quarta-feira, junho 09, 2010

LULA, O SÁBIO


"Nós conseguimos em 18 horas o que os EUA não conseguiram em 31 anos", vangloriou-se o reformador do planeta e maior especialista em geopolítica desde Haushoffer. Ele está se referindo, claro, ao "acordo histórico" assinado em 17 de maio entre Brasil, Turquia e Irã, e que foi implodido logo em seguida pelas sanções da ONU ao regime de Mahmoud Ahmadinejad, confirmadas nesta quarta-feira por 12 votos contra dois e uma abstenção no Conselho de Segurança. "Trouxemos o Irã para a mesa de negociação", é a toada triunfalista que não pára de ressoar. Afinal, não era o que o mundo queria?, indaga candidamente o comandante do mundo, para emendar, logo em seguida, com a cara mais lavada do universo, quase aos berros: pois eu fui lá e fiz!

Fez nada. Ou melhor: fez sim, mas papel de palhaço. De bobo da corte. De idiota útil da arena internacional. Um verdadeiro trapalhão, para dizer o mínimo. Ou cúmplice mesmo de um regime terrorista e potencialmente genocida, para ser menos caridoso.

Não, Lula e seus capachos não conseguiram "em 18 horas o que os EUA não fizeram em 31 anos". Não, ele e Celso Amorim não "trouxeram o Irã para a mesa de negociação". O que conseguiram, o que fizeram, foi apenas dar mais tempo a Ahmadinejad para que ele continue a fazer o que vem fazendo, e que motivou as sanções da ONU: enganar o mundo, negando-se a se submeter às inspeções da AIEA e continuando a enriquecer urânio para seu programa nuclear secreto. Mas não contavam com a pronta reação do mundo civilizado.

Com ou sem o tal "acordo", que Lula e sua equipe de propaganda festejaram, para usar uma expressão da moda, como a conquista de uma Copa do Mundo, o Irã continuará a enriquecer urânio para obter a bomba atômica. Com ou sem o "clima de confiança" cuja criação o Itamaraty insiste em dizer ter sido o objetivo do "acordo", o regime dos aiatolás continuará desdenhando a ONU e a AIEA. Isso não é assim porque eu quero que seja. Foi o próprio porta-voz da Chancelaria iraniana, no dia seguinte à assinatura do "acordo" em Teerã, que deixou isso bem claro. Ahmadinejad e sua Guarda Revolucionária, que é quem de fato controla o programa nuclear iraniano, não foram trazidos para a mesa de negociação coisa nenhuma. Até porque renunciar à bomba atômica está fora de cogitação por parte de Ahmadinejad, para ele é algo inegociável. Com as sanções, isso fica mais difícil.

Lula está mentindo, como sempre, e sabe que está mentindo. Mas, como das outras vezes, tanto no plano externo como internamente (lembram do mensalão?), ele acha que vai se dar bem e convencer a muitos idiotas, que não faltam, repetindo essas mentiras. Foi assim no caso de Honduras, onde até hoje há quem jure que o Brasil apoiou um democrata contra golpistas, e não o inverso. E está sendo assim agora, inclusive com o vazamento malandro de uma carta de Barack Obama, que supostamente instruiria o governo brasileiro a assinar o tal "acordo" com Teerã nos moldes do que foi firmado em 17 de maio, o que é mais uma grossa mentira (a carta não faz qualquer referência a aceitar que o Irã continue a enriquecer urânio, muito pelo contrário). Com os lulistas é assim: se "eles" (os EUA) não nos deixam posar de independentes, nós os criticamos por não terem nos deixado seguir à risca o que dizemos que eles nos mandaram fazer... É a "independência" antiamericana da diplomacia petista em ação.

Lula se comporta como se o mundo fosse um sindicato, e como se o Irã fosse uma democracia. Sua visão do que seria um acordo de paz no Oriente Médio não vai além de uma negociação salarial entre empresários e uma assembléia sindical no ABC paulista. Ou, então, de uma troca de cargos com os partidos da base alugada de seu governo. Seu conhecimento sobre política internacional e, em particular, sobre os problemas do Oriente Médio, é zero. Daí suas platitudes sobre conseguir, com seu charme e suas piadas de porta de fábrica, o que outros mais poderosos do que ele não conseguiram. Daí sua conversa mole sobre trazer o Irã para a "mesa de negociação". Daí sua comparação, feita no ano passado, entre os manifestantes torturados e assassinados pela polícia religiosa após a fraude nas eleições presidenciais iranianas e uma torcida de futebol cujo time perde um jogo. É esse "O Cara"? É esse o "político mais influente do mundo", segundo a Time? (na verdade, um dos, mas vá explicar isso para os lulistas...).

Nunca na história do mundo houve uma diplomacia tão patética quanto a do governo Lula. Nunca o Brasil colecionou tantos fracassos memoráveis, transformados em vitórias por uma imprensa chapa-branca e complacente. Nunca houve um presidente tão fanfarrão e tão absurdamente mentiroso e megalomaníaco. Nunca um completo ignorante se pavoneou tanto de ser um sábio e professor de relações internacionais. E nunca tantos caíram nesse conto-do-vigário. Nunca tanta gente endossou a loucura, tomando-a por sabedoria. E assim será, por muito tempo ainda. Pelo menos enquanto houver quem diga amém a essas fanfarronadas.

E A POLÍTICA EXTERNA LULISTA, FINALMENTE, ATINGE SEU MOMENTO DE GLÓRIA...


Mais uma vitória acachapante da diplomacia brasileira!

Mais uma vez, o mundo se rende ao talento, charme e simpatia brazucas!

Mais uma vez, o planeta reconhece nossa superioridade política e moral!

É o Brasil no caminho para se tornar uma superpotência!

Viva Lula, futuro presidente da Confederação dos Planetas!

Por 12 votos a favor e dois contra, e uma abstenção, o Conselho de Segurança da ONU aprovou hoje, 9 de junho, uma nova rodada de sanções ao Irã. Os dois votos contra foram do Brasil e da Turquia. A abstenção foi do Líbano.

Nem o Líbano, dominado em parte pelo Hezbollah e pela Síria, quis dar seu voto a favor do regime iraniano. Mas o Brasil votou contra as sanções.

É a diplomacia lulista mostrando toda sua competência!

É o mundo se rendendo, outra vez, a nosso charme, talento e simpatia!

É o planeta reconhecendo, por 12 votos a 2, nossa superioridade política e moral!

É o Brasil no caminho para se tornar um país respeitado por todos, com voz e lugar garantidos no seleto clube dos grandes potências!

Como um triunfo desses não pode vir desacompanhado, os tocadores de tuba de Lula e de sua diplomacia aloprada já têm pronto o discurso que leremos e ouviremos nos próximos dias:

- as sanções são um erro, não resolvem a questão; irão apenas levar ao endurecimento da posição iraniana etc.;

- o melhor seria cumprir o "acordo" de 17 de maio entre Brasil, Turquia e Irã, que teve por objetivo "criar um ambiente de confiança" com Teerã etc. etc.
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E já têm pronto também o que NÃO falarão:
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- Ahmadinejad não tem mostrado qualquer interesse em dialogar para deter seu programa nuclear e permitir inspeções da AIEA;

- o "acordo" com o Brasil e a Turquia foi apenas uma tentativa de Ahmadinejad ganhar tempo e continuar engabelando a todos, não tendo nada a ver com o que foi proposto pelas grandes potências em outubro de 2009;
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- o Irã, com ou sem os 1200 quilos de urânio levemente enriquecido a serem enviados à Turquia, continuará enriquecendo urânio em casa, com fins nada civis, e teve descoberta no começo do ano uma usina nuclear secreta;

- Ahmadinejad não esconde seu objetivo de aniquilar Israel;

- a alternativa às sanções, nesse contexto, é a guerra. Ou deixar Ahmadinejad livre, leve e solto para fazer o que quiser.

E por aí vai.

Nada disso será dito por aqui, é claro. Por estas bandas, continuará a farsa do Lula "estadista", que ousou "desafiar os poderosos do mundo". É um discurso muito popular.

No final, algum porta-voz do governo virá com a conversa de que somos os "campeões morais". E haverá quem assine embaixo, podem acreditar!

E assim, estará aberto o caminho para outro triunfo avassalador do Itamaraty petista. Talvez em Honduras.

O Brasil, ao lado da Turquia, isolado na defesa de Mahmoud Ahmadinejad e de seu programa nuclear.
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O Brasil, mais até do que o Hezbollah, defendendo o "direito" de o Irã produzir armas atômicas para fins medicinais...

É ou não é a glória?

terça-feira, junho 08, 2010

LULA, A PIADA INTERNACIONAL


Finalmente, o mundo se rende ao Brasil!
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Finalmente, somos um país importante!
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Graças a nosso presidente e à sua política externa, o Brasil é um sucesso!
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Viramos assunto dos programas de TV estrangeiros...
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...mas dos programas de humor!
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Está circulando na internet um video hilário. Ele mostra um sketch do programa humorístico israelense Latma, em que dois repórteres entrevistam um comediante que se faz passar por Lula da Silva. O assunto é o recente "acordo" celebrado com pompa e circunstância entre Brasil, Turquia e Irã. As respostas de Lula, enquanto bebe o que parece ser uma caipirinha, cercado por duas assessoras que não param de dizer como ele é importante, são o ponto alto da brincadeira.

O sarro que os israelenses tiram da cara do Nosso Líder é genial. Não vou dizer mais nada, para não estragar a surpresa. Quem quiser dar boas risadas e constatar como "O Cara" é visto em Israel pode conferir no Youtube. Digite "Lula paga mico em Israel" e divirta-se. Menos, claro, se você for petista.

A produção é meio mambembe e a caracterização de Lula, assim como a música que segue, são algo toscas (a música, por exemplo, está mais para mambo do que para samba, o que mostra como somos conhecidos por aqueles lados). Mas o video é muito bom, é uma das coisas mais engraçadas que vi nos últimos tempos. E inteligente também. Poucas vezes vi um personagem - e Lula, acima de tudo, é um personagem - ser desconstruído da maneira como os comediantes da Latma fazem com o Apedeuta. Lá está toda sua ignorância ("Israel não fica na Europa"?), sua boçalidade, sua vaidade sem limites, sua megalomania ("agora somos uma superpotência"). Outro video que está fazendo sucesso, e do mesmo programa, é uma paródia de We Are The World, em que os ativistas da tal "ONG" turca que armaram a provocação anti-israelense no navio Mavi Marmara aparecem cantando como conseguiram enganar o mundo posando de humanistas. "Ainda vamos fazer todos acreditarem que o Hamas é Madre Teresa", diz uma das estrofes. O riso é mesmo o maior inimigo da babaquice.

Os brasileiros gostam de se gabar de seu bom humor. É porque não conhecem os programas humorísticos de Israel. Comparados a estes, estamos há anos-luz de sermos realmente engraçados. Isso porque todo humor que se preza é sempre do contra, não admite contemporizações com quem quer que seja. Nesse sentido, nada mais idiota, nada menos inteligente, do que o tal humor brasileiro. Brasileiro não é bem-humorado. É bobalhão. Bombardeie-o com propaganda ufanista e megalomaníaca, mostre o atual governante como o homem mais importante da História desde os Faraós do Egito, e, em vez de cair na gargalhada, ele vai acreditar. Basta ouvirmos Lula repetir que agora, sim, somos um país respeitado no mundo, e cairemos feito otários, passaremos a repetir slogans oficiais como papagaios, agitando bandeirinhas, com o peito estufado de orgulho e felizes da vida. Viraremos todos propagandistas do governo, anestesiados, incapazes de enxergar o grotesco e o ridículo disso tudo. Em Israel, Lula já virou piada. Aqui, somos incapazes de entendê-la.

Com a Era Lula, a qualidade do humor brasileiro, que já não era das melhores, sofreu um declínio. Se, alguns anos atrás, ainda havia algumas boas sacadas e críticas criativas ao presidente orgulhosamente semi-analfabeto e que fingia não saber de nada que acontecia à sua volta, hoje, o peso do politicamente correto e da propaganda ufanista se impôs, sufocando quaisquer criatividade e ousadia. O resultado é que a reverência e a institucionalização tomaram o lugar da piada, da molecagem que caracteriza os verdadeiros humoristas. Humor hoje, no Brasil, é o Casseta & Planeta, é o Pânico na TV! Este último, aliás, começou com uma proposta ousada e anárquica, do tipo "nonsense sem limites", que remetia aos melhores tempos do TV Pirata nos anos 80. Depois, abobalhou-se, autocensurando-se para livrar políticos amigos de aparecerem em situações vexaminosas. Hoje, limita-se a um escracho do tipo pastelão, tirando onda com celebridades de quinta e posando de bons-moços e assistencialistas, como um Luciano Huck ou um Gugu Liberato. No quesito humor mesmo, está cada vez mais parecido com os humorísticos popularescos, como Zorra Total e A Praça é Nossa. Ou seja: um festival de asnices e de baboseiras, feitas por e para débeis mentais, dignas de quem tem um QI de ameba ou de quem não passou do jardim-de-infância. Se o humorismo verdadeiro tem uma função didática, ou melhor, se passa, necessariamente, pelo crivo da inteligência, então somos um dos povos menos bem-humorados do mundo. Babacas, seria a palavra mais adequada. Por estas bandas, os programas de humor já deixaram de fazer piada: viraram parte da piada.

Dizem que o brasileiro é um povo irreverente e galhofeiro, sempre pronto a rir de si mesmo e dos poderosos. Balela. Aí estão os programas humorísticos de Israel para mostrar quem é irreverente de verdade, e quem bate palma para políticos farofeiros e megalonanicos. A farsa, aqui, institucionalizou-se. Taí o lulismo que não me deixa mentir.

segunda-feira, junho 07, 2010

UM POUCO DE LUZ EM MEIO À ESCURIDÃO


Segue abaixo artigo de Christopher Caldwell, do Financial Times, publicado na Folha de S. Paulo deste fim de semana. Vocês verão que muito que eu venho dizendo desde o dia 31/05 está lá. Finalmente alguém na grande imprensa tocou no cerne da questão: por mais desastrada que tenha sido a ação militar israelense, a "flotilha humanitária" da "ONG" ligada ao Hamas foi uma provocação.

Provavelmente, não vai adiantar nada elencar aqui os argumentos que vêm em seguida, assim como não adianta lembrar que o Hamas quer destruir Israel e que já havia terrorismo contra Israel antes de o país ocupar a Faixa de Gaza, em 1967. Os adoradores da morte e inimigos de Israel - ou seja, uns 95% da humanidade, nestes dias - não dão a mínima para fatos e argumentos (e videos): já decidiram que Israel é sempre o culpado e o lado agressor, independentemente do que faça ou deixe de fazer. Mas fica o registro. E a pergunta: se Israel levantar o bloqueio a Gaza amanhã, estaria mais ou menos seguro? Em que isso iria fazer avançar a paz na região?
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Como sempre, é apenas uma pergunta. E, como sempre, ficará sem resposta.
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“Malfeito” e “estúpido” são os adjetivos que foram aplicados aos eventos da segunda-feira passada, quando soldados israelenses mataram nove passageiros e feriram inúmeros mais no navio turco Mavi Marmara.

A frota Gaza Livre, patrocinada por uma organização de caridade turca com laços com o radicalismo islâmico, tinha um objetivo humanitário: levar ajuda a Gaza. Mas como admitiram os líderes da frota, igualmente tinha um objetivo militar: quebrar o bloqueio a Gaza imposto por Israel em 2007.

Quando os participantes em um conflito borram a linha entre civis e combatentes, as boas opções desaparecem. Sob as circunstâncias, a ação não foi nem estúpida nem malfeita. Repeliu com sucesso um ataque às fronteiras de Israel, embora a custo consideravelmente mais elevado do que Israel desejaria.

Há um bloqueio a Gaza porque o Hamas, o partido islâmico que governa o território, quer Israel destruído. Nos últimos anos, foram lançados milhares de foguetes em cidades no sul israelense.

Pode-se discutir se o isolamento do Hamas é sábio, razoável, proporcional ou eficaz. Mas é outra questão se Israel tem o direito de reforçar um bloqueio numa zona de guerra.

As críticas ruidosas à ação israelense tendem a misturar os dois aspectos acima para dizer que porque a) o bloqueio israelense de Gaza é injusto, e b) os passageiros da frota se opõem ao bloqueio, consequentemente, c) no encontro entre Israel e os passageiros, Israel está errado, e os passageiros, certos.

Este é um ponto de vista ilógico e um modelo para a escalada da violência. Imagine o perigo se, na Guerra Fria, as organizações não governamentais do bloco soviético tivessem navegado pequenas frotas em águas dos EUA para protestar sobre o conflito racial americano.

Israel forneceu a evidência de que seus soldados estavam em perigo mortal quando chegaram ao Mavi Marmara -as imagens em vídeo de alta qualidade, que foram liberadas em horas. O governo mostrou que os passageiros trouxeram máscaras de gás e tinham pré-fabricado vídeos de propaganda.

O jornal “The Guardian” relata que três dos turcos mortos procuravam o “martírio” com a operação. Diversas fontes relatam ligações próximas entre o IHH, patrocinador da frota, e o Hamas.

SEM OPÇÕES
Mas as intenções daqueles no barco -se humanitárias, como disseram (publicamente) os organizadores, ou terroristas, como dizem os israelenses- não têm nada a ver com a justiça ou a injustiça da ação. Proteger fronteiras diz respeito à soberania, não a sentimento.

A intenção explícita dos ativistas em violar o bloqueio israelense torna quase certamente a posição precisa do barco menos importante.

A insistência, mesmo entre os aliados israelenses, na visão de que Israel se comportou de modo estúpido apoia-se na ideia de que havia outras opções. O jornalista americano Thomas Friedman e o escritor israelense David Grossman criticaram líderes de Israel por não atuar mais “criativamente”.

Israel foi responsabilizado pelas ações de outros -particularmente, para a deterioração em seu relacionamento com a Turquia. Este ponto de vista é promovido cinicamente por Suat Kiniklioglu, um porta-voz do partido turco AK, que diz que o incidente “danificou irrevogavelmente as relações turco-israelenses em nível bilateral”.

A deterioração das relações turco-israelenses ocorre desde que o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, trouxe o partido AK para o poder com a plataforma de tornar o país mais islâmico.

Não se pode reaver as boas graças do mundo muçulmano com atitude confiante, ou neutra, em relação a Israel. A hostilidade crescente da Turquia em relação a Israel é uma causa, não uma consequência, do incidente do Mavi Marmara.

A coisa mais alarmante da semana passada não foi o ataque. Foi a maneira como a opinião na internet ecoou a opinião dos ativistas e as opiniões de elites políticas e jornalísticas seguiram essa mesma linha.

Que Israel tenha perdido a batalha da opinião pública é desatroso. Mais incômodo é que essa batalha tenha sido perdida antes que os fatos estejam esclarecidos.

sexta-feira, junho 04, 2010

UM PAÍS CALUNIADO



Acima: o "humanista" Bület Yildirim, presidente da "ONG" turca IHH, que organizou o "comboio humanitário" a Gaza, ao lado do presidente do Hamas, Ismail Haniah.
Abaixo: Ismail Haniah, em um momento de puro "humanismo".

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"Por que você defende Israel?", pergunta o idiota da objetividade, diante da minha resistência individual e quixotesca diante da mais recente (e, certamente, não a última) gigantesca onda de uninanimidade anti-israelense. A pergunta já é bastante reveladora, pelo simples fato de ter sido feita. Realmente, não há país mais caluniado, enxovalhado, execrado, vilipendiado. Com a provável exceção dos EUA, com ou sem Obama, Israel já foi escolhido, há tempos, a Geni da política internacional. Não importa o que o país faça - ou não faça, dá na mesma -, estará sempre na berlinda. É e será visto sempre como o lado agressor e perverso, ainda que se defenda de quem quer vê-lo varrido do mapa. Como acontece agora, com o caso da tal flotilha "humanitária".

O caso pode ser resumido da seguinte maneira: um comboio organizado por uma "ONG" (faço questão de colocar entre aspas) da Turquia com nítidas ligações com o Hamas é interceptado em alto-mar quando se preparava para furar o bloqueio naval israelense a Gaza, estabelecido justamente para impedir que os terroristas que controlam a região recebam ajuda externa. Na ação de interceptação, os soldados israelenses são recebidos com canos de ferro, facas e tiros, sendo obrigados a reagir em legitima defesa. Antes, o comboio "humanitário" tinha se recusado a se deslocar para um porto próximo e permitir a vistoria de sua carga, que, se humanitária fosse, seria despachada para Gaza por terra, sem maiores problemas. Em vez disso, os ativistas da tal "ONG" preparam uma provocação sangrenta em pleno mar, em busca de "mártires". A ação é filmada, mostrando nitidamente que os soldados foram agredidos antes que pudessem ter disparado um único tiro, e que, se não agissem, seriam linchados. E quem passa por agressor e bandido? Os provocadores? Não! Israel!!!

Ontem, o Conselho de Direitos Humanos da ONU condenou, em termos veementes, a ação de Israel. O mesmo Conselho que não vê problema algum nos quase 400 mil mortos pelo governo genocida do Sudão em Darfur se enche de indignação pelos nove ativistas mortos no barco interceptado pelos israelenses e condena Israel antes mesmo que seja aberta uma investigação internacional sobre o ocorrido. É impressão minha ou, para os democratas e humanistas do Conselho de Direitos Humanos da ONU, a vida de nove militantes mortos em confronto numa armação anti-israelense vale mais do que a de quase 400 mil pessoas em Darfur?

Ontem também o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netaniahu, deixou as coisas em pratos limpos: “Vamos aos fatos: o Hamas continua a se armar. O Irã continua a contrabandear armas para Gaza. Se não fizermos isso [o bloqueio], haverá um porto iraniano em Gaza, e o significado será destrutivo para todo cidadão de Israel”. Alguém o ouviu? Alguém o ouvirá?

Hoje, Israel é o saco de pancadas favorito do mundo. Mas nem sempre foi assim. O país foi criado por uma resolução da ONU, em 1947, mas hoje em dia quase ninguém lembra disso. Assim como quase ninguém lembra que foi um brasileiro - o embaixador Oswaldo Aranha, hoje nome de avenida em Tel-Aviv - que presidiu a sessão da Assembléia-Geral da ONU que decidiu pelo estabelecimento do Estado judeu. Quase ninguém recorda que, no dia seguinte à sua criação, nada menos do que 7 (sete) países árabes o invadiram, dispostos já a destruí-lo no nascedouro. Tampouco lembram que foi principalmente graças à tenacidade de seu próprio povo, recém-saído dos horrores dos guetos e campos de concentração nazistas - uma antevisão do que pretendem os islamofascistas de hoje -, que o país conseguiu derrotar os que juraram aniquilá-lo e sobreviver. Hoje, porém, a ONU é um valhacouto de ditadores e terroristas, quase todos irmanados pelo ódio comum à democracia e a Israel, único país democrático do Oriente Médio. E aqueles que falam em "liberdade" e em "paz" são os mesmos que embarcam em provocações orquestradas por organizações vinculadas a terroristas islamitas, inimigos da paz e da liberdade. Como explicar?

Atualmente, ao contrário de sessenta anos atrás, a militância anti-Israel é uma causa bastante popular, também no Ocidente. Isso porque é uma causa "progressista". Pode, inclusive, ser associada a outras causas igualmente "progressistas", como a ecológica. Desconfio que a brasileira Iara Lee, que estava em um dos barcos da tal flotilha, jamais tenha visto de perto um palestino, assim como muitos europeus ou norte-americanos bem-nascidos que abraçam a luta contra a construção de barragens na selva amazônica jamais puseram os pés na floresta, ou conheceram de perto um índio txucarramãe. Mas ela "sente", como pessoa sensível e antenada com as "causas sociais", que eles, os palestinos, são o lado mais fraco; logo, Israel, como o lado mais forte, só pode ser o lado mau, o bandido da história. Para ela, assim como para legiões de inocentes úteis, Israel é o colonizador, e os palestinos são os "bons selvagens". Daí a ter embarcado num comboio "humanitário" organizado por uma "ONG" ligada aos fanáticos terroristas do Hamas foi um pulo. Daí a ter negado, em entrevistas, o que as imagens mostram, é outro pulinho.

Iara Lee tem todo o perfil da maioria dos "ativistas" anti-Israel atuais. É educada, fala baixo, aparenta certa fragilidade. Embora brasileira, vive há anos em Nova York, e fala português com um leve sotaque americano. É uma pessoa cosmopolita, certamente identificada com causas de esquerda. Nos EUA, certamente, ela seria uma "liberal". Aí é que está o nó da questão. A militância anti-Israel é vista como uma causa esquerdista, progressista, humanista até. O que torna ainda mais surreal a situação.

O anti-sionismo tem causas profundas, muitas delas, como veremos, inconfessáveis. Mas o anti-sionismo atual, que não raro se confunde com antissemitismo puro e simples, tem suas origens no final dos anos 60, mais especificamente após a estrondosa vitória israelense na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Não por coincidência, o mesmo período a partir do qual o terrorismo palestino, então encarnado pela OLP de Yasser Arafat e suas inúmeras frações, começa a ganhar força, sob os escombros do nacionalismo pan-árabe de Nasser, humilhantemente derrotado no campo de batalha convencional. Não por acaso, também no mesmo período, os EUA e a Europa ocidental entram numa fase que o historiador britânico Paul Johnson muito apropriadamente chamou de "tentativa de suicídio do Ocidente", sobretudo após as explosões estudantis de 1968 e a onda pós-modernista que se alastrou desde então. Para grande parte da intelectualidade esquerdista, as guerrilhas palestinas pareciam, assim, uma forma de luta "progressista" contra o "imperialismo". Daí a aliança, na prática, entre diversos grupos terroristas europeus, muitos deles marxistas, como o Baader-Meinhof da ex-Alemanha Ocidental, e terroristas palestinos.

Além do caráter "progressista", outro fator que aproxima os esquerdistas ocidentais da militância do Hamas ou do Hezbollah é o antiamericanismo, esse antigo fetiche de revolucionários e reacionários do mundo inteiro. É outra herança da Guerra fria. Embora tenha apoiado a criação do Estado de Israel em 1947, a URSS, pelas contingências do conflito ideológico com os EUA, passou a apoiar os árabes logo depois. O fato de os EUA serem os maiores aliados de Israel dá ensejo a que os antiamericanos de plantão - tanto de esquerda quanto de direita - vejam no país um simples títere da potência norte-americana, no que vai também uma boa dose de ignorância (Israel não costuma pedir licença a Washington para se defender, e há inclusive espiões israelenses presos nos EUA). Essas pessoas estão se lixando para a complexa questão do Oriente Médio. Querem apenas atacar os EUA e o Ocidente, usando Israel como pretexto. Odeiam Israel e os EUA não pelo que estes fazem, mas pelo que eles são. É o "ódio by proxy".

Agora, o lado mais curioso do anti-sionismo atual: com o fim da URSS, o caráter "progressista" da luta anti-Israel manteve-se intacto; na verdade, foi até reforçado. E isso apesar - ou por causa - de o anti-sionismo, assim como o antiamericanismo, ter-se fundido com o fundamentalismo islamita, representado pelo Irã e por seus proxies do Hamas e do Hezbollah. Fundamentalismo este que significa a negação radical de tudo a que aspira a esquerda ocidental e multiculturalista, como os direitos das minorias e das mulheres. Uma frente única de esquerdistas e fanáticos islamitas. Não é estranho? Das duas uma: ou gente como Iara Lee não tem a menor idéia do onde estão se metendo, e nesse caso são idiotas úteis, ou sabem, e são antissemitas, embora não o admitam.

E aqui chego ao ponto central deste texto: o discurso anti-Israel da atualidade é um discurso antissemita. Digo isso sem qualquer receio ou hesitação. É o antissemitismo, puro e simples, que está por trás, em última instância, das palavras de ordem contra Israel. Se têm alguma dúvida, vejam quem está na vanguarda da retórica e da ação anti-israelense. Quem dá o tom desse discurso e desse movimento é Ahmadinejad, é o Irã, é a Al Qaeda. Há setenta anos, era Hitler e as SS. Hoje, é o fascismo islâmico e os homens-bomba. Ou a "solução final" pregada por Ahmadinejad e pelo Hamas é diferente da implementada pelos nazistas?

É uma verdade dura, sei bem, mas é algo que precisa ser dito. Não que todos os ativistas palestinos ou anti-Israel sejam antissemitas. Mas, consciente ou inconscientemente, fazem o jogo dos inimigos da humanidade. Hitler também não chegou ao poder nem deflagrou o conflito mais letal da História somente com o apoio dos militantes do Partido Nazista. O mesmo vale para os "pacifistas" que participam de provocações contra Israel. Que uma pessoa aparentemente tão antenada e moderninha como Iara Lee estivesse num comboio de amigos do Hamas é algo que só pode ser definido como ingenuidade ou estupidez. Iara Lee, com suas idéias avançadas, duraria cinco minutos em Teerã ou na Faixa de Gaza?

Isso, claro, não impede que surjam iaras lees todos os dias, e inclusive que seja bastante popular o discurso da equivalência moral entre Israel e seus inimigos. Outro dia um conhecido meu fez questão de frisar esse ponto, ao criticar asperamente o "ataque" israelense à flotilha "humanitária". Além dos argumentos de praxe ("era um comboio humanitário", "estava em águas internacionais" etc.), meu amigo enfatizou que, ao proceder da maneira como procede - barrando navios de furarem bloqueios navais, por exemplo - Israel estaria se equivalendo, do ponto de vista moral, ao Hamas. Classificou ainda de "terrorismo de Estado" o que Israel faz com os palestinos etc. Perguntei então, várias vezes, se era possível colocar no mesmo nível moral quem mata de forma não-intencional para se defender e quem mata de forma intencional para destruir e aniquilar o outro. "Sim, claro! São ambos criminosos", foi a resposta que tive. E o policial que mata sem querer um refém e o bandido que seqüestra e mata de forma proposital, é possível dizer que são a mesma e única coisa?, insisti. "Sim, claro!", respondeu meu interlocutor, de forma taxativa, quase gritando. Pois é... David Ben Gurion e Golda Meir no mesmo saco que Mahmoud Ahmadinejad e Ismail Haniah. Conseguem vislumbrar?

Posso listar pelo menos uns dez bons motivos para defender Israel. Aí vai mais um: não há nada de "humanista" na militância anti-Israel, muito pelo contrário. Entre a propaganda e os fatos, fico com os fatos. Ou: entre a morte e a vida, fico com a vida. Entre a civilização e a barbárie, estou do lado da civilização. E sou a favor de que se chame as coisas pelo nome..

CÂMERA, LUZES... AÇÃO!


Iara Lee - aquela brasileira com cara e jeito de inocente útil que estava no tal "comboio humanitário" do Hamas (!!!) - espalhou por aí que irá divulgar um video bombástico, que mostraria o que "realmente aconteceu" naquele barco "atacado" por soldados israelenses. Estou curioso para ver o tal video. Especialmente porque, pelo que sugere Iara Lee, ele mostraria algo diferente do que o mundo todo viu nos videos liberados até agora: soldados israelenses cercados e quase linchados por uma horda sedenta de sangue, armada de barras de ferro, facas e pistolas.

Iara Lee é cineasta. Vamos ver se, com o talento que ela deve ter, ela consegue convencer a todos que os israelenses já chegaram atirando, e que foram eles que atacaram primeiro. Nada que uns bons recursos de computação gráfica e efeitos especiais não dêem um jeito...

Taí um desafio digno de um Oliver Stone. Melhor: de um Michael Moore!

Estou esperando o video. Certamente, vai ser um sucesso de bilheteria. Já mandei preparar a pipoca.
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UMA QUESTÃO

"Carlão" escreve. Eu, como sempre, respondo. (Sobre meu post "pergunte que eu respondo - II"):
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Você foi bastante claro. Mas, como na Faixa de Gaza não mora só o Hamas, julgo que não é apenas a parte (o Hamas) que sai prejudicado com o bloqueio, mas sim o TODO (o que infelizmente inclui o resto dos palestinos).
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Entendi. Então o bloqueio prejudica não somente os fanáticos do Hamas (que controlam Gaza com a sharia, a lei islâmica, e o terror desde 2006), mas o "todo", ou seja, o povo palestino etc. Logo, o bloqueio é injusto etc. e tal.
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Seria interessante especular sobre o que deve fazer um país que está sob ameaça direta de destruição diante de um inimigo genocida que toma o controle em uma região contígua à sua fronteira, e que passa então a usá-la como base para lançar ataques diários contra sua população. Deveria ignorar essa ameaça, renunciando a qualquer ação de força, para ficar bem diante da opinião internacional e não ser acusado, sei lá, de "tomar a parte pelo todo"? Estou curioso para saber o que o "Carlão" sugeriria. Mas deixa pra lá. Vou citar só um exemplo, que acho suficientemente claro:
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De 1990 a 2003, a ONU manteve fortes sanções ao Iraque, com a finalidade de enfraquecer o regime genocida de Saddam Hussein. As sanções da ONU, que valeram como um bloqueio, penalizaram principalmente a população iraquiana. A mesma ONU que hoje exige que Israel levante o bloqueio a Gaza. Curioso, não?
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Além do mais, essa história toda do "comboio humanitário" mostrou que Israel, ao contrário do Hamas, sabe, sim, separar a "parte" do "todo". Os israelenses se propuseram a enviar eles mesmos a "ajuda humanitária" da tal "ONG" turca pró-Hamas a Gaza. Mesmo com a região dominada pelo Hamas, que exerce um bloqueio pelo terror sobre a população palestina (como bem sabe o Fatah), o cruel e perverso Israel sugeriu que a carga fosse desembarcada em um porto próximo e despachada, depois de devidamente vistoriada, para a região. Mas o que fizeram os "pacifistas"? Disseram não e armaram uma provocação, que terminou, de forma desastrada, em uma cena de sangue. Que bela "missão humanitária" essa, heim?
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Apenas um parêntese: no último post, escrevi exatamente que era esse mesmo tipo de mentalidade ("eles estão contra os palestinos como um todo" etc.) que os inimigos jurados de Israel, como o Hamas, querem que todos tenham. Parece que, com a ajuda de certos "humanistas" e idiotas úteis, estão conseguindo enganar muita gente.
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Sei que o "Carlão" não vai responder nenhuma das perguntas que fiz até agora. Mesmo assim, vou me arriscar a fazer mais uma. Vamos lá, Carlão, tente responder:
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- Afinal, por que é que existe o bloqueio a Gaza mesmo?
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quarta-feira, junho 02, 2010

A NAU DOS INSENSATOS. OU: O TRIUNFO DOS ADORADORES DA MORTE


O Triunfo da Morte, de Pieter Brughel, o Velho (1562)
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"Israel ataca comboio humanitário", berraram as manchetes no mundo inteiro, acrescentando o número de mortos (falou-se primeiro em mais de dez, depois parou-se em nove) e feridos (cerca de trinta). "Mundo condena Israel", anuncia, em letras garrafais, o noticiário. Seguem-se imagens de manifestantes indignados queimando a bandeira com a Estrela de Davi, exigindo vingança. Em vários países, a polícia tem trabalho para conter multidões enfurecidas que tentam invadir embaixadas e consulados israelenses. Uma reunião extraordínária do Conselho de Segurança da ONU é convocada pela Turquia, que chama o ocorrido de "terrorismo de Estado" e exige o fim do bloqueio israelense a Gaza. Vários países condenam veementemente o "ataque" israelense, "em águas internacionais", de uma "organização humanitária" que só queria levar remédios e alimentos aos refugiados palestinos... Ao mesmo tempo, exige-se uma investigação internacional para apurar as circunstâncias do incidente. Mas de nada adianta: o veredicto já está dado, antes de qualquer investigação ou julgamento. Israel - mais uma vez - é culpado.

Assim que li as manchetes e as notas de repúdio - inclusive a nota que o governo brasileiro divulgou sobre o episódio -, imediatamente imaginei a cena: os soldados israelenses, armados até os dentes, invadem a embarcação da "ONG" turca e já chegam cuspindo fogo. Começam, do nada, a metralhar, sem dó nem piedade, pacifistas indefesos, que tentam se render, implorando, inutilmente, por misericórdia. Um soldado, tomado de furor homicida, pisa no pescoço de sua vítima, sufocando-a até a morte. Outro, enlouquecido, mira intencionalmente nas pessoas no convés do navio, em um tiro ao alvo macabro. Outro ainda, por pura malvadeza, diverte-se abrindo fogo contra mulheres e crianças.

Juro que foi isso que pensei assim que li as notícias que, desde segunda-feira, vêm bombardeando nossos olhos e ouvidos. Israel enlouqueceu, pensei na hora, imaginando que o que se lia e ouvia na imprensa nacional e internacional fosse a mais pura descrição da verdade. Confesso que chegou mesmo a passar pela minha mente, num átimo, que os soldados israelenses teriam perdido a razão e despejado nos manifestantes da "ONG" turca todo seu ódio represado por décadas de terrorismo islamita. Mas havia um vídeo...

Não sei se vocês viram o vídeo. Está na internet. Ele mostra claramente o que realmente aconteceu a bordo do navio. Desculpem, mas não vi ali nenhum "massacre", nenhum ato de "terrorismo". Aliás, vi sim: vi um comando da Marinha israelense descendo com cordas de um helicóptero no navio e, antes mesmo de tocar os pés no convés, ser cercado e atacado por uma turba ensandencida armada de pedaços de ferro e facas. Vi os militares israelenses, que lá estavam para interceptar o navio e fazer cumprir um bloqueio naval (que pode ou não ter suas razões de ser, mas isso é outra história), ser agredidos com brutalidade inaudita por dezenas de pessoas fanatizadas e dispostas a provocar uma cena de sangue. Um dos militares é espancado e atirado do convés (não dá para ver se para o convés inferior ou direto no mar). Enquanto isso, alguém joga o que parece ser um coquetel molotov contra os soldados, que procuram se defender da melhor maneira que podem. O saldo da batalha, pelo lado israelense: sete militares feridos, alguns com gravidade, dois deles à bala. Nessas circunstâncias, e num ambiente diminuto do convés de um navio, em meio a toda confusão, é até um milagre que o número de mortos tenha sido nove, e não trinta ou quarenta. Fossem os ativistas a empunhar fuzis e metralhadoras, certamente não teria sobrado um soldado israelense para contar a história. Quem atacou quem?

Logo que assisti ao video da abordagem da Marinha israelense ao navio Mavi Marmara, pensei comigo mesmo: "Pronto! Agora tudo está esclarecido. Os soldados israelenses reagiram a uma provocação dos ativistas, que atacaram primeiro. Estes queriam sangue, e os comandos reagiram da maneira como soldados fazem quando atacados". Mas quê! Nada disso. Não bastam imagens, decretaram os inimigos de Israel. Não bastam as cenas que todos viram. Os militantes anti-Israel, disfarçados de "comboio humanitário/pacifista" continuaram com sua ladainha: Israel é culpado, e ponto final! Houve mesmo quem repetisse um velho chavão, segundo o qual Israel, com ações como a da segunda-feira no Mediterrâneo, se equivaleria moralmente ao Hamas...

Afinal, o comboio era "humanitário", dizem, e essa palavra - "humanitário" -, nos lábios dos que gritam palavras de ordem contra Israel, tornou-se uma senha para desconsiderar o que as câmeras mostraram. Além do mais, estava em "águas internacionais". A ação de Israel, de defesa do bloqueio, portanto, foi absurda e ilegal. Os ativistas que tentaram linchar os soldados de Israel estavam, assim, apenas se defendendo. Mesmo que o navio tivesse sido abordado com flores e música emo, estaria caracterizada a brutalidade etc.

"Missão humanitária", é? Vejamos. O comboio era organizado por uma "ONG" turca ligada ao Hamas, que de "humanitário" ou "pacifista" não tem nada. (A menos que matar civis em atentados homicidas-suicidas e usar a própria população como escudos humanos seja considerado um gesto de puro amor à humanidade.) Mas isso não é tudo. Os organizadores do comboio sabiam que Israel não iria permitir que furassem o bloqueio naval a Gaza, ou seja: que deixassem as "águas internacionais". Sabiam que, em situações como essa, a Marinha israelense tem ordens de interceptar qualquer embarcação, civil ou militar, que tente furar o bloqueio. E foi exatamente o que aconteceu. Os israelenses avisaram, repetidas vezes, que o comboio teria que dar meia-volta. Ou, então, teria que aceitar ser escoltado até o porto de Ashdod, onde a carga seria vistoriada para verificar se, de fato, levava somente "ajuda humanitária" ou algo mais. Nesse caso, deixaram claro as autoridades israelenses, estas se ofereciam a levar a ajuda humanitária por terra até Gaza, uma distância de poucos quilômetros. Os palestinos receberiam a ajuda e todos ficariam felizes.

Mas isso não era o bastante, pensaram os organizadores da tal "flotilha da liberdade". Fazer chegar comida e medicamentos aos palestinos em Gaza não era o suficiente. Não foi para isso que se organizou o comboio. Não foi com esse objetivo que se gastou tanto dinheiro e publicidade, inclusive com ampla repercussão na mídia e cerca de 750 militantes de várias nacionalidades. Não! Era preciso causar um incidente, provocar os israelenses a uma reação desmedida. Permitir que os navios fossem escoltados até o porto mais próximo e desembarcassem sua carga para que esta fosse entregue, sem problemas, a seu destino? Não teria a mesma dramaticidade. Certamente, não iria criar manchetes. Não iria indispor o "mundo" contra Israel. Era preciso mais. Era preciso furar o bloqueio. Era preciso provocar Israel. Era preciso sangue.

Como conseguir esse efeito dramático esperado, esse golpe propagandístico de tamanho impacto e magnitude? A resposta também já estava pronta: com cadáveres. Mártires. O resto está no video. E o "mundo" caiu como um patinho em mais essa provocação antiisraelense. Missão humanitária? Qual? Onde?

Ainda que os soldados israelenses tivessem provocado, de caso pensado, um massacre, afundando as embarcações ou metralhando os ativistas a partir dos helicópteros, o que poderiam ter feito se quisessem, isso não retiraria o caráter de provocação do tal "comboio humanitário". Este não passou de uma bem urdida, bem articulada, ação de guerra psicológica, destinada a deixar os israelenses em maus lençóis perante a opinião pública internacional, mostrando-os, mais uma vez, como bandidos e malvados. Não havia como Israel ter agido de outra maneira. Os ativistas da "ONG" turca IHH sabiam disso. Seus amigos do Hamas também. Aliás, parece que aqueles aprenderam com estes últimos a causar mortes civis para incriminar Israel. Além de amigos, parecem ser discípulos aplicados.

Como demonstra o tom marcadamente anti-Israel do noticiário nestes dias, quase todos pegaram carona, ou se deixaram levar, por essa nau dos insensatos. Os adoradores da morte venceram. A mentira, assim como o terrorismo, funciona.
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PERGUNTE QUE EU RESPONDO - II

"Carlão" volta a carga. E me dá mais motivos para defender Israel contra quem quer transformá-lo em pó. (Em resposta a post meu anterior):
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Ok, ok! Pra começo de conversa você toma a parte pelo todo. Fala como se todo palestino apoiasse a política do Hamas e ao invés de querer paz e dignidade, quisesse destruir Israel e promover uma "guerra sangrenta destruindo todos os israelenses", como você mesmo disse. No entanto, não me parece que todo palestino apoie a violência promovida pelo Hamas, assim como não me parece que todo israelense seja a favor do bloqueio promovido pelo governo de Israel.
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Para começo de conversa, Carlão, quem confunde a parte com o todo é você, não eu. Por favor, aponte onde eu escrevi que "todo palestino" apóia a política do Hamas etc. Estou curioso para saber onde eu digo essa besteira. Pelo contrário: escrevi, já várias vezes, que o Hamas não representa o povo palestino, justamente porque sua política de destruição de Israel lhe retira qualquer legitimidade. Não é por outro motivo que existe o bloqueio de Israel a Gaza (controlada, repito, pelo Hamas).
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Para que nao fique no disse-que-disse, vou reproduzir exatamente o que eu escrevi no post anterior:
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Pergunta: Quem se recusa a reconhecer o direito de um povo existir como Estado e jurou exterminar sua população, contando inclusive com o apoio de "ONGs" como a turca IHH?
Resposta: O Hamas, o Hezbollah, a Jihad islâmica, o Irã, a Al-Qaeda...
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Aí está. Falei do Hamas e dos outros terroristas islamitas, não dos palestinos. Onde é que eu tomo "a parte pelo todo" etc.?
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Sim, há palestinos que se opõem ao Hamas. Os membros da Fatah, por exemplo. Em 2006, logo após vencer as eleições em Gaza, o Hamas tratou de resolver suas divergências políticas com a Fatah. Como fez isso? Fuzilando e passando os militantes da organização rival pelo fio da espada... Além de jurar destruir Israel, o Hamas mantém a própria população palestina sob o mais absoluto terror. E é esse tipo de coisa que os "humanistas/pacifistas" da "ONG" turca IHH avalizam, inclusive com "ajuda humanitária"!
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Quanto a haver israelenses que não apóiam a política de Israel em relação a Gaza, isso se deve ao fato de que Israel, ao contrário da Faixa de Gaza, é uma democracia, onde evidentemente há opiniões divergentes. Mas duvido muito que, mesmo o maior crítico israelense do bloqueio a Gaza vá perder de vista a existência do terrorismo do Hamas ou do Hezbollah. Algo que, no episódio do "ataque" israelense à tal "ONG" pró-Hamas, está sendo sistematicamente ignorado no noticiário.
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Não me parece que sou eu quem toma a parte pelo todo. Parece-me, sim, que é você, caro leitor, que toma o todo - os palestinos -, e não a parte - o Hamas - como os alvos da ação israelense. Aliás, é exatamente isso que os fanáticos do Hamas querem que todo mundo pense (usando civis como escudos humanos, por exemplo). O que, é forçoso admitir, eles conseguem fazer com bastante competência.
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Ilustremos tal fato com uma imagem contrária a situação.Imagine que um judeu more numa simples casa. Chega um palestino bem forte e arranca o judeu de casa e passa a morar na casa. Anos mais tarde, o palestino devolve a casa ao judeu, mas diz que este não deve mais sair da casa e que todo o acesso a esta será pelo palestino controlado, não podendo o judeu fazer nada que deseje sem a concordância do palestino. O que você se fosse o judeu faria? Ficaria parado sem nada fazer? Atacaria o palestino? Chamaria um amigo mais forte pra espancar o palestino? Ou qualquer outra coisa?
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Agora transportemos a imagem para o real. A casa é a Faixa de Gaza, quem mora nela é o povo judeu sem ter um Estado consolidado e no lugar do Estado de Israel existe um Estado Palestino que devolveu a Faixa de Gaza ao povo judeu ao mesmo tempo que controla o acesso a esta.
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Todos os papéis estão trocados no exemplo dado. Minha pergunta é se neste caso você apoiaria o bloqueio palestino aos israelenses ou defenderia o povo judeu que tanto já sofreu nesta vida.
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Deduzo - alguém me corrija se estou errado - que Carlão esteja falando, no exemplo invertido acima, da situação da Faixa de Gaza, ocupada por Israel de 1967 a 2005, quando foi devolvida aos palestinos, de forma UNILATERAL e INCONDICIONAL, repito -, e que desde 2007 está sob bloqueio. Ele acha absurdo que um território devolvido permaneça sob bloqueio etc. e tal. Muito bem. Até aí, nada de extraordinário. Mas falta uma peça nesse xadrez...
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O que falta no raciocínio descrito acima? Falta o seguinte: o bloqueio só existe porque quem domina o território devolvido - a Faixa de Gaza - o utiliza como base para atacar o vizinho e implementar uma política de extermínio desse último, além de manter sob terror a própria população. Diante disso, fosse eu o judeu do exemplo (ou, na vida real, o palestino), o que eu faria? Endossaria o terrorismo de quem jurou varrer o país vizinho do mapa e estabelecer, em seu lugar, sei lá, um Estado teocrático judaico? Atiraria mísseis contra alvos civis a partir de uma casa cheia de velhos e crianças, que eu usaria como escudo humano, esperando provocar uma reação do outro lado que provocasse mártires e me rendesse alguns pontos na guerra de propaganda?
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Não! Em vez disso, eu denunciaria aqueles que não querem a paz. Deixaria claro que, somente reconhecendo o direito do outro existir, que somente renunciando à violência, o outro lado retiraria o bloqueio e poderia
existir então um Estado palestino (ou judeu). Somente assim, eu afirmaria, poderia haver paz na região, e todos poderiam viver com dignidade.
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Para usar o mesmo método que o leitor usou: suponha que os israelenses estivessem confinados na Faixa de Gaza sob um bloqueio palestino. Imagine que o território de Gaza esteja sob o domínio de uma organização extremista e terrorista judaica que jurou aniquilar todos os palestinos e instituir, na região, um regime teocrático. O que eu faria? Apoiaria o bloqueio palestino? Seria a favor do rígido controle das fronteiras desse território, de modo a impedir a ajuda externa aos terroristas judeus? Deixaria claro que, enquanto os fanáticos não abandonarem suas posições extremistas, o bloqueio deve continuar? Com certeza!!!!
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Agora, mais uma perguntinha, que certamente, como as demais, ficará sem resposta: suponha que uma "ONG" com notórias ligações com os terroristas judeus que juraram exterminar os palestinos tentasse furar o bloqueio naval estabelecido à Gaza, supostamente para enviar "ajuda humanitária" à região. O que as autoridades palestinas deveriam fazer? Permitir que o bloqueio fosse furado, e assim abrir um rombo em sua segurança? Ou interceptar o comboio, a fim de verificar que tipo de "ajuda humanitária" seria essa? E se, no ato da intercepção, depois de vários avisos terem sido ignorados, militares palestinos fossem atacados com canos de ferro e facas, e inclusive disparos de armas de fogo, por ativistas ávidos por criarem um incidente internacional sangrento, e tivessem suas vidas colocadas em risco, o que deveriam fazer? Deveriam deixar-se linchar para não afrontar a opinião pública internacional?
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Fui claro agora, Carlão? Ou será que tomei a parte pelo todo?

PERGUNTE QUE EU RESPONDO

Uma das coisas chatas de ter um blog como este é ter que ensinar o bê-a-bá a quem não consegue se equilibar sobre os dois membros inferiores. Mas vamos lá, não custa nada tentar retirar alguém das trevas. Além de ser um serviço público, chega a ser divertido.
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Um leitor anônimo me escreve indignado. Ele está chateado porque, no meu primeiro post sobre o "ataque" das forças israelenses ao "comboio humanitário" da tal "ONG" turca ligada ao Hamas (!!!), eu falei da brasileira Iara Lee, que estava num dos barcos, e deixei claro o que penso de quem se mete numa provocação antiisraelense armada por quem quer aniquilar Israel: ela está do lado errado. Aí o dito-cujo disse:
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Lado errado ??, quem matou o unico presidente que teve coragem para criar um estado palestino de uma vez por todas e acabar com o conflito( Yitzhak Rabin), o Hamas ???
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Quem impôs uma política de ascentamento que praticamente despejou os moradores de uma região para fundar um país ( Israel ).
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Quem transformou o territorio palestino em um grande campo de refugiados??
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o único lado errado a meu ver é o que você tão vêementemente defende com sua tese que a nimguém convence.
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GUSTAVO RESPONDE:
1 - Quem matou Yitzhak Rabin, em 1995, foi um extremista judeu, Yigal Amir. Sim, há fanáticos e extremistas de ambos os lados, jamais neguei isso. A diferença é que os extremistas estão no poder em Gaza, não em Israel. Alguma dúvida quanto a isso?
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Para ficar mais claro: Amir agiu de forma isolada. Era um louco solitário, e não representava nenhuma política oficial, de Estado (pelo contrário: agiu porque não aceitou a política oficial israelense). Pode-se dizer o mesmo do Hamas ou do Hezbollah? (Estes têm até "ONG humanitária" a seu serviço...) Aliás, como foi mesmo que o Hamas e o Hezbollah encararam os acordos de Oslo, em 1993? Ficaram a favor da paz entre palestinos e israelenses?
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Por falar em líderes assassinados por quererem a paz, é bom lembrar o caso de Anuar Sadat, presidente do Egito. Ele foi o primeiro líder árabe a ter a coragem de reconhecer o direito de Israel existir e assinar um acordo de paz com os israelenses, em 1979. Quem o matou? O Mossad?
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2 - Quem "impôs uma política de ascentamento [sic] que praticamente expulsou os moradores de uma região para fundar um país" foi a ONU, em 1947. É a ela que deve ser dirigida sua súplica.
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3 - Quem "transformou a Palestina em um grande campo de refugiados"? Novamente, a crítica está sendo dirigida ao alvo errado. Se quer mesmo saber, vá estudar e procure averiguar o que os Estados árabes vizinhos a Israel, como o Egito, fizeram pelo bem-estar da população palestina.
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É isso. Mais um parvo que ajudei a retirar das sombras da ignorância. Ou não. Mas aí já não posso fazer mais nada. Diante de quem não quer abrir os olhos, não há colírio que dê jeito.
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Então, ainda há alguma dúvida sobre qual é o lado errado na questão?
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terça-feira, junho 01, 2010

PERGUNTAS RESPONDIDAS E NÃO-RESPONDIDAS

"Carlão" escreve. Eu respondo. E aproveito para reiterar perguntas que permanecem - e, pelo visto, permanecerão - sem resposta.
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Pergunta que não quer calar... De que adianta você devolver um território a um povo se continua a controlar seu espaço aéreo e marítimo? Israel devolve a Faixa de Gaza aos palestinos, mas controla o acesso a esta, ou seja, Israel ainda tem o controle do local. Que tipo de povo gostaria de ter seu território controlado e vigiado por outro país/povo?
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A verdade é que um soldado israelense odeia tanto um palestino quanto o Hamas odeia Israel. E se um soldado israelense tiver a chance de matar algum palestino ou aliado, vai fazê-lo sem piedade!
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Vamos lá, "Carlão". Vou tentar responder de um jeito que você possa entender. Preste atenção.
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Pergunta: Por que Israel controla o espaço aéreo e marítimo da Faixa de Gaza?
Resposta: Porque Gaza é controlada pelo Hamas, que a usa como base para atacar Israel (aliás, o Egito também mantém um bloqueio a Gaza, mas ninguém parece muito preocupado com isso).
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Pergunta: Que tipo de povo gostaria de ter seu território controlado e vigiado por outro país etc.?
Resposta: Nenhum. Do mesmo jeito que nenhum povo, creio eu, abdicaria de seu direito de se defender de quem jurou aniquilá-lo. Entao, não basta devolver territórios, é preciso cometer suicídio? Imagine o que o Hamas faria se os israelenses baixassem a guarda e retirassem o bloqueio a Gaza...
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Pergunta: Que tipo de povo aceitou retirar-se totalmente, de forma unilateral e sem pedir nada em troca, de um território controlado por quem jurou varrê-lo do mapa, e desde então só viu os ataques contra si aumentarem, o que mostra que seus inimigos não vão parar até exterminar a todos, homens, mulheres e crianças?
Resposta: Israel.
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Pergunta: Quem luta há mais de sessenta anos contra inimigos que querem provocar um banho de sangue sem escalas, só sobrevivendo devido à própria tenacidade e sofrendo a hostilidade de grande parte do mundo, e que ainda por cima é a única democracia do Oriente Médio?
Resposta: Israel.

Pergunta: Quem se recusa a reconhecer o direito de um povo existir como Estado e jurou exterminar sua população, contando inclusive com o apoio de "ONGs" como a turca IHH?

Resposta: O Hamas, o Hezbollah, a Jihad islâmica, o Irã, a Al-Qaeda...

E por aí vai. Então, respondi suas perguntas?
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Entendeu agora por que existe o bloqueio israelense a Gaza? Entendeu por que Israel não poderia permitir que a flotilha da tal "ONG" turca, na verdade uma provocação, furasse o bloqueio? Entendeu por que a onda toda contra Israel não passa de ódio antissemita disfarçado (ou nem isso)?
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Agora, vamos à frase final do Carlão. Vou analisá-la com carinho.

Digamos que o soldado Jacob odeia os palestinos tanto quanto o militante do Hamas Ahmed odeia Israel. Vamos admitir, por um momento, que isso seja verdade. É provável que, entre 100 mil soldados das Forças de Defesa de Israel, haja um ou outro que tenha idéias genocidas, assim como deve haver psicopatas e genocidas em potencial no Exército brasileiro. O que isso prova em relação à política do Estado de Israel?

Já no caso do Hamas, não se pode falar em psicopatas isolados, em este ou aquele indivíduo com problemas psiquiátricos. Trata-se de uma organização, um movimento, que tem na destruição total de Israel e no massacre de seu povo uma questão de honra, uma bandeira de luta. Mais uma vez: o que isso tem a ver com a política de Israel em relação aos palestinos?

"Carlão" afirma que, se um soldado israelense tiver a chance de matar palestinos, o fará com certeza. Pois bem: soldados israelenses têm a chance de matar palestinos - na verdade, de promover um massacre - todos os dias. Por que não o fazem? Os soldados israelenses tiveram a chance de matar todos os setecentos e tantos ativistas da "ONG" pró-Hamas nos navios que interceptaram. Poderiam ter metralhado todos a partir dos helicópteros. Em vez disso, primeiro alertaram os barcos e, como mostram os videos, desceram com cordas e só dispararam depois que foram atacados, tendo dois deles inclusive sido feridos a tiros. Se os israelenses odeiam tanto os palestinos quanto o Hamas odeia os judeus, por que, em vez de dez, não houve, sei lá, uns 700 mortos?

Acredita mesmo que a violência de Israel e do Hamas se equivalem, e que são todos genocidas? Então imagine se os terroristas do Hamas tivessem a chance de matar todos os israelenses. Tem alguma dúvida do que eles fariam?

Acho que fui suficientemente claro. Mais que isso, só desenhando.

Pode-se criticar Israel. Pode-se, inclusive, questionar o bloqueio a Gaza, assim como o muro na Cisjordânia, com honestidade e inteligência. Muitos no próprio governo e na imprensa israelenses fazem isso. Mas, para que tal ocorra, é preciso reconhecer um fato fundamental, que não vi ninguém até agora lembrar no caso do incidente com a tal "ONG" turca: Israel é um Estado ameaçado de destruição, e os que juraram destruí-lo estão no poder na Faixa de Gaza. Ao interceptar a flotilha e impedir que esta furasse o bloqueio, o país estava se defendendo. Ignorar esse fato é o mesmo que assinar embaixo do terrorismo do Hamas. É justificar a barbárie.

Já respondi as perguntas de alguém que não gosta de Israel. Agora, volto às perguntas que não querem calar, e que ninguém até agora se dignou a responder:

- Furar um bloqueio militar, ainda mais para dar "ajuda humanitária" a uma região controlada por um grupo terrorista e genocida, é uma "ação pacífica"?

- Se uma ONG de defesa dos direitos humanos resolvesse organizar um comboio de ajuda humanitária ao povo do Irã, ou de Cuba, ou da Coréia do Norte, o que aconteceria? Quando algum desses governos impedisse a ONG de fazê-lo, o clamor mundial seria o mesmo?

- Por que a "flotilha da liberdade" não tentou furar o bloqueio à Faixa de Gaza pelo lado egípcio?

Quem se habilita?

segunda-feira, maio 31, 2010

O BODE EXPIATÓRIO DO MUNDO - E ALGUMAS PERGUNTAS INCÔMODAS


Lá vou eu, bancar o advogado do diabo de novo... Mas não tem jeito: quem mandou não ser um cara legal, um sujeito certinho, politicamente correto, do tipo que joga para a platéia e só diz coisas boas? Quem mandou insistir em pensar por si mesmo em vez de seguir a manada em uma questão como a do Oriente Médio, onde, como se sabe e é insistementente repetido nos jornais e na TV, Israel é o lado mau e os humanistas do Hamas e do Hezbollah, para não falar do Irã, são o lado angelical, os mocinhos da história, os defensores da humanidade?

A notícia de hoje - e também a de ontem, e a de anteontem... - é mais uma aleivosia cometida pelos perversos e malvados israelenses, esses inimigos de tudo que é bom, puro e belo que existe, e que vivem de agredir os outros, sem qualquer razão. Refiro-me, claro, ao ataque da Marinha israelense a um comboio da "ONG" turca IHH, que levava "ajuda humanitária" à Faixa de Gaza. Segundo informam as agências de notícias, no ataque ao comboio de navios, auto-batizado de "flotilha da liberdade", morreram cerca de dez pessoas, e várias ficaram feridas. Preparem-se para ouvir condenações veementes do "mundo" contra essa ação de Israel. Preparem-se para ver e ouvir presidentes e primeiro-ministros rasgando as vestes e exigindo uma ação enérgica contra esse "ato covarde e desumano" do "regime sionista". Um ataque militar, e com mortos, a uma frota que só queria levar remédios e comida aos palestinos cercados em Gaza! Chocante, não?

A coisa é chocante, sim, mas não tanto pelos mortos e feridos - o que é sempre lamentável -, e sim pela forma oportunista e sem-vergonha como, mais uma vez, os inimigos de Israel, declarados ou não, vão se aproveitar do episódio para deslanchar a mais sórdida propaganda antissemita disfarçada de indignação humanista. Vamos aos fatos: a "ONG" que organizou o comboio alegadamente enviava "ajuda humanitária" à Faixa de Gaza. A Faixa de Gaza é controlada, desde 2006, pelo Hamas. O Hamas é um grupo terrorista financiado pelo Irã e que jurou, nada mais nada menos, destruir Israel e estabelecer, em seu lugar, um califado islâmico. O Hamas utiliza o território da Faixa de Gaza para lançar ataques terroristas a Israel (fato este, geralmente ignorado, que levou à guerra dois anos atrás.) É por isso que Israel - que de lá se retirou, unilateral e incondionalmente, em 2005 - estabeleceu um bloqueio à região. A tal "ONG" turca atacada por Israel tem laços estreitos com o Hamas - seu presidente, Bület Yildirin, é amigão do chefe do grupo, Ismail Hanieh (veja a foto acima - Yildirin é o da esquerda). Fui muito sutil ou preciso ser mais didático?

Nada disso, claro, faz qualquer diferença para a maioria dos governos, assim como para dez em cada dez órgãos de imprensa, que vêem em Israel apenas o lado agressor, jamais um Estado que luta para se defender. De imediato, antes mesmo que se soubesse como e quantos morreram, vários países expressaram sua condenação a Israel. O Brasil, claro, não foi exceção. Acabei de ler a nota que o Itamaraty preparou sobre o assunto. Ela condena a ação israelense, "em termos veementes" (do tipo que a política externa lulista jamais usaria para se referir a Cuba ou ao Irã, por exemplo). Ao mesmo tempo, a nota afirma que uma investigação internacional independente deve ser realizada para averiguar as circunstâncias do incidente. Pois é. Primeiro, condene um dos lados, em termos veementes; depois, peça uma investigação para saber o que aconteceu... A nota aproveita para defender ainda o fim imediato do bloqueio israelense à Faixa de Gaixa, "com vistas a garantir a liberdade de locomoção de seus habitantes e o livre acesso de alimentos, remédios e bens de consumo àquela região." (Nem preciso lembrar: não é dita uma palavra sobre o terrorismo do Hamas.)

A mais recente onda mundial de repúdio a Israel segue o mesmo padrão das anteriores. Ou seja: não importa o que Israel faça ou deixe de fazer, sempre será o culpado. O governo israelense, que também lamentou as mortes (ao contrário de governos como o iraniano, que não costuma lamentar a morte de cidadãos israelenses, como as 85 pessoas que uma bomba colocada por seu serviço secreto fez em pedaços em Buenos Aires em 1994), o governo israelense, eu dizia, afirma que os navios estavam em suas águas terrritoriais, e que seu soldados atiraram porque antes foram atacados. O outro lado diz que a abordagem ocorreu em águas internacionais, e que os ativistas que morreram estavam se defendendo. Quem tem a razão? Faço apenas duas observações: 1) caso seja verdadeira a versão de que o ataque ocorreu em águas internacionais, como os ativistas da tal "ONG" turca fariam para despejar sua "ajuda humanitária" na Faixa de Gaza sem violar o espaço marítimo ou aéreo israelense? e 2) supondo que os mortos estavam defendendo suas próprias vidas, então os israelenses já chegaram abrindo fogo, pelo simples prazer de matar pessoas inocentes e indefesas? Nesse caso, o número de mortos deveria ter sido bem superior a dez, não? Sim, pois os navios levavam, segundo consta, mais de 700 pessoas. Mas adivinhem em quem o "mundo" prefere acreditar numa hora dessas...

Basta ver quem está por trás das palavras mais duras contra Israel nesse episódio para se ter uma idéia do que estou falando. Um que elevou a voz e se declarou "chocado" pela atitude da Marinha israelense foi o governo do Irã. O que disseram os porta-vozes de Teerã? Que o mínimo que os países deveriam fazer seria romper relações com Israel (que eles chamam de "regime sionista"). O Irã é aquela teocracia islamita paparicada pelo governo Lula da Silva e presidida por Mahmoud Amadinejad, que nega o Holocausto, trata a oposição à base do chicote e já declarou para quem quiser ouvir que deseja varrer Israel do mapa (se depender de Lula e de seu colega da Turquia, com armas nucleares). Um regime e um presidente muito humanistas, como se vê.

O que queria a "flotilha da liberdade"? Queria armar uma provocação anti-israelense. E alcançou esse objetivo plenamente. Convenhamos, é um jogo em que não há como perder: qualquer que fosse o resultado, a tal "ONG" sairia ganhando. Se furasse o bloqueio, entregando a tal "ajuda humanitária" ao Hamas, ela mostraria ser capaz de desafiar Israel, que ficaria desmoralizado diante de seus inimigos. Se o comboio fosse, em vez disso, abalroado pelas autoridades israelenses, os ativistas estavam prontos para reagir e produzir "mártires", conseguindo colocar o mundo, mais uma vez, contra Israel. Foi o que aconteceu.

O que deveria fazer Israel? Se não agisse como deve agir um país quando um bloqueio militar é furado - ou seja: com força militar -, colocaria sua segurança em perigo. Se agisse energicamente, como o fez, seria condenado como truculento. Em qualquer situação, seria a Geni da "opinião pública" internacional, o bode expiatório do mundo. Novamente, foi isso também o que aconteceu.

Há somente uma situação em que os israelenses deixariam de ser tidos como vilões e passariam a ser vistos com simpatia pelos que hoje lhe atiram pedras: se deixassem de se defender, permitindo que o os humanistas do Hamas e do Hezbollah continuem a atirar bombas sobre suas cabeças. Quem sabe abdicando de usar a força militar para manter um bloqueio a uma área dominada pelo Hamas, e usada desde 2006 como base de ataques terroristas a seu território, o governo israelense fique, sei lá, bem na fita? Certamente, o mundo deixaria de falar mal de Israel, e o país ganharia os aplausos da opinião pública internacional. Só tem um probleminha: aí já não existiria Israel nem israelenses... Todos já teriam virado pó, como desejou fazer um dia Adolf Hitler em relação aos judeus. E como querem, hoje, Ahmadinejad e o Hamas.

Foi justamente por ter optado por se defender, sem dar bola para o que o "mundo" diria, que Israel conseguiu resistir e sobrevivar por sessenta anos contra todos os que, como Ahmadinejad (que financia o Hamas), juraram varrê-lo do mapa. Foi isso o que garantiu a sua sobrevivência, em primeiro lugar, como descobriram na pele os Estados árabes vizinhos e a Fatah, ex-OLP, em sucessivos conflitos (1948, 1956, 1967, 1973, 1982 etc.), e como bem sabem também os fanáticos do Hamas, Jihad Islâmica e Hezbollah, que contam com o apoio e a cobertura de "ONGs" como a IHH. Mas é claro que você não vai ver ninguém na imprensa lembrar esse fato. O "mundo" já decidiu: a única forma de Israel deixar de ser malhado e tratado como aquilo que seus inimigos são ("racista", "genocida" etc.) é cometendo suicídio. Deixar que uma "ONG" com ligações com o Hamas fure um bloqueio militar para dar apoio ao terrorismo sob o pretexto da "ajuda humanitária" é um bom caminho para atingir esse objetivo.

Agora, para finalizar, seguem algumas perguntas que você certamente NÃO vai ver ninguém fazendo na imprensa esses dias:

- Furar um bloqueio militar, ainda mais para dar "ajuda humanitária" a uma região controlada por um grupo terrorista e genocida, é uma "ação pacífica"?

- Se uma ONG de defesa dos direitos humanos resolvesse organizar um comboio de ajuda humanitária ao povo do Irã, ou de Cuba, ou da Coréia do Norte, o que aconteceria? Quando algum desses governos impedisse a ONG de fazê-lo, o clamor mundial seria o mesmo?

- Por que a "flotilha da liberdade" não tentou furar o bloqueio à Faixa de Gaza pelo lado egípcio?

São apenas perguntas. Tente respondê-las quem tiver mais de dois neurônios.

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P.S.: Segundo diz o noticiário, entre os ativistas da tal "ONG" anti-Israel, estava uma brasileira, Iara Lee, uma cineasta. É o Brasil mostrando, mais uma vez, que, na questão do Oriente Médio, não perde a chance de ficar do lado errado...
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terça-feira, maio 25, 2010

A COMÉDIA IRANIANA DE LULA. OU: UM TEXTO ME DÁ MAIS UM MOTIVO PARA NÃO SER "NENHUMLADISTA"

Como sempre faço quando um assunto me interessa, procuro ler tudo que posso sobre o tema. Isso inclui textos idiotas, panfletários ou de propaganda ideológica, ao lado de análises sérias, escritas com lógica e bom senso. Inclui também aquele tipo de texto em que o autor procura o tempo todo se omitir de dizer a que veio, em nome de uma “isenção” erroneamente identificada com equilíbrio e sabedoria, como se o “meio-termo” fosse sempre a justa medida da verdade para todas as coisas, e não, como geralmente acontece, uma capa para encobrir o medo elementar de fazer escolhas morais.

Um exemplo dessa mentalidade “isentista” ou “nenhumladista” é um texto de um velho conhecido deste blog, o Pablo Capistrano (http://www.diariodenatal.com.br/2010/05/25/opiniao.php). Pablo, aliás, há algumas semanas me expulsou de seu website por causa de uma comparação que eu fiz e que ele não achou legal, envolvendo galináceos. Na ocasião, até escrevi de volta, tentando mostrar que não há qualquer sentido agressivo ou atentatório à honra pessoal mostrar a diferença entre carne, frango e chester (ver meu texto "A arte da tergiversação", neste blog), mas não adiantou: meu texto foi vetado e me vi banido do site. Agora Pablo vem comprovar que aquela minha analogia estava certa, com um artigo que, a começar pelo título (“Nem tanto, nem tão pouco”), apenas reforça minha atitude de fugir da neutralidade quando se trata do governo Lula, especialmente em questões como o recente “acordo” com o Irã.

Pablo começa dizendo que teve o cuidado de deixar passar uma semana e ler e ouvir tudo que pôde sobre o tal “acordo” envolvendo Brasil,Turquia e Irã anunciado com fanfarra no começo da semana, o qual se revelou (mais) um monumental fiasco da diplomacia lulista. Ele diz que não gosta de formar uma opinião apressada e que é fácil exagerar, reduzir, distorcer etc., buscando evitar interpretações simplistas e rudimentares sobre certos fenômenos etc., etc. Atitude louvável, sem dúvida, que também procuro seguir à risca. Principalmente quando quem está na berlinda é algum governo de “direita”, contra o qual se forma um suspeitíssimo consenso, como o de George W. Bush no caso do Iraque, por exemplo. O que leva a pensar: será que um dia teremos uma análise que não seja exagerada, reducionista e distorcida por parte de algum luminar da esquerda a respeito da decisão de Bush de derrubar Saddam Hussein? E quando veremos esse mesmo benefício da dúvida negado a Bush deixar de ser aplicado por analistas “isentos” a regimes tão do gosto das esquerdas, como o dos irmãos Castro em Cuba, por exemplo? Mas estou divagando. Adiante.

Discorrendo sobre interpretações que atenderiam mais a interesses político-partidários do que à busca pela verdade, Pablo tenta pesar na mesma balança os argumentos centrais dos “governistas” e “oposicionistas” na questão do “acordo” com o Irã. Aparentemente, quero crer que por distração, ele parece se esquecer que reduzir questão tão complexa ao que disseram “governistas” e “oposicionistas” no plano doméstico e no contexto de uma (pré)campanha presidencial é uma forma de reducionismo. Trata-se de uma interpretação simplista e rudimentar – exatamente o que Pablo alega ser contra no começo do texto. A mais recente mancada gigantesca do megalonaniquismo lulista vai muito além desse esquema pré-fabricado (e totalmente artificial, diga-se de passagem, haja vista a disputa eleitoral deste ano se resumir a um campeonato entre duas vertentes esquerdistas). A questão não é entre “tucanos” e petistas, entre Serra e Dilma, mas entre o mundo e um louco nuclear que ameaça destruir outro país. Ponto.
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Afirma Pablo: “Nem tanto, nem tão pouco. Há que se reconhecer um mérito do governo Lula nesse caso: o de definitivamente trazer para a agenda da política eleitoral brasileira temas circunscritos apenas aos aficionados em política externa.”

Pois é, ainda há quem veja mérito na egotrip do Aiatolula... Independentemente do fato de que, como já escrevi antes, política externa (infelizmente) nunca deu ou tirou voto no Brasil, o “mérito” do governo Lula apontado por Pablo pode ser resumido assim: Lula e seus cumpinchas do Itamaraty estão expondo o Brasil ao ridículo mundial, mas isso pelo menos faz com que os brasileiros passem a discutir o assunto. Ou seja: a política externa da Era Lula é uma porcaria, mas pelo menos o povo está falando nela... Sobre isso, tenho apenas uma coisa a dizer: Que mérito, cara-pálida? Lula está arrastando o nome do Brasil na lama!

Além do mais, é improvável que o tema da política externa será trazido para a agenda eleitoral. Por um motivo muito simples: os brasileiros estão cantando e andando para o que acontece no mundo! Se se importassem, se dessem à atual política externa a devida atenção, pelo menos a metade da atenção que dão ao futebol ou às fofocas de celebridades, se encheriam de indignação e sairiam às ruas pedindo a cabeça de Lula numa bandeja. Por pura vergonha.

Prossegue Pablo:
“Além do mais, é preciso reconhecer que o governo Lula não inventou a retórica da independência e da crítica da diplomacia brasileira às grandes potências do norte. Desde o tempo de Rui Barbosa o Brasil aqui e acolá cutuca, com seu discurso emergente, os senhores da política mundial.”

E daí que não foi Lula o inventor da retórica antiamericana e terceiro-mundista? Isso só mostra que o antiamericanismo doentio é uma constante em certos setores da diplomacia brasileira. Agora, francamente, ver algum parentesco entre a política externa aloprada de Lula e Rui Barbosa é um pouco demais, não? Gostaria de saber o que a “Águia de Haia” e liberal ferrenho teria a dizer hoje em dia se confrontado com a aliança incondicional de Lula com tipos como Ahmadinejad. Arrisco um palpite: ele estaria se remexendo no túmulo, com certeza! Sem falar que o patrono da diplomacia brasileira, o Barão do Rio Branco, principal articulador da “aliança não-escrita” com Washington, seria descrito hoje pelos que comandam a diplomacia petista como um americanófilo. O que mostra que a política externa lulista é, além de tudo, contrária à tradição diplomática brasileira.

Mais Pablo: “O que o governo Lula fez, e isso é também preciso reconhecer, é tomar uma atitude geopolítica que condiz com o discurso de sublevação dos servos, bem cara à esquerda pós-iluminista. Se os governos anteriores permaneciam no campo da retórica servindo ao jogo de interesses políticos do momento, a dupla Lula-amorim saiu da conversa e fez um movimento geopolítico internacional realmente ousado e independente, projetando o país, para o bem ou para o mal, como um elemento autônomo no jogo das macropotencias mundiais. È preciso reconhecer isso.”
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“Discurso de sublevação dos servos”? Ahmadinejad, os Castro e Chávez certamente assinariam embaixo dessa expressão. O que Lula e companhia fizeram foi atrelar o Brasil ao que de pior existe na humanidade, e isso inclui um regime teocrático, o iraniano, que é em tudo anti-iluminista. Enxergar mérito nessa patacoada é apenas referendar um antiamericanismo rançoso e bolorento, caro às esquerdas e também a uma direita estúpida e reacionária (sim, há reacionários em ambos os lados). O “movimento ousado e independente” da dupla Lula-Amorim custará ao Brasil a respeitabilidade internacional, colocando o País no rol dos países amigos de tiranos e terroristas. E isso conduz não ao protagonismo, mas a seu exato oposto: o isolamento internacional, a diminuição do tamanho do País no concerto das nações. O que já é realidade, como o caso do Irã demonstra cabalmente.
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Diz Pablo: “A jogada da dupla Lula-amorim se deu em quatro movimentos. O Brasil já havia tentado marcar essa posição no caso de Honduras, mas a interferência dos EUA frustrou as intenções tupiniquins. Então Lula acenou para o Armadinejahd quando ocorreram as eleições no Irã ano passado. Em um segundo movimento Lula convidou o presidente do Irã para vir ao Brasil. Depois se meteu em Israel com o discurso da paz (agora ficou bem claro que a intenção de Lula em Israel não tinha nada a ver com causa da paz entre palestinos e israelenses). Por fim visitou o Irã e posou para a foto com o acordo nas mãos.”

1) não foi a “interferência dos EUA” que frustrou as intenções tupiniquins em Honduras: foi a ignorância do que diz a Constituição daquele país, além do alinhamento com o golpismo bolivariano;

2) Lula não somente “acenou para Ahmadinejad” nas eleições do ano passado: ele referendou a fraude, justificando a repressão à oposição iraniana, que comparou a uma torcida frustrada porque o time perdeu um jogo de futebol; o mesmo padrão se repetiu quando do convite à visita indesejada de Ahmadinejad ao Brasil.
Concordo apenas com a parte final do parágrafo.
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Para Pablo, o “lado escroto” do movimento lulista em direção ao Irã está em ter-se aproximado (eu usaria outro verbo) de um regime teocrático, que tende para o totalitarismo. Ele também tem a clareza de pensamento de não aceitar as comparações do Irã com Israel, que tem armas nucleares e não assinou o TNP, pois é inteligente o suficiente para compreender que não se pode colocar no mesmo saco um país que luta para se defender e um regime comandado por um lunático que jurou varrê-lo do mapa, além de negar o Holocausto e oprimir seu próprio povo. Mas ele derrapa ao não perceber que o “lado escroto” da política externa lulista para o Irã se manifesta no próprio “acordo” Brasil-Turquia-Irã, uma simples manobra para que o irá ganhasse tempo e continue a enganar o mundo e enriquecer urânio para seu programa nuclear secreto. Uma escrotice de marca maior, que só perde para a burrice dos lulistas. Qual o mérito do governo Lula em proteger um regime como o de Ahmadinejad?
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No final, Pablo escreve: “O governo brasileiro conseguiu o que queria. Mostrou ao mundo que pode atuar fora do quintal sulamericano e que não é um simples pau mandando dos EUA, pena que tinha que ser ao lado do Armadinejad, pena que tinha que ser ao lado da teocracia dos Aiatolás que fala em nome de Deus para justificar os erros e as misérias políticas dos homens.”

Nem vou entrar na discussão sobre se o governo brasileiro “conseguiu o que queria” (a chinelada que recebeu no dia seguinte ao tal “acordo” do Conselho de Segurança da ONU e a humilhação que se seguiu estão aí para falar por si mesmos.) Vou me concentrar apenas no seguinte: Pablo dá a impressão que o erro de Lula está apenas em ficar ao lado de Ahmadinejad, como se o antiamericanismo recalcado e irracional que pauta atualmente a política externa brasileira fosse uma coisa boa. Não é. É justamente esse antiamericanismo, juntamente com um complexo de inferioridade travestido de complexo de “comigo-ninguém-pode”, que está por trás de todas as inumeráveis derrotas da política externa brasileira nos últimos oito anos, e que levou à enrascada em que o governo Lula se meteu no Oriente Médio.
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Há quem se negue a ter uma posição definida sobre tudo, e prefira se refugiar numa confortável eqüidistância. Há quem ache que a verdade está sempre no meio. Eu não. Entre Lula e a honestidade, ou entre Ahmadinejad e o mundo, eu não escondo de que lado estou.