quarta-feira, julho 07, 2010

AS VÁRIAS CARAS DO LULO-PETISMO


Afinal, quantos programas tem a candidata Dilma Rousseff?

Todos acompanharam o imbroglio, no começo desta semana. Atendendo a um requisito judicial, os candidatos presidenciais protocolaram, junto à Justiça Eleitoral, seus respectivos programas de governo. A rigor, trata-se (ou deveria tratar-se) de uma mera formalidade, até porque, como sabe até o mais obscuro candidato a vereador em Pirapora do Bom Jesus, programa de governo é o que menos importa numa eleição no Brasil. Mas a trapalhada dos assessores da campanha da candidata Dilma Rousseff, ao entregarem o programa "errado" no TSE, e as declarações que a criatura de Lula fez para tentar justificar o episódio, mostraram até que ponto podem ir a dissimulação e a malandragem, quando se trata de ganhar votos e enganar os incautos.

A confusão ocorreu porque um assessor da campanha da petista à Presidência da República enviou, "por engano", um documento com propostas claramente totalitárias. O primeiro programa eleitoral entregue pelo PT ao TSE falava, entre outras coisas, em controlar a imprensa, proteger as invasões do MST, defender a legalização do aborto e rever a Lei de Anistia. O segundo, entregue logo depois, trazia um discurso bem mais ameno e palatável, expurgado dos pontos mais polêmicos. Ambos os textos trazem, bem legível, a assinatura de Dilma Vana Rousseff. Um deles é falso. Simplesmente os dois não podem ser verdadeiros.

O primeiro programa era quase uma cópia xerox do PNDH-3, o tal Programa Nacional dos Direitos Humanos, entregue na surdina a Lula no final de 2009, e também assinado pela então Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff. Na confusão, trocou-se às pressas um programa socialista por um programa para socialites. Instada a explicar o episódio bizarro, a candidata petista saiu-se com a seguinte afirmação, não menos bizarra: simplesmente não tinha lido o programa que foi ao TSE. Assinou sem ler. Mais: assinou não, "rubricou". Como deve ter apenas "rubricado" o PNDH-3, esqueceu-se de dizer...

Assinou (ou rubricou) não leu, o pau comeu, diz o ditado popular. Mas com os petistas parece ser diferente. Vou procurar no dicionário o significado da palavra rubricar. Se, como diz Dilma Rousseff, o sentido for algo parecido com assinar por assinar, assinar sem dar importância ao que está escrito, então vou lhe dar razão. Se, por exemplo, meu nome estiver no espaço reservado à assinatura de um cheque sem fundos, e o cobrador vier bater à minha porta se queixando, vou dizer o seguinte: não assinei, só rubriquei. E pronto. Se, mesmo assim, meu credor insistir em botar meu nome no SPC ou no SERASA, não vou me dar por vencido: é rubrica, não é assinatura. Não ouviu o que disse a Dilma?

Das duas uma: ou Dilma Rousseff está mentindo quando diz que o primeiro programa entregue ao TSE não reflete seu pensamento ou não está sendo sincera quando afirma que sua assinatura não vale nada. Caso esta última afirmação seja verdadeira, isso significa que sua firma no segundo programa entregue ao TSE, aquele feito para socialites, vale tanto quanto uma nota de 3 reais. Para qualquer ponto que se olhe, temos aí um caso de insinceridade confessa. Mas sabe o que é mais inacreditável nessa história toda? É que muita gente irá acreditar no que diz Dilma.

O caso dos dois programas da candidatura Dilma é apenas mais um no longuíssimo prontuário de esquizofrenia do PT. Desde que surgiu, em 1980, como uma espécie de nave-mãe das esquerdas, englobando desde intelectuais stalinistas e padres católicos adeptos da escatologia da escravidão (digo, "teologia da libertação"), até sindicalistas pragmáticos (como o próprio Lula), o partido não tem feito mais do que se esquivar de uma clara definição ideológica, oscilando entre um discurso radicalóide e bravateiro (quando na oposição) e uma retórica de madames (quando no governo). No mundo da política, já se chegou mesmo a dizer que isso é uma virtude, não um defeito, pois demonstraria o caráter "democrático" do partido que abriga inúmeras correntes e facções etc. Pois eu digo que esquizofrenia é defeito, sim. Traduzida em termos políticos, é mais do que um defeito: revela falta de caráter e de sinceridade, para dizer o mínimo. Aí está a candidata de programas Dilma Rousseff que não me deixa mentir.

Muitos esquerdistas radicais porém sinceros se sentem genuinamente traídos por Lula e pelo PT. E a opinião corrente e hegemônica é que eles têm razão ao se sentirem assim, principalmente em economia. Poucos parecem se importar, porém, com a traição dos companheiros no poder aos princípios da ética e da democracia, como fica claro na política externa, por exemplo. Preferem acreditar na ilusão do Lula e do PT "moderados", que conseguiram a "façanha" de "domar" os setores mais radicais e sectários da esquerda. Não percebem ou não querem perceber que, se no primeiro caso o discurso petista era um jogo de cena, no segundo caso não há qualquer motivo para pensar de modo diferente. A não ser que gostem de ser enganados. Mas aí já é um caso para a psiquiatria explicar.
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É evidente que esse bando de farofeiros ignorantes e incompetentes que são os petistas e seus aliados não vai fazer a revolução. É claro que Lula não é um novo Lênin, nem Dilma é uma Stálin de saias e botox. Com exceção de alguns jurássicos professores da USP ou deste ou daquele militante porralouca do PSTU, ninguém leva a sério esse trololó de luta de classes e de ditadura do proletariado. Mas isso não quer dizer que os petistas não possam tumultuar. Eles podem, usando os instrumentos que a democracia permite, minar suas bases, implantando o germe do totalitarismo. Basta, para tanto, que ninguém esteja olhando. Na Venezuela, por exemplo, esse processo está bastante avançado.
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Quando eu era um estudante radical, simpatizante de uma minúscula corrente trotskista, eu desconfiava de Lula e do PT. Achava seu discurso conciliador e duas-caras uma forma de "traição" à classe trabalhadora etc. Acreditava que ele, Lula, era um vendido aos patrões e que o PT era um partido social-democrata, comprometido com o sistema burguês. Eu desconfiava, enfim, da sinceridade dos petistas. Pois é. Eu estava certo pelos motivos errados. É preciso desconfiar sempre dos petistas, mas não porque eles não queiram fazer a "revolução". É porque a mentira está nos genes deles mesmo.

BOM NEGÓCIO PARA O DITADOR


"- Esse é dos meus! Eu agarântiu!"

Segue editorial do Estado de S. Paulo de hoje, 7/07. Para quem confunde pragmatismo com "negócios" e realismo com apoio a ditaduras.

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"Negócios são negócios”, disse o chanceler Celso Amorim para justificar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ditador Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, presidente da Guiné Equatorial há 31 anos. Esse longo período, iniciado com um golpe contra seu tio, Francisco Macías Nguema, foi para ele uma fase de grande prosperidade pessoal — de excelentes negócios, portanto. Tornou-se o oitavo governante mais rico do mundo, segundo a revista Forbes, graças a métodos não recomendados pelas escolas de administração: violência contra os opositores — incluindo o assassínio —, corrupção e estrito controle da vida política de seu país.
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O presidente Lula incluiu nos negócios com seu novo amigo o apoio à inclusão da Guiné Equatorial na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O comunicado conjunto emitido no final da visita menciona a satisfação do presidente Obiang por esse apoio. Os países da comunidade nada ganharão com o ingresso desse novo sócio. Mas uma ditadura conhecida por sua violência e pela corrupção ganhará mais um foro para se manifestar e mais espaço na cena internacional.
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Não se fala português na Guiné Equatorial, mas a diplomacia brasileira não se deixou impressionar por esse detalhe. Apesar de tudo, a língua portuguesa é um dos idiomas oficiais do país, por ato assinado em 2007 pelo ditador. Os portugueses chegaram à região em 1470. Logo depois apareceram espanhóis e ingleses. O controle ficou para a Espanha entre 1778 e 1968, ano da independência.
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A Guiné Equatorial já exporta petróleo para o Brasil e empresários brasileiros poderão participar de seus programas de obras. Essas transações correspondem ao sentido mais comum da palavra negócio. Será necessário muito mais que o interesse material para estimular o comércio e o investimento? Certamente não, mas o presidente brasileiro deve pensar o contrário.
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Além de usar a CPLP para facilitar seus “negócios” com o ditador da Guiné Equatorial, o presidente Lula emprestou seu nome a uma declaração com a seguinte preciosidade: “Os dois chefes de Estado reconheceram a importância da democracia para o desenvolvimento e renovaram sua continuada adesão aos princípios da democracia, ao respeito aos direitos humanos, ao Estado de Direito e à boa governabilidade política e econômica no marco da formulação de suas políticas nacionais de desenvolvimento.” Também isso é parte dos negócios?
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Nenhum jornalista pôde formular essa ou qualquer outra pergunta quando foi apresentado o comunicado conjunto. Lula e seu novo amigo, sentados lado a lado, ouviram um funcionário africano ler a declaração. Repórteres apenas assistiram à cerimônia, mas puderam conversar com o chanceler brasileiro, “Não estamos ajudando nem promovendo ditadura”, disse o ministro, classificando como “pregação moralista” as críticas à aproximação com o ditador.
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Não é o que os fatos mostram nem o que está no comunicado, no qual o governo brasileiro se dispõe a promover os interesses políticos de uma ditadura e a dar respeitabilidade a um governante conhecido por seu desprezo à democracia. Além de assumir o compromisso em relação à CPLP, convertida em objeto de “negócios”, o presidente Lula avalizou uma declaração do ditador Obiang a favor da democracia, do respeito aos direitos humanos e do Estado de Direito.
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“Quem resolve o problema de cada país é o povo de cada país”, acrescentou o ministro. Também essas palavras os fatos desmentem. Brasília interveio nos assuntos internos de Honduras, abrigando em sua embaixada um ex-presidente introduzido ilegalmente no país e permitindo-lhe atuar na política durante quase cinco meses. Pode-se discutir se a deposição de Zelaya foi ou não um golpe, embora determinada pelo Congresso e pela Corte Suprema. Há justificativas legais para os dois lados. Mas sobre a interferência brasileira não há dúvida. Quanto ao povo hondurenho, elegeu no fim do ano passado um novo governo, que o Itamaraty não reconhece enquanto o presidente deposto não for reintegrado à vida política nacional. Não se vê perspectiva semelhante para o povo da Guiné Equatorial nem para os povos comandados por outros ditadores amigos do presidente Lula.

segunda-feira, julho 05, 2010

A QUESTÃO DO EMOCIONAL


Confesso: não entendo muito de futebol. Pior que isso - o que é realmente imperdoável para um brasileiro -: não sou muito fã de bola. Não torço para nenhum time, nem acompanho nenhum campeonato. Mesmo a Copa do Mundo não me causa muito emoção (a última que acompanhei com real interesse foi também a primeira a que assisti pela televisão, em 1982, quando eu tinha oito anos de idade; desde então, Copa do Mundo para mim é algo tão emocionante quanto um campeonato de sinuca ou de peteca). Por isso jamais levei a sério o papo idiota da "pátria de chuteiras". Acho, aliás, que esse pensamento, a identificação da nacionalidade com onze marmanjos de camiseta e calção, é um dos aspectos mais nefastos de qualquer país.

O futebol é uma bobagem. Como, aliás, qualquer esporte. Nenhum país fica melhor, nenhum povo se torna mais educado, porque a seleção nacional ganhou a Copa do Mundo, ou porque seus atletas conquistaram o maior número de medalhas em uma Olimpíada. Se têm alguma dúvida, vejam quantas medalhas olímpicas ganhava a antiga Alemanha Oriental, um regime comunista, e comparem com quantas medalhas ganhava a capitalista Alemanha Ocidental, muito mais desenvolvida. Uma das Olimpíadas mais vistosas já realizadas foi a de Berlim, em 1936, que Hitler transformou em palco para a propaganda nazista. Guerras já foram deflagradas por uma partida de futebol, como sabem os antigos iugoslavos e Honduras e El Salvador. Hoje vivemos uma onda de euforia irracional porque o Brasil irá sediar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada. O México sediou uma Olimpíada e duas Copas do Mundo, e nem por isso virou um paraíso. Hoje, está mais para um inferno do tráfico de drogas.

Como disse, o futebol é uma bobagem. Se déssemos às falcatruas dos políticos 1/3 da atenção que dispensamos às declarações de Dunga ou aos dribles de Ronaldo Fenômeno - sem falar nos escândalos com travestis e marias-chuteiras -, o governo já teria caído há muito tempo. O futebol é o ópio do povo. E é a alegria dos cartolas e espertalhões que já estão esfregando as mãos com a perspectiva de boas ladroagens em 2014. Sem falar dos politiqueiros de plantão, sempre prontos a capitalizar em cima de vitórias esportivas. Lula resolveu visitar vários países da África justamente na época da Copa da África do Sul. Ele queria estar presente à final do campeonato. Com a eliminação do Brasil diante da Holanda, é duvidoso que ele vá comparecer.

Aqui é que entro com o meu, digamos, pitaco de (mau) torcedor. Quem assistiu ao jogo entre Brasil e Holanda viu mais do que futebol. Viu uma equipe que vinha se preparando com disciplina militar por um treinador belicoso e inimigo da imprensa desmoronar por motivos alheios à técnica futebolística. Depois de um primeiro tempo quase perfeito, que parecia até mesmo prenunciar uma goleada sobre os holandeses, o que se viu foi um espetáculo lamentável de despreparo mental. Bastou um gol de empate numa falha da defesa para que a seleção brasileira virasse geléia. Incapaz de lidar com as constantes provocações e pipocagens do time adversário, os temperamentais jogadores brasileiros deixaram escapar todo seu destempero, toda sua falta de controle emocional. Arregaram.

O vexame é ainda maior quando comparado com a atuação de outras seleções. No dia seguinte à desclassificação do Brasil, ainda de ressaca, os brasileiros tiveram algum consolo na eliminação da Argentina. Mesmo perdendo de 4 a 0 para a Alemanha, a seleção de Maradona e Messi, atrevo-me a dizer, saiu da Copa com dignidade. Com a cabeça erguida. Os brasileiros, ao contrário, saíram da pior maneira possível. E não me refiro somente ao gol contra e ao descontrole de Felipe Melo. À diferença do time de Dunga, a Argentina tomou de quatro e foi recebida com festa em Buenos Aires. Nossos outros vizinhos sul-americanos, mesmo perdendo ou na iminência de perder, também souberam manter a cabeça no lugar. O Paraguai desperdiçou um pênalti contra a Espanha, que também perdeu um dois minutos depois, e nenhum dos dois times se descompôs em campo. O Uruguai, em desvantagem no último minuto da prorrogação contra Gana, teve sangue-frio suficiente para reverter a situação e faturar nos pênaltis. Fico imaginando o que fariam os jogadores brasileiros, como Kaká ou Robinho, se tivessem perdido uma penalidade máxima. Não sabemos perder. Muito menos ganhar.

A verdade é que damos importância demais ao futebol. Para nós, vencer uma Copa do Mundo, ou mesmo uma partida amistosa, é uma questão de vida e morte. De segurança nacional. Da vitória ou da derrota em campo depende nosso humor, até mesmo nosso orgulho como povo. É como se o país não existisse sem o futebol. Isso demonstra como somos atrasados. O Brasil já viveu só de açúcar ou de café. Hoje vive da jabulani.

Mais que isso, é no futebol que se evidenciam nossos maiores defeitos, nossas taras nacionais mais arraigadas. Se vencemos uma partida, isso é motivo para que aflore todo nosso ufanismo, toda nossa megalomania e provincianismo - quase sempre, as duas coisas vêm juntas -, todo nosso complexo de vira-latas disfarçado. Se, ao contrário, o time perde, é motivo para a mais profunda prostração, um sentimento de zé-ninguem quase insuportável. Um psicólogo diria tratar-se de um caso clássico de esquizofrenia, ou de transtorno de personalidade bipolar, manifestado sazonalmente.

Não quero parecer chato ou estraga-prazeres - em minha terra se chama "corta-lombra" -, mas a verdade é que, pelos motivos acima, sou indiferente a que o Brasil ganhe ou não a Copa do Mundo. Estou me lixando se o Brasil for hexacampeão. Esse tipo de oba-oba não faz meu gênero. Muito mais interessante seria acompanhar o destino do dinheiro público nas obras da Copa de 2014 ou da Olimpíada de 2016. Certamente, teríamos - teremos - motivos de sobra para nos envergonharmos. É mais chato, eu sei, mas quem disse que a verdade é sempre agradável?
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(Aliás, por falar em chatice, nada mais chato do que as horas e horas perdidas de discussão inútil em insuportáveis mesas-redondas, essa invenção tipicamente brasileira, uma conversa de boteco em que um bando de marmanjos - e, nos últimos tempos, também mulheres - dão vazão à mais completa falta de assunto. Sem falar nas crônicas em tom de poesia, a "literatura de estádio", tão chata quanto uma vuvuzela.)

"O futebol é só um jogo", repetiam a cada dois minutos os locutores depois do fracasso da seleção brasileira. Mentira. O futebol não é só um jogo. É o reflexo do caráter de um povo. Os próprios locutores sabem disso. Tanto que, se a seleção brasileira tivesse saído vitoriosa, estariam berrando slogans ufanistas. Como perdeu - e perdeu de forma vergonhosa -, tentam pôr panos quentes e racionalizar a derrota.

O descontrole emocional dos jogadores brasileiros é uma síntese do descontrole psicológico dos brasileiros, um povo cordial, que se deixa levar pelas emoções, em geral pelas baixas emoções, e não pela razão. Aliás, é exatamente isso que significa a palavra cordial, tal como definida por Sérgio Buarque de Holanda. Cordial não por ser polido ou cortês, mas por deixar-se levar por aparências, ou colocar geralmente a bile à frente dos neurônios. Isso fica claro na política, por exemplo. Por aqui, falar mal de um demagogo ignorante com intenções caudilhescas e megalomaníacas que governa como um animador de auditório é um crime de lesa-pátria. É... O futebol é realmente um espelho da nação.

quinta-feira, julho 01, 2010

A ENORME CONTRIBUIÇÃO DA SÍRIA PARA A PAZ MUNDIAL


Lula encontrou-se ontem com Bashar al-Assad, presidente da Síria. Discutiram, segundo está nos jornais, assuntos relativos ao Oriente Médio. Lula, como se sabe, tem um interesse especial na região. Tanto que já patrocinou um "acordo" com a Turquia e o Irã para permitir que este último continue a enriquecer urânio para seu programa nuclear secreto destinado a destruir Israel. Inclusive ele se opõe a sanções internacionais contra Mahmoud Ahmadinejad. Lula já chamou árabes de turcos, e confundiu árabes com persas. Lula é um gênio.

O que discutiram, exatamente, Lula e seu colega sírio? A paz. Mais especificamente, a paz entre palestinos e israelenses, que, segundo Lula e al-Assad, só poderá ser alcançada no dia em que Israel acabar com o bloqueio a Gaza e deixar de colocar em prática sua política de assentamentos. Para Lula e al-Assad, a paz na região depende unicamente de Israel.

Muito bem. Qual a contribuição da Síria para a paz no Oriente Médio? Eis algumas de suas credenciais:

- Tentou destruir Israel três vezes, em 1948, 1967 e 1973 - e perdeu em todas;

- Invadiu o Líbano em 1976, patrocinando diversos grupos terroristas que infernizaram o país nas décadas seguintes;
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- Em 2005, seus serviços secretos mataram, em um atentado à bomba, o primeiro-ministro do Líbano, Rafik Hariri, conforme relatório da ONU. No atentado, em que morreram 21 pessoas, foram usados 1000kg de explosivos;
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- Dá apoio total ao Hezbollah no Líbano e ao Hamas na Faixa de Gaza. Nem o Hezbollah nem o Hamas querem saber de uma solução de dois estados na região, mas, sim, aniquilar Israel e implantar um Estado islâmico.

Além do que está acima, Bashar al-Assad, filho de Hafez al-Assad, que governou a Síria com mão de ferro durante trinta anos, ostenta alguns títulos portentosos. Segundo a revista Foreign Policy, por exemplo, ele ocupa a 12a posição no ranking dos piores ditadores do mundo. O regime que comanda é aliado próximo do Irã de Mahmoud Ahmadinejad, e é acusado de alguns milhares de mortes de opositores políticos. Ele, Bashar al-Assad, não dá qualquer sinal de que irá permitir eleições livres e deixar o poder um dia. Deve ser por isso que Lula o identificou como um interlocutor confiável, ao contrário de Israel.

Em sua visita ao Brasil, Bashar al-Assad repetiu o mantra de que apóia o princípio da "terra por paz". Muita gente acredita, sinceramente ou não, que se Israel devolver os territórios ocupados desde 1967 haverá paz na região. A rigor, essa questão está resolvida desde 1993, quando Yitzhak Rabin e Yasser Arafat assinaram os acordos de Oslo reconhecendo o direito à existência de dois estados - um palestino e um israelense. Mas al-Assad, que não referendou os acordos de Oslo, parece acreditar, assim como Lula, que a solução para o problema da paz e da guerra na região depende exclusivamente de Israel. Cabem a eles, portanto, responder as seguintes perguntas:

- Em 2000, Israel se dispôs, perante a Autoridade Nacional Palestina (à época, comandada por Yasser Arafat), a devolver 95% da Cisjordânia, em nome do princípio de "terra por paz". O que houve em seguida? Mais paz ou mais guerra?

- No mesmo ano de 2000, também em nome do princípio da "terra por paz", Israel se retirou do sul do Líbano. O que fez então o Hezbollah, que controla a região? Paz ou guerra?

- Em 2005, o governo israelense do brucutu Ariel Sharon ordenou a retirada, unilateral e incondicional, de todos - todos! - os colonos judeus da Faixa de Gaza, entregando o controle do território inteiramente aos palestinos. Foi a maior operação do tipo "terra por paz" já ocorrida na região. Pois bem. O que houve depois? O Hamas deixou de lançar mísseis contra Israel?

"Terra por paz", né? Sei... Até o momento, está mais para "terra por bombas". Será assim pelo menos até que os inimigos jurados de Israel, como o Hezbollah e o Hamas - patrocinados pela Síria de Bashar al-Assad - desistam de sua intenção declarada de varrer Israel do mapa, como também quer o negador do Holocausto Mahmoud Ahmadinejad. Será assim até que desistam do terrorismo.

Ah sim! Na conversa que tiveram, Lula e al-Assad não falaram no terrorismo do Hamas e do Hezbollah. Também não falaram sobre a necessidade de se reconhecer o direito de Israel existir.

Ao final do encontro que teve com Lula em Brasília, Bashar al-Assad se disse "muito grato" pela posição do governo brasileiro em relação ao Oriente Médio. Faz todo sentido.
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É com esse tipo de humanista que o governo Lula trata. Seria ridículo, se não fosse também sangrento.

quarta-feira, junho 30, 2010

HONDURAS: UM ANO DE UMA FARSA GROTESCA


Ontem fez um ano do início de uma das maiores palhaçadas de que se tem notícia na história da América Latina. Em 29/06/2009, Manuel Zelaya, presidente de Honduras, foi destituído por ordem do Congresso e do Judiciário por ter tentado dar um golpe na Constituição do país. Ele foi deposto por tentar impor uma consulta ilegal e inconstitucional, que lhe permitiria eternizar-se no poder. Queria simplesmente governar o país como governa uma de suas fazendas.

O que fez o governo do Brasil, ao lado de Hugo Chávez da Venezuela e de Daniel Ortega da Nicarágua? Denunciaram o "golpe" - das instituições hondurenhas, não de Zelaya - e exigiram o retorno imediato e incondicional do golpista bolivariano ao poder.

O governo brasileiro, seguindo a orientação do Foro de São Paulo, foi mais além: patrocinou a volta clandestina de Zelaya a Honduras e o abrigou na embaixada em Tegucigalpa, a qual foi transformada, nos meses seguintes, em palanque político do candidato a ditador. Começou, assim, uma das maiores chanchadas de todos os tempos.
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Tenho muito orgulho do que escrevi sobre Honduras. Quem quiser, pode pesquisar no blog. Desde o dia mesmo do "golpe" - que só foi golpe na cabeça dos bolivarianos e de seus amigos -, mostrei aqui o que quase ninguém se dispôs a ver: que Zelaya foi deposto legalmente, de acordo com o que está na Constituição que ele tentou violar - em especial seu artigo 239. Mostrei - provei, para usar a palavra certa - que a atitude do governo Lula, ao permitir que Zelaya se instalasse na embaixada do Brasil em Tegucigalpa e a usasse como um quartel-general para instigar a insurreição e a guerra civil no país, era uma clara violação do direito internacional e da soberania de Honduras. Enquanto isso, o país, tal qual aldeia gaulesa, resistia à hostilidade internacional, puxada pelos bolivarianos frustrados e ressentidos, sofrendo um bloqueio diplomático que Cuba, por exemplo, não sofre atualmente. Durante dias, semanas e meses, fiquei em minoria, eu e mais uma meia dúzia de blogueiros, apontando esses fatos. Cada xingamento que recebi, cada ofensa que me lançaram, deixam-me ainda mais orgulhoso.

Em Honduras, o povo, a sociedade civil, as instituições democráticas, botaram um freio nas ambições caudilhescas de um demagogo bolivariano. Em nome da lei, com a lei, pela lei, enxotaram quem não a respeita. O governo Lula, por sua vez, entregou-se a um dos papéis mais lamentáveis e vergonhosos a que um governo já se prestou no exterior. Tentou aparecer como uma potência imperialista e terminou como cúmplice de uma farsa dos bolivarianos.
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Em Honduras, a turma do Foro de São Paulo tentou empurrar goela abaixo de todos um golpista como se fosse um democrata, enquanto rotulava democratas de golpistas. Contaram, para tanto, com a ajuda, no começo, de um governo Obama desorientado e de uma imprensa embasbacada. Tentaram, enfim, inverter a realidade, conseguindo enganar muitos desavisados no caminho. Mas, no final, perderam miseravelmente. Hoje, Honduras segue em frente, com as liberdades garantidas e as instituições preservadas. O mesmo não pode ser dito de outros países do continente, com voz ativa na ONU e na OEA, e que avançam rumo ao abismo totalitário. Pelo menos na pequena república da América Central, a democracia venceu. O mundo venceu.

Resta agora aos povos de Venezuela, Equador, Bolívia e Nicarágua, sem falar numa certa república mais ao sul, fazer com que o exemplo de Honduras não se torne exceção. Mas, a se depender do que se chama opinião pública nesses países, em especial no Brasil, os golpistas bolivarianos continuarão ainda a enganar os incautos. Sempre haverá idiotas úteis que se deixarão levar pela conversa mole dos inimigos da democracia. Em Honduras, ao menos, a razão prevaleceu.

CARTAS MARCADAS


Sou de direita. Isso significa que, segundo nos foi ensinado desde as fraldas, sou um reacionário, um bandido, um criminoso, um ser desprezível, um cão raivoso. Significa támbém que, como afirmou Lula outro dia, sou um troglodita, a quem deve ser negado qualquer espaço na política, ou mesmo o direito de existir. Só me resta, para ter algum lugar ao sol, converter-me ao lulismo, como fizeram alguns notórios trogloditas, como Collor e Maluf, hoje fiéis companheiros.

Como direitista, sou também bastante influente. Mando em todos os jornais e canais de rádio e TV, sem falar na internet, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Sou um multibilionário, e minha voz se faz ouvir por meio de uma multidão de jornalistas a meu soldo, bem como de políticos que comem na minha mão. A mídia e as instituições me pertencem, são uma extensão de minhas propriedades e interesses pessoais. Enfim, mando e desmando, como dizem por aí.

Pois é. Faço parte da "zelite", sou um dos donos do mundo. Então, por que não tenho nenhum candidato a presidente da República? Por que não estou representado por nenhum deles?

Se sou assim tão influente, se a direita é mesmo tão poderosa quanto dizem, como explicar que as eleições presidenciais no Brasil sejam uma disputa entre esquerdistas, com agendas e discursos tão semelhantes? Se minhas idéias são as dominantes, por que nenhum candidato as defende?

A resposta é óbvia: porque essa estória de "direita brasileira", de políticos "de direita", de "poder econômico" etc., não passa de conversa mole para boi dormir. Não é mais do que uma invenção para esconder a vigarice da companheirada. Se as eleições no Brasil provam alguma coisa, é que não existe direita organizada no Brasil. Infelizmente.
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Se alguém domina a vida política, intelectual e cultural no Brasil, não é a direita. É a esquerda. As eleições são um momento em que isso fica claro como água. Como um autêntico troglodita de direita, ou seja, como alguém que não reza pela cartilha da esquerda ou da centro-esquerda, e que acha que as alternativas políticas não se limitam à polarização PT-PSDB, sinto-me terrivelmente órfão a cada eleição presidencial no Brasil. A cada quatro anos, vemos e ouvimos o mesmo discurso, os mesmos slogans, até os mesmos rostos, competindo entre si para ver quem é mais de esquerda, e acusando o outro de não ser esquerdista o suficiente. Tem sido assim desde, pelo menos, 1994 (em 1989, tivemos Collor, mas dizer que esse era de direita é como dizer que Pinochet era um democrata; hoje, Collor bate ponto na base alugada do governo Lula). Em todas as vezes em que fui obrigado a votar, anulei meu voto. Por pura falta de opção. Sinto que neste ano não será diferente.

Como já afirmei outras vezes, vigora, no Brasil, um duopólio esquerdista, com petistas e tucanos disputando quem é mais estatizante, mais socializante, mais antiliberal. Na televisão, Dilma Rousseff se apresenta como a fiadora da política econômica do governo, que por sua vez foi herdada dos tucanos (que, por sua vez, como demonsta a relutância destes em defender abertamente as privatizações da época de FHC, fizeram-no com vergonha, quase pedindo desculpas). Enquanto isso, Serra se esforça para mostrar-se como mais desenvolvimentista do que Dilma (o que de fato é) e convencer a todos que irá manter o Bolsa-Família. Até na propaganda os dois estão parecidos, com a campanha de Serra quase copiando a ladainha demagógica do outro lado ("lutou contra a ditadura", "vem de família pobre" etc.). Onde está uma segunda opção?
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Vivemos uma espécie de reedição da política do café-com-leite, desta vez ideológica. Houve um tempo, na República Velha, em que paulistas e mineiros se revezavam na Presidência da República. Depois, o rodízio passou a ser entre generais e generais. Hoje, é entre petistas e tucanos. Ou seja: entre mais e menos esquerda. Qualquer que seja o vitorioso nas urnas em 3 de outubro, já há uma certeza: o próximo ocupante do Palácio do Planalto será um esquerdista.

Neste ano, esse teatro terá um novo ator. Melhor dizendo: uma atriz, que, não por acaso, vem também das fileiras esquerdistas. Marina Silva é a queridinha dos moderninhos, representante da esquerda ecológica. Nela votarão muitos bem-nascidos, muitos antigos eleitores do PT, decepcionados com a "traição" de Lula e de seu partido (ser esquerdista, me convenço cada vez mais, é sempre se sentir traído por alguém). O diferencial de Marina, digamos assim, é a questão do meio-ambiente. Quanto ao resto, é mais do mesmo, com pouca variação, inclusive no quesito "filha de família pobre" etc. (pelo menos ela não repetiu a boçalidade de seu ex-chefe, pois, ao contrário deste, ela estudou). Ela até já está se anunciando como a "outra Silva". Parece que ser de origem humilde, ter cara de coitadinho e ser de esquerda são o requisito fundamental para ser candidato a presidente no Brasil. E a direita, onde está?

Ante essa situação, o eleitor que não se identifica com petistas ou tucanos (ou verdes) só tem duas alternativas: anular o voto ou tapar o nariz e eleger o menos ruim de todos, no caso, Serra. É o chamado "voto útil" ou "voto por exclusão". É isso ou desperdiçar o voto em algum Cacareco ou Macaco Tião, um desses malucos que pipocam de quatro em quatro anos, por um partido nanico e reivindicando ser o "voto de protesto", e que em geral entram nessa apenas porque estão doidos para fazer parte da farra, crescendo à margem do mainstream. Há espaço inclusive para a extrema esquerda, com suas propostas que seriam apenas ridículas, se não fossem totalitárias. Mas nenhum candidato declaradamente de direita. Isso mostra a pobreza ideológica das candidaturas.

A ausência de uma opção política que vá além dos velhos chavões esquerdistas é gritante no Brasil. A coisa mais parecida com um candidato de direita que vi até agora foi um tal Mário de Oliveira. A chance de Mário de Oliveira ser eleito presidente da República é zero. Seu partido, o nanico PTdoB, cujo símbolo é um coraçãozinho verde-amarelo, é uma piada. Ontem, Mário de Oliveira desistiu de sua candidatura. Fez bem.


Muita gente, já totalmente ganha pela propaganda esquerdista, está comemorando esse fenômeno, como fez o próprio Lula. Acham que é um sinal de "progresso". É o contrário! A falta de candidatos de direita, ou mesmo de centro-direita, na disputa presidencial é um sinal não de progresso, mas de indigência. De empobrecimento da política. Pior que isso: é algo péssimo para a democracia. Cria um vácuo perigoso, que pode ser preenchido com soluções - aí sim a palavra se aplica - reacionárias e fascistas. Todo país sério, todo lugar que se preze, tem pelo menos um partido forte de direita. É assim na Alemanha, na França, na Itália, na Inglaterra, nos EUA - e é assim também em países vizinhos da América Latina, como o Chile, que recentemente trocou uma presidente de esquerda por um politico de direita, e está seguindo em frente. Além de garantir a alternância no poder, base mesma da democracia, a existência de partidos sólidos de direita é algo essencial para o pluralismo político, para o debate de idéias. Estatismo ou liberalismo, por exemplo. Em outros países, esse debate está bem avançado. No Brasil, ele sequer existe.
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A ausência de partidos e candidatos de direita leva à ausência de debate, e esta, ao inverso da pluralidade, à uniformidade ideológica. É esse o cimento com o qual se construíram os regimes totalitários. Por aqui, falar em privatizações, como bem sabem os tucanos, é um tabu. Por aqui, quem se disser abertamente de direita arrisca-se a ser alijado do convívio social, como se fosse um leproso. Toda direita é golpista, ensina Lula a seus devotos, e todos assinam embaixo. O resultado é uma forma de ditadura mental, em que discordar - no caso, não ser de esquerda - torna-se um pecado ou um crime. Em poucos lugares a expressão "pensamento único" teve tanto sentido quanto no Brasil de hoje.

Uma propaganda do José Serra na TV pega carona na onda da Copa do Mundo e defende a troca do PT pelo PSDB no governo como se fosse a substituição de um jogador por outro numa partida de futebol. A mensagem é que o jogador que não está rendendo deve ser substituído etc. Quase ninguém percebeu, mas se trata de uma confissão de cumplicidade. Afinal, só se substitui quem joga no mesmo time.
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E, antes que me acusem, pela enésima vez, de ser um reaça odiento, um brucutu antidemocrático, militante da TFP e membro do PIG - "partido da imprensa golpista", ou o que valha -, é bom lembrar: Winston Churchill, Ronald Reagan e João Paulo II eram de direita. Já Josef Stálin, Mao Tsé-tung e Pol Pot eram de esquerda.
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Sem a direita, as eleições viram um jogo de cartas marcadas. Como é pobre e atrasada a política no Brasil!

segunda-feira, junho 28, 2010

ONDE ESTÁ IARA LEE?


Notícia de hoje, do site da Folha de S. Paulo:

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Militantes incendeiam acampamento de verão da ONU em Gaza

DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Atiradores palestinos mascarados atearam fogo nesta segunda-feira a um acampamento de verão da ONU (Organização das Nações Unidas) na faixa de Gaza, disseram autoridades e testemunhas. Este foi o segundo ataque do tipo em pouco mais de um mês.

Cerca de 25 militantes invadiram a unidade de recreação e atacaram guardas de segurança antes de incendiar uma das construções, disse o porta-voz da ONU, Adnan Abu Hasna.

Em 23 de maio, atiradores incendiaram um prédio depois de acusar as Nações Unidas de promoverem a imoralidade no território que está sob domínio islâmico.

John Ging, diretor para operações na faixa de Gaza da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados palestinos (UNRWA, na sigla em inglês), disse que o ataque foi um "ato covarde e desprezível".

"A UNRWA irá reconstruir o acampamento imediatamente e continuará seu programa de jogos verão que é tão importante para o bem-estar físico e psicológico das crianças de Gaza, muitas das quais estão estressadas e traumatizadas por suas circunstâncias e experiências", disse ele em comunicado.

Em grave crise financeira, a agência presta serviços a 4,7 milhões de refugiados palestinos no mundo árabe e organiza a cada ano acampamentos de verão na praia mediterrânea de Gaza, território controlado pelo grupo islâmico palestino Hamas desde 2007. No acampamento, cerca de 250 mil crianças podem participar de oficinas de artes, esportes e outras atividades.

Ninguém reivindicou a autoria do ataque, assim como ocorreu no primeiro incêndio, mas é provável que tenha sido ataque de extremistas islâmicos que se opõem aos acampamentos da ONU como anti-islâmicos.

Dois dias antes do primeiro ataque, um grupo militante autointitulado "Os Livres da Pátria" divulgou um comunicado criticando a UNRWA por "ensinar ginástica, dança e imoralidade a meninas".

Muçulmanos fundamentalistas, ou Salafis -- cujo objetivo de uma guerra global ou santa contra o Ocidente entra em conflito com os objetivos nacionalistas do Hamas -- aumentaram os ataques contra a faixa de Gaza nos últimos meses, tendo como alvo guardas de seguranças e sedes do grupo.

O Hamas também aumentou a repressão contra comportamentos e eventos que considera imorais e em abril enviou suas forças de segurança para interromper o primeiro grande show de hip-hop em Gaza.

O Hamas tomou o poder da faixa de Gaza das mãos do movimento secular Fatah, do presidente palestino, Mahmoud Abbas, durante confrontos em 2007. Israel, junto com Egito, fortaleceu o bloqueio sobre o território tomado pelo Hamas.

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Comentário
E agora, cadê os protestos internacionais? Onde está a onda mundial de protesto e revolta? Cadê as notas de repúdio e os manifestantes queimando bandeiras do Islã radical?
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Quando alguma ONG turca humanista e pacifista irá organizar um comboio humanitário com facas e porretes contra esse ato covarde e desprezível? E a cineasta brasileira Iara Lee, será que vai fazer uma superprodução sobre a violência dos salafistas? (E olha que os ataques foram contra a ONU, que, como mostram os fatos, está ao lado do Hamas em Gaza contra Israel.)
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Ou será que - não, aí já seria demais, mesmo para esse pessoal - vão culpar Israel e o governo direitista de Benjamin Netanyahu por esse ato também? Sei lá, é bem possível. Afinal, os judeus são os culpados por tudo de ruim que existe, não é mesmo?
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A pergunta é: se fosse um míssil israelense que tivesse atingido alguma escola ou hospital da ONU em Gaza - como NÃO aconteceu em 2009 -, será que a repercussão teria sido a mesma?
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Cadê a onda de indignação mundial? Cadê? Cadê?

sexta-feira, junho 18, 2010

JOSÉ SARAMAGO: A MORTE DE UM CEGO


Dizem que dos mortos não se deve falar, muito menos se é para se falar mal. Dizem também que a morte melhora as pessoas. Tenho sérias dúvidas quanto à primeira afirmação, e discordo radicalmente da segunda. Há heróis que morrem uma morte miserável e canalhas que perecem heroicamente e/ou cobertos de glória, e isso não muda absolutamente nada do que foram ou do que fizeram em vida. De fato, a morte, salvo as exceções de praxe, não melhora nem redime ninguém. Ocorre, muitas vezes, o contrário: em alguns casos, à medida que se vai conhecendo melhor e mais profundamente os detalhes da vida do defunto, a admiração ou a simples reverência que geralmente é de praxe manter nesses casos dá lugar à decepção, até mesmo ao asco. É o caso de José Saramago, escritor português ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, falecido nesta sexta-feira, 18 de junho.

Sei, sei. Dirão alguns que não é de bom-tom dissecar o cadáver em pleno velório, se não por condolências à família, pelo menos por respeito e educação. Mas é preciso abrir uma exceção, haja visto o clima de unanimidade besta que se criou em torno do escritor lusitano após seu falecimento. Além do mais, estou certo de que Saramago não faria qualquer objeção a essa minha intenção necrófila. Certamente, como ateu e comunista, ele não teria esse escrúpulo pequeno-burguês.

Que fique claro. Não falo aqui do Saramago escritor, que pouco li (tentei encarar A História do Cerco de Lisboa, mas parei lá pelo meio do livro, desestimulado pelo estilo ilegível e pela ausência de vírgulas e de parágrafos). Por esse motivo não vou entrar em disputas ou picuinhas literárias. Falo, sim, do "crítico da sociedade". Ou, se preferirem, do "polemista" Saramago, tão ou mais celebrado do que o autor de A Jangada de Pedra e de Ensaio sobre a Cegueira. Este último, aliás, virou filme, o que mostra que mesmo um anticapitalista ferrenho como Saramago não conseguiu resistir às sereias de Hollywood. Mas divago.

Nos obituários que já estão circulando pela internet, assim como nas inevitáveis homenagens que virão daqui para a frente, algumas das palavras mais repetidas são/serão "lúcido", "humanista" etc. Haverá inclusive quem dirá, em tom de puro panegírico, que o morto era um defensor de causas justas e louváveis. Como é comum acontecer nesses casos, tentarão inventar um outro Saramago, feito somente de virtudes, e a hagiografia tomará o lugar da biografia. A nota do Itamaraty que li há pouco dá bem o tom do que se lerá nos próximos dias: logo após lamentar a morte do escritor, esta elogia sua "conduta pessoal" e o enaltece como "um exemplo de atuação engajada em favor de um mundo mais justo".

Esperem aí. Lúcido? Defensor de um mundo mais justo? Têm certeza de que estamos falando da mesma pessoa? Do mesmo Saramago?

Ora, nenhum desses adjetivos se ajusta ao biografado. Saramago podia ser tudo, até um escritor de talento. Mas daí a dizer-se que era um paradigma de lucidez e de justiça, convenham, vai uma distância intransponível. Para começo de conversa - e isso ele fazia questão de que não esquecessem -, ele era comunista. Assim como Oscar Niemeyer, era um admirador do Gulag e de Stálin. E, assim como o arquiteto brasileiro, recusava-se a mudar. Em uma entrevista em 2009, ele chegou a se definir como um "comunista hormonal", o que me dá mais um motivo para considerar o comunismo uma espécie de doença, talvez das glândulas. Em outra ocasião, ele disparou todo seu pessimismo, afirmando que "a humanidade não merece viver". Nesse sentido, é forçoso admitir, ele também estava falando mais como comunista do que como literato: afinal, os regimes que Saramago considerava paradigmas do humanismo, como o de Stálin na ex-URSS, o de Mao Tsé-tung na China e o de seu ícone Fidel Castro em Cuba, também pensavam do mesmo jeito que ele. Tanto que deixaram atrás de si um rastro de 100 milhões de cadáveres. Assim como era comunista, Saramago carecia totalmente de qualquer noção histórica. Em 2002, ele comparou a situação dos palestinos a Auschwitz (!). (Posso até vê-lo naquele navio turco do comboio dos amigos do Hamas, investindo contra os soldados israelenses com uma faca e um porrete, em nome da "paz"...)

Mesmo quando parecia ter alguns laivos de lucidez - o que era raro -, Saramago revelava seu apreço pelo dogmatismo. Assim ocorreu em março de 2003, quando a tirania de Fidel Castro, um de seus ídolos, fuzilou três pobres-diabos que tentaram fugir da ilha-prisão do Caribe. "Até aqui eu fui", declarou então Saramago, dando a entender que os milhares de fuzilados pelo regime castrista em mais de quarenta anos de ditadura não haviam causado qualquer peso em sua consciência. De qualquer modo, ele deu a muitos a esperança de que tinha se rendido, finalmente, aos fatos. De que havia, enfim, aberto os olhos para a realidade do totalitarismo cubano. Poucos meses depois, porém, lá estava ele, abjurando sua abjuração anterior. É que, uma vez comunista, sempre comunista, se se é estúpido. Ou, como se dizia na época do stalinismo: entre acertar fora do Partido e errar com o Partido, é melhor ficar com a segunda opção...
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Saramago morreu aos 87 anos. Teve tempo de sobra para rever suas posições e se arrepender de erros do passado. Mas não o fez. Pelo contrário, ele se esforçou para desmentir, com o correr dos anos, o velho ditado de que ficamos mais sábios e serenos com a idade. Nos últimos tempos, Saramago havia se reduzido a um porta-voz e um tocador de tuba para Hugo Chávez e outros "altermundistas", como um Noam Chomski ou um Ignácio Ramonet da vida. Um fim melancólico para um homem que sempre cultivou a melancolia, poder-se-ia dizer.

Poderão afirmar que essa é uma visão limitada sobre Saramago, e que ele não pode ser avaliado unicamente por suas opções políticas etc. Pois eu digo que não se pode separar o Saramago-escritor do Saramago-militante, do Saramago admirador de ditaduras. Digo mais: grande parte de seu fã-clube, que é enorme tanto no Brasil quanto em Portugal, é devido não a suas obras literárias, mas a suas opiniões políticas. Foram estas, atrevo-me a dizer, mais até do que seus livros, o que levou a Academia Sueca a lhe premiar com o Nobel em 1998 (a lista de ganhadores do Nobel nos últimos tempos, como Harold Pinter e Doris Lessing, parece reforçar essa impressão; nem falo do Nobel da Paz, o mais festejado, em que o critério puramente político está acima de qualquer mérito - aí está Barack Obama para comprovar). Se Saramago fosse unicamente o autor de Memoral do Convento, O Evangelho Segundo Jesus Cristo ou de A Viagem do Elefante, ouso afirmar, dificilmente seria reconhecido fora de Portugal. O que o tornou realmente famoso foi sua posição ideológica. Nesse sentido, ele não diferiu muito de outros laureados com o Nobel que colocaram sua pena a serviço do totalitarismo, como Jean-Paul Sartre e Pablo Neruda.

Estou sendo crítico demais? Ainda bem. Somos demasiadamente respeitosos, excessivamente reverentes em relação aos escritores. Talvez por haver tão poucos. É um traço de nosso subdesenvolvimento mental. Tendemos a enxergar intelectuais e artistas como seres iluminados, quase deuses, dotados de uma razão superior, acima do bem e do mal, e não como feitos do mesmo barro dos demais mortais. Aliás, como demonstra a inutilidade pomposa chamada Academia Brasileira de Letras, eles seriam mesmo imortais, só faltando voar e andar sobre as águas. Daí a resistência, eu diria psicológica, em lembrar fatos desagradáveis de suas biografias. Politicamente, Saramago era um cretino, uma verdadeira besta, um bobalhão de babar na gravata. Alguém precisa dizê-lo. A bem da verdade. Do contrário, para que existe a palavra escrita?

A morte de qualquer pessoa, ainda mais de um escritor consagrado, é uma lástima. Mas nem por isso se deve fazer concessões à hagiografia e sacrificar a verdade. Se eu tivesse que escrever o epitáfio de Saramago, seria com estas palavras: Aqui jaz um intelectual, mas não um sábio. Ou: Aqui jaz um escritor, não um humanista. Esta é a maior homenagem que posso fazer a ele.

quarta-feira, junho 16, 2010

RESPONDENDO À IRRACIONALIDADE

Um ditado que ouvi há não sei quanto tempo diz que quem está dominado pela irracionalidade é imune a fatos e argumentos. Mas vamos lá. Provavelmente, não vai adiantar nada para quem escreveu o comentário. Mas ainda deve ter sobrado algum ser pensante no mundo.
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Postei aqui algumas fotos mostrando todo o "humanismo" do Hamas e de seus amigos da "ONG" turca que aprontou aquela presepada em alto-mar contra Israel, a que muitos idiotas, por pura repetição mecânica, passaram a se referir como o "ataque" israelense a uma "flotilha humanitária". Como eu imaginava, alguém, que prefere o conforto do anonimato - como é corajoso esse pessoal! -, não gostou. E, como não podia deixar de ser, me deu mais motivos para defender Israel contra quem, como Ahmadinejad e seus paus-mandados do Hamas, querem vê-lo destruído. Aí vai o comentário. Volto em seguida.
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Agora me diga porque você não colocou algumas fotos das milhares de familias palestina vivendo em estado de calamidade sem água e sem comida como um imenso campo de refugiados?
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Ou talvez dos milhares de palestinos mortos injustamente ou presos injustamente... Quem sabe você conhecedor como é do lado " bom " da humanidade, consegue uma foto dos proprios Israelenses que mataram o único presidente disposto a resolver o conflito, os pobres e indefesos Israelenses o mataram como prova de civilidade não é mesmo?
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Fico no aguardo de uma destas fotos se você se interessar.
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GUSTAVO RESPONDE
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Meu caro eqüino,
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Certamente você não se deu ao trabalho de ler o PS que escrevi a meu texto "A verdadeira cara dos 'pacifistas'. Ou: os companheiros de viagem do terrorismo". Vou transcrever para você:
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P.S.: Tenho certeza de que os adoradores do ódio, ou simples almas ingênuas, sentindo-se talvez indignados com as imagens acima, descartarão o texto e bombardearão este escriba com links para sites mostrando fotos aterradoras de "atrocidades israelenses" contra "o povo palestino" etc. Nos links, deverá constar, sem dúvida, alguma foto de uma criança palestina morta e a frase "este era um terrorista?" etc. etc. Se estão planejando isso, sinto desapontá-los. Poupem seu tempo, e o meu também. Já conheço todos os truques desse pessoal. Para me desacreditar, não é preciso fazer uso de nenhum recurso gráfico: basta responder alguma das questões colocadas acima. Se conseguirem me convencer, com fatos e lógica, que estou errado, que Israel não tem o direito de se defender, então me disponho a embarcar no primeiro "comboio humanitário" a Gaza que aparecer. Organizado ou não por amigos do Hamas. Tentem fazê-lo.
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Que questões são essas de que falo acima? Vou resumir:
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- O que uma "ONG" de "pacifistas" estava fazendo armando uma provocação anti-Israel em conluio com os terroristas do Hamas?
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- Por que mesmo é que existe o embargo de Israel à Faixa de Gaza?
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Tente responder. Se você conseguir, repito o que já escrevi em outro post: eu viro um militante radical anti-Israel e embarco no próximo "comboio humanitário do Hamas" para furar o bloqueio em Gaza.
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Agora vamos ao seu, er, digamos, comentário. Vou tentar não ser mordaz.
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Por que não coloquei fotos de palestinos vivendo em condições subumanas em algum campo de refugiados etc.? Taí uma boa questão. Eu deveria ter mesmo colocado. Deveria ter aproveitado e colocado a pergunta: você sabe quem é o culpado pelos palestinos viverem assim? Antes que algum parvo viesse berrar mecanicamente "Israel, Israel", eu escreveria na legenda: o que os países árabes, como o Egito ou a Síria, fizeram até hoje pelo bem-estar dos palestinos refugiados? (Nem falo das causas do bloqueio a Gaza, porque aí já seria covardia...).
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Aliás, uma pergunta: será que a alimária que escreveu o comentário sabe que governo matou mais palestinos até hoje? Israel? Não: a Jordânia!!! Isso mesmo. Em apenas um mês - setembro de 1970 - o governo jordaniano matou mais palestinos do que todos os que morreram em confronto com Israel desde 1948. Mas - que estranho! - ninguém fala nisso hoje em dia. Ninguém organiza "comboios humanitários" contra Amã. Por que será?
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Nossa... Então há "milhares" (sic) de palestinos mortos e presos injustamente, é? Ah, esses judeus malditos... Ops, digo, esses sionistas malvados... Talvez fosse melhor eles pararem de se defender dos humanistas do Hamas e do Hezbollah, que só querem - vejam só - varrer Israel do mapa... Talvez fosse melhor a polícia deixar de prender assassinos e traficantes. Aí sim, teríamos "paz", não é verdade?
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Vou fazer a vontade ao distinto leitor anencéfalo e mostrar uma foto "dos próprios israelenses que mataram o único presidente disposto a resolver o conflito, os pobres e indefesos israelenses o mataram como prova de civilidade não é mesmo?" Aí está:

O cidadão acima chama-se Yigal Amir, extremista israelense que matou a tiros o primeiro-ministro (e não presidente) de Israel Yitzhak Rabin, em 1995, e que desde então se encontra preso em Israel, condenado à prisão perpétua. Por que Rabin foi assassinado? Porque assinou a paz com Yasser Arafat, em 1993, logo depois que este renunciou ao terrorismo contra Israel e reconheceu seu direito à existência. O assassino, já escrevi aqui, agiu sozinho. Muito diferente do Hamas. Na mesma época da morte de Rabin, aliás, o Hamas desencadeou uma onda de atentados terroristas com homens-bomba contra alvos israelenses. Por quê? Porque, assim como Yigal Amir, o Hamas se opunha ao processo de paz na região. Porque se opunha à solução de dois Estados, um israelense e outro palestino. E continua a se opor, com foguetes e homens-bomba. E muita propaganda.

Agora observem essa outra foto:


A imagem mostra o momento em que o presidente do Egito, Anuar Sadat, era assassinado por terroristas islâmicos, durante uma parada militar no Cairo, em 06/10/1981. Por que Sadat foi assassinado? Porque foi - atenção! - o primeiro presidente árabe que teve a coragem de reconhecer o direito de Israel existir e assinar um acordo de paz com Israel, em 1979. Quem o matou? Algum árabe ou palestino isolado? Algum louco solitário, como Yigal Amir? Não: uma organização terrorista islamita, que tinha entre seus membros o atual número dois da Al Qaeda. Nos moldes do que é o Hamas hoje.

A morte de Yitzhak Rabin foi pranteada pelos israelenses, que o consideraram um herói da paz. Seu assassinato foi deplorado por todas as pessoas de bem do mundo. Já o assassinato de Sadat foi festejado nos territórios palestinos e em vários países árabes, onde os assassinos, e não Sadat, foram homenageados como mártires. Precisa dizer mais?

Além do mais, de onde o leitor tirou a conclusão de que Rabin foi "o único presidente (sic) disposto a resolver o conflito"? Então todos os demais líderes israelenses, desde Davi Ben-Gurion, passando por Golda Meir e Menahem Begin - que assinou a paz com o Egito - não tinham nenhum interesse em resolver o conflito? É isso? Então eles, os israelenses, vivem em guerra porque querem, porque gostam da guerra, e não porque o inimigo - no caso, o Hamas, o Hezbollah, o Irã - jurou exterminá-los? Então a paz não tem nada a ver com os inimigos de Israel reconhecerem seu direito de existir e renunciarem ao terrorismo, como fizeram Sadat em 79 e Arafat em 93?

Ainda assim, como a estupidez, ao contrário da inteligência, é infinita, alguém repetirá, pela enésima vez, que a culpa de todos os problemas no Oriente Médio é de Israel. Que o terrorismo do Hamas só existe por causa do bloqueio a Gaza etc. Nesse caso, proponho o seguinte:

Imaginem que Israel acabe amanhã com o bloqueio a Gaza. O que o Hamas faria? Abandonaria o terrorismo e seus militantes soltariam pombas e passariam a cantar, de mãos dadas, hinos de paz? (A resposta já foi dada: em 2005, Israel se retirou totalmente de Gaza. O que aconteceu depois? Os ataques com foguetes do Hamas a Israel diminuíram? Pelo contrário: triplicaram!!!)

Não acharam o exemplo acima o suficiente? Então imaginem que Israel se retire, total e incondicionalmente, de TODOS os territórios palestinos ocupados - como de fato o fez em Gaza, em 2005, ou do Líbano, em 2000. O terrorismo islamita cessaria?

Não estão convencidos ainda? Então vou mais além: imaginem que Israel deixe de existir. Isso mesmo. Imaginem que, amanhã, o Estado de Israel simplesmente não exista mais, e todos seus habitantes, sei lá, voltem para a Europa. A pergunta é: o Hamas, o Hezbollah, o Irã deporiam as armas e desistiriam da "jihad" contra os "infiéis" (ou seja: todos os não-muçulmanos)? Sim ou não?

Pois é. Se você entendeu as perguntas acima, você matou a charada do que realmente está em jogo no Oriente Médio. Se não entendeu, infelizmente é porque seu cérebro já virou pudim e você não sabe.
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Mas é inútil repetir tudo isso aqui. Para quem tem bosta de vaca onde deveria haver massa cinzenta, não há razão que dê jeito. Para esse tipo de gente, pensar é ofensivo.
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E, finalmente:
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Cadê o video sensacional que a brasileira Iara Lee disse que vai desmentir os videos divulgados por Israel e que iria ser o maior sucesso de todos os tempos? A pipoca já esfriou.

sexta-feira, junho 11, 2010

O PERFEITO IDIOTA NORTE-AMERICANO ENTENDEU TUDO


E por falar em Goebbels...

Quem esteve por aqui dando o ar de sua (des)graça nestes dias foi o cineasta norte-americano e idiota útil profissional Oliver Stone. O diretor de JFK e de W (duas bombas que eu desrecomendo a qualquer um que queira manter a cabeça no lugar) veio para promover seu mais novo filme, Ao Sul da Fronteira, e, de quebra, puxar o saco de Lula e de Dilma Rousseff, com quem se encontrou (o que será que conversaram?). Tudo dentro do figurino "gringo-com-complexo-de-culpa-abraçando-os-inimigos-do-império".

Oliver Stone (ou "Stoned" - chapado, em inglês -, como é chamado por seus conterrâneos) é um dos maiores representantes da "esquerda holywoodiana", ao lado de outros notórios farsantes, como o balofo Michael Moore. Ao Sul da Fronteira é um lixo, não passa de uma peça de propaganda ideológica travestida de "documentário" sobre os governos neopopulistas de esquerda na América Latina, como os dos caudilhos Hugo Chávez e Evo Morales, que Stone, assim como outro perfeito idiota, o paquistanês Tariq Ali, acredita serem parte de um "eixo da esperança". No filme, ele aparece em animados bate-papos com Raúl Castro, Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa, os quais seriam os representantes do "novo" no continente - um ditador de plantão que substitui o irmão, ambos no poder há mais de 50 anos, entre outros seus replicantes, representantes do "novo", vejam só... Faz questão de servir de tapete e de palanque para que eles façam sua demagogia antiamericana e anticapitalista - ou seja: antidemocrática -, chegando ao ponto de mostrar o índio de butique Evo Morales, por exemplo, batendo uma bolinha, na linha "gente como a gente". Enfim, uma peça publicitária que poderia ter saído de algum panfleto do PT ou das oficinas do Departamento de Propaganda do Partido Comunista Cubano. Frei Betto e Emir Sader devem estar babando de inveja.

Stone também entrevista, no filme, Lula. Para ele, o Apedeuta também é da corriola bolivariana. O Filho do Barril aparece discursando, digo, conversando com seu admirador americano, com sua proverbial modéstia. "Pela primeira vez o povo está sendo tratado como seres humanos neztepaiz", trombeteia o Noço Guia. Como se antes, digamos no período em que FHC esteve na Presidência, o povo brasileiro vivesse em jaulas e fosse tratado à base de ração e chicotada.

Bravatas lulistas à parte, tenho de admitir que o filme de Oliver Stone tem, pelo menos, um mérito. Ao colocar Lula ao lado de Chávez e Morales, ele viu algo que muita gente, no Brasil e no exterior, ainda se recusa a ver, apesar de ser cada vez mais evidente: que Lula, ao contrário do que muitos pensam (ou melhor: afirmam porque não pensam), é amigo e companheiro desses tiranetes, está com eles e não abre. É, na verdade, um cúmplice dessa corja.

Este é um fato para o qual poucos dão a devida importância, e que muitos ignoram completamente. Há quem acredite sinceramente que Lula é um antídoto ou um anteparo às loucuras de Chávez e Morales, um representante da "esquerda vegetariana" contra a "esquerda carnivora". Outro dia li um artigo que dizia que Lula é o "anti-Chávez". Na superfície, no estilo, pode até ser - Chávez adota o estilo sargentão, posando de Bolívar redivivo e inimigo das oligarquias, enquanto Lula faz o gênero conciliador, amigo de infância de quem antes esculhambava, como Sarney e Collor. Mas, na essência, há pouca ou nenhuma diferença entre o coronel venezuelano e "o Cara".

Lula não é o "anti-Chávez". Pelo contrário: ele está fechado com Chávez - e com Morales, Correa, Ortega, os Castro etc. - há muito tempo. Basta dar uma rápida olhada na política externa lulista - o apoio aos atentados à liberdade de expressão na Venezuela, a "neutralidade" em relação às FARC, os paparicos à ditadura totalitária de Cuba, o apoio a um golpista bolivariano em Honduras etc. - para constatar esse fato. O que isso tudo prova, senão o fato inegável de que a diplomacia brasileira, hoje, não passa de uma extensão dos delírios bolivarianos? Sem falar, claro, no maior tabu da imprensa brasileira nos últimos vinte anos, o Foro de São Paulo. Mas ainda assim há quem resista a considerar Lula parte da turma, e o veja como uma exceção, um democrata, um estadista e um líder respeitável. Por quê?

A resposta é óbvia, mas, como tudo que é óbvio, é difícil de ser assimilada pelos bem-pensantes. Chávez, Morales e Correa assumiram o poder em países em profunda crise, com a economia e as instituições em frangalhos, em alguns casos, como na Bolívia, à beira da convulsão social. Eles são, na realidade, o produto da degeneração econômica e política de seus países. Lula, ao contrário, herdou um país com instituições democráticas sólidas e a economia saneada (a tal "herança maldita" de que os petistas falavam até há pouco). Sua popularidade se deve unicamente ao que outros fizeram antes dele, e ao que ele se opôs anteriormente com fúria bravateira. Malandramente, cinicamente, ele agora reivindica essas conquistas como suas, colhendo o que outros plantaram. A ponto de hoje querer vender uma candidata à sua sucessão sob o slogan de que "não podemos voltar ao passado". E isso depois de ter tentado destruir todas essas conquistas no nascedouro! Em português claro, isso se chama estelionato. Mas pouca gente está prestando atenção.

O fato de ter tido a sorte de herdar um país economicamente estabilizado - com uma ajudinha de seus adversários tucanos - não faz de Lula o político sério e responsável que muitos na "zelite" acham que ele é. Muito pelo contrário. A economia, para Lula e os lulistas, é um meio, não um fim, para atingirem seus objetivos. Do mesmo modo que a democracia, para essa patota, não passa de um instrumento. O Lula verdadeiro, o Lula sem máscara, deve ser buscado nos escândalos de corrupção, no desprezo pelas regras democráticas, nas tentativas de calar a imprensa. Ou, então, na política externa, nas alianças com figuras como Chávez e Ahmadinejad. É a estabilidade econômica, da qual ele foi o principal inimigo no passado, que lhe garante o poder e permite suas aventuras no exterior a favor dos inimigos da democracia. É essa a essência do governo Lula, sua razão de ser, e não a manutenção do superávit primário e das metas de inflação. Sua relação com a economia, assim como com a democracia e a ética, é puramente instrumental, não filosófica.

É por não entenderem o que está acima que muitos analistas ditos sérios, em especial muitos economistas liberais, consideram Lula o máximo e seu governo um primor de lucidez e responsabilidade. Só podem fazer isso, claro, ignorando voluntariamente os laços dos lulistas com quem representa o oposto da liberdade e da democracia. Quando olham para Lula, vêem sinceridade e conversão genuína onde só há oportunismo e picaretagem política. Até um bocó como Oliver Stone percebeu isso.

A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR

Cadê o "vídeo bombástico" que a brasileira Iara Lee ameaçou divulgar, o qual desmentiria as imagens divulgadas por Israel e mostraria o que "realmente aconteceu" a bordo do navio Mavi Marmara em 31/05?
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Já se passou mais de uma semana e, até agora, nada. Estou esperando com impaciência. A pipoca já está esfriando.

Enquanto Iara Lee não mostra o video, fiquem com algumas imagens interessantes:




Membro do Hamas demonstrando todo seu humanismo contra Israel em meio à população palestina de Gaza. Reparem na criança ao fundo.

Alguns instrumentos da paz e do amor com os quais os pacifistas da ONG turca IHH receberam os soldados israelenses no navio Mavi Marmara.

Tem muito mais de onde eu tirei essas fotos. Mas não adiantaria muito colocá-las todas aqui. Na guerra de propaganda, Israel sempre sai perdendo. Afinal, ele já foi escolhido, há muito tempo, o lado criminoso e agressor, não é mesmo?

Contra a força da propaganda, a razão é impotente. Joseph Goebbels já sabia disso. Não por acaso, é dele a frase: "Uma mentira dita cem vezes torna-se verdade". Estamos vendo isso se repetir, hoje.

quinta-feira, junho 10, 2010

A VERDADEIRA CARA DOS "PACIFISTAS". OU: OS COMPANHEIROS DE VIAGEM DO TERRORISMO


Insisto na imagem acima. Faço questão de mostrá-la aqui, mais uma vez. Ela vale por mais de mil palavras. Mais até do que o video, que todos viram, que mostra claramente os "humanistas" do navio turco atacando e tentando linchar os soldados israelenses em 31/05. Observem a imagem com atenção.

A foto mostra, da esquerda para a direita, o cidadão turco Bület Yildirim e o palestino Ismail Haniah. Eles estão confraternizando, ao que parece Yildirim está recebendo uma placa ou algo assim das mãos de Haniah (ou entregando, não importa). Yildirim, embora não seja palestino, está usando um kafieh, o tradicional echarpe usado pelos palestinos, com a inscrição "Free Gaza Palestine", em inglês.

Quem são os dois cavalheiros na foto acima? Comecemos por Bület Yildirim. Ele é o fundador e presidente da "ONG" turca IHH, responsável pela organização da "flotilha humanitária" que tentou furar o bloqueio naval a Gaza e que foi interceptada, com os resultados que todos conhecemos, pela Marinha israelense. Um humanista, como se vê. .

E Ismail Haniah? É o presidente do Hamas. O Hamas é uma organização terrorista palestina apoiada pelo Irã de Mahmoud Ahmadinejad e que, assim como seu patrocinador iraniano, jurou varrer Israel do mapa. Foi criada no final dos anos 80, em oposição aos acenos da OLP de Yasser Arafat em direção à paz com Israel. Quando Arafat e Israel assinaram um acordo de paz, em 1993, o Hamas se opõs com violência, literalmente, desencadeando uma campanha de atentados terroristas com homens-bomba contra a população israelense, o que contribuiu para o naufrágio do processo de paz na região. Em 2006, um ano depois de os israelenses terem se retirado da região, o Hamas chegou ao poder na Faixa de Gaza, primeiro por meio de eleições, depois por um golpe de Estado. No golpe, os rivais do Hamas no movimento palestino, os militantes do Fatah, foram caçados pelas ruas e assassinados. Algumas fotos:

Atentado do Hamas a um ônibus lotado de passageiros israelenses, Jerusalém, 25/02/1996: 25 mortos e 80 feridos.




Bomba do Hamas em restaurante em Tel-Aviv, 17/04/2006: 11 mortos.


Desde que chegou ao poder em Gaza, o Hamas de Ismail Haniah tem intensificado os ataques com foguetes a alvos civis israelenses, que provocaram, inclusive, a guerra com Israel, em fins de 2008. Também tratou de impor, no território por ele dominado, a sharia, a lei islâmica, submetendo a população palestina de Gaza a um regime de terror religioso - uma antevisão do que pretende estender a todo o território de Israel e da Palestina caso um dia sejam vitoriosos. Nas escolas de Gaza, administradas pelo Hamas, crianças de seis anos de idade são ensinadas por uma versão local do Mickey Mouse a odiar os isralenses e a jurar matar os judeus. Foi para impedir os extremistas do Hamas de receber armas que Israel estabeleceu, em 2007, o bloqueio a Gaza, que a "ONG" IHH de Bület Yildirim tentou furar.

O Hamas não quer a paz. Quer a guerra, a eliminação do Estado de Israel. Não quer saber da solução de dois Estados - um israelense, um palestino - convivendo lado a lado. Quer, isto sim, aniquilar Israel e estabelecer uma teocracia islâmica em seu lugar, semelhante a do Irã. Essas verdades são tão evidentes que me dá até uma certa vergonha repeti-las. O que explica, então, a foto em que seu chefe máximo, Ismail Haniah, aparece ao lado do "humanista" Bület Yildirim? O que explica as ligações entre a IHH e o Hamas? E por que raios quase ninguém se lembrou disso nos últimos dias?

A resposta para as duas primeiras perguntas, mesmo correndo o risco de parecer repetitivo, está na cara, só não vê quem não quer (ou quem já está totalmente cego, surdo e idiotizado pelo ódio antissionista): a tal "flotilha da liberdade" organizada pela "ONG" turca com laços com o Hamas não tinha nada de "humanista" ou "pacifista". Pelo contrario: era tão-somente uma provocação; seu objetivo não era entregar comida e remédios aos palestinos, mas sim armar uma armadilha para criar um incidente internacional passível de exploração propagandística contra Israel. A oportunidade surgiu quando os soldados israelenses interceptaram um dos barcos, com o objetivo de inspecionar a "carga humanitária". Foi aí que os "pacifistas" entraram em ação, caindo de pau em cima dos israelenses. Com que finalidade? Provocar uma reação dos militares, que, pegos de surpresa, ameaçados de linchamento, não tiveram outra saída senão se defender da maneira como soldados são treinados para fazê-lo. Tendo alcançado o que queriam - nove mortos, mais dezenas de feridos, inclusive do lado israelense -, a tropa de choque anti-Israel pôde, então, posar de vítima e colher os frutos de mais essa vitória no terreno da propaganda e da guerra psicológica - imediatamente, antes que o episódio fosse esclarecido, a "opinião pública mundial" se insurgiu contra a "brutalidade" e a "truculência" de Israel, exigindo o fim imediato do bloqueio à Faixa de Gaza.

E o Hamas nisso tudo?, poderiam perguntar. O Hamas pratica essa tática há anos, apenas com menos sutileza: em todos os seus atentados, como nos mísseis lançados contra Israel, seus assassinos fazem questão de envolver a população civil, infiltrando-se entre ela, com o objetivo de levar Israel a uma reação sangrenta. Foi assim que agiram na última guerra na região, em 2008/2009, quando usaram até não poderem mais a população civil de Gaza - de preferência velhos, mulheres e crianças - como escudos humanos e chamarizes da represália israelense. Os terroristas só têm a ganhar com isso, assim como os "pacifistas" do Mavi Marmara só tinham a ganhar ao atacar os soldados com facas, canos de ferro e tiros. Por quê? Porque a "causa" dessa gente É IRRIGADA COM SANGUE INOCENTE. Só isso.

Mulher-bomba do Hamas antes de entrar em ação. Note o olhar da criança, ansiosa para chegar ao "paraíso" e levar alguns "infiéis" consigo.

Manifestação do Hamas. Note como eles cuidam bem das crianças...

É impressionante como quase ninguém percebeu o tamanho da farsa. É impressionante como quase ninguém se deu conta de que, por trás das manifestações de "indignação" contra o "ataque" israelense, estavam as mesmas forças, e os mesmos interesses, que alimentam o terrorismo islamita. Caíram, quase todos, em um imenso golpe de propaganda anti-Israel, sem se dar ao trabalho de ligar os pontos ou de sequer ver o que os videos mostram em detalhes. Formou-se uma imensa frente única anti-isralense, que foi do Hamas (que quase ninguém lembrou que existe) ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. Nem a VEJA escapou.

O tamanho da farsa fica mais evidente a cada dia. Pouco depois da desastrada interceptação isralense - que, por ter sido desastrada, nem por isso deixou de ser necessária -, a mesma Marinha de Israel interceptou outro navio do "comboio humanitário", que havia ficado para trás, tripulado por ativistas irlandeses. Dessa vez, não houve nenhum morto, nenhum ferido. Pelo simples motivo de que os soldados não foram recebidos, como sucedeu no Mavi Marmara, com facas e porretes. Em vez disso, os 20 ativistas a bordo do Rachel Corrie aceitaram a inspeção e o barco foi escoltado até o porto de Ashdod, de onde a carga, devidamente inspecionada, seguiu para Gaza. Mas isso, claro, não rendeu manchetes. Em outro incidente, quatro militantes do braço armado do Fatah, as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, foram mortos pelas Forças de Defesa de Israel quando se aproximavam, em um bote, da área de Gaza sob bloqueio. Segundo o Fatah, eles estavam em "treinamento". O que "treinam" exatamente os membros do braço armado de um movimento político, ainda mais dentro de uma área militarmente bloqueada? Certamente, não é como lançar flores ao mar.

Um detalhe importante: a bordo do navio irlandês interceptado pela Marinha israelense estava Mairead Corrigan Maguire, Prêmio Nobel da Paz de 1976 por seus esforços pela paz entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte. O próprio nome do navio - Rachel Corrie - faz homenagem a uma militante pacifista que morreu esmagada por um trator ao tentar impedir a demolição de casas palestinas. Isso seria uma "prova", na visão de muitos, de que o comboio era "humanitário". Pois eu pergunto: o que fazia uma ganhadora do Nobel da Paz num comboio de amigos do Hamas? E ainda mais num navio com nome de heroína pacifista? Responda quem puder.
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Aqui é que entro na questão principal deste texto. Acredito que Mairead Maguire seja uma pacifista legítima, que realmente crê no diálogo entre os homens de boa-vontade para resolver os problemas do mundo. Como acredito, também, que havia pacifistas genuínos a bordo dos demais navios. Quero acreditar, aliás, que haja membros da "ONG" turca IHH que sejam verdadeiros amantes da paz e que Iara Lee, a brasileira que fez parte da presepada, também seja, vá lá, uma seguidora de Gandhi e de Martin Luther King. Mas isso só torna mais surreal o fato de terem embarcado, literalmente, na nau dos insensatos. Como o video da Marinha israelense revelou, a recepção aos soldados israelenses não foi nada pacífica. Tampouco Ismail Haniah é um manso cordeiro e uma pomba da paz. Repito: o que pacifistas, sinceros ou não, faziam num comboio de amigos do Hamas? .

Do mesmo modo como os fanáticos do Hamas se infiltram entre os civis palestinos com a intenção de provocar Israel e causar um banho de sangue, os "pacifistas" da IHH usaram os demais ativistas a bordo para criar mártires. Entre os militantes e tripulantes dos navios, havia um bebê de colo. O que leva alguém a levar um bebê a uma zona de guerra? Amor pela humanidade?

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Militante do Hamas em ação contra forças de Israel. Notar a "carne barata" atrás do bravo combatente. Comparem com o que aconteceu a bordo do Marvi Marmara.



"Forças de segurança" do Hamas prendem militante do rival Fatah, em 2007. É assim que agem os "humanistas" do Hamas.
Tentei chamar a atenção de algumas pessoas com quem procurei debater nesses últimos dias para esses fatos, assim como para a ligação da IHH com o Hamas. Em vão. Nessa questão do Oriente Médio, a racionalidade parece ter tirado férias. O "mundo" já decidiu, há tempos, que Israel está sempre errado, não importa o que faça. Uma das respostas que recebi foi que a ação israelense, como o próprio bloqueio, se dirige contra a totalidade dos palestinos, e não contra o Hamas. Inútil lembrar que é exatamente isso o que os genocidas do Hamas desejam que todos pensem, usando sua própria população como escudos humanos. Para os adoradores da morte, a carne dos civis palestinos é barata. Assim eles conseguem mobilizar o "mundo" contra o inimigo e ainda por cima fazer pose de vítimas. Pelo visto, com a ajuda, consciente ou não, de quem cultiva um ódio irracional antissionista, quando não abertamente antissemita, estão conseguindo. Não ficaria surpreso se eles conseguirem convencer a todos que são Madre Teresa de Calcutá.
E agora volto aos pacifistas a bordo do "comboio humanitário". Das duas uma: ou eles não sabiam o que estavam fazendo, logo são idiotas úteis, ou sabiam, e nesse caso são mais do que simplesmente ingênuos a serviço de uma causa que desconhecem: são cúmplices do terror. Quem souber uma terceira opção, por favor a apresente.
Na época da Guerra Fria, uma expressão que ficou famosa para designar idiotas úteis, incautos que, por excesso de idealismo ou ingenuidade - ou as duas coisas juntas -, colocavam-se, sem o saber, ao lado do totalitarismo comunista contra a democracia, era "companheiros de viagem". Poucas vezes essa expressão ajustou-se tão bem aos pacifistas que, por qualquer motivo que seja, aceitaram fazer parte de mais essa gigantesca farsa contra Israel.
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E só para terminar: quantas vezes você viu a foto acima mostrada na imprensa, na última semana?

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O chefe do Hamas, Ismail Haniah (o mesmo da foto lá de cima), em um momento de pura ternura e humanismo: mais um futuro mártir para Alá...
P.S.: Tenho certeza de que os adoradores do ódio, ou simples almas ingênuas, sentindo-se talvez indignados com as imagens acima, descartarão o texto e bombardearão este escriba com links para sites mostrando fotos aterradoras de "atrocidades israelenses" contra "o povo palestino" etc. Nos links, deverá constar, sem dúvida, alguma foto de uma criança palestina morta e a frase "este era um terrorista?" etc. etc. Se estão planejando isso, sinto desapontá-los. Poupem seu tempo, e o meu também. Já conheço todos os truques desse pessoal. Para me desacreditar, não é preciso fazer uso de nenhum recurso gráfico: basta responder alguma das questões colocadas acima. Se conseguirem me convencer, com fatos e lógica, que estou errado, que Israel não tem o direito de se defender, então me disponho a embarcar no primeiro "comboio humanitário" a Gaza que aparecer. Organizado ou não por amigos do Hamas. Tentem fazê-lo.