assim haveria um grupo de extrema-esquerda dizendo que isso não é esquerdista ou revolucionário o suficiente.

Nada disso, claro, faz diferença para os devotos do culto esquerdista. Para eles, tudo se resume no seguinte esquema: a direita é reacionária; o centro é pragmático e a esquerda (ou seja, eles mesmos) é revolucionária. Minha experiência num grupo trotskista quando eu era adolescente me tornaram imune a esses argumentos simplistas e simplórios.

Tem gente que acha que o governo Lula não é de esquerda o suficiente. Devem achar que dar dinheiro ao MST, ter relacões com as FARC, querer censurar a imprensa, alinhar-se a Hugo Chavez e a Evo Morales, participar do Foro de São Paulo e apoiar tudo quanto é ditador antiamericano no planeta é excesso de direitismo. Como já disse antes, isso tudo é de esquerda o bastante para mim.

É chato ter de explicar aos esquerdiotas e esquerdopatas quem eles mesmos são. Mas é preciso fazê-lo. A burrice desse pessoal não tem limites.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Lula, o Wikileaks e a Liberdade de Expressão: Uma Grande Palhaçada


Eu não sei se Julian Assange, o australiano dono do site Wikileaks, que está no olho do furacão de um imbroglio internacional pelo vazamento de milhares de informações secretas do Departamento de Estado norte-americano, é um santo, um espertalhão, um mártir ou um idiota. Sei apenas que Luiz Inácio Lula da Silva precisa beber menos antes de falar.

Isso ficou claro ontem, pela enésima vez, quando o Babalorixá de Banânia resolveu dar seu pitaco sobre o caso do Wikileaks (que ele deve pronunciar "Whiskeyleaks"...). Vejam o que ele disse, diante de uma platéia amestrada de áulicos. Está publicado num troço chamado "Blog do Planalto" (há um vídeo também, para tornar a coisa ainda mais constrangedora):

O presidente Lula prestou solidariedade nesta quinta-feira (9/12) ao fundador do Wikileaks, Julian Assange, preso esta semana após seu grupo ter divulgado mensagens produzidas pela diplomacia americana, e criticou a imprensa brasileira por não defender o ativista australiano e a liberdade de expressão. ”O rapaz foi preso e eu não estou vendo nenhum protesto contra a [o cerceamento à] liberdade de expressão. É engraçado, não tem nada”, afirmou o presidente, que fez questão de registar o seu:

Ô, Stuckinha (Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial da Presidência), pode colocar no Blog do Planalto o primeiro protesto, então, contra a [o cerceamento à] liberdade de expressão na internet, para a gente poder protestar, porque o rapaz estava apenas colocando aquilo que ele leu. E se ele leu porque alguém escreveu, o culpado não é quem divulgou, o culpado é quem escreveu. Portanto, em vez de culpar quem divulgou, culpe quem escreveu a bobagem, porque senão não teria o escândalo que tem. Então, Wikileaks, minha solidariedade pela divulgação das coisas e meu protesto contra a [o cerceamento à] liberdade de expressão.

Lula, que participava do evento em que foi apresentado um balanço de quatro anos do PAC, realizado no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), disse ainda desconhecer se seus embaixadores também enviam esse tipo de mensagem, como os diplomatas americanos, e alertou a presidente eleita Dilma Rousseff para que avise seu ministro (das Relações Exteriores) que “se não tiver o que escrever, não escreva bobagem, passe em branco a mensagem”.

Muito bem. O que há de errado com as palavras do Guia Genial? Tudo. A começar pelo fato de que elas são – mais uma vez – uma agressão à verdade e uma ofensa à inteligência.

Em primeiro lugar, Assange não está preso "por ter divulgado mensagens produzidas pela diplomacia americana". Isso é simplesmente mentira. Ele está preso, isso sim, porque – faço questão de colocar em maiúsculas, para que fique claro - pesa contra ele uma acusação de ESTUPRO, a pedido da Justiça da Suécia. Nada a ver, portanto, com vazamentos de informações sigilosas de um governo (o que é, também, crime, como falo mais adiante).

Em segundo lugar, Lula, defendendo a liberdade de expressão?
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É o mesmo Lula cujo Ministro da Supressão da Verdade, Franklin Martins, planeja obsessivamente TUTELAR e CENSURAR a imprensa, através do que ele chama de "controle social da midia", engendrando aberrações totalitárias como o Confecon, o PNDH-3 etc.?
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É o mesmo Lula que baba por regimes em que não existe nem traço de imprensa livre, como Cuba, e que aplaudiu com entusiasmo o fechamento da maior emissora de TV da Venezuela, por se opor aos desmandos de seu amigo do peito Hugo Chávez?
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É o mesmo Lula que já chegou a dizer, com a cara mais lavada do mundo, que o papel da imprensa não é fiscalizar, mas "informar" (ou seja: dar a versão do governo)?
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É o mesmo Lula que, ainda na semana passada, chamou de "preconceituoso" e mandou "se tratar" um jornalista que ousou perguntar-lhe no Maranhão se iria agradecer à oligarquia Sarney pelo apoio à sua pupila nas eleições (esquecendo, assim, o quão "preconceituoso" era ele mesmo, Lula, quando falava cobras e lagartos do mesmo Sarney não faz assim tanto tempo...)? Só pode ser porre mesmo.

Assange está preso por estupro. Mas, se fosse preso por vazar informações secretas de um governo, ainda mais informações que podem colocar em risco a segurança de um país e a de seus cidadãos, não seria nenhuma surpresa. Em qualquer lugar do mundo, isso é crime. Feito da maneira como Assange fazia (num site por ele criado e inclusive com intenções de chantagem, como no caso do sistema bancário), é mais grave ainda. E isso não tem nada a ver com censura ou algo do gênero, mas com ética jornalística. Imaginem o que aconteceria se algum diplomata ou funcionário do Itamaraty resolvesse divulgar por aí o conteúdo de telegramas secretos e confidenciais... Há leis que condenam quem fizer isso (agora mesmo, na minha mesa, tenho um "Termo de Compromisso de Manutenção do Sigilo" referente a todas as informações a que eu tiver acesso). Então, se a culpa é de quem escreveu, não de quem vazou, como diz Lula, seria correto dizer que a culpa pelo roubo de um carro é do dono, não do ladrão? Ora, tenham santa paciência!

Sem falar que, se o Itamaraty seguir à risca a sugestão do Babalorixá, não se escreverá mais nenhuma linha sobre o Irã, Cuba, Venezuela ou Honduras. Todas as comunicações a respeito, por comprometedoras, deixariam de ser escritas, ou teriam de ser apagadas. Como queima de arquivo, para encobrir a cumplicidade do governo Lula com o crime.

Ao fazer mais essa declaração etílica, o Apedeuta está, além do mais, ofendendo dois governos estrangeiros – o dos EUA (surpresa) e o da Suécia, em cuja Justiça ele está dizendo não acreditar. Essa é postura de um presidente da República?

O mais engraçado é que os vazamentos do Wikileaks deixam o Brasil mal na fita – em uma das comunicações referentes ao País, os diplomatas americanos afirmam que Lula "cacareja" supostas conquistas na área ambiental... Não poderiam estar mais certos sobre o caráter megalomaníaco do Apedeuta.

Lula é a favor da liberdade de expressão. Menos no Brasil. E só se for para prejudicar eles, uzamericânu. Se fosse piada, não seria tão engraçado.

terça-feira, dezembro 07, 2010

A Redenção do Nobel


Já escrevi aqui e reafirmo: nunca dei muita bola para prêmios. Acho premiações, medalhas, condecorações, homenagens e coisas do tipo uma besteira sem tamanho. Podem ficar com tudo isso: é algo que não me interessa.

Não se trata de esnobismo de minha parte. Nem, como na fábula da raposa e das uvas, de despeito por não alcançar o que se almeja - ou seja: ser reconhecido (para mim, a qualidade de uma obra, assim como de um governo, não tem nada a ver com reconhecimento ou popularidade). Trata-se da simples constatação de um fato: esses prêmios, se conferem fama e dinheiro a quem os recebe, dificilmente, ou quase nunca, são pautados pelo mérito. Predominam, em vez disso, outros critérios, que variam do amiguismo puro e simples ao mercadológico e ao ideológico. Nada que tenha a ver, por mais mínimo que seja, com o reconhecimento dos “melhores”. Lima Barreto e Graciliano Ramos, por exemplo, jamais botaram os pés na Academia Brasileira de Letras, ao contrário dos “imortais” Ivo Pitanguy e Paulo Coelho... Digam-me que valor literário têm os livros de Chico Buarque de Holanda, ganhador de sei-lá-quantos prêmios literários, o último dos quais virou até motivo de piada, tamanha a avidez de alguns editores em prestigiar o compositor de A Banda e de livros soníferos como Leite Derramado. Além do mais, esse pendor para o elogio e a reverência, essa tendência a bancar o Rolando Lero, é uma das coisas mais chatas e ridículas que existem, o exato oposto do que se espera de um intelectual.

Prêmios, principalmente os literários, são uma panelinha, uma farsa. E o Nobel não é exceção. No ano passado, o ganhador do Nobel da Paz foi um tal de Barack Obama, escolhido 12 – doze – dias depois de ser eleito (!). Deve ter sido a primeira vez que tal prêmio foi dado a alguém não pelo que fez, mas pelo que se acreditava então que poderia um dia vir a fazer, em favor da paz mundial... Em 2007, quem levou o Prêmio foi outro marqueteiro de marca maior, o ex-vice de Bill Clinton, Al Gore, por causa, entre outras coisas, de uma peça de propaganda mentirosa, no estilo dos “documentários” de Michael Moore, sobre uma lenda urbana chamada “aquecimento global” (que agora começa a ser desmascarada). Os vencedores na categoria Literatura também são geralmente escolhidos segundo o mesmo padrão, que pouco ou nada tem a ver com Literatura. Basta ver os nomes de alguns ganhadores nos últimos anos: Doris Lessing, Harold Pinter, José Saramago... (Por sua vez, o maior escritor latino-americano do século XX, o argentino Jorge Luís Borges, jamais foi contemplado com o Nobel - algo devido, sem dúvida, a suas posições políticas fortemente anticomunistas.)

Mesmo assim, e mantendo meu desprezo por esse tipo de bobagem, sou forçado a admitir: neste ano o Comitê responsável pela escolha dos agraciados com o Nobel resolveu se redimir. Pelo menos no que diz respeito aos dois prêmios de maior visibilidade – o da Paz e o de Literatura –, os bambambãs da Academia Sueca que concedem o galardão decidiram corrigir-se dos deslizes do passado. Renderam-se à Razão, não à Ideologia ou ao marketing.

Desta vez, o Nobel da Paz não foi para nenhum político ungido o novo Messias pela imprensa hipnotizada por vagas promessas de “mudança” que não querem dizer abolutamente nada, como Obama. Tampouco foi – para frustração da legião de devotos lulo-petistas –, para um certo demagogo pançudo latino-americano com mania de grandeza e nenhum senso de ridículo. Foi, pela primeira vez em anos, para alguém que realmente tem algo a dizer – e, principalmente, a mostrar – sobre o assunto: o dissidente chinês Liu Xiaobo, que não poderá receber o prêmio a que tem direito porque é prisioneiro da ditadura comunista da China. (Trata-se de uma dupla derrota para o Reformador do Mundo: não somente ele não foi o escolhido, como o prêmio foi dado a alguém que simboliza algo que ele despreza, como demonstra sua política externa pró-ditaduras: os direitos humanos.)

Do mesmo modo, o prêmio de Literatura de 2010 não foi entregue a nenhum militante de esquerda travestido de literato, como se tornou comum em anos recentes, mas a quem de fato tem uma obra literária sólida – além, claro, de uma trajetória política que destoa do bom-mocismo politicamente correto que caracteriza a intelligentsia de lá e de cá: o escritor peruano Mario Vargas Llosa.

Se tem alguém que merecia receber o Nobel, a meu ver há pelo menos uns vinte anos, é Vargas Llosa. Não somente por sua obra – livros como Conversa na Catedral ou A Guerra do Fim do Mundo têm um lugar especial em minha estante –, mas também, e sobretudo, por aquilo que a Academia privilegia, mais até do que o talento literário: suas idéias políticas. Vargas Llosa é a antítese de um Gabriel García Márquez, o colombiano vencedor do Nobel em 1982 que maculou sua biografia com o apoio incondicional e irrestrito à tirania dos irmãos Castro em Cuba. Antes amigos, Vargas Llosa e García Márquez não se falam desde os anos 70, quando o primeiro, ao contrário do segundo, fez a única coisa que uma pessoa decente pode fazer diante da castradura cubana: rompeu com ela, passando a denunciar, em seus escritos, a falta de liberdade na ilha-prisão do Caribe.

Desde então, Vargas Llosa, além do talento como escritor, tem-se destacado como um incansável defensor da democracia e das ideias liberais, um inimigo ferrenho do populismo, tendo inclusive disputado a Presidência do Peru em 1990 (para azar dos peruanos e para sorte da Literatura, ele foi derrotado pelo demagogo e corrupto Alberto Fujimori). Há alguns meses, quando fazia uma palestra na Venezuela, ele foi hostilizado e agredido pelos esbirros de Hugo Chávez, que o expulsou do país (para mim, somente esse fato já lhe valeria um prêmio). Enfim, um caso raro entre os ganhadores do Nobel: um autor de talento e, ao mesmo tempo, um defensor de causas justas.

Até que enfim, o Nobel resolveu premiar quem merece. Os perfeitos idiotas latino-americanos devem estar se contorcendo de raiva.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

NARCOTRÁFICO: O QUE É PRECISO DIZER


O Rio de Janeiro está em guerra. De novo. O que tenho a dizer sobre o assunto? Tenho pouco a acrescentar ao que escrevi aqui: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2009/10/conexao-narcoesquerdista.html. Vou me concentrar, apenas, em duas idéias que sempre aparecem em momentos como este.

A primeira delas, bastante popular em certos círculos, é que o problema da criminalidade, e do narcotráfico em particular, "não se combate militarmente". É a velha noção (ou falta de) de que o problema é muito complexo para ser enfrentado com metralhadoras e fuzis, pois o buraco é mais embaixo etc.

A segunda idéia é tributária da primeira: como o problema não se resolve militarmente, seria preciso achar os "verdadeiros bandidos". Estes seriam sempre gente graúda, de terno e gravata, capitalistas, possivelmente banqueiros, que lucrariam com o tráfico nas favelas e periferias. Gente, enfim, sem nome e sem rosto, que estaria representada numa entidade igualmente misteriosa e inefável geralmente chamada de "o sistema".

Não é preciso ser muito inteligente para perceber que se está diante de mais uma tremenda empulhação, um verdadeiro crime de estelionato intelectual. As duas idéias acima são coisa de delinquentes, de gente que não se contenta com os milhares de mortos pelo crime organizado todos os anos no Brasil, mas faz questão de assassinar, também, a lógica e a verdade. Trata-se de uma construção ideológica, e, como toda construção ideológica, não passa de uma forma muito conveniente de esconder a verdade, substitundo-a por um sociologismo vigarista, pelo esquerdismo mais bocó e vagabundo. Vamos ao fatos.

Em primeiro lugar, é preciso lembrar o óbvio: lugar de bandido é na cadeia, e o dever da Polícia é botá-los atrás das grades. Por que afirmo isso, correndo o risco de parecer acaciano? Porque é impressionante a resistência de nossos "intelequituais" em aceitarem essa verdade tão simples, tão elementar. É algo explicado por certo ranço ideológico, que vem do ressentimento pelos anos do regime militar, que acabou há quase trinta anos mas que para muita gente ainda continua (inclusive como fonte de renda). É coisa de quem cheirou toda a cocaína mental marxista na universidade e ainda não voltou de uma "bad trip". Simplesmente não conseguem, ou não querem, entender que o crime deve ser combatido, sim, pelas forças da ordem, que são a democracia fardada. (E antes que alguem diga que essa é uma idéia "fascista", passe em qualquer favela ou comunidade pobre da periferia e pergunte a qualquer cidadão de bem o que ele acha do assunto.)

O problema do narcotráfico é complexo? Claro que é. Isso significa que não se pode – ou pior: não se deve – combatê-lo pelas armas, militarmente? A resposta é um NÃO bem rotundo. O fato de o crime ser uma questão complexa, e ter várias causas – inclusive, vá lá, "sociais" – quer dizer que a Polícia deve renunciar a seu dever constiucional de prender bandido e proteger a sociedade? Deve fazer o que, então? Chamar uma ONG pacifista para organizar uma reunião com os chefes do Comando Vermelho e dos Amigos dos Amigos? Distribuir flores e panfletos informativos sobre os males do consumo e tráfico de drogas a esses respeitáveis senhores? Se o crime não se combate com cana e camburão (ou seja, militarmente), então para que serve a Polícia?

Além disso, a explicação de que é tudo culpa do "sistema" é uma daquelas invenções típicas de marxistas de galinheiro para justificar a continuidade, e não a solução, do problema. O que é "o sistema"? Ninguém sabe ao certo, mas tenho um palpite: seria aquilo que a esquerda abomina – o próprio capitalismo. Seria ele, o pérfido e cruel sistema capitalista, e não a bandidagem, o responsável pela existência do narcotráfico... (Aliás, os próprios bandidos, nessa visão desmiolada, seriam tambem "vítimas da sociedade" etc. etc.)

A explicação fácil de que a "solucão não é militar" e de que a culpa é do "sistema", além de diluir a responsabilidade, atribuindo-a, em vez de a seres de carne e osso, a uma abstração de ideólogos, serve apenas para retirá-la dos ombros dos que sempre sustentaram, com palavras e gestos, o que ocorre há décadas no RJ. Não duvido que, no momento em que escrevo estas palavras, alguns "pacifistas" e "intelectuais" de araque estejam destilando sua indignacão quanto à violência do BOPE e filosofando sobre o papel do "sistema" no narcotráfico internacional, enquanto curtem um baseado no conforto de suas coberturas na Barra...

Nenhuma das "explicações" dadas pelos "intelequituais" do complexo PUCUSP toca, nem de leve, em dois fatos fundamentais: 1) não haveria narcotráfico sem consumo de drogas; e 2) o usuário, portanto, é cúmplice e responsável pela violência. Nenhum deles toca sequer na questão básica da responsabilidade individual. Tampouco fazem qualquer menção, por menor que seja, aos fatos que aponto no link acima (refutem-nos, se puderem).

Sob o peso dos fatos, alguns até ensaiam uma certa autocrítica pela idealização da bandidagem, uma característica do sociologismo de botequim que vem, pelo menos, desde Lampião. Mas não se desapegam totalmente do mito esquerdóide, achando um novo culpado pelo que ocorre nos morros e favelas cariocas: não é o Marcinho VP da Vila Cruzeiro ou do Complexo do Alemão, tampouco é o usuário: são os banqueiros e capitalistas internacionais, o capitalismo, enfim "o sistema"... Ah, tá.

Quando você ouvir algum "intelequitual" de esquerda repetir, pela enésima vez, a conversa mole de que crime "não se combate militarmente" e que a culpa é do "sistema", pode ter certeza: você estará diante de um farsante e de um mistificador. Um cúmplice da criminalidade. Se mentir fosse crime, esse pessoal já estaria no xilindró até o ano 2139.

segunda-feira, novembro 29, 2010

ABAIXO O "SISTEMA"


Ainda não assisti à Tropa de Elite 2 - o inimigo agora é outro. Pelo que andei lendo por aí, a sequência é meio decepcionante. Parece que o capitão (agora, coronel) Nascimento, que no primeiro filme lavava a alma de milhões de brasileiros decentes ao jogar na cara de um maconheiro que ele sustentava, com seu vício, o tráfico de drogas nas favelas (uma verdade que demorou décadas para ser dita na tela dos cinemas brasileiros, e que por si já vale o filme), resolveu filiar-se ao PSOL e fazer ciências sociais na USP ou na UnB. Pediu para sair. Uma pena.

Como ainda não vi o filme, não posso dar meu juízo definitivo sobre a nova obra do diretor José Padilha. Mas, a ser verdade o que dizem as resenhas, ele se curvou às patrulhas politicamente corretas, fazendo um filme para ficar bem na fita e se desculpar pelos "excessos" do primeiro (como se não fossem esses mesmos "excessos" a razão para o estrondoso sucesso de público que o primeiro Tropa de Elite teve). Em Tropa de Elite (o 1, nao o 2), pela primeira vez bandidos eram mostrados como o que realmente são - bandidos (e não como "rebeldes sociais" ou "vítimas da sociedade", como até hoje prefere repetir no piloto automático muita gente da esquerda - sempre ela) -, ONGs picaretas eram mostradas sem retoques e os usuários de maconha e cocaína eram apresentados como cúmplices do crime (parece que foi esse último detalhe o que mais enfureceu os "intelequituais" esquerdistas do Leblon e de Ipanema, que, provavelmente vestindo a carapuça, logo lançaram sobre a película a pecha de "fascista"). O segundo, pelo visto, não tem nada disso. A começar pelo inimigo, que agora seriam as milícias e políticos corruptos. Até aí, tudo bem. Bandido é bandido, seja traficante ou miliciano, e ponto final. O problema é a mensagem que o filme parece querer transmitir: não importa quão honesto e implacável seja o policial, é inutil ir contra o "sistema".

Ô palavrinha destestável essa, "sistema"... Sempre tive uma antipatia profunda por ela, e pela maneira como é usada. Na boca de intelectuais esquerdistas e artistas deslumbrados, ela tem servido para justificar e até mesmo enobrecer a delinquência (contem quantas vezes os cantores de rap a repetem naquela glossolalia insuportável deles...). Fulano roubou, estuprou, traficou ou matou? A culpa não é dele, coitado, que é apenas uma vítima das circunstâncias, mas do "sistema"... É ele, o maldito "sistema", e não o próprio sujeito, o responsável por todos os males na sociedade, inclusive os males que ele, indivíduo, escolheu de livre e espontânea vontade cometer. Como naquela música do Legião Urbana: "O sistema é mau, mas minha turma é legal" etc. Abaixo o "sistema" etc. e tal.

Não é preciso ter mais de dois neurônios para perceber o caráter obviamente vigarista desse discurso. Ele atribui a culpa de tudo de ruim a um ente abstrato – eu diria mesmo sobrenatural –, que domina de forma absoluta e determinante a vida de todos, e contra o qual não vale a pena lutar. É um discurso que seria apenas vigarista, se não se prestasse também a legitimizar e a glorificar a delinquência.
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Acontece que o "sistema", meus caros, simplesmente não existe. O que existe é a soma de vontades individuais. São os indivíduos, não uma abstracão qualquer, que fazem e sustentam o "sistema". Se o "sistema" é corrupto e podre, é porque as pessoas que o fazem, em primeiro lugar, são corruptas e podres, e precisam ser substituídas por outras, mais honestas. O resto – dizer que é tudo culpa do "sistema", e dar a coisa por isso mesmo – não passa de invenção de subintelectual marxistóide em busca de uma justificativa conveniente para o crime.

Estava pensando nesse assunto quando, por coincidência, vi um dia desses um documentário muito interessante, acho que no Discovery Channel, sobre a vida social dos animais. O filme mostrava várias espécies de mamíferos, como chimpanzés e elefantes, para expor a tese de que os animais superiores têm, sim, um senso de moralidade. Chimpanzés, por exemplo, costumam prantear seus mortos e conseguem, inclusive, identificar a si mesmos no espelho. Ou seja, pode-se dizer que possuem uma idéia da morte, o que denota algum tipo de sentido moral, e uma certa noção de "eu", de individualidade, distinta do simples pertencimento ao resto do bando. Também possuem uma ética rudimentar, baseada no castigo físico para certas condutas, o que demonstra também a existência do que poderia ser definido como livre-arbítrio – o começo da ética.

O documentário passa a focar então, por contraste, na vida dos insetos, como formigas e cupins. Aqui a realidade muda completamente. Insetos, ao contrário de chimpanzés e elefantes, não têm nada que se aproxime do que poderia ser definido como livre-arbítrio ou senso moral. Tudo na colônia ou na colméia é pré-determinado por uma única vontade soberana e ditatorial, a da rainha, que domina de maneira absoluta a vida das operárias e zangões. Estes não existem fora do grupo, não têm existência própria – tudo é geneticamente programado para que a rainha continue a pôr ovos e para que todos a obedeçam. Não há nenhum indício de liberdade, não há escolhas morais. Há apenas um senso automático de dever para com o coletivo, encarnado na rainha. É, enfim, um "sistema" perfeito.

Muitos que torceram o nariz para o primeiro Tropa de Elite consideram ideal um sistema como o dos insetos. Sua noção de sociedade perfeita é aquela do “novo homem” socialista, existente em lugares como Cuba ou a Coreia do Norte. Sob o pretexto de construir um "novo homem", o que ideologias totalitárias como o comunismo e o fascismo querem é aniquilar a própria nocão de humanidade, e nos transformar em formigas ou cupins.

Se Tropa de Elite 2 resolveu trocar a crítica ácida do primeiro filme, que apontava para a cumplicidade de ONGs e dos filhinhos de papai maconheiros com o narcotráfico, pelo velho e fácil trololó esquerdóide sobre o "sistema", então seus realizadores deram uma tremenda bola fora. Espero sinceramente que não tenha sido esse o caso. Até porque estou muito satisfeito com minha condição de ser humano. Não tenho a menor intenção de virar uma formiga ou um cupim.

CHAMEM O TRAFICANTE!


Olha ele aí de novo, o "Comandante". Ele aproveitou o espaço de comentários de meu texto "O DIA EM QUE LULA FOI APRESENTADO A UM FANTASMA" para destilar algumas idéias sobre a atual batalha no RJ entre a Polícia e a bandidagem:
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O que você pensa da atuação da polícia no Rio de Janeiro contra os traficantes? Suponho que você deva concordar totalmente, já que a premissa é a mesma que você alega no caso israelense: Atacar onde for preciso, mesmo que haja inocentes!
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Respondo: o que penso de a Polícia correr atrás de bandido e botá-los na cadeia? Sou a favor, claro. O companheiro não é?
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Aliás, parece que foi isso - prender bandidos - o que a polícia de Sérgio Cabral menos fez nos últimos anos, tendo optado pela operação de marketing chamada UPPs - Unidades de Polícia Pacificadora (como se toda polícia, por definição, não fosse pacificadora). Para mim, polícia não tem que só "pacificar", não: tem que prender!
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Mas entendi: o Comediante aí acima acha que a Polícia não deveria estar subindo morro para caçar a bandidagem, pois estaria agindo como os israelenses em Gaza etc. etc.
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Já escrevi bastante sobre o que penso da luta de Israel contra o terrorismo islamita, e não quero me repetir. Digo apenas que o fato de haver pessoas inocentes nas áreas controladas pelo Hamas (assim como pelo Comando Vermelho ou pelo ADA) torna ainda mais necessário atuar de maneira firme contra esses criminosos. A presença de gente inocente é geralmente usada como tática pelos terroristas (chama-se "escudos humanos"). Assim eles transformam a população civil em seus reféns, enquanto Israel tem que arcar com um duplo ônus: combater os terroristas e tentar evitar, ao máximo possível, baixas entre os civis (quando elas ocorrem, são comemoradas pelos terroristas como um trunfo na guerra de propaganda). Perguntem-me: de que lado estou? De Israel, claro. Assim como estou do lado da Polícia contra os traficantes.
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Por falar em comparações, imaginem se a polícia do RJ agisse em relação ao tráfico de drogas do mesmo modo que as Forças de Defesa de Israel fazem em relação aos terroristas islamitas: certamente, não haveria mais nem vestígio de bandidagem nos morros cariocas... Que pena que não é assim.
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Trocando em miúdos: tem gente que pensa que, porque há pessoas inocentes vivendo nas áreas dominadas pelo terror ou pelo narcotráfico, as forças da ordem (e da democracia) nao deveriam ir lá. Outras pessoas, assim como eu, pensam um pouco diferente: o fato de civis viverem nessas áreas é mais um motivo para livrá-las desses tiranetes.
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Como disse, entre os bandidos e a Polícia, ou entre o Hamas e Israel, fico com a Polícia e com Israel contra os bandidos e o Hamas. E o Comediante que fez o comentário ai em cima, será que pode dizer o mesmo?

EU E O CONSELHEIRO ACÁCIO


Recebi um comentário muito engraçado de alguém que se assina como “Paulo”, mas que tenho motivos para desconfiar que se trata da encarnação de um famoso personagem da literatura portuguesa. Eis o que ele escreveu (sobre meu texto “O DIA EM QUE LULA FOI APRESENTADO A UM FANTASMA”, mas poderia ser sobre qualquer outro texto meu):

Caro,

Todo governo (assim como seu governante) tem coisas boas e outras ruins. O que eu acho inacreditável nesse blog é que dentre tantas coisas boas que o governo Lula nos proporcionou você só consiga falar das ruins. Se você oculta as coisas boas acaba por também faltar com a verdade.

Outra coisa, o Lula não é de esquerda há muito tempo. Ele está mais que vinculado com as políticas neoliberais de direita.

GUSTAVO RESPONDE:

Caro Conselheiro Acácio,

Em primeiro lugar, é uma alegria poder trocar idéias com Vossa Senhoria. Faz tempo que não nos falamos. Desde, pelo menos, a última vez que li O Primo Basílio, de Eça de Queiroz.

Então todo governo tem coisas boas e coisas ruins etc? Jura? Por que será que nunca pensei nisso antes?
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Vamos ver: o regime nazista acabou com o desemprego na Alemanha, e o regime fascista fez os trens chegarem na hora na Itália. Mas será que é por isso que esses regimes são lembrados?
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Mas indo direto a seu comentário, que traz o peso de toda sua sapiência, tenho apenas duas coisas a dizer:

1 – Há um monte de blogues por aí que existem apenas para enaltecer o governo do maior governante das terras brasileiras desde Tomé de Souza. Muitos deles até ganham uma graninha dos cofres oficiais para isso. Acredito que lá V. Sa. se sentirá mais à vontade.

2 – Tentei, juro que tentei, achar alguma coisa boa no governo do reformador do mundo. Acabei achando uma coisa só: a política econômica. Mas aí me dei conta – minha memória não é das piores, modéstia à parte – de que as tais conquistas que ele alardeia terem sido obra dele foram, na verdade, garfadas do governo anterior. Fiquei ainda mais alarmado quando lembrei que, na época em que essas conquistas estavam sendo alcançadas, ele, o Guia Genial, estava do outro lado da cerca, berrando contra. Cheguei então à seguinte conclusão: o que há de bom no governo dele não é novo, e o que há de novo não é bom.

E o pior é que nem dá para dizer "é ruim, mas pelo menos acaba". Aí está a Dilma para provar que não é bem assim.
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Outra coisa: gostaria de saber por que os que dizem que Noço Guia não é, ou não é mais, de esquerda são todos – sem exceção – de esquerda... Pelo visto pensam que um governo que dá dinheiro para o MST promover sua revolução maoísta e que tenta calar a imprensa à moda bolivariana, inclusive com o PNDH-3, ou que tem uma política externa totalmente alinhada com ditaduras antiamericanas, sem falar nos contatos com as FARC e o FORO DE SÃO PAULO, é um modelo de "neoliberalismo de direita"... Vai ver não consideram um governo desse naipe esquerdista o suficiente. Para mim, é esquerdista o bastante.

Mas só digo isso, claro, porque eu sou um reacionário, não é mesmo? Ou, como escreveu outro dia um da turma, um “proto-fascista”...

Até mais, Conselheiro. Lembranças minhas ao Eça, à Luísa, ao Jorge, ao Basílio e à Juliana.

AH ENTÃO QUEREM PROVAS? ENTÃO LÁ VAI...


Aí um leitor, que se assina como "Comandante" (hummm...), vem e escreve sobre meu texto "A Máscara Começa a Cair ":

Uma coisa não prova a outra, meu caro. Precisa mais do que isso para provar as supostas relações que você tanto alega.

Do que o Comediante aí acima está falando? Explico: da carta que os - escrevo em maiúsculas porque ainda tem gente que duvida - NARCOTERRORISTAS das FARC escreveram saudando a vitória eleitoral da "Camarada Estela" (também conhecida como Dilma Vana Rousseff) para ocupar a cadeira de presidente da República.

Ele, o Coma Andante, acha que a carta, que se derrama em elogios a Dilma, não prova nada - talvez, "só" que eles têm uma quedinha pelo penteado dela, pelo visto... Concordo. A carta, de fato, não prova, "apenas" reforça, o que até as folhas das árvores da floresta colombiana já sabem há tempos: que o PT de Dilma e Lula tem relações com os narcobandoleiros. As provas de que PT e FARC são unha e carne podem ser encontradas aqui, ó: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2008/07/as-farc-e-os-lulistas-os-lulistas-e-as.html

Aí eu fico me perguntando: o que será que diriam nossos patrulheiros de esquerda, eleitores ou não da criatura de Lula, se aparecesse uma carta assinada, sei lá, pela Ku Klux Klan declarando seu apoio a José Serra nas eleições? Tenho um palpite: certamente, diriam algo diferente de "uma coisa não prova a outra"...
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Entendeu, meu caro?

quinta-feira, novembro 25, 2010

O DIA EM QUE LULA FOI APRESENTADO A UM FANTASMA


"Vou trabalhar para fortalecer a esquerda no Brasil", respondeu Lula a um jornalista que perguntara sobre o que faria depois de deixar o que um dia foi a Presidência da República e que, sob os oito anos do mandarinato lulo-petista, virou uma filial da CUT e do PT. Lula pretende criar um instituto, nos mesmos moldes do de seu alter-ego FHC, no qual irá assinar artigos e trabalhar, como ele diz, para fortalecer a hegemonia esquerdista no Brasil.

Na mesma entrevista, o exterminador da gramática e maior coronel da Historia do Brasil, que recentemente emplacou um poste para governar nominalmente enquanto ele se refestela por trás (no bom sentido... aliás, no mau sentido mesmo), lembrou que Leonel Brizola, o inesquecível maluquete ex-governador do RJ - basta olhar para o narcotráfico nas favelas do Rio para lembrar do caudilho dos pampas - ressentia-se porque ele, Lula, jamais tinha ido visitar o túmulo de Getúlio Vargas em São Borja (RS).

Getúlio, como quem conhece um pouco de História sabe, era o ídolo-pai-deus de Brizola, que se considerava seu seguidor e sucessor político. Um belo dia Lula acabou aceitando o convite de seu compadre, falecido em 2004, para visitar o túmulo do pai dos pobres. Chegando ao cemitério, ele ficou surpreendido ao ver Brizola conversando por vários minutos com a lápide. Em seguida, Brizola disse:

- Oi Getúlio, este é o Lula, um operário que nós vamos apoiar. Lula, este é o Getúlio.

Não se sabe exatamente o tipo de reação que Lula teve ao ver Brizola conversando com um defunto (deve ter dito: “Oi, prazer”). Posso dizer apenas que reação eu teria: ligaria imediatamente para um hospício e chamaria uma ambulância para internar o sujeito. Não sem antes tomar o cuidado de me afastar desse louco perigoso, aplicando-lhe um forte calmante e metendo-lhe numa camisa de força.

O esquerdismo brasileiro, que Lula se propõe a fortalecer, não é mais do que isso: um culto nostálgico, marcado pela debilidade psicológica e pela necrofilia. Algo que só existe devido à paranóia e à mistificação, como diria Monteiro Lobato (aliás, a última vítima da censura da patrulha politicamente correta, que enxergou "racismo" na obra do criador do Sítio do Pica-Pau Amarelo...). Uma questão, enfim, de (in)sanidade mental.

O curioso é que ainda há quem pense que Lula não é de esquerda, e que seu governo, que contou com o MST e com tentativas totalitárias como o PNDH-3, sem falar nas relações com as FARC e com o Foro de São Paulo, não foi esquerdista o suficiente... Desnecessário dizer que quem pensa assim, claro, geralmente é gente de esquerda.

Lula quer fortalecer a esquerda brasileira. Eu quero que ela se dane. Ou que, pelo menos, seja chamada à responsabilidade. A esquerda, Lula, o PT, o MST, Fidel Castro, Hugo Chávez, Marilena Chauí e os fantasmas de Brizola e de Getúlio.

De agora em diante, sempre que ouvir alguem repetindo o velho trololó esquerdista, vou me lembrar das palavras de Brizola:

- Oi Getúlio, este é o Lula. Lula, este é o Getúlio.

quarta-feira, novembro 24, 2010

EIS A MINHA CANDIDATA PARA CHEFIAR O ITAMARATY NO GOVERNO DILMA ROUSSEFF

Os devotos da religião politicamente correta não cansam de louvar a eleição da "primeira mulher" para a Presidência da República etc. e tal. Acho que, mais importante do que isso, seria termos uma mulher comandando o Ministério das Relações Exteriores. Já tenho até minha candidata. É esta aqui:


Sem mais, meritíssimo.

Não entendeu? Clique aqui: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-bestialogico-de-celso-amorim-e-nelson-jobim-os-dois-que-rimam-sem-solucao/

AGENDA DO DIA


Eu em um dia normal me divertindo, segundo pensam pessoas muito sofisticadas e maravilhosas
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Como agora eu sou um "proto-fascista", um maldito reacionário e direitista inimigo do povo, vou fazer algumas pequenas alterações em minha rotina diária. Eis minha nova programação das quartas-feiras:
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9:00h - Café da manhã com a Sarah Palin e o pessoal do Tea Party. Cardápio: carne vermelha (transgênica) e coca-cola. Preparar umas piadas bem racistas sobre o Obama.
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11:00h - Ginástica matinal. Prática de boxe com meu sparring, o Severino (aquele baiano que encontrei na rua). Não esquecer de amarrar bem os braços dele.
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13:00h - Almoço com a família Bush. Enaltecer a jogada do 11 de setembro (parabéns à CIA!) e a derrubada dos regimes democráticos do Taliban e de Saddam.
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15:00h - 16:00h - Tempo livre. Aproveitar lendo o "Mein Kampf" e espancando casais gays que aparecerem na rua. Mandar flores à viúva do Pinochet.
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16:30h - Pilotar meu Hummer à alta velocidade. Fazer isso respirando bem forte para emitir bastante carbono (minha contribuição ao aquecimento global).
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17:30h - Prática de tiro ao alvo com a galera da NRA. (OBS.: Lembrar de renovar os alvos; os últimos, como aquele casal de feministas lésbicas, tinha a mania de tentar fugir.)
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18:30h - Entrar no Twitter. Postar umas mensagens ofensivas contra negros, nordestinos e gays para relaxar.
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19:00h - Jantar com o Serra e o FHC. Não esquecer de agradecer ao cara da TFP pelo cilício que ele meu deu de presente e de beijar a mão do prior do Opus Dei. Lembrar que o video da Dilma falando sobre a legalização do aborto foi muito bem falsificado, mas o pessoal precisa se esforçar mais da próxima vez na “desconstrução da mulher”.
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21:30h - Rápida passada na Embaixada dos EUA para receber meu salario do chefe local da CIA.
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10:00h - Telefonar para o pessoal do PIG. (IMPORTANTE: Reclamar com a direção da VEJA e da Folha que o mensalão, o PNDH-3, as relaçoes do PT com as FARC e o Foro de São Paulo não colaram. O pessoal precisa caprichar mais na conspiração das elites e da mídia, pô!)
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12:00h - Rezar dez aves-marias e quinze padres-nossos antes de dormir. Repetir tudo no dia seguinte.

segunda-feira, novembro 22, 2010

EU, O "PROTO-FASCISTA"


Estava demorando. Cedo ou tarde, quem se atreve a desafiar os dogmas esquerdistas e politicamente corretos, ou simplesmente pensar com os próprios neurônios e não balir como o resto da manada, será brindado com o adjetivo infamante. Basta encostar um da fauna na parede, usar um pouco de lógica e, pronto! A palavra odiosa, previsível como o nascer do sol, será urrada em sua cara: “Fascista!”

A minha vez de conhecer a Lei de Godwin - aquela que diz que, quanto mais longo um debate, maior a probabilidade de alguém lhe chamar de nazista ou fascista - aconteceu há alguns dias. Foi num site de um conhecido meu, o Pablo Capistrano, velho conhecido deste blog. Pablo não é nenhum militante comunista (pelo menos não que eu saiba), não é membro do PSTU ou do PCO (bom, acredito que não, mas sei lá...). Se fosse algum desses quadrúpedes a me xingar, eu nem ligaria, daria algumas risadas e pronto. Ofensas e xingamentos dessa turma apenas me divertem.
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O problema é que quem assim me rotulou foi um intelectual, reconhecido por alguns como tal, um professor de filosofia, que se apresenta como uma pessoa equilibrada, relativista, pós-moderna, portanto “neutra” e “imparcial” em suas observações sobre política etc. Enfim, alguém que até já brigou comigo porque eu o chamei, certa vez, de chester por não querer sair de cima do muro filosófico e se assumir de vez como esquerdista.

Pablo votou em Dilma. Mais que isso: fez, em seu site e à sua maneira, campanha para a criatura de Lula. Chegou a escrever um texto tachando de “fundamentalismo de direita” a denúncia do flip-flop da Camarada Estela na questão do aborto, e denunciando uma suposta conspiração das forças das trevas, que estariam interessadas na “desconstrução da mulher”... Sempre com argumentos, como eu poderia dizer?, muito filosóficos e sofisticados, politicamente corretos, até poéticos. Um bom-moço, poder-se-ia dizer.

Pois foi esse mesmo cara “neutro” e “equilibrado”, filosoficamente sofisticado, que primeiro se recusou a responder a duas perguntas que eu fiz, que podem ser assim resumidas: 1) por que, se a política macroeconômica de FHC foi uma porcaria, os lulo-petistas se esforçaram tanto por mantê-la? e 2) eu detesto todas as ditaduras, será que meu interlocutor poderia dizer o mesmo?

Foi também esse modelo de correção política e de honestidade intelectual que, além de não responder a nenhuma de minhas indagações, fez questão de adicionar a seu silêncio a injúria e a calúnia, ao dizer: “acho que você não é contra todo tipo de ditadura não, você já mostrou ser condescendente com a ditadura de Pinochet aqui mesmo nesse [sic] espaço.”

Ao ler a frase acima, um calafrio percorreu minha espinha, fui acometido por um súbito temor: teria eu, em um momento de insanidade temporária, escrito alguma palavra a favor de Pinochet? Tratei então de procurar avidamente onde, quando, eu teria dito tal absurdo. Já estava pronto a rezar trezentas aves-marias ajoelhado no milho me flagelando e assistir cem vezes ao último discurso de Dilma Rousseff em punição por tamanho pecado, mas não encontrei nada (já declarações mais do que condescendentes, coniventes, de Pablo em relação à tirania dos irmãos Castro em Cuba, encontrei aos montes).

Pois bem. Desafio qualquer um, a começar pelo autor da frase, a dizer em que texto, em que parágrafo, em que linha, em que frase eu digo uma palavra sequer que possa ser interpretada como “condescendente” com a ditadura de Pinochet. Estou pensando até em criar um prêmio para quem conseguir essa façanha.

A coisa não parou por aí, não. Depois de ter insinuado que eu apoiaria (sempre no condicional) regimes que matam e torturam, golpes etc., Pablo resolveu mostrar-se um especialista em liberalismo, duvidando de minhas credenciais liberais. Ele saiu-se com essa:

“Eu particularmente acho seu discurso proto-fascista.”

Nem vou perder meu tempo analisando o absurdo da afirmação acima, feita por um esquerdista. Basta lembrar, para quem tem um minimo de curiosidade histórica, o pacto Hitler-Stálin de não agressão de 1939 ou ler o capitulo “As Raízes Socialistas do Nazismo”, do clássico O Caminho da Servidão, de F. Hayek, para constatar que comunismo e fascismo não são exatamente antípodas irreconciliáveis. Vou me concentrar apenas no que eu disse.
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Por que será que Pablo me chamou assim? Porque, entre outras coisas, afirmei o seguinte:
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- O governo Lula (e agora, Dilma) é de esquerda (Pablo acha que não é de esquerda o bastante);

- FHC, Serra e o PSDB também são de esquerda (como eles mesmos fazem questão de dizer, mas ele também acha que não);

- O Foro de São Paulo existe (Pablo acredita que é uma fantasia paranóico-conspiracionista – “da direita”, claro...);

- A China é uma ditadura comunista (Pablo acha que não é – estou esperando ele me dizer o que seria, então);

- Democracia é pluralidade de idéias, não uniformidade ideológica (Pablo gostaria que fosse um concurso de esquerdismo – como são há anos as eleições no Brasil, aliás);

- Os ideais de liberdade e de democracia são universais (Pablo pensa que são um instrumento do “imperialismo ocidental”...).

Pois é, meus amigos... Viram como eu sou um mau elemento, nocivo e perigoso para a sociedade? Por dizer isso que está aí em cima, eu sou um – vejam só – “proto-fascista”...

Depois disso, é desnecessário dizer qualquer coisa. Mesmo assim, vou exigir provas de acusações tão severas. Mesmo sabendo que esperarei em vão por tais provas, assim como esperei em vão por respostas a minhas perguntas.

Em outras palavras, como eu sou um "proto-fascista" por ter dito o que vai acima, fica decretado, portanto, o seguinte:

1 - Qualquer um que discordar da esquerda, que disser um pio que seja contra Lula e Dilma, é um fascista, nazista, chauvinista, racista, machista, anti-pobre, anti-nordestino, agente da CIA, membro da TFP, do Opus Dei e da Ku Kux Klan.

2 – Qualquer um que denunciar os desmandos da quadrilha cleptolulista, ou a política externa pró-ditaduras do governo Lula, ou o aparelhamento das instituições, ou os objetivos totalitários contidos no PNDH-3, é um criminoso do pensamento e deverá ser imediatamente detido e enviado, algemado, a um campo de reeducação ideológica na Amazônia. Afinal, trata-se de um elemento perigoso, um verdadeito representante das classes dominantes e inimigo do povo...

Como eu disse aqui outro dia, o Brasil está ficando um país cada vez menos tolerante. E cada vez mais burro.

quinta-feira, novembro 18, 2010

UMA IMAGEM DO FUTURO?


Nota do Blog: Nao que o presente seja muito diferente. Vide os ultimos oito anos...

AINDA SOBRE OS CANALHAS CAIPIRAS


De vez em quando aparece uma mensagem de alguém que amigavelmente discorda de algo que eu disse. E que apenas me dá mais motivos para pensar como eu penso. É esse o caso do leitor anônimo que escreveu o seguinte sobre meu texto "O ÚLTIMO REFÚGIO DO CANALHA JECA":

Gustavo, você tão inteligente com um texto como este? Lula culpou os americanos pela crise, é mentira ? De quem foi a culpa ? onde se originou ?

A minha conterrânea paulista foi clara ao dizer " mate um nordestino", com toda a sua predileção pela direita vamos ponderar os fatos.

Eu sou paulistano e vejo o tempo todo piadinhas e ofensas a nordestinos, se você nunca ouviu sendo nordestino sinceramente você não vive no Brasil, já ouvi várias críticas a Marina Silva pelo fato de ela usar " batom de beterraba", " colar de aborígenes " entre outras coisas, há sim um preconceito contra o nordestino e isso deve sim ser iníbido, e parte do eleitorado do PSDB e DEM são em sua maioria preconceituosos e racistas sim, é fato.

Antes de mais nada: obrigado pelo inteligente. Da minha parte, me contento em ser lúcido (hehe...). Mas OK, vamos ponderar os fatos.

Primeiro, o Apedeuta não culpou "os americanos" (ou, em lulês: uzamericânu) pela crise. Culpou os "brancos de olhos azuis" (uzbrancudiôioazú). Se isso não e racismo, expliquem-me por favor o que é.

Segundo, deixei claro o que acho das declarações idiotas da menina em questão (que, aliás, sumiu do noticiário tão rápido quanto apareceu... estranho, não?). Ela foi cretina e, vá lá, racista. Agora, o que isso tem a ver com "predileção pela direita"?

Não discuto que haja preconceito, e até mesmo racismo, contra nordestinos. É claro que há! Aliás, em meu texto não digo uma palavra negando que isso exista, muito pelo contrário. Mas a questão não é essa. É que tentaram – continuam tentando, pelo visto – usar o caso da “anti-nordestino que votou em Serra” como um cavalo de batalha para atingir os que votaram nele, mesmo depois das eleições (ou seja: não basta vencer a eleição: é preciso celebrar a derrota do outro, é preciso jogar lama no adversário, destruí-lo). Essa é uma conduta, no minimo, anti-democrática.

Em outras palavras: o que se quis, com o caso dessa menina idiota, não foi denunciar o preconceito anti-nordestino - que, sim, existe! -, mas colá-lo num candidato, que era o adversário de Dilma e do PT. Foi transmitir a mensagem: "eles são racistas; quem vota neles é racista". Ou: “votar em Serra é coisa de quem odeia nordestinos”. Francamente...

Houve, entre os milhões que votaram em Serra, gente que não gosta de nordestinos, e inclusive racistas? Certamente que sim. Do mesmo jeito que do lado da campanha de Dilma. Serra venceu em estados como Acre (de Marina Silva) e Roraima. Então os acreanos e roraimenses são racistas e anti-nordestinos?

Façamos assim, para sermos justos: digamos que todos os eleitores de Serra, ou mesmo aqueles que não votaram nele mas torceram o nariz para o frankenstein eleitoral de Lula, sejam reacionários quatrocentões preconceituosos e inimigos de nordestinos. Posso até aceitar isso, com uma condição: que Dilma Rousseff, em cujo blog os paulistas foram chamados de "bestas", e Lula, que volta e meia chama os negros de "crioulos", sejam enquadrados na mesma categoria de racistas. Será que a patrulha politicamente correta topa a comparação?

Fui claro?

sexta-feira, novembro 12, 2010

A MÁSCARA COMEÇA A CAIR


Pensei em escrever um texto sobre o que vem a seguir. Mas desisti. Não é necessário. O que segue abaixo diz tudo.

Só uma questão: lembram de Índio da Costa, o vice de José Serra que quase foi trucidado pelas hostes esquerdistas e politicamente corretas por ter dito que o PT tem relações com narcotraficantes? Lembram das matérias na imprensa chamando suas declarações de "tática do medo"? Pois é...

Fico aqui me perguntando: será que se os que escreveram a nota abaixo tivessem declarado seu apoio antes de 31 de outubro o resultado das eleições seria o mesmo? Provavelmente, sim. Mas certamente muitas pessoas não poderiam dizer que foram enganadas.

Divulgado hoje, 12/11/2010, pela agência de notícias colombiana ANNCOL:

As Farc saúdam a eleição de Dilma para a Presidência do Brasil

Compatriota Dilma Rousseff, presidente eleita do Brasil,

Daqui, das montanhas da Colômbia, nossa cordial saudação, bolivariana, com o anseio de Pátria Grande.

Permita-nos aderir à justificada alegria do grande povo de Luís Carlos Prestes pelo feito relevante de ter, pela primeira vez na história do Brasil, uma presidenta, uma mulher ligada desde sempre à luta por justiça.
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Presidenta Dilma, para você, nosso aplauso e reconhecimento.

Sua ascensão à Presidência da República Federativa, somada à sua pública convicção da necessidade de uma saída política para o conflito interno da Colômbia, centuplicou nossa esperança na possibilidade de alcançar a paz pela via do diálogo e da justiça social.

Estamos certos de que a nova Presidência do Brasil terá papel determinante na construção da paz regional e na fraternidade dos povos do continente.

Atenciosamente,
Secretariado do Estado Maior das Farc

Como foi mesmo que escrevi outro dia aqui? Lembrei: Tirem a máscara!

quarta-feira, novembro 10, 2010

ENEM o bastão foi passado, já tem trapalhada nova na praça...



Ah, esses lulo-petistas... eles não brincam mesmo em serviço. Mal saiu das urnas a continuadora da comédia dos ultimos oito anos, e eles já armaram mais um escândalo assombroso. Dessa vez, de incompetência.

E pensar que teve gente que declarou voto em Dilma porque, afinal, o Serra iria "destruir a educação no Brasil"... Pois é.

Do blog do Augusto Nunes, direto ao ponto:
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Ministro trucida ENEM e desmoraliza o palavrório eleitoreiro de Dilma Rousseff

Em 18 de agosto, durante o debate entre os candidatos à Presidência promovido pela Folha e pelo UOL, Dilma Rousseff irritou-se com as críticas de José Serra ao bisonho desempenho do Ministério da Educação na condução do Exame Nacional do Ensino Médio. E resumiu a indignação numa frase:

“Acho um absurdo um candidato à Presidência vir aqui dizer que o Enem está desmoralizado”.

Em 15 de outubro, Dia do Professor, Dilma voltou ao tema em Belo Horizonte. A irritação com Serra não amainara, informam três trechos do falatório:

“Serra não gosta do Enem porque é o caminho acertado por todas as universidades federais e é pré-condição para o ProUni. Houve um crime contra o Enem. Ele quer acabar com o Enem para que a gente não tenha o ProUni”.

“O partido do vice do candidato do PSDB chegou a entrar na justiça contra o Enem, o que poderia comprometer 700 mil estudantes no Brasil. Dizer que o Enem tem uso eleitoreiro é desconsiderar o papel que ele teve nestes anos todos”.

“Estão absolutamente incorretas as afirmações do candidato Serra contra o Enem, que tem sido o caminho pelo qual nós selecionamos as pessoas que vão fazer o ProUni”.

Em 17 de outubro, no debate na RedeTV!, a candidata do PT elogiou o ministro Fernando Haddad e fustigou novamente o inimigo:

“Quando se fala em vazamento é necessário que se perceba que o crime está sendo investigado. O Enem tem sido essencial como uma forma de controle da qualidade do ensino e é pré-condição para o ProUni. Atacar o Enem é uma forma indireta de atacar o ProUni”.

Em 3 de novembro, Dilma Rousseff revelou as duas prioridades do futuro governo: saúde e segurança pública. E a educação? “Está muito bem encaminhada”, resumiu a presidente eleita. Além de transformar o Enem num caso exemplar de sucesso, o ministro botara ordem na casa inteira. “Eu acho que o Haddad deve continuar”, decidiu Lula na mesma quarta-feira. E o administrador admirável foi dormir com o emprego garantido.

Começou a perdê-lo no dia seguinte, com a divulgação do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. No ranking da educação, o Brasil ocupa um modestíssimo 102° lugar. Ao longo da quinta-feira, Haddad tentou atribuir a performance lastimável à mudança dos critérios usados pelos organizadores do levantamento. E decerto acreditou que recuperaria os pontos perdidos no fim de semana, com as duas etapas do Enem.

Deu tudo errado. Troca de cabeçalho, erros de digitação, informações equivocadas, vazamentos, questões com números duplicados ─ houve um pouco de tudo na comédia de péssimo gosto que reduziu o Enem a outro caso de polícia. Mais de 3 milhões de inscritos ainda não sabem se as provas serão anuladas ou não. O que se sabe é que nem Lula conseguirá manter o ministro no cargo em 2011.

Dilma Rousseff não deu um pio sobre o assombroso espetáculo da incompetência. Ainda bem que a campanha eleitoral acabou em outubro. Se não tivesse terminado, estaria proibida de acusar José Serra de querer destruir o Enem. Fernando Haddad já conseguiu.