quarta-feira, junho 16, 2010

RESPONDENDO À IRRACIONALIDADE

Um ditado que ouvi há não sei quanto tempo diz que quem está dominado pela irracionalidade é imune a fatos e argumentos. Mas vamos lá. Provavelmente, não vai adiantar nada para quem escreveu o comentário. Mas ainda deve ter sobrado algum ser pensante no mundo.
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Postei aqui algumas fotos mostrando todo o "humanismo" do Hamas e de seus amigos da "ONG" turca que aprontou aquela presepada em alto-mar contra Israel, a que muitos idiotas, por pura repetição mecânica, passaram a se referir como o "ataque" israelense a uma "flotilha humanitária". Como eu imaginava, alguém, que prefere o conforto do anonimato - como é corajoso esse pessoal! -, não gostou. E, como não podia deixar de ser, me deu mais motivos para defender Israel contra quem, como Ahmadinejad e seus paus-mandados do Hamas, querem vê-lo destruído. Aí vai o comentário. Volto em seguida.
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Agora me diga porque você não colocou algumas fotos das milhares de familias palestina vivendo em estado de calamidade sem água e sem comida como um imenso campo de refugiados?
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Ou talvez dos milhares de palestinos mortos injustamente ou presos injustamente... Quem sabe você conhecedor como é do lado " bom " da humanidade, consegue uma foto dos proprios Israelenses que mataram o único presidente disposto a resolver o conflito, os pobres e indefesos Israelenses o mataram como prova de civilidade não é mesmo?
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Fico no aguardo de uma destas fotos se você se interessar.
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GUSTAVO RESPONDE
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Meu caro eqüino,
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Certamente você não se deu ao trabalho de ler o PS que escrevi a meu texto "A verdadeira cara dos 'pacifistas'. Ou: os companheiros de viagem do terrorismo". Vou transcrever para você:
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P.S.: Tenho certeza de que os adoradores do ódio, ou simples almas ingênuas, sentindo-se talvez indignados com as imagens acima, descartarão o texto e bombardearão este escriba com links para sites mostrando fotos aterradoras de "atrocidades israelenses" contra "o povo palestino" etc. Nos links, deverá constar, sem dúvida, alguma foto de uma criança palestina morta e a frase "este era um terrorista?" etc. etc. Se estão planejando isso, sinto desapontá-los. Poupem seu tempo, e o meu também. Já conheço todos os truques desse pessoal. Para me desacreditar, não é preciso fazer uso de nenhum recurso gráfico: basta responder alguma das questões colocadas acima. Se conseguirem me convencer, com fatos e lógica, que estou errado, que Israel não tem o direito de se defender, então me disponho a embarcar no primeiro "comboio humanitário" a Gaza que aparecer. Organizado ou não por amigos do Hamas. Tentem fazê-lo.
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Que questões são essas de que falo acima? Vou resumir:
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- O que uma "ONG" de "pacifistas" estava fazendo armando uma provocação anti-Israel em conluio com os terroristas do Hamas?
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- Por que mesmo é que existe o embargo de Israel à Faixa de Gaza?
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Tente responder. Se você conseguir, repito o que já escrevi em outro post: eu viro um militante radical anti-Israel e embarco no próximo "comboio humanitário do Hamas" para furar o bloqueio em Gaza.
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Agora vamos ao seu, er, digamos, comentário. Vou tentar não ser mordaz.
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Por que não coloquei fotos de palestinos vivendo em condições subumanas em algum campo de refugiados etc.? Taí uma boa questão. Eu deveria ter mesmo colocado. Deveria ter aproveitado e colocado a pergunta: você sabe quem é o culpado pelos palestinos viverem assim? Antes que algum parvo viesse berrar mecanicamente "Israel, Israel", eu escreveria na legenda: o que os países árabes, como o Egito ou a Síria, fizeram até hoje pelo bem-estar dos palestinos refugiados? (Nem falo das causas do bloqueio a Gaza, porque aí já seria covardia...).
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Aliás, uma pergunta: será que a alimária que escreveu o comentário sabe que governo matou mais palestinos até hoje? Israel? Não: a Jordânia!!! Isso mesmo. Em apenas um mês - setembro de 1970 - o governo jordaniano matou mais palestinos do que todos os que morreram em confronto com Israel desde 1948. Mas - que estranho! - ninguém fala nisso hoje em dia. Ninguém organiza "comboios humanitários" contra Amã. Por que será?
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Nossa... Então há "milhares" (sic) de palestinos mortos e presos injustamente, é? Ah, esses judeus malditos... Ops, digo, esses sionistas malvados... Talvez fosse melhor eles pararem de se defender dos humanistas do Hamas e do Hezbollah, que só querem - vejam só - varrer Israel do mapa... Talvez fosse melhor a polícia deixar de prender assassinos e traficantes. Aí sim, teríamos "paz", não é verdade?
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Vou fazer a vontade ao distinto leitor anencéfalo e mostrar uma foto "dos próprios israelenses que mataram o único presidente disposto a resolver o conflito, os pobres e indefesos israelenses o mataram como prova de civilidade não é mesmo?" Aí está:

O cidadão acima chama-se Yigal Amir, extremista israelense que matou a tiros o primeiro-ministro (e não presidente) de Israel Yitzhak Rabin, em 1995, e que desde então se encontra preso em Israel, condenado à prisão perpétua. Por que Rabin foi assassinado? Porque assinou a paz com Yasser Arafat, em 1993, logo depois que este renunciou ao terrorismo contra Israel e reconheceu seu direito à existência. O assassino, já escrevi aqui, agiu sozinho. Muito diferente do Hamas. Na mesma época da morte de Rabin, aliás, o Hamas desencadeou uma onda de atentados terroristas com homens-bomba contra alvos israelenses. Por quê? Porque, assim como Yigal Amir, o Hamas se opunha ao processo de paz na região. Porque se opunha à solução de dois Estados, um israelense e outro palestino. E continua a se opor, com foguetes e homens-bomba. E muita propaganda.

Agora observem essa outra foto:


A imagem mostra o momento em que o presidente do Egito, Anuar Sadat, era assassinado por terroristas islâmicos, durante uma parada militar no Cairo, em 06/10/1981. Por que Sadat foi assassinado? Porque foi - atenção! - o primeiro presidente árabe que teve a coragem de reconhecer o direito de Israel existir e assinar um acordo de paz com Israel, em 1979. Quem o matou? Algum árabe ou palestino isolado? Algum louco solitário, como Yigal Amir? Não: uma organização terrorista islamita, que tinha entre seus membros o atual número dois da Al Qaeda. Nos moldes do que é o Hamas hoje.

A morte de Yitzhak Rabin foi pranteada pelos israelenses, que o consideraram um herói da paz. Seu assassinato foi deplorado por todas as pessoas de bem do mundo. Já o assassinato de Sadat foi festejado nos territórios palestinos e em vários países árabes, onde os assassinos, e não Sadat, foram homenageados como mártires. Precisa dizer mais?

Além do mais, de onde o leitor tirou a conclusão de que Rabin foi "o único presidente (sic) disposto a resolver o conflito"? Então todos os demais líderes israelenses, desde Davi Ben-Gurion, passando por Golda Meir e Menahem Begin - que assinou a paz com o Egito - não tinham nenhum interesse em resolver o conflito? É isso? Então eles, os israelenses, vivem em guerra porque querem, porque gostam da guerra, e não porque o inimigo - no caso, o Hamas, o Hezbollah, o Irã - jurou exterminá-los? Então a paz não tem nada a ver com os inimigos de Israel reconhecerem seu direito de existir e renunciarem ao terrorismo, como fizeram Sadat em 79 e Arafat em 93?

Ainda assim, como a estupidez, ao contrário da inteligência, é infinita, alguém repetirá, pela enésima vez, que a culpa de todos os problemas no Oriente Médio é de Israel. Que o terrorismo do Hamas só existe por causa do bloqueio a Gaza etc. Nesse caso, proponho o seguinte:

Imaginem que Israel acabe amanhã com o bloqueio a Gaza. O que o Hamas faria? Abandonaria o terrorismo e seus militantes soltariam pombas e passariam a cantar, de mãos dadas, hinos de paz? (A resposta já foi dada: em 2005, Israel se retirou totalmente de Gaza. O que aconteceu depois? Os ataques com foguetes do Hamas a Israel diminuíram? Pelo contrário: triplicaram!!!)

Não acharam o exemplo acima o suficiente? Então imaginem que Israel se retire, total e incondicionalmente, de TODOS os territórios palestinos ocupados - como de fato o fez em Gaza, em 2005, ou do Líbano, em 2000. O terrorismo islamita cessaria?

Não estão convencidos ainda? Então vou mais além: imaginem que Israel deixe de existir. Isso mesmo. Imaginem que, amanhã, o Estado de Israel simplesmente não exista mais, e todos seus habitantes, sei lá, voltem para a Europa. A pergunta é: o Hamas, o Hezbollah, o Irã deporiam as armas e desistiriam da "jihad" contra os "infiéis" (ou seja: todos os não-muçulmanos)? Sim ou não?

Pois é. Se você entendeu as perguntas acima, você matou a charada do que realmente está em jogo no Oriente Médio. Se não entendeu, infelizmente é porque seu cérebro já virou pudim e você não sabe.
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Mas é inútil repetir tudo isso aqui. Para quem tem bosta de vaca onde deveria haver massa cinzenta, não há razão que dê jeito. Para esse tipo de gente, pensar é ofensivo.
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E, finalmente:
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Cadê o video sensacional que a brasileira Iara Lee disse que vai desmentir os videos divulgados por Israel e que iria ser o maior sucesso de todos os tempos? A pipoca já esfriou.

sexta-feira, junho 11, 2010

O PERFEITO IDIOTA NORTE-AMERICANO ENTENDEU TUDO


E por falar em Goebbels...

Quem esteve por aqui dando o ar de sua (des)graça nestes dias foi o cineasta norte-americano e idiota útil profissional Oliver Stone. O diretor de JFK e de W (duas bombas que eu desrecomendo a qualquer um que queira manter a cabeça no lugar) veio para promover seu mais novo filme, Ao Sul da Fronteira, e, de quebra, puxar o saco de Lula e de Dilma Rousseff, com quem se encontrou (o que será que conversaram?). Tudo dentro do figurino "gringo-com-complexo-de-culpa-abraçando-os-inimigos-do-império".

Oliver Stone (ou "Stoned" - chapado, em inglês -, como é chamado por seus conterrâneos) é um dos maiores representantes da "esquerda holywoodiana", ao lado de outros notórios farsantes, como o balofo Michael Moore. Ao Sul da Fronteira é um lixo, não passa de uma peça de propaganda ideológica travestida de "documentário" sobre os governos neopopulistas de esquerda na América Latina, como os dos caudilhos Hugo Chávez e Evo Morales, que Stone, assim como outro perfeito idiota, o paquistanês Tariq Ali, acredita serem parte de um "eixo da esperança". No filme, ele aparece em animados bate-papos com Raúl Castro, Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa, os quais seriam os representantes do "novo" no continente - um ditador de plantão que substitui o irmão, ambos no poder há mais de 50 anos, entre outros seus replicantes, representantes do "novo", vejam só... Faz questão de servir de tapete e de palanque para que eles façam sua demagogia antiamericana e anticapitalista - ou seja: antidemocrática -, chegando ao ponto de mostrar o índio de butique Evo Morales, por exemplo, batendo uma bolinha, na linha "gente como a gente". Enfim, uma peça publicitária que poderia ter saído de algum panfleto do PT ou das oficinas do Departamento de Propaganda do Partido Comunista Cubano. Frei Betto e Emir Sader devem estar babando de inveja.

Stone também entrevista, no filme, Lula. Para ele, o Apedeuta também é da corriola bolivariana. O Filho do Barril aparece discursando, digo, conversando com seu admirador americano, com sua proverbial modéstia. "Pela primeira vez o povo está sendo tratado como seres humanos neztepaiz", trombeteia o Noço Guia. Como se antes, digamos no período em que FHC esteve na Presidência, o povo brasileiro vivesse em jaulas e fosse tratado à base de ração e chicotada.

Bravatas lulistas à parte, tenho de admitir que o filme de Oliver Stone tem, pelo menos, um mérito. Ao colocar Lula ao lado de Chávez e Morales, ele viu algo que muita gente, no Brasil e no exterior, ainda se recusa a ver, apesar de ser cada vez mais evidente: que Lula, ao contrário do que muitos pensam (ou melhor: afirmam porque não pensam), é amigo e companheiro desses tiranetes, está com eles e não abre. É, na verdade, um cúmplice dessa corja.

Este é um fato para o qual poucos dão a devida importância, e que muitos ignoram completamente. Há quem acredite sinceramente que Lula é um antídoto ou um anteparo às loucuras de Chávez e Morales, um representante da "esquerda vegetariana" contra a "esquerda carnivora". Outro dia li um artigo que dizia que Lula é o "anti-Chávez". Na superfície, no estilo, pode até ser - Chávez adota o estilo sargentão, posando de Bolívar redivivo e inimigo das oligarquias, enquanto Lula faz o gênero conciliador, amigo de infância de quem antes esculhambava, como Sarney e Collor. Mas, na essência, há pouca ou nenhuma diferença entre o coronel venezuelano e "o Cara".

Lula não é o "anti-Chávez". Pelo contrário: ele está fechado com Chávez - e com Morales, Correa, Ortega, os Castro etc. - há muito tempo. Basta dar uma rápida olhada na política externa lulista - o apoio aos atentados à liberdade de expressão na Venezuela, a "neutralidade" em relação às FARC, os paparicos à ditadura totalitária de Cuba, o apoio a um golpista bolivariano em Honduras etc. - para constatar esse fato. O que isso tudo prova, senão o fato inegável de que a diplomacia brasileira, hoje, não passa de uma extensão dos delírios bolivarianos? Sem falar, claro, no maior tabu da imprensa brasileira nos últimos vinte anos, o Foro de São Paulo. Mas ainda assim há quem resista a considerar Lula parte da turma, e o veja como uma exceção, um democrata, um estadista e um líder respeitável. Por quê?

A resposta é óbvia, mas, como tudo que é óbvio, é difícil de ser assimilada pelos bem-pensantes. Chávez, Morales e Correa assumiram o poder em países em profunda crise, com a economia e as instituições em frangalhos, em alguns casos, como na Bolívia, à beira da convulsão social. Eles são, na realidade, o produto da degeneração econômica e política de seus países. Lula, ao contrário, herdou um país com instituições democráticas sólidas e a economia saneada (a tal "herança maldita" de que os petistas falavam até há pouco). Sua popularidade se deve unicamente ao que outros fizeram antes dele, e ao que ele se opôs anteriormente com fúria bravateira. Malandramente, cinicamente, ele agora reivindica essas conquistas como suas, colhendo o que outros plantaram. A ponto de hoje querer vender uma candidata à sua sucessão sob o slogan de que "não podemos voltar ao passado". E isso depois de ter tentado destruir todas essas conquistas no nascedouro! Em português claro, isso se chama estelionato. Mas pouca gente está prestando atenção.

O fato de ter tido a sorte de herdar um país economicamente estabilizado - com uma ajudinha de seus adversários tucanos - não faz de Lula o político sério e responsável que muitos na "zelite" acham que ele é. Muito pelo contrário. A economia, para Lula e os lulistas, é um meio, não um fim, para atingirem seus objetivos. Do mesmo modo que a democracia, para essa patota, não passa de um instrumento. O Lula verdadeiro, o Lula sem máscara, deve ser buscado nos escândalos de corrupção, no desprezo pelas regras democráticas, nas tentativas de calar a imprensa. Ou, então, na política externa, nas alianças com figuras como Chávez e Ahmadinejad. É a estabilidade econômica, da qual ele foi o principal inimigo no passado, que lhe garante o poder e permite suas aventuras no exterior a favor dos inimigos da democracia. É essa a essência do governo Lula, sua razão de ser, e não a manutenção do superávit primário e das metas de inflação. Sua relação com a economia, assim como com a democracia e a ética, é puramente instrumental, não filosófica.

É por não entenderem o que está acima que muitos analistas ditos sérios, em especial muitos economistas liberais, consideram Lula o máximo e seu governo um primor de lucidez e responsabilidade. Só podem fazer isso, claro, ignorando voluntariamente os laços dos lulistas com quem representa o oposto da liberdade e da democracia. Quando olham para Lula, vêem sinceridade e conversão genuína onde só há oportunismo e picaretagem política. Até um bocó como Oliver Stone percebeu isso.

A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR

Cadê o "vídeo bombástico" que a brasileira Iara Lee ameaçou divulgar, o qual desmentiria as imagens divulgadas por Israel e mostraria o que "realmente aconteceu" a bordo do navio Mavi Marmara em 31/05?
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Já se passou mais de uma semana e, até agora, nada. Estou esperando com impaciência. A pipoca já está esfriando.

Enquanto Iara Lee não mostra o video, fiquem com algumas imagens interessantes:




Membro do Hamas demonstrando todo seu humanismo contra Israel em meio à população palestina de Gaza. Reparem na criança ao fundo.

Alguns instrumentos da paz e do amor com os quais os pacifistas da ONG turca IHH receberam os soldados israelenses no navio Mavi Marmara.

Tem muito mais de onde eu tirei essas fotos. Mas não adiantaria muito colocá-las todas aqui. Na guerra de propaganda, Israel sempre sai perdendo. Afinal, ele já foi escolhido, há muito tempo, o lado criminoso e agressor, não é mesmo?

Contra a força da propaganda, a razão é impotente. Joseph Goebbels já sabia disso. Não por acaso, é dele a frase: "Uma mentira dita cem vezes torna-se verdade". Estamos vendo isso se repetir, hoje.

quinta-feira, junho 10, 2010

A VERDADEIRA CARA DOS "PACIFISTAS". OU: OS COMPANHEIROS DE VIAGEM DO TERRORISMO


Insisto na imagem acima. Faço questão de mostrá-la aqui, mais uma vez. Ela vale por mais de mil palavras. Mais até do que o video, que todos viram, que mostra claramente os "humanistas" do navio turco atacando e tentando linchar os soldados israelenses em 31/05. Observem a imagem com atenção.

A foto mostra, da esquerda para a direita, o cidadão turco Bület Yildirim e o palestino Ismail Haniah. Eles estão confraternizando, ao que parece Yildirim está recebendo uma placa ou algo assim das mãos de Haniah (ou entregando, não importa). Yildirim, embora não seja palestino, está usando um kafieh, o tradicional echarpe usado pelos palestinos, com a inscrição "Free Gaza Palestine", em inglês.

Quem são os dois cavalheiros na foto acima? Comecemos por Bület Yildirim. Ele é o fundador e presidente da "ONG" turca IHH, responsável pela organização da "flotilha humanitária" que tentou furar o bloqueio naval a Gaza e que foi interceptada, com os resultados que todos conhecemos, pela Marinha israelense. Um humanista, como se vê. .

E Ismail Haniah? É o presidente do Hamas. O Hamas é uma organização terrorista palestina apoiada pelo Irã de Mahmoud Ahmadinejad e que, assim como seu patrocinador iraniano, jurou varrer Israel do mapa. Foi criada no final dos anos 80, em oposição aos acenos da OLP de Yasser Arafat em direção à paz com Israel. Quando Arafat e Israel assinaram um acordo de paz, em 1993, o Hamas se opõs com violência, literalmente, desencadeando uma campanha de atentados terroristas com homens-bomba contra a população israelense, o que contribuiu para o naufrágio do processo de paz na região. Em 2006, um ano depois de os israelenses terem se retirado da região, o Hamas chegou ao poder na Faixa de Gaza, primeiro por meio de eleições, depois por um golpe de Estado. No golpe, os rivais do Hamas no movimento palestino, os militantes do Fatah, foram caçados pelas ruas e assassinados. Algumas fotos:

Atentado do Hamas a um ônibus lotado de passageiros israelenses, Jerusalém, 25/02/1996: 25 mortos e 80 feridos.




Bomba do Hamas em restaurante em Tel-Aviv, 17/04/2006: 11 mortos.


Desde que chegou ao poder em Gaza, o Hamas de Ismail Haniah tem intensificado os ataques com foguetes a alvos civis israelenses, que provocaram, inclusive, a guerra com Israel, em fins de 2008. Também tratou de impor, no território por ele dominado, a sharia, a lei islâmica, submetendo a população palestina de Gaza a um regime de terror religioso - uma antevisão do que pretende estender a todo o território de Israel e da Palestina caso um dia sejam vitoriosos. Nas escolas de Gaza, administradas pelo Hamas, crianças de seis anos de idade são ensinadas por uma versão local do Mickey Mouse a odiar os isralenses e a jurar matar os judeus. Foi para impedir os extremistas do Hamas de receber armas que Israel estabeleceu, em 2007, o bloqueio a Gaza, que a "ONG" IHH de Bület Yildirim tentou furar.

O Hamas não quer a paz. Quer a guerra, a eliminação do Estado de Israel. Não quer saber da solução de dois Estados - um israelense, um palestino - convivendo lado a lado. Quer, isto sim, aniquilar Israel e estabelecer uma teocracia islâmica em seu lugar, semelhante a do Irã. Essas verdades são tão evidentes que me dá até uma certa vergonha repeti-las. O que explica, então, a foto em que seu chefe máximo, Ismail Haniah, aparece ao lado do "humanista" Bület Yildirim? O que explica as ligações entre a IHH e o Hamas? E por que raios quase ninguém se lembrou disso nos últimos dias?

A resposta para as duas primeiras perguntas, mesmo correndo o risco de parecer repetitivo, está na cara, só não vê quem não quer (ou quem já está totalmente cego, surdo e idiotizado pelo ódio antissionista): a tal "flotilha da liberdade" organizada pela "ONG" turca com laços com o Hamas não tinha nada de "humanista" ou "pacifista". Pelo contrario: era tão-somente uma provocação; seu objetivo não era entregar comida e remédios aos palestinos, mas sim armar uma armadilha para criar um incidente internacional passível de exploração propagandística contra Israel. A oportunidade surgiu quando os soldados israelenses interceptaram um dos barcos, com o objetivo de inspecionar a "carga humanitária". Foi aí que os "pacifistas" entraram em ação, caindo de pau em cima dos israelenses. Com que finalidade? Provocar uma reação dos militares, que, pegos de surpresa, ameaçados de linchamento, não tiveram outra saída senão se defender da maneira como soldados são treinados para fazê-lo. Tendo alcançado o que queriam - nove mortos, mais dezenas de feridos, inclusive do lado israelense -, a tropa de choque anti-Israel pôde, então, posar de vítima e colher os frutos de mais essa vitória no terreno da propaganda e da guerra psicológica - imediatamente, antes que o episódio fosse esclarecido, a "opinião pública mundial" se insurgiu contra a "brutalidade" e a "truculência" de Israel, exigindo o fim imediato do bloqueio à Faixa de Gaza.

E o Hamas nisso tudo?, poderiam perguntar. O Hamas pratica essa tática há anos, apenas com menos sutileza: em todos os seus atentados, como nos mísseis lançados contra Israel, seus assassinos fazem questão de envolver a população civil, infiltrando-se entre ela, com o objetivo de levar Israel a uma reação sangrenta. Foi assim que agiram na última guerra na região, em 2008/2009, quando usaram até não poderem mais a população civil de Gaza - de preferência velhos, mulheres e crianças - como escudos humanos e chamarizes da represália israelense. Os terroristas só têm a ganhar com isso, assim como os "pacifistas" do Mavi Marmara só tinham a ganhar ao atacar os soldados com facas, canos de ferro e tiros. Por quê? Porque a "causa" dessa gente É IRRIGADA COM SANGUE INOCENTE. Só isso.

Mulher-bomba do Hamas antes de entrar em ação. Note o olhar da criança, ansiosa para chegar ao "paraíso" e levar alguns "infiéis" consigo.

Manifestação do Hamas. Note como eles cuidam bem das crianças...

É impressionante como quase ninguém percebeu o tamanho da farsa. É impressionante como quase ninguém se deu conta de que, por trás das manifestações de "indignação" contra o "ataque" israelense, estavam as mesmas forças, e os mesmos interesses, que alimentam o terrorismo islamita. Caíram, quase todos, em um imenso golpe de propaganda anti-Israel, sem se dar ao trabalho de ligar os pontos ou de sequer ver o que os videos mostram em detalhes. Formou-se uma imensa frente única anti-isralense, que foi do Hamas (que quase ninguém lembrou que existe) ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. Nem a VEJA escapou.

O tamanho da farsa fica mais evidente a cada dia. Pouco depois da desastrada interceptação isralense - que, por ter sido desastrada, nem por isso deixou de ser necessária -, a mesma Marinha de Israel interceptou outro navio do "comboio humanitário", que havia ficado para trás, tripulado por ativistas irlandeses. Dessa vez, não houve nenhum morto, nenhum ferido. Pelo simples motivo de que os soldados não foram recebidos, como sucedeu no Mavi Marmara, com facas e porretes. Em vez disso, os 20 ativistas a bordo do Rachel Corrie aceitaram a inspeção e o barco foi escoltado até o porto de Ashdod, de onde a carga, devidamente inspecionada, seguiu para Gaza. Mas isso, claro, não rendeu manchetes. Em outro incidente, quatro militantes do braço armado do Fatah, as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, foram mortos pelas Forças de Defesa de Israel quando se aproximavam, em um bote, da área de Gaza sob bloqueio. Segundo o Fatah, eles estavam em "treinamento". O que "treinam" exatamente os membros do braço armado de um movimento político, ainda mais dentro de uma área militarmente bloqueada? Certamente, não é como lançar flores ao mar.

Um detalhe importante: a bordo do navio irlandês interceptado pela Marinha israelense estava Mairead Corrigan Maguire, Prêmio Nobel da Paz de 1976 por seus esforços pela paz entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte. O próprio nome do navio - Rachel Corrie - faz homenagem a uma militante pacifista que morreu esmagada por um trator ao tentar impedir a demolição de casas palestinas. Isso seria uma "prova", na visão de muitos, de que o comboio era "humanitário". Pois eu pergunto: o que fazia uma ganhadora do Nobel da Paz num comboio de amigos do Hamas? E ainda mais num navio com nome de heroína pacifista? Responda quem puder.
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Aqui é que entro na questão principal deste texto. Acredito que Mairead Maguire seja uma pacifista legítima, que realmente crê no diálogo entre os homens de boa-vontade para resolver os problemas do mundo. Como acredito, também, que havia pacifistas genuínos a bordo dos demais navios. Quero acreditar, aliás, que haja membros da "ONG" turca IHH que sejam verdadeiros amantes da paz e que Iara Lee, a brasileira que fez parte da presepada, também seja, vá lá, uma seguidora de Gandhi e de Martin Luther King. Mas isso só torna mais surreal o fato de terem embarcado, literalmente, na nau dos insensatos. Como o video da Marinha israelense revelou, a recepção aos soldados israelenses não foi nada pacífica. Tampouco Ismail Haniah é um manso cordeiro e uma pomba da paz. Repito: o que pacifistas, sinceros ou não, faziam num comboio de amigos do Hamas? .

Do mesmo modo como os fanáticos do Hamas se infiltram entre os civis palestinos com a intenção de provocar Israel e causar um banho de sangue, os "pacifistas" da IHH usaram os demais ativistas a bordo para criar mártires. Entre os militantes e tripulantes dos navios, havia um bebê de colo. O que leva alguém a levar um bebê a uma zona de guerra? Amor pela humanidade?

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Militante do Hamas em ação contra forças de Israel. Notar a "carne barata" atrás do bravo combatente. Comparem com o que aconteceu a bordo do Marvi Marmara.



"Forças de segurança" do Hamas prendem militante do rival Fatah, em 2007. É assim que agem os "humanistas" do Hamas.
Tentei chamar a atenção de algumas pessoas com quem procurei debater nesses últimos dias para esses fatos, assim como para a ligação da IHH com o Hamas. Em vão. Nessa questão do Oriente Médio, a racionalidade parece ter tirado férias. O "mundo" já decidiu, há tempos, que Israel está sempre errado, não importa o que faça. Uma das respostas que recebi foi que a ação israelense, como o próprio bloqueio, se dirige contra a totalidade dos palestinos, e não contra o Hamas. Inútil lembrar que é exatamente isso o que os genocidas do Hamas desejam que todos pensem, usando sua própria população como escudos humanos. Para os adoradores da morte, a carne dos civis palestinos é barata. Assim eles conseguem mobilizar o "mundo" contra o inimigo e ainda por cima fazer pose de vítimas. Pelo visto, com a ajuda, consciente ou não, de quem cultiva um ódio irracional antissionista, quando não abertamente antissemita, estão conseguindo. Não ficaria surpreso se eles conseguirem convencer a todos que são Madre Teresa de Calcutá.
E agora volto aos pacifistas a bordo do "comboio humanitário". Das duas uma: ou eles não sabiam o que estavam fazendo, logo são idiotas úteis, ou sabiam, e nesse caso são mais do que simplesmente ingênuos a serviço de uma causa que desconhecem: são cúmplices do terror. Quem souber uma terceira opção, por favor a apresente.
Na época da Guerra Fria, uma expressão que ficou famosa para designar idiotas úteis, incautos que, por excesso de idealismo ou ingenuidade - ou as duas coisas juntas -, colocavam-se, sem o saber, ao lado do totalitarismo comunista contra a democracia, era "companheiros de viagem". Poucas vezes essa expressão ajustou-se tão bem aos pacifistas que, por qualquer motivo que seja, aceitaram fazer parte de mais essa gigantesca farsa contra Israel.
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E só para terminar: quantas vezes você viu a foto acima mostrada na imprensa, na última semana?

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O chefe do Hamas, Ismail Haniah (o mesmo da foto lá de cima), em um momento de pura ternura e humanismo: mais um futuro mártir para Alá...
P.S.: Tenho certeza de que os adoradores do ódio, ou simples almas ingênuas, sentindo-se talvez indignados com as imagens acima, descartarão o texto e bombardearão este escriba com links para sites mostrando fotos aterradoras de "atrocidades israelenses" contra "o povo palestino" etc. Nos links, deverá constar, sem dúvida, alguma foto de uma criança palestina morta e a frase "este era um terrorista?" etc. etc. Se estão planejando isso, sinto desapontá-los. Poupem seu tempo, e o meu também. Já conheço todos os truques desse pessoal. Para me desacreditar, não é preciso fazer uso de nenhum recurso gráfico: basta responder alguma das questões colocadas acima. Se conseguirem me convencer, com fatos e lógica, que estou errado, que Israel não tem o direito de se defender, então me disponho a embarcar no primeiro "comboio humanitário" a Gaza que aparecer. Organizado ou não por amigos do Hamas. Tentem fazê-lo.

LULA, O BIRRENTO


"- Me larga! Eu não quero ser salvo!"
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"Por pura birra", urrou o maior pacifista a andar sobre a Terra desde Gandhi, ao mencionar por que, em sua "opinião pessoal", a ONU decidiu manter as sanções a seu amigo Mahmoud Ahmadinejad do Irã. Deve ser mesmo. Afinal, só pode ser birra impor sanções a um regime que, entre outras maravilhas:

- desenvolve há anos um programa nuclear secreto, e se recusa a permitir inspeções da AIEA;

- patrocina o terrorismo islamita em pelo menos três países;

- é comandado por um sujeito que nega que o Holocausto existiu e que trabalha para torná-lo uma realidade;

- é uma teocracia islamita baseada na "sharia", a lei islâmica, onde a oposição é tratada com chicote;

- e etc., etc., etc.

Um regime, como se vê, tão humanista, tão democrata e amante da paz, comandado por gente tão cordata e sensível, que só quer ter armas atômicas para fins medicinais. Ou a "bomba atômica para fins pacíficos", como disse outro dia o José Alencar. E aí vem o Conselho de Segurança da ONU com mais sanções... É. Só pode ser birra mesmo.

Ou, então, Lula está se referindo a outra birra. Dessa vez a birra seria "deles", os estaduznidu. Barack Obama e Hillary Clinton devem ter implodido o "acordo" Brasil-Turquia-Irã e arquitetado as sanções a Teerã apenas por birra de Lula. Por pura ciumeira, para que ele não levasse as glórias de passar à História como o homem que "trouxe o Irã para a mesa de negociação" e que "levou a paz" ao Oriente Médio. Mais: para que ele não se impusesse como o líder do mundo. Malditos gringos despeitados, que não se conformam que um amarelinho lá de Garanhuns venha meter o bedelho onde não foi chamado e roubar a cena... Mas aí o caso não é mais de birra: é de internação psiquiátrica mesmo.

quarta-feira, junho 09, 2010

LULA, O SÁBIO


"Nós conseguimos em 18 horas o que os EUA não conseguiram em 31 anos", vangloriou-se o reformador do planeta e maior especialista em geopolítica desde Haushoffer. Ele está se referindo, claro, ao "acordo histórico" assinado em 17 de maio entre Brasil, Turquia e Irã, e que foi implodido logo em seguida pelas sanções da ONU ao regime de Mahmoud Ahmadinejad, confirmadas nesta quarta-feira por 12 votos contra dois e uma abstenção no Conselho de Segurança. "Trouxemos o Irã para a mesa de negociação", é a toada triunfalista que não pára de ressoar. Afinal, não era o que o mundo queria?, indaga candidamente o comandante do mundo, para emendar, logo em seguida, com a cara mais lavada do universo, quase aos berros: pois eu fui lá e fiz!

Fez nada. Ou melhor: fez sim, mas papel de palhaço. De bobo da corte. De idiota útil da arena internacional. Um verdadeiro trapalhão, para dizer o mínimo. Ou cúmplice mesmo de um regime terrorista e potencialmente genocida, para ser menos caridoso.

Não, Lula e seus capachos não conseguiram "em 18 horas o que os EUA não fizeram em 31 anos". Não, ele e Celso Amorim não "trouxeram o Irã para a mesa de negociação". O que conseguiram, o que fizeram, foi apenas dar mais tempo a Ahmadinejad para que ele continue a fazer o que vem fazendo, e que motivou as sanções da ONU: enganar o mundo, negando-se a se submeter às inspeções da AIEA e continuando a enriquecer urânio para seu programa nuclear secreto. Mas não contavam com a pronta reação do mundo civilizado.

Com ou sem o tal "acordo", que Lula e sua equipe de propaganda festejaram, para usar uma expressão da moda, como a conquista de uma Copa do Mundo, o Irã continuará a enriquecer urânio para obter a bomba atômica. Com ou sem o "clima de confiança" cuja criação o Itamaraty insiste em dizer ter sido o objetivo do "acordo", o regime dos aiatolás continuará desdenhando a ONU e a AIEA. Isso não é assim porque eu quero que seja. Foi o próprio porta-voz da Chancelaria iraniana, no dia seguinte à assinatura do "acordo" em Teerã, que deixou isso bem claro. Ahmadinejad e sua Guarda Revolucionária, que é quem de fato controla o programa nuclear iraniano, não foram trazidos para a mesa de negociação coisa nenhuma. Até porque renunciar à bomba atômica está fora de cogitação por parte de Ahmadinejad, para ele é algo inegociável. Com as sanções, isso fica mais difícil.

Lula está mentindo, como sempre, e sabe que está mentindo. Mas, como das outras vezes, tanto no plano externo como internamente (lembram do mensalão?), ele acha que vai se dar bem e convencer a muitos idiotas, que não faltam, repetindo essas mentiras. Foi assim no caso de Honduras, onde até hoje há quem jure que o Brasil apoiou um democrata contra golpistas, e não o inverso. E está sendo assim agora, inclusive com o vazamento malandro de uma carta de Barack Obama, que supostamente instruiria o governo brasileiro a assinar o tal "acordo" com Teerã nos moldes do que foi firmado em 17 de maio, o que é mais uma grossa mentira (a carta não faz qualquer referência a aceitar que o Irã continue a enriquecer urânio, muito pelo contrário). Com os lulistas é assim: se "eles" (os EUA) não nos deixam posar de independentes, nós os criticamos por não terem nos deixado seguir à risca o que dizemos que eles nos mandaram fazer... É a "independência" antiamericana da diplomacia petista em ação.

Lula se comporta como se o mundo fosse um sindicato, e como se o Irã fosse uma democracia. Sua visão do que seria um acordo de paz no Oriente Médio não vai além de uma negociação salarial entre empresários e uma assembléia sindical no ABC paulista. Ou, então, de uma troca de cargos com os partidos da base alugada de seu governo. Seu conhecimento sobre política internacional e, em particular, sobre os problemas do Oriente Médio, é zero. Daí suas platitudes sobre conseguir, com seu charme e suas piadas de porta de fábrica, o que outros mais poderosos do que ele não conseguiram. Daí sua conversa mole sobre trazer o Irã para a "mesa de negociação". Daí sua comparação, feita no ano passado, entre os manifestantes torturados e assassinados pela polícia religiosa após a fraude nas eleições presidenciais iranianas e uma torcida de futebol cujo time perde um jogo. É esse "O Cara"? É esse o "político mais influente do mundo", segundo a Time? (na verdade, um dos, mas vá explicar isso para os lulistas...).

Nunca na história do mundo houve uma diplomacia tão patética quanto a do governo Lula. Nunca o Brasil colecionou tantos fracassos memoráveis, transformados em vitórias por uma imprensa chapa-branca e complacente. Nunca houve um presidente tão fanfarrão e tão absurdamente mentiroso e megalomaníaco. Nunca um completo ignorante se pavoneou tanto de ser um sábio e professor de relações internacionais. E nunca tantos caíram nesse conto-do-vigário. Nunca tanta gente endossou a loucura, tomando-a por sabedoria. E assim será, por muito tempo ainda. Pelo menos enquanto houver quem diga amém a essas fanfarronadas.

E A POLÍTICA EXTERNA LULISTA, FINALMENTE, ATINGE SEU MOMENTO DE GLÓRIA...


Mais uma vitória acachapante da diplomacia brasileira!

Mais uma vez, o mundo se rende ao talento, charme e simpatia brazucas!

Mais uma vez, o planeta reconhece nossa superioridade política e moral!

É o Brasil no caminho para se tornar uma superpotência!

Viva Lula, futuro presidente da Confederação dos Planetas!

Por 12 votos a favor e dois contra, e uma abstenção, o Conselho de Segurança da ONU aprovou hoje, 9 de junho, uma nova rodada de sanções ao Irã. Os dois votos contra foram do Brasil e da Turquia. A abstenção foi do Líbano.

Nem o Líbano, dominado em parte pelo Hezbollah e pela Síria, quis dar seu voto a favor do regime iraniano. Mas o Brasil votou contra as sanções.

É a diplomacia lulista mostrando toda sua competência!

É o mundo se rendendo, outra vez, a nosso charme, talento e simpatia!

É o planeta reconhecendo, por 12 votos a 2, nossa superioridade política e moral!

É o Brasil no caminho para se tornar um país respeitado por todos, com voz e lugar garantidos no seleto clube dos grandes potências!

Como um triunfo desses não pode vir desacompanhado, os tocadores de tuba de Lula e de sua diplomacia aloprada já têm pronto o discurso que leremos e ouviremos nos próximos dias:

- as sanções são um erro, não resolvem a questão; irão apenas levar ao endurecimento da posição iraniana etc.;

- o melhor seria cumprir o "acordo" de 17 de maio entre Brasil, Turquia e Irã, que teve por objetivo "criar um ambiente de confiança" com Teerã etc. etc.
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E já têm pronto também o que NÃO falarão:
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- Ahmadinejad não tem mostrado qualquer interesse em dialogar para deter seu programa nuclear e permitir inspeções da AIEA;

- o "acordo" com o Brasil e a Turquia foi apenas uma tentativa de Ahmadinejad ganhar tempo e continuar engabelando a todos, não tendo nada a ver com o que foi proposto pelas grandes potências em outubro de 2009;
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- o Irã, com ou sem os 1200 quilos de urânio levemente enriquecido a serem enviados à Turquia, continuará enriquecendo urânio em casa, com fins nada civis, e teve descoberta no começo do ano uma usina nuclear secreta;

- Ahmadinejad não esconde seu objetivo de aniquilar Israel;

- a alternativa às sanções, nesse contexto, é a guerra. Ou deixar Ahmadinejad livre, leve e solto para fazer o que quiser.

E por aí vai.

Nada disso será dito por aqui, é claro. Por estas bandas, continuará a farsa do Lula "estadista", que ousou "desafiar os poderosos do mundo". É um discurso muito popular.

No final, algum porta-voz do governo virá com a conversa de que somos os "campeões morais". E haverá quem assine embaixo, podem acreditar!

E assim, estará aberto o caminho para outro triunfo avassalador do Itamaraty petista. Talvez em Honduras.

O Brasil, ao lado da Turquia, isolado na defesa de Mahmoud Ahmadinejad e de seu programa nuclear.
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O Brasil, mais até do que o Hezbollah, defendendo o "direito" de o Irã produzir armas atômicas para fins medicinais...

É ou não é a glória?

terça-feira, junho 08, 2010

LULA, A PIADA INTERNACIONAL


Finalmente, o mundo se rende ao Brasil!
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Finalmente, somos um país importante!
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Graças a nosso presidente e à sua política externa, o Brasil é um sucesso!
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Viramos assunto dos programas de TV estrangeiros...
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...mas dos programas de humor!
...
Está circulando na internet um video hilário. Ele mostra um sketch do programa humorístico israelense Latma, em que dois repórteres entrevistam um comediante que se faz passar por Lula da Silva. O assunto é o recente "acordo" celebrado com pompa e circunstância entre Brasil, Turquia e Irã. As respostas de Lula, enquanto bebe o que parece ser uma caipirinha, cercado por duas assessoras que não param de dizer como ele é importante, são o ponto alto da brincadeira.

O sarro que os israelenses tiram da cara do Nosso Líder é genial. Não vou dizer mais nada, para não estragar a surpresa. Quem quiser dar boas risadas e constatar como "O Cara" é visto em Israel pode conferir no Youtube. Digite "Lula paga mico em Israel" e divirta-se. Menos, claro, se você for petista.

A produção é meio mambembe e a caracterização de Lula, assim como a música que segue, são algo toscas (a música, por exemplo, está mais para mambo do que para samba, o que mostra como somos conhecidos por aqueles lados). Mas o video é muito bom, é uma das coisas mais engraçadas que vi nos últimos tempos. E inteligente também. Poucas vezes vi um personagem - e Lula, acima de tudo, é um personagem - ser desconstruído da maneira como os comediantes da Latma fazem com o Apedeuta. Lá está toda sua ignorância ("Israel não fica na Europa"?), sua boçalidade, sua vaidade sem limites, sua megalomania ("agora somos uma superpotência"). Outro video que está fazendo sucesso, e do mesmo programa, é uma paródia de We Are The World, em que os ativistas da tal "ONG" turca que armaram a provocação anti-israelense no navio Mavi Marmara aparecem cantando como conseguiram enganar o mundo posando de humanistas. "Ainda vamos fazer todos acreditarem que o Hamas é Madre Teresa", diz uma das estrofes. O riso é mesmo o maior inimigo da babaquice.

Os brasileiros gostam de se gabar de seu bom humor. É porque não conhecem os programas humorísticos de Israel. Comparados a estes, estamos há anos-luz de sermos realmente engraçados. Isso porque todo humor que se preza é sempre do contra, não admite contemporizações com quem quer que seja. Nesse sentido, nada mais idiota, nada menos inteligente, do que o tal humor brasileiro. Brasileiro não é bem-humorado. É bobalhão. Bombardeie-o com propaganda ufanista e megalomaníaca, mostre o atual governante como o homem mais importante da História desde os Faraós do Egito, e, em vez de cair na gargalhada, ele vai acreditar. Basta ouvirmos Lula repetir que agora, sim, somos um país respeitado no mundo, e cairemos feito otários, passaremos a repetir slogans oficiais como papagaios, agitando bandeirinhas, com o peito estufado de orgulho e felizes da vida. Viraremos todos propagandistas do governo, anestesiados, incapazes de enxergar o grotesco e o ridículo disso tudo. Em Israel, Lula já virou piada. Aqui, somos incapazes de entendê-la.

Com a Era Lula, a qualidade do humor brasileiro, que já não era das melhores, sofreu um declínio. Se, alguns anos atrás, ainda havia algumas boas sacadas e críticas criativas ao presidente orgulhosamente semi-analfabeto e que fingia não saber de nada que acontecia à sua volta, hoje, o peso do politicamente correto e da propaganda ufanista se impôs, sufocando quaisquer criatividade e ousadia. O resultado é que a reverência e a institucionalização tomaram o lugar da piada, da molecagem que caracteriza os verdadeiros humoristas. Humor hoje, no Brasil, é o Casseta & Planeta, é o Pânico na TV! Este último, aliás, começou com uma proposta ousada e anárquica, do tipo "nonsense sem limites", que remetia aos melhores tempos do TV Pirata nos anos 80. Depois, abobalhou-se, autocensurando-se para livrar políticos amigos de aparecerem em situações vexaminosas. Hoje, limita-se a um escracho do tipo pastelão, tirando onda com celebridades de quinta e posando de bons-moços e assistencialistas, como um Luciano Huck ou um Gugu Liberato. No quesito humor mesmo, está cada vez mais parecido com os humorísticos popularescos, como Zorra Total e A Praça é Nossa. Ou seja: um festival de asnices e de baboseiras, feitas por e para débeis mentais, dignas de quem tem um QI de ameba ou de quem não passou do jardim-de-infância. Se o humorismo verdadeiro tem uma função didática, ou melhor, se passa, necessariamente, pelo crivo da inteligência, então somos um dos povos menos bem-humorados do mundo. Babacas, seria a palavra mais adequada. Por estas bandas, os programas de humor já deixaram de fazer piada: viraram parte da piada.

Dizem que o brasileiro é um povo irreverente e galhofeiro, sempre pronto a rir de si mesmo e dos poderosos. Balela. Aí estão os programas humorísticos de Israel para mostrar quem é irreverente de verdade, e quem bate palma para políticos farofeiros e megalonanicos. A farsa, aqui, institucionalizou-se. Taí o lulismo que não me deixa mentir.

segunda-feira, junho 07, 2010

UM POUCO DE LUZ EM MEIO À ESCURIDÃO


Segue abaixo artigo de Christopher Caldwell, do Financial Times, publicado na Folha de S. Paulo deste fim de semana. Vocês verão que muito que eu venho dizendo desde o dia 31/05 está lá. Finalmente alguém na grande imprensa tocou no cerne da questão: por mais desastrada que tenha sido a ação militar israelense, a "flotilha humanitária" da "ONG" ligada ao Hamas foi uma provocação.

Provavelmente, não vai adiantar nada elencar aqui os argumentos que vêm em seguida, assim como não adianta lembrar que o Hamas quer destruir Israel e que já havia terrorismo contra Israel antes de o país ocupar a Faixa de Gaza, em 1967. Os adoradores da morte e inimigos de Israel - ou seja, uns 95% da humanidade, nestes dias - não dão a mínima para fatos e argumentos (e videos): já decidiram que Israel é sempre o culpado e o lado agressor, independentemente do que faça ou deixe de fazer. Mas fica o registro. E a pergunta: se Israel levantar o bloqueio a Gaza amanhã, estaria mais ou menos seguro? Em que isso iria fazer avançar a paz na região?
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Como sempre, é apenas uma pergunta. E, como sempre, ficará sem resposta.
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“Malfeito” e “estúpido” são os adjetivos que foram aplicados aos eventos da segunda-feira passada, quando soldados israelenses mataram nove passageiros e feriram inúmeros mais no navio turco Mavi Marmara.

A frota Gaza Livre, patrocinada por uma organização de caridade turca com laços com o radicalismo islâmico, tinha um objetivo humanitário: levar ajuda a Gaza. Mas como admitiram os líderes da frota, igualmente tinha um objetivo militar: quebrar o bloqueio a Gaza imposto por Israel em 2007.

Quando os participantes em um conflito borram a linha entre civis e combatentes, as boas opções desaparecem. Sob as circunstâncias, a ação não foi nem estúpida nem malfeita. Repeliu com sucesso um ataque às fronteiras de Israel, embora a custo consideravelmente mais elevado do que Israel desejaria.

Há um bloqueio a Gaza porque o Hamas, o partido islâmico que governa o território, quer Israel destruído. Nos últimos anos, foram lançados milhares de foguetes em cidades no sul israelense.

Pode-se discutir se o isolamento do Hamas é sábio, razoável, proporcional ou eficaz. Mas é outra questão se Israel tem o direito de reforçar um bloqueio numa zona de guerra.

As críticas ruidosas à ação israelense tendem a misturar os dois aspectos acima para dizer que porque a) o bloqueio israelense de Gaza é injusto, e b) os passageiros da frota se opõem ao bloqueio, consequentemente, c) no encontro entre Israel e os passageiros, Israel está errado, e os passageiros, certos.

Este é um ponto de vista ilógico e um modelo para a escalada da violência. Imagine o perigo se, na Guerra Fria, as organizações não governamentais do bloco soviético tivessem navegado pequenas frotas em águas dos EUA para protestar sobre o conflito racial americano.

Israel forneceu a evidência de que seus soldados estavam em perigo mortal quando chegaram ao Mavi Marmara -as imagens em vídeo de alta qualidade, que foram liberadas em horas. O governo mostrou que os passageiros trouxeram máscaras de gás e tinham pré-fabricado vídeos de propaganda.

O jornal “The Guardian” relata que três dos turcos mortos procuravam o “martírio” com a operação. Diversas fontes relatam ligações próximas entre o IHH, patrocinador da frota, e o Hamas.

SEM OPÇÕES
Mas as intenções daqueles no barco -se humanitárias, como disseram (publicamente) os organizadores, ou terroristas, como dizem os israelenses- não têm nada a ver com a justiça ou a injustiça da ação. Proteger fronteiras diz respeito à soberania, não a sentimento.

A intenção explícita dos ativistas em violar o bloqueio israelense torna quase certamente a posição precisa do barco menos importante.

A insistência, mesmo entre os aliados israelenses, na visão de que Israel se comportou de modo estúpido apoia-se na ideia de que havia outras opções. O jornalista americano Thomas Friedman e o escritor israelense David Grossman criticaram líderes de Israel por não atuar mais “criativamente”.

Israel foi responsabilizado pelas ações de outros -particularmente, para a deterioração em seu relacionamento com a Turquia. Este ponto de vista é promovido cinicamente por Suat Kiniklioglu, um porta-voz do partido turco AK, que diz que o incidente “danificou irrevogavelmente as relações turco-israelenses em nível bilateral”.

A deterioração das relações turco-israelenses ocorre desde que o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, trouxe o partido AK para o poder com a plataforma de tornar o país mais islâmico.

Não se pode reaver as boas graças do mundo muçulmano com atitude confiante, ou neutra, em relação a Israel. A hostilidade crescente da Turquia em relação a Israel é uma causa, não uma consequência, do incidente do Mavi Marmara.

A coisa mais alarmante da semana passada não foi o ataque. Foi a maneira como a opinião na internet ecoou a opinião dos ativistas e as opiniões de elites políticas e jornalísticas seguiram essa mesma linha.

Que Israel tenha perdido a batalha da opinião pública é desatroso. Mais incômodo é que essa batalha tenha sido perdida antes que os fatos estejam esclarecidos.

sexta-feira, junho 04, 2010

UM PAÍS CALUNIADO



Acima: o "humanista" Bület Yildirim, presidente da "ONG" turca IHH, que organizou o "comboio humanitário" a Gaza, ao lado do presidente do Hamas, Ismail Haniah.
Abaixo: Ismail Haniah, em um momento de puro "humanismo".

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"Por que você defende Israel?", pergunta o idiota da objetividade, diante da minha resistência individual e quixotesca diante da mais recente (e, certamente, não a última) gigantesca onda de uninanimidade anti-israelense. A pergunta já é bastante reveladora, pelo simples fato de ter sido feita. Realmente, não há país mais caluniado, enxovalhado, execrado, vilipendiado. Com a provável exceção dos EUA, com ou sem Obama, Israel já foi escolhido, há tempos, a Geni da política internacional. Não importa o que o país faça - ou não faça, dá na mesma -, estará sempre na berlinda. É e será visto sempre como o lado agressor e perverso, ainda que se defenda de quem quer vê-lo varrido do mapa. Como acontece agora, com o caso da tal flotilha "humanitária".

O caso pode ser resumido da seguinte maneira: um comboio organizado por uma "ONG" (faço questão de colocar entre aspas) da Turquia com nítidas ligações com o Hamas é interceptado em alto-mar quando se preparava para furar o bloqueio naval israelense a Gaza, estabelecido justamente para impedir que os terroristas que controlam a região recebam ajuda externa. Na ação de interceptação, os soldados israelenses são recebidos com canos de ferro, facas e tiros, sendo obrigados a reagir em legitima defesa. Antes, o comboio "humanitário" tinha se recusado a se deslocar para um porto próximo e permitir a vistoria de sua carga, que, se humanitária fosse, seria despachada para Gaza por terra, sem maiores problemas. Em vez disso, os ativistas da tal "ONG" preparam uma provocação sangrenta em pleno mar, em busca de "mártires". A ação é filmada, mostrando nitidamente que os soldados foram agredidos antes que pudessem ter disparado um único tiro, e que, se não agissem, seriam linchados. E quem passa por agressor e bandido? Os provocadores? Não! Israel!!!

Ontem, o Conselho de Direitos Humanos da ONU condenou, em termos veementes, a ação de Israel. O mesmo Conselho que não vê problema algum nos quase 400 mil mortos pelo governo genocida do Sudão em Darfur se enche de indignação pelos nove ativistas mortos no barco interceptado pelos israelenses e condena Israel antes mesmo que seja aberta uma investigação internacional sobre o ocorrido. É impressão minha ou, para os democratas e humanistas do Conselho de Direitos Humanos da ONU, a vida de nove militantes mortos em confronto numa armação anti-israelense vale mais do que a de quase 400 mil pessoas em Darfur?

Ontem também o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netaniahu, deixou as coisas em pratos limpos: “Vamos aos fatos: o Hamas continua a se armar. O Irã continua a contrabandear armas para Gaza. Se não fizermos isso [o bloqueio], haverá um porto iraniano em Gaza, e o significado será destrutivo para todo cidadão de Israel”. Alguém o ouviu? Alguém o ouvirá?

Hoje, Israel é o saco de pancadas favorito do mundo. Mas nem sempre foi assim. O país foi criado por uma resolução da ONU, em 1947, mas hoje em dia quase ninguém lembra disso. Assim como quase ninguém lembra que foi um brasileiro - o embaixador Oswaldo Aranha, hoje nome de avenida em Tel-Aviv - que presidiu a sessão da Assembléia-Geral da ONU que decidiu pelo estabelecimento do Estado judeu. Quase ninguém recorda que, no dia seguinte à sua criação, nada menos do que 7 (sete) países árabes o invadiram, dispostos já a destruí-lo no nascedouro. Tampouco lembram que foi principalmente graças à tenacidade de seu próprio povo, recém-saído dos horrores dos guetos e campos de concentração nazistas - uma antevisão do que pretendem os islamofascistas de hoje -, que o país conseguiu derrotar os que juraram aniquilá-lo e sobreviver. Hoje, porém, a ONU é um valhacouto de ditadores e terroristas, quase todos irmanados pelo ódio comum à democracia e a Israel, único país democrático do Oriente Médio. E aqueles que falam em "liberdade" e em "paz" são os mesmos que embarcam em provocações orquestradas por organizações vinculadas a terroristas islamitas, inimigos da paz e da liberdade. Como explicar?

Atualmente, ao contrário de sessenta anos atrás, a militância anti-Israel é uma causa bastante popular, também no Ocidente. Isso porque é uma causa "progressista". Pode, inclusive, ser associada a outras causas igualmente "progressistas", como a ecológica. Desconfio que a brasileira Iara Lee, que estava em um dos barcos da tal flotilha, jamais tenha visto de perto um palestino, assim como muitos europeus ou norte-americanos bem-nascidos que abraçam a luta contra a construção de barragens na selva amazônica jamais puseram os pés na floresta, ou conheceram de perto um índio txucarramãe. Mas ela "sente", como pessoa sensível e antenada com as "causas sociais", que eles, os palestinos, são o lado mais fraco; logo, Israel, como o lado mais forte, só pode ser o lado mau, o bandido da história. Para ela, assim como para legiões de inocentes úteis, Israel é o colonizador, e os palestinos são os "bons selvagens". Daí a ter embarcado num comboio "humanitário" organizado por uma "ONG" ligada aos fanáticos terroristas do Hamas foi um pulo. Daí a ter negado, em entrevistas, o que as imagens mostram, é outro pulinho.

Iara Lee tem todo o perfil da maioria dos "ativistas" anti-Israel atuais. É educada, fala baixo, aparenta certa fragilidade. Embora brasileira, vive há anos em Nova York, e fala português com um leve sotaque americano. É uma pessoa cosmopolita, certamente identificada com causas de esquerda. Nos EUA, certamente, ela seria uma "liberal". Aí é que está o nó da questão. A militância anti-Israel é vista como uma causa esquerdista, progressista, humanista até. O que torna ainda mais surreal a situação.

O anti-sionismo tem causas profundas, muitas delas, como veremos, inconfessáveis. Mas o anti-sionismo atual, que não raro se confunde com antissemitismo puro e simples, tem suas origens no final dos anos 60, mais especificamente após a estrondosa vitória israelense na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Não por coincidência, o mesmo período a partir do qual o terrorismo palestino, então encarnado pela OLP de Yasser Arafat e suas inúmeras frações, começa a ganhar força, sob os escombros do nacionalismo pan-árabe de Nasser, humilhantemente derrotado no campo de batalha convencional. Não por acaso, também no mesmo período, os EUA e a Europa ocidental entram numa fase que o historiador britânico Paul Johnson muito apropriadamente chamou de "tentativa de suicídio do Ocidente", sobretudo após as explosões estudantis de 1968 e a onda pós-modernista que se alastrou desde então. Para grande parte da intelectualidade esquerdista, as guerrilhas palestinas pareciam, assim, uma forma de luta "progressista" contra o "imperialismo". Daí a aliança, na prática, entre diversos grupos terroristas europeus, muitos deles marxistas, como o Baader-Meinhof da ex-Alemanha Ocidental, e terroristas palestinos.

Além do caráter "progressista", outro fator que aproxima os esquerdistas ocidentais da militância do Hamas ou do Hezbollah é o antiamericanismo, esse antigo fetiche de revolucionários e reacionários do mundo inteiro. É outra herança da Guerra fria. Embora tenha apoiado a criação do Estado de Israel em 1947, a URSS, pelas contingências do conflito ideológico com os EUA, passou a apoiar os árabes logo depois. O fato de os EUA serem os maiores aliados de Israel dá ensejo a que os antiamericanos de plantão - tanto de esquerda quanto de direita - vejam no país um simples títere da potência norte-americana, no que vai também uma boa dose de ignorância (Israel não costuma pedir licença a Washington para se defender, e há inclusive espiões israelenses presos nos EUA). Essas pessoas estão se lixando para a complexa questão do Oriente Médio. Querem apenas atacar os EUA e o Ocidente, usando Israel como pretexto. Odeiam Israel e os EUA não pelo que estes fazem, mas pelo que eles são. É o "ódio by proxy".

Agora, o lado mais curioso do anti-sionismo atual: com o fim da URSS, o caráter "progressista" da luta anti-Israel manteve-se intacto; na verdade, foi até reforçado. E isso apesar - ou por causa - de o anti-sionismo, assim como o antiamericanismo, ter-se fundido com o fundamentalismo islamita, representado pelo Irã e por seus proxies do Hamas e do Hezbollah. Fundamentalismo este que significa a negação radical de tudo a que aspira a esquerda ocidental e multiculturalista, como os direitos das minorias e das mulheres. Uma frente única de esquerdistas e fanáticos islamitas. Não é estranho? Das duas uma: ou gente como Iara Lee não tem a menor idéia do onde estão se metendo, e nesse caso são idiotas úteis, ou sabem, e são antissemitas, embora não o admitam.

E aqui chego ao ponto central deste texto: o discurso anti-Israel da atualidade é um discurso antissemita. Digo isso sem qualquer receio ou hesitação. É o antissemitismo, puro e simples, que está por trás, em última instância, das palavras de ordem contra Israel. Se têm alguma dúvida, vejam quem está na vanguarda da retórica e da ação anti-israelense. Quem dá o tom desse discurso e desse movimento é Ahmadinejad, é o Irã, é a Al Qaeda. Há setenta anos, era Hitler e as SS. Hoje, é o fascismo islâmico e os homens-bomba. Ou a "solução final" pregada por Ahmadinejad e pelo Hamas é diferente da implementada pelos nazistas?

É uma verdade dura, sei bem, mas é algo que precisa ser dito. Não que todos os ativistas palestinos ou anti-Israel sejam antissemitas. Mas, consciente ou inconscientemente, fazem o jogo dos inimigos da humanidade. Hitler também não chegou ao poder nem deflagrou o conflito mais letal da História somente com o apoio dos militantes do Partido Nazista. O mesmo vale para os "pacifistas" que participam de provocações contra Israel. Que uma pessoa aparentemente tão antenada e moderninha como Iara Lee estivesse num comboio de amigos do Hamas é algo que só pode ser definido como ingenuidade ou estupidez. Iara Lee, com suas idéias avançadas, duraria cinco minutos em Teerã ou na Faixa de Gaza?

Isso, claro, não impede que surjam iaras lees todos os dias, e inclusive que seja bastante popular o discurso da equivalência moral entre Israel e seus inimigos. Outro dia um conhecido meu fez questão de frisar esse ponto, ao criticar asperamente o "ataque" israelense à flotilha "humanitária". Além dos argumentos de praxe ("era um comboio humanitário", "estava em águas internacionais" etc.), meu amigo enfatizou que, ao proceder da maneira como procede - barrando navios de furarem bloqueios navais, por exemplo - Israel estaria se equivalendo, do ponto de vista moral, ao Hamas. Classificou ainda de "terrorismo de Estado" o que Israel faz com os palestinos etc. Perguntei então, várias vezes, se era possível colocar no mesmo nível moral quem mata de forma não-intencional para se defender e quem mata de forma intencional para destruir e aniquilar o outro. "Sim, claro! São ambos criminosos", foi a resposta que tive. E o policial que mata sem querer um refém e o bandido que seqüestra e mata de forma proposital, é possível dizer que são a mesma e única coisa?, insisti. "Sim, claro!", respondeu meu interlocutor, de forma taxativa, quase gritando. Pois é... David Ben Gurion e Golda Meir no mesmo saco que Mahmoud Ahmadinejad e Ismail Haniah. Conseguem vislumbrar?

Posso listar pelo menos uns dez bons motivos para defender Israel. Aí vai mais um: não há nada de "humanista" na militância anti-Israel, muito pelo contrário. Entre a propaganda e os fatos, fico com os fatos. Ou: entre a morte e a vida, fico com a vida. Entre a civilização e a barbárie, estou do lado da civilização. E sou a favor de que se chame as coisas pelo nome..

CÂMERA, LUZES... AÇÃO!


Iara Lee - aquela brasileira com cara e jeito de inocente útil que estava no tal "comboio humanitário" do Hamas (!!!) - espalhou por aí que irá divulgar um video bombástico, que mostraria o que "realmente aconteceu" naquele barco "atacado" por soldados israelenses. Estou curioso para ver o tal video. Especialmente porque, pelo que sugere Iara Lee, ele mostraria algo diferente do que o mundo todo viu nos videos liberados até agora: soldados israelenses cercados e quase linchados por uma horda sedenta de sangue, armada de barras de ferro, facas e pistolas.

Iara Lee é cineasta. Vamos ver se, com o talento que ela deve ter, ela consegue convencer a todos que os israelenses já chegaram atirando, e que foram eles que atacaram primeiro. Nada que uns bons recursos de computação gráfica e efeitos especiais não dêem um jeito...

Taí um desafio digno de um Oliver Stone. Melhor: de um Michael Moore!

Estou esperando o video. Certamente, vai ser um sucesso de bilheteria. Já mandei preparar a pipoca.
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UMA QUESTÃO

"Carlão" escreve. Eu, como sempre, respondo. (Sobre meu post "pergunte que eu respondo - II"):
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Você foi bastante claro. Mas, como na Faixa de Gaza não mora só o Hamas, julgo que não é apenas a parte (o Hamas) que sai prejudicado com o bloqueio, mas sim o TODO (o que infelizmente inclui o resto dos palestinos).
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Entendi. Então o bloqueio prejudica não somente os fanáticos do Hamas (que controlam Gaza com a sharia, a lei islâmica, e o terror desde 2006), mas o "todo", ou seja, o povo palestino etc. Logo, o bloqueio é injusto etc. e tal.
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Seria interessante especular sobre o que deve fazer um país que está sob ameaça direta de destruição diante de um inimigo genocida que toma o controle em uma região contígua à sua fronteira, e que passa então a usá-la como base para lançar ataques diários contra sua população. Deveria ignorar essa ameaça, renunciando a qualquer ação de força, para ficar bem diante da opinião internacional e não ser acusado, sei lá, de "tomar a parte pelo todo"? Estou curioso para saber o que o "Carlão" sugeriria. Mas deixa pra lá. Vou citar só um exemplo, que acho suficientemente claro:
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De 1990 a 2003, a ONU manteve fortes sanções ao Iraque, com a finalidade de enfraquecer o regime genocida de Saddam Hussein. As sanções da ONU, que valeram como um bloqueio, penalizaram principalmente a população iraquiana. A mesma ONU que hoje exige que Israel levante o bloqueio a Gaza. Curioso, não?
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Além do mais, essa história toda do "comboio humanitário" mostrou que Israel, ao contrário do Hamas, sabe, sim, separar a "parte" do "todo". Os israelenses se propuseram a enviar eles mesmos a "ajuda humanitária" da tal "ONG" turca pró-Hamas a Gaza. Mesmo com a região dominada pelo Hamas, que exerce um bloqueio pelo terror sobre a população palestina (como bem sabe o Fatah), o cruel e perverso Israel sugeriu que a carga fosse desembarcada em um porto próximo e despachada, depois de devidamente vistoriada, para a região. Mas o que fizeram os "pacifistas"? Disseram não e armaram uma provocação, que terminou, de forma desastrada, em uma cena de sangue. Que bela "missão humanitária" essa, heim?
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Apenas um parêntese: no último post, escrevi exatamente que era esse mesmo tipo de mentalidade ("eles estão contra os palestinos como um todo" etc.) que os inimigos jurados de Israel, como o Hamas, querem que todos tenham. Parece que, com a ajuda de certos "humanistas" e idiotas úteis, estão conseguindo enganar muita gente.
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Sei que o "Carlão" não vai responder nenhuma das perguntas que fiz até agora. Mesmo assim, vou me arriscar a fazer mais uma. Vamos lá, Carlão, tente responder:
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- Afinal, por que é que existe o bloqueio a Gaza mesmo?
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quarta-feira, junho 02, 2010

A NAU DOS INSENSATOS. OU: O TRIUNFO DOS ADORADORES DA MORTE


O Triunfo da Morte, de Pieter Brughel, o Velho (1562)
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"Israel ataca comboio humanitário", berraram as manchetes no mundo inteiro, acrescentando o número de mortos (falou-se primeiro em mais de dez, depois parou-se em nove) e feridos (cerca de trinta). "Mundo condena Israel", anuncia, em letras garrafais, o noticiário. Seguem-se imagens de manifestantes indignados queimando a bandeira com a Estrela de Davi, exigindo vingança. Em vários países, a polícia tem trabalho para conter multidões enfurecidas que tentam invadir embaixadas e consulados israelenses. Uma reunião extraordínária do Conselho de Segurança da ONU é convocada pela Turquia, que chama o ocorrido de "terrorismo de Estado" e exige o fim do bloqueio israelense a Gaza. Vários países condenam veementemente o "ataque" israelense, "em águas internacionais", de uma "organização humanitária" que só queria levar remédios e alimentos aos refugiados palestinos... Ao mesmo tempo, exige-se uma investigação internacional para apurar as circunstâncias do incidente. Mas de nada adianta: o veredicto já está dado, antes de qualquer investigação ou julgamento. Israel - mais uma vez - é culpado.

Assim que li as manchetes e as notas de repúdio - inclusive a nota que o governo brasileiro divulgou sobre o episódio -, imediatamente imaginei a cena: os soldados israelenses, armados até os dentes, invadem a embarcação da "ONG" turca e já chegam cuspindo fogo. Começam, do nada, a metralhar, sem dó nem piedade, pacifistas indefesos, que tentam se render, implorando, inutilmente, por misericórdia. Um soldado, tomado de furor homicida, pisa no pescoço de sua vítima, sufocando-a até a morte. Outro, enlouquecido, mira intencionalmente nas pessoas no convés do navio, em um tiro ao alvo macabro. Outro ainda, por pura malvadeza, diverte-se abrindo fogo contra mulheres e crianças.

Juro que foi isso que pensei assim que li as notícias que, desde segunda-feira, vêm bombardeando nossos olhos e ouvidos. Israel enlouqueceu, pensei na hora, imaginando que o que se lia e ouvia na imprensa nacional e internacional fosse a mais pura descrição da verdade. Confesso que chegou mesmo a passar pela minha mente, num átimo, que os soldados israelenses teriam perdido a razão e despejado nos manifestantes da "ONG" turca todo seu ódio represado por décadas de terrorismo islamita. Mas havia um vídeo...

Não sei se vocês viram o vídeo. Está na internet. Ele mostra claramente o que realmente aconteceu a bordo do navio. Desculpem, mas não vi ali nenhum "massacre", nenhum ato de "terrorismo". Aliás, vi sim: vi um comando da Marinha israelense descendo com cordas de um helicóptero no navio e, antes mesmo de tocar os pés no convés, ser cercado e atacado por uma turba ensandencida armada de pedaços de ferro e facas. Vi os militares israelenses, que lá estavam para interceptar o navio e fazer cumprir um bloqueio naval (que pode ou não ter suas razões de ser, mas isso é outra história), ser agredidos com brutalidade inaudita por dezenas de pessoas fanatizadas e dispostas a provocar uma cena de sangue. Um dos militares é espancado e atirado do convés (não dá para ver se para o convés inferior ou direto no mar). Enquanto isso, alguém joga o que parece ser um coquetel molotov contra os soldados, que procuram se defender da melhor maneira que podem. O saldo da batalha, pelo lado israelense: sete militares feridos, alguns com gravidade, dois deles à bala. Nessas circunstâncias, e num ambiente diminuto do convés de um navio, em meio a toda confusão, é até um milagre que o número de mortos tenha sido nove, e não trinta ou quarenta. Fossem os ativistas a empunhar fuzis e metralhadoras, certamente não teria sobrado um soldado israelense para contar a história. Quem atacou quem?

Logo que assisti ao video da abordagem da Marinha israelense ao navio Mavi Marmara, pensei comigo mesmo: "Pronto! Agora tudo está esclarecido. Os soldados israelenses reagiram a uma provocação dos ativistas, que atacaram primeiro. Estes queriam sangue, e os comandos reagiram da maneira como soldados fazem quando atacados". Mas quê! Nada disso. Não bastam imagens, decretaram os inimigos de Israel. Não bastam as cenas que todos viram. Os militantes anti-Israel, disfarçados de "comboio humanitário/pacifista" continuaram com sua ladainha: Israel é culpado, e ponto final! Houve mesmo quem repetisse um velho chavão, segundo o qual Israel, com ações como a da segunda-feira no Mediterrâneo, se equivaleria moralmente ao Hamas...

Afinal, o comboio era "humanitário", dizem, e essa palavra - "humanitário" -, nos lábios dos que gritam palavras de ordem contra Israel, tornou-se uma senha para desconsiderar o que as câmeras mostraram. Além do mais, estava em "águas internacionais". A ação de Israel, de defesa do bloqueio, portanto, foi absurda e ilegal. Os ativistas que tentaram linchar os soldados de Israel estavam, assim, apenas se defendendo. Mesmo que o navio tivesse sido abordado com flores e música emo, estaria caracterizada a brutalidade etc.

"Missão humanitária", é? Vejamos. O comboio era organizado por uma "ONG" turca ligada ao Hamas, que de "humanitário" ou "pacifista" não tem nada. (A menos que matar civis em atentados homicidas-suicidas e usar a própria população como escudos humanos seja considerado um gesto de puro amor à humanidade.) Mas isso não é tudo. Os organizadores do comboio sabiam que Israel não iria permitir que furassem o bloqueio naval a Gaza, ou seja: que deixassem as "águas internacionais". Sabiam que, em situações como essa, a Marinha israelense tem ordens de interceptar qualquer embarcação, civil ou militar, que tente furar o bloqueio. E foi exatamente o que aconteceu. Os israelenses avisaram, repetidas vezes, que o comboio teria que dar meia-volta. Ou, então, teria que aceitar ser escoltado até o porto de Ashdod, onde a carga seria vistoriada para verificar se, de fato, levava somente "ajuda humanitária" ou algo mais. Nesse caso, deixaram claro as autoridades israelenses, estas se ofereciam a levar a ajuda humanitária por terra até Gaza, uma distância de poucos quilômetros. Os palestinos receberiam a ajuda e todos ficariam felizes.

Mas isso não era o bastante, pensaram os organizadores da tal "flotilha da liberdade". Fazer chegar comida e medicamentos aos palestinos em Gaza não era o suficiente. Não foi para isso que se organizou o comboio. Não foi com esse objetivo que se gastou tanto dinheiro e publicidade, inclusive com ampla repercussão na mídia e cerca de 750 militantes de várias nacionalidades. Não! Era preciso causar um incidente, provocar os israelenses a uma reação desmedida. Permitir que os navios fossem escoltados até o porto mais próximo e desembarcassem sua carga para que esta fosse entregue, sem problemas, a seu destino? Não teria a mesma dramaticidade. Certamente, não iria criar manchetes. Não iria indispor o "mundo" contra Israel. Era preciso mais. Era preciso furar o bloqueio. Era preciso provocar Israel. Era preciso sangue.

Como conseguir esse efeito dramático esperado, esse golpe propagandístico de tamanho impacto e magnitude? A resposta também já estava pronta: com cadáveres. Mártires. O resto está no video. E o "mundo" caiu como um patinho em mais essa provocação antiisraelense. Missão humanitária? Qual? Onde?

Ainda que os soldados israelenses tivessem provocado, de caso pensado, um massacre, afundando as embarcações ou metralhando os ativistas a partir dos helicópteros, o que poderiam ter feito se quisessem, isso não retiraria o caráter de provocação do tal "comboio humanitário". Este não passou de uma bem urdida, bem articulada, ação de guerra psicológica, destinada a deixar os israelenses em maus lençóis perante a opinião pública internacional, mostrando-os, mais uma vez, como bandidos e malvados. Não havia como Israel ter agido de outra maneira. Os ativistas da "ONG" turca IHH sabiam disso. Seus amigos do Hamas também. Aliás, parece que aqueles aprenderam com estes últimos a causar mortes civis para incriminar Israel. Além de amigos, parecem ser discípulos aplicados.

Como demonstra o tom marcadamente anti-Israel do noticiário nestes dias, quase todos pegaram carona, ou se deixaram levar, por essa nau dos insensatos. Os adoradores da morte venceram. A mentira, assim como o terrorismo, funciona.
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PERGUNTE QUE EU RESPONDO - II

"Carlão" volta a carga. E me dá mais motivos para defender Israel contra quem quer transformá-lo em pó. (Em resposta a post meu anterior):
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Ok, ok! Pra começo de conversa você toma a parte pelo todo. Fala como se todo palestino apoiasse a política do Hamas e ao invés de querer paz e dignidade, quisesse destruir Israel e promover uma "guerra sangrenta destruindo todos os israelenses", como você mesmo disse. No entanto, não me parece que todo palestino apoie a violência promovida pelo Hamas, assim como não me parece que todo israelense seja a favor do bloqueio promovido pelo governo de Israel.
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Para começo de conversa, Carlão, quem confunde a parte com o todo é você, não eu. Por favor, aponte onde eu escrevi que "todo palestino" apóia a política do Hamas etc. Estou curioso para saber onde eu digo essa besteira. Pelo contrário: escrevi, já várias vezes, que o Hamas não representa o povo palestino, justamente porque sua política de destruição de Israel lhe retira qualquer legitimidade. Não é por outro motivo que existe o bloqueio de Israel a Gaza (controlada, repito, pelo Hamas).
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Para que nao fique no disse-que-disse, vou reproduzir exatamente o que eu escrevi no post anterior:
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Pergunta: Quem se recusa a reconhecer o direito de um povo existir como Estado e jurou exterminar sua população, contando inclusive com o apoio de "ONGs" como a turca IHH?
Resposta: O Hamas, o Hezbollah, a Jihad islâmica, o Irã, a Al-Qaeda...
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Aí está. Falei do Hamas e dos outros terroristas islamitas, não dos palestinos. Onde é que eu tomo "a parte pelo todo" etc.?
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Sim, há palestinos que se opõem ao Hamas. Os membros da Fatah, por exemplo. Em 2006, logo após vencer as eleições em Gaza, o Hamas tratou de resolver suas divergências políticas com a Fatah. Como fez isso? Fuzilando e passando os militantes da organização rival pelo fio da espada... Além de jurar destruir Israel, o Hamas mantém a própria população palestina sob o mais absoluto terror. E é esse tipo de coisa que os "humanistas/pacifistas" da "ONG" turca IHH avalizam, inclusive com "ajuda humanitária"!
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Quanto a haver israelenses que não apóiam a política de Israel em relação a Gaza, isso se deve ao fato de que Israel, ao contrário da Faixa de Gaza, é uma democracia, onde evidentemente há opiniões divergentes. Mas duvido muito que, mesmo o maior crítico israelense do bloqueio a Gaza vá perder de vista a existência do terrorismo do Hamas ou do Hezbollah. Algo que, no episódio do "ataque" israelense à tal "ONG" pró-Hamas, está sendo sistematicamente ignorado no noticiário.
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Não me parece que sou eu quem toma a parte pelo todo. Parece-me, sim, que é você, caro leitor, que toma o todo - os palestinos -, e não a parte - o Hamas - como os alvos da ação israelense. Aliás, é exatamente isso que os fanáticos do Hamas querem que todo mundo pense (usando civis como escudos humanos, por exemplo). O que, é forçoso admitir, eles conseguem fazer com bastante competência.
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Ilustremos tal fato com uma imagem contrária a situação.Imagine que um judeu more numa simples casa. Chega um palestino bem forte e arranca o judeu de casa e passa a morar na casa. Anos mais tarde, o palestino devolve a casa ao judeu, mas diz que este não deve mais sair da casa e que todo o acesso a esta será pelo palestino controlado, não podendo o judeu fazer nada que deseje sem a concordância do palestino. O que você se fosse o judeu faria? Ficaria parado sem nada fazer? Atacaria o palestino? Chamaria um amigo mais forte pra espancar o palestino? Ou qualquer outra coisa?
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Agora transportemos a imagem para o real. A casa é a Faixa de Gaza, quem mora nela é o povo judeu sem ter um Estado consolidado e no lugar do Estado de Israel existe um Estado Palestino que devolveu a Faixa de Gaza ao povo judeu ao mesmo tempo que controla o acesso a esta.
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Todos os papéis estão trocados no exemplo dado. Minha pergunta é se neste caso você apoiaria o bloqueio palestino aos israelenses ou defenderia o povo judeu que tanto já sofreu nesta vida.
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Deduzo - alguém me corrija se estou errado - que Carlão esteja falando, no exemplo invertido acima, da situação da Faixa de Gaza, ocupada por Israel de 1967 a 2005, quando foi devolvida aos palestinos, de forma UNILATERAL e INCONDICIONAL, repito -, e que desde 2007 está sob bloqueio. Ele acha absurdo que um território devolvido permaneça sob bloqueio etc. e tal. Muito bem. Até aí, nada de extraordinário. Mas falta uma peça nesse xadrez...
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O que falta no raciocínio descrito acima? Falta o seguinte: o bloqueio só existe porque quem domina o território devolvido - a Faixa de Gaza - o utiliza como base para atacar o vizinho e implementar uma política de extermínio desse último, além de manter sob terror a própria população. Diante disso, fosse eu o judeu do exemplo (ou, na vida real, o palestino), o que eu faria? Endossaria o terrorismo de quem jurou varrer o país vizinho do mapa e estabelecer, em seu lugar, sei lá, um Estado teocrático judaico? Atiraria mísseis contra alvos civis a partir de uma casa cheia de velhos e crianças, que eu usaria como escudo humano, esperando provocar uma reação do outro lado que provocasse mártires e me rendesse alguns pontos na guerra de propaganda?
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Não! Em vez disso, eu denunciaria aqueles que não querem a paz. Deixaria claro que, somente reconhecendo o direito do outro existir, que somente renunciando à violência, o outro lado retiraria o bloqueio e poderia
existir então um Estado palestino (ou judeu). Somente assim, eu afirmaria, poderia haver paz na região, e todos poderiam viver com dignidade.
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Para usar o mesmo método que o leitor usou: suponha que os israelenses estivessem confinados na Faixa de Gaza sob um bloqueio palestino. Imagine que o território de Gaza esteja sob o domínio de uma organização extremista e terrorista judaica que jurou aniquilar todos os palestinos e instituir, na região, um regime teocrático. O que eu faria? Apoiaria o bloqueio palestino? Seria a favor do rígido controle das fronteiras desse território, de modo a impedir a ajuda externa aos terroristas judeus? Deixaria claro que, enquanto os fanáticos não abandonarem suas posições extremistas, o bloqueio deve continuar? Com certeza!!!!
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Agora, mais uma perguntinha, que certamente, como as demais, ficará sem resposta: suponha que uma "ONG" com notórias ligações com os terroristas judeus que juraram exterminar os palestinos tentasse furar o bloqueio naval estabelecido à Gaza, supostamente para enviar "ajuda humanitária" à região. O que as autoridades palestinas deveriam fazer? Permitir que o bloqueio fosse furado, e assim abrir um rombo em sua segurança? Ou interceptar o comboio, a fim de verificar que tipo de "ajuda humanitária" seria essa? E se, no ato da intercepção, depois de vários avisos terem sido ignorados, militares palestinos fossem atacados com canos de ferro e facas, e inclusive disparos de armas de fogo, por ativistas ávidos por criarem um incidente internacional sangrento, e tivessem suas vidas colocadas em risco, o que deveriam fazer? Deveriam deixar-se linchar para não afrontar a opinião pública internacional?
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Fui claro agora, Carlão? Ou será que tomei a parte pelo todo?