
Este é um blog assumidamente do contra. Contra a burrice, a acomodação, o conformismo, o infantilismo, a ingenuidade, a abobalhação e a estupidez que ameaçam tomar conta do País e do Mundo. Seja livre. Seja do contra. - "A ingenuidade é uma forma de insanidade" (Graham Greene)
terça-feira, janeiro 18, 2011
EU, O ALIENADO (DIRETO DOS TEMPOS DA BRILHANTINA)

UM SINISTRO DÉJÀ VU (OU: O ELOGIO DA INCOMPETÊNCIA)

Uma das coisas mais nojentas que existem é a tentativa de politizar desastres naturais. Mesmo que não sejam tão naturais assim. Como a chuva torrencial que desabou sobre o Rio de Janeiro nesta semana - e que já deixou, segundo as últimas contagens, mais de 180 mortos. É por isso que as declarações de Lula e sua turma nesses dias exalam a esgoto.
A tragédia no Rio provocou uma onda de pesar e solidariedade raras vezes vista antes no Brasil. Jornalistas, políticos, artistas, todos enfim, demonstraram um ar compungido e de respeito às vítimas, no melhor espírito "somos todos cariocas (ou fluminenses)". De repente, todos pareceram se unir, concentrando-se no socorro aos desabrigados e deixando a política de lado, como os americanos depois do 11 de setembro. E isso é muito bom. É algo extremamente louvável. Tragédias como a do Rio não devem mesmo ser exploradas politicamente por ninguém. Quem o fizer deve ser execrado em praça pública e expulso da convivência com gente decente. Mortos não têm partido.
Exatamente por isso, a pergunta que fica no ar é: por que essa atitude serena, equilibrada, "isenta", não foi adotada por muitos que hoje choram os mortos no Rio quando das chuvas que atingiram São Paulo, há apenas algumas semanas? Por que ninguém disse, então, "agora, somos todos paulistas"?
Em São Paulo, choveu durante 47 dias ininterruptos, e o número de mortos foi bem menor do que os mais de cem que morreram no Rio (detalhe: em apenas UM DIA de temporal). Mesmo assim, petistas e assemelhados deleitaram-se com o episódio, mal contendo a alegria em atacar a "incompetência" e a "negligência" do prefeito Kassab e do agora ex-governador José Serra, em busca de dividendos eleitorais. A mesma atitude serena e compungida que os petistas e seus aliados na imprensa demonstram agora em relação aos mortos no Rio não tiveram em relação aos mortos de São Paulo. Será que é porque São Paulo é governada por tucanos e o Rio por aliados de Lula e Dilma Rousseff? Não, isso seria pensar muito mal dessa gente boa e honesta, não é mesmo?
O pior é que motivo para acusar a irresponsabilidade das autoridades lulistas na catástrofe fluminense é o que não falta. Um dia depois de um barranco desabar em Niterói e deixar mais de 200 pessoas desaparecidas, soterrando casas que haviam sido construídas em cima de um lixão (com conhecimento da prefeitura), os jornais noticiam que o governo Lula transferiu nos últimos tempos, via Ministério da Integração Nacional, algo como 64% do orçamento em "ajuda de emergência" para a Bahia, cabendo ao Estado do Rio de Janeiro 0,9% do total. O Ministério da Integração Regional, a quem cabe, entre outras atribuições, lidar com calamidades, era comandado até a semana passada por Geddel Vieira Lima (apelido: "agatunado"), que vem a ser baiano e está de olho na cadeira de governador do Estado nas eleições deste ano. O atual governador da Bahia, por sua vez, é Jaques Wagner, do PT. Lula reagiu à notícia da maneira que lhe é peculiar: chamou-a de "leviandade", considerando-a, certamente, uma tentativa calhorda de se politizar uma questão que deveria estar acima de picuinhas eleitorais. É, Lula, você tem razão. Calamidades como a do Rio devem mesmo estar acima de considerações políticas. Pergunte a Geddel Vieira Lima.
Mas, pensando bem, por que se surpreender com mais essa tragédia anunciada, tornada ainda mais grave e revoltante pela leviandade petista? Afinal, esse é o mesmo governo que considerou uma "intervenção imperialista" a pronta ajuda dos EUA às vítimas do terremoto no Haiti, transformando o desastre numa ocasião para uma disputa mesquinha com Washington em nome do "protagonismo internacional", não foi?
Nem São Pedro escapou da policanalhada lulista. Ninguém está a salvo.
segunda-feira, janeiro 17, 2011
UM CRIME QUASE PERFEITO

Antes mesmo que a fumaça dos tiros tivesse se dissipado, a grande imprensa americana e mundial, o New York Times à frente, já tinha escolhido os culpados: Sarah Palin, que colocara em seu website uma imagem de alvo sobre o distrito da deputada baleada (que o atirador do Arizona tenha visto ou não tal imagem, não tem a menor importância, decretaram os jornais), o Tea Party, o NRA, a "cultura das armas" etc. Só faltaram colocar a culpa na CIA ou no Mossad.
.
Jared Lee Loughner, o assassino mentalmente perturbado que matou 6 e feriu gravemente 14, inclusive a deputada democrata Gabrielle Guiffords, se encaixa muito mais no perfil de esquerdista paranóico do que de membro do Tea Party. Vamos a alguns fatos:
.
.
.
,
- Gabriele Guiffords, a congressista democrata ferida com um tiro na cabeça, e que se tornou uma quase-mártir do lobby anti-armas nos EUA, defende, ela mesma, a posse de armas ("como uma tradição", mas defende).
.
Nem é preciso lembrar, mas nenhum desses fatos foi mencionado na imprensa brasileira, tendo sido referidos somente vários dias depois do atentado, e apenas de relance, na grande mídia norte-americana. O veredicto já havia sido tomado, antes mesmo que o caso chegasse às manchetes: a culpa do crime foi de Sarah Palin, do Tea Party, da NRA...
.
Uma Impressionante Coleção de Argumentos Brilhantes

.
"[defende o] facismo (sic)". (Comandante)
"não passa de um grande reacionário de primeira categoria". (bomberman)
"preconceituoso". (Anônimo)
"faz o discurso das elites e dos senhores de engenho". (Anônimo)
"[mostra] antagonismo infundado, medíocre e infantil com (sic) aqueles que pretendem trazer o merecido equilíbrio para nossa nação". (Anônimo)
"patológico psicanaliticamente falando". (Antonio Neto)
"insiste no pensamento mítico, místico, mágico, fantasioso, metafísico, preconceituoso, carregado de ódio e fanatismo". (Antonio Neto, de novo)
"Quanta asneira!". (Henrique S.)
"rebelde sem causa". (Silas)
"miquinho amestrado do sistema atual". (Silas, de novo)
"Da sua boca só sai merda". (Diogo)
"Quanta bosta escreveu". (Nildooooo Jr.)
"muito fraco espiritualmente, um vendido". (Nildooooo Jr., de novo)
"limitado, preconceituoso, quadrado...". (gamma)
"cuzão. para de ver tv e dá uma volta na rua pra ver oq acontece. (Anonimo)
.
.
"você quer se posicionar como um 'phodão'". (Joao Marcelo)
.
.
E, o melhor argumento de todos, a meu ver:
"seu judeu filho da puta" (Carlos, de novo)
sexta-feira, janeiro 14, 2011
A ESTRANHA LÓGICA DOS ESQUERDISTAS

Sem querer, você acerta em cheio, quando diz: “Pedir para alguém de esquerda apoiar o capitalismo e adorar os EUA é pedir para alguém de esquerda não ser de esquerda”. É exatamente isso! Você acabou de confirmar – mais uma vez – que esquerda pró-capitalista (logo, antitotalitária) e que não seja antiamericana é algo que não existe! É algo tão real quanto duendes e unicórnios.
Você só se equivoca num ponto: não é preciso adorar os EUA para não ser de esquerda. Basta não odiar os EUA. E suas opiniões sobre o terrorismo também deixam claro que não é possível ser de esquerda sem odiar a grande democracia americana.
Junior, você tem razão: como quero encontrar alguém de esquerda que não seja de esquerda? Como posso encontrar um esquerdista que não repudie integralmente o comunismo? Que não odeie os EUA? Que não procure justificar o terrorismo? Pedir isso é pedir algo que não existe. Esquerda democrática é mesmo uma contradição lógica. Obrigado por confirmar isso.
Enfim, deixei claro que é preciso ser antimarxista para ser antitotalitário. Que não é possivel ser contra o totalitarismo e recusar-se a repudiar Marx e a odiar o capitalismo e os EUA. Junior acha que dizer isso é ser ilógico. Fazer o quê?
Estranha lógica, essa dos esquerdistas. Estranhíssima. Melhor não entendê-la. Até porque, é impossível.
quinta-feira, janeiro 13, 2011
ADEUS A MAIS UM GÊNIO (UM P.S.)
Junior escreveu:
Assim como você, também não gosto que digam de mim o que eu não disse.
Em momento algum venerei Marx. Disse apenas que não iria pisar no retrato dele. Não sou marxista! Mas isso não me faz ser um anti-marxista. Assim como não gosto de Copa do Mundo, mas isso não significa que seja uma pessoa anti-copa do mundo. Aprenda a diferenciar as coisas.
Até.
---
Obrigado. Agora falta você dizer qual premissa por mim colocada é falaciosa.
Tá bom, Junior, você não venera o barbudo comedor de empregadas. "Apenas" não é antimarxista. A questão continua: é possivel ser antitotalitário e não ser antimarxista? Você já sabe o que penso a respeito.
Eu também não venero Hitler, nem Stálin, nem Mao Tsé-tung, nem Fidel Castro, nem Dilma Rousseff. Mas faço questão de frisar, sim, que sou anti-nazista e anticomunista (ou seja: antimarxista e antitotalitário). Você acabou de confirmar que não pode dizer o mesmo.
Imagine se alguém dissesse: "Não venero Hitler. Mas não pisaria num retrato dele. Não sou hitlerista. Mas isso não me faz ser um anti-hitlerista". O que você diria?
É isso aí. Antes era a teoria do roubo da galinha. Agora, é a da Copa do Mundo. Tem certas "lógicas" que é melhor nem tentar entender...
E, finalmente, só para lembrar:
Afinal, existe esquerdista que seja antitotalitário? Existe alguém que seja de esquerda e que não odeie o capitalismo e os EUA?
O HERÓI DOS IDIOTAS GLOBALIZADOS

Os advogados de Assange – que, como até os esquimós sabem, causou um reboliço de proporções mundiais ao publicar milhares de documentos secretos e confidenciais da diplomacia americana em seu site Wikileaks – agora vieram com essa: seu cliente corre o risco, se for extraditado para a Suécia, onde responde a um processo por estupro, de ir parar em Guantánamo. Pior: de ser executado pelo governo dos EUA.
A coisa seria somente risível, se não fosse mais uma pedra no edifício da mitologia que se está criando em torno de Assange. É mais facil o governo de Dilma Rousseff extraditar o terrorista italiano Cesare Battisti ou o representante das FARC no Brasil, o ex-padre Oliverio Medina, do que o dono do Wikileaks ser recambiado para Guantánamo ou acabar no corredor da morte em alguma prisão norte-americana. É um acinte à inteligência.
Assange, vamos lembrar, está sendo processado por estupro. E a Suécia, ainda que Lula da Silva ache que não, é uma democracia, assim como a Itália (classificação que, segundo os lulo-petistas, caberia, ao contrário, a Cuba ou ao Irã). Então, qual é o problema?
Não me causa surpresa que esse sujeito tenha se transformado no queridinho dos esquerdiotas: seu site, o Wikileaks, dedica-se a tornar inútil o trabalho dos diplomatas dos EUA, revelando dados que podem colocar em risco a segurança não só do país, mas do mundo todo. E isso, sim, é crime! Qual sua motivação? O antiamericanismo, o ódio, o puro e simples ódio, aos EUA, que é inseparável do ódio à civilização e à democracia. O que esse cara quer é tornar o mundo menos, e não mais, seguro, e aproveitar para aparecer nas manchetes dos jornais. E é por isso que tantos idiotas o veneram. Não tem nada a ver com “liberdade de expressão”. Nada a ver com o Freedom of Information Act (FOIA), com o qual já estão comparando - burramente, ignorantemente - o Wikileaks.
Os EUA têm segredos a esconder, e alguns, inclusive, precisam ser revelados? Não há duvida que sim, do mesmo modo que os governos da Suazilândia e do Butão. Mas não é isso que Assange faz. Em seu site, ele mostra um vídeo em que um helicóptero norte-americano Apache pulveriza um grupo de inocentes no Iraque, inclusive alguns jornalistas da Reuters. O ataque foi o resultado de um erro de informação, e os responsáveis, com ou sem Assange, deverão pagar por isso. Mas sua intenção ao mostrar o vídeo e ao vazar os documentos é reforçar a ideia de que os EUA estão no Iraque para praticar tiro ao alvo em civis. O que ele pretende é jogar lama nos EUA, pura e simplesmente. Para a alegria dos que odeiam os - é assim que eles chamam -"estadunidenses".
Há quem compare Assange a Daniel Ellsberg, o ex-funcionário do Pentágono que causou furou em 1971 ao divulgar informações secretas do governo dos EUA sobre a guerra do Vietnã. Os Pentagon Papers, como foram chamados, abalaram o governo e colocaram ainda mais a opinião pública contra a guerra. Há três diferenças fundamentais: primeiro, o número de documentos vazados por Ellsberg era muito menor do que os de agora (cerca de 1.000 contra mais de 250 mil); segundo, Ellsberg poderia dizer que estava agindo movido pela pròpria consciência, pois fora oficial de inteligência do Pentágono e estivera, inclusive, no Vietnã (se agiu certo ou não, esta é outra questão); terceiro, e o mais importante: os documentos vazados por Ellsberg não afetavam diretamente a segurança de cidadãos (norte-americanos ou não) no mundo todo, como é o caso do Wikileaks.
Mesmo assim, na época Nelson Rodrigues chegou a escrever uma crônica na qual perguntava sobre Daniel Ellsberg: se, na Segunda Guerra Mundial, um soldado americano roubasse documentos ultra-secretos revelando a data e a localização do desembarque do Dia D na Normandia, seria ou não considerado um traidor? Ellsberg foi tratado como herói pela esquerda anti-EUA. Assange também está tendo tratamento semelhante.
Tudo isso, porém, é acadêmico. O importante é que Assange está se escudando em sua condição de celebridade instantânea da esquerda chique e do antiamericanismo global para fugir a uma convocação legal por outro crime, que não tem qualquer relação com o Wikileaks. Para ele, é até conveniente que assim o seja, pois como se sabe seu público se alimenta de paranóia e fantasias conspiratórias. Quando eu quiser pôr em perigo a segurança do mundo livre, vou tomar o cuidado de estuprar duas suecas antes. Assim, estarei blindado contra qualquer acusação legal, que poderei atribuir a uma armação do imperialismo para me pegar.
Os advogados de Julian Assange estão com medo de que ele acabe em Guantánamo. Acho o receio totalmente infundado. Para alguém como ele, a cadeia não é a pior punição. Deixar de ser manchete, sim.
EIS COMO FUNCIONA A MENTE DE UM ESQUERDOPATA

Você caro Gustavo é mais um daqueles sujeitinhos mal amados. Nada de mulher ou sexo; nada de amor, amizade... Deve ser um gordo feio, que fica vendo um monte de merda americana na TV, comendo McDonald. Comedor de puta, pois não tem nenhuma chance com a mulherada perante o teu físico grotesco. Lamento... frustrado desse jeito, acho que também seria como você, seu judeu filho da puta! Defende a bandeira da liberdade única e exclusivamente para conseguir dinheiro à vontade e não pagar as penas das injustiças e desigualdades do mundo. Todos vocês são uma corja só: individualistas, assassinos e bandidos corruptos!!!
Vocês devem estar se perguntando: por que eu publiquei ISSO aqui? E por que ainda me dou ao trabalho de comentar essa porcaria, saída de uma mente certamente doentia e escrita em linguagem de cortiço? Peço desculpas aos demais leitores pelo nível realmente abissal desse tipo de coisa, mas respondo: publico porque tem um significado, digamos, didático. Antes de expelir essa excrescência de meu blog – fique tranquilo, caro imbecil, aqui você não bota mais os cascos –, não resisto a dizer algumas palavras sobre, bem, sobre "isso aí".
O autor do, como dizer?, "comentário" reproduzido acima é um gênio, como já disse. Além de saber tudo sobre modos de produção econômicos (chegou a dizer, em resposta a um post meu anterior, que o capitalismo é uma "construção ideológica", vejam só...), ele sabe tudo da minha pessoa. Mais do que isso: sabe tudo sobre minha privacidade. Deve ter sido professor de Freud ou de Lacan na faculdade, pois conhece até os mais profundos recônditos de minha vida sexual e afetiva... É tambem alguém dotado de uma incrível percepção extra-sensorial, pois sabe perfeitamente como é meu tipo físico, além de conhecer a fundo minha dieta diária e o que vejo na televisão. Daqui a pouco vai adivinhar minha cor favorita ou para que time de futebol eu torço. Gostaria de saber o nome da empresa que fabrica o chip que o dito-cujo instalou em meu cérebro para me monitorar ou coisa parecida...
Mas o mais impressionante, o mais genial em sua mensagem, é que, graças a ele, eu descobri – sim, agora eu sei – que eu sou um "judeu filho da puta" (!?). Sim, senhores! Confesso que fiquei surpreso com essa revelação. Já tinha sido alvo de ofensas pessoais de baixo nível, e inclusive de xingamentos à minha genitora, mas, sinceramente, "judeu" é a primeira vez. Ainda por cima os dois epítetos juntos: “judeu filho da puta”! Só posso concluir que, para quem expeliu essa pérola, as duas coisas são sinônimos, existiria até uma relação causal entre as duas palavras. Ou seja: sou judeu porque sou f.d.p. e sou f.d.p. porque sou judeu. De qualquer maneira, sou um judeu desprezível, que merece ser exterminado. Peraí! Isso me lembra alguém...
Páro por aqui. Tanta imundície já está me dando náusea, enjôo, ânsia de vômito. Já estou com vontade de dar às palavras do tal “Carlos” o mesmo destino que se dá a um lanche digerido do MacDonald’s. A diferença é que nem o esgoto, creio eu, iria aceitar esse tipo de indecência.
ADEUS A MAIS UM GÊNIO

O Junior – aquele leitor que insiste na existência de uma esquerda antitotalitária, assim como muitos insistem que existem ETs e que a Terra seria oca – decidiu pedir para sair do blog. Não quer mais brincar. Não vai mais me brindar com sua sabedoria.
Vejam o que ele escreveu sobre meu texto UM EXERCÍCIO DE LÓGICA IMPECÁVEL (OU: A FILOSOFIA DO ROUBO DA GALINHA):
---
Definitivamente o pessoal de direita não sabe lógica!
Respondendo ao anônimo: Em momento algum eu me disse citando Marx, logo não preciso demonstrar fonte do mesmo.
Respondendo ao Gustavo. Não queime os seus livros de filosofia, apenas faça o que você não fez: estude-os.
A lógica que utilizei foi a mais simples, que pode ser encontrada em qualquer livro de Introdução à Lógica, e que pelo visto você não consegue sequer acompanhar. O que disse em ambos os silogismo nada mais foi do que:
Todo A é B
C é A
Logo, C é B.
A tua lógica é que não tem lógica alguma. Você disse:
X tem A
X tem A porque B
X é B porque C
X é C porque D
Depois quis concluir da seguinte forma:
Y não A
Logo, Y é G
Ou seja, uma lógica de botequim que só um bebum pode comprar!
Vai estudar, seu Zé Mané! Teu discurso não tem coerência alguma.
Mas como você admitiu a falácia da premissa A (Todo Homem que se diz ser contra a desigualdade social e econômica é totalitário), não vejo mais porque continuar estendendo minha conversa.
Como admiti que ambas as premissas A estavam erradas, não preciso me explicar quanto a filosofia do ladrâo de galinha que você tentou me atribuir.
Até.
---
Junior, realmente nao consigo acompanhar sua lógica, em especial sua teoria revolucionária do roubo da galinha – aquela que compara a defesa (inconsciente ou não) do totalitarismo com um ladrão de galináceos. Sou um cara meio curto das idéias, não tenho toda essa sua sofisticação intelectual. Por exemplo, não consigo entender como é possível alguém se dizer contrário a ditaduras e ao mesmo tempo venerar Marx, o pai ideológico das piores ditaduras que já existiram. Pensei que você pudesse me explicar isso.
Até pensei em seguir seu conselho, e reler toda minha biblioteca de Filosofia, desde os pré-socráticos. Mas ai me dei conta de que não preciso, pois você já explicou tudo. Sua teoria, de tão inovadora, transforma Aristóteles num Zé Mané, assim como eu.
Realmente meu discurso não tem coerência nenhuma, como você disse. Afinal, é muita incoerência da minha parte afirmar que qualquer um que se diga contrário ao totalitarismo tem que repudiar o marxismo. Coerência, mesmo, é se dizer um defensor da liberdade e continuar venerando o pai ideológico de Lenin e Stalin.
Como já disse, a premissa A – "Todo homem que diz ser contra a desigualdade social e econômica é totalitário" – está errada, pelos motivos que já apontei. O maior deles é um simples detalhe, que voce, pelo visto, esqueceu: eu simplesmente NÃO disse isso. Afirmei, e repito, o seguinte: Todo homem que se diz contra a desigualdade social e econômica (ou pela paz, o amor, as flores e as borboletas...) mas que não repudia o marxismo É SIM, A FAVOR DO TOTALITARISMO (por convicção ou por ingenuidade, não importa). E todo aquele que insistir no contrário ou é um tolo ou é um cínico. Mas isso, claro, é logica de botequim que só um bebum pode comprar...
É uma pena mesmo que voce va nos deixar, Junior. Mas pelo menos não vou ter mais que repetir a pergunta de que voce fugiu de responder: afinal, existe esquerdista que seja antitotalitário? Existe alguém que seja de esquerda e que não odeie o capitalismo e os EUA? Você, com esse seu comentário, respondeu a pergunta.
Adeus, Junior. Você vai deixar saudades.
quarta-feira, janeiro 12, 2011
EU, O "TUCANO"

Concordo com esse texto mas sugiro que você mude o nome do Blog.Ao invés de Blog Do Contra coloque blog do PSDB.Você só usa o blog para criticar o governo do PT? Pare com isso e começe a ser sensato. Não use esse poderoso veículo de comunicação apenas para mudar as opiniões das pessoas. Se quer falar dos erros do governo do Lula ok mas ressalte também os acertos.
Ai, ai... Fico na dúvida se devo responder a esse tipo de coisa ou não (é chato ficar me repetindo). Mas vamos lá. Pelo menos ele disse que "concordou" com o texto (será que concorda mesmo? Sei não...).
Mudar o nome do blog? Já pensei nisso. Mas, francamente, "Blog do PSDB" (?!) O companheiro aí em cima pelo visto não deu uma olhada nos arquivos do blog. Se fizesse issso, perceberia que há lá vários textos meus em que desço o malho nesse chá de dondocas e bando de socialistas envergonhados que é o PSDB, um partido que faz de tudo – até perder eleição – para não confrontar o chefe do governo mais corrupto da História do Brasil. Deixo aqui alguns links para que ele mesmo tire a prova: http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2010/02/onde-esta-direita.html;http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2010/02/rumo-farsa-eleitoral.html; e http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/2007/11/pt-e-psdb-o-duoplio-esquerdista.html.
O que não me deixa de causar espanto em comentários assim são frases como "Você só usa o blog para criticar o governo do PT?" etc. Digamos que isso fosse verdade. Que o blog só existisse para criticar os petralhas. Pergunto: e daí? Qual o problema com isso? Eles estão acima da crítica? Então, para falar mal do Lula, é preciso falar mal do Serra ou do DEM também, senão não vale? É isso o que chamam de "neutralidade"?
Quem acompanha o blog sabe perfeitamente que não me limito a criticar Lula e o PT. Mas e se fizesse isso, qual seria o búsilis? "Ah, mas você não vai falar mal do PSDB também?" etc. Posso até falar, como falo, mas não porque os petralhas querem que eu fale (ou pelos motivos que eles acham que devo criticar). Quem disse que para denunciar os petralhas é preciso olhar para o outro lado? Isso não passa de uma forma de pautar o blog. Se é isso que querem, podem tirar o jegue da chuva que ele já está molhado.
Essa tentativa tosca de reduzir toda a política à polarizacão petistas versus tucanos é uma das coisas mais falsas que existem, como já cansei de escrever, além de ser um claro sinal de rebaixamento do debate político. Então tudo se resume a ter de escolher entre mais e menos esquerda, entre a esquerda da esquerda e a direita da esquerda? Então quem não é petista é tucano? É isso?
É curioso como a principal linha de defesa dos petistas e assemelhados, hoje, seja o nenhumladismo, isto é, a idéia muito conveniente de que "todos fazem igual" e que, portanto, as culpas se equivalem, e o jogo estaria zerado. Quer dizer: antes, "eles" se diziam os virtuosos e diferentes de "tudo isso que está ai". Agora, ele se escudam na idéia de que são iguais a todo mundo. Não caio nessa. Aliás, já denunciei aqui esse discurso como uma forma de empulhacào, criada para salvar a cara da petralhada. Todos iguais, o cacete!
Outra coisa: não quero mudar a opinião de ninguém. Os lulo-petistas, por exemplo, vão continuar com a opinião deles lendo ou não o que escrevo. Quero apenas expor a minha opinião (ter uma opinião própria, aliás, está ficando perigoso...). E minha opinião, deixo claro, não é a mesma de quem diz "quer falar mal do governo, ressalte também os acertos". Também já falei desse tipo de discurso acaciano aqui. Aliás, já ressaltei, em outros textos, o principal – na verdade, o único – acerto do governo Lula: a manutenção da mesma política economica de FHC. Eles, os petralhas, é que parecem que não gostam muito de falar nisso. Até dizem que foram eles que fizeram tudo... Mas dizer isso, claro, é ser "tucano".
Não, meu filho, não sou sensato. Não vou mudar o nome do blog. Não vou deixar que me pautem. O blog continua sendo Do Contra. Contra a burrice. Contra a sonsice. Contra comentários cretinos como o que está aí em cima.
UM EXERCÍCIO DE LÓGICA IMPECÁVEL (OU: A FILOSOFIA DO ROUBO DA GALINHA)

Não há nada de burro em você, mas falta boa vontade. A analogia que fiz foi muito simples. Em termos lógicos você disse:
A)Todo Homem que se diz ser contra a desigualdade social e econômica é totalitário.
B) Junior é contra a desigualdade social e econômica.
C) Logo, Junior é totalitário.
Eu disse:
A) Todo pobre é ladrão de galinha.
B) Fulano é pobre.
C) Logo, Fulano é ladrão de galinha.
Logicamente, premissas e conclusão estão corretas, mas a premissa A (de ambas as partes) é falaciosa. Portanto, se uma premissa é mentirosa, a conclusão não pode ser correta.
Continuo a afirmar: sou contra a desigualdade social e econômica e também sou contra o totalitarismo.
---
Caro Junior,
Parafraseando o que você disse a meu respeito, desconfio de que você até tem boa vontade em querer aprender, mas falta-lhe, infelizmente, a necessária capacidade cognitiva.
Depois de ler essa sua explicação sobre a analogia entre a defesa do totalitarismo e o roubo da galinha, tomei uma decisão drástica: vou agora mesmo queimar todos os meus livros de Filosofia. Vou fazer uma grande fogueira. O que você escreveu é simplesmente uma revolução. Voce inventou uma nova lógica: a lógica do roubo da galinha.
Em primeiro lugar, quero dizer que concordo inteiramente com você quando diz que a a premissa A ("Todo Homem que se diz ser contra a desigualdade social e econômica é totalitário") é falaciosa. Só tem um problema: onde foi que eu escrevi isso? Minha memória pode falhar às vezes, mas me lembro bem do que eu disse – e, principalmente, do que eu NÃO disse. E o que escrevi foi o seguinte (vou resumir para você):
1) Não basta se dizer a favor da igualdade (ou da justiça, ou da paz e do amor...); é preciso ser coerente;
2) A favor da igualdade etc., tiranos como Stálin e Hitler também eram;
3) Dizer-se a favor da igualdade etc. sem enfatizar igualmente a LIBERDADE é um contra-senso, e significa, sim, aproximar-se do totalitarismo, que também valoriza a “igualdade”;
4) Defender a liberdade (portanto, ser anti-totalitário) é repudiar o marxismo, pois não é possível ser anti-totalitário sem ser antimarxista.
Enfim, sua analogia – e a explicação que você dá a ela - tem tanto sentido quanto a seguinte:
A) Manoel tem um aquário.
B) Ele tem um aquário porque mora sozinho.
C) Ele mora sozinho porque é solteiro.
D) Ele é solteiro porque é mulherengo.
Manoel então resolveu aplicar esse mesmo método a seu amigo, Joaquim. Ele chegou à seguinte conclusão lógica:
A) Joaquim não tem um aquário.
B) Logo, Joaquim é gay.
E só para lembrar, propus uma questão lógica bastante simples:
A) Junior se diz de esquerda e contra o totalitarismo.
B) O marxismo é uma ideologia de esquerda e é essencialmente totalitária.
C) Junior se recusa a dizer-se antimarxista.
D) Preciso continuar?
Continuo a perguntar: conhece alguém que seja de esquerda e antimarxista? Conhece algum esquerdista que cuspiria no retrato de Marx? Algum que não odeia o capitalismo e os EUA? Você, pelo visto, não é essa pessoa.
terça-feira, janeiro 11, 2011
RESPOSTA A UM GÊNIO

[...] Penso que há um equívoco em tua resposta ao junior. Você diz que se alguém não é a favor do capitalismo ou é comunista ou anarquista. Mas o que é isso? Dizer que estas são as únicas possibilidades do homem é reducionismo. Todas as três formas citadas são construções ideológicas recentes. Não creio que um grego do séc. VII a.C. vivesse em algum destes três sistemas.
Reduzir-nos a estes três é assumir a incapacidade do homem de pensar num sistema mais avançado e melhor.
O autor do comentário acima, como vocês devem ter notado, é um gênio. Sim, pois só um gênio para dizer que há uma terceira alternativa ao capitalismo, além do comunismo ou da anarquia. Só um cérebro privilegiado para afirmar que dizer o contrário é "reducionismo". Só mesmo um Einstein, um Stephen Hawking, para dizer que o capitalismo é uma "construção ideológica", como o comunismo ou o anarquismo...
Suponho que o autor dessas pérolas de sabedoria tenha as chaves de um mundo perfeito, uma terra encantada onde corre leite e mel. Estou curioso: que outro sistema "mais avançado e melhor" que o capitalismo a humanidade criou ou vai criar um dia? Talvez o Carlos saiba.
Em tempo: o fato de os gregos do século VII a.C. viverem num sistema econômico-social diferente do capitalismo, ou do comunismo, ou da anarquia, quer dizer o quê, exatamente? Que deveríamos renunciar ao que temos hoje e voltar 2.500 anos atrás? Não dá para negar que é uma alternativa. Já temos três, portanto: o comunismo, a anarquia (que as vezes se confundem) e a volta ao passado escravista. Ou, por que não?, uma volta ao feudalismo? Ou, ainda, por que não retroceder um pouco mais na escala do tempo e regressar à epoca das tribos coletoras-caçadoras? Pensei muito e não, obrigado: fico com o capitalismo mesmo.
Na verdade, pelo visto só há uma alternativa mesmo ao capitalismo. Ela implica abandonar a posição ereta e passar a movimentar-se sobre os quatro membros ao mesmo tempo. Significa passar a andar de quatro e comer capim. Como já estou velho demais para isso, e como tenho ambições bem modestas - basta o sistema permitir a liberdade, já está de bom tamanho para mim -, prefiro o capitalismo.
DESTRUINDO ILUSÕES - II

O que você diz sobre a minha resposta não é o que eu disse. Você distorceu o que eu disse a seu favor.
Junior, você me deixou confuso: não foi você que escreveu o comentário? Limitei-me a analisar e responder o que você escreveu. Cheguei mesmo a reproduzir integralmente, aqui, suas palavras, como faço novamente agora. Mas você diz que o que eu disse não foi o que você disse. Foi algum "bogus"?
Dizer que alguém por ser contra a desigualdade social e econômica é se aproximar do totalitarismo só porque Lênin, Stalin e Hitler o fizeram, é uma falácia da tua parte. É como dizer que só porque um pobre roubou uma galinha, então todo pobre é ladrão de galinha. Não é bem assim que a coisa funciona.
"Só porque"? Então você acha pouco convergir com esses ditadores e assassinos em massa?...
Mas deixa pra lá. O importante é que apontei um aspecto comum a todas as formas de totalitarismo – a ênfase na "igualdade", em detrimento da liberdade (a melhor maneira de não ter nem uma coisa nem outra). Aspecto esse que você, pelo que escreveu, compartilha. Se isso é uma "falácia", como você diz, então devemos concluir que toda a lógica é falaciosa e deve ser abandonada.
Junior, confesso que não entendi essa sua analogia do apoio ao totalitarismo com o roubo da galinha. Poderia explicar melhor? Talvez eu seja muito burro e não tenha entendido pensamento tão elevado...
Se falo que sou contra a desigualdade social e econômica e também sou contra o totalitarismo, significa que NÃO vejo como solução para a desigualdade o totalitarismo.
Como já disse, Lênin, Stálin e Hitler tambem se diziam contra a desigualdade etc. Mas é verdade, falar não é o bastante. É preciso ser coerente. Falar que é a favor da liberdade mas não firmar posição contra o marxismo, por exemplo, é de uma incoerência sem tamanho. Eu diria mesmo que é um sintoma de esquizofrenia.
Mas OK, você diz que não considera o totalitarismo uma solução. Perfeito, estamos de acordo quanto a esse ponto. Isso significa que você deve repudiar totalmente o marxismo, fonte dos piores regimes totalitários do século XX, certo? Mas será que é isso que você faz?
.
Mais uma incoerência: dizer-se contra o terrorismo e afirmar, logo em seguida, que ele é uma "resposta ao imperialismo" (!) só pode ser cinismo retórico ou confusão mental. É o mesmo que colocar Bin Laden e os fanáticos do Hamas ou do Hezbollah como lutadores da liberdade em defesa dos oprimidos... Como lutadores contra o "império" etc. Se isso não é justificar o terrorismo – e, portanto, a morte de milhares de inocentes –, sinceramente não sei o que é. (Sem falar que meu exemplo da Indonésia e de Timor-Leste continua sem resposta: se o terrorismo é uma forma de “resistência à dominação estrangeira”, então por que não há terroristas antiindonésios?)
Em outras palavras, o que você está dizendo é o seguinte: o terrorismo é uma reacão ao "imperialismo". Logo, se não houver "império", não haverá mais terrorismo. Logo, se não houver mais EUA, deixará de existir o terrorismo. Conclusão: os EUA, e não Bin Laden, são os grandes culpados pela existência do terrorismo. Ou: o problema não é o terrorismo em si, mas o "império"...
Mas nem precisa responder. O que vem em seguida já respondeu tudo para mim:
Pergunta: Por que deveria pisar no retrato de Karl Marx, se muito do que ele disse no "Capital" e sobre o capital é verdade? Por que deveria esquecer Marx, se até mesmo os capitalistas americanos o leram e o consideram relevante?
Resposta: por que você deveria pisar no retrato de Marx? Por nada. Só porque ele foi o pai ideológico das piores ditaduras que já existiram sobre a Terra? (Sem ele, não teria havido Lênin, nem Stálin, nem Mao Tsé-Tung, nem Fidel Castro...) Só porque ele foi um notório racista, etnocêntrico e advogado do exterminio de populações inteiras? Por que se importar com essas coisas desimportantes? Por que um democrata e defensor da liberdade iria cuspir no túmulo de alguém assim, não é mesmo?
Ah, mas "até mesmo os capitalistas americanos" consideram o Carlos Marques relevante, é? Bom, pior pra eles, isso mostra apenas que deveriam estudá-lo melhor, não o conhecem o bastante. Aliás, não digo que o velho barbudo comedor de empregadas não tenha lá sua relevância histórica, nem que devemos esquecê-lo: pelo contrário, acho que figuras como Marx, assim como os crimes inomináveis que ele inspirou, devem estar sempre na memória. É preciso sempre lembrar dos crimes do comunismo, assim como de Auschwitz. Assim, quem sabe, haverá menos gente iludida na idéia do Marx "humanista", entre outras balelas que nos ensinaram no ginásio.
Mas enfim, Junior, quando é que você vai me mostrar um exemplo de esquerdista que preza pela liberdade e pela democracia, anticomunista e defensor do capitalismo e do liberalismo, enfim, da sociedade aberta? Até agora, você só comprovou o que venho afirmando desde que criei este blog: que é impossivel ser de esquerda e não ser, de alguma forma, pró-totalitário. Pelo que você escreveu, você está em sintonia com o que dizem o PSOL ou o PSTU. Continuo esperando. Sou um cara paciente.
segunda-feira, janeiro 10, 2011
DESTRUINDO ILUSÕES

Em meu último post, fiz o seguinte desafio:
Ou, para ser mais preciso: dê-me um nome, um único e miserável nome, de algum esquerdista que seja anti-Fidel Castro, anti-FARC, antitotalitário e que, ao mesmo tempo, seja a favor do capitalismo, do Ocidente e dos EUA (lembrando: as únicas alternativas ao capitalismo são o comunismo e a anarquia; e nenhum deles é muito compatível com a civilização).
Junior respondeu assim:
Respondo: Eu sou! Sou contra Fidel Castro, Hugo Chávez, Stálin, Mao Tsé-Tung, Che Guevara, Lênin, anti-FARC, antitotalitário e anti-Bush! Mas prezo pela esquerda e não pela direita. Não concordo com o método capitalista, e isso não significa que quero fazer uma revolução comunista. Ser de esquerda, segundo penso, é ser contra o status quo operante, ser contra a desigualdade social e econômica. Penso que as pessoas deveriam ter um sistema econômico mais igualitário, e isso não significa ser totalitário. Mas você pode dizer: "mas isso é utópico!". Que seja! Não vou ser a favor do sistema econômico presente só por ele ser o "menos pior".
Caro Junior,
Continuo à espera de você me mostrar um nome, apenas um nome, de alguém que seja de esquerda e, ao mesmo tempo, ANTICOMUNISTA, PRÓ-LIBERAL e A FAVOR DO CAPITALISMO e dos EUA. Você, pelo que escreveu, está mais à esquerda do que muita gente no PSOL...
Aprendi há tempos que não se deve julgar alguém pelo que ele ou ela diz de si mesmo, e você apenas confirma isso. O que significa não concordar com o "método" capitalista? O capitalismo não é um "método", seja lá o que isso signifique; é um sistema econômico. As únicas alternativas a ele são o comunismo ou a anarquia. Dizer-se contra o capitalismo como "método", sinceramente, é não dizer rigorosamente nada (não sou contra o comunismo como "método", sou contra ele em sua totalidade).
Sua definição de esquerda como uma posição moral – ser contra a desigualdade social e econômica, em favor de um sistema mais igualitário etc. – é outra coisa que não quer dizer absolutamente nada. Aliás, é mais um fator a lhe aproximar do totalitarismo: todos os tiranos de esquerda, como Lênin, Stálin e Fidel Castro, são ou se dizem a favor da igualdade. O próprio Hitler se dizia a favor da igualdade.
Você diz que não se importa de defender algo utópico. Até aí, tudo bem. Sonhos, todos precisam ter. Mas dizer que não defende um sistema econômico por ele ser o "menos pior", é algo difícil de aceitar. O fato de o capitalismo ser "menos ruim" do que todos os outros sistemas é, para mim, motivo mais do que suficiente para defendê-lo. Do mesmo modo que a democracia, como disse Churchill, é o pior dos regimes políticos, excetuando todos os outros. Por esse seu raciocínio, deveríamos descartar a democracia, pois afinal ela é o "menos pior" dos regimes. O que sobra? O... totalitarismo! Justo aquilo que você diz não defender.
Tudo isso só vem confirmar aquilo sobre o que já escrevi abundantemente neste blog: que a suposta divisão entre esquerda "moderada" (ou "light", ou “democrática”) e esquerda radical, ou entre esquerda "vegetariana" e esquerda "carnívora" não passa de uma tola ilusão. Refrigerante light engorda menos, mas tambem engorda.
Não nos esqueçamos que muito do terrorismo existente se deve ao próprio EUA. Foram eles os primeiros a entrarem em outros países pregando seu american way of life e a longa vida ao capitalismo. Não apoio o terrorismo. O que digo é que, talvez, se os EUA fossem menos invasivos (seja belicamente, seja culturalmente), talvez não houvesse terrorismo contra os EUA e nem anti-americanos. Pergunta: Por que não há anti-esquimós?
(Talvez estes nunca tenham se metido na cultura alheia)
Junior, vamos dar nome aos bois: de que "muito do terrorismo existente" você está falando? Do Bin Laden? Do Hamas? Do Hezbollah? Do ETA? O que você está dizendo é: só existe terrorismo porque os EUA fizeram isso ou aquilo ("se meteram na cultura alheia" etc.). Ou seja: só existe terrorismo – é o que você diz – por causa dos EUA. Em outras palavras, você está dizendo que o terrorismo é uma forma de reação ao "imperialismo", uma tese constantemente repetida por gente como Hugo Chávez e Fidel Castro.
Ainda que o terrorismo fosse isso mesmo, e que os EUA fossem os culpados por ele existir – a teoria do "estão colhendo o que plantaram" etc. –, seria preciso descobrir que tipo de “invasão bélica ou cultural” os EUA fizeram em países como o Afeganistão antes de 2001... Além do mais, eu lhe pergunto: por que não se vê um cidadão de Timor-Leste, por exemplo, se encher de bombas e ir se explodir e levar junto umas duzentas pessoas na Indonésia? A Indonésia invadiu Timor-Leste em 1976, ocupou o país por quase trinta anos, tentou impor sua cultura e exterminou boa parte da população timorense. Então, por que não há antiindonésios? (Outra coisa: quem disse que derrubar ditaduras e garantir os direitos humanos é "se meter na cultura alheia"? Então o totalitarismo agora é uma característica cultural de certos povos? Isso me parece uma forma de ofendê-los.)
Ainda assim, mesmo que os EUA fossem os grandes culpados por serem alvos de ataques terroristas – o mesmo dizem de Israel –, você estaria obrigado a afirmar que o que aconteceu em 11 de setembro de 2001 foi uma "resposta legítima" ao "imperialismo" norte-americano. Estaria obrigado a dizer que as vítimas tiveram o que mereceram. Preciso comentar isso?
Enfim, assim como vc é anticapitalista, também é antiamericano. Quase tão anticapitalista e antiamericano quanto os irmãos Castro ou o João Pedro Stédile. E é de esquerda, como você mesmo faz questão de frisar.
Portanto, o desafio continua: mostre-me alguém que se diz de esquerda e que pisaria num retrato de Karl Marx. Mostre-me um esquerdista que reverenciaria a bandeira dos EUA. Enfim, um esquerdista que defenda a liberdade e a democracia. Qualquer um. Continuo esperando. Vou esperar sentado.
sábado, janeiro 08, 2011
UMA PERGUNTA - E UM DESAFIO
Se você pega apenas uma parte da direita e esquece os golpes e demais atrocidades que o EUA e demais cometeram. Por que não posso ir contra Fidel Castro, ser antitotalitário, ser contra as Farc e me manter na esquerda por ser contra o status operante do mundo e achar que o capitalismo não é a saída ideal para o mundo?
Penso que você se engana ao tratar somente a esquerda a maneira de Fidel.
RESPONDO
Caro,
Primeiro, não sou eu que "faço" a "minha própria" direita. Não faço nada. Apenas chamo a atenção para um fato que julgo preocupante no Brasil: a inexistência, nestas paragens, de uma resposta liberal, conservadora - e sim, de direita - à hegemonia esquerdista. E aponto para algumas características básicas da direita liberal (ou liberal-conservadora): o antitotalitarismo é uma delas. Isso significa que qualquer um que se apresentar como "de direita" mas não tiver como fundamento de ação a defesa da liberdade não contará com meu apoio. Pelo contrário: denunciarei o sujeito como um farsante.
Segundo, vamos tratar os conceitos com o devido respeito: se você está se referindo a uma direita antitotalitária (ou seja: liberal, ou liberal-conservadora) como o oposto de uma direita golpista (aqui acertou) e INDIVIDUALISTA (!?), acertou em parte. De fato, sou antitotalitário (o que significa que sou anticomunista, e antifascista), mas de onde você tirou que "golpista" e "individidualista" são coisas aparentadas? Sou antitotalitário e individualista, o que não me torna "golpista" ou seja lá o que for. O individualismo é a base mesma do pensamento liberal. Preciso explicar por quê?
Terceiro, não disse que você não pode falar de uma esquerda que não seja revolucionária. Pelo contrário, mostro em vários textos que não é preciso ser um bolchevique sedento de sangue da burguesia para ser esquerdista. Afirmo apenas que, por mais diferentes que sejam os diversos matizes de esquerda, há mais a uni-los do que a separá-los. Quem mais sustenta regimes e ideologias totalitários não são os radicais; são os "moderados".
Quarto, faço-lhe um desafio:
Ou, para ser mais preciso: dê-me um nome, um único e miserável nome, de algum esquerdista que seja anti-Fidel Castro, anti-FARC, antitotalitário e que, ao mesmo tempo, seja a favor do capitalismo, do Ocidente e dos EUA (lembrando: as únicas alternativas ao capitalismo são o comunismo e a anarquia; e nenhum deles é muito compatível com a civilização).
Se você encontrar alguém que se encaixe na definição acima, pode ter certeza: ele ou ela não é, ou não é mais, de esquerda.
Faça isso, caro leitor, e eu deixo de ser do contra. Faça isso, e prometo que me converto no mesmo instante ao que você quiser que eu me converta, e passo a acreditar no que você quiser que eu acredite. Aproveite e me diga que sistema econômico-social além do capitalismo é compatível com a democracia e o respeito às liberdades individuais e aos direitos humanos. E que outro país além dos EUA é capaz de enfrentar ameaças como o terrorismo islamita e salvaguardar as liberdades democráticas no mundo inteiro.
Enfim, como já disse antes, eu posso ser de direita e antitotalitário. E quem é de esquerda, pode dizer que é também anticomunista? Responda, se puder.
LULA É MINHA ANTA

Não concordo contigo Gustavo, fato é que Lula ainda está mais em evidencia do que nunca, prova disso é que seu blog está falando dele e duvido muito que isso mudo nos proximos anos, até porque a oposição acredito que tema sua volta, coisa que acredito que acontecerá,
Meu caro, quem está falando que Lula não está mais ou não estará em evidência? Pelo contrário! O lulo-petismo está aí para ficar, e a pelegocracia mostra isso claramente. Escrevi apenas que Lula terá de contentar-se em dirigir o show dos bastidores, e que ele não está acostumado a exercer esse papel. Ele precisa de platéia, de bajuladores, da pompa do poder, ou não é Lula.
você pode querer negar, mas Lula é o maior presidente da historia do Brasil, pode ter certeza que daqui alguns anos a historia sera dividida entre antes e depois do Lula.
OK, Lula é o maior presidente desde o Big-Bang. Afinal, foi ele o idealizador do Plano Real, da Lei de Responsabilidade Fiscal, das privatizações e do superávit primário. Foi ele também o criador do Bolsa-Escola e do PROER, o pai do Mercosul e das metas de inflação. Aliás, foi ele quem inaugurou o Brasil em 1500 (uma obra do PAC). Ele esteve também com Moisés na travessia do Mar Vermelho e ao lado de Alexandre, o Grande na invasão da Ásia. Antes disso, por puro tédio, ele criou o Mundo em seis dias e, no sétimo, foi descansar tomando uma caninha e batendo uma pelada com uzcumpanhêru num churrasco na Granja do Torto.
Mas numa coisa o leitor está certo: a História já se divide entre AL e DL, ou Antes de Lula e Depois de Lula (ou "nunca antes na história destepaiz"...). Realmente, antes do Guia Genial, a sem-vergonhice e a cafajestagem ocorriam às ocultas, os governos pelo menos tentavam parecer honestos; depois dele e sua turma, nem isso.
Lula fez com que o Brasil fosse umas das economias emergentes mais sólidas do mundo, isso em tempos de crise.
Puxa, Lula "fez com que fosse" (sic), é? Sei, sei... Agora entendo por que ele resolveu registrar em cartório as obras fictícias do PAC... Ele inventou o complexo do PIB pequeno ("Meu PIB é maior do que o PIB dos outros"). Claro, nada disso teve nada a ver com o agronegócio, de que os lulo-petistas e seus amigos do MST tanto gostam, ou com um empresariado que, mesmo com tantos estímulos à produção (uma carga tributária baixíssima, como se sabe), insistem em produzir num país em que os impostos são tão bem aplicados (aumento desenfreado dos gastos e do déficit público, no governo Lula? Imagina... Só pode ser chilique da classe média paulista...). Antes era o "foi Maluf que fez". Agora é Lula, o do PIB enorme...
Eu cresci ouvindo falar na dívida externa e no governo Lula o Brasil se tornou credor do FMI, coisa impensavel na era FHC.
Cresceu ouvindo falar, mas não aprendeu ainda o que é a coisa. O Brasil é "credor" do FMI desde 1944, quando o Fundo foi criado (o nome disso é cotas; cada país dá a sua). Mas deixa pra lá. O importante é que Lula pegou a economia em frangalhos, com inflação fora de controle, endividamento acelerado... É um pássaro? É um aviâo? Não, é Lula contando mais uma piada.
Um dos únicos governos a olhar para os mais pobres, a criar programas nos quais a população pudesse melhorar de vida ( escola da familia, bolsa familia etc).
Lula consegue inclusive ser lembrado por seus adversários ( covardes o bastante para não o enfrentar.
Lula merece meu aplauso e sua lembrança
Hummm... Essa conversa de "olhar para os mais pobres" me lembra alguns regimes que prometiam o paraíso aqui na Terra, com o problema de que as pessoas tinham que passar pelo inferno antes... (o chato é que a temporada no inferno costumava se prolongar e o paraíso nunca chegava, mas sabe como é, né? as pessoas nunca estão satisfeitas...). Eu me contentaria se o governo não tivesse entronizado o assistencialismo e o coronelismo, ou roubasse menos, ou não mentisse tanto, ou não afagasse tanto ditadores... Já estaria de bom tamanho. Mas OK, já disse que com Lula o povão melhorou de vida e está comprando mais (embora isso não signifique que esteja surgindo uma "nova classe média" - já escrevo sobre isso). Também já escrevi que ele pegou o bonde andando. E que não se arrependeu nem um pouquinho de ter sido contra as mesmas políticas de que agora se diz o criador. Mas sobre isso já escrevi bastante.
De tudo que o tiete do Filho do Barril escreveu, concordo apenas com uma coisa: de fato, ele se beneficia de não ter adversários com coragem para o enfrentar. Além de cara-de-pau, o sujeito tem muita sorte, pois não tem oposição. Foi só por isso que conseguiu emplacar o poste de saias. Só por isso, também, ele merece meu desprezo.
O mais curioso é que Lula, como já escrevi aqui várias vezes, não existe. Ele não passa de um mito, uma lenda, um boitatá do folclore esquerdista tupiniquim. É por isso que estou condenado a falar dele. Quanto menos ele existe na realidade, mais sou obrigado a denunciar sua formidável impostura. Quanto mais ele foge, mais eu corro atrás. A exemplo do que ocorre com o Diogo Mainardi, Lula é minha anta.
sexta-feira, janeiro 07, 2011
DA IMPORTÂNCIA DE SE INDIGNAR

Há vários motivos para eu considerar esse comentário uma das maiores cretinices que alguém já despejou aqui e mandar quem o fez ir pastar e comer capim. Vamos por partes.
Primeiro: não tenho raiva, muito menos "infantil", de um sujeito que não estudou porque não quis, tentou estuprar um companheiro de cela e fez bravata a vida inteira. Gente assim está abaixo de merecer sentimentos como a raiva. Merece, isso sim, asco e desprezo, únicos sentimentos que provoca esse tipo de farsante em qualquer pessoa decente. Raiva eu tenho é de quem se diz inteligente e bate palmas para, ou se deixa enganar, por um calhorda desse naipe. Além do mais, não tenho nada contra a pessoa de Lula, até porque Lula, como pessoa, não existe - o que existe é apenas a invenção dos "intelequituais" da USP. Raiva do Apedeuta? De jeito nenhum. Nojo? Certamente.
Segundo: ainda que a indignação contra o governo mais corrupto e mentiroso da História do Brasil fosse coisa da "classe média paulista", ou das dondocas do Jockey Clube, ou do Bush e da CIA – notem bem: ainda que (não me consta, por exemplo, que Dona Marta Suplicy seja uma representante do povão) –, o que isso mudaria a verdade de que o governo Lula foi o mais corrupto e mais mentiroso da História do Brasil? Em que isso diminui o fato de que há oito anos o Brasil é governado por bravateiros, ladrões, mentirosos compulsivos e amigos de terroristas, narcotraficantes e ditadores?
Na verdade, esse tipo de raciocínio bucéfalo – “isso é coisa da ‘classe média’”, ainda mais "paulista" – apenas reflete a lavagem cerebral esquerdista, de que tanto já falei aqui (e de que, pelo visto, vou ter que falar ainda muitas e muitas vezes). Os devotos do marxismo e, principalmente, seus mais fiéis praticantes, os stalinistas, inventaram a idéia de que um fato só é um fato se vier acompanhado da obrigatória chancela "proletária" ou "socialista". Isso significa que, se um representante da "burguesia" ou da "pequena burguesia" disser que dois mais dois são quatro, e um "operário" ou "proletário" insistir que é cinco, a verdade estará com o último, porque afinal ele pertence à classe certa... Se o sujeito disser que é a Terra que gira em torno do Sol, mas o Partido diz que não, pior para ele, indivíduo, e pior para os fatos. (Claro, o fato de que, de "proletários", o burguesão papador de empregadas Marx e o aristocrata sociopata Lênin não tinham nada, é convenientemente esquecido nessas horas.)
Sob os lulo-petistas, esse raciocínio simiesco se sofisticou: agora, qualquer crítica dirigida a eles e a seu chefe só é considerada válida, ou não, devido não aos fatos em si, mas a fatores sociais (“é coisa de classe média” ou das “elites”) ou geográficos (“paulista” etc.). Daí que se indignar contra o Bush, pode; com o Lula, não. Indignar-se com o Lula, não pode, é "chilique"... Ainda por cima da "classe média paulista que vota no Serra ou na Marina" etc. (Aliás, Marina Silva, com seu socialismo verde para socialites, não está muito longe da turma; basta ver de onde ela veio.)
Vamos supor que minhas críticas ao Lula e à sua corja sejam, digamos, "moralismo de direita". Nesse caso, os maiores moralistas de direita que existiram no Brasil foram os lulo-petistas. Eles passaram décadas se fingindo de vestais, indignando-se contra aquilo que hoje abraçam com alegria. A pergunta é: por que ninguém os chamava assim antes? Por que ninguém se lembrou de dizer que a oposição furibunda deles a todos os governos que vieram antes do Messias eram "coisa de sindicalista" e chilique?
O lulo-petismo desmoralizou a propria indignação, assim como desmoralizou a honestidade e a inteligência. É mais uma herança maldita da Era da Mediocridade, agora prolongada na forma de pelegocracia. E é mais um motivo para se encher de indignação. É mais um motivo para denunciar a farsa. E isso sim, nos dias que correm, é ser do contra. E levar a sério a política.
quarta-feira, janeiro 05, 2011
Palhaçada!

Um palhacinho resolveu invadir o espaço de comentários do blog. Aliás, palhacinho, não: palhaços têm – ou, pelo menos, deveriam ter – alguma graça. Esse é daqueles que, em vez de riso, provocam apenas aquela sensação constrangedora de piedade e vergonha alheia.
O aprendiz de Tiririca, que convenientemente se apresenta como COMEDIANTE, escreveu o seguinte:
(Sobre o texto LULA É DE ESQUERDA)
Opa! Já vi que esse blog é a maior comédia, e é por aqui que eu vou ficar e não saio nunca mais. O dono é um palhaço e os comentadores uns panacas. Uh-hu!
Cara, você não é pouco burro não, só o suficiente... Desde quando ser de esquerda é promover a matança e a revolução? Isso não é ser de esquerda! Assim como a direita não se resume a guerra, matança, golpe e anti-comunismo. Ambas são visões equivocadas.
O MST e as Farc não são exemplos de esquerda, assim como o fascismo e o nazismo não são exemplos de direita. O contrário é burrice e idiotice. haha
Opa! Um ruminante quer levar umas chineladas. Pior para ele. Faço sua vontade. "U-hu"...
"Desde quando ser de esquerda é promover a matança e a revolução"? Desde que os comunas tomaram o poder na Rússia e deixaram atrás de si um rastro de 100 milhões de mortos. Mas tudo bem: nem todo esquerdista é revolucionário, aliás já escrevi isso. Como também já escrevi que não é preciso matar com as próprias mãos para ser considerado criminoso; basta ignorar o crime. E Lula faz mais do que isso, como mostra sua amizade inquebrantável com grandes humanistas e luminares da democracia e dos direitos humanos como Fidel Castro e Mahmoud Ahmadinejad.
Aliás, o Apedeuta aproveitou que ninguém estava olhando e resolveu não extraditar o assassino italiano Cesare Battisti. Resolveu esperar o último dia de seu mandato para fazer isso. Deve ser porque o tal Battisti é um direitista...
Pelo menos o herbívoro sabe que direita não é sinônimo de guerra, golpe e matança (já quanto ao "anticomunismo", discordo: direita que não é antitotálitaria não é a minha direita). Pelo menos percebe que fascismo e nazismo não têm nada a ver com direita, muito pelo contrário – há muito mais semelhanças entre o nazi-fascismo e o comunismo do que entre qualquer um deles e o liberalismo. Já é um grande mérito seu entender isso! Mas daí a dizer que “o PT e o MST não são exemplos de esquerda”??? Meu Deus do Céu! Depois de tudo que escrevi? Depois de todos os fatos que enumerei? Será que ainda vou ter que me repetir aqui?
Toda vez que um esquerdista tenta salvar a utopia de esquerda, ele vem com essa de que regime tal ou tal "não é de esquerda" etc. Daqui a pouco vão dizer que Lenin nao era leninista, e que Marx não era marxista (ou seja: que não eram de esquerda). Ora, tenham santa paciência!
---
(Sobre o texto DIALOGANDO COM MUARES - que bem poderia ter se dirigido a ele)
Opa! Essa foi legal; eis que o dono-palhaço do blog se irrita e grita: "A maioria que se dane!". É isso aí! Que se dane o pobre, o burro, o analfabeto, o miserável, o negro, o judeu.
Mas acho que essa frase não é original. Se bem me lembro alguém da Alemanha já a disse antes, entre as décadas de 30 e 40. Depois tentou dominar a maioria. Aliás, ele usava um bigodinho muito engraçado e um símbolo que era semelhante a dois "s", fazendo SS. Opa!
O sujeito é mesmo uma graça! Digo que escrevo para quem pensa, e não para "maiorias", e aí ele vem com essa de "pobre, burro (OK, aqui ele acertou...), analfabeto, miserável, negro, judeu"... (como se "negro" e, ainda mais, "judeu" fossem "maioria" aqui ou na Antártida...) Será que preciso lembrar ao quadrúpede que o dever de qualquer pessoa honesta é concordar com sua própria consciência, não com o que "pensa" a maioria? A maioria – e os imbecis que acham que ela está sempre certa – que vá para o diabo que a carregue! A maioria que se lasque!
Além disso, o bocó metido a engraçadinho não esconde a própria ignorância. Está falando de Hitler? Pois saiba, meu filho, que poucas vezes houve governante que teve o apoio da maioria como teve o do bigodinho esquisito. Na Alemanha nazista, assim como no Iraque de Saddam Hussein e no Brasil de Lula, o governo tinha algo como 90% de aprovação popular! Hitler, inclusive, chegou ao poder levado pelo voto, não por um golpe de Estado. Ou seja: ele não tentou dominar "depois" a maioria, foi a maioria que o levou ao poder! O regime nazista foi odioso porque perseguiu não a maioria, mas as... minorias! (judeus, gays, ciganos etc. - além de qualquer um que não se ajustasse à ideologia dominante) O cretino não sabe nem isso! É por essas e outras que prefiro a minoria, os do contra, como Thomas Mann e Albert Einstein, que tiveram de se exilar porque não se encaixavam no que queria a maioria. Mais uma vez: a maioria que se dane!
Agora espero que o gaiato cumpra a promessa, e não saia daqui nunca mais. Assim ele vai me proporcionar muitas gargalhadas.
.
segunda-feira, janeiro 03, 2011
E AGORA, LULA?

"Sinceramente, eu queria que este dia nunca tivesse chegado", dissera ao cortar o bolo em seu último aniversário como presidente da República. Estava se referindo não à idade, mas ao fato de que, dali a algumas semanas, teria de deixar o Alvorada. Nenhum outro político brasileiro mostrou tamanho apego ao poder, e ao mesmo tempo tamanho desprezo pela liturgia do cargo, quanto Lula. Sob Lula, a mosca azul, o deslumbramento com o poder, atingiu níveis jamais igualados antes e que, acredito, jamais o serão um dia. (Mais tarde, ele tentou se desdizer, afirmando que a alternância de poder é importante para a democracia etc., mas todos sabem quando ele estava sendo sincero.) Conta-se que, na antiga República Romana, os cônsules que assumiam a direção do Estado não eram nada invejados; pelo contrário, o cargo era visto como um fardo, e aqueles que o cumpriam não recebiam nada em troca, apenas a gratidão da História. O apego desmesurado às glórias do poder só surgiria mais tarde, no Império. Lula não ficaria mal no papel de Nero ou de Calígula num filme de Cecil B. De Mille.
Lula é um ator, como afirmou, deslumbrado, o deslumbradíssimo José Celso Martinez Correia. E um ator só existe se existe platéia. Desde que surgiu para a política, há uns 30 anos, Lula não tem feito outra coisa senão representar. O espetáculo varia, conforme o gosto do público: vai do filme de terror (como nas questões de Cuba e do Irã) à opera-bufa (como em Honduras), passando pela pantomima (como no mensalão). Agora que as luzes se apagaram e a cortina desceu sobre o palco, o ator principal deve estar se sentindo desarvorado. O show era dele, e subitamente alguém – mesmo que seja alguém que ele mesmo retirou da obscuridade – tomou seu lugar. Ele não consegue adaptar-se ao papel de coadjuvante, ou de diretor de palco. Seu lugar é na ribalta, sapateando e fazendo malabarismo, equilibrando uma bola no nariz, como uma foca de circo. Sem o aplauso, sem monopolizar as atenções, ele simplesmente se anula.
"Estou saindo da Presidência, mas não da política", ameaçou o chefe do governo mais corrupto da História do Brasil. Mesmo assim, serão anos difíceis para o ex-Guia Genial. Por circunstâncias que ele certamentre gostaria que fossem outras, não será o nome dele que será diariamente repetido no noticiário, não será dele o rosto que irá estampar as manchetes de jornais e capas de revistas pelos próximos quatro anos. Para quem acostumou-se a ser bajulado e adulado continuamente, todos os dias, há decadas, ao ponto da adoração, ser promovido a cidadão é algo insuportável. Ele já prepara seu retorno para 2014. Diz-se que um estadista pensa na próxima geração, enquanto um político pensa na próxima eleição. Se isso é verdade, Lula é um político, não um estadista.
DILMA, A VALENTE

Faça uma continencia gustavo.
Admito que coragem e ideal sejam materia prima que te faltam. Quem nao tem tem dificuldade em admitir nos outros...
A presidente tem de sobra. E ainda soma capacidade, ousadia e trabalho.
So sorry, gustavo.
Dilma Vana Rousseff, como se sabe, é a própria coragem e ideal em pessoa. Ela teve a coragem e o idealismo de aceitar ser escolhida pelo chefe. De sumir por dois dias no último apagão. De fazer dossiês. De não assumir o que disse um dia sobre a legalização do aborto. De dizer que a luta armada de que participou era pela democracia. Haja coragem. Haja ideal.
Não tenho essa coragem, nem esse ideal. Tampouco tenho a capacidade, ousadia e trabalho de Dilma Rousseff. Capacidade, ousadia e trabalho revelados todos os dias em seus discursos e em seu domínio invejável da língua e da lógica. Haja capacidade. Haja ousadia. Haja trabalho.
Como disse, sou um covarde porque não presto continência para Dilma Rousseff. Vi - juro que vi - uns dois ministros (da área civil) prestando continência para ela na cerimônia de posse. Houve época em que a regra era prestar continência para gente fardada que mandava no país. Hoje, a moda é prestar continência para Dilma Rousseff. Deve ser por isso que sou um covarde. Deve ser por isso que sou um bandido. Porque não presto continência para ela. Porque sou do contra. Porque não sigo a manada.
sábado, janeiro 01, 2011
A POSSE DO POSTE
Não sei quanto a vocês que assistiram à cerimônia de posse de Dilma Rousseff na televisão, mas achei que começou mal, muito mal, o governo da criatura de Lula. Colocando à parte os possíveis exageros - tenho minhas dúvidas sobre a capacidade física de alguém sair vivo após 22 dias de tortura ininterrupta - e o fato de que o processo judicial de Dilma tenha ficado trancado, até depois das eleições, a sete chaves no STM, por força de uma liminar (o que será que ela quer tanto esconder?), a frase da Camarada Estela, agora oficialmente presidente Dilma Vana Rousseff, é mais um tijolo no edifício da mitologia que se está criando em torno de sua figura. O Brasil já teve o primeiro presidente "operário" (aliás, a "encarnação do povo", segundo suas próprias palavras) que não pega no batente há 35 anos. Agora tem a "primeira mulher". Mais: a "primeira ex-torturada", ou a "primeira mulher, ex-torturada e que lutou contra a ditadura e pela democracia".
Aí é que está. Não coloco em dúvida que Dilma Rousseff seja mulher. Nem que tenha sido presa e torturada (embora ainda espere provas de que tenha sido por 22 dias, como ela diz, ou 22 horas, ou 22 minutos). Tampouco que ela tenha lutado "contra a ditadura militar". Não duvido disso. Mas afirmar, ainda mais no primeiro discurso oficial como presidente da República, que os que pegaram em armas contra o regime de 64 "lutaram pela democracia" (ou: "para que tivéssemos o que temos hoje") é demais até para os padrões dos lulo-petistas. É querer reescrever a História, é torturar os fatos para que eles digam aquilo que se quer ouvir. Dilma Rousseff jamais lutou pela democracia. Isso porque as organizações armadas de esquerda de que participou - Colina, VAR-Palmares e VPR - jamais tiveram como objetivo a restauração das liberdades democráticas. O objetivo pelo qual assaltaram bancos, sequestraram diplomatas estrangeiros e assassinaram pessoas (inocentes ou não, não importa) não tinha nada a ver com democracia, estado de direito e eleições livres. Era, isso sim, instalar no Brasil uma ditadura comunista. Como visavam, aliás, todas as organizações armadas de esquerda do período, diga-se de passagem.
Eis a trajetória política de Dilma Rousseff: participou da luta armada para transformar o Brasil num país comunista. Foi presa e solta três anos depois. Estudou economia e trabalhou no governo do Rio Grande do Sul. Não se sabe o que estava fazendo quando das manifestações pela volta da democracia nos anos 80. Emergiu, há alguns anos, como ministra do governo Lula, tendo sido ungida sua sucessora e continuadora. Onde está a "luta pela democracia"?
O mito da luta armada como forma de "resistência democrática" contra a ditadura militar é um dos mais persistentes na História e na política brasileiras. Agora, com Dilma, ele se torna ainda mais oficial. E isso apesar de ser sobejamente desmentido pela existência de razoavél bibliografia a respeito, a qual desvenda por completo os objetivos e métodos totalitários dos "guerrilheiros" (que eram, sim, terroristas, como deixam claro suas palavras e ações - algo de que já tratei aqui em vários textos). À guisa de sugestão, recomendo ao leitor interessado no assunto a coletânea de documentos das organizações de esquerda do período organizada por Daniel Aarão Reis Filho e Jair Fernandes de Sá, Imagens da Revolução, ou os livros de Jacob Gorender, Combate nas Trevas, e de Elio Gaspari, A Ditadura Envergonhada e A Ditadura Escancarada, que mostram claramente que o terrorismo de esquerda não teve nada de "luta pela democracia". Muito pelo contrário.
Mas, para além dessa evidente falsificação histórica, a posse do poste escolhido por Lula da Silva para esquentar a cadeira presidencial por quatro anos teve, claro, outro significado. Em primeiro lugar - e isso a televisão não cessou de lembrar por um minuto sequer - ela é mulher. Muito bem. Que importância tem uma mulher na Presidência da República? Nenhuma. Países como Inglaterra, Israel, Alemanha e Chile já tiveram ou têm mulheres ocupando o cargo mais alto da nação. E isso não acrescentou absolutamente nada à política. Nem dela retirou o que quer que seja.
Francamente, não engulo o discurso feminista de que o fato de alguém ser mulher (ou homem, ou transsexual, ou ET) lhe confere qualidades e virtudes diferentes e superiores às dos demais mortais. Em política, pelo menos, isso não existe, a não ser como mistificação (estou me lembrando agora do texto que li de um esquerdista a favor de Dilma quando da polêmica do aborto nas eleições; o autor dizia que a campanha de Serra estava usando o sexo de Dilma para atacá-la - o título era "A Desconstrução da Mulher"...). Se o objetivo desse discurso é dizer que uma presidente da República ou uma primeira-ministra governam de maneira diferente dos homens, com um olhar, digamos, mais "sensível" (ou mais "feminino"), a História mostra que isso nunca, ou muito raramente, corresponde à realidade. Aí estão Golda Meir, Margaret Thatcher e Angela Merkel para provar o contrário.
Mas e o caráter "simbólico" da coisa, não é importante? Depende. Se este se refere ao fato de que é a primeira vez que uma representante do sexo frágil (prefiro como se dizia antigamente, o "belo sexo", soa bem melhor do que "gênero" - parece que as feministas não têm sexo, ou não gostam de sexo) assume o poder no Brasil, OK, é algo que tem, vá lá, um certo valor simbólico. Mas, historicamente, já houve uma Cleópatra, uma Teodora, uma Hatshepsut. Que valor, até mesmo "simbólico" ou "histórico", existe em ter hoje algo que já havia no Antigo Egito uns dois mil anos atrás?
O fato é que, se a eleição e posse de Dilma Rousseff tiveram alguma coisa de simbólico - e isso não é necessariamente algo positivo, muito pelo contrário - é que, hoje em dia, não são mais pessoas, seres de carne e osso, que são eleitos para a Presidência da República. São categorias inaugurais - o "primeiro negro", o "primeiro operário", o "primeiro homem do povo", a "primeira mulher" (ainda por cima, "ex-guerrilheira") etc. Em breve, não duvido, teremos no Palácio do Planalto o "primeiro torcedor do Bonsucesso", o "primeiro colecionador de tampinhas de garrafa", o "primeiro apreciador de chocolate amargo" e assim por diante. Qual a contribuição disso para o melhoramento da política? Aliás, qual a relevância disso? Nenhuma.
Por que digo isso? Porque, por trás desse discurso politicamente correto, está o inverso da política, a desumanização da política. Não somos mais governados por pessoas, mas por símbolos, por entes abstratos e ideológicos. Por mitos, lendas. No caso de Dilma Rousseff, é mais do que isso: trata-se de um produto, uma embalagem criada por outro mito, este construído ao longo de várias décadas. É a continuação da lenda por outros meios. Um poste, um simples poste, ao qual se acrescentaram várias demãos de tinta.
Uma anedota antiga contava a estória (ou história, não me lembro bem) de um prefeito de cidade do interior que, na falta de coisa melhor, resolveu inaugurar um poste. Fez uma festa de arromba, com discurso, banda de música, fogos de artifício, tudo. A anedota, se baseada em fato real ou não, perde para a realidade. O poste do prefeito, pelo menos, tinha luz. Quanto a Dilma Vana Rousseff, a se julgar por seu discurso de posse, tenho minhas dúvidas.