segunda-feira, dezembro 13, 2010

LULA É DE ESQUERDA


Ai, que tédio...

Poucos debates me fazem bocejar tanto quanto o que move alguns setores da esquerda brasileira (sempre ela...): “afinal, o governo Lula é ou não é de esquerda?” E tome blablablá...

O debate é totalmente ocioso, em primeiro lugar, porque essa questão interessa principalmente – na verdade, unicamente – a eles, os esquerdistas. São eles, os de ultra-esquerda, que “acusam” Lula et caterva de não serem de esquerda, ou seja, de não serem tão esquerdistas quanto gostariam que eles fossem (como se a única opção política legítima fosse ser de esquerda...). Morro de rir quando vejo os bestalhões do PSOL ou os porraloucas do PSTU ou do PCO berrando que o PT não é de esquerda, pois é um partido “reformista” e “social-democrata”, logo não-revolucionário etc. O fato de ser esse pessoal os defensores dessa tese oca por si só é suficiente para me afastar dessa discussão. Eles que são vermelhos que se entendam.

Mesmo assim, como não consigo resistir a uma boa polêmica, e como faço questão de botar os pingos nos “is”, vou dizer algumas palavras sobre o assunto.

Antes, porém, uma digressão.

Certo dia vi o Arnaldo Jabor falando na televisão sobre o governo Lula. Ele estava, como de hábito, baixando o pau no governo do Apedeuta, criticando sua corrupção, suas alianças espúrias, seu cinismo desbragado, sua safadeza, sua sem-vergonhice explícita etc. Até aí, nada extraordinário, nada que não seja sabido até dos moleques de rua. Mas então o cineasta saiu-se com algo assim: “Lula não é de esquerda coisa nenhuma; esquerda de verdade é o Serra, é o PSDB”...

Depois, lendo a Folha de S. Paulo, eis que me deparo com um artigo da lulo-petista Eliane Cantanhêde sobre recentes declarações de Dilma Rousseff sobre o apedrejamento de mulheres no Irã. Dilma havia afirmado que, “como mulher”, desaprova a lapidação como um método brutal de execução (talvez se fosse homem, portanto, não veria nada de mais em matar alguém a pedradas...). Mas o que chamou a atenção da colunista da Folha é que Dilma, aparentemente, estaria se distanciando da posição de seu mentor Lula, que em várias ocasiões cantou e andou para o que o regime de seu amigo Ahmadinejad faz com o povo iraniano. Para ela, Dilma Rousseff estaria dando sinais de que “seu” governo levaria em conta, pelo menos no Irã, a questão dos direitos humanos. E arrematou: com isso, ela, Dilma, estaria fazendo uma escolha clara por uma política externa mais “de esquerda”...

São duas as conclusões possíveis decorrentes dos dois exemplos acima:

- O governo Lula não é de esquerda, porque é corrupto e demagógico (Jabor); e

- A causa dos direitos humanos é de esquerda (Cantanhêde).
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(Ou seja: 1) corrupção e demagogia são características "de direita" e 2) A "direita" é inimiga dos direitos humanos.)

Não mais do que dois neurônios são necessários para que se perceba que as duas teses acima são completamente mentirosas, eu diria mesmo ofensivas à inteligência e à História. Se tem uma coisa que esta última mostra à exaustão é que corrupção e demagogia, assim como o desprezo aos direitos humanos, andam lado a lado de regimes e ideologias esquerdistas. Se têm alguma dúvida, dêem uma olhada em certa ilha do Caribe ou na história da Europa Oriental nos últimos oitenta anos e tentem refutar que isso seja verdade. Está lançado o desafio.

À parte alguns fatos óbvios que a esquerda brasileira insiste em negar – que o PSDB do estatista e ex-presidente da UNE José Serra e do marxiano teórico da dependência FHC também é de esquerda –, as afirmações de Jabor e de Cantanhêde – dois “formadores de opinião” – apontam para um fato lastimável e incompreensível, que já demonstrei em vários textos meus anteriores: ser de “esquerda”, no Brasil, é ser o lado bom, inteligente e sexy da humanidade. Por dedução, ser de direita, ou declarar-se como tal, equivale a passar recibo de criminoso ou de mau-caráter. É como se Stálin e Mao Tsé-Tung, que eram de esquerda, não tivessem existido. Ou como se Winston Churchill, que era de direita, também não. Daí a política no Brasil ter-se reduzido a uma assembléia de esquerdistas, e as eleições, a um campeonato de esquerdismo – no qual, logicamente, sai vencedor o mais esquerdista. Enfim, uma ditadura mental, sem lugar para a pluralidade.

Feita essa digressão, voltemos à questão principal do texto: Lula é de esquerda?

Tenho uma péssima notícia para os esquerdiotas: Lula é um deles. É de esquerda. E isso não é assim porque eu quero que seja. É assim porque os fatos estão aí para mostrar. Ou então tentem refutar o que se segue, se puderem.

Lula é de esquerda, em primeiro lugar, porque é ele mesmo quem o diz. Assim como dez em cada dez políticos brasileiros, é bom dizer. Isso, se não serve em si de prova – não devemos julgar fulano pelo que ele diz de si mesmo, é verdade – forma um conjunto probatório irrefutavel à luz de outros elementos. Vou tentar ser mais claro.

Um bobalhão desses daí resolveu escrever o seguinte na área de comentários de meu blog (ele estava se referindo a alguns fatos óbvios citados por mim em outro texto):

“A política econômica do Lula é neoliberal. Lula promovedor de uma revolução maoísta?!? Você bebeu o que, companheiro? Lula não faz revolução nem aqui no Brasil, nem na China.”

Ai, ai... Pelo menos uma vez eu gostaria de ser acusado pelo que digo, não pelo que não digo. E me lembro bem do que eu não disse. Não afirmei, para comeco de conversa, que Lula promove uma revolução maoísta – quem faz isso é o MST. Basta ler qualquer texto produzido pela turma de João Pedro Stédile para constatar isso (recomendo A Democracia Ameaçada, de Denis Lerrer Rosenfeld, para quem quiser saber o que realmente querem os emessetistas). O que faz o governo dos companheiros? Dá dinheiro para o MST continuar com suas invasões (que eles chamam “ocupações”). Isso é promover a revolução? Não sei. Sei apenas que é promover a baderna. Agora, o MST não é de esquerda? Talvez para o autor da frase acima não seja de esquerda o bastante. Para mim, assim como para todos os que tiveram as propriedades invadidas e depredadas por esses extremistas farofeiros, é.

Além do mais, pode-se ser esquerdista sem ser revolucionário. Basta ser esperto. Basta ser cara-de-pau. E isso Lula é até demais. Preciso dizer por quê?

O mesmo idiota dá a entender, em outro comentário, que as FARC “não são de esquerda”. Pergunto-me o que elas devem fazer para que ele as considere como tal. Matar mais e sequestrar mais gente em nome da revolução comunista? É que ele deve achar que o narcotráfico é “de direita”... Entendi.

Mas querem saber como o governo Lula (e, agora, o de sua criatura) é, digamos, "pouco esquerdista"? Vejam a política externa. Nos últimos sete anos, a política externa brasileira não fez mais do que cortejar ditaduras como as de Cuba e tiranetes como Hugo Chávez da Venezuela, tudo para afrontar eles, uzamericânu. Um antiamericanismo tosco, da Idade da Pedra, pontuado por alianças saídas diretamente do Foro de São Paulo, criado por Lula e Fidel Castro para “restabelecer na América Latina o que se perdeu no Leste Europeu”... Digam-me que tirano antiamericano, que regime antiocidental, não foi paparicado pelo Itamaraty durante o governo Lula! Por que será que o Apedeuta se empenhou tanto nisso? Deve ter sido por excesso de direitismo, claro...

“Ah mas e a política econômica 'neoliberal'?”, perguntam os idiotas da objetividade. Esse é o principal “argumento” dos que pensam que Lula da Silva é um modelo de responsabilidade fiscal e de compromisso com o mercado. Tenho a dizer o seguinte (além de lamentar que, de liberal – ou “neoliberal”, como gostam de dizer os esquerdóides – a politica econômica de FHC, e muito menos a de Lula, tenha muito pouco, infelizmente):

Nada mais “neoliberal” do que a ditadura comunista da China. E nem por isso o regime de Pequim deixa de ser o que é: uma ditadura comunista. Alguma dúvida quanto a isso?

Além do mais, olha aí a História de novo que não me deixa mentir: em 1921, somente quatro anos após tomarem o poder na Rússia (no que foi, é bom dizer, um golpe de Estado), Lênin e os bolcheviques implementaram a Nova Política Econômica (NEP), que restabeleceu a propriedade privada e chamou de volta os capitalistas. Os comunistas russos decidiram agir desse modo assim que viram que não havia outro jeito de fazer a economia funcionar. Assim como os comunistas chineses ou vietnamitas de hoje, eles perceberam que não importa a cor do gato, desde que ele pegue o rato – ou seja: desde que a politica econômica adotada, seja qual for, conserve o poder político.

Na verdade, é perfeitamente possível conciliar um sistema econômico na prática capitalista com uma ditadura comunista brutal. É por não entenderem essa verdade evidente, e por não serem capazes de enxergar um milimetro além de seus lucros imediatos, que muitos empresários acham a China de hoje o máximo e acreditam, ou querem acreditar, que a própria economia irá levar o país a virar um dia uma democracia. Não caio nessa, até porque já estive lá.

Outra coisa fundamental: toda essa lengalenga de que Lula não seria de esquerda não tem nada de novo. Pelo contrário: historicamente, se há uma característica dos esquerdistas, é que eles sempre se acusaram mutuamente de não serem de esquerda o suficiente.

Anarquistas já “acusavam” Marx de “direitista” na época da I Internacional, fundada em 1864. Posteriormente, na II Internacional (1889-1914), marxistas de esquerda e de direita se digladiaram para saber quem era mais radical e mais anticapitalista. Trotsky tornou-se inimigo de Stalin não pelos crimes deste, mas porque, dizia, ele não era, segundo pensava, um marxista de verdade. Os trotskistas de hoje papagueiam esse discurso, afirmando que a URSS “não era socialista” e divergindo entre si, acusando-se – adivinhem – de não serem demasiado esquerdistas... E por aí vai, ad aeternum.
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Em todos esses momentos, há pelo menos uns cento e trinta anos, o padrão é o mesmo: trata-se de um discurso para salvar a esquerda, pura e simplesmente. A mensagem é: “É diferente do que eu acho que deveria ser? Então não é socialismo”; “Não me agrada? Então não é de esquerda.” E assim, o ciclo continua, até que apareca alguém mais radical acusando os radicais de hoje de serem excessivamente moderados etc. etc. Que alguns milhões de pessoas pereçam nessa luta por algo que não se sabe exatamente o que seria, é algo que não tem importância.

Para ficar mais claro: se Lula resolvesse dissolver o Congresso e nacionalizar todas as empresas capitalistas, proclamando, sei, lá, a República Petista do Brasil, ainda assim haveria um grupo de extrema-esquerda dizendo que isso não é esquerdista ou revolucionário o suficiente.

Nada disso, claro, faz diferença para os devotos do culto esquerdista. Para eles, tudo se resume no seguinte esquema: a direita é reacionária; o centro é pragmático e a esquerda (ou seja, eles mesmos) é revolucionária. Minha experiência num grupo trotskista quando eu era adolescente me tornaram imune a esses argumentos simplistas e simplórios.

Tem gente que acha que o governo Lula não é de esquerda o suficiente. Devem achar que dar dinheiro ao MST, ter relacões com as FARC, querer censurar a imprensa, alinhar-se a Hugo Chavez e a Evo Morales, participar do Foro de São Paulo e apoiar tudo quanto é ditador antiamericano no planeta é excesso de direitismo. Como já disse antes, isso tudo é de esquerda o bastante para mim.

É chato ter de explicar aos esquerdiotas e esquerdopatas quem eles mesmos são. Mas é preciso fazê-lo. A burrice desse pessoal não tem limites.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Lula, o Wikileaks e a Liberdade de Expressão: Uma Grande Palhaçada


Eu não sei se Julian Assange, o australiano dono do site Wikileaks, que está no olho do furacão de um imbroglio internacional pelo vazamento de milhares de informações secretas do Departamento de Estado norte-americano, é um santo, um espertalhão, um mártir ou um idiota. Sei apenas que Luiz Inácio Lula da Silva precisa beber menos antes de falar.

Isso ficou claro ontem, pela enésima vez, quando o Babalorixá de Banânia resolveu dar seu pitaco sobre o caso do Wikileaks (que ele deve pronunciar "Whiskeyleaks"...). Vejam o que ele disse, diante de uma platéia amestrada de áulicos. Está publicado num troço chamado "Blog do Planalto" (há um vídeo também, para tornar a coisa ainda mais constrangedora):

O presidente Lula prestou solidariedade nesta quinta-feira (9/12) ao fundador do Wikileaks, Julian Assange, preso esta semana após seu grupo ter divulgado mensagens produzidas pela diplomacia americana, e criticou a imprensa brasileira por não defender o ativista australiano e a liberdade de expressão. ”O rapaz foi preso e eu não estou vendo nenhum protesto contra a [o cerceamento à] liberdade de expressão. É engraçado, não tem nada”, afirmou o presidente, que fez questão de registar o seu:

Ô, Stuckinha (Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial da Presidência), pode colocar no Blog do Planalto o primeiro protesto, então, contra a [o cerceamento à] liberdade de expressão na internet, para a gente poder protestar, porque o rapaz estava apenas colocando aquilo que ele leu. E se ele leu porque alguém escreveu, o culpado não é quem divulgou, o culpado é quem escreveu. Portanto, em vez de culpar quem divulgou, culpe quem escreveu a bobagem, porque senão não teria o escândalo que tem. Então, Wikileaks, minha solidariedade pela divulgação das coisas e meu protesto contra a [o cerceamento à] liberdade de expressão.

Lula, que participava do evento em que foi apresentado um balanço de quatro anos do PAC, realizado no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), disse ainda desconhecer se seus embaixadores também enviam esse tipo de mensagem, como os diplomatas americanos, e alertou a presidente eleita Dilma Rousseff para que avise seu ministro (das Relações Exteriores) que “se não tiver o que escrever, não escreva bobagem, passe em branco a mensagem”.

Muito bem. O que há de errado com as palavras do Guia Genial? Tudo. A começar pelo fato de que elas são – mais uma vez – uma agressão à verdade e uma ofensa à inteligência.

Em primeiro lugar, Assange não está preso "por ter divulgado mensagens produzidas pela diplomacia americana". Isso é simplesmente mentira. Ele está preso, isso sim, porque – faço questão de colocar em maiúsculas, para que fique claro - pesa contra ele uma acusação de ESTUPRO, a pedido da Justiça da Suécia. Nada a ver, portanto, com vazamentos de informações sigilosas de um governo (o que é, também, crime, como falo mais adiante).

Em segundo lugar, Lula, defendendo a liberdade de expressão?
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É o mesmo Lula cujo Ministro da Supressão da Verdade, Franklin Martins, planeja obsessivamente TUTELAR e CENSURAR a imprensa, através do que ele chama de "controle social da midia", engendrando aberrações totalitárias como o Confecon, o PNDH-3 etc.?
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É o mesmo Lula que baba por regimes em que não existe nem traço de imprensa livre, como Cuba, e que aplaudiu com entusiasmo o fechamento da maior emissora de TV da Venezuela, por se opor aos desmandos de seu amigo do peito Hugo Chávez?
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É o mesmo Lula que já chegou a dizer, com a cara mais lavada do mundo, que o papel da imprensa não é fiscalizar, mas "informar" (ou seja: dar a versão do governo)?
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É o mesmo Lula que, ainda na semana passada, chamou de "preconceituoso" e mandou "se tratar" um jornalista que ousou perguntar-lhe no Maranhão se iria agradecer à oligarquia Sarney pelo apoio à sua pupila nas eleições (esquecendo, assim, o quão "preconceituoso" era ele mesmo, Lula, quando falava cobras e lagartos do mesmo Sarney não faz assim tanto tempo...)? Só pode ser porre mesmo.

Assange está preso por estupro. Mas, se fosse preso por vazar informações secretas de um governo, ainda mais informações que podem colocar em risco a segurança de um país e a de seus cidadãos, não seria nenhuma surpresa. Em qualquer lugar do mundo, isso é crime. Feito da maneira como Assange fazia (num site por ele criado e inclusive com intenções de chantagem, como no caso do sistema bancário), é mais grave ainda. E isso não tem nada a ver com censura ou algo do gênero, mas com ética jornalística. Imaginem o que aconteceria se algum diplomata ou funcionário do Itamaraty resolvesse divulgar por aí o conteúdo de telegramas secretos e confidenciais... Há leis que condenam quem fizer isso (agora mesmo, na minha mesa, tenho um "Termo de Compromisso de Manutenção do Sigilo" referente a todas as informações a que eu tiver acesso). Então, se a culpa é de quem escreveu, não de quem vazou, como diz Lula, seria correto dizer que a culpa pelo roubo de um carro é do dono, não do ladrão? Ora, tenham santa paciência!

Sem falar que, se o Itamaraty seguir à risca a sugestão do Babalorixá, não se escreverá mais nenhuma linha sobre o Irã, Cuba, Venezuela ou Honduras. Todas as comunicações a respeito, por comprometedoras, deixariam de ser escritas, ou teriam de ser apagadas. Como queima de arquivo, para encobrir a cumplicidade do governo Lula com o crime.

Ao fazer mais essa declaração etílica, o Apedeuta está, além do mais, ofendendo dois governos estrangeiros – o dos EUA (surpresa) e o da Suécia, em cuja Justiça ele está dizendo não acreditar. Essa é postura de um presidente da República?

O mais engraçado é que os vazamentos do Wikileaks deixam o Brasil mal na fita – em uma das comunicações referentes ao País, os diplomatas americanos afirmam que Lula "cacareja" supostas conquistas na área ambiental... Não poderiam estar mais certos sobre o caráter megalomaníaco do Apedeuta.

Lula é a favor da liberdade de expressão. Menos no Brasil. E só se for para prejudicar eles, uzamericânu. Se fosse piada, não seria tão engraçado.

terça-feira, dezembro 07, 2010

A Redenção do Nobel


Já escrevi aqui e reafirmo: nunca dei muita bola para prêmios. Acho premiações, medalhas, condecorações, homenagens e coisas do tipo uma besteira sem tamanho. Podem ficar com tudo isso: é algo que não me interessa.

Não se trata de esnobismo de minha parte. Nem, como na fábula da raposa e das uvas, de despeito por não alcançar o que se almeja - ou seja: ser reconhecido (para mim, a qualidade de uma obra, assim como de um governo, não tem nada a ver com reconhecimento ou popularidade). Trata-se da simples constatação de um fato: esses prêmios, se conferem fama e dinheiro a quem os recebe, dificilmente, ou quase nunca, são pautados pelo mérito. Predominam, em vez disso, outros critérios, que variam do amiguismo puro e simples ao mercadológico e ao ideológico. Nada que tenha a ver, por mais mínimo que seja, com o reconhecimento dos “melhores”. Lima Barreto e Graciliano Ramos, por exemplo, jamais botaram os pés na Academia Brasileira de Letras, ao contrário dos “imortais” Ivo Pitanguy e Paulo Coelho... Digam-me que valor literário têm os livros de Chico Buarque de Holanda, ganhador de sei-lá-quantos prêmios literários, o último dos quais virou até motivo de piada, tamanha a avidez de alguns editores em prestigiar o compositor de A Banda e de livros soníferos como Leite Derramado. Além do mais, esse pendor para o elogio e a reverência, essa tendência a bancar o Rolando Lero, é uma das coisas mais chatas e ridículas que existem, o exato oposto do que se espera de um intelectual.

Prêmios, principalmente os literários, são uma panelinha, uma farsa. E o Nobel não é exceção. No ano passado, o ganhador do Nobel da Paz foi um tal de Barack Obama, escolhido 12 – doze – dias depois de ser eleito (!). Deve ter sido a primeira vez que tal prêmio foi dado a alguém não pelo que fez, mas pelo que se acreditava então que poderia um dia vir a fazer, em favor da paz mundial... Em 2007, quem levou o Prêmio foi outro marqueteiro de marca maior, o ex-vice de Bill Clinton, Al Gore, por causa, entre outras coisas, de uma peça de propaganda mentirosa, no estilo dos “documentários” de Michael Moore, sobre uma lenda urbana chamada “aquecimento global” (que agora começa a ser desmascarada). Os vencedores na categoria Literatura também são geralmente escolhidos segundo o mesmo padrão, que pouco ou nada tem a ver com Literatura. Basta ver os nomes de alguns ganhadores nos últimos anos: Doris Lessing, Harold Pinter, José Saramago... (Por sua vez, o maior escritor latino-americano do século XX, o argentino Jorge Luís Borges, jamais foi contemplado com o Nobel - algo devido, sem dúvida, a suas posições políticas fortemente anticomunistas.)

Mesmo assim, e mantendo meu desprezo por esse tipo de bobagem, sou forçado a admitir: neste ano o Comitê responsável pela escolha dos agraciados com o Nobel resolveu se redimir. Pelo menos no que diz respeito aos dois prêmios de maior visibilidade – o da Paz e o de Literatura –, os bambambãs da Academia Sueca que concedem o galardão decidiram corrigir-se dos deslizes do passado. Renderam-se à Razão, não à Ideologia ou ao marketing.

Desta vez, o Nobel da Paz não foi para nenhum político ungido o novo Messias pela imprensa hipnotizada por vagas promessas de “mudança” que não querem dizer abolutamente nada, como Obama. Tampouco foi – para frustração da legião de devotos lulo-petistas –, para um certo demagogo pançudo latino-americano com mania de grandeza e nenhum senso de ridículo. Foi, pela primeira vez em anos, para alguém que realmente tem algo a dizer – e, principalmente, a mostrar – sobre o assunto: o dissidente chinês Liu Xiaobo, que não poderá receber o prêmio a que tem direito porque é prisioneiro da ditadura comunista da China. (Trata-se de uma dupla derrota para o Reformador do Mundo: não somente ele não foi o escolhido, como o prêmio foi dado a alguém que simboliza algo que ele despreza, como demonstra sua política externa pró-ditaduras: os direitos humanos.)

Do mesmo modo, o prêmio de Literatura de 2010 não foi entregue a nenhum militante de esquerda travestido de literato, como se tornou comum em anos recentes, mas a quem de fato tem uma obra literária sólida – além, claro, de uma trajetória política que destoa do bom-mocismo politicamente correto que caracteriza a intelligentsia de lá e de cá: o escritor peruano Mario Vargas Llosa.

Se tem alguém que merecia receber o Nobel, a meu ver há pelo menos uns vinte anos, é Vargas Llosa. Não somente por sua obra – livros como Conversa na Catedral ou A Guerra do Fim do Mundo têm um lugar especial em minha estante –, mas também, e sobretudo, por aquilo que a Academia privilegia, mais até do que o talento literário: suas idéias políticas. Vargas Llosa é a antítese de um Gabriel García Márquez, o colombiano vencedor do Nobel em 1982 que maculou sua biografia com o apoio incondicional e irrestrito à tirania dos irmãos Castro em Cuba. Antes amigos, Vargas Llosa e García Márquez não se falam desde os anos 70, quando o primeiro, ao contrário do segundo, fez a única coisa que uma pessoa decente pode fazer diante da castradura cubana: rompeu com ela, passando a denunciar, em seus escritos, a falta de liberdade na ilha-prisão do Caribe.

Desde então, Vargas Llosa, além do talento como escritor, tem-se destacado como um incansável defensor da democracia e das ideias liberais, um inimigo ferrenho do populismo, tendo inclusive disputado a Presidência do Peru em 1990 (para azar dos peruanos e para sorte da Literatura, ele foi derrotado pelo demagogo e corrupto Alberto Fujimori). Há alguns meses, quando fazia uma palestra na Venezuela, ele foi hostilizado e agredido pelos esbirros de Hugo Chávez, que o expulsou do país (para mim, somente esse fato já lhe valeria um prêmio). Enfim, um caso raro entre os ganhadores do Nobel: um autor de talento e, ao mesmo tempo, um defensor de causas justas.

Até que enfim, o Nobel resolveu premiar quem merece. Os perfeitos idiotas latino-americanos devem estar se contorcendo de raiva.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

NARCOTRÁFICO: O QUE É PRECISO DIZER


O Rio de Janeiro está em guerra. De novo. O que tenho a dizer sobre o assunto? Tenho pouco a acrescentar ao que escrevi aqui: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2009/10/conexao-narcoesquerdista.html. Vou me concentrar, apenas, em duas idéias que sempre aparecem em momentos como este.

A primeira delas, bastante popular em certos círculos, é que o problema da criminalidade, e do narcotráfico em particular, "não se combate militarmente". É a velha noção (ou falta de) de que o problema é muito complexo para ser enfrentado com metralhadoras e fuzis, pois o buraco é mais embaixo etc.

A segunda idéia é tributária da primeira: como o problema não se resolve militarmente, seria preciso achar os "verdadeiros bandidos". Estes seriam sempre gente graúda, de terno e gravata, capitalistas, possivelmente banqueiros, que lucrariam com o tráfico nas favelas e periferias. Gente, enfim, sem nome e sem rosto, que estaria representada numa entidade igualmente misteriosa e inefável geralmente chamada de "o sistema".

Não é preciso ser muito inteligente para perceber que se está diante de mais uma tremenda empulhação, um verdadeiro crime de estelionato intelectual. As duas idéias acima são coisa de delinquentes, de gente que não se contenta com os milhares de mortos pelo crime organizado todos os anos no Brasil, mas faz questão de assassinar, também, a lógica e a verdade. Trata-se de uma construção ideológica, e, como toda construção ideológica, não passa de uma forma muito conveniente de esconder a verdade, substitundo-a por um sociologismo vigarista, pelo esquerdismo mais bocó e vagabundo. Vamos ao fatos.

Em primeiro lugar, é preciso lembrar o óbvio: lugar de bandido é na cadeia, e o dever da Polícia é botá-los atrás das grades. Por que afirmo isso, correndo o risco de parecer acaciano? Porque é impressionante a resistência de nossos "intelequituais" em aceitarem essa verdade tão simples, tão elementar. É algo explicado por certo ranço ideológico, que vem do ressentimento pelos anos do regime militar, que acabou há quase trinta anos mas que para muita gente ainda continua (inclusive como fonte de renda). É coisa de quem cheirou toda a cocaína mental marxista na universidade e ainda não voltou de uma "bad trip". Simplesmente não conseguem, ou não querem, entender que o crime deve ser combatido, sim, pelas forças da ordem, que são a democracia fardada. (E antes que alguem diga que essa é uma idéia "fascista", passe em qualquer favela ou comunidade pobre da periferia e pergunte a qualquer cidadão de bem o que ele acha do assunto.)

O problema do narcotráfico é complexo? Claro que é. Isso significa que não se pode – ou pior: não se deve – combatê-lo pelas armas, militarmente? A resposta é um NÃO bem rotundo. O fato de o crime ser uma questão complexa, e ter várias causas – inclusive, vá lá, "sociais" – quer dizer que a Polícia deve renunciar a seu dever constiucional de prender bandido e proteger a sociedade? Deve fazer o que, então? Chamar uma ONG pacifista para organizar uma reunião com os chefes do Comando Vermelho e dos Amigos dos Amigos? Distribuir flores e panfletos informativos sobre os males do consumo e tráfico de drogas a esses respeitáveis senhores? Se o crime não se combate com cana e camburão (ou seja, militarmente), então para que serve a Polícia?

Além disso, a explicação de que é tudo culpa do "sistema" é uma daquelas invenções típicas de marxistas de galinheiro para justificar a continuidade, e não a solução, do problema. O que é "o sistema"? Ninguém sabe ao certo, mas tenho um palpite: seria aquilo que a esquerda abomina – o próprio capitalismo. Seria ele, o pérfido e cruel sistema capitalista, e não a bandidagem, o responsável pela existência do narcotráfico... (Aliás, os próprios bandidos, nessa visão desmiolada, seriam tambem "vítimas da sociedade" etc. etc.)

A explicação fácil de que a "solucão não é militar" e de que a culpa é do "sistema", além de diluir a responsabilidade, atribuindo-a, em vez de a seres de carne e osso, a uma abstração de ideólogos, serve apenas para retirá-la dos ombros dos que sempre sustentaram, com palavras e gestos, o que ocorre há décadas no RJ. Não duvido que, no momento em que escrevo estas palavras, alguns "pacifistas" e "intelectuais" de araque estejam destilando sua indignacão quanto à violência do BOPE e filosofando sobre o papel do "sistema" no narcotráfico internacional, enquanto curtem um baseado no conforto de suas coberturas na Barra...

Nenhuma das "explicações" dadas pelos "intelequituais" do complexo PUCUSP toca, nem de leve, em dois fatos fundamentais: 1) não haveria narcotráfico sem consumo de drogas; e 2) o usuário, portanto, é cúmplice e responsável pela violência. Nenhum deles toca sequer na questão básica da responsabilidade individual. Tampouco fazem qualquer menção, por menor que seja, aos fatos que aponto no link acima (refutem-nos, se puderem).

Sob o peso dos fatos, alguns até ensaiam uma certa autocrítica pela idealização da bandidagem, uma característica do sociologismo de botequim que vem, pelo menos, desde Lampião. Mas não se desapegam totalmente do mito esquerdóide, achando um novo culpado pelo que ocorre nos morros e favelas cariocas: não é o Marcinho VP da Vila Cruzeiro ou do Complexo do Alemão, tampouco é o usuário: são os banqueiros e capitalistas internacionais, o capitalismo, enfim "o sistema"... Ah, tá.

Quando você ouvir algum "intelequitual" de esquerda repetir, pela enésima vez, a conversa mole de que crime "não se combate militarmente" e que a culpa é do "sistema", pode ter certeza: você estará diante de um farsante e de um mistificador. Um cúmplice da criminalidade. Se mentir fosse crime, esse pessoal já estaria no xilindró até o ano 2139.

segunda-feira, novembro 29, 2010

ABAIXO O "SISTEMA"


Ainda não assisti à Tropa de Elite 2 - o inimigo agora é outro. Pelo que andei lendo por aí, a sequência é meio decepcionante. Parece que o capitão (agora, coronel) Nascimento, que no primeiro filme lavava a alma de milhões de brasileiros decentes ao jogar na cara de um maconheiro que ele sustentava, com seu vício, o tráfico de drogas nas favelas (uma verdade que demorou décadas para ser dita na tela dos cinemas brasileiros, e que por si já vale o filme), resolveu filiar-se ao PSOL e fazer ciências sociais na USP ou na UnB. Pediu para sair. Uma pena.

Como ainda não vi o filme, não posso dar meu juízo definitivo sobre a nova obra do diretor José Padilha. Mas, a ser verdade o que dizem as resenhas, ele se curvou às patrulhas politicamente corretas, fazendo um filme para ficar bem na fita e se desculpar pelos "excessos" do primeiro (como se não fossem esses mesmos "excessos" a razão para o estrondoso sucesso de público que o primeiro Tropa de Elite teve). Em Tropa de Elite (o 1, nao o 2), pela primeira vez bandidos eram mostrados como o que realmente são - bandidos (e não como "rebeldes sociais" ou "vítimas da sociedade", como até hoje prefere repetir no piloto automático muita gente da esquerda - sempre ela) -, ONGs picaretas eram mostradas sem retoques e os usuários de maconha e cocaína eram apresentados como cúmplices do crime (parece que foi esse último detalhe o que mais enfureceu os "intelequituais" esquerdistas do Leblon e de Ipanema, que, provavelmente vestindo a carapuça, logo lançaram sobre a película a pecha de "fascista"). O segundo, pelo visto, não tem nada disso. A começar pelo inimigo, que agora seriam as milícias e políticos corruptos. Até aí, tudo bem. Bandido é bandido, seja traficante ou miliciano, e ponto final. O problema é a mensagem que o filme parece querer transmitir: não importa quão honesto e implacável seja o policial, é inutil ir contra o "sistema".

Ô palavrinha destestável essa, "sistema"... Sempre tive uma antipatia profunda por ela, e pela maneira como é usada. Na boca de intelectuais esquerdistas e artistas deslumbrados, ela tem servido para justificar e até mesmo enobrecer a delinquência (contem quantas vezes os cantores de rap a repetem naquela glossolalia insuportável deles...). Fulano roubou, estuprou, traficou ou matou? A culpa não é dele, coitado, que é apenas uma vítima das circunstâncias, mas do "sistema"... É ele, o maldito "sistema", e não o próprio sujeito, o responsável por todos os males na sociedade, inclusive os males que ele, indivíduo, escolheu de livre e espontânea vontade cometer. Como naquela música do Legião Urbana: "O sistema é mau, mas minha turma é legal" etc. Abaixo o "sistema" etc. e tal.

Não é preciso ter mais de dois neurônios para perceber o caráter obviamente vigarista desse discurso. Ele atribui a culpa de tudo de ruim a um ente abstrato – eu diria mesmo sobrenatural –, que domina de forma absoluta e determinante a vida de todos, e contra o qual não vale a pena lutar. É um discurso que seria apenas vigarista, se não se prestasse também a legitimizar e a glorificar a delinquência.
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Acontece que o "sistema", meus caros, simplesmente não existe. O que existe é a soma de vontades individuais. São os indivíduos, não uma abstracão qualquer, que fazem e sustentam o "sistema". Se o "sistema" é corrupto e podre, é porque as pessoas que o fazem, em primeiro lugar, são corruptas e podres, e precisam ser substituídas por outras, mais honestas. O resto – dizer que é tudo culpa do "sistema", e dar a coisa por isso mesmo – não passa de invenção de subintelectual marxistóide em busca de uma justificativa conveniente para o crime.

Estava pensando nesse assunto quando, por coincidência, vi um dia desses um documentário muito interessante, acho que no Discovery Channel, sobre a vida social dos animais. O filme mostrava várias espécies de mamíferos, como chimpanzés e elefantes, para expor a tese de que os animais superiores têm, sim, um senso de moralidade. Chimpanzés, por exemplo, costumam prantear seus mortos e conseguem, inclusive, identificar a si mesmos no espelho. Ou seja, pode-se dizer que possuem uma idéia da morte, o que denota algum tipo de sentido moral, e uma certa noção de "eu", de individualidade, distinta do simples pertencimento ao resto do bando. Também possuem uma ética rudimentar, baseada no castigo físico para certas condutas, o que demonstra também a existência do que poderia ser definido como livre-arbítrio – o começo da ética.

O documentário passa a focar então, por contraste, na vida dos insetos, como formigas e cupins. Aqui a realidade muda completamente. Insetos, ao contrário de chimpanzés e elefantes, não têm nada que se aproxime do que poderia ser definido como livre-arbítrio ou senso moral. Tudo na colônia ou na colméia é pré-determinado por uma única vontade soberana e ditatorial, a da rainha, que domina de maneira absoluta a vida das operárias e zangões. Estes não existem fora do grupo, não têm existência própria – tudo é geneticamente programado para que a rainha continue a pôr ovos e para que todos a obedeçam. Não há nenhum indício de liberdade, não há escolhas morais. Há apenas um senso automático de dever para com o coletivo, encarnado na rainha. É, enfim, um "sistema" perfeito.

Muitos que torceram o nariz para o primeiro Tropa de Elite consideram ideal um sistema como o dos insetos. Sua noção de sociedade perfeita é aquela do “novo homem” socialista, existente em lugares como Cuba ou a Coreia do Norte. Sob o pretexto de construir um "novo homem", o que ideologias totalitárias como o comunismo e o fascismo querem é aniquilar a própria nocão de humanidade, e nos transformar em formigas ou cupins.

Se Tropa de Elite 2 resolveu trocar a crítica ácida do primeiro filme, que apontava para a cumplicidade de ONGs e dos filhinhos de papai maconheiros com o narcotráfico, pelo velho e fácil trololó esquerdóide sobre o "sistema", então seus realizadores deram uma tremenda bola fora. Espero sinceramente que não tenha sido esse o caso. Até porque estou muito satisfeito com minha condição de ser humano. Não tenho a menor intenção de virar uma formiga ou um cupim.

CHAMEM O TRAFICANTE!


Olha ele aí de novo, o "Comandante". Ele aproveitou o espaço de comentários de meu texto "O DIA EM QUE LULA FOI APRESENTADO A UM FANTASMA" para destilar algumas idéias sobre a atual batalha no RJ entre a Polícia e a bandidagem:
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O que você pensa da atuação da polícia no Rio de Janeiro contra os traficantes? Suponho que você deva concordar totalmente, já que a premissa é a mesma que você alega no caso israelense: Atacar onde for preciso, mesmo que haja inocentes!
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Respondo: o que penso de a Polícia correr atrás de bandido e botá-los na cadeia? Sou a favor, claro. O companheiro não é?
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Aliás, parece que foi isso - prender bandidos - o que a polícia de Sérgio Cabral menos fez nos últimos anos, tendo optado pela operação de marketing chamada UPPs - Unidades de Polícia Pacificadora (como se toda polícia, por definição, não fosse pacificadora). Para mim, polícia não tem que só "pacificar", não: tem que prender!
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Mas entendi: o Comediante aí acima acha que a Polícia não deveria estar subindo morro para caçar a bandidagem, pois estaria agindo como os israelenses em Gaza etc. etc.
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Já escrevi bastante sobre o que penso da luta de Israel contra o terrorismo islamita, e não quero me repetir. Digo apenas que o fato de haver pessoas inocentes nas áreas controladas pelo Hamas (assim como pelo Comando Vermelho ou pelo ADA) torna ainda mais necessário atuar de maneira firme contra esses criminosos. A presença de gente inocente é geralmente usada como tática pelos terroristas (chama-se "escudos humanos"). Assim eles transformam a população civil em seus reféns, enquanto Israel tem que arcar com um duplo ônus: combater os terroristas e tentar evitar, ao máximo possível, baixas entre os civis (quando elas ocorrem, são comemoradas pelos terroristas como um trunfo na guerra de propaganda). Perguntem-me: de que lado estou? De Israel, claro. Assim como estou do lado da Polícia contra os traficantes.
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Por falar em comparações, imaginem se a polícia do RJ agisse em relação ao tráfico de drogas do mesmo modo que as Forças de Defesa de Israel fazem em relação aos terroristas islamitas: certamente, não haveria mais nem vestígio de bandidagem nos morros cariocas... Que pena que não é assim.
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Trocando em miúdos: tem gente que pensa que, porque há pessoas inocentes vivendo nas áreas dominadas pelo terror ou pelo narcotráfico, as forças da ordem (e da democracia) nao deveriam ir lá. Outras pessoas, assim como eu, pensam um pouco diferente: o fato de civis viverem nessas áreas é mais um motivo para livrá-las desses tiranetes.
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Como disse, entre os bandidos e a Polícia, ou entre o Hamas e Israel, fico com a Polícia e com Israel contra os bandidos e o Hamas. E o Comediante que fez o comentário ai em cima, será que pode dizer o mesmo?

EU E O CONSELHEIRO ACÁCIO


Recebi um comentário muito engraçado de alguém que se assina como “Paulo”, mas que tenho motivos para desconfiar que se trata da encarnação de um famoso personagem da literatura portuguesa. Eis o que ele escreveu (sobre meu texto “O DIA EM QUE LULA FOI APRESENTADO A UM FANTASMA”, mas poderia ser sobre qualquer outro texto meu):

Caro,

Todo governo (assim como seu governante) tem coisas boas e outras ruins. O que eu acho inacreditável nesse blog é que dentre tantas coisas boas que o governo Lula nos proporcionou você só consiga falar das ruins. Se você oculta as coisas boas acaba por também faltar com a verdade.

Outra coisa, o Lula não é de esquerda há muito tempo. Ele está mais que vinculado com as políticas neoliberais de direita.

GUSTAVO RESPONDE:

Caro Conselheiro Acácio,

Em primeiro lugar, é uma alegria poder trocar idéias com Vossa Senhoria. Faz tempo que não nos falamos. Desde, pelo menos, a última vez que li O Primo Basílio, de Eça de Queiroz.

Então todo governo tem coisas boas e coisas ruins etc? Jura? Por que será que nunca pensei nisso antes?
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Vamos ver: o regime nazista acabou com o desemprego na Alemanha, e o regime fascista fez os trens chegarem na hora na Itália. Mas será que é por isso que esses regimes são lembrados?
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Mas indo direto a seu comentário, que traz o peso de toda sua sapiência, tenho apenas duas coisas a dizer:

1 – Há um monte de blogues por aí que existem apenas para enaltecer o governo do maior governante das terras brasileiras desde Tomé de Souza. Muitos deles até ganham uma graninha dos cofres oficiais para isso. Acredito que lá V. Sa. se sentirá mais à vontade.

2 – Tentei, juro que tentei, achar alguma coisa boa no governo do reformador do mundo. Acabei achando uma coisa só: a política econômica. Mas aí me dei conta – minha memória não é das piores, modéstia à parte – de que as tais conquistas que ele alardeia terem sido obra dele foram, na verdade, garfadas do governo anterior. Fiquei ainda mais alarmado quando lembrei que, na época em que essas conquistas estavam sendo alcançadas, ele, o Guia Genial, estava do outro lado da cerca, berrando contra. Cheguei então à seguinte conclusão: o que há de bom no governo dele não é novo, e o que há de novo não é bom.

E o pior é que nem dá para dizer "é ruim, mas pelo menos acaba". Aí está a Dilma para provar que não é bem assim.
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Outra coisa: gostaria de saber por que os que dizem que Noço Guia não é, ou não é mais, de esquerda são todos – sem exceção – de esquerda... Pelo visto pensam que um governo que dá dinheiro para o MST promover sua revolução maoísta e que tenta calar a imprensa à moda bolivariana, inclusive com o PNDH-3, ou que tem uma política externa totalmente alinhada com ditaduras antiamericanas, sem falar nos contatos com as FARC e o FORO DE SÃO PAULO, é um modelo de "neoliberalismo de direita"... Vai ver não consideram um governo desse naipe esquerdista o suficiente. Para mim, é esquerdista o bastante.

Mas só digo isso, claro, porque eu sou um reacionário, não é mesmo? Ou, como escreveu outro dia um da turma, um “proto-fascista”...

Até mais, Conselheiro. Lembranças minhas ao Eça, à Luísa, ao Jorge, ao Basílio e à Juliana.

AH ENTÃO QUEREM PROVAS? ENTÃO LÁ VAI...


Aí um leitor, que se assina como "Comandante" (hummm...), vem e escreve sobre meu texto "A Máscara Começa a Cair ":

Uma coisa não prova a outra, meu caro. Precisa mais do que isso para provar as supostas relações que você tanto alega.

Do que o Comediante aí acima está falando? Explico: da carta que os - escrevo em maiúsculas porque ainda tem gente que duvida - NARCOTERRORISTAS das FARC escreveram saudando a vitória eleitoral da "Camarada Estela" (também conhecida como Dilma Vana Rousseff) para ocupar a cadeira de presidente da República.

Ele, o Coma Andante, acha que a carta, que se derrama em elogios a Dilma, não prova nada - talvez, "só" que eles têm uma quedinha pelo penteado dela, pelo visto... Concordo. A carta, de fato, não prova, "apenas" reforça, o que até as folhas das árvores da floresta colombiana já sabem há tempos: que o PT de Dilma e Lula tem relações com os narcobandoleiros. As provas de que PT e FARC são unha e carne podem ser encontradas aqui, ó: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2008/07/as-farc-e-os-lulistas-os-lulistas-e-as.html

Aí eu fico me perguntando: o que será que diriam nossos patrulheiros de esquerda, eleitores ou não da criatura de Lula, se aparecesse uma carta assinada, sei lá, pela Ku Klux Klan declarando seu apoio a José Serra nas eleições? Tenho um palpite: certamente, diriam algo diferente de "uma coisa não prova a outra"...
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Entendeu, meu caro?

quinta-feira, novembro 25, 2010

O DIA EM QUE LULA FOI APRESENTADO A UM FANTASMA


"Vou trabalhar para fortalecer a esquerda no Brasil", respondeu Lula a um jornalista que perguntara sobre o que faria depois de deixar o que um dia foi a Presidência da República e que, sob os oito anos do mandarinato lulo-petista, virou uma filial da CUT e do PT. Lula pretende criar um instituto, nos mesmos moldes do de seu alter-ego FHC, no qual irá assinar artigos e trabalhar, como ele diz, para fortalecer a hegemonia esquerdista no Brasil.

Na mesma entrevista, o exterminador da gramática e maior coronel da Historia do Brasil, que recentemente emplacou um poste para governar nominalmente enquanto ele se refestela por trás (no bom sentido... aliás, no mau sentido mesmo), lembrou que Leonel Brizola, o inesquecível maluquete ex-governador do RJ - basta olhar para o narcotráfico nas favelas do Rio para lembrar do caudilho dos pampas - ressentia-se porque ele, Lula, jamais tinha ido visitar o túmulo de Getúlio Vargas em São Borja (RS).

Getúlio, como quem conhece um pouco de História sabe, era o ídolo-pai-deus de Brizola, que se considerava seu seguidor e sucessor político. Um belo dia Lula acabou aceitando o convite de seu compadre, falecido em 2004, para visitar o túmulo do pai dos pobres. Chegando ao cemitério, ele ficou surpreendido ao ver Brizola conversando por vários minutos com a lápide. Em seguida, Brizola disse:

- Oi Getúlio, este é o Lula, um operário que nós vamos apoiar. Lula, este é o Getúlio.

Não se sabe exatamente o tipo de reação que Lula teve ao ver Brizola conversando com um defunto (deve ter dito: “Oi, prazer”). Posso dizer apenas que reação eu teria: ligaria imediatamente para um hospício e chamaria uma ambulância para internar o sujeito. Não sem antes tomar o cuidado de me afastar desse louco perigoso, aplicando-lhe um forte calmante e metendo-lhe numa camisa de força.

O esquerdismo brasileiro, que Lula se propõe a fortalecer, não é mais do que isso: um culto nostálgico, marcado pela debilidade psicológica e pela necrofilia. Algo que só existe devido à paranóia e à mistificação, como diria Monteiro Lobato (aliás, a última vítima da censura da patrulha politicamente correta, que enxergou "racismo" na obra do criador do Sítio do Pica-Pau Amarelo...). Uma questão, enfim, de (in)sanidade mental.

O curioso é que ainda há quem pense que Lula não é de esquerda, e que seu governo, que contou com o MST e com tentativas totalitárias como o PNDH-3, sem falar nas relações com as FARC e com o Foro de São Paulo, não foi esquerdista o suficiente... Desnecessário dizer que quem pensa assim, claro, geralmente é gente de esquerda.

Lula quer fortalecer a esquerda brasileira. Eu quero que ela se dane. Ou que, pelo menos, seja chamada à responsabilidade. A esquerda, Lula, o PT, o MST, Fidel Castro, Hugo Chávez, Marilena Chauí e os fantasmas de Brizola e de Getúlio.

De agora em diante, sempre que ouvir alguem repetindo o velho trololó esquerdista, vou me lembrar das palavras de Brizola:

- Oi Getúlio, este é o Lula. Lula, este é o Getúlio.

quarta-feira, novembro 24, 2010

EIS A MINHA CANDIDATA PARA CHEFIAR O ITAMARATY NO GOVERNO DILMA ROUSSEFF

Os devotos da religião politicamente correta não cansam de louvar a eleição da "primeira mulher" para a Presidência da República etc. e tal. Acho que, mais importante do que isso, seria termos uma mulher comandando o Ministério das Relações Exteriores. Já tenho até minha candidata. É esta aqui:


Sem mais, meritíssimo.

Não entendeu? Clique aqui: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-bestialogico-de-celso-amorim-e-nelson-jobim-os-dois-que-rimam-sem-solucao/

AGENDA DO DIA


Eu em um dia normal me divertindo, segundo pensam pessoas muito sofisticadas e maravilhosas
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Como agora eu sou um "proto-fascista", um maldito reacionário e direitista inimigo do povo, vou fazer algumas pequenas alterações em minha rotina diária. Eis minha nova programação das quartas-feiras:
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9:00h - Café da manhã com a Sarah Palin e o pessoal do Tea Party. Cardápio: carne vermelha (transgênica) e coca-cola. Preparar umas piadas bem racistas sobre o Obama.
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11:00h - Ginástica matinal. Prática de boxe com meu sparring, o Severino (aquele baiano que encontrei na rua). Não esquecer de amarrar bem os braços dele.
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13:00h - Almoço com a família Bush. Enaltecer a jogada do 11 de setembro (parabéns à CIA!) e a derrubada dos regimes democráticos do Taliban e de Saddam.
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15:00h - 16:00h - Tempo livre. Aproveitar lendo o "Mein Kampf" e espancando casais gays que aparecerem na rua. Mandar flores à viúva do Pinochet.
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16:30h - Pilotar meu Hummer à alta velocidade. Fazer isso respirando bem forte para emitir bastante carbono (minha contribuição ao aquecimento global).
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17:30h - Prática de tiro ao alvo com a galera da NRA. (OBS.: Lembrar de renovar os alvos; os últimos, como aquele casal de feministas lésbicas, tinha a mania de tentar fugir.)
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18:30h - Entrar no Twitter. Postar umas mensagens ofensivas contra negros, nordestinos e gays para relaxar.
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19:00h - Jantar com o Serra e o FHC. Não esquecer de agradecer ao cara da TFP pelo cilício que ele meu deu de presente e de beijar a mão do prior do Opus Dei. Lembrar que o video da Dilma falando sobre a legalização do aborto foi muito bem falsificado, mas o pessoal precisa se esforçar mais da próxima vez na “desconstrução da mulher”.
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21:30h - Rápida passada na Embaixada dos EUA para receber meu salario do chefe local da CIA.
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10:00h - Telefonar para o pessoal do PIG. (IMPORTANTE: Reclamar com a direção da VEJA e da Folha que o mensalão, o PNDH-3, as relaçoes do PT com as FARC e o Foro de São Paulo não colaram. O pessoal precisa caprichar mais na conspiração das elites e da mídia, pô!)
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12:00h - Rezar dez aves-marias e quinze padres-nossos antes de dormir. Repetir tudo no dia seguinte.

segunda-feira, novembro 22, 2010

EU, O "PROTO-FASCISTA"


Estava demorando. Cedo ou tarde, quem se atreve a desafiar os dogmas esquerdistas e politicamente corretos, ou simplesmente pensar com os próprios neurônios e não balir como o resto da manada, será brindado com o adjetivo infamante. Basta encostar um da fauna na parede, usar um pouco de lógica e, pronto! A palavra odiosa, previsível como o nascer do sol, será urrada em sua cara: “Fascista!”

A minha vez de conhecer a Lei de Godwin - aquela que diz que, quanto mais longo um debate, maior a probabilidade de alguém lhe chamar de nazista ou fascista - aconteceu há alguns dias. Foi num site de um conhecido meu, o Pablo Capistrano, velho conhecido deste blog. Pablo não é nenhum militante comunista (pelo menos não que eu saiba), não é membro do PSTU ou do PCO (bom, acredito que não, mas sei lá...). Se fosse algum desses quadrúpedes a me xingar, eu nem ligaria, daria algumas risadas e pronto. Ofensas e xingamentos dessa turma apenas me divertem.
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O problema é que quem assim me rotulou foi um intelectual, reconhecido por alguns como tal, um professor de filosofia, que se apresenta como uma pessoa equilibrada, relativista, pós-moderna, portanto “neutra” e “imparcial” em suas observações sobre política etc. Enfim, alguém que até já brigou comigo porque eu o chamei, certa vez, de chester por não querer sair de cima do muro filosófico e se assumir de vez como esquerdista.

Pablo votou em Dilma. Mais que isso: fez, em seu site e à sua maneira, campanha para a criatura de Lula. Chegou a escrever um texto tachando de “fundamentalismo de direita” a denúncia do flip-flop da Camarada Estela na questão do aborto, e denunciando uma suposta conspiração das forças das trevas, que estariam interessadas na “desconstrução da mulher”... Sempre com argumentos, como eu poderia dizer?, muito filosóficos e sofisticados, politicamente corretos, até poéticos. Um bom-moço, poder-se-ia dizer.

Pois foi esse mesmo cara “neutro” e “equilibrado”, filosoficamente sofisticado, que primeiro se recusou a responder a duas perguntas que eu fiz, que podem ser assim resumidas: 1) por que, se a política macroeconômica de FHC foi uma porcaria, os lulo-petistas se esforçaram tanto por mantê-la? e 2) eu detesto todas as ditaduras, será que meu interlocutor poderia dizer o mesmo?

Foi também esse modelo de correção política e de honestidade intelectual que, além de não responder a nenhuma de minhas indagações, fez questão de adicionar a seu silêncio a injúria e a calúnia, ao dizer: “acho que você não é contra todo tipo de ditadura não, você já mostrou ser condescendente com a ditadura de Pinochet aqui mesmo nesse [sic] espaço.”

Ao ler a frase acima, um calafrio percorreu minha espinha, fui acometido por um súbito temor: teria eu, em um momento de insanidade temporária, escrito alguma palavra a favor de Pinochet? Tratei então de procurar avidamente onde, quando, eu teria dito tal absurdo. Já estava pronto a rezar trezentas aves-marias ajoelhado no milho me flagelando e assistir cem vezes ao último discurso de Dilma Rousseff em punição por tamanho pecado, mas não encontrei nada (já declarações mais do que condescendentes, coniventes, de Pablo em relação à tirania dos irmãos Castro em Cuba, encontrei aos montes).

Pois bem. Desafio qualquer um, a começar pelo autor da frase, a dizer em que texto, em que parágrafo, em que linha, em que frase eu digo uma palavra sequer que possa ser interpretada como “condescendente” com a ditadura de Pinochet. Estou pensando até em criar um prêmio para quem conseguir essa façanha.

A coisa não parou por aí, não. Depois de ter insinuado que eu apoiaria (sempre no condicional) regimes que matam e torturam, golpes etc., Pablo resolveu mostrar-se um especialista em liberalismo, duvidando de minhas credenciais liberais. Ele saiu-se com essa:

“Eu particularmente acho seu discurso proto-fascista.”

Nem vou perder meu tempo analisando o absurdo da afirmação acima, feita por um esquerdista. Basta lembrar, para quem tem um minimo de curiosidade histórica, o pacto Hitler-Stálin de não agressão de 1939 ou ler o capitulo “As Raízes Socialistas do Nazismo”, do clássico O Caminho da Servidão, de F. Hayek, para constatar que comunismo e fascismo não são exatamente antípodas irreconciliáveis. Vou me concentrar apenas no que eu disse.
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Por que será que Pablo me chamou assim? Porque, entre outras coisas, afirmei o seguinte:
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- O governo Lula (e agora, Dilma) é de esquerda (Pablo acha que não é de esquerda o bastante);

- FHC, Serra e o PSDB também são de esquerda (como eles mesmos fazem questão de dizer, mas ele também acha que não);

- O Foro de São Paulo existe (Pablo acredita que é uma fantasia paranóico-conspiracionista – “da direita”, claro...);

- A China é uma ditadura comunista (Pablo acha que não é – estou esperando ele me dizer o que seria, então);

- Democracia é pluralidade de idéias, não uniformidade ideológica (Pablo gostaria que fosse um concurso de esquerdismo – como são há anos as eleições no Brasil, aliás);

- Os ideais de liberdade e de democracia são universais (Pablo pensa que são um instrumento do “imperialismo ocidental”...).

Pois é, meus amigos... Viram como eu sou um mau elemento, nocivo e perigoso para a sociedade? Por dizer isso que está aí em cima, eu sou um – vejam só – “proto-fascista”...

Depois disso, é desnecessário dizer qualquer coisa. Mesmo assim, vou exigir provas de acusações tão severas. Mesmo sabendo que esperarei em vão por tais provas, assim como esperei em vão por respostas a minhas perguntas.

Em outras palavras, como eu sou um "proto-fascista" por ter dito o que vai acima, fica decretado, portanto, o seguinte:

1 - Qualquer um que discordar da esquerda, que disser um pio que seja contra Lula e Dilma, é um fascista, nazista, chauvinista, racista, machista, anti-pobre, anti-nordestino, agente da CIA, membro da TFP, do Opus Dei e da Ku Kux Klan.

2 – Qualquer um que denunciar os desmandos da quadrilha cleptolulista, ou a política externa pró-ditaduras do governo Lula, ou o aparelhamento das instituições, ou os objetivos totalitários contidos no PNDH-3, é um criminoso do pensamento e deverá ser imediatamente detido e enviado, algemado, a um campo de reeducação ideológica na Amazônia. Afinal, trata-se de um elemento perigoso, um verdadeito representante das classes dominantes e inimigo do povo...

Como eu disse aqui outro dia, o Brasil está ficando um país cada vez menos tolerante. E cada vez mais burro.

quinta-feira, novembro 18, 2010

UMA IMAGEM DO FUTURO?


Nota do Blog: Nao que o presente seja muito diferente. Vide os ultimos oito anos...

AINDA SOBRE OS CANALHAS CAIPIRAS


De vez em quando aparece uma mensagem de alguém que amigavelmente discorda de algo que eu disse. E que apenas me dá mais motivos para pensar como eu penso. É esse o caso do leitor anônimo que escreveu o seguinte sobre meu texto "O ÚLTIMO REFÚGIO DO CANALHA JECA":

Gustavo, você tão inteligente com um texto como este? Lula culpou os americanos pela crise, é mentira ? De quem foi a culpa ? onde se originou ?

A minha conterrânea paulista foi clara ao dizer " mate um nordestino", com toda a sua predileção pela direita vamos ponderar os fatos.

Eu sou paulistano e vejo o tempo todo piadinhas e ofensas a nordestinos, se você nunca ouviu sendo nordestino sinceramente você não vive no Brasil, já ouvi várias críticas a Marina Silva pelo fato de ela usar " batom de beterraba", " colar de aborígenes " entre outras coisas, há sim um preconceito contra o nordestino e isso deve sim ser iníbido, e parte do eleitorado do PSDB e DEM são em sua maioria preconceituosos e racistas sim, é fato.

Antes de mais nada: obrigado pelo inteligente. Da minha parte, me contento em ser lúcido (hehe...). Mas OK, vamos ponderar os fatos.

Primeiro, o Apedeuta não culpou "os americanos" (ou, em lulês: uzamericânu) pela crise. Culpou os "brancos de olhos azuis" (uzbrancudiôioazú). Se isso não e racismo, expliquem-me por favor o que é.

Segundo, deixei claro o que acho das declarações idiotas da menina em questão (que, aliás, sumiu do noticiário tão rápido quanto apareceu... estranho, não?). Ela foi cretina e, vá lá, racista. Agora, o que isso tem a ver com "predileção pela direita"?

Não discuto que haja preconceito, e até mesmo racismo, contra nordestinos. É claro que há! Aliás, em meu texto não digo uma palavra negando que isso exista, muito pelo contrário. Mas a questão não é essa. É que tentaram – continuam tentando, pelo visto – usar o caso da “anti-nordestino que votou em Serra” como um cavalo de batalha para atingir os que votaram nele, mesmo depois das eleições (ou seja: não basta vencer a eleição: é preciso celebrar a derrota do outro, é preciso jogar lama no adversário, destruí-lo). Essa é uma conduta, no minimo, anti-democrática.

Em outras palavras: o que se quis, com o caso dessa menina idiota, não foi denunciar o preconceito anti-nordestino - que, sim, existe! -, mas colá-lo num candidato, que era o adversário de Dilma e do PT. Foi transmitir a mensagem: "eles são racistas; quem vota neles é racista". Ou: “votar em Serra é coisa de quem odeia nordestinos”. Francamente...

Houve, entre os milhões que votaram em Serra, gente que não gosta de nordestinos, e inclusive racistas? Certamente que sim. Do mesmo jeito que do lado da campanha de Dilma. Serra venceu em estados como Acre (de Marina Silva) e Roraima. Então os acreanos e roraimenses são racistas e anti-nordestinos?

Façamos assim, para sermos justos: digamos que todos os eleitores de Serra, ou mesmo aqueles que não votaram nele mas torceram o nariz para o frankenstein eleitoral de Lula, sejam reacionários quatrocentões preconceituosos e inimigos de nordestinos. Posso até aceitar isso, com uma condição: que Dilma Rousseff, em cujo blog os paulistas foram chamados de "bestas", e Lula, que volta e meia chama os negros de "crioulos", sejam enquadrados na mesma categoria de racistas. Será que a patrulha politicamente correta topa a comparação?

Fui claro?

sexta-feira, novembro 12, 2010

A MÁSCARA COMEÇA A CAIR


Pensei em escrever um texto sobre o que vem a seguir. Mas desisti. Não é necessário. O que segue abaixo diz tudo.

Só uma questão: lembram de Índio da Costa, o vice de José Serra que quase foi trucidado pelas hostes esquerdistas e politicamente corretas por ter dito que o PT tem relações com narcotraficantes? Lembram das matérias na imprensa chamando suas declarações de "tática do medo"? Pois é...

Fico aqui me perguntando: será que se os que escreveram a nota abaixo tivessem declarado seu apoio antes de 31 de outubro o resultado das eleições seria o mesmo? Provavelmente, sim. Mas certamente muitas pessoas não poderiam dizer que foram enganadas.

Divulgado hoje, 12/11/2010, pela agência de notícias colombiana ANNCOL:

As Farc saúdam a eleição de Dilma para a Presidência do Brasil

Compatriota Dilma Rousseff, presidente eleita do Brasil,

Daqui, das montanhas da Colômbia, nossa cordial saudação, bolivariana, com o anseio de Pátria Grande.

Permita-nos aderir à justificada alegria do grande povo de Luís Carlos Prestes pelo feito relevante de ter, pela primeira vez na história do Brasil, uma presidenta, uma mulher ligada desde sempre à luta por justiça.
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Presidenta Dilma, para você, nosso aplauso e reconhecimento.

Sua ascensão à Presidência da República Federativa, somada à sua pública convicção da necessidade de uma saída política para o conflito interno da Colômbia, centuplicou nossa esperança na possibilidade de alcançar a paz pela via do diálogo e da justiça social.

Estamos certos de que a nova Presidência do Brasil terá papel determinante na construção da paz regional e na fraternidade dos povos do continente.

Atenciosamente,
Secretariado do Estado Maior das Farc

Como foi mesmo que escrevi outro dia aqui? Lembrei: Tirem a máscara!

quarta-feira, novembro 10, 2010

ENEM o bastão foi passado, já tem trapalhada nova na praça...



Ah, esses lulo-petistas... eles não brincam mesmo em serviço. Mal saiu das urnas a continuadora da comédia dos ultimos oito anos, e eles já armaram mais um escândalo assombroso. Dessa vez, de incompetência.

E pensar que teve gente que declarou voto em Dilma porque, afinal, o Serra iria "destruir a educação no Brasil"... Pois é.

Do blog do Augusto Nunes, direto ao ponto:
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Ministro trucida ENEM e desmoraliza o palavrório eleitoreiro de Dilma Rousseff

Em 18 de agosto, durante o debate entre os candidatos à Presidência promovido pela Folha e pelo UOL, Dilma Rousseff irritou-se com as críticas de José Serra ao bisonho desempenho do Ministério da Educação na condução do Exame Nacional do Ensino Médio. E resumiu a indignação numa frase:

“Acho um absurdo um candidato à Presidência vir aqui dizer que o Enem está desmoralizado”.

Em 15 de outubro, Dia do Professor, Dilma voltou ao tema em Belo Horizonte. A irritação com Serra não amainara, informam três trechos do falatório:

“Serra não gosta do Enem porque é o caminho acertado por todas as universidades federais e é pré-condição para o ProUni. Houve um crime contra o Enem. Ele quer acabar com o Enem para que a gente não tenha o ProUni”.

“O partido do vice do candidato do PSDB chegou a entrar na justiça contra o Enem, o que poderia comprometer 700 mil estudantes no Brasil. Dizer que o Enem tem uso eleitoreiro é desconsiderar o papel que ele teve nestes anos todos”.

“Estão absolutamente incorretas as afirmações do candidato Serra contra o Enem, que tem sido o caminho pelo qual nós selecionamos as pessoas que vão fazer o ProUni”.

Em 17 de outubro, no debate na RedeTV!, a candidata do PT elogiou o ministro Fernando Haddad e fustigou novamente o inimigo:

“Quando se fala em vazamento é necessário que se perceba que o crime está sendo investigado. O Enem tem sido essencial como uma forma de controle da qualidade do ensino e é pré-condição para o ProUni. Atacar o Enem é uma forma indireta de atacar o ProUni”.

Em 3 de novembro, Dilma Rousseff revelou as duas prioridades do futuro governo: saúde e segurança pública. E a educação? “Está muito bem encaminhada”, resumiu a presidente eleita. Além de transformar o Enem num caso exemplar de sucesso, o ministro botara ordem na casa inteira. “Eu acho que o Haddad deve continuar”, decidiu Lula na mesma quarta-feira. E o administrador admirável foi dormir com o emprego garantido.

Começou a perdê-lo no dia seguinte, com a divulgação do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. No ranking da educação, o Brasil ocupa um modestíssimo 102° lugar. Ao longo da quinta-feira, Haddad tentou atribuir a performance lastimável à mudança dos critérios usados pelos organizadores do levantamento. E decerto acreditou que recuperaria os pontos perdidos no fim de semana, com as duas etapas do Enem.

Deu tudo errado. Troca de cabeçalho, erros de digitação, informações equivocadas, vazamentos, questões com números duplicados ─ houve um pouco de tudo na comédia de péssimo gosto que reduziu o Enem a outro caso de polícia. Mais de 3 milhões de inscritos ainda não sabem se as provas serão anuladas ou não. O que se sabe é que nem Lula conseguirá manter o ministro no cargo em 2011.

Dilma Rousseff não deu um pio sobre o assombroso espetáculo da incompetência. Ainda bem que a campanha eleitoral acabou em outubro. Se não tivesse terminado, estaria proibida de acusar José Serra de querer destruir o Enem. Fernando Haddad já conseguiu.

terça-feira, novembro 09, 2010

O ÚLTIMO REFÚGIO DO CANALHA JECA


Vejam a que ponto chegou o Brasil...

Uma idiota, que por acaso é paulista, escreveu umas frases cretinas insultando os nordestinos em seu Twitter. Gerou, com isso, uma avalanche de protestos e manifestações indignadas, e está sendo processada pela Justiça. Corre o risco de ser presa, por incitação à intolerância e ao racismo (não sei se, juridicamente, a coisa se enquadra no crime de racismo, mas vá lá: é uma estupidez do mesmo jeito). Será, provavelmente, condenada a alguma pena. Muito justo. A história deveria acabar aí, certo?

Errado, decidiram as pessoas maravilhosas e bem-pensantes que determinam o que e como todos devem pensar no Brasil. Alguém descobriu que, além de paulista, a infeliz é membro, ou fundadora, sei lá, de um troço chamado "Movimento São Paulo para os Paulistas", ou algo do gênero. É uma bobagem criada por uma meia dúzia de imbecis que não gostam de nordestinos e que trocam mensagens preconceituosas pela internet. Até aí, seria apenas mais uma manifestação de burrice explícita e de xenofobia, como milhares de outras semelhantes, ocorridas todos os dias na rede em sites como Orkut, Facebook ou MSN, certo?

Errado novamente. A coisa não renderia nota em jornal de cidade do interior, certamente não teria tido a repercussão que teve, se não fosse pelo que vem em seguida.

Acontece que a autora das frases contra nordestinos escreveu no Twitter, e reafirmou em entrevista à imprensa, que detesta os do Norte-Nordeste, entre outras coisas, porque é lá que se concentra o Bolsa-Cabresto, talvez o principal cabo eleitoral de Dilma Rousseff. Foi além, e disse - equivocadamente, aliás - que, se não fosse o voto dos cabeças-chatas a criatura de Lula não teria se elegido. Pior: a menina - horror, horror! - disse que votou em Serra...

Foi esse último detalhe - "ela votou em Serra" - o que fez toda a diferença no caso, e que detonou a associação automática: 1) Ela é paulista e detesta nordestinos. 2) Serra é paulista. 3) Ela votou em Serra. Conclusão: todos os eleitores de Serra são racistas... Pronto! Estava criado um caso político.

Se vc acha que o festival de baixaria e o jogo sujo que caracterizaram as eleições presidenciais acabou - e me refiro aqui não à campanha de Serra, mas á de Dilma Vana Rousseff -, é melhor pensar um pouco.

Se a jovem Mayara Petruso tivesse dito que votou em Dilma, ou que anulou o voto, ou que não votou, o assunto morreria ali, ou ganharia, no máximo, uma nota de pé de página, e logo seria esquecido. Mas ela votou em Serra! Aí é que está o escândalo, e não suas declarações infelizes, pensaram os lulo-petistas. Era a prova que faltava, concluíram, para mais uma campanha difamatória: ela odeia os nordestinos porque eles votaram em Dilma, não em Serra. Logo, votar em Serra, e não em Dilma, é sinal irrefutável de ódio contra os nordestinos! Muito lógico, não?

Pois por incrível que pareça - ou talvez não, pelo registro dos últimos oito anos -, houve quem caísse nessa armadilha. Houve quem (e não foram poucos!) mordesse a isca e passasse a exigir a fogueira para a autora das frases, não pelo conteúdo chauvinista e preconceituoso delas, mas porque - aí é que está a questão de fundo - ela se declarou serrista e paulista! E serrista e paulista é tudo anti-nordestino, sentenciaram os campeões da correção política. Em outras palavras, não basta execrar a jovem por suas declarações boçais e estúpidas. É preciso atiçar, açular a mesma divisão que a acusam de incentivar. Somente com o sinal invertido. É mais uma evidência de degeneração mental da Era da Mediocridade.

Acho uma besteira sem tamanho, uma cretinice, além do mais criminosa, essa tentativa de colocar o Brasil contra o Brasil com objetivos claramente políticos. Políticos e ideológicos. A divisão Norte-Sul que estão tentando impingir ao País usando o caso dessa menina como pretexto é filha da divisão rico-pobre, herdeira, por sua vez, da propaganda esquerdista, burguesia versus proletariado etc. É algo típico, mais especificamente, dos lulo-petistas, os mesmos que agora se dizem indignados com as palavras absurdas de Mayara. O preconceito regional, e mesmo de raça (sem falar na velha ladainha do tipo "luta de classes"), é uma constante no discurso e na propaganda lulo-petistas. Querem exemplos? Aí vão dois:

"A culpa da crise é de gente branca de olhos azuis" (Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a crise econômica mundial, em 2008)

"Zé pedágio pensa que nordestinos são 'bestas' como os paulistas" (do "Blog da Dilma", ligado à campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República, 2010)

Digam-me: qual a diferença entre as frases acima e as sandices vomitadas por Mayara no Twitter? A principal delas é que Mayara é uma menina de vinte e poucos anos, e despejou suas cretinices em seu microblog. Já Lula disse o que disse sobre brancos de olhos azuis na qualidade de presidente da República. E Dilma Rousseff, em cujo blog os paulistas foram chamados de "bestas", foi eleita para o mesmo cargo. Pergunto: onde estão os protestos e manifestações indignadas contra essas demonstrações tão claras e acabadas de RACISMO e PRECONCEITO contra os paulistas? Cadê o Ministério Público?

Por suas declarações ofensivas e (vá lá) "racistas", Mayara está sendo crucificada (chegaram inclusive a usar contra ela, como se isso tivesse alguma coisa a ver com o caso, o fato de ela ser filha de uma relação extraconjugal...). Quanto a Dilma e a Lula - aliás, um político paulista, embora nascido no Nordeste -, seguem lépidos e fagueiros, e são considerados por muitos líderes progressistas e tolerantes. Certamente, não pelo que está transcrito acima.

Se você pensou, ao ler o que está aí em cima, em duplo padrão moral, ou em como parte da imprensa se deixa pautar pelo esquerdismo bocó e pelo politicamente correto, prestando-se ao lamentável papel de caixa de ressonância das platitudes lulo-petistas, acertou em cheio.

Sou nordestino, como está na primeira frase de meu perfil neste blog, mas, francamente, se tem uma coisa que me dá náusea, enjôo e ânsia de vômito é a instrumentalização de bairrismos e preconceitos individuais - que são, repito, condenáveis, mas que não deixam de ser, faço questão de frisar, individuais - num cavalo de batalha para demonizar adversários políticos, e de quebra ainda colocar mais lenha na fogueira de preconceitos regionalistas. Já afirmei aqui e reafirmo: considero rivalidades regionais, ou o orgulho pelas próprias raízes, duas das piores manifestações de estupidez já criadas pelo ser humano. Há alguns anos, surgiu uma moda na minha cidade de estampar nos carros e camisetas o slogan "orgulho de ser nordestino". Achei aquilo de uma imbecilidade sem tamanho. Se, em vez de em Natal, eu tivesse nascido em, sei lá, Mato Grosso ou Santa Catarina, eu deveria sentir o quê? Vergonha?

Como disse, sou nordestino, mas nem por isso - aliás, exatamente por isso - aceito que esse detalhe seja brandido como uma categoria, uma condição definidora de caráter ou de personalidade: "o blogueiro nordestino" etc. Para mim, não há canalhas, ou pessoas honradas, "nordestinas", "paulistas", "gaúchas", "japonesas", "palmeirenses", "corintianas" ou mesmo "brasileiras": há canalhas e pessoas honradas, e ponto! O resto é invenção de quem quer jogar brasileiros contra brasileiros, em nome do politicamente correto e sob o pretexto - ironia das ironias - de combater o preconceito. Paradoxalmente, foi a partir da culpabilização ou da vitimização de grupos sociais por suas origens geográficas ou características fisicas que se gestaram alguns dos piores massacres da História.

Se tem algo que esse caso da twitteira que não gosta de nordestinos demonstra é que, no Brasil de Lula e Dilma, não é mais possível criticar os lulo-petistas - ou sequer não votar neles -, sem ser imediatamente rotulado de racista, fascista, nazista, machista, reacionário, membro da TFP ou da Ku Klux Klan. Mesmo se a crítica vier das hostes esquerdistas, como o PSDB, a chuva de epítetos desabonadores pela patrulha ideológica e pela imprensa amestrada será torrencial. Basta lembrar da torrente de insultos lançados contra José Serra por sua campanha ter ousado lembrar o que Dilma Rousseff dizia até ontem sobre a descriminalização do aborto ("reacionário" e "medieval" foram alguns dos mais leves). Se isso não é uma ditadura mental - no caso, esquerdista -, então, sinceramente, não sei o que é.

"O nacionalismo é o último refúgio dos canalhas", é a frase famosa de Samuel Johnson. No Brasil, por força e obra dos lulo-petistas, a frase merece ser adaptada, embora o significado continue o mesmo. O regionalismo é o último refúgio dos canalhas caipiras. Nunca fomos tão intolerantes. E tão jecas.

domingo, novembro 07, 2010

EXCLUSIVO! ESTE BLOG DESCOBRIU COMO DILMA ROUSSEFF FOI ESCOLHIDA PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA!


Atenção, leitor! O que vem a seguir é um furo jornalístico de primeira grandeza. Ninguém mais tem: nem a VEJA, nem a Época, nem a Folha, nem o Estadão. Só este blog.
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Graças a conexões secretas e inconfessáveis que só eu tenho e que, por razões óbvias, não vou divulgar quais são, caiu em minhas mãos um conjunto de gravações importantíssimas que revelam os bastidores da sucessão presidencial. Trata-se do registro sonoro de reuniões no Palácio do Planalto, ocorridas entre setembro de 2007 e fevereiro de 2010. Um perito da Unicamp já comprovou serem autênticas as gravações. Confiram:
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(17 de Setembro de 2007. 13h30. Lula está em sua sala, no 3o andar do Palácio do Planalto. Ele conversa com seu secretário e lambe-botas profissional, Gilberto Carvalho.)

- (furioso, aos berros) Puta que o pariu! Essa porra de terceiro mandato sai ou não sai? Já não bastou eu ter comprado metade do Congresso no mensalão, foi aquela cagada quando descobriram em 2005, tive que me livrar do Zé Dirceu e tudo pra salvar as aparências, fui até à televisão dizer que era caixa dois e que todo mundo fazia, falei até que fui traído... E esses bostas de deputados não querem que eu fique no poder o tempo que quiser, como o Chávez? Afinal, todos os companheiros do Foro de São Paulo, o Morales, o Corrêa, não fizeram isso? (inaudível) Só porque tem essa merda de Constituição, que eu, inclusive, não assinei e que já mandei que se fodesse? (pausa) Pelo visto o terceiro mandato não vai dar certo agora, e não tem ninguém que eu possa controlar se for me suceder. E o pior é que meus planos A e B, o Zé e o Palocci, já eram: o Zé por causa do mensalão, e o Palocci, por causa daquela cagada com o caseiro. Porra, Gilberto, pára de puxar meu saco por um minuto e me dá uma idéia aí, caralho!.

- Er... Presidente, temos uma alternativa...
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- Qual, porra? Fala logo!
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- A chefe da Casa Civil, ex-ministra das Minas e Energia...
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- Quem, a Dilma? Aquela com cara de buldogue com dor de barriga? A que dizem que gosta de dar esporro em todo mundo?
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- Ela mesma, excelência. Dizem que ela é muito obediente, digo competente...
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- Hum... É, a Dilma... Pode ser que dê certo. Afinal, a mulher é uma anta, uma toupeira, sem nenhuma idéia própria, não é capaz de soltar um peido sem me pedir autorização antes... Ia ser uma perfeita laranja. Ela tem um perfil técnico, como o Palocci, e foi guerrilheira, como o Dirceu, que também ninguém sabe direito o que fez nessa época, mas isso dá um certo ibope, tem um certo charme, né? Principalmente com os intelequituais, que também me amam. E se alguém vier com a conversa de que ela não tem experiência política, que nunca concorreu nem a síndica de condomínio, ou se aparecer algum podre dela, algum vídeo comprometedor na internet, é só dizer que é preconceito porque ela é mulher, e pronto! Funcionou comigo, é só dizer que é preconceito da "zelite" porque eu sou, aliás sou não, fui, operário até 1975, e eu posso fazer ou dizer o que quiser, isso desarma os bocós... (risos) Esse tipo de coisa sempre funciona. Foda vai ser convencer o PT antes, já que ela só entrou pro partido há alguns anos. Mas isso eu tiro de letra, enquadro eles direitinho. Pode ser que tenha algum muxoxo no começo, mas eu enfio ela no rabo deles. Se não, o que é que vão fazer? Voltar pro sindicato? pra universidade? pra Igreja? Sem mim esses merdas não são nada! Os outros, o PMDB, vai ser fácil: é só abrir o cofre. OK, Gilberto, chama a Dilma!

(Passam-se alguns minutos. Dilma entra na sala. Beija a mão de Lula.)

- Oi, minha filha, a gente tava falando de você. Seguinte: tá a fim de virar presidente dessa bagaça?

- Olha, presidente, ocê sabe, é uma honra, né? Querê sê presidente, digo presidenta, isso é uma questão, como vô dizê, assim, é uma questão... No que diz respeito a isso, eu vô dizê procê, é uma questão muito importante... Aliás, ainda ônte eu tava lendo um livro muito bom, o livro... Só não lembro o título, nem o autor. Mas, como eu ia dizendo procê, no que diz respeito a essa questão, eu me sinto muito honrada, porque a Presidência da República, ela é, no que diz respeito à Presidência, ela é algo assim muito... muito importante.

- Beleza, então só tem tu, vai ser tu mermo! Gilberto, abre uma branquinha aí pra gente comemorar.

(28 de Fevereiro de 2010. 17h45. Lula está se recuperando de uma crise de hipertensão.)

- Porra, Gilberto, mas que merda de candidata tu foi me arranjar, heim? Olha só o que ela me aprontou: farra dos cartões corporativos, dossiês, caso Varig... é escândalo que não acaba mais! E nem sabem roubar direito, porra! Até apagão, que ela jurou que não ia ter, teve nessa josta! A gente teve até que esconder ela por uns dois dias, pra que o estrago não fosse maior. E os diplomas falsos que ela inventou? Eu, pelo menos, digo logo que não tenho diploma nenhum, no meu caso é até uma vantagem ser ignorante, é um personagem que inventaram. Além disso, a gente gastou uma grana preta em plásticas, na mesma clínica da Marisa e da Marta Suplicy, deu um trabalhão pra transformar aquele tracajá-bandeira numa coisa comível... Tudo bem que ela ficou a cara do Coringa do Batman, parece um Frankenstein, mas eu traçava. Eu não tracei o menino do MEP, caralho? Enfim, demos um banho de marquetingue, e mesmo assim essa candidatura não decola? Essa mulher que vocês arranjaram é ruim demais. Toda vez que ela abre a boca, só sai merda! Olha só o que ela disse lá em Copenhaga: "O meio ambiente é certamente uma ameaça ao desenvolvimento sustentável".... Caralho! Vá pra puta que o pariu! Nem eu de porre numa assembléia da CUT digo uma bosta dessas! Perto dela, eu sou o próprio Cheikis... Cheikis... Como é mesmo o nome do viado?

- É Shakespeare, excelência.

- Isso, Cheiquispíri. Toda vez que a mulher abre a boca, eu viro um poeta, eu viro um intelequitual! Sem falar que quase ninguém no povão conhece ela. Tô fazendo hora extra, já tive até um piripaque pra ver se essa merda sai do chão e, até agora, nada! A gente vai ter que investir mais em marquetingue, vou intensificar minha agenda de inaugurações, não importa pra que seja, pode ser até pra inaugurar placa de obra do PAC lá no cu do Judas. O importante é mostrar ela ao meu lado na televisão. O povo vai ver ela como a "mulher do Lula". Pode deixar que com a Marisa Letícia eu me entendo em casa.

- Excelente idéia, como sempre, excelência. Mas cuidado com a pressão...

- Vai tomar no cu, porra! Tu é pago pra ser meu puxa-saco, não pra ser meu médico. Assim que eu estiver recuperado, vou retomar o ritmo de comícios pra Dilma. E se o TSE vier com frescura pro meu lado, dizendo que é ilegal, eu mando eles se foderem! Quem esses juizinhos de merda são pra quererem me multar e pra quererem que eu cumpra a lei? Que se foda a lei! Eu sou o Lula, porra! O Obama já disse: eu sou O Cara! O povo me adora, tenho 300% de aprovação segundo o Vox Populi. Sou mais popular do que o Papa, mais importante do que Jesus Cristo. Fizeram até um filme sobre mim, cacete! Tô inclusive preparando aí uma jogada com aquele país lá da Europa, o Irã... Tenho certeza de que vai me dar pelo menos o Nobel.

- (emocionado) Muito bem, presidente, muito bem! Assim que se fala!

- A gente vai ter algum trabalho pra derrotar o Serra, que tá na frente nas pesquisas. Mas pode deixar que no fim a gente fatura mais essa. Ainda bem que o Serra é um bosta, e que não tem oposição de verdade neste país. Aliás, nunca antes na história deste país... Esses tucanos... É tudo um bando de cagão, com medo de me enfrentar. Não têm coragem nem de defender o que fizeram quando foram governo, o Real, as privatizações... Enfim, tudo aquilo que garante meu governo e que eu agora digo que fui eu que fiz (gargalhadas). Também, a gente veio tudo do mesmo berço, o Serra foi presidente da UNE, é estatista pra caralho. O FHC, eu fiz até campanha pra ele em 78, pra senador... O Serra pode até estar na frente agora, mas espere começar a campanha pra valer. Se ele der muito trabalho, basta a gente inventar que ele vai privatizar a Petrobrás e o pré-sal e ele vira geléia! Lembra do picolé de chuchu do Alckmin? A gente fez picadinho daquele banana com a mesma tática. E ainda tem babaca que acha que o PSDB é oposição, veja só... Oposição, oposição... Oposição, é o caralho! Essa é a oposição que todo governo pediu a Deus! (gargalhadas estrepitosas, trecho inaudível por vários minutos) Pena que tem aquele jornal e aquela revista que a gente não conseguiu comprar... Mas pra esses eu guardo o PNDH-3, que a Dilma assinou sem ler, puta que o pariu! Ainda bem que o Franklin Martins tá preparando um bom cala-boca pra esses filhos da puta... Mas, como eu ia dizendo, a gente precisa turbinar a campanha da mulher-laranja. Chama o marqueteiro, aí.

(entra o marqueteiro da campanha, João Santana):

- João, é o seguinte: essa campanha da Dilma tá uma bosta, quase ninguém conhece ela. Já tive até uma crise de hipertensão tentando alavancar essa tranqueira. A gente precisa dar um jeito nisso. Qual sua sugestão?

- Bem, podemos trabalhar mais a imagem dela de "mãe do PAC", presidente. Intensificar a participação dela ao lado do senhor em comícios, inaugurações etc. Podemos também preparar umas viagens pro exterior, fazê-la aparecer apertando a mão de presidentes e primeiros-ministros. Ela nem vai precisar falar, vai aparecer como uma estadista... Também podemos arranjar umas participações dela nuns programas de televisão bem popularescos, tipo Superpop, Datena.... Já estamos em contato com a direção da TV do Bispo, aquele seu aliado, pra só dar notícias favoráveis. Enfim, mostrá-la mais perto do povo... E mudar o penteado dela, claro. O resto é estúdio e musiquinha.


- É, parece bom. Vâmu vê agora se essa candidatura aparece. Não quero mais ter problema de saúde por causa de uma candidata que eu inventei. Que é que cê tem aí pra me mostrá?

- É o layout do slogan que minha equipe elaborou pra campanha da Dilma, presidente. "Para seguir mandando". Er... desculpe: "Para seguir mudando". Gostou?

- Gostei. Não quer dizer porra nenhuma. Igual à Dilma. Pode passar adiante.