quarta-feira, julho 14, 2010

OS "HUMANISTAS" ATACAM DE NOVO. AGORA, COM O APOIO DE UM GRANDE DEMOCRATA...


Lockerbie, 1988: Kadafi passou por aqui...
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Vocês todos viram, há cerca de um mês, o escarcéu que foi o caso do "ataque" israelense a um "comboio humanitário" de uma "ONG" turca que tentava furar o bloqueio à Faixa de Gaza. Fiz parte da minoria de chatos do contra que destoaram da manada, a qual, antes mesmo de saber o que realmente tinha ocorrido, condenou Israel. Em vez disso, aferrei-me aos fatos e mostrei o caráter farsesco da coisa, apontando para o que os videos mostraram e todos pareceram querer ignorar: que os soldados israelenses que interceptaram o navio foram agredidos e quase linchados, e reagiram em legítima defesa. Mais que isso: mostrei que o episódio todo foi uma provocação anti-Israel (infelizmente, bem-sucedida) armada por uma organização com laços inegáveis com o Hamas. Mostrei inclusive fotos que provam a ligação desses últimos com a tal "flotilha da liberdade" (sic).

Pois não é que os inimigos de Israel e da humanidade não desistiram de aprontar mais uma presepada? Pois não é que estão preparando mais outra farsa gigantesca?

"Novo comboio de ajuda humanitária se dirige a Gaza", leio nos jornais. E já antevejo os protestos internacionais, caso Israel intercepte os navios, como provavelmente o fará. Muito bem. De que "comboio humanitário" se está falando? De uma nova flotilha, desta vez organizada por uma "ONG" comandada por ninguém mais, ninguém menos do que (prepare-se leitor!)... o filho de Muamar Kadafi!!! O nome do troço é "Sociedade Kadafi para Caridade e Desenvolvimento", ou algo parecido.

Para quem anda com a memória curta, faço questão de lembrar: Muamar Kadafi (ou Gadaffi, como às vezes é grafado) é o humanista ditador da Líbia desde 1969. Como tal, ele tem uma extensa folha corrida de relevantes serviços prestados às causas mais justas e nobres. Nos anos 70 e 80, Kadafi (ou Gadaffi) ficou mundialmente famoso pela missão humanitária de patrocinar praticamente todos os grupos terroristas importantes. Muito antes de Mahmoud Ahmadinejad, ele já repetia a ladainha de que era preciso "varrer Israel do mapa", e trabalhou intensamente nesse sentido. Em 1988, ele alcançou o ápice do humanitarismo, credenciando-se ao papel de sucessor de Madre Teresa de Calcutá, ao patrocinar a explosão, em pleno ar, de um avião lotado de passageiros em Lockerbie, na Escócia. Morreram 270 pessoas. Os autores desse ato de puro amor à humanidade foram recebidos com festa em Tripoli, capital da Líbia. Como se vê, trata-se de um anjo de cordura, uma boa alma. Pois agora Kadafi/Gadaffi se junta à nau dos "humanistas" anti-Israel, criando sua própria "flotilha da liberdade".

Aí está, senhores. É esse tipo de gente que organiza "comboios humanitários" e arma provocações am alto-mar para criar uma onda mundial de propaganda anti-Israel. É esse tipo de canalha que consegue manipular a opinião pública contra a única democracia do Oriente Médio, apresentando um país que luta há décadas para se defender como o lado agressor, e os que lutam para destrui-lo como vítimas inocentes.

No auge do furor anti-israelense, há um mês, tentei chamar a atenção de algumas pessoas para fatos como esse. Fiquei falando sozinho. Pior: fui tachado de troglodita e de reacionário, um inimigo da humanidade. Vi pessoas que pouco tempo antes estavam indignadas com o apoio brasileiro ao regime iraniano de Ahmadinejad ou com a recusa de Lula em visitar o túmulo de Theodor Herzl em Israel se encherem de revolta contra o "crime cruel" dos israelenses. Só posso atribuir esse tipo de reação a uma lavagem cerebral, a uma hipnose coletiva. Ou a uma propensão irresistível a ser inocente útil de terroristas.
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E antes que digam: não, não sou a favor, em princípio, do bloqueio a Gaza, assim como não sou a favor, em princípio, de muros e grades. Mas tampouco sou a favor do terrorismo. E Gaza é controlada por um grupo terrorista que não reconhece o direito de Israel existir e quer promover um genocídio. É por esse motivo que existe o bloqueio. Reconheça-se Israel, elimine-se o terrorismo, e garanto: o bloqueio virá abaixo em dois tempos. Simples assim. Do mesmo modo, reconheçam o direito de Israel à existência e abandonem a violência, e vocês, árabes e palestinos, terão toda a terra que quiserem. Você, que acha que os culpados de tudo são os israelenses, e que eles são maus como pica-paus, conhece outra solução? Israel já deu mostras suficientes de que está disposto a viver em paz com seus vizinhos, trocando terra por paz. E os inimigos de Israel, quando farão o mesmo, trocando paz por terra?
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A julgar pelas constantes provocações a Israel por parte de "ONGs" de "pacifistas" vinculadas ao terrorismo islamita, e como eles conseguem enganar a muitos, esse dia parece distante, infelizmente. Primeiro, foi o comboio humanitário dos amigos do Hamas. Agora, é o do filho de Kadafi. O que virá a seguir? O comboio humanitário da Al-Qaeda?

segunda-feira, julho 12, 2010

DIPLOMACIA SEM PRINCÍPIOS


Uma vitória da humanidade. É assim que pode ser descrito o anúncio da libertação de 52 presos políticos pela ditadura dos irmãos Castro em Cuba.

No mesmo dia do anúncio oficial, o psicólogo e dissidente cubano Guillermo Fariñas decidiu encerrar sua greve de fome, que durava 135 dias. Ele resolvera deixar de se alimentar até que a tirania castrista libertasse cerca de vinte dissidentes. Seu combalido corpo tornou-se o único espaço que encontrou para protestar e pedir liberdade, num lugar onde isso é proibido e punido com cadeia.

A vitória, claro, é parcial. Os presos libertados estão sendo expulsos do país, e ainda há mais de 100 presos de consciência na ilha-cárcere, segundo dados oficiais do próprio regime. Tampouco se deve imaginar que a castradura cubana - a mais antiga ditadura do Ocidente - irá afrouxar o cabresto, permitindo, por exemplo, eleições livres e plurais e acabando com a censura à imprensa. Mas o significado da soltura dos dissidentes vai muito além desses fatos. Trata-se de uma vitória sobre o cinismo. Sobre a hipocrisia. Sobre o deslavado apoio a ditaduras. Como tal, foi uma dura derrota - mais uma - do governo Lula.

Enquanto o governo da Espanha e a Igreja Católica intermediavam a libertação dos presos de consciência cubanos, Lula et caterva paparicavam ditadores na África. Sob Lula, o Brasil alardeia sua intenção de ser um protagonista na arena internacional. A idéia de protagonismo internacional de Lula é posar para fotos ao lado de tiranos asquerosos como Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, o Canibal, ditador há mais de três décadas da Guiné Equatorial. Não passa pela restauração das liberdades democráticas.

Como costumam fazer os petistas, eles tentaram jogar areia nos olhos de todos e sequestrar a glória alheia. Marco Aurélio Garcia inventou que o governo espanhol, ao patrocinar a soltura dos prisioneiros, estava "pegando carona" no que o governo do Brasil vem fazendo. O que o governo do Brasil vem fazendo é garantir seu aval incondicional à tirania castrista, sem dar a menor bola aos direitos humanos. Surpreendido pela informação de que a Igreja Católica também se envolvera no episódio, titubeou. Já Celso Amorim também tentou transformar mais uma humilhação em vitória. "Nosso estilo é mais discreto", afirmou o chanceler, fiel a seu estilo. Mesma discrição o governo Lula não teve ao tentar impor um golpista em Honduras e ao justificar a repressão no Irã, entre outras importantes contribuições à História Universal da Infâmia.

Lula se gaba de sua amizade com Fidel e Raúl Castro, mas não fez nada para libertar os 52 presos políticos cubanos. Pior que isso: apóia incondicionalmente o regime ditatorial. Seus subordinados, ao tentarem justificar o périplo pelas ditaduras africanas, apelaram para um pragmatismo de mercearia, dizendo que "negócios são negócios". Como se a diplomacia pudesse ser reduzida ao comércio, e como se pragmatismo fosse sinônimo de advogar para ditadores. Celso Amorim foi além, e chamou de "pregação moralista" a defesa dos direitos humanos nesses países. Como se apoiar politicamente regimes que matam e torturam opositores correspondesse a uma moral superior, e como se as relações comerciais justificassem, ou mesmo exigissem, esse apoio político.
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Mesmo do ponto de vista friamente pragmático, é impossível justificar o apoio político a tiranias. No caso cubano, o Brasil perdeu uma oportunidade de se tornar protagonista internacional. Poderia ter empenhado a tão decantada influência de seu presidente na questão, mas em vez disso prefere dar seu aval a acordos fajutos para dar tempo a Mahmoud Ahmadinejad para continuar enganando o mundo e construindo em segredo a bomba atômica.

Se presos políticos estão sendo soltos em Cuba, isso não se deve a Lula, muito menos a qualquer suposta benevolência da ditadura castrista. Deve-se, isto sim, a pessoas como Guillermo Fariñas, um homem de princípios, que não trafica sua consciência por "negócios". Fariñas colocou sua vida em risco por uma causa justa, a dos direitos humanos, entrando em greve de fome por 135 dias (e sem bala Paulistinha) por algo em que acredita. E Lula e Celso Amorim, em que acreditam? Em apoiar ditadores.

A política do governo brasileiro em relação a Cuba é vergonhosa. É um dos capítulos mais vergonhosos de uma política externa em si vexaminosa. Se o governo Lula se omitisse na questão dos direitos humanos em Cuba, já seria grave o bastante. Mas o fato é que ele vai além: apóia abertamente as violações aos direitos humanos na ilha-prisão do Caribe. Em fevereiro último, Lula esteve em Cuba. Na ocasião, insultou a decência e a humanidade ao culpar o dissidente Orlando Zapata Tamayo por sua própria morte em uma greve de fome, e ao comparar os presos políticos cubanos a bandidos. No dia mesmo em que Zapata morria, ele posou sorridente ao lado do decrépito Fidel Castro. Lula não usou seu tão alardeado prestígio e cacife internacionais para ajudar a libertar os presos políticos cubanos, assim como não vai mexer uma palha para libertar os mais de 100 prisioneiros restantes. Alguém ainda tem dúvidas sobre de que lado ele está?

A História lembrará de Orlando Zapata Tamayo e de Guillermo Farinãs como heróis na luta pela liberdade. Já Lula e seus bajuladores serão lembrados como cúmplices de tiranos e assassinos. Em nome de um fantasioso papel protagônico e de um realismo de fachada, que mal esconde seu caráter ideológico, elevaram o apoio ao que de pior existe na humanidade à condição de linha-mestra de sua política externa.
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"Estes são os meus princípios. Se não gosta deles, tenho outros". A frase é do humorista americano Groucho Marx, um mestre do nonsense. Ao ultrapassar todos os limites do cinismo, a diplomacia lulista tem-se esforçado para mostrar que é possível ir além do absurdo.
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O Brasil tem, finalmente, uma diplomacia sem princípios.

sexta-feira, julho 09, 2010

UMA CANDIDATA DE PROGRAMAS

Enquanto isso, na terra do ziriguidum e do bundalelê:



Do chargista Nani. Uma boa definição de alguém que entrega o programa "errado" no TSE... e sem ler! (uma verdadeira discípula do mestre, realmente)
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Ah sim! Os petistas já começaram a chiar. Todos sabem como eles adoram a liberdade de expressão... a favor deles, claro.

RESPOSTA AO LEITOR - E ALGUMAS PALAVRAS SOBRE A IMPOSSIBILIDADE DE EQUIVALÊNCIA MORAL ENTRE DEMOCRACIAS E DITADURAS


Escreveu o leitor Ítalo Viana, sobre meu texto "Lula, o sábio":

Antes de tudo, parabéns! Acho louvável a crítica como exercício de cidadania e como forma de exercitar a mente. Também me considero um "do contra". Pois bem, li as diversas críticas ao Irã e contra seu programa nuclear, pois o mesmo estaria planejando destruir Israel. Pergunto: e daí? Os EUA combatem o "terror" e têm bomba atômica, por que o Irã não pode combater o terror de Israel, que corretamente indigna-se com o holocausto, mas promove algo semelhante contra os palestinos? Não seria Israel do mesmo bando terrorista dos que assolam o mundo? E os EUA com suas guerras desastrosas no Kwait, Afeganistão e Iraque, não são terroristas? São. Sou contra as guerras, por óbvio, mas entendo que os conflitos no Oriente são bem mais complexos do que definir qual o Regime, se democrático ou não, de cada país.
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Respondo
Sobre os elogios: Obrigado. Critico não porque eu seja "do contra", apesar do nome do blog, mas porque é necessário. Mais do que um exercício de "cidadania" (êta palavrinha desgastada, essa!), ou uma forma de exercício mental, é uma maneira, segundo penso, de não compactuar com a mentira e de manter a sanidade.

Agora, quanto a suas observações sobre Israel, o Irã e o terrorismo, desculpe se eu parecer muito duro. Já respondi a elas em outros posts, mas, como já disse outras vezes, não me importo de ser repetitivo. Aí vai.

1) Em primeiro lugar, o Irã não "estaria planejando" destruir Israel: está planejando! Não se trata de usar, aqui, o condicional. Mahmoud Ahmadinejad já deixou claro que sua intenção é VARRER ISRAEL DO MAPA (palavras dele, não minhas). É com esse fim em mente que ele dá armas e dinheiro aos terroristas do Hamas e do Hezbollah. A bomba atômica é o meio pelo qual ele pretende atingir esse objetivo.

2) Caro Ítalo, você diz "e daí?" para esse fato. Dá de ombros para a possibilidade, cada vez mais concreta, de o regime dos aiatolás mandar alguns milhões de pessoas para o túmulo em um holocausto nuclear. Deve dar de ombros também e perguntar "e daí?" para cada atentado terrorista do Hamas ou do Hezbollah (financiados pelo Irã) em que morrem civis inocentes. Presumo que você também deve dizer "e daí?" para o que Hitler fez com 6 milhões de judeus (e olhe que ele nem tinha bomba atômica...).

3) Você lembra que os EUA combatem o "terror" (por que as aspas? o 11 de setembro não foi suficiente?) e têm bomba atômica, então porque o Irã não pode ter para combater o "terror de Israel" (as aspas são minhas), que "promove algo semelhante ao Holocausto contra os palestinos" etc.?

A questão exige ser desmembrada para melhor ser respondida. Vamos lá:

- Pelo que entendi, você considera os EUA e o Irã com o mesmo direito a ter a arma nuclear. Assim como o governo brasileiro, você acredita que um país democrático, que se rege há duzentos anos por leis, e onde as liberdades (inclusive a liberdade de malhar o governo) são plenamente respeitadas, e um regime teocrático dominado por fanáticos - e fanáticos que juraram exterminar um povo inteiro - se equivalem moralmente. Acredita, portanto, que não há diferença entre os que combatem terroristas e os próprios terroristas. Combater assassinos genocidas e ser assassino genocida, para você, não tem a menor diferença, pois "é tudo a mesma coisa" etc.

Se você se deu ao trabalho de ler outros textos meus nos quais falo do mesmo assunto, deve ter percebido que discordo disso inteiramente. Deve ter visto que, entre quem professa o terror e quem luta contra o terror, fico do lado destes últimos, contra os primeiros. Para mim, não há equivalência moral entre terroristas e quem os combate, assim como não havia equivalência moral entre os nazistas e os Aliados na Segunda Guerra Mundial. Assim como não há equivalência moral entre Israel e o Irã, entre os EUA e Bin Laden.

Não sou o único a pensar assim. Albert Einstein, por exemplo, pensava de modo semelhante e mim nesse aspecto. Em 1939, ele mandou uma carta ao então presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, alertando o governo dos EUA para o perigo que seria uma Alemanha hitlerista com acesso à então recém-descoberta tecnologia de armas nucleares. Inclusive ele sugeria que o governo norte-americano deveria começar urgentemente um programa nuclear, antes que os nazistas saíssem na frente e adquirissem o controle dessa tecnologia letal. Einstein preferia os EUA aos nazistas. Em sua visão, uma Alemanha nazista com armas nucleares, ao contrário dos EUA, era uma ameaça à humanidade. Ele, assim como eu, não acreditava na equivalência moral entre ditaduras e democracias.

Em outras palavras, você diz que não há diferença entre uma democracia que combate o terrorismo e uma tirania que promove o terrorismo. Eu digo que há diferença, sim. E acho que não é muito difícil entender por quê.

- Você diz que Israel promove algo "semelhante ao Holocausto com os palestinos". Esta é uma acusação muito grave, gravíssima. Como tal, exige provas contundentes e irrefutáveis. O Holocausto foi a tentativa de extermínio dos judeus europeus pelos nazistas. Estes mataram cerca de 6 milhões em campos de exterminínio como Auschwitz e Treblinka. Pois bem: diga o nome de um campo de concentração criado pelo Estado de Israel para exterminar os palestinos como "povo". Por favor, aponte uma ação de Israel - qualquer uma - que corresponda ao que se convencionou chamar de genocídio e que poderia, portanto, ser comparada ao que os nazistas fizeram. Qual seria o equivalente, na região, ao Gueto de Varsóvia? Ou aos fornos crematórios de Auschwitz? Gaza? Cisjordânia? Faça-me o favor.

Aproveite e explique - a mim e ao mundo - como um povo ameaçado de extinção por quem jurou aniquilá-lo num mar de sangue (os israelenses) deve agir para se defender de grupos como o Hamas e o Hezbollah e de regimes como os do Irã e da Síria. Se você descobrir um jeito de fazê-lo que exclua o uso da força, eu garanto que você será o próximo ganhador do Nobel da Paz.
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Não me surpreende que os inimigos de Israel façam tantas referências ao Holocausto. É que uma das táticas desse pessoal é a revisão da História. Não é por acaso, por exemplo, que Ahmadinejad é um negador do Holocausto. Assim fica mais fácil para ele preparar uma nova Shoah: enquanto ele nega que os judeus foram vítimas de uma política de genocídio, ele prepara um novo Holocausto. Ele espera terminar aquilo que Hitler começou. Se depender de seus amigos brasileiros como Lula e de muitas pombas lesas pacifistas, ele não está muito longe de alcançar esse objetivo.
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Aliás, vale lembrar para quem acha que "são todos iguais": Israel já tem a bomba atômica. E, no entanto, jamais fez menção de usá-la contra seus inimigos. Pode muito bem varrer outros países do mapa, inclusive o Irã, mas não o faz. Alguém duvida qual a intenção de Mahmoud Ahmadinejad em relação a Israel, assim que o Irã tiver armas nucleares?
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4) Você pergunta: "Não seria Israel do mesmo bando dos terroristas que assolam o mundo?". Respondo: NÃO. Os motivos estão acima. A menos que se queira colocar Davi Ben-Gurion, Golda Meir e Yitzhak Rabin no mesmo saco que Osama Bin Laden, Saddam Hussein e o Talibã. A menos que se queira botar no mesmo saco uma democracia (a única do Oriente Médio, aliás) e tiranos e açougueiros fanáticos que juraram destruí-la e instalar em seu lugar algum tipo de regime totalitário ou islamita. Creio que não preciso explicar mais do que isso. Ou será que preciso?

5) Pelo mesmo motivo, dizer que os EUA "também são terroristas" é de uma cretinice sem limites. É algo que flerta com a pura delinqüência intelectual, servindo para justificar o terrorismo. Sem falar que os exemplos que você deu de "guerras desastrosas" são ridículos. Vamos a cada um deles:

- Kuwait: Para começo de conversa, não foram os "EUA", e sim a ONU, que levou adiante a guerra de 1991. Foi a ONU, num dos raros momentos em que serviu para alguma coisa, que ordenou a campanha militar para expulsar os iraquianos de Saddam Hussein do Kuwait. Tratou-se de uma guerra que até mesmo muitos inimigos ferrenhos de George W. Bush consideraram justa. Se tem alguma dúvida, pergunte aos kuwaitianos.

- Afeganistão: A "guerra desastrosa" de que você fala levou à derrubada de uma das tiranias mais absurdas de todos os tempos, a dos talibãs, que abrigavam Bin Laden. Não me parece um desastre derrubar uma ditadura e substituí-la por uma forma incipiente de democracia. Tampouco me parece desastrosa a decisão de ir atrás dos responsáveis pelo 11 de setembro onde quer que se escondam. A derrubada do Talibã livrou o povo afegão de uma tirania medieval de fanáticos religiosos que explodiam, por "idólatras", estátuas milenares e puniam com chibatadas mulheres que mostrassem o rosto na rua. Hoje, o país está sendo resgatado do século XIII. Convenhamos, não é pouca coisa.

- Iraque: Posso dizer o mesmo do caso anterior. A "guerra desastrosa" resultou no fim de uma das tiranias mais odiosas do século XX e abriu o caminho, pela primeira vez em 5.000 anos de História, para que a região conheça algo parecido com a democracia. Evidentemente, o caminho para isso tem percalços. Mas aí eu pergunto: aqueles que consideram a derrubada de Saddam um erro e a guerra um desastre, que outra solução teriam para o país? Manter Saddam no poder indefinidamente? Hoje, o Iraque tem problemas. Mas o maior deles, pelo menos, acabou. A menos que você veja alguma chance para o povo iraquiano sob o regime de Saddam.

Não sou contra todas as guerras, pois não sou pacifista. Já escrevi bastante sobre isso, aliás. Acho o pacifismo algo muito bonito na teoria, mas que na prática pode levar - aliás, geralmente leva - a resultados exatamente opostos àqulo que almeja: a paz. Você, caro leitor, acabou de dar um exemplo disso, ao colocar no mesmo patamar moral países democráticos e tiranias totalitárias. Ao fazer isso, você justificou o terrorismo. Avalizou o Mal, falando em nome do Bem. Não faço isso.

quarta-feira, julho 07, 2010

AS VÁRIAS CARAS DO LULO-PETISMO


Afinal, quantos programas tem a candidata Dilma Rousseff?

Todos acompanharam o imbroglio, no começo desta semana. Atendendo a um requisito judicial, os candidatos presidenciais protocolaram, junto à Justiça Eleitoral, seus respectivos programas de governo. A rigor, trata-se (ou deveria tratar-se) de uma mera formalidade, até porque, como sabe até o mais obscuro candidato a vereador em Pirapora do Bom Jesus, programa de governo é o que menos importa numa eleição no Brasil. Mas a trapalhada dos assessores da campanha da candidata Dilma Rousseff, ao entregarem o programa "errado" no TSE, e as declarações que a criatura de Lula fez para tentar justificar o episódio, mostraram até que ponto podem ir a dissimulação e a malandragem, quando se trata de ganhar votos e enganar os incautos.

A confusão ocorreu porque um assessor da campanha da petista à Presidência da República enviou, "por engano", um documento com propostas claramente totalitárias. O primeiro programa eleitoral entregue pelo PT ao TSE falava, entre outras coisas, em controlar a imprensa, proteger as invasões do MST, defender a legalização do aborto e rever a Lei de Anistia. O segundo, entregue logo depois, trazia um discurso bem mais ameno e palatável, expurgado dos pontos mais polêmicos. Ambos os textos trazem, bem legível, a assinatura de Dilma Vana Rousseff. Um deles é falso. Simplesmente os dois não podem ser verdadeiros.

O primeiro programa era quase uma cópia xerox do PNDH-3, o tal Programa Nacional dos Direitos Humanos, entregue na surdina a Lula no final de 2009, e também assinado pela então Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff. Na confusão, trocou-se às pressas um programa socialista por um programa para socialites. Instada a explicar o episódio bizarro, a candidata petista saiu-se com a seguinte afirmação, não menos bizarra: simplesmente não tinha lido o programa que foi ao TSE. Assinou sem ler. Mais: assinou não, "rubricou". Como deve ter apenas "rubricado" o PNDH-3, esqueceu-se de dizer...

Assinou (ou rubricou) não leu, o pau comeu, diz o ditado popular. Mas com os petistas parece ser diferente. Vou procurar no dicionário o significado da palavra rubricar. Se, como diz Dilma Rousseff, o sentido for algo parecido com assinar por assinar, assinar sem dar importância ao que está escrito, então vou lhe dar razão. Se, por exemplo, meu nome estiver no espaço reservado à assinatura de um cheque sem fundos, e o cobrador vier bater à minha porta se queixando, vou dizer o seguinte: não assinei, só rubriquei. E pronto. Se, mesmo assim, meu credor insistir em botar meu nome no SPC ou no SERASA, não vou me dar por vencido: é rubrica, não é assinatura. Não ouviu o que disse a Dilma?

Das duas uma: ou Dilma Rousseff está mentindo quando diz que o primeiro programa entregue ao TSE não reflete seu pensamento ou não está sendo sincera quando afirma que sua assinatura não vale nada. Caso esta última afirmação seja verdadeira, isso significa que sua firma no segundo programa entregue ao TSE, aquele feito para socialites, vale tanto quanto uma nota de 3 reais. Para qualquer ponto que se olhe, temos aí um caso de insinceridade confessa. Mas sabe o que é mais inacreditável nessa história toda? É que muita gente irá acreditar no que diz Dilma.

O caso dos dois programas da candidatura Dilma é apenas mais um no longuíssimo prontuário de esquizofrenia do PT. Desde que surgiu, em 1980, como uma espécie de nave-mãe das esquerdas, englobando desde intelectuais stalinistas e padres católicos adeptos da escatologia da escravidão (digo, "teologia da libertação"), até sindicalistas pragmáticos (como o próprio Lula), o partido não tem feito mais do que se esquivar de uma clara definição ideológica, oscilando entre um discurso radicalóide e bravateiro (quando na oposição) e uma retórica de madames (quando no governo). No mundo da política, já se chegou mesmo a dizer que isso é uma virtude, não um defeito, pois demonstraria o caráter "democrático" do partido que abriga inúmeras correntes e facções etc. Pois eu digo que esquizofrenia é defeito, sim. Traduzida em termos políticos, é mais do que um defeito: revela falta de caráter e de sinceridade, para dizer o mínimo. Aí está a candidata de programas Dilma Rousseff que não me deixa mentir.

Muitos esquerdistas radicais porém sinceros se sentem genuinamente traídos por Lula e pelo PT. E a opinião corrente e hegemônica é que eles têm razão ao se sentirem assim, principalmente em economia. Poucos parecem se importar, porém, com a traição dos companheiros no poder aos princípios da ética e da democracia, como fica claro na política externa, por exemplo. Preferem acreditar na ilusão do Lula e do PT "moderados", que conseguiram a "façanha" de "domar" os setores mais radicais e sectários da esquerda. Não percebem ou não querem perceber que, se no primeiro caso o discurso petista era um jogo de cena, no segundo caso não há qualquer motivo para pensar de modo diferente. A não ser que gostem de ser enganados. Mas aí já é um caso para a psiquiatria explicar.
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É evidente que esse bando de farofeiros ignorantes e incompetentes que são os petistas e seus aliados não vai fazer a revolução. É claro que Lula não é um novo Lênin, nem Dilma é uma Stálin de saias e botox. Com exceção de alguns jurássicos professores da USP ou deste ou daquele militante porralouca do PSTU, ninguém leva a sério esse trololó de luta de classes e de ditadura do proletariado. Mas isso não quer dizer que os petistas não possam tumultuar. Eles podem, usando os instrumentos que a democracia permite, minar suas bases, implantando o germe do totalitarismo. Basta, para tanto, que ninguém esteja olhando. Na Venezuela, por exemplo, esse processo está bastante avançado.
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Quando eu era um estudante radical, simpatizante de uma minúscula corrente trotskista, eu desconfiava de Lula e do PT. Achava seu discurso conciliador e duas-caras uma forma de "traição" à classe trabalhadora etc. Acreditava que ele, Lula, era um vendido aos patrões e que o PT era um partido social-democrata, comprometido com o sistema burguês. Eu desconfiava, enfim, da sinceridade dos petistas. Pois é. Eu estava certo pelos motivos errados. É preciso desconfiar sempre dos petistas, mas não porque eles não queiram fazer a "revolução". É porque a mentira está nos genes deles mesmo.

BOM NEGÓCIO PARA O DITADOR


"- Esse é dos meus! Eu agarântiu!"

Segue editorial do Estado de S. Paulo de hoje, 7/07. Para quem confunde pragmatismo com "negócios" e realismo com apoio a ditaduras.

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"Negócios são negócios”, disse o chanceler Celso Amorim para justificar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ditador Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, presidente da Guiné Equatorial há 31 anos. Esse longo período, iniciado com um golpe contra seu tio, Francisco Macías Nguema, foi para ele uma fase de grande prosperidade pessoal — de excelentes negócios, portanto. Tornou-se o oitavo governante mais rico do mundo, segundo a revista Forbes, graças a métodos não recomendados pelas escolas de administração: violência contra os opositores — incluindo o assassínio —, corrupção e estrito controle da vida política de seu país.
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O presidente Lula incluiu nos negócios com seu novo amigo o apoio à inclusão da Guiné Equatorial na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O comunicado conjunto emitido no final da visita menciona a satisfação do presidente Obiang por esse apoio. Os países da comunidade nada ganharão com o ingresso desse novo sócio. Mas uma ditadura conhecida por sua violência e pela corrupção ganhará mais um foro para se manifestar e mais espaço na cena internacional.
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Não se fala português na Guiné Equatorial, mas a diplomacia brasileira não se deixou impressionar por esse detalhe. Apesar de tudo, a língua portuguesa é um dos idiomas oficiais do país, por ato assinado em 2007 pelo ditador. Os portugueses chegaram à região em 1470. Logo depois apareceram espanhóis e ingleses. O controle ficou para a Espanha entre 1778 e 1968, ano da independência.
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A Guiné Equatorial já exporta petróleo para o Brasil e empresários brasileiros poderão participar de seus programas de obras. Essas transações correspondem ao sentido mais comum da palavra negócio. Será necessário muito mais que o interesse material para estimular o comércio e o investimento? Certamente não, mas o presidente brasileiro deve pensar o contrário.
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Além de usar a CPLP para facilitar seus “negócios” com o ditador da Guiné Equatorial, o presidente Lula emprestou seu nome a uma declaração com a seguinte preciosidade: “Os dois chefes de Estado reconheceram a importância da democracia para o desenvolvimento e renovaram sua continuada adesão aos princípios da democracia, ao respeito aos direitos humanos, ao Estado de Direito e à boa governabilidade política e econômica no marco da formulação de suas políticas nacionais de desenvolvimento.” Também isso é parte dos negócios?
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Nenhum jornalista pôde formular essa ou qualquer outra pergunta quando foi apresentado o comunicado conjunto. Lula e seu novo amigo, sentados lado a lado, ouviram um funcionário africano ler a declaração. Repórteres apenas assistiram à cerimônia, mas puderam conversar com o chanceler brasileiro, “Não estamos ajudando nem promovendo ditadura”, disse o ministro, classificando como “pregação moralista” as críticas à aproximação com o ditador.
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Não é o que os fatos mostram nem o que está no comunicado, no qual o governo brasileiro se dispõe a promover os interesses políticos de uma ditadura e a dar respeitabilidade a um governante conhecido por seu desprezo à democracia. Além de assumir o compromisso em relação à CPLP, convertida em objeto de “negócios”, o presidente Lula avalizou uma declaração do ditador Obiang a favor da democracia, do respeito aos direitos humanos e do Estado de Direito.
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“Quem resolve o problema de cada país é o povo de cada país”, acrescentou o ministro. Também essas palavras os fatos desmentem. Brasília interveio nos assuntos internos de Honduras, abrigando em sua embaixada um ex-presidente introduzido ilegalmente no país e permitindo-lhe atuar na política durante quase cinco meses. Pode-se discutir se a deposição de Zelaya foi ou não um golpe, embora determinada pelo Congresso e pela Corte Suprema. Há justificativas legais para os dois lados. Mas sobre a interferência brasileira não há dúvida. Quanto ao povo hondurenho, elegeu no fim do ano passado um novo governo, que o Itamaraty não reconhece enquanto o presidente deposto não for reintegrado à vida política nacional. Não se vê perspectiva semelhante para o povo da Guiné Equatorial nem para os povos comandados por outros ditadores amigos do presidente Lula.

segunda-feira, julho 05, 2010

A QUESTÃO DO EMOCIONAL


Confesso: não entendo muito de futebol. Pior que isso - o que é realmente imperdoável para um brasileiro -: não sou muito fã de bola. Não torço para nenhum time, nem acompanho nenhum campeonato. Mesmo a Copa do Mundo não me causa muito emoção (a última que acompanhei com real interesse foi também a primeira a que assisti pela televisão, em 1982, quando eu tinha oito anos de idade; desde então, Copa do Mundo para mim é algo tão emocionante quanto um campeonato de sinuca ou de peteca). Por isso jamais levei a sério o papo idiota da "pátria de chuteiras". Acho, aliás, que esse pensamento, a identificação da nacionalidade com onze marmanjos de camiseta e calção, é um dos aspectos mais nefastos de qualquer país.

O futebol é uma bobagem. Como, aliás, qualquer esporte. Nenhum país fica melhor, nenhum povo se torna mais educado, porque a seleção nacional ganhou a Copa do Mundo, ou porque seus atletas conquistaram o maior número de medalhas em uma Olimpíada. Se têm alguma dúvida, vejam quantas medalhas olímpicas ganhava a antiga Alemanha Oriental, um regime comunista, e comparem com quantas medalhas ganhava a capitalista Alemanha Ocidental, muito mais desenvolvida. Uma das Olimpíadas mais vistosas já realizadas foi a de Berlim, em 1936, que Hitler transformou em palco para a propaganda nazista. Guerras já foram deflagradas por uma partida de futebol, como sabem os antigos iugoslavos e Honduras e El Salvador. Hoje vivemos uma onda de euforia irracional porque o Brasil irá sediar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada. O México sediou uma Olimpíada e duas Copas do Mundo, e nem por isso virou um paraíso. Hoje, está mais para um inferno do tráfico de drogas.

Como disse, o futebol é uma bobagem. Se déssemos às falcatruas dos políticos 1/3 da atenção que dispensamos às declarações de Dunga ou aos dribles de Ronaldo Fenômeno - sem falar nos escândalos com travestis e marias-chuteiras -, o governo já teria caído há muito tempo. O futebol é o ópio do povo. E é a alegria dos cartolas e espertalhões que já estão esfregando as mãos com a perspectiva de boas ladroagens em 2014. Sem falar dos politiqueiros de plantão, sempre prontos a capitalizar em cima de vitórias esportivas. Lula resolveu visitar vários países da África justamente na época da Copa da África do Sul. Ele queria estar presente à final do campeonato. Com a eliminação do Brasil diante da Holanda, é duvidoso que ele vá comparecer.

Aqui é que entro com o meu, digamos, pitaco de (mau) torcedor. Quem assistiu ao jogo entre Brasil e Holanda viu mais do que futebol. Viu uma equipe que vinha se preparando com disciplina militar por um treinador belicoso e inimigo da imprensa desmoronar por motivos alheios à técnica futebolística. Depois de um primeiro tempo quase perfeito, que parecia até mesmo prenunciar uma goleada sobre os holandeses, o que se viu foi um espetáculo lamentável de despreparo mental. Bastou um gol de empate numa falha da defesa para que a seleção brasileira virasse geléia. Incapaz de lidar com as constantes provocações e pipocagens do time adversário, os temperamentais jogadores brasileiros deixaram escapar todo seu destempero, toda sua falta de controle emocional. Arregaram.

O vexame é ainda maior quando comparado com a atuação de outras seleções. No dia seguinte à desclassificação do Brasil, ainda de ressaca, os brasileiros tiveram algum consolo na eliminação da Argentina. Mesmo perdendo de 4 a 0 para a Alemanha, a seleção de Maradona e Messi, atrevo-me a dizer, saiu da Copa com dignidade. Com a cabeça erguida. Os brasileiros, ao contrário, saíram da pior maneira possível. E não me refiro somente ao gol contra e ao descontrole de Felipe Melo. À diferença do time de Dunga, a Argentina tomou de quatro e foi recebida com festa em Buenos Aires. Nossos outros vizinhos sul-americanos, mesmo perdendo ou na iminência de perder, também souberam manter a cabeça no lugar. O Paraguai desperdiçou um pênalti contra a Espanha, que também perdeu um dois minutos depois, e nenhum dos dois times se descompôs em campo. O Uruguai, em desvantagem no último minuto da prorrogação contra Gana, teve sangue-frio suficiente para reverter a situação e faturar nos pênaltis. Fico imaginando o que fariam os jogadores brasileiros, como Kaká ou Robinho, se tivessem perdido uma penalidade máxima. Não sabemos perder. Muito menos ganhar.

A verdade é que damos importância demais ao futebol. Para nós, vencer uma Copa do Mundo, ou mesmo uma partida amistosa, é uma questão de vida e morte. De segurança nacional. Da vitória ou da derrota em campo depende nosso humor, até mesmo nosso orgulho como povo. É como se o país não existisse sem o futebol. Isso demonstra como somos atrasados. O Brasil já viveu só de açúcar ou de café. Hoje vive da jabulani.

Mais que isso, é no futebol que se evidenciam nossos maiores defeitos, nossas taras nacionais mais arraigadas. Se vencemos uma partida, isso é motivo para que aflore todo nosso ufanismo, toda nossa megalomania e provincianismo - quase sempre, as duas coisas vêm juntas -, todo nosso complexo de vira-latas disfarçado. Se, ao contrário, o time perde, é motivo para a mais profunda prostração, um sentimento de zé-ninguem quase insuportável. Um psicólogo diria tratar-se de um caso clássico de esquizofrenia, ou de transtorno de personalidade bipolar, manifestado sazonalmente.

Não quero parecer chato ou estraga-prazeres - em minha terra se chama "corta-lombra" -, mas a verdade é que, pelos motivos acima, sou indiferente a que o Brasil ganhe ou não a Copa do Mundo. Estou me lixando se o Brasil for hexacampeão. Esse tipo de oba-oba não faz meu gênero. Muito mais interessante seria acompanhar o destino do dinheiro público nas obras da Copa de 2014 ou da Olimpíada de 2016. Certamente, teríamos - teremos - motivos de sobra para nos envergonharmos. É mais chato, eu sei, mas quem disse que a verdade é sempre agradável?
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(Aliás, por falar em chatice, nada mais chato do que as horas e horas perdidas de discussão inútil em insuportáveis mesas-redondas, essa invenção tipicamente brasileira, uma conversa de boteco em que um bando de marmanjos - e, nos últimos tempos, também mulheres - dão vazão à mais completa falta de assunto. Sem falar nas crônicas em tom de poesia, a "literatura de estádio", tão chata quanto uma vuvuzela.)

"O futebol é só um jogo", repetiam a cada dois minutos os locutores depois do fracasso da seleção brasileira. Mentira. O futebol não é só um jogo. É o reflexo do caráter de um povo. Os próprios locutores sabem disso. Tanto que, se a seleção brasileira tivesse saído vitoriosa, estariam berrando slogans ufanistas. Como perdeu - e perdeu de forma vergonhosa -, tentam pôr panos quentes e racionalizar a derrota.

O descontrole emocional dos jogadores brasileiros é uma síntese do descontrole psicológico dos brasileiros, um povo cordial, que se deixa levar pelas emoções, em geral pelas baixas emoções, e não pela razão. Aliás, é exatamente isso que significa a palavra cordial, tal como definida por Sérgio Buarque de Holanda. Cordial não por ser polido ou cortês, mas por deixar-se levar por aparências, ou colocar geralmente a bile à frente dos neurônios. Isso fica claro na política, por exemplo. Por aqui, falar mal de um demagogo ignorante com intenções caudilhescas e megalomaníacas que governa como um animador de auditório é um crime de lesa-pátria. É... O futebol é realmente um espelho da nação.

quinta-feira, julho 01, 2010

A ENORME CONTRIBUIÇÃO DA SÍRIA PARA A PAZ MUNDIAL


Lula encontrou-se ontem com Bashar al-Assad, presidente da Síria. Discutiram, segundo está nos jornais, assuntos relativos ao Oriente Médio. Lula, como se sabe, tem um interesse especial na região. Tanto que já patrocinou um "acordo" com a Turquia e o Irã para permitir que este último continue a enriquecer urânio para seu programa nuclear secreto destinado a destruir Israel. Inclusive ele se opõe a sanções internacionais contra Mahmoud Ahmadinejad. Lula já chamou árabes de turcos, e confundiu árabes com persas. Lula é um gênio.

O que discutiram, exatamente, Lula e seu colega sírio? A paz. Mais especificamente, a paz entre palestinos e israelenses, que, segundo Lula e al-Assad, só poderá ser alcançada no dia em que Israel acabar com o bloqueio a Gaza e deixar de colocar em prática sua política de assentamentos. Para Lula e al-Assad, a paz na região depende unicamente de Israel.

Muito bem. Qual a contribuição da Síria para a paz no Oriente Médio? Eis algumas de suas credenciais:

- Tentou destruir Israel três vezes, em 1948, 1967 e 1973 - e perdeu em todas;

- Invadiu o Líbano em 1976, patrocinando diversos grupos terroristas que infernizaram o país nas décadas seguintes;
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- Em 2005, seus serviços secretos mataram, em um atentado à bomba, o primeiro-ministro do Líbano, Rafik Hariri, conforme relatório da ONU. No atentado, em que morreram 21 pessoas, foram usados 1000kg de explosivos;
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- Dá apoio total ao Hezbollah no Líbano e ao Hamas na Faixa de Gaza. Nem o Hezbollah nem o Hamas querem saber de uma solução de dois estados na região, mas, sim, aniquilar Israel e implantar um Estado islâmico.

Além do que está acima, Bashar al-Assad, filho de Hafez al-Assad, que governou a Síria com mão de ferro durante trinta anos, ostenta alguns títulos portentosos. Segundo a revista Foreign Policy, por exemplo, ele ocupa a 12a posição no ranking dos piores ditadores do mundo. O regime que comanda é aliado próximo do Irã de Mahmoud Ahmadinejad, e é acusado de alguns milhares de mortes de opositores políticos. Ele, Bashar al-Assad, não dá qualquer sinal de que irá permitir eleições livres e deixar o poder um dia. Deve ser por isso que Lula o identificou como um interlocutor confiável, ao contrário de Israel.

Em sua visita ao Brasil, Bashar al-Assad repetiu o mantra de que apóia o princípio da "terra por paz". Muita gente acredita, sinceramente ou não, que se Israel devolver os territórios ocupados desde 1967 haverá paz na região. A rigor, essa questão está resolvida desde 1993, quando Yitzhak Rabin e Yasser Arafat assinaram os acordos de Oslo reconhecendo o direito à existência de dois estados - um palestino e um israelense. Mas al-Assad, que não referendou os acordos de Oslo, parece acreditar, assim como Lula, que a solução para o problema da paz e da guerra na região depende exclusivamente de Israel. Cabem a eles, portanto, responder as seguintes perguntas:

- Em 2000, Israel se dispôs, perante a Autoridade Nacional Palestina (à época, comandada por Yasser Arafat), a devolver 95% da Cisjordânia, em nome do princípio de "terra por paz". O que houve em seguida? Mais paz ou mais guerra?

- No mesmo ano de 2000, também em nome do princípio da "terra por paz", Israel se retirou do sul do Líbano. O que fez então o Hezbollah, que controla a região? Paz ou guerra?

- Em 2005, o governo israelense do brucutu Ariel Sharon ordenou a retirada, unilateral e incondicional, de todos - todos! - os colonos judeus da Faixa de Gaza, entregando o controle do território inteiramente aos palestinos. Foi a maior operação do tipo "terra por paz" já ocorrida na região. Pois bem. O que houve depois? O Hamas deixou de lançar mísseis contra Israel?

"Terra por paz", né? Sei... Até o momento, está mais para "terra por bombas". Será assim pelo menos até que os inimigos jurados de Israel, como o Hezbollah e o Hamas - patrocinados pela Síria de Bashar al-Assad - desistam de sua intenção declarada de varrer Israel do mapa, como também quer o negador do Holocausto Mahmoud Ahmadinejad. Será assim até que desistam do terrorismo.

Ah sim! Na conversa que tiveram, Lula e al-Assad não falaram no terrorismo do Hamas e do Hezbollah. Também não falaram sobre a necessidade de se reconhecer o direito de Israel existir.

Ao final do encontro que teve com Lula em Brasília, Bashar al-Assad se disse "muito grato" pela posição do governo brasileiro em relação ao Oriente Médio. Faz todo sentido.
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É com esse tipo de humanista que o governo Lula trata. Seria ridículo, se não fosse também sangrento.

quarta-feira, junho 30, 2010

HONDURAS: UM ANO DE UMA FARSA GROTESCA


Ontem fez um ano do início de uma das maiores palhaçadas de que se tem notícia na história da América Latina. Em 29/06/2009, Manuel Zelaya, presidente de Honduras, foi destituído por ordem do Congresso e do Judiciário por ter tentado dar um golpe na Constituição do país. Ele foi deposto por tentar impor uma consulta ilegal e inconstitucional, que lhe permitiria eternizar-se no poder. Queria simplesmente governar o país como governa uma de suas fazendas.

O que fez o governo do Brasil, ao lado de Hugo Chávez da Venezuela e de Daniel Ortega da Nicarágua? Denunciaram o "golpe" - das instituições hondurenhas, não de Zelaya - e exigiram o retorno imediato e incondicional do golpista bolivariano ao poder.

O governo brasileiro, seguindo a orientação do Foro de São Paulo, foi mais além: patrocinou a volta clandestina de Zelaya a Honduras e o abrigou na embaixada em Tegucigalpa, a qual foi transformada, nos meses seguintes, em palanque político do candidato a ditador. Começou, assim, uma das maiores chanchadas de todos os tempos.
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Tenho muito orgulho do que escrevi sobre Honduras. Quem quiser, pode pesquisar no blog. Desde o dia mesmo do "golpe" - que só foi golpe na cabeça dos bolivarianos e de seus amigos -, mostrei aqui o que quase ninguém se dispôs a ver: que Zelaya foi deposto legalmente, de acordo com o que está na Constituição que ele tentou violar - em especial seu artigo 239. Mostrei - provei, para usar a palavra certa - que a atitude do governo Lula, ao permitir que Zelaya se instalasse na embaixada do Brasil em Tegucigalpa e a usasse como um quartel-general para instigar a insurreição e a guerra civil no país, era uma clara violação do direito internacional e da soberania de Honduras. Enquanto isso, o país, tal qual aldeia gaulesa, resistia à hostilidade internacional, puxada pelos bolivarianos frustrados e ressentidos, sofrendo um bloqueio diplomático que Cuba, por exemplo, não sofre atualmente. Durante dias, semanas e meses, fiquei em minoria, eu e mais uma meia dúzia de blogueiros, apontando esses fatos. Cada xingamento que recebi, cada ofensa que me lançaram, deixam-me ainda mais orgulhoso.

Em Honduras, o povo, a sociedade civil, as instituições democráticas, botaram um freio nas ambições caudilhescas de um demagogo bolivariano. Em nome da lei, com a lei, pela lei, enxotaram quem não a respeita. O governo Lula, por sua vez, entregou-se a um dos papéis mais lamentáveis e vergonhosos a que um governo já se prestou no exterior. Tentou aparecer como uma potência imperialista e terminou como cúmplice de uma farsa dos bolivarianos.
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Em Honduras, a turma do Foro de São Paulo tentou empurrar goela abaixo de todos um golpista como se fosse um democrata, enquanto rotulava democratas de golpistas. Contaram, para tanto, com a ajuda, no começo, de um governo Obama desorientado e de uma imprensa embasbacada. Tentaram, enfim, inverter a realidade, conseguindo enganar muitos desavisados no caminho. Mas, no final, perderam miseravelmente. Hoje, Honduras segue em frente, com as liberdades garantidas e as instituições preservadas. O mesmo não pode ser dito de outros países do continente, com voz ativa na ONU e na OEA, e que avançam rumo ao abismo totalitário. Pelo menos na pequena república da América Central, a democracia venceu. O mundo venceu.

Resta agora aos povos de Venezuela, Equador, Bolívia e Nicarágua, sem falar numa certa república mais ao sul, fazer com que o exemplo de Honduras não se torne exceção. Mas, a se depender do que se chama opinião pública nesses países, em especial no Brasil, os golpistas bolivarianos continuarão ainda a enganar os incautos. Sempre haverá idiotas úteis que se deixarão levar pela conversa mole dos inimigos da democracia. Em Honduras, ao menos, a razão prevaleceu.

CARTAS MARCADAS


Sou de direita. Isso significa que, segundo nos foi ensinado desde as fraldas, sou um reacionário, um bandido, um criminoso, um ser desprezível, um cão raivoso. Significa támbém que, como afirmou Lula outro dia, sou um troglodita, a quem deve ser negado qualquer espaço na política, ou mesmo o direito de existir. Só me resta, para ter algum lugar ao sol, converter-me ao lulismo, como fizeram alguns notórios trogloditas, como Collor e Maluf, hoje fiéis companheiros.

Como direitista, sou também bastante influente. Mando em todos os jornais e canais de rádio e TV, sem falar na internet, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Sou um multibilionário, e minha voz se faz ouvir por meio de uma multidão de jornalistas a meu soldo, bem como de políticos que comem na minha mão. A mídia e as instituições me pertencem, são uma extensão de minhas propriedades e interesses pessoais. Enfim, mando e desmando, como dizem por aí.

Pois é. Faço parte da "zelite", sou um dos donos do mundo. Então, por que não tenho nenhum candidato a presidente da República? Por que não estou representado por nenhum deles?

Se sou assim tão influente, se a direita é mesmo tão poderosa quanto dizem, como explicar que as eleições presidenciais no Brasil sejam uma disputa entre esquerdistas, com agendas e discursos tão semelhantes? Se minhas idéias são as dominantes, por que nenhum candidato as defende?

A resposta é óbvia: porque essa estória de "direita brasileira", de políticos "de direita", de "poder econômico" etc., não passa de conversa mole para boi dormir. Não é mais do que uma invenção para esconder a vigarice da companheirada. Se as eleições no Brasil provam alguma coisa, é que não existe direita organizada no Brasil. Infelizmente.
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Se alguém domina a vida política, intelectual e cultural no Brasil, não é a direita. É a esquerda. As eleições são um momento em que isso fica claro como água. Como um autêntico troglodita de direita, ou seja, como alguém que não reza pela cartilha da esquerda ou da centro-esquerda, e que acha que as alternativas políticas não se limitam à polarização PT-PSDB, sinto-me terrivelmente órfão a cada eleição presidencial no Brasil. A cada quatro anos, vemos e ouvimos o mesmo discurso, os mesmos slogans, até os mesmos rostos, competindo entre si para ver quem é mais de esquerda, e acusando o outro de não ser esquerdista o suficiente. Tem sido assim desde, pelo menos, 1994 (em 1989, tivemos Collor, mas dizer que esse era de direita é como dizer que Pinochet era um democrata; hoje, Collor bate ponto na base alugada do governo Lula). Em todas as vezes em que fui obrigado a votar, anulei meu voto. Por pura falta de opção. Sinto que neste ano não será diferente.

Como já afirmei outras vezes, vigora, no Brasil, um duopólio esquerdista, com petistas e tucanos disputando quem é mais estatizante, mais socializante, mais antiliberal. Na televisão, Dilma Rousseff se apresenta como a fiadora da política econômica do governo, que por sua vez foi herdada dos tucanos (que, por sua vez, como demonsta a relutância destes em defender abertamente as privatizações da época de FHC, fizeram-no com vergonha, quase pedindo desculpas). Enquanto isso, Serra se esforça para mostrar-se como mais desenvolvimentista do que Dilma (o que de fato é) e convencer a todos que irá manter o Bolsa-Família. Até na propaganda os dois estão parecidos, com a campanha de Serra quase copiando a ladainha demagógica do outro lado ("lutou contra a ditadura", "vem de família pobre" etc.). Onde está uma segunda opção?
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Vivemos uma espécie de reedição da política do café-com-leite, desta vez ideológica. Houve um tempo, na República Velha, em que paulistas e mineiros se revezavam na Presidência da República. Depois, o rodízio passou a ser entre generais e generais. Hoje, é entre petistas e tucanos. Ou seja: entre mais e menos esquerda. Qualquer que seja o vitorioso nas urnas em 3 de outubro, já há uma certeza: o próximo ocupante do Palácio do Planalto será um esquerdista.

Neste ano, esse teatro terá um novo ator. Melhor dizendo: uma atriz, que, não por acaso, vem também das fileiras esquerdistas. Marina Silva é a queridinha dos moderninhos, representante da esquerda ecológica. Nela votarão muitos bem-nascidos, muitos antigos eleitores do PT, decepcionados com a "traição" de Lula e de seu partido (ser esquerdista, me convenço cada vez mais, é sempre se sentir traído por alguém). O diferencial de Marina, digamos assim, é a questão do meio-ambiente. Quanto ao resto, é mais do mesmo, com pouca variação, inclusive no quesito "filha de família pobre" etc. (pelo menos ela não repetiu a boçalidade de seu ex-chefe, pois, ao contrário deste, ela estudou). Ela até já está se anunciando como a "outra Silva". Parece que ser de origem humilde, ter cara de coitadinho e ser de esquerda são o requisito fundamental para ser candidato a presidente no Brasil. E a direita, onde está?

Ante essa situação, o eleitor que não se identifica com petistas ou tucanos (ou verdes) só tem duas alternativas: anular o voto ou tapar o nariz e eleger o menos ruim de todos, no caso, Serra. É o chamado "voto útil" ou "voto por exclusão". É isso ou desperdiçar o voto em algum Cacareco ou Macaco Tião, um desses malucos que pipocam de quatro em quatro anos, por um partido nanico e reivindicando ser o "voto de protesto", e que em geral entram nessa apenas porque estão doidos para fazer parte da farra, crescendo à margem do mainstream. Há espaço inclusive para a extrema esquerda, com suas propostas que seriam apenas ridículas, se não fossem totalitárias. Mas nenhum candidato declaradamente de direita. Isso mostra a pobreza ideológica das candidaturas.

A ausência de uma opção política que vá além dos velhos chavões esquerdistas é gritante no Brasil. A coisa mais parecida com um candidato de direita que vi até agora foi um tal Mário de Oliveira. A chance de Mário de Oliveira ser eleito presidente da República é zero. Seu partido, o nanico PTdoB, cujo símbolo é um coraçãozinho verde-amarelo, é uma piada. Ontem, Mário de Oliveira desistiu de sua candidatura. Fez bem.


Muita gente, já totalmente ganha pela propaganda esquerdista, está comemorando esse fenômeno, como fez o próprio Lula. Acham que é um sinal de "progresso". É o contrário! A falta de candidatos de direita, ou mesmo de centro-direita, na disputa presidencial é um sinal não de progresso, mas de indigência. De empobrecimento da política. Pior que isso: é algo péssimo para a democracia. Cria um vácuo perigoso, que pode ser preenchido com soluções - aí sim a palavra se aplica - reacionárias e fascistas. Todo país sério, todo lugar que se preze, tem pelo menos um partido forte de direita. É assim na Alemanha, na França, na Itália, na Inglaterra, nos EUA - e é assim também em países vizinhos da América Latina, como o Chile, que recentemente trocou uma presidente de esquerda por um politico de direita, e está seguindo em frente. Além de garantir a alternância no poder, base mesma da democracia, a existência de partidos sólidos de direita é algo essencial para o pluralismo político, para o debate de idéias. Estatismo ou liberalismo, por exemplo. Em outros países, esse debate está bem avançado. No Brasil, ele sequer existe.
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A ausência de partidos e candidatos de direita leva à ausência de debate, e esta, ao inverso da pluralidade, à uniformidade ideológica. É esse o cimento com o qual se construíram os regimes totalitários. Por aqui, falar em privatizações, como bem sabem os tucanos, é um tabu. Por aqui, quem se disser abertamente de direita arrisca-se a ser alijado do convívio social, como se fosse um leproso. Toda direita é golpista, ensina Lula a seus devotos, e todos assinam embaixo. O resultado é uma forma de ditadura mental, em que discordar - no caso, não ser de esquerda - torna-se um pecado ou um crime. Em poucos lugares a expressão "pensamento único" teve tanto sentido quanto no Brasil de hoje.

Uma propaganda do José Serra na TV pega carona na onda da Copa do Mundo e defende a troca do PT pelo PSDB no governo como se fosse a substituição de um jogador por outro numa partida de futebol. A mensagem é que o jogador que não está rendendo deve ser substituído etc. Quase ninguém percebeu, mas se trata de uma confissão de cumplicidade. Afinal, só se substitui quem joga no mesmo time.
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E, antes que me acusem, pela enésima vez, de ser um reaça odiento, um brucutu antidemocrático, militante da TFP e membro do PIG - "partido da imprensa golpista", ou o que valha -, é bom lembrar: Winston Churchill, Ronald Reagan e João Paulo II eram de direita. Já Josef Stálin, Mao Tsé-tung e Pol Pot eram de esquerda.
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Sem a direita, as eleições viram um jogo de cartas marcadas. Como é pobre e atrasada a política no Brasil!

segunda-feira, junho 28, 2010

ONDE ESTÁ IARA LEE?


Notícia de hoje, do site da Folha de S. Paulo:

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Militantes incendeiam acampamento de verão da ONU em Gaza

DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Atiradores palestinos mascarados atearam fogo nesta segunda-feira a um acampamento de verão da ONU (Organização das Nações Unidas) na faixa de Gaza, disseram autoridades e testemunhas. Este foi o segundo ataque do tipo em pouco mais de um mês.

Cerca de 25 militantes invadiram a unidade de recreação e atacaram guardas de segurança antes de incendiar uma das construções, disse o porta-voz da ONU, Adnan Abu Hasna.

Em 23 de maio, atiradores incendiaram um prédio depois de acusar as Nações Unidas de promoverem a imoralidade no território que está sob domínio islâmico.

John Ging, diretor para operações na faixa de Gaza da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados palestinos (UNRWA, na sigla em inglês), disse que o ataque foi um "ato covarde e desprezível".

"A UNRWA irá reconstruir o acampamento imediatamente e continuará seu programa de jogos verão que é tão importante para o bem-estar físico e psicológico das crianças de Gaza, muitas das quais estão estressadas e traumatizadas por suas circunstâncias e experiências", disse ele em comunicado.

Em grave crise financeira, a agência presta serviços a 4,7 milhões de refugiados palestinos no mundo árabe e organiza a cada ano acampamentos de verão na praia mediterrânea de Gaza, território controlado pelo grupo islâmico palestino Hamas desde 2007. No acampamento, cerca de 250 mil crianças podem participar de oficinas de artes, esportes e outras atividades.

Ninguém reivindicou a autoria do ataque, assim como ocorreu no primeiro incêndio, mas é provável que tenha sido ataque de extremistas islâmicos que se opõem aos acampamentos da ONU como anti-islâmicos.

Dois dias antes do primeiro ataque, um grupo militante autointitulado "Os Livres da Pátria" divulgou um comunicado criticando a UNRWA por "ensinar ginástica, dança e imoralidade a meninas".

Muçulmanos fundamentalistas, ou Salafis -- cujo objetivo de uma guerra global ou santa contra o Ocidente entra em conflito com os objetivos nacionalistas do Hamas -- aumentaram os ataques contra a faixa de Gaza nos últimos meses, tendo como alvo guardas de seguranças e sedes do grupo.

O Hamas também aumentou a repressão contra comportamentos e eventos que considera imorais e em abril enviou suas forças de segurança para interromper o primeiro grande show de hip-hop em Gaza.

O Hamas tomou o poder da faixa de Gaza das mãos do movimento secular Fatah, do presidente palestino, Mahmoud Abbas, durante confrontos em 2007. Israel, junto com Egito, fortaleceu o bloqueio sobre o território tomado pelo Hamas.

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Comentário
E agora, cadê os protestos internacionais? Onde está a onda mundial de protesto e revolta? Cadê as notas de repúdio e os manifestantes queimando bandeiras do Islã radical?
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Quando alguma ONG turca humanista e pacifista irá organizar um comboio humanitário com facas e porretes contra esse ato covarde e desprezível? E a cineasta brasileira Iara Lee, será que vai fazer uma superprodução sobre a violência dos salafistas? (E olha que os ataques foram contra a ONU, que, como mostram os fatos, está ao lado do Hamas em Gaza contra Israel.)
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Ou será que - não, aí já seria demais, mesmo para esse pessoal - vão culpar Israel e o governo direitista de Benjamin Netanyahu por esse ato também? Sei lá, é bem possível. Afinal, os judeus são os culpados por tudo de ruim que existe, não é mesmo?
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A pergunta é: se fosse um míssil israelense que tivesse atingido alguma escola ou hospital da ONU em Gaza - como NÃO aconteceu em 2009 -, será que a repercussão teria sido a mesma?
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Cadê a onda de indignação mundial? Cadê? Cadê?

sexta-feira, junho 18, 2010

JOSÉ SARAMAGO: A MORTE DE UM CEGO


Dizem que dos mortos não se deve falar, muito menos se é para se falar mal. Dizem também que a morte melhora as pessoas. Tenho sérias dúvidas quanto à primeira afirmação, e discordo radicalmente da segunda. Há heróis que morrem uma morte miserável e canalhas que perecem heroicamente e/ou cobertos de glória, e isso não muda absolutamente nada do que foram ou do que fizeram em vida. De fato, a morte, salvo as exceções de praxe, não melhora nem redime ninguém. Ocorre, muitas vezes, o contrário: em alguns casos, à medida que se vai conhecendo melhor e mais profundamente os detalhes da vida do defunto, a admiração ou a simples reverência que geralmente é de praxe manter nesses casos dá lugar à decepção, até mesmo ao asco. É o caso de José Saramago, escritor português ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, falecido nesta sexta-feira, 18 de junho.

Sei, sei. Dirão alguns que não é de bom-tom dissecar o cadáver em pleno velório, se não por condolências à família, pelo menos por respeito e educação. Mas é preciso abrir uma exceção, haja visto o clima de unanimidade besta que se criou em torno do escritor lusitano após seu falecimento. Além do mais, estou certo de que Saramago não faria qualquer objeção a essa minha intenção necrófila. Certamente, como ateu e comunista, ele não teria esse escrúpulo pequeno-burguês.

Que fique claro. Não falo aqui do Saramago escritor, que pouco li (tentei encarar A História do Cerco de Lisboa, mas parei lá pelo meio do livro, desestimulado pelo estilo ilegível e pela ausência de vírgulas e de parágrafos). Por esse motivo não vou entrar em disputas ou picuinhas literárias. Falo, sim, do "crítico da sociedade". Ou, se preferirem, do "polemista" Saramago, tão ou mais celebrado do que o autor de A Jangada de Pedra e de Ensaio sobre a Cegueira. Este último, aliás, virou filme, o que mostra que mesmo um anticapitalista ferrenho como Saramago não conseguiu resistir às sereias de Hollywood. Mas divago.

Nos obituários que já estão circulando pela internet, assim como nas inevitáveis homenagens que virão daqui para a frente, algumas das palavras mais repetidas são/serão "lúcido", "humanista" etc. Haverá inclusive quem dirá, em tom de puro panegírico, que o morto era um defensor de causas justas e louváveis. Como é comum acontecer nesses casos, tentarão inventar um outro Saramago, feito somente de virtudes, e a hagiografia tomará o lugar da biografia. A nota do Itamaraty que li há pouco dá bem o tom do que se lerá nos próximos dias: logo após lamentar a morte do escritor, esta elogia sua "conduta pessoal" e o enaltece como "um exemplo de atuação engajada em favor de um mundo mais justo".

Esperem aí. Lúcido? Defensor de um mundo mais justo? Têm certeza de que estamos falando da mesma pessoa? Do mesmo Saramago?

Ora, nenhum desses adjetivos se ajusta ao biografado. Saramago podia ser tudo, até um escritor de talento. Mas daí a dizer-se que era um paradigma de lucidez e de justiça, convenham, vai uma distância intransponível. Para começo de conversa - e isso ele fazia questão de que não esquecessem -, ele era comunista. Assim como Oscar Niemeyer, era um admirador do Gulag e de Stálin. E, assim como o arquiteto brasileiro, recusava-se a mudar. Em uma entrevista em 2009, ele chegou a se definir como um "comunista hormonal", o que me dá mais um motivo para considerar o comunismo uma espécie de doença, talvez das glândulas. Em outra ocasião, ele disparou todo seu pessimismo, afirmando que "a humanidade não merece viver". Nesse sentido, é forçoso admitir, ele também estava falando mais como comunista do que como literato: afinal, os regimes que Saramago considerava paradigmas do humanismo, como o de Stálin na ex-URSS, o de Mao Tsé-tung na China e o de seu ícone Fidel Castro em Cuba, também pensavam do mesmo jeito que ele. Tanto que deixaram atrás de si um rastro de 100 milhões de cadáveres. Assim como era comunista, Saramago carecia totalmente de qualquer noção histórica. Em 2002, ele comparou a situação dos palestinos a Auschwitz (!). (Posso até vê-lo naquele navio turco do comboio dos amigos do Hamas, investindo contra os soldados israelenses com uma faca e um porrete, em nome da "paz"...)

Mesmo quando parecia ter alguns laivos de lucidez - o que era raro -, Saramago revelava seu apreço pelo dogmatismo. Assim ocorreu em março de 2003, quando a tirania de Fidel Castro, um de seus ídolos, fuzilou três pobres-diabos que tentaram fugir da ilha-prisão do Caribe. "Até aqui eu fui", declarou então Saramago, dando a entender que os milhares de fuzilados pelo regime castrista em mais de quarenta anos de ditadura não haviam causado qualquer peso em sua consciência. De qualquer modo, ele deu a muitos a esperança de que tinha se rendido, finalmente, aos fatos. De que havia, enfim, aberto os olhos para a realidade do totalitarismo cubano. Poucos meses depois, porém, lá estava ele, abjurando sua abjuração anterior. É que, uma vez comunista, sempre comunista, se se é estúpido. Ou, como se dizia na época do stalinismo: entre acertar fora do Partido e errar com o Partido, é melhor ficar com a segunda opção...
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Saramago morreu aos 87 anos. Teve tempo de sobra para rever suas posições e se arrepender de erros do passado. Mas não o fez. Pelo contrário, ele se esforçou para desmentir, com o correr dos anos, o velho ditado de que ficamos mais sábios e serenos com a idade. Nos últimos tempos, Saramago havia se reduzido a um porta-voz e um tocador de tuba para Hugo Chávez e outros "altermundistas", como um Noam Chomski ou um Ignácio Ramonet da vida. Um fim melancólico para um homem que sempre cultivou a melancolia, poder-se-ia dizer.

Poderão afirmar que essa é uma visão limitada sobre Saramago, e que ele não pode ser avaliado unicamente por suas opções políticas etc. Pois eu digo que não se pode separar o Saramago-escritor do Saramago-militante, do Saramago admirador de ditaduras. Digo mais: grande parte de seu fã-clube, que é enorme tanto no Brasil quanto em Portugal, é devido não a suas obras literárias, mas a suas opiniões políticas. Foram estas, atrevo-me a dizer, mais até do que seus livros, o que levou a Academia Sueca a lhe premiar com o Nobel em 1998 (a lista de ganhadores do Nobel nos últimos tempos, como Harold Pinter e Doris Lessing, parece reforçar essa impressão; nem falo do Nobel da Paz, o mais festejado, em que o critério puramente político está acima de qualquer mérito - aí está Barack Obama para comprovar). Se Saramago fosse unicamente o autor de Memoral do Convento, O Evangelho Segundo Jesus Cristo ou de A Viagem do Elefante, ouso afirmar, dificilmente seria reconhecido fora de Portugal. O que o tornou realmente famoso foi sua posição ideológica. Nesse sentido, ele não diferiu muito de outros laureados com o Nobel que colocaram sua pena a serviço do totalitarismo, como Jean-Paul Sartre e Pablo Neruda.

Estou sendo crítico demais? Ainda bem. Somos demasiadamente respeitosos, excessivamente reverentes em relação aos escritores. Talvez por haver tão poucos. É um traço de nosso subdesenvolvimento mental. Tendemos a enxergar intelectuais e artistas como seres iluminados, quase deuses, dotados de uma razão superior, acima do bem e do mal, e não como feitos do mesmo barro dos demais mortais. Aliás, como demonstra a inutilidade pomposa chamada Academia Brasileira de Letras, eles seriam mesmo imortais, só faltando voar e andar sobre as águas. Daí a resistência, eu diria psicológica, em lembrar fatos desagradáveis de suas biografias. Politicamente, Saramago era um cretino, uma verdadeira besta, um bobalhão de babar na gravata. Alguém precisa dizê-lo. A bem da verdade. Do contrário, para que existe a palavra escrita?

A morte de qualquer pessoa, ainda mais de um escritor consagrado, é uma lástima. Mas nem por isso se deve fazer concessões à hagiografia e sacrificar a verdade. Se eu tivesse que escrever o epitáfio de Saramago, seria com estas palavras: Aqui jaz um intelectual, mas não um sábio. Ou: Aqui jaz um escritor, não um humanista. Esta é a maior homenagem que posso fazer a ele.

quarta-feira, junho 16, 2010

RESPONDENDO À IRRACIONALIDADE

Um ditado que ouvi há não sei quanto tempo diz que quem está dominado pela irracionalidade é imune a fatos e argumentos. Mas vamos lá. Provavelmente, não vai adiantar nada para quem escreveu o comentário. Mas ainda deve ter sobrado algum ser pensante no mundo.
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Postei aqui algumas fotos mostrando todo o "humanismo" do Hamas e de seus amigos da "ONG" turca que aprontou aquela presepada em alto-mar contra Israel, a que muitos idiotas, por pura repetição mecânica, passaram a se referir como o "ataque" israelense a uma "flotilha humanitária". Como eu imaginava, alguém, que prefere o conforto do anonimato - como é corajoso esse pessoal! -, não gostou. E, como não podia deixar de ser, me deu mais motivos para defender Israel contra quem, como Ahmadinejad e seus paus-mandados do Hamas, querem vê-lo destruído. Aí vai o comentário. Volto em seguida.
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Agora me diga porque você não colocou algumas fotos das milhares de familias palestina vivendo em estado de calamidade sem água e sem comida como um imenso campo de refugiados?
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Ou talvez dos milhares de palestinos mortos injustamente ou presos injustamente... Quem sabe você conhecedor como é do lado " bom " da humanidade, consegue uma foto dos proprios Israelenses que mataram o único presidente disposto a resolver o conflito, os pobres e indefesos Israelenses o mataram como prova de civilidade não é mesmo?
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Fico no aguardo de uma destas fotos se você se interessar.
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GUSTAVO RESPONDE
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Meu caro eqüino,
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Certamente você não se deu ao trabalho de ler o PS que escrevi a meu texto "A verdadeira cara dos 'pacifistas'. Ou: os companheiros de viagem do terrorismo". Vou transcrever para você:
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P.S.: Tenho certeza de que os adoradores do ódio, ou simples almas ingênuas, sentindo-se talvez indignados com as imagens acima, descartarão o texto e bombardearão este escriba com links para sites mostrando fotos aterradoras de "atrocidades israelenses" contra "o povo palestino" etc. Nos links, deverá constar, sem dúvida, alguma foto de uma criança palestina morta e a frase "este era um terrorista?" etc. etc. Se estão planejando isso, sinto desapontá-los. Poupem seu tempo, e o meu também. Já conheço todos os truques desse pessoal. Para me desacreditar, não é preciso fazer uso de nenhum recurso gráfico: basta responder alguma das questões colocadas acima. Se conseguirem me convencer, com fatos e lógica, que estou errado, que Israel não tem o direito de se defender, então me disponho a embarcar no primeiro "comboio humanitário" a Gaza que aparecer. Organizado ou não por amigos do Hamas. Tentem fazê-lo.
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Que questões são essas de que falo acima? Vou resumir:
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- O que uma "ONG" de "pacifistas" estava fazendo armando uma provocação anti-Israel em conluio com os terroristas do Hamas?
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- Por que mesmo é que existe o embargo de Israel à Faixa de Gaza?
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Tente responder. Se você conseguir, repito o que já escrevi em outro post: eu viro um militante radical anti-Israel e embarco no próximo "comboio humanitário do Hamas" para furar o bloqueio em Gaza.
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Agora vamos ao seu, er, digamos, comentário. Vou tentar não ser mordaz.
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Por que não coloquei fotos de palestinos vivendo em condições subumanas em algum campo de refugiados etc.? Taí uma boa questão. Eu deveria ter mesmo colocado. Deveria ter aproveitado e colocado a pergunta: você sabe quem é o culpado pelos palestinos viverem assim? Antes que algum parvo viesse berrar mecanicamente "Israel, Israel", eu escreveria na legenda: o que os países árabes, como o Egito ou a Síria, fizeram até hoje pelo bem-estar dos palestinos refugiados? (Nem falo das causas do bloqueio a Gaza, porque aí já seria covardia...).
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Aliás, uma pergunta: será que a alimária que escreveu o comentário sabe que governo matou mais palestinos até hoje? Israel? Não: a Jordânia!!! Isso mesmo. Em apenas um mês - setembro de 1970 - o governo jordaniano matou mais palestinos do que todos os que morreram em confronto com Israel desde 1948. Mas - que estranho! - ninguém fala nisso hoje em dia. Ninguém organiza "comboios humanitários" contra Amã. Por que será?
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Nossa... Então há "milhares" (sic) de palestinos mortos e presos injustamente, é? Ah, esses judeus malditos... Ops, digo, esses sionistas malvados... Talvez fosse melhor eles pararem de se defender dos humanistas do Hamas e do Hezbollah, que só querem - vejam só - varrer Israel do mapa... Talvez fosse melhor a polícia deixar de prender assassinos e traficantes. Aí sim, teríamos "paz", não é verdade?
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Vou fazer a vontade ao distinto leitor anencéfalo e mostrar uma foto "dos próprios israelenses que mataram o único presidente disposto a resolver o conflito, os pobres e indefesos israelenses o mataram como prova de civilidade não é mesmo?" Aí está:

O cidadão acima chama-se Yigal Amir, extremista israelense que matou a tiros o primeiro-ministro (e não presidente) de Israel Yitzhak Rabin, em 1995, e que desde então se encontra preso em Israel, condenado à prisão perpétua. Por que Rabin foi assassinado? Porque assinou a paz com Yasser Arafat, em 1993, logo depois que este renunciou ao terrorismo contra Israel e reconheceu seu direito à existência. O assassino, já escrevi aqui, agiu sozinho. Muito diferente do Hamas. Na mesma época da morte de Rabin, aliás, o Hamas desencadeou uma onda de atentados terroristas com homens-bomba contra alvos israelenses. Por quê? Porque, assim como Yigal Amir, o Hamas se opunha ao processo de paz na região. Porque se opunha à solução de dois Estados, um israelense e outro palestino. E continua a se opor, com foguetes e homens-bomba. E muita propaganda.

Agora observem essa outra foto:


A imagem mostra o momento em que o presidente do Egito, Anuar Sadat, era assassinado por terroristas islâmicos, durante uma parada militar no Cairo, em 06/10/1981. Por que Sadat foi assassinado? Porque foi - atenção! - o primeiro presidente árabe que teve a coragem de reconhecer o direito de Israel existir e assinar um acordo de paz com Israel, em 1979. Quem o matou? Algum árabe ou palestino isolado? Algum louco solitário, como Yigal Amir? Não: uma organização terrorista islamita, que tinha entre seus membros o atual número dois da Al Qaeda. Nos moldes do que é o Hamas hoje.

A morte de Yitzhak Rabin foi pranteada pelos israelenses, que o consideraram um herói da paz. Seu assassinato foi deplorado por todas as pessoas de bem do mundo. Já o assassinato de Sadat foi festejado nos territórios palestinos e em vários países árabes, onde os assassinos, e não Sadat, foram homenageados como mártires. Precisa dizer mais?

Além do mais, de onde o leitor tirou a conclusão de que Rabin foi "o único presidente (sic) disposto a resolver o conflito"? Então todos os demais líderes israelenses, desde Davi Ben-Gurion, passando por Golda Meir e Menahem Begin - que assinou a paz com o Egito - não tinham nenhum interesse em resolver o conflito? É isso? Então eles, os israelenses, vivem em guerra porque querem, porque gostam da guerra, e não porque o inimigo - no caso, o Hamas, o Hezbollah, o Irã - jurou exterminá-los? Então a paz não tem nada a ver com os inimigos de Israel reconhecerem seu direito de existir e renunciarem ao terrorismo, como fizeram Sadat em 79 e Arafat em 93?

Ainda assim, como a estupidez, ao contrário da inteligência, é infinita, alguém repetirá, pela enésima vez, que a culpa de todos os problemas no Oriente Médio é de Israel. Que o terrorismo do Hamas só existe por causa do bloqueio a Gaza etc. Nesse caso, proponho o seguinte:

Imaginem que Israel acabe amanhã com o bloqueio a Gaza. O que o Hamas faria? Abandonaria o terrorismo e seus militantes soltariam pombas e passariam a cantar, de mãos dadas, hinos de paz? (A resposta já foi dada: em 2005, Israel se retirou totalmente de Gaza. O que aconteceu depois? Os ataques com foguetes do Hamas a Israel diminuíram? Pelo contrário: triplicaram!!!)

Não acharam o exemplo acima o suficiente? Então imaginem que Israel se retire, total e incondicionalmente, de TODOS os territórios palestinos ocupados - como de fato o fez em Gaza, em 2005, ou do Líbano, em 2000. O terrorismo islamita cessaria?

Não estão convencidos ainda? Então vou mais além: imaginem que Israel deixe de existir. Isso mesmo. Imaginem que, amanhã, o Estado de Israel simplesmente não exista mais, e todos seus habitantes, sei lá, voltem para a Europa. A pergunta é: o Hamas, o Hezbollah, o Irã deporiam as armas e desistiriam da "jihad" contra os "infiéis" (ou seja: todos os não-muçulmanos)? Sim ou não?

Pois é. Se você entendeu as perguntas acima, você matou a charada do que realmente está em jogo no Oriente Médio. Se não entendeu, infelizmente é porque seu cérebro já virou pudim e você não sabe.
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Mas é inútil repetir tudo isso aqui. Para quem tem bosta de vaca onde deveria haver massa cinzenta, não há razão que dê jeito. Para esse tipo de gente, pensar é ofensivo.
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E, finalmente:
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Cadê o video sensacional que a brasileira Iara Lee disse que vai desmentir os videos divulgados por Israel e que iria ser o maior sucesso de todos os tempos? A pipoca já esfriou.