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Aí está. Se eles fazem isso em São Paulo, imaginem o que poderão fazer no resto do Brasil...
Este é um blog assumidamente do contra. Contra a burrice, a acomodação, o conformismo, o infantilismo, a ingenuidade, a abobalhação e a estupidez que ameaçam tomar conta do País e do Mundo. Seja livre. Seja do contra. - "A ingenuidade é uma forma de insanidade" (Graham Greene)
Aí está. Se eles fazem isso em São Paulo, imaginem o que poderão fazer no resto do Brasil...



A hegemonia lulo-petista no Brasil é tão avassaladora que lembrar o que Dilma dizia até há pouco tempo sobre o aborto - ou o que Lula dizia, antes de chegar ao poder, sobre o assistencialismo e seus aliados de hoje, sem falar nas inegáveis relações do PT com as FARC - é imediatamente descartado como "baixaria" ou como "tática do medo", enquanto que mentir sobre si mesmo e sobre seus adversários é visto como a suprema manifestação da verdade. A questão importante é se fatos sobre uma candidata ao cargo máximo do país devem ser mencionados ou não. É se mentiras deslavadas lançadas sobre seus adversários devem ou não ser desmascaradas. Em 2006, a candidatura de Lula espalhou o boato de que o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, iria privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil. Era mentira. Ninguém na imprensa chamou isso de baixaria ou de tática do medo. Alckmin perdeu a eleição. Lula ganhou.
Hoje, a mesma imprensa "neutra" e "imparcial" que tratou um boato contra o tucano Alckmin como se fosse fato trata um fato sobre Dilma como se fosse um boato. Com isso, presta um desserviço à verdade, e ajuda a consolidar uma mentira. Para não passar por conservadora ou "de direita", dá sua chancela moral a uma tentativa de manipulação. Mais que isso: desvia o rumo do debate, transformando-o num plebiscito sobre o aborto em si. A questão não é sobre a moralidade ou não do aborto. É sobre a moralidade ou não de mentir para ganhar uma eleição.
Se Dilma Rousseff se declarasse claramente a favor da estatização de todas as propriedades do país e da legalização do aborto, ela poderia até perder votos, mas sairia dignificada, a meu ver, como uma pessoa honesta, que não foge de uma questão polêmica para agradar a platéia e vencer uma eleição. Seria, enfim, uma política com alma, e não - o que é confirmado a cada dia - uma criação artificial e uma escrava do marketing. Como ela não faz isso, só posso concluir pela segunda alternativa.
A candidata que chama de factóide a violação de sigilos bancários de filhas de adversários políticos acha que é baixaria lembrar o que dizia sobre um assunto há menos de tres anos. Considera de extremo mau gosto recordar o que ela mesma disse, com todas as letras, mas não vê nenhuma baixaria em preparar dossiês e invadir sigilos alheios - sem falar em programas de governo fajutos, entregues às pressas ao TSE para substituir outro texto, mais radical (e, pelo visto, mais sincero). Vai ver que de bom gosto é esconder essas coisas, e apelar para a falsidade pura e simples.
Estamos assistindo a um processo de destruição e substituição da memória coletiva, no estilo orwelliano. Como escreveu o colunista da VEJA, Reinaldo Azevedo, temos, nesse caso, uma clara dicotomia: de um lado, a verdade reacionária; de outro, a mentira progressista. Entre uma e outra, parte da imprensa ficou com a mentira progressista. Reacionária ou não, eu fico com a verdade.



O Brasil que presta considera o preparo e a capacidade intelectual fundamentais para um governante. O Brasil que não presta acha que o marketing compensa qualquer deficiência, usando e abusando da propaganda ufanista para tentar vender uma nulidade como uma estadista.
O Brasil que presta acha que o papel do presidente da República é governar. O Brasil que não presta acha que a função principal deste é fazer campanha para sua candidata, durante e após o expediente.
O Brasil que presta busca colocar-se acima das questões partidárias, separando-as dos assuntos de governo. O Brasil que não presta confunde propositalmente Estado e partido, transformando o primeiro num puxadinho do último.
O Brasil que presta acredita que todos são iguais perante a lei. O Brasil que não presta acha que alguns são mais iguais do que outros, dividindo a sociedade em raças e grupos distintos, estabelecendo o racismo por meios oficiais.
O Brasil que presta acredita que invadir e depredar propriedades é crime. O Brasil que não presta acha que impedir a invasão e depredação é "criminalizar movimentos sociais".
O Brasil que presta aprende com os erros do passado. O Brasil que não presta se recusa a admitir que um dia errou e tenta reescrever a História - e ainda lucrar financeiramente com isso, numa orgia de indenizações milionárias por escolhas políticas do passado.
O Brasil que presta tem programa de governo e um projeto de nação. O Brasil que não presta tem apenas um projeto de poder, visando eternizar-se nele.
O Brasil que presta defende mão firme contra o crime. O Brasil que não presta mantém relações com terroristas e narcotraficantes (e berra quando isso é mencionado).
O Brasil que presta acha que ninguém está acima da lei. O Brasil que não presta posa de messias e divide a sociedade em pessoas comuns e aliados políticos, para os quais tudo é permitido.
O Brasil que presta exige punição para corruptos e ladrões do dinheiro público. O Brasil que não presta diz ''não sei nada, não vi nada'' e ''fui traido'' - e bota a culpa na imprensa.
O Brasil que presta segue regras. O Brasil que não presta acha que tudo é válido, e que a única coisa proibida é perder as eleições e o poder.
O Brasil que presta quer apenas que o Estado não atrapalhe e o deixe em paz. O Brasil que não presta acha que o Estado deve controlar a vida do cidadão, e depende da máquina governamental para fazer bons negócios.
O Brasil que presta considera a honestidade um valor em si. O Brasil que não presta cultiva a ambigüidade moral e o relativismo para os seus.
O Brasil que presta desconfia das ideologias. O Brasil que não presta usa a ideologia sempre que lhe é conveniente, como uma forma de colocar os ricos contra os pobres (por exemplo, chamando denúncias de corrupção de "conspiração das elites").
O Brasil que presta tem vergonha até de fazer oposição ao governo (não deveria ter). O Brasil que não presta não tem limites, nem tem vergonha de nada. Só de perder o poder.
O Brasil que não presta usa a própria origem social como álibi para cometer falcatruas e para fugir da responsabilidade. O Brasil que presta acha que mais importante do que a origem pobre é ter vergonha na cara.
O Brasil que não presta se orgulha de não ter estudado quando pôde, e faz o culto da ignorância. O Brasil que presta acha que isso é um insulto aos pobres que estudam.
O Brasil que não presta acha pragmatismo e sabedoria querer que todos esqueçam o que disseram e fizeram no passado. O Brasil que presta acha que isso é oportunismo e sem-vergonhice.
O Brasil que não presta confunde bom governo com popularidade, e urna com tribunal. O Brasil que presta acredita que uma coisa não tem nada a ver com a outra.
O Brasil que não presta acha que o problema do Brasil é o ''excesso de liberdade'' da imprensa. O Brasil que presta acha que o problema do Pais é o excesso de liberdade do Brasil que não presta.
O Brasil que presta acha que democracia pressupõe a pluralidade e o contraditório. O Brasil que não presta acha que democracia deve ser uma competição entre semelhantes.
O Brasil que presta tem princípios. O Brasil que não presta só tem conveniências.
Se o Brasil fosse um país sério, e não uma terra de abestados e tiriricas, a parte que presta estaria no poder. E a que não presta estaria fora da política. Ou na cadeia.
Em alguns dias, os dois Brasis irão se enfrentar nas urnas. A julgar pelo que dizem as pesquisas, sairá vencedor o Brasil que não presta, o Brasil da mentira, do crime e da corrupção. É que este tem militantes. O outro Brasil, o Brasil que presta, tem, se tanto, eleitores.




