quarta-feira, novembro 10, 2010

ENEM o bastão foi passado, já tem trapalhada nova na praça...



Ah, esses lulo-petistas... eles não brincam mesmo em serviço. Mal saiu das urnas a continuadora da comédia dos ultimos oito anos, e eles já armaram mais um escândalo assombroso. Dessa vez, de incompetência.

E pensar que teve gente que declarou voto em Dilma porque, afinal, o Serra iria "destruir a educação no Brasil"... Pois é.

Do blog do Augusto Nunes, direto ao ponto:
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Ministro trucida ENEM e desmoraliza o palavrório eleitoreiro de Dilma Rousseff

Em 18 de agosto, durante o debate entre os candidatos à Presidência promovido pela Folha e pelo UOL, Dilma Rousseff irritou-se com as críticas de José Serra ao bisonho desempenho do Ministério da Educação na condução do Exame Nacional do Ensino Médio. E resumiu a indignação numa frase:

“Acho um absurdo um candidato à Presidência vir aqui dizer que o Enem está desmoralizado”.

Em 15 de outubro, Dia do Professor, Dilma voltou ao tema em Belo Horizonte. A irritação com Serra não amainara, informam três trechos do falatório:

“Serra não gosta do Enem porque é o caminho acertado por todas as universidades federais e é pré-condição para o ProUni. Houve um crime contra o Enem. Ele quer acabar com o Enem para que a gente não tenha o ProUni”.

“O partido do vice do candidato do PSDB chegou a entrar na justiça contra o Enem, o que poderia comprometer 700 mil estudantes no Brasil. Dizer que o Enem tem uso eleitoreiro é desconsiderar o papel que ele teve nestes anos todos”.

“Estão absolutamente incorretas as afirmações do candidato Serra contra o Enem, que tem sido o caminho pelo qual nós selecionamos as pessoas que vão fazer o ProUni”.

Em 17 de outubro, no debate na RedeTV!, a candidata do PT elogiou o ministro Fernando Haddad e fustigou novamente o inimigo:

“Quando se fala em vazamento é necessário que se perceba que o crime está sendo investigado. O Enem tem sido essencial como uma forma de controle da qualidade do ensino e é pré-condição para o ProUni. Atacar o Enem é uma forma indireta de atacar o ProUni”.

Em 3 de novembro, Dilma Rousseff revelou as duas prioridades do futuro governo: saúde e segurança pública. E a educação? “Está muito bem encaminhada”, resumiu a presidente eleita. Além de transformar o Enem num caso exemplar de sucesso, o ministro botara ordem na casa inteira. “Eu acho que o Haddad deve continuar”, decidiu Lula na mesma quarta-feira. E o administrador admirável foi dormir com o emprego garantido.

Começou a perdê-lo no dia seguinte, com a divulgação do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. No ranking da educação, o Brasil ocupa um modestíssimo 102° lugar. Ao longo da quinta-feira, Haddad tentou atribuir a performance lastimável à mudança dos critérios usados pelos organizadores do levantamento. E decerto acreditou que recuperaria os pontos perdidos no fim de semana, com as duas etapas do Enem.

Deu tudo errado. Troca de cabeçalho, erros de digitação, informações equivocadas, vazamentos, questões com números duplicados ─ houve um pouco de tudo na comédia de péssimo gosto que reduziu o Enem a outro caso de polícia. Mais de 3 milhões de inscritos ainda não sabem se as provas serão anuladas ou não. O que se sabe é que nem Lula conseguirá manter o ministro no cargo em 2011.

Dilma Rousseff não deu um pio sobre o assombroso espetáculo da incompetência. Ainda bem que a campanha eleitoral acabou em outubro. Se não tivesse terminado, estaria proibida de acusar José Serra de querer destruir o Enem. Fernando Haddad já conseguiu.

terça-feira, novembro 09, 2010

O ÚLTIMO REFÚGIO DO CANALHA JECA


Vejam a que ponto chegou o Brasil...

Uma idiota, que por acaso é paulista, escreveu umas frases cretinas insultando os nordestinos em seu Twitter. Gerou, com isso, uma avalanche de protestos e manifestações indignadas, e está sendo processada pela Justiça. Corre o risco de ser presa, por incitação à intolerância e ao racismo (não sei se, juridicamente, a coisa se enquadra no crime de racismo, mas vá lá: é uma estupidez do mesmo jeito). Será, provavelmente, condenada a alguma pena. Muito justo. A história deveria acabar aí, certo?

Errado, decidiram as pessoas maravilhosas e bem-pensantes que determinam o que e como todos devem pensar no Brasil. Alguém descobriu que, além de paulista, a infeliz é membro, ou fundadora, sei lá, de um troço chamado "Movimento São Paulo para os Paulistas", ou algo do gênero. É uma bobagem criada por uma meia dúzia de imbecis que não gostam de nordestinos e que trocam mensagens preconceituosas pela internet. Até aí, seria apenas mais uma manifestação de burrice explícita e de xenofobia, como milhares de outras semelhantes, ocorridas todos os dias na rede em sites como Orkut, Facebook ou MSN, certo?

Errado novamente. A coisa não renderia nota em jornal de cidade do interior, certamente não teria tido a repercussão que teve, se não fosse pelo que vem em seguida.

Acontece que a autora das frases contra nordestinos escreveu no Twitter, e reafirmou em entrevista à imprensa, que detesta os do Norte-Nordeste, entre outras coisas, porque é lá que se concentra o Bolsa-Cabresto, talvez o principal cabo eleitoral de Dilma Rousseff. Foi além, e disse - equivocadamente, aliás - que, se não fosse o voto dos cabeças-chatas a criatura de Lula não teria se elegido. Pior: a menina - horror, horror! - disse que votou em Serra...

Foi esse último detalhe - "ela votou em Serra" - o que fez toda a diferença no caso, e que detonou a associação automática: 1) Ela é paulista e detesta nordestinos. 2) Serra é paulista. 3) Ela votou em Serra. Conclusão: todos os eleitores de Serra são racistas... Pronto! Estava criado um caso político.

Se vc acha que o festival de baixaria e o jogo sujo que caracterizaram as eleições presidenciais acabou - e me refiro aqui não à campanha de Serra, mas á de Dilma Vana Rousseff -, é melhor pensar um pouco.

Se a jovem Mayara Petruso tivesse dito que votou em Dilma, ou que anulou o voto, ou que não votou, o assunto morreria ali, ou ganharia, no máximo, uma nota de pé de página, e logo seria esquecido. Mas ela votou em Serra! Aí é que está o escândalo, e não suas declarações infelizes, pensaram os lulo-petistas. Era a prova que faltava, concluíram, para mais uma campanha difamatória: ela odeia os nordestinos porque eles votaram em Dilma, não em Serra. Logo, votar em Serra, e não em Dilma, é sinal irrefutável de ódio contra os nordestinos! Muito lógico, não?

Pois por incrível que pareça - ou talvez não, pelo registro dos últimos oito anos -, houve quem caísse nessa armadilha. Houve quem (e não foram poucos!) mordesse a isca e passasse a exigir a fogueira para a autora das frases, não pelo conteúdo chauvinista e preconceituoso delas, mas porque - aí é que está a questão de fundo - ela se declarou serrista e paulista! E serrista e paulista é tudo anti-nordestino, sentenciaram os campeões da correção política. Em outras palavras, não basta execrar a jovem por suas declarações boçais e estúpidas. É preciso atiçar, açular a mesma divisão que a acusam de incentivar. Somente com o sinal invertido. É mais uma evidência de degeneração mental da Era da Mediocridade.

Acho uma besteira sem tamanho, uma cretinice, além do mais criminosa, essa tentativa de colocar o Brasil contra o Brasil com objetivos claramente políticos. Políticos e ideológicos. A divisão Norte-Sul que estão tentando impingir ao País usando o caso dessa menina como pretexto é filha da divisão rico-pobre, herdeira, por sua vez, da propaganda esquerdista, burguesia versus proletariado etc. É algo típico, mais especificamente, dos lulo-petistas, os mesmos que agora se dizem indignados com as palavras absurdas de Mayara. O preconceito regional, e mesmo de raça (sem falar na velha ladainha do tipo "luta de classes"), é uma constante no discurso e na propaganda lulo-petistas. Querem exemplos? Aí vão dois:

"A culpa da crise é de gente branca de olhos azuis" (Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a crise econômica mundial, em 2008)

"Zé pedágio pensa que nordestinos são 'bestas' como os paulistas" (do "Blog da Dilma", ligado à campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República, 2010)

Digam-me: qual a diferença entre as frases acima e as sandices vomitadas por Mayara no Twitter? A principal delas é que Mayara é uma menina de vinte e poucos anos, e despejou suas cretinices em seu microblog. Já Lula disse o que disse sobre brancos de olhos azuis na qualidade de presidente da República. E Dilma Rousseff, em cujo blog os paulistas foram chamados de "bestas", foi eleita para o mesmo cargo. Pergunto: onde estão os protestos e manifestações indignadas contra essas demonstrações tão claras e acabadas de RACISMO e PRECONCEITO contra os paulistas? Cadê o Ministério Público?

Por suas declarações ofensivas e (vá lá) "racistas", Mayara está sendo crucificada (chegaram inclusive a usar contra ela, como se isso tivesse alguma coisa a ver com o caso, o fato de ela ser filha de uma relação extraconjugal...). Quanto a Dilma e a Lula - aliás, um político paulista, embora nascido no Nordeste -, seguem lépidos e fagueiros, e são considerados por muitos líderes progressistas e tolerantes. Certamente, não pelo que está transcrito acima.

Se você pensou, ao ler o que está aí em cima, em duplo padrão moral, ou em como parte da imprensa se deixa pautar pelo esquerdismo bocó e pelo politicamente correto, prestando-se ao lamentável papel de caixa de ressonância das platitudes lulo-petistas, acertou em cheio.

Sou nordestino, como está na primeira frase de meu perfil neste blog, mas, francamente, se tem uma coisa que me dá náusea, enjôo e ânsia de vômito é a instrumentalização de bairrismos e preconceitos individuais - que são, repito, condenáveis, mas que não deixam de ser, faço questão de frisar, individuais - num cavalo de batalha para demonizar adversários políticos, e de quebra ainda colocar mais lenha na fogueira de preconceitos regionalistas. Já afirmei aqui e reafirmo: considero rivalidades regionais, ou o orgulho pelas próprias raízes, duas das piores manifestações de estupidez já criadas pelo ser humano. Há alguns anos, surgiu uma moda na minha cidade de estampar nos carros e camisetas o slogan "orgulho de ser nordestino". Achei aquilo de uma imbecilidade sem tamanho. Se, em vez de em Natal, eu tivesse nascido em, sei lá, Mato Grosso ou Santa Catarina, eu deveria sentir o quê? Vergonha?

Como disse, sou nordestino, mas nem por isso - aliás, exatamente por isso - aceito que esse detalhe seja brandido como uma categoria, uma condição definidora de caráter ou de personalidade: "o blogueiro nordestino" etc. Para mim, não há canalhas, ou pessoas honradas, "nordestinas", "paulistas", "gaúchas", "japonesas", "palmeirenses", "corintianas" ou mesmo "brasileiras": há canalhas e pessoas honradas, e ponto! O resto é invenção de quem quer jogar brasileiros contra brasileiros, em nome do politicamente correto e sob o pretexto - ironia das ironias - de combater o preconceito. Paradoxalmente, foi a partir da culpabilização ou da vitimização de grupos sociais por suas origens geográficas ou características fisicas que se gestaram alguns dos piores massacres da História.

Se tem algo que esse caso da twitteira que não gosta de nordestinos demonstra é que, no Brasil de Lula e Dilma, não é mais possível criticar os lulo-petistas - ou sequer não votar neles -, sem ser imediatamente rotulado de racista, fascista, nazista, machista, reacionário, membro da TFP ou da Ku Klux Klan. Mesmo se a crítica vier das hostes esquerdistas, como o PSDB, a chuva de epítetos desabonadores pela patrulha ideológica e pela imprensa amestrada será torrencial. Basta lembrar da torrente de insultos lançados contra José Serra por sua campanha ter ousado lembrar o que Dilma Rousseff dizia até ontem sobre a descriminalização do aborto ("reacionário" e "medieval" foram alguns dos mais leves). Se isso não é uma ditadura mental - no caso, esquerdista -, então, sinceramente, não sei o que é.

"O nacionalismo é o último refúgio dos canalhas", é a frase famosa de Samuel Johnson. No Brasil, por força e obra dos lulo-petistas, a frase merece ser adaptada, embora o significado continue o mesmo. O regionalismo é o último refúgio dos canalhas caipiras. Nunca fomos tão intolerantes. E tão jecas.

domingo, novembro 07, 2010

EXCLUSIVO! ESTE BLOG DESCOBRIU COMO DILMA ROUSSEFF FOI ESCOLHIDA PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA!


Atenção, leitor! O que vem a seguir é um furo jornalístico de primeira grandeza. Ninguém mais tem: nem a VEJA, nem a Época, nem a Folha, nem o Estadão. Só este blog.
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Graças a conexões secretas e inconfessáveis que só eu tenho e que, por razões óbvias, não vou divulgar quais são, caiu em minhas mãos um conjunto de gravações importantíssimas que revelam os bastidores da sucessão presidencial. Trata-se do registro sonoro de reuniões no Palácio do Planalto, ocorridas entre setembro de 2007 e fevereiro de 2010. Um perito da Unicamp já comprovou serem autênticas as gravações. Confiram:
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(17 de Setembro de 2007. 13h30. Lula está em sua sala, no 3o andar do Palácio do Planalto. Ele conversa com seu secretário e lambe-botas profissional, Gilberto Carvalho.)

- (furioso, aos berros) Puta que o pariu! Essa porra de terceiro mandato sai ou não sai? Já não bastou eu ter comprado metade do Congresso no mensalão, foi aquela cagada quando descobriram em 2005, tive que me livrar do Zé Dirceu e tudo pra salvar as aparências, fui até à televisão dizer que era caixa dois e que todo mundo fazia, falei até que fui traído... E esses bostas de deputados não querem que eu fique no poder o tempo que quiser, como o Chávez? Afinal, todos os companheiros do Foro de São Paulo, o Morales, o Corrêa, não fizeram isso? (inaudível) Só porque tem essa merda de Constituição, que eu, inclusive, não assinei e que já mandei que se fodesse? (pausa) Pelo visto o terceiro mandato não vai dar certo agora, e não tem ninguém que eu possa controlar se for me suceder. E o pior é que meus planos A e B, o Zé e o Palocci, já eram: o Zé por causa do mensalão, e o Palocci, por causa daquela cagada com o caseiro. Porra, Gilberto, pára de puxar meu saco por um minuto e me dá uma idéia aí, caralho!.

- Er... Presidente, temos uma alternativa...
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- Qual, porra? Fala logo!
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- A chefe da Casa Civil, ex-ministra das Minas e Energia...
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- Quem, a Dilma? Aquela com cara de buldogue com dor de barriga? A que dizem que gosta de dar esporro em todo mundo?
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- Ela mesma, excelência. Dizem que ela é muito obediente, digo competente...
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- Hum... É, a Dilma... Pode ser que dê certo. Afinal, a mulher é uma anta, uma toupeira, sem nenhuma idéia própria, não é capaz de soltar um peido sem me pedir autorização antes... Ia ser uma perfeita laranja. Ela tem um perfil técnico, como o Palocci, e foi guerrilheira, como o Dirceu, que também ninguém sabe direito o que fez nessa época, mas isso dá um certo ibope, tem um certo charme, né? Principalmente com os intelequituais, que também me amam. E se alguém vier com a conversa de que ela não tem experiência política, que nunca concorreu nem a síndica de condomínio, ou se aparecer algum podre dela, algum vídeo comprometedor na internet, é só dizer que é preconceito porque ela é mulher, e pronto! Funcionou comigo, é só dizer que é preconceito da "zelite" porque eu sou, aliás sou não, fui, operário até 1975, e eu posso fazer ou dizer o que quiser, isso desarma os bocós... (risos) Esse tipo de coisa sempre funciona. Foda vai ser convencer o PT antes, já que ela só entrou pro partido há alguns anos. Mas isso eu tiro de letra, enquadro eles direitinho. Pode ser que tenha algum muxoxo no começo, mas eu enfio ela no rabo deles. Se não, o que é que vão fazer? Voltar pro sindicato? pra universidade? pra Igreja? Sem mim esses merdas não são nada! Os outros, o PMDB, vai ser fácil: é só abrir o cofre. OK, Gilberto, chama a Dilma!

(Passam-se alguns minutos. Dilma entra na sala. Beija a mão de Lula.)

- Oi, minha filha, a gente tava falando de você. Seguinte: tá a fim de virar presidente dessa bagaça?

- Olha, presidente, ocê sabe, é uma honra, né? Querê sê presidente, digo presidenta, isso é uma questão, como vô dizê, assim, é uma questão... No que diz respeito a isso, eu vô dizê procê, é uma questão muito importante... Aliás, ainda ônte eu tava lendo um livro muito bom, o livro... Só não lembro o título, nem o autor. Mas, como eu ia dizendo procê, no que diz respeito a essa questão, eu me sinto muito honrada, porque a Presidência da República, ela é, no que diz respeito à Presidência, ela é algo assim muito... muito importante.

- Beleza, então só tem tu, vai ser tu mermo! Gilberto, abre uma branquinha aí pra gente comemorar.

(28 de Fevereiro de 2010. 17h45. Lula está se recuperando de uma crise de hipertensão.)

- Porra, Gilberto, mas que merda de candidata tu foi me arranjar, heim? Olha só o que ela me aprontou: farra dos cartões corporativos, dossiês, caso Varig... é escândalo que não acaba mais! E nem sabem roubar direito, porra! Até apagão, que ela jurou que não ia ter, teve nessa josta! A gente teve até que esconder ela por uns dois dias, pra que o estrago não fosse maior. E os diplomas falsos que ela inventou? Eu, pelo menos, digo logo que não tenho diploma nenhum, no meu caso é até uma vantagem ser ignorante, é um personagem que inventaram. Além disso, a gente gastou uma grana preta em plásticas, na mesma clínica da Marisa e da Marta Suplicy, deu um trabalhão pra transformar aquele tracajá-bandeira numa coisa comível... Tudo bem que ela ficou a cara do Coringa do Batman, parece um Frankenstein, mas eu traçava. Eu não tracei o menino do MEP, caralho? Enfim, demos um banho de marquetingue, e mesmo assim essa candidatura não decola? Essa mulher que vocês arranjaram é ruim demais. Toda vez que ela abre a boca, só sai merda! Olha só o que ela disse lá em Copenhaga: "O meio ambiente é certamente uma ameaça ao desenvolvimento sustentável".... Caralho! Vá pra puta que o pariu! Nem eu de porre numa assembléia da CUT digo uma bosta dessas! Perto dela, eu sou o próprio Cheikis... Cheikis... Como é mesmo o nome do viado?

- É Shakespeare, excelência.

- Isso, Cheiquispíri. Toda vez que a mulher abre a boca, eu viro um poeta, eu viro um intelequitual! Sem falar que quase ninguém no povão conhece ela. Tô fazendo hora extra, já tive até um piripaque pra ver se essa merda sai do chão e, até agora, nada! A gente vai ter que investir mais em marquetingue, vou intensificar minha agenda de inaugurações, não importa pra que seja, pode ser até pra inaugurar placa de obra do PAC lá no cu do Judas. O importante é mostrar ela ao meu lado na televisão. O povo vai ver ela como a "mulher do Lula". Pode deixar que com a Marisa Letícia eu me entendo em casa.

- Excelente idéia, como sempre, excelência. Mas cuidado com a pressão...

- Vai tomar no cu, porra! Tu é pago pra ser meu puxa-saco, não pra ser meu médico. Assim que eu estiver recuperado, vou retomar o ritmo de comícios pra Dilma. E se o TSE vier com frescura pro meu lado, dizendo que é ilegal, eu mando eles se foderem! Quem esses juizinhos de merda são pra quererem me multar e pra quererem que eu cumpra a lei? Que se foda a lei! Eu sou o Lula, porra! O Obama já disse: eu sou O Cara! O povo me adora, tenho 300% de aprovação segundo o Vox Populi. Sou mais popular do que o Papa, mais importante do que Jesus Cristo. Fizeram até um filme sobre mim, cacete! Tô inclusive preparando aí uma jogada com aquele país lá da Europa, o Irã... Tenho certeza de que vai me dar pelo menos o Nobel.

- (emocionado) Muito bem, presidente, muito bem! Assim que se fala!

- A gente vai ter algum trabalho pra derrotar o Serra, que tá na frente nas pesquisas. Mas pode deixar que no fim a gente fatura mais essa. Ainda bem que o Serra é um bosta, e que não tem oposição de verdade neste país. Aliás, nunca antes na história deste país... Esses tucanos... É tudo um bando de cagão, com medo de me enfrentar. Não têm coragem nem de defender o que fizeram quando foram governo, o Real, as privatizações... Enfim, tudo aquilo que garante meu governo e que eu agora digo que fui eu que fiz (gargalhadas). Também, a gente veio tudo do mesmo berço, o Serra foi presidente da UNE, é estatista pra caralho. O FHC, eu fiz até campanha pra ele em 78, pra senador... O Serra pode até estar na frente agora, mas espere começar a campanha pra valer. Se ele der muito trabalho, basta a gente inventar que ele vai privatizar a Petrobrás e o pré-sal e ele vira geléia! Lembra do picolé de chuchu do Alckmin? A gente fez picadinho daquele banana com a mesma tática. E ainda tem babaca que acha que o PSDB é oposição, veja só... Oposição, oposição... Oposição, é o caralho! Essa é a oposição que todo governo pediu a Deus! (gargalhadas estrepitosas, trecho inaudível por vários minutos) Pena que tem aquele jornal e aquela revista que a gente não conseguiu comprar... Mas pra esses eu guardo o PNDH-3, que a Dilma assinou sem ler, puta que o pariu! Ainda bem que o Franklin Martins tá preparando um bom cala-boca pra esses filhos da puta... Mas, como eu ia dizendo, a gente precisa turbinar a campanha da mulher-laranja. Chama o marqueteiro, aí.

(entra o marqueteiro da campanha, João Santana):

- João, é o seguinte: essa campanha da Dilma tá uma bosta, quase ninguém conhece ela. Já tive até uma crise de hipertensão tentando alavancar essa tranqueira. A gente precisa dar um jeito nisso. Qual sua sugestão?

- Bem, podemos trabalhar mais a imagem dela de "mãe do PAC", presidente. Intensificar a participação dela ao lado do senhor em comícios, inaugurações etc. Podemos também preparar umas viagens pro exterior, fazê-la aparecer apertando a mão de presidentes e primeiros-ministros. Ela nem vai precisar falar, vai aparecer como uma estadista... Também podemos arranjar umas participações dela nuns programas de televisão bem popularescos, tipo Superpop, Datena.... Já estamos em contato com a direção da TV do Bispo, aquele seu aliado, pra só dar notícias favoráveis. Enfim, mostrá-la mais perto do povo... E mudar o penteado dela, claro. O resto é estúdio e musiquinha.


- É, parece bom. Vâmu vê agora se essa candidatura aparece. Não quero mais ter problema de saúde por causa de uma candidata que eu inventei. Que é que cê tem aí pra me mostrá?

- É o layout do slogan que minha equipe elaborou pra campanha da Dilma, presidente. "Para seguir mandando". Er... desculpe: "Para seguir mudando". Gostou?

- Gostei. Não quer dizer porra nenhuma. Igual à Dilma. Pode passar adiante.

sexta-feira, novembro 05, 2010

"PARA SEGUIR MUDANDO"

Segue mais uma pequenina amostra dos quatro longos anos que teremos pela frente.

Confiram a galeria de gente proba, ínclita e ilibada que 56% (na verdade, 33%, se levarmos em conta os 23% de abstenção) dos eleitores escolheram para que o País "continue mudando". Um verdadeiro desfile de campeões da democracia, da ética, da moral e da seriedade. Eles também deitaram e rolaram com a eleição da mulher-laranja.

Agora me digam: serão ou não anos gloriosos?













É como diz o ditado: "Diz-me com quem andas e eu direi se vou contigo".

De cima para baixo: o chefe do ajuntamento de assaltantes, o invasor de propriedades alheias e Pol Pot brasileiro, o terrorista italiano protegido do PT, o empresário da fé e dono de lotes no Céu, o ex-guerrilheiro de festim e criador do cofre-cueca, o homem do mensalinho, o homem do mensalão, a sósia de Dona Marisa Letícia, o pagodeiro espancador de mulheres e, finalmente, o mais sério entre todos eles e provável futuro candidato à Presidência da República.

quinta-feira, novembro 04, 2010

OS NOVOS CÂNDIDOS


Manguei das batatadas de Dona Dilma Duchefe em meu texto "UMA PEQUENA AMOSTRA DO QUE SERÃO OS PRÓXIMOS QUATRO ANOS". Aí veio um devoto anônimo de Madre Teresa de Sófia (também conhecida como Santa Camarada Stela da VAR-Palmares) e tomou as dores de sua santa do coração. Vejam que bonitinho o que ele escreveu:

Bom, que você tenha então o seu farto material para seu blog.

E que os demais brasileiros tenham emprego, vida digna, salários justos, igualdade social, coisa que os governos de direita não souberam ou não puderam nos proporcionar.

Não me importo com os erros de concordância do "apedeuta" o que me importa para mim como brasileiro é ver que meu país ficou mais justo, desenvolvido, com mais oportunidades.

Bom, "o que me importa para mim" como ser pensante que não segue a manada é que um presidente (ou presidenta, sei lá) não me faça passar vergonha e esconder minha nacionalidade toda vez que abrir a boca. E não se trata somente de erros de concordância, o que já é, aliás, muita coisa: trata-se de um mínimo de respeito à lógica e à inteligência alheia.

Houve um tempo em que saber se comunicar em bom Português, ou pelo menos formar uma frase com sujeito e predicado, era um pré-requisito essencial para quem quisesse se aventurar na vida política. Era uma forma de garantir que, pelo menos, o eleito iria enganar o povo com elegância. Mas eram outros tempos, mais exigentes. Hoje em dia, não há nem isso. O que vigora é a Lei de Tiririca: para se dar bem na política, não é necessário saber falar (ou escrever), não é preciso sequer pensar ou ter idéias próprias: basta ter cara de pau e um padrinho influente.

Quanto ao resto do comentário, dizer o quê? Que fofo... No momento em que li, pareci ouvir passarinhos cantando, um arco-íris se abriu no céu e um monte de anjinhos barrocos começou a tocar harpa em meu ouvido. Lembrei imediatamente do personagem principal do livro de Voltaire, Cândido, e de sua crença inabalável de que, não importa o que aconteça, este é o melhor dos mundos possíveis... Quase chorei de emoção.

Só gostaria de saber de que "governos de direita" o Dilma-boy acima está falando. Teria sido o de Collor? Não, não pode ser, ele agora é dilmista e lulista roxo, logo "do bem". Sarney? Também não, pelo mesmo motivo. Quem sobrou? Itamar? FHC? De direita? É isso que eu quis dizer quando falei de desrespeito à inteligência...

Outro tolinho desses escreveu em seguida, reforçando o comentário anterior:

Concordando com o amigo anônimo anterior, apenas lhe digo que escrever ou falar bonito não atesta discernimento, inteligência ou sobriedade. Qualquer tolo pode treinar para isso. No final das contas, o que importa é o resultado daquilo que se faz para si e para os outros. Lula deu dignidade a quem jamais ousou sonhar em ter, ao contrário da elite de direita. E você, o que tem feito pelo seu país, afora demonstrar seu antagonismo infundado, medíocre e infantil com aqueles que pretendem trazer o merecido equilíbrio para nossa nação?

E concordando com o que eu disse antes, apenas digo que não faço a menor questão de que o Apedeuta-mestre e a Apedeuta-discípula escrevam ou falem "bonito": faço questão de que não afrontem a lógica, nada mais. E isso, sim, atesta discernimento, inteligência e - no caso do Filho do Barril então, nem se fala - sobriedade. Ou vai me dizer que soltar pérolas como "o meio ambiente é certamente uma ameaça para o desenvolvimento sustentável (!)" é coisa de quem tem mais de dois neurônios?

Aposto que se um político "de direita" dissesse o que está acima, a patrulha esquerdista faria picadinho dele no mesmo instante (lembram quantas vezes o Bush foi motivo de chacota?). Mas Dilma é "de esquerda", seja lá o que isso significa. Isso lhe dá, na visão aparvalhada de bocós como os daí de cima, uma espécie de licença para arrotar bobagens e agredir o bom senso. Então ser "de esquerda" transforma estupidez em sabedoria?

Mas OK, o que importa é o "resultado daquilo que se fez para si e para os outros" etc. De acordo com esse presidencialismo de resultados, o sujeito pode ser um idiota, um completo ignorante, e repetir cretinices como quem respira, que isso não vai fazer diferença. Aliás, pode ser até uma vantagem, como no caso do Apedeuta ("ele fala errado porque é operário" etc.). Na mesma linha de raciocínio, ele ou ela pode também mandar a ética e a democracia às favas, como fizeram Lula e Dilma milhares de vezes (mensalão, dossiês, Confecon, PNDH-3... escolha seu escândalo). Nesse caso, o comentário acima poderia ser traduzido para a linguagem das ruas:

"Que mané democracia o quê! O que importa é que a patuléia tá enchendo o bucho com o Bolsa-Família, e ainda vai ter a Copa e a Olimpíada! Diante disso, pra que se importar com frescuras como honestidade, ética, respeito às instituições, à Lei, liberdade de expressão, alternância de poder, essas coisas de burguês etc.? Isso não passa de preconceito da elite de direita".

Se, ao ler essas palavras, você lembrou de alguns líderes que mandaram a democracia para a lata do lixo em troca de promessas de dignidade para o povo, saiba que não está muito longe da verdade. Perceberam como meu antagonismo aos lulo-petistas é "infundado, medíocre e infantil"?

Afirmei aqui outro dia que, com a eleição de Dilma, a Era da Mediocridade estava só começando. Aí está mais uma prova.

quarta-feira, novembro 03, 2010

OS HUMANISTAS

Aí vai uma pequena amostra do que será a política externa do governo Dilma Rousseff. Como vocês verão, são todos líderes humanistas, democratas e progressistas, defensores da liberdade e comprometidos com as melhores causas da humanidade. Todos eles comemoraram a eleição da Camarada Stela.
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E nunca é demais lembrar: os que votaram nela também votaram nesses aí.
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Confiram a galeria. Só tem gente boa.








Para quem andou em Marte nos ultimos anos (de cima para baixo): o zóio virado e apedrejador de mulheres do Irã, o genocida do Sudão, os narcoterroristas das FARC, o Coma Andante de Cuba, o chapeleiro maluco invasor de embaixadas alheias de Honduras, o índio de araque e cocaleiro da Bolívia e o fanfarrão da Venezuela.

terça-feira, novembro 02, 2010

UMA PEQUENA AMOSTRA DO QUE SERÃO OS PRÓXIMOS QUATRO ANOS


"Esta é talvez a missão mais importante da minha vida", foi uma das primeiras frases de Dilma Vana Rousseff em seu discurso da vitória. Quis dizer com isso, acredito, que a Presidência da República, à qual foi conduzida por 56% do eleitorado brasileiro, "talvez" irá equivaler-se, em importância, à sua gestão à frente do Ministério das Minas e Energia ou à sua missão como a Camarada Stela da VAR-Palmares. Faz sentido. A Presidência do Brasil, pelo visto, não é o bastante para ela.

"Acredito que sou a única búlgara entre aspas para eles que fez algum sucesso fora da Bulgária", exclamou em entrevista ao Jornal Nacional - a mesma em que fez juras de amor à liberdade de imprensa que tentou assassinar no PNDH-3 e em que fez pose de Madre Teresa de Calcutá - a dona de diplomas imaginários que nunca ouviu falar de Tzvetan Todorov, Julia Kristeva ou do Nobel de Literatura Elias Canneti, para citar alguns búlgaros que fizeram "algum sucesso" fora da Bulgária. A prova definitiva de que a soberba e a ignorância são mesmo irmãs siamesas, caminhando lado a lado do neurônio solitário, em luta constante contra o conhecimento, o bom senso e a gramática.

Se você quase morreu de vergonha alheia e riu até cair com as gafes de Lula nos últimos oito anos ou com a performance impagável de Weslian Roriz nos debates ("eu quero defender toda aquela corrupção"), prepare-se: os próximos quatro anos serão um prato cheio. Espere um desfile de atentados à lógica e à língua portuguesa, pontuados por uma procissão infindável de platitudes, solecismos e anacolutos. É Dilma, a primeira presidente do Brasil fluente em búlgaro. E só em búlgaro.

Em apenas um dia, duas cretinices. A nulidade promovida à estadista pela influência do chefe não esperou passar 24 horas após sair o resultado das urnas para comprovar que é mesmo discípula do mestre. Em 2006, no primeiro discurso após ser reeleito presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva deu uma contribuição inesquecível à mudança da geografia comercial do mundo, ao anunciar, em seu estilo costumeiro, ao lado de um embasbacado Celso Amorim, que o Mercosul a partir dali iria estender-se "da Patagônia até a Terra do Fogo", inaugurando assim a integração econômico-comercial de focas e pingüins. "Ah, mas isso é preconceito, porque ele é operário" etc. e tal. Dilma não é, nem nunca foi, operária. Agora, dirão o quê, "é preconceito, porque ela é mulher"? Então todas as mulheres dizem coisas estúpidas?

Pelo visto, vamos ter quatro longos anos pela frente. A Era da Mediocridade mal começou.
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P.S.: Aproveito para corrigir algo que escrevi em meu último post: de certo modo, fiquei contente com a eleição da criatura do Lula. Certamente, não vai faltar assunto para este blog. Acho até que vou ter que fazer hora-extra...

segunda-feira, novembro 01, 2010

DILMA ROUSSEFF NÃO EXISTE


Dilma Vana Rousseff é a nova presidente do Brasil. Estou triste? Estou feliz? Nem uma coisa nem outra. Apenas um pouco mais preocupado com os rumos da democracia no País (haverá certamente novas tentativas dos lulo-petistas de censurar a imprensa e cercear a liberdade de expressão, sem falar na política externa pró-ditaduras etc.). Mas nada que mude meu humor (e não dou a mínima se não acreditarem). Não escondo que gostaria que Serra tivesse vencido o pleito, embora, para falar a verdade, nunca tenha botado muita fé em sua candidatura (sei que é fácil dizer isso agora, mas é a verdade). Defendi o voto em Serra, não por gostar dele, nem por simpatizar com suas idéias - que são, aliás, bem próximas das do PT -, mas porque sei que, com os tucanos, há pelo menos um limite para a cafajestagem, enquanto que, com os lulo-petistas, sempre se pode piorar, sempre se pode descer um pouco mais na escada da abjeção. De qualquer modo, se Serra vencesse, eu não baixaria a guarda. Continuaria sendo "do contra". Em alguns aspectos, acho que até mais do que tenho sido nos últimos oito anos.

Os lulo-petistas, claro, estão exultantes com a vitória nas urnas. Encaram-na como um golpe mortal no inimigo, como se este tivesse sofrido uma verdadeira humilhação, uma morte política, da qual não será nunca capaz de se reerguer. Eles são assim. Se sua candidata tivesse sido derrotada, estariam gritando que houve fraude, diriam que a democracia brasileira não presta, inventariam até que foram prejudicados pela edição do último debate na Globo ou pelo aumento da abstenção devido ao feriadão transferido para a terça-feira (alguém notou esse detalhe?). É que eles, os lulo-petistas, não conseguem conceber um regime democrático sem que eles vençam. Para eles, o único resultado legítimo de uma eleição é a vitória. Não entenderam ainda, nem acho que um dia vão entender, que, numa democracia, ganhar ou perder, é do jogo. Não se contentam com os 56% dos eleitores que disseram "sim" ao projeto pessoal de Luiz Inácio Lula da Silva. Incomoda-os que 44% disseram "não" a essa ambição continuísta (ou 53%, se formos computar os resultados das eleições para os governos estaduais). Isso mostra bem o conceito de democracia dessa gente.

Como disse, os lulo-petistas estão exultantes com a vitória de Dilma Rousseff. O problema é que Dilma Rousseff, assim como seu criador e mentor, não existe. Isso mesmo. Ela não passa de uma peça de ficção, como as obras do PAC e seus títulos acadêmicos. Fruto de uma escolha pessoal de Lula, após o naufrágio de Zé Dirceu e Antonio Palocci no lodaçal de mensalões e sigilos violados de caseiros, sua candidatura só floresceu porque o padrinho - no sentido mariopuziano da palavra - não conseguiu rasgar a Constituição e emplacar, como queria, um terceiro mandato presidencial. Enfim, como o plano C ou D. Sem experiência política, sem discurso, até sem rosto - o dela virou um amontoado de plásticas, que a transformaram numa mistura de Coringa do Batman com o Kim Jong-Il - ela foi pinçada como uma escolha perfeita para que o mestre continuasse mandando por trás da cortina, tendo sido imposta, primeiro ao próprio partido, e depois ao Brasil, como uma gigantesca operação de marketing. Enfim, uma perfeita candidata-laranja, "by proxy". Não surpreende, portanto, que ela não tenha idéias próprias sobre nada, e que, nas raras ocasiões em que foi pega falando o que realmente pensa, teve que voltar atrás, desdizendo-se atabalhoadamente (sim, estou falando das opiniões dela sobre a legalização do aborto). Em Dilma, as palavras parecem brigar o tempo todo com os dois ou três neurônios que supostamente articulam a sua fala. Aí estão os videos de seus discursos e entrevistas para comprovar.

Repito: os eleitores de Dilma votaram numa candidata-fantasma, numa candidata que não existe. Darei apenas um exemplo para ilustrar o que digo: mais de 70% da população brasileira reprova os métodos e a ideologia do MST (nem falo do aborto, cuja descriminalização é um anátema para a maioria). Não faz muito tempo, Dilma Rousseff apareceu discursando com um boné do MST na cabeça, numa imagem que correu a internet. Pois bem. Cerca de 56% dos eleitores brasileiros votaram em Dilma Rousseff para a Presidência da República. Como explicar essa contradição? Será que os eleitores de Dilma mudaram de opinião quanto ao MST? Ou será que, em vez de Dilma, votaram em outra pessoa, não a que discursou com o boné do MST?

Em meio ao emaranhado de números e estatísticas levantados pelos dois candidatos, questões como essa ficaram completamente à margem da campanha (só vi Serra falar do MST uma única vez, mesmo assim de forma lateral, numa entrevista, não no horário eleitoral). Em certos momentos, a disputa pareceu se resumir a uma briga de números e comparações que, mesmo se não fossem falsas (no caso dos lulo-petistas), ainda assim não me dariam nenhum motivo para dar mais quatro anos à turma hoje no poder. Acabei de ler um texto de Theotonio dos Santos, um petista que se apresenta como professor de economia. Ele desce o sarrafo na política macroeconômica do governo FHC. Diz, entre outras revelações surpreendentes, que esta não teve nada a ver com o controle da inflação e a estabilização da economia. O que ele não responde é: se isso é verdade, então por que cargas d'água o governo Lula manteve a mesmíssima política econômica de seu demonizado antecessor (no que, diga-se, fez muito bem)?

Mesmo se o governo Lula fosse o melhor da História do Brasil, mesmo se Dilma fosse a administradora competente que dizem ser - e notem que eu digo "mesmo se" -, ainda assim prefiro a alternância política, como fizeram, há pouco tempo, os chilenos. Prefiro isso a projetos de poder pessoal continuístas de caudilhos que são capazes de sacar da cartola, do nada, uma candidata de passado nebuloso, presente fraudulento e futuro incerto, sem idéias claras sobre o que quer que seja. Prefiro a democracia.

Se desde o início tivesse sido dada ênfase ao que está acima, o resultado das eleições poderia ter sido diferente. Mas tivemos uma das campanhas mais medíocres da História brasileira. Os únicos bons momentos foram a denúncia de Índio da Costa sobre a ligação entre o PT e as FARC e o enrolation de Dilma sobre o aborto, em que se conseguiu descer um pouco o véu de dissimulação que cobre o PT e a sua figura. As respostas-chavão do pessoal dilmista e de seus simpatizantes nessas horas - "é a tática do medo" (no caso das FARC), "é calúnia", "moralismo de direita", "medievalismo" etc. (no caso do aborto) - não passaram de uma tentativa tosca de tapar o sol com a peneira. Como se o que realmente importasse, no último caso, fosse a posição, inclusive religiosa, de cada candidato sobre o aborto. (Bobagem: a verdadeira questão era o flip-flop de Dilma, que disse que era a favor da descriminalização e depois tentou negar. Ponto.) Esses foram os únicos momentos em que se fez política durante a campanha. O resto foi a pasmaceira de sempre.

E volto aqui a um tema que já desenvolvi em outros textos: a grande tragédia brasileira é que simplesmente não existe no País um partido de direita. Nem do ponto de vista econômico, nem político, nem muito menos cultural. Um partido que não titubeie, por exemplo, em defender privatizações, ou que tenha uma agenda claramente baseada em valores e princípios cristãos, como existem nas melhores democracias européias. Um partido, em outras palavras, que traga para o debate político, a partir de um ponto de vista contrário, questões legítimas como o aborto, ou o "casamento gay", ou a política externa, ou o tamanho do Estado. Questões, enfim, consideradas tabu no Brasil, e que quando são lembradas é porque são "boatos de internet". É mais uma prova do primitivismo da política brasileira.

Mais uma vez: escrevo isso porque sou, como gostam de dizer os lulo-petistas, "de direita", "conservador", ou - meu preferido - "reacionário" etc.? Podem pensar assim se quiserem. Escrevo porque sou, acima de tudo, um democrata, ou seja, alguém que preza a pluralidade de idéias e a diversidade de opiniões, e que tem asco, nojo, repulsa, horror à unanimidade ideológica. Escrevo isso porque ainda espero um dia poder escolher entre dois ou mais candidatos que representem posições realmente divergentes, e não mais me limitar a escolher entre o ruim e o pior, entre a direita da esquerda e a esquerda da esquerda. Tem sido assim no Brasil há quase vinte anos, desde, pelo menos, 1994. Desconfio que tem sido isso, aliás, o que tornou as eleições no Brasil tão desinteressantes. Passei o último domingo em casa (não fui votar porque estou fora do Brasil), relendo Os Irmãos Karamázovi, de Dostoiévski. Assim que soube do resultado das urnas, soltei um suspiro e balancei a cabeça. E voltei à leitura.

Poucas vezes a ausência de uma candidatura realmente de direita se fez sentir tanto quanto nessa última eleição. No primeiro turno, vocês lembram, havia, além de Dilma (PT), Serra (PSDB), Marina (PV) e o Velhinho Maluquinho (PSOL), mais uns três nanicos de extrema-esquerda, além de uns dois ou três picaretas de sempre. No segundo turno, quando havia a possibilidade de debate, Serra se comportou como se estivesse diante de uma candidatura como outra qualquer, como se o PT fosse um partido político igual aos outros, que existe para disputar eleições e aceita as regras da democracia. Esqueceu-se do que seu próprio vice afirmou no primeiro turno, e que estava lidando com um partido com laços orgânicos com terroristas e narcotraficantes. Ficou no lenga-lenga paroquial de prometer cirurgias de próstata e de mama no SUS e se esquivou de atacar a adversária onde ela era mais frágil, posando de bom-moço. Pior: para não ser acusado de
"direitista", deixou-se pautar, passou a macaquear o discurso de Dilma, fazendo promessas populistas de manter o Bolsa-Cabresto e aumentar o salário mínimo e revelando-se, na questão do pré-sal, mais estatista do que o PT. Mal assessorado por marqueteiros incapazes de enxergar um palmo além das pesquisas, demorou a fazer política, deixou de dizer verdades sobre Dilma e pareceu fugir do confronto, acreditando que isso lhe tiraria votos. Nem mesmo a delinqüência explícita da quadrilha lulo-petista contra sua família - como a violação criminosa do sigilo bancário de sua filha e de membros do PSDB, ou as maracutaias da companheira Erenice Guerra na Casa da Mãe Dilma, sem falar até mesmo na agressão física de que foi alvo no Rio de Janeiro - tiraram Serra de seu torpor. Por excesso de delicadeza, como no poema de Rimbaud, ele perdeu não a vida, mas a chance de desmascarar uma fraude, a maior que já houve no Brasil.

Resumindo: os tucanos tiveram a chance de abreviar a era da mediocridade, mas não puderam, ou não quiseram, fazê-lo. Agora teremos certamente os quatro anos mais medíocres da História republicana. Dilma Rousseff é a nova presidente da República. Como disse certa vez o Augusto Nunes, o Brasil já foi mais exigente.

OS FILHOS DA PÁTRIA

Andei lendo o que alguns, principalmente os devotos da religião lulo-petista, escreveram sobre a eleição da Dilma Duchefe. Pensei em escrever também um texto, mas aí me dei conta de que, melhor do que escrever, seria mostrar a galeria dos que ganharam com a eleição da criatura eleitoral de Luiz Inácio.
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Como parece que os brasileiros não ligam muito para a palavra escrita, e como tudo no Brasil é muito personalizado, aí vai uma pequena amostra visual dos Filhos da Pátria.

Como vocês verão, trata-se somente de pessoas progressistas, de ilibada reputação e elevado espírito republicano. Verdadeiros Vultos da Nação.
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Se você votou em Dilma, saiba que votou também nos personagens abaixo. Com vocês, alguns dos principais ganhadores do pleito presidencial de 2010:





E, finalmente, o chefão e mentor de todos:



É... Os proximos quatro anos prometem. E como!

RETRATO OFICIAL



Antecipando-me à secretaria de comunicação social da Presidência da República, adianto aqui, em primeira mão, o retrato oficial da nova ocupante do Palácio do Planalto.

sábado, outubro 30, 2010

UM EDITORIAL MAGNÍFICO DO ESTADÃO

Há tempos O Estado de S. Paulo nos vem brindando com editoriais excelentes, sempre precisos e inteligentes. O deste domingo, 31 de outubro, não é exceção. Na verdade, provavelmente é o melhor editorial que já li em minha vida. Não menos do que magnífico.

Como agora milito nas fileiras do PDD (Partido em Defesa da Democracia), reproduzo o editorial logo abaixo. É uma pena que não adiantaria nada enviar uma cópia para o Apedeuta, pois este tem com as letras a mesma relação que o palhaço-deputado Tiririca. Confiram.

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Afinal, o que queremos?
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Encerra-se hoje a mais longa campanha eleitoral de que se tem notícia no País, e certamente em todo o mundo: oito anos de palanque na obstinada perseguição de um projeto de poder populista assentado sobre o carisma e a popularidade de um presidente que, se por um lado tem um saldo positivo de realizações econômico-sociais a apresentar, por outro lado, desprovido de valores democráticos sólidos, coloca em risco a sustentabilidade de suas próprias realizações na medida em que deliberadamente promove a erosão dos fundamentos institucionais republicanos. Essa é a questão vital sobre a qual deve refletir o eleitor brasileiro, hoje, ao eleger o próximo presidente da República: até onde o lulismo pode levar o Brasil?
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Quanto tempo esse sentimento generalizado de que hoje se vive materialmente melhor do que antes resistirá às inevitáveis consequências da voracidade com que o aparelho estatal tem sido privatizado em benefício de interesses sindical-partidários? Tudo o que ambicionamos é o pão dos programas assistenciais e do crédito popular farto e o circo das Copas do Mundo e Olimpíada?
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Lamentavelmente, as questões essenciais do País não foram contempladas em profundidade pelo pífio debate político daquela que foi certamente a mais pobre campanha eleitoral, em termos de conteúdo, de que se tem notícia no Brasil. Mais uma conquista para a galeria dos “nunca antes neste país” do presidente Lula, que nessa matéria fez de tudo. Deu a largada oficial para a corrida sucessória, mais de dois anos atrás, ao arrogar-se o direito de escolher sozinho a candidata de seu partido. Deu o tom da campanha, com a imposição da agenda - a comparação entre “nós e eles”, entre o “hoje e ontem”, entre o “bem e o mal” - e com o mau exemplo de seu destempero verbal.
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Uma das consequências mais nefastas dessa despolitização que a era lulo-petista tem imposto ao País como condição para sua perpetuação no poder é o desinteresse - resultante talvez do desencanto -, ou pelo menos a indulgência, com que muitos brasileiros tendem a considerar a realidade política que vivemos. A aqueles que acreditam que podem se refugiar na “neutralidade”, o antropólogo Roberto DaMatta se dirigiu em sua coluna dessa semana no Caderno 2: “Você fica neutro quando um presidente da República e um partido que se recusaram a assinar a Constituição e foram contra o Plano Real usam de todos os recursos do Estado que não lhes pertencem para ganhar o jogo? (…) Será que você não enxerga que o exemplo da neutralidade é fatal quando há uma óbvia ressurgência do velho autoritarismo personalista por meio do lulismo, que diz ser a ‘opinião pública’? O que você esperava de uma disputa eleitoral no contexto do governo de um partido dito ideológico, mas marcado por escândalos, aloprados e nepotismo? Você deixaria de tomar partido, mesmo quando o magistrado supremo do Estado vira um mero cabo eleitoral de uma candidata por ele inventada? É válido ser neutro quando o presidente vira dono de uma facção, como disse com precisão habitual FHC? Se o time do governo deve sempre vencer porque tem certeza absoluta de que faz o melhor, pra que eleição?”
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Quatro anos atrás, nesta mesma página editorial, dizíamos que “as eleições de hoje são o ponto culminante da mais longa campanha eleitoral de que se tem notícia no Brasil. Desde 1.º de janeiro de 2003, quando assumiu a Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva não deixou, um dia sequer, de se dedicar à campanha para a reeleição. Tudo o que fez, durante seu governo (…) teve por objetivo esticar o mandato por mais quatro anos”. Erramos. O horizonte descortinado por Lula era, já então, muito mais amplo. Sua ambição está custando à Nação um preço caríssimo que só poderá ser materialmente aferido mais para a frente. Mas que já se contabiliza em termos éticos, toda vez que o primeiro mandatário do País desmoraliza sua própria investidura e não se dá ao respeito. Mais uma vez, essa semana, no Rio de Janeiro, respondeu com desfaçatez a uma pergunta sobre o uso eleitoral de inaugurações: “Não posso deixar de governar o Brasil por conta das eleições.” Ele que, em oito anos no poder, só pensou em eleições!

E OS PATRULHEIROS, QUEM DIRIA, AGORA RECLAMAM QUE SÃO PATRULHADOS... É A INVERSÃO PSICÓTICA EM AÇÃO


O militonto a que respondi em meu último post - o tal que tentou espancar números para que eles confessassem que o Brasil começou em 1/01/2003 e que a estabilidade econômica foi uma conquista do governo Lula, e não de FHC - andou espalhando por aí que eu sou um "patrulheiro ideológico compulsivo". Mais: disse que eu, por dizer o que penso e discordar do que alguém escreve em um site, seria um "patológico psicanaliticamente falando", movido por sentimentos mesquinhos como a inveja e a vontade de aparecer, como se eu fosse uma espécie de Darlene virtual etc. (basta contar quantas fotos minhas aparecem no blog para ver como isso é verdade...) O mesmo bestalhão afirma que eu uso o site dos outros como escada, e que isso é muito feio etc. etc. (Como se eu, com 713 posts escritos até agora, sendo uns 10 diretamente relacionados ao site em questão, precisasse subir nos ombros de alguém, como faz uma certa candidata-laranja à Presidência da República.)
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Ai, ai... Confesso que é chato tentar explicar o bê-a-bá da democracia a quem se recusa a descer das árvores e a adotar uma postura ereta. Principalmente a alguém que se atribui ares freudianos, arrogando-se a capacidade de compreender os recônditos da psique alheia... (O sujeito chegou a dizer que, ao falar, num comentário, da TFP, eu estaria cometendo um "ato falho", porque estaria resgatando "das profundezas do seu [meu] inconsciente a sua [minha] verdadeira identidade social e política", vejam só...) Mas vamos lá. Mesmo sabendo que, provavelmente, será inútil, vou tentar trazer um botocudo para a civilização.
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Não, bobão! Não "patrulho" ninguém. Quem entende de patrulhas é a esquerda. Foi ela que durante décadas - ainda hoje - se especializou em vigiar jornalistas, professores, artistas e intelectuais para que todos abdicassem de pensamento próprio e, em vez disso, pensassem e agissem conforme a "linha justa" do Partido (hoje isso se chama "politicamente correto"). Minha ambição é bem mais modesta. Em vez de exigir obediência cega aos dogmas de uma ideologia, como fazem os esquerdiotas, limito-me a apontar incoerências e a discordar do que acho errado, apresentando fatos e argumentos. Quando vejo alguém tratar igualmente democracias e tiranias, por exemplo, ou colocar no mesmo saco terroristas e os que os combatem, não resisto à tentação - na verdade, o dever moral - de defender a opinião contrária, que considero a certa. E faço questão de ter lado, de maneira clara, sem relativismos nem ambigüidades. Faço isso com quem respeito intelectualmente e com quem mantenho discordâncias pontuais, assim como com quem não merece resposta, pois acha que isso é "patrulha". Não é.
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É engraçado como os mesmos que se acostumaram, durante décadas, ao papel de patrulha e polícia ideológica, impedindo e punindo - muitas vezes literalmente - o pensamento discordante, agora têm a cara de pau de se dizerem vítimas de "patrulhamento" porque alguém veio e denunciou as suas falácias e imposturas. E ainda por cima tentam desqualificar a crítica, como o produto de inveja ou de algum desequilíbrio psicológico. Isso mostra como esses esquerdopatas não entenderam ainda, nem aceitam, a natureza da democracia, cuja base fundamental é o respeito e a garantia da diversidade e da divergência (na ex-URSS, vale lembrar, os dissidentes eram internados em hospitais psiquiátricos).
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É uma característica do marxismo de galinheiro que impera por estas bandas e que, muitas vezes, passa por filosofia ou ciências humanas a inversão psicótica da realidade, aquilo que é chamado, no jargão científico, de dissonância cognitiva (o mesmo que a "novilíngua" de Orwell). Assim, quando um comunista fala em democracia, o que está defendendo, na verdade, é seu oposto, a ditadura (que eles chamam "do proletariado"). Quando um petista, por sua vez, fala em "democratização dos meios de comunicação", o que está querendo, na verdade, é censura mesmo (que eles chamam de "controle social da mídia"). Do mesmo modo, os esquerdistas acusam seus adversários de calúnia e boataria, quando são eles os que espalham calúnias e boatos aos quatro ventos. E assim por diante. Posam de vítimas do crime que eles mesmos cometem, agindo como a dona do bordel que se finge de pudica.
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Agora, pelo visto, esses stalinistas farofeiros e revolucionários do toddynho e do sucrilho deram de acusar os outros de patrulhamento ideológico, algo que sempre fizeram. Para essa gente, os militontos do credo totalitário, a crítica a eles, qualquer critica, será sempre "patrulha". É que a única linguagem que eles entendem e aceitam, nesse caso, é o aplauso. O meu, pelo menos, eles não têm.

sexta-feira, outubro 29, 2010

A HERANÇA MALDITA DE LULA

Outro dia, navegando na internet, como sempre faço após o trabalho, deparei com um texto de um velho conhecido deste blog, o Pablo Capistrano (http://www.pablocapistrano.com.br/2010/10/27/a-desconstrucao-da-mulher/), em que ele diz mais ou menos isso: as críticas ao flip-flop de Dilma Rousseff sobre a questão do aborto são parte de uma estratégia de campanha de José Serra e dos tucanos, feita de boatos ardilosos, para “desconstruir a mulher”, atiçando velhos preconceitos machistas da sociedade etc. Ele lembrou que um tempo atrás até apareceu um boato de que Dilma seria homossexual, e que isso mostraria bem o caráter sombrio e obscurantista dessa campanha sórdida etc. etc.
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Não resisti e postei um comentário. Escrevi então, logo após parabenizar o autor por ter, finalmente, resolvido sair do armário e assumir seu esquerdismo – ele até me expulsou de seu site algum tempo atrás por eu ter perguntado por que ele, escrevendo como um esquerdista, com jeito e até vocabulário de esquerdista, não se assumia como esquerdista –, escrevi então, dizia, que eu só poderia ser um membro da TFP e do Opus Dei, pois não vou votar em Dilma. Disse que sou um porco machista e chauvinista, porque não vou ceder à chantagem sexual-vitimista e votar na criatura do chefe por ela ser (apesar de, devo dizer, às vezes não parecer) mulher. Serra, por sua vez, deve ser da Ku Klux Klan (já a ligacão de Dilma com o MST só pode ser calúnia e boato eleitoral, claro...). Lembrei também que, se tem alguém que recuperou o estereótipo machista na campanha foi Dilma, que fez questão de posar de "mãe-mulher-pró-vida" na questão do aborto (sua escolha por Lula, aliás, parece indicar bem essa mentalidade retrógrada, de dominação masculina sobre uma fêmea subserviente...). Aproveitei para perguntar por que ninguém usou os mesmos argumentos sobre "desconstrução da mulher" no caso de Margaret Thatcher e de Sarah Palin, por exemplo. Fiquei sem resposta.
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Pois não é que, em vez da resposta esperada, eis que aparece um camarada e escreve um comentário longuíssimo no site me desancando por eu ser - surpresa - “de direita”, “reacionário”, enfim esse trololó todo? Pensei em ignorar (tentei ver alguma relação entre o comentário e o que escrevi sobre o texto; em vão). Mas aí percebi que o tal sujeito usa uma enxurrada de dados e números “oficiais”, que supostamente provariam que o governo Lula foi um mar de excelência empresarial, e o de FHC, um desastre haitiano. Compreendi que se trata de uma corrente, de um texto-padrão, uma espécie de power-point que os lulo-petistas, na falta de argumentos, usam para apoiarem-se uns aos outros (já falei que eles são como formigas: agem movidos por feromônios, não pela razão). Enfim, uma maneira de dar um ar de "objetividade" ao que é, na verdade, mero pitaco ideologico - repetido à exaustão, aliás, na propaganda eleitoral.
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Então, por pura piedade, e também porque o troço demonstra bem a maneira de, digamos, “pensar” desse pessoal, resolvi responder aqui ao dito-cujo. Por pura piedade, também, omito seu nome (tenho o coração mole, não gosto de ver pessoas passando vergonha). É mais uma prova, vocês verão, de que a estatística é mesmo a arte de torturar números para que eles digam apenas o que interessa.
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Lá vai ele, em vermelho. Eu respondo em seguida. Tentem conter o riso, por favor.
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Sr. Gustavo, você deveria usar a razão para abordar os fenômenos sociais, no entanto insiste no pensamento mitico, místico, mágico, fantasioso, metafísico, preconceituoso, carregado de ódio e fanatismo.
Puxa, tudo isso? Agora fiquei com medo de mim mesmo...
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Quando cita a TFP, a Opus Dei e a Ku Klux Klan, comete um “ato falho”, resgata das profundezas do seu inconsciente a sua verdadeira identidade social e política.
Quem cita a TFP, para começo de conversa, é o texto do Pablo. Além do mais, ironia é para quem tem um mínimo de inteligência... "Ato falho", é?
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Mas deixa pra lá. O importante é que estou diante de uma pessoa iluminada, alguém que conhece “as profundezas do seu [meu] inconsciente e a sua [minha] verdadeira identidade social e politica”... Uau! E que é, nada mais nada menos, do que a mesma da TFP, do Opus Dei e da KKK! (Faltou citar Hitler, a Inquisição, Átila, o Huno e Charles Manson, sem falar nos incas venuzianos.)
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Não sou petista, exatamente por considerar Lula um traidor dos trabalhadores ao manter no seu governo a macroeconomia do seu antecessor,o neobobo FHC.
Pode achar que não é petista, mas é apenas mais um da patota. Basta ver o que diz sobre o Lula “traidor dos trabalhadores” (por causa do mensalão ou de outra maracutaia qualquer? Não: por causa da macroeconomia do “neobobo” FHC...). Pelo visto o sujeito deve considerar o PT "de direita" demais para seu gosto... Isso também é uma forma de petismo, não dá para negar.
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Votei no primeiro turno no Plinio de Arruda Sampaio.
Sem comentários. Isso explica tudo.
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Agora no segundo turno é uma outra eleição. Mesmo com severas críticas ao conservadorismo do governo Lula, devo admitir que qualquer comparação feita entre o governo de FHC e de Lula, esse último foi superior.
“Conservadorismo do governo Lula” foi ótimo... Gostaria de saber o que economistas e filósofos conservadores como Friedrich Hayek e Edmund Burke diriam de um governo que inchou a máquina estatal, aumentando enormemente os gastos com apaniguados. Ou então da política externa alinhada com o que de pior existe na humanidade. Mas sobre isso falarei mais adiante.
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Agora vejam por que, na opinião de quem escreveu essa peça de lógica matemática, o governo do Apedeuta foi "superior ao de FHC":
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Lula teve a maior votação da história deste país, aproximadamente, 53 milhões de votos.
E daí? Quem disse que urna é tribunal?
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Lula erra ao assumir,na “Carta ao Povo Brasileiro”, (na verdade direcionada aos credores do Brasil, buscando acalmar o mercado), o compromisso de respeitar os acordos feitos pelo governo anterior: metas de superávit primário e de inflaçãoe o financiamento da divida externa. Nisto eu critico ele [sic].
Muito bem, pois foi esse “erro” de Lula que lhe garantiu surfar na onda alheia e posar de estadista durante oito anos. Foi esse “erro” que lhe permitiu governar sem maiores sobressaltos na economia, e ainda sair com altos índices de popularidade, e até inventar uma candidata-frankenstein para, se eleita, ele controlar nos bastidores. Foi esse “erro” que lhe garantiu enganar milhões de otários dizendo que ele inventou o Brasil em 1/01/2003. Foi esse “erro”, enfim, a única coisa boa em um governo em que o que era bom não era novo, e o que era novo não foi bom.
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Mas vamos a comparação objetiva entre os dois governos.
Oba, vamos lá. Objetivamente, então. Porque até agora não vi nada de objetividade. Muito pelo contrário.
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Lula assumiu em 01/01/2003: o dólar valia R$ 3.53, hoje vale 1.67;
Ótimo, e quem foi que aplicou políticas cambiais efetivas que permitiram fortalecer o real nos anos 90? (Uma dica: Lula estava do outro lado, chamando tal política de “estelionato eleitoral”...)
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a taxa de juros básicos (selic) era de 25% ao ano, hoje é em torno de 11% ao ano;
Continua alta. Mas, novamente, e mesmo sem ser economista: quem foi que começou a aplicação dessas medidas? É engraçado como, até há bem pouco tempo, os lulo-petistas nem falavam em selic etc. Pegaram o bonde andando, como tudo o mais.
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a inflação no governo FHC atingiu 1.31 % ao mês, hoje gira em torno de 4.5% ao ano;
Pois é, e quem foi mesmo que aplicou o Plano Real e domou a inflação? Ou vai me dizer que era Guido Mantega o ministro da Fazenda em 1994? (E só para lembrar: antes disso, a inflação era de uns 80%... Ao ano? Não! Ao mês!!!)
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Sem falar que inflação é um fenômeno econômico que depende de uma série de variáveis, inclusive de ordem internacional. FHC conseguiu domar a inflação apesar de uma série de crises externas e da oposição irresponsável dos petistas. Já Lula foi contra o Real desde o início, só descobriu suas virtudes quando percebeu que poderia ajudar a ganhar eleições...
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as reservas cambiais deixadas por FHC era [sic] de aproximadamente US$ 25 bilhões, hoje é [sic] de US$ 280 bilhões;
Mais uma vez: tudo isso só foi possível devido ao ajuste da economia no governo FHC, que estabilizou o câmbio e garantiu o aumento das exportações. Enfim, justamente a “macroeconomia do ‘neobobo’ FHC”...
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FHC multiplicou por 14 a nossa dívida pública que saltou de R$ 60 bilhões para R$ 850 bilhões. Lula triplicou essa dívida.
Não entendi. Se Lula triplicou uma dívida que já era grande, então cadê a vantagem?
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E só para que não haja dúvidas: o total da dívida pública brasileira, segundo dados oficiais de setembro de 2010, é de R$ 1,62 trilhão (fonte: http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/10/divida-publica-sobe-05-em-setembro-para-r-162-trilhao.html). Isso significa não o triplo, mas cerca do dobro da dívida do governo FHC. Se fosse o triplo, seria algo em torno de R$ 2,5 trilhões.
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É um dado que, em teoria, serviria para favorecer os argumentos dos lulo-petistas (o Guia Genial "só" duplicou, não triplicou, a dívida, vejam só...). Por que, então, eu o cito aqui, mesmo sabendo que, diante de uma informação verídica que pudesse reforçar os argumentos do lado adversário, os petralhas certamente não fariam o mesmo? Primeiro, por honestidade. Segundo, para mostrar como esse pessoal, até mesmo quando é para os favorecer, trata os números: do mesmo jeito como trata a lógica e a língua portuguesa...
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Lula conseguiu através de medidas de ajuste conter a inflação, pagar ao FMI, uma divida contraída por FHC,quando ele em 1999 quebrou o país, na ocasião perdemos todas as nossas reservas. Lula quita antecipamente a divida com o FMI e ainda empresta dinheiro ao FMI, instituição essa considerada: “banqueiro dos banqueiros”. Com isso cai o “risco Brasil” (mede a confiabilidade dos títulos brasileiros no exterior).
Em seis linhas, quatro mentiras:
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1) Não foi Lula quem, “através de medidas de ajuste”, conseguiu “conter a inflação”: foram FHC e sua equipe econômica, graças ao Plano Real (Só para lembrar: Lula e o PT ficaram contra, assim como ficaram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal);
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2) O Brasil não “pagou ao FMI”, muito menos "antecipadamente"; a dívida continua: o que houve foi a regularização da situação do Brasil junto ao Fundo, o que foi conseguido – mais uma vez – graças às políticas macroeconômicas do demonizado FHC. E o Brasil empresta dinheiro ao FMI desde que ele foi criado, em 1944 (chama-se cotas; cada país tem a sua);
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3) A dívida externa brasileira não foi “contraída por FHC” – ela já existia muito antes mesmo do regime militar; e
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4) O choque cambial de 1999 não “quebrou o país”; pelo contrário: foi o que permitiu, através de medidas duras e impopulares, como a desvalorização do real, blindar a economia brasileira contra crises externas e impedir o retorno da inflação. Enfim, tudo aquilo que permitiu a redução do risco Brasil e a eleição de um certo político populista que gosta de encher a boca para se apropriar do que os outros fizeram.
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Além da política externa, onde destacamos:
Oba, política externa é a minha praia. Vamos lá, "objetivamente".
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defendeu o fortalecimento do MERCOSUL e endureceu o discurso sobre as negociações da ALCA, pondo fim as pretenções [sic] imperialistas norte-americanas;
Eis os fatos: Sob Lula, o MERCOSUL virou um MERDOSUL, com sua transformação em palanque de Hugo Chávez e de seu circo bolivariano. Nunca o bloco, que nasceu sob o signo do livre comércio (portanto, do liberalismo econômico), esteve mais enfraquecido, caminhando para a irrelevância. Agora, adivinhem: quem mais perdeu com o naufrágio da ALCA, o Brasil ou os EUA?
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aproximou o país da União Européia;
A aproximacão vem desde antes, mas essa não é a questão. O fato é que poderia ser maior. Se o governo Lula não priorizasse, por exemplo, as relações com gigantes como a Venezuela e a Guiné Equatorial... (Sem falar da chanchada bolivariana em Honduras e das alianças absurdas com titãs da democracia e dos direitos humanos como os regimes de Cuba e do Irã.)
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criou o G- 20,
O G-20 não foi criacão de nenhum país específico, mas resultou do reconhecimento, pela comunidade internacional, da existência e importância das economias emergentes. Isso não tem nada a ver com a vontade de nenhum governante, mas do próprio andar da economia mundial. Ou vai me dizer que foi Lula o responsável pelo crescimento econômico da, sei lá, India ou da África do Sul?
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os BRIC’s;
Também não foi criado por nenhum governo. Simplesmente foi uma sigla inventada por um analista de um banco americano - e em 2001, antes, portanto, da eleição do Redentor da Humanidade.
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propôs a criação de um fundo mundial de combate à fome, financiado pelos países ricos.
Que até agora não saiu do papel. Sem falar que fundos semelhantes existem há décadas na FAO. Nem nisso o Apedeuta foi original.
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Enfim, FHC depois de torna-se [sic] através das privatizações feitas como [?!] o governo mais entreguista da humanidade, sem nenhum precedente em lugar e em tempo nenhum, termina o seu governo com 23% de aprovação e Lula que impede, de certa forma, as sangrias internacionais e as privatizações, termina seu mandato com 96% de aprovação.
Caramba! Tudo bem que os esquerdiotas tenham lá suas queixas contra as privatizacões – que permitiram uma revolução nas telecomunicações, por exemplo, mas deixa pra lá –, mas daí a dizer que o governo FHC foi “o mais entreguista da humanidade” (!), “sem nenhum precedente em lugar e em tempo nenhum” (!!!), é mais do que exagerar a história: é inventar um país e um tempo completamente imaginários. FHC, “entreguista” e, ainda por cima, sem nenhum precedente? Mais do que, digamos, o governo Thatcher na Inglaterra? Ou o de Pinochet no Chile? Pudera...
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Quer dizer que o índice de aprovação do Filho do Barril já é de 96%? Mas, ainda ontem, não estava em 80%? Deixa pra lá. O importante é que, mesmo que fosse de 368%, eu não arredaria pé. Continuaria a ser do contra e a lembrar os fatos acima. O Apedeuta pode até ter os aplausos do rebanho. Deste blogueiro, ele vai receber é cascudo. E não tem esquerdista que me faça mudar de opinião!
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Lembrando ainda o PAC, que representa 504 bilhões reais investidos em infraestrutura, em logística: portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, matriz energética, infraestrutra urbana (metrô, saneamento básico, habitação popular etc).
Que beleza, mas cadê essas obras todas? Talvez o distinto autor do comentário saiba, como parece indicar o ato falho ("representa" 504 bilhões...). Não que se tais obras existissem de fato, e não fossem só uma peça de marketing eleitoreiro (um Programa de Aceleração da Candidatura), isso iria fazer muita diferença para mim. Afinal, como já afirmei aqui, não sou do tipo que troca cultura democrática por obras públicas. Até porque, se houvesse uma relação direta entra as duas coisas, o país mais democrático do mundo seria a... China.
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Sr. Gustavo, após 65 anos da primeira participação das mulheres em eleições para presidente da república. O sr. e essa direita reacionária, entreguista e antipatriota vão ter que engolir depois do “sapo barbudo”, uma mulher presidente da república.
O “sapo barbudo” eu não engoli até agora, nem creio que vou engolir um dia. Aliás, eu já o regurgitei há tempos, desde a época em que ele fazia pose – e era visto por muitos bobalhões – como uma espécie de Lênin brasileiro. O frankenstein criado pelo chefe, então, esse não vou engolir mesmo. Afinal, como um legítimo representante da direita reacionária, entreguista e antipatriota (e existe, na cabeça dos esquerdopatas e esquerdiotas, alguma direita que não seja "reacionária, entreguista e antipatriota"?), só posso lamentar que tanta gente se deixe levar por essa monumental empulhação. Não que o Serra seja uma maravilha, mas pelo menos em alguns temas - aborto, por exemplo - eu sei no que ele acredita. E Dilma, no que acredita? Acho que nem ela sabe.
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Cuidado com a indigestão promovida pela ignorância. Li o seu blog, “do contra”. O sr. nao é do contra, é sim , a favor de tudo ! de tudo que não interessa ao nosso povo! Um abraço!
OK, obrigado por me explicar o que realmente interessa ao “nosso povo”. Falo apenas por mim mesmo e pela minha consciência. Sou um indivíduo, não mais um na manada. De minha parte, se houver indigestão, não será por ignorância. Será que o esquerdinha aí em cima pode dizer o mesmo?
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E, finalmente, a pergunta que não quer calar: se o sujeito é contra a política macroeconômica do "neobobo" FHC, a ponto de dizer que não é petista e chamar Lula de "traidor dos trabalhadores" por manter a macroeconomia de seu antecessor (ou seja: essa mesma política de respeito aos contratos, superávit primário e metas de inflação), então por que raios defende esse mesmo governo com dados e números só possíveis por causa dessa mesmíssima política? (vai ver essa é a tal "herança maldita" de que falava o grande mentecapto até bem pouco tempo atrás). Alguém poderia tentar me explicar isso, por favor?
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Como foi mesmo que o sujeito escreveu, no começo do texto? Ah, lembrei: "Sr. Gustavo, você deveria usar a razão para abordar os fenômenos sociais, no entanto insiste no pensamento mitico, místico, mágico, fantasioso, metafísico, preconceituoso, carregado de ódio e fanatismo." Pois é...
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Eu poderia escrever mais sobre esse assunto. Poderia tentar explicar para esse pessoal o que significam coisas como lógica, coerência, democracia etc. Mas já me convenci que é inútil. Explicar a esquerdistas, lulo-petistas ou não, o significado dessas palavras é como tentar ensinar violino a um bando de orangotangos. Simplesmente não dá.
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Essa é a grande herança maldita da era Lula: além de mensalões, dossiês, aloprados e erenices, além da falsificação da História e da avacalhação das instituições, o aumento brutal da burrice.
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P.S.: Já tinha acabado de escrever este texto quando o sujeito postou mais um comentário. Ei-lo, na íntegra: "A direita é instintiva, não é inteligente! Sempre coloca a razão das armas sobre as armas da razão, a força bruta sobre a inteligência, o preconceito sobre o conceito. O simples fato de saber em quem votei paralizou o seu pensamento, quebrou a estrutura do diálogo, da comunicação e da democracia: calou-se! O seu silêncio demonstra preconceito e autoritarismo bem destilado! Sr. Gustavo, como diz o grande compositor cubano,Pablo Milanés: ” A História é um carro alegre/ cheio de uma gente contente/ que atropela indiferente todo aquele que a negue!” Um abraço fraterno, em nome do proletariado! Até a vitória sempre!" Depois disso, o que posso dizer? É o tipo de coisa que me faz lembrar dos meus 15 anos de idade. Só me resta repetir as palavras que meu pai me dizia quando eu era um adolescente enfezado, simpatizante de um obscurso grupúsculo trotskista: "Vai, meu filho... Faz o que tu queres, se é isso que te faz feliz..."