
Este é um blog assumidamente do contra. Contra a burrice, a acomodação, o conformismo, o infantilismo, a ingenuidade, a abobalhação e a estupidez que ameaçam tomar conta do País e do Mundo. Seja livre. Seja do contra. - "A ingenuidade é uma forma de insanidade" (Graham Greene)
sábado, outubro 30, 2010
E OS PATRULHEIROS, QUEM DIRIA, AGORA RECLAMAM QUE SÃO PATRULHADOS... É A INVERSÃO PSICÓTICA EM AÇÃO

sexta-feira, outubro 29, 2010
A HERANÇA MALDITA DE LULA
Pois não é que, em vez da resposta esperada, eis que aparece um camarada e escreve um comentário longuíssimo no site me desancando por eu ser - surpresa - “de direita”, “reacionário”, enfim esse trololó todo? Pensei em ignorar (tentei ver alguma relação entre o comentário e o que escrevi sobre o texto; em vão). Mas aí percebi que o tal sujeito usa uma enxurrada de dados e números “oficiais”, que supostamente provariam que o governo Lula foi um mar de excelência empresarial, e o de FHC, um desastre haitiano. Compreendi que se trata de uma corrente, de um texto-padrão, uma espécie de power-point que os lulo-petistas, na falta de argumentos, usam para apoiarem-se uns aos outros (já falei que eles são como formigas: agem movidos por feromônios, não pela razão). Enfim, uma maneira de dar um ar de "objetividade" ao que é, na verdade, mero pitaco ideologico - repetido à exaustão, aliás, na propaganda eleitoral.
Puxa, tudo isso? Agora fiquei com medo de mim mesmo...
Quem cita a TFP, para começo de conversa, é o texto do Pablo. Além do mais, ironia é para quem tem um mínimo de inteligência... "Ato falho", é?
Pode achar que não é petista, mas é apenas mais um da patota. Basta ver o que diz sobre o Lula “traidor dos trabalhadores” (por causa do mensalão ou de outra maracutaia qualquer? Não: por causa da macroeconomia do “neobobo” FHC...). Pelo visto o sujeito deve considerar o PT "de direita" demais para seu gosto... Isso também é uma forma de petismo, não dá para negar.
Sem comentários. Isso explica tudo.
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Lula assumiu em 01/01/2003: o dólar valia R$ 3.53, hoje vale 1.67;
Ótimo, e quem foi que aplicou políticas cambiais efetivas que permitiram fortalecer o real nos anos 90? (Uma dica: Lula estava do outro lado, chamando tal política de “estelionato eleitoral”...)
Pois é, e quem foi mesmo que aplicou o Plano Real e domou a inflação? Ou vai me dizer que era Guido Mantega o ministro da Fazenda em 1994? (E só para lembrar: antes disso, a inflação era de uns 80%... Ao ano? Não! Ao mês!!!)
Mais uma vez: tudo isso só foi possível devido ao ajuste da economia no governo FHC, que estabilizou o câmbio e garantiu o aumento das exportações. Enfim, justamente a “macroeconomia do ‘neobobo’ FHC”...
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Em seis linhas, quatro mentiras:
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Caramba! Tudo bem que os esquerdiotas tenham lá suas queixas contra as privatizacões – que permitiram uma revolução nas telecomunicações, por exemplo, mas deixa pra lá –, mas daí a dizer que o governo FHC foi “o mais entreguista da humanidade” (!), “sem nenhum precedente em lugar e em tempo nenhum” (!!!), é mais do que exagerar a história: é inventar um país e um tempo completamente imaginários. FHC, “entreguista” e, ainda por cima, sem nenhum precedente? Mais do que, digamos, o governo Thatcher na Inglaterra? Ou o de Pinochet no Chile? Pudera...
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Que beleza, mas cadê essas obras todas? Talvez o distinto autor do comentário saiba, como parece indicar o ato falho ("representa" 504 bilhões...). Não que se tais obras existissem de fato, e não fossem só uma peça de marketing eleitoreiro (um Programa de Aceleração da Candidatura), isso iria fazer muita diferença para mim. Afinal, como já afirmei aqui, não sou do tipo que troca cultura democrática por obras públicas. Até porque, se houvesse uma relação direta entra as duas coisas, o país mais democrático do mundo seria a... China.
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O “sapo barbudo” eu não engoli até agora, nem creio que vou engolir um dia. Aliás, eu já o regurgitei há tempos, desde a época em que ele fazia pose – e era visto por muitos bobalhões – como uma espécie de Lênin brasileiro. O frankenstein criado pelo chefe, então, esse não vou engolir mesmo. Afinal, como um legítimo representante da direita reacionária, entreguista e antipatriota (e existe, na cabeça dos esquerdopatas e esquerdiotas, alguma direita que não seja "reacionária, entreguista e antipatriota"?), só posso lamentar que tanta gente se deixe levar por essa monumental empulhação. Não que o Serra seja uma maravilha, mas pelo menos em alguns temas - aborto, por exemplo - eu sei no que ele acredita. E Dilma, no que acredita? Acho que nem ela sabe.
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OK, obrigado por me explicar o que realmente interessa ao “nosso povo”. Falo apenas por mim mesmo e pela minha consciência. Sou um indivíduo, não mais um na manada. De minha parte, se houver indigestão, não será por ignorância. Será que o esquerdinha aí em cima pode dizer o mesmo?
quarta-feira, outubro 27, 2010
UM TESTE PARA LULIRICA

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O promotor Maurício Lopes finalmente conseguiu o endosso da Justiça paulista para proteger a imagem da Casa do Espanto: o humorista Tiririca, deputado federal eleito pelo PR de São Paulo, só poderá instalar-se num gabinete da Câmara se provar que não é analfabeto. Num dia qualquer de novembro, diante do juiz, do promotor e do seu advogado, Tiririca terá de escrever um ditado e ler em voz alta um trecho da Constituição. Se não fizer bonito no teste de escrita e leitura, mais de 1,3 milhão de eleitores ficarão sem representante no Congresso.
A exigência confirma que o País do Futebol valoriza o secundário tão aplicadamente quanto ignora o essencial. Se as arquibancadas do Maracanã descobrirem que o juiz é ladrão, será imediatamente instituída e aplicada a pena de morte na forca. Mas Erenice Guerra continua frequentando sem sobressaltos o supermercado da esquina. Se a camisa 10 da Seleção for entregue a um jogador bisonho, não escaparão do linchamento o técnico do time, o presidente da CBF e o escalado. Mas Lula pode contar com o apoio de milhões de brasileiros para entregar a Dilma Rousseff a faixa presidencial.
Incoerente vocacional, o país que acha muito justo o vestibular imposto a Tiririca é governado há oito anos por um sessentão que jamais leu um livro, não sabe escrever, orgulha-se da formação indigente, recusa-se a estudar e zomba de quem possui diplomas de cursos estrangeiros. O humorista inofensivo está na mira da Justiça eleitoral por ser suspeito do que o presidente sabidamente é. O suposto analfabetismo de Tiririca tem animado milhares de conversas de botequim — sem que o dono ache necessário avisar a Polícia Federal. A comprovada ignorância de Lula não deve ser comentada sequer aos sussurros.
É coisa de preconceituoso, reagem as Marilenas Chauís. Um enviado da Divina Providência já nasce professor de tudo mesmo que seja um analfabeto funcional juramentado, ensinam os Antonios Cândidos. Como o Mestre é inimputável, todos fingem ignorar o que sabe até o neurônio solitário de Dilma Rousseff: submetido ao mesmo exame de leitura e escrita, avaliado por educadores honestos, o animador de comício estaria condenado ao naufrágio.

Os dois únicos manuscritos produzidos nos últimos 20 anos informam que o maior governante desde as caravelas não sobreviveria ao teste do ditado. O que Lula tem feito durante a campanha eleitoral confirma que nunca leu sequer uma linha da Constituição. Tiririca teria chances maiores sobretudo na prova oral. Além da selva de expressões em juridiquês castiço, Lula enfrentaria a selva de algarismos romanos plantados à frente dos incisos. Provavelmente enxergaria no VI, por exemplo, um derivado do verbo ver. Se o trecho escolhido fosse o assinalado na ilustração, o presidente veria o mar territorial.
O erro de Tiririca foi disputar um lugar no Congresso. Se fosse eleito presidente da República, bastaria invocar o precedente de Lula para poupar-se de incômodos. Neste outubro, liberado de exames em tribunais, estaria preparando a festa do dia da posse. Ou, quem sabe, escrevendo o prefácio do próximo livro do companheiro Aloísio Mercadante.
sábado, outubro 23, 2010
LULA, DILMA E A TEORIA DA "BOLINHA DE PAPEL". OU: COMO IGNORAR FATOS E ENXERGAR SOMENTE O QUE INTERESSA

O ex-presidente Lula - ele abandonou o cargo há meses, trocando-o pelo de chefe de facção política em tempo integral -, acusou Serra de fazer teatrinho e querer criar um "factóide" (sempre que seus adversários denunciam seus malfeitos, os lulo-petistas dizem ser um factóide). Isso foi um dia antes de o Jornal Nacional desmentir a versão divulgada pelo SBT e pela Record, que mostram apenas a imagem do que parece uma inofensiva bola de papel arremessada contra Serra. O JN preferiu mostrar também as imagens do celular de um jornalista da Folha de S. Paulo, feitas 15 minutos depois em meio ao tumulto, que mostram o que parece ser um objeto pesado atingindo a cabeça do candidato tucano - imagens atestadas como autênticas por um perito.
Resumo da ópera(bufa): O candidato rival dos lulo-petistas foi vítima de agressão por uma horda de militantes possuídos pelo ódio que agiram como um bando de gorilas ou como tropa de choque fascista, e isso está provado cientificamente pela análise pericial das imagens. O (ex)presidente da República, que, em vez de repudiar a agressão - como faria se fosse um estadista, e não um chefe de torcida -, açula seus seguidores à intolerância, é o chefe dessa milícia de camisas-pardas (ou vermelhas). E nada disso, assim como a análise das imagens, vai mudar a versão lulo-petista: "foi uma bolinha de papel"...
O episódio todo, que parece pequeno, é extremamente grave. Além de demonstrar o desprezo boçal de um presidente da República transformado em animador de comício pelas regras da democracia e da civilização - pela primeira vez na história do Pais, um candidato à Presidência da República foi vítima de agressão física, instigada pelo ocupante do Palácio do Planalto, que ainda por cima acusa a vítima -, o fato comprova, na verdade, um padrão, monotonamente seguido pelos lulo-petistas sempre que divulgados fatos que não lhes convêm ou agradam (como as declarações de Dilma sobre o aborto, por exemplo):
Desde 2003, esse padrão tem-se repetido com freqüência quase religiosa. Com poucas variações, até as palavras são as mesmas. Além das que estão aí em cima, "conspiração das elites golpistas" é um termo-chave (ou chavão) empregado constantemente, bem como atribuir tudo a um "excesso" de alguns poucos "aloprados". Dizer-se traído (mas com o cuidado de omitir o nome do suposto traidor) também pode ser útil para livrar a cara do chefe.
Dizem que, em um dos processos de Moscou, quando o ditador soviético Josef Stálin resolveu exterminar seus potenciais inimigos na década de 30, um dos réus, convencido da inutilidade de qualquer defesa no tribunal - os veredictos estavam decididos antes do próprio julgamento -, virou-se para um dos membros do Partido e perguntou: "o que devo pensar?" Com os lulo-petistas, ocorre o mesmo. Se vêem um fato que não lhes convém, não analisam se é ou não verdade: viram-se e perguntam para o chefe: "o que devo pensar?" É que já abdicaram de pensar há muito tempo.
George Orwell, em sua obra-prima 1984, resume de forma genial esse processo de construção mental: se alguém lhe mostra quatro dedos, e o Grande Irmão diz que, em vez de quatro, são cinco, você nega o que está diante de seus olhos e diz que são cinco. Mais: depois de algum tempo, passa a acreditar que, de fato, são cinco.
quinta-feira, outubro 21, 2010
BURRICE ELEITORAL

Há alguns dias, um grupo de petistas fez uma blitz em frente a uma gráfica de São Paulo. Num video que eles próprios fizeram, eles aparecem, câmeras em punho, "denunciando um crime". Um senhor, contador da citada gráfica, é acossado pelos militantes, entre os quais um que se identifica como deputado. Eles exigem saber quem pagou a impressão de uma nota da CNBB - Confederação Nacional dos Bispos do Brasil - recomendando os católicos a não votarem em candidatos que apóiam a legalização do aborto. Como a candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, já declarou, em várias ocasiões, ser favorável à legalidade do aborto, os jornalistas-militantes interpretaram a nota como material de propaganda a favor da candidatura rival, de José Serra.
É verdade que um crime grave foi cometido no dia em que os petistas fizeram a tal blitz na gráfica. Qual crime? Um crime contra o artigo 5 da Constituição Federal, o qual garante a liberdade de expressão e a liberdade religiosa. Quem cometeu o crime? A turba que intimidou o contador da gráfica. Agora é com a Justiça.
Há algumas semanas, Luiz Inácio Lula da Silva convocou o eleitorado a extirpar - esta foi a palavra que utilizou - um partido político da vida política nacional. "É preciso extirpar o DEM da vida política", bradou o grande democrata a uma platéia domesticada, antes que os eleitores extirpassem qualquer esperança de sua candidata ao governo local de sagrar-se vitoriosa nas urnas. Pela primeira vez em período democrático, um presidente da República exortou abertamente à extirpação de seus adversários políticos, numa clara demonstração de golpismo (deve ter lembrado de outros governantes que extirparam a oposição, como Fidel Castro e Stálin). Isso já seria grave o suficiente, se o presidente do partido em questão, Jorge Bornhausen, não tivesse sido alvo de uma campanha calhorda há alguns anos, por ter afirmado, numa expectativa que infelizmente não se concretizou, que o mensalão iria livrar o País "dessa raça" (os petistas) por uns 30 anos. Por ter dito isso, Bornhausen viu-se retratado como racista e nazista em panfletos apócrifos - e ilegais - pagos por um sindicato em Brasília, em mais uma ilegalidade dos lulo-petistas.
Os exemplos acima são inquietantes, e vão além do jogo sujo e da baixaria que costumam caracterizar as disputas eleitorais no Brasil. Eles refletem um fenômeno perigoso. Neles estão presentes vários elementos que constituem a forma petista de fazer política - manifestos mentirosos, censura à liberdade de expressão, atentados à democracia etc. Com o agravante da inversão total da realidade, sobretudo no caso das notas da CNBB (que, absurdamente, e mostrando o poder de pressão dos lulo-petistas, um ministro do TSE mandou apreender): enquanto a CNBB era impedida de se manifestar livremente, os pastores da Igreja Universal do Reino de Deus, aliada do governo Lula, defendem abertamente o aborto e pregam o voto em Dilma, e nada acontece. É um acinte.
É impressionante como as pessoas emburrecem no Brasil em época de eleições, ou deixam aflorar a burrice que sempre esteve lá, latente. O nível geral de inteligência, que geralmente já não é lá essas coisas, nesse período simplesmente despenca para as profundezas mais abissais. Gente que se apresenta como intelectuais assina manifestos que não contêm uma grama de verdade. Militantes de um partido político se comportam como uma tropa de choque fascista, constrangendo ilegalmente funcionários de gráficas e exigindo censura ao pensamento livre. Um presidente da República que muitos consideram democrata declara explicitamente sua intenção de extirpar um partido político. Fatos são descartados como boatos e boatos e calúnias tratados como fatos, numa brutal e absurda inversão da realidade. E o que é mais grave: com o apoio da imprensa adesista, que há tempos renunciou a fazer jornalismo para atuar contra ela própria. Há algumas semanas, houve uma manifestação no sindicato dos jornalistas em São Paulo, dominado por petistas. A pauta da manifestação: repudiar a... liberdade de imprensa! É o PIG (Partido da Imprensa Governista) em ação.
Mas a maior burrice está na falsa polarização que mostra o PSDB como um partido "de direita". É uma pena que não seja! Ao rotularem os tucanos dessa maneira, seus detratores fazem, sem querer, um elogio a um partido que, a começar pelo nome - social-democrata - sempre jogou nas hostes esquerdistas. Se o PSDB fosse de direita, seria um alento para a democracia brasileira. Seria uma garantia de pluralidade. Isso mostra até que ponto chegou a hegemonia ideológica gramsciana no Brasil. A única crítica aceitável passou a ser a de esquerda. Serra, privatista? Contem outra.
O lado bom dessa histeria eleitoral é que, nessas horas, muita gente que sempre se apresentou como "neutra" e "imparcial" sai do armário e assume de vez suas preferências ideológicas. Não é o caso deste blogueiro, que sempre deixou claro o que pensa de petistas (e de tucanos), e que faz questão de dizer: não vota em Dilma nem amarrado. O tal manifesto dos intelectuais petistas sobre educação, por exemplo, encontrei no site de alguém que sempre fez pose de imparcialidade superior. Ele até me expulsou do site, algum tempo atrás, por eu insistir em que ele deveria sair de cima do muro e se assumir como esquerdista.
"Por que você pega tanto no pé dos petistas? Por que não faz o mesmo com os tucanos?" etc. As respostas podem ser encontradas aí em cima. Há motivos de sobra para desconfiar do PT e temer pelo futuro da democracia caso esses stalinistas farofeiros permaneçam no poder. E há muito menos motivos, ou motivo nenhum, para ter a mesma apreensão em relação ao PSDB. Não é preciso ser tucano ou eleitor de Serra para perceber a diferença entre democratas e autoritários. Ou entre verdade e mentira. Basta não renunciar à inteligência.
quarta-feira, outubro 20, 2010
OS PETISTAS E A EDUCAÇÃO
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Aí está. Se eles fazem isso em São Paulo, imaginem o que poderão fazer no resto do Brasil...
segunda-feira, outubro 18, 2010
É INÚTIL TENTAR EXPLICAR
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A Mônica Serra confidenciou à quatro alunas que já cometeu aborto e, que, no entanto ela diz que Dilma é a verdadeira "assassina de criancinhas". Ela sequer respondeu às alunas. O PSDB desfez a questão. Que será que ela pensa a respeito do aborto?
Chega de direita. Chega de preconceito social. Chega de Farol de Alexandria. Dilma 13!
Por quê? Simples: a Igreja não reconhece o "casamento gay" há dois mil anos. E não vai ser por causa de Serra, ou de Dilma, ou de quem quer que seja, que vai reconhecer um dia. Muito menos celebrá-lo.
quinta-feira, outubro 14, 2010
TIREM A MÁSCARA

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Estamos presenciando uma situação desse tipo no Brasil. Uma candidata à chefia da nação, confrontada com o que ela mesma afirmou sobre um assunto pouco tempo atrás, agora nega de pés juntos e (literalmente) sob a cruz o que disse e está documentado. Chamada a responder por suas palavras, faz-se de vítima de uma campanha sórdida e de uma cruel cruzada e afirma que não falou nada daquilo que falou. Que sua opinião é outra. Que sempre foi outra. Ou que, sobre o tema em questão, não tem opinião: não é nem contra nem a favor, muito pelo contrário.
Eu quero saber o que Dilma Rousseff pensa sobre o aborto. Quero saber a opinião dela sobre o "casamento gay". Ou sobre a liberalização das drogas. Ou se ela crê ou não em Deus, ou em duendes, ou em ETs. Eu quero saber em que ela acredita e em que não acredita. Quero saber o que ela pensa e quem ela é de fato, e não o que diz a propaganda eleitoral.
Do mesmo modo, quero saber o que ela fez até agora. Quero saber se ela, quando era a "companheira Stela" da VAR-Palmares, participou ou não de seqüestros e assaltos a bancos, ou se matou ou feriu alguém. Quero saber se e como ela treinou guerrilha, e se chegou a disparar uma arma. (Assim como espero saber o que fez exatamente Zé Dirceu nesse período, o que ele só aceita dizer "em 20 ou 30 anos"...) Quero saber se Dilma falsificou ou não seu currículo, inventando títulos inexistentes. Ou o que ela fez realmente na política antes de filiar-se ao PT. Ou, ainda, se é ou não verdade que ela pressionou a Receita Federal para encerrar uma investigação sobre o clã Sarney. Quero saber se ela sabia ou não das falcatruas de sua braço-direito e amiga de compras Erenice Guerra, que transformou a Casa Civil da Presidência da República num balcão de negócios para beneficiar a própria família (esse sim, o verdadeiro ”Bolsa-Família”). Ou se partiu ou não dela, Dilma, a ordem para fazer dossiês e violar sigilos fiscais de adversários políticos. Quero saber se ela é socialista, como está no mesmo vídeo em que fala do aborto, ou se é capitalista, comunista, flamenguista ou zen-budista. Quero saber também, embora desconfie de qual é a resposta, se Lula sabia ou não do mensalão, ou quem matou Celso Daniel, ou se as FARC deram ou não dinheiro para a campanha de Lula em 2002, ou por que ninguém na imprensa falou durante 15 anos do Foro de São Paulo... Enfim, quero saber. Sou curioso.
Trocando em miúdos: quero saber se Dilma é mesmo a favor da legalização do aborto, como está claro no vídeo da sabatina na Folha de S. Paulo, ou se era a favor na época e passou a ser contra depois, ou se continua a favor e está apenas fingindo que não é, ou se estava fingindo que era a favor para os jornalistas em 2007 e agora finge que estava fingindo. Enfim, quero saber a verdade. Toda a verdade.
FALTA DE CLAREZA
Em qual Dilma se deve acreditar: na ardente defensora da descriminalização do aborto, que comparou a extração de um feto à extração de um dente, ou na versão 2010, “mãe”, “pró-vida” e cristã devotada (embora não tenha aprendido ainda a fazer direito o sinal da cruz)? Na Dilma que se questiona sobre a existência ou não de Deus ou na que frequenta a missa? Qual das duas dilmas é a verdadeira? Creio que tenho o direito de fazer essa pergunta.
- Toda e qualquer afirmação que os adversários da esquerda fizerem - ainda que seja lembrar o que os próprios esquerdistas fizeram ou disseram um dia - é "calúnia" e "demagogia eleitoral" da "direita fundamentalista".
- Tudo que os esquerdistas fizerem ou disserem deve ser visto como verdadeiro somente em ocasiões e em contextos que possam beneficiar a esquerda. Por exemplo: se dizem que são a favor da legalização do aborto, ou da união civil de homossexuais, é somente porque aquilo lhes é útil naquele momento, e diante daquela platéia; se não é útil - por exemplo, numa eleição presidencial -, então tratam de mudar o discurso e exigir que todos se esqueçam de suas palavras - e chamam de caluniadores vis os que insistirem no assunto.
- Por conseguinte, a única visão válida e aceitável é a de esquerda. Todo o resto - inclusive lembrar o que os esquerdistas diziam até a véspera - é proibido.
FALTA CORAGEM
O tipo de reação da campanha dilmista a um fato tão escancaradamente irrefutável é revelador de como essa gente se comporta diante da verdade. Flagrada sua candidata dizendo o que pensa sobre um tema, não lhes resta outra coisa senão negar que a Terra gira em torno do Sol. Contam, para tanto, com o silêncio e a cumplicidade de parte da imprensa e da intelligentsia, que por décadas alimentou o mito lulo-petista, tratando-os com reverência devota ou com o benefício da ambiguidade. Agora, diante de uma questão como o aborto, entram em choque com a CNBB, exigindo fidelidade canina de quem sempre os apoiou e ajudou a elevá-los ao altar da santidade. Os padres católicos deveriam saber que, com a santidade, vem a impunibilidade, além da onipotência.
Agora que Dilma foi apanhada sem cirurgia plástica e cometendo o terrível delito de dizer a verdade, o que vão fazer, censurar o vídeo? Certamente, é o que fariam os lulo-petistas se pudessem. Vai ver é isso o que eles chamam de "controle social da mídia". Aliás, uma proposta presente no PNDH-3 (que Dilma diz ter assinado sem ler, para variar...). Vale lembrar: o PNDH-3 - em que está incluída a idéia de legalizar o aborto - é um fato, não um boato ou uma calúnia inventados por um rival.
A VERDADEIRA QUESTÃO
Pessoalmente, acho que o debate sobre o aborto é necessário. Por isso é tão lamentável - mais que isso: é execrável - ver Dilma Rousseff fugindo da questão como o diabo foge da cruz. Eu gostaria de ouvir os argumentos dela a favor da descriminalização do aborto. Gostaria de vê-la debater o assunto. Mas debater significa dizer o que se pensa, não o que o marqueteiro acha mais adequado. E isso - falar o que se pensa - nem Dilma nem o PT querem fazer. Em vez de responder por suas palavras e encarar a questão, o que faz Dilma? Nega o que está no vídeo, posa de "mãe" e "pró-vida" e vai à missa para tentar ganhar votos. Mais: junta a demagogia à calùnia, espalhando boatos sobre seu adversário querer privatizar o pré-sal. É algo nojento, de revirar o estômago. É triste.
É em momentos como esse que se percebe o fosso que nos separa de povos realmente civilizados. Em outros países - nem falo dos EUA, mas dos países da Europa - temas como aborto ou religião fazem parte da agenda cotidiana do debate político. É a partir do posicionamento dos candidatos a respeito desses temas que os eleitores decidem em quem e em que partido irão votar. Assim, convencionou-se que quem defende posições como a legalização do aborto ou das drogas, por exemplo, é de esquerda ou de centro-esquerda. Quem assume posições contra a legalização do aborto, ou defende pontos de vista com base em valores e princípios cristãos, é a direita ou a centro-direita. E, desse modo, os campos se definem, com espaço para todas as opiniões e correntes políticas existentes na sociedade. No Brasil, não há nada disso: aqui, essas coisas simplesmente não se discutem, e ponto final. Quem ousar indagar um candidato sobre o que pensa - ou simplesmente expor a contradição entre o que ele ou ela diz agora e o que dizia antes das eleições - é tachado imediatamente de extremista de direita e reacionário. (Só falta gritarem: "é preconceito" - aliás, não falta, não.) Isso mostra como somos primitivos e atrasados.
Em um país como o Brasil, onde analistas tidos como sérios se esforçam para ser tão assertivos quanto uma porta e tão incisivos quanto uma canção dos Teletubbies, dissimular o que se pensa pode até render votos e deixar alguém bem na fita. Mas não dá para negar que essa é uma atitude covarde, que revela, na pior das hipóteses, oportunismo demagógico e, na melhor delas, falta de caráter. Mais que isso: demonstra inaptidão para o debate público franco e honesto, a incapacidade, portanto, de conviver com as regras do jogo democrático. Não são qualidades que se espera de um vereador em Santana do Passa-Quatro. Quanto mais em quem almeja ser Presidente da República.
Há alguns dias um jornal de uma cidade no México, acuado pelas ameaças dos narcotraficantes que infernizam o país, perguntou em editoral aos chefões locais do crime que notícias eles gostariam de ver publicadas. No Brasil, para não prejudicar a candidatura governista, há quem prefira sonegar fatos, tratando-os como boatos de campanha. É uma forma de censura. Os jornalistas mexicanos têm a desculpa do medo. Seus colegas brasileiros não têm esse álibi: fazem-no por ideologia. Ou por safadeza. Ou as duas coisas.
Insisto nesse ponto: a questão não é o aborto em si, sua moralidade ou não. Tampouco é se fulano ou sicrano acredita ou não em Deus. É se é moralmente correto e aceitável mentir para vencer eleicões. Tenho cá minha opinião sobre aborto e religião. Mas minha opinião, a não ser para mim e talvez para as pessoas que convivem comigo, não é importante. A de Dilma, porém, é. Idéias e passado obscuros rimam com presente de maracutaias e futuro de incertezas. Eu quero saber o que Dilma pensa a respeito desses temas. Tenho esse direito. Eu e o Brasil.
ARGUMENTOS BRILHANTES
Quanta asneira junta ! Desse jeito você vai longe!
Você está precisando construir algumas idéias próprias em vez de continuar sendo um fantoche que concorda com qualquer coisa que seus governantes impõem.
...
quanta bosta escreveu!
mais conteúdo na cabeça
explore mais conhecimentos e
expanda mais seus pensamentos
você é muito fraco espiritualmente, um vendido. nem lí tudo, pois só fala caca de vaca.
Fica a dica!
...
Não da vontade nem de entrar numa conversa com vc, limitado, preconceituoso, quadrado...
e tudo isso sem fumar nada, imagine só
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O que dizer diante de argumentos tão brilhantes, tão fina e ricamente elaborados, expostos com tão alto nível e com tamanho rigor científico, sem falar no respeito ao pensamento discordante e elegância? Nada, a não ser reconhecer a superioridade intelectual de cérebros intoxicados de maconha. Por isso, transcrevo aqui o que me escreveu um dos militantes da suprema "causa" de torrar conexões neurais:
Você chama a nossa causa, e a esquerda em geral de "idiota, desocupado, de quem não tem mais o que fazer". Aliás, você, o rebelde sem causa, só fez isso no texto inteiro, xingamentos, acusações, demonização... Isso sim é idiotismo, é desocupação... Não é enxergar o mundo e sim ver somente o pouco que está ao seu redor.
Falar o quê? Disse tudo.
quarta-feira, outubro 13, 2010
RESPOSTA A MILITANTES DE UMA CAUSA MUITO NOBRE E JUSTA
Quanto asneira! Vou deixar para escrever uma resposta maior depois, mas eu te respeito por não fumar maconha, você tem esse direito, mas quem é você para dizer que a nossa causa é besteirol? Quem é que está se achando superior aos demais aqui? Nós lutamos pela nossa causa e nao queremos incomodar ninguem, enquanto você, ao contrário, atrapalha, banaliza e demoniza a nossa luta.
O bom de tudo é que caminhamos a passos largos pela legalização da maconha no mundo todo, então só me resta dizer que seu texto cheio de preconceitos e asneiras, não terá utilidade nenhuma, a nao ser deixar algumas pessoas, como eu , irritadas. E com razão.
OK, obrigado por respeitar meu direito de não fumar maconha (já estou vislumbrando no horizonte o dia em que dar um tapinha será obrigatório). Quem sou eu? Não sou ninguém, sou só um blogueiro que respeita a Lei e que acha que, numa sociedade democrática, ela deve ser respeitada por todos. Sou alguém que não coloca um capricho pessoal acima da Lei e do estado de direito democrático. Enfim, sou apenas alguém que não se acha superior aos demais mortais.
Eu atrapalho a "causa" maconhista? Ainda bem: é essa justamente minha intenção. Quero atrapalhar mesmo, mas não do jeito que o leitor acha: quero que os maconhistas tenham toda a liberdade para se expressarem e me convencerem dos benefícios da queima de neurônios para a humanidade. Até o momento, nenhum argumento me convenceu. Eu banalizo tão nobre luta? Talvez porque encher os pulmões de fumaça proibida deve ser, e pelo visto é, uma banalidade sem tamanho. Demonizo algo ou alguém? Acho que não, só exponho argumentos. E não vejo nenhum do outro lado.
Que bom, então "o mundo" está caminhando para a liberação da maconha em escala planetária. Será o fim da razão mais forte para proibir a erva do capeta, o narcotráfico. Só tem um probleminha: já combinaram com os países islâmicos? Tirando a Jamaica e a Holanda, quem mais está às vésperas de virar território livre para a galera que curte um baseado?
Enquanto isso não se resolve, fico aqui com meus textos cheios de asneiras e preconceituosos, sem utilidade alguma. Deixei um maconhista irritado? Aí está uma boa utilidade para o texto.
Outro leitor e militante da "causa" maconhista, o Silas, me escreveu as seguintes palavras carinhosas:
Esse blog se diz "do contra", mas só reproduz as asneiras que todos estão acostumados a ver.
Sério? Tem mais gente como eu repetindo a asneira de que a Lei, numa democracia, vale para todos e deve ser respeitada?
Você chama a nossa causa, e a esquerda em geral de "idiota, desocupado, de quem não tem mais o que fazer". Aliás, você, o rebelde sem causa, só fez isso no texto inteiro, xingamentos, acusações, demonização... Isso sim é idiotismo, é desocupação... Não é enxergar o mundo e sim ver somente o pouco que está ao seu redor.
OK, então me ajude a deixar de ser um idiota desocupado e por favor me explique a nobreza da sua "causa", a causa dos que acham o supra-sumo da liberdade zombar da Lei e ficar boladão de erva. Expanda meus horizontes e faça-me ver o mundo, por favor.
Tem muito falso maconheiro sim, mas o discurso de filho de elite entediado é o seu. 99% dos usuários, se pudessem plantariam o seu próprio pé, se não fosse legalizado. Mesmo proibido, quase metade faz isso. Justamente para não alimentar o narcotráfico (não entendi onde se encaixa o PT e o presidente da Bolívia nessa).
O que seria um "falso maconheiro"? Seria alguém que, como Bill Clinton, só fuma, não traga? Deixa pra lá... Vamos nos concentrar na questão: então bastaria cada usuário de maconha ter sua plantaçãozinha no quintal para não corroborar o narcotráfico e ficar com a consciência limpa, é isso? E como fica a Lei? Mas deixa isso pra lá também.
Vamos fazer um pequeno exercício: suponhamos que eu, assim como os 99% dos maconheiros que o caro leitor mencionou, resolvesse fazer uma horta no quintal de minha casa com mudas de cannabis. Minha idéia seria curtir uma lombra sem ter que subir o morro e comprar do traficante. Assim, numa boa, no maior clima "paz e amor". A primeira coisa que eu precisaria ter, além de espaço e adubo, seria uma muda da erva. Pois bem: não sendo mudas de cannabis algo assim facilmente encontrável no supermercado, eu teria que recorrer ao, digamos, mercado paralelo. Isso significa que eu teria, mesmo contra minha vontade, de adquiri-las de pessoas que comandam um negócio que não é bem do tipo que recolhe impostos. Estou me fazendo entender ou fui muito sutil?
Não entendeu onde se encaixa o PT e o cocaleiro Morales no narcotráfico? Ok, vou ser o mais didático possível: a maioria dos que apóiam o discurso do "legalize já" é de esquerda. O PT e Morales são de esquerda. A Bolívia é a maior exportadora de cocaína para o Brasil. O governo do PT finge que isso não existe. Fui claro ou preciso desenhar?
Mas pelas suas próprias palavras tu demonstra que é um miquinho amestrado do sistema atual. "Se, em vez de maconha, fosse proibido o consumo de, sei lá, fubá (...) continuaria a achar que a obediência à Lei é o melhor caminho. Não daria bola para os que dissessem que comer fubá não faz mal, ou é uma questão de liberdade individual.".
Como eu sou um miquinho amestrado do "sistema", faço questão de escrever o parágrafo inteiro, e não somente a parte mutilada que o leitor transcreveu: "Se, em vez de maconha, fosse proibido o consumo de, sei lá, fubá, que se tornaria um negócio ilegal bastante lucrativo, eu poderia até achar uma bobagem, mas continuaria a achar que a obediência à Lei é o melhor caminho. Não daria bola para os que dissessem que comer fubá não faz mal, ou é uma questão de liberdade individual. Preferiria prestar atenção às gangues de traficantes de fubá que explorassem o comércio ilegal de fubá nas favelas, num ciclo de violência, e torceria para que a polícia botasse esses malandros na cadeia. Até que me convencessem que consumir fubá não é compactuar com o crime, eu seguiria essa opção." Prestaram atenção nos trechos em negrito?
Vale lembrar que em tempos de ditadura no Brasil (que por sinal não me surpreenderia se você fosse a favor), era proibido qualquer manifestação de oposição ao cruel regime. Se tivesse vivido aquele tempo, acharia um absurdo, ou 'não daria bola' para aqueles que batalharam para hoje, tu ter a liberdade de expressar sua opinião?
E vale lembrar que respeito à Lei não tem nada a ver com ditadura (aliás, muito pelo contrário). Vale lembrar que sou contra qualquer ditadura, de direita ou de esquerda. Será que os militantes maconhistas que não vêem nenhuma relação entre o consumo e o tráfico de drogas, ou entre o PT e as FARC, podem dizer o mesmo? Pelo visto não, mas eles não dão bola para isso.
E só para terminar: se o distinto leitor, ao se referir àqueles que "batalharam para hoje, tu ter (sic) a liberdade de expressar sua (sic) opinião", estava pensando em alguém da quadrilha lulo-petista hoje incrustada no poder, o caso é realmente sério: é mais uma prova dos males que a maconha faz ao cérebro. Nesse caso, recomendo fortemente que, da próxima vez, pense mais na hora de escrever. De preferência, sóbrio.
