segunda-feira, agosto 09, 2010

A LONGA MARCHA DOS MACONHEIROS


Francamente, sempre achei um besteirol essa estória de legalizar a maconha. De todas as causas que alguém pode adotar e a ela dedicar seu tempo e intelecto, a da "descriminalização" da erva maldita é, certamente, a mais idiota. Coisa de desocupado, de quem não tem mais o que fazer.

Não há nada, rigorosamente nada, de "libertário" na defesa da legalização da maconha, ou de qualquer droga ilícita. Há, sim, muita irresponsabilidade e arrogância, embaladas no desprezo olímpico pela Lei e na boçalidade próprios de quem se acha superior aos demais mortais e, portanto, acima das regras da sociedade. Dizer que fumar maconha é um gesto libertário não passa de uma invenção de "moderninhos", em geral gente bem-nascida e com boas conexões familiares, que acha um absurdo não poder fazer a cabeça e curtir uma lombra, mas que não vê nada de mais em que esse vício sirva para alimentar o narcotráfico e tudo de mal que ele acarreta. Afinal, o "movimento", assim como os tiroteios, está lá longe, no morro ou na periferia, e não no asfalto, em Ipanema ou nos Jardins. "Que os pobres se matem", pensam os mauricinhos da erva ou do pó, "desde que eu possa puxar meu baseado".

Paira, sobre o tema, uma névoa, que não é só de fumaça de cannabis. Vamos tentar desanuviar a questão e trazer um pouco de luz ao ambiente, que está assim, digamos, meio enevoado.

A primeira coisa que me chama a atenção no assunto é que os defensores da legalização ou descriminalização da maconha são, em geral, de esquerda, ou aquele tipo de inocente útil descrito geralmente como "simpatizante". A esquerda se mostra, aqui, mais uma vez, elitista. Vá, ou melhor, não vá, mas veja qualquer "marcha da maconha" - essa moda que ameaça generalizar-se no país, a exemplo de outras pragas, como a axé-music e as micaretas - e você verá lá, no meio dos "alternativos", rapagões e moçoilas corados e bem-nutridos, vestindo camisetas com a foice e o martelo e carregando bandeiras de partidos e grupelhos de esquerda. A relação da esquerda com o narcotráfico, aliás, é pública e notória, como demonstram os laços nada secretos do PT com os narcotraficantes das FARC e com o cocaleiro Evo Morales da Bolívia, apesar de toda a afetação de indignação dos petistas diante dessa "revelação" feita pelo vice de um adversário eleitoral.

Trata-se, portanto, de gente que aplaude, ou que silencia diante de regimes como o de Cuba, em que as liberdades individuais não existem. Devotos do multiculturalismo que são, e para não passarem por favoráveis ao "imperialismo", calam diante das atrocidades perpetradas por tiranias como a iraniana, onde mulheres são açoitadas e apedrejadas até a morte por manterem relações extraconjugais. É gente capaz de se emocionar quando vê uma linha de repente se transformar numa curva, mas que é incapaz de ver qualquer coisa de errado, em nome do "relativismo cultural" e do "respeito às diferenças", numa jovem ter o nariz e as orelhas arrancados por não obedecer ao marido em um país islâmico.

Isso, por si só, já é razão suficiente para desconfiar do suposto caráter "libertário" da causa maconhista. Mas meu estranhamento vai além. Ele se manifesta ante o seguinte fato: muitos, inclusive gente de esquerda, pró-Cuba e pró-PT, justificam a legalização da maconha com base no pensamento do filósofo britânico John Stuart Mill (1806-1873), um dos pais do liberalismo. Ora, o pensamento liberal, ainda mais na versão radical e utilitarista de Mill, é o oposto exato do que defendem os esquerdistas, que têm no anti-liberalismo e no coletivismo seus dogmas principais. Está claro que se trata, aqui, de um uso oportunista e instrumental de um pensamento em tudo estranho ao que querem os arautos do "liberou geral". Se a maioria dos defensores da "descriminalização" é de esquerda, então por que apelam para um conhecido autor liberal do século XIX? Querem fumar, OK, tudo bem, fumem até torrar o cérebro. Mas, em nome da honestidade intelectual, deixem John Stuart Mill em paz!

A questão não é que a maconha deva ser proibida porque "faz mal". Muita coisa que faz mal é liberada e seu consumo é socialmente aceito sem maiores problemas. A questão é que do produtor ao consumidor existe uma rede criminosa que precisa ser combatida. E, queiram ou não os modernosos da esquadrilha da fumaça, seu vício alimenta o crime organizado. Acima de tudo, existe a Lei. E, numa democracia, supõe-se que ela exista para ser cumprida. Por todos, indistintamente.

Para ficar mais claro. Se, em vez de maconha, fosse proibido o consumo de, sei lá, fubá, que se tornaria um negócio ilegal bastante lucrativo, eu poderia até achar uma bobagem, mas continuaria a achar que a obediência à Lei é o melhor caminho. Não daria bola para os que dissessem que comer fubá não faz mal, ou é uma questão de liberdade individual. Preferiria prestar atenção às gangues de traficantes de fubá que explorassem o comércio ilegal de fubá nas favelas, num ciclo de violência, e torceria para que a polícia botasse esses malandros na cadeia. Até que me convencessem que consumir fubá não é compactuar com o crime, eu seguiria essa opção.

Há quem defenda a legalização do comércio de maconha com base numa visão pragmática, pois isso retiraria a erva da ilegalidade e acabaria, portanto, com a rede de criminalidade existente. É uma opinião defendida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo. Pode-se discutir essa questão, e creio mesmo que ela deve ser debatida abertamente na sociedade. Mas não deixo de me perguntar como fariam para acabar com os males do narcotráfico tornando-o legal num país, por maior que seja, sem que os demais 191 países adotem, simultaneamente, a mesma medida. A menos que o mundo virasse uma imensa Holanda, não vejo solução. Convenhamos, isso implicaria algumas dificuldades práticas. Nesse meio tempo, prefiro fazer como o personagem do inspetor do FBI Eliot Ness, no fllme Os Intocáveis. Quando perguntado o que faria quando a Lei Seca - a proibição do álcool nos EUA, que perdurou durante toda a década de 20 - fosse revogada, ele respondeu simplesmente: "Vou tomar um drinque".

Voltemos a John Stuart Mill. Os que, para defender a maconha, apelam para o liberalismo stuartmilliano afirmam que, numa democracia, não se pode criminalizar a conduta individual com base na idéia de que "faz mal" porque, afinal, existiria, no caso da maconha, crime sem vítima. Para que haja crime, dizia Mill, é preciso que haja um agente ofensor e uma vítima legítima, cujo direito foi ofendido. No caso da maconha, o ofensor e o ofendido seriam a mesma e única pessoa, logo não há delito a ser punido e qualquer sanção penal seria uma intromissão do Estado num assunto particular etc.

O argumento, à primeira vista, é um primor de lógica, mas tem uma pegadinha aí. É verdade que John Stuart Mill defendia que a única justificativa para se criminalizar uma conduta era que houvesse um agente ofensor e uma vítima ofendida em seu direito. É verdade que, por esse motivo, ele, Mill, achava um absurdo punir criminalmente condutas individuais como o consumo de drogas, o jogo, a prostituição e o homossexualismo (como acontece em países como o Irã), sobre as quais qualquer interferência do Estado seria descabida. Mas é igualmente verdade que, na época de Stuart Mill, não havia tráfico de entorpecentes na escala em que é praticado hoje, com suas conseqüências - sociais, familiares, até políticas (há Estados, como a Bolívia do cocaleiro Evo Morales, que se convertem cada vez mais em narco-Estados) - não menos do que devastadoras. Também é verdade - e algo freqüentemente omitido pelos apologistas da maconha, em sua leitura seletiva de Stuart Mill - que o conceito de responsabilidade é inseparável do da liberdade individual, como deixa claro Mill em seu ensaio mais conhecido, On Liberty (Sobre a Liberdade). E o conceito de responsabilidade estipula que a liberdade deve cessar quando concorre, de alguma maneira, para a desestabilização da ordem pública. Nada a ver, portanto, com o "liberou geral" a que aspira a tribo do "legalize já". Desconfio que, se fosse vivo, John Stuart Mill ficaria contra os descolados e sua (deles, não de Mill) idéia de legalizar a maconha.

Em outras palavras: se você for maior de idade, vacinado e pagador de impostos, e acordou com vontade de se prostituir, fumar maconha ou cheirar pó até virar um maracujá, é problema seu, ninguem tem nada a ver com isso. No caso da prostituição, é até um direito, o Estado não tem nada que se meter numa escolha pessoal sua. Mas, por favor, não cite John Stuart Mill. Pelo menos não se for se referir a substâncias ilícitas. A liberdade individual, essa coisa sagrada, não deve servir de pretexto para o culto à ilegalidade.

Muitos que usam Stuart Mill para defender a maconha afirmam também que ela seria inofensiva, não possuindo a letalidade de outras drogas mais pesadas, como a cocaína e o crack, que causam dependência imediata. Alegam ainda que, se a questão é preservar a ordem pública, não faz sentido manter a proibição da maconha e não do álcool, porque o álcool também gera violência (na forma de brigas de bar, por exemplo) e acidentes de trânsito etc.

Sem entrar no mérito da questão de se a maconha faz mal ou não à saúde (e, para cada artigo de especialista defendendo seu uso controlado na medicina, no combate ao glaucoma por exemplo, há uns dez estudos que mostram a relação do consumo da cannabis com a perda de memória ou com a esquizofrenia), percebo nesse argumento uma forte incoerência. Primeiro, porque, inofensiva ou não a maconha para a saúde, isso, para John Stuart Mill, era irrelevante - importava, para ele, a liberdade de se fazer o que se quiser com o próprio corpo, desde que isso não acarrete algum dano social. Logo, os defensores da erva maldita precisam encontrar outro argumento. Segundo, e pela mesma razão, o álcool pode até detonar brigas de bar e acidentes de trânsito (assim como um medicamento tarja-preta tomado na hora ou na dose erradas), mas há leis que coibem essa prática (a "Lei Seca" no trânsito, por exemplo). Mais importante: com exceção da falsificação e do contrabando, desconheço alguma rede criminosa por trás do consumo de cerveja ou de cigarros, ao contrário da maconha. Uma briga de bar que resulte num assassinato pode ser detonada por uma dose de uísque ou de cachaça, mas não há nenhuma organização ilegal e criminosa entre a produção e o consumo da bebida. A culpa, aqui, é de quem fez (mau) uso dela, ou seja: de quem não soube usar sua liberdade individual de forma responsável. O mesmo não pode ser dito da maconha.

Outro argumento fajuto é que a idéia da maconha como porta de entrada para drogas mais pesadas seria falsa, pois levaria em consideração somente as drogas ilícitas, deixando de lado as drogas lícitas, como o álcool e a nicotina. De fato, jamais conheci, e creio que devem ser muito poucos, os usuários de maconha que não sejam também adeptos do tabagismo ou da bebida. Mas isso não muda em nada a natureza da questão. Até hoje não conheci nenhum viciado em crack ou em cocaína que não tenha começado a sua, com o perdão do trocadilho, "carreira", em aparentemente inocentes tragadas na erva do capeta. Mais que isso: maconha é ilegal; cigarro e álcool, não. Além disso, há uma clara contradição com Stuart Mill. Ora, se a maconha deve ser liberada porque seu consumo é uma questão particular, individual, então por que o mesmo raciocínio não pode ser utilizado para descriminalizar o consumo de cocaína, ou de heroína, ou de crack?

Feitas as contas, fico cada vez mais convencido de que todo esse blablablá de bichos-grilos sobre os supostos prováveis benefícios que a descriminalização da cannabis traria para a sociedade não passa de uma desculpa, muitas vezes disfarçada de "interesse antropológico", para atacar o "sistema" - afinal, o álcool e o tabaco são uma "indústria", ao contrário da maconha, essa plantinha simpática, além do mais ecológica e ambientalmente correta, cultivada milenarmente etc. etc. Trocando em miúdos: um discurso de ripongas ou de filhos da elite entediados, desesperadamente em busca de uma "causa" para substituir ideologias defuntas e preencher o vazio da existência. Ou, então, é só o efeito retardado de alguma bad trip, a prova do efeito deletério da erva sobre os neurônios. Está comprovado: defender a legalização da maconha faz mal à saúde. À saúde mental.

UMA IMAGEM PARA NOS ENVERGONHAR


A imagem acima é um tapa na cara. Um soco no estômago. Ela mostra a jovem afegã Bibi Aisha, 18 anos, barbaramente mutilada - teve o nariz e as orelhas arrancados à faca - por um tribunal do Talibã. Esse foi o castigo que ela recebeu por fugir do marido, com quem fora forçada a se casar e que frequentemente a maltratava. Está na capa da Time desta semana. É uma imagem do horror.
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A frase que acompanha a imagem pode ser traduzida como "o que acontecerá se abandonarmos o Afeganistão". Trata-se de uma afirmação, não de uma pergunta. E de algo quase tão impactante quanto a foto. Porque serve de lembrança para um fato elementar que está sendo sistematicamente ignorado nos dias que correm: sem as tropas dos EUA e da OTAN, o Afeganistão sucumbiria às trevas, ao caos mais completo. É a permanência dos soldados aliados que impede que casos como o de Bibi Aisha deixem de ser exceções e se tornem lei no país.
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Claro, houve quem achasse a foto "forte demais", e surgiu até uma discussão "ética" sobre a conveniência, ou não, de mostrá-la para o grande público. Sem falar na mensagem clara que a acompanhava. Pois eu digo que antiético e imoral, além de inconveniente, seria não mostrá-las, a imagem e a mensagem. Sobretudo num momento em que a tal "opinião pública" (leia-se: a grande imprensa e o politicamente correto) começa a questionar a justeza da derrubada do Talibã e a exigir a retirada imediata das tropas norte-americanas do Afeganistão.
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Se há um motivo mais do que suficiente para defender a permanência das tropas e o combate sem trégua aos terroristas islamitas, aí está o rosto desfigurado de Bibi Aisha para proporcioná-lo. Hoje, o Afeganistão é um país que tem problemas, inclusive a permanência de práticas bárbaras contra mulheres em algumas regiões. Até o final de 2001, porém, essas práticas eram oficializadas por uma tirania teocrática que dominava o país, e que tentou fazê-lo retroceder à Idade Média. Desde então, os que tiranizaram o povo afegão foram expulsos do poder, e hoje vivem acossados em montanhas e cavernas. Há quem ache isso pouco.
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Há ainda os que alegam a questão da "soberania" para defender a saída das forças estrangeiras do Afeganistão, como se "soberania" fosse uma senha para todo tipo de atrocidade. Ou que - mais absurdo ainda -, embalados por uma antropologia de botequim, apelem para a falácia do relativismo cultural, afirmando que a tortura e mutilação de meninas e mulheres é um costume local e deve ser respeitado etc. e tal. Essa é a visão míope de quem se recusa a entender que direitos humanos não são um luxo ocidental, e que a luta contra o Talibã é uma luta da civilização contra a barbárie. É uma visão também hipócrita, pois muitos que referendam os crimes do Talibã ou do regime iraniano não hesitaram em ofender a soberania de países como Honduras, por exemplo. Não falta, também, quem se encha de indignação lacrimosa diante do tratamento dispensado pelos cruéis imperialistas ianques a suspeitos de terrorismo em Abu Ghraib e em Guantánamo, mas que não tenha uma palavra a dizer sobre Bibi Aisha. Para essas pessoas, ela não existe.
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Há alguns meses, a mesma Time que estampou o rosto deformado de Bibi Aisha divulgou uma lista das 100 personalidades mais infuentes do mundo. Um dos que apareceram na lista foi Lula. Os lulistas ficaram exultantes. A última de Lula foi dizer que não é certo interceder em favor dos direitos humanos em outros países, referindo-se à condenação à morte por apedrejamento de uma iraniana por um suposto crime de adutério. Ele chamou isso - o apelo pela vida da prisioneira, não a pena a que foi condenada - de avacalhação (depois voltou atrás, sob o peso de tamanha enormidade, mas somente para tentar livrar a cara de seu amigo Mahmoud Ahmadinejad, que mesmo assim o humilhou, chamando-o de desinformado). O mesmo raciocínio lulista sobre direitos humanos no caso da mulher iraniana pode ser aplicado ao caso da afegã Bibi Aisha. Para Lula, impedir que ela tenha o nariz e as orelhas decepados é uma avacalhação.
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Esse é Lula, o futuro secretário-geral da ONU, o homem mais influente do Universo. E a vergonha de qualquer pessoa decente.

segunda-feira, agosto 02, 2010

LULA: A AVACALHAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS


A iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, 43 anos, foi condenada pela Justiça do regime islâmico de Teerã a ter um destino horripilante. Acusada de adultério, crime punível com a pena capital pela sharia, a lei islâmica, ela será enterrada até a cintura. Munidos de pedras, seus carrascos irão apedrejá-la até a morte. Segundo a lei, as pedras devem ser grandes o bastante para quebrar-lhe os ossos e infligir-lhe o máximo de dor, mas não ao ponto de matá-la rapidamente. Para que a sentença seja cumprida de acordo com as regras corânicas, o sofrimento deve ser lento e a morte, excruciante.

Há somente uma chance de Sakineh Mohammadi Ashtiani não sofrer o cruel castigo da lapidação: se os aiatolás iranianos aceitarem um pedido de clemência em seu nome, feito por alguma alta autoridade mundial. Há alguns dias, começou uma campanha no Twitter para que Luiz Inácio Lula da Silva seja o portador desse pedido humanitário. "Liga, Lula", é o slogan da campanha, que já tem milhares de adeptos. Os internautas que a elaboraram querem que Lula ligue para seu amigo Mahmoud Ahmadinejad e interceda em favor da vida de Sakineh. Acreditam que poderão convencer o atual presidente do Brasil a usar seu auto-proclamado prestígio internacional para salvar a vida de uma mulher condenada a morrer apedrejada por adultério. Crêem, ingenuamente, que ele está preocupado com os direitos humanos. Estão enganados.

Lula não irá interceder em favor de Sakineh Mohammadi Ashtiani. Isso ficou bem claro em 28/07, quando, em mais uma de suas frases memoráveis, ele explicou por que não vai mexer um dedinho por sua vida:

"Tem que ter cuidado, as pessoas têm leis, têm regras. Se começassem a desobedecer as leis deles para atender os pedidos dos presidentes, daqui a pouco haverá uma avacalhação."

Traduzindo do lulês: Qualquer tentativa de intercessão, como um pedido de clemência, seria uma intromissão indevida nos assuntos internos do Irã. Mais que isso: seria uma avacalhação, diz o especialista em direitos humanos. Para ele, Sakineh pode ser apedrejada até a morte, pois é a lei do país. Não é um problema da humanidade.

Para ficar mais claro o entendimento da posição brasileira na questão:

- Lula acha uma avacalhação e uma violação da soberania pedir clemência para uma mulher condenada a morrer apedrejada no Irã, mas não acha uma avacalhação se meter nos assuntos internos do Irã ao avalizar a fraude eleitoral e ao comparar os protestos por democracia no país, brutalmente reprimidos pela teocracia islamita, a um chororô de torcedores cujo time perdeu uma partida de futebol;


- Lula acha uma avacalhação pedir respeito aos direitos humanos em Cuba, mas não acha uma avacalhação comparar prisioneiros políticos, presos de consciência que fazem greve de fome contra uma ditadura, a bandidos comuns;

- Lula acha uma avacalhação um país como Honduras ter uma Constituição e expulsar um golpista que tentou violá-la, mas não acha uma avacalhação planejar a volta clandestina desse golpista ao país e permitir a transformação da embaixada brasileira em comitê político para que este insuflasse a guerra civil;

- Lula acha uma avacalhação as grandes potências e a ONU aprovarem sanções contra o Irã de Mahmoud Ahmadinejad, mas não acha uma avacalhação ter-se prestado ao papel de instrumento de Ahmadinejad para que este continue a enganar o mundo e a enriquecer urânio para produzir a bomba atômica;

- Lula acha uma avacalhação que Israel, a única democracia do Oriente Médio, faça uso de seu direito elementar de se defender, mas não acha uma avacalhação não dizer uma única palavra sobre o terrorismo do Hamas e do Hezbollah, que juraram varrer Israel do mapa;

- Lula acha uma avacalhação que o governo da Colômbia combata duramente os narcoterroristas das FARC, onde quer que se escondam, e que conte com o apoio militar dos EUA, mas não acha uma avacalhação que os governos da Venezuela e do Equador dêem guarida aos narcobandoleiros, e, inclusive, armas; aliás, Lula não vê avacalhação alguma em se declarar "neutro" entre o governo colombiano e as FARC, e em conceder o status de "refugiado político" ao "representante" das FARC no Brasil;

- Lula acha uma avacalhação que alguns órgãos de imprensa considerem Hugo Chávez um ditador, mas não acha uma avacalhação aplaudir todos os atos arbitrários e antidemocráticos do coronel, como o fechamento de emissoras de rádio e TV e a prisão de jornalistas que não se mostram dóceis a ele;

- Lula acha uma avacalhação que haja quem considere Evo Morales um demagogo incentivador da produção de cocaína, mas não acha avacalhação que ele mande tropas invadirem e expropiarem refinarias da PETROBRAS na Bolívia, ou que o Brasil esteja financiando a construção de uma rodovia que irá facilitar a exportação de cocaína boliviana para o Brasil;

- Lula acha uma avacalhação ter sido alvo de críticas por ter devolvido, na calada da noite, atletas cubanos que tentaram fugir da ditadura dos irmãos Castro, mas não vê qualquer avacalhação em transformar o País num paraíso para terroristas condenados em países democráticos, como Colômbia e Itália;

Finalmente:

- Lula acha o cúmulo da avacalhação que alguns impatriotas se recusem a ver nele o líder mundial mais sábio e mais importante desde Ramsés do Egito, mas não vê avacalhação alguma em colocar sua política externa inteiramente a serviço dos piores ditadores e genocidas do mundo. Coloca-se ao lado do que de pior existe na humanidade, pois, afinal, "negócios são negócios".

No último sábado, o homem que chamou de avacalhação uma causa humanitária decidiu recuar, e cogitou da possibilidade de receber "essa mulher" no Brasil, como exilada do regime dos aiatolás (ou seja: como uma "indesejável"). O recuo revela cálculo político, não compromisso com a vida humana. Seu objetivo, se fizer valer o compromisso de receber Sakineh, não é salvar-lhe a vida, mas livrar seu aliado Ahmadinejad de um incômodo. Há mais 24 iranianos condenados a morrer por apedrejamento. Lula não irá dizer nada a respeito.
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Lula avacalhou os direitos humanos, assim como avacalhou a ética. Sua política externa é a perfeita expressão do que existe de pior na sociedade brasileira. O desprezo pela vida humana é apenas uma de suas caracteristicas. Paro por aqui, porque, como dizia Nelson Rodrigues, a coisa já exala a febre amarela, a peste bubônica, a tifo e a malária.

quarta-feira, julho 21, 2010

EPPUR SI MUOVE


O que fazer quando se é pego na mentira? Inventa-se outra mentira, ora. Assim, minimiza-se ou se lança no esquecimento a mentira anterior. Como uma bola de neve, uma mentira irá sobrepor-se a outra e, no final, ninguém vai lembrar como tudo começou.

É exatamente isso - cobrir uma lorota com mais uma camada de falsidade - o que faz Clóvis Rossi, na Folha de S. Paulo de 20/07. Mal saiu no noticiário a denúncia de que o PT e o narcotráfico são como unha e carne, e o venerando colunista apressou-se em sair em defesa da petralhada. Num artigo que é a cara da Folha, com seu padrão nenhumladista e isentista à la Eliane Cantanhêde - uma mistura de viés esquerdista mal-disfarçado e uma afetação de neutra superioridade, que passa por estas terras por "verdade" -, Rossi começa dizendo que "há alguma verdade" nas acusações de Índio da Costa e de José Serra de que o PT tem vínculos com as FARC. Ele chega até - o que é realmente uma grande surpresa, considerando-se a Folha - a reconhecer a existência do Foro de São Paulo, lembrando que os petistas e os narcoterroristas colombianos foram durante anos parceiros e aliados no dito Foro etc. e tal.

Até aí, beleza, ele está apenas reconhecendo a existência do Sol. Mas aí vem o colunista da Folha que, para não sair da linha "vamos-dourar-a-pílula-e-nos-fingir-de-imparciais", aparece com o seguinte raciocínio: Sim, os petistas participaram, ao lado das FARC, do Foro de São Paulo. Sim, as FARC são um bando terrorista e narcotraficante. Mas, desde que chegou ao poder no Brasil, o PT e Lula "romperam" com as FARC. Não é "o governo Lula", mas alguns (poucos, presume-se) saudosistas do comunismo e da guerrilha, que mantêm relações estreitas com os bandoleiros. Em outras palavras: o PT e as FARC foram aliados, mas não são mais: é tudo coisa do passado, gente!!!

Não sei a quem Clóvis Rossi quis enganar, ou se ele já está com o cérebro tão carcomido pelo trololó esquerdista - como 99,9% dos jornalistas tupiniquins, aliás - que não seja mais capaz de distinguir um jumento de um bode. Esse tipo de operação-abafa não ilude nem criancinha do pré-primário.

"Coisa do passado", né? Então vejamos...
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- Lula chegou ao governo em 2002. Em 2005, o "padre" Olivério Medina, "embaixador" das FARC no Brasil e que, segundo a ABIN, ofereceu 5 milhões de dólares de ajuda das FARC à campanha de Lula três anos antes, recebeu o status de refugiado político, depois que o governo Lula - e não somente uns poucos saudosistas da foice e do martelo incrustados no PT - negou o pedido de extradição feito pelo governo da Colômbia.
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- Em 2006, a então chefe da Casa Civil do governo Lula, Dilma Rousseff, ordenou e conseguiu a transferência da mulher de Medina, Angela Maria Slongo, do Paraná para Brasília, onde atualmente bate cartão no Ministério da Pesca.
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- Em 2008 - seis anos depois da chegada da petralhada ao Planalto, notem bem -, a revista colombiana Cambio revelou o conteúdo do computador de Raúl Reyes, número dois das FARC, morto pelo Exército colombiano no Equador. No laptop de Reyes, constam diversos e-mails de Olivério Medina, que aponta vários petistas de alto coturno como amigos das FARC. Entre estes, Marco Aurélio Garcia, Celso Amorim e Gilberto Carvalho. Gente graúda, que despacha diretamente com Lula, um deles secretário da Presidência da República, e não simples militantes de base. Num dos e-mails, Medina mostra-se bastante agradecido aos "amigos brasileiros" pelo apoio que deram à transferência de sua esposa - Angela Maria Slongo, a "Mona" - para Brasília.
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Isso tudo, vale frisar, ocorreu DEPOIS que Lula e sua turma chegaram ao poder. Tem mais, claro. Isso é só uma amostra.
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Que o governo Lula (e não somente "setores do PT") manteve, e até mesmo intensificou, os laços com os facinoras colombianos e com tudo que não presta é algo que somente cegos não vêem. Afirmar que o Lula-presidente é diferente do Lula-Lula porque, afinal de contas, ele assinou a "Carta aos Brasileiros" e tornou-se um defensor (na verdade, se apropriou) da estabilidade econômica é mais do que uma ilusão: é fechar os olhos para a realidade. Afinal, Pinochet e Deng Xiao-Ping também defendiam as leis do mercado, e nem por isso eram democratas. É incrivel como ninguém aprendeu essa lição tão óbvia.
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Outra coisa: é verdade que desde 2001 as FARC não enviam representantes às reuniões do Foro de São Paulo (na última, em Montevidéu, estavam presentes "observadores"). Mas isso prova tanto que não há vinculação do Foro (e, por tabela, do PT e do PCdoB) com a narcoguerrilha quanto que o Foro seria uma reunião de escoteiros ou de velhinhas tricoteiras. Primeiro, porque o Foro de São Paulo foi criado em 1990, mais de dez anos antes da suposta "desvinculação" das FARC da organização: durante todo esse período, ninguém pareceu ver nada de mais em conviver tranqüilamente com os narcoterroristas colombianos. Segundo, porque as FARC não foram expulsas: simplesmente se "retiraram" do Foro (uma retirada estratégica, típida da tática de guerrilha, caracterizada pela dissimulação). Finalmente, quando o número um das FARC, Manuel Marulanda ("Tirofijo") morreu em 2009, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, só faltou derramar-se em lágrimas em plena reunião do Foro de São Paulo, numa comovente homenagem ao "heróico guerrilheiro". (Detalhe: ao lado de Ortega estava o moderadíssimo deputado petista José Eduardo Cardozo, representante do PT naquela reunião). Um dos argumentos que Clóvis Rossi apresenta é que os governos de esquerda eleitos nos últimos anos na América Latina, como o de Daniel Ortega, serviriam para "moderar" o Foro de São Paulo... Pois é.

Se houvesse um mínimo de consciência democrática no Brasil, e não essa patacoada politicamente correta que querem impingir a todos, partidos como o PT já teriam seu registro cassado pelo TSE e Lula e sua quadrilha já estariam atrás das grades, por associação com o narcotráfico. Mas, como vivemos numa ditadura mental esquerdista, cada vez mais explícita, denúncias como as de Índio da Costa são imediatamente desqualificadas como "tática do medo" e "intriga da oposição". É a velha estratégia de atacar o mensageiro para que todos se esqueçam da mensagem. Ainda que as denúncias fossem motivadas por puro interesse eleitoreiro, isso não retira um átomo de verdade das acusações, que permanecem - e permanecerão - sem resposta. Além do mais, trata-se de algo revelador do grau de partidarismo ideológico a que chegou grande parte da imprensa no Brasil: Quando um general semi-aposentado dá um muxoxo, emitindo uma nota, por exemplo, contra a farra de indenizações a que se entregou a esquerda revanchista, isso é um escândalo e um gravíssimo perigo para a democracia, um risco de "retrocesso autoritário". Quando, por seu turno, é um rival dos petistas que chama a atenção para o que é público e notório, é "terrorismo eleitoral". É o "nenhumladismo" clovisrossiano em ação!

Durante pelo menos 15 anos, um tribunal invisível decretou a proibição de que se tocasse, mesmo tangencialmente, no assunto Foro de São Paulo na imprensa brasileira. Aqueles que, movidos pelo dever profissional de investigar e pela pulsão elementar de buscar a verdade, tiveram a ousadia de desafiar essa regra, como Olavo de Carvalho, foram condenados ao ostracismo e ao ridículo. Agora, quando o volume das provas, de tão abundantes, só falta transbordar e provocar um dilúvio, os mesmos jornalistas que negavam a existência do Foro agarram-se à tábua de salvação do "isso é coisa do passado" ou "é a tática do medo" para não se afogarem. Tentam, assim, conter o dique de cascatas que ameaça romper com mais uma demão de balelas. Seriam patéticos, se, escorados que estão no peso esmagador do número e em sei lá mais o quê, não dessem as cartas entre a elite "bem-pensante" do País. Certamente, enganarão a muitos, como o fizeram durante uma década e meia. Mas, no final, será impossível esconder o fato de que é a Terra que gira em torno do Sol, e não o contrário. Eppur si muove!

A maior droga traficada pelos petistas é a mentira. Há décadas, a imprensa vem cheirando toda a cocaína mental que os companheiros têm colocado no mercado. O bagulho é dos bons, porque tem surtido um efeito danado.

terça-feira, julho 20, 2010

QUANDO A VERDADE SE TORNA ILEGAL


"Liberdade é a liberdade de dizer que dois mais dois são quatro" - George Orwell, 1984
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O deputado Índio da Costa, candidato a vice-presidente na chapa de José Serra, é um homem imprudente. Nesta semana, ele causou furor ao mencionar, em uma entrevista, as ligações do PT com o narcotráfico. "Que horror", começaram a gritar as velhinhas de Taubaté, que acham que essas coisas não existem. "É calúnia", gritaram, em uníssono, os petistas, esses campeões da ética e da virtude moral e cívica. Logo parte da imprensa, como de hábito, comprou a tese petista e engrossou o coro dos que acham Índio da Costa um boquirroto irresponsável. Até mesmo na própria chapa PSDB-DEM houve quem achasse que ele havia extrapolado. Pronto. Estava criado o bafafá. Melhor dizendo: a operação-abafa.
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Não sei o que mais me espanta nesse caso: se a ousadia de Índio da Costa, se a falta de testosterona dos tucanos para levar o caso adiante ou se o farisaísmo e o descaramento dos chefões petistas, com sua pose de vestais. O presidente do PT, José Eduardo Dutra, disse que irá processar Índio da Costa. Faça isso, Dutra. Posso garantir uma coisa: se você quiser levar adiante o caso, terá um duro trabalho pela frente.
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Índio da Costa disse alguma mentira? Ele não afirmou que os petistas são um bando de narcotraficantes (acreditem: isso já está circulando por aí, como forma de desqualificá-lo). Disse que o PT tem ligações com o narcotráfico. Isso é falso? Pelo contrário: HÁ PROVAS. E ELAS SÃO ABUNDANTES!
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Até as folhas da selva colombiana sabem das relações nada secretas entre os manda-chuvas do PT e o narcotráfico. Não sou eu que o digo. Essas ligações estão fartamente documentadas, podendo ser comprovadas por quem tiver a pachorra de fazer uma pesquisa, mesmo superficial, na internet. Vamos por partes, didaticamente:
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- O PT de Lula e Dilma Rousseff foi fundador, em 1990, juntamente com a ditadura cubana de Fidel Castro, do Foro de São Paulo, organização revolucionária destinada a coordenar a ação de grupos esquerdistas radicais na América Latina.
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- Um dos grupos que participaram do Foro desde sua criação, ao lado do PT, foi o Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). As FARC são os maiores produtores de cocaína do mundo, e já o eram quando o Foro de São Paulo foi criado.
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- As FARC deixaram de fazer parte, oficialmente, do Foro de São Paulo depois que seu número dois, Raúl Reyes, foi morto pelo Exército colombiano no Equador, há dois anos. No laptop de Reyes, as autoridades colombianas descobriram provas irrefutáveis, na forma de e-mails altamente comprometedores, mostrando a relação entre Reyes, as FARC e figuras da alta cúpula petista no Brasil. O "dossiê PT-FARC", inclusive, foi publicado em julho de 2008 pela revista colombiana Cambio. Os petistas cujos nomes estavam na correspondência de Reyes, entre os quais Celso Amorim, se mostraram muito indignados. Mas não explicaram o que seus nomes estavam fazendo lá.
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- Um dos que mantinham contato por e-mail com Reyes é Olivério Medina, que vem a ser o "representante" das FARC no Brasil, com o status de "refugiado político" (mesmo status que foi recusado aos dois pugilistas cubanos que tentaram escapar da tirania castrista, em 2007). Segundo a revista VEJA, Medina foi o intermediário de uma ajuda de 5 milhões de dólares das FARC à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, em 2002. A reportagem de VEJA, baseada em gravações da ABIN, a Agência Brasileira de Inteligência, jamais foi desmentida.
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- A esposa de Medina, Angela Maria Slongo, é funcionária do Ministério da Pesca. Sua transferência do Paraná para Brasília foi conseguida em 2006 pela então chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff.
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Aí está. Uniram os pontos?
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Há mais. O governo Lula mantém excelentes relações com o governo do cocalero Evo Morales, na Bolívia. Nos últimos anos, a produção de cocaína boliviana na fronteira com o Brasil vem aumentando a niveis estratosféricos. Atualmente, o BNDES financia a construção de uma rodovia no interior da Bolívia que irá facilitar grandemente o escoamento da produção da folha, sendo por isso apelidada de "transcocaleira". A Bolívia é a maior exportadora de cocaína para o Brasil.
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Se você não está convencido ainda, fique então com Marco Aurélio Garcia, assessor internacional da Presidência. Em 2008, em entrevista ao jornal francês Le Figaro, MAG explicou didaticamente a posição do governo Lula em relação às forças em conflito na Colômbia. "Somos neutros", afirmou o assessor para confusões cucarachas. O Brasil não vê problema em tomar partido ao lado das piores ditaduras do planeta, como a cubana e a iraniana, e a favor de um golpista em Honduras. Mas se nega a tomar o lado da democracia na Colômbia e prefere se declarar "neutro" ante os facínoras das FARC.
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Mais recentemente, descobriu-se que armas pesadas, inclusive lança-foguetes, estavam sendo desviadas do Exército venezuelano para acampamentos das FARC na Colômbia. A Venezuela é governada há mais de dez anos pelo coronel Hugo Chávez, aliado e amigo de Lula e do PT. O governo Lula e o PT se recusaram a considerar as evidências do apoio de Chávez às FARC e ao ELN. Em vez disso, engrossou o coro dos que se opõem ao uso de bases do Exército colombiano por militares dos EUA.

Tudo isso está disponível para o grande público, está ao alcance de qualquer pessoa com um mínimo de curiosidade e disposição. Alguns jornalistas não alinhados com o lulo-petismo, como Reinaldo Azevedo, já trataram do assunto diversas vezes, e jamais foram ameaçados de processo pelo PT. É incrível, porém, como basta um político adversário tocar no assunto para que os petistas e seus aliados na imprensa, feito freirinhas, dêem chilique e peçam a cabeça do atrevido que ousou chamar as coisas pelo nome. É aqui que se percebe a real gravidade da coisa.
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Pobre Índio da Costa. Ao chamar a atenção para o que todos sabem mas fingem desconhecer, ele tocou em um tabu da política e da imprensa brasileiras. Cometeu, assim, o maior erro que um político no Brasil pode cometer. Mexeu num vespeiro. Irão fazer picadinho dele.
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Talvez por ainda ser jovem e neófito em política, ele parece não ter se dado conta de que certas coisas não se dizem. Deveria saber que, nesse ramo, dizer que dois mais dois são quatro, ou que a Terra gira em torno do Sol, é uma grosseria. Por acaso ele não sabe que esse tema - a notória ligação do PT com os narcotraficantes das FARC - é um assunto proibido nas redações de jornais e nas altas esferas políticas do país? Acaso ele desconhece que, há uns vinte anos, a grande imprensa e os setores "pensantes" do Brasil decidiram cobrir com um manto de silêncio o Foro de São Paulo? Não percebe que essa foi simplesmente a maior operação de acobertamento de um fato histórico dos últimos tempos, a ponto de a simples menção da existência do tal Foro ser banida de todas as publicações por quase quinze anos, e quem quer que tivesse a falta de juízo de tocar no assunto ser brindado com uma saraivada de impropérios ("maluco" e "teórico da conspiração", sendo alguns dos mais comuns)? E isso a despeito de um caminhão de provas documentais, incluindo atas das reuniões, das quais participavam lado a lado e traçavam estratégias comuns os petistas e os narcobandoleiros das FARC? Não sabe ele que essa cortina do silêncio foi criada com a intenção de impedir que todos vissem a realidade para que se pudesse considerar o PT um partido "moderno" e "moderado", de gente séria, honesta e democrática?
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"Você pode ser muito comunista, menos comunista ou um pouquinho comunista. Qualquer coisa que esteja um pouco mais à direita do centro, que se desloca cada vez mais para a esquerda, é um crime". A frase, perfeita, é do filósofo e jornalista Olavo de Carvalho, não por acaso o primeiro a denunciar, na imprensa brasileira, a existência do Foro de São Paulo (e que pagou, por essa ousadia, com a perda do emprego em vários jornais e revistas nacionais, ganhando o rótulo de doido e conspiracionista). Pego carona em sua frase: No Brasil, você pode ser muito esquerdista, menos esquerdista ou um pouco esquerdista. Só não pode ser, em hipótese alguma, um não-esquerdista. Aqui, ser de direita é ser um criminoso. O mesmo não ocorre com quem tem ligações com narcotraficantes e terroristas.
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Claro, haverá quem diga que as declarações do vice de Serra não passam de factóide eleitoral, de denuncismo típico desse período, em que as paixões políticas tomam o lugar da razão etc. É uma característica da política no Brasil o abastardamento e a mediocrização do debate, a transformação do que é sério em coisa superficial, e vice-versa. Pois eu digo que isso não elimina o fato de que as declarações de Índio da Costa são a mais pura verdade. As provas de que o PT e o narcotráfico andam juntos e de mãos dadas são gritantes, só faltam berrar dos telhados para os transeuntes. Que tanta gente prefira ignorá-las totalmente, e que os petistas ainda tenham o desplante de ameaçar o denunciante com processo judicial, é o cúmulo da desfaçatez e da sem-vergonhice. É algo que mostra que, no Brasil de hoje, o acobertamento virou prática oficial e corriqueira, e dizer a verdade tornou-se ilegal. Não digo que é o fundo do poço, pois o poço petista de mentiras é como cheque de desempregado: não tem fundo.

segunda-feira, julho 19, 2010

BRUNO E LULA


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Há notáveis semelhanças entre o ex-goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, e Luiz Inácio Lula da Silva. Acompanhem:.
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- Um e outro fizeram o que fizeram por se acharem acima da lei;

- Um e outro vêm de origem pobre, enriqueceram rápido - Bruno, por seus próprios méritos -, e acreditam que isso lhes dá o direito de agir impunemente;

- Um e outro são dissimulados ao extremo, colocando a culpa em seus subordinados (ou, no caso de Lula. em alguma "conspiração da elite golpista");

- Um e outro não sujaram pessoalmente as mãos: tinham/têm um séquito de parasitas dispostos a seguir cegamente suas ordens e a eliminar qualquer um para manter seus privilégios; e

- Um e outro são ídolos e têm fãs ardorosos; sobretudo no caso de Lula, estes acreditam piamente em sua inocência. Juram de pés juntos que ele não sabia de nada. E não se importam com o fato de que ele zomba da lei todos os dias.

Agora, a principal diferença entre eles:

- Bruno, ao contrário de Lula, está na cadeia.

Assim como o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, os lulistas também esquartejam a vítima e atiram os pedaços aos rottweillers. E, assim como Bruno, contam com milhões de elizas samudios apaixonadas e doidas para ser emprenhadas por seu ídolo. Se não pela fama ou pelo dinheiro, pelo menos pela devoção sem limites a um messias farofeiro. Nem se dão conta de que, como Celso Daniel, podem ter o mesmo destino.

sexta-feira, julho 16, 2010

A ESTATIZAÇÃO DA VIDA PRIVADA


Imaginem a cena: você, cidadão brasileiro, adulto e pagador de impostos, chega em casa e encontra seu filho de sete anos rasgando a cortina da sala. O moleque, que é dado a fazer arte, em seguida atira aquele vaso de porcelana chinesa que pertenceu à sua avó no chão, espatifando-o, enquanto sai pintando as paredes com lápis de cor. Você, fulo da vida, pensa em dar-lhe uma surra, mas aí pára e recua: se fizer isso, se encostar um dedo no pestinha, corre o risco de ir parar na cadeia. Ele, ou algum vizinho, poderá chamar a polícia, alegando agressão. Você não tem mais o pátrio poder sobre seus filhos: agora este papel cabe ao Estado. O jeito é deixar que o pimpolho continue virando a casa de pernas pro ar.

Aborrecido e frustrado por não poder exercer seu papel de pai e mostrar a seu próprio filho, da maneira que considera mais conveniente, a diferença entre o certo e o errado, você resolve dar uma volta. Vai a um bar, onde espera relaxar tomando uma cerveja e dando umas baforadas. Mas aí se lembra que não é permitido fumar no local, assim como em nenhum outro boteco ou restaurante na cidade. Assim como perdeu a patria potestas, você não tem mais o poder de decisão sobre seus próprios pulmões, mesmo em lugares como esse: é uma determinação estatal. Aborrecido, frustrado e proibido de fumar, você se conforma e se junta a alguns amigos. Eles estão se divertindo, contando piadas. Você, depois de uns goles, se lembra daquela piada muita engraçada. "Era uma vez uma bichinha que..." Mas aí pensa um pouco, olha por cima dos ombros e decide não contar. O bar está cheio. Vai que algum gay escuta e decide lhe denunciar por, sei lá, atitude homofóbica? Antes que aquele sujeito de camiseta colada cor-de-rosa que não pára de lhe encarar desde que você chegou lhe passe uma cantada e você não possa recusar (pode ser interpretado como homofobia), você se despede de todos. Sem palmada, sem cigarro e sem piada, você volta para casa, com a cabeça baixa, pronto para encontrar a casa virada pelo avesso por um pequeno tirano.

Acharam absurdo? Pois é mesmo. E o mais estrambólico de tudo é que é para isso que estamos caminhando. Se depender de algumas iniciativas que ameaçam tornar-se lei, tudo que está descrito acima vai virar realidade. Aliás, já está virando.

Nesta semana o governo Lula da Silva enviou ao Congresso um projeto de lei que torna ilegal palmadas e beliscões dos pais em seus filhos. É mais uma invenção da tal Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, comandada por Paulo Vanucchi. De agora em diante, se vitoriosa a proposta, você, leitor, ficará proibido por lei de dar um puxavante em seu rebento quando ele fizer birra. Se você puxar a orelha dele quando ele estiver berrando e batendo o pezinho no shopping porque quer levar aquele helicóptero de plástico que viu na vitrine, um guarda virá e lhe dará voz de prisão. A menos que queira passar uma temporada no xilindró, você ficará impossibilitado de cuidar da educação de seu filho. O Estado fará isso por você.

Leis como essa, que tornam ilegal a palmada e punem com cadeia quem for pego aplicando-a ao próprio filho, só são possíveis de ser levadas a sério em períodos como o que estamos atravessando, em que a racionalidade parece ter tirado férias e não avisado quando vai voltar. Trata-se de uma lei estúpida, completamente idiota. Primeiro, porque irá afetar apenas pais responsáveis e decentes - pais irresponsáveis e indecentes continuarão agindo como sempre agiram, ou seja: continuarão agredindo e torturando crianças, como já fazem, com ou sem lei (aliás, já existem leis que punem pais torturadores e negligentes). Os pais que amam seus filhos, que quero crer são a maioria, por sua vez, ficarão tolhidos em seu direito - na verdade, em sua obrigação - de criá-los e educá-los para a vida. Segundo - e o mais grave -, a lei é cretina porque constitui uma interferência indevida do Estado na esfera privada, uma intromissão do governo num assunto particular. Como tal, é um passo rumo ao totalitarismo.

O mesmo pode ser dito de outras medidas semelhantes. A tal lei "anti-homofobia", por exemplo, um projeto do movimento GLBTT para criminalizar qualquer manifestação de "preconceito" contra homossexuais. É um absurdo total, um contra-senso absoluto: segundo a definição do que seria homofobia que consta no projeto de lei, quase todos os humoristas no Brasil deveriam estar cumprindo pena. Sem falar na liberdade religiosa, um direito, goste-se ou não, assegurado pela Constituição e fundamental em qualquer democracia. Como ficam os padres católicos e pastores protestantes, ou de qualquer outra denominação? Ficarão proibidos de citar as passagens da Bíblia que condenam o homossexualismo? Serão obrigados, por lei, a permitir que um casal gay troque carícias na frente dos demais fiéis durante uma missa ou um culto? Mas a Igreja Católica não está sendo atacada justamente por causa dos padres pedófilos (muitos deles, também homossexuais, embora estranhamente não se tenha ouvido falar muito desse detalhe)? Francamente, se eu fosse gay, tudo que eu iria querer era que o Estado me deixasse em paz, não que estivesse a serviço de minha escolha pessoal para policiar o pensamento alheio em nome do politicamente correto.

Na verdade, leis como a que criminalizam a palmada, as piadas de gay ou o cigarro seguem o mesmo padrão de leis que obrigassem todos a escovar os dentes ou a só ingerir alimentos saudáveis: o padrão totalitário (outra tentativa idiota e que seguia o mesmo raciocínio torto foi o plebiscito sobre desarmamento, que felizmente tomou um "não" bem redondo alguns anos atrás). Seu verdadeiro objetivo não é criar harmonia ou bem-estar, mas limitar e, no final, eliminar a liberdade individual - e a responsabilidade individual que daí advém e que lhe é inerente. O resultado não são cidadãos mais conscientes e responsáveis, mas exatamente o contrário: pessoas infantilizadas e irresponsáveis, incapazes de gerir suas próprias vidas ou as de outros. E totalmente dependentes do Estado. Se você lembrou do Bolsa-Família, está no caminho certo.

Não é de admirar que iniciativas como essa ocorram exatamente agora, e pelas mãos dos lulo-petistas. Lula já se tornou um deus para muitos; agora quer ser também o pai de nossos filhos. Papai-Lula já se proclamou o reformador do mundo; logo, não há nada de surpreendente em querer ser também juiz de costumes. Ele já virou de cabeça para baixo as noções de ética e de democracia, arvorando-se em pai da pátria; por que não se arvorar em pai, literalmente, de cada brasileiro? O Brasil já teve um presidente que quis proibir o biquini nas praias; agora, tem um presidente que quer mandar na educação familiar de cada um. Lula ainda não nos diz como devemos fazer sexo. Mas não está muito longe disso.

Aliás, é interessante como todos os ideólogos do dirigismo estatal e defensores da "igualdade" parecem ter problemas sérios em educar seus próprios filhos. Rousseau, o filósofo do século XVIII considerado o avô do socialismo, demonstrou todo seu amor à humanidade abandonando sua prole a um orfanato estatal. Ferrenho defensor do império da virtude pública, era incapaz de ensiná-la na vida privada. Lula também não foge à regra, como mostra a educação que proporcionou a seu filho Lulinha, especialmente as lições que deu sobre a diferença entre o dinheiro público e o privado e a imoralidade do nepotismo... Pelo visto, Lula deixou de dar uma boas chineladas em Lulinha quando criança. Deu no que deu.
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Se a tal lei da palmada fosse somente estúpida, já seria suficientemente grave. Mas ela é mais do que isso: é um passo rumo às trevas, ao fim da liberdade. Nem falo da idealização da criança e da destruição da autoridade paterna (ou materna), fontes de tantos desajustes. Assim como Nelson Rodrigues, não vejo a criança como um ser que deve mandar nos pais, e sim o contrário. A palmada, nesse sentido, pode ter, sim, um papel pedagógico. Tenho uma filha de um ano e sete meses. Jamais precisei, e espero sinceramente jamais precisar um dia, dar-lhe uma palmada. Nem por isso aceito que funcionários do governo venham me dizer como devo educá-la. Reservo-me o direito de não entregar sua educação nas mãos de Lula e Paulo Vanucchi.
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Sempre haverá quem diga que leis como a da palmada ou a anti-fumo - uma invenção dos tucanos, para não dizerem que só pego no pé dos petistas - podem até ser uma intromissão num assunto privado, e são até desnecessárias visto o que digo acima, mas é preciso reconhecer que elas trazem em si boas intenções etc. e tal. Respondo que é mais um motivo para repudiar essa tentativa de tratar a todos como crianças ou idiotas. Idéias totalitárias vêm sempre embaladas nas melhores intenções. Os inimigos da liberdade não se contentam em estatizar a economia; querem também estatizar a vida privada. Perguntem aos cidadãos da antiga União Soviética.

quarta-feira, julho 14, 2010

OS "HUMANISTAS" ATACAM DE NOVO. AGORA, COM O APOIO DE UM GRANDE DEMOCRATA...


Lockerbie, 1988: Kadafi passou por aqui...
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Vocês todos viram, há cerca de um mês, o escarcéu que foi o caso do "ataque" israelense a um "comboio humanitário" de uma "ONG" turca que tentava furar o bloqueio à Faixa de Gaza. Fiz parte da minoria de chatos do contra que destoaram da manada, a qual, antes mesmo de saber o que realmente tinha ocorrido, condenou Israel. Em vez disso, aferrei-me aos fatos e mostrei o caráter farsesco da coisa, apontando para o que os videos mostraram e todos pareceram querer ignorar: que os soldados israelenses que interceptaram o navio foram agredidos e quase linchados, e reagiram em legítima defesa. Mais que isso: mostrei que o episódio todo foi uma provocação anti-Israel (infelizmente, bem-sucedida) armada por uma organização com laços inegáveis com o Hamas. Mostrei inclusive fotos que provam a ligação desses últimos com a tal "flotilha da liberdade" (sic).

Pois não é que os inimigos de Israel e da humanidade não desistiram de aprontar mais uma presepada? Pois não é que estão preparando mais outra farsa gigantesca?

"Novo comboio de ajuda humanitária se dirige a Gaza", leio nos jornais. E já antevejo os protestos internacionais, caso Israel intercepte os navios, como provavelmente o fará. Muito bem. De que "comboio humanitário" se está falando? De uma nova flotilha, desta vez organizada por uma "ONG" comandada por ninguém mais, ninguém menos do que (prepare-se leitor!)... o filho de Muamar Kadafi!!! O nome do troço é "Sociedade Kadafi para Caridade e Desenvolvimento", ou algo parecido.

Para quem anda com a memória curta, faço questão de lembrar: Muamar Kadafi (ou Gadaffi, como às vezes é grafado) é o humanista ditador da Líbia desde 1969. Como tal, ele tem uma extensa folha corrida de relevantes serviços prestados às causas mais justas e nobres. Nos anos 70 e 80, Kadafi (ou Gadaffi) ficou mundialmente famoso pela missão humanitária de patrocinar praticamente todos os grupos terroristas importantes. Muito antes de Mahmoud Ahmadinejad, ele já repetia a ladainha de que era preciso "varrer Israel do mapa", e trabalhou intensamente nesse sentido. Em 1988, ele alcançou o ápice do humanitarismo, credenciando-se ao papel de sucessor de Madre Teresa de Calcutá, ao patrocinar a explosão, em pleno ar, de um avião lotado de passageiros em Lockerbie, na Escócia. Morreram 270 pessoas. Os autores desse ato de puro amor à humanidade foram recebidos com festa em Tripoli, capital da Líbia. Como se vê, trata-se de um anjo de cordura, uma boa alma. Pois agora Kadafi/Gadaffi se junta à nau dos "humanistas" anti-Israel, criando sua própria "flotilha da liberdade".

Aí está, senhores. É esse tipo de gente que organiza "comboios humanitários" e arma provocações am alto-mar para criar uma onda mundial de propaganda anti-Israel. É esse tipo de canalha que consegue manipular a opinião pública contra a única democracia do Oriente Médio, apresentando um país que luta há décadas para se defender como o lado agressor, e os que lutam para destrui-lo como vítimas inocentes.

No auge do furor anti-israelense, há um mês, tentei chamar a atenção de algumas pessoas para fatos como esse. Fiquei falando sozinho. Pior: fui tachado de troglodita e de reacionário, um inimigo da humanidade. Vi pessoas que pouco tempo antes estavam indignadas com o apoio brasileiro ao regime iraniano de Ahmadinejad ou com a recusa de Lula em visitar o túmulo de Theodor Herzl em Israel se encherem de revolta contra o "crime cruel" dos israelenses. Só posso atribuir esse tipo de reação a uma lavagem cerebral, a uma hipnose coletiva. Ou a uma propensão irresistível a ser inocente útil de terroristas.
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E antes que digam: não, não sou a favor, em princípio, do bloqueio a Gaza, assim como não sou a favor, em princípio, de muros e grades. Mas tampouco sou a favor do terrorismo. E Gaza é controlada por um grupo terrorista que não reconhece o direito de Israel existir e quer promover um genocídio. É por esse motivo que existe o bloqueio. Reconheça-se Israel, elimine-se o terrorismo, e garanto: o bloqueio virá abaixo em dois tempos. Simples assim. Do mesmo modo, reconheçam o direito de Israel à existência e abandonem a violência, e vocês, árabes e palestinos, terão toda a terra que quiserem. Você, que acha que os culpados de tudo são os israelenses, e que eles são maus como pica-paus, conhece outra solução? Israel já deu mostras suficientes de que está disposto a viver em paz com seus vizinhos, trocando terra por paz. E os inimigos de Israel, quando farão o mesmo, trocando paz por terra?
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A julgar pelas constantes provocações a Israel por parte de "ONGs" de "pacifistas" vinculadas ao terrorismo islamita, e como eles conseguem enganar a muitos, esse dia parece distante, infelizmente. Primeiro, foi o comboio humanitário dos amigos do Hamas. Agora, é o do filho de Kadafi. O que virá a seguir? O comboio humanitário da Al-Qaeda?

segunda-feira, julho 12, 2010

DIPLOMACIA SEM PRINCÍPIOS


Uma vitória da humanidade. É assim que pode ser descrito o anúncio da libertação de 52 presos políticos pela ditadura dos irmãos Castro em Cuba.

No mesmo dia do anúncio oficial, o psicólogo e dissidente cubano Guillermo Fariñas decidiu encerrar sua greve de fome, que durava 135 dias. Ele resolvera deixar de se alimentar até que a tirania castrista libertasse cerca de vinte dissidentes. Seu combalido corpo tornou-se o único espaço que encontrou para protestar e pedir liberdade, num lugar onde isso é proibido e punido com cadeia.

A vitória, claro, é parcial. Os presos libertados estão sendo expulsos do país, e ainda há mais de 100 presos de consciência na ilha-cárcere, segundo dados oficiais do próprio regime. Tampouco se deve imaginar que a castradura cubana - a mais antiga ditadura do Ocidente - irá afrouxar o cabresto, permitindo, por exemplo, eleições livres e plurais e acabando com a censura à imprensa. Mas o significado da soltura dos dissidentes vai muito além desses fatos. Trata-se de uma vitória sobre o cinismo. Sobre a hipocrisia. Sobre o deslavado apoio a ditaduras. Como tal, foi uma dura derrota - mais uma - do governo Lula.

Enquanto o governo da Espanha e a Igreja Católica intermediavam a libertação dos presos de consciência cubanos, Lula et caterva paparicavam ditadores na África. Sob Lula, o Brasil alardeia sua intenção de ser um protagonista na arena internacional. A idéia de protagonismo internacional de Lula é posar para fotos ao lado de tiranos asquerosos como Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, o Canibal, ditador há mais de três décadas da Guiné Equatorial. Não passa pela restauração das liberdades democráticas.

Como costumam fazer os petistas, eles tentaram jogar areia nos olhos de todos e sequestrar a glória alheia. Marco Aurélio Garcia inventou que o governo espanhol, ao patrocinar a soltura dos prisioneiros, estava "pegando carona" no que o governo do Brasil vem fazendo. O que o governo do Brasil vem fazendo é garantir seu aval incondicional à tirania castrista, sem dar a menor bola aos direitos humanos. Surpreendido pela informação de que a Igreja Católica também se envolvera no episódio, titubeou. Já Celso Amorim também tentou transformar mais uma humilhação em vitória. "Nosso estilo é mais discreto", afirmou o chanceler, fiel a seu estilo. Mesma discrição o governo Lula não teve ao tentar impor um golpista em Honduras e ao justificar a repressão no Irã, entre outras importantes contribuições à História Universal da Infâmia.

Lula se gaba de sua amizade com Fidel e Raúl Castro, mas não fez nada para libertar os 52 presos políticos cubanos. Pior que isso: apóia incondicionalmente o regime ditatorial. Seus subordinados, ao tentarem justificar o périplo pelas ditaduras africanas, apelaram para um pragmatismo de mercearia, dizendo que "negócios são negócios". Como se a diplomacia pudesse ser reduzida ao comércio, e como se pragmatismo fosse sinônimo de advogar para ditadores. Celso Amorim foi além, e chamou de "pregação moralista" a defesa dos direitos humanos nesses países. Como se apoiar politicamente regimes que matam e torturam opositores correspondesse a uma moral superior, e como se as relações comerciais justificassem, ou mesmo exigissem, esse apoio político.
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Mesmo do ponto de vista friamente pragmático, é impossível justificar o apoio político a tiranias. No caso cubano, o Brasil perdeu uma oportunidade de se tornar protagonista internacional. Poderia ter empenhado a tão decantada influência de seu presidente na questão, mas em vez disso prefere dar seu aval a acordos fajutos para dar tempo a Mahmoud Ahmadinejad para continuar enganando o mundo e construindo em segredo a bomba atômica.

Se presos políticos estão sendo soltos em Cuba, isso não se deve a Lula, muito menos a qualquer suposta benevolência da ditadura castrista. Deve-se, isto sim, a pessoas como Guillermo Fariñas, um homem de princípios, que não trafica sua consciência por "negócios". Fariñas colocou sua vida em risco por uma causa justa, a dos direitos humanos, entrando em greve de fome por 135 dias (e sem bala Paulistinha) por algo em que acredita. E Lula e Celso Amorim, em que acreditam? Em apoiar ditadores.

A política do governo brasileiro em relação a Cuba é vergonhosa. É um dos capítulos mais vergonhosos de uma política externa em si vexaminosa. Se o governo Lula se omitisse na questão dos direitos humanos em Cuba, já seria grave o bastante. Mas o fato é que ele vai além: apóia abertamente as violações aos direitos humanos na ilha-prisão do Caribe. Em fevereiro último, Lula esteve em Cuba. Na ocasião, insultou a decência e a humanidade ao culpar o dissidente Orlando Zapata Tamayo por sua própria morte em uma greve de fome, e ao comparar os presos políticos cubanos a bandidos. No dia mesmo em que Zapata morria, ele posou sorridente ao lado do decrépito Fidel Castro. Lula não usou seu tão alardeado prestígio e cacife internacionais para ajudar a libertar os presos políticos cubanos, assim como não vai mexer uma palha para libertar os mais de 100 prisioneiros restantes. Alguém ainda tem dúvidas sobre de que lado ele está?

A História lembrará de Orlando Zapata Tamayo e de Guillermo Farinãs como heróis na luta pela liberdade. Já Lula e seus bajuladores serão lembrados como cúmplices de tiranos e assassinos. Em nome de um fantasioso papel protagônico e de um realismo de fachada, que mal esconde seu caráter ideológico, elevaram o apoio ao que de pior existe na humanidade à condição de linha-mestra de sua política externa.
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"Estes são os meus princípios. Se não gosta deles, tenho outros". A frase é do humorista americano Groucho Marx, um mestre do nonsense. Ao ultrapassar todos os limites do cinismo, a diplomacia lulista tem-se esforçado para mostrar que é possível ir além do absurdo.
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O Brasil tem, finalmente, uma diplomacia sem princípios.

sexta-feira, julho 09, 2010

UMA CANDIDATA DE PROGRAMAS

Enquanto isso, na terra do ziriguidum e do bundalelê:



Do chargista Nani. Uma boa definição de alguém que entrega o programa "errado" no TSE... e sem ler! (uma verdadeira discípula do mestre, realmente)
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Ah sim! Os petistas já começaram a chiar. Todos sabem como eles adoram a liberdade de expressão... a favor deles, claro.

RESPOSTA AO LEITOR - E ALGUMAS PALAVRAS SOBRE A IMPOSSIBILIDADE DE EQUIVALÊNCIA MORAL ENTRE DEMOCRACIAS E DITADURAS


Escreveu o leitor Ítalo Viana, sobre meu texto "Lula, o sábio":

Antes de tudo, parabéns! Acho louvável a crítica como exercício de cidadania e como forma de exercitar a mente. Também me considero um "do contra". Pois bem, li as diversas críticas ao Irã e contra seu programa nuclear, pois o mesmo estaria planejando destruir Israel. Pergunto: e daí? Os EUA combatem o "terror" e têm bomba atômica, por que o Irã não pode combater o terror de Israel, que corretamente indigna-se com o holocausto, mas promove algo semelhante contra os palestinos? Não seria Israel do mesmo bando terrorista dos que assolam o mundo? E os EUA com suas guerras desastrosas no Kwait, Afeganistão e Iraque, não são terroristas? São. Sou contra as guerras, por óbvio, mas entendo que os conflitos no Oriente são bem mais complexos do que definir qual o Regime, se democrático ou não, de cada país.
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Respondo
Sobre os elogios: Obrigado. Critico não porque eu seja "do contra", apesar do nome do blog, mas porque é necessário. Mais do que um exercício de "cidadania" (êta palavrinha desgastada, essa!), ou uma forma de exercício mental, é uma maneira, segundo penso, de não compactuar com a mentira e de manter a sanidade.

Agora, quanto a suas observações sobre Israel, o Irã e o terrorismo, desculpe se eu parecer muito duro. Já respondi a elas em outros posts, mas, como já disse outras vezes, não me importo de ser repetitivo. Aí vai.

1) Em primeiro lugar, o Irã não "estaria planejando" destruir Israel: está planejando! Não se trata de usar, aqui, o condicional. Mahmoud Ahmadinejad já deixou claro que sua intenção é VARRER ISRAEL DO MAPA (palavras dele, não minhas). É com esse fim em mente que ele dá armas e dinheiro aos terroristas do Hamas e do Hezbollah. A bomba atômica é o meio pelo qual ele pretende atingir esse objetivo.

2) Caro Ítalo, você diz "e daí?" para esse fato. Dá de ombros para a possibilidade, cada vez mais concreta, de o regime dos aiatolás mandar alguns milhões de pessoas para o túmulo em um holocausto nuclear. Deve dar de ombros também e perguntar "e daí?" para cada atentado terrorista do Hamas ou do Hezbollah (financiados pelo Irã) em que morrem civis inocentes. Presumo que você também deve dizer "e daí?" para o que Hitler fez com 6 milhões de judeus (e olhe que ele nem tinha bomba atômica...).

3) Você lembra que os EUA combatem o "terror" (por que as aspas? o 11 de setembro não foi suficiente?) e têm bomba atômica, então porque o Irã não pode ter para combater o "terror de Israel" (as aspas são minhas), que "promove algo semelhante ao Holocausto contra os palestinos" etc.?

A questão exige ser desmembrada para melhor ser respondida. Vamos lá:

- Pelo que entendi, você considera os EUA e o Irã com o mesmo direito a ter a arma nuclear. Assim como o governo brasileiro, você acredita que um país democrático, que se rege há duzentos anos por leis, e onde as liberdades (inclusive a liberdade de malhar o governo) são plenamente respeitadas, e um regime teocrático dominado por fanáticos - e fanáticos que juraram exterminar um povo inteiro - se equivalem moralmente. Acredita, portanto, que não há diferença entre os que combatem terroristas e os próprios terroristas. Combater assassinos genocidas e ser assassino genocida, para você, não tem a menor diferença, pois "é tudo a mesma coisa" etc.

Se você se deu ao trabalho de ler outros textos meus nos quais falo do mesmo assunto, deve ter percebido que discordo disso inteiramente. Deve ter visto que, entre quem professa o terror e quem luta contra o terror, fico do lado destes últimos, contra os primeiros. Para mim, não há equivalência moral entre terroristas e quem os combate, assim como não havia equivalência moral entre os nazistas e os Aliados na Segunda Guerra Mundial. Assim como não há equivalência moral entre Israel e o Irã, entre os EUA e Bin Laden.

Não sou o único a pensar assim. Albert Einstein, por exemplo, pensava de modo semelhante e mim nesse aspecto. Em 1939, ele mandou uma carta ao então presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, alertando o governo dos EUA para o perigo que seria uma Alemanha hitlerista com acesso à então recém-descoberta tecnologia de armas nucleares. Inclusive ele sugeria que o governo norte-americano deveria começar urgentemente um programa nuclear, antes que os nazistas saíssem na frente e adquirissem o controle dessa tecnologia letal. Einstein preferia os EUA aos nazistas. Em sua visão, uma Alemanha nazista com armas nucleares, ao contrário dos EUA, era uma ameaça à humanidade. Ele, assim como eu, não acreditava na equivalência moral entre ditaduras e democracias.

Em outras palavras, você diz que não há diferença entre uma democracia que combate o terrorismo e uma tirania que promove o terrorismo. Eu digo que há diferença, sim. E acho que não é muito difícil entender por quê.

- Você diz que Israel promove algo "semelhante ao Holocausto com os palestinos". Esta é uma acusação muito grave, gravíssima. Como tal, exige provas contundentes e irrefutáveis. O Holocausto foi a tentativa de extermínio dos judeus europeus pelos nazistas. Estes mataram cerca de 6 milhões em campos de exterminínio como Auschwitz e Treblinka. Pois bem: diga o nome de um campo de concentração criado pelo Estado de Israel para exterminar os palestinos como "povo". Por favor, aponte uma ação de Israel - qualquer uma - que corresponda ao que se convencionou chamar de genocídio e que poderia, portanto, ser comparada ao que os nazistas fizeram. Qual seria o equivalente, na região, ao Gueto de Varsóvia? Ou aos fornos crematórios de Auschwitz? Gaza? Cisjordânia? Faça-me o favor.

Aproveite e explique - a mim e ao mundo - como um povo ameaçado de extinção por quem jurou aniquilá-lo num mar de sangue (os israelenses) deve agir para se defender de grupos como o Hamas e o Hezbollah e de regimes como os do Irã e da Síria. Se você descobrir um jeito de fazê-lo que exclua o uso da força, eu garanto que você será o próximo ganhador do Nobel da Paz.
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Não me surpreende que os inimigos de Israel façam tantas referências ao Holocausto. É que uma das táticas desse pessoal é a revisão da História. Não é por acaso, por exemplo, que Ahmadinejad é um negador do Holocausto. Assim fica mais fácil para ele preparar uma nova Shoah: enquanto ele nega que os judeus foram vítimas de uma política de genocídio, ele prepara um novo Holocausto. Ele espera terminar aquilo que Hitler começou. Se depender de seus amigos brasileiros como Lula e de muitas pombas lesas pacifistas, ele não está muito longe de alcançar esse objetivo.
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Aliás, vale lembrar para quem acha que "são todos iguais": Israel já tem a bomba atômica. E, no entanto, jamais fez menção de usá-la contra seus inimigos. Pode muito bem varrer outros países do mapa, inclusive o Irã, mas não o faz. Alguém duvida qual a intenção de Mahmoud Ahmadinejad em relação a Israel, assim que o Irã tiver armas nucleares?
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4) Você pergunta: "Não seria Israel do mesmo bando dos terroristas que assolam o mundo?". Respondo: NÃO. Os motivos estão acima. A menos que se queira colocar Davi Ben-Gurion, Golda Meir e Yitzhak Rabin no mesmo saco que Osama Bin Laden, Saddam Hussein e o Talibã. A menos que se queira botar no mesmo saco uma democracia (a única do Oriente Médio, aliás) e tiranos e açougueiros fanáticos que juraram destruí-la e instalar em seu lugar algum tipo de regime totalitário ou islamita. Creio que não preciso explicar mais do que isso. Ou será que preciso?

5) Pelo mesmo motivo, dizer que os EUA "também são terroristas" é de uma cretinice sem limites. É algo que flerta com a pura delinqüência intelectual, servindo para justificar o terrorismo. Sem falar que os exemplos que você deu de "guerras desastrosas" são ridículos. Vamos a cada um deles:

- Kuwait: Para começo de conversa, não foram os "EUA", e sim a ONU, que levou adiante a guerra de 1991. Foi a ONU, num dos raros momentos em que serviu para alguma coisa, que ordenou a campanha militar para expulsar os iraquianos de Saddam Hussein do Kuwait. Tratou-se de uma guerra que até mesmo muitos inimigos ferrenhos de George W. Bush consideraram justa. Se tem alguma dúvida, pergunte aos kuwaitianos.

- Afeganistão: A "guerra desastrosa" de que você fala levou à derrubada de uma das tiranias mais absurdas de todos os tempos, a dos talibãs, que abrigavam Bin Laden. Não me parece um desastre derrubar uma ditadura e substituí-la por uma forma incipiente de democracia. Tampouco me parece desastrosa a decisão de ir atrás dos responsáveis pelo 11 de setembro onde quer que se escondam. A derrubada do Talibã livrou o povo afegão de uma tirania medieval de fanáticos religiosos que explodiam, por "idólatras", estátuas milenares e puniam com chibatadas mulheres que mostrassem o rosto na rua. Hoje, o país está sendo resgatado do século XIII. Convenhamos, não é pouca coisa.

- Iraque: Posso dizer o mesmo do caso anterior. A "guerra desastrosa" resultou no fim de uma das tiranias mais odiosas do século XX e abriu o caminho, pela primeira vez em 5.000 anos de História, para que a região conheça algo parecido com a democracia. Evidentemente, o caminho para isso tem percalços. Mas aí eu pergunto: aqueles que consideram a derrubada de Saddam um erro e a guerra um desastre, que outra solução teriam para o país? Manter Saddam no poder indefinidamente? Hoje, o Iraque tem problemas. Mas o maior deles, pelo menos, acabou. A menos que você veja alguma chance para o povo iraquiano sob o regime de Saddam.

Não sou contra todas as guerras, pois não sou pacifista. Já escrevi bastante sobre isso, aliás. Acho o pacifismo algo muito bonito na teoria, mas que na prática pode levar - aliás, geralmente leva - a resultados exatamente opostos àqulo que almeja: a paz. Você, caro leitor, acabou de dar um exemplo disso, ao colocar no mesmo patamar moral países democráticos e tiranias totalitárias. Ao fazer isso, você justificou o terrorismo. Avalizou o Mal, falando em nome do Bem. Não faço isso.

quarta-feira, julho 07, 2010

AS VÁRIAS CARAS DO LULO-PETISMO


Afinal, quantos programas tem a candidata Dilma Rousseff?

Todos acompanharam o imbroglio, no começo desta semana. Atendendo a um requisito judicial, os candidatos presidenciais protocolaram, junto à Justiça Eleitoral, seus respectivos programas de governo. A rigor, trata-se (ou deveria tratar-se) de uma mera formalidade, até porque, como sabe até o mais obscuro candidato a vereador em Pirapora do Bom Jesus, programa de governo é o que menos importa numa eleição no Brasil. Mas a trapalhada dos assessores da campanha da candidata Dilma Rousseff, ao entregarem o programa "errado" no TSE, e as declarações que a criatura de Lula fez para tentar justificar o episódio, mostraram até que ponto podem ir a dissimulação e a malandragem, quando se trata de ganhar votos e enganar os incautos.

A confusão ocorreu porque um assessor da campanha da petista à Presidência da República enviou, "por engano", um documento com propostas claramente totalitárias. O primeiro programa eleitoral entregue pelo PT ao TSE falava, entre outras coisas, em controlar a imprensa, proteger as invasões do MST, defender a legalização do aborto e rever a Lei de Anistia. O segundo, entregue logo depois, trazia um discurso bem mais ameno e palatável, expurgado dos pontos mais polêmicos. Ambos os textos trazem, bem legível, a assinatura de Dilma Vana Rousseff. Um deles é falso. Simplesmente os dois não podem ser verdadeiros.

O primeiro programa era quase uma cópia xerox do PNDH-3, o tal Programa Nacional dos Direitos Humanos, entregue na surdina a Lula no final de 2009, e também assinado pela então Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff. Na confusão, trocou-se às pressas um programa socialista por um programa para socialites. Instada a explicar o episódio bizarro, a candidata petista saiu-se com a seguinte afirmação, não menos bizarra: simplesmente não tinha lido o programa que foi ao TSE. Assinou sem ler. Mais: assinou não, "rubricou". Como deve ter apenas "rubricado" o PNDH-3, esqueceu-se de dizer...

Assinou (ou rubricou) não leu, o pau comeu, diz o ditado popular. Mas com os petistas parece ser diferente. Vou procurar no dicionário o significado da palavra rubricar. Se, como diz Dilma Rousseff, o sentido for algo parecido com assinar por assinar, assinar sem dar importância ao que está escrito, então vou lhe dar razão. Se, por exemplo, meu nome estiver no espaço reservado à assinatura de um cheque sem fundos, e o cobrador vier bater à minha porta se queixando, vou dizer o seguinte: não assinei, só rubriquei. E pronto. Se, mesmo assim, meu credor insistir em botar meu nome no SPC ou no SERASA, não vou me dar por vencido: é rubrica, não é assinatura. Não ouviu o que disse a Dilma?

Das duas uma: ou Dilma Rousseff está mentindo quando diz que o primeiro programa entregue ao TSE não reflete seu pensamento ou não está sendo sincera quando afirma que sua assinatura não vale nada. Caso esta última afirmação seja verdadeira, isso significa que sua firma no segundo programa entregue ao TSE, aquele feito para socialites, vale tanto quanto uma nota de 3 reais. Para qualquer ponto que se olhe, temos aí um caso de insinceridade confessa. Mas sabe o que é mais inacreditável nessa história toda? É que muita gente irá acreditar no que diz Dilma.

O caso dos dois programas da candidatura Dilma é apenas mais um no longuíssimo prontuário de esquizofrenia do PT. Desde que surgiu, em 1980, como uma espécie de nave-mãe das esquerdas, englobando desde intelectuais stalinistas e padres católicos adeptos da escatologia da escravidão (digo, "teologia da libertação"), até sindicalistas pragmáticos (como o próprio Lula), o partido não tem feito mais do que se esquivar de uma clara definição ideológica, oscilando entre um discurso radicalóide e bravateiro (quando na oposição) e uma retórica de madames (quando no governo). No mundo da política, já se chegou mesmo a dizer que isso é uma virtude, não um defeito, pois demonstraria o caráter "democrático" do partido que abriga inúmeras correntes e facções etc. Pois eu digo que esquizofrenia é defeito, sim. Traduzida em termos políticos, é mais do que um defeito: revela falta de caráter e de sinceridade, para dizer o mínimo. Aí está a candidata de programas Dilma Rousseff que não me deixa mentir.

Muitos esquerdistas radicais porém sinceros se sentem genuinamente traídos por Lula e pelo PT. E a opinião corrente e hegemônica é que eles têm razão ao se sentirem assim, principalmente em economia. Poucos parecem se importar, porém, com a traição dos companheiros no poder aos princípios da ética e da democracia, como fica claro na política externa, por exemplo. Preferem acreditar na ilusão do Lula e do PT "moderados", que conseguiram a "façanha" de "domar" os setores mais radicais e sectários da esquerda. Não percebem ou não querem perceber que, se no primeiro caso o discurso petista era um jogo de cena, no segundo caso não há qualquer motivo para pensar de modo diferente. A não ser que gostem de ser enganados. Mas aí já é um caso para a psiquiatria explicar.
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É evidente que esse bando de farofeiros ignorantes e incompetentes que são os petistas e seus aliados não vai fazer a revolução. É claro que Lula não é um novo Lênin, nem Dilma é uma Stálin de saias e botox. Com exceção de alguns jurássicos professores da USP ou deste ou daquele militante porralouca do PSTU, ninguém leva a sério esse trololó de luta de classes e de ditadura do proletariado. Mas isso não quer dizer que os petistas não possam tumultuar. Eles podem, usando os instrumentos que a democracia permite, minar suas bases, implantando o germe do totalitarismo. Basta, para tanto, que ninguém esteja olhando. Na Venezuela, por exemplo, esse processo está bastante avançado.
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Quando eu era um estudante radical, simpatizante de uma minúscula corrente trotskista, eu desconfiava de Lula e do PT. Achava seu discurso conciliador e duas-caras uma forma de "traição" à classe trabalhadora etc. Acreditava que ele, Lula, era um vendido aos patrões e que o PT era um partido social-democrata, comprometido com o sistema burguês. Eu desconfiava, enfim, da sinceridade dos petistas. Pois é. Eu estava certo pelos motivos errados. É preciso desconfiar sempre dos petistas, mas não porque eles não queiram fazer a "revolução". É porque a mentira está nos genes deles mesmo.

BOM NEGÓCIO PARA O DITADOR


"- Esse é dos meus! Eu agarântiu!"

Segue editorial do Estado de S. Paulo de hoje, 7/07. Para quem confunde pragmatismo com "negócios" e realismo com apoio a ditaduras.

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"Negócios são negócios”, disse o chanceler Celso Amorim para justificar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ditador Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, presidente da Guiné Equatorial há 31 anos. Esse longo período, iniciado com um golpe contra seu tio, Francisco Macías Nguema, foi para ele uma fase de grande prosperidade pessoal — de excelentes negócios, portanto. Tornou-se o oitavo governante mais rico do mundo, segundo a revista Forbes, graças a métodos não recomendados pelas escolas de administração: violência contra os opositores — incluindo o assassínio —, corrupção e estrito controle da vida política de seu país.
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O presidente Lula incluiu nos negócios com seu novo amigo o apoio à inclusão da Guiné Equatorial na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O comunicado conjunto emitido no final da visita menciona a satisfação do presidente Obiang por esse apoio. Os países da comunidade nada ganharão com o ingresso desse novo sócio. Mas uma ditadura conhecida por sua violência e pela corrupção ganhará mais um foro para se manifestar e mais espaço na cena internacional.
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Não se fala português na Guiné Equatorial, mas a diplomacia brasileira não se deixou impressionar por esse detalhe. Apesar de tudo, a língua portuguesa é um dos idiomas oficiais do país, por ato assinado em 2007 pelo ditador. Os portugueses chegaram à região em 1470. Logo depois apareceram espanhóis e ingleses. O controle ficou para a Espanha entre 1778 e 1968, ano da independência.
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A Guiné Equatorial já exporta petróleo para o Brasil e empresários brasileiros poderão participar de seus programas de obras. Essas transações correspondem ao sentido mais comum da palavra negócio. Será necessário muito mais que o interesse material para estimular o comércio e o investimento? Certamente não, mas o presidente brasileiro deve pensar o contrário.
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Além de usar a CPLP para facilitar seus “negócios” com o ditador da Guiné Equatorial, o presidente Lula emprestou seu nome a uma declaração com a seguinte preciosidade: “Os dois chefes de Estado reconheceram a importância da democracia para o desenvolvimento e renovaram sua continuada adesão aos princípios da democracia, ao respeito aos direitos humanos, ao Estado de Direito e à boa governabilidade política e econômica no marco da formulação de suas políticas nacionais de desenvolvimento.” Também isso é parte dos negócios?
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Nenhum jornalista pôde formular essa ou qualquer outra pergunta quando foi apresentado o comunicado conjunto. Lula e seu novo amigo, sentados lado a lado, ouviram um funcionário africano ler a declaração. Repórteres apenas assistiram à cerimônia, mas puderam conversar com o chanceler brasileiro, “Não estamos ajudando nem promovendo ditadura”, disse o ministro, classificando como “pregação moralista” as críticas à aproximação com o ditador.
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Não é o que os fatos mostram nem o que está no comunicado, no qual o governo brasileiro se dispõe a promover os interesses políticos de uma ditadura e a dar respeitabilidade a um governante conhecido por seu desprezo à democracia. Além de assumir o compromisso em relação à CPLP, convertida em objeto de “negócios”, o presidente Lula avalizou uma declaração do ditador Obiang a favor da democracia, do respeito aos direitos humanos e do Estado de Direito.
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“Quem resolve o problema de cada país é o povo de cada país”, acrescentou o ministro. Também essas palavras os fatos desmentem. Brasília interveio nos assuntos internos de Honduras, abrigando em sua embaixada um ex-presidente introduzido ilegalmente no país e permitindo-lhe atuar na política durante quase cinco meses. Pode-se discutir se a deposição de Zelaya foi ou não um golpe, embora determinada pelo Congresso e pela Corte Suprema. Há justificativas legais para os dois lados. Mas sobre a interferência brasileira não há dúvida. Quanto ao povo hondurenho, elegeu no fim do ano passado um novo governo, que o Itamaraty não reconhece enquanto o presidente deposto não for reintegrado à vida política nacional. Não se vê perspectiva semelhante para o povo da Guiné Equatorial nem para os povos comandados por outros ditadores amigos do presidente Lula.