quarta-feira, março 10, 2010

LUIZ INÁCIO, CÚMPLICE DE TIRANOS


Augusto Nunes matou a cobra e mostrou o pau em seu blog, ao descascar as declarações inacreditáveis do Apedeuta sobre os dissidentes cubanos, que ele comparou - talvez elogiando estes últimos, sei lá - a ladrões, traficantes, estupradores e assassinos. É mais uma ignomínia do mestre das ignomínias, o político mais cafajeste que já botou os cascos no Palácio do Planalto.
.
Depois de mais essa barbaridade de Luiz Inácio, só posso ficar como Marlon Brando no final de Apocalipse Now: "O horror, o horror"...
***
A HISTÓRIA NÃO ABSOLVERÁ OS PASTORES DA BRUTALIDADE

Os privilégios, mesuras e gentilezas dispensados ao assassino italiano Cesare Battisti ou ao narcoterrorista colombiano “Padre” Medina atestam que, em homenagem à companheirada, Lula promove a perseguido político qualquer bandido comum. O tratamento cruel reservado aos oposicionistas encarcerados em Cuba, sobretudo aos que ousam protestar no interior das cadeias, comprova que, para atender a ditadores companheiros, o presidente brasileiro rebaixa a bandido comum qualquer perseguido político.

“Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos”, acaba de decretar o rábula estagiário que, preso durante uns poucos dias ─ por determinação da Justiça e do governo brasileiros, segundo o raciocínio cafajeste do próprio Lula ─ entrou na farra da anistia, embolsa uma pensão mensal injustificável e segue distribuindo dinheiro aos sócios do assalto legalizado.

“Eu acho que greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto dos direitos humanos para libertar pessoas”, continuou o monumento à ignorância jeca que nunca leu uma linha sobre as lutas pela independência da Índia, que nem faz ideia de quem foi Mahatma Gandhi, que não sabe o que é resistência pacífica.

“Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade”, completou o chefe de governo que, por viver cercado de delinquentes, age como se a atividade política fosse uma atividade ilícita como outra qualquer. Nem os carcereiros fizeram comentários tão repulsivos sobre o grupo de cubanos castigados por crimes de consciência. Condenado em 2003 a três anos de cadeia, o pedreiro Orlando Zapata Tamayo morreu no 85° dia da greve de fome a que recorreu para protestar contra torpezas jurídicas que multiplicaram por dez o tempo de prisão. Foi acusado por Lula, entre um sorriso e outro ao lado do carrasco, de se deixar morrer.

Outros prisioneiros decidiram há dias repetir a saga de Zapata. Para justificar antecipadamente a aplicação da pena de morte oficiosa, o presidente que transforma ladrões vulgares em homens incomuns, e absolve liminarmente até homicidas, acaba de compará-los a militantes do PCC. A História não absolverá os pastores da brutalidade. “Lula é cúmplice da tirania dos Castro”, constatou em entrevista à Folha o jornalista e psicólogo Guillermo Fariñas, em greve de fome há 15 dias.

Em Cuba, gente presa sem motivo entra em greve de fome para tentar sobreviver com dignidade. No Brasil, gente inexplicavelmente em liberdade festeja a boa vida em almoços e jantares patrocinados pela Presidência da República. Os bandidos soltos em Brasília só se recusarão a comer se houver uma queda insuportável na qualidade das refeições servidas nos palácios do poder.

terça-feira, março 09, 2010

LULA, O INSUPERÁVEL


Vou me adiantar ao Reinaldo Azevedo e comentar aqui sobre o que li há pouco em seu blog. Trata-se simplesmente de um dos maiores absurdos ditos pelo mestre dos absurdos nos últimos oito anos. Na verdade, é uma das coisas mais calhordas que já li - talvez a mais estúpida e a mais repulsiva já dita por um chefe de Estado, em todos os tempos.

Dessa vez, Lula se superou em barbaridade. Até para os padrões dele e de sua política externa aloprada, a desfaçatez, o cinismo, a cara-de-pau, a safadeza - dêem o nome que quiserem, ainda será pouco para definir -, foi demais. Simplesmente inacreditável.

Lula perdeu completamente a decência, o pouco que ainda lhe restava de vergonha. Não esconde mais de ninguém que está do lado das piores tiranias do planeta, as quais defende de forma incondicional, e tenta mesmo transformar isso numa virtude. Não há sequer a hipócrita "neutralidade", a falsa neutralidade proclamada por Marco Aurélio Garcia em relação aos narcoterroristas das FARC: é apoio explícito mesmo. Vejam o que disse hoje o Líder Global, em entrevista à Associated Press, sobre a questão dos dissidentes da ditadura cubana. Preparem o Engov.

“Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos de prender as pessoas em função da legislação de Cuba, como quero que respeitem a do Brasil”.

"Temos de respeitar..." Temos mesmo, Lula? Uma legislação totalitária, como a que existe em Cuba, é igual a uma legislação democrática? Deve-se aceitar - mais que isso: deve-se "respeitar" (ou seja: reverenciar, aplaudir) - uma legislação de outro país que dá licença ao Estado para prender e torturar dissidentes, porque afinal é "a lei deles" e ponto final? É isso mesmo?

Sim, segundo Lula.

Se você faz parte da imensa legião de brasileiros que está entorpecida por décadas de propaganda esquerdista, e que ainda acha que Lula é um político respeitável e uma figura civilizada, vou tentar simplificar o que ele disse:

- Lula está defendendo que uma ditadura pode fazer o que quiser com os opositores.

- Lula está dizendo que a tirania cubana tem o direito de prender, torturar e matar, e que ninguém tem nada a ver com isso.

Onde foi parar mesmo aquele documento, a Declaração Universal dos Direitos do Homem?

(Um detalhe curioso: a legislação cubana, que deve, segundo Lula, ser respeitada, prevê um troço chamado "periculosidade pré-delitiva". O que é isso? O seguinte: uma pessoa pode ser presa mesmo sem ter feito nada, por ser considerada "potencialmente perigosa" para o regime. Ou seja: qualquer um pode ser preso na ilha-cárcere não pelo que fez, mas pelo que a ditadura acredita que ele possa fazer um dia... É esse tipo de aberração que Lula exige que todos respeitem!)

“Eu acho que greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto dos [da luta por] Direitos Humanos para libertar pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade”.

Vocês leram certo. Sim, Lula comparou presos políticos, prisioneiros de consciência, opositores de uma ditadura, a... bandidos! Orlando Zapata Tamayo, o mártir pela democracia, imolado após 85 dias de greve de fome, no mesmo nível de um Fernandinho Beira-Mar!

Por falar em greve de fome, não custa nada lembrar: durante a ditadura militar no Brasil, militantes de esquerda presos também fizeram greve de fome. Vários deles - o que não era o caso de Tamayo, nem de mais quatro que estão agora fazendo greve de fome em Cuba - estavam condenados por crimes como terrorismo. Eles reivindicavam, entre outras coisas, serem reconhecidos como presos políticos, diferenciando-se dos presos comuns. Nenhum deles morreu.

O que diriam os defensores dos direitos humanos no Brasil na época, a OAB, a ABI, a Igreja dita "progressista" etc., se alguém viesse a público comparar os esquerdistas que faziam greve de fome contra a ditadura militar nos anos 70 a bandidos comuns? O que diriam se alguém, ainda mais um presidente de outro país, viesse a público dizer que eles não se diferenciam em nada de reles criminosos como assaltantes, estupradores e batedores de carteira? E que o regime que os mantém encarcerados tem todo direito de fazê-lo, de acordo com sua legislação autoritária? Teriam ou não o direito de chamar quem fez esse tipo de declaração de ENERGÚMENO e de CANALHA - mais que isso: de CÚMPLICE da tirania?

Diante do que está acima, seria lícito pensar que Lula atingiu o ápice da boçalidade. Que chegou ao limite da cafajestagem. Não faltaria mais nada a se dizer, certo?
.
Mas falta. Leiam o que vem em seguida.

“Eu gostaria que não corresse [prisão de presos políticos], mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os prendeu, como não quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil”.

Lula não pode questionar as razões pelas quais a tirania cubana mantém mais de 200 pessoas presas por pedirem liberdade e respeito aos direitos humanos na ilha (No Brasil, não há ninguém preso por esse motivo - ainda não.) Mas questiona, e como, as razões que levaram a democracia hondurenha a aplicar o que está na Constituição e destituir um presidente golpista.

Lula não pode questionar os motivos que levam a teocracia iraniana de Ahmadinejad a desenvolver um programa nuclear para varrer Israel do mapa. Mas questiona - pior: ridiculariza - os motivos que levam manifestantes a denunciar a fraude nas eleições e a ser reprimidos com violência pela polícia do regime teocrático.

Lula não pode questionar a decisão de Tarso Genro de conceder refúgio político a um terrorista homicida. Mas questiona as razões pelas quais a Justiça da Itália o condenou por assassinato. É que a Itália, assim como Honduras, não é Cuba ou o Irã.

Saibam, portanto, todos os que acreditam na democracia e nos direitos humanos:

Para Lula, qualquer um que se oponha à ditadura dos Castro, ou a qualquer outra tirania de seu agrado, é um bandido.

Para Lula, qualquer um que defenda a liberdade na ilha ou no Irã merece ser preso, torturado e morto - ou "se deixar morrer", como ele disse de Orlando Zapata Tamayo.

Para Lula, terroristas de esquerda não são bandidos - apenas os dissidentes de regimes como o dos irmãos Castro é que o são.

Para Lula, ditaduras amigas podem fazer o que quiserem com seus opositores. Segundo ele, isso não é um problema da humanidade.

Esse é Lula, o democrata.

Esse é Lula, o humanista.

Esse é Lula, o líder global.

Há apenas uma pessoa capaz de superar Lula: o próprio Lula.

JÁ VI ESSE FILME


Mais uma bomba envolvendo peixes graúdos do lulo-petismo estoura, desta vez no ramo imobiliário - figurões do PT, como o ex-presidente da sigla Ricardo Berzoini, andaram metendo a mão na grana da BANCOOP, a cooperativa dos bancários de São Paulo para construção de apartamentos. Os mutuários, por obra e graça dos companheiros, ficaram tal qual aqueles que acreditaram, de boa-fé, na seriedade do discurso petista sobre ética e democracia: chupando o dedo, com cara de palhaço.
.
As verdinhas, segundo denúncia do Ministério Público paulista, foram desviadas para a campanha de vocês-sabem-quem à presidência da República em 2002 - aquela, do "paz e amor", do homem mais ético e honesto da História deztepaís...

Podem ter certeza: além das chicanas jurídicas de praxe, teremos nas próximas semanas um revival de algumas frases que já entraram para o vocabulário informal de todos. Eis algumas declarações que serão repetidas ad nauseam - porque também nauseantes - daqui para a frente:

- "É uma conspiração das elites e da mídia golpista".

- "São denúncias com objetivo eleitoral".

- "Todos fazem igual".

Ou estas (as minhas favoritas):

- "Não vi nada, não sei nada".

- "Fui traído".

UM TEXTO QUE OS RACIALISTAS NÃO VÃO REBATER


Segue artigo de Demétrio Magnoli, na Folha de S. Paulo de hoje, 9/03. É mais uma denúncia brilhante e irrefutável da farsa racialista que se está tentando impor no Brasil. Um grito de alerta contra a mentira e a falsficação históricas a serviço do racismo oficalizado que já existe em algumas universidades e que se se está implantando na sociedade.

Só não espere que os cotistas e demais racialistas respondam ao que vem em seguida. Eles não o farão.

***
As pessoas, inclusive os jornalistas, podem ser contrárias ou favoráveis à introdução de leis raciais no ordenamento constitucional brasileiro. Não é necessário, contudo, falsear deliberadamente a história como faz o panfleto disfarçado de reportagem publicado nesta Folha sob as assinaturas de Laura Capriglione e Lucas Ferraz (”DEM corresponsabiliza negros pela escravidão”, Cotidiano, 4/3).

A invectiva dos repórteres engajados contra o pronunciamento do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) na audiência do STF sobre cotas raciais inscreve no título a chave operacional da peça manipuladora.

O senador referiu-se aos reinos africanos, mas os militantes fantasiados de repórteres substituíram “africanos” por “negros”, convertendo uma explanação factual sobre história política numa leitura racializada da história.

Não: ninguém disse que a “raça negra” carrega responsabilidades pela escravidão. Mas se entende o impulso que fabrica a mentira: os arautos mais inescrupulosos das políticas de raça atribuem à “raça branca” a responsabilidade pela escravidão.

Num passado recente, ainda se narrava essa história sem embrulhá-la na imaginação racial. Dizia-se o seguinte: o tráfico atlântico articulou os interesses de traficantes europeus e americanos aos dos reinos negreiros africanos. Isso não era segredo ou novidade antes da deflagração do empreendimento de uma revisão racial da história humana com a finalidade bem atual de sustentar leis de divisão das pessoas em grupos raciais oficiais.

Demóstenes Torres disse o que está nos registros históricos. Os repórteres a serviço de uma doutrina tentam fazer da história um escândalo.

O jornalismo que abomina os fatos precisa de ajuda. O instituto da escravidão existia na África (como em tantos outros lugares) bem antes do início do tráfico atlântico. Inimigos derrotados, pessoas endividadas e condenados por crimes diversos eram escravizados. A inexistência de um interdito moral à escravidão propiciou a aliança entre reinos africanos e os traficantes que faziam a rota do Atlântico. Os empórios do tráfico, implantados no litoral da África, eram fortalezas de propriedade dos reinos africanos, alugadas aos traficantes.

O historiador Luiz Felipe de Alencastro, convocado para envernizar a delinquência histórica dos repórteres (”África não organizou tráfico, diz historiador”), conhece a participação logística crucial dos reinos africanos no negócio do tráfico. Mas sofreu de uma forma aguda e providencial de amnésia ideológica ao afirmar, referindo-se ao tráfico, que “toda a logística e o mercado eram uma operação dos ocidentais”.

Os grandes reinos negreiros africanos controlavam redes escravistas extensas, capilarizadas, que se ramificavam para o interior do continente e abrangiam parceiros comerciais estatais e mercadores autônomos. No mais das vezes, a captura e a escravização dos infelizes que passaram pelas fortalezas litorâneas eram realizadas por africanos.

Num livro publicado em Londres, que está entre os documentos essenciais da história do tráfico, o antigo escravo Quobna Cugoano relatou sua experiência na fortaleza de Cape Coast: “Devo admitir que, para a vergonha dos homens de meu próprio país, fui raptado e traído por alguém de minha própria cor”. Laura e Lucas, na linha da delinquência, já têm o título para uma nova reportagem: “Negros corresponsabilizam negros pela escravidão”.O tráfico e a escravidão interna articulavam-se estreitamente. No reino do Ndongo, estabelecido na atual Angola no século 16, o poder do rei e da aristocracia apoiava-se no domínio sobre uma ampla classe de escravos.

No Congo, a população escrava chegou a representar cerca de metade do total. O reino Ashanti, que dominou a Costa do Ouro por três séculos, tinha na exportação de escravos sua maior fonte de renda. Os chefes do Daomé tentaram incorporar seu reino ao império do Brasil para vender escravos sob a proteção de d. Pedro 1º. Em 1840, o rei Gezo, do Daomé, declarou que “o tráfico de escravos tem sido a fonte da nossa glória e riqueza”.

Em 1872, bem depois da abolição do tráfico, o rei ashanti dirigiu uma carta ao monarca britânico solicitando a retomada do comércio de gente.O providencial esquecimento de Alencastro é um fenômeno disseminado na África. “Não discutimos a escravidão”, afirma Barima Nkye 12, chefe supremo do povoado ganês de Assin Mauso, cuja elite descende da aristocracia escravista ashanti. Yaw Bedwa, da Universidade de Gana, diagnostica uma “amnésia geral sobre a escravidão”.

Amnésia lá, falsificação, manipulação e mentira aqui. Sempre em nome de poderosos interesses atuais.

sábado, março 06, 2010

LÁ VOU EU, ENSINAR "MASSINHA I" DE NOVO...


Zek escreve:

Ano passado teve um dos maiores concertos da historia em Cuba, com artistas renomados se apresentando por lá na "ilha prisão", inclusive o conhecido " orishas" um grupo cubano que entra e sai da ilha a todo momento, por que ilha presidio??

Como já disse antes, confesso que tenho pouca paciência para explicar o bê-a-bá a quem ainda está no nível "Massinha I" do curso "O que é totalitarismo". Estou cada vez menos paciente com comentários como o que está acima, que mostram - na melhor das hipóteses - uma ingenuidade infinita. Mas vamos lá. De novo.

Meu caro Zek, se você quer mesmo saber por que Cuba é uma ilha-presídio - aliás, o maior presídio do mundo, com 11 milhões de detentos -, preste bastante atenção no que vou falar. Vou dizer só uma vez, OK? Por favor, não me faça ser repetitivo.

A pergunta que você me fez não deveria ter sido dirigida a mim. Deveria ter sido feita às seguintes pessoas:

- Os cerca de 2 milhões de cubanos e seus descendentes que FUGIRAM da ilha-cárcere desde que começou a tirania dos Castro, em 1959, muitos dos quais com parentes em Cuba que não vêem a hora de se juntar a eles no exterior;

- Os parentes dos 83 mil cubanos que morreram AFOGADOS ou DEVORADOS por tubarões ao tentar FUGIR da ilha-prisão;

- Os parentes dos 17 mil FUZILADOS pela castradura desde 1959, muitos deles pelo crime de discordarem do regime comunista;

- Os parentes dos cerca de 200 PRESOS POLÍTICOS existentes em Cuba hoje, como ORLANDO ZAPATA TAMAYO, ASSASSINADO pelos esbirros dos Castro após uma greve de fome de 85 dias;

- A ANISTIA INTERNACIONAL, que vem há décadas acusando a ditadura castrista dos piores abusos contra os direitos humanos, e que está proibida de entrar no país;

- A REPÓRTERES SEM FRONTEIRAS, que classificou recentemente Cuba em 166. lugar numa lista de 167 países no quesito "liberdade de expressão" (o último colocado foi a Coréia do Norte).

Se não estiver satisfeito, então procure entrar em contato com qualquer cidadão cubano que "entra e sai da ilha a qualquer momento", como os músicos do Orishas. Pessoas como médicos, músicos e esportistas, que não perdem a chance de escapulir à primeira oportunidade. Inclusive no Brasil, há vários.

Mesmo assim, se ainda não estiver convencido, dê uma olhada no que dizem blogs como a da cubana Yoani Sánchez. Lá ela descreve em detalhes as "facilidades" dos cubanos para saírem do país. Não boto aqui o link para o site porque aí já estaria fazendo todo o trabalho por você. Mostro o caminho, mas não pego na mão.

Agora, duas últimas reflexões.

O Haiti está do lado de Cuba. Todos os anos, milhares de haitianos se lançam ao mar, fugindo da miséria (e dos terremotos). A questão é: por que, se estão em busca de uma vida melhor, não desembarcam em Cuba, que está ao lado, arriscando-se a uma travesssia muito mais longa e perigosa rumo aos EUA? Por que o desvio? Não querem desfrutar as "conquistas sociais" do maravilhoso sistema cubano?

Finalmente: na época da URSS - acredito que você sabe do que estou falando, não? -, esportistas, músicos e bailarinos iam e vinham da Pátria-Mãe socialista o tempo todo. O mesmo acontecia com muitos cidadãos alemães na época do nazismo. Também havia, nesses países, concertos de música. Pergunto a você: em quê isso diminui, no mínimo que seja, o caráter TOTALITÁRIO desses regimes?

Aí está, Zek. Espero ter respondido sua pergunta. Mais do que isso, só desenhando.

sexta-feira, março 05, 2010

OS PIORES LIVROS QUE FIZERAM A CABEÇA DE MUITA GENTE

É comum encontrar na internet listas de "melhores" ou "piores", geralmente de filmes, programas de TV etc. Vez ou outra deparo com uma lista de "piores livros", geralmente obras literárias, publicadas em algum site ou comunidade estrangeiros.

Resolvi também dar minha contribuição, apresentando aqui uma relação dos 32 livros que considero os piores que influenciaram - e continuam influenciando - a cabeça de muita gente. O fato de serem 32 não quer dizer nada: trata-se dos livros que achei que não deveriam faltar numa lista dessas. A ordem da lista também não corresponde a nenhuma classificação: segue uma ordem cronológica, por data de publicação.
.
Provavelmente, você já teve que ler alguma dessas obras-primas que vêm a seguir. Dificilmente, acredito, chegou até o final, assim como eu. Muitas são leitura obrigatória nas universidades, principalmente nos cursos da área humanística. O que dá, por si só, um testemunho sobre a qualidade de nosso ensino dito superior.

Já estou preparando também uma lista com os piores livros de autores brasileiros que fizeram a cabeça de muita gente por estas bandas, que publicarei aqui em breve.

Obviamente, a lista a seguir não é completa. Certamente, há outras jóias do pensamento universal que não estão aqui relacionadas. Fiquem à vontade para citar qualquer obra que vocês acham merece figurar nessa galeria. Aceito sugestões.

Eis a lista.


1- O Manifesto Comunista, Karl Marx e Friedrich Engels (1848) – Panfleto que é a certidão de nascimento do “socialismo científico”. É o modelo de todos os manifestos de esquerda. Preparou o terreno para algumas das piores ditaduras da História e para a morte de mais de 100 milhões de pessoas no século XX. É, para muitos, o primeiro texto esquerdista que lêem - e, para alguns, o único.

2 - O Capital, Karl Marx (1864) – Bíblia da economia marxista, quase ninguém leu, mas muitos, marxistas ou não, consideram-no o novo Evangelho. É provavelmente o livro mais citado e menos lido da História. Previu o fim inexorável do capitalismo, sempre anunciado e sempre adiado. Leitura extremamente árida, idéias piores ainda.
3 - Ariel, José Enrique Rodó (1900) – Livro chatíssimo, de escrita barroca. Embora curto, é quase ilegível. Defende a tese de que a cultura hispano-ibérica,
supostamente mais espiritualizada, é superior à anglo-saxônica, “materialista e vulgar”. Não surpreende que tenha se tornado um clássico do antiamericanismo.

4 - Que Fazer?, Vladimir Lênin (1903) – Um guia para a organização do partido revolucionário comunista. Lançou as bases para o Partido Bolchevique na Rússia, a maior máquina totalitária da História. Respondendo a pergunta que dá título ao livro: não abra.

5 - Os Protocolos dos Sábios de Sião (1903) – Clássico do antissemitismo, ajudou a divulgar a mentira da "conspiração-judaica-para-dominar-o-mundo". Obra apócrifa, cheia de absurdos, sua autoria foi atribuída, como parte da lenda, a uma suposta cabala judaica, mas foi escrita mesmo pela polícia czarista russa.
6 - O Estado e a Revolução, Vladimir Lênin (1918) – Olha ele aí de novo. O pai do totalitarismo foi um escritor prolífico. Nesse livreto, ele prevê o “fim progressivo” do Estado após a tomada do poder pelos comunistas e a instauração da "ditadura do proletariado". Ocorreu exatamente o contrário.

7 - O Judeu Internacional, Henry Ford (1920) – Texto antissemita escrito pelo fundador e dono da Ford. É a prova de que homens de negócios também podem ser estúpidos.


8 - Minha Luta (Mein Kampf), Adolf Hitler (1925) – Livro que lançou as bases da ideologia nazista. Precisa dizer mais?

9 - Comunismo Soviético: Uma Nova Civilização, Sidney e Beatrice Webb (1935) – Relato de viagem do casal inglês, pais do socialismo britânico e “companheiros de viagem” do comunismo, cheio de elogios à URSS de Stálin. Modelo de cegueira ideológica que seria imitado à exaustão nas décadas seguintes.


10 - A Revolução Traída, Leon Trotsky (1936) – Considerado por muitos um livro anti-soviético, é na verdade uma tentativa de o autor, um dos construtores da URSS, isentar-se de culpa pela ditadura comunista. Defende a tese de que o stalinismo foi um desvio de rota, uma “traição” dos ideais da Revolução Russa, que seria supostamente antiautoritária e antiburocrática. Um perfeito exercício de “salvar a própria cara”, poderia ter como subtítulo: "Como construir um Estado totalitário e depois posar de vítima".
 

11 - Cadernos do cárcere, Antonio Gramsci (1937) – Ensina os comunistas a tomar o poder de maneira solerte e quase imperceptível, mediante a “conquista de espaços” e a “hegemonia" cultural. Mostrou o caminho das pedras aos petistas e a seus assemelhados da esquerda festiva, que se dedicam a minar as instituições democráticas, enquanto se fingem de democratas.
12 - A Personalidade Autoritária, Theodor W. Adorno (1950) – Livro de um dos expoentes da neomarxista "Escola de Frankfurt", bastante influente desde os anos 60, defende a falácia de que a “direita” é autoritária, mas a “esquerda”, não. Muito usado para “provar” que qualquer um que se oponha às idéias de esquerda sofre de distúrbios psiquiátricos. Provavelmente, um caso de inversão psicológica.

13 - A História me Absolverá, Fidel Castro (1953) – Teoricamente, é a transcrição do discurso que Fidel Castro fez durante seu julgamento pelo ataque ao quartel de Moncada, em 1953. Na realidade, é um panfleto de propaganda política feito a posteriori para enaltecer o ditador. Uma das maiores armações editoriais já feitas em todos os tempos, à altura do regime dos irmãos Castro.
14 - A Guerra de Guerrilhas, Che Guevara (1960) – “Manual” que pretendia ensinar a combater e derrotar o "imperialismo" a partir de um pequeno grupo ou foco de combatentes (foquismo). O autor, depois de fuzilar algumas centenas de prisioneiros políticos e de ajudar a arruinar a economia de Cuba, tentou implantar seus ensinamentos no Congo e na Bolívia. Foi derrotado nas duas vezes e acabou preso e executado, provando de seu próprio veneno. Depois disso, virou ídolo pop e estampa de camiseta, usada por adolescentes com hormônios de mais e neurônios de menos.

15 - Furacão sobre Cuba, Jean-Paul Sartre (1960) – Livro em que o filósofo existencialista, autor da frase inacreditável “Todo anticomunista é um cão”, dá vazão á sua paixão pelos revolucionários cubanos, em especial a Che Guevara, que ele descreveria depois como “o ser humano mais completo do século XX”. Sem comentários.

16 - A Verdade sobre Cuba, C. Wright Mills (1960) – Apesar do título, não passa de um panfleto contra o “imperialismo” dos EUA e a favor do regime de Fidel Castro em Cuba. Uma das maiores mistificações de todos os tempos.

17 - Os Condenados da Terra, Frantz Fanon (1961) – Clássico do terceiromundismo, advoga abertamente a violência dos “oprimidos” contra os “opressores”. O autor, que era psicólogo, chega a enaltecer as “virtudes psicológicas” da violência revolucionária. Muito lido por terroristas e militantes do racismo negro, atualmente chamados "defensores de cotas raciais".

18 - A Mística Feminina, Betty Friedan (1963) – Livro que, juntamente com O Segundo Sexo (1948), de Simone de Beauvoir, lançou as bases do feminismo. Virou um catecismo de donas-de-casa americanas entediadas e de executivas castradas emocionalmente. Justifica em cada linha a frase imortal de Nelson Rodrigues: “O único movimento feminino que me interessa é o dos quadris”.
 
19 - O Homem Unidimensional, Herbert Marcuse (1964) – Obra de enorme influência nos anos 60, ataca o capitalismo e a sociedade industrial, com base no marxismo e no freudianismo. Uma das bíblias dos pós-modernistas, usa e abusa de Marx e Freud para provar que o capitalismo é um sistema mau e totalitário, ao contrário do que existia nos países atrás da Cortina de Ferro.
 
20 - Revolução na Revolução?, Régis Debray (1967) – Livreto “revolucionário” do escritor francês, admirador de Che Guevara e da Revolução Cubana. Defende a teoria do “foco” guerrilheiro como o caminho para a revolução. Renegado depois pelo autor.
21 - O Livro Vermelho do Pensamento do Camarada Mao, Mao Tsé-tung (1967) – Coletânea de platitudes do maior assassino de massas da História, tornou-se leitura obrigatória dos chineses durante a “Revolução Cultural” dos anos 60. Virou souvenir para turistas.

 
22 - Os Conceitos Elementares do Materialismo Histórico, Marta Harnecker (1969) – Cartilha da vulgata marxista, um dos dez livros que mais comoveram o idiota latino-americano. Adotado nas escolas em Cuba.
 
23 - As Veias Abertas da América Latina, Eduardo Galeano (1971) – Considerada a Bíblia do perfeito idiota latino-americano, escrita por um dos maiores expoentes da turma, um uruguaio fã de Fidel Castro. É um rosário de desgraças do continente, desde a descoberta no século XV, atribuídas sempre aos colonizadores (primeiro espanhóis e portugueses; hoje, os gringos norte-americanos). Pode ser resumido na seguinte frase: somos pobres por causa deles, os “imperialistas”. Também conhecido como As "Véias" Abertas da América Latina.

24 - Rumo a uma teologia da libertação, Gustavo Gutiérrez (1971) – Livro que deu o pontapé inicial na heresia oportunista batizada de “teologia da libertação”, bastante popular na América Latina e representada no Brasil por Frei Betto e Leonardo Boff. Bebe na onda “modernizadora” iniciada após o Concílio Vaticano II (1962-1965) para tentar uma síntese entre o catolicismo e o marxismo, com predominância, claro, deste último. Deu origem a um dos maiores engodos de todos os tempos. Apenas confirmou o dito bíblico de que não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo.

25 - Para Ler o Pato Donald, Ariel Dorfman e Armand Mattelart (1972) – Pequeno manual para “compreender” as mensagens subliminares supostamente presentes nas tirinhas da Disney, por meio das quais o pérfido imperialismo ianque faria lavagem cerebral em nossas crianças. A única lavagem cerebral foi a que sofreram os autores, dois esquerdistas ociosos que viam propaganda imperialista em histórias em quadrinhos.

26 - Vigiar e Punir, Michel Foucault (1975) – Obra de um dos principais representantes da filosofia francesa pós-moderna, apresenta a polícia e as prisões como instrumentos de dominação social, a serviço da “opressão das elites” etc.. Um dos livros preferidos da turma esquerdista inimiga da polícia e amiga de um baseado, adepta do "direito achado na rua" (ou na sarjeta).


27 - Cuba: Ditadura ou Democracia?, Marta Harnecker (1978) – O titulo já diz tudo: a autora, viúva do chefe do serviço de espionagem cubano, tenta argumentar que Cuba não é uma ditadura, mas um regime democrático, até mais avançado do que a mais avançada das democracias capitalistas (!). Bom para servir de papel higiênico na ilha onde este é artigo de luxo.


28 - Aparelhos Ideológicos de Estado, Louis Althusser (1978) – Outro clássico do marxismo acadêmico e de botequim. Afirma que a “superestrutura” (escola, família etc.) tem por finalidade a reprodução do sistema capitalista. Tem pouco mais de 100 páginas, mas é tão chato que é quase impossível ler até o final.
29 - Orientalismo, Edward Said (1978) – Clássico da moda relativista chamada multiculturalismo, defende a idéia de que o “Ocidente” tem uma visão deturpada do “Oriente” (em especial, do Islã). Muito citado por quem tenta justificar fenômenos como o terrorismo islamita. A começar pelo autor, um fervoroso militante anti-Israel, que via nos atentados terroristas palestinos um gesto de "libertação".


30 - O Livro Negro do Capitalismo, Gilles Perrault (org.) (1997) – Tentativa tosca e mal-sucedida de resposta a O Livro Negro do Comunismo, publicado naquele mesmo ano, e que trazia relatos fartamente documentados e irrefutaveis das cerca de 100 milhões de mortes perpetradas pelo comunismo no século XX. Coloca na mesma conta de “crimes do capitalismo” as atrocidades do nazismo, guerras como a do Vietnã e os massacres de povos indígenas durante a colonização nas Américas. Só faltou culpar o capitalismo pela extinção dos dinossauros também. Tudo para desviar a atenção dos crimes do comunismo.


31 - Hegemonia ou Sobrevivência, Noam Chomsky (2002) – Panfleto antiamericano do guru de Hugo Chávez. Resumo: os EUA querem o poder mundial e todos os que se opõem a isso estão defendendo a humanidade. O antiamericanismo de Chomsky é tão intenso que já o levou a defender o regime genocida do Khmer Vermelho no Camboja, nos anos 70. Atualmente, virou autor de referência de Osama Bin Laden.


32 - Piratas do Caribe, Tariq Ali (2008) – O paquistanês Tariq Ali faz a apologia dos governos populistas e caudilhescos da América Latina, como os de Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Fidel Castro (Cuba) - com uma auréola de santo na capa. Autor também dos inqualificáveis Choque de fundamentalismos (2001) e Bush na Babilônia (2003), Ali chama esses governos de "o eixo da esperança". Só não há esperança para quem tente trazer esse radical trotskista e antiamericano raivoso para o lado da racionalidade. O lema do autor: o que é ruim para os EUA, é bom para a humanidade. Conselho: faça o mesmo que os cubanos e venezuelanos fazem na menor oportunidade – fuja.

Menções honrosas:


História da riqueza do homem, Leo Hubeman (1968) - Espécie de bê-a-bá do materialismo dialético, apresenta um esquema histórico com a evolução dos meios de produção, desde o feudalismo até a ascensão do nazi-fascismo na Europa, pela perspectiva marxista. Primeiro contato de muita gente com a "ciência" econômica de Marx e Engels.


Era dos extremos: o breve século XX, 1914-1991, Eric J. Hobsbawn (1994) - Tudo bem que Hobsbawn é comunista até a medula, mas precisava ser tão condescendente com a URSS num livro de História?
.
Aí está. Se você também teve o duvidoso privilégio de ler algum desses livros, e se notou alguma ausência na lista acima, fique à vontade para sugerir outros títulos. Ficarei feliz em incluir as sugestões e comentários que me parecerem mais pertinentes. Afinal, a bibliografia esquerdista e pró-totalitarismo é mesmo infinita. Assim como a estupidez humana, da qual é uma prova contundente, aliás.

P.S.: Pena que aqui não dá pra dizer que este ou aquele livro, ao contrário de certos filmes, é "tão ruim, que é bom"...

quinta-feira, março 04, 2010

COMO JUSTIFICAR UMA TIRANIA SEM PARECER QUE O ESTÁ FAZENDO


Aí alguém me escreve sobre o post "Um comentário para ficar preocupado":
.
De Cuba são úteis as heranças do favela-bairro (mal empregado no Brasil), e médico de família (que não justifica a verba miserável destinada a saúde brasileira). Lembrando que os exemplos não justificam a tirania na ilha.
.
Odeio dar aula de "Massinha I" para quem não consegue tomar sorvete sem sujar a testa ou se recusa a raciocinar em posição ereta, mas lá vai. Sou um cara paciente.
.
Quem enxerga alguma coisa "útil" em um regime como o de Cuba está, mesmo que diga que não, justificando-o. Isso porque está obrigado, pela lógica, a reconhecer os aspectos "úteis" dos seguintes regimes:
.
da ex-URSS (1917-1991): o programa espacial e a erradicação do analfabetismo;
..
da ex-Alemanha Oriental (1949-1990): os quilos de medalhas olímpicas que o regime comunista ganhava a mais do que a Alemanha Ocidental, capitalista (aliás, Cuba também é conhecida pelo desempenho de seus atletas em competições internacionais);
.
da Coréia do Norte (desde 1948): a ausência de engarrafamentos no trânsito e as coreografias em massa ("olha: aulas de balé para as crianças!");
.
da Alemanha nazista (1933-1945): a eliminação do desemprego, o sistema de saúde pública, a previdência social, a construção de estradas, a legislação de proteção ao meio ambiente (by Herman Göring);
.
da Itália fascista (1922-1943): os trens chegando na hora e a legislação trabalhista.
.
Agora imaginem alguém apontando para as "conquistas" referidas acima dos regimes totalitários. Imaginem alguém chamando a atenção para esses fatos para mostrar que tais ditaduras tinham, enfim, um "lado positivo" e "louvável". Com que outro objetivo o faria senão para JUSTIFICAR a tirania? Por que o caso de Cuba seria diferente?
.
Qualquer indivíduo que tiver a ousadia de se referir aos aspectos "úteis" ou "positivos" das tiranias citadas acima, invocando para qualquer uma delas o status de "ditadura benigna", deve estar preparado para ser, com razão, execrado em praça pública como um cúmplice de assassinato ou, na melhor das hipóteses, como um idiota útil a serviço dessas ditaduras. Mas é isso exatamente o que muita gente, de boa ou má fé, faz em relação à tirania dos Castro em Cuba: esta seria uma ditadura, mas "do bem", ou seja, que censura, prende, tortura e mata, mas faz isso tudo para o bem do povo...
.
Vou repetir para que fique bem claro: ainda que - notem bem: ainda que - Cuba tivesse o melhor sistema de saúde pública e os melhores programas sociais do mundo, ainda que o país fosse um paraíso de igualdade em que todos fossem bem alimentados, fortes e saudáveis, isso não justificaria em absolutamente nada a ausência de liberdades na ilha-presídio. Não justificaria a existência de presos políticos, os fuzilamentos ou a censura.
.
O único motivo que leva alguém a mencionar supostas "conquistas sociais" da castradura cubana, ou de qualquer outra ditadura, é a ânsia em justificar a opressão. E não há nada de útil nisso, a não ser para a tirania. Há, sim, muita ingenuidade ou muita canalhice.

LULA E O IRÃ: UMA AULA DE SONSICE

Iraniana manifestando sua admiração por Ahmadinejad e pelo Estadista Global

“O Brasil mantém sua posição. O Brasil tem uma visão clara sobre o Oriente Médio e sobre o Irã. O Brasil entende que é possível construir outro rumo. Eu já disse para o Obama: ‘Não é prudente encostar o Irã na parede. O que é prudente é estabelecer negociações. Eu quero para o Irã o mesmo que quero para o Brasil: utilizar o desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos. Se o Irã tiver concordância com isso, terá apoio do Brasil. Se quiser ir além disso, o Irã irá contra o que está previsto na Constituição brasileira e, portanto, não podemos concordar”.

A declaração acima, palavra a palavra, é dele mesmo, Luiz Inácio Lula da Silva. Ele estava se referindo ao Irã. Nesta semana a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, esteve no Brasil, onde tratou do tema. Ficou claro, nas entrevistas, o descompasso entre a posição da Casa Branca e a do governo brasileiro na questão.

Não é porque eu não goste de Hillary Clinton que vou deixar de lhe dar razão nesse assunto. E, é triste constatar, o governo Lula está dando mais uma mostra de que, na questão iraniana, está indo na direção oposta à da humanidade.

Lula acha que "não se deve encostar o Irã contra a parede". Ele está se referindo às sanções internacionais contra o governo de Mahmoud Ahmadinejad por causa de seu programa nuclear secreto. Lula é contra - não o programa nuclear iraniano, mas as sanções ao Irã, que fique bem entendido. Dá para entender. Afinal, o Irã é uma democracia exemplar, que não ameaça varrer do mapa outros países, nem patrocina o terrorismo além de suas fronteiras. É um país que teve eleições limpas, como todos vimos, sem qualquer sinal de fraude. Os que chiaram contra o resultado e, para usar uma expressão cara a Lula, se deixaram morrer nas mãos da polícia e dos paramilitares, estavam fazendo apenas o que faz uma torcida de futebol quando seu time perde uma partida.

Muito diferente é o caso de outros países, como Honduras. Ali sim, cabe a aplicação de sanções duras. Afinal, Honduras é, como se sabe, uma ditadura crudelíssima, um regime oriundo de um sangrento golpe militar que derrubou um presidente amante das leis e da Constituição, sem falar que não realizou eleições livres e democráticas. Seus atuais dirigentes, como é sabido, negam o Holocausto e juraram varrer outro país do mapa, patrocinando ativamente o terrorismo em pelo menos três países e desenvolvendo na surdina um programa de enriquecimento de urânio ao arrepio do direito internacional. Além disso, seu regime persegue minorias religiosas e homossexuais. Honduras, sim, é uma tirania! É uma ameaça à paz mundial!

Lula diz que quer para o Irã o mesmo que quer para o Brasil, e que, enquanto o Irã agir de acordo com o que diz a Constituição brasileira, o Brasil continuará a apoiar o Irã etc. Tirando o fato de que, até onde sei, a Constituição brasileira não tem valor universal, a frase faz todo sentido. Afinal, a Constituição brasileira estabelece, em seu artigo 4, como os princípios que devem guiar as relações exteriores do Brasil: prevalência dos direitos humanos; defesa da paz; solução pacífica dos conflitos; repúdio ao terrorismo e ao racismo etc... Tudo isso, claro, está em plena conformidade com a atuação internacional do Irã de Mahmoud Ahmadinejad. E com a política externa do governo Lula.

Para Lula e seu Ministério de Relações Extravagantes e Estaparfúdias, prudente é afagar o Irã, e não pressioná-lo para que desista de seus planos hostis a Israel. É defender sanções pesadas e o isolamento de Honduras e apoiar incondicionalmente Cuba e Venezuela.

A única maneira de tentar compreender a política externa do governo Lula é recorrendo à inversão e ao surrealismo. Só assim para perceber o grau de absurdo a que chegou a realidade sob a diplomacia lulista.

MALVINAS, NÃO: FALKLANDS!


Ah sim! Como se não bastasse o vexame colossal em Honduras, e agora a cumplicidade explícita com a tirania de Cuba, a diplomacia de Luiz Inácio encasquetou de exercer seu protagonismo e liderança universais também na questão das Malvinas. Na reunião que criou a tal Organização dos Países da América Latina e Caribe - anotem o nome, vocês vão precisar para se lembrar um dia que a coisa existe -, em Cancún, no México, o Guia Genial fez questão de declarar seu apoio total à reclamação da presidente argentina Cristina Kirchner sobre as ilhas no Atlântico Sul, aproveitando para dar um pito na Rainha por estar começando a explorar petróleo na área. "Não é possível que as Malvinas não pertençam à Argentina", vociferou o reformador do mapa-múndi, esperando que, com isso, o governo de Sua Majestade se rendesse a seus carisma e poder de persuasão aprendidos no sindicato.

Sem entrar, por ora, na questão da legitimidade ou não da reivindicação argentina sobre as Malvinas, que vem de longa data, a atual onda "Malvinas são da Argentina" exala o indisfarçável mau-cheiro das bravatas. O anticolonialismo, assim como o antiamericanismo, é um dos fetiches mais insistentes na América Latina, estando além da dicotomia esquerda-direita. Uma das lembranças mais remotas que tenho de minha infância é da histeria patrioteira que tomou conta de todos, inclusive de muitos brasileiros, quando da invasão argentina das Malvinas, e da surra que os hermanos tomaram das forças britânicas, em 1982. De tão humilhante, a derrota militar levou ao fim da ditadura argentina, a mais sangrenta da América do Sul, com seus 30.000 mortos e desaparecidos, um ano depois. Se nossos vizinhos vivem hoje numa democracia, apesar de Lady Kirchner e seus arroubos, devem isso a Madame Margaret Thatcher, que botou os brucutus argentinos para correr das Malvinas. Eis um bom motivo para defender a soberania britânica sobre as ilhas. Se eu fosse argentino, pensaria nisso.

Há outro motivo para desconfiar de mais essa patriotada. Em 1982, o general Galtieri (que, dizem, estava bêbado, e eu acredito) mandou invadir as Malvinas para desviar a atenção da crise econômica que assolava a Argentina e corroía o regime. Hoje, o governo de Dona Cristina claudica nos péssimos resultados da economia e se vê às voltas com acusações de corrupção e tentativas de censurar a imprensa. Os milicos argentinos tentaram, com a invasão, reavivar o patriotismo e fazer todos esquecerem do arbítrio. Coincidência?

Agora entremos na questão de fundo, a legitimidade ou não da reivindicação argentina sobre as Malvinas. Para Luiz Inácio, é um absurdo que seja a Inglaterra, e não a Argentina, a dona do território, pois, afinal, Londres está a 14 mil km de distância etc. Por esse mesmo critério geográfico, a ilha de Páscoa, por exemplo, deveria deixar de pertencer ao Chile, pois afinal está no meio do Pacífico. Ou a ilha de Guam deveria deixar de ser norte-americana para ser anexada, sei lá, pelas Filipinas. E há vários outros exemplos do tipo. Sem falar que há tantos argentinos nas Falklands quanto há chineses no Deserto do Saara. Já os britânicos estão lá há 177 anos, com suas fazendas e ovelhas. Já tinham-se fixado lá antes, portanto, de a Argentina se consolidar como Estado independente, o que só acontece após 1862. Se for para ser aplicado o princípio do uti possidetis, que deu legitimidade, por exemplo, à posse brasileira do Acre, as Malvinas são, inegavelmente, britânicas. Aliás, Malvinas, não: Falklands.

Tudo isso, claro, não passa de mais uma pantomima, de mais uma grande farsa montada pelos companheiros cucarachas. O Brasil, claro, vai atrás. A diplomacia lulista não faz mais do que tocar tuba para ditadores e demagogos. O anticolonialismo é mesmo o último refugio do velhaco. God save the Queen!

segunda-feira, março 01, 2010

A DIPLOMACIA DA CANALHICE


A expressão que dá título a este post não é minha. Está no texto que transcrevo a seguir, do blog de Augusto Nunes.

Ah, e eu assino embaixo, como sempre.

***

E SE URIBE IMITASE ZELAYA?

Neste fim de fevereiro, a Suprema Corte da Colômbia fez exatamente o que fez em março de 2009 a Suprema Corte de Honduras: vetou a realização de um plebiscito cujo resultado poderia permitir a candidatura do presidente da República a outro mandato. Nos dois casos, a decisão ─ corretíssima ─ foi anunciada com a campanha pela sucessão em andamento.

O colombiano Alvaro Uribe ─ que ficaria ainda melhor no retrato se nem tivesse pensado numa segunda reeleição ─ reagiu como deve reagir um democrata: “Aceito e acato a sentença da Suprema Corte”, resumiu. A disputa presidencial seguirá seu curso sem sobressaltos. Como um caudilho aprendiz, o hondurenho Manuel Zelaya ignorou o veto do Poder Judiciário, continuou tramando o golpe, acabou deposto por crimes contra a Constituição e foi expulso do país. Nos meses seguintes, fez o que pôde para que o processo eleitoral naufragasse.

Vale a pena imaginar o que faria o Brasil se Uribe imitasse Zelaya e também acabasse destituído. A imprensa e o governo continuariam a chamá-lo de “presidente democraticamente eleito”? Os defensores das normas constitutionais seriam tratados como “golpistas”? Os companheiros Lula e Hugo Chávez costurariam mais uma trama destrambelhada para alojar Uribe na embaixada do Brasil em Bogotá? A dupla de vizinhos trapalhões se negaria a reconhecer o governo do novo presidente escolhido nas urnas?

Não para todas as perguntas, sabe até a gravata borboleta que torna Celso Amorim um pouco mais ridículo em saraus no Exterior. O Itamaraty deste começo de século não obedece a princípios, não respeita códigos éticos. Cumpre o regimento interno do clube dos cafajestes e atende a interesses subalternos. Não faz gestões, faz jogadas. A Era Lula instituiu a diplomacia da canalhice.

sábado, fevereiro 27, 2010

LULA, A DEMOCRACIA, A NÃO-INTERVENÇÃO E A DIPLOMACIA PETISTA: MAIS MENTIRAS


De volta de sua visita turístico-ideológica à ilha-presídio de Cuba, onde ignorou protestos pelos direitos humanos e posou para fotos ao lado de seu ídolo Fidel Castro, Luiz Inácio tentou, bem ao estilo Lula, "justificar" a injustificável pusilanimidade, sua e de seu governo, diante da morte de mais um preso político da castradura cubana. Orlando Zapata Tamayo teve o mau gosto de morrer justo no dia em que Luiz Inácio visitava a ilha-cárcere. Pior: sem protocolar uma carta em três vias para que ele, Lula, falasse com o dissidente e impedisse sua morte por tortura nas mãos dos carrascos da ditadura.

Ao falar - muito contra a vontade, diga-se - de mais essa página vergonhosa da política externa brasileira, Luiz Inácio aproveitou para descer um pouco mais no poço aparentemente sem fundo das baixezas lulistas. "Ninguém é mais democrata do que eu", proclamou, em sua infinita modéstia, o estadista global de Davos. "Não se pode dar palpite nos assuntos dos outros países", ensinou o professor de relações internacionais.

Qual a contribuição de Luiz Inácio para a democracia no Brasil? (Nem falo mais no caso de Cuba, em que o apreço de Lula e dos companheiros petistas pela democracia é, como está claro, notório.) É a seguinte: em 1985, alegando que o voto seria indireto, ele ficou contra a eleição de Tancredo Neves, o primeiro presidente civil eleito no País depois de 21 anos de ditadura militar, e orquestrou a expulsão de três deputados petistas que, contrariando decisão do partido, votaram no mineiro contra Paulo Maluf. Três anos depois, recusou-se a assinar, juntamente com os demais parlamentares do PT, a Constituição democrática de 1988, que pôs um ponto final a décadas de arbítrio. Nesse meio tempo, fez muito barulho, apoiou greves, muitas das quais eleitoreiras, arruinou reputações (algumas das quais trata, hoje, de limpar - afinal, fazem parte da "base alugada" do governo...) e defendeu o calote da dívida externa, entre outras coisas que hoje quer que todos esqueçam. Essa foi a grande contribuição de Luiz Inácio para a redemocratização do Brasil.

Sem falar no compromisso dele, Luiz Inácio, com a estabilidade econômica, uma conquista quase tão importante quanto a redemocratizãção, e esteio de seu governo. É o que demonstra sua oposição ao Plano Real, ao Proer e à Lei de Responsabilidade Fiscal. Luiz Inácio chegou mesmo, à frente de seu partido, então na oposição, a defender o impeachment do então presidente. É que era outro o que fez essas reformas, não ele, Luiz Inácio. Agora, age como se fosse o pai fundador da democracia e da estabilidade da economia, colhendo os frutos de tudo a que se opõs com veemência. Aproveita-se do que outros fizeram e ainda diz, malandramente, que foi ele que fez.

Sobre a não-intervenção nos assuntos de outros países, que agora proclama e defende no caso da tirania castrista em Cuba, também não é preciso ir muito longe para verificar a enorme sinceridade de Luiz Inácio. A não-intervenção, assim como a defesa da democracia, é realmente uma questão de honra para a diplomacia lulista. Menos, claro, se o país em questão for Honduras. Nesse caso, vale até mandar a soberania do país às favas e abrigar um presidente deposto por tentar rasgar a Constituição, permitindo que este use o prédio da Embaixada brasileira para pregar a insurreição e a guerra civil contra um governo constitucional. Intervenção nos assuntos internos de outro país? Atentado à soberania? Imagina...

Um outro exemplo é o Irã. Aqui, a noção de não-intervenção dos lulistas é realmente ímpar. Lula se adiantou ao resultado claramente fraudulento das eleições no Irã, que anunciava a vitória de Mahmoud Ahmadinejad, antes mesmo que os próprios aiatolás iranianos o fizessem. Não contente em dar pitaco na eleição alheia, disse ainda que os protestos da oposição e a violenta repressão aos manifestantes que pediam democracia eram uma disputa entre torcidas de futebol... Interferência indevida? Apoio à tirania? Nada...

Para Luiz Inácio, pedir democracia e respeito aos direitos humanos em Cuba é dar palpite nos assuntos dos outros. Já apoiar um golpista em Honduras e minimizar a repressão no Irã, não. Em outras palavras: dar palpite pode, desde que seja a favor dos amigos, e desde que seja a favor de ditaduras. É a diplomacia aloprada e sua incrível coerência em ação.

Raúl Castro, o tirano de plantão de Cuba, culpou os EUA pela morte de Orlando Zapata Tamayo. Luiz Inácio foi além, e culpou o próprio morto, que "se deixou morrer". Ainda por cima, tripudiou dos dissidentes, dizendo que eles agora seriam "dissidentes do Lula". Conseguiu superar a própria ditadura castrista em ignomínia. Deve-se esperar sempre o pior de Luiz Inácio.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

ISSO É UM EDITORIAL


Se há um editorial que honra o jornalismo brasileiro, é este, do Estadão de hoje, 26/02. Nada a acrescentar. Pena que Lula não vai ler. Ele já disse que ler jornais lhe dá azia. Menos, claro, se for o Granma dos compañeros Fidel e Raúl.
.
Aos poucos, parte da imprensa brasileira vai percebendo a farsa do líder moderado, do "estadista global". A máscara deste já caiu: o que está por trás é apenas o populista pançudo, cúmplice de tiranos e assassinos.

Para ler e guardar.

*
Do lado dos perpetradores

São de um cinismo deslavado os comentários do presidente Lula sobre a morte do ativista cubano Orlando Zapata Tamayo, ocorrida horas antes de sua quarta visita à ilha desde que assumiu o governo. Tamayo, um pedreiro de 42 anos, foi um dos 75 dissidentes condenados em 2003 a até 28 anos de prisão. Inicialmente, a sua pena foi fixada em 3 anos. Depois, elevada a 25 anos e 6 meses por delitos como “desacato”, “desordem pública” e “resistência”. Embora não fosse um membro destacado do movimento de direitos humanos em Cuba, a Anistia Internacional o incluiu na sua lista de “prisioneiros de consciência” ? vítimas adotadas pela organização por terem sido detidas apenas por suas ideias. Em dezembro, Tamayo iniciou a greve de fome por melhores condições para os 200 presos políticos do regime, da qual morreria 85 dias depois.

Lula conseguiu superar o ditador Raúl Castro em matéria de cinismo e escárnio. Este disse que Tamayo “foi levado aos nossos melhores hospitais”. Na realidade, só na semana passada, já semi-inconsciente, transferiram-no do presídio de segurança máxima de Camaguey para Havana. E só na segunda-feira foi hospitalizado. O desfecho foi tudo menos uma surpresa para os seus algozes. Dias antes, autoridades espanholas haviam manifestado a sua preocupação com a situação de Tamayo, numa reunião sobre direitos humanos com enviados de Cuba. Ele morreu porque o deixaram morrer. Poderiam, mas não quiseram, alimentá-lo por via endovenosa. “Foi um assassínio com roupagem judicial”, resumiu Elizardo Sánchez, líder da ilegal, mas tolerada, Comissão Cubana de Direitos Humanos.

Já Lula como que culpou Tamayo por sua morte. Quando finalmente concordou em falar do assunto, sem disfarçar a irritação, o autointitulado condutor da “hiperdemocracia” brasileira e promulgador recente do Programa Nacional de Direitos Humanos, disse lamentar profundamente “que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome”, lembrando que se opunha a esse tipo de protesto a que já tinha recorrido (quando, ainda sindicalista, foi preso pelo regime militar). Nenhuma palavra, portanto, sobre o que levou o dissidente a essa atitude temerária: nada sobre o seu encarceramento por delito de opinião, nada sobre as condições a que são submetidos os opositores do regime, nada sobre o fato de ser Cuba o único país das Américas com presos políticos. Nenhum gesto de desaprovação à violência de uma tirania.

Pensando bem, por que haveria ele de turvar a sua fraternal amizade com os compañeros Fidel e Raúl, aborrecendo-os com esses detalhes? Ao seu lado, Raúl acabara de pedir aos jornalistas que “os deixassem tranquilos, desenvolvendo normalmente nossas atividades”. Lula atendia ao pedido. Afinal, como observara o seu assessor internacional Marco Aurélio Garcia, “há problemas de direitos humanos no mundo inteiro”. Mas Lula ainda chamou de mentirosos os 50 presos políticos que lhe escreveram no domingo para alertá-lo da gravidade do estado de saúde de Tamayo e para pedir que intercedesse pela libertação deles todos. Quem sabe imaginaram, ingenuamente ou em desespero de causa, que o brasileiro pudesse ser “a voz em defesa da proteção da vida aos cubanos”, como diria o religioso Dagoberto Valdés, um dos poucos opositores da ditadura ainda em liberdade na ilha.

Lula negou ter recebido a correspondência. “As pessoas precisam parar com o hábito de fazer cartas, guardarem para si e depois dizerem que mandaram para os outros”, reclamou. E, com um toque de requinte no próprio cinismo, concluiu: “Se essas pessoas tivessem falado comigo antes, eu teria pedido para ele parar a greve e quem sabe teria evitado que ele morresse.” À parte a falta de solidariedade humana elementar que as suas palavras escancararam ele disse que pode ser acusado de tudo, menos disso, a coincidência da visita de Lula com a tragédia de Tamayo o deixou exposto aos olhos do mundo e não exatamente da forma que tanto o envaidece.

A morte de um “prisioneiro de consciência”, a afirmação de sua mãe de que ele foi torturado e o surto repressivo que se seguiu com a detenção de dezenas de cubanos para impedir que comparecessem ao enterro do dissidente no seu vilarejo natal transformam um episódio já de si sórdido em um escândalo internacional. Dele, Lula participa pela confraternização com os perpetradores de um crime continuado que já dura 51 anos.

UM COMENTÁRIO PARA FICAR PREOCUPADO


Cubanos mostrando todo seu amor pelo regime dos irmãos Castro

Não tem jeito. Por mais que eu escreva, explique, esmiúçe, mostre fatos e argumentos, sempre vai haver alguém que, de boa ou má fé, por ignorância ou sonsice, vai me obrigar a dizer tudo de novo. Um leitor (anônimo, evidentemente) me manda um desses comentários que me fazem pensar até que ponto pode ir a ingenuidade humana, ou, sabe-se lá, a safadeza ideológica. Quero crer que é o primeiro caso. É somente por essa razão que me disponho a responder comentários como o que vem em seguida (em vermelho):
.
Muito ja foi dito sobre a " real Cuba", você ja escreveu sua opinião sobre o tema além de varios blogueiros cubanos além da famigerada Yoani Sanchez, mas minha pergunta diante de tudo que estes ( incluindo você ) diz é
.
" Por que não há um consensso com pelo menos 90% da população cubana, um movimento que inclua uma maioria esmagadora da população ?" ,
.
" Por que vizinhos são deninciados por vizinhos, por que há uma parcela da população que apóia Fidel e o tem em alta conta ?".
.
Não há como negar que há uma parcela da população simpática ao regime...
.
no mais , Fidel está a beira da morte e Lula esta de saída não há com o que se preocupar.
.
Seu Leitor anonimo.
.
Muito bem, vamos lá. Vou tentar ser o mais didático possível (suspiro).
.
Primeiro: Não existe "consenso" de 90%, nem de 99% - tem que ser 100%, ou então não é consenso.
.
Segundo: É isso mesmo que regimes como o cubano, que é uma tirania totalitária, almejam: o consenso, a submissão de todos a seu domínio político. E como pretendem alcançar isso? Resposta: pela REPRESSÃO, pelo TERROR absoluto, mediante a CENSURA, a POLÍCIA POLÍTICA (que em Cuba atende pelo nome de G2, sem falar nos CDRs - "Comitês de Defesa da Revolução") etc. Quer mesmo que eu explique em detalhes como isso acontece? Ou prefere que a "famigerada" Yoani Sánchez o faça?
.
Terceiro: Por que vizinhos denunciam vizinhos em Cuba? Ora, meu caro, você não sabe? Sério? Então preste atenção, vou responder: porque Cuba é um regime TOTALITÁRIO, e em sistemas assim, a vigilância e a delação são constantes. Lembra da URSS? Da Alemanha Oriental e de sua polícia política, a Stasi, que chegou a ter como espiões 20% da população? Pois é, Cuba está no mesmo clube.
.
Ficou claro? Por favor, não me faça explicar de novo.
.
A transformação de vizinhos em alcagüetes de vizinhos, e até filhos em delatores dos pais, é uma das formas mais cruéis encontradas por tiranias totalitárias para exercerem controle total sobre a população. Elas o fazem mediante a chantagem, decorrente da vigilância constante, ou pela propaganda ideológica, a lavagem cerebral (facilitada grandemente pela censura). Foi assim em TODOS - sem exceção - regimes comunistas. (Só lembrando: Cuba é um regime comunista.)
.
Quarto: Quanto a existir uma parcela da população cubana que apóia os Castro, é preciso lembrar o seguinte: na ex-URSS e na Alemanha nazista, também havia uma parcela da população - nomeadamente os membros graúdos do partido e seus apaniguados, sem falar nos agentes da repressão -, que apoiava ardentemente o regime, como há quem apóie, certamente, a ditadura no Irã ou na Coréia do Norte. Deduzo que isso não dá legitimidade a esses regimes. Ou será que dá?
.
Ainda assim - atenção para esse fato -, é IMPOSSÍVEL, em uma ditadura como a cubana, averiguar quantos exatamente a apóiam. Por que isso acontece? Novamente, preste atenção, não me faça escrever de novo: porque não há como fazer isso num regime TOTALITÁRIO, sem liberdade de expressão e de imprensa, com partido único no poder, no qual as eleições são uma farsa para homologar a ditadura.
.
Não entendeu ainda? Vou dar um exemplo. Lembre do Iraque sob Saddam Hussein. Sabe qual era a porcentagem de votos que o ditador recebia nas "eleições"? CEM POR CENTO - isso mesmo: 100% - dos votos. Isso prova que os iraquianos amavam Saddam? Nada disso! Prova apenas que não havia liberdade de dissentir. Isso porque o regime era uma DITADURA.
.
Mas, se você está mesmo interessado em saber quantos cubanos apóiam a ditadura castrista, há um jeito muito fácil de verificar isso: basta os Castro permitirem a realização de eleições livres, com outros partidos além do Partido Comunista. Aí saberemos, certamente, quantos aprovam e quantos desaprovam o regime. Enquanto isso, dois milhões de cubanos - numa população de 11 milhões - já disseram sua opinião sobre a ditadura, e outros tantos o fazem todos os dias, VOTANDO COM OS REMOS! Fui muito sutil?
.
Resumindo: os cubanos não têm LIBERDADE até mesmo para dizer se são a favor da ditadura (admitindo-se que existam os que o são, claro). Eles não podem fazê-lo de livre vontade, ao contrário de Lula, que se presta de bom grado a ser lambe-lambe(botas) do Coma Andante no dia mesmo em que um dissidente foi ASSASSINADO pela ditadura que ele, Lula, idolatra.
.
Quinto (sobre a última frase do comentário): Eis um pensamento inteligente! Para que se preocupar com a tirania castrista e com seu lambe-botas Lula da Silva, já que Fidel está com o pé na cova e Lula vai deixar a presidência daqui a alguns meses? Por que se importar, não é mesmo? Que sabedoria política!
.
Pois é, meu caro, você só se esquece de um detalhe: a tirania em Cuba, como a regência de Raúl Castro está tratando de deixar bem claro, não irá chegar ao fim com a simples a morte de seu fundador. Do mesmo modo que o comunismo não acabou imediatamente após a morte de Lênin ou de Stálin. Certamente que mudanças virão, pois afinal se trata de uma tirania pessoal e caudilhesca, mas duvido que Cuba vire uma democracia no dia seguinte à morte de Fidel. Era isso que muitos esperavam quando ele se afastou da presidência, em 2006. Já se passaram três anos e não há nenhum sinal de que seu irmão, Raúl, irá realizar algum tipo de abertura política. Pelo contrário: graças ao apoio incondicional de sabujos como Lula, a repressão em Cuba só fez aumentar, como demonstra a morte de Orlando Zapata Tamayo.
.
Além do mais, sua questão sobre Lula é de uma obtusidade sem tamanho. Alguém imagina realmente que o Apedeuta irá pendurar as chuteiras e se retirar da política depois que deixar a presidência? Esqueceu que Dilma Rousseff é o terceiro mandato que ele não conseguiu? Sem falar que, como já disse aqui, Lula não é uma pessoa: é uma idéia. O lulismo sobreviverá a ele, assim como o esquerdismo e o comunismo sobreviveram à morte de seus pais fundadores, como demonstra o Foro de São Paulo. Bem que eu gostaria de deixar de pensar em Lula e em tiranos como os Castro e ir cuidar de assuntos mais agradáveis. Mas, infelizmente, eles fazem parte de algo maior do que si mesmos: fazem parte de um movimento, por assim dizer, que tem a democracia e as liberdades individuais como principais inimigas, e que faz tudo para miná-las. E isso é motivo mais do que suficiente para não baixar a guarda.
.
Não, meu caro leitor anônimo: há muito, muito mesmo com que se preocupar. Agora, talvez mais do que nunca. Seu comentário é uma prova disso.

TRÊS GRANDES HUMANISTAS


A caricatura acima está publicada no blog CUBA DEMOCRACIA Y VIDA, de exilados cubanos na Suécia. Lula e seus ídolos, Fidel e Raúl Castro, refestelam-se em uma banheira de sangue, entre ossos e uma foto do preso político Orlando Zapata Tamayo, morto após uma greve de fome. Para usar um clichê, a imagem vale por mil palavras.
.
É um retrato perfeito da atual política externa brasileira e de sua relação com tiranias.
.
Para Lula, Rubens Paiva, Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho foram assassinados pela repressão da ditadura militar. Já Orlando Zapata Tamayo e as outras 100 mil vítimas fatais do regime cubano "se deixaram morrer".
.
Lula, um grande humanista.
.
Lula, um grande democrata.
.
Lula, o "estadista global".
.
Vejam mais imagens que revelam o caráter humanista e democrático da diplomacia lulista:


Raúl Castro vendando os olhos de um opositor que, segundo Lula, deixou-se fuzilar


Outra vítima do castrismo implorando para ir ao paredón

Mais um adversário dos Castro que se deixou morrer...